terça-feira, 27 de novembro de 2012

A ESTRADA

A ESTRADA


A ESTRADA

Rogel Samuel

Da sinuosa estrada entre as montanhas verdes vem uma barreira horizontal. No alto, um céu brilha como um cristal fosco e imóvel. Estamos na Mantiqueira. E passamos a divisa dos Municípios de Delfim Moreira e Venceslau Brás. Os rios do Brasil estarão todos poluídos? Dia virá em que vamos ter falta de água potável. O Rio Sapucaí está ameaçado pelo lixo. Mas os bois, no grande pasto, parecem em paz. À margem, um caminhão tombado. É um gigante morto. Leio um poema de Guillén, traduzido por Thiago de Mello. As estrofes, os versos se embaralham na minha mente. Guillén, um dos poetas preferidos de certo aluno de literatura no Colégio Estadual. Eu já vinha lendo poesia desde que encontrei Camões num livro de primeiro grau:


Oh! lavradores bem-aventurados,
se conhecessem seu contentamento.
 

Aqueles versos cantam agora, vendo os bois no pasto. Até hoje ouço o compasso daqueles versos. A estrada sinuosa e verde continua. Um dia chegarei ao fim.
Mas o deserto está crescendo. Na serra da Mantiqueira, região de Piquete, desapareceram as florestas. As montanhas despontam, secas, nuas. Isso até parecia natural na Via Dutra, mas ali é novidade. Dali até o vale de Itajubá a devastação avançou em poucos meses. À direita da estrada pode-se ver um lixão às
margens do rio que vai cortar a cidade de Itajubá e onde poucos quilômetros abaixo crianças tomam banho e adolescentes nadam. De Itajubá até Poços de Caldas as antigas vilas se transformaram em cidades que, sem planejamento, estão plantadas no meio da planície deserta de avermelhado de barro. Na próxima grande chuva o rio que corta a cidade de Itajubá pode transbordar, entulhado. O nosso país caminha para um
desastre ecológico: o rios se transformaram em esgotos escuros, e os riachos se transformaram em valas negras. “O deserto está crescendo. Desventurado quem abriga desertos”.

Mas eu festejo solitariamente os 54 anos de minha poesia. O primeiro poema que publiquei na vida foi no dia 8 de fevereiro de l959 em O jornal de Manaus.
Não um poema de que me envergonhe de todo, afinal eu tinha 16 anos e aparecem versos até razoáveis como:


o vento
o córrego entre as
montanhas
a lua líquida
sobre a superfície
 

Havia todos os lugares-comuns da tradição poética, ou seja, poetizando a "poesia" com todos os chavões conhecidos de que não me libertei até hoje.
Sim, festejo silenciosamente os 54 anos de minha poesia. Não escrevo isto com tristeza, mas até com certa vitória. Afinal, bem ou mal foram 54 anos de produção literária. Há quem não tenha tido nem isso de vida.


Incêndio causa devastação em Manaus

Incêndio causa devastação; água dos Bombeiros acaba; alunos e professores se refugiam em igreja

Incêndio de grandes proporções atingiu a Zona Oeste de Manaus na manhã desta terça-feira (27). Fogo consumiu mais de uma centena de residências. Fumaça era vista de várias áreas da cidade. Desespero tomou conta do local

Moradores das casas atingidas pelo incêndio tentaram retirar pertences; mais de 100 casas foram atingidas
Moradores das casas atingidas pelo incêndio tentaram retirar pertences; mais de 100 casas foram atingidas (Luiz Vasconcelos/ACRITICA)
Dezenas de famílias ficaram desbrigadas depois de um incêndio que destruiu casas na comunidade conhecida como 'Artur Bernardes', entre os bairros São Geraldo e São Jorge, na Zona Oeste de Manaus. Moradores dizem que durante o incêndio faltou água em carros do Corpo de Bombeiros.
O fogo começou por volta das 8h30 desta terça-feira (27). O desespero tomou conta das famílias que moram no local. A Polícia Militar precisou impedir que moradores entrassem nas chamas para bsucar utensílios domésticos. 
Muitos tentaram salvar pertences atravessando um igarapé que circunda a área. Um cordão humano foi feito pelos moradores, que passavam, de mão em mão, geladeiras, colchões e até guarda-roupas. Dezenas de motoristas que passaram pelo local pararam para ajudar as vítimas do incêndio. 
Alunos e professores de escolas localizadas próximas ao incêndio foram levados para a sede da Igreja Universal do Reino de Deus, na avenida Constantino Nery, e para a paróquia São Jorge. A fumaça pôde ser vista de várias áreas da cidade. Na avenida Djalma Batista, cinzas caíam na via. 
Os bombeiros enviaram seis viaturas ao local. Várias explosões foram ouvidas na área. Segundo os moradores, eles foram 'pegos' de surpresa com as chamas [VEJA AQUI AS IMPRESSIONANTES CENAS], enquanto dormiam. Ninguém soube informar, até o momento, a causa do incêndio.
Vento
O vento e o difícil acesso entre as casas dificultaram o trabalho dos Bombeiros. Algumas árvores da área foram consumidas pelas chamas. Agentes do Manaustrans ajudaram a controlar o trânsito nas vias próximas e viaturas do 'Ronda no Bairro' estiveram no local dando suporte à ação.
Os Bombeiros ainda trabalharam para evitar que o fogo chegasse em um posto de gasolina, localizado na avenida Constantino Nery, a  aproximadamente 80 metros do local incendiado.
Vítimas
A doméstica Lady Marinho estava trabalhando no Centro da cidade quando soube do incêndio na área onde mora e se deslocou para o local, tentando salvar algum pertence da família. Lady é mãe de duas crianças menores de idade, que, no momento, estão na escola.
Outra moradora, a doméstica Ângela Jaty, de 54 anos, estava trabalhando no bairro da Ponta Negra, Zona Oeste, ainda conseguiu retirar uma geladeira, um colchão e um fogão da casa onde morava. Esta é a segunda vez que ela sofre por causa de um incêndio na área. Em abril de 2010, também ocorreu um incêndio na comunidade e Ângela não conseguiu salvar nenhum pertence.
Até o momento, seis pessoas foram atendidas pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), após passarem mal decorrente do quadro emocional. Segundo o condutor socorrista Mário Pinheiro, uma mulher, Maria das Graças, 50, que teve a casa incendiada, passou mal e o estado de saúde está sendo avaliado pelos médicos do SAMU dentro da unidade de saúde.
Duas unidades de suporte básico e uma unidade suporte avançado foram deslocados até o local.
Refúgio
Professores e alunos de duas escolas localizadas próximas ao incêndio foram liberados. O Colégio Preciosíssimo Sangue e o Centro de Recreação Infanto-juvenil da Rede Pitágoras foram evacuados por volta das 9h.
Segundo a Irmã Jucilene Souza, que trabalha no colégio, alunos do 1º ao 9º ano, com idade entre 4 e 14 anos, foram levados para a Igreja Universal do Reino de Deus, localizada a algumas quadras dali, por orientação do corpo de bombeiros.
No Centro de Recreação Infanto-juvenil da Rede Pitágoras alunos do ensino infantil e fundamental, do 1º ao 5º ano foram liberados.


UMA ODE DE HORACIO

Traducción de Felipe Poey :

Viaje de Virgilio I

            Nave, a quien se encomendó Virgilio, así la amable Diosa que reposa en Chipre, así los hermanos de la bella Elena, lúcidos astros, y el padre de los vientos te conduzcan, que lo restituyas salvo, te ruego, a las arenas áticas y guardes la mitad del alma mía.
            Triple armadura de bronce y robusto pecho tuvo quien entregó primero un frágil leño al piélago señudo. Ni temió el Austro altivo desatado contra el fiero Aquilón, ni a las lluviosas Hyadas, ni la furia del Noto proceloso, señor del Golfo Adriático, bien encrespe sus olas, bien las tenga sosegadas. ¿Qué genero de muerte podrá espantar a quien con ojo enjuto vio el mar embravecido, vio los monstruos nadando y los fulminados escollos del Epiro.
            En vano Júpiter prudente ciñó las tierras con mares disociables, si sacrílegas barquillas osan al fin salvar las inviolables llanuras. La gente humana, dispuesta a todo, se despeña a la impiedad vedada. El hijo audaz de Japeto hurta el fuego del sol y lo distribuye a las naciones. Tras de este fraude, cargó sobre la tierra la macilenta fiebre y un nuevo escuadrón de males; y la muerte inevitable, antes lenta, llegó con paso presuroso. Dédalo se lanzó a los aires con plumas no dispensadas a la humanidad; Hércules, con temerario aliento, penetró el Aqueronte. No hay obstáculo para el hombre: en su demencia, acomete al mismo cielo; y por su maldad, no permite que Jove soberano deponga sus iras y rayos justicieros.

I.         El autor pide a la nave que lleve a Virgilio a Athenas, que lo conduzca sin daño; y en su inquietud, censura el arrojo de los hombres. La diosa de Chipre es Venus; los hermanos de Elena son Cástor y Pólux. Prometeo, hijo de Japeto, hurtó el fuego celestial: inmenso beneficio hecho a la humanidad, por el cual sufrió en el monte Cáucaso la tiranía de Júpiter. Los males que se derramaron por el orbe salieron de la caja de Pandora, cuñada de Prometeo. Los Titanes amontonaron Osa sobre Polión para escaldar (sic) el Olimpo. 39


segunda-feira, 26 de novembro de 2012

'Desaparecimento' de ilha no Pacífico intriga cientistas

'Desaparecimento' de ilha no Pacífico intriga cientistas

Expedição não localizou ilha entre a Austrália e a Nova Caledônia que é listada por cartógrafos em atlas, mapas e até no Google Earth

BBC

BBC
Imagem mostra ilha deserta próxima à costa da Tanzânia, no sudeste da África
Um sonho comum à maioria dos exploradores e desbravadores ao longo da História tem sido encontrar territórios desconhecidos mas, na Austrália, uma equipe de cientistas fez exatamente o contrário: eles identificaram uma ilha que não existe.
Conhecida como Sandy Island, a massa de terra é listada por cartógrafos em atlas, mapas e até no Google Maps e no Google Earth, onde está localizada entre a Austrália e a Nova Caledônia (governada pela França), no sul do Pacífico.
Mas, quando o grupo de cientistas decidiu navegar para chegar até ela, simplesmente não a encontraram.
Para o Serviço Hidrográfico da Marinha da Austrália, responsável pelas cartas náuticas do país, uma das possibilidades é que tenha ocorrido falha humana e que esse tipo de dado deveria ser tratado "com cautela" ao redor do mundo, já que alguns detalhes são antigos ou simplesmente errados.


De acordo com Maria Seton, uma das cientistas que integra a equipe, a ilha aparece como Sable Island no Times Atlas of the World e o Southern Surveyor, um navio de pesquisa marítima australiano, também afirma que ela existe.
Mas, quando decidiu navegar rumo ao local, a embarcação também não avistou nada.
"Nós queríamos checar, porque as cartas de navegação a bordo do navio mostravam uma profundidade de 1.400 metros naquela área, algo muito profundo", diz Seton, da Universidade de Sidney, após a viagem de 25 dias.
"Ela está no Google Earth e em outros mapas e por isso fomos checar, mas não havia ilha alguma. Estamos realmente intrigados. É bem bizarro. Como ela apareceu nos mapas? Nós simplesmente não sabemos, mas estamos planejando ir a fundo e descobrir", acrescentou.
Teorias da conspiração
O tema também ganhou as redes sociais. No Twitter, o usuário Charlie Loyd disse que no Yahoo Maps e no Bing Maps a ilha também consta como Sandy Island, mas que ao fechar o zoom, o território desaparece.

Teorias conspiratórias entre os internautas apontam para um possível "truque" de cartógrafos, que incluiriam territórios falsos em seus mapas para saber quando alguém está tentando roubar seus dados.
Outros dizem que o serviço de hidrografia da França já havia identificado que a ilha não existia e tinha solicitado que ela fosse apagada de mapas e cartas náuticas ainda em 1979.
Em resposta à polêmica, o Google disse que recebia com bons olhos o feedback dos cientistas a respeito do mapa.
"Nós trabalhamos com uma ampla gama de fontes de dados comerciais e de pessoas respeitadas para levar aos nossos usuários os mapas mais atualizados e ricos em detalhes. Uma das coisas mais empolgantes sobre mapas e geografia é que o mundo é um lugar em constante transformação, e manter-se por dentro dessas mudanças é um esforço sem fim", disse um porta-voz da empresa.

Após GP Brasil emocionante, Vettel é tricampeão

247 - O piloto alemão Sebastian Vettel, da Red Bull, foi o terceiro piloto na história da Fórmula 1 a vencer três campeonatos seguidos, repetindo a façanha dos mitos Juan Manuel Fangio e Michael Schumacher.
Na corrida deste domingo, em Interlagos, ele chegou em sexto lugar, o que foi suficiente para terminar à frente do rival Fernando Alonso, da Ferrari, que chegou em segundo. Vettel teve 281 pontos no campeonato, contra 278 de Alonso.
Num GP marcado pela chuva, Vettel quase viu o campeonato escapar pelas mãos logo na largada, quando foi atingido e caiu para a última posição. Mas conseguiu se recuperar e administrar a vantagem no campeonato, sem correr riscos excessivos.
A corrida foi vencida por Jenson Button, da McLaren, e o brasileiro Felipe Massa chegou em terceiro lugar. O GP Brasil 2012 foi também a última corrida de Michael Schumacher, que se aposenta.

domingo, 25 de novembro de 2012

Fotográfos amazonenses vão participar de encontro internacional no RJ

Fotográfos amazonenses vão participar de encontro internacional no RJ

A exposição, que acontece em junho de 2013, no Rio de Janeiro, contará com os trabalhos dos “barés” Maria di Andrea Hagge, Raphael Alves, Alberto César Araújo, Ruth Jucá, Jimmy Christian e Ricardo Oliveira

Convite ao sexteto, feito por Milton Guran, surgiu a partir da ascensão da fotografia amazonense no cenário nacional
Convite ao sexteto, feito por Milton Guran, surgiu a partir da ascensão da fotografia amazonense no cenário nacional (Jimmy Christian/Divulgação)
Tem sangue amazonense na próxima edição do FotoRio, evento que tem como objetivo valorizar a fotografia como bem cultural – dando visibilidade aos grandes acervos e coleções públicas e privadas e à produção fotográfica contemporânea brasileira e estrangeira. A exposição, que acontece em junho do próximo ano, no Rio de Janeiro, contará com os trabalhos dos “barés” Maria di Andrea Hagge, Raphael Alves, Alberto César Araújo, Ruth Jucá, Jimmy Christian e Ricardo Oliveira, todos integrantes do Coletivo Amazonas.
O convite ao sexteto, feito por Milton Guran, coordenador geral do FotoRio, surgiu a partir da ascensão da fotografia amazonense no cenário nacional. “Ele está vendo todas essas ações em que estamos envolvidos, como o Oi Futuro, Sexta-Livre no Ateliê da Imagem e Paraty em Foco”, comentou Maria Di, curadora do grupo.
Para a estreia do coletivo no evento, ela espera conseguir, ainda, a colaboração de grandes nomes do Estado. “Queria muito que o Márcio Souza escrevesse o nosso texto de apresentação na exposição e o Roberto Evangelista nos ajudasse a arrumar o nosso espaço e dividisse a curadoria comigo”, revelou.
Lambe-lambe
Não foi apenas o Coletivo Amazonas que fez com que Maria Di ganhasse destaque na Cidade Maravilhosa. A fotógrafa, que já mora há 20 anos no Rio de Janeiro, tem outro projeto que também foi bastante elogiado por Guran: o Lambe-Lambe.
Inspirada nos antigos “fotógrafos de sapataria”, a iniciativa nasceu da necessidade de Maria Di de exercer uma função social por meio da fotografia. “O lambe-lambe foi, no começo do século 20, um personagem bastante singular das praças públicas do País. Ele popularizou o retrato, antes destinado apenas à elite”, destacou.

¿Cambiarán Los Nuevos Líderes De China La Política En Tíbet?

¿Cambiarán Los Nuevos Líderes De China La Política En Tíbet?

Por Martin Patience
BBC News, Beijing
24 de noviembre de 2012

Mientras los nuevos líderes de China se preparaban para tomar las riendas del poder a principios de este mes en Beijing, un evento impactante se desarrollaba a 2000 kms de distancia.

En la región montañosa del oeste de Sichuan, en la meseta tibetana, tres monjes adolescentes tibetanos se prendieron fuego en la víspera del congreso del Partido Comunista.

Según el grupo activista con base en Londres, Free Tibet, los monjes pidieron por libertad para el Tíbet y el retorno del exilado líder espiritual tibetano, el Dalai Lama. El monje más joven, de 15 años, murió a causa de sus heridas.

Desde 2011, más de 70 tibetanos se han prendido fuego.

Pero durante el 18º Congreso del Partido –que aprobó el cambio de dirigencia en China de una vez por década- ninguno de los máximos líderes del país habló sobre las protestas.

 “Las autoridades chinas parecen estar quitándole importancia a este tema, especialmente en lo doméstico” dice Robert Barnett, el director del programa de Modernos Estudios de Tíbet de la Universidad de Columbia en New York.

 “Esto representa una crisis en la política de China en Tíbet, y ellos deben ser reacios a que se convierta en evidente”.

 “DESESPERACIÓN”

Los líderes de China y los seis millones de tibetanos que gobiernan han tenido una tensa relación en las décadas recientes.

En la década de 1950, Beijing reafirmó el control en Tíbet. Previamente, los tibetanos se habían gobernado a sí mismos. Fue durante este período que el Dalai Lama huyó al exilio a la India.

En 2008, hubo violentas protestas en la ciudad de Lhasa las que se extendieron rápidamente a toda la región. Ellas fueron aplastadas por las autoridades chinas.

Pero el año pasado, los problemas estallaron una vez más cuando tibetanos –en su mayoría monjes y monjas- comenzaron a prenderse fuego en protesta contra lo que ellos ven como una represión política y religiosa. Esto se ha convertido ahora en una tendencia perturbadora.

Muchas de las autoinmolaciones han tenido lugar en el oeste de Sichuan, un área montañosa con una gran población tibetana, la que hasta hace pocos años atrás había estado relativamente tranquila. Ha habido también protestas en gran escala.

China ha llevado a cabo una operación de seguridad extensiva en la región y ha impedido en gran medida que los periodistas extranjeros accedan a las áreas afectadas. No ha habido casi cobertura de los eventos en la prensa estatal china.

Pero la blogger tibetana, Tsering Woeser, rastrea Internet por información.

Ella es rutinariamente hostigada por las autoridades chinas y le dijo a la BBC que le fue dicho que dejara Beijing en agosto, antes del Congreso del Partido Comunista. Ella está actualmente en Lhasa.

Woeser le dijo a la BBC que estaba creciendo la desesperación entre los tibetanos y que por eso había muchos preparados para prenderse fuego. Dijo que las medidas de seguridad aplicadas por las autoridades chinas estaban empeorando la situación.

A principios de este mes, la máxima funcionaria de las Naciones Unidas en Derechos Humanos, Navi Pillay, dijo que estaba perturbada por los informes de detenciones, desapariciones y el excesivo uso de la fuerza contra los manifestantes pacíficos.
Beijing denunció la declaración, diciendo que no toleraría la interferencia en sus asuntos internos.

Durante el congreso del partido, Qiangba Puncog, presidente de la legislatura de la Región Autónoma del Tíbet, al expresar compasión por aquellos que se prendieron fuego, denunció al Dalai Lama.

 “Ellos son víctimas políticas” dijo. “El grupo del Dalai Lama está usando a estas personas. Ellos no se interesan por los avances que hicimos en los niveles de vida, mejorando las instalaciones y haciendo a más gente feliz y contenta”. 

 “GRAN CORAJE”

China hace énfasis en el desarrollo de las áreas tibetanas, diciendo que su gobierno ha traído un enorme beneficio económico a lo que era una sociedad pobre y feudal.

Sin embargo, las autoridades parecen ser incapaces de terminar las protestas. La cuestión es si ahora habrá un cambio en la dirección bajo el liderazgo de Xi Jinping.

El padre de Xi Jinping, Xi Zhongxun, fue un ex alto líder bien conocido por seguir un enfoque más conciliatorio hacia los tibetanos.
En una entrevista reciente con la BBC, el Dalai Lama dijo que ellos estuvieron en “buenos términos” y que él le había dado un reloj a Xi Zhongxun. Dijo que era demasiado pronto para decir si su hijo cambiaría la política.

Pero incluso si Xi Jinping quisiera cambiar la dirección él tendría que hacer frente a la vasta seguridad y al aparato del gobierno que ha estado dirigido a tratar el tema del Tíbet, dice Bi Yantao, un profesor de la Universidad de Hainan.

El profesor Bi dice que es claro que el gobierno tibetano en el exilio está usando a la prensa occidental para presionar a Beijing.
Pero él cree que ambos lados necesitan mostrar más flexibilidad, describiendo la actual situación como un “punto muerto”.

Robert Barnett dice que hay indicios de que Xi Jinping ha establecido un equipo interno para revisar la política en Tíbet y cree que la posibilidad de un cambio en la política no puede ser descartada.

 “Tomará un gran coraje, Xi Jinping tendrá que superar una pesada resistencia interna” dice. “Cualquier cambio podrá parecer pequeño desde la perspectiva de un extranjero”.

 “Pero en la actual situación, incluso un leve cambio tendría un efecto significativo, entre al menos algunas de las comunidades tibetanas en Tíbet”.-
 

Agripa Vasconcelos

AGRIPA VASCONCELOS


Rogel Samuel


Foi um escritor de sucesso. Seus livros venderam milhares e ainda vendem. Agripa Vasconcelos escreveu «Silêncio», poemas, que o levou à Academia Mineira de Letras, aos 22 anos de idade, sucedendo a Alphonsus de Guimaraens: O livro se vendeu no Rio em 30 dias e está esgotado até hoje. "Nós e os Caminhos do Destino", foi outro êxito. O romance "Fome em Canaã" concorreu ao Concurso da Revista "O Cruzeiro", e foi  premiado. "Suor de Sangue" ganhou o prêmio "Olavo Bilac", da Academia Brasileira de Letras, primeiro prêmio dos livros brasileiros de poesia, em 1949. Depois veio "A Morte do Escoteiro Caio".

Escreveu livros científicos - "De que morreu o Aleijadinho", em que diagnosticou a morte de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho: especialistas, em livros posteriores confirmam seu parecer, como o mestre Miguel Couto, que escreveu ao aluno que entregava a mão à palmatória, convencido que ficara de seu antigo erro.

*    *    *

Agripa escritor mineiro de corpo e alma, um verdadeiro fanatismo.
«Para ele, os poetas, os ensaístas, os romancistas mais notáveis da América são os de Minas Gerais», disse um crítico.
A Editora Itatiaia publicou ''São Chico", uma saga sobre o Rio São Francisco e "Gado Preto em ouro verde", o ciclo da cultura do café e da escravidão.

*    *    *

Era médico, foi para o Nordeste como cirurgião-chefe da Companhia Hidro Elétrica de Paulo Afonso, Bahia, onde construiu o "Hospital Nau Souza".
Aposentado do Banco do Brasil, do Instituto Federal e de companhias particulares no Recife, onde clinicou. Faleceu em Belo Horizonte, no dia 21 de janeiro de 1969.

*    *    *

Escreveu romances de sucesso: «Sinhá braba, «A vida em flor de dona Beja» (que inspirou a famosa novela), «Gongo-sogo», «Chica que manda», um excelente romance sobre Chica da Silva.

Em carta de Recife ao seu Editor, Pedro Paulo Moreira, disse:

"Minha vida  nada tem de importante para seu estudo. A profissão de médico rural que fui no começo me aproximou do povo, da ralé desclassificada. E dos humildes sem justiça. Quando examino algum deles procuro conhecer vida e hábitos, o linguajar, as lendas, o folclore de sua região. Poucos conhecem o interior com mais profundidade. Homem de nenhuma vaidade, nenhum orgulho, sou um trabalhador por prazer e meus trabalhos refletem meus conhecimentos do nosso povo, daí e daqui. Uma opinião que me agradou foi a do querido Ascenso Ferreira: Seu livro sobre Beja foi o melhor romance que li". (Agripa)

Como poeta está quase desconhecido.

Era um poeta parnasiano tardio, como tantos outros.

Seu belo poema «Chuva do mar», para mim, é um clássico do gênero:

Quando Raquel casou, naquela tarde mansa
Vi desfeito de vez meu sonho de criança. . .
Um desespero atroz meu ser avassalou!
Mas alguém que conhece os mistérios do mundo
Num sussurro me disse um conselho profundo:
- Isso é chuva do mar. Vai passar.
E passou.

Quando, ainda mocinho, eu senti, doido de ira,
Que, parecendo certo, era tudo mentira
O amor que me jurara a pérfida Margot,
Quis Morrer - mas alguém que conhece essa vida
Me falou, sem calor, mas em frase sentida: ,
- Isso é chuva do mar: Vai passar.
E passou.

Quando Ofélia seguiu seu destino sombrio,
Senti, como ainda sinto, o coração vazio!...
Faz tanto tempo já que nem sei mais quem sou!
Mas quem viu, em meu pranto uma simples garoa
Quis em vão me dizer uma palavra boa:
- Isso é chuva de mar. Vai passar.
Não passou.

Nasceu a 12 de abril de 1900, em Matosinhos, município de Santa Luzia. Aluno de Carlos Góis e Aurélio Pires, que o consideraram o melhor aluno que tiveram.
Afrânio Peixoto, que era catedrático, quis conhecê-lo e essa amizade se prolongou até a morte do grande mestre nacional.

Na epidemia da gripe de 1918, no Rio de Janeiro, levado por Leal de Souza, prestou serviços a Coelho Neto, que o considerou sempre "amigo dos que mais viveu em meu coração".

Foi interno do mestre Miguel Couto, que escreveu, ao celebrar seu 25º aniversário como professor, no Hotel Glória, do Rio, que seus melhores internos tinham sido até então Leitão da Cunha, Otávio Aires, Gastão Crulz e Agripa Vasconcelos. A lágrima nos olhos de Miguel Couto revela que sempre o considerou como filho.

No fim do curso médico foi orador de sua turma; e Miguel Couto, paraninfo. Este começou sua oração com o elogio de seu aluno, fato até hoje inédito na oração dos paraninfos.