
Sargento do Exército acusado de atirar em jovem homossexual tem habeas corpus negado
o globo
RIO - O plantão Judiciário do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ) negou o pedido de habeas corpus do sargento do Exército Ivanildo Ulisses Gervásio que foi preso, na noite de quinta-feira, acusado de ter atirado em um jovem homossexual, em novembro do ano passado. O crime aconteceu no Parque Garota de Ipanema, no Arpoador, horas depois da parada gay de Copacabana.
O sargento responde por tentativa de homicídio e teve a prisão preventiva decretada na última segunda-feira, conforme antecipou a coluna do jornalista Ancelmo Gois .
No pedido de prisão, o juiz Murilo André Kieling, da 3ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio, decidiu pela prisão preventiva para preservar a ordem pública e a integridade das testemunhas do caso.
Douglas, que já não sai mais à noite e se mudou da casa da mãe, em Campo Grande, teme represália por parte dos militares. O jovem homossexual foi abordado por três militares do Forte de Copacabana, foi xingado, agredido fisicamente e ferido à bala no Parque Garota de Ipanema, no Arpoador. A vítima, agora com 20 anos, comentou a prisão do militar:
- Fiquei feliz com a notícia, mas também com muito medo. Deixei minha casa para fugir de tudo e tentar esquecer o que aconteceu. A notícia de hoje me fez lembrar de tudo. Será que ele vai querer se vingar? - questionou o rapaz, exibindo a cicatriz do tiro que levou na barriga.
O jovem lembra o momento em que foi abordado por três militares do Forte de Copacabana. Ele conta que foi xingado e agredido fisicamente pelo sargento Ivanildo mesmo depois de ter sido ferido:
- Depois de me dar um tiro, ele me levantou pelo colarinho e me chutou. Fui socorrido por amigos - contou o rapaz. - Acho que ele ficou irritado porque eu não fiquei gritando e chorando quando eles começaram o terror psicológico. Fiquei quieto. Jamais poderia imaginar que ele me daria um tiro.
Segundo a polícia, o militar que fez o disparo alegou que manuseava a arma apenas para intimidar o jovem. O sargento foi indiciado por tentativa de homicídio duplamente qualificado por motivo torpe e sem possibilidade de defesa da vítima, com dolo eventual. Os dois outros militares, segundo Douglas, não participaram do crime:
- Eles só fizeram terror psicológico. Um deles já tinha ido embora quando fui baleado.
De acordo com o Tribunal de Justiça, o juiz decretou a prisão do sargento alegando que foi um crime "com motivo torpe e com recurso que impossibilitou a defesa da vítima". O inquérito inicialmente foi para a Justiça Militar, mas foi transferido para a Justiça comum porque o delito foi praticado fora da área militar e contra um civil. Na Justiça Militar, o sargento chegou a ter a prisão decretada, mas depois o ato foi revogado.
Para o superintendente de Direitos Individuais, Coletivos e difusos da Secretaria estadual de Assistência Social e de Direitos Humanos, Claudio Nascimento, a decisão judicial foi uma vitória. A superintendência ajudou a identificar os militares e deu apoio psicológico para a vítima e testemunhas:
- A decisão certamente vai desestimular homofóbicos e estimular as denúncias.
Na quinta-feira aconteceu o julgamento do sargento pelo crime de abandono de posto na 3 Auditoria Militar. Ele foi condenado a oito meses de detenção e poderá apelar em liberdade.

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