segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

OSCAR

Dilma se diz vaidosa e confessa a Hebe ser distraída






DE SÃO PAULO

Hebe Camargo perguntou a Dilma Rousseff se a presidente é vaidosa, informa a coluna de Mônica Bergamo, publicada na edição desta segunda-feira da Folha (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL).

"Até que sou", disse Dilma. Mas um pouco distraída. Por exemplo, muitas vezes ela coloca o brinco numa orelha --e se esquece de colocar na outra. Hebe caiu na risada.

As duas conversaram também sobre a luta contra o câncer --ambas passaram por tratamento entre 2009 e 2010. Concordaram que, depois que ficaram carecas pela quimioterapia, o cabelo voltou a crescer bem mais forte.

Dilma gravou uma participação especial que deverá ir ao ar no programa de estreia de Hebe na Rede TV!, em 15 de março.

O encontro foi no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

EUA iniciam intervenção branca na Líbia




Não há mais dúvidas: com as medidas unilaterais adotadas, e para as quais preparavam terreno manipulando o noticiário da mídia internacional nos últimos dias, os EUA iniciaram, na prática, uma intervenção branca na Líbia. Agora, vão fazer de tudo para apressar a queda do ditador Muamar Khaddafi e comandar a transição com dois objetivos: controlar as reservas e a produção de petróleo e evitar um governo antiamericano ou pró-palestino ao fim da crise líbia. Evidentemente, que não se pode, também, desconhecer os graves problemas dos direitos humanos e da repressão desencadeada por Khadaffi.

Agora, Washington vai fazer de tudo para apressar a queda do ditador Muamar Khaddafi e comandar a transição. Como, aliás, conseguiu no Egito - só que aqui, agiu apenas no final, quando viu não ter mais o que fazer para sustentar o aliado Hosni Mubarak, ditador que sustentou no poder por 30 anos.

Como escrevi ontem, tudo - manipulação do noticiário e intervenção branca - é feito para atingir dois objetivos: controlar as reservas e a produção de petróleo e evitar um governo antiamericano ou pró-palestino ao fim da crise na Líbia que, tudo indica, já se transformou em guerra civil, como escrevemos ontem aqui no blog.

Esta é a questão central. Sem desconhecer, evidentemente, os graves problemas dos direitos humanos e da repressão desencadeada pela ditadura Khadaffi contra a população rebelada.



BLOG DO ZE DIRCEU

Coreia do Norte ameaça atacar Coreia do Sul e EUA


Dom, 27 Fev, 09h02



A Coreia do Norte ameaçou ontem ampliar seu arsenal nuclear e atacar a Coreia do Sul e os Estados Unidos, uma vez que os aliados se preparam para dar início a exercícios militares conjuntos que, segundo o Norte, são um ensaio para uma invasão. O alerta pode reacender as tensões na península coreana, que ganharam força no ano passado após dois incidentes.


A Coreia do Norte atirou contra uma ilha sul-coreana em novembro, matando quatro pessoas. O ataque ocorreu oito meses depois do afundamento de um navio de guerra sul-coreano, que matou 46 marinheiros. A Coreia do Norte negou ter atirado um torpedo contra o navio.


Desta vez, a Coreia do Norte classificou os exercícios conjuntos entre a Coreia do Sul e os EUA de "perigoso esquema militar." O Exército norte-coreano acusou os dois países de conspirar para derrubar o governo comunista do Norte e afirmou que, se provocada, a Coreia do Norte dará início uma guerra em "escala total", tomará "ações impiedosas" e transformará Seul em um "mar de chamas".




A Coreia do Norte alertou que vai tomar uma "ação de ataque a míssil" contra o que chamou de medidas pelos EUA e pela Coreia do Sul para eliminar os mísseis do Norte. O comunicado não forneceu mais detalhes. Uma autoridade do Ministério da Defesa da Coreia do Sul afirmou que o país está ciente dos alertas do Norte e observando de perto os movimentos militares. A autoridade falou sob a condição de anonimato, citando regras do ministério. As informações são da Associated Press.

Inocente é preso, acusado de estupro, violentado na cadeia e contrai Aids







Heberson Oliveira, 30, foi acusado de estupro, foi preso e depois inocentado, mas perdeu a vida. Hoje vagueia como uma sombra sem vida



'O vício é o que me mantém vivo’
Heberson tem consciência de que seu estilo de vida o está prejudicando. Tem perdido peso e volta e meia chega em casa tossindo forte

Manaus, 26 de Fevereiro de 2011

Leandro Prazeres
É fácil reprovar usuários de drogas e considerá-los fracos por se renderem ao vício. Mas no caso de Heberson, condená-lo por isso é difícil. Em meio ao abismo da depressão, a pasta-base de cocaína e a maconha foram as únicas formas que encontrou para se manter vivo.

- Se não fosse a droga eu já tinha colocado uma faca ou uma corda no meu pescoço. Preciso disso para me manter vivo. Assim, esqueço o que aconteceu comigo lá dentro - explica.




Doença

Heberson tem consciência de que seu estilo de vida o está prejudicando. Tem perdido peso e volta e meia chega em casa tossindo forte.

- Eu já falei para ele retomar o tratamento com o coquetel lá na Fundação de Medicina Tropical, mas ele não me ouve. Parece que desistiu de viver - diz Maria do Perpétuo Socorro.

A frieza com que Heberson fala de seu futuro assusta. O sonho de ser operário do distrito industrial, que ele nutria antes de ser preso, foi abandonado e não foi substituído por outro.

- Futuro? Não tenho futuro. Tiraram ele de mim quando eu fui preso. Um dia na cadeia é como se fosse uma vida inteira. Não tem jeito. Enquanto eu viver, isso não vai sair de dentro de mim - dispara secamente.



Manaus, 26 de Fevereiro de 2011

Leandro Prazeres

Vidas Roubadas. A história de Heberson de Oliveira, 30, preso inocentemente por estupro. (Márcio Silva)

No dia 18 de maio de 2006, ao sair de sua cela e cruzar os muros da Cadeia Pública Desembargador Raimundo Vidal Pessoa, Heberson Oliveira, 30, achou tudo estranho. O sol estava alto, mas não era o calor que lhe incomodava. Aquele era seu primeiro dia de liberdade após dois anos e sete meses na prisão. Nem ele acreditava mais que isso um dia pudesse acontecer.

- Eu já tinha perdido as esperanças de sair da cadeia vivo. A minha cela já estava virando a minha casa - conta Heberson, quase cinco anos depois, sentado na cama tubular cor de vinho de seu irmão mais novo. Heberson Oliveira é o rosto de um silencioso drama brasileiro: o das vidas roubadas pela lentidão da Justiça. Foi preso em novembro de 2003, suspeito de ter estuprado uma menina de nove anos de idade. Ele negou ter cometido o crime e disse que sequer estava em Manaus na época em que tudo ocorreu.

Mesmo sem nenhuma prova material ou testemunhal que o incriminasse, foi indiciado, denunciado e transferido para a Unidade Prisional do Puraquequara (UPP). Só dois anos e sete meses depois de ter sido preso é que Heberson foi julgado e, finalmente, considerado inocente.

Mas a sentença que o pôs em liberdade não foi suficiente para lhe fazer um homem completamente livre. Heberson foi estuprado pelos “xerifes” da cadeia e contraiu o vírus da AIDS.

- Eu fui violentado lá dentro. Na hora do desespero, não vi quantos eram. Só queria que aquele sofrimento acabasse. Agora, essa doença vai me acompanhar pelo resto da vida. Eu estou condenado à morte. A Justiça roubou minha vida - desabafa tentando disfarçar o constrangimento evidente no queixo tremido.




Paradeiro

Para encontrar Heberson é preciso paciência. Depois que saiu da cadeia, ele morou durante algum tempo na casa de sua mãe, mas depois de três crises de depressão, se entregou às drogas e saiu de casa.Tentou alguns empregos, mas não se firmou em nenhum lugar.

- É difícil alguém oferecer emprego para um ex-presidiário e um aidético. Algumas pessoas me ajudaram, mas aí vieram as depressões. Eu vivo cuspido pela sociedade - diz chorando.

Heberson, que tinha o corpo firme e o rosto limpo antes da prisão, agora parece uma sombra. Emagreceu pela doença e pelo vício. A barba cresce e o cabelo encaracolado escapa pelas laterais de um boné esfarrapado. Dorme sob marquises, em terrenos baldios ou construções abandonadas na periferia de Manaus.

Quase todos os dias, ele vai à casa de sua mãe, Maria do Perpétuo Socorro, 51, em uma rua estreita e esburacada do bairro Compensa II, na Zona Oeste de Manaus. Caminha lentamente pelas ladeiras do bairro e, aos poucos, a gritaria na mercearia ao lado da casa de sua mãe vira cochicho. Atento, ele percebe que os olhos se voltam em sua direção; abaixa a cabeça e continua a andar.

Ao fim da tarde, Heberson deixa a casa da mãe. Carrega um saco plástico com roupas sujas e objetos catados na rua. Maria, pela janela, olha o filho indo embora mais uma vez, sem muito o que fazer. E Heberson, sem paradeiro definido, desaparece na rua sem saber quando ou se vai voltar.

Rogel Samuel: Morre Moacyr Scliar










Rogel Samuel: Morre Moacyr Scliar


Morreu hoje, aos 73 anos, domingo, um dos maiores escritores do Brasil.

Moacyr Sclyar. “A morte ocorreu à 1h, no Hospital das Clínicas de Porto Alegre, onde ele estava internado, por falência múltipla dos órgãos. Ele sofreu um AVC isquêmico no dia 17 de janeiro, e já estava internado para a retirada de pólipos (tumores benignos) no intestino. Logo depois do AVC, o escritor foi submetido a uma cirurgia para extirpar o coágulo que se formou na cabeça. Depois da cirurgia, ele ficou inconsciente no centro de terapia intensiva”.
Ele era médico, publicou mais de 70 livros: romance, crônica, conto, literatura infantil e ensaio.

Para mim, seu melhor livro é O olho enigmático. Rio, Guanabara, 1986. Um livro de contos.

Quem quiser conhecer sua obra deve começar pelo conto O olho enigmático.

O personagem se apaixona por uma imagem. E a imagem o domina. É um quadro.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

A morte dos botos vermelhos em Tefé


A população de botos-vermelhos na região de Tefé, interior do Amazonas, caiu 10% na última década. A informação é de Nívia do Carmo, pesquisadora do Projeto Boto do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCT) e presidente da Associação Amigos do Peixe-Boi (Ampa).
A causa da diminuição pode ser a captura predatória de botos-vermelhos para serem usados como isca na pesca da piracatinga (espécie de peixe necrófago – que come carniça de animais mortos), de porte médio, podendo medir até 45 centímetros (cm). O peixe é muito abundante na região amazônica e consumido em larga escala pelos colombianos.

Os estudos são realizados, desde 1993, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá – distante de Manaus cerca de 700 quilômetros (km). Em outubro e novembro do ano passado, pesquisadores do Inpa percorreram as comunidades em torno de Tefé. Durante a excursão, eles constataram que a caça dos botos é constante e tratada de forma natural pelos moradores, embora tenham consciência de que a pesca ou caça de animais silvestres é crime ambiental.

A Colômbia é um grande apreciador de peixes Siluriformes (peixes lisos ou de couro) da Amazônia brasileira e a pesca da piracatinga se torna uma atividade lucrativa para os ribeirinhos que habitam essas localidades.

Da Agência Brasil

Avião da FAB cai em Porto Velho; piloto é resgatado



Um avião Super Tucano A-29, VER FOTO, da Força Aérea Brasileira (FAB), caiu em uma mata próxima ao Aeroporto Internacional de Porto Velho, por volta das 17h50 de hoje. Em nota, a FAB informou que o avião "apresentou problemas obrigando o piloto a usar o mecanismo de ejeção para abandonar o equipamento".


O 1º Tenente-Aviador Marcelino Aparecido Feitosa foi resgatado por um helicóptero H-60 (Black Hawk), da FAB, e encaminhado ao Hospital da Guarnição do Exército na capital de Rondônia. Ele permanece em observação. "No momento do resgate, o militar estava consciente", disse a FAB. A FAB irá investigar os possíveis fatores que contribuíram para o acidente.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Gaddafi ameaça liberar armas para povo e tribos da Líbia












TRÍPOLI (Reuters) - O líder líbio, Muammar Gaddafi, afirmou a seus aliados nesta sexta-feira na Praça Verde, em Trípoli, que vai liberar o arsenal do país "quando necessário" para armar o povo da Líbia contra o "inimigo".
"Nós podemos esmagar qualquer inimigo. Com a vontade do povo, nós podemos esmagar. Quando necessário, nós vamos abrir os arsenais para armar todo o povo líbio e todas as tribos líbias."

Gaddafi prometeu triunfar sobre seus inimigos e exortou os partidários reunidos na Praça Verde a proteger a Líbia e os interesses petrolíferos do país.

Falando a partidários a partir de uma fortificação da cidade velha acima da praça, Gaddafi, que estava de casaco e com um chapéu que cobria suas orelhas, disse: "Preparem-se para lutar pela Líbia, preparem-se para lutar pela dignidade, preparem-se para lutar pelo petróleo".

O líder líbio, que perdeu o controle de regiões do país para os rebeldes, afirmou ainda: "Nós podemos triunfar sobre os inimigos".

Mandando beijos para os aliados e com o punho erguido, Gaddafi acrescentou: "Esta nação, nós somos a nação da dignidade e da integridade. Esta nação triunfou sobre (a ex-colonizadora) Itália."

"Dancem, cantem e preparem-se... o espírito de vocês é mais forte do que qualquer tentativa dos estrangeiros e dos inimigos de nos destruir", disse Gaddafi, que está no poder há mais de quatro décadas.

Ficando cada vez mais entusiasmado, Gaddafi acrescentou: "Muammar Gaddafi está entre vocês. Eu fico junto com o povo e nós vamos lutar e vamos matá-los se eles quiserem".

(Por Redação do Cairo, com reportagem de Dina Zayed e Caroline Drees)

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

"O fim das mil e uma noites?"




Leia hoje em

http://www.blocosonline.com.br/home/index.php


"O fim das mil e uma noites?"

de Rogel Samuel

Sobre as Revoluções no Oriente Medio: "Estamos ainda longe de compreender o que se está passando no Oriente Médio. Nem se pode dizer que é a busca democrática, pois a democracia em muitos casos nunca foi experimentada lá"...

NOVOS TEXTOS EM

LIVROS ONLINE


Dilma define nesta semana reajuste do Bolsa Família



A presidente Dilma Rousseff anunciará na próxima terça-feira, em Irecê, no sertão baiano (478 quilômetros de Salvador), um reajuste no benefício do Bolsa Família, que paga em média R$ 94 para famílias de baixa renda. O porcentual de aumento será definido nesta semana por Dilma e pela ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello. O último reajuste do principal programa de transferência de renda do governo ocorreu em setembro de 2009.


Em Irecê, Dilma deverá visitar uma feira de produtos agrícolas realizada por beneficiados pelos programas sociais do governo. Com sete mil famílias beneficiadas pelo Bolsa Família, o município baiano faz parte da região do polígono das secas no Nordeste. O programa atende hoje um total de 12,9 milhões de famílias no País.


Na viagem à Bahia, Dilma terá também compromissos em Salvador, onde poderá se encontrar com o governador Jaques Wagner (PT) e participar de solenidade de investimentos da Petrobras na área de gás natural no Estado. Será a segunda visita oficial da presidente ao Nordeste, principal reduto eleitoral do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No início desta semana, Dilma participou, em Aracaju, de encontro dos governadores da região.


Em quase dois meses no poder, Dilma tem demonstrado a imagem de uma "gerente", que gosta de governar do gabinete do terceiro andar do Planalto, dizem auxiliares diretos. Ela, porém, tem conversado com o ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência, para incluir na agenda viagens pelo interior para se aproximar dos eleitores de baixa renda.


Aos poucos, a presidente quer também fazer viagens de vistorias a obras de infraestrutura do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Um dos locais que deverão ser visitados por Dilma é o canteiro da transposição do rio São Francisco, no semiárido nordestino. Ela também pretende acompanhar de perto conclusões de obras de hidrelétricas e melhoria de rodovias.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Senado aprova mínimo de R$ 545 e confirma vitória de Dilma







Qui, 24 Fev, 01h07



Por Maria Carolina Marcello e Jeferson Ribeiro


BRASÍLIA (Reuters) - O Senado aprovou por ampla maioria nesta quarta-feira, sem modificações, a política de reajuste para o salário mínimo até 2015 e o valor de 545 reais para este ano, num momento em que o governo realiza um esforço para controlar os gastos públicos o que inclui um corte no Orçamento de 2011.


A votação se seguiu à vitória folgada na Câmara dos Deputados na semana passada. A proposta agora segue para sanção da presidente Dilma Rousseff.


Os senadores governistas derrubaram três emendas propostas por PSDB e DEM, que pretendiam elevar o salário mínimo para 600 reais e 560 reais, respectivamente. Também foi rejeitada a proposta de retirada do artigo 3o do projeto, que prevê que anualmente o novo valor será definido por decreto presidencial até 2015, seguindo a fórmula aprovada nesta noite.


A oposição promete agora recorrer ao Supremo Tribunal Federal para tentar barrar o uso do decreto, mas apenas depois da sanção presidencial.


"Querem acabar com o debate político, transformar tudo em prerrogativa do Executivo. Se o Senado da República desmerecer seus poderes constitucionais nós vamos ao Supremo Tribunal Federal", prometeu o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP).


O líder do PT e do bloco aliado no Senado, senador Humberto Costa (PT-PE), comemorou a votação. "Foi fruto de um trabalho de convencimento importante que nós tivemos em relação a todos os senadores da base", afirmou ao final da sessão.


O senador Romero Jucá (PMDB-RR), que lidera o governo na Casa, disse que "esse é um início de trabalho auspicioso."


A oposição lamentou o resultado mas mostrou disposição para continuar a lutar. "Não há muito o que inovar. Temos que usar nossa motivação neste começo", disse o líder do PSDB, senador Álvaro Dias (PSDB-PR).


O presidente interino do PMDB, senador Valdir Raupp (PMDB-RO), rejeitou a possibilidade de punição aos peemedebistas que se abstiveram na votação ou votaram contra a proposta do governo. Jarbas Vasconcelos (PE) e Roberto Requião (PR) votaram a favor da emenda que propunha salário de 560 reais.


Na oposição, a senadora Kátia Abreu (DEM-TO), presidente da Confederação Nacional da Agricultura, se absteve na votação das emendas, uma delas do próprio partido, que elevavam o valor do mínimo.


Entre aliados, Ana Amélia Lemos (PP-RS) votou a favor das emendas que previam 600 e 560 reais e o senador Pedro Taques (PDT-MT) apoiou o valor de 560 reais.


Dilma deve sancionar a política de reajuste até o final deste mês e, com isso, o novo valor de 545 reais passa a valer já em 1o de março. Desde janeiro deste ano o valor em vigor é de 540 reais, sucedendo os 510 reais do ano passado.


Nas três votações que enfrentou no plenário, a base reuniu 54 votos em duas delas e 55 em outra, dos 77 senadores que votaram. O plenário ficou cheio desde as 16h e a maioria dos parlamentares subiu à tribuna para expor sua posição. A sessão terminou quase às 23h.


Nas galerias, representantes de algumas centrais sindicais assistiram a sessão apenas em parte. Nas primeiras manifestações, os seguranças do Senado tentaram arrancar cartazes dos sindicalistas que pediam voto contrário ao valor de 545 reais, mas em seguida foram orientados a suspender a punição.


O senador Itamar Franco (PPS-MG) foi destaque na sessão. O ex-presidente da República bateu boca com o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), sobre questões regimentais. Em seguida discutiu com Jucá sobre a capacidade de compra do salário mínimo e ainda cobrou de senadores a lembrança de que o Plano Real foi realizado em seu governo.


A vitória de Dilma, no primeiro teste no Congresso desde que assumiu, em janeiro, mostra que a presidente conseguiu unir a grande base aliada. A operação para aprovar o mínimo consumiu esforços dos ministros, do vice-presidente Michel Temer e da própria Dilma.


Nesta quarta-feira, a presidente se reuniu com o senador Paulo Paim (PT-RS), um de seus aliados históricos do Rio Grande do Sul, e se comprometeu a abrir as discussões em torno do fator previdenciário e de uma política de reajuste para os aposentados que recebem acima de um salário mínimo. Dessa forma, venceu mais uma resistência da base aliada no Congresso. Ela acompanhou os debates no Senado pela TV no Palácio da Alvorada.

O projeto do governo de valorização do mínimo considera a variação do PIB de dois anos antes e percentual da inflação dos últimos 12 meses, medido pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Uma das reclamações das centrais sindicais é que o reajuste do mínimo em 2011 não terá aumento real, porque a economia praticamente não cresceu em 2009, data para o cálculo. O governo diz que seguiu à risca o acordo e concedeu apenas a inflação de 6,47 por cento, mais arredondamento.

Assim como fez com os aliados na Câmara, o governo acompanhou de perto os movimentos dos senadores aliados e conversou com todos que ofereciam resistências.

AJUSTE

O forte empenho dos membros do governo para evitar um aumento superior aos 545 reais teve dois objetivos. Um foi dar uma vitória folgada a Dilma na sua primeira votação importante. O outro é de origem fiscal.

O governo já decidiu por um corte de 50 bilhões no Orçamento e não queria emitir ao mercado um sinal oposto, concedendo um reajuste superior. Durante as duas semanas que a matéria tramitou na Câmara e no Senado, a equipe econômica de Dilma se esforçou para convencer a base aliada do rigor que o governo terá sobre as contas públicas.

Nos cálculos do Executivo, a cada real a mais de aumento haveria um impacto de aproximadamente 300 milhões nos cofres da União, via Previdência Social, que paga o mínimo a 18,7 milhões de reais de aposentados e pensionistas. No total, 47 milhões de pessoas recebe o salário mínimo no país.

(Reportagem adicional de Leonardo Goy)

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Revolta árabe: o presidente líbio, rumo ao precipício?







Há alguns dias, enquanto o coronel Kadafi enfrentava a ira do seu povo, ele se reuniu com um velho conhecido árabe e passou 20 minutos de quatro horas perguntando-lhe se conhecia um bom cirurgião plástico para levantar as bochechas. É – tenho que dizê-lo tratando-se deste homem ? – uma história verdadeira. O ancião não tinha um bom aspecto, com o rosto inchado. Parecia a face de um louco, um ator de comédia que entrou na tragédia em seus últimos dias, desesperado pela última maquiagem, a chamada final para a porta do teatro. O artigo é de Robert Fisk.

Robert Fisk - Página/12


Então também o velho, paranoico e lunático zorro da Líbia – o pálido, infantil ditador nascido em Sirte, dono de sua própria guarda pretoriana feminina e autor do ridículo Livro Verde, que uma vez anunciou que chegaria com seu cavalo branco a uma cúpula dos não alinhados em Belgrado – vai cair por terra. Ou já caiu. Na noite de segunda, o homem que vi pela primeira vez há mais de três décadas, saudando com solenidade uma falange de homens rãs uniformizados de preto que marchavam derretendo as nadadeiras no pavimento ardente da praça Verde em uma noite tórrida de Trípoli, durante um desfile militar de sete horas, parecia estar a caminho do fim, perseguido – como os ditadores da Tunísia e do Egito – por seu próprio povo enfurecido.

As imagens no Youtube e no Facebook relatam a história com um realismo granulado e opaco, a fantasia trocada por incêndios e quartéis de polícia em chamas em Bengasi e Trípoli, por cadáveres e homens armados, por uma mulher que se inclina com a pistola na mão desde a porta de seu automóvel, por uma multidão de estudantes – seriam leitores da literatura do tirano? – fazendo em pedaços uma réplica de seu espantoso livro. Tiros, chamas e gritos pelo celular: o epitáfio de um regime o qual todos apoiamos de quando em quando.

E aqui, só para focar nossa mente no cérebro de um desejo excêntrico, vai uma história verdadeira. Há alguns dias, enquanto o coronel Kadafi enfrentava a ira do seu povo, ele se reuniu com um velho conhecido árabe e passou 20 minutos de quatro horas perguntando-lhe se conhecia um bom cirurgião plástico para levantar as bochechas. É – tenho que dizê-lo tratando-se deste homem ? – uma história verdadeira. O ancião tinha um mau aspecto, com o rosto inchado, simplesmente a face de um louco, um ator de comédia que entrou na tragédia em seus últimos dias, desesperado pela última maquiagem, a chamada final para a porta do teatro.

Nesta hora, Saif al-Islam Al-Kadafi, fiel recriador de seu pai, teve que entrar em cena enquanto Bengasi e Trípoli ardiam e ameaçar com caos e guerra civil se os líbios não voltassem para a casa. Esqueçam-se do petróleo, do gás, anunciou este bobalhão abastado. Haverá guerra civil. Acima da cabeça do amado filho na televisão estatal, um Mediterrâneo verde parecia emanar de seu cérebro. É um bom obituário, se pensamos bem, para quase 42 anos de governo de Kadafi.

Não é exatamente como o rei Lear, quando ameaçava fazer tais coisas - sejam quais forem, não sei -, e que serão o terror da terra, mas sim como outro ditador em um bunker diferente, convocando exércitos diferentes que o salvaram em sua capital e colocando a culpa de sua própria calamidade nos ombros de seu povo. Mas esqueçam-se de Hitler: Kadafi seguiu uma carreira solo: Mickey Mouse e profeta, Batman e Clark Gable, Anthony Quinn no papel de Omar Mukhtar, em “O Leão do Deserto”, Nero e Mussolini (versão 1920) e, ao fim, inevitavelmente, o maior ator de todos: Muammar Kadafi.

Escreveu um livro intitulado “Fuga do inferno e outros contos”, muito apropriado para as infelizes circunstâncias atuais, e exigiu uma solução de um só Estado para o conflito palestino-israelense, que seria chamado de Israeltina.

Pouco depois expulsou a metade dos palestinos residentes na Líbia e disse a eles para marchar na direção de sua terra perdida. Abandonou ruidosamente a Liga Árabe por considerá-la irrelevante – um breve momento de sensatez, é preciso admiti-lo – e chegou a uma cúpula no Cairo confundindo deliberadamente a porta de um banheiro com a do salão de conferências até que o califa Mubarak o conduziu com um sorriso que denunciava sofrimento.

Se o que testemunhamos é uma verdadeira revolução na Líbia, logo poderemos – se os empregados das embaixadas ocidentais não chegarem antes e cometerem um pouco de pilhagem séria e desesperada – procurar nos arquivos de Trípoli e ler a versão líbia sobre o atentado contra o vôo 722 da UTA, em Lockerbie, sobre as bombas na discoteca de Berlim, em razão dos quais muitos civis árabes e a própria filha adotiva de Kadafi morreram nos ataques vingativos dos Estados Unidos, em 1986; sobre o fornecimento de armas para o IRA e os assassinatos de opositores dentro e fora do país; sobre o assassinato de um policial britânico; sobre a invasão ao Chade e as negociações com magnatas petroleiros britânicos (recaia a desgraça sobre nós neste ponto); a verdade acerca da grotesca deportação de Al Megrahi, o suposto autor do atentado em Lockerbie, demasiado doente para morrer, que talvez pudesse hoje revelar alguns segredos que o zorro da Líbia – junto com Gordon Brown e o procurador geral da Escócia , porque todos são iguais no cenário mundial de Kadafi – prefeririam que não soubéssemos.

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Brasil quer levar a ONU sua experiência de combate à fome





José Graziano da Silva pode ser o próximo diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação. Na bagagem, experiência como ex-ministro de Segurança Alimentar e o combate à fome no Brasil. "O que aprendemos no governo Lula é que ninguém sai da miséria sozinho. É preciso um grande esforço de organização e de participação social. O Fome Zero não foi um programa de governo, mas de uma sociedade que tinha decidido acabar com a fome", diz Graziano em entrevista a Deutsche Welle.

Nádia Pontes - Deutsche Welle

Data: 22/02/2011
A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, lidera as ações internacionais voltadas à erradicação da fome. José Graziano pode ser o primeiro brasileiro a assumir a direção da entidade. Indicado ao posto pelo ex-presidente Lula, Graziano ajudou a implementar o programa Fome Zero, que levou ao Bolsa Família.

Desde 2006, o brasileiro ocupa o cargo de subdiretor-geral da FAO e representante regional para a América Latina e Caribe. Antes da escolha oficial, que acontecerá em junho, José Graziano conversou com a Deutsche Welle sobre suas propostas e vivências na missão de acabar com a fome.

Deutsche Welle: O Brasil se tornou, nos últimos anos, uma referência no combate à fome e o senhor, no governo Lula, fez parte dessa transformação. Como essa experiência pode ser aplicada à frente da FAO?

José Graziano da Silva: A primeira coisa que a gente precisa ter em mente é que a fome tem muitas caras e a gente precisa descobrir a cara da fome em cada país, ou em cada região dentro do mesmo país. No Brasil, por exemplo, encontramos gente passando fome na Amazônia, à beira de rio, porque não conseguia pescar, e no Nordeste encontramos gente passando fome porque não tinha acesso à água.

Não há uma fórmula única, ao contrário de alguns organismos internacionais que querem acabar com a fome com uma única receita. O que eu gostaria é que a FAO chegasse mais perto dos países, descentralizasse mais suas atividades e tivesse uma proximidade maior com o que os países já fazem.

O sucesso do Fome Zero se explica porque ele não reinventou a roda. Não estamos falando de uma coisa que exige muita tecnologia, mas de acabar com a fome. Isso as nossas mães e avós sabiam fazer, mas depois, com a urbanização acelerada, perdemos muito dessas noções.

Estou falando de aproveitar melhor os produtos disponíveis, de fazer hortas escolares, de cisternas de captação de água da chuva, de apoiar a agricultura familiar – que é a grande produtora de alimentos. A segurança alimentar se conquista no lugar onde as pessoas vivem e moram. E esses são os conceitos básicos do Fome Zero.

O que aprendemos no governo Lula é que ninguém sai da miséria sozinho. É preciso um grande esforço de organização e de participação social. O Fome Zero não foi um programa de governo, mas de uma sociedade que tinha decidido acabar com a fome: ele juntou a sociedade civil, as organizações sociais, as igrejas, os clubes de futebol e o setor privado, que é muito importante.

Aprendemos também que a coordenação governamental é muito importante em seus diversos níveis. Fazer essa articulação entre os diferentes níveis de governo é parte do segredo.

O senhor está à frente da FAO na América Latina desde 2006. As causas da fome na região são as mesmas em outros lugares do mundo?

Não. Nós, na América Latina, estamos próximos de gerar vida em laboratório e não conseguimos erradicar ainda aquele que foi o primeiro desafio da humanidade, que foi comer, garantir a alimentação todos os dias.

O que nós encontramos na América Latina há cinco anos foram três razões fundamentais que causam a fome. A primeira é a falta completa de institucionalidade para o tema da segurança alimentar. Os governos estavam preparados para muitas coisas, para atuar em situações de emergência, mas não para enfrentar esse tema.

Um exemplo: como ministro, certa vez precisei comprar água para uma tribo indígena que tinha tido o poço envenenado. Descobri então que, para comprar água potável, era preciso fazer uma licitação pública, publicar em três jornais de circulação nacional, esperar 30 dias e apurar o resultado.

Obviamente que, a essas alturas, a água não seria mais necessária porque as pessoas lá já teriam morrido. E isso mudou, os governos têm mais poder para combater esse problema. Já são dez países com leis implantadas e outros dez estão discutindo a questão nos parlamentos.

O segundo ponto que identificamos, e que na crise de 2008 levou a um grande retrocesso, foi a falta de recursos. Os países da região, principalmente os mais pobres, têm uma debilidade fiscal muito grande. Precisamos de mais recursos para os temas sociais. Está provado que o Estado preciso gastar. E gastar em educação é um investimento social, gastar em erradicar a fome é um investimento altamente lucrativo.

Terceiro, mas não menos importante, é que os países haviam abandonado a agricultura. Como muitos países do mundo, as nações mais pobres preferiram importar os alimentos numa época de preços baixos. Quando o disco virou, os países descobriram que aquele grande supermercado cheio de produtos não existia na verdade. Que os países mais poderosos retinham os produtos e evitavam exportar naquele momento de crise. O lado bom foi que as nações mais pobres começaram a valorizar seus produtos tradicionais. O Peru, por exemplo, que havia deixado de comer o tradicional pão de batata para comer pão de trigo, voltou às raízes.

Erradicar a fome é uma questão de dinheiro, de recursos?

O Brasil gasta hoje, com o Fome Zero, 0,4% do seu Produto Interno Bruto. E isso permitiu tirar mais de 30 milhões de pessoas da pobreza extrema e garantir três refeições por dia em seis anos, praticamente.

Esses números atestam que é muito barato. Alimentação é algo muito barato se for comprada localmente. O que encarece muito os alimentos é o custo com o transporte e com o processamento agroindustrial, para manter a preservação do alimento por longos períodos.

E a alimentação adequada reduz muito o gasto com saúde e com educação porque as crianças têm um aprendizado melhor. Eu diria que o principal num programa de combate à fome é a decisão da sociedade, é o respaldo político.

E também é preciso manter a continuidade dos programas, que são de médio e longo prazo. Não podemos tratar a fome como algo emergencial, ela precisa de estrutura, é algo permanente, assim como a pobreza extrema.

E como fica a ação da FAO nesse panorama atual de alta do preço dos alimentos, das commodities. Fica ainda mais difícil combater a fome?

A FAO não é uma instituição financeira, não é um espaço de negociação. Nós somos uma instituição de conhecimento, fazemos estudos, recomendações de política, damos assistência técnica a países que demandam apoio na área de agricultura e alimentação.

Somos um clube de países, o maior das Nações Unidas, com 191 membros. Só dois países do mundo não participam da FAO: Brunei e Cingapura. Nós provemos informações, juntamos estatísticas de todos os países, comparamos e publicamos para ajudar a dar transparência ao mercado. Todo mundo sabe quais são os estoques, onde eles estão, quanto e onde os preços subiram.

Também fazemos estudos das tendências desses preços, e das razões. Nossas projeções mostram que até 2020 teremos preços altos e voláteis. Por três razões básicas: temos uma demanda crescente dos países em desenvolvimento, os pobres estão comendo mais.

Segunda razão: os estoques estão baixos. Costumávamos operar com estoque de 20% a 25%, nível considerado confortável. Hoje temos produtos muito importantes, como o milho, com estoques abaixo de 20%. E, toda vez que o estoque baixa, facilita a especulação. Os americanos estão reduzindo seus estoques em função da produção do etanol com milho, o que facilita a especulação e a alta do preço. O milho é como petróleo, entra em quase todo produto agrícola.

Temos uma terceira atividade que é muito importante nesse momento: a FAO dá assistência. Se um país quer saber o que tem que fazer para enfrentar a volatilidade dos preços, nós vamos lá e vemos o que tem que ser feito.

O que está muito claro para todo o mundo é que a alta dos preços não é um problema de um país, mas um problema global. Vai do Haiti ao Egito. Vimos o que aconteceu: por trás dessas revoltas está um descontentamento com a carestia, sabemos que esse é um fator importante para as explosões sociais. Não é só a falta de democracia, mas a falta de comida, falta de acesso aos alimentos.

A segurança alimentar virou um tema tão importante quanto o combate ao terrorismo, a segurança da soberania nacional, parte das preocupações centrais dos governos.

2015 já está aí e a erradicação da fome é uma questão principal dentro das Metas do Milênio das Nações Unidas. O quão próximos, ou distantes, estamos dessa meta?

Muito próximos no tempo e muito distantes nos objetivos. E o meu mandato, se for eleito, vai terminar justamente em 2015. Já sabemos que muitos países, principalmente os mais pobres, não conseguirão cumprir a meta. O primeiro ponto da minha plataforma é que a FAO se envolva com esses países que estão atrasados no cronograma para ajudá-los a montar um plano não apenas para reduzir a fome pela metade.

Estamos perfeitamente conscientes de que essa proposta de erradicar a fome também é uma questão política. Acabar com a fome não é questão técnica, mas de participação. Tem que envolver quem sabe onde estão os pobres. É muito difícil achar os pobres, eles às vezes são invisíveis, não têm documentos.

A maioria dos países acha que combater a fome é uma coisa intuitiva, de distribuir dinheiro e alimentos. Mas não é.

Pronunciamento de Gaddafi é "assustador", diz Angela Merkel








Angela Merkel, descreveu como muito assustador o discurso desta terça-feira do líder líbio Muammar Gaddafi, que reafirmou sua determinação de permanecer no poder apesar da revolta popular contra seu governo.
Merkel afirmou em entrevista coletiva que se o líder líbio não frear os atos de violência, ela irá apoiar sanções contra a Líbia, onde centenas de pessoas estão sendo reprimidas durante os protestos contra os 41 anos de governo de Gaddafi.

"As notícias que tivemos da Líbia ontem e hoje são preocupantes e o discurso do coronel Gaddafi nesta tarde foi muito, muito assustador, especialmente porque ele virtualmente declarou guerra contra seu próprio povo", disse Merkel.

Gaddafi prometeu ficar no poder e "morrer aqui como um mártir", apesar dos apelos de alguns diplomatas líbios, soldados e manifestantes para acabar com suas quatro décadas no poder.

"Instamos o governo líbio para que suspenda imediatamente o uso da violência contra seu próprio povo, e se o uso da violência não cessar, a Alemanha então vai esgotar todas as possibilidades de exercer pressão e influência sobre a Líbia", disse ela.

Se o governo líbio não desistir, declarou ela, "falaremos então em favor de sanções contra a Líbia."

(Reportagem de Stephen Brown e Andreas Rinke)

© Thomson Reuters 2011 All rights reserved.

Falalece Leodegário A. de Azevedo Filho




EVANILDO BECHARA COM LEOEGARIO (DE BRANCO)


Professor universitário e investigador brasileiro, Leodegário Amarante de Azevedo Filho, doutor em Letras pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, nascido em 1927, é membro da Academia Brasileira de Filologia, do Círculo Linguístico do Rio de Janeiro e da Academia Brasileira de Literatura. Os seus trabalhos de investigação tratam assuntos de literatura portuguesa, nomeadamente a lírica, quer medieval, quer camoniana. As suas obras principais são A Poética de Anchieta (1963), Poesia e Estilo de Cecília Meireles (1973), O Cânone Lírico de Camões (1976) e As Cantigas de Pedro Meogo (1982).

NAVIOS DE GUERRA NO CANAL DE SUEZ




Dois navios de guerra iranianos passaram pelo canal de Suez e entraram em águas do Mediterrâneo nesta terça-feira, o que não acontecia desde 1979 e foi chamado de 'provocação' por Israel. Foto:-/AFP

CAIRO (AFP) - Dois navios de guerra iranianos passaram pelo canal de Suez e entraram em águas do Mediterrâneo nesta terça-feira, o que não acontecia desde 1979 e foi chamado de "provocação" por Israel.

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Em reação a chegada dos navios ao Canal de Suez, o ministério das Relações Exteriores de Israel pediu nesta terça-feira firmeza à comunidade internacional ante a entrada no Mediterrâneo dos dois navios iranianos.


"Trata-se de uma presença militar iraniana sem precedentes no Mediterrâneo, e isso constitui uma provocação à qual a comunidade internacional deve reagir com firmeza", declarou à AFP o porta-voz do ministério, Ygal Palmor.


Uma fonte do Conselho Supremo do Exército egípcio declarou na noite de segunda-feira ao canal privado Dream que a autorização foi concedida em acordo com a Convenção de Constantinopla de 1888, que autoriza a passagem de navios militares pelo canal de Suez.


Israel, que considera o Irã uma ameaça para sua segurança, classificou de provocação a passagem dos navios, segundo afirmou na semana passada o ministro das Relações Exteriores de Israel, Avigdor Lieberman.


No domingo, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu denunciou a chegada dos navios como uma manobra do Irã para aproveitar a instabilidade vivida pela região com os movimentos de protesto contra os regime da Líbia, Bahrein e Iêmen.


O Egito autorizou a passagem dos navios pelo canal de Suez depois de enviar sinais contraditórios. Primeiro afirmou que não havia recebido nenhuma solicitação e depois deu a entender que os dois navios estavam bloqueados.


Segundo a agência oficial iraniana Fars, os dois navios são o "Kharg", barco de reabastecimento e apoio de 33.000 toneladas, e a fragata de patrulha "Alvand", ambos de fabricação britânica.


O "Kharg", com 250 tripulantes, pode transportar até três helicópteros. O "Alvand" está equipado com torpedos e mísseis.


Israel, que considera o Irã um grave perigo para sua segurança, denunciou uma "provocação" por meio do ministro das Relações Exteriores, o falcão da direita nacionalista Avigdor Lieberman.


Segundo uma fonte diplomática iraniana, os dois navios devem fazer uma visita de "rotina" nos próximo dias à Síria.


No último dia 15, o porta-aviões americano Entrerprise, com potência nuclear, transitou pelo Canal de Suez acompanhado do navio de guerra Leyte Gulf e o barco de apoio em combate Arctic, e chegou ao Golfo de Aden três dias mais tarde.

MORREREI COMO UM MARTIR, DIZ KADAFI


Kadafi nega renúncia e diz que morrerá na Líbia
Ter, 22 Fev, 01h36



Por Redação Yahoo! Brasil com Agência O Globo

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O ditador líbio, Muammar Kadafi, afirmou nesta terça-feira (22), em discurso transmitido pela TV estatal, negou que irá renunciar ao poder. Uma semana após uma série de protestos contra o governo, violentamente reprimidos por Kadafi, ele disse que morrerá no país "como um mártir".


O ditador disse que a "a Líbia não quer a revolução e o colonialismo". Gritando e gesticulando muito, Kadafi se dirigiu pela segunda-vez ao povo líbio desde o início do levante contra o seu regime no país do norte da África. O líder líbio disse que vai resistir e não vai se render aos manifestantes da oposição.


"Este é o meu país, e o dos meus irmãos. Nós o irrigamos com o nosso sangue(...) Vou morrer aqui como um mártir", esbravejou, pregando a unidade do país. "Muamar Kadafi não é o presidente, ele é o líder da revolução. Ele não tem nada a perder. Revolução significa sacrifício."


Desafiador, ele culpou os jovens pela "agitação" dos últimos dias e classificou os manifestantes de "ratos mercenários" que querem transformar a Líbia em um estado islâmico. "Eles estão apenas imitando o Egito e a Tunísia", disse.


Kadafi conclamou o povo a sair às ruas na quarta-feira, numa demonstração de apoio a ele. "Muamar Kadafi não é uma pessoa normal que você pode envenenar... Vou lutar até a última gota de sangue, com o povo ao meu lado" disse energicamente. "Se você ama Muamar Kadafi você vai sair às ruas para defender a Líbia."


Apesar da violência dos confrontos dos últimos dias entre manifestantes e forças policiais e de segurança líbias, que já teria deixado mais de 200 mortos, Kadafi disse que "ainda nem tinha começado a dar as ordens para que se usasse fogo" contra os manifestantes. E fez uma ameaça: "o uso da força contra a autoridade do Estado será punido com a morte."


Na noite de segunda-feira, Kadafi fez um breve discurso afirmando que continuava em Trípoli.


Aeroporto de Benghazi fica destruído
Enquanto o ditador pede unidade, informações dão conta de que o governo não controla mais o leste do país. Homens armados contrários ao ditador tomaram nesta terça-feira o controle do lado líbio da fronteira com o Egito. Segundo as Forças Armadas do Egito, os guardas da fronteira se retiraram do local, que passou a ser controlado por "comitês do povo".


Os soldados líbios na cidade de Tobruk disseram que eles não apoiam mais Kadafi. Segundo relato de um correspondente da Reuters que atravessou a fronteira, os rebeldes estavam armados com cassetetes e fuzis Kalashnikov.


Moradores da capital líbia denunciaram nesta terça-feira novas ações violentas do governo para reprimir possíveis protestos. De Dubai, o ativista Mohammed Ali, da Frente da Salvação da Líbia, disse ter recebido relatos de que os habitantes de Trípoli estão se escondendo em casa e há dezenas de corpos nas ruas. Aviões voltaram a ser usados, assim como tanques, helicópteros e mercenários, disseram testemunhas. De acordo com a Human Rights Watch, entidade de defesa dos direitos humanos, pelo menos 62 pessoas morreram em dois dias de confrontos em Trípoli.


Em Benghazi, as pistas do aeroporto ficaram destruídas após os enfrentamentos entre manifestantes e forças de segurança, informou o ministro de Relações Exteriores egípcio, Ahmed Aboul Gheit. Na cidade, a segunda maior da Líbia, estão 130 funcionários brasileiros da empresa Queiroz Galvão. Eles aguardavam autorização para o envio de um avião para resgatá-los.

Qualquer semelhança com a Inquisição está correta







Em 2005, a Câmara dos Deputados me cassou, sem provas, num fato inédito na história do país.




Imprensa quer pena de banimento eterno



Qualquer semelhança com a Inquisição está correta...
Na campanha que a imprensa intensifica contra os arrolados na Ação Penal 470 (AP-470) em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF) - leiam o Destaque no alto e o post De novo a história de uma briga com Palocci - a VEJA desta semana chega a colocar em minha boca uma frase que evidentemente eu não disse: a de que o recém-nomeado ministro do STF, Luis Fux, estaria “alinhado com minha posição.”

Não disse esta frase, nunca diria nem nada parecido e, inclusive, enviarei uma carta-desmentido para a revista. No recrudescimento desta campanha midiática, até mesmo a posição e luta do PT pela reforma política, voto em lista, fidelidade partidária e financiamento público de campanhas eleitorais é apresentada por O Globo do domingo (ontem) como uma espécie de reforço a nossa defesa no Supremo. Pode?

Também, tanto o convite ao ex-deputado José Genoino (PT-SP), feito pelo ministro Nelson Jobim para assessorá-lo no Ministério da Defesa, quanto a eleição do deputado João Paulo Cunha (PT-SP) como presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara (CCJ) são apresentados como pressão ou uma forma de legitimação que atenuaria a situação deles no Supremo.

Imprensa quer nos impor pena de banimento eterno

Mas, como, se eles estão em pleno gozo de seus direitos políticos e nada os impede de exercer esses cargos? Mas, mesmo aí a mídia encontra uma justificativa para sua posição: eles estão condenados, pelos menos moral e eticamente. Logo, para ela, a pena tem que ser o banimento da vida política e social do país.

Imprensa e mídia, em geral, agem e cobram como se fosse uma pena eterna e bastasse o julgamento moral feito por elas. São verdadeiros tribunais de exceção para condenar qualquer cidadão. Qualquer semelhança com a Inquisição está correta.

Nossos direitos de defesa e de presunção da inocência são sagrados. O ônus da prova cabe à acusação e quem decide é a Justiça. É só isso que quero, nada mais. Deixem a Justiça decidir. Não aceito e não aceitei nesses longos seis anos nenhum banimento como tenta impor a mídia.

Qualquer semelhança com a Inquisição está correta

Já fui banido pela ditadura militar quando perdi minha nacionalidade, fui cassado e tive os meus direitos políticos suspensos por 10 anos.


Em 2005, a Câmara dos Deputados me cassou de novo, sem provas, num fato inédito na história do país.

Agora, só me resta o STF em quem confio e que julgará, tenho certeza, com base nos autos e nas provas, na Constituição e na lei. Não será a mídia. Só espero da Justiça e de meu país - ao qual dediquei minha vida - isto: o tratamento de acordo com os princípios do direito universal, das nossas leis e Constituição, segundo os quais todos são iguais perante a lei.

Dilma diz que governo deve conviver com críticas da imprensa







DE SÃO PAULO

Durante a cerimônia de comemoração dos 90 anos da Folha de S.Paulo, a presidente da República, Dilma Rousseff, declarou que o governo "deve saber conviver com as críticas dos jornais para ter um compromisso real com a democracia" e que deve haver um convívio "civilizado com a multiplicidade de opiniões, crenças e propostas."


A presidente celebrou a existência de liberdade de imprensa no Brasil e afirmou que ser jornalista no Brasil tem sido um ato de coragem.


"A censura obrigou o primeiro jornal brasileiro a ser impresso em Londres em 1808. De Líbero Badaró a Vladimir Herzog, ser jornalista no Brasil tem sido um ato de coragem."

"Livre, plural e investigativa, a imprensa é imprescindível para a democracia num país como o nosso, que, além de continental, agrega diferenças culturais."

A presidente disse ainda que no Brasil, "com uma democracia tão nova", "devemos preferir o som das vozes criticas da imprensa livre ao silêncio das ditaduras".

NOVOS TEMPOS

Dilma declarou que a imprensa escrita atravessa um momento histórico devido aos avanços tecnológicos. "A internet modificou para sempre a relação dos leitores com os jornais."

O grande desafio, disse ela, é "oferecer um produto que não perca profundidade e como tornar as críticas dos leitores um ativo dos jornais".

A petista disse ainda acreditar que, "com a mesma dedicação que enfrentaram censura, [os jornais] vão enfrentar as respostas para esse novo desafio".

HOMENAGEM

A presidente afirmou que Octavio Frias de Oliveira (1912-2007), publisher da Folha, é referência para toda a imprensa nacional.

"Ele foi um exemplo de jornalismo dinâmico e inovador. Trabalhador desde os 14 anos de idade, ele transformou a Folha de S.Paulo em um dos jornais mais importantes do país e foi responsável por revolucionar a forma de fazer jornalismo no nosso Brasil."

Ela lembrou que o jornal ocupou um papel "decisivo em momentos marcantes da nossa história, como foi o caso das Diretas Já".

Jorge Araújo/Folhapress


VEJA A ÍNTEGRA DO DISCURSO DE DILMA ROUSSEFF

Eu queria desejar boa noite a todos os presentes.

Cumprimentar o sr. Michel Temer, vice-presidente da República, o nosso governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, e a senhora Lu Alckmin. Queria cumprimentar o senador José Sarney, presidente do Senado. Queria cumprimentar também o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Cumprimentar o presidente da Câmara dos Deputados, deputado Marco Maia. O ministro Cezar Peluso, presidente do Supremo Tribunal Federal, por meio de quem cumprimento os demais ministros do Supremo presentes a esta cerimônia.

Queria cumprimentar a família Frias, o Luiz, o Otavio, a Maria Cristina, e queria cumprimentar também o senhor José Serra, ex-governador do Estado.

Dirijo um cumprimento especial também aos governadores aqui presentes e também aos ministros de Estado que me acompanham nesta cerimônia. Cumprimento o senhor Barros Munhoz, presidente da Assembleia Legislativa do Estado.

Queria cumprimentar também todos os senadores, deputados e senadoras, deputados e deputadas federais, deputados e deputadas estaduais. Queria cumprimentar o senhor Paulo Skaf, presidente da Fiesp. Dirigir um cumprimento especial aos representantes das diferentes religiões que estiveram neste palco.

Dirigir também um cumprimento a todos os funcionários do Grupo Folha. Queria cumprimentar os senhores e as senhoras jornalistas. E a todos aqueles que contribuem para que a Folha seja diariamente levada até nós.

Eu estou aqui representando a Presidência da República, estou aqui como presidente da República. E tenho certeza que cada um de nós percebe, hoje, que o Brasil é um país em desenvolvimento econômico acelerado. Que aspira ser, ao mesmo tempo, um país justo, uma nação justa, sem pobreza, e com cada vez menos desigualdade. Para todos nós isso não é concebível sem democracia. Uma democracia viva, construída com esforço de cada um de nós, e construída ao longo destes anos por todos aqui presentes. Que cresce e se consolida a cada dia. É uma democracia ainda jovem, mas nem por isso mais valorosa e valiosa.

A nossa democracia se fortalece por meio de práticas diárias, como os diferentes processos eleitorais. As discussões que a sociedade trava e que leva até as suas representações políticas. E, sobretudo, pela atividade da liberdade de opinião e de expressão. E, obviamente, uma liberdade que se alicerça, também, na liberdade de crítica, no direito de se expressar e se manifestar de acordo com suas convicções.

Nós, quando saímos da ditadura em 1988, consagramos a liberdade de imprensa e rompemos com aquele passado que vedava manifestações e que tornou a censura o pilar de uma atividade que afetou profundamente a imprensa brasileira.

A multiplicidade de pontos de vista, a abordagem investigativa e sem preconceitos dos grandes temas de interesse nacional constituem requisitos indispensáveis para o pleno usufruto da democracia, mesmo quando são irritantes, mesmo quando nos afetam, mesmo quando nos atingem.

E o amadurecimento da consciência cívica da nossa sociedade faz com que nós tenhamos a obrigação de conviver de forma civilizada com as diferenças de opinião, de crença e de propostas.

Ao comemorar o aniversário de 90 anos da Folha de S.Paulo, este grande jornal brasileiro, o que estamos celebrando também é a existência da liberdade de imprensa no Brasil.

Sabemos que nem sempre foi assim. A censura obrigou o primeiro jornal brasileiro a ser impresso em Londres, a partir de 1808. Nesses 188 anos de independência, é necessário reconhecer que na maior parte do tempo a imprensa brasileira viveu sob algum tipo de censura. De Líbero Badaró a Vladimir Herzog, ser um jornalista no Brasil tem sido um ato de coragem. É esta coragem que aplaudo hoje no aniversário da Folha.

Uma imprensa livre, plural e investigativa, ela é imprescindível para a democracia num país como o nosso, que além de ser um país continental, é um país que congrega diferenças culturais apesar da nossa unidade. Um governo deve saber conviver com as críticas dos jornais para ter um compromisso real com a democracia. Porque a democracia exige sobretudo este contraditório, e repito mais uma vez: o convívio civilizado, com a multiplicidade de opiniões, crenças, aspirações.

Este evento é também uma homenagem à obra e ao legado de um grande empresário. Um homem que é referência para toda a imprensa brasileira. Octavio Frias de Oliveira foi um exemplo de jornalismo dinâmico e inovador. Trabalhador desde os 14 anos de idade, Octavio Frias transformou a Folha de S.Paulo em um dos jornais mais importantes do nosso país. E foi responsável por revolucionar a forma de se fazer jornalismo no nosso Brasil.

Soube, por exemplo, levar o seu jornal a ocupar espaços decisivos em momentos marcantes da nossa história, como foi o caso da campanha das Diretas-Já. Soube também promover uma série de inovações tecnológicas, tanto nas versões impressas dos seus jornais, como nas novas fronteiras digitais da internet.

Reafirmo nessa homenagem aos 90 anos da Folha de S.Paulo meu compromisso inabalável com a garantia plena das liberdades democráticas, entre elas a liberdade de imprensa e de opinião.

Sei que o jornalismo impresso atravessa um momento especial na sua história. A revolução tecnológica proporcionada pela internet modificou para sempre os hábitos dos leitores e, principalmente, a relação desses leitores com seus jornais. Como oferecer um produto que acompanhe a velocidade tecnológica e não perca a sua profundidade? Como aceitar as críticas dos leitores e torná-las um ativo do jornal?

Sei que as senhoras e os senhores conhecem a dimensão do desafio que enfrentam, e que, com a mesma dedicação com que enfrentaram a censura, irão encontrar a resposta para esse novo desafio. E desejo a vocês o que nesse caminho sintetiza melhor o sucesso: que dentro de 90 anos a Folha continue sendo tão importante como agora para se entender o Brasil.

É nesse espírito que parabenizo a Folha pelos seus 90 anos. Parabenizo cada um daqueles que contribuem, e daquelas que contribuem, para que ela chegue à luz. A todos esses profissionais que lhe dedicam diariamente o melhor do seu talento e do seu trabalho.

Por fim, reitero sempre, que no Brasil de hoje, nesse Brasil com uma democracia tão nova, todos nós devemos preferir um milhão de vezes os sons das vozes críticas de uma imprensa livre ao silêncio das ditaduras.

Muito obrigada.

Poeta Libio Khaled Mattawa






HISTORY OF MY FACE



My lips came with a caravan of slaves
That belonged to the Grand Sanussi.
In Al-Jaghbub he freed them.
They still live in the poor section of Benghazi
Near the hospital where I was born.

They never meant to settle
In Tokara those Greeks
Whose eyebrows I wear
--then they smelled the wild sage
And declared my country their birthplace.

The Knights of St. John invaded Tripoli.
The residents of the city
Sought help from Istanbul. In 1531
The Turks brought along my nose.

My hair stretches back
To a concubine of Septimus Severus.
She made his breakfast,
Bore four of his sons.

Uqba took my city
In the name of God.
We sit by his grave
And I sing to you:
Sweet lashes, arrow-sharp,
Is that my face I see
Reflected in your eyes?



Khaled Mattawa

ENVIADO POR AMELIA PAIS


Ver http://www.webdelsol.com/mattawa/km-part1.htm

Milhares de marroquinos exigem reforma constitucional





No Marrocos, milhares de manifestantes exigem que o rei renuncie a parte dos seus poderes e que demita o governo e dissolva o parlamento. Em Rabat, os manifestantes agitavam bandeiras da Tunísia e do Egito e gritavam: "Abaixo a autocracia!". Além da reforma constitucional, os protestos pedem um sistema judicial mais independente, capaz de acabar com a corrupção no país.

Esquerda.Net


Publicado originalmente no Esquerda.Net

Em Marrocos, milhares de manifestantes espalhados por cidades como Marrakesh, Alhoceima, Imzouren, Agadir, Oujda, Rabat, Casablanca e Tanger exigiram neste domingo (20) que o rei Mohammed renuncie a parte dos poderes que lhe são atribuídos e que demita o governo e dissolva o parlamento. Os manifestantes reivindicam uma reforma constitucional e um sistema judicial mais independente, capaz de acabar com a corrupção instalada.

Na capital Rabat, os manifestantes agitavam bandeiras da Tunísia e do Egito e gritavam: "Abaixo a autocracia!".

Há relatos de violência grave. Os protestos em Marrakesh foram "dispersados pela polícia com cassetetes” e dois italianos teriam sido detidos em Casablanca. Os organizadores da manifestação estão sofrendo perseguição policial.

A TV estatal marroquina está cobrindo as manifestações, mas a Al-Jazeera continua proibida de operar em Marrocos. Na noite de sábado, a televisão estatal anunciou que a mobilização teria sido desconvocada, mas os organizadores denunciaram uma operação de propaganda, alegando que as páginas do Facebook estariam sendo invadidas pelas forças de segurança.

Os protestos foram organizados, segundo noticia a Reuters, por um grupo denominado Movimento pela Mudança de 20 de Fevereiro, que atraiu 20.000 seguidores no Facebook e que inclui simpatizantes da Frente Polissário, que reclama a independência do Saara Ocidental.

Aos protestos juntaram-se jovens do grupo da oposição islâmico Justiça e Caridade, membros dos partidos da oposição e militantes berberes.

Ditaduras na África e no Oriente Médio? Que surpresa!





Graças às revoltas árabes, o Ocidente acaba de descobrir com grande assombro que o Bahrein não é só esse exótico lugar onde voam os bólidos da Fórmula 1 e onde amarram os porta-aviões da Quinta Frota. Qual será a próxima tirania que descobriremos no Oriente Médio ou África? A da Guiné? A de Marrocos, que possui uma "relação privilegiada" com a União Europeia? Que grande contrarieddade para o cinismo da realpolitik! O artigo é de Ignacio Escolar.

Ignacio Escolar - Público


O país que os Estados Unidos apresentava como exemplo para a região acaba por ser retratado também como uma brutal ditadura, capaz de colocar o Exército na rua com ordem de disparar contra o povo. Que terrível e inesperada notícia! Que grande contrariedade para o cinismo da realpolitik! Qual será a próxima tirania que descobriremos no Oriente Médio ou África? A da Guiné? A de Marrocos?

Comecemos por Guiné. “Mais coisas nos unem do que nos separam”, ressaltou o presidente do Congresso espanhol, José Bono, em recente visita oficial – junto a representantes do PP, PSOE e CiU – Convergência e União. É óbvio o que “nos une”: o petróleo e os interesses comerciais. E o que nos separa? Minúcias: as execuções de opositores políticos, as torturas, a corrupção do regime de Obiang, que não só conta com a cumplicidade tácita do Estado espanhol, como também com seu respaldo público a título de vacina, já que a liberdade é uma enfermidade contagiosa.

Prossigamos com o Marrocos, essa monarquia absoluta com um cenário democrático que pode presumir “uma relação privilegiada” com a União Europeia, nas palavras do comissário de Ampliação e Vizinhança, Stefan Füle. “Seu país pode estar orgulhoso do que conseguiu até hoje”, felicitou Fule não faz muito tempo ao ministro de Relações Exteriores do Marrocos, elogiando as “reformas políticas” que requerem microscópio para serem apreciadas em sua justa dimensão.

E a que vem tanto elogio? Fácil: neste domingo venceu o acordo de pesca com a Europa que terá que ser renegociado. Em cima da mesa, o incômodo assunto do Saara ou os direitos humanos são só outra moeda de troca.

(*) Ignacio Escolar é blogueiro e jornalista espanhol, colunista do jornal “Público”, de Madri (21/02/2011)

Tradução: Katarina Peixoto

Chegou a vez do Coronel Kadafi?





A Líbia foi reabilitada de seu status de Estado pária, em 2003, concordando em abandonar seu programa nuclear e promover a abertura aos investimentos ocidentais, principalmente para as grandes empresas petrolíferas que assinaram contratos bilionários. Em 2006, o coronel Kadafi aderiu a um programa para instaurar o livre mercado e reconheceu o papel central da iniciativa privada na Líbia, preparando o caminho para implementar as chamadas reformas econômicas sob a supervisão do FMI e do Banco Mundial. O artigo é de Reginaldo Nasser.

Reginaldo Nasser (*)


A marcha das revoluções continua com vigor no mundo árabe. Agora é a vez da Líbia. Os protestos tiveram início com a prisão do advogado líbio e ativista dos direitos humanos Fathi Terbil dias antes do "Dia de Fúria" (17 de fevereiro). Terbil representa um grupo de famílias cujos filhos foram massacrados (por volta de 1200 prisioneiros opositores do regime) pelas autoridades da Líbia, em 1996, em Trípoli (prisão de Abu Salim). No dia 17 de fevereiro, o líbio-americano Najla Abdurrahman escrevia, indignado, um artigo na revista Foreign Policy com o seguinte título: líbios estão entregando suas vidas para derrubar Muammar al-Gaddafi. Será que ninguém está prestando atenção?

Com razão. Até o momento não há nenhum sinal de qualquer ação mais contundente da celebrada “comunidade internacional”. Mesmo após centenas de mortos, no 5º dia de repressão, a repercussão ainda é pequena. O que seria de se estranhar, num primeiro momento, pois o regime de coronel Kadafi está no poder mais tempo do que qualquer outra ditadura no mundo árabe (42 anos) além de ser responsável por várias ações terroristas na década de 80.

Mas, não deixa de ser tão surpreendente assim se lembrarmos que, em 2008, a então secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, realizou um tour no norte da África passando por Tunísia, Argélia, Marrocos e Líbia ( coincidência?) declarando, ao final, que as relações entre os EUA e a Líbia entravam numa nova era de cooperação. Quando questionada sobre o problema dos direitos humanos naquele pais, Rice disse que havia discutido com o Sr Kadafi “de maneira respeitosa”. O ministro líbio de Relações Exteriores, por sua vez, disse que a presença de Rice foi a prova de que a Líbia, os EUA e o mundo tinham mudado. Sem dúvida nenhuma que o mundo mudou! A Líbia foi reabilitada de seu status de Estado pária, em 2003, concordando em abandonar seu programa nuclear e promover a abertura aos investimentos ocidentais, principalmente para as grandes empresas petrolíferas que assinaram contratos bilionários. A Líbia, conformando-se às resoluções da ONU, livrou-se do embargo econômico, e passou a restabelecer seus laços políticos e diplomáticos com os países europeus e os EUA, reintegrando-se na comunidade internacional. Em 2006, o coronel Kadafi aderiu a um programa para instaurar o livre mercado e reconheceu o papel central da iniciativa privada na Líbia, preparando o caminho para implementar as chamadas reformas econômicas sob a supervisão do FMI e do Banco Mundial. O ministro Tony Blair teve atuação destacada nesse entendimento aprovando ainda a venda de gás lacrimogêneo, armas de “controle de multidões”, fuzis e metralhadoras para Bahrein e Líbia.

O embaixador norte-americano na Líbia, Cretz, em depoimento no Carnegie Endowment for Peace, em 2008, informou que houve grandes progressos durante esses dois anos de “normalização” nas relações EUA-Líbia e que estava iniciando uma cooperação significativa entre os dois países. Cretz elogiou ainda os esforços de privatização, enfatizando que as missões de comércio dos EUA tiveram excelente receptividade. No que se refere aos Direitos Humanos, o embaixador afirmou existir um diálogo aberto e franco entre os dois paises, reconhecendo, entretanto, que a promoção da democracia é uma questão delicada e deve ser abordada com cuidado.

Mas o embaixador esqueceu de mencionar que a economia da Líbia continua extremamente dependente das flutuações dos preços internacionais do petróleo e do gás. Os bilhões de dólares acumulados ao longo dos anos não foram utilizados para diversificar a economia. Há uma enorme discrepância entre as várias classes sociais e seus respectivos setores produtivos. O setor agrícola, por exemplo, emprega 20% da força de trabalho, embora contribua apenas com 2% do PIB. O setor industrial, incluindo petróleo, gás e petroquímica, é responsável por mais de 60% do PIB, e emprega menos de 25% da força de trabalho. As taxas de desemprego variam entre 20 a 30 %.

É importante notar que a Líbia é um Estado-nação sui generis onde as ligações tribais são fundamentais. Kadafi tem governado por meio da mediação de um "comitê de liderança social", composto por cerca de 15 representantes de várias tribos que tem presença até mesmo dentro das fileiras das forças armadas, cada qual representando um grupo tribal. Assim, ao contrário dos militares da Tunísia ou Egito, a inexistência de coesão e profissionalismo não permite a intervenção para resolver o conflito com os manifestantes. Ainda não se sabe quais as unidades militares foram envolvidas na tentativa de conter os distúrbios e se há cisão entre elas. Também não sabemos se são verídicas as informações de que há mercenários e criminosos contratados pelo governo. Entretanto algumas declarações que começam a circular na mídia podem indicar o desfecho da crise. Uma das lideranças mais destacadas da poderosa tribo Al-Zuwayya disse à rede Al Jazeera que já intimou o coronel Kadafi deixar o país, ameaçando cortar as exportações de petróleo.

Infelizmente, ao que tudo indica, o alerta do filho de Kadafi, de que há risco iminente de uma verdadeira guerra civil, parece ser procedente, pois como bem observou um jornalista perspicaz o comportamento dos manifestantes e das forças de segurança dão razão para acreditamos que qualquer recuo de um dos lados significará a morte ou a prisão definitiva. Será que ninguém está disposto a ajudar os líbios?

(*) Professor de Relações Internacionais da PUC-SP

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

As cordas que movem o conflito no Oriente Médio





Há uma mudança no mundo político, social e cultural do Oriente Médio. Criará muitas tragédias, levantará muitas esperanças e derramará demasiado sangue. Talvez seja melhor ignorar os analistas e seus think tanks, cujos “especialistas” idiotas dominam os canais de televisão globais. Se os tchecos puderam ter sua liberdade, por que não os egípcios? Se os ditadores podem ser derrubados na Europa – primeiro, os fascistas, depois, os comunistas – por que não ocorreria o mesmo no grande mundo árabe muçulmano? E – só por um momento – deixem a religião fora disso. O artigo é de Robert Fisk.

Robert Fisk

Hosni Mubarak denunciou que os islamistas estavam por trás da revolução egípcia. Bem Alí disse a mesma coisa na Tunísia, O rei Abdulá, da Jordânia, vê uma mão obscura e sinistra, a mão da Al Qaeda, da Irmandade Muçulmana, uma mão islamista por trás da insurreição que percorre o mundo árabe. No sábado, as autoridades do Bahrein descobriram que a mão ensanguentada do Hezbolah estava por trás dos levantes xiitas.

Como é possível que homens educados, mas singularmente antidemocráticos possam entender tudo tão errado? Confrontados com uma série de explosões seculares – Bahrein não está incluído nesta categoria – acusam os radicais islâmicos. O Xá cometeu um erro idêntico, no sentido inverso. Confrontado por um levante obviamente islâmico, ele acusou os comunistas.

Barack Obama e Hillary Clinton se esmeraram para dar uma pirueta mais rara. Havendo apoiado originalmente as “estáveis” ditaduras do Oriente Médio – quando deveriam estar ao lado das forças democráticas -, decidiram avalizar as reivindicações da democracia civil no mundo árabe justamente quando os árabes estão tão desencantados com a hipocrisia ocidental que não querem os Estados Unidos do seu lado. “Os norteamericanos interferiram em nosso país por 30 anos durante a era Mubarak, apoiando este regime e armando seus soldados”, me disse a semana passada um estudante egípcio na praça Tahrir. “Agora ficaríamos agradecidos se deixassem de interferir do nosso lado”, acrescentou. Ao final da semana, escutei as mesmas vozes em Bahrein. “Estavam nos baleando com armas estadunidenses e montados em tanques estadunidenses”, afirmou um médico na quinta-feira. “E agora Obama quer ficar do nosso lado?”, perguntou.

Os fatos dos últimos dois meses e o espírito anti-regime da inssurreição árabe – por dignidade e justiça, mas que por um emirado islâmico – ficaram em nossos livros de história por anos. E o fracasso dos mais próximos apoiadores do Islã será discutido por décadas. No sábado houve um especial interesse pelo último vídeo da Al Qaeda, gravado antes da queda de Mubarak, que enfatizava a necessidade de que o Islã triunfasse no Egito. No entanto, uma semana antes, as forças seculares, nacionalistas e honoráveis do Egito, homens e mulheres muçulmanos e cristãos, tinham se libertado do velho Mubarak sem nenhuma ajuda de Osama Bin Laden. Mais rara foi a reação do Irã, cujo líder supremo se auto convenceu de que a vitória popular egípcia era um triunfo do Islã. Dá para pensar que só Irã, Al Qaeda e seus mais ferrenhos inimigos, os ditadores árabes antiislâmicos, acreditam que a religião esteve por trás das rebeliões massivas dos manifestantes pró democracia.

A mais sangrenta ironia de todas – que acabou envolvendo Obama – foi que a República Islâmica do Irã estava louvando os democratas do Egito enquanto ameaçava executar seus próprios líderes democráticos opositores. Quase todos os milhões de manifestantes árabes que querem se ver livres da capa da autocracia – com nossa ajuda ocidental – viveram com medo e humilhação, e são muçulmanos. E os muçulmanos, diferentemente do Ocidente cristão, não perderam sua fé. Abaixo de pedras e dos cassetetes da polícia assassina de Mubarak, eles contra-atacaram gritando “Alá akbar” no que, para eles, não era uma “Jihad”, uma guerra religiosa, mas sim uma batalha pela justiça. “Deus é grande” e a demanda por justiça são afirmações concordantes. A luta contra a injustiça: esse é o espírito do Corão.

No Bahrein temos um caso especial. Aqui uma maioria xiita é dirigida por uma monarquia sunita. A Síria, de fato, sofreria de “bahreinitis” pela mesma razão: uma maioria sunita é governada por uma minoria xiita. Bom, ao menos o Ocidente em sua defesa do rei Hamad, do Bahrein, pode aferrar-se ao fato de que o Bahrein, como o Kuwait, tem um parlamento. É uma velha e triste besta, que existiu entre 1973 e 1975 até que foi dissolvido inconstitucionalmente e depois reinventado em 2001 dentro de um pacote de “reformas”. Mas o novo parlamento terminou sendo menos representativo que o primeiro. Os políticos da oposição foram acossados pela segurança do Estado e foram manipuladas as margens parlamentares para garantir que a minoria sunita seguisse com o controle do Parlamento.

Em 2006 e em 2010, por exemplo, o mais importante partido xiita do Bahrein ganhou só 18 das 40 cadeiras. Muitos me disseram que temem por suas vidas, que temem que as turbas xiitas os queimem em suas casas e os matem.

Tudo isso parece mudar. O controle do poder estatal tem que ser legitimado para ser efetivo e as balas para reprimir protestos pacíficos estavam destinadas a terminar em uma série de domingos sangrentos no Bahrein. Uma vez que os árabes aprenderam a perder seu medo, podem exigir os direitos civis que os católicos demandaram no passado na Irlanda do Norte. Ao final, os britânicos tiveram que destruir a liderança dos unionistas e trazer o IRA para compartilhar o poder com os protestantes. Os paralelos não são exatos e os xiitas não têm (ainda) uma milícia, apesar de o governo bahreiní ter mostrado fotografias de pistolas e espadas para apoiar sua opinião de que entre seus opositores há “terroristas”.

No Bahrein há, não é necessário dizer, uma batalha sectária e secular, algo que o príncipe reconheceu inconscientemente quando disse que as forças de segurança deviam reprimir os protestos para impedir a violência sectária. É uma visão mantida selvagemente pela Arábia Saudita, que tem um forte interesse na eliminação do dissenso em Bahrein. Os ânimos dos xiitas da Arábia Saudita podem se exaltar se seus correligionários do Bahrein arrasarem o Estado. Então, escutaríamos os líderes alardear a ameaça da República Islâmica do Irã. Mas essas insurreições interconectadas não deveriam ser vistas no simples marco de fermentação no Oriente Médio. O levante no Iêmen contra o presidente Saleh (que está há 32 anos no poder) é democrático, mas também é tribal. E não falta muito para que a oposição empunhe armas. O Iêmen é uma sociedade armada, há tribos com armas e nacionalismo endêmico. E ainda há o caso da Líbia.

Kadafi é tão estranho, tão próspero, seu domínio tão cruel (ele está no governo há 42 anos), que é um Ozymandias esperando para cair. Sua proximidade com Berlusconi – e, pior ainda, seu amor meloso com Tony Blair – não irão salvá-lo. Enfeitado com mais medalhas que o general Eisenhower, desesperado por uma operação que levante sua papada, este desgraçado está ameaçando sua própria gente com castigos “terríveis” por desafiar seu regime. Há duas coisas a lembrar sobre a Líbia: como o Iêmen, é uma terra tribal e quando se levantou contra seus fascistas colonos italianos, começou uma selvagem guerra de libertação, cujos valentes líderes enfrentaram a forca com uma coragem incrível. Só porque Kadafi é um louco, não quer dizer que seu povo seja idiota.
Então, há uma mudança no mundo político, social e cultural do Oriente Médio. Criará muitas tragédias, levantará muitas esperanças e derramará demasiado sangue. Talvez seja melhor ignorar os analistas e seus think tanks, cujos “especialistas” idiotas dominam os canais de televisão globais.

Se os tchecos puderam ter sua liberdade, por que não os egípcios? Se os ditadores podem ser derrubados na Europa – primeiro, os fascistas, depois, os comunistas – por que não ocorreria o mesmo no grande mundo árabe muçulmano? E – só por um momento – deixem a religião fora disso.

Tradução: Katarina Peixoto

Dilma anunciará prioridade máxima para as mulheres



Governo usará todo o mês de março para discutir a condição feminina no país e anunciar medidas concretas para a área. Nova política irá priorizar a autonomia financeira das mulheres



Estudo da Secretaria de Políticas para Mulheres mostra que 94,7% das empregadas domésticas não têm carteira assinada
Sylvio Costa e Renata Camargo

A primeira mulher na Presidência da República será também o primeiro chefe do governo brasileiro a transformar as políticas públicas voltadas para a população feminina em uma das prioridades máximas do seu mandato. Construção de creches, linhas especiais de crédito para mulheres e ações interministeriais de combate à violência e de formalização do trabalho doméstico estão entre as medidas que serão anunciadas no próximo mês por Dilma Roussef.

Conforme o figurino do novo governo, voltado prioritariamente para o combate à miséria, especial atenção será dada às parcelas mais pobres da população. Elas são o principal alvo do programa de creches, que nascerá sob o desafio de cumprir a ambiciosa meta anunciada por Dilma na campanha eleitoral, de entregar 6 mil unidades até o fim do mandato.

Parte desse contingente populacional é formado pelas empregadas domésticas, que representam no Brasil algo entre 6 e 8 milhões de pessoas. Estudo da Secretaria de Políticas para Mulheres (SPM), com base na última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE, mostrou que 94,7% delas não têm carteira de trabalho assinada.

Os ministérios do Trabalho, da Previdência, a SPM e outros órgãos federais ainda discutem os detalhes do que será feito, mas é certo que as ações no campo do trabalho doméstico envolverão duas frentes. Numa delas, haverá um esforço conjunto para fazer valer a legislação trabalhista. Na outra, o Executivo defenderá no Congresso regras que assegurem às empregadas condições mais dignas de vida. As possibilidades em análise incluem a ampliação dos direitos trabalhistas e a garantia de acesso à aposentadoria.

Em encontro com entidades feministas, na semana passada, a ministra de Políticas para Mulheres, Iriny Lopes, disse que a intenção do governo é “trabalhar a autonomia econômica, financeira e política das mulheres”. Iriny adiantou para o Congresso em Foco quais deverão ser os principais pontos da agenda legislativa no campo da defesa dos direitos da mulher.

Na reunião com representantes do movimento feminino, Iriny contou que a SPM deixará de ser secretaria para se transformar em ministério. E apontou a violência contra a mulher como outra preocupação prioritária do governo Dilma, que também será objeto de ações interministeriais. Nesse caso, mais uma vez, para fazer cumprir a lei, evitando abusos contra as mulheres.

Os direitos femininos motivarão ainda a primeira grande campanha de propaganda do governo., informou que todo o mês de março será dedicado pelo governo às mulheres. “Em vez de um dia, teremos um mês. A ideia é que a presidenta anuncie alguma coisa em pelo menos uma cidade de cada uma das cinco regiões do país”, disse Iriny.

DILMA PARTICIPA DA COMEMORAÇAO DOS 90 ANOS DA FOLHA


Presidenta Dilma participa da comemoração
dos 90 anos da Folha de S. Paulo


Nesta segunda-feira (21/2), em São Paulo, a Presidenta da República, Dilma Rousseff, participa de solenidade em comemoração aos 90 anos de fundação do jornal Folha de S. Paulo.
Na programação, na Sala São Paulo, será veiculado um documentário sobre a trajetória do jornal, seguido de concerto da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp) e de um ato multirreligioso com representantes de oito religiões.
O jornal foi lançado em 1921, em São Paulo, como um vespertino intitulado, à época, “Folha da Noite”. Anos depois, o jornal criou sua versão matutina batizada como “Folha da Manhã”, seguida da terceira edição diária do jornal chamada de “Folha da Tarde”. Em 1960, os três títulos da empresa foram fundidos, dando origem ao jornal “Folha de S. Paulo”.


A AGENDA DA PRESIDENTA ESTÁ ASSIM

Presidência da República
AGENDA DA SENHORA PRESIDENTA DA REPÚBLICA

Segunda-feira
21 de fevereiro de 2011


09h - Partida para Aracaju (SE)
Base Aérea de Brasília (DF)

11h - Chegada a Aracaju
Aeroporto de Aracaju

11h30 - Cerimônia de abertura do XII Fórum dos Governadores do
Nordeste
Dioro Santa Luzia Resort & Convention

12h35 - Foto oficial

14h30 - XII Reunião do Fórum dos Governadores do Nordeste

17h15 - Partida para São Paulo (SP)
Aeroporto de Aracaju

19h45 - Chegada a São Paulo
Aeroporto de Guarulhos

20h30 - Comemoração dos 90 anos de fundação da Folha de S. Paulo
Sala São Paulo, Praça Júlio Prestes

22h50 - Partida para Brasília
Aeroporto de Guarulhos







Dilma se reúne com governadores nordestinos


Luciana Lima
Repórter da Agência Brasil

Brasília - Em sua primeira viagem de trabalho ao Nordeste depois de tomar posse, a presidenta Dilma Rousseff vai se encontrar hoje (21) com governadores preocupados com o corte de R$ 50 bilhões no Orçamento da União para este ano, anunciado pela equipe econômica do governo. Ela participa em Aracaju (SE) do 12º Fórum dos Governadores do Nordeste, que reunirá os nove gestores dos estados da região, mais o governador de Minas Gerais, Antônio Anastasia.

De acordo com o governador de Sergipe, Marcelo Déda (PT), que organizou o encontro deste semestre, a preocupação é principalmente garantir a continuidade dos programas iniciados no governo de Luiz Inácio Lula da Silva que tiveram um impacto grande na região. Os governadores planejam entregar a Dilma uma agenda de trabalho com as prioridades em comum.

O documento, organizado por Déda e por Cid Gomes (PSB), do Ceará, vem sendo encarado como um novo plano de desenvolvimento para o Nordeste na área social e econômica e elenca interesses comuns aos nove estados, além das vocações de cada um.

Participarão do encontro, além de Déda e Cid, Eduardo Campos (PE), Rosalba Ciarlini (RN), Teotônio Vilela (AL), Jaques Wagner (BA), Roseana Sarney (MA), Ricardo Coutinho (PB), Wilson Martins (PI) e Anastasia (MG).

O Fórum de Governadores do Nordeste vem se tornando palco privilegiado das discussões políticas da região, principalmente após a extinção da Superintendência Nacional de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), em 2001. Essa é uma das razões para que o governador de Minas Gerais seja convidado a participar, já que a região mais setentrional e pobre de Minas fazia parte da área da Sudene.

Os encontros vêm sendo realizados periodicamente há quatro anos e este de Aracaju é o primeiro com a nova composição política. O ex-governador de Minas Aécio Neves foi convidado em outros encontros, mas não compareceu. Já Anastasia confirmou presença.

Edição: Graça Adjuto

A LIBIA EM CHAMAS





ARGEL - A sede central do governo líbio e o prédio que abriga o Ministério da Justiça em Trípoli foram incendiados nesta segunda-feira, 21, pelos manifestantes que reivindicam a queda do regime de Muammar Kadafi, disse o jornalista líbio Nezar Ahmed à televisão "Al-Jazira". O prédio é o local onde o Congresso Geral do Povo, ou Parlamento, se reúne em Trípoli.

Ahmed, por telefone da capital líbia, também assegurou que as forças da ordem praticamente se retiraram da cidade e que várias delegacias e outros prédios públicos também foram saqueados ou incendiados.

"Praticamente não há forças da ordem. Não se sabe aonde foram. Esta situação favorece os rumores alarmantes", explicou o jornalista, que mencionou como um deles a possível fuga de Kadafi do país e divergências entre altos dirigentes do Exército e de outros corpos de segurança.

Segundo Ahmed, há apenas um cordão policial em torno da sede da rede de televisão estatal "Libya TV".

O jornalista também confirmou que neste domingo à noite houve manifestações com queima de fotografias do líder líbio no centro de Trípoli pouco depois do discurso de seu filho Seif el-Islan, e que os tiroteios prosseguiram.

O jornalista também assinalou que os habitantes da capital começaram a formar comitês em cada bairro para proteger bens públicos e privados e que graças a eles foi possível salvar o principal museu da cidade de uma tentativa de incêndio.

Por outro lado, fontes de hospitais relataram à "Al-Jazira" que pelo menos 61 pessoas morreram nesta segunda-feira em Trípoli nos confrontos entre as forças de segurança e os manifestantes.

O canal também informou, citando testemunhas locais, que alguns membros das forças de segurança saquearam vários bancos e empresas estatais durante a manhã.

"Até o último homem em pé"

Kadafi, há 42 anos no poder, vai combater a revolta popular "até o último homem em pé", disse um dos filhos dele em um discurso tranmitido pela televisão, depois que oposicionistas realizaram pela primeira vez manifestações na capital, Trípoli, após dias de tumultos na cidade de Benghazi, no leste do país.

Manifestantes antigoverno saíram às ruas de Trípoli, líderes tribais fizeram declarações contra Kadafi e unidades do Exército desertaram para o lado da oposição, em uma revolta que já custou a vida de mais de 200 pessoas.

Benghazi, onde dezenas de pessoas foram mortas desde que começaram os protestos na semana passada, após a prisão de um advogado defensor de direitos humanos, está sob controle dos moradores, segundo disseram alguns habitantes da cidade.

O filho de Kadafi, Saif al-Islam Kadafi, apareceu na TV numa tentativa de ameaçar os oposicionistas e aclmar os ânimos Ele disse que o Exército iria a qualquer preço restabelecer a ordem no país.

A Líbia vive uma das revoltas mais sangrentas no mundo árabe. desde a queda dos governos da Tunísia e do Egito.