
Lula anuncia em palco morte de Kirchner: temos muito a lamentar
"Temos muito a lamentar", afirmou o presidente Lula sobre a morte de Néstor Kirchner
Foto: Fabrício Escandiuzzi/Especial para Terra
Direto de Itajaí
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já havia encerrado a cerimônia de inauguração da última fase de reconstrução do cais do Porto de Itajaí (SC), parcialmente destruído pelas enchentes em 2008, quando foi informado da morte do ex-presidente argentino. Ao saber da morte do colega, Lula voltou ao palco e anunciou o falecimento pelo microfone. "Temos muito a lamentar", afirmou, antes de se retirar.
No início da cerimônia, Lula já havia pedido um minuto de silêncio em homenagem ao senador Romeu Tuma, que morreu ontem. "O Tuma me prendeu na década de 80 e lembro dele, pois ele me liberou para acompanhar o enterro de minha mãe. Isso não era muito comum na época da ditadura", disse.
Kirchner morreu em uma clínica da cidade de Calafate vítima de um infarto. O ex-governante tinha sido internado no hospital, onde chegou acompanhado da mulher, a presidente Cristina Kirchner, hoje pela manhã.
Kirchner, 60 anos, já tinha sido hospitalizado em setembro passado por um problema cardíaco em uma clínica do bairro portenho de Palermo, onde foi submetido a uma angioplastia.
O ex-presidente também era secretário-geral da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), líder do Partido Justicialista (PJ) e possível candidato à presidência nas eleições de 2011.
Trajetória
Nascido em 25 de fevereiro de 1950 em Rio Gallegos, na província de Santa Cruz, Patagônia, Néstor Carlos Kirchner teve uma vida dedicada à política. Participou desde cedo de movimentos, fazendo oposição ao governo militar como parte da Juventude Peronista. Chegou à Presidência da Argentina em 2003, fazendo sua mulher como sucessora em 2007. Atual primeiro-cavalheiro de seu país, Kirchner morreu nesta quarta-feira, vítima de problemas cardíacos.
Considerado um homem público com um caráter implacável frente a seus adversários, Kirhcner foi um dos políticos mais influentes do país e um potencial candidato para as eleições de outubro do ano que vem.
No início da década de 70, Kirchner estudou Direito na Universidade Nacional de La Plata. Em 1975, casou-se com Cristina Fernández, também militante do movimento justicialista. Em setembro de 1987, como candidato peronista, Kirchner foi eleito intendente de Rio Gallegos. O sucesso de sua administração o levou a ser candidato a governador da província, cargo para o qual foi eleito com 61% dos votos em setembro de 1991, sendo reeleito em 1999.
Em 2003, Kirchner saiu em segundo lugar no primeiro turno das eleições, atrás do também peronista Carlos Saúl Menem. Apoiado pelo então chefe do Executivo da Argentina, Eduardo Duhalde, Néstor Kirchner virou o jogo e venceu o ex-presidente Menem, criticado por ter encabeçado um governo marcado por uma forte crise econômica.
Consolidada a recuperação da economia, Kirchner deixou o cargo em 2007 com alta popularidade, fazendo sua mulher como sucessora. Ultimamente, o ex-presidente era deputado federal e secretário-geral da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), além de presidente do poderoso Partido Justicialista (peronista).

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