sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Salários no Brasil aumentaram mais que o dobro da média mundial, diz OIT

Salários no Brasil aumentaram mais que o dobro da média mundial, diz OIT

Segundo relatório, ordenados cresceram 2,7% em 2011; média global foi de 1,2%

Os salários no Brasil cresceram no ano passado mais do que o dobro da média mundial, de acordo com um estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT) publicado nesta sexta-feira.
Os salários dos brasileiros tiveram um aumento médio real (descontada a inflação) de 2,7% em 2011, enquanto globalmente o crescimento foi de apenas 1,2%, segundo a organização.
Se a China for retirada dos cálculos, os salários médios reais cresceram apenas 0,2% mundialmente, afirma o relatório. A organização ressalta que os dados oficiais sobre os salários na China em 2011 ainda não estão disponíveis e que os cálculos foram feitos com base na taxa de crescimento médio salarial anual na China, que tem sido de 12% nos últimos anos.
Em 2010, os salários reais no Brasil - que registraram aumento de 3,8% - já haviam crescido bem mais do que a média mundial, de 2,1%. Segundo a OIT, os salários globais têm aumentado nos últimos quatro anos (no período de 2008 a 2011) a um ritmo bem mais fraco do registrado antes da crise iniciada em 2008.
Em 2007, o crescimento mundial dos salários havia sido de 3% (no Brasil ele foi de 3,2%).
Impacto desigual
''Esse relatório mostra claramente que a crise teve em inúmeros países um impacto importante sobre os salários'', afirma o diretor-geral da OIT, Guy Ryder. ''No entanto, esse impacto não foi uniforme'', acrescenta.
O estudo revela que existem fortes disparidades regionais: enquanto nas economias desenvolvidas os salários mensais sofreram contração em 2008 e também 2011 (diminuição de 0,5%) em razão da diminuição de horas extras e do aumento de empregos precários, com jornadas de meio período, na América Latina e sobretudo na Ásia houve crescimento contínuo nesse período pós-crise.
O relatório Salários Mundiais 2012/2013 da OIT ressalta que os dados positivos dos salários na América Latina ''são fortemente influenciadas por países como o Brasil''.
A OIT analisou o desempenho da evolução dos salários na América Latina no período de 2006 a 2011 e constatou que vários países da região, sobretudo na América Central e no Caribe, tiveram uma degradação em 2008 e 2010.
''Em 2008, os salários reais sofreram contração em dez dos 14 países da América Latina analisados. Em 2010, isso ocorreu em seis países'', diz o estudo. No Brasil, o aumento foi de 3,4% em 2008.
O relatório também revela que em pouco mais de uma década, entre 2000 e 2011, os salários médios reais aumentaram 22,8% em nível mundial.
Desempenho chinês
Na Ásia, os salários quase dobraram no mesmo período. A melhor performance é a da China, onde eles triplicaram nesse prazo, com taxa de crescimento anual média de 12%, ''o que suscita questões sobre o eventual fim da mão de obra barata na China'', diz a OIT.
Na América Latina e no Caribe, o crescimento dos salários na última década foi de 15,1%, abaixo da média mundial. Mas nas economias desenvolvidas, o aumento no período foi de apenas 5%, diz a OIT.
No leste europeu e na Ásia central, os salários também quase triplicaram na última década, mas a OIT ressalta que o aumento decorre essencialmente da transformação desses países em economias de mercado.
Apesar do crescimento dos salários reais nas economias emergentes, mesmo durante a crise, existem diferenças consideráveis nos níveis de salários de um país para outro, diz o estudo.
Um operário industrial brasileiro ganha, por hora de trabalho, US$ 5,40, a metade do que é pago por hora trabalhada nesse setor na Grécia e menos do que na Argentina (US$ 8,68), República Checa ou Eslováquia.
Nos Estados Unidos, um operário industrial ganha US$ 23,32 por hora trabalhada e, na Alemanha, U$ 25,80.
A OIT afirma ainda que a produtividade dos trabalhadores aumentou (devido às inovações tecnológicas) duas vezes mais do que os salários nas economias ricas nas últimas duas décadas.
Nos Estados Unidos, a produtividade aumentou 85% nesse período, enquanto os salários subiram apenas 35%.


quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Mulheres conseguem saber se homem trai só de olhar, diz estudo

Mulheres conseguem saber se homem trai só de olhar, diz estudo

Voluntárias de pesquisa australiana acertaram mais quais homens eram infiéis com base na masculinidade de suas feições

  
As mulheres conseguem dizer com precisão se um homem desconhecido é fiel apenas olhando na cara dele. Os homens, no entanto, parecem não ter a mesma capacidade quando observam as mulheres, de acordo com um estudo australiano divulgado nesta quarta-feira (5).
Em um artigo publicado na revista Biology Letters, os pesquisadores descobriram que as mulheres tendem a fazer esse julgamento com base na aparência de masculinidade que os homens têm.
"As avaliações das mulheres sobre a infidelidade mostraram correlações significativas com as medidas de infidelidade real", escreveu o grupo, liderado por Gillian Rhodes, do Centro ARC de Excelência em Cognição e seus Transtornos, da University of Western Australia, em Perth.
"Homens com aparência mais masculina foram avaliados com uma probabilidade maior de serem infiéis e terem uma história sexual de mais infidelidade."

A atração não foi um fator para as mulheres fazerem a associação.
No estudo, foram mostradas a 34 homens e 34 mulheres fotografias coloridas de 189 faces adultas caucasianas e se pediu que fosse avaliada a fidelidade dessas pessoas.
Os pesquisadores compararam as respostas com as histórias sexuais contadas pelos próprios 189 indivíduos e descobriram que as participantes mulheres eram mais capazes de dizer quem havia sido fiel e quem não tinha.
"Fornecemos a primeira evidência de que os julgamentos de fidelidade, baseados apenas na aparência facial, têm um fundo de verdade", escreveram no artigo.
Os homens, por sua vez, pareciam não ter nenhuma pista. Eles tendiam a perceber as mulheres atraentes e femininas como infiéis, quando não havia evidência de que fossem, observaram os cientistas.
A fidelidade é considerada importante no contexto de relacionamento sexual e de escolha do parceiro, escreveram os cientistas no artigo. Os homens com parceiras infiéis tendem criar o filho de outro homem, enquanto as mulheres com parceiros infiéis correm o risco de perder parte ou mesmo todos os recursos dos pais para as concorrentes.

O VÔO VAZIO

O VÔO VAZIO

Rogel Samuel


Ah, que quando abri meus olhos não, não nos primeiros instantes, não, mas logo compreendi que não sabia onde estava. Aquilo, aquele ruído grave, surdo, me deixava inerme, e devia estar naquela posição desde muito tempo, ali e sim, era importante ver e entender o que se passava, era realmente urgente, eu estava sozinho naquele avião, e o vôo prosseguia e eu estava em pleno ar.

Era uma aeronave grande, MD-11, de 285 lugares, capaz de carregar 280.320 quilos e viajava a 890 km por hora.

Talvez estivesse ali por acaso, esquecido, mesmo restasse ali para morrer. Costumo tomar uns comprimidos fortes para dormir nos vôos demorados, depois de me prender bem com o cinto de segurança na poltrona. Porventura todos os outros passageiros teriam saído, pulado, estaria eu naquela aeronave e assim conduzido para algum lugar em perigo, sem nenhum retorno, como para a morte num avião seqüestrado.

Quando acordei vi que nem imaginava para onde ia.

Com muito custo consegui destravar o cinto e erguer-me dali.
Fui até a frente do aeroplano.
Não vi ninguém.
Como a sede me atormentava, abri uma garrafa de água mineral e bebi um gole. Aquilo me reanimou.
Na tentativa de explicação, e como já estivesse a ponto de entrar em pânico, fui à cabine de comando, cuja porta encontrei trancada, mas que logo consegui abrir.
Havia o pessoal de bordo, sim, havia, que pude ouvi-los mas não consegui vê-los.
Conversavam entre si e riam.
Lá estavam.
Mas apareceu uma aeromoça muito irritada comigo, criticando-me severamente por eu ter saído de meu lugar e ir aonde não devia, por ter entrado na cabine.
Ela, sem querer ouvir nem me deixar falar, me ordenou com impaciência e autoridade, que eu logo retornasse à minha poltrona, que voltasse imediatamente para meu lugar, não me dando nem tempo para formular minhas indagações e saber onde estava e para onde ia, já revelando que não responderia às minhas indagações.

Mais conformado vi que tudo funcionava bem, que o vôo prosseguia e não corria perigo, com serenidade deixei-me ficar naquela desconhecida rota, viagem fantasma, como sob o sigilo e o controle do piloto automático.

Voltei reconfortado mas muito mais cansado com o esforço, de tal forma que me sentei no mesmo lugar e logo adormeci, ainda sob o efeito do forte tranqüilizante.

Caí num sono profundo.

No meu sonho considerava eu não saber onde estava, sonho que sempre se repete, não me recordava de onde vinha, não sabia para onde ia.

Eu continuava a sonhar.

O efeito do tranqüilizante não passara ainda, e estava eu mergulhado numa indiferença mortal, como que entorpecido.

Quando acordei, tinha uma sede terrível. Minha vista se escurecia, a mente se obscurecia e desmaiava num véu escuro povoado de alguns súbitos clarões, como relâmpagos. Tentei erguer-me outra vez da poltrona, na intenção de informar-me outra vez com o pessoal de bordo. Curiosamente só me lembrava de ter visto a aeromoça. 

Depois de algum tempo, consegui levantar-me. Andei. Entrei no banheiro.

Devíamos estar na velocidade de cruzeiro, porque havia estabilidade no vôo.

Sentei-se no vaso e desmaiei.

Uma turbulência me acordou.

Ergui-me e voltei.

Ao passar, tive vontade de tentar abrir a porta da aeronave. Eu sempre quis abrir aquela porta. Mas não consegui fazer nada.

Voltei ao meu lugar e percebi que agora existia alguém, alguma coisa que estava diferente: havia um homem sentado ali, no mesmo lugar, dormindo.

Tentei acordar aquele homem. Tentei acordá-lo. Mas não consegui, porque logo vi que era eu quem estava morto ali.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

The Hunt for Genghis Khan’s Tomb

The Hunt for Genghis Khan’s Tomb

For centuries historians and treasure seekers have searched for the burial site of history's most famous conqueror. New findings offer compelling evidence that it's been found.

In the eight hundred years since his death, people have sought in vain for the grave of Genhis Khan, the 13th-century conqueror and imperial ruler who, at the time of his death, occupied the largest contiguous empire, stretching from the Caspian Sea to the Pacific. In capturing most of central Asia and China, his armies killed and pillaged but also forged new links between East and West. One of history’s most brilliant and ruthless leaders, Khan remade the world.
Mongolia
A 250-ton stainless-steel statue of Genghis Khan outside the capital of Mongolia. (Daniel Traub for Newsweek)
But while the life of the conqueror is the stuff of legend, his death is shrouded in the mist of myths. Some historians believe he died from wounds sustained in battle; others that he fell off his horse or died from illness. And his final burial place has never been found. At the time great steps were taken to hide the grave to protect it from potential grave robbers. Tomb hunters have little to go on, given the dearth of primary historical sources. Legend has it that Khan’s funeral escort killed anyone who crossed their path to conceal where the conqueror was buried. Those who constructed the funeral tomb were also killed—as were the soldiers who killed them. One historical source holds that 10,000 horsemen “trampled the ground so as to make it even”; another that a forest was planted over the site, a river diverted.
Scholars still debate the balance between fact and fiction, as accounts were forged and distorted. But many historians believe that Khan wasn’t buried alone: his successors are thought to have been entombed with him in a vast necropolis, possibly containing treasures and loot from his extensive conquests.
Germans, Japanese, Americans, Russians, and Brits all have led expeditions in search of his grave, spending millions of dollars. All have failed. The location of the tomb has been one of archeology’s most enduring mysteries.
Until now.
A multidisciplinary research project uniting scientists in America with Mongolian scholars and archeologists has the first compelling evidence of the location of Khan’s burial site and the necropolis of the Mongol imperial family on a mountain range in a remote area in northwestern Mongolia.
Among the discoveries by the team are the foundations of what appears to be a large structure from the 13th or 14th century, in an area that has historically been associated with this grave. Scientists have also found a wide range of artifacts that include arrowheads, porcelain, and a variety of building material.
“Everything lines up in a very compelling way,” says Albert Lin, National Geographic explorer and principal investigator of the project, in an exclusive interview with Newsweek.
For 800 years the Khentii mountain range, where the site is located, has been off-limits, decreed thus by Genghis Khan himself before his death. If the findings bear out, this will be one of the most significant archeological discoveries in years. Using drones and surface-penetrating radar, and enlisting the help of thousands of people to sift through satellite data and photographs, the team has searched the mountain range, systematically photographing 4,000 square miles of landscape.
In a laboratory at the California Institute for Telecommunications and Information Technology at University of California, San Diego, Lin and his team combed through the massive volumes of ultrahigh-resolution satellite imagery and built 3-D reconstructions from radar scans in their search for clues to where Genghis Khan may be buried. As part of an unprecedented open-source project, thousands of online volunteers sifted through 85,000 high-resolution satellite images to identify any hidden structures or odd-seeming formations.
“It is undeniable that Genghis Khan changed the course of history. Yet I cannot think of another historical figure of comparable impact that we know so little about,” says Lin, who is still tight-lipped about the full extent of the team’s results as they await peer review. But excitement shines through his academic caution. “Any archeological results related to the subject may shed light on a vital piece of our shared cultural heritage that has gone missing.”
To reach the Khentii mountains, you drive east from the capital, Ulan Bator, passing a shimmering statue of Genghis before reaching the mining town of Baganuur. The crumbling town has all the charm of a post-Soviet Dickensian nightmare: a 10-mile-long slag heap signals the presence of the largest state-run open-pit coal mine in Mongolia. Exiting north out of town, the remains of a Soviet military base bring to mind the set of a post-apocalyptic horror movie. But once free of the city, the Kerulen River Valley, homeland of the Mongols, unfolds in all its panoramic beauty. Located on one of the main east-west routes across Central Asia, the steppe continues west to the Caspian Sea, east to Japan and northern China, circumventing the Gobi Desert that inspired nightmares for Marco Polo and other travelers.

FÁBRICA DE TREM NO RIO

Por alfeu
Da Agência Brasil

Isabela Vieira
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro- Uma fábrica provisória de trens da empresa francesa Alstom será construída em Deodoro, na zona oeste da capital fluminense. O custo da obra será R$ 300 milhões. No local serão montados 20 trens comprados pela concessionária Supervia e deve impulsionar a recuperação da indústria ferroviária no estado. A avaliação foi feita hoje (3) pelo secretário Estadual de Transportes, Julio Lopes.
“O Rio esperava há décadas a recuperação de sua indústria ferroviária. O estado já foi um dos maiores em fabricação e conservação de trens e tinha perdido essa condição”, disse Julio Lopes. A expectativa é que a fábrica monte os 20 trens, com a perspectiva de também construir os veículos leves sobre trilhos (VLTs), além de composições para o metrô para a capital fluminense.

Tufão Bopha mata dezenas e devasta sul das Filipinas

Tufão Bopha mata dezenas e devasta sul das Filipinas

País tem casas destruídas, cortes de eletricidade e problemas nos transportes; há cerca de 40 mortos, segundo governador

iG São Paulo

O tufão mais forte a atingir as Filipinas este ano devastou o sul da ilha na terça-feira, deixando dezenas de mortos, destruindo casas, provocando cortes de eletricidade e forçando o cancelamento de voos e serviços de balsa, informaram as autoridades. Há cerca de 20desaparecidos.
De acordo com o governador de Compostela Valley, Arturo Uy, deslizamentos provocados pelo tufão deixaram ao menos 33 vítimas no vilarejo de Andap, incluindo moradores e soldados. Com isso, o número de mortos em todo o país é de cerca de 40.


Reuters
Moradores sobem em árvore derrubada pelo tufão Bopha em Tagum City, nas Filipinas
Com rajadas de vento de até 195 km/h, Bopha atingiu o continente perto do amanhecer, arrancando árvores e derrubando as linhas de energia e comunicação. Bopha estava a caminho dos grandes destinos turísticos na região central das Filipinas.
"Lá se vai a minha casa", disse a repórteres o pescador Landring Ceballos, da província de Davao Oriental, enquanto assistia aterrorizado aos ventos erguendo sua casa improvisada e depois lançando-a no mar.
Cerca de 20 tufões atingem as Filipinas todo ano, que normalmente causam mortes e destruição. O tufão Washi deixou 1,5 mil mortos em Mindanao, em 2011. "Nós sofremos o suficiente", disse Felicitas Cabusao, segurando um terço junto com sua filha de 12 anos.
Cabusao disse que a filha sobreviveu à fúria do tufão Washi em dezembro de 2011, depois de ter sido levada pelo mar quando inundações devastaram vilarejos costeiros inteiros na cidade de Cagayan de Oro.
Dezenas de voos domésticos e serviços de balsa nas regiões central e sul das Filipinas foram suspensos, escolas e alguns negócios ficaram fechados, enquanto a polícia e os bombeiros dispararam sirenes, alertando a população para se mudarem para áreas mais altas.
Ceballos e quase 40 mil moradores em regiões costeiras nas províncias do extremo leste de Mindanao foram retiradas para lugares mais seguros, oito horas antes da chegada do Bopha.
Com Reuters


segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

No Rio, Madonna dedica show a todas as 'periguetes' do mundo

No Rio, Madonna dedica show a todas as 'periguetes' do mundo

Diante de 67 mil pessoas, estrela mostra desenho que fez nas costas com a gíria brasileira e, de lingerie, canta 'Like a virgin' enquanto recolhe dinheiro do público e põe no sutiã


Madonna se apresenta no Parque dos Atletas, no Rio Foto: Danila Dacorso / O Globo

Madonna se apresenta no Parque dos Atletas, no Rio Danila Dacorso / O Globo
RIO - Prefira o original: Madonna, há 30 anos realizando suas fantasias. Esse poderia ser o slogan de “MDNA”, o show que a cantora americana trouxe para o Rio de Janeiro, na noite de domingo, no Parque dos Atletas. Copiada, relida, remixada e parodiada por seguidas gerações de estrelas pop, ela tinha o desafio de mostrar por que, aos 54 anos de idade, ainda era relevante.

E veio armada até os dentes com o que conseguiu reunir pelo caminho: produção milionária, vigor atlético, vasto repertório, pendor para a provocação e apurada construção cênica. A música pode ter ficado em segundo plano, mas, como espetáculo, “MDNA” foi impecável.
Em sua volta ao Brasil, Madonna levou 67 mil pessoas ao Parque dos Atletas do Rio, muito acima dos 40 mil arrastados por Lady Gaga em sua passagem pela cidade. Como é tradição, a estrela deixou o público impaciente desde as 20h, horário previsto para início do show. Mas quando a majestade deu a largada, às 23h05m, com "Girl gone wild", os súditos esqueceram qualquer sinal de cansaço e entregaram-se ao repertório salpicado de hits e canções do novo disco.
A primeira parte do show casa opressivas imagens medievais com violência de filme de Quentin Tarantino. É, tematicamente, o momento em que Madonna faz seu mergulho no inferno, nas canções “Girl gone wild”, “Revolver” e “Gang bang”, cujas coreografias de combate poderiam muito bem ter sido dirigidas pelo cineasta John Woo. Entre a primeira música e "Revolver", a cantora falou em português: "Qual é Rio, estão prontos?".
Momento sublime é a entrada, logo em seguida a esse bloco, do velho hit “Papa don’t preach”, que ali adquire todo um novo sentido: deixa de ser a música da menina conversando com o pai, e passa a ser a da cantora prestando contas com Deus. “Hung up” vai na mesma levada pesada (de um show que definitivamente é para adultos), ganhando uma nova leitura as sugestões visuais dos bailarinos no slack line.
Noite que segue. De guitarra em punho Madonna encarna a roqueira em “I don’t give a...”, tira seu sarro básico com Lady Gaga ao enxertar “Born this way” em “Express yourself”, lidera as cheerleaders e a banda do colégio em “Give me all your luvin’” e ainda homenageia o próprio passado na oitentista “Turn up the radio”.
Para reler “Open your heart”, ela convoca seus assessores para world music, o trio basco Kalacan, numa versão que fica aquém da original. E não agrada muito com a balada “Masterpiece”, momento em que o show esfria perigosamente.
Mas aí chega a parte assumidamente hedonista do espetáculo e tudo volta ao normal: “Vogue”, “Candy shop” (com trechos de “Erotica”) e “Human nature”, culminando numa versão voz-e-piano de “Like a virgin”, em que a periguete-mor do pop mundial carrega na sensualidade, na elasticidade e no drama, arrastando-se pelo chão. Em inglês, a diva dedicou a música "a todas as 'periguetes' do mundo" e, de barriga de fora, lambeu o dedo de uma fã e mostrou as costas desenhadas com a gíria brasileira "periguete". Madonna costuma fazer este tipo de tatuagem removível por onde passa.
É o ápice da noite, depois do qual ela envereda pela brutalidade techno (“I’m addicted”) e o zen indiano (“I’m a sinner”) até a redenção, com “Like a prayer”, em que a Igreja ruim e medieval é trocada pela Igreja boa, dos corais negros, do gospel. Mais uma noite de salvação para a santa pecadora e seus devotos.

WOODSTOK

WOODSTOK


Rogel Samuel


À noite, no meu quarto,  leio um poema de James Hopkins. Ele é um poeta americano premiado, autor do livro “ eight pale women”, que ganhou o prêmio “ Word works” da cidade de Washington, conferido por uma organização literária. Hopkins é um rapaz jovem, bonito, de longos cabelos. Conheci-o em Walden, New York. Ele me pede que escreva algo sobre seu livro, por sinal muito bom. 
Naquele dia fui a Woodstook. Estive lá recentemente duas vezes. Na primeira vez chegamos ao anoitecer. Fomos diretos para o alto da montanha, onde nos esperava uma reunião. Quase não sentimos o lugar. Só a sua atmosfera. Não da nostalgia, ou da memória do festival de música de 1969 – que não foi mesmo realizado lá – mas havia no ar algo daquele tempo bom dos hippies que todos fomos, dos cabelos compridos, das nossas sandálias, das nossas artes e almas puras. Sim, porque éramos uma geração de jovens puros que amávamos a música, as fotos, as histórias, a natureza. Não vivíamos, acampávamos neste mundo. Fomos ali, em Woodstock, reencontrar-nos. Woodstock não era uma cidadezinha nas montanhas, mas um lugar no nosso coração. Vi, logo que cheguei, que ali não tínhamos ficado velhos, que ainda estávamos no jogo da vida, que ainda amávamos a nossa jornada.
            Na segunda vez chegamos cedo, na hora do almoço.
            Almoçamos num pequeno restaurante onde, à noite, havia música, ali. Os dois garçons, jovens, andróginos, já era de uma outra era. A cozinha excelente. Depois, por minhas duas amigas americanas, “fomos às compras”. Woodstok é um grande shopping, agora. Particularmente, nada vi interessante. Mas gosto de shopping. O melhor foram as lojas de artigos orientais. Principalmente uma, chamada “Dharmaware”. Mas tudo muito caro, para nós, brasileiros. Entro num sebo. Nada vi, que me interessasse. Um rapaz, na rua, tenta-me desesperadamente vender duas fitas cassetes usadas por dois dólares. Ele tem ansiedade nos olhos, tem pressa. Arrependo-me de não ter comprado, ainda que desconfie por que ou de que ele precisa, ou por isso mesmo.
            Num supermercado comprei uma caneta, que tenho usado até hoje. Barato. É um modelo antigo, de aço inoxidável. Gosto de canetas, e já tive uma boa coleção. A maioria de pena. Mas hoje só consigo escrever no computador.
            Faz calor, em Woodstock. Sinto-me cansado, desanimado. Estou perdendo o interesse pelas coisas. Woodstock perdeu o clima místico de paz e amor dos anos sessenta. Estamos na era Bush. “Os nossos ídolos morreram de overdose” e já não somos os mesmos.
            À noite, no meu quarto,  leio um poema de James Hopkins. O poema diz mais ou menos assim: “ trate \ os fantasmas \ do quase-passado \ com um pouco mais de respeito  -- \ aquelas vaporosas  pistas que derivam dos parques \ aproveitam as ruas \ em segredo. \ o tremor \ apenas \ no vértice \ da escuridão \ quando o vermelho \  escorreu do céu. \ a sombra que pisca \ no canto de seu olho \ antes da noite \  engolir \ a lua”.
            Fecho o livro, a luz da cabeceira. Fecho os olhos.
            Adormeço.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Aos 105 anos, Dona Canô vai ao show de sua filha Maria Bethânia

Aos 105 anos, Dona Canô vai ao show de sua filha Maria Bethânia


Dona Canô estava presente na plateia do show de sua filha, Maria Bethânia, em Salvador nesse sábado, 1º

Dona Canô (105) prestigiou o espetáculo Cartas de Amor, de sua filha Maria Bethânia (66) nesse sábado, 1º. Na plateia do show, que aconteceu na sala principal do Teatro Castro Alves, em Salvador, também estavam as irmãs de Bethânia, Mabel e Clara Velloso.
Bethânia interpretou canções de seu mais novo álbum Oásis, entre elas Lágrima, Vive e Fado. Durante alguns minutos, o show foi interrompido por falhas técnicas, mas foi logo retomado.
Neste domingo, 2, ela se apresenta novamente em Salvador e no próximo sábado, 8, e domingo, 9, o espetáculo será levado para Belo Horizonte.

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Caminhão com equipamentos para show de Madonna tomba e mata motorista no Paraná

O motorista ficou preso nas ferragens e morreu na hora. Já o passageiro teve ferimentos leves e foi socorrido no local

Madonna
Madonna (Divulgação)
Um caminhão que transportava equipamentos para o show da cantora Madonna tombou, por volta das 10h deste domingo (2), na BR-376, em Guaratuba, no litoral do Paraná.  De acordo com a Polícia Rodoviária Federal o motorista morreu e um passageiro ficou ferido durante o acidente.
O trecho onde aconteceu o acidente é conhecido como Curva da Santa. O show de Madonna será realizado no próximo domingo (9), no Estádio Olímpico, em Porto Alegre.
O motorista ficou preso nas ferragens e morreu na hora. Já o passageiro teve ferimentos leves e foi socorrido no local.


Décio Pignatari morre aos 85 anos

Décio Pignatari morre aos 85 anos

Escritor estava internado em São Paulo e teve "insuficiencia respiratória e pneumonia aspirativa"

iG São Paulo
Divulgação
O poeta e escritor Décio Pignatari
O poeta e escritor Décio Pignatari morreu neste domingo (dia 2) em São Paulo, aos 85 anos.
Ao iG , a assessora do Hospital Universitário da USP (onde Pignatari estava internado desde 30 de novembro), disse que o escritor teve "insuficiencia respiratória e pneumonia aspirativa" e que ele sofria de Alzheimer.


Pignatari nasceu em Jundiaí (São Paulo) em 20 de agosto de 1927. Também tradutor e professor, ele foi um dos principais nomes a experimentar as possibilidades da linguagem na literatura brasileira.
Ao lado dos irmãos Haroldo e Augusto de Campos, Pignatari foi um dos principais expoentes do concretismo nos anos 1950. O movimento buscava criar uma nova linguagem a partir da forma.
Entre suas principais obras, destacam-se "Teoria da Poesia Concreta" (1965), em que assina junto com os irmãos Campos, e a revista "Noigandres".


Madonna é dona do palco




 






Madonna é dona do palco

Rogel samuel

Engana-se que pensa que ela é produto da media: Madonna é o resultado de dez horas de ensaio por dia, num exemplo de profissionalismo digno de um virtuose. Minimalista, a fase atual da diva Madonna está excelente. Sem exageros, mais refinada, num compasso minimal, embalador, ela domina o palco, num espetáculo de música e dança, dança com amor - Madonna chorou em São Paulo.
Não assisti aos shows no Brasil, mas me baseio no DVD recente, em NY. Ela corresponde a um anseio de lenda, de balada lendária, sempre dançante, - ela é uma dançarina profissional - há uma espécie de enredo, ela conta uma estória, que se desenrola, ainda que não tive acesso a todos textos das músicas, mas quando ela dedica a seu público a sua canção há uma total integração.
Correu o boato de que ela ia aposentar-se.
- "Adoro o que faço. Quando já não gostar será hora de parar, mas isso ainda não aconteceu",
disse ela.