
"Quando surgiu o negócio da crise econômica americana, eu comecei a ficar assustado, por quê? Porque as manchetes eram o seguinte: “Economia vai parar”; “o consumidor vai deixar de comprar, os trabalhadores não querem fazer dívida porque estão com medo de perder o emprego”. Eu falei: Franklin, eu preciso fazer um pronunciamento. Eu preciso dizer para os trabalhadores que, se eles pararem de comprar, eles vão perder o emprego. Bem, me reuni com o Guido, me reuni com o Meirelles – a gente tinha certeza do que ia acontecer no Brasil. Eu tenho visto em debates com setores industriais que eles se acovardaram na época da crise. Não precisava ter dado a brecada que deram, aqui, no Brasil, não precisava ter dado aquela brecada que a economia fez “assim”, entre outubro de 2008 e fevereiro de 2009. A indústria automobilística exagerou, outros setores exageraram – no medo, apenas no medo.
__________: Oitocentas mil demissões.
Presidente: Nós tomamos todas as medidas possíveis. Nunca – agora eu vou dizer – nunca antes na história do G20 ou do G8, alguém tomou medidas tão rápidas. Tanto é que, quando chegou ao mês de março, a indústria automobilística já estava vendendo mais, produzindo mais, a economia se recuperou, nós desoneramos o que era preciso desonerar, e incentivamos a compra de geladeira, de máquina, de tudo. Ou seja, graças a Deus, a economia brasileira foi a última a entrar e a primeira a sair, e não precisaria ter passado sufoco. Tudo isso, (incompreensível).
Um dia, eu conversei com o presidente de uma associação comercial que ele… o pessoal fazia uma pesquisa no final do ano, e aparece assim: “consumidor está cauteloso”; “consumidor está com medo”. Então, ele publicou o resultado da pesquisa com a manchete: “Consumidor está com medo”. Eu falei: Companheiro, companheiro, eu não sou publicitário, mas você fez a pesquisa para detectar o que está acontecendo no setor. A informação que você tem que dar é para reverter, você não pode causar pânico. Ou seja, faça uma orientação de como é que as pessoas devem comprar. E isso acontece muito, acontece.
Eu vou dizer mais para você uma coisa, uma conversa que eu tive com alguns companheiros. No Brasil, muitas vezes um instituto qualquer de fiscalização paralisa uma obra um ano, paralisa uma obra um ano. Aí, depois de um ano, a suspeita levantada por aquele órgão não se concretizou. E ninguém se responsabiliza por pagar à nação um ano de prejuízo, ninguém. As pessoas só dão a manchete da denúncia: “Suspeita na entrevista do Lula com os blogueiros”. Aí, depois não aconteceu nada, ninguém fala: “Não teve nada”. Então, isso é uma coisa que uma grande personalidade jurídica me disse um dia: “Presidente, é preciso criar um instrumento da [para a] sociedade acionar judicialmente essas falsas denúncias”. Ou seja, o cara denunciou, não provou, quem é que vai pagar? Porque o prejuízo fica com a nação. Se eu contar uma coisa para vocês aqui, se eu contar da perereca do túnel do Rio Grande do Sul, lá de Osório, que, por causa de uma pererequinha, parou uma obra por seis meses. Se eu contar da machadinha indígena no Canal do São Francisco, que o cidadão encontra um pedaço de pedra e um engenheiro fala: “Parece uma machadinha indígena”. Aí, pararam a obra por seis meses, e não era machadinha coisa nenhuma. E eu quero saber o seguinte: Quem paga a conta?"





























