segunda-feira, 3 de maio de 2010

Violinos de barro








Violinos de barro http://www.escrituras.com.br/livro.php?isbn=9788575313251

Lançamento de "Violinos de barro" de Mirian de Carvalho (São Paulo, Ed. Escrituras) no PEN CLUBE, Praia do Flamengo, 172/11ºandar, dia 4 de maio, quarta-feira, a partir das 18:30 horas.

Mirian de Carvalho é autora de "Teia dos libirintos", "O cameleão no jardim" e outros.


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NA TEIA DOS LABIRINTOS SEMÂNTICOS


Rogel Samuel

Livros raros os como esta «Teia dos labirintos» de Mirian de Carvalho (São Paulo, Escrituras, 2004), volume, obra escrita em versos, sim, sim, que não se trata de um grupo de poemas, seja, conjunto de poemas reunidos em livro, com um título para os agrupar; mas é um só poema quase, um poema só, um trabalho de articulações poemáticas e temáticas estrutura os vários poemas, costurados, entretecidos, de forma que o que lhe dá a característica de livro não é só o título, mas o conjunto conexo, a urdidura unitária do construído bloco, um elemento só, livro que é labirinto significativo mas e onde se entrança o leitor e ali penetra, como numa livre pesquisa e sonhada, fechada no seu tema polissêmico, com começo, meio e fim.

* * *

A «Teia dos labirintos» é construída em blocos: fio de Eros, nas malhas da lenda, urdidura simbólica, liame de ascensão, laços notívagos, e tecedura das coisas.
Cerzido em ciclos o vocabulário do primeiro bloco aparece, costurado, talhado, nervorisado, no visgo da aranha textual, em tecido, o tear, rendas e novelos. Pelos e gozo. Laços e afetos na fímbria da bainha do tecido de um «laborioso tear, mostra-se à flor da pele / em urdidura de flores de fios». De sombra e luzes são tranças, desejos, cabelos, visceral trabalho de uma fiandeira-mãe, faminta de espera, de esperma, no tremular de fieiras de grinaldas em gemidos da sua trama, em seda do «amoroso lavor / de pontos de trespasse», como poesia costureira.

* * *

Do segundo bloco o vocabulário vem do «Livro de Jó», do passado, da origem e de outras tradições, como a do islamismo, do hinduismo, budismo, bramanismo, helenismo, e mais, e os deuses olímpicos, de África, da Micronésia, configurando uma polimorfologia, uma múltipla cosmologia temática.

* * *

Depois vem aquela urdidura simbólica, e armadilha, onde orifícios e linhas, num jogo de fiandeira e numa galáxia de tramas, ungindo luas, luzes e amores, se enfiam nos fios de ouro dessa visão de sublime e no final de fugas de um aranhal de luares, e redes de encontros (e desencontros), impulsos, raízes, insetos e vazios, «destilando a seda», «em imaginária agulha».

* * *

Há agora algo que sobe, o vazado, a costura, o tecido, o telhado, as vidraças, os pássaros, asas, calhas, naquelas arquiteturas «às barbas do sol», onde o tempo se derrama, se proclama, em laçadas e filigranas. Toda a poesia é e está no vocabulário (afinal, a poesia está no dicionário), que traça desenhos e galhardetes entrecruzados rendilhados bordados laços de vida e de morte rios de linha floresta de telas cavernas de luz e lua.

* * *

«Laços notívagos» desce aos pântanos, às redes de ferro do fundo da noite do mar, da memória subterrânea, dos presságios dos becos da terra prenha das sombras incertas dos buracos negros onde estão os fantasmas e aquelas águas verdes das algas das vozes antigas e mortas.

* * *

E assim se fez «a tessitura das coisas» adormecidas, vindouras, fiapos do vazio de oriente na trilhas de desertos exilados arcaicos onde as escamas prove a fome dos desígnios dos homens, e os morcegos expandem suas cavernas de nanquim, lá recolhendo o fôlego e a força dos homens...

* * *

Mas o belo livro termina com uma prece de São Francisco que diz:

Ao cair da tarde, na voz das aves
minha Oração de São Francisco.

1º DE MAIO NA CHINA



http://www.newseum.org/todaysfrontpages/pop_up.asp?fpVname=CHI_MDT&ref_pge=map&tfp_map=Asia

VÁRIOS FERIDOS EM MANIFESTAÇÃO

Peter Porter, 1929–2010


Metamorphosis

This new Daks suit, greeny-brown,
Oyster-coloured buttons, single vent, tapered
Trousers, no waistcoat, hairy tweed – my own:
A suit to show responsibility, to show
Return to life – easily got for two pounds down
Paid off in six months – the first stage in the change.
I am only the image I can force upon the town.

The town will have me: I stalk in glass,
A thin reflection in the windows, best
In jewellers' velvet backgrounds – I don’t pass,
I stop, elect to look at wedding rings –
My figure filled with clothes, my putty mask,
A face fragrant with arrogance, stuffed
With recognition – I am myself at last.

I wait in the pub with my Worthington.
Then you come in – how many days did love have,
How can they be catalogued again?
We talk of how we miss each other – I tell
Some truth – you, cruel stories built of men:
"It wasn’t good at first but he’s improving."
More talk about his car, his drinks, his friends.

I look at the wild mirror at the bar –
A beautiful girl smiles beside me – she’s real
And her regret is real. If only I had a car,
If only – my stately self cringes, renders down;
As in a werewolf film I'm horrible, far
Below the collar – my fingers crack, my tyrant suit
Chokes me as it hugs me in its fire.

(1960)

From the Recovery Room

There is no news, as what didn’t happen
didn’t happen. There will be news
when the world ends, which is the world
of one-and-only, and what that is
the one-and-only cannot preimagine
but only want and watch for. Yes, you are bored
by this periphrasis, something extra
to the body, a pursuit throughout the night
to the sea which may not be entailed.
To have to leave behind not just the globe
and topless towers of CCTV
but images of nothing when only nothing
may be host to images is what
a dreamless wounding is precursor of.

(2008)


Peter Porter's (1929-2010) urbane poetry was first published in 1961, since when he published sixteen collections and much journalism, collaborated with visual arts, and was Writer-in-Residence at several universities, including Hull, Reading, Nottingham, Edinburgh, Melbourne, and Sydney. He was awarded the Queen's Gold Medal for Poetry, won the Duff Cooper and the Whitbread prizes, and was the subject of a special issue of Poetry Review.

Porter's work is rooted in a recognisably modern civilisation, but is aware of what that civilisation covers up - his poem 'The Sadness of the Creatures' opens with "We live in a third-floor flat / among gentle predators". This grounding allows his poetry to range among subjects, from a stoic elegy to his dead wife ('Non Piangere, Liu'), to a sardonic take on life's trivia in 'Civilization and its Disney Contents', and keeps his intelligence accessible.

His masterly control of tone allows him to transform interest in a subject into celebration of it - the Australian town 'Woop Woop', for instance, is neither mocked nor defended, but presented with a confidence that its essence will come through. That mastery is also able to present the image on 'A Chagall Postcard' in strong, vibrant imagery - "the blazing cock, the bride aloof" - then turn it smartly on itself to see the darkness beneath those images, finding a shroud in the bride's train. That this is achieved in tight, closely-rhymed stanzas adds rhetorical weight to this turn.

His reading style is clear and measured, letting his images and effects, including his elegant use of rhyme and set forms, speak for themselves. Although his voice shows the effects of living in London since 1951, it has not lost an Australian tone; as a result, listeners are given a sense of 'somewhere else' that lends the poems, completely appropriately, the weight of external observations without becoming coldly clinical. He quotes Auden's "Be subtle, various, ornamental, clever" approvingly; these qualities are all to be heard in Porter's poetry on this CD.

His recording was made on 9 July 2002 at The Audio Workshop, London and was produced by Richard Carrington.





OBAMA










FOTO DE Nico Hines in Washington

ÁFRICA



http://entertainment.timesonline.co.uk/tol/arts_and_entertainment/visual_arts/article7098988.ece






FOTO DE Kevin Bloom

NUDISMO








http://entertainment.timesonline.co.uk/tol/arts_and_entertainment/visual_arts/article7114649.ece





The photographic artist Spencer Tunick arranging his horde of nudes in Peel Park, Salford

Leopardi
















CANTO XIV - À LUA





Ó graciosa lua, bem me lembro

que, faz um ano já, sobre este outeiro,

cheio de angústia, eu vinha contemplar-te:

e pendias então sobre esta mata,

tal como agora, e inteira a iluminavas:

mas nebuloso e trêmulo do pranto

que em meus cílios manava o teu semblante

aos olhos me surgia, que era triste

a minha vida e ainda é, sem ter mudado,

ó tão querida lua. E entanto agrada-me

relembrar esse tempo e enumerar

os estados de minha dor. Oh, como

no tempo juvenil, quando ainda é longa

a esperança, e a memória ainda curta,

grato é lembrar as coisas que passaram,

mesmo que tristes e que as mágoas durem!



Giacomo Leopardi


ENVIADO POR AMELIA PAIS



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domingo, 2 de maio de 2010

1º de maio no Brasil

1º DE MAIO EM KOSOVO


http://www.kohaditore.com/index.php

Roman Polanski rompe su silencio


Roman Polanski rompe su silencio



El director de cine, aún en arresto domiciliario, hace público un texto en el que pide ser tratado "como todo el mundo"



El cineasta franco-polaco Roman Polanski ha roto este domingo su silencio al denunciar que la demanda de extradición de Estados Unidos en su contra por un caso judicial que data de los años 70 "se basó en una mentira". En un texto remitido a su amigo el filósofo Bernard-Henri Lévy y dirigido a la opinión pública bajo el título de No puedo callar más, el realizador explica que hasta ahora ha querido respetar el trabajo de las autoridades judiciales, pero que ha llegado el momento de pedir que se le trate "como a todo el mundo".

A petición suya, Lévy ha difundido el escrito en la página web de literatura y cultura que dirige el pensador, La règle du jeu, en la que Polanski admite: "es cierto. Hace 33 años me declaré culpable" pero precisa que ya pagó por ello, -por haber mantenido relaciones sexuales con una menor de 13 años-, con una pena de 42 días en la prisión estatal de Chino (California).

Desde su chalet en Gstaad (Suiza), donde está en arresto domiciliario, el cineasta acusa a las autoridades estadounidenses de pedir ahora su extradición para convertirle en "pasto" de los medios de comunicación de todo el mundo, más que para pronunciar un dictamen sobre el que, asegura, se fijó un acuerdo hace 33 años.

A esa fecha, 1978, se remontan los hechos por los que le reclama Estados Unidos, un proceso judicial por haber mantenido relaciones sexuales con una menor quien, según recordó hoy el cineasta, retiró los cargos en su contra y más de una vez declaró públicamente que le ha perdonado y que no cree que se le deba seguir persiguiendo.

Antes de concluir, Polanski expresa su esperanza en que las autoridades suizas decidan que no hay razones para extraditarle y subraya su deseo de recuperar la paz y la tranquilidad junto a su familia y en libertad.

Polanski Polanski fue detenido a finales septiembre pasado, cuando aterrizaba en Zúrich para recibir un premio cinematográfico, en virtud de una orden de captura de EEUU. Después de más de dos meses en prisión, consiguió la libertad condicional tras haber depositado la fianza de 4,5 millones de francos (3 millones de euros) establecida por los jueces suizos y haberse comprometido a no salir "en ningún momento" de los límites de su propiedad y a llevar un brazalete electrónico.

UM PROTESTO


FOTO DE EL PAIS

IRAN DAILY

Prime Minister Yukio Hatoyama


Accepting responsibility: Prime Minister Yukio Hatoyama offers flowers for the victims of Minamata disease Saturday in Kumamoto Prefecture. KYODO PHOTO

sábado, 1 de maio de 2010

AMAZONAS




O autor do quadro é o chileno Stevenson,
que reside em Manaus há décadas.
É artista premiado no Brasil e no exterior.

http://catadordepapeis.blogspot.com/

ALBERTO CÉSAR


Alberto César é repórter-fotográfico desde 1991. Trabalhou nos jornais A Crítica de Manaus, pelo qual ganhou o Prêmio Esso de Fotografia em 2001, Jornal do Norte, Correio Amazonense e Diário do Amazonas. Atualmente é subeditor do Amazonas Em Tempo. Como freelancer tem trabalhos publicados nos principais jornais e revistas do país. No exterior suas fotos já ilustraram as páginas do San Francisco Chronicle, Sun Sentinel, New York Times, Newsweek e The Independent. Em1999, ao dar um autógrafo para Alberto César, o escritor e poeta amazonense Thiago de Mello, o classificou de “o artista da luz”, por seu trabalho documental.
VEJA GALERIA EM:
OLHAR AMAZÔNIDA

TRANSATLÂNTICO NO PORTO DE MANAUS

sexta-feira, 30 de abril de 2010

quinta-feira, 29 de abril de 2010

O PAPA





http://online.wsj.com/home-page

ÍNDIA E PAQUISTÃO








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DIA BUDISTA


http://www.macaudailytimes.com.mo/

Saiba quais estimulantes e entorpecentes ajudaram a criar grandes obras


Saiba quais estimulantes e entorpecentes ajudaram a criar grandes obras
da Livraria da Folha

Há sempre um burburinho se certos escritores nacionais e internacionais usaram ou não substâncias químicas enquanto compunham suas obras. A alegação é, na maioria das vezes, justificada pela genialidade de seus escritos.

Como exemplos, temos os chamados "desregrados" tanto na escrita quanto na vida --Jack Kerouac, Charles Baudelaire e Jean-Paul Sartre. No site do jornal de história "Lapham's Quarterly", o leitor tem acesso aos estimulantes e entorpecentes que esses gênios utilizaram enquanto escreviam obras que marcaram a literatura mundial.

Conheça os bastidores de obras como "On the Road", "Junkie", "O Estranho Caso do Dr. Jekyll e Sr. Hyde", entre outras:

Fotomontagem/Folha Online

Charles Baudelaire, Jean-Paul Sartre, Jack Kerouac, William Faulkner e Raymond Chandler constam na lista

*
Estimulantes ou drogas

"La Comédie Humaine" (1829-1848), de Honoré de Balzac
- café

"O Estranho Caso do Dr. Jekyll e Sr. Hyde" (1886), de Robert Louis Stevenson
- cocaína

"On the Road" (1957), de Jack Kerouac
- benzedrina (atua como estimulante no sistema nervoso central)

"September 1, 1939" (1958), de W.H. Auden
- benzedrina (atua como estimulante no sistema nervoso central)

"Critique of Dialectical Reason" (1960), de Jean-Paul Sartre
- café e corydrane (anfetamina com aspirina)

Álcool

"Vanity Fair Essays" (1921), de Edna St. Vincent Millay
- gim

"Road to Glory" (1936), de William Faulkner
- uísque

"O Coração É um Caçador Solitário" (1940), de Carson McCullers
- chá quente e vinho

"A Dália Azul" (1946), de Raymond Chandler
- doses de vitaminas

"A Sangue Frio" (1965), de Truman Capote
- martinis duplos

Drogas que causam depressão

"Kubla Khan" (1797), de Samuel Taylor Coleridge
- láudano (tintura de ópio com efeito sedativo)

"Aurora Leigh" (1856), de Elizabeth Barrett Browning
- láudano (tintura de ópio com efeito sedativo)

"Paraísos Artificiais" (1860), de Charles Baudelaire
- haxixe (narcótico)

"Junkie" (1953), de William S. Burroughs
- heroína

"The Basketball Diaries" (1978), de Jim Carroll
- heroína

Psicodélicos

"As Portas da Percepção" (1954), de Aldous Huxley
- mescalina (substância que causa alucinações)

"Um Estranho no Ninho" (1962), de Ken Kesey
- peiote (cacto de onde se origina uma droga que causa alucinações) e LSD

"High Priest" (1968), de Timothy Leary
- LSD

"Medo e Delírio em Las Vegas" (1971), de Hunter S. Thompson
- LSD

"Journey to Ixtlan" (1972), de Carlos Castaneda
- peiote (cacto de onde se origina uma droga que causa alucinações)

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Câncer de Hebe já não existe mais, diz assessoria


Câncer de Hebe já não existe mais, diz assessoria

Nota afirma que quimioterapia foi encerrada com sucesso


A assessoria de imprensa de Hebe Camargo, 81 anos, divulgou no início da tarde desta quarta-feira (28) um comunicado em que afirma que a apresentadora venceu a luta contra o câncer de peritônio e que não faz mais sessões de quimioterapia.

"A apresentadora Hebe Camargo submeteu-se a um exame clínico hoje [quarta] e foi constatado que o câncer que a acometia já não existe mais, portanto está livre das sessões de quimioterapia", diz a nota, que credita as informações ao empresário de Hebe, Claudio Pessutti.

"Sabemos que ainda há um período a ser percorrido até que tudo esteja resolvido, mas esta é uma grande notícia aos fãs de todo o Brasil que acompanharam e oraram por nossa querida Hebe."

O comunicado encerra com uma frase de Hebe, comemorando a notícia de se ver livre do câncer: "Deus nunca me abandonou, nunca vi a vida com tanta alegria".

De acordo com a assessoria da apresentadora, Hebe nem precisou fazer a última sessão de quimioterapia que tinha agendada.

Diagnóstico

Hebe foi diagnosticada no início de janeiro com um câncer primário (isto é, sem metástase) no peritônio, membrana que envolve os órgãos do aparelho digestivo.

Ela passou por uma cirurgia para retirada de nódulos, ficou 12 dias internada e desde então vinha fazendo tratamento quimioterápico.

Hebe voltou a gravar seu programa no SBT em 8 de março. Na ocasião ela também celebrou seu aniversário, cercada por amigos e celebridades como Xuxa, Ana Maria Braga, Ivete Sangalo, Leonardo, Maria Rita e Marília Gabriela.

No programa, a apresentadora ainda recebeu uma mensagem gravada de Silvio Santos, que cantou “Parabéns a você” com a plateia. “Muita saúde e alegria. Você supera tudo com seu otimismo”, afirmou à época o patrão. (G1)

HOJE, DE GRAÇA


NELSON FREIRE ESTÁ HOJE, DE GRAÇA, IMPERDÍVEL EM:

http://www.medici.tv/

PEDRA DA GALINHA, QUIXADÁ, CE


FOTO DE CIRO ALBANO

CRIANÇAS DO XINGU

GALERIA DE FOTOS PREMIADAS




Floresta de Belo Monte que será alagada


VEJA
Pássaros ostentando suas presas, prontos para ataque ou fugindo de um incêndio florestal estão entre as 36 cenas vencedoras do concurso Avistar de fotografia de aves deste ano. Ciro Albano, Dimitri Matoszko e Simone Cemin Tomaz ganham os primeiros prêmios. Cerca de 3,7 milhões de votos de internautas ajudaram jurados a escolher os Prêmios Especiais ‘Vox Populi’. A exposição com vencedores será durante o Avistar 2010, de 14 a 16 de maio próximo no Parque Villa-Lobos, em SP

GALERIA EM:

http://www.oeco.com.br/fotografia/39-fotografia/23804-avistar-2010

Camilo Pessanha





Sim. Os olhos estão apagados. Mas vêem, sem luz. A água cai, das beiras dos telhados a água cai. Cai, sempre. Cai, para sempre. Cai, como a morrer. Os olhos tristes vêem, cansados, em lágrimas, na vã tristeza ambiente, os olhos. Como a água morrente (Rogel Samuel)




Água morrente

Meus olhos apagados,
Vede a água cair.
Das beiras dos telhados,
Cair, sempre cair.
Das beiras dos telhados,
Cair, quase morrer...
Meus olhos apagados,
E cansados de ver.
Meus olhos, afogai-vos
Na vã tristeza ambiente.
Caí e derramai-vos
Como a água morrente.

Camilo Pessanha

segunda-feira, 26 de abril de 2010

"Não serei conhecido, serei uma lenda"


Livro narra a trajetória de Freddie Mercury, a principal estrela do Queen que abalou o Rock in Rio, em 1985


Lúcio Flávio

Para fugir do exílio na Ilha de Creta, Dédalos, pai de Ícaro, confeccionou dois pares de asas usando penas e cera. A fuga do desterro teria sido bem-sucedida se o filho não tivesse se aproximado tão perto do sol, derretendo seus alados acessórios. O incidente o levaria à morte. Meio que encarnando o personagem da mitologia grega, o cantor britânico Freddie Mercury também alcançou os pontos mais altos do firmamento na condição de astro de rock e, tal qual o herói ateniense, se viu diante da derrocada ao ser alvejado por doença incurável.

A analogia com o mito grego quem traça é o escritor francês Selim Rauer, autor de biografia sobre o líder da banda Queen que acaba de chegar às livrarias pela editora Planeta. "À princípio meu desejo era escrever um livro sobre música, especialmente sobre uma figura importante do rock, alguém que fosse, em minha opinião, simbólico o bastante, fascinante e capaz de trazer uma multiplicidade de acesso e entendimento. Achei que o paralelo com o mito de Ícaro poderia ser, em termos de literatura, muito interessante", comenta Rauer, em entrevista por e-mail.

"Não havia na França absolutamente nenhum livro sobre Freddie Mercury, então pensei na possibilidade de trabalhar numa biografia sobre esse artista. Minha meta foi fazer uma obra que fosse ao mesmo tempo acessível para qualquer um, mantendo o mais alto padrão de qualidade", confessa o autor, que trabalhou cinco anos no projeto.

Ao longo desse período, Rauer debruçou-se num minucioso trabalho de pesquisa que consistiu em livros, documentários e vídeos de bastidores dos shows, além das antológicas apresentações ao vivo do grupo. Também ouviu inúmeras pessoas que trabalharam ou conviveram com o artista, além dos três remanescentes integrantes da banda que já vendeu mais de 300 milhões de cópias em todo o mundo desde sua formação em Londres, em meados dos anos 1970. "Não sei se poderia dizer se esta é uma 'biografia definitiva' sobre o cantor. Sempre damos o melhor de si naquilo que fazemos."

Apesar das poucas fotos, a obra, intitulada simplesmente de Freddie Mercury, conta com narrativa honesta e direta sobre a trajetória do cantor. O mais intrigante diz respeito às origens de Mercury, que remontam à Ilha de Zanzibar, localizada ao largo da costa da Tanzânia. Foi ali que o artista nasceria em 5 de setembro de 1946 com o nome de Farrokh Pluto Bulsara. Seus pais, indianos seguidores da religião zoroastriana, tinham descendências persas e viveram na região até o início da década de 1960, quando tiveram que deixar a ilha devido a conflitos políticos e religiosos.

Radicada em Londres, a família Bulsara daria início a uma nova vida. Para o escritor Selim Rauer, a formação familiar do jovem Farrokh foi determinante para moldar o personagem Freddie Mercury. "Ele nunca falava sobre sua infância e origem, tudo isso era uma espécie de jardim secreto para ele. Tal inacessibilidade ajudou a criar o mito em torno de sua figura", observa Rauer.

Pompa
Como já era de se esperar, a melhor parte da biografia, óbvio, é quando o autor esmiuça os detalhes da formação de uma das bandas de rock mais importantes do planeta. Chama atenção detalhes como o símbolo imponente da banda criado por Mercury a partir de sua herança como designer e a origem do nome do grupo. "É grande, pomposo", justificaria o vocalista, que se autodefinia como uma prostituta do rock.

O livro detalha também como Farrokh Bulsara chegou ao nome e persona Freddie Mercury, este último rabiscado de um verso confuso escrito por ele próprio - "Mother Mercury, look what you have done to me, I can not run, I can not hide (Mamãe Mercury, veja o que você me fez, Não posso fugir nem me esconder) -, ou a forte influência exercida pela passagem do xamã Jimi Hendrix (para Mercury uma figura exótica) por Londres, entre 1965 e 1966, na sonoridade do que viria a ser o Queen.

Mais tarde seriam somados a esse rol de referências o rock purpurina do T-Rex, a poesia engajada de Bob Dylan e a química explosiva trabalhada entre o guitarrista Jimmi Page e o vocalista Robert Plant, as principais cabeças do Led Zeppelin. "Não serei conhecido, serei uma lenda...", vaticinou Mercury, bem antes de se tornar o mito que conhecemos.

Com a atenção devida de um crítico musical, coisa que não é, o escritor Selim Rauer vasculha com precisão os bastidores de cada álbum do Queen, mostrando não apenas a evolução, disco a disco, dos quatro integrantes, mas a força criativa de cada elemento da banda formada ainda pelo baterista Roger Taylor, o baixista John Deacon e o guitarrista Brian May, um dos principais compositores ao lado de Mercury. Vai mais além ao elucidar o estilo musical da banda que unia numa única paleta cores ilustrativas como música clássica, ópera, comédia trágica, rock, pop e uma boa dose de teatralidade.

Elementos facilmente detectados, por exemplo, na obra-prima A night at the opera, 1975. "Naquele momento, precisávamos de uma virada, de uma mudança radical, e apostamos tudo naquele álbum, sem saber onde aquilo nos levaria", registra, no livro, o baterista Roger Taylor. Outro tópico relevante abordado pelo autor foi a importância que o Queen teve como performance de palco com apresentações antológicas ao vivo em grandes estádios. A inovação da banda foi pomposa, condizente com o nome criado por eles e nesse sentido pode-se dizer que o quarteto londrino foi maior que os Beatles. Vai ficar para sempre na lembrança das pessoas a imagem de Mercury regendo um coro de mais de 200 mil vozes, no Rock in Rio, em 1985, quando cantou a imortal balada Love of my life.

UMA MORTE LENTA
Com algumas revelações surpreendentes, pelo menos aos olhos dos fãs brasileiros, entre elas, um casamento do astro com Mary Austin (com quem viria a ser grande amiga e principal retentora de seus bens), ainda no início da carreira, e o envolvimento amoroso com a atriz alemã, de origem austríaca, Barbara Valentin (na época um conhecido caso do cineasta alemão Werner Fassbinder), em meados da década de 1970, a biografia encontra o clímax nos últimos anos de vida do cantor. Período que vai de sua descoberta como portador do vírus HIV (um dos primeiro da esfera musical), até a morte lenta, triste e agônica de um superstar. O autor Rauer percorre os últimos passos do artista, mostrando a aflição dos colegas de trabalho e de pessoas próximas, passando pela preocupação dos fãs diante de visível degradação física do ídolo, e o assédio desavergonhado da imprensa sensacionalista britânica. Mostra o desespero e a preocupação de Mercury de todo tempo querer maquiar a morte, com a entrega total no estágio mais crítico da doença. "A morte de Mercury foi um desses dramas que provocam um autêntico choque na opinião pública. Aquele homem tinha encarnado todo um mundo, toda uma época. Com a morte de Mercury, Farrokh Bulsara é que seria enfim liberado", arremata o autor.

FREDDIE MERCURY
Selim Rauer. Editora
Planeta. 320 páginas.
R$ 49,90.

O monge

Mesa

Fidel Castro: As loucuras de nossa época


As loucuras de nossa época


Não há outra saída senão chamar as coisas por seus nomes. Aqueles que conservam um mínimo de sentido comum podem observar, sem grande esforço, quão pouco resta de realismo no mundo atual. Quando o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, foi indicado para o prêmio Nobel da Paz, Michael Moore declarou: "agora seja digno dele!".

Por Fidel Castro, no Granma


Não há outra saída senão chamar as coisas por seus nomes. Aqueles que conservam um mínimo de sentido comum podem observar, sem grande esforço, quão pouco resta de realismo no mundo atual. Quando o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, foi indicado para o prêmio Nobel da Paz, Michael Moore declarou: "agora seja digno dele!".

Muitas pessoas gostaram do engenhoso comentário pela agudeza da frase, embora muitos não vissem outra coisa na decisão do Comitê norueguês além de demagogia e exaltação à aparentemente inofensiva politicagem do novo presidente dos Estados Unidos, um cidadão afro-norte-americano, bom orador e político inteligente, à frente de um império poderoso envolvido numa profunda crise econômica.

A reunião mundial de Copenhague estava prestes a acontecer e Obama despertou as esperanças de um acordo vinculante, no qual os Estados Unidos se somariam a um consenso mundial para evitar a catástrofe ecológica que ameaça a espécie humana. O que lá aconteceu foi decepcionante, a opinião pública internacional foi vítima de um doloroso engano.

Na recente Conferência Mundial dos Povos sobre Mudança Climática e Direitos da Mãe Terra, realizada na Bolívia, foram expressas respostas cheias da sabedoria das antigas nacionalidades indígenas, invadidas e virtualmente destruídas pelos conquistadores europeus que, em busca de ouro e riquezas fáceis, impuseram durante séculos suas culturas egoístas e incompatíveis com os interesses mais sagrados da humanidade.

Duas notícias recebidas ontem expressam a filosofia do império tentando fazer com que acreditemos em seu caráter "democrático", "pacífico", "desinteressado" e "honesto". Basta ler o texto dessas informações procedentes da capital dos Estados Unidos.

"Washington, 23 de abril de 2010.— O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, avalia a possibilidade de desenvolver um arsenal de mísseis com ogivas convencionais, não nucleares porém capazes de atingir alvos em qualquer lugar do mundo em aproximadamente uma hora e com capacidade explosiva potentíssima".

"Se, por um lado, a nova superbomba, montada em mísseis do tipo Minuteman, não terá ogivas atômicas, por outro, sua capacidade de destruição será equivalente, tal como confirma o fato de que sua dispersão está prevista no acordo START 2, assinado recentemente com a Rússia".

"As autoridades de Moscou reclamaram e conseguiram fazer figurar no acordo, que para cada um destes mísseis, os Estados Unidos deve eliminar um de seus foguetes providos de ogivas nucleares".

"Segundo as notícias do New York Times e da rede de televisão CBS, a nova bomba, batizada PGS (Prompt Global Strike) deverá ser capaz de matar o líder de Al Qaeda, Ossama Bin Laden, em uma gruta do Afeganistão, destruir um míssil norte-coreano em plena preparação ou atacar um silo nuclear iraniano, ‘tudo isso sem trespassar o umbral atômico’".

"A vantagem de dispor como opção militar de um arma não nuclear, que tenha os mesmos efeitos de impacto localizado de uma bomba atômica é considerada interessante pelo governo de Obama".

"O projeto foi colocado inicialmente pelo predecessor de Obama, o republicano George W. Bush, mas foi bloqueado pelos protestos de Moscou. Tendo em conta que os Minuteman também transportam ogivas nucleares, as autoridades de Moscou disseram que era impossível estabelecer que o lançamento de um PGS não fosse o início de um ataque atômico".

"Contudo, o governo de Obama considera que pode dar à Rússia ou à China garantias necessárias para evitar mal-entendidos. Os depósitos dos mísseis da nova arma serão instalados em lugares distantes dos depósitos de ogivas nucleares e poderão ser inspecionados periodicamente por especialistas de Moscou ou de Pequim".

"A superbomba poderia ser lançada com um míssil Minuteman, capaz de voar através da atmosfera à velocidade do som e carregando quinhentos quilos de explosivos. Equipamentos ultrasofisticados permitirão ao míssil largar a bomba e fazer com que caia com extrema precisão nos alvos escolhidos".

"A responsabilidade do projeto PGS — com um custo estimado de US$ 250 milhões, somente em seu primeiro ano de experiências — foi encarregada ao general Kevin Chilton, que tem sob seu comando o arsenal nuclear norte-americano. Chilton explicou que o PGS cobrirá um buraco no leque de opções com que o Pentágono conta atualmente".

"'Neste momento, podemos atacar com armas não nucleares qualquer recanto do mundo, em um espaço de tempo não menor a quatro horas’, disse o general. ‘Para uma ação mais rápida — reconheceu — contamos somente com opções nucleares’".

"No futuro, com a nova bomba, os Estados Unidos poderão atuar rapidamente e com recursos convencionais, tanto contra um grupo terrorista quanto contra um país inimigo, em um período ainda mais curto e sem provocar a ira internacional pelo emprego de armas nucleares".

"Prevê-se que os primeiros testes começarão em 2014, e que, em 2017 estaria disponível no arsenal estadunidense. Obama já não estará no poder, no entanto, a superbomba pode ser a herança não nuclear deste presidente, que obteve o prêmio Nobel da Paz."

"Washington, 22 de Abril de 2010. — Uma nave espacial não tripulada da Força Aérea dos Estados Unidos descolou nesta quinta-feira na Flórida, em meio de um véu de segredo sobre sua missão militar".

"A nave-robô espacial, X-37B, foi lançada de Cabo Cañaveral mediante um foguete Atlas V, às 19h52 locais (23h52 GMT), segundo um vídeo distribuído pelo exército".

"’ O lançamento é iminente’, disse à AFP o major da Força Aérea, Angie Blair".

"Parecido com uma nave espacial em miniatura, o avião tem 8,9 metros de comprimento e 4,5 metros de envergadura".

"A fabricação do veículo espacial reutilizável demorou anos e o exército tem dado poucas explicações sobre seu objetivo ou seu papel no arsenal militar."

"O veículo está desenhado para ‘proporcionar o meio ambiente de um ‘laboratório em órbita’, a fim de testar novas tecnologias e componentes antes que estas tecnologias sejam designadas a programas de satélites em funcionamento’, disse a Força Aérea em um comunicado recente".

"Alguns funcionários informaram que o X-37B aterrisará na base da Força Aérea Vandenberg, na Califórnia, mas não disseram quanto durará a missão inaugural".

"’Para ser honestos, não sabemos quando voltará’, disse esta semana aos jornalistas o segundo subsecretário de programas espaciais da Força Aérea, Gary Payton".

"Payton assinalou que a nave poderia permanecer no espaço até nove meses".

"O avião, fabricado pela Boeing, começou como um projeto da agência espacial estadunidense (NASA), em 1999, e depois foi transferido à Força Aérea, que visa o lançamento de um segundo X-37B em 2011."

Será que é necessária mais alguma coisa?

Hoje existe um colossal obstáculo: a mudança climática já irreversível. Faz-se referência ao inevitável aumento de calor em mais de dois graus centígrados. Suas conseqüências serão catastróficas. A população mundial em apenas 40 anos aumentará em dois bilhões de habitantes, e atingirá a cifra de nove bilhões de pessoas, nesse breve tempo.

Cais, hotéis, balneários, vias de comunicação, indústrias e instalações próximas aos portos, ficarão sob a água em menos tempo do que se precisa para desfrutar a metade de sua existência uma geração de um país desenvolvido e rico, que hoje, de maneira egoísta, se recusa a fazer o menor sacrifício para preservar a sobrevivência da espécie humana. As terras agrícolas e a água potável diminuirão consideravelmente. Os mares ficarão poluidos; muitas espécies marinhas deixarão de ser consumíveis e outras desaparecerão. Isto não é afirmado pela lógica, mas sim pelas pesquisas científicas.

O ser humano conseguiu incrementar, através da genética natural e da transferência de variedades de espécies de um continente para o outro, a produção por hectare de alimentos e outros produtos úteis ao homem, que aliviaram durante um tempo a escassez de alimentos como o milho, a batata, o trigo, as fibras e outros produtos necessários. Mais tarde, a manipulação genética e o uso de fertilizantes químicos contribuíram também para a solução de necessidades vitais, porém estão chegando ao limite de suas possibilidades para produzir alimentos sadios e aptos para serem consumidos.

Por outro lado, em apenas dois séculos estão se esgotando os recursos do petróleo, que a natureza demorou 400 milhões de anos em formar. Do mesmo modo, esgotam-se os recursos minerais vitais não renováveis dos quais precisa a economia mundial. Por sua vez, a ciência criou a capacidade de autodestruir o planeta várias vezes em questão de horas. A maior contradição em nossa época é, precisamente, a capacidade da espécie para se autodestruir e sua incapacidade para se governar.

O ser humano conseguiu aumentar as possibilidades de vida até limites que ultrapassam sua própria capacidade de sobreviver. Nessa batalha, consome aceleradamente as matérias-primas ao alcance de suas mãos. A ciência tornou possível a conversão da matéria em energia, como aconteceu com a reação nuclear, ao custo de enormes investimentos, mas não se vislumbra sequer a viabilidade de converter a energia em matéria.

O gasto infinito dos investimentos nas pesquisas pertinentes vem demonstrando a impossibilidade de conseguir em umas poucas dezenas de anos o que o universo demorou dezenas de bilhões de anos em criar. Será necessário que o menino pródigo Barack Obama nos explique? A ciência cresceu extraordinariamente, mas a ignorância e a pobreza também crescem. Por acaso, alguém pode demonstrar o contrário?

Fidel Castro
25 de Abril de 2010

Fonte: Granma

www.vermelho.org.br

domingo, 25 de abril de 2010

NA ARGENTINA

REABILITAÇÃO DE PADRE CÍCERO


REABILITAÇÃO DE PADRE CÍCERO

Vaticano mantém silêncio



Comissão de caririenses liderada pelo bispo dom Panico, na Praça São Pedro, no Vaticano, durante viagem em defesa da reabilitação do Padre Cícero
FOTO: ANTÔNIO VICELMO


Em setembro do ano passado, papa Bento XVI prometeu acelerar a análise do processo de reabilitação do Pe. Cícero

Juazeiro do Norte Quatro anos depois da entrega do processo de reabilitação do Padre Cícero na Congregação para a Doutrina da Fé, o Vaticano mantém-se em silêncio. A demora no julgamento reacende a polêmica em torno do nomeado "Cearense do Século".

"Roma é eterna. Aqui tudo é demorado". Com esta frase, o bispo da Diocese do Crato, dom Fernando Panico, colocou uma ducha de água fria no entusiasmo do grupo de romeiros, entre os quais o então prefeito de Juazeiro, Raimundo Macedo; o presidente da Câmara Municipal, José de Amélia Junior; e alguns vigários da Diocese do Crato, que acompanharam o bispo na entrega da documentação, solicitando, ao cardeal e prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Josef William Levada, a reabilitação de Padre Cícero.

A advertência de dom Fernando aconteceu no dia 31 de maio de 2006, no interior do ônibus que conduzia a comitiva de 52 romeiros do Cariri do hotel para o Vaticano. Os mais entusiasmados como o prefeito Raimundo Macedo, que atravessou a Praça de São Pedro com uma caixa de documentos na cabeça em direção ao antigo Santo Oficio, esperavam voltar ao Brasil com uma resposta positiva sobre a reabilitação do Padre Cícero.

Quatro anos depois, o Vaticano se mantém em silêncio. Em setembro do ano passado, quando da visita "ad límina" dos bispos do Nordeste ao Vaticano, o Papa Bento XVI, segundo dom Fernando, prometeu mandar acelerar a análise do processo de reabilitação. O padre Francisco Roserlândio de Souza, coordenador do Departamento Histórico Diocesano Padre Antônio Gomes de Araújo, diz que a única novidade sobre o assunto é a presença de um escritor americano que inicia, esta semana, uma pesquisa sobre o processo de reabilitação.

O então Papa João Paulo II, de acordo com o escritor Geraldo Barbosa, foi bastante objetivo, quando em visita ao Brasil, ao dizer que "o Brasil precisa de Santos". "A vida religiosa do (padre) Cícero Romão Batista foi florescente de virtudes e doações a Jesus Cristo, num apostolado que ainda hoje registra uma nação cristã romeira de 80 milhões de devotos. Nunca o Brasil testemunhou um líder cristão de tamanho poder espiritual e humano", justifica o entrevistado ao defender uma definição sobre o processo de reabilitação que tramita no Vaticano há mais de um século, uma vez que foi o próprio Padre Cícero que pediu o perdão da Igreja.

O escritor cearense e autor do livro "Padre Cícero: poder, fé e guerra no sertão", Lira Neto, lembra que, para o Vaticano, a veneração ao Padre Cícero tem se tornado ainda mais eloquente diante da constatação de que, a cada ano, o catolicismo perde milhares de adeptos no Brasil.

Segundo cálculos da própria Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a sangria de fiéis é considerada alarmante. O País continua a ser "a maior nação católica do mundo". Mas a última década assistiu à queda vertiginosa no percentual de católicos brasileiros, enquanto outras religiões se multiplicam em idêntica proporção. Deixar que o culto ao Padre Cícero permanecesse à margem da liturgia significa, na interpretação de Lira Neto, negar o acolhimento pastoral a toda uma preciosa legião de devotos.

Acusações

O escritor cearense recorda, por outro lado, que o Vaticano não desconhece as graves acusações históricas que recaem sobre padre Cícero Romão Batista. Elas não são poucas. Quando reunidas, constituem notórios obstáculos à ideia de anistiar, "post-mortem", as penas que foram impostas ao padre, em vida, pelo Tribunal do Santo Ofício.

A primeira incriminação que incide sobre Cícero é a de ter sido um mistificador, um aproveitador das crenças do povo mais simples, um semeador de fanatismos. "Homem de ideias religiosas pouco ortodoxas, leitor de autores místicos, dado a ver almas do outro mundo e defensor de milagres não endossados pelo Vaticano, Cícero estaria mais próximo da superstição do que da fé", disseram dele os muitos adversários que colecionou no meio do próprio clero.

Decorre daí, acrescenta Lira Neto, outra incriminação, ainda mais incisiva: "a de que nas vezes em que fora repreendido por seus superiores eclesiásticos agira como um rebelde e caíra em desobediência". Na rígida hierarquia clerical, desobedecer a um superior constitui pecado gravíssimo. Almas indóceis à autoridade de bispos e cardeais não vão para o Céu, assim determina a lei da Igreja.

A constante proliferação de seitas e templos protestantes, em Juazeiro do Norte, segundo Geraldo Barbosa, pode ser motivada pelo silêncio de Roma, em não decidir sobre a reabilitação sacerdotal de Cícero Romão Batista, num processo que já começa a caducar. Os católicos sentem-se esquecidos.

Barbosa destaca que "provavelmente a CNBB, que tem interesse nessa solução, já percebeu que o povo brasileiro tem o Padre Cícero entronizado no seu coração como santo. Sua reabilitação, pela Santa Sé, seria um ato burocrático justo, que bem poderia ter evitado essa atual multiplicação das seitas, pelo menos no Nordeste.

Romarias

As romarias não são mais redutos exclusivos da Igreja Católica. O grupo protestante Jovens Com Uma Missão (Jocum) realiza um trabalho missionário entre os romeiros desde 1998 que consiste na distribuição de água, "sopão" nas madrugas, teatro infantil e adulto, concentrações noturnas nas praças e música regional intercaladas com mensagens evangélicas, utilizando uma linguagem acessível ao romeiro.

A disputa religiosa em torno da fé dos romeiros gerou uma "guerra santa regional" entre católicos e evangélicos. Em uma de suas homilias, dom Fernando criticou o modelo de evangelização de setores protestantes. Enquanto a Igreja Católica caminha a passos lentos no julgamento do processo de reabilitação do Padre Cícero, outras religiões avançam celeremente na conquista de espaços no terreiro do Padre Cícero.

O escritor Geraldo Barbosa também critica essa demora no processo de reabilitação de Padre Cícero. Ele teme que essa demora seja fator para que o Catolicismo perca sua força e poder sobre a fé dos milhares de cristãos. O escritor acrescenta que "a mudança dos tempos está a exigir da Igreja Católica, tanto no Brasil como no mundo cristão, uma busca de equilíbrio que possa competir com o eletromagnético da Internet, destituindo o ser humano de sentir a presença do Espírito e da Luz Divina nas suas vidas. O computador é o novo senhor dos povos modernos".

Na interpretação do escritor, "a Igreja Católica, em Roma, passa por momentos difíceis nas denúncias do clero mundial, em declínio moral e religioso, até então impunes. Sente-se a ausência do abraço maternal da Santa Madre Igreja Católica".

O que eles pensam
A fé resiste às intempéries

Decorridos quatro anos da entrega do pedido de reabilitação eclesial de Padre Cícero, a gente percebe que seus devotos não só de Juazeiro, mas de todo o Brasil, estão perplexos com a demora. O bispo dom Panico tenta amenizar a decepção dos devotos informando que as coisas em Roma são devagar, mas isso pouco consola, pois o que todos querem mesmo é ver o Padim reabilitado. Como é possível a Igreja Católica ficar tão passiva diante das evidências emanadas do fenômeno Padre Cícero?

Daniel Walker
escritor e historiador

Há muitos anos que nós esperávamos uma revisão do caso Padre Cícero, com a reabertura de seu processo junto à antiga Sagrada Inquisição Romana. O que foi estimulado mais recentemente pela Sagrada Congregação da Doutrina da Fé nos encheu de ânimo. Nossa ansiedade sobre como virá esta decisão é muito grande. Não será a conjuntura atual vivida pela Igreja, seja no mundo, seja em Juazeiro do Norte. O romeiro, devoto do Padre Cícero, é paciente. Tem uma fé inquebrantável.

Renato Casimiro
pesquisador

sábado, 24 de abril de 2010

ROGEL SAMUEL: A HISTÓRIA DOS AMANTES 2














Uma tarde, nela atravessávamos a luz, andávamos pela rua daquele subúrbio, o bairro, silenciosos, graves, gravemente subimos o aclive, os passos, resumimos nossas conversas a um leve contato, leve toque dos dedos, ocasionais, toque rápido, cheio de emoção e felicidade. Mas a vida não, mas a vida não é um brinquedo. Não consigo saber o que se passou, as recordações recortam imagens irrecuperáveis. Tento compreender. O que acontecia naquele momento, naquele passar de sua presença inteira, fixa, na minha frente - de uma existência - o passado como tela de cinema implantado no olho da memória. A vida não pára, não parou. Não chego ao desespero, ao estranho relacionamento que tenho, hoje, com o que hoje sou. O presente aqui não é nem alegre, nem triste. Tenho de começar devagar.
Certo dia, quando aciono, quando acordo, o teto do quarto com uma coloração rósea, a janela aberta dá para um labirinto em que o olhar ostenta mover-se, e que se Val desdobrando em abstrata claridade, a fragrância marinha emanando suave, fria, perfumada, vinda do horizonte, a janela respirava... Entrava, quase imperceptível, um som, aquele som, um murmúrio, doce, azulado, como o mar. As pessoas amigas me tinham recomendado calma. Mas eu não consigo. Lembro-me ainda das retas cruzes das ruas da cidade indiferente. Vista do alto prédio, a cidade. Foi naquela madrugada que a sentença me chegou, forte, perfeita, correta, aterradora como a de um assassino: Val. Era ela. Val me abandonava. As persianas batem, fortes, nervosas. As roupas por cima da cama, acordava do sonho do meu amor desfeito. O amor, como uma bala, passava de boca em boca. Se espalhava. Eu sofria a angústia, a queda. O amor é um mar. Cheiro familiar de café. Um pente um espelho. Eu penso. Matar o meu sonho. Não, Val. Eu tinha soluções. Alguns homens formavam grupo no ângulo da esquina, e ela... ah, súbita felicidade da totalidade!... agora nós estávamos na praça. Na orla da praia eu subia até um pedestal vazio, que chegava à cabeceira do tanque retangular, e no ar abria os braços, espalmava as mãos, feliz, e ainda me consigo ver. De lá dizia, de lá me recordava de mim mesmo, eu para mim agora, a um majestoso e largo mar que soava no ar com a clara voz de Val, com todas as claras vozes daquele tempo, a aragem crescendo no meio de tudo, infiltrando-se na camisa aberta, os seios nus.
Nada me prende mais, hoje, do que a demora do passado no momento presente, esse momento interior imensurável, onde às vezes a força dos instantes retardam os passos do passado para sempre. Às vezes, como num sonho, largo pesado sonho estirado, os momentos são assim inteiramente vivos, inesperados. Neles me movo, me reconstruo, me recomeço. Em frente. Naquela praia nós nos largávamos, era como se durante a vida toda estivéssemos ali. Na areia suave, como se as lembranças estivessem inteiramente nuas. Visto de hoje o mar, vedação alta e azul, as coisas vastas, as coisas em bloco, as coisas se dissolviam em explosões de brancas espumas, cristas, covas, límpidas cintilações coriscantes.







Ainda estou perdido, perplexo. Ainda me movo mal nesse espaço. Ela. Ela penteia os cabelos, diante do espelho, os ombros largos. Muitos anos se passaram diante da imagem de Val, naquele espelho. Era ali, a sua viagem, uma viagem de barco, ela, os cabelos muito soltos no convés, chovia quase todo tempo, interminável ruído da chuva, a chuva nascia da ondulação das dobras do lençol de chuva azul, ou verde, nós riamos, recebíamos de face as espetadelas gélidas das gotas do ar. Isso é tudo? Durante todo o tempo em que vivemos juntos, parece hoje, por uma misteriosa deformação mágica, que todas as tardes são sua presença, de seu mar, onde sempre se ouvem ondas, onde as luzes, os sóis se impunham, juvenis, um elemento, alto, magro, qual garça branca, andando atrás da pedra, do deserto, entre o carro e um adorno, uma corrente, ele se precipitava entre as coisas da memória, se encostava ao cimento do muro. Aqui, Val aqui, atrás o seu ciúme, conectando com o que se refere, com tudo o que... bombas (anos depois os soldados invadem o prédio, rebentam no meio da sala cruelmente as bombas, eu procurava Valquíria entre os acontecimentos tumultuosos, estávamos encurralados ali, não conseguimos sair daquilo, não há nenhum telefone funcionando). Esse amor. Tenho de deixar sossegado? Posso iludi-lo com amenidades? Eu sempre penso em matar minha lembrança, meu passado. Ele estaria morto finalmente se eu não o estivesse revirando agora.

EM CHAMAS





Publicado em Nuernberger Zeitung, published in Nurnberg, Germany

Pesquisadores alemães criam carro dirigido pelo olhar




Pesquisadores alemães criam carro dirigido pelo olhar




BERLIM (AFP) - Um veículo dirigido apenas com o olhar é possível, segundo um protótipo desenvolvido por uma universidade alemã, batizado de "Spirit of Berlin", que fez testes de direção nesta sexta-feira, na pista do aeroporto de Tempelhof, no sul da capital alemã.


Trata-se de um pequeno ônibus da marca Dodge adaptado pela Universidade Livre de Berlim (FU, da sigla em alemão) para ser dirigido unicamente com o olhar, sem que as mãos tenham de tocar o volante.


O protótipo deu voltas na pista do aeroporto alemão desativado. "Esse tipo de veículo está proibido nas vias de circulação normais", disse Raúl Rojas, de origem mexicana, especialista em informática e diretor do departamento de "inteligência artificial" que desenvolve essa tecnologia.


Seu colega, que ocupou o lugar do motorista, usou um capacete dotado de uma câmera que foca os olhos. O mínimo movimento é transmitido ao computador que o transforma em impulso enviado à direção do veículo.


Cheio de receptores, cabos e processadores, o veículo é inclusive capaz de perdoar uma eventual falta de atenção do motorista, já que se não houver nenhuma curva no lugar para o qual a vista foi desviada, o automóvel anula a ordem de girar.


Batizado de "Spirit of Berlin", essa pequena joia tecnológica, com custo em torno de 150.000 euros, é "um passo rumo ao carro sem motorista", explica Rojas, que chegou a Berlim há 27 anos.


O departamento de "inteligência artificial" da FU de Berlim está, assim como as universidades americanas de Stanford e de Carnegie Mellon, na liderança das pesquisas neste setor, explica.


Mas a produção em massa desse veículo ainda está longe de ocorrer. Para isso, serão necessários de 20 a 30 anos para que a tecnologia amadureça e para que os veículos sejam autorizados pela legislação, conclui Rojas.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

MONGES SÃO EXPULSOS DO LOCAL DO TERREMOTO





PUBLICADO EM

The Japan Times, published in Tokyo, Japan

FESTA EM MACAU











FOTO DE Macau Daily Times, published in Macau, China