El ex presidente Néstor Kirchner falleció esta mañana en la ciudad de El Calafate a raíz de un paro cardiorrespiratorio.
el clarín
El ex mandatario sufrió una descompensación durante la madrugada, mientras participaba de una reunión en su casa de la villa santacruceña.
Oficialmente fue una “paro cardiorrespiratorio con muerte súbita”. Según confirmaron a Clarín fuentes del equipo médico presidencial, en el hospital José Formenti de la ciudad santacruceña no pudo ser reanimado.
El ex presidente, que tenía 60 años, había llegado a la clínica acompañado por su esposa, la presidenta Cristina Fernández.
Sufrió un parocardiorrespiratorio con muerte súbita, según confirmaron a Clarín desde el equipo médico presidencial. Había ingrsado esta mañana en hospital José Formenti de la ciudad de El Calafate acompañado por su esposa, la presidenta Cristina Fernández, pero no pudieron reanimarlo.
Kirchner reapareció en el acto del Luna, y Cristina se refierió a la clase media que "no entiende y cree que separándose de los morochos le va a ir mejor.
Néstor KirchnerEl ex presidente Néstor Kirchner falleció esta mañana en la ciudad de El Calafate a raíz de un paro cardiorrespiratorio.
El ex mandatario sufrió una descompensación durante la madrugada, mientras participaba de una reunión en su casa de la villa santacruceña.
Oficialmente fue una “paro cardiorrespiratorio con muerte súbita”. Según confirmaron a Clarín fuentes del equipo médico presidencial, en el hospital José Formenti de la ciudad santacruceña no pudo ser reanimado.
El ex presidente, que tenía 60 años, había llegado a la clínica acompañado por su esposa, la presidenta Cristina Fernández.
El ex presidente había sufrido al menos dos episodios en el último año que lo habían obligado a internaciones de urgencia. La primera fue en febrero, cuando fue operado de la carótida. Y el 11 de septiembre último tuvo que ser sometido a una angioplastia y le colocaron un stent. Los médicos le habían recomendado cambiar su estilo de vida debido al estrés.
Antes de ser elegido presidente en 2003, Kirchner fue alcalde de Río Gallegos, capital de Santa Cruz (1987-1991) y gobernador de esa provincia (1991-2003). En 2009 fue elegido diputado nacional, cargo por el que tenía mandato hasta el 2013. Y el 4 de mayo pasado había sido nombrado secretario general de la Unasur.
El ex presidente había sufrido al menos dos episodios en el último año que lo habían obligado a internaciones de urgencia. La primera fue en febrero, cuando fue operado de la carótida. Y el 11 de septiembre último tuvo que ser sometido a una angioplastia y le colocaron un stent. Los médicos le habían recomendado cambiar su estilo de vida debido al estrés.
Antes de ser elegido presidente en 2003, Kirchner fue alcalde de Río Gallegos, capital de Santa Cruz (1987-1991) y gobernador de esa provincia (1991-2003). En 2009 fue elegido diputado nacional, cargo por el que tenía mandato hasta el 2013. Y el 4 de mayo pasado había sido nombrado secretario general de la Unasur.
Rogel Samuel: O rio Negro recua 5 centímetros por dia
O rio atingiu, na manhã deste domingo, a menor cota já registrada na história das vazantes no Estado do Amazonas, juntando-se ao recordes já batidos pelos rios Solimões e Amazonas.
Iguala a de 63.
Agora os indicadores dos órgãos de pesquisa do Amazonas apontam que, depois de uma grande seca a população pode esperar uma grande enchente.
"De acordo com o engenheiro Valderino Pereira da Silva, de ontem para hoje as águas do rio Negro recuaram 5 centímetros, marcando na régua do Porto de Manaus, 13,69 centímetros contra 13,64 da segunda maior vazante ocorrida em 1963.
Para Valderino o processo de estiagem está próximo do fim, mas antes de começar a processo de cheia, o rio Negro costuma dar uma parada".
Jane Austen era péssima em ortografia, revela especialista
AFP
A escritora inglesa Jane Austen (1775-1817), autora de "Orgulho e preconceito", conhecia tão mal a gramática e a ortografia que suas obras precisavam ser reescritas por um revisor, revelou neste sábado uma especialista da Universidade de Oxford.
"Geralmente considera-se que Jane Austen tinha um estilo perfeito. Seu irmão Henry pronunciou em 1818 uma frase que passou a ser célebre, 'tudo sai perfeito de sua pena', e os comentaristas seguem compartilhando essa opinião", declarou Kathryn Sutherland, professora da Universidade de Oxford.
"Entretanto, ao reler seus manuscritos, aparece rapidamente a evidência de que não há neles tal precisão", acrescentou Sutherland, que estudou 1.100 páginas não publicadas da escritora.
"Os manuscritos não publicados de Jane Austen acabam com a reputação da perfeição da escritora de várias formas: há manchas, rasuras, desordem. Pode-se ver a criação se formar neles e, no caso de Jane Austen, descobre-se uma maneira antigramatical de escrever" que contrasta com o estilo polido de suas obras publicadas.
"Isto nos faz pensar que outra pessoa esteve fortemente envolvida no processo de edição entre o manuscrito e o livro impresso", afirma a especialista, explicando que provavelmente essa pessoa foi o editor e revisor William Gifford.
Rogel Samuel: Qualquer que seja a chuva desses campos
Há um soneto de Jorge de Lima que releio sempre, que não me canso de lembrar e que assim canta:
“Qualquer que seja a chuva desses campos devemos esperar pelos estios; e ao chegar os serões e os fiéis enganos amar os sonhos que restarem frios.
Porém se não surgir o que sonhamos e os ninhos imortais forem vazios, há de haver pelo menos por ali os pássaros que nós idealizamos.
Feliz de quem com cânticos se esconde e julga tê-los em seus próprios bicos, e ao bico alheio em cânticos responde.
E vendo em torno as mais terríveis cenas, possa mirar-se as asas depenadas e contentar-se com as secretas penas”.
Jorge de Lima, Invenção de Orfeu - Canto I – XXVI
Se tudo estiver bem, lembre-se de que tempos piores podem advir: “Qualquer que seja a chuva desses campos / devemos esperar pelos estios”. E quando a época ruim chegar, devemos contentar-nos com os sonhos. O poeta está sendo pessimista, espera os danos futuros. Pensa em não conseguir o amor sonhado, imortal: “Porém se não surgir o que sonhamos / e os ninhos imortais forem vazios, / há de haver pelo menos por ali / os pássaros que nós idealizamos”.
Feliz de quem com cânticos se esconde e julga tê-los em seus próprios bicos, e ao bico alheio em cânticos responde.
E vendo em torno as mais terríveis cenas, possa mirar-se as asas depenadas e contentar-se com as secretas penas.
Um barco sem velas e sem rumo Singrando um mar de fumo, Mas descobrindo estrelas...
nisto me resumo.
Em Poesia -Esparsas D.Quixote, 2Lisboa,010
“Não fugir…”
Não fugir. Suster o peso da hora Sem palavras minhas e sem os sonhos, Fáceis, e sem as outras falsidades. Numa espécie de morte mais terrível Ser de mim todo despojado, ser Abandonado aos pés como um vestido. Sem pressa atravessar a asfixia. Não vergar. Suster o peso da hora Até soltar sua canção intacta.
PRELÚDIO
Levanta-se da rocha a flor esmagada Mais dura do que a rocha e cristalina. Raízes, caule, pétalas, angústia.
Raízes para sempre ali cravadas, Caule verticalmente inexorável, Pétalas miraculosas: pura água.
Minhas mãos são chagas, Para te colher… Minhas mãos são chamas, Pedaços de gelo… Levanta-se da rocha a flor esmagada.
Poeta português, nascido em 7 de Outubro de 1933, em Lisboa, e falecido a 13 de Outubro de 1968, na mesma cidade, filho do poeta presencista Francisco Bugalho, oriundo de Castelo de Vide. A partir de 1940 reside em Lisboa, onde terminou os estudos liceais. Frequentou a Faculdade de Direito de Lisboa, que abandonará para ingressar na Faculdade de Letras. Entre 1960 e a sua morte, trabalhando na construção civil, viveu entre Lisboa, Castelo de Vide, Paris e Heidelberg, onde recebeu acompanhamento psicoterapêutico. A sua única obra poética publicada em vida, 35 Poemas, data de 1959, embora tenha publicado anteriormente colaboração poética em jornais e revistas, como Diário Popular, Árvore, Anteu, Távola Redonda, Serões. Além do pseudónimo Cristovam Pavia, António Flores Bugalho assinou composições com os pseudónimos, ou "semi-heterónimos" (cf. BENTO, José - introdução, notas e comentários a Poesia de Cristovam Pavia, Lisboa, 1982), Sisto Esfudo, Marcos Trigo e Dr. Geraldo Menezes da Cunha Ferreira. Para José Bento, "A poesia de Cristovam Pavia é a revelação de si próprio, de uma personalidade em conflito com o mundo em que vive e que procura uma fuga pela recuperação da infância morta, pela aceitação do seu conhecer-se diferente e despojado do que lhe é mais caro (a infância, o amor, o espaço e o tempo em que ambos se situavam), a transformação do seu próprio ser pelo sofrimento, num movimento de ascese e de autodestruição, quando o poeta atinge a consciência de si próprio e da sua voz." ("Sobre a Poesia de Cristovam Pavia", in Poesia de Cristovam Pavia, Lisboa, 1982, p.15).
Ainda em 1950 encontramos nos poemas de Cristovam Pavia duas figuras que voltarão posteriormente: o cão e o próprio poeta como morto. O cão é em Cristovam Pavia um símbolo de total pureza e disponibilidade, continuação e espírito da terra onde vive, testemunho da integridade da infância perdida, da amizade, da presença que na sua mudez exprime o que de mais fundo possui, da fidelidade da sua planície. É de 1950 o poema Ao meu cão «Fixe», de que se fala mais adiante. E um dos poucos poemas que conhecemos dos últimos anos da sua vida e que sabemos ter sido escrito depois da publicação dos 35 Poemas é Ao meu cão, que é o único poema seu em que se reflecte o remorso. Para quem tinha uma tão profunda religiosidade, que o mesmo é dizer que se sentia religado a tudo o que conhecia, só um cão (porventura companheiro da adolescência, da solidão, de horas cuja angustia talvez ninguém conheça) de olhos / Humaníssimos, suaves, sábios, cheios de aceitação / De tudo... lhe mereceu um pesado remorso por o ter deixado só, à hora de morrer, talvez por nele encontrar a grandeza que então não reconhecia aos homens. (Sublinhe-se que este poema é de 1966, quando o poeta já tinha vivido quase tudo o que tinha para viver.) Talvez a morte deste cão lhe tenha despertado a lembrança da morte dum outro cão, ocorrida na sua infância, que nunca esqueceu, a ponto de a lembrar muito depois num poema que é só esta nota profundamente ferida: Há-de haver sempre meninos a chorar ao pé do velho cão morto.
[...]
Um poema [...], Ao meu cão «Fixe», é o olhar saudoso do estudante de 17 anos, preso em Lisboa pelos seus afazeres escolares, que divisa o mundo da sua infância, onde espera ir, provavelmente nas ferias de Natal que se aproximam. (Vem aí Dezembro). Uma das razões por que deseja partir para essa paisagem amada é porque para o seu cão ainda sou o teu menino, isto é: para o mundo que o rodeia e lhe é hostil o poeta perdeu a infância, mas para o mundo animal, isento de julgamento porque inocente, ele continua a ser o menino que interiormente sente que é ou que deseja ser. [...]
José Bento Poesia [de Cristovam Pavia] Moraes Editores, 1982 Oferecido por Rui Almeida.
Desajustado aos estudos, aos amores, à cidade, foi para o estrangeiro, tentou a psicoterapia, mas sem resultado. Em 1968, atirou-se para debaixo de um comboio. Não podemos ignorar a importância do convívio pessoal e da morte súbita, factores muitas vezes invocados e que emprestam uma aura à poesia de Pavia que às vezes vai bastante além do que encontramos nos poemas. Mas o livro de 1959 é muito significativo em termos da evolução da poesia portuguesa pós-presencista. A "geração de 50" debateu-se com as mais variadas influências e seguiu todo o tipo de caminhos. Basta dizer que Pavia publicou em revistas com poéticas tão diferentes como a "Távola Redonda" (neo-lirismo) e a "Árvore" (humanismo). "Poemas" recolhe o livro de 1959, uma secção de dispersos e outra de inéditos. O volume, com organização de Joana Morais Varela, retoma a compilação homónima editada em 1982 e acrescenta novos textos e uma nova disposição, mais notas e uma marginália crítica, num trabalho irrepreensível. O prefácio é de Fernando J. B. Martinho, que conhece como ninguém a poesia portuguesa da época. Martinho explica que Pavia, tal como outros pós-regianos, recuperou a penumbra existencial de Pessanha, a teatralidade mimada de Nobre e Sá-Carneiro, mais o Pessoa ortónimo, bem como os poetas brasileiros e Rilke. Ou seja, apesar de ter editado em 1959, Pavia é ainda de algum modo um simbolista tardio, incompletamente modernista, ligado a um confessionalismo adolescente e meditativo.
Trágica lembrança essa do famoso poema de Álvaro Maia, “Terra caída”, no episódio recente do desbarranco ocorrido em Manaus:
“Na outra margem, na enseada esbatida nas brumas, rolam blocos cde terra em dolente estertor com frondes e sopés, flores e sumaúmas... O rio estoura e ferve em torvelins de espumas, e pranteia o infortúnio em regougos de dor...”
O título também é do romance de José Potiguara e da obra de Eider Pestana.
Álvaro Maia era um excelente poeta, hoje esquecido, até recusado pela crítica amazonense. Ele marcou o que se pode chamar de neo-romantismo na poesia amazonense. O poema é enorme e não vou transcrever aqui.
Ninguém como ele para conhecer o fenômeno das “terras caídas”.
No seu romance “Beiradão”, a isso se refere: “Seguindo essa perspectiva de restabelecimento, o sítio de Fábio também atinge uma prosperidade, atestando que “[...] havia tranqüilidade na pobreza, a fartura na relatividade, a comprovação da vida no interior verde, afastando o tabu da vida unicamente apegada ao extrativismo [...]”.(89) As ações de Fábio na administração de sua propriedade comprovam ainda um planejamento racional, à medida que não somente busca outras alternativas econômicas, além da monocultura, mas também se previne de surpresas que possam ser causadas pelos acidentes naturais próprios da estrutura geológica da região, plantando cacauais em restingas altas, longe, portanto, das margens afetadas pelo fenômeno das terras caídas”.
Eu cito: Lucilene Gomes Lima. Ficções do ciclo da borracha no Amazonas: Estudo comparativo dos romances “A selva” (FERREIRA DE CASTRO), “Beiradão” (ÁLVARO MAIA) e “O amante das amazonas” (ROGEL SAMUEL). Manaus, Editora da Universidade do Amazonas, 2009. 240p. ISBN 978-85-7401-458-6. Beiradão: a percepção de um escritor nativo sobre o ciclo
Livros raros os como esta «Teia dos labirintos» de Mirian de Carvalho (São Paulo, Escrituras, 2004), volume, obra escrita em versos, sim, sim, que não se trata de um grupo de poemas, seja, conjunto de poemas reunidos em livro, com um título para os agrupar; mas é um só poema quase, um poema só, um trabalho de articulações poemáticas e temáticas estrutura os vários poemas, costurados, entretecidos, de forma que o que lhe dá a característica de livro não é só o título, mas o conjunto conexo, a urdidura unitária do construído bloco, um elemento só, livro que é labirinto significativo mas e onde se entrança o leitor e ali penetra, como numa livre pesquisa e sonhada, fechada no seu tema polissêmico, com começo, meio e fim.
* * *
A «Teia dos labirintos» é construída em blocos: fio de Eros, nas malhas da lenda, urdidura simbólica, liame de ascensão, laços notívagos, e tecedura das coisas. Cerzido em ciclos o vocabulário do primeiro bloco aparece, costurado, talhado, nervorisado, no visgo da aranha textual, em tecido, o tear, rendas e novelos. Pelos e gozo. Laços e afetos na fímbria da bainha do tecido de um «laborioso tear, mostra-se à flor da pele / em urdidura de flores de fios». De sombra e luzes são tranças, desejos, cabelos, visceral trabalho de uma fiandeira-mãe, faminta de espera, de esperma, no tremular de fieiras de grinaldas em gemidos da sua trama, em seda do «amoroso lavor / de pontos de trespasse», como poesia costureira.
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Do segundo bloco o vocabulário vem do «Livro de Jó», do passado, da origem e de outras tradições, como a do islamismo, do hinduismo, budismo, bramanismo, helenismo, e mais, e os deuses olímpicos, de África, da Micronésia, configurando uma polimorfologia, uma múltipla cosmologia temática.
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Depois vem aquela urdidura simbólica, e armadilha, onde orifícios e linhas, num jogo de fiandeira e numa galáxia de tramas, ungindo luas, luzes e amores, se enfiam nos fios de ouro dessa visão de sublime e no final de fugas de um aranhal de luares, e redes de encontros (e desencontros), impulsos, raízes, insetos e vazios, «destilando a seda», «em imaginária agulha».
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Há agora algo que sobe, o vazado, a costura, o tecido, o telhado, as vidraças, os pássaros, asas, calhas, naquelas arquiteturas «às barbas do sol», onde o tempo se derrama, se proclama, em laçadas e filigranas. Toda a poesia é e está no vocabulário (afinal, a poesia está no dicionário), que traça desenhos e galhardetes entrecruzados rendilhados bordados laços de vida e de morte rios de linha floresta de telas cavernas de luz e lua.
* * *
«Laços notívagos» desce aos pântanos, às redes de ferro do fundo da noite do mar, da memória subterrânea, dos presságios dos becos da terra prenha das sombras incertas dos buracos negros onde estão os fantasmas e aquelas águas verdes das algas das vozes antigas e mortas.
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E assim se fez «a tessitura das coisas» adormecidas, vindouras, fiapos do vazio de oriente na trilhas de desertos exilados arcaicos onde as escamas prove a fome dos desígnios dos homens, e os morcegos expandem suas cavernas de nanquim, lá recolhendo o fôlego e a força dos homens...
* * *
Mas o belo livro termina com uma prece de São Francisco que diz:
Ao cair da tarde, na voz das aves minha Oração de São Francisco.
No Apocalipse de São João, que ele escreveu na Ilha Grega de Patmos, ha uma referencia interessante, digna de ser estudada: - os corpos que têm olhos por dentro, e são muitos olhos.
Ora, os nossos olhos que estão em nossos rostos e olham as coisas externas, quando sãos, naturalmente, constatam as coisas externas: - e, os olhos que cobrem os corpos internamente? Que Vêm?
O que vemos, quando olhamos para dentro de nós mesmos? - Não com dois olhos, como os do rosto, mas milhares de olhos internos?
- O que a Razão de Viver, não nos é revelada pelos olhos externos.
Ver é constatar.
O que é constatado pela Visão Interna, não está sujeito à Dependencia da Natureza, do Mundo.
A Constatação feita por Algo a que não temos Acesso, também não teremos a compreensão que depende "desse Algo".
O Olhar Interno interdepende de nosso Ser Material.
É possivel que a Constatação do Olhar Interno perceba a Razão de Ser tanto Espiritual como Material - pois o Material depende do Material, mas interdepende do Espiritual e o X da Revelação está à Disposição do Humano, como Tudo, pois a Criação que é a Realização devem ser A Mesma Coisa, pois o Humano é Herdeiro Direto da Obra do Criador e Tem por Isso Todo o Direito Correto da Herança de Deus.
Abandonar o aconchego da lareira, do lar, do ninho, e lançar-se no sonho, no erguer das asas, abandonar a felicidade, a paz da vida que apenas dura, a espera da sepultura, o contentamento e lançar-se para as conquistas, para a Conquista, para o realidade do Quinto Império.
Que seria o Quinto Império?
O Quinto Império foi imaginado por Vieira: os quatro Impérios eram dos Assírios, dos Persas, dos Gregos e dos Romanos.
Pessoa diz que os quatro primeiros impérios são o Império Grego, Romano, o Cristianismo e a Europa.
Seria a Era de D. Sebastião.
Oh, triste de quem fica em casa, feliz com seu lar. "Vive porque a vida dura". Não tem alma, ou nada lhe diz mais que a espera da sepultura.
Ser descontente! Viajar! Perder e perder-se em países! Um dia a terra será o Teatro do Dia Claro do Quinto Império... parece que o Quinto Império deve ser procurado, não construído.
Será que o Quinto Império não seria o próprio Fernando Pessoa?
Triste de quem vive em casa, Contente com o seu lar, Sem que um sonho, no erguer de asa Faça até mais rubra a brasa Da lareira a abandonar!
Triste de quem é feliz! Vive porque a vida dura. Nada na alma lhe diz Mais que a lição da raiz Ter por vida a sepultura.
Eras sobre eras se somem No tempo que em eras vem. Ser descontente é ser homem. Que as forças cegas se domem Pela visão que a alma tem!
E assim, passados os quatro Tempos do ser que sonhou, A terra será teatro Do dia claro, que no atro Da erma noite começou.
Grécia, Roma, Cristandade, Europa-- os quatro se vão Para onde vai toda idade. Quem vem viver a verdade Que morreu D. Sebastião?
Diz um jornalista que “em 1969, em virtude das manifestações contra a guerra do Vietnã, o então presidente americano Richard Nixon fez um discurso em que se dirigia à "grande maioria silenciosa", formada pelas bases conservadoras do partido Republicano, que não havia ido às ruas, que apoiava a guerra, e pedia apoio para unir-se a ele em favor da vitória dos Estados Unidos. A estratégia funcionou e Nixon conseguiu reeleger-se em 1972”.
O termo me assaltou quando eu ontem estava num restaurante e ouvi o seguinte diálogo na mesa ao lado:
- A senhora viu o debate na tv ontem? – perguntou um rapaz.
- Eu não vou perder meu tempo... – respondeu uma senhora.
Por causa dessa imensa “maioria silenciosa” que se recusa a ver a realidade (que é política) é que houve a terrível guerra do Vietnã quando mais de 400 mil soldados e civis morreram durante o conflito de nove anos, quando quase três milhões de jovens norte-americanos serviram durante os 15 anos de engajamento militar e 56 mil soldados americanos morreram e mais de 300 mil voltam para casa mutilados ou com deficiência e que bem poderiam ser filhos daquela senhora elegante que não quis “perder o seu tempo”.
Não se trata apenas de uma eleição, mas é o futuro de nossas vidas que está em jogo. Trata-se de dois modos de governar que vão afetar diretamente as nossas vidas. Um é governar para os pobres, outro para para as grandes empresas petrolíferas. Um leva à maturação do desenvolvimento, outro representa uma volta a um passado sinistro que tentamos esquecer. Um visa à plenitude da vida das pessoas, com a eliminação da pobreza etc. Outro, ninguém sabe a que visa.
Não são duas pessoas candidatas a um cargo, mas duas forças políticas que se enfrentam.
De Walmir Ayala releio um poema, intitulado «Estação», a que sempre volto:
Na geladeira as frutas escurecem de mortas
O quadro a geladeira as frutas mortas geladas de morte, natureza morta, alma morta, amor morto. Nessa da geleira de um Himalaya morto, neste Instituto Médico Legal da autópsia do pomar,
as peras são secretas usinas de água doce,
E dentro das peras há uma fonte a suculenta feminidade, a pose de ovário e úvula, a complexidade singela, a sua capacidade de oferta, de entrega, de lamúria, fonte de águas mortas, internas, com entraves de pântanos doces das almas líquidas partes da natureza do amor, das estivais qualidades da natureza das carícias do corpo úmido, dos corpos entregues a si mesmos, que é quando partes do mais tátil amor que se dá às mãos que deles fazem seus prazeres e saberes e mergulhos, nos gozos internos e usos, no segredo do maior e cavernoso introduzir hipodérmico da sua capacidade de sentir e de pulsar. Que é? A água doce do amor, a usina do impulso amoroso. São os líquidos doces, langorosos, das umidades humanas.
um mamão decepado mostra a íntima carne
O mamão, macho, masculino castrado amputado, calado, prostrado, exibindo entranhas estranhas, carne devastada, intimidade devassada, o porte guilhotinado em bastilhas vasilhas sobremesas - mamão revolução estraçalhado carne vegetal gengiva mole e aberta.
e as goiabas oloram seu verão serenado.
O cheiro das goiabas, o perfume do verão no inverno do refrigerador, em antífrase feliz as perfumadas açucaradas e brandas goiabas. O verão olorizado de sereníssimo repouso. Oferecidas ao seu saboroso cheiro do pomar tropical.
Mas são mortas e lentas neste ofertório as frutas.
Que está morto, tudo está congeladamente morto, com frieza mortal da morte lenta, da morte eterna, mumificada, gelada, branca, da porta aberta da geleira tumular, este ofertório poético.
Um vapor congelado contorna seu mistério.
Envoltas no nevoeiro, no seu mistério frio, branco, hospitalizado, as obscurecidas frutas medicalizadas, no branco arrepio da poesia misteriosa, do mistério da poesia...
E elas posam no ardor do branco cemitério de seu grave pomar.
Crítico de arte era o poeta Ayala que abre, no seu cemitério doméstico e culinário, a escrita de seu receituário de forno e fogão, na gravitação polar tematização estival (e não outonal), bosque enclausurado.
O silêncio. Os únicos sons vêm das árvores. Raros. A paz. O sol entra pela janela com o vento das montanhas. Uma fresca brisa e as diversas tonalidades do verde. Telhados venerandos, árvores cansadas de sua beleza. Sopro da morte, da morte histórica. As colinas se sustentam no ar. Tudo em festa de luzes.
Quando chegamos no Rio, entrando pelo portal da Avenida Brasil, parece que chegamos no Iraque em guerra: fábricas fechadas, janelas quebradas, lixo no chão, pó como pólvora, telhados desabados, cumeeiras expostas, esqueletos de prédios decadentes, calçadas em ruínas, o deserto de uma cidade sem vida, de uma cidade arruinada, dizimada pela guerra dos pixadores, dos horrores, dos pavores, dos horrores do mal.
Como cantavam os indios do Amazonas:
“Comerei teu corpo no crânio da tua cabeça Sobre tuas cinzas dançarei E exultarei!”
Escreveu Dugpa Rinpochê: “A amizade permite avançar mais depressa na via da felicidade. O amigos que se conhecem bem olham um nos outros do outro e se avaliam no mesmo espelho, sem nunca deixar de se amar. Um é o fiel espelho do outro”.
Que é a amizade? Estará nesse olhar? Ou reside no espelhar? No espelhar-se na alma do outro, no avaliar-se nele, no ser-se com o outro, naquele sair de si pelos olhos do amigo.
Feliz é quem descobre as paisagens da amizade, que navega nesse mar amigo, quem se abandona nos outros, que sai de sua capsula de solidão.
Antigamente, escrever era pensar-se no papel em branco, com tinta escura e pena fina. Agora tudo muda: escrever será pensar-se com os dedos no teclado branco do leptop reduzido, ou pensar é escrever-se no monitor, ou será lançar-se no espaço entre os dedos e a luz que se acende na tela do Word?
Enfim que será escrever, hoje, quando se pensa digitalmente, quando tudo se resolver no teclado em letras já impressas?
E escrever hoje já quer dizer vir impresso, no molde da tela, onde tudo se resolve.
Escrevo de madrugada. Nunca dormi muito bem, e sempre acordo durante a noite. Esta é a hora boa para ler, pensar, rever a vida. Antigamente era possível sair de madrugada. Quando eu morava em Copacabana, nessas horas eu saía para caminhar na praia e ver o sol nascer. O sol sempre nasce com esplendor, como tudo que nasce. A vida é o nascimento: o demais é um declinar-se para a morte, já pensou Heiddeger. Se nos fosse possível imaginar, diz Nietzsche, a dissonância feita criatura humana (pois o homem é uma dissonância) esta, para poder suportar a vida, teria a necessidade de uma admirável ilusão que lhe escondesse a sua verdadeira natureza, sob um véu de beleza. Esta é a finalidade da arte apolínea. Da arte do sol. O nome de Apolo resume aqui essas ilusões sem número da bela aparência que tornam, a cada instante, a existência digna de ser vivida e nos incitam a vivê-la no instante seguinte. A vida sempre renasce. Sempre que as potências dionisíacas a subverte violentamente, é desejável que Apolo, envolvido em nuvens, desça até nós, para curar a nossa escuridão, a nossa embriaguez.
Com minha amiga L. bebo uma taça de champanhe. Há muito não bebo. Mas me lembro do Café Flore, onde tão bom foi estar até aquela madrugada com minha amiga N. Eu trouxe o cardápio. Comprei o cinzeiro, que mais tarde dei para o poeta Luiz Bacellar. Era uma época cheia de sonhos, de riquezas da juventude. Minha amiga L., ontem, me disse que X. morreu. Em Manaus. Era dona do Bar Galvez, muito amiga. A morte nunca é graciosa, como diz o poema. A morte é o fim de uma antiga amizade.
Vejo-te morta. As brancas mãos pendentes. Delas agora, sem querer, libertas a alma dos gestos e, dos lábios quentes ainda, as frases pensadas só em certas tardes perdidas. Sob as entreabertas pálpebras, sinto, em teu olhar presentes, mundos de imagens que, às regiões desertas da morte, levarás, que a morte sentes
fria diante de todos os apelos. Vejo-te morta. Viva, a cabeleira, teus cabelos voando! ah! teus cabelos!
Gesto de desespero e despedida, para ficares de qualquer maneira pelos fios castanhos presa à vida.
As regiões desertas
Rogel Samuel
Em que reside a beleza dessa elegia? Entre outros elementos pela visão, mãos, lábios, pálpebras, cabeleira, corpo e alma, pendentes por um fio de cabelo. As mãos libertam gestos. Os lábios frases. As pálpebras, as visões do amor, as regiões desertas.
Novamente em casa. O Rio parece cinzento. Ouço um ruído de carro e aviões ao longe. Os aviões, estou na rota. Vão para o Santos Dumont. O Rio ainda dorme. Preparo-me para dar a minha caminhada. É bom estar em casa, mas saudades de Tiradentes e da minha amiga Lyria. Espero que ela me esteja lendo. O meu amigo Dílson Lages Monteiro escreveu um poema sobre Tiradentes:
Palpitam e apitam Em ruas de rumores e estações As pedras palpitam minas e ouro Palpitam como as encostas da serra Palpitam nuvens e cerração O céu de sol e sombra em silêncios e orações.
A Maria Fumaça parada, parada na viagem derradeira reviva em cada charrete Como o passado em ilusão.
Tiradentes palpita. As encostas da serra As ruas de pedras Palpitam e apitam paradas.
Nos rumores da estação Palpita a Maria Fumaça Em cada charrete apita. Palpita e apita
Tiradentes parada.
Como este poema me soa a Tiradentes! Cidade parada, amada. As pedras da Serra de São José nas pedras das ruas. Sobre elas, as charretes passam. Mas o tempo, esse lambido de gato, Não passa. Ali não passa.
Calor máximo, em Tiradentes. Sol aberto e belo. Caminhamos até o Rio das Mortes, o rio da guerra dos Emboabas. Dizem que jogavam os cadáveres no rio. Fomos ao Bichinho, um vilarejo belo, onde fica a Oficina de Agosto. Almoçamos no restaurante de sempre, comida mineira, servida em grandes panelas de barro. Frio à noite. Noite feliz.
Estou em Tiradentes. Depois de 5 horas de viagem estou semi-morto. Durmo. Me recupero. Estou vivo. No quarto da pousada, a luz é pouca. O silêncio concreto, de vácuo. A Internet muito lenda. Paz.
O padre Marcilio Moutinho “rodou a baiana” hoje, ao dar uma surra em praça pública, no prefeito de Boa Vista do Ramos, Elmir Lima Mota, com uma correia de motor de uma embarcação.
O religioso afirma que foi chamado de gay pelo prefeito. Em meio a discussão, o padre criticou a administração municipal, tendo o prefeito reagido questionando a sexualidade do vigário.
O rififi começou por causa do barco do Programa de Atendimento ao Interior – PAI, que na opinião do padre Marcílio, não estava atendendo as pessoas que aguardavam na fila, em meio ao sol quente da manhã desta sexta-feira.
O padre alega que cobrou do prefeito um tratamento mais digno às pessoas. O prefeito reagiu chamando-o de gay. Irritado, o religioso pegou uma corda emborrachada que estava num barco e deu umas boas lambadas no alcáide.
Quase frio. A tarde fria, úmida. Sem sol. Paira uma tristeza no ar. Sinto falta de um gole de café, viciado que sou. Quantos cafés tomo por dia? Li uma página de Montello sobre o Diário secreto de Humberto de Campos. Montello diz que ali estão algumas das mais belas páginas de Humberto de Campos. E das mais sofridas. Montello diz que não fala mal de ninguém em seus diários. São imensos volumes. Li dois deles. “O silêncio é também uma sentença”, conclui. Ascendino Leite relata a sua dificuldade de achar uma editora. Teve de pagar seus próprios livros, na maioria das vezes. A Itatiaia o publicou. Pedro Paulo, da Itatiaia, publicou muitos belos livros que não venderam. Encalhe enorme, que não preocupava Pedro Paulo: “Acabam vendendo”, dizia ele. Não fazia liquidação de seus livros. Editava com amor. Tinha mais de 5 mil títulos no catálogo.
Eu devia ter 16, 17 anos de idade e era, na época, repórter de “A crítica”.
Aquele jornal ficava na Saldanha Marinho, e tinha cerca de dois andares. No andar de baixo, térreo, ficavam as impressoras, linotipos. No primeiro andar, ficava a redação e a sala da diretoria. Tudo era uma só área: aos fundos era a redação, onde eu trabalhava. Meu chefe se chamava, se não me engano, Gutemberg Omena, um rapaz bem vestido, elegante, mas muito exigente. Na frente, com janelas para a rua, ficava a mesa do diretor, o Calderaro, onde ele se reunia com os visitantes ilustres.
Foi ali que vi Almino Afonso.
Ali também conheci o excelente poeta Hemetério Caminha. Recitando Castro Alvez:
Era um sonho dantesco... o tombadilho Que das luzernas avermelha o brilho. Em sangue a se banhar. Tinir de ferros... estalar de açoite... Legiões de homens negros como a noite, Horrendos a dançar...
Negras mulheres, suspendendo às tetas Magras crianças, cujas bocas pretas Rega o sangue das mães: Outras moças, mas nuas e espantadas, No turbilhão de espectros arrastadas, Em ânsia e mágoa vãs!
Ele tinha o timbre de ator shakespeariano, a densidade, a eloqüência, a voz voltada para o alto, o sublime, o dramático voar.
Leio uma página brilhante de Ascendino Leite. “Sementes no espaço”. Ler este autor tornou-se um vício, para mim. Seus diários. Neles encontro postagens que ele faria se escrevesse virtualmente. A vida também é algo virtual. A vida evanescente como uma nuvem. A vida é tempo que passa, o passado está perdido como num sonho, o futuro é para não se pensar, o presente é para deixar que passe. Não sei se ler é alguma busca. Talvez seja a busca de mim mesmo.
Muitas notícias. Sonia Sales vai lançar um livro novo. Uma biografia de Joaquim Nabuco, dia 22 de setembro, às 17 horas, no PEN CLUBE (Praia do Flamengo, 172, no Rio). O título é “O menino de massangana”. Nabuco era um excelente escritor. Um homem extraordinário, um brasileiro extraordinário. Estou ansioso por ler o livro de Sonia Sales. Nabuco homem bonito. Dizem que as mulheres não resistiam a seus encantos. Falam até de um namoro com a Princesa Isabel. Deve ser lenda. Foi o grande articulador da libertação dos escravos. Monarquista avançadíssimo. Alguns dizem que ele foi o verdadeiro libertador dos escravos. Culto, elegante, democrata, bem nascido, Nabuco é glória brasileira.
Este mini-poema de Rogel Samuel, assim como muitos, muitos outros, além de crônicas, análises e comentários literários de valor inestimável encontram-se em http://www.geocities.com/rogelsamuel n’“O SITE DO ESCRITOR”. Rogel Samuel é, ainda, autor de “NOVO MANUAL DE TEORIA LITERÁRIA” (Vozes), publicado em 2002. A obra foi concebida a partir de pesquisas nos Estados Unidos, França e Canadá, abrangendo não apenas as teorias consagradas, como o formalismo russo, a estilística, o new criticism, o estuturalismo e a semiologia, como também a crítica neomarxista, as teorias da recepção, do pós-modernismo, do pós-estruturalismo, a reflexão de Michael Foucault sobre a literatura, a descontrução, a teoria pós-colonial, a crítica do feminismo, a dialética hegeliana e a crítica dos valores de Nietzsche. As questões do belo, do mito, do trágico e do fantástico; o estudo do best-seller, do cinema e da TV também são analisadas numa linguagem clara e bem estruturada. Também a definição do que seja literatura e a natureza do fenômeno literário, além de conceitos básicos da teoria literária, fazem desta Obra um importante elemento de pesquisa, inclusive, a estudantes de Letras e Comunicações. O currículo de Rogel Samuel vem corroborar sua obra. E vice-versa.
Estamos no Brasil, mas não conseguimos almoçar no Bar Brasil, tão cheio. Nenhuma mesa. Fomos ao Nova Capela, aonde não íamos desde os anos 70. O mundo não passou, nesses lugares centenários. Nós, sim. Não mais encontramos o Válter e outros mortos. Nem os poetas daquela época. A poesia que naquela época se publicava em papel mimeógrafo. Alguns faziam um verdadeiro livrinho no mimeógrafo. Mas a poesia era boa. Tinha o sabor de algo proibido e revolucionário. A poesia dos excluídos, marginais e malditos. A boa poesia.
O dia amanheceu frio, chuvoso, escuro. Próprio para os casais bem casados, que moram bem, casas amplas. Isso não é o que ocorre, na maioria dos casos. Os casais não são tão bem casados e as casas não são amplas. Mas, como a felicidade é algo interior, a chuva não a esmorece. E até dá para a contemplação. O mundo exterior silencia, o interior se alegra. Gosto desses dias. Convidam à paz que não tenho, mas imagino. O silêncio é algo inenarrável, não é a ausência de som. Somos um com ele. Ao longe uma aeronave passa, talvez cheia de sonhos. Talvez navegue dentro de uma nuvem de sonhos.
LEIA O ROMANCE HISTÓRICO DE R. SAMUEL "TEATRO AMAZONAS" - http://teatroamazonas.blogspot.com/MAIS DE UM ANO DE PESQUISA EM TEXTOS RAROS E QUASE DESCONHECIDOS PELOS HISTORIADORES DE MANAUS.
Frio e chuvisco, no Rio de Janeiro. Ou nublado. Antigamente eu era suscetível ao tempo. Dia escuro, como este, me deixava melancólico. Depois de 2007, mudei. Fiquei 30 dias no Reino Unido, em Bournemouth. Pesadas chuvas diárias. Frio. Nuvens carregadas. Mas a paisagem bela, as praias belas, o mundo sorria debaixo de chuva. Aprendi que a chuva não muda o espírito, como o sol. Nós, brasileiros, somos filhos do sol. Nós, cariocas, adotivos ou natos. Filhos do sol, da praia, da feijoada, do Maracanã, do Carnaval que vem aí.
tua loura magreza não me toca que afagarei teus pelos com o beijo primordial
Seguro a mão que tu seguras daquele que me encontro fonte fantasma lavado e céu. Ó meu amor que se mistura à carnadura do estro às cores coxas do sensível
Ó meu portátil amor que se oferece na aparente umidescênciada paragem suburbana.
DHAMMAPADA (I) - Trad. Thanissaro Bhikkhu/Rogel Samuel
15-18 *: Aqui ele aflige ele aflige daqui por diante. Em ambos os mundos quem prejudica aflige. Ele aflige, ele é aflito, vendo a corrupção das suas ações. Aqui ele alegra ele alegra daqui por diante. Em ambos os mundos o fabricante de mérito alegra. Ele alegra, é exultante, vendo a pureza das suas ações. Aqui ele é atormentado ele é atormentado daqui por diante. Em ambos os mundos quem prejudica atormentou. Ele é atormentado com o pensamento: ' Eu prejudiquei. ' Tendo ido para um destino ruim, ele é atormentado ainda mais. Aqui ele se encanta ele se encanta daqui por diante. Em ambos os mundos o fabricante de mérito se encanta. Ele se encanta com o pensamento: ' Eu criei mérito. ' Tendo ido para um destino bom, ele se encanta ainda mais.
Del mar los vieron llegar mis hermanos emplumados Eran los hombres barbados de la profecía esperada Se oyó la voz del monarca de que el dios había llegado. Y les abrimos la puerta por temor a lo ignorado.
Iban montados en bestias como demonios del mal Iban con fuego en las manos y cubiertos de metal. Sólo el valor de unos cuantos les opuso resistencia Y al mirar correr la sangre se llenaron de verguenza.
Porque los dioses ni comen ni gozan con lo robado Y cuando nos dimos cuenta ya todo estaba acabado. Y en ese error entregamos la grandeza del pasado Y en ese error nos quedamos trescientos años esclavos.
Se nos quedó el maleficio de brindar al extranjero Nuestra fe, nuestra cultura, nuestro pan, nuestro dinero. Y les seguimos cambiando oro por cuentas de vidrio Y damos nuestras riquezas por sus espejos con brillo.
Hoy, en pleno siglo veinte nos siguen llegando rubios Y les abrimos la casa y les llamamos amigos. Pero si llega cansado un indio de andar la sierra Lo humillamos y lo vemos como extraño por su tierra.
Tu, hipócrita que te muestras humilde ante el extranjero Pero te vuelves soberbio con tus hermanos del pueblo. Oh, maldición de Malinche, enfermedad del presente ¿Cuándo dejarás mi tierra..? ¿cuándo harás libre a mi gente?
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"Uma pitada de poesia é suficiente para perfumar um século inteiro."
Sobre comentário para o programa radiofônico do OI, 3/9/2010
A primeira guerra do século 21, iniciada em 7 de outubro de 2001 com a invasão do Afeganistão, ainda está em curso, nove anos depois. A segunda guerra do novo século, contra o Iraque do tirano Saddam Hussein, foi formalmente encerrada na terça-feira (31/8), quando o presidente Barack Obama cumpriu a promessa eleitoral e declarou encerradas as missões de combate no país.
Nenhum dos jornalões brasileiros destacou a data nas capas e os registros nas páginas internas foram irrisórios. Sete anos e meio de uma guerra total (20/3/2003 a 31/08/2010), meio milhão de mortos civis, o país destroçado por uma guerra religiosa infindável, o caos político implantado e ao cidadão brasileiro não se oferece a oportunidade de perceber a importância do que ocorre à sua volta.
O fato de que permanecem no Iraque 50 mil militares ianques para garantir a segurança do país não é justificativa para o desleixo do noticiário.
Quando a Segunda Guerra Mundial acabou na Europa (8 de maio de 1945), um contingente muito maior de soldados americanos, ingleses e russos permaneceu na Alemanha para garantir o fim das hostilidades.
Barril de pólvora
Ainda que as conseqüências da aventura militar iniciada pelo presidente George W. Bush se prolonguem por uma ou duas décadas, o anúncio feito por Obama seria uma excelente oportunidade para que a mídia reexaminasse a sua vexatória participação no engodo mundial que culminou com a catastrófica invasão do Iraque.
Saddam Hussein blefou durante quatro anos a respeito da posse de armas de destruição massiva, Bush, sua claque e o boboca Tony Blair se deixaram enganar e logo depois constatou-se que no Iraque não havia qualquer traço de armas atômicas, nucleares ou biológicas.
O fiasco político-midiático não deveria ser lembrado na terça-feira (31) quando Obama declarou que encerrava o engajamento americano nos combates?
A invasão do Iraque exacerbou definitivamente o confronto entre xiitas e sunitas, tornou todo o mundo islâmico um grande barril de pólvora, e aqueles que deveriam fazer cobranças distraíam-se com irrelevâncias.
O mundo vai mal porque a imprensa já não sabe o que importa nem consegue apontar o que é transcendente.
Os prognósticos financeiros da imprensa, em escala mundial, mostram que não houve reversão nos indicadores da saúde corporativa, o que reforça a tese de que mudar custa muito dinheiro, mas não mudar pode sair ainda mais caro. Tudo porque as grandes empresas, tanto da mídia impressa como do audiovisual, vacilam diante do impasse entre esticar ao máximo as estruturas analógicas de produção e dar um salto no escuro na digitalização completa.
Esta transição de modelos tem como grande protagonista o miliardário australiano naturalizado norte-americano Rupert Murdoch, que está apostando suas fichas na imposição do acesso pago às notícias publicadas na internet. Os seguidores desta alternativa amargaram, na semana passada, dois grandes revezes. Primeiro, foi o informe da Associação Mundial de Jornais (WAN - World Association of Newspapers) revelando que a venda de jornais impressos em todo o planeta caiu mais 0,8% em 2009, chegando agora a um total de 517 milhões de cópias diárias nos 233 países pesquisados.
Depois veio outra notícia ruim para os grandes indústrias da comunicação com os rumores sobre a agonia do CBS News, um dos mais importantes telejornais da televisão mundial. O CBS News, que já foi uma espécie de bíblia informativa de milhões de norte-americanos quando Walter Cronkite era o seu apresentador, teve sua redação cortada até o osso, sobrando apenas 1.400 funcionários em toda a sua rede de repórteres, correspondentes estrangeiros, técnicos e produtores. Hoje o telejornal tem menos de cinco milhões de telespectadores no noticiário do horário nobre, uma cifra irrisória comparada à audiência de 56 milhões nos anos 1980.
O jornal inglês The Times, controlado pelo conglomerado News International, de Murdoch, perdeu 90% de seu público leitor depois da introdução de uma taxa de acesso diário no valor equivalente a 2,65 reais, e acesso semanal por cerca de 5,3 reais. Os números da queda foram passados anonimamente por funcionários do Times ao jornal concorrente The Independent, porque a News impôs uma férrea censura à divulgação de estatísticas sobre os acessos online.
Murdoch pretende ser o grande paladino da cobrança de acesso às notícias publicadas na Web tentando com isto encontrar a fórmula mágica capaz de garantir o fim das agruras financeiras da indústria mundial de jornais, traumatizada, em 2009, por uma redução de mais 17% na receita publicitária das empresas pesquisadas pela WAN.
Os movimentos do dono da News Corporation, que engloba o The Wall Street Journal, são observados com lupa pela maioria dos concorrentes, que inicialmente saudaram a audácia do bilionário de 79 anos mas agora já começam a vê-lo como um dom Quixote de uma causa que parece não decolar.
As estatísticas publicadas pela WAN mostram que na América Latina a queda de circulação paga de jornais foi da ordem de 4,6% em relação aos totais de 2009, uma redução mais aguda do que a registrada nos Estados Unidos, onde foi de -3,4% e menor do que na Europa, -5,6%. A circulação paga subiu apenas na Ásia (+1%) e, surpreendentemente, na África (+4,8%) .
Nos últimos cinco anos, ainda segundo a WAN , a circulação paga de jornais no mundo inteiro subiu 5,7%, alavancada basicamente pelo crescimento na Ásia (13%) e na África (30%) e por um modesto aumento de 5% na América Latina. Em compensação, a circulação paga nos Estados Unidos despencou em 10,6% no mesmo período, seguida pela dos jornais europeus com -7,9% e australianos, com -5,6%.
A publicidade nos jornais também seguiu um padrão descendente. Houve uma redução de 17,9% no faturamento publicitário da indústria mundial de jornais ao longo dos últimos cinco anos. Nos Estados Unidos, as perdas foram de 35%, enquanto na Europa a queda foi de 15% e a Ásia registrou um índice de -5%. A grande surpresa foi o crescimento de 46,5%, desde 2004, no faturamento publicitário dos jornais latino-americanos, movido basicamente pelo Brasil, onde a onda da recuperação econômica permitiu um aumento do consumo interno.
Segundo especialistas citados numa reportagem do jornal The Independent, a queda da circulação dos jornais no mundo inteiro não chega a ser catastrófica e nem representa a entrada no "corredor da morte" . O problema é que a redução é contínua, o que reforça a convicção de que não se trata de um fenômeno passageiro. É justamente esta constatação que está empurrando cada vez mais executivos das indústrias jornalísticas e da publicidade a colocar o acesso pago ou paywall ("muro de pagamento" no jargão inglês) como uma questão de mais de fé do que de razão.
Na verdade, a pobreza crônica de soluções inovadoras para o problema da fuga de leitores e anunciantes para a internet leva os executivos a apostarem tudo na cobrança de acesso,uma solução que até agora produziu mais decepções do que alegrias para a indústria dos jornais e revistas. Trata-se da mesma angústia que toma conta dos responsáveis pelos departamentos jornalísticos das três grandes redes de televisão dos Estados Unidos, que cortaram quase 20% de todo o seu pessoal nos últimos três anos para compensar a falta de anunciantes.
O que parece, no entanto, claro é a resistência dos executivos em optar por uma mudança que represente o abandono do modelo atual de receita. Há uma questão de custo embutida na troca de padrões, mas há também uma questão cultural muito mais difícil de ser alterada. São rotinas e valores muito antigos.
O maior deles é a questão dos custos da mudança. A digitalização dos processos de produção jornalística exige investimentos significativos, mas não é o seu volume que assusta os empresários da imprensa. É a incerteza quanto aos resultados. A convivência com a dúvida é extremamente desconfortável para homens de negócio acostumados a crer apenas nas certezas. Por isso eles têm tanta dificuldade em aceitar a tese de que não mudar pode sair ainda mais caro.
DHAMMAPADA (I) - Trad. Thanissaro Bhikkhu/Rogel Samuel
1-2 *: Fenômenos são precedidos pelo coração, regidos pelo coração, feitos do coração. Se você fala ou age com um coração corrompido, o sofrimento então o segue como a roda do carro o rasto do boi isso puxa aquilo.
Fenômenos são precedidos pelo coração, regidos pelo coração, feitos do coração. Se você fala ou age com a calma, coração luminoso, então a felicidade o segue, como a sombra que nunca o deixa.
3-6: ' Ele me insultou, me bateu, me agrediu, me roubou' para quem esses pensamentos alimenta a hostilidade não é acalmada.
' Ele me insultou, me bateu, me agrediu, me roubou' para quem não pensa assim, a hostilidade é acalmada. Não são acalmadas hostilidades por hostilidades, indiferentemente. São acalmadas hostilidades por não-hostilidades: isto é uma verdade sem fim.
Ao contrário os que percebem que estamos aqui à beira de perecer, esses nada fazem e suas disputas são pacificadas.
A ameaça que nos ronda é falta de poesia. Eu vinha pela Tiradentes, passo pela Rua Luiz de Camões, esquecida. Depois, a Travessa das Belas Artes. Lá, só poucas mulheres, decadentes, esperam fregueses. A seguir, o Beco do Tesouro. Nada mais pobre. "Proibidos beijos ousados", está escrito no cardápio da Adega Flor de Coimbra. Em sonhos, no meio do conflito. Estresse das notícias. Estamos assistindo ao fim da Internet, como espaço livre de opinião, sem censura e sem limites. Primeiro, veio surto de acusações contra a pornografia infantil, que ninguém vê. Não deu certo. Essa guerra marca o fim da vida privada. Nasce a desconfiança e a incerteza. Nós todos vamos de nos entocar nos nossos redutos, voltar à civilização num estágio anterior, à civilização do papel. Fim do homem público, do homem digital. Restritos são "os beijos ardentes". Lembro-me de um soneto de Olegário Mariano, que não está nas suas "Obras Completas" e que começa: "As coisas boas da vida, tu podes ter sem comprar". Há os versos do poeta indiano antigo Shantideva, que dizem:
Quaisquer flores e frutos que haja, Quaisquer tipos de medicamento, Tudo o que é precioso neste mundo, E todas suas puras águas refrescantes.
Montanhas de pedras preciosas, e assim, As solitárias florestas, a alegria calma, Árvores brilhantemente adornadas com flores, Os ramos pesados de excelentes frutos.
Lagos e lagoas adornadas de lótus, Gansos selvagens que enchem o céu Com gritos tão bonitos— Tudo o que não tem posse neste vasto universo.
Tendo tudo isso em mente, eu ofereço Para você e seus descendentes; Por pura e grande compaixão Amavelmente aceite este presente.
Eu sou pobre e não tenho nenhuma riqueza, Eu nada tenho mais para oferecer, Assim por esta intenção amável pelos outros, Aceite também isto por mim.
Depois de velho, recolho-me ao sofá, acompanhado da novela da Globo "O Clone". A paisagem árabe me pergunta: a emissora previu o 11 de setembro? A qualquer momento, no vídeo, espero aparecer Osama ao lado de Stenio Garcia. "Allá al-wa ka-bá" e Deus Salve a América. O meu amigo Kaled, hoje morando em Belo Horizonte, iniciou-me no Islã. Começou pela coalhada, com sal e azeite. A cordialidade árabe me lembra o banquete que, em 1952, o filho do rei da Arábia Saudita Ibn Sa'ud ofereceu a Onassis: No Palácio de Riad havia dançarinos comedores de fogo, cantoras e músicos. E foi servido um "camelo recheado" com um cervo, que é recheado com um carneiro etc que é recheado com uma pomba. Assado por 15 horas, regado por óleo perfumado com ervas finas. Exige dezenas de robustos cozinheiros para poder virar o espeto, sempre no mesmo ritmo. Depois do repasto, Onassis deixou o palácio levando bons contratos comerciais assinados e duas maravilhosas espadas de ouro maciço, presente do rei [Cafarakis, "O fabuloso Onassis", p. 93]. É certo que, para agradar ao rei, Onassis desembarcou com uma bagagem de presentes "capaz de encher dois andares das Galerias Lafayette", que distribuiu para o povo. Para o rei, só jóias, ouro e pedras preciosas. Do rei também ganhou um casal de canários, que Onassis chamava de Caruso, e que viajava com ele pelo mundo, presente do Rei Ibn Saud. Onassis transportaria o petróleo da Arábia através do mundo devido unicamente à elegância de seu trato social. Os dirigentes do mundo moderno deviam aprender a ler biografia, antes de tratados de guerra. São mais eficazes. "Deus criou apenas a água. O homem fez o vinho" diz Victor Hugo numa tabuleta da Adega Flor de Coimbra. O vinho faz esquecer, desarma os espíritos e as guerras. Diz o filósofo indiano moderno Krishnamurti: "A crise que atualmente assola o mundo inteiro é excepcional e sem precedentes. Crises tem havido, de toda a ordem, em diferentes períodos, crises sociais, nacionais, políticas... Sem dúvida a crise atual é diferente. E diferente porque não se trata de coisas tangíveis, mas de idéias. Estamos disputando armados de idéias, justificando-se o assassínio, em todas as partes do mundo justifica-se o assassínio como um meio de alcançar um fim justo, o que por si só é coisa inédita, o homem perdeu toda a importância: os sistemas, as idéias tornaram-se importantes. O homem já não tem nenhuma significação. Pode-se destruir milhões de homens, desde que se produza certo resultado, e esse resultado se justifica por meio de idéias.”["A primeira e última liberdade"].
Deus é desnecessário para explicar a criação, diz Hawking
O Universo pode e deve criar-se a partir do nada, escreve o famoso cientista em novo livro
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Deus não criou o Universo e o Big Bang foi uma consequência inevitável das leis da física, argumenta o eminente físico teórico Stephen Hawking em um novo livro.
Evan Agostini/APO físico britânico Stephen Hawking, durante evento realizado em junhoEm The Grand Design (O Grande Projeto, em tradução literal), que tem como coautor o físico americano Leonard Mlodinow, Hawking diz que uma nova série de teorias torna o conceito de criador do Universo redundante, de acordo com o jornal britânico Times.
"Porque existe uma lei como a gravidade, o Universo pode e deve criar-se a partir do nada. Criação espontânea é a razão para haver alguma coisa em vez de nada, para que o Universo exista, para que nós existamos", escreve Hawking. "Não é necessário invocar Deus para acender o pavio e pôr o Universo em movimento".
Hawking, com 68 anos, ganhou notoriedade mundial com seu best-seller de 1988, Uma Breve História do Tempo, um relato da história do Universo, e é renomado no meio científico por suas teorias sobre buracos negros, cosmologia e gravidade quântica.
Desde 1974, o cientista trabalha para casar as duas pedras angulares da física - a Teoria da Relatividade Geral, que trata de fenômenos de larga escala e da força da gravidade, e a Teoria Quântica, que cobre as interações entre partículas subatômicas.
Seu comentário mais recente sugere que ele rompeu com seu ponto de vista anterior sobre a religião. Antes, ele havia escrito que as leis da física apenas diziam que não era preciso acreditar numa intervenção divina.
Em Uma Breve História..., ele escreveu que uma teoria completa da física permitiria "conhecer a mente de Deus".
Em seu último livro, ele diz que a descoberta, em 1992, de um planeta em órbita de outra estrela além do Sol ajudava a desconstruir a visão de que o universo não poderia ter surgido do caos, mas foi criado por Deus.
"Isso faz as coincidências de nossas condições planetárias -- um único Sol, uma combinação de sorte de uma distância entre a Terra e o Sol e a massa solar, muito menos impressionante, e evidência muito menos convincente de que a Terra foi criada cuidadosamente apenas para agradar aos seres humanos", diz ele no livro.
Hawking consegue falar apenas por um sintetizador de voz computadorizado, em decorrência de uma neurodistrofia muscular que avançou nos últimos anos e o deixou quase completamente paralisado.
Ele começou a sofrer da doença em seus 20 e poucos anos, mas conseguiu se estabelecer como uma das maiores autoridades no mundo científico. O físico também teve participação especial no seriado "Jornada nas Estrelas" e nos desenhos animados "Futurama" e "Os Simpsons".
No ano passado ele anunciou que estaria deixando o cargo de professor lucasiano de matemática na Universidade de Cambridge que mantém desde 1979. O posto já foi anteriormente assumido por Newton.
O livro tem lançamento internacional marcado para 7 de setembro.
Considerado uma espécie de Nobel da literatura infanto-juvenil, o prêmio oferece 67 mil euros
A escritora J.K. Rowling, autora da premiada saga sobre Harry Potter, ganhou nesta quarta, 1, na Dinamarca, o prêmio Hans Christian Andersen, o mais importante dedicado à literatura infanto-juvenil. É uma espécie de Nobel do gênero. A ecritora Ana Maria Machado foi a única brasileira a receber o prêmio, em 2000.
APJ.K. Rowling, que esta semana doou US$ 15,5 milhões para o combate à esclerose múltiplaConferido por uma fundação privada que leva o nome do famoso escritor, o prêmio oferece 67 mil euros. Rowling receberá o prêmio em 19 de outubro em Odense, cidade natal do autor de O Patinho Feio. A entrega vai coincidir com a celebração nesta cidade da edição anual de um festival dedicado a Harry Potter.
Na terça-feira, Rowling havia doado 10 milhões de libras (US$ 15,5 milhões) para a criação de uma nova clínica de pesquisa de esclerose múltipla, doença que matou sua mãe. "Eu acabei de fazer 45 anos, a idade que minha mãe, Anne, tinha quando morreu por complicações ligadas à esclerose múltipla."