segunda-feira, 21 de agosto de 2017

domingo, 20 de agosto de 2017

O ECLIPSE DO SÉCULO -

O ECLIPSE DO SÉCULO - HOJE O FRUTO DOS ATOS POSITIVOS OU NEGATIVOS SÃO MULTIPLICADOS POR MILHÕES...

sábado, 19 de agosto de 2017

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

DA SOMBRA DOS VENTOS AO ADEJAR DOS URUBUS

DA SOMBRA DOS VENTOS AO ADEJAR DOS URUBUS

ROGEL SAMUEL

Em “Capoeira de espinhos” Dílson Lages criou um gênero – fundiu conto, crônica, novela – construiu um texto – suas memórias ficcionais, o personagem percorre as ruas de seu passado em passos tristes, misturando fatos de um passado com as “modernidades”  presentes, como no carrinho de Chico Laranjeira que vendia melancias e CDs. Tudo mudado, tudo estragado pelos seus olhos desgastados de velho. Não mais as andorinhas do céu. O tempo morto, a vida morta, o relógio de pulso se quebra, é a morte.
Há uma frase que se repete: “quanto tempo ainda tenho?” – o livro todo é uma reflexão sobre a morte, sobre a decadência dos objetos, dos seres, das casas. O relógio roda, por horas, cada vez menos tempo de vida, cada segundo é a vida que retrocede, menor, menor, gira assim para trás, marcando o seu fim, - no fim o relógio se quebra, no chão - e a Pomba Gira, nas ruas de Aldeia Viva (aldeia morta), fabricando vento, a sombra do vento, no vermelho de suas saias, sem nome, sem destino, ou Chico Laranjeira, vendendo melancias e CDs – os CDs dos escândalos.
Apesar de poucas ruas, a cidade parece enorme, dali até as margens do Marataoã, o tempo para, o som dos ventos, tudo passa em bicicletas, em Monaretas, em sonhos.
Outro motivo constante é uma estranha colher de pedreiro, que atua como a de um coveiro do tempo, Aldeia Viva não é mais que morta, uma espera da morte, como um cemitério. Pois a cidade está poluída de fofocas, de mentiras, de histórias que são arapucas, conflitos, maledicências, esquecimentos, de cochichos por trás dos muros, que o personagem, o professor Constantino, um velho aposentado, sente-se hostilizado pelos muros das casas e calçadas, pelas janelas fechadas, pela falta de seu passado, pela decadência moral daquela vila, pela incerteza do futuro, como nos versos do Poeta Caçador:
“A mentira, a calúnia, a infâmia, o embate, / A vil maledicência, a impudicía / a fraude...”
Nas últimas linhas de seu dizer: “Quanto tempo ainda tinha?” [...] “Procurei as andorinhas no céu. Urubus, urubus.”



quarta-feira, 16 de agosto de 2017

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

“A CULPA É DOS CRÍTICOS E EDITORES”

“A CULPA É DOS CRÍTICOS E EDITORES”
Entrevista com Carlos David
Para início de conversa, indaguei-lhe se gostaria de dizer algo para os leitores do Diário Carioca, sobre esta interminável querela que o “New Criticism” (se assim se pode chamar) suscitou entre nós, com o retraimento de um bom punhado de ensaístas que vinham exercendo o ofício da crítica periodística.
— Minha primeira objeção — falou Otto Maria Carpeaux — refere-se ao próprio termo “New Criticism”. Os divulgadores desse termo no Brasil (pois só divulgam o termo), não tendo até hoje realizado a menor tentativa de aplicar às obras brasileiras os novos métodos de crítica, esses divulgadores apresentam ao leitor brasileiro o “New Criticism” como se fosse um bloco monolítico ou uma “escola”. Mas não existe nada disso. Existem, sim, profundas incompatibilidades entre diversos representantes da nova crítica anglo-americana e entre eles e os “novos críticos” de outros países. Aqueles divulgadores monolíticos podem escolher: entre não possuir a necessária inteligência para perceber e explicar as divergências, e, por outro lado, só querer esmagar o leitor brasileiro, empregando uma erudição de empréstimo para fins de cabotinismo literário. Existem bons argumentos para apoiar esta e aquela possibilidade. No resto, desejo que os novos críticos se ocupem mais com as obras literárias do que com os métodos alheios, e que aprendam línguas.
Pergunto se não veria com bons olhos a volta do rodapé semanal de crítica literária:
— O rodapé de crítica já se tornou raridade. Não voltará tão cedo. Mas não atribuo isto a uma ação vencedora dos seus inimigos, pois um dos “novos” continua escrevendo rodapés dos mais comuns. A culpa é dos editores: alguns deles preferem o anúncio de graça nas “colunas”; outros nem precisam de críticos nem de colunistas porque produzem a venda a prestações, esgotando o pequeno poder aquisitivo do público e prejudicando a literatura, da qual se julgam, olimpicamente, mecenas. Quanto à minha opinião, só desejo ver voltando o rodapé quando acompanhado de talento, o que também é cada vez mais raro, enquanto os vovôs da literatura acreditam descobrir gênios.”
(Carlos David, ‘Carpeaux: aprendam línguas’, Diário Carioca, 1960. — Excerto)

domingo, 13 de agosto de 2017

MEU PAI

MEU PAI

Rogel Samuel

Um homem corta a grama
Do outro lado da rua.
Meu pai se foi há muitos anos,
Mas a lembrança dele me desperta.
Vem de certa cena antiga
Onde aparece com seu sorrir
E o mesmo jogo de andar
Lançando os braços para trás.
Um homem corta a grama no seu quintal.
E muito tempo se passou
E não sei por que subitamente
Choro sua morte.
Tudo está em seu lugar
E por que me vejo triste?
Meu pai já não existe
Ele se decompôs no ar.
Um velho corta a grande grama
Da outra margem desta rua.

(Walden, New York, julho 2003)

A BOLA NÃO É A INIMIGA

A BOLA NÃO É A INIMIGA

ROGEL SAMUEL


                Nesse ano de Copa, me lembro de alguns indiozinhos Cambebas (ou Omáguas) que inventaram a bola, o futebol, a Copa, no Amazonas de 1744.

Quando La Condamine, em meados de 1744, descia o Rio Amazonas por inteiro, desde as montanhas peruanas, Jaén de Bracamoros, até Bélem do Pará, viu uns indiozinhos jogando bola de látex, balata, na praia.

Maravilhou-se ele e trouxe a bola para a Academia das Ciências de Paris. Lá, triunfante, jogou a bola no chão, num escândalo, para todos os sábios.

No dia seguinte, publicaram: "Estranho objeto desafia a lei da gravidade".

Ao látex La Condamine chamou de "caoutchouc", dizendo viria a ser de grande valor industrial, e que os portugueses aprenderam dos omáguas, discípulos dos Incas, que já o conheciam, sua extração e beneficiamento.

É verdade que alguns autores dizem que Colombo já a conhecera no Haiti, diz o Mestre amazonense João Nogueira da Mata, em "Biografia da borracha", de 1978, que tenho com dedicatória.

Lembro-me de Ademir da Guia. Não o jogador, mas o poema de João Cabral.

O látex é uma gosma grudenta como cola.

Era calculado o jogo, estudado, “desafinado” pelo jogador brasileiro, que dava a ele o ritmo pessoal, o tempo, o chumbo, a câmara de pesadelo lento, transformando o adversário no cúmplice de sua vitória, atando-o, na atadura hospitalar da doença que Ademir  inoculava no irrequieto adversário, como aranha, hipnotizando-o, inutilizando o ímpeto, com a anestesia do jogo pesado, encharcado, sobre areia, ou no alagado, na lama, nos baixios da alma, de um peso morto, de um psicológico, psicótico lastro do espírito, da langorosa alma, da materialidade da larva, da lesma, da gosma, da goma, dos líquidos pegajosos, espermáticos e seminais,  grude, esparadrapo, óleo podre.

"ADEMIR DA GUIA":

Ademir impõe com seu jogo
o ritmo do chumbo (e o peso),
da lesma, da câmara lenta,
do homem dentro do pesadelo.

Ritmo líquido se infiltrando
no adversário, grosso, de dentro,
impondo-lhe o que ele deseja,
mandando nele, apodrecendo-o.

Ritmo morno, de andar na areia,
de água doente de alagados,
entorpecendo e então atando
o mais irrequieto adversário.


                Não há vitória, mas "não-perda" do jogo. Falta Romário. Mesmo quando joga mal, sua  presença ameaça o adversário. Não foi à Copa porque tem voz, é sujeito, não objeto. Todo sujeito é suspeito. Opina, critica. Brasileiro não pode, não está acostumado à fala, à liberdade, à democracia. Mas à submissão, ao mandonismo, ao autoritarismo. O "povo" quis Romário? Scolari não quis. O povo? Aqui? Democracia? O Brasil das Capitanias Hereditárias vive agora uma onda de denúncias contra os representantes do povo.

Em outro poema, diz Cabral no "TORCEDOR DO AMÉRICA F.C.":

O desábito de vencer
não cria o calo da vitória;
não dá à vitória o fio cego
nem lhe cansa as molas nervosas.
Guarda-a sem mofo: coisa fresca,
pele sensível, núbil, nova,
ácida à língua qual cajá,
salto do sol no Cais da Aurora.


                Cabral lembra os Ronaldos europeus:

A bola não é a inimiga
como o touro, numa corrida;
e embora seja um utensílio
caseiro e que se usa sem risco,
não é o utensílio impessoal,
sempre manso, de gesto usual:
é um utensílio semivivo,
de reações próprias como bicho,
e que, como bicho, é mister
(mais que bicho, como mulher)
usar com malícia e atenção
dando aos pés astúcias de mão.

        A bola, a vida, a alma. As eleições. Não inimiga, mas amante. A bola de futebol, malícia, manha, reações perigosas, não se usa sem risco. Como a nudez da mulher, ou do touro. Cabral, nordestino, machista. Jogador toureiro,  amansa a bola. Futebol machista. O time perdedor não corta o afiado. Não o Jogador, o Clube, o time, mas a bola. O orbe. O mundo. O calo da vitória. O calo do verbo calar. A bola algo que  rola,  rebola,  imprevista,  perigosa, nervosa, telegrama, aerograma, míssil, ogiva nuclear, torpedo:

Não é a bola alguma carta
que se levar de casa em casa:

é antes telegrama que vai
de onde o atiram ao onde cai.

Parado, o brasileiro a faz
ir onde há-de, sem leva e traz;

com aritméticas de circo
ele a faz ir onde é preciso;

em telegrama, que é sem tempo
ele a faz ir ao mais extremo.

Não corre: ele sabe que a bola,
telegrama, mais que corre voa.

               
É só reler: BRASIL 4 X ARGENTINA O (Guayaquil 1981)

Quebraram a chave da gaiola
e os quadros-negros da escola.

Rebentaram enfim as grades
que os prendiam todas as tardes.

Nos fugitivos, é a surpresa,
vendo que tomaram-se as rédeas

(dos técnicos mudos, mas surpresos,
brancos, no banco, com medo).

Estão presos os da outra gaiola,
que não souberam abrir a porta:

ou não o puderam, contra o jogo
dos que estavam de fora, soltos,

De certo também são capazes
de idênticas libertinagens

uma vez soltos, porém como
se liberar daquele tronco

em que os aprisionaram os táticos
argentinos, também gramáticos.

E enquanto os fugitivos seguem
com a soltura, a sem lei que os regem,

nos bancos é uma a indignação:
dos que vão vencendo e dos que não:

“Voltamos ao futebol de ontem?
Voltou a ser um jogo dos onze?

Voltou a ser jogar de pião?
Chegou até cá a subversão?

Como é possívela haver xadrez?
Sem gramática, bispos, reis?”

                Sem subversão. Culpa daqueles indiozinhos cambebas, que inventaram o futebol por volta de 1744.


Os Cambebas, entretanto, foram exterminados!

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

LAVRADORES BEM-AVENTURADOS!


LAVRADORES BEM-AVENTURADOS!



ROGEL SAMUEL




A famosa Elegia de Camões que começa com 'Poeta Simónides, falando' tem para nós especial importância pois é lá que se vê pela primeira vez a beleza digamos ecológica.

Qual beleza? A beleza desses versos: 

Oh, lavradores bem-aventurados! 
Se conhecessem seu contentamento, 
como vivem no campo sossegados! 

É um trecho da Elegia, um comentário. Depois 
de relatar as suas agonias e experiências más como marinheiro, como amante e soldado, o grande poeta suspira pelo bucólico paraíso do campo:

Oh, lavradores bem-aventurados! 
Se conhecessem seu contentamento, 
como vivem no campo sossegados! 

E começa o encantamento da terra: ' Dá-lhes a justa terra o mantimento ' - das águas: ' dá-lhes a fonte clara a água pura ' - das casas

se suas casas d'ouro não se esmaltam, 
esmalta-se-lhe o campo de mil flores, 
onde os cabritos seus, comendo, saltam. 

É tudo o que o poeta nunca teve: a paz do campo. 

Ali amostra o campo várias cores, 
vêm-se os ramos pender co fruto ameno, 

A mansidão de um lar, que parece nunca Camões teve:


Ditoso seja aquele que alcançou 
poder viver na doce companhia 
das mansas ovelhinhas que criou! 

O poeta chega a fazer a apologia da simplicidade:

Vive um com suas árvores contente, 
sem lhe quebrar o sono sossegado 
o cuidado do ouro reluzente. 

Camões sabe ser terno, e fazer no verso simples o imortal cantar de uma felicidade de calma, de paz: 

Ali amostra o campo várias cores, 
vêm-se os ramos pender co fruto ameno, 
ali se afina o canto dos pastores: 

O que é a sua meditação de um simples repousar, do ' descanso honesto '.

Enfim, por estas partes caminhou 
a sã justiça para o Céu sereno. 


Os lavradores ' Não vêm o mar irado, a noite escura, /
por ir buscar a pedra do Oriente; / não temem o furor da guerra dura.'



sexta-feira, 4 de agosto de 2017

FLORBELA ESPANCA

FLORBELA ESPANCA

ROGEL SAMUEL



Para Florbela Espanca a dor é, e estranhamente, um convento. No seu famoso soneto «A minha dor», escreveu ela: « A minha Dor é um convento»:

A minha Dor é um convento ideal 
Cheio de claustros, sombras, arcarias, 
Aonde a pedra em convulsões sombrias 
Tem linhas dum requinte escultural.
Os sinos têm dobres de agonias 
Ao gemer, comovidos, o seu mal... 
E todos têm sons de funeral 
Ao bater horas, no correr dos dias...
A minha Dor é um convento. Há lírios 
Dum roxo macerado de martírios, 
Tão belos como nunca os viu alguém!
Nesse triste convento aonde eu moro, 
Noites e dias rezo e grito e choro, 
E ninguém ouve... ninguém vê... ninguém...

Florbela era mulher bonita e uma extraordinária poetisa. A maior de seu tempo. Chamava-se Flor Bela de Alma da Conceição. Mas seu sucesso é posterior e recente. Otto Maria Carpeaux não a conhece, na sua gigantesca História da Literatura Ocidental. A arte de Florbela é antiquada, seu «Livro das Mágoas», publicado em 1919, livro não modernista numa época em que apareceu a Bauhaus, em Weimar, fundada por W. Gropius, em que aparece Miró, com seu «Nu com espelho». Ela continua cultuando o velho soneto à moda parnasiana. Hernâni Cidade referirá "a violenta contradição entre o conceito de poesia de duas épocas distantes ou próximas". Mas é, possivelmente, António Ferro que, em artigo do Diário de Noticias, logo em Janeiro de 1931, chama a atenção para a poesia de Florbela.

O primeiro verso canta:« A minha Dor é um convento ideal». Como interpretar esse verso, esse convento? Talvez pela solidão, abandono... mas isso é uma deformação do sentido ideal de convento. As freiras lá não estão senão porque comungam e comungam com Deus, com Cristo. Um convento doloroso é uma contradição de termos, idéia de que alguém lá tivesse sido colocado à força, algo como uma prisão solitária, vazia e sinistra. De forma que esse verso, « A minha Dor é um convento ideal» determina as significações do inteiro soneto. E mais: 

« Cheio de claustros, sombras, arcarias, 
Aonde a pedra em convulsões sombrias 
Tem linhas dum requinte escultural.»

- mantém um segredo, ou melhor, uma «bela» contradição, pois que, se ali há claustros, sombras, a pedra em convulsões sombrias, há também «requinte», ou seja, apuro, refinamento, elegância, esmero, elevação, perfeição, volutas simétricas, arcos belos de pedras convulsionadas, Florbela transpôs, contagiou o seu secreto claustro com toda a sua sensualidade feminina, com o seu erotismo amante, esses arcos nada místicos ou de um misticismo tântrico, amoroso, sexualizado, corporal, poderosamente inscrito nas paredes, reescrito nas curvas, nas ancas, nas pernas daquela construção ideal e reservada à sua agonia amorosa, onde « os sinos têm dobres de agonias Ao gemer, comovidos, o seu mal...», o seu pecado, o seu som de funeral. Há lírios, mas belos, há:

«Há lírios 
Dum roxo macerado de martírios, 
Tão belos como nunca os viu alguém!»

Florbela contradiz o seu misticismo feminino, a beleza mística, na solidão final de seus versos:

« Nesse triste convento aonde eu moro, 
Noites e dias rezo e grito e choro, 
E ninguém ouve... ninguém vê... ninguém...»

- onde se ouvem os sinos tocarem, nesses «em» que três vezes se repetem, em ninguém.

Filha ilegítima, nascida em 8 de dezembro de 1894, Florbela se mata em 1930. Chamava-se Flor Bela de Alma da Conceição. Não foi pobre, teve 3 maridos e 2 divórcios, algo incomum, na época. Estudou Direito, em Lisboa. Culta. Editou seus próprios livros: «Livro de mágoas» em 1919, e «Livro de Soror Saudade», em 23. Não era conservadora, como disse. Mas avançada para seu tempo. E feminista. Era. Matou-se. Sua morte ela o anunciou em carta. Não conheceu o seu grande sucesso posterior.

domingo, 30 de julho de 2017

WOODSTOK

WOODSTOK


Rogel Samuel


À noite, no meu quarto,  leio poema de James Hopkins. Ele é poeta premiado americano, autor do livro “ eight pale women”, ganhou o prêmio “ Word works”, da cidade de Washington, conferido por este organização literária. Hopkins é um rapaz jovem, bonito, com longos cabelos. Conheci-o em Walden, New York. Ele me pede que escreva sobre seu livro, que é muito bom. 
Naquele dia fui a Woodstook.
Estive lá recentemente duas vezes.
Na primeira vez chegamos ao anoitecer. Fomos diretos para o alto da montanha, onde nos esperava uma reunião. Quase não sentimos o lugar. Só sua atmosfera. Não da nostalgia, ou da memória do festival de música de 1969 – que não foi mesmo realizado lá – mas no ar havia algo daquele bom tempo dos hippies que fomos, dos cabelos compridos, das nossas sandálias, das nossas artes, das nossas almas puras.
Sim, porque éramos uma geração de jovens de almas puras, amávamos a música, as fotos, as histórias, a natureza. Não vivíamos, acampávamos neste mundo. Fomos ali, em Woodstock, para reencontrar-nos. Woodstock não era uma cidadezinha nas montanhas, mas um lugar no nosso coração. Vi, logo que cheguei, que não tínhamos ficado velhos, que ainda estávamos no jogo da vida, que ainda amávamos nossa jornada.
            Na segunda vez fui mais cedo, na hora do almoço, a Woodstook.
            Almoçamos em pequeno restaurante onde, à noite, havia música. Os dois garçons, jovens e andróginos, já eram de outra era. A cozinha excelente. Depois, com minhas duas amigas americanas, “fomos às compras”. Woodstok agora é um grande shopping. Particularmente, nada vi interessante. Mas gosto de shopping. O melhor foram as lojas de artigos orientais. Principalmente uma, chamada “Dharmaware”. Mas tudo muito caro, para nós, brasileiros. Entro num sebo. Nada vi, que me entusiasmasse. Um rapaz, na rua, tenta-me desesperadamente vender duas fitas cassetes usadas por dois dólares. Ele tem ansiedade nos olhos, tem pressa. Arrependo-me de não ter comprado, ainda que desconfie por que ou de que ele precisa, ou por isso mesmo.
            Num supermercado comprei uma caneta, que tenho usado até hoje. É um modelo antigo, de aço inoxidável. Gosto de canetas, já tive uma boa coleção. A maioria de pena. Mas hoje só consigo escrever no computador.
            Faz calor, em Woodstock. Sinto-me cansado, desanimado. Estou perdendo o interesse, o gosto pelas coisas. Woodstock sem o clima místico de paz, de amor dos anos sessenta. Estamos na era Bush. “Os nossos ídolos morreram de overdose”. Já não somos os mesmos.
            À noite, no meu quarto,  leio um poema de James Hopkins. O poema diz, mais ou menos assim, que traduzo: “ trate \ os fantasmas \ do quase-passado \ com um pouco mais de respeito  -- \ aquelas vaporosas  pistas que derivam dos parques \ aproveitam as ruas \ em segredo. \ o tremor \ apenas \ no vértice \ da escuridão \ quando o vermelho \  escorreu do céu. \ a sombra que pisca \ no canto de seu olho \ antes da noite \  engolir \ a lua”.

            Fecho o livro, a luz da cabeceira. Fecho os olhos. Adormeço. Rondam os fantasmas da noite.

LEIA "O AMANTE DAS AMAZONAS"


terça-feira, 25 de julho de 2017

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Atrás do obstáculo, encontra-se a liberdade: entrando pelo novo.



Atrás do obstáculo, encontra-se a liberdade: entrando pelo novo.

Rogel Samuel



O novo sempre é agradável de sentir, de viver, de estar. Não é constituído de palavras. É algo vivo, pulsa, tem energia. Viajamos no novo, entrando numa novidade. A nova ação produz as novas amizades, novas cores, flores.

Disse Dugpa Rinpoche: “Volte os olhos para a simplicidade natural do mundo”.

Dugpa Rinpochê é um escritor budista. Seus preceitos são simples, claros, curtos, poéticos. Ele os escrevia em pedacinhos de papel, meditava neles durante muito tempo, e depois os liberava, dava-os ao visitante. Acompanhou o Dalai Lama na fuga deste do Tibet, na época da invasão chinesa. Morou em Dharamsala, na Índia, e depois foi para Nagarkot, no Nepal, a três mil metros de altitude, perto daquelas montanhas, o Annapurna, o Melung Tse, o Everest.

 Não deve ter tido uma vida fácil. Deve ter perdido a família e pátria. Viu o sofrimento de milhares de tibetanos. Talvez sua família tenha sido morta ou torturada, como tantas outras, naquela terrível invasão. Mas não esqueceu a surpresa da novidade, a alegria, o amor. Não deixou de ver o mundo e a vida como uma coisa nova e bonita, com alegria, sem depressão. Faleceu em Dharamsala, em 1989. A vida não é fácil, nunca é fácil. Mas sempre é uma coisa nova. E é muito curta para que a possamos sofrer, para que a transformemos em tragédia. É fácil fazer da vida uma tragédia. Difícil é o contrário, fazer dela uma alegria nova.

Sei que estou fazendo pose, que estou fazendo frases, que estou tecendo frases de efeito, frases de estilo. Mas vou ou procuro entrar nesse novo dia com um espírito renovado, sem os aborrecimentos do passado.

Podemos entrar no novo por um novo caminho interior, bem diferente, sem os padecimentos do passado, deixando no velho o peso morto.

Dugpa Rinpochê, “Quem deseja a sorte alcança-a sempre. Não deprecie nunca os seus sonhos. Deve fazer um pacto com eles. Eles são a nascente e a força inesgotável que levarão à vitória. Atrás do obstáculo, encontra-se uma liberdade virginal, um horizonte mais vasto”.

Sei que estou lidando com frases. Mas, além das frases, que mais existe?

sexta-feira, 21 de julho de 2017

A PANTERA (3)

A PANTERA (3)


ROGEL SAMUEL


E assim Jara me impeliu como se quisesse algo, como se pressentisse não sei o que, e saímos dali pelo caminho alto e selvagem, naquela noite sem estrelas, naquele mundo sem nome, sem traço, na morte acreditando, que eu sentia, às margens de um igarapé que descia veloz, dirigindo, quando Jara me fez parar para então, baixando os olhos, fui vendo uma flecha especada, mas ela, serena e bela, um gesto me fazia, sem vozes, sem medo, o arco em punho:
- Por aqui, por aqui, - Jara dizia -, e enquanto assim dizia a terra estremeu num solavanco, que foi tão forte que do medo da terra lacrimosa rompeu um vento e um clarão avermelhado, como se de um som profundo, um gemido das profundezas, tirado por aquele hórrido estampido, estremecendo as árvores.
Mas Jara continuava calma e parando perscrutou por saber por onde se achava a passagem e o caminho e a tudo no lugar sinistro se mostrava atenta.
- Temos de partir, temos de partir, - me disse ela, na sua linguagem selvagem, na força daquele vale tenebroso:
- Sim – disse ela, nos afastemos da treva do mundo – ela me disse e enfiando-se por uma subida: “Eu subirei primeiro, tu segundo”.
Tornei-lhe, vendo a palidez sua pensei:- “Como hei-de ir, se é de espanto dominada, quando a segurança e conforto estou dela esperando”?

- “Vamos, - disse-me ela, sem se deter – essa jornada exige pressa, porque o abismo a estreitar-se já começa -  e escutei, vibrando no ar do espaço inteiro os murmúrios longínquos de bombas que estrugiam, e eu vi que no meio da selvagem terra nós fugíamos de uma guerra, sem parar, na selva penetrando e longe ainda divisando o hemisfério das trevas que alumiava, dali distante de onde nos achávamos, mas não tanto que não discerníssemos em parte uma luminosidade brilhando longínqua e o rumor que nos vinha, como que fugíssemos cercados por sombras inimigas e malévolas.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

A leoa no jardim

A leoa no jardim











A leoa no jardim


Rogel Samuel


Li que os Estados Unidos estão sendo invadidos por cobras. Grandes serpentes. Apareceram, assustaram. Vieram do nada, foram abandonadas e cresceram. Cinco metros. Amazônicas, sucuris.

Lembro-me de, há muitos anos, quando eu morava sem Santa Teresa. Minha casa ficava encostada à floresta, à Floresta da Tijuca, uma beleza. Hoje seria um perigo. Rua Falet, hoje favela.

Pois tinha fugido uma leoa, que um milionário criava.

Todos se assustaram. E diariamente eu abria com cuidado a porta da rua, com medo de que houvesse uma leoa no jardim (depois capturada). 

Declaração Universal dos Direitos Humanos




Declaração Universal dos Direitos Humanos

Preâmbulo
CONSIDERANDO que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da familia humana e seus direitos iguais e inalienáveis é o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo, CONSIDERANDO que o desprezo e o desrespeito pelos direitos do homem resultaram em atos bárbaros que ultrajaram a consciência da Humanidade, e que o advento de um mundo em que os homens gozem de liberdade de palavra, de crença e da liberdade de viverem a salvo do temor e da necessidade,
CONSIDERANDO ser essencial que os direitos do homem sejam protegidos pelo império da lei, para que o homem não seja compelido, como último recurso, à rebelião contra a tirania e a opressão, CONSIDERANDO ser essencial promover o desenvolvimento de relações amistosas entre as nações, CONSIDERANDO que os povos das Nações Unidas reafirmaram, na Carta, sua fé nos direitos do homem e da mulher, e que decidiram promover o progresso social e melhores condições de vida em uma liberdade mais ampla, CONSIDERANDO que os Estados Membros se comprometeram a promover, em cooperação com as Nações Unidas, o respeito universal aos direitos e liberdades fundamentais do homem e a observância desses direitos e liberdades, CONSIDERANDO que uma compreensão comum desses direitos e liberdades é da mais alta importância para o pleno cumprimento desse compromisso,

A Assembléia Geral das Nações Unidas proclama a presente "Declaração Universal dos Direitos do Homem" como o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações, com o objetivo de que cada indivíduo e cada órgão da sociedade, tendo sempre em mente esta Declaração, se esforce, através do ensino e da educação, por promover o respeito a esses direitos e liberdades, e, pela adoção de medidas progressivas de caráter nacional e internacional, por assegurar o seu reconhecimento e a sua observância universais e efetivos, tanto entre os povos dos próprios Estados Membros, quanto entre os povos dos territórios sob sua jurisdição.

Artigo 1
Todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade.

Artigo 2
I) Todo o homem tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.
II) Não será também feita nenhuma distinção fundada na condição política, jurídica ou internacional do país ou território a que pertença uma pessoa, quer se trate de um território independente, sob tutela, sem governo próprio, quer sujeito a qualquer outra limitação de soberania.

Artigo 3
Todo o homem tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.

Artigo 4
Ninguém será mantido em escravidão ou servidão; a escravidão e o tráfico de escravos estão proibidos em todas as suas formas.

Artigo 5
Ninguém será submetido a tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante.

Artigo 6
Todo homem tem o direito de ser, em todos os lugares, reconhecido como pessoa perante a lei.

Artigo 7
Todos são iguais perante a lei e tem direito, sem qualquer distinção, a igual proteção da lei. Todos tem direito a igual proteção contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação.

Artigo 8
Todo o homem tem direito a receber dos tribunais nacionais competentes remédio efetivo para os atos que violem os direitos fundamentais que lhe sejam reconhecidos pela constituição ou pela lei.

Artigo 9
Ninguém será arbitrariamente preso, detido ou exilado.

Artigo 10
Todo o homem tem direito, em plena igualdade, a uma justa e pública audiência por parte de um tribunal independente e imparcial, para decidir de seus direitos e deveres ou do fundamento de qualquer acusação criminal contra ele.

Artigo 11
I) Todo o homem acusado de um ato delituoso tem o direito de ser presumido inocente até que a sua culpabilidade tenha sido provada de acordo com a lei, em julgamento público no qual lhe tenham sido asseguradas todas as garantias necessárias a sua defesa.
II) Ninguém poderá ser culpado por qualquer ação ou omissão que, no momento, não constituiam delito perante o direito nacional ou internacional. Também não será imposta pena mais forte do que aquela que, no momento da prática, era aplicável ao ato delituoso.

Artigo 12
Ninguém será sujeito a interferências na sua vida privada, na sua família, no seu lar ou na sua correspondência, nem a ataques a sua honra e reputação. Todo o homem tem direito à proteção da lei contra tais interferências ou ataques.

Artigo 13
I) Todo homem tem direito à liberdade de locomoção e residência dentro das fronteiras de cada Estado.
II) Todo o homem tem o direito de deixar qualquer país, inclusive o próprio, e a este regressar.

Artigo 14
I) Todo o homem, vítima de perseguição, tem o direito de procurar e de gozar asilo em outros países.
II) Este direito não pode ser invocado em casos de perseguição legitimamente motivada por crimes de direito comum ou por atos contrários aos objetivos e princípios das Nações Unidas.

Artigo 15
I) Todo homem tem direito a uma nacionalidade.
II) Ninguém será arbitrariamente privado de sua nacionalidade, nem do direito de mudar de nacionalidade.

Artigo 16
I) Os homens e mulheres de maior idade, sem qualquer restrição de raça, nacionalidade ou religião, tem o direito de contrair matrimônio e fundar uma família. Gozam de iguais direitos em relação ao casamento, sua duração e sua dissolução.
II) O casamento não será válido senão com o livre e pleno consentimento dos nubentes.
III) A família é o núcleo natural e fundamental da sociedade e tem direito à proteção da sociedade e do Estado.

Artigo 17
I) Todo o homem tem direito à propriedade, só ou em sociedade com outros.
II) Ninguém será arbitrariamente privado de sua propriedade.

Artigo 18
Todo o homem tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observâcia, isolada ou coletivamente, em público ou em particular.

Artigo 19
Todo o homem tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferências, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios, independentemente de fronteiras.

Artigo 20
I) Todo o homem tem direito à liberdade de reunião e associação pacíficas.
II) Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação.

Artigo 21
I) Todo o homem tem o direito de tomar parte no governo de seu país diretamente ou por intermédio de representantes livremente escolhidos.
II) Todo o homem tem igual direito de acesso ao serviço público do seu país.
III) A vontade do povo será a base da autoridade do governo; esta vontade será expressa em eleições periódicas e legítimas, por sufrágio universal, por voto secreto ou processo equivalente que assegure a liberdade de voto.

Artigo 22
Todo o homem, como membro da sociedade, tem direito à segurança social e à realização, pelo esforço nacional, pela cooperação internacional e de acordo com a organização e recursos de cada Estado, dos direitos econômicos, sociais e culturais indipensáveis à sua dignidade e ao livre desenvolvimento de sua personalidade.

Artigo 23
I) Todo o homem tem direito ao trabalho, à livre escolha de emprego, a condições justas e favoráveis de trabalho e à proteção contra o desemprego.
II) Todo o homem, sem qualquer distinção, tem direito a igual remuneração por igual trabalho.
III) Todo o homem que trabalha tem direito a uma remuneração justa e satisfatória, que lhe assegure, assim como a sua família, uma existência compatível com a dignidade humana, e a que se acrescentarão, se necessário, outros meios de proteção social.
IV) Todo o homem tem direito a organizar sindicatos e a neles ingressar para proteção de seus interesses.

Artigo 24
Todo o homem tem direito a repouso e lazer, inclusive a limitação razoável das horas de trabalho e a férias remuneradas periódicas.

Artigo 25
I) Todo o homem tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e be
star, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à seguranca em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda de meios de subsistência em circunstâncias fora de seu controle.
II) A maternidade e a infância tem direito a cuidados e assistência especiais. Todas as crianças, nascidas dentro ou fora do matrimônio, gozarão da mesma proteção social.

Artigo 26
I) Todo o homem tem direito à instrução. A instrução será gratuita, pelo menos nos graus elementares e fundamentais. A instrução elementar será obrigatória. A instrução técnic
rofissional será acessível a todos, bem como a instrução superior, esta baseada no mérito.
II) A instrução será orientada no sentido do pleno desenvolvimento da personalidade humana e do fortalecimento do respeito pelos direitos do homem e pelas liberdades fundamentais. A instrução promoverá a compreensão, a tolerância e amizade entre todas as nações e grupos raciais ou religiosos, e coadjuvará as atividades das Nações Unidas em prol da manutenção da paz.
III) Os pais têm prioridade de direito na escolha do gênero de instrução que será ministrada a seus filhos.

Artigo 27
I) Todo o homem tem o direito de participar livremente da vida cultural da comunidade, de fruir as artes e de participar do progresso científico e de fruir de seus benefícios.
II) Todo o homem tem direito à proteção dos interesses morais e materiais decorrentes de qualquer produção científica, literária ou artística da qual seja autor.

Artigo 28
Todo o homem tem direito a uma ordem social e internacional em que os direitos e liberdades estabelecidos na presente Declaração possam ser plenamente realizados.

Artigo 29
I) Todo o homem tem deveres para com a comunidade, na qual o livre e pleno desenvolvimento de sua personalidade é possível.
II) No exercício de seus direitos e liberdades, todo o homem estará sujeito apenas às limitações determinadas pela lei, exclusivamente com o fim de assegurar o devido reconhecimento e respeito dos direitos e liberdades de outrem e de satisfazer as justas exigências da moral, da ordem pública e do bem-estar de uma sociedade democrática.
III) Esses direitos e liberdades não podem, em hipótese alguma, ser exercidos contrariamente aos objetivos e princípios das Nações Unidas.

Artigo 30
Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada como o reconhecimento a qualquer Estado, grupo ou pessoa, do direito de exercer qualquer atividade ou praticar qualquer ato destinado à destruição de quaisquer direitos e liberdades aqui estabelecidos.