terça-feira, 22 de setembro de 2015

O risco da maioria silenciosa


O risco da maioria silenciosa

Rogel Samuel

Diz alguém que “em 1969, em virtude das manifestações contra a guerra do Vietnã, o então presidente americano Richard Nixon fez um discurso em que se dirigia à "grande maioria silenciosa", formada pelas bases conservadoras do partido Republicano, que não haviam ido às ruas, que apoiavam a guerra, e pedia apoio para unir-se a ele em favor da vitória dos Estados Unidos. A estratégia funcionou e Nixon conseguiu reeleger-se em 1972”. 

O termo me assaltou quando eu ontem estava num restaurante e ouvi o seguinte diálogo na mesa ao lado: 

– A senhora viu o debate na câmera ontem? – perguntou um rapaz. 

– Eu não vou perder meu tempo... – respondeu uma senhora. 

Por causa dessa imensa “maioria silenciosa” que se recusa a ver a realidade (que é política) é que houve a terrível guerra do Vietnã quando mais de 400 mil soldados e civis morreram durante o conflito de nove anos, quando quase três milhões de jovens norte-americanos serviram durante os 15 anos de engajamento militar e 56 mil soldados americanos morreram e mais de 300 mil voltam para casa mutilados ou com deficiência e que bem poderiam ser filhos daquela senhora elegante que não quis “perder o seu tempo”.



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