quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

AS AMAZONAS



As Amazonas de Bilac

Só Bilac para essa capacitação perene, essa atualidade exatamente hoje.

Ainda é, para mim, Bilac o maior poeta do Brasil. Ainda o leio, anos após ano, sempre com renovado prazer. Digo e repito: prazer. Pois para que serve a arte a poesia a vida senão para isso, para nos proporcionar o prazer, o verdadeiro prazer que a poesia a musica a pintura o teatro todas as grandes artes nos levam ao gozo do supremo, ao gozo da estesia. O resto é bobagem tolice, cerebral artifício estéril de professores sem talento (pois sou professor) que ficam analisando classificando matando a arte. Bilac atravessou o modernismo e o pós, Bilac compôs sonetos que quem souber ler pode ainda hoje usufruir. Patrimônio nacional, Bilac merecia um monumento em cada praça. Cabral é descendente de Bilac.

Por isso releio As Amazonas:

Nem sempre durareis, eras sombrias 
De miséria moral! A aurora esperas, 
Ó Pátria! e ela virá, com outras eras, 
Outro sol, outra crença em outros dias!

Davi renascerá contra Golias, 
Alcides contra os pântanos e as feras: 
Os corações serão como crateras, 
E hão de em lavas mudar-se as cinzas frias.

As nobres ambições, força e bondade, 
Justiça e paz virão sobre estas zonas, 
Da confusa fusão da ardente escória.

E, na sua divina majestade, 
Virgens, reviverão as Amazonas 
Na cavalgada esplêndida da glória!

Quem são essas Amazonas míticas? Elas representam outro sol outra crença outros dias! Davi, Alcides, corações, lavas, nobres ambições, força, bondade, justiça, paz, esplêndida glória!

As Amazonas de Bilac são a Revolução.

Representam a virada, a vitória contra o obscurantismo.

Repito: Só Bilac para essa capacitação perene, essa atualidade exatamente hoje.

Não.

Bilac – como todo grande poeta – não tem tempo, seu tempo é a atualidade.

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