domingo, 13 de junho de 2010

Washington quer que o mundo a tire da crise


Washington quer que o mundo a tire da crise


Na cerimônia de graduação de cadetes da academia militar de West Point, no dia 22 de maio, o presidente estadunidense deu a conhecer as características da nova ordem mundial que seu país buscará impor.

Por Camila Carduz*

Na realidade não é algo muito novo, trata-se bem mais de recuperar o papel hegemônico que os estadunidenses têm perdido nos últimos anos, o que deve ser um alerta para todos os que, de forma paralela, têm afiançado sua independência, sua liberdade e sua democracia, se desenvolvendo política, econômica, cultural e socialmente.

Em uma definição sintética, é possível dizer que Barack Obama expôs um plano para o qual o resto do mundo deve contribuir, porque, segundo colocou, "o ônus deste século não pode recair só em nossos soldados, não pode recair só sobre os ombros dos estadunidenses".

Cada país tem seu próprio ônus e a obrigação de assumi-lo, mas este cria outros adicionais, declara guerras, invade territórios alheios, intervém em assuntos internos de outras nações e busca apoderar-se de riquezas que não lhe pertencem. Não pode pretender que outros paguem o ônus.

Estes anúncios do propósito de reconstruir o poderio dos Estados Unidos não são mais um discurso, são parte de um projeto elaborado pelo estamento militar, ao qual estão sujeitos os governos desse país.

Se forem comparados os ditos de Obama durante sua campanha eleitoral com os atuais e inclusive com suas intervenções nos primeiros meses como presidente, serão vistas claras diferenças.

E isto não é novo, há várias décadas que o Pentágono é quem fixa o rumo.

Fundar o "poder americano"

Após as propostas de rigor nestes casos, Obama assinalou em West Point que a novidade deveria ser "a fundação do poder americano", porque nenhuma nação cuja vitalidade econômica está diminuída mantém a supremacia militar e política. Junto a isso disse que seu país deve "renovar compromissos" para apoiar, por exemplo, a agricultura afegã ou aos africanos para que produzam seus alimentos.

Mas, expôs também, os Estados Unidos precisam que suas agências de inteligência trabalhem com suas contrapartes de outros lugares para desbaratar os complôs que vão desde as montanhas do Paquistão às ruas das cidades estadunidenses, por isso é necessário reforçar as leis que fortaleçam os sistemas judiciais em outras nações para que assim o país do norte esteja protegido.

Como estas e outras necessidades não podem ser enfrentadas por eles somente, precisam de alianças como as da Segunda Guerra Mundial ou da Guerra Fria.

Assim, chega a propor que os Estados Unidos busquem uma ordem mundial que resolva os desafios atuais, que são controlar o extremismo e a insurgência, frear o acesso a armas nucleares, combater a mudança climática, sustentar o crescimento global, ajudar os países a se auto-alimentar, cuidar de sua saúde e prevenir conflitos.

Pareceria inquestionável, se não fosse o fago de que a origem da maioria destes problemas que agora afetam também aos Estados Unidos está nas políticas desenvolvidas por eles mesmos e o que em definitivo quer Washington é que o resto do mundo a tire da crise.

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