sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Os canibais amazônicos

Os canibais amazônicos




Os canibais amazônicos

Rogel Samuel


Segundo a Folhaonline, os índios Kulina mataram e comeram um jovem na cidade de Envira, que, segundo me informaram, fica na margem direita do Tarauacá, alto Juruá, Amazonas: como os "numas" do meu livro "A amante das amazonas", os Kulina devoram um civilizado e penduraram sua cabeça na árvore.
O meus Numas não era exatamente canibais, mas exterminadores.
O que se sabe dos canibais amazônicos é que eles comiam o corpo dos seus inimigos dentro do crânio de suas cabeças. Não penduravam cabeças na árvore.
O crânio era importante, pois representava a passagem.
Isto foi magnificamente estudado em “Araweté: Os Deuses Canibais” de Eduardo Viveiros de Castro, Rio, Edições UFRJ/Zahar, 1986.
"Os yanomamis praticaram o endocanibalismo (comem gente da própria tribo). É uma cerimônia que reitera do compromisso de vingar o morto. "O ritual organiza um estado de hostilidade
permanente", diz o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, do Museu Nacional. "A cerimônia é quase uma eucaristia." Só os amigos sem laços de consangüinidade são convidados para o
funeral. O cadáver é pranteado e colocado sobre uma plataforma, fora da aldeia. A carne é separada dos ossos e cremada. Os ossos são limpos e moídos num pilão até virar cinza. No funeral, os vizinhos e aliados comem as cinzas com purê de banana.
"Ao contrário do culto cristão do ancestral", explica Viveiros de Castro, "a antropofagia yanomami realiza o apagamento total do antepassado".
Há um texto indígena antigo que cito de cabeça por não achar o livro que diz:
“Comerei teu corpo no crânio da tua cabeça
Sobre tuas cinzas dançarei
E exultarei!”

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

AS PRIMAVERAS DE CASIMIRO DE ABREU



AS PRIMAVERAS DE CASIMIRO DE ABREU
A primavera é a estação dos risos,
Deus fita o mundo com celeste afago,
Tremem as folhas e palpita o lago
Da brisa louca aos amorosos frisos.
Na primavera tudo é viço e gala,
Trinam as aves a canção de amores,
E doce e bela no tapiz das flores
Melhor perfume a violeta exala.
Na primavera tudo é riso e festa,
Brotam aromas do vergel florido,
E o ramo verde de manhã colhido
Enfeita a fronte da aldeã modesta.
A natureza se desperta rindo,
Um hino imenso a criação modula,
Canta a calhandra, a juriti arrula,
O mar é calmo porque o céu é lindo.
Alegre e verde se balança o galho,
Suspira a fonte na linguagem meiga,
Murmura a brisa: - Como é linda a veiga!
Responde a rosa: - Como é doce o orvalho!
.................
Mas como às vezes sob o céu sereno
Corre uma nuvem que a tormenta guia
Também a lira alguma vez sombria
Solta gemendo de amargura um treno.
São flores murchas; - o jasmim fenece,
Mas bafejado s’erguerá de novo
Bem como o galho do gentil renovo
Durante a noite, quando o orvalho desce.
Se um canto amargo de ironia cheio
Treme nos lábios do cantor mancebo,
Em breve a virgem do seu casto enlevo
Dá-lhe um sorriso e lhe entumece o seio.
Na primavera - na manhã da vida -
Deus às tristezas o sorriso enlaça,
E a tempestade se dissipa e passa
À voz mimosa da mulher querida.
Na mocidade, na estação fogosa,
Ama-se a vida - mocidade é crença,
E alma virgem nesta festa imensa
Canta, palpita, s’extasia e goza.

terça-feira, 20 de setembro de 2016

A INAUGURAÇÃO DO TEATRO AMAZONAS

A INAUGURAÇÃO DO TEATRO AMAZONAS

Rogel Samuel

“La Gioconda”, que inaugurou o Teatro Amazonas, é um dramalhão com estilo de Victor Hugo. O libreto é inspirado num conto de Victor Hugo, o “Angelo, tirano de Padoue”. O enredo é confuso, complexo. E longo. O cenário é Veneza do Século XVII.

Logo na Introdução há um grande baile comemorativo à vitória de um nobre na corrida de barcos. Todos dançam e bebem, uma população inteira. Muitos atores, é o exemplo da Grande Ópera italiana. Com vários papéis principais, um para cada voz.


A inauguração do TA estava ameaçada pela boataria do inimigos do Governador Fileto Pires Ferreira, que espalharam a mentira de que o teatro estava prestes a ruir, a desabar. O povo se retraiu. Houve medo. O Governo teve de reduzir o preço dos ingressos para conseguir lotar o teatro. Houve uma estranha “frieza” na população, que antes brigava na disputa de cadeiras do Éden Teatro, agora se recusava a ir ao novo teatro.


Mas, apesar de tudo, a inauguração do teatro foi um sucesso de público.

Não consegui ler nenhuma crítica teatral da época que me descrevesse a estreia.

Com os dados de que dispus, descrevi assim a inauguração, no meu romance Teatro Amazonas. Mas é uma obra de ficção, qualquer semelhança é mera coincidência:

“No dia 31 de dezembro de 1896 se inaugurou o Teatro Amazonas.

Inaugurou-se com “La Gioconda”, de Amilcare Ponchielli, sob a regência do maestro brasileiro Joaquim de Carvalho Franco, que foi diretor da Academia Amazonense de Belas Artes.

Carvalho Franco nasceu em Campinas, em 1858/59 e morreu em Manaus em 1927, onde se estabeleceu. Está enterrado no cemitério de São João Batista.

“La Gioconda” era uma novidade. Em 1896. Sua estréia mundial fora em 1876, com grande sucesso. A única das composições de Ponchielli (1834-1886) a ter sucesso e a manter-se no repertório dos teatros até hoje. Estreou no Teatro alla Scala de Milão, em 08 de abril de 1876 e Ponchielli revisou a obra pelo menos três vezes até o final da vida.

“La Gioconda” está na transição entre o romantismo e o realismo, reunindo elementos dos dois. Estilo de “grand-opera” francesa, carregada de melodrama, a ambientação exótica, com um balé no meio do espetáculo – a conhecida “Dança das Horas”, imortalizada por Walt Disney.

A ópera revela grandiosidade, cenários luxuosos, efeitos de cena, como o incêndio do segundo ato, grandes número de coro, orquestração densa. Exige um elenco de 12 cantores, seis dos quais podem ser considerados principais, com pelo menos uma grande ária para cada um deles.

Mas “La Gioconda” é precursora da escola realista da ópera italiana, com o vilão Barnaba, teatral, mais declamado do que cantado, e a violenta cena final, quando a protagonista comete suicídio num ato de extremo desespero.

O libreto é de Arrigo Boito, um dos artistas que fizeram a renovação do gênero. Mas Boito não acreditou no sucesso da ópera, e preferiu assinar com um anagrama, Tobia Gorrio.

O soprano que interpretar Gioconda tem as partes mais difíceis do espetáculo, cheio de recursos emotivos, alternando sentimentos de ternura, amor, ódio e desespero. O soprano canta exaustivamente nos três primeiros atos, antes de enfrentar o fim, no mais extremo esforço cênico e vocal, quando está dentro de um palácio em ruínas e prefere suicidar-se a ser morta.

É uma ópera cara, difícil.

A Gioconda de Manaus era Líbia Drog, soprano dramática. Ela era uma italiana belíssima, cotada na Itália, na Espanha e em São Petesburgo. Mas ficou famosa porque no Metropólitan Opera House, em novembro de 1894, na ópera Guillermo Tell, esqueceu o texto da ária de Matilde –Selva opaca - pondo em perigo toda a função.

Mas em Manaus ela teve uma atuação impecável.

A multidão que assistia do lado de fora a entrada dos convidados à inauguração viu chegar Raul de Azevedo e sua esposa, Sara. O casal ficou a passear nos jardins do teatro antes de entrar, pois o escritotor aproveitou para fumar.
A seguir apareceram Afonso de Carvalho, a esposa e alguns amigos. Era um grupo animado. Entraram logo.
Logo veio Joaquim Cardoso Ramalho Junior, com o filho (a esposa adoentada não veio). Mas quando apareceu Erico de Aguiar Picanço todas as pessoas que assistiam a entrada exclamaram um “oh!” de surpresa e admiração, pois Esmeralda Picanço portava as suas famosas esmeraldas: era um colar e brincos de esmeraldas e diamantes famosos na alta sociedade manauara, realçados pelo belo pescoço e o vestido de seda preta de sua dona. O vestido não tinha nenhum bordado nem enfeite. As esmeraldas e brilhantes iluminaram a entrada.

E assim foram chegando os convidados, que era elite do Norte do Brasil. Um dos últimos a chegar foi o Governado Fileto Pires Ferreira, com a esposa. E o último o ex-governador Eduardo Gonçalves Ribeiro, aplaudido pelo povo que estava na rua, desprezado pelos convidados de dentro. Eduardo Ribeiro, como sempre, veio com uniforme militar, acompanhado por dois soldados. Entrou rapidamente, atravessou o hall sem cumprimentar ninguém, subiu as escadarias com velocidade e sumiu no camarote. Os dois soldados não entraram, ficaram de guarda, na porta.

O Teatro ainda não estava ainda totalmente pronto. No “Salão Nobre”, em taças de cristal, servia-se o champanha La Grand Dame Veuve Clicquo. E se fazia política, conspirava-se. Conspirava-se contra o Governador Fileto Pires Ferreira, que já estava no camarote do Governo, conspirava-se contra Eduardo Ribeiro, que se escondera na penumbra. Em sussurros, no pé do ouvido, algumas figuras diziam: “- Fileto vai viajar para Paris...”
- Agora que Fileto e o negro estão rompidos é hora de agir, disse o outro.

No início do espetáculo falou o Governador Fileto Pires Ferreira, do alto do seu camarote central. Grande orador, inflamado, de improviso, inaugurou o Teatro. Seu discurso foi recebido friamente pela elite que já conspirava contra ele. E embora tivesse de relações rompidas com o ex-governador, anunciou:

- Temos a satisfação de ver entre nós o grande realizador da obra, o construtor deste imponente Teatro, o Governador Eduardo Ribeiro.

Neste momento irrompeu uma grande vaia, vinda de todos os lados.

E mais tarde, no meio da ópera, na “Dança das horas”, ouviu-se alguém gritar:

- É preciso eliminar o negro! – e uma gargalhada geral.

Eduardo Ribeiro naquele momento se retirou e nunca mais voltou ao teatro.”





segunda-feira, 19 de setembro de 2016

A ESTRADA

A ESTRADA


A ESTRADA

Rogel Samuel

Da sinuosa estrada entre as montanhas verdes vem uma barreira horizontal. No alto, um céu brilha como um cristal fosco e imóvel. Estamos na Mantiqueira. E passamos a divisa dos Municípios de Delfim Moreira e Venceslau Brás. Os rios do Brasil estarão todos poluídos? Dia virá em que vamos ter falta de água potável. O Rio Sapucaí está ameaçado pelo lixo. Mas os bois, no grande pasto, parecem em paz. À margem, um caminhão tombado. É um gigante morto. Leio um poema de Guillén, traduzido por Thiago de Mello. As estrofes, os versos se embaralham na minha mente. Guillén, um dos poetas preferidos de certo aluno de literatura no Colégio Estadual. Eu já vinha lendo poesia desde que encontrei Camões num livro de primeiro grau:

Oh! lavradores bem-aventurados,
se conhecessem seu contentamento.
Aqueles versos cantam agora, vendo os bois no pasto. Até hoje ouço o compasso daqueles versos. A estrada sinuosa e verde continua. Um dia chegarei ao fim.
Mas o deserto está crescendo. Na serra da Mantiqueira, região de Piquete, desapareceram as florestas. As montanhas despontam, secas, nuas. Isso até parecia natural na Via Dutra, mas ali é novidade. Dali até o vale de Itajubá a devastação avançou em poucos meses. À direita da estrada pode-se ver um lixão às
margens do rio que vai cortar a cidade de Itajubá e onde poucos quilômetros abaixo crianças tomam banho e adolescentes nadam. De Itajubá até Poços de Caldas as antigas vilas se transformaram em cidades que, sem planejamento, estão plantadas no meio da planície deserta de avermelhado de barro. Na próxima grande chuva o rio que corta a cidade de Itajubá pode transbordar, entulhado. O nosso país caminha para um desastre ecológico: o rios se transformaram em esgotos escuros, e os riachos se transformaram em valas negras. “O deserto está crescendo. Desventurado quem abriga desertos”.

Mas eu festejo solitariamente os 56 anos de minha poesia. O primeiro poema que publiquei na vida foi no dia 8 de fevereiro de l959 em O jornal de Manaus.
Não um poema de que me envergonhe de todo, afinal eu tinha 16 anos e aparecem versos até razoáveis como:

o vento
o córrego entre as
montanhas
a lua líquida
sobre a superfície
Havia todos os lugares-comuns da tradição poética, ou seja, poetizando a "poesia" com todos os chavões conhecidos de que não me libertei até hoje.
Sim, festejo silenciosamente os 56 anos de minha poesia. Não escrevo isto com tristeza, mas até com certa vitória. Afinal, bem ou mal foram 56 anos de produção literária. Há quem não tenha tido nem isso de vida.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

A LINGUAGEM DA MATÉRIA

A linguagem da matéria


Baudelaire sobretudo, sobe, eleva-se para chegar ao centro de tudo, hegeliano, eleva-se para materializar-se, numa ascensão ao concreto, mergulho no coração do real da realidade, como no sistema de Hegel que faz a manifestação do saber concreto, que pretende ser a própria realidade que toma consciência de si mesma, quando a realidade torna-se sujeito de si mesma. A “experiência faz a consciência em seu apreender efetivo”. É a dialética que faz a logificação do concreto, a ascensão ao concreto, na ultrapassagem da fase anárquica para a conceituação lógica final. Lógica que não é do pensamento, mas lógica do movimento da realidade. Esta “ascenção” do abstrato ao concreto faz um movimento que atua no conceito da logificação da realidade, progredindo do entendimento à razão, e da razão que observa para a razão que opera e unifica. A poesia é a manifestação dessa logificação, dessa materialidade.

Elevação

Por sobre os pantanais, por sobre os descampados,
Por sobre o éter e o mar, por sobre o bosque e o monte,
E muito além do sol, muito além do horizonte,
Para além dos confins dos longes estrelados,
Meu espírito, vais, todos os céus te movem,
Como um bom nadador cais em delíquio na onda,
Sulcas alegremente a imensidão redonda,
Levado por volúpia indizível e jovem.
Bem longe deves voar destes miasmas tão baços;
Vai te purificar por um ar superior,
E bebe, como um puro e divino licor,
O claro fogo que enche os céus lúcidos e serenos!
Este cujo pensar, como a andorinha, muda
Para o céu da manhã num vôo ascensional,
- Que plana sobre a vida a entender afinal
A linguagem da flor e da matéria muda!

BAUDELAIRE, Charles. As Flores do Mal. São Paulo: Círculo do Livro, 1995. Tradução, posfácios e notas de Jamil Almansur Haddad.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

BOBBIO

Norberto Bobbio


"O FASCISTA fala o tempo todo em corrupção. Fez isso na Itália em 1922, na Alemanha em 1933 e no Brasil em 1964. Ele acusa, insulta e agride, como se fosse puro e honesto. Mas o fascista é apenas um criminoso comum, um SOCIOPATA que faz carreira na política.

No poder, essa direita não hesita em torturar, estuprar e roubar sua carteira, sua liberdade e seus direitos. Mais do que a corrupção, o fascista pratica a MALDADE".

Norberto Bobbio - Filósofo, jurista e pensador italiano socialista liberal, 2003.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

O AMANTE DAS AMAZONAS

O AMANTE DAS AMAZONAS

O AMANTE DAS AMAZONAS Editora Itatiaia, 2005, 168 páginas - Compre AQUI CONOSCO - envie email para rogelsamuel@hotmail.com - O enredo gira em torno de um Palácio, construído no meio da selva, e da misteriosa origem da fortuna do protagonista. "É uma obra-prima", escreveu ELIANA BUENO-RIBEIRO. Objeto de dissertação de mestrado de Lucilene Gomes Lima - "FICÇÕES DO CICLO DA BORRACHA NO AMAZONAS": Estudo comparativo dos romances “A selva” (FERREIRA DE CASTRO), “Beiradão” (ÁLVARO MAIA) e “O amante das amazonas” (ROGEL SAMUEL), Editora da Universidade do Amazonas, 2009. 240p. "Quem começa a ler a primeira página só consegue largar quando finda o livro, tal é a sua grandiosa narrativa", escreveu Luiz Alberto Machado.



Quando à tarde os dois reaparecem com no terraço, perto da galeria superior, a chuva já tinha passado e duas crianças se banhavam no Igarapé do Inferno em frente, na linha de visão da estátua elevada no pátio, de Stiasny, chamada “Esplendor da Amazônia”, alegoria da extração do látex, encomendada por D. Ifigênia Vellarde em Paris em 1894.
- O senhor tem a felicidade de viver entre obras de arte, disse Ferreira.

- Obras? Estas? - Pierre estocou, olhinhos de cobra. “As artes, meu senhor, corrompem o espírito e os costumes. São acúmulos de impurezas. Só o contato, a relação direta com o mundo natural, a selva ... ”.

- O senhor não prefere o mundo civilizado? Ferreira perguntou.

- Ao mundo bárbaro? (Pierre exultava:) A expressão da maldade, da maldade acumulada pela cultura, isto tudo, essa coisa toda não é bárbara? A desigualdade não é bárbara? Veja o senhor: estou implantando aqui, no Manixi, a Democracia Social. Veja este meu cão, o Rousseau. Eu o amo e, por isso, ele me é fiel. Protege-me, e por isso o amo, e me sinto protegido e amado. Que significa isto? Que é este cão? Nele se encontra o traço que separa os dois mundos, os sentimentos puros dos corruptos. E o senhor confia na pureza do coração? Confia?

Ferreira olha para ele como para um louco. Percebo, pelo olhar, que está apavorado. Como para acalmar o outro, pergunta:

- Quando seu filho volta da Europa?

Como se nada tivesse ouvido, Pierre continua falando: “Você já viu a, bordada em puro ouro, Cattleya Edorado, no fundo final da floresta? Conhece a famosa, rara e insuperável Cattleya Superba?”.

   Os dois curumins são vistos e ouvidos e gritam como gritam pássaros. Estão na direção do olhar da estátua do átrio. O “Esplendor da Amazônia” é uma dama art-nouveau de mármore branco, e dança com um cesto sobre o ombro, representa a fertilidade, a riqueza, a abundância do látex. Ela está coberta de terra e esperma salpicada de látex. No cesto está plantada a muda de seringueira viva. A planta já sobe um palmo. Ferreira repara naquilo. Os dois estão no terraço. Pierre segura a crista exterior do parapeito, vejo o brilho do seu anel armoriado. O terraço é a parte velha da construção. Quatro cariátides encaram os tons verde-amarelos, amazônicos. O papa-cacau, no poleiro, grita.