"A felicidade entrega-se àquele que venceu o seu medo de viver, e que considera a sua vida como uma chama sagrada, na longa continuidade das eras" (Dugpa Rinpochê).
A vida é sagrada? Para ele, sim. Um luz sagrada, na longa continuidade das eras.
Difícil de acreditar.
Porém, quando ele diz que a felicidade se entrega àquele que não tem medo de viver, nós reconhecemos o fato.
Lembro-me de um amigo, cujo nome não posso ou não devo confessar, que, depois de se saber com uma doença gravíssima, em vez de se deixar mergulhar no desespero, deu uma virada existencial e se tornou vitorioso, e até quase rico.
Anthony Burgess escreveu "Laranja mecânica" depois de se saber com um câncer.
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segunda-feira, 24 de agosto de 2009
sábado, 22 de agosto de 2009
Do amor

Diz Dugpa Rinpochê: "Quando se ama com verdadeiro amor, a presença do ser amado é ressentida ao mesmo tempo como um sofrimento e como um prazer. É o duplo combate da sombra e da luz. Uma ameaça acrescenta-se à tua alegria, um sombrio pressentimento de fracasso que te torna infeliz. Considera a alegria e a tristeza como as duas cores de um mesmo ramo. Que uma não se erga contra a outra, e o teu amor será salvo".
Que entenderá do amor um monge budista? Ama um monge budista? Sofre as emoções do amor e da paixão, como todos nós?
Parece que sim. Sim.
Para ele, a presença do amado levanta um sentimento duplo, contraditório, dois sentimentos contraditórios, sofrimento e prazer. Sombra e luz. Uma ameaça e uma alegria, um sombrio pressentimento de fracasso e uma leva de luzes de alegria.
Considerando os dois lados como dois lados da mesma natureza, o amor é salvo, intacto. Abandonando os dois sentimentos ao seu verdadeiro estado, vivemos o amor.
E o amor "recomeça o mundo, em cada instante" diz ele.
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
A felicidade

"Não desesperes da felicidade. Ela não te espera no extremo oposto da terra ou numa vida futura. Ela está aí onde te encontras. Espreita o momento em que estarás enfim disposto a convidá-la, a recebê-la. Vira os teus pensamentos para ela. Basta-te simplesmente ultrapassar o teu medo", disse Dugpa Rinpochê.
Sem medo de ser feliz? Ou colocamos a felicidade sempre onde onde não estamos?
Parece que ele quis dizer que a felicidade é uma "disposição para ser feliz", uma abertura para ser feliz, um voltar-se para ela, sem medo, sem hesitação, indecisão, perplexidade, dúvida...
É isso que eu quero?
Ser feliz não é a vocação de todos? Não é de todos o destino e o objeto?
Por que é tão difícil?
Qua a cara da felicidade?
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
A felicidade

Frase estranha essa, de Dugpa Rinpochê: "A felicidade não é um paraíso fechado, separado do mundo. É, ao mesmo tempo, a nascente e o oceano".
Frase estranha, difícil, enigmática.
A felicidade. Que é a felicidade? Como pode ser definida como a nascente e o oceano?
Eu não sei. Eu nada sei. A nascente do rio é o princípio de tudo, o olho d'água na montanha. Depois a água escorre, desce um pouco, e com mais engrossa fica um fio d'água e um córrego e um riacho e um rio até o grande oceano. O grande oceano pode simbolizar a grande Realização final. Ele é a felicidade. A nascente também.
A felicidade é a fonte de tudo. Tudo nasce da felicidade e para ela se dirige.
Estranha. Muita estranha frase enigmática.
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Concentração

"Concentra o teu espírito numa única coisa de cada vez, evita a dispersão. Concentra a tua vontade numa cabeça de alfinete, e conseguirás atravessar o obstáculo", escreveu Dugpa Rinpochê. Como uma lente pode aumentar a luz do sol, a ponto de fazer surgir o fogo do sol na terra, assim, talvez, é o que faz a concentração com nossa mente, "nosso espírito". A dispersão a dissolve.
Lembro-me da existência do sábio francês Gaston Paris (1839-1906). Ele deve ter sido o maior filólogo de sua época, e dominava as línguas e literaturas do mundo inteiro, inclusive do oriente. Escreveu "Les contes orientaux dans la littérature du moyen âge" (Paris, 1875).
Um dia perguntaram a ele qual o segredo da sua imensa cultura.
- Eu leio uma hora por dia, respondeu ele.
Deve ter sido sua capacidade de concentração.
terça-feira, 18 de agosto de 2009
Renascer

"É preciso viver como se mantém uma fogueira. Procura experimentar uma paixão, uma grande idéia, cada dia, divertindo-te com a tua audácia, sem orgulho, permanecendo humilde perante as belezas da Criação", disse o mesmo Dugpa Rimpochê.
O fogo do interesse da vida deve ser realimentado todos os dias? O fogo do interesse de uma paixão tem de ser reanimado todos os dias? O fogo do interesse de uma grande idéia tem de ser reinventado todos os dias? A vida é dia a dia construída, criada, recriada, prazer perante a vida?
"Aprende a renascer a cada instante. Para onde quer que olhes, é aí que o universo começa, e a alegria está no seu início", diz mais, o velho monge.
domingo, 16 de agosto de 2009
O visível

"Deve tornar visível o objetivo que pretende alcançar, como a mandala numa meditação. Aprenda a gostar do sucesso. Fá-lo brilhar acima dos teus atos, como um sol, uma bela luz. Só então ele se entregará a ti", escreveu Dugpa Rinpoche.
Meditar no sucesso? Vê-lo, como numa fotografia. Pintura da terra pura aonde chegar. Não buscar uma abstração, num nevoeiro. Quem sabe o que quer tem a imagem delineada do lugar onde quer chegar, já o antecipa. Quem sabe o que quer já está lá, já o tem dentro de si. Platão dizia que o amador se transforma na coisa amada, por força de tanto imaginar, de tanto o ver, como no soneto de Camões. Não tenho logo o que buscar, diz Camões, por influência platônica, pois em mim já tenho a coisa amada. Eu sou o que amo quando amo. Meditar no sucesso? no amor? Não: sê-lo, por antecipação.
sábado, 15 de agosto de 2009
A sorte
"A sorte dorme desde sempre dentro de ti próprio, como um tesouro puro. Precisas simplesmente de acordá-la. A sorte procura-te, desde toda a eternidade. Na verdade, a sorte está enamorada de ti. Não vergues. Não desesperes. Deves fazer-te belo para o encontro, mostrar as tuas mais belas cores, as tuas mais belas paixões. Elas são as chaves mágicas que abrem todas as portas e tornam leves o que é pesado", escreveu Dugpa Rinpoche.
Para acordar a sorte devo tornar-me belo, cobrir-me de cores, paixões. Que será isso? Se eu me abater, a sorte vai abandonar-me. Se me desesperar. Devo manter-me formoso e alegre, otimista e ótimo. Não deixemos a sorte dormir para sempre, a vida é curta.
Será que é isso que Dugpa Rinpochê quis dizer?
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
O obstáculo
Dugpa Rinpochê escreveu: "O obstáculo é o espelho das tuas próprias hesitações, das tuas confusões. Utiliza o obstáculo para te esclarecer a ti próprio. A provocação do dia a dia é sempre uma lâmpada para a alma".
Que é o obstáculo? Eu me atrabalho: isso é o meu obstáculo. Eu sou o criador da minha
lucidez e confusão.
O obstáculo me esclarece.
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Nossos sonhos

Escreveu Dugpa Rinpochê: "Quem deseja a sorte sempre a alcança. Não deprecie nunca os nossos sonhos. Devemos fazer um pacto com eles. Eles são a nascente e a força inesgotável que nos levarão à vitória. Atrás do obstáculo, encontra-se uma liberdade virgem, um horizonte mais vasto".
Dugpa Rinpochê era um monge tibetano velho, que fugiu do Tibet junto com o Dalai Lama. Ele escrevia seus textos numas folhinhas de papel que enrolava como um canudo, como os textos antigos.
Faleceu em 1989. Morava em "Nagarkot, Nepal, a três mil metros de altitude, à vista dos seus três cumes lendários: o Annapurna, o Melung Tse e a cordilheira do Everest, coroados de neve".
Era ali que ele meditava nos seus pequenos textos.
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