segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

A LUZ NEGRA DO SOM DO ÓRGÃO DO UNIVERSO

A LUZ NEGRA DO SOM DO ÓRGÃO DO UNIVERSO


Rogel Samuel

      
Sim, o som grave desses monstros do universo puderam ser ouvidos. No dia 9 de setembro se dizia: “Buracos negros cantam”. No centro da galáxia de “Perseus” (o nome já indica) há um enorme buraco negro, cuja massa talvez seja 2,5 bilhões de vezes maior que a do Sol. Os “Buracos negros” possuem tal densidade, tal força de atração, que sugam a luz ao seu redor, e por isso se chamam “negros” a esses “buracos”, a essas cavidades espetaculares. Eu fico imaginando o Universo como um gigantesco órgão, emitindo um som grave, profundo, “cerca de 57 oitavas abaixo da nota dó que fica no meio do teclado dos pianos, freqüência 57 bilhões de vezes mais profunda do que os limites da audição humana, um ruído muito aquém do que o ouvido humano pode captar”. “As imagens obtidas com os dados do observatório Chandra mostram duas cavidades enormes - em forma de bolhas - com cerca de 50 mil anos luz de largura, saindo do centro do buraco negro.”
Um ano-luz equivale a 9,45 trilhões de quilômetros. Andrew Fabian, do Instituto de Astronomia de Cambridge, na Inglaterra, disse que as ondas são causadas pelo encolhimento e aquecimento ritmado do gás cósmico, provocado pela intensa força gravitacional que mantém as galáxias aglomeradas.
       O som grave que esses monstros do universo emitem podem ser comparados aos cânticos e mantras que no budismo tibetano são entoados, no limite extremo do som baixo da garganta humana, para os chamados dharmapalas, os protetores do dharma, como os mahakalas. Pasolini usou essas músicas soturnas no seu filme com Maria Callas, a “Medeia”.
       A lenda, que  faz das práticas desses protetores um som tão grave, diz o seguinte: certos monges rezavam a um mahakala durante muito tempo e nenhum sinal de sua presença ocorria. Então eles recorreram a um mestre que lhes disse para entoarem num tom bem grave, som de leão, de dragão, e assim ocorreu. Alguns monges cantam mahakala com o som da inspiração, e não com a expiração da voz.
       Havia cerca de 100 mahakalas no mundo antigo da Índia medieval de onde tudo veio. A lenda diz que os mahakalas (ou grandes negros, daí a lembrança), existiam antes de nossa era, de nosso kalpa, ou eon. Um kalpa é o tempo em que este universo aparece (ou explode) e desaparece.
Há muitas eras atrás, havia um poderoso demônio que matava e comia os seres humanos de sua época e punhas suas cabeças num colar de cabeças decepadas com que se enfeitava. Os budas se compadeceram dos seres e se reuniram para ver o que podiam fazer. Resolveram destruir o demônio.
Depois disso, viram que ele iria renascer ainda mais furioso por isso. Assim, resolveram pacificá-lo. Assim nasce a lenda de um dos mahakalas que protegem até hoje os praticantes nyngmas do budismo tibetano.
       É possível ouvir esses cânticos em CD e até pela Internet. São soturnos e belos, entoados por monges nos mosteiros. Os melhores são os do mosteiro Gyuto, do Dalai Lama.

       Sim, o som grave que esses monstros do universo emitem puderam ser ouvidos.


domingo, 16 de dezembro de 2012

Tomografia inédita revela que faraó Ramsés 3º teve garganta cortada

Múmia de Ramsés 3º tem corte profundo na garganta
Novos testes na Itália sugerem que o faraó egípcio Ramsés 3º teve a garganta cortada por conspiradores. A conclusão veio após uma análise dos primeiros exames de tomografia computadorizada realizados na múmia do faraó.
A tomografia revelou um ferimento de sete centímetros de largura na garganta, um pouco abaixo da laringe. Segundo cientistas, este ferimento provavelmente foi feito por uma lâmina afiada e pode ter levado à morte imediata do soberano.
"Ficamos muito surpresos pelo que descobrimos. Ainda não temos certeza de que o corte o matou, mas acreditamos que sim", afirmou Albert Zink, paleopatologista do Instituto de Múmias e do Homem do Gelo, em Bolzano, no norte da Itália.
"(O corte) Pode ter sido feito pelos embalsamadores, mas isto é improvável", acrescentou.
A causa da morte do faraó tem intrigado historiadores há séculos.
As faixas usadas na múmia não podem ser retiradas para que ela seja preservada. Por isso, historiadores sempre especularam como Ramsés 3º morreu.
Documentos antigos, entre eles o Papiro Judicial de Turim, sugerem que em 1155 a.C. integrantes do harém do faraó tentaram assassiná-lo como parte de um golpe conduzido no seu palácio.
Mas não se sabe se a tentativa foi bem-sucedida. Alguns afirmam que os golpistas conseguiram matar o faraó, enquanto outros relatos da época sugerem que Ramsés, o segundo faraó da 20ª dinastia, sobreviveu ao ataque, pelo menos por algum tempo.
Complô do filho
A múmia que seria do príncipe Pentawere tem marcas estranhas no pescoço
O Papiro Judicial de Turim relata quatro julgamentos separados e listas de punições para os envolvidos no golpe. Entre estes envolvidos estavam uma das duas esposas conhecidas do rei, chamada Tiye, e o filho dela, o príncipe Pentawere, herdeiro potencial do trono. Segundo o documento, Pentawere, o único dos muitos filhos de Ramsés 3º a se revoltar contra ele, estava envolvido na conspiração. Ele teria sido considerado culpado em um julgamento e cometeu suicídio.
Para tentar descobrir mais sobre os relatos do documento, Albert Zink e sua equipe examinaram a múmia de Ramsés 3º e os restos não identificados de outro corpo, encontrado em um túmulo real perto do Vale dos Reis, no Egito. Acredita-se que este corpo seja o de Pentawere.
Trabalhando fora do Museu do Egito, onde os corpos estão atualmente, a equipe fez tomografias e testes de DNA nas duas múmias.
"Antes, nós não sabíamos muito sobre o destino de Ramsés 3º. As pessoas examinaram o corpo e fizeram radiografias, mas não notaram nenhum trauma. Eles não tinham acesso a tomografias", afirmou Zink.
Pela tomografia, além do corte profundo um pouco abaixo da laringe, os cientistas conseguiram ver um amuleto colocado no ferimento, um olho de Hórus, provavelmente inserido no local pelos embalsamadores durante a mumificação, para a cura da ferida.
Os exames de DNA, por sua vez, mostraram que o corpo não identificado do jovem, que tinha cerca de 18 anos quando morreu, era da família de Ramsés 3º e, provavelmente, o filho dele, Pentawere.
"Com nossa análise genética podemos realmente provar que os dois tinham um parentesco próximo. Eles têm o mesmo cromossomo Y e 50% do material genético é igual, algo típico da relação pai e filho", disse o cientista.
Os pesquisadores também descobriram que o corpo do jovem tinha camadas de pele pressionadas e rugas pouco incomuns ao redor do pescoço, e que seu peito estava inchado. Estas mudanças na múmia podem ter ocorrido depois da morte, mas também podem indicar estrangulamento.
O corpo também não foi mumificado da maneira normal, foi coberto com uma pele considerada impura, de bode, o que pode representar uma forma de punição.
O estudo foi publicado na revista especializada British Medical Journal.
 

Ninguém é pai de um poema sem morrer


Ninguém é pai de um poema sem morrer

Rogel Samuel

No «Arranjos para assobio» (Editora Record, 1998, RJ), Manuel de Barros publicou um poema, que li na Internet, em Blocosonline, chamado «Sabiá com trevas», cujo IX diz:
O poema é, antes de tudo, um “inutensílio”.


"Hora de iniciar algum convém se vestir roupa de trapo.
Há quem se jogue debaixo de carro nos primeiros instantes.
Faz bem uma janela aberta uma veia aberta.
Pra mim é uma coisa que serve de nada o poema enquanto vida houver.
Ninguém é pai de um poema sem morrer." 


O poeta começa pela inutilidade do poema.
Um utensílio é algo que se usa, um utilitário, um objeto que serve para algum fim.
No «Novo manual de teoria literária» (Petrópolis, Vozes, 3a ed.), escrevi que, em primeiro lugar, é necessário distinguir objeto artístico de utensílio.
A arte não se pode identificar com um utensílio. A arte é gratuita, isto é, sua primeira finalidade é a própria arte.
Aliás, a arte não deve ter finalidade, porque ela é uma finalidade, em si mesma. É uma atividade lúdica, isto é, não tem objeto fora de si mesma. O que não quer dizer que não sirva para nada. Serve, por exemplo, para mudar o mundo.
Mas foi a sociedade moderna que estabeleceu que o padrão de uma realidade, ou de um determinado objeto, é sua necessidade, sua utilidade, isto é, os objetos são definidos não pelo que são, mas para que servem. Tudo, na vida social, é visto com respeito a um determinado fim. Todos os produtos humanos, todas as ações humanas (o trabalho, inclusive) estão assim definidos.
O poema fala da morte.
Seu mote é a morte.
A morte, entretanto, como o poema, não é um utensílio.
A morte é o fim de toda utilidade, de todos os valores, está além dos valores que visam a um de­terminado fim.
A morte nem é um valor.
Ela é ausência de.
O visar a um determinado fim significa inserir-se no meio da produção capitalista que objetiva a satisfação, a realização. A morte não. A morte é um não. E a arte, como a morte, não visa a um determinado fim, não visa à satisfação de uma finalidade (diz o poema), nem de necessidades.
A arte se expande no espaço da liberdade, talvez da morte. A liberdade é a espera de nada, ou seja, a arte, como a morte, não visa a nada, porque ela é em si sua própria finalidade, não há outra maior além dela mesma ou tão importante quanto ela.
Nada há maior que a morte.
E assim o poema.
Isto não quer dizer que a arte, a morte, o poema não tenha outra finalidade além de si mesmo. A arte e a morte podem servir, por exemplo, para educar, mas que a sua própria finalidade em si mesma já seria suficiente para justificar sua existência.
É liberdade. É criação.
A liberdade é a espera de nada, vige no espaço lúdico, isto é, gratuito, que não visa a nada além de si mesma e da conquista da liberdade. A morte é lúdica.
A atividade lúdica, o jogo, é gratuito. É uma atividade que não visa a um determinado fim outro que não a própria ação. Assim como a dança não visa a outra coisa senão ao próprio movimento.
Mas como eu ia dizendo, a morte é gratuita.


sábado, 15 de dezembro de 2012

O relógio de dois milhões de dólares

O relógio de dois milhões de dólares
Foram dois shows de aniversário de Michael Jackson.
No palco, ele usou um relógio alugado de diamantes no valor de dois milhões de dólares. O relojoeiro ficava numa das torres gêmeas. Lá também se alugou um colar de diamantes para convencer Elizabeth Taylor a comparecer ao show. O colar valia 200 mil dólares.
O show foi aberto por Marlon Brando, que levou a pior vaia de sua vida.
Não gostou. Sentou numa cadeira no palco e disse que aquela gente não o deixava falar.
Mas como tudo o Michael fazia, o espetáculo foi um sucesso.
Porém na manhã seguinte, após o segundo show, foram acordar o astro bem cedo.
Ele não entendeu bem por que tinha de sair dali correndo do hotel.
- As Torres Gêmeas desabaram! – gritou um secretário, desesperado. Temos de sair logo daqui.
O hotel era bem perto do desastre.
Aí descobriram que não podiam escapar dali de carro, já que as pontes estavam fechadas ao trânsito.
Como tirar do hotel Michael Jackson a pé?
Finalmente um dos seguranças do cantor, ex-policial, depois de muito esforço conseguiu telefonar para um delegado seu amigo esclarecendo que tinham de deixar a van do rei do pop passar.
E assim foi feito.
Saíram todos de Nova Iorque com tudo.
Inclusive com o relógio de dois milhões de dólares.
Foram para New Jersey, para a casa do autor dessa estória, Frank Cascio, um dos amigos de Michael desde a infância.
(Como Cascio conheceu o cantor?
Desde criança. O pai dele, um italiano, era gerente do hotel onde Michael se hospedava em Nova Iorque. O pai perguntou se tornou amigo do astro, e levou os dois filhos, ainda criança, para conhecê-lo. Foi amor è primeira vista. O rei do pop ia visitá-lo em New Jersey, ajudava a mãe de Cascio a limpar a casa, chegava a dormir lá. Adotou a família Cascio como sua família).
Posteriormente o relojoeiro processou indevidamente Michael por causa do relógio. Que ele não tinha devolvido.
Mas tudo resolvido, tiveram de pedir de volta o colar de brilhante da atriz Taylor.
Foi um horror, pois ela pensava tinha sido um presente.
Não gostou. Ela amava as joias. Ela era uma joia.
O livro, “Meu amigo Michael”, de Frank Cascio conta essa e outras estórias do astro.
Cascio era uma daquelas crianças que dormiam na cama do rei do pop, e jura que Michael não era pedófilo.
Nem gay, diz ele.
Cascio, que viveu com ele até os 35 anos, viajou com ele pelo mundo todo, e dormia na casa dele (muitas vezes no seu quarto), jura que ele não era nem pedófilo nem gay. Mas Michael era tão feminino que a maneira mais fácil de camuflá-lo para sair com ele era vesti-lo de mulher indiana. Ninguém o reconhecia, na rua.
A falsa acusação de pedofilia acabou com Michael Jackson.
A partir de então, Michael passou a desconfiar de tudo e de todos, passou a trancar-se no quarto.
Chorava compulsivamente.
A pedido dos advogados, deram 30 milhões de dólares para que o pai do menino retirasse a acusação.
Michael não queria isso, queria lutar para provar sua inocência. Os advogados viram que era impossível limpar aquela barra.
Quem destruir Michael Jakson, porém, não foi a justiça.
Foi a imprensa.
Começaram a dizer as piores coisas, inclusive que no seu rancho havia um subterrâneo para onde ele levava os meninos etc.
Em busca daquele esconderijo, a policia destruiu o rancho, violou o lugar, que para Michael era sagrado, e que lhe custava 6 milhões de dólares anuais só de manutenção.
Ele nunca mais voltou ao rancho.
Ele morreu com a destruição do ¨Terra do nunca¨.
Queria sair dos Estados Unidos, naturalizar-se no estrangeiro.
O seu mundo desabou, pois ele era muito sensível.
Na verdade foi era vítima de um duplo preconceito na época, por ser negro de sucesso e por ser (aparentemente) gay famoso.
Mas os negros americanos também o odiavam. Diziam que ele “mudara de cor”, tornara-se branco. Mas não era verdade. Ele sofria de vitiligo.
Os gays também desconfiavam dele, pois ele negava veemente ser gay e até casou-se com a filha de Elvis, teve filhos de barriga de aluguel etc. Tudo para parecer macho.
Depois do primeiro processo as dores de Michael aumentaram e ele passou a usar o anestésico, que o matou.
Foi um suicídio lento e consciente.
Apesar de ele ter consciência de que era o maior cantor pop do mundo, seus problemas e sua solidão se avolumaram.
Sua grandeza o matou.
O seu tempo de vida, mesmo marcado por um relógio feito de diamantes, chegou ao fim.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

A NOITE SOBRE A NOITE

A NOITE SOBRE A NOITE


Rogel Samuel

            Toda vez que se lê o poema se tem dele outro sentido, diferente lógica.
O texto se abre para todos os lados dos pontos cardeais, e tudo, cada leitor pode ler-se ali, ver-se ali, ir por ali para um ponto desconhecido.
É o poema 'Pedra e água', de Murillo Mendes:

Esta mulher sem fim e a noite sobre a noite
E esta fome de ti, meu Deus  talvez de mim.
Quem sabe eu já morri, meu esqueleto eterno
Em pé nos séculos e nas ondas me reveste.
 
O mar, a escuridão, esta fome de amor,
Esta noite sem fim e o X de Deus
Que em nós todos vive, morre e renasce
Espuma do mar eternamente e a pedra
           
Ora, o que é esta 'mulher sem fim'?
            Será a mulher sempre e infinitamente amada? Ou a mãe natureza eternamente produtiva e úbere de vida renovável, abundante, cascatarante e oceânica, que em ondas se inunda no infinito universo de seus múltiplos seres coloridos de flores frutos sabores novos e eternamente renascidos, renovados sempre porque sempre morrendo, multiplicando-se no tempo e na atemporalidade, no espaço largo e no espaço tão amplo quanto o sem-fim do começo das estrelas,  na escuridão luminosa do Universo?
Ou é a mulher básica e buscada, retratada na memória, a mulher futura ou possível, a que vive dentro de nós mesmos como o Outro Obscuro e Insaciável, aquela que não existe no mundo externo, porque no externo não está mais do que no aquém do objeto, do lado de cá, no amante e não no amado?
Que mulher é essa que é sem fim, e portanto sem começo, que tudo o que termina começou um dia, e se não tem término não nasceu, é a não-nascida, a que não é ainda porque não está lá, nem ainda virá, se virá, a ser, a aparecer, a crescer.
            Oh amada infinita, quem és? Onde estás? Em que céu ou em que terra tu te encontras? Por quem és, responde, acontece, mostra-me o mapa e o rosto da rota a via de acesso para a tua realidade, infinita amada?
            Esta mulher sem fim não será aquela de uma única noite, mas a que sobreviverá a todas as noites, nas noites insaciadas sobre outras noites, aquelas que se sobrepõem, sem o espaço intermediário de um dia, aquela escuridão noturna que nunca amanhece, que nem termina, nem se esgota senão em si mesmo e se renova e se refaz e não se retira nunca?
Ela é a musa, o motivo do poeta, o amor em pessoa, a onda do mar, a fonte do ser, a oriunda matriz, o ventre da fecundidade, o abrigo da maternidade nunca perdida, o leito da vida e da morte, o refrigério do cansaço e da proteção, a criadora e a mãe que socorre.
            'Essa mulher sem fim, e a noite sobre a noite'- só, em si, é uma incógnita esclarecedora de todas as nossas vicissitudes e vivências, de todas as nossas lástimas e alegrias, das sexuais às espirituais porque também são gozosas.
            Oh, Amada imortal! Oh, Pátria de meu espírito e de minha inspiração!
            Por isso me calo.
            Por isso fico apenas no primeiro verso.
            Porque mesmo me esgoto no primeiro verso.
            Porque daqui não passo, daqui não posso.
            Sim, essa mulher é a fome de Deus, a fome de amor, a fome, o amor. Morrer é mergulhar no fundo do seu ser e no mar de sua absorção, na escuridão de sua benfazeja fosforescência e nas profundezas de suas instabilidades, nas suas carícias e idas, superfícies e sedas, nas redes, máscaras e laços dos seus cabelos e tranças, seus sonhos e necessidades.
            Somos todos descendentes dessa mulher sem fim, dessa maternidade original e nunca esquecida, dessa raiz funda no coração de nossa matéria e de nossa sensibilidade, de nome familiar em solidão,
            Caminhamos a passos largos nesses rumos, navegamos nas vagas desse mar e nas vagas  desse trafegar oceânico pelos descaminhos de nossas aspirações e esquecimentos.
            Essa mãe é a família e a natural beleza da nossa moldura e mito, pátria e lar.
            Oh, espuma do mar eternamente e a pedra.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Nebulosa Carina

Nova imagem da Nebulosa Carina marca inauguração do VLT Survey Telescope

Nebulosa é uma enorme maternidade estelar que se situa a cerca de 7500 anos-luz de distância da Terra

iG São Paulo
ESO
Imagem da nebulosa Carina é captada em grande detalhe pelo VLT Survey Telescope
Uma nova imagem da Nebulosa Carina, uma região de formação estelar, foi capturada pelo VLT Survey Telescope, o mais novo telescópio instalado do Observatório Europeu do Sul. A foto foi divulgada neste mês em comemoração a inauguração do telescópio em Nápoles.
A Nebulosa Carina é uma enorme maternidade estelar que se situa a cerca de 7500 anos-luz de distância da Terra. Esta nuvem de gás e poeira brilhante é uma das regiões de formação estelar mais próximas da Terra e possui várias das estrelas mais brilhantes e de maior massa que se conhecem.
A proeminente cor vermelha que aparece na imagem vem do hidrogênio gasoso que se encontra na nebulosa e que brilha sob a intensa radiação ultravioleta emitida por imensas estrelas jovens e quentes.

A nebulosa Carina é uma região de formação estelar é uma das mais proeminentes do céu austral, sendo um dos objetos mais frequentemente observados. Foi o tema de muitas imagens anteriores obtidas com os telescópios do ESO. No entanto, a nuvem de gás brilhante é enorme e por isso torna-se difícil estudar mais do que uma pequena parte de uma só vez, com o auxílio dos maiores telescópios. Este fato torna-a o alvo ideal para o VLT Survey Telescope e a sua câmera gigante, a OmegaCAM.

O VST obtém imagens muito nítidas devido à alta qualidade da sua óptica e ao local excelente onde se encontra. E uma vez que foi concebido para rastreios do céu, possui também um enorme campo de visão, o que lhe permite obter a imagem de quase toda a Nebulosa Carina apenas com uma exposição.

NOVAS BESTEIRAS FILOSOFAIS

NOVAS BESTEIRAS FILOSOFAIS

Rogel Samuel


1. Olha para os olhos do cego. Neles podes repousar teus olhos.
                                      *   *   *
2. Era tão pessimista que só andava de guarda-chuva.
                                       *   *   *
3. Ele foi vender o carro. Mas ofereceu tão novo e barato, que ninguém o comprou por desconfiança.
                                      *   *   *
4. Era tão protocolar que ao morrer disse: 'Amém'.
                                      *   *   *
5. Eram tantos, mas tantos, devendo tanto, a tão poucos - que ninguém ganhou a guerra.
                                      *   *   *
6. Álgebra é a maneira mais fácil de complicar as coisas.
                                      *   *   *
7. O cassino era tão importante e chic, que nas suas dependências havia a sala de suicídios.
                                      *   *   *
8. - O senhor é um imbecil!
- Que coincidência...
                                      *   *   *
9. Era tão bom escritor de romances policiais, e nas estórias seus crimes tão perfeitos, que o delegado resolveu processá-lo como mentor dos crimes por vir.
                                      *   *   *
10. Tão bom era o filme, e tão realista, que na cena de luta os espectadores começaram a lutar e destruíram a sala.
                                      *    *    *

11. Para encerrar, texto de Nostradamus, recebido pela Internet, onde se diz do Presidente Lula:   "E próximo do terceiro ano do terceiro milênio um anjo barbudo descerá   triunfante sobre um condado do hemisfério sul espalhando a graça e a  riqueza. Será reconhecido por não possuir seus membros superiores   totalmente completos. Trará com ele homens do bem e dominará e  exterminará as aves bicudas do mal e implantará a igualdade por muitas datas sobre um povo sofrido..." NOSTRADAMUS, Visões. Editora Record, Rio de Janeiro, s/d. p. 102..

12. (É de amargar...)


domingo, 9 de dezembro de 2012

A MORTE DE LAMPIÃO

A MORTE DE LAMPIÃO



Rogel Samuel


Súbito silêncio corta o céu no nosso caminho.
Era uma navalha.
Lampião, ergue o braço, ordena de parar.
Pergunta os ares, instinto selvagem.
Ausculta os cantos, expressão de ódio, dúvida.
Não tinha medo de morrer. Já estivera vezes diante da morte. Eu sabia como ele reagia.
Era outro sentimento, o de se ver fechado no abraço inimigo, verdadeiro exército, os soldados avançavam, várias frente, para caçá-lo, animal acuado, para fechar sobre si o que sobrava da tropa envenenada e a doença (ele mesmo ardia em febre), falta de munição, mantimentos.
Maria Bonita conosco ali estava.
Receava não poder atravessar o deserto em frente. Não poder esconder-se na caatinga, onde navegávamos como num mar de espinhos. Não poder arregimentar as tropas dispersas, de que ainda dispunha. O fim da glória, do cego império, do mito. Morrer humilhado.
- Estou sentindo cheiro de macaco! - rosnou, entredentes.
Continuávamos imóveis.
Meu ombro ferido ardia. Como se me aplicassem ferro em brasa. O sangue coagulara-se junto à sujeira ao suor. Em breve iria infeccionar.
Não tivera tempo de limpar a ferida, não sabia se tinha uma bala no ombro.
A dor de cabeça latejava, imperdoável.
Apesar de tudo cavalgávamos há dois dias, deixando nosso rastro sangrento atrás de nós.
Conduzíamos nossos perseguidores.
Conduzíamos à morte.
Lampião ouvia do silêncio a sua canção.
Onde estariam eles?
Ele sabia que vinham em nossa direção.
Antes, só ele conhecia o caminho ali, no inatravessável.
Agora as tropas dispunham de guias, saídos de nossas fileiras, comprados.
Sim, eles estavam vindo.
Podiam estar surgindo do Desfiladeiro do Xingó.
Podiam estar oriundos da direção de Canindé.
Podiam estar caminhando a contrapelo do Rio do Chico, as águas esverdeadas, pérola e esmeralda, as águas sagradas.
Ou podiam estar fazendo o caminho dos rochedos escarpados, altos de cinqüenta metros de altura, vereda que Lampião bem conhecia.
Acima estava o vale.
Abaixo a Grota do Angico.
E na Grota Lampião resolveu ficar.
Ele acertava sempre, ninguém discutiu.
Ninguém discutia com ele.
Pensava em esconder-se ali, deixar passar o inimigo.
Mas foi ali que a morte veio buscar-nos.
Sitiaram-nos.
Era um exército.
Não havia alternativa. Abrimos fogo final.
Nossa munição escassa, nossos homens famintos, sedentos, cansados.
Cabras feridos, doentes.
Lampião ferido. Menos Maria Bonita.
Mas Lampião não revelava doença, tinha outra natureza, bicho, coisa de aço.
Era intenso o fogo contra nós.
Mais modernas armas usavam, poderosas, maior alcance.
Nós começamos lentamente a morrer.
Foi quando Lampião e Maria Bonita arrancaram para frente, avançaram contra o comando.
Lampião queria era a morte em batalha.
A humilhação seria pior, ser preso, vivo e torturado. A humilhação pela dor da tortura, suprema de todas as dores.
E Lampião foi lá. Desafiava a morte.
Lá. Seguido por Maria Bonita.
Depois nada mais vi, engolfado por nuvem de fumaça e de dor que me tirou a vista.
Mas foi assim que tudo se deu, conforme o digo eu, o Narrador.

sábado, 8 de dezembro de 2012