segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Coreia do Norte ameaça atacar Coreia do Sul e EUA


Dom, 27 Fev, 09h02



A Coreia do Norte ameaçou ontem ampliar seu arsenal nuclear e atacar a Coreia do Sul e os Estados Unidos, uma vez que os aliados se preparam para dar início a exercícios militares conjuntos que, segundo o Norte, são um ensaio para uma invasão. O alerta pode reacender as tensões na península coreana, que ganharam força no ano passado após dois incidentes.


A Coreia do Norte atirou contra uma ilha sul-coreana em novembro, matando quatro pessoas. O ataque ocorreu oito meses depois do afundamento de um navio de guerra sul-coreano, que matou 46 marinheiros. A Coreia do Norte negou ter atirado um torpedo contra o navio.


Desta vez, a Coreia do Norte classificou os exercícios conjuntos entre a Coreia do Sul e os EUA de "perigoso esquema militar." O Exército norte-coreano acusou os dois países de conspirar para derrubar o governo comunista do Norte e afirmou que, se provocada, a Coreia do Norte dará início uma guerra em "escala total", tomará "ações impiedosas" e transformará Seul em um "mar de chamas".




A Coreia do Norte alertou que vai tomar uma "ação de ataque a míssil" contra o que chamou de medidas pelos EUA e pela Coreia do Sul para eliminar os mísseis do Norte. O comunicado não forneceu mais detalhes. Uma autoridade do Ministério da Defesa da Coreia do Sul afirmou que o país está ciente dos alertas do Norte e observando de perto os movimentos militares. A autoridade falou sob a condição de anonimato, citando regras do ministério. As informações são da Associated Press.

Inocente é preso, acusado de estupro, violentado na cadeia e contrai Aids







Heberson Oliveira, 30, foi acusado de estupro, foi preso e depois inocentado, mas perdeu a vida. Hoje vagueia como uma sombra sem vida



'O vício é o que me mantém vivo’
Heberson tem consciência de que seu estilo de vida o está prejudicando. Tem perdido peso e volta e meia chega em casa tossindo forte

Manaus, 26 de Fevereiro de 2011

Leandro Prazeres
É fácil reprovar usuários de drogas e considerá-los fracos por se renderem ao vício. Mas no caso de Heberson, condená-lo por isso é difícil. Em meio ao abismo da depressão, a pasta-base de cocaína e a maconha foram as únicas formas que encontrou para se manter vivo.

- Se não fosse a droga eu já tinha colocado uma faca ou uma corda no meu pescoço. Preciso disso para me manter vivo. Assim, esqueço o que aconteceu comigo lá dentro - explica.




Doença

Heberson tem consciência de que seu estilo de vida o está prejudicando. Tem perdido peso e volta e meia chega em casa tossindo forte.

- Eu já falei para ele retomar o tratamento com o coquetel lá na Fundação de Medicina Tropical, mas ele não me ouve. Parece que desistiu de viver - diz Maria do Perpétuo Socorro.

A frieza com que Heberson fala de seu futuro assusta. O sonho de ser operário do distrito industrial, que ele nutria antes de ser preso, foi abandonado e não foi substituído por outro.

- Futuro? Não tenho futuro. Tiraram ele de mim quando eu fui preso. Um dia na cadeia é como se fosse uma vida inteira. Não tem jeito. Enquanto eu viver, isso não vai sair de dentro de mim - dispara secamente.



Manaus, 26 de Fevereiro de 2011

Leandro Prazeres

Vidas Roubadas. A história de Heberson de Oliveira, 30, preso inocentemente por estupro. (Márcio Silva)

No dia 18 de maio de 2006, ao sair de sua cela e cruzar os muros da Cadeia Pública Desembargador Raimundo Vidal Pessoa, Heberson Oliveira, 30, achou tudo estranho. O sol estava alto, mas não era o calor que lhe incomodava. Aquele era seu primeiro dia de liberdade após dois anos e sete meses na prisão. Nem ele acreditava mais que isso um dia pudesse acontecer.

- Eu já tinha perdido as esperanças de sair da cadeia vivo. A minha cela já estava virando a minha casa - conta Heberson, quase cinco anos depois, sentado na cama tubular cor de vinho de seu irmão mais novo. Heberson Oliveira é o rosto de um silencioso drama brasileiro: o das vidas roubadas pela lentidão da Justiça. Foi preso em novembro de 2003, suspeito de ter estuprado uma menina de nove anos de idade. Ele negou ter cometido o crime e disse que sequer estava em Manaus na época em que tudo ocorreu.

Mesmo sem nenhuma prova material ou testemunhal que o incriminasse, foi indiciado, denunciado e transferido para a Unidade Prisional do Puraquequara (UPP). Só dois anos e sete meses depois de ter sido preso é que Heberson foi julgado e, finalmente, considerado inocente.

Mas a sentença que o pôs em liberdade não foi suficiente para lhe fazer um homem completamente livre. Heberson foi estuprado pelos “xerifes” da cadeia e contraiu o vírus da AIDS.

- Eu fui violentado lá dentro. Na hora do desespero, não vi quantos eram. Só queria que aquele sofrimento acabasse. Agora, essa doença vai me acompanhar pelo resto da vida. Eu estou condenado à morte. A Justiça roubou minha vida - desabafa tentando disfarçar o constrangimento evidente no queixo tremido.




Paradeiro

Para encontrar Heberson é preciso paciência. Depois que saiu da cadeia, ele morou durante algum tempo na casa de sua mãe, mas depois de três crises de depressão, se entregou às drogas e saiu de casa.Tentou alguns empregos, mas não se firmou em nenhum lugar.

- É difícil alguém oferecer emprego para um ex-presidiário e um aidético. Algumas pessoas me ajudaram, mas aí vieram as depressões. Eu vivo cuspido pela sociedade - diz chorando.

Heberson, que tinha o corpo firme e o rosto limpo antes da prisão, agora parece uma sombra. Emagreceu pela doença e pelo vício. A barba cresce e o cabelo encaracolado escapa pelas laterais de um boné esfarrapado. Dorme sob marquises, em terrenos baldios ou construções abandonadas na periferia de Manaus.

Quase todos os dias, ele vai à casa de sua mãe, Maria do Perpétuo Socorro, 51, em uma rua estreita e esburacada do bairro Compensa II, na Zona Oeste de Manaus. Caminha lentamente pelas ladeiras do bairro e, aos poucos, a gritaria na mercearia ao lado da casa de sua mãe vira cochicho. Atento, ele percebe que os olhos se voltam em sua direção; abaixa a cabeça e continua a andar.

Ao fim da tarde, Heberson deixa a casa da mãe. Carrega um saco plástico com roupas sujas e objetos catados na rua. Maria, pela janela, olha o filho indo embora mais uma vez, sem muito o que fazer. E Heberson, sem paradeiro definido, desaparece na rua sem saber quando ou se vai voltar.

Rogel Samuel: Morre Moacyr Scliar










Rogel Samuel: Morre Moacyr Scliar


Morreu hoje, aos 73 anos, domingo, um dos maiores escritores do Brasil.

Moacyr Sclyar. “A morte ocorreu à 1h, no Hospital das Clínicas de Porto Alegre, onde ele estava internado, por falência múltipla dos órgãos. Ele sofreu um AVC isquêmico no dia 17 de janeiro, e já estava internado para a retirada de pólipos (tumores benignos) no intestino. Logo depois do AVC, o escritor foi submetido a uma cirurgia para extirpar o coágulo que se formou na cabeça. Depois da cirurgia, ele ficou inconsciente no centro de terapia intensiva”.
Ele era médico, publicou mais de 70 livros: romance, crônica, conto, literatura infantil e ensaio.

Para mim, seu melhor livro é O olho enigmático. Rio, Guanabara, 1986. Um livro de contos.

Quem quiser conhecer sua obra deve começar pelo conto O olho enigmático.

O personagem se apaixona por uma imagem. E a imagem o domina. É um quadro.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

A morte dos botos vermelhos em Tefé


A população de botos-vermelhos na região de Tefé, interior do Amazonas, caiu 10% na última década. A informação é de Nívia do Carmo, pesquisadora do Projeto Boto do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCT) e presidente da Associação Amigos do Peixe-Boi (Ampa).
A causa da diminuição pode ser a captura predatória de botos-vermelhos para serem usados como isca na pesca da piracatinga (espécie de peixe necrófago – que come carniça de animais mortos), de porte médio, podendo medir até 45 centímetros (cm). O peixe é muito abundante na região amazônica e consumido em larga escala pelos colombianos.

Os estudos são realizados, desde 1993, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá – distante de Manaus cerca de 700 quilômetros (km). Em outubro e novembro do ano passado, pesquisadores do Inpa percorreram as comunidades em torno de Tefé. Durante a excursão, eles constataram que a caça dos botos é constante e tratada de forma natural pelos moradores, embora tenham consciência de que a pesca ou caça de animais silvestres é crime ambiental.

A Colômbia é um grande apreciador de peixes Siluriformes (peixes lisos ou de couro) da Amazônia brasileira e a pesca da piracatinga se torna uma atividade lucrativa para os ribeirinhos que habitam essas localidades.

Da Agência Brasil

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Gaddafi ameaça liberar armas para povo e tribos da Líbia












TRÍPOLI (Reuters) - O líder líbio, Muammar Gaddafi, afirmou a seus aliados nesta sexta-feira na Praça Verde, em Trípoli, que vai liberar o arsenal do país "quando necessário" para armar o povo da Líbia contra o "inimigo".
"Nós podemos esmagar qualquer inimigo. Com a vontade do povo, nós podemos esmagar. Quando necessário, nós vamos abrir os arsenais para armar todo o povo líbio e todas as tribos líbias."

Gaddafi prometeu triunfar sobre seus inimigos e exortou os partidários reunidos na Praça Verde a proteger a Líbia e os interesses petrolíferos do país.

Falando a partidários a partir de uma fortificação da cidade velha acima da praça, Gaddafi, que estava de casaco e com um chapéu que cobria suas orelhas, disse: "Preparem-se para lutar pela Líbia, preparem-se para lutar pela dignidade, preparem-se para lutar pelo petróleo".

O líder líbio, que perdeu o controle de regiões do país para os rebeldes, afirmou ainda: "Nós podemos triunfar sobre os inimigos".

Mandando beijos para os aliados e com o punho erguido, Gaddafi acrescentou: "Esta nação, nós somos a nação da dignidade e da integridade. Esta nação triunfou sobre (a ex-colonizadora) Itália."

"Dancem, cantem e preparem-se... o espírito de vocês é mais forte do que qualquer tentativa dos estrangeiros e dos inimigos de nos destruir", disse Gaddafi, que está no poder há mais de quatro décadas.

Ficando cada vez mais entusiasmado, Gaddafi acrescentou: "Muammar Gaddafi está entre vocês. Eu fico junto com o povo e nós vamos lutar e vamos matá-los se eles quiserem".

(Por Redação do Cairo, com reportagem de Dina Zayed e Caroline Drees)

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Pronunciamento de Gaddafi é "assustador", diz Angela Merkel








Angela Merkel, descreveu como muito assustador o discurso desta terça-feira do líder líbio Muammar Gaddafi, que reafirmou sua determinação de permanecer no poder apesar da revolta popular contra seu governo.
Merkel afirmou em entrevista coletiva que se o líder líbio não frear os atos de violência, ela irá apoiar sanções contra a Líbia, onde centenas de pessoas estão sendo reprimidas durante os protestos contra os 41 anos de governo de Gaddafi.

"As notícias que tivemos da Líbia ontem e hoje são preocupantes e o discurso do coronel Gaddafi nesta tarde foi muito, muito assustador, especialmente porque ele virtualmente declarou guerra contra seu próprio povo", disse Merkel.

Gaddafi prometeu ficar no poder e "morrer aqui como um mártir", apesar dos apelos de alguns diplomatas líbios, soldados e manifestantes para acabar com suas quatro décadas no poder.

"Instamos o governo líbio para que suspenda imediatamente o uso da violência contra seu próprio povo, e se o uso da violência não cessar, a Alemanha então vai esgotar todas as possibilidades de exercer pressão e influência sobre a Líbia", disse ela.

Se o governo líbio não desistir, declarou ela, "falaremos então em favor de sanções contra a Líbia."

(Reportagem de Stephen Brown e Andreas Rinke)

© Thomson Reuters 2011 All rights reserved.

Falalece Leodegário A. de Azevedo Filho




EVANILDO BECHARA COM LEOEGARIO (DE BRANCO)


Professor universitário e investigador brasileiro, Leodegário Amarante de Azevedo Filho, doutor em Letras pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, nascido em 1927, é membro da Academia Brasileira de Filologia, do Círculo Linguístico do Rio de Janeiro e da Academia Brasileira de Literatura. Os seus trabalhos de investigação tratam assuntos de literatura portuguesa, nomeadamente a lírica, quer medieval, quer camoniana. As suas obras principais são A Poética de Anchieta (1963), Poesia e Estilo de Cecília Meireles (1973), O Cânone Lírico de Camões (1976) e As Cantigas de Pedro Meogo (1982).

NAVIOS DE GUERRA NO CANAL DE SUEZ




Dois navios de guerra iranianos passaram pelo canal de Suez e entraram em águas do Mediterrâneo nesta terça-feira, o que não acontecia desde 1979 e foi chamado de 'provocação' por Israel. Foto:-/AFP

CAIRO (AFP) - Dois navios de guerra iranianos passaram pelo canal de Suez e entraram em águas do Mediterrâneo nesta terça-feira, o que não acontecia desde 1979 e foi chamado de "provocação" por Israel.

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Em reação a chegada dos navios ao Canal de Suez, o ministério das Relações Exteriores de Israel pediu nesta terça-feira firmeza à comunidade internacional ante a entrada no Mediterrâneo dos dois navios iranianos.


"Trata-se de uma presença militar iraniana sem precedentes no Mediterrâneo, e isso constitui uma provocação à qual a comunidade internacional deve reagir com firmeza", declarou à AFP o porta-voz do ministério, Ygal Palmor.


Uma fonte do Conselho Supremo do Exército egípcio declarou na noite de segunda-feira ao canal privado Dream que a autorização foi concedida em acordo com a Convenção de Constantinopla de 1888, que autoriza a passagem de navios militares pelo canal de Suez.


Israel, que considera o Irã uma ameaça para sua segurança, classificou de provocação a passagem dos navios, segundo afirmou na semana passada o ministro das Relações Exteriores de Israel, Avigdor Lieberman.


No domingo, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu denunciou a chegada dos navios como uma manobra do Irã para aproveitar a instabilidade vivida pela região com os movimentos de protesto contra os regime da Líbia, Bahrein e Iêmen.


O Egito autorizou a passagem dos navios pelo canal de Suez depois de enviar sinais contraditórios. Primeiro afirmou que não havia recebido nenhuma solicitação e depois deu a entender que os dois navios estavam bloqueados.


Segundo a agência oficial iraniana Fars, os dois navios são o "Kharg", barco de reabastecimento e apoio de 33.000 toneladas, e a fragata de patrulha "Alvand", ambos de fabricação britânica.


O "Kharg", com 250 tripulantes, pode transportar até três helicópteros. O "Alvand" está equipado com torpedos e mísseis.


Israel, que considera o Irã um grave perigo para sua segurança, denunciou uma "provocação" por meio do ministro das Relações Exteriores, o falcão da direita nacionalista Avigdor Lieberman.


Segundo uma fonte diplomática iraniana, os dois navios devem fazer uma visita de "rotina" nos próximo dias à Síria.


No último dia 15, o porta-aviões americano Entrerprise, com potência nuclear, transitou pelo Canal de Suez acompanhado do navio de guerra Leyte Gulf e o barco de apoio em combate Arctic, e chegou ao Golfo de Aden três dias mais tarde.

MORREREI COMO UM MARTIR, DIZ KADAFI


Kadafi nega renúncia e diz que morrerá na Líbia
Ter, 22 Fev, 01h36



Por Redação Yahoo! Brasil com Agência O Globo

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O ditador líbio, Muammar Kadafi, afirmou nesta terça-feira (22), em discurso transmitido pela TV estatal, negou que irá renunciar ao poder. Uma semana após uma série de protestos contra o governo, violentamente reprimidos por Kadafi, ele disse que morrerá no país "como um mártir".


O ditador disse que a "a Líbia não quer a revolução e o colonialismo". Gritando e gesticulando muito, Kadafi se dirigiu pela segunda-vez ao povo líbio desde o início do levante contra o seu regime no país do norte da África. O líder líbio disse que vai resistir e não vai se render aos manifestantes da oposição.


"Este é o meu país, e o dos meus irmãos. Nós o irrigamos com o nosso sangue(...) Vou morrer aqui como um mártir", esbravejou, pregando a unidade do país. "Muamar Kadafi não é o presidente, ele é o líder da revolução. Ele não tem nada a perder. Revolução significa sacrifício."


Desafiador, ele culpou os jovens pela "agitação" dos últimos dias e classificou os manifestantes de "ratos mercenários" que querem transformar a Líbia em um estado islâmico. "Eles estão apenas imitando o Egito e a Tunísia", disse.


Kadafi conclamou o povo a sair às ruas na quarta-feira, numa demonstração de apoio a ele. "Muamar Kadafi não é uma pessoa normal que você pode envenenar... Vou lutar até a última gota de sangue, com o povo ao meu lado" disse energicamente. "Se você ama Muamar Kadafi você vai sair às ruas para defender a Líbia."


Apesar da violência dos confrontos dos últimos dias entre manifestantes e forças policiais e de segurança líbias, que já teria deixado mais de 200 mortos, Kadafi disse que "ainda nem tinha começado a dar as ordens para que se usasse fogo" contra os manifestantes. E fez uma ameaça: "o uso da força contra a autoridade do Estado será punido com a morte."


Na noite de segunda-feira, Kadafi fez um breve discurso afirmando que continuava em Trípoli.


Aeroporto de Benghazi fica destruído
Enquanto o ditador pede unidade, informações dão conta de que o governo não controla mais o leste do país. Homens armados contrários ao ditador tomaram nesta terça-feira o controle do lado líbio da fronteira com o Egito. Segundo as Forças Armadas do Egito, os guardas da fronteira se retiraram do local, que passou a ser controlado por "comitês do povo".


Os soldados líbios na cidade de Tobruk disseram que eles não apoiam mais Kadafi. Segundo relato de um correspondente da Reuters que atravessou a fronteira, os rebeldes estavam armados com cassetetes e fuzis Kalashnikov.


Moradores da capital líbia denunciaram nesta terça-feira novas ações violentas do governo para reprimir possíveis protestos. De Dubai, o ativista Mohammed Ali, da Frente da Salvação da Líbia, disse ter recebido relatos de que os habitantes de Trípoli estão se escondendo em casa e há dezenas de corpos nas ruas. Aviões voltaram a ser usados, assim como tanques, helicópteros e mercenários, disseram testemunhas. De acordo com a Human Rights Watch, entidade de defesa dos direitos humanos, pelo menos 62 pessoas morreram em dois dias de confrontos em Trípoli.


Em Benghazi, as pistas do aeroporto ficaram destruídas após os enfrentamentos entre manifestantes e forças de segurança, informou o ministro de Relações Exteriores egípcio, Ahmed Aboul Gheit. Na cidade, a segunda maior da Líbia, estão 130 funcionários brasileiros da empresa Queiroz Galvão. Eles aguardavam autorização para o envio de um avião para resgatá-los.

Poeta Libio Khaled Mattawa






HISTORY OF MY FACE



My lips came with a caravan of slaves
That belonged to the Grand Sanussi.
In Al-Jaghbub he freed them.
They still live in the poor section of Benghazi
Near the hospital where I was born.

They never meant to settle
In Tokara those Greeks
Whose eyebrows I wear
--then they smelled the wild sage
And declared my country their birthplace.

The Knights of St. John invaded Tripoli.
The residents of the city
Sought help from Istanbul. In 1531
The Turks brought along my nose.

My hair stretches back
To a concubine of Septimus Severus.
She made his breakfast,
Bore four of his sons.

Uqba took my city
In the name of God.
We sit by his grave
And I sing to you:
Sweet lashes, arrow-sharp,
Is that my face I see
Reflected in your eyes?



Khaled Mattawa

ENVIADO POR AMELIA PAIS


Ver http://www.webdelsol.com/mattawa/km-part1.htm

Milhares de marroquinos exigem reforma constitucional





No Marrocos, milhares de manifestantes exigem que o rei renuncie a parte dos seus poderes e que demita o governo e dissolva o parlamento. Em Rabat, os manifestantes agitavam bandeiras da Tunísia e do Egito e gritavam: "Abaixo a autocracia!". Além da reforma constitucional, os protestos pedem um sistema judicial mais independente, capaz de acabar com a corrupção no país.

Esquerda.Net


Publicado originalmente no Esquerda.Net

Em Marrocos, milhares de manifestantes espalhados por cidades como Marrakesh, Alhoceima, Imzouren, Agadir, Oujda, Rabat, Casablanca e Tanger exigiram neste domingo (20) que o rei Mohammed renuncie a parte dos poderes que lhe são atribuídos e que demita o governo e dissolva o parlamento. Os manifestantes reivindicam uma reforma constitucional e um sistema judicial mais independente, capaz de acabar com a corrupção instalada.

Na capital Rabat, os manifestantes agitavam bandeiras da Tunísia e do Egito e gritavam: "Abaixo a autocracia!".

Há relatos de violência grave. Os protestos em Marrakesh foram "dispersados pela polícia com cassetetes” e dois italianos teriam sido detidos em Casablanca. Os organizadores da manifestação estão sofrendo perseguição policial.

A TV estatal marroquina está cobrindo as manifestações, mas a Al-Jazeera continua proibida de operar em Marrocos. Na noite de sábado, a televisão estatal anunciou que a mobilização teria sido desconvocada, mas os organizadores denunciaram uma operação de propaganda, alegando que as páginas do Facebook estariam sendo invadidas pelas forças de segurança.

Os protestos foram organizados, segundo noticia a Reuters, por um grupo denominado Movimento pela Mudança de 20 de Fevereiro, que atraiu 20.000 seguidores no Facebook e que inclui simpatizantes da Frente Polissário, que reclama a independência do Saara Ocidental.

Aos protestos juntaram-se jovens do grupo da oposição islâmico Justiça e Caridade, membros dos partidos da oposição e militantes berberes.

Ditaduras na África e no Oriente Médio? Que surpresa!





Graças às revoltas árabes, o Ocidente acaba de descobrir com grande assombro que o Bahrein não é só esse exótico lugar onde voam os bólidos da Fórmula 1 e onde amarram os porta-aviões da Quinta Frota. Qual será a próxima tirania que descobriremos no Oriente Médio ou África? A da Guiné? A de Marrocos, que possui uma "relação privilegiada" com a União Europeia? Que grande contrarieddade para o cinismo da realpolitik! O artigo é de Ignacio Escolar.

Ignacio Escolar - Público


O país que os Estados Unidos apresentava como exemplo para a região acaba por ser retratado também como uma brutal ditadura, capaz de colocar o Exército na rua com ordem de disparar contra o povo. Que terrível e inesperada notícia! Que grande contrariedade para o cinismo da realpolitik! Qual será a próxima tirania que descobriremos no Oriente Médio ou África? A da Guiné? A de Marrocos?

Comecemos por Guiné. “Mais coisas nos unem do que nos separam”, ressaltou o presidente do Congresso espanhol, José Bono, em recente visita oficial – junto a representantes do PP, PSOE e CiU – Convergência e União. É óbvio o que “nos une”: o petróleo e os interesses comerciais. E o que nos separa? Minúcias: as execuções de opositores políticos, as torturas, a corrupção do regime de Obiang, que não só conta com a cumplicidade tácita do Estado espanhol, como também com seu respaldo público a título de vacina, já que a liberdade é uma enfermidade contagiosa.

Prossigamos com o Marrocos, essa monarquia absoluta com um cenário democrático que pode presumir “uma relação privilegiada” com a União Europeia, nas palavras do comissário de Ampliação e Vizinhança, Stefan Füle. “Seu país pode estar orgulhoso do que conseguiu até hoje”, felicitou Fule não faz muito tempo ao ministro de Relações Exteriores do Marrocos, elogiando as “reformas políticas” que requerem microscópio para serem apreciadas em sua justa dimensão.

E a que vem tanto elogio? Fácil: neste domingo venceu o acordo de pesca com a Europa que terá que ser renegociado. Em cima da mesa, o incômodo assunto do Saara ou os direitos humanos são só outra moeda de troca.

(*) Ignacio Escolar é blogueiro e jornalista espanhol, colunista do jornal “Público”, de Madri (21/02/2011)

Tradução: Katarina Peixoto

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

A LIBIA EM CHAMAS





ARGEL - A sede central do governo líbio e o prédio que abriga o Ministério da Justiça em Trípoli foram incendiados nesta segunda-feira, 21, pelos manifestantes que reivindicam a queda do regime de Muammar Kadafi, disse o jornalista líbio Nezar Ahmed à televisão "Al-Jazira". O prédio é o local onde o Congresso Geral do Povo, ou Parlamento, se reúne em Trípoli.

Ahmed, por telefone da capital líbia, também assegurou que as forças da ordem praticamente se retiraram da cidade e que várias delegacias e outros prédios públicos também foram saqueados ou incendiados.

"Praticamente não há forças da ordem. Não se sabe aonde foram. Esta situação favorece os rumores alarmantes", explicou o jornalista, que mencionou como um deles a possível fuga de Kadafi do país e divergências entre altos dirigentes do Exército e de outros corpos de segurança.

Segundo Ahmed, há apenas um cordão policial em torno da sede da rede de televisão estatal "Libya TV".

O jornalista também confirmou que neste domingo à noite houve manifestações com queima de fotografias do líder líbio no centro de Trípoli pouco depois do discurso de seu filho Seif el-Islan, e que os tiroteios prosseguiram.

O jornalista também assinalou que os habitantes da capital começaram a formar comitês em cada bairro para proteger bens públicos e privados e que graças a eles foi possível salvar o principal museu da cidade de uma tentativa de incêndio.

Por outro lado, fontes de hospitais relataram à "Al-Jazira" que pelo menos 61 pessoas morreram nesta segunda-feira em Trípoli nos confrontos entre as forças de segurança e os manifestantes.

O canal também informou, citando testemunhas locais, que alguns membros das forças de segurança saquearam vários bancos e empresas estatais durante a manhã.

"Até o último homem em pé"

Kadafi, há 42 anos no poder, vai combater a revolta popular "até o último homem em pé", disse um dos filhos dele em um discurso tranmitido pela televisão, depois que oposicionistas realizaram pela primeira vez manifestações na capital, Trípoli, após dias de tumultos na cidade de Benghazi, no leste do país.

Manifestantes antigoverno saíram às ruas de Trípoli, líderes tribais fizeram declarações contra Kadafi e unidades do Exército desertaram para o lado da oposição, em uma revolta que já custou a vida de mais de 200 pessoas.

Benghazi, onde dezenas de pessoas foram mortas desde que começaram os protestos na semana passada, após a prisão de um advogado defensor de direitos humanos, está sob controle dos moradores, segundo disseram alguns habitantes da cidade.

O filho de Kadafi, Saif al-Islam Kadafi, apareceu na TV numa tentativa de ameaçar os oposicionistas e aclmar os ânimos Ele disse que o Exército iria a qualquer preço restabelecer a ordem no país.

A Líbia vive uma das revoltas mais sangrentas no mundo árabe. desde a queda dos governos da Tunísia e do Egito.

Sedes do governo e do Ministério da Justiça em Trípoli estão em chamas



RIO - Manifestantes que protestam contra Muammar Kadafi tomaram neste domingo a segunda maior cidade da Líbia, Benghazi, disseram testemunhas à "CNN". Eles teriam o apoio de militares que romperam com o governo. À TV estatal do país, o filho do ditador Seif al-Islam Kadafi disse que seu pai vai lutar até que "último homem esteja de pé" e que o Exército vai garantir a segurança da nação a qualquer custo. Ele afirmou ainda temer uma guerra civil e a segregação do país em pequenos reinos islâmicos, se os levantes continuarem.


- Nós não somos a Tunísia ou o Egito - disse.

Seif anunciou, ainda, que o Congresso Geral (equivalente ao Parlamento) vai se reunir na segunda-feira para discutir uma "clara" agenda de reformas, e o governo vai aumentar os salários.

O filho de Kadafi confirmou que os manifestantes tomaram em cidades do leste quartéis, tanques e armas dos militares. Ele disse que é o próprio ditador quem está comandando a reação do Exército contra os protestos.

Apoiadores do governo marcham para Trípoli
Em uma tentativa de desqualificar as manifestações, Seif al-Islam atribuiu as agitações dos últimos dias a bêbados, criminosos e estrangeiros. E, ao falar em guerra civil, disse que a situação do país ficaria caótica, se a população não se juntasse em apoio ao governo. O movimento liderado pelos opositores acabaria com a riqueza do petróleo, completou.

- Isso é uma traição. Cada um de nós quer ser um líder, cada um de nós quer ser um príncipe - afirmou.

Segundo ele, milhares de líbios que apoiam Kadafi estão marchando para Trípoli para defender o governo. Enquanto ele falava, a polícia usava gás lacrimogênio para dispersar centenas de manifestantes na capital, onde tiros foram ouvidos, carros foram incendiados e pedras atiradas contra outdoors com fotos de Kadafi pai. O jovem Kadafi, que foi nomeado em 2009 como coordenador-geral da Líbia e é apontado como herdeiro de seu pai, reconheceu que o Exército cometeu erros durante as agitações porque não foi treinado para lidar com manifestações, mas acrescentou que o número de mortos foi superestimado e disse que eles somam 84. A organização Human Roights Watch informou, no entanto, que já são ao menos 233.

O filho do ditador que está há 41 anos no poder disse que as reformas serão propostas dentro de dias, o que descreveu como uma "iniciativa histórica nacional", e afirmou que o regime está disposto a suspender algumas restrições e a iniciar as discussões para uma Constituição. E se ofereceu para mudar algumas leis, inclusive as relativas à mídia e ao código penal.

No fim da noite de domingo, o chefe da tribo Al-Zuwayya, Faraj al-Zuway, disse que interromperá o fornecimento de petróleo para o Ocidente caso as autoridades não ajudem a depor Kadafi.

Novos ataques a funerais
Dezenas de pessoas foram mortas em Benghazi, num segundo ataque a funerais. Residentes da cidade afirmam que a região virou uma "zona de guerra", com moradores montando barricadas nas ruas e atiradores ligados ao governo atacando manifestantes. Um grupo antigoverno teria usado um carro carregado com explosivos contra forças de segurança. No sábado, as forças oficiais abriram fogo contra manifestantes, durante um funeral. Testemunhas que conversaram com os repórteres da "CNN" caraterizam os confrontos como um genocídio.

De acordo com a TV al-Jazeera, outros manifestantes estavam se dirigindo contra o complexo de Kadafi, na cidade de Al-Zawia, nas proximidades de Trípoli. A emissora disse que o objetivo da multidão é incendiar a instalação.

(Número de mortos na Líbia pode passar de 200)
O ataque ocorreu durante um novo cortejo fúnebre de manifestantes que morreram no sábado. O choque aconteceu quando centenas de pessoas que participavam do funeral, algumas carregando caixões nas cabeças, passavam pelo quartel militar de Alfadeel Abu Omar. Um grupo atirou um veículo contra o muro do quartel, e as tropas abriram fogo contra os que seguiam no cortejo.

"
Podemos dizer que o que aconteceu aqui foi um genocídio
"
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.Os confrontos continuaram ocorrendo em torno do quartel militar e, de acordo com o médico do Hospital al-Jalla, em Benghazi, mais de 200 pessoas já morreram. Testemunhas dizem que a situação é muito grave e chegam a caraterizar os ataques como um genocídio.

- A situação é muito, muito grave no momento. Podemos dizer que o que aconteceu aqui foi um genocídio - relatou uma testemunha à "CNN" por telefone.



O embaixador da Líbia para a Liga Árabe renunciou em meio à agitação no país. Abdel Elhuni disse que não pode participar de um regime que mata inocentes. As manifestações populares contra o regime de Muammar Kadafi, que governa o país há 41 anos, vêm fazendo vítimas desde a última quarta-feira. O governo mantém rígido o controle da comunicação no país e não confirma o número de mortos.


Os distúrbios na Líbia já são considerados os mais sangrentos desde o início das revoltas de Tunísia e Egito, há pouco mais de um mês. Kadafi vem tentando nos últimos anos aproximar a Líbia do resto do mundo, anunciando - em 2003 - que daria fim ao seu programa de armas de destruição em massa. Apesar disso, o regime é acusado de violar os direitos humanos. Segundo o ex-diplomata britânico Richard Dalton, trata-se da maior crise enfrentada por Kadafi.

- Está claro que é uma revolução política. Não é uma questão econômica. É um movimento extraordinário e significante para a Líbia.

EUA devem diminuir representação diplomática
A notícia sobre a violência usada para impedir os protestos estremeceu as já razoáveis relações com os Estados Unidos. A embaixadora americana nas Nações Unidas, Susan Rice, condenou os ataques, dizendo aos líderes afetados pelas revoltas que deixem de resistir às reformas. Segundo ela, o governo de Barack Obama está "muito preocupado" com os relatos de ataques armados.

- Nós condenamos a violência. Nossa opinião é que na Líbia, assim como em toda a região, protestos pacíficos devem ser respeitados.

De acordo com a agência de notícias "Reuters", o Departamento de Estado americano vai começar a reduzir sua representação diplomática no país, oferecendo voos gratuitos a funcionários de embaixadas. A violência fez com que os EUA alertassem seus cidadãos a não viajarem à Líbia.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Manifestantes tomam segunda cidade da Líbia, tropas abrem fogo






- (Reuters) - As forças de segurança da Líbia abriram fogo contra os manifestantes na segunda cidade do país, Benghazi, no domingo, disse uma testemunha, depois de muitas mortes em um dos dias de protestos mais sangrentos que assolam o mundo árabe.
Moradores disseram que dezenas, talvez centenas de milhares de manifestantes tomaram as ruas da cidade para enterrar os muitos mortos das últimas 24 horas.

Os manifestantes, inspirados pela agitação na vizinha Tunísia e no Egito, exigem o fim da ditadura de Muammar Kadafi, que já dura 41 anos. Suas forças de segurança responderam com violência. As comunicações estão sendo controladas, e o acesso de jornalistas internacionais a Benghazi não é permitido.

O grupo Human Rights Watch disse que 84 pessoas foram mortas na cidade no sábado, elevando o número de vítimas fatais nos confrontos que ocorrem principalmente no leste do país para 173 em quatro dias de distúrbios.

"Houve um massacre aqui ontem à noite", disse à Reuters por telefone no domingo um morador que não quis se identificar. Mais tarde no domingo, um dos principais líderes tribais, que pediu anonimato, disse que as forças de segurança, que estavam confinadas, deixaram os alojamentos nos quartéis e atiravam nos manifestantes nas ruas, como "uma perseguição de gato e rato."

Os confrontos aconteceram em uma estrada que leva a um cemitério, onde milhares de pessoas foram enterrar seus mortos.

"A situação é muito tensa e vários incêndios irromperam no quartel general do comitê revolucionário e em outros edifícios", ele disse.

Informações fragmentadas indicam que as ruas de Benghazi, cerca de 1.000 km ao leste da capital, Trípoli, estão agora sob o controle dos manifestantes antigoverno, sofrendo ataques periódicos das forças de segurança, que atiram de dentro do seu quartel murado.

Um morador disse que cerca de 100 mil manifestantes dirigiram-se ao cemitério "para enterrar dezenas de mártires".

Outra testemunha disse à Reuters que milhares de pessoas realizaram rituais de orações em frente aos 60 corpos expostos na cidade. Mulheres e crianças estavam entre a multidão de centenas de milhares de manifestantes que foram até a orla marítima mediterrânea e à área ao redor do porto, ele disse.

Um médico de um hospital de Benghazi disse que as vítimas sofreram ferimentos graves causados por armas de longo alcance.

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sábado, 19 de fevereiro de 2011

Líder do PT diz não crer em dissidência no Senado








Renata Camargo

O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), disse há pouco acreditar que não haverá dissidência entre os senadores da base governista na votação do salário mínimo, prevista para a próxima quarta-feira (23). Segundo ele, o partido vai intensificar o diálogo com o senador Paulo Paim (PT-RS), que indica apoio à proposta de R$ 560, encampada sem sucesso pelas centrais sindicais na Câmara.

"Nós trabalhamos com a hipótese de que ninguém vote contra a proposta do salário mínimo. No caso de emenda da base, vamos apelar fortemente para resolver isso", disse Humberto Costa. "A bancada do governo não votará envergonhada. Nós nos orgulhamos da política do salário mínimo, não temos de ter qualquer constrangimento", afirmou, em alusão aos 15 deputados de partidos da base aliada que votaram contra a orientação do governo.

Os indícios de dissidência vêm do Rio Grande do Sul. Na tarde de hoje, o petista Paulo Paim voltou a afirmar que votará contra a proposta governista e que apresentará uma emenda para garantir um reajuste de R$ 560 para este ano. O petista acredita que alguns senadores de partidos da base aliada o acompanharão, como Pedro Simon (PMDB-RS) e Ana Amélia (PP-RS).

“Alguns companheiros já conversaram com o Paim. Vou conversar com ele também. Muitos dos senadores que compõem a base estão conscientes da votação”, disse o líder do PT. Humberto Costa negou que possa haver algum tipo de retaliação por parte do partido e do governo caso Paim ou outros senadores da base não votem com o Executivo. “Não trabalhamos dessa maneira. O ônus e o bônus são iguais para todos os senadores do PT”, afirmou.

Segundo o líder do governo no senado, Romero Jucá (PMDB-RR), os líderes da base e da oposição já concordaram com a votação do reajuste do salário mínimo na próxima quarta-feira (23). O líder do governo deve apresentar na próxima semana um requerimento de urgência para votar com prioridade no plenário do Senado o projeto do mínimo. Sem a urgência, a proposta teria que passar por comissões.



http://www.congressoemfoco.com.br/noticia.asp?cod_canal=1&cod_publicacao=36128

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

HEMETÉRIO CABRINHA









Falando a meu coveiro



É aqui neste lugar, ao pé deste cipreste,

junto a este mausoléu. Pega uma enxada, cava
sete palmas de chão! Anda depressa, grava
no teu semblante mudo o riso que escondeste!
Abre o meu leito eterno... O meu lugar é este!
Quero nele abafar minha paixão escrava!
Quero enterrar-me logo... a vida já me agrava...
Depressa! A minha dor de dores se reveste!

Alarga-a mais um pouco, afasta mais a areia!
Ela, assim como está, torna-se muito feia, profunda-a mais... trabalha! Este dinheiro é teu!

Que é isso? Um crânio aí? Dá-mo, quero beijá-lo.
Limpa-lhe bem o pó! Dá cá, quero estudá-lo
Como alguém algum dia há de estudar o meu!

(Vereda iluminada! 1932

VERLAINE






A LUA BRANCA

Verlaine


A lua branca
luz sobre o bosque.
De cada ramo,
ouço uma voz
vem da folhagem:

Oh! bem-amada!

O lago reflete,
profundo espelho,
o vulto vago
daquele salgueiro
que uiva ao vento.

Sonhar é a hora...

Do espaço desce
uma entranhada
calma imprecisa
que do céu estrelado
a lua irisa.

A hora indecisa...

(Trad. livre de Rogel Samuel)




%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%



Tradução de Onestaldo de Pennafort




1

A lua branca
brilha no bosque.
De ramo em ramo,
parte uma voz que
vem da ramada.



Oh! bem-amada!


Reflete o lago,
como um espelho,
o perfil vago
do êrmo salgueiro
que ao vento chora.


Sonhemos, é hora...


Como que desce
uma imprecisa
calma infinita
do firmamento
que a lua frisa.


É a hora indecisa...

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Rogel Samuel - O SAMBA DE GENESINO BRAGA



Na foto: Genesino Braga à esquerda e Ulisses Bitencourt à direita.



Genesino Braga compôs um samba. Não é bem música, mas uma crônica, uma prosa. Com ritmo de samba: “Brasil verdadeiro, que mora nos morros, que corre nas praias, que sua nos roçados, que laça nos pagos, que corta seringa, que tange boiadas, que rema no mar...”. Qualquer bom sambista transformaria seu texto em música. Aliás, ele tocava cavaquinho, e muito bem. Era um artista da crônica, da prosa. Escreveu centenas delas, hoje perdidas, nos jornais de Manaus. E alguns livros.
Ele era um amante da vida. Sempre me lembro dele com um sorriso nos lábios. Um pouco gordo, mas elegante, ele era paraense. Membro da Academia Amazonense de Letras. Amigo de meu pai, que era francês, Genesino gostava da cultura francesa, das coisas de Paris, como todo amazonense culto daquela época. Mas só visitou Paris uma vez, já perto da morte.
Ele era um verdadeiro “homem de letras”. Até por profissão: era bibliotecário. Passava os dias com os livros. Durante muitos anos foi diretor da Biblioteca Pública de Manaus. Lá fez grandes eventos, como um curso universitário (dentro da Biblioteca) que trazia grandes nomes da cultura nacional para dar aulas, como Gilberto Freyre, a quem assisti. Era um tempo de efervescente atividade intelectual da Biblioteca, que disponibilizava conferências, exposições de pintura, curso de inglês com a famosa Miss Menezes (onde estudei).
Para mim, Genesino foi uma espécie de pai espiritual.
O samba, diz ele, “Tem toda a cadência das falas, dos modos, da alma e da vida do estrênuo Brasil!... Tem todos os ecos que afirmam os anseios, as dores e as mágoas da raça caldeada no sangue tapuio, na alma dorida do negro cativo, na lusa saudade do desbravador!... Tem todas as vozes da faina dos morros, o ar dos barracos, o gingo das “negas”, a gíria solerte dos “cabras” matreiros, a ingênua crendice das velhas mucamas!... O samba é o Brasil!...”

Esta prosa tem ritmo. De samba. Em verso, seria assim:

Tem toda a cadência
das falas, dos modos,
da alma e da vida
do estrênuo Brasil!...
Tem todos os ecos
que afirmam os anseios,
as dores e as mágoas
da raça caldeada
no sangue tapuio,
na alma dorida
do negro cativo,
na lusa saudade
do desbravador!...

Sim, era eu um adolescente, e toda semana Genesino e sua esposa Dinoralva vinham jogar em nossa casa (assim como meus pais iam na deles). Dinoralva, graças a Deus ainda bem viva e forte, tem nome de fada, ou de personagem medieval. Simpaticíssima e elegante. Ainda posso ouvir a voz tonitruante de Genesino, voz bem grave, soltando uma gargalhada que enchia o espaço. Ele era um nobre. Em atitudes e beleza. Sua casa tinha os melhores quadros da cidade, ainda que não fosse rico. Mas tinha muito bom gosto. Em sua casa ele se movia como um nobre em seu castelo. Aliás, sempre morou bem, com um belo gabinete de trabalho e ampla biblioteca. E era amigo dos maiores escritores do país. Toda a vez que Jorge Amado publicava um romance, mandava um exemplar autografado para ele. Na sua casa de esquina (não me lembro os nomes das ruas, sou péssimo para ruas), sempre se comia muito bem, e no jardim bem cuidado era posta a mesa. Hoje a casa é uma escola, mas eu sempre me lembro dele, ali.
Genesino não era um intelectual maçante. Ao contrário. Gostava de futebol e de carnaval. Era diretor do Rio Negro, hoje conhecido nacionalmente no mundo do futebol. E também era membro da diretoria do Ideal Clube, clube da alta sociedade da época. Escreveu mesmo um livro sobre o Ideal. Freqüentava a alta roda da sociedade, era amigo de governadores, mas era um homem aberto ao popular.
O melhor dele, depois da prosa, era o sorriso.
Genesino tinha sempre um sorriso nos lábios. Mesmo nos dias finais, quando estava quase cego, condenado ao leito, vítima de uma hemorragia cerebral. Sem poder falar, Genesino sorria.
Bastava.

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ENTREVISTA COM ANA MIRANDA








"A literatura permeia tudo" - Ana Miranda

Helder Miranda


Publicada no site cultural Resenhando.



A escritora de romances e poesias, Ana Miranda, contemplada pela segunda vez com o prêmio jabuti e premiada pela Biblioteca Nacional é a autora de Desmundo, romance recentemente adaptado para o cinema, Boca do Inferno e Dias e Dias. Ana Miranda colaboradora da revista Caros Amigos, mas começou na literatura por meio de poemas e poesias, surgindo seus dois primeiros livros: Anjos e Demônios (Editora José Olympio/INL, Rio de Janeiro, 1979) e Celebrações do Outro (Editora Antares, Rio, 1983).

Em 1989, publica seu primeiro romance, Boca do Inferno, uma visita literária ao passado colonial brasileiro pela recriação das vidas do poeta Gregório de Matos e do jesuíta Antonio Vieira. A obra foi bem recebida pelo público, pela crítica - recebeu o Prêmio Jabuti de 1990 - e por professores que a adotaram como fonte para estudos literários sobre o barroco brasileiro. O romance foi lançado também na França, Inglaterra, Itália, Estados Unidos, Argentina, Noruega, Espanha, Suécia, Dinamarca, Holanda e Alemanha.

Outro tema histórico é recriado em seu segundo romance, O Retrato do Rei, de 1991. A seguir, Sem pecado, de 1993, Sem Pecado traz a autora à ação contemporânea, mas em seu romance seguinte, A Última Quimera, de 1995, a Belle Époque do Rio de Janeiro é o cenário em que outro poeta, Augusto dos Anjos, tem sua vida ficcionalizada. A obra rendeu à autora uma bolsa da Biblioteca Nacional.

Desmundo (livro que originou o filme dirigido por Alain Fresnot) , outra ficção histórica, é de 1996. Com uma linguagem do século XVI, conta a história de órfãs mandadas de Portugal ao Brasil para se casar com os colonos. Todos os romances acima foram publicados pela Companhia das Letras, em São Paulo. Outra figura sagrada da literatura brasileira, desta vez Clarice Lispector, é transformada em personagem. A novela Clarice é lançada em 1996 na Alemanha e no Brasil pela Fundação Rio. A Companhia das Letras reeditou a obra em 1998. Ainda pela Companhia das Letras, é publicado em 1997 o romance Amrik, passado no fim do século 19, sobre os imigrantes libaneses em São Paulo. Em 1999 são publicados os primeiros contos de Ana Miranda, reunidos no volume Noturnos. Em 2002, outro poeta se transforma em personagem. Em Dias e Dias, Gonçalves Dias é aproveitado pela autora para dar voz à linguagem do romantismo.

Além da produção literária, Ana Miranda escreve artigos, resenhas e ensaios para jornais e revistas, roteiros de cinema e trabalha na edição de originais, organizando obras de nomes como Vinícius de Morais e Otto Lara Resende. Em 1998, reuniu para a editora Dantes uma coletânea de poesias de amor conventual, Que Seja em Segredo, e em 2000, uma antologia de sonhos intitulada Caderno de Sonhos. Foi escritora visitante na Universidade de Stanford em 1996, e faz palestras e leituras em universidades e instituições culturais de diversos países. Desde 1999 Ana Miranda faz parte do grupo de escritores que concede anualmente, em Roma, o Prêmio União Latina de Romance.

Ana Miranda nasceu em Fortaleza, Ceará, em 1951, e mudou-se para o Rio de Janeiro aos quatro anos de idade. Em 1959 foi para Brasília, ao encontro de seu pai, engenheiro, que trabalhava na construção da cidade. Em 1969 voltou para o Rio de Janeiro, a fim de prosseguir com seus estudos de artes.

Vale lembrar que Ana Miranda tem uma longa história no cinema como atriz e roteirista. Foi uma índia em Como Era Gostoso o Meu Francês (1970/72) e protagonizou, com Jofre Soares, o longa-metragem A Faca e o Rio, que o holandês George Sluizer realizou no Brasil em 1972. Desde 1999 Ana Miranda mora em São Paulo.

RESENHANDO - O que representa a literatura em sua vida?
ANA - É o meu trabalho, é o meu alimento espiritual, é a minha vida, não poderia mais viver sem literatura, seja lendo, seja escrevendo.

RESENHANDO - Você já escreveu Boca do Inferno, sobre a vida de Gregório de Matos, A Última Quimera, sobre Augusto dos Anjos, Clarice, sobre Clarice Lispector, e Dias e Dias, sobre o poeta Gonçalves Dias. De onde vem sua paixão por biografias, por que só escritores, e até que ponto é possível romancear a vida de alguém?
ANA - Na verdade não escrevo biografias, são romances, em que poetas ou escritores são personagens, e o foco não é a biografia desses autores, mas o mundo em que eles viveram. Isso nasceu de meu amor pela poesia, e pela palavra, esses poetas que escolhi como tema são fontes literárias muito ricas. Meus personagens não são apenas escritores, são padres, prostitutas,governadores, índios, moças do interior, bandidos, etc, mas parece que o que tem marcado mais meu trabalho, para os leitores, é a presença dos personagens poetas e escritores. Falo sobre mundos em que a história literária é fundamental, sim, em alguns livros, mas há muito mais entre o céu e a terra... As biografias, em geral, mesmo quando objetivas, sempre têm um ar de romance, sempre que se usa a palavra para contar algo, a visão é muito subjetiva, porque a palavra é subjetiva.

RESENHANDO - Em uma de suas entrevistas, você afirma que seu trabalho deve aparecer mais que sua vida pessoal. Em contrapartida, o fato de ganhar pela segunda vez o prêmio Jabuti de Literatura, e a adaptação de Desmundo para o cinema faz com que ganhe cada vez mais notoriedade. O que isso muda em sua carreira?
ANA - Minha vida continua a mesma de sempre, gosto de escrever, escrever, escrever, e ler, ler, ler, e ficar em casa quieta escrevendo e lendo. Nem os prêmios, nem o filme, mudam minha vida, sinto que estou ficando cada vez mais conhecida, pelo Brasil afora, mas a minha vida continua a mesma.

RESENHANDO - A maioria de suas protagonistas são mulheres vindas de outros continentes e o pano de fundo é quase sempre um momento histórico. Não teme ser considerada escritora de uma só história?
ANA - Não, acho que todos os escritores estão sempre escrevendo o mesmo livro, porque o livro é um retrato da alma de quem o escreveu, e a alma é sempre a mesma, ainda que mudem o cenário, a época, os personagens. Acho bom sentir uma certa unidade em meu trabalho, até busco essa unidade.

RESENHANDO -Seus personagens são muito ardentes e sensuais. Há algum reflexo de personalidade entre eles e o temperamento da autora?
ANA - Não acho o Braço de Prata ardente ou sensual, nem o padre Vieira, nem a Bernardina Ravasco, nem a Feliciana, nem tantos outros. O que acontece é que o tema de Boca do Inferno é ardente e sensual, é a Bahia colonial, com muita devassidão, muitos pecados. Também a Amina, de Amrik, é muito sensual, pois é uma dançarina libanesa e há a presença da literatura árabe, as Mil e uma noites, o Jardim das delícias, que são livros ardentes e sensuais. Claro que gosto de lidar com essa matéria, tenho um lado sensual e ardente, todos temos, alguns escondem, alguns ignoram, mas todo ser humano é dotado de sensualidade.

RESENHANDO- Qual a sua opinião sobre a importância que, hoje em dia, o livro exerce sobre a população?
ANA - Não sei medir, sei que os livros são fundamentais, a literatura permeia tudo, desde sempre, e para sempre, não seríamos a humanidade que somos se não houvesse o livro. É uma peça de extraordinária profundidade na história da comunicação humana, um museu da alma, do intelecto, do espírito, do tempo, do sentimento, um museu da humanidade.

RESENHANDO - Quem você acha que são as pessoas que constituem seu público alvo? Por que?
ANA - Não tenho público alvo, escrevo para mim mesma. As pessoas que gostam dos meus livros são as pessoas que têm afinidade comigo, com o que eu escrevo, mas são as mais variadas, só têm em comum o fato de serem alfabetizadas.

RESENHANDO - Para você, a evolução tecnológica está afastando as pessoas dos livros, da boa leitura?
ANA - Quem gosta de ler sempre vai gostar de ler, a tecnologia não tem nada a ver com isso, apenas ajuda a se escrever mais facilmente um livro, a se imprimir melhor os livros, a se comprar mais facilmente um livro. Mas não há nenhum plano no sentido de usar a tecnologia para aproximar as pessoas dos livros, ou da boa leitura, o que seria muito bom, se acontecesse.

RESENHANDO - O que você sente quando um livro seu é lançado?
ANA - Sinto alívio quando termino um livro, sinto apreensão quanto ao que vai acontecer, ao que vão dizer, se vão compreender o livro. Mas, em geral, quando o livro é lançado, já estou escrevendo outro, e isso dilui um pouco a minha relação com o lançamento.

RESENHANDO - Quem são seus ídolos na literatura? Sofreu ou sofre alguma influência deles?
ANA - Não tenho ídolos, nunca tive, vejo os escritores como seres humanos, com suas peculiaridades. Claro, admiro profundamente certos textos, como os de Shakespeare, Kafka, Proust, Borges, etc etc, uma infinidade de autores e livros me encantam. E todos eles me influenciam, sou muito permeável a influências.

RESENHANDO - Na literatura, tem algum nome da nova safra de escritores que você destaca? Por quais motivos?
ANA - Você está falando da literatura brasileira, certamente. Acho que tenho mais afinidade com o Miltom Hatoum, acho-o maravilhoso, sério e profundo, mas gosto de muitos, muitos, o Cristóvão Tezza, o Bernardo Carvalho, a Patrícia Melo, o Carlos Sussekind, o Marçal Aquino, o Bernardo Ajzenberg, adoro a poesia de Marco Luchesi, acho-o surpreendente e elevado como o infinito, poderia fazer uma lista imensa, são muitos os escritores a destacar.


RESENHANDO - Fale sobre seus poemas. Continua escrevendo-os? Existe alguma possibilidade de reeditá-los?
ANA - Continuo recebendo poesias em minha cabeça, e anoto, guardo, esqueço. Não penso em publicá-las, não sou boa em poesia. Não gostaria de reeditar meus livros de poesia, não são bons, e não quero ocupar o espaço dos poetas, que é tão restrito, poucas editoras se aventuram a publicar poesia de novos poetas. Louvo as que o fazem.

RESENHANDO - Você prefere escrever romances, contos ou poemas? Por que? E para ler, prefere qual desses gêneros literários?
ANA - Prefiro escrever romances, sou romancista, sinto mais desenvoltura quando escrevo romance, sinto que estou fazendo o que gosto de fazer, o que aprendi a fazer, não sou boa contista, são coisas muito diferentes. Isso não significa que meus romances excluam os outros gêneros, hoje os limites são muito difusos. Para ler, gosto, primeiro, de poesia, depois de romance, depois de conto, geralmente é assim, mas tem épocas em que só leio contos, e outras em que só leio poesia, e outras em que só leio romances, isso depende de meu estado de espírito.

RESENHANDO - O que sente tendo seus livros publicados em outras línguas?
ANA - Acho horrível, arriscadíssimo, tenho a sensação de que não é mais o meu livro, não escrevi nada daquilo, gostaria que todos aprendessem português para ler os nossos livros no original. Mas sinto orgulho quando olho a minha estante de meus livros traduzidos, sei que isso é bom, mesmo com as deficiências inerentes à tradução. Tenho muita gratidão pelos tradutores, todavia, pois não falo nem árabe nem alemão nem grego nem russo, nem tantas outras línguas, e admiro demais os tradutores, há pessoas que fazem isso de forma genial.

RESENHANDO - Explique seu conceito de invisibilidade.
ANA - Não entendi essa pergunta. Há diversas invisibilidades. O Mandrake fica invisível, e eu adorava sonhar que eu também tinha esse poder, quando lia as suas histórias em quadrinhos. E às vezes quase consigo, gosto de uma posição discreta, de observadora. Mas há outras espécies de invisibilidade.

RESENHANDO - Descreva todos os seus talentos na infância. Por que escolheu a literatura?
ANA - Nasci, como todas as crianças, com todas as aptidões da sensibilidade, para desenho, música, movimento, ritmo, cor, teatro, fantasia, sonho, mas tive a sorte de ver as minhas aptidões desenvolvidas, sou uma pessoa versátil, e isso sempre foi uma faca de dois gumes, atrapalhou e ajudou, mas consegui solucionar esse problema, hoje convivo melhor com isso.

RESENHANDO - Como foi a sua experiência como atriz? Pretende voltar a atuar, por que?
ANA - Foi uma ótima experiência, aprendi muito, principalmente sobre o Brasil, pois pude viajar e penetrar muitas realidades de nosso país, conheci muitas pessoas inesquecíveis, adoro cinema. Mas não sei se posso chamar minha experiência de um trabalho de atriz, eu apenas estava por ali, e me convocavam a participar dos filmes, au gostava de viajar com as equipes de cinema, era um tempo em que se fazia cinema por amor, mas a minha compulsão sempre foi autoral, jamais soube interpretar, não gosto de ser olhada.

RESENHANDO - Todo escritor escreve sobre relações humanas. Como você analisa o relacionamento das pessoas nos dias de hoje. Dá para comparar as relações atuais e as do passado?
ANA - Estão muito mais complexas, a sociedade está mais complexa. Antigamente você conhecia umas vinte, cinqüenta, cem pessoas em sua vida, e se relacionava com poucas. Hoje conhecemos milhares de pessoas, de culturas diferentes, o mundo está pequenino, pega-se um avião e no dia seguinte tudo mudou, e os grupos familiares são os mais inesperados, e a vida íntima das pessoas hoje é pública, tudo isso complica as relações. Mas os seres humanos continuam os mesmos, com seus sentimentos, amor, ódio, ciúme, inveja, traição, desejo de poder, etc etc.

RESENHANDO - Se pudesse voltar no tempo, reescreveria algo, achando que poderia ter feito melhor?
ANA - Tenho sempre reescrito meus livros, faço revisões em livros publicados, acabo de fazer uma revisão deBoca do Inferno, tomada de uma visão mais ampla, sempre se pode fazer melhor, sempre.

RESENHANDO - A mídia explorou bastante um suposto romance seu com o senador Eduardo Suplicy. O que acha sobre esse tipo de informação? Existe alguma verdade nestas notícias?
ANA - Sempre preservei a minha vida pessoal. Não gosto desse tipo de publicidade. O Eduardo e eu somos amigos, e nos gostamos muito.

RESENHANDO - Comente essa frase, dita em uma entrevista para a revista Caros Amigos: "estou sempre a favor do mais fraco, mesmo que ele esteja errado".
ANA - Essa frase resume a minha atitude política, e ética. Tenho muito amor pelo pobre, pelo oprimido, por aquele que não tem oportunidade, pelo abandonado, pelo frágil, pelo fraco, um sentimento meio maternal. Não posso ver alguém em dificuldade, quero ajudar. Isso me faz sofrer muito.

RESENHANDO - Para você, qual o real significado da palavra solidão?
ANA - Faz parte da condição humana, a solidão. Todos somos solitários, e vivemos em busca do outro, mas sempre somos apenas nós mesmos, e ninguém, jamais, tem o poder de compreender totalmente o outro, a compreensão, a afinidade, a conjunção, são apenas um desejo de fugir à solidão. A natureza de nosso trabalho, de escritores, nos põe em contato direto e constante com a solidão. Mas gosto de me iludir, achando que a solidão pode ser substituída pela comunhão, mas a comunhão se dá em momentos, momentos sublimes, mas fugazes.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

EUA: deputado propõe bloqueio econômico à Venezuela








O deputado republicano Connie Mack, do estado da Flórida, afirmou em discurso neste sábado (12) que os Estados Unidos deveriam impor um bloqueio econômico "total" à Venezuela, em represália ao presidente Hugo Chávez. O senador estadunidense, que chamou Chávez de "o Osama Bin Laden da América", pediu também que Washington inclua a Venezuela na lista de países que patrocinam o terrorismo.
As palavras foram ditas durante a Conferência Conservadora de Ação Política (CPAC), uma reunião onde potenciais aspirantes a candidaturas republicanas medem seu apoio. "Como Bin Laden, por razões que somente ele sabe, [Chávez] declarou os EUA como seu inimigo mortal. Como [Mahmoud, presidente do Irã] Ahmadinejad, tem a sua disposição direitos privilégios e recursos de um Estado, um estado muito próspero", afirmou.

Mack, que é presidente do Subcomitê para o Hemisfério Ocidental da Câmara dos Deputados, afirmou que sua tarefa na casa, atualmente dominada por republicanos, é concentrar-se em um "perigo claro e presente que está surgindo em nosso próprio continente", em referência a Chávez.

Além disso, o deputado propôs que os EUA aumentem a importação de petróleo do Canadá, para depender menos das exportações de Caracas. A Venezuela é a terceira maior exportadora para o mercado norte-americano e a produção, que a estatal PDVSA (Petróleos de Venezuela S. A) quantifica em três milhões de barris por dia e a OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) em 2,3 milhões, situa-se neste momento entre um quarto e um terço da saudita, a maior do mundo.

Fonte: Ópera Mundi

RONALDO EXPULSO PELA TORCIDA

domingo, 13 de fevereiro de 2011

APÓSTROFE











APÓSTROFE

L.RUAS


em vão hás de voar pássaro triste
buscando o fruto verde não sepulto
nas praias naufragadas onde existe
a concha nacarada — peixe inculto

além de tuas patas espalmadas
o mar é brisa calma e mata bruta
as asas que se abrem limitadas
mergulham sem tocar na doce fruta

em curvas linhas retas canto e arte
te vejo entre o céu e o barro forte
comendo espaço e tempo sul e norte

buscando em vão o fruto que te farte.
quem sabe? pode ser que noutros mares
sacies teu desejo. é bom tentares.

(Aparição do Clown)

Rogel Samuel: No Egito, os militares sempre estiveram no comando do poder





Engana-se quem pensa que Mubarak tinha as rédeas do poder. Quem governava era o conselho de guerra, eram os militares,

Eles continuam no poder.

Como antes.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Elizabeth Taylor has had another health scare.




FONTE PEOPLE


The legendary actress, 78, was taken to Cedars-Sinai Medical Center in Los Angeles earlier this week for symptoms caused by congestive heart failure, described as "an ongoing condition," according to a statement from her reps.

"This issue is being addressed," the statement says. "She is currently being kept in the hospital for monitoring."

Taylor underwent heart surgery in October 2009 and has a long history of medical problems.

"Her family and close friends are appreciative of the warm support and interest of her loyal fans," the statement says, "but have asked that people respect her privacy and allow her medical team the time and space to focus on restoring her back to health."

Elizabeth Taylor é internada com problemas cardíacos





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DE SÃO PAULO

Elizabeth Taylor, 78, está internada no centro médico Cedars-Sinai, em Los Angeles.

Segundo o site da "People", ela deu entrada no local no começo desta semana.

A atriz estava com sintomas de insuficiência cardíaca, descrita por representantes dela como "intermitentes".

Segundo comunicado divulgado por eles, Elizabeth Taylor continua no hospital porque sua condição está sendo monitorada.

"A família a amigos agradecem o apoio caloroso e o interesse de seus fãs leais, mas pedem para que as pessoas respeitem a privacidade dela e permitam que a equipe médica tenham tempo e espaço para focar em restaurar sua saúde", diz o texto.

A atriz, cuja última internação foi em outubro de 2009, tem um longo histórico de problemas de saúde.

The Grosby Group

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

OLHOS

FIM DE UMA AGONIA. E AGORA?


Após 18 dias de intensos e violentos protestos que tomaram diversas cidades do Egito, o ditador Hosni Mubarak, 82, renunciou ao poder depois de comandar uma ditadura com mão de ferro durante 30 anos. O anúncio foi feito pelo vice-presidente egípcio, Omar Suleiman, na TV estatal. Em poucos minutos, centenas de milhares estavam em festa e aos gritos na praça Tahrir, epicentro das manifestações de oposição.

CAIRO (Reuters) - O Conselho Militar do Egito vai demitir o gabinete e suspender as duas casas do Parlamento, informou a rede de televisão Al Arabiya na sexta-feira.
A TV acrescentou que o Conselho Militar vai administrar o país com o chefe da Suprema Corte Constitucional.

O comunicado do Exército deve ser divulgado ainda nesta sexta-feira, segundo a emissora. O presidente Hosni Mubarak anunciou sua renúncia após 30 anos no poder.

(Por Edmund Blair)



CAIRO (Reuters) - Ao menos dois helicópteros decolaram nesta sexta-feira do palácio presidencial de Hosni Mubarak, no Cairo, afirmaram testemunhas.
Um membro do partido do governo disse à Reuters, mais cedo, que o presidente se dirigia para o balneário de Sharm el-Sheikh, no mar Vermelho.

(Redação do Cairo)




quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Rogel Samuel - "África, mãe do capitalismo europeu"



Leia "África, mãe do capitalismo europeu" de Rogel Samuel em:

http://www.blocosonline.com.br/home/index.php

PCdoB COM KASSAB


Como adiantou Poder Online, o PCdoB de São Paulo aceitou a proposta do prefeito Gilberto Kassab para assumir a secretaria que coordenará as questões relacionadas à Copa de 2014 na cidade.

Reunidos durante cerca de três horas, ontem à noite, os dirigentes comunistas aprovaram a participação do PCdoB no governo Kassab. A ideia, segundo um dos membros do diretório municipal, é fazer com que o patido tenha, a partir de agora, “mais ousadia e protagonismo”.

Nos próximos dias, a proposta de Kassab passará pelo crivo do presidente nacional da legenda, Renato Rabelo, que deve referendar a decisão do PCdoB.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

QUE SIGNIFICARÁ UMA REVOLUÇÃO NO EGITO?






When Frank Wisner, the seasoned U.S. diplomat and envoy of President Obama, met with Hosni Mubarak on Tuesday, Feb. 1, the scene must have been familiar to both men. For 30 years, American diplomats would enter one of the lavish palaces in Heliopolis, the neighborhood in Cairo from which Mubarak ruled Egypt. The Egyptian President would receive the American warmly, and the two would begin to talk about American-Egyptian relations and the fate of Middle East peace. Then the American might gently raise the issue of political reform. The President would tense up and snap back, "If I do what you want, the Islamic fundamentalists will seize power." The conversation would return to the latest twist in the peace process.

It is quite likely that a version of this exchange took place on that Tuesday. Mubarak would surely have warned Wisner that without him, Egypt would fall prey to the radicalism of the Muslim Brotherhood, Egypt's Islamist political movement. He has often reminded visitors of the U.S.'s folly in Iran in 1979, when it withdrew support for a staunch ally, the Shah, only to see the regime replaced by a nasty anti-American theocracy. But this time, the U.S. diplomat had a different response to the Egyptian President's arguments. It was time for the transition to begin.


And that was the message Obama delivered to Mubarak when the two spoke on the phone on Feb. 1. "It was a tough conversation," said an Administration official. Senior national-security aides gathered around a speakerphone in the Oval Office to listen to the call. Mubarak made it clear how difficult the uprising had been for him personally; Obama pressed the Egyptian leader to refrain from any violent response to the hundreds of thousands in the streets. But a day later, those streets — which had been remarkably peaceful since the demonstrations began — turned violent. In Cairo, Mubarak supporters, some of them wading into crowds on horseback, began battering protesters.

It was a reminder that the precise course that Egypt's revolution will take over the next few days and weeks cannot be known. The clashes between the groups supporting and opposing the government mark a new phase in the conflict. The regime has many who live off its patronage, and they could fight to keep their power. But the opposition is now energized and empowered. And the world — and the U.S. — has put Mubarak on notice.


Whatever happens in the next few days will not change the central narrative of Egypt's revolution. Historians will note that Jan. 25 marked the start of the end of Mubarak's 30-year reign. And now we'll test the theory that politicians and scholars have long debated. Will a more democratic Egypt become a radical Islamic state? Can democracy work in the Arab world?

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Mubarak inicia período de transição com a instalação de duas comissões
Da BBC Brasil

Brasília – Depois de 15 dias de manifestações de protesto contra o presidente do Egito, Hosni Mubarak, o governo anunciou hoje (8) o começo do processo de transição, com a instalação de duas comissões que vão por em prática os acordos fechados com a oposição e tratar de mudanças constitucionais. Segundo o vice-presidente Omar Suleiman, que fez o anúncio, haverá um cronograma a ser seguido.

“Chegamos a um consenso com o diálogo em nível nacional. Um cronograma claro será anunciado para a transição pacífica”, disse Suleiman, que foi nomeado por Mubarak o mediador das negociações com a oposição. “O presidente [Mubarak] decidiu formar um comitê constitucional para examinar as emendas constitucionais que vêm sendo solicitadas.”

Porém, os vários segmentos oposicionistas defendem a saída imediata de Mubarak e insistem em manter os protestos até que o presidente abra mão do poder. No entanto, Mubarak informou apenas que não se candidatará em setembro à reeleição e que ficará até o final do seu mandato – que acaba em dezembro de 2011.

Apesar da controvérsia, o vice-presidente reiterou a importância das comissões. “[As comissões vão trabalhar de forma] transparente no que for concordado entre as partes envolvidas no diálogo nacional", disse ele. Suleiman também garantiu que serão investigados os casos de violência registrados nos dias de protestos.

Para Suleiman, com diálogo, é possível encerrar a onda de protestos no país. "O presidente vê com bons olhos essa harmonia e acredita que ela nos coloca no caminho para sair da atual crise", disse ele. No entanto, dezenas de milhares de manifestantes voltaram a ocupar hoje a Praça Tahir, no Cairo.

De acordo com a organização não governamental Human Rights Watch, o governo Mubarak, por meio do Serviço de Saúde, oculta o número de mortos e feridos nos conflitos registrados no país. Pelos dados das Nações Unidas, são pelo menos 300 mortos e cerca de 3 mil feridos.

TAO TE CHING




CAPÍTULO 2
Quando os seres sob o céu reconhecem o belo como belo
Então isso já se tornou um mal
E reconhecendo o bem como bem
Então já não seria um bem
A existência e a inexistência geram-se uma pela outra
O difícil e o fácil completam-se um ao outro
O longo e o curto estabelecem-se um pelo outro
O alto e o baixo inclinam-se um pelo outro
O som e a tonalidade são juntos um com o outro
O antes e o depois seguem-se um ao outro
Portanto
O Homem Sagrado (8) realiza a obra pela não-ação (9)
E pratica o ensinamento através da não-palavra (10)
Os dez mil seres fazem, mas não para se realizar
Iniciam a realização mas não a possuem
Concluem a obra sem se apegar
E justamente por realizarem sem apego
Não passam
(8) SEM ZEN: Homem Sagrado. Originado no conceito da sagração do homem, que tem sentido de união
da Consciência Pura com a Vida Infinita.
(9) WU WEI: Não-Ação; tem sentido de ação sem intenção.
(10) WU YEN: Não-Palavra; tem sentido de palavra sem intenção.




TAO TE CHING
O Livro do Caminho e da Virtude
Lao Tse
Tradução do Mestre Wu Jyn Cherng

BELO MONTE





Prezado,
Publiquei hoje em meu blog uma carta-protesto contra a construção de Belo Monte.

Mas continuei matutando: impedir projetos como esse poderá também ser prejudicial ao Brasil?

Quer dizer, a ausência de investimento nas bandas amazônicas poderá acabar por justificar, aos olhos de certas potências, que nós não sabemos cuidar do pulmão do mundo, etc, etc, ? Ou a instalação de projetos como esse já poriam em risco a preservação do local, como diz a carta?

Enfim, como você é dessa área, seria interessante ouvir mais uma opinião, e uma abalizada como deve ser a sua.

Abraço,

Gustavo

http://matutei.wordpress.com/
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AMIGO

EH UMA SITUACAO COMPLICADA QUE NAO ENTENDO BEM

MEU MEDO E FICARMOS SEM LUZ, OU FREQUENTES APAGOES NO FUTURO

MAS EU NAO CONHECO

O MESMO VALE PARA A TRANSPOSICAO DO RIO SAO FRANCISCO

UM ABRACO

ROGEL SAMUEL

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

EMILY BRONTË






O LAGO MORTO


(Enviado por Amelia Pais)


O lago morto, o céu cinzento ao luar;
Pálida, lutando, coberta pelas nuvens,
A lua.

O murmúrio obstinado que cochicha e passa
(Dir-se-ia que tem medo de falar em alta voz).
Tão triste agora,
Recai sobre meu coração,
Onde a alegria morre como um rio deserto.

Minhas pobres alegrias...
Não as toqueis,
Floridas e sorridentes.

Lentamente, a raiz acaba de morrer.




Emily Brontë, 1846
(Tradução de Lúcio Cardoso)

ROGEL SAMUEL: TRAGÉDIA






Fui um dos primeiros a ver crescer, na linha do horizonte, aquela grande coluna de fumaça.

Telefonei para minha amiga Nappy, que trabalha no centro.

- É um grande incêndio, - eu disse. Estou na rua caminhando, não sei o que é.

- Alguns minutos depois ela retorna a ligaçao avisando: "é na Cidade do Samba".

As repercussões desse desastre ainda não se pode avaliar.

Muda toda a cidade do Rio de Janeiro.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Motim no Exército do Sudão deixa 50 mortos


Pelo menos 50 pessoas morreram quando um motim do Exército do Sudão se espalhou por várias cidades no estado produtor de petróleo do Alto Nilo, reavivando tensões enquanto o sul do país se prepara para a independência, disseram autoridades no domingo.
Os intensos combates, com tanques e metralhadoras, começaram na quinta-feira na cidade de Makalal, quando parte de uma unidade do Exército se recusou a trasladar-se com armas ao norte, parte de um processo de separação de forças antes da cessão ao Sudão do Sul.

As lutas se estenderam de Makalal, a capital do Alto Nilo, aos assentametnos de Melut e Paloich na sexta-feira e sábado, disseram funcionários estatais à Reuters.

A violência é um elemento preocupante na separação dos Exércitos do norte e do sul do Sudão antes da cessão prevista para 9 de julho.

A maioria dos habitantes do sul rico em petróleo votou a favor da separação do norte num referendo em janeiro, segundo resultados preliminares divulgados esta semana.

Os resultados finais da votação, prometida num acordo de paz de 2005 que terminou com décadas de guerra civil, serão anunciados na segunda-feira.

"A luta em Malut ontem (sábado) provocou a morte de 19 pessoas e deixou 18 feridos (...) Em Paloich 11 morreram e oito ficaram feridos", disse Akuoc Teng Diing, funcionário do condado de Melut. Todos os mortos eram soldados, acrescentou.

Autoridades disseram previamente que outras 20 pessoas morreram em Malakal, incluindo duas crianças e um motorista sudanês da agência de refugiados da Organização das Nações Unidas (ONU), a UNHCR, pegos no fogo cruzado.

Makalal é atualmente patrulhada por uma unidade do Exército formada pelas Forças Armadas do Sudão do Norte (SAF) e o Exército de Liberação do Povo do Sudão (SPLA), uma força que de acordo com a ONU estava em processo de divisão antes da independência do sul.

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África, o continente de todos





Emir Sader

Grande parte da humanidade olha para a África como quem oha pela janela (de um hotel de 5 estrelas) e não como quem olha para o espelho. No entanto, toda a história mundial tem seu espelho na Africa. Todos os outros continentes - América, Ásia - foram espoliados para que a Europa pudesse trilhar as chamadas revoluções comercial e industrial, no processo de acumulação primitiva. Mas nenhum continente sofreu, além da dilapidação dos seus recursos naturais, da opressão das suas culturas e dos seus povos, a escravidão nas proporções de genocídio que ela assumiu na Africa.

Praticamente toda a população adulta da Africa foi submetida à degradante situação de serem levados como gado para trabalhar como escravos, como seres inferiores, para produzir riquezas para a elite branca europeia. O destino da África ficou comprometido pelo colonialismo, pela escravidão e pelas diversas formas de imperialismo. Foi também vítima privilegiada do racismo, da discriminação contra os negros, disseminada pela elite branca por todo o mundo.

A África do Sul, o país economicamente mais desenvolvido do continente, até pouco tempo ainda sofria o apartheid. Mas as elites brancas do mundo consideram a África um caso de continente vítima de si mesma: do tribalismo, do atraso, dos conflitos étnicos, dos massacres, das epidemias, das catástrofes. Tentam fazer a África vítima da natureza e não vítima da história - da colonização, da escravidão, do imperialismo. Um caso perdido, para as potências imperiais. Um caso de opressão, exploração, discriminação.

Hoje a África tornou-se abastecedor de matérias primas para as potências da globalização, que continuam a extrair os recursos naturais por meio de grandes corporações ou diretamente de governos. As mesmas potências que, na Conferência de 1890 concluíram a repartição do continente entre eles, fatiando-o com regra e compasso, hoje disputam entre si os recursos que alimentam seus processos de industrialização e de consumismo exacerbado.

Os colonizadores e os imperialistas não consideram que sejam devedores da África, que devam contemplar como continente privilegiado no apoio dos outros, por tudo ao que submeteram os países e os povos africanos.

Podemos julgar a política externa de cada governo e a visão de cada povo do mundo pela atitude que têm com a África. Ao invés de continente marginal, deveria ocupar o lugar central nas relações internacionais contemporâneas. Toda politica externa que não privilegia a Africa, está errada.

Postado por Emir Sader às 16:05

IOGUES


Pessoas praticam ioga como parte das orações pela paz no mundo, durante uma cerimônia em Noida, cidade no norte da Índia, neste domingo