quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Renan Freitas Pinto participa de publicação que analisa a presença alemã no Brasil em cinco séculos

Amazônia no roteiro alemão

Pesquisador Renan Freitas Pinto participa de publicação que analisa a presença alemã no Brasil em cinco séculos

 
InternetCapa do livro “Cinco Séculos de relações brasileiras e alemãs” a ser lançado em São Paulo, Berlim e Frankfurt, como parte das atividades do ano Alemanha-Brasil
InternetCapa do livro “Cinco Séculos de relações brasileiras e alemãs” a ser lançado em São Paulo, Berlim e Frankfurt, como parte das atividades do ano Alemanha-Brasil (Divulgação )
A Alemanha e o Brasil estão testando uma série de novas possibilidades conjuntas nos campos econômico, cultural e científico. O ano “Alemanha+Brasil 2013-2014” é o espaço motivador para olhar o passado como norteador da reflexão no presente e planejar o futuro em termos de parcerias.
O tema desse ano é “Quando as idéias se encontram” e o efeito mobilizador da comemoração é enorme. Uma estrutura gigantesca nos dois países abriga programação variada numa grande teia econômico-científico-cultural. As principais universidades do Brasil prepararam lançamentos de obras clássicas que tratam da presença dos alemães em território brasileiro; empresários e instituições de inovação tecnológica têm uma agenda farta de encontros bilaterais; e os negócios com o turismo prometem uma temporada bem humorada.
Nesse caldeirão cultural, está o lançamento de “Cinco Séculos de relações brasileiras e alemãs”, livro que apresenta uma visão geral e ao mesmo tempo aprofundada das relações entre a Alemanha e o Brasil do século XVI até hoje. Para produzir a obra foram convocados 25 renomados autores das áreas das ciências e da literatura do Brasil e da Alemanha. O sociólogo Renan Freitas Pinto, professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) é o representante da Região Norte do País nessa publicação.
Escreve, em parceria com um dos dois organizadores do livro, Willi Bolle, o capítulo “O Fascínio pela Amazônia: de Martius a Nimuendajú”. O texto aborda a presença e a contribuição de estudiosos alemães para o conhecimento e revelação da Amazônia ao mundo. Ao mesmo tempo, afirma Renan, é possível dizer que esses cientistas e suas obras transformaram a região em vasto campo de observação e laboratório de estudos e descobertas que contribuíram de forma decisiva para a constituição de ciências como a botânica, a zoologia, a antropologia e a linguística, entre várias outras.
Um dos principais intelectuais da Amazônia, Renan Freitas Pinto considera que o estudo esclarece determinados aspectos de relevância da Região Amazônica para a construção do pensamento ocidental por meio da obra de autores como Spix e Martius, Langsdorf, Karl Von den Steinen, Theodor Koch-Grünberg e Curt Nimuendajú.
“É dessa forma que está assinalado o papel dos cientistas alemães na formação e difusão das ideias com que o mundo passou a ver e a imaginar a Amazônia”, diz o pesquisador que se encontra em São Paulo para participar, como convidado, no dia 18, do lançamento da obra, no Instituto Goethe. Em outubro, Renan estará na Alemanha, pela mesma razão. “Cinco Séculos de relações brasileira e alemães”, será lançado, no dia 2, em Berlim, e no dia 13, na Feira Internacional do Livro, em Frankfurt. A edição é bilíngue, português-alemão.
Relatos montam a história
Os 25 convidados para escrever “Cinco Séculos de relações brasileiras e alemãs” pretendem que a publicação contribuia para o diálogo entre os dois países e, com seus artigos, estimulam a comparação entre as culturas. O professor Renan Freitas Pinto observa que os dados têm fundamento científico e são apresentados em estilo jornalístico, como forma de atender um público mais amplo.
Nessa obra, 20 artigos tratam entre outros dos seguintes temas: as aventuras de Hans Staden; os jesuítas alemães no Brasil; o governo de Maurício de Nassau no Recife; a relação entre D. Pedro I e Leopoldina de Habsburgo; os cientistas viajantes; a imigração alemã, as relações econômicas e diplomáticas; a contribuição de críticos como Otto Maria Carpeaux e Anatol Rosenfeld, e de escritores como Alfred Döblin (A trilogia da Amazônia) e Stefan Zweig, autor de “Brasil, um país do futuro”.
O ano “Alemanha + Brasil” foi aberto no dia 13 de maio, pela presidente Dilma Rousseff, e a chanceler alemã Angela Merkel. Será em encerrado no em maio de 2014. Até lá centenas de atividades serão realizadas.
Países têm parcerias fortes
O Breasil é o maior parceiro comercial da Alemanha na América Latina. A Alemanha responde por aproximadamente 250 mil postos de trabalho direto no Brasil dos quais 2 mil estão no Estado de São Paulo que também responde pelo maior número de empresas alemãs em todo o mundo.
Dados do Governo Federal e da Câmara do Comércio Brasil-Alemanha, indicam que o capital alemão representa 10% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. No ano de 2008, os governos dos dois países assinaram um acordo em torno do Plano de Parcerias Estratégicas.
Os investimentos da Alemanha no Brasil somam, em três décadas, US$ 22 bilhões. No Brasil, estão 1,6 mil empresas da Alemanha e as brasileiras em território alemão somam 50. O governo brasileiro estima que até 2014 perto de 10 mil estudantes de diferentes regiões do País estarão na Alemanha, por meio de ações de intercâmbio. O interesse pelo estudo da língua alemã está em franco crescimento. Hoje, mais de 90 mil pessoas estudam essa língua.
Os primeiros colonos alemães chegaram ao Brasil em 1824, tendo a cidade de São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, como destino principal.
Ciência, história e intercâmbio
O livro “Cinco Séculos..” que tem como organizadores Willi Bolle e Eckhard E. Kupfer, edição bilíngue português-alemão e seus capítulos estão distribuídos em dois volumes. Os organizadores conhecem bem a Amazônia e a visão que têm de Brasil não está dissociada de suas vivências e conhecimentos que experimentaram nessa parte do País.
Eckhard E. Kupfer atualmente é diretor do Instituto Martius/Staden e já trabalhou em Manaus como empresário e atuando como jornalista escreveu vários artigos sobre distintos prismas da Amazônia. O jornalista e escritor Laurentino Gomes escreve o capítulo “ A fuga da corte portuguesa.

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