domingo, 3 de julho de 2016

TEATRO AMAZONAS - A PRIMEIRA EDIÇÃO ESTÁ NO FIM




Lima Silva, Alarico José Furtado, Emílio Moreira, Joaquim Sarmento e João Coelho antes do jantar no restaurante do Hotel Cassina. Era uma noite fresca. Bebiam um pouco de champanhe antes do peixe. Não tinham pressa. 
Furtado disse:
- Estive ontem a bordo do “Maranhense”. Tenho notícias, disse.
O “Maranhense”, apesar do nome, era um vapor inglês.
- Eu soube – disse o ex-governador Furtado, com a taça na mão. Parece que já está encomendado todo o ferro necessário para a construção do teatro. 
- Deve chegar em setembro, acrescentou Furtado, envolto numa baforada de charuto. O Carlos Rossi, chefe a forma Rossi & Irmãos, está viajando com o pessoal dele em Glasgow, contratando. 
- Devem chegar operários especializados, disse Emílio Moreira. 
Emílio Moreira era baiano, irmão do Barão do Juruá e de Guilherme Moreira. Os irmãos Emílio e Guilherme Moreira fundaram em Manaus a firma Moreira & Irmão. Eram dois irmãos muito unidos e muito ricos. Enquanto um viajava pelo interior, principalmente pelo Juruá, o outro ficava na capital. Negociavam borracha, castanha, pirarucu seco e outros produtos, que exportavam. Fizeram fortuna. Entraram na política. 
Emílio Moreira casou-se com a irmã de Joaquim Sarmento, futuro senador, de uma família importante, o que aumentou o prestígio dos dois. Emílio Moreira foi decisivo na eleição de Eduardo Ribeiro ao Governo. Mas as obras da construção do Teatro estavam paradas. A Assembléia Legislativa autorizou a modificação do contrato, depois de duro embate político com o Presidente da Província. O contrato foi rescindido, o material da construção do teatro ficou sob a guarda da Secretaria de Obras Públicas. Os contratantes foram indenizados. Tudo parou. 
- Parece que o teatro nasceu sob um signo funesto, disse Lima Silva. 
- Desde o início da sua existência, quer como idéia, quer como realidade. Quando não era a oposição, eram os contratantes, forçando o tesouro público a despesas desnecessárias, - concluiu.
* * *
Em 24 de fevereiro de 1887, passando Emilio Moreira pela Praça São Sebastião, vê que se está construindo um barracão de madeira para ali serem guardados os materiais da construção do teatro. 
Eram ordens do governo imperial. 
A praça São Sebastião tinha estado em obras. Caríssimas. Tentaram aterravam o Igarapé do Espírito Santo, que passava onde hoje é a rua 24 de maio. Os terrenos ao redor do teatro tinham de ser nivelados. A terraplanagem da área tinha custado uma fortuna, quase 7 contos. Foram usados carros de condução e carroças de água. Essas obras se arrastaram no período de 1886 a 1892. Depois pararam.
As obras da construção do teatro pararam completamente. 
E o magnífico Teatro Amazonas se transformou num esqueleto cheio de mato, abandonado. As paredes já construídas estavam cobertas de limo. O lugar se transformou num lugar perigoso, escuro, cheio de lixo, fedia a urina e a fezes humanas.

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