quarta-feira, 19 de abril de 2017

E O CONGRESSO?


E O CONGRESSO?

Rogel Samuel

Oh, Amigos, não esqueçamos o futuro Congresso. Só pensamos nos quatro cavalheiros do apocalipse. Esquecemos o principal: Quem manda é o Congresso. O Poder é ele, está nele. Ele pode por um presidente de joelhos, pode tirar e por. Collor caiu porque comprou briga com as elites, isto é, com o Congresso. Pensam que foi só o PC? O Congresso é a Democracia, seja lá o que esta vazia palavra queira significar. É sempre a mesma contradição brasileira: o povão elege o presidente; as elites, o Congresso. Esta eleição talvez seja diferente, vamos ver. Sou pessimista por nascença (sou meio índio). Não é o mal quem sempre vence? - dizia o velho Marcuse. São das elites os meios de comunicação, o capital. O ultrapassadíssimo Marx dizia: "Quem detém os meios da produção material, detém os meios da produção intelectual". Democracia: não governo do "povo", mas das elites. Da 
classe dominante. Econômica. Por isso, ai Amigos, cuidado com o Congresso futuro, ele vai decidir a vida da nação (ou seja, a nossa). 
Os meios de comunicação são espertos: concentram tudo na figura do candidato a presidente. O Congresso: Nos seus corredores, nas reuniões sigilosas, nas suas comissões - lá tudo se decide. Quem governou com tão grande maioria do que FH? O Malan e o FH nada seriam sem o Congresso que lhes deu apoio, à custa sabe Deus de quê.

Há mais de vinte anos. Eu trabalhava numa faculdade particular. Meu patrão era o falecido deputado Gama Lima. Direitão (líder da Arena na Assembléia), comigo se abria:
- Deputado, quem vai ser o próximo presidente?
- O General João Batista de Figueiredo, de botas pretas, vai subir a rampa do palácio no seu garboso cavalo...
Anos depois, pergunto:
- Deputado, animado para a próxima eleição?
Ele responde:
- Ah, meu amigo, meu tempo já passou. Hoje, se você não for apoiado por um bicheiro não se elege no Rio de Janeiro.
(Isso naquele tempo. É claro.)

Na mesma época contavam (não sei se verdade) que o falecido bicheiro Castor de Andrade, riquíssimo, gostava de Johnny Mathis e para uma festa de aniversário em sua casa em Bangu simplesmente o contratou. 
Dizem que Johnny veio direto para a festa e de lá voltou para o aeroporto sem que ninguém por aqui soubesse. As más línguas afirmam, entretanto, que o cantor de "Midnight Cowboy" levou com ele um jogador do Bangu para os Estados Unidos. Mas tudo lenda daquela época, talvez.

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