terça-feira, 31 de janeiro de 2012

O Haiti que Dilma visita

Blog do Emir Sader

O Haiti que Dilma visita (contado por Eduardo Galeano)

“Os escravos negros do Haiti propinaram uma tremenda surra ao Exército de Napoleao Bonaparte; e em 1808 a bandeira dos livres se alçou sobre as ruínas.

Mas o Haiti foi, desde ali, um país arrasado. Nos altares das plantações francesas de açúcar se tinham imolado terras e braços, e as calamidades da guerra tinham exterminado um terço da população.

O nascimento da independência e a morte da escravidão, façanhas negras, foram humilhações imperdoáveis para os brancos donos do mundo.

Dezoito generais de Napoleão tinham sido enterrados na ilha rebelde. A nova nação, parida em sangue, nasceu condenada ao bloqueio e à solidão: ninguém comprava dela, ninguém lhe vendia, ninguém a reconhecia. Por ter sido infiel ao amo colonial, o Haiti foi obrigado a pagar à França uma gigantesca indenização. Essa expiação do pecado da dignidade, que esteve pagando durante um século e meio, foi o preço que a França lhe impôs para seu reconhecimento diplomático.

Ninguém mais o reconheceu. Nem a Grande Colombia de Simon Bolívar, mesmo se ele lhe deveu tudo. Navios, armas e soldados o Haiti tinha lhe dado, com a única condição que libertasse aos escravos, uma ideia que não tinha ocorrido ao Libertador. Depois, quando Bolívar triunfou na sua guerra de independência, negou-se a convidar o Haiti ao congresso das novas nações americanas.

O Haiti continuou sendo o leproso das Américas.

Thomas Jefferson tinha advertido, desde o começo, que tinha que confinar a peste nessa ilha, porque dali provinha o mal exemplo.

A peste, o mau exemplo: desobediência, caos, violência. Na Carolina do Sul, a lei permitia prender qualquer marinheiro negro, enquanto o seu navio estivesse no porto, pelo risco de que pudesse contagiar a febre antiescravista que ameaçava a todas as Américas. No Brasil essa febre se chamava haitianismo.
Postado por Emir Sader às 14:03

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

BUDDHAM SARENAM GACHAMI

BUDDHAÁM, SARENÁM, GATCHÁMI DHAMMÁM, SARENÁM, GATCHÁMI SANGHÁM, SARENÁM, GATCHÁMI DUTIYÁM, PI BUDDHÁM, SARENÁM, GATCHÁMI DUTIYÁM, PI DHAMMÁM, SARENÁM GATCHÁMI DUTIYÁM, PI SANGHÁM, SARENÁM GATCHÁMI TATIYÁM, PI BUDDHÁM, SARENÁM GATCHÁMI TATIYÁM, PI DHAMMÁM, SARENÁM GATCHÁMI TATIYÁM, PI SANGHÁM, SARENÁM GATCHÁMI Eu me refugio no Buda, no Dharma e na Sangha ... PELA SEGUNDA VEZ .... PELA TERCEIRA VEZ... (LÍNGUA pÂLI) TRADUÇÃO COMPLETA EM PORTUGUÊS NO NOSSO BLOG http://cursodebudismo.blogspot.com/search/label/GRANDE%20LIVRO%20DAS%20PROTE%C3%87%C3%95ES

sábado, 28 de janeiro de 2012

Passages de Paris n° 6






Passages de Paris n° 6

 

http://www.apebfr.org/passagesdeparis

Caros amigos,

A Comissao de Redaçao de Passages de Paris,  revista  eletrônica da Associação dos Pesquisadores e Estudantes Brasileiros na França
(APEB-FR), tem o prazer de anunciar  que seu numero 6  ja esta disponivel no link abaixo:


Na expectativa  sua atençao, desejamos a todos boa leitura.

Eliana Bueno-Ribeiro (Editora)

(LEIA, NAS "REVISÕES", ARTIGO SOBRE "O AMANTE DAS AMAZONAS" DE R. SAMUEL).
Concierto Voces para la Paz 2007. Auditorio Nacional de Música. Madrid 10 de Junio de 2007. Director: Enrique García Asensio Proyecto humanitario resultante de este concierto en: www.vocesparalapaz.com Castañuelas: Lucero Tena

Cassen prevê longa crise européia; Garcia propõe 'solução argentina'





Cassen prevê longa crise européia; Garcia propõe 'solução argentina'


O jornalista francês Bernard Cassen, fundador do Diplô, e o historiador Marco Aurélio Garcia, assessor para assuntos internacionais da Presidência, participaram de debate promovido pela Carta Maior, no Fórum Social Temático. Enquanto Cassen considerou que as medidas de austeridade não solucionam as raízes da crise, Garcia avalia que apenas um calote, como fez a Argentina, poderá colocar os europeus no rumo do crescimento econômico. Ele alertou, porém, que falava como "pessoa física", e não membro do governo brasileiro.
 


Porto Alegre - Os cortes de gastos públicos executados por governos europeus que enfrentam crises da dívida não resolverão o problema de solvência e uma nova "catástrofe financeira" pode ocorrer. No olho do furacão estão Grécia, Portugal e Espanha, mas outros países também correm riscos, como a França.

A opinião é do jornalista francês Bernard Cassen, um dos fundadores do Le Monde Diplomatique, que participou nesta sexta-feira (27) de um debate promovido pela
Carta Maior no Fórum Social Temático.

Cassen dividiu a mesa com o historiador Marco Aurélio Garcia, assessor para Assuntos Internacionais da Presidência, que sugeriu a "solução argentina" - ou seja, um calote - para as nações européias mais endividadas reativarem suas economias. Garcia ressaltou, porém, que falava como "pessoa física", e não membro do governo brasileiro.

Para o jornalista francês, medidas de austeridades como corte de pensões e salários não resolverão a crise porque ela foi criada por um "problema de receita, e não de gasto". "Nos últimos dez anos, os ricos tiveram seus impostos reduzidos e a renda do trabalho caiu em relação à do capital", explicou.

Com isso, as receitas do Estado não puderam acompanhar o aumento de despesas. O mesmo problema teria ocorrido nos Estados Unidos, durante a administração de George W. Bush. Cassen citou o artigo publicado em agosto de 2011, no The New York Times, pelo bilionário Warren Buffett, em que ele pedia aumento de impostos para os ricos e revelava que pagava menos taxas do que seus funcionários.

Apesar de alguns políticos europeus proporem mais impostos para os ricos, o jornalista francês acredita que é preciso avançar em temas estruturais para que seja encontrada uma solução para a crise. A principal proposta nessa linha, mas que, segundo ele, ainda é pouco defendida no continente, passa pelo rompimento com tratados europeus que garantem a livre circulação de capitais.

A França terá eleições nacionais neste ano e Cassen lamenta que os socialistas, que têm chances de assumir o poder, não assumam aquela bandeira. Durante o debate, ele apresentou outras propostas "de esquerda" que considera fundamentais para a superação da crise:

- impostos sobre a renda do capital iguais às taxas que atingem a renda do trabalho

- combate à fraude fiscal

- imposição de taxas a todas as transações financeiras

- proibição de movimentação financeira em paraísos fiscais

- taxação de produtos e serviços de países que não respeitem o meio ambiente e os direitos trabalhistas e sociais
América do Sul
Apesar da relativa blindagem da América do Sul, Marco Aurélio Garcia acredita que a crise européia baterá à porta, e não apenas na arena econômica. Para ele, a subordinação do poder público aos mercados financeiros é uma "gravíssima ameaça a democracia" e afeta o "imaginário democrático" que se tem por aqui acerca do projeto de integração europeu.

"Se em alguns países europeus a mudança de governo foi dada por eleições, em outros houve golpes de Estado, é claro que diferentes, através das agência de classificação de risco", afirmou.

Companhias como Moody's, Standard & Poor's e Fitch são responsáveis por avaliar a solvência dos países e têm regularmente cortado as notas daqueles considerados de maior risco para os investidores. O resultado são taxas de juros maiores, que encarecem a rolagem das dívidas e prejudicam ainda mais as contas públicas.

Garcia vê "certa analogia" entre o que se passa na Europa e o que se viveu no Brasil nos anos oitenta, época da crise da dívida. Ele acredita, porém, que a solução mais lógica para resolver o problema europeu está no calote argentino, durante a crise entre 2000 e 2001.

"O modelo argentino de resolução de uma crise aguda é a única saída para países como a Grécia. Acredito nisso pelos êxitos que a Argentina colheu nos anos seguintes", disse o historiador, referindo-se ao acelerado crescimento econômico registrado pelo país.

O assessor da presidenta Dilma Rousseff considera que, hoje, a América do Sul caminha no sentido contrário ao da Europa, rumo a uma maior integração. Isso passa pela adoção pelos governos nacionais de políticas similares que aceleram o crescimento econômico, a fim de reduzir a pobreza e a desigualdade.

Ele ainda ressalta o papel do Brasil nesse processo. "Não queremos ser a Alemanha da América do Sul. Queremos, sim, ter uma relação solidária, não só por valores políticos, éticos e morais, mas também por inteligência estratégica. Não é possivel que a América do Sul tenha uma inserção importante no mundo se houver tensões como na Europa, onde a Alemanha tem um peso financeiro, institucional e jurídico muito forte", afirmou Garcia.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

NIJINSKY, O DEUS DA DANÇA

Dilma no Fórum Social Temático

 
Blog do Emir Sader, sociólogo e cientista, mestre em filosofia política e doutor em ciência política pela USP - Universidade de São Paulo.

Dilma no Fórum Social Temático

Por ser o país e a cidade sede original do Fórum Social Mundial, os governantes brasileiros sempre tiveram presença importantes nos Foros. Lula esteve aqui ainda candidato, em 2001, voltou várias vezes. Se pode dizer que Lula esteve aqui em diferentes momentos do seu governo e do próprio Fórum, desde a vez em que esteve em Porto Alegre e em Davos, em seguida, gerando mal estar em Porto Alegre, até sua participação já como presidente consagrada, dentro do país e internacionalmente, no Fórum Social Mundial de Belem, em 2008, situação confirmada na ida de Lula ao FSM do Senegal, no ano passado.

O Brasil – e Porto Alegre, em particular – foi escolhido como sede do FSM por ser, ao mesmo tempo, país do Sul do mundo, vítima privilegiada do neoliberalismo; por ter uma esquerda viva e atuante; por ter uma prefeitura com as politicas públicas mais avançadas. O PT ainda não governava o país. O FSM se consagrava como o espaço de congregação e intercâmbio entre a grande maioria dos movimentos que resistiam ao neoliberalismo.

Quando Dilma – que havia estado com Lula em Belem – volta a um evento do FSM, o Brasil é outro e o próprio FSM é outro. O governo Lula, por vias menos previsíveis, foi um sucesso. E o FSM está longe do vigor que teve no passado.

As reuniões dos membros do Conselho Internacional com os presidentes brasileiros foram momentos tradicionais do FSM. Desta vez a Dilma estreou nessa circunstância, da melhor maneira possível. A reunião foi realizada no hotel Plaza São Rafael, onde ela e uma parte dos que viemos a Porto Alegre estamos hospedados. Em torno de uma mesa retangular, tendo a seu lado Gilberto Carvalho – que dirigiu brevemente a palavra aos presentes, antes da fala da Dilma -, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, aa ministra da Secretaria dos Direitos Humanos, Maria do Rosario e o assessor especial Marco Aurelio Garcia, Dilma ouviu 6 intervenções de membros do FSM, 3 brasileiros e 3 de outros países – uma uruguaia, um português (Boaventura de Sousa Santos) e um venezuelano.

A principal intervenção foi a de Joao Pedro Stedile, que se valeu dos seus 5 minutos da melhor maneira possível. Em primeiro lugar saudando que a presidenta do Brasil tenha vindo a Porto Alegre e não ido a Davos. Em seguida, Stedile colocou, objetivamente, com argumentos diretos, reivindicações importantes sobre a política de reflorestamento, sobre a situação dos quilombolas, sobre a economia familiar, sobre a reforma agrária. Que Dilma respondeu, incluindo o reconhecimento de que a extensão dos assentamentos tem que ser agilizada, com a observação de que a qualidade de vida e de trabalho nos assentamentos tem que ser substancialmente melhorada.

No conjunto da sua intervenção pudemos ver a uma Dilma muito segura de si, muito à vontade diante das observações críticas, enfrentando a todas com desenvoltura e argumentos. Um acento fundamental na aceleração do ritmo de crescimento econômico e de fortalecimento das políticas sociais, com a obsessão em torno do programa Brasil sem Miséria – é o eixo central do seu discurso, o compromisso de terminar com a miséria no país.

Dilma declarou que o povo brasileiro não aceitará mais políticas neoliberais. Que seu governo faz, multiplica e tem orgulho de desenvolver políticas de subsídios, como instrumento de se opor aos automatismos do mercado, de promover os setores que foram vítimas privilegiadas do neoliberalismo – os mais pobres.

A presidenta reiterou múltiplas vezes a necessidade da criação do outro mundo possível, que temos que lutar conjuntamente para que seja a mensagem central da Rio+20. Ela alertou que nenhum governo vai defender posições anticapitalistas na Rio+20, que isso é tarefa dos movimentos sociais.

A exposição da Dilma deixou claro que o Brasil está engajado, desde o governo Lula, na construção de uma alternativa ao neoliberalismo. Retomou a declaração de Mujica de que o Brasil não tem culpa de ser um país grande, como o Uruguai não tem culpa de ser um pais pequeno, mas que se relacionam em igualdade de condiçoes, respeitando a soberania de cada um.

No Gigantinho lotado, Dilma retomou vários desses pontos, começando pela afirmação de que na América do Sul sao os povos os que ordenam. Que o Brasil está mostrando que é possível crescer, incluir e proteger ao mesmo tempo. Que a retirada de 40 milhões de pessoas da pobreza é uma conquista, que terá continuidade no seu governo, até o término da pobreza no país.

Que o Brasil hoje já é um outro país, mais forte, mais desenvolvido e mais respeitado. Que conversa com todos os países do continente de igual para igual, qualquer que seja o tamanho de cada um, de forma soberana e solidária.

Dilma manifestou sua esperança de que logo a Palestina possa ter seu Estado, livre e soberano. Que o mundo possa se transformar em um mundo multipolar. Que o século XXI há de ser o século da mulheres, que o Brasil contribui fortemente para isso.

Que a longa luta que sua geração desenvolveu valeu a pena. Que consigamos construir juntos o outro mundo possível e marcou encontro na Rio+20.

Os dois encontros mostram como precisamos multiplicar essas conversas e que Dilma precisa contar com canais de difusão das suas palavras, que hoje são filtradas pela velha mídia, que impede que o povo conheça na integralidade as posições da sua Presidenta. Para isso, a democratização dos meios de comunicação é um passo essencial.
Postado por Emir Sader às 11:41

HAITIANO MORRE COM AIDS EM MANAUS

Manaus registrou a primeira morte de haitiano na noite da última segunda-feira (23) decorrente de AIDS. Outros dois imigrantes estão internados na Fundação de Medicina Tropical (FMT), localizado no Dom Pedro, Zona Centro Oeste de Manaus, com sinais da mesma doença.
As informações foram confirmadas na noite desta quinta-feira (26) pela diretora-presidente do FMT, Graça Alecrim. Segundo a médica, até o momento o hospital possui apenas três registros de internação relacionados aos haitianos: “Tivemos este primeiro óbito na segunda à noite e temos mais uma moça internada na UTI e outro rapaz também internado”, afirma.
A responsável pelo hospital afirma que nenhum dos três pacientes apresentou sintomas de dengue e outras doenças tropicais: “Os três entraram com sintomas de insuficiência imunológica adquirida (AIDS). Apenas o rapaz, que permanece internado, possui também leishmaniose”, completa Graça.
Esse é o segundo óbito de haitianos registrado no Amazonas. Carmelith Jean Baptiste, 33, morreu no último domingo em Tabatinga (a 1.105 quilômetros de Manaus) vítima de dengue.
Os nomes dos pacientes não foram revelados.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

A falência dos velhos prédios

A falência dos velhos prédios

Rogel Samuel

Há muitos anos – mais de 10 – li uma matéria de jornal em que um engenheiro dizia que os altos edifícios antigos não tinham sido construídos para suportar o trepidar do tráfego pesado que passa em sua porta, e que possivelmente um dia iriam ruir por falência múltipla de suas estruturas abaladas.
Ele se referia à av. Copacabana: “E como todos aqueles prédios foram construídos mais ou menos numa mesma época, todos vão desabar juntos, de uma só vez”.
Eu nunca me esqueci dessa sinistra previsão. Mas sempre que passa um ônibus ou caminhão pesado pelos buracos da rua, sinto os prédios estremecerem perigosamente.
Depois de 30 anos, que acontecerá?

O HORROR



I

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

OBAMA FAZ O SEU DISCURSO DA UNIÃO

CRÔNICA ANTIGA

Onde andará o poema?


Rogel Samuel


Estou numa Lan-house, um pouco quente, e vim ao blog para dar conta de uma coisa: minha postagem diária.

Rubem Braga produzia suas melhores crônicas quando não tinha assunto. Ele era o mestre. Um dia entrou pela manhã, bêbado, na nossa faculdade de letras. Entrou na biblioteca, falava alto.

- Vocês têm meus livros? gritou.

Ivete, a diretora da Biblioteca, mandou que os serventes expulsassem aquele bêbado.

- Mas é o Rubem Braga, dissemos.

E fizemos uma roda em torno dele e ele falou de sua vida particular, íntima, desabafou, quase chorou, contou coisas que não se podem publicar.

Quando eu o chamei de Embaixador, ele se irritou. Ele tinha sido Embaixador do Brasil, recente.

No fim apaixonou-se por nossa colega e minha amiga até hoje, Maria Alice Capucci, que é uma loura belíssima.

Escreveu um poema para ela. Onde andará o poema?

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

A democracia, a confiança e as escolhas da esquerda

A democracia, a confiança e as escolhas da esquerda


O discurso da direita sobre a confiança faz-se para manter intocado algo que é, por definição, tudo menos digno de confiança: o primado dos mercados financeiros. É uma escolha ideológica disfarçada de imposição da História. O que está hoje em jogo no coração da crise do euro já não é somente a sobrevivência de uma moeda nem mesmo a sobrevivência da integração europeia. É a sobrevivência da democracia. O artigo é de José Manuel Pureza.
Data: 23/01/2012
O que está hoje em jogo no coração da crise do euro já não é somente a sobrevivência de uma moeda nem mesmo a sobrevivência da integração europeia. É a sobrevivência da democracia. Pelas mãos de integristas que idolatram o equilíbrio das contas públicas como bem supremo, a gestão irresponsável desta crise está a levar à destruição dos fundamentos da democracia nos Estados europeus. Entrámos numa era de pós-democracia em que os critérios de legitimidade da governação e dos seus protagonistas deixaram de ser a expressão do voto popular para passarem a ser o alinhamento com o setor financeiro e a suposta capacidade mágica de “tranquilizar os mercados”.

Portugal é hoje um laboratório de experimentação dessas políticas neo-liberais apadrinhadas pelo FMI e pela Comissão Europeia e impostas como “inevitáveis” para uma suposta reconquista da confiança dos mercados. A retórica da confiança tem sido um dispositivo importantíssimo da conquista de hegemonia pela direita em Portugal como no resto da Europa. “O caminho é restaurar a confiança. Porque nós só vamos conseguir crescer quando os investidores começarem a acreditar na recuperação”. A fórmula, declinada em versões várias, mostra ao que vem: a dita confiança é seletiva, é a confiança dos “investidores”. E a estabilidade virá enfim quando os ditos “investidores” tiverem a confiança toda.

Neste discurso há dois silêncios estridentes. O primeiro é o que cala a desconfiança insuperável dos “investidores”. O segundo é o que cala a falta de confiança crescente dos “não investidores” no seu próprio futuro. Vamos por partes.

A confiança dos investidores é uma questão de fé. Está difícil, não se vislumbra, mas os crentes estão certos que um dia ela virá. E para antecipar essa vinda, os oficiantes do deus mercado oferecem os sacrifícios que forem necessários. E sobretudo os que forem desnecessários. Sacrifícios dos outros, claro, nunca dos próprios. E esse é precisamente um primeiro silêncio espesso deste tempo. O discurso da direita sobre a confiança faz-se para manter intocado algo que é, por definição, tudo menos digno de confiança: o primado dos mercados financeiros. É uma escolha ideológica disfarçada de imposição da História. Em vez de apontar para uma confiança sólida, socialmente partilhada, que implicaria medidas corajosas para poupar a sociedade às febres especulativas dos “investidores”, o que a direita nos vem dizer é que a confiança é algo reservado aos que vivem dessas febres, é a confiança deles a única que devemos salvaguardar. E que toda a política – isto é, todas as escolhas decisivas para a comunidade – se deve assumir como refém desse privilégio de alguns poucos.

Ora, o outro lado da confiança dos “investidores” é a perda de confiança dos “não investidores” na sua vida quotidiana e no futuro. Um trabalhador que vê o seu salário diminuído, uma bolsista que tem a sua precariedade laboral eternizada, um desempregado cujo subsídio para que descontou lhe é reduzido, uma reformada que deixa de receber parte da pensão já de si paupérrima – todos experimentam atónitos o incumprimento dos compromissos elementares que a sociedade tinha com eles estabelecido. Há um contrato em que assentaram as nossas vidas e que é rasgado súbita e unilateralmente. Que confiança podemos ter? Diz-nos a direita que, como em todos os contratos, a alteração substancial das circunstâncias pode ditar a sua alteração. Pois seja. Mas por que é que só dita para os “não investidores”? Por que é que essa alteração substancial das circunstâncias não pára de reforçar a satisfação de tudo quanto é vontade (real ou presumida) dos “investidores”?

Um estudo agora divulgado em Lisboa pelo Instituto de Ciências Sociais sobre a qualidade da democracia em Portugal contém uma conclusão preocupante: só pouco mais de metade dos portugueses acham que a democracia é preferível a um governo autoritário. Essa é a expressão maior da perda de confiança da generalidade das pessoas – os “não investidores” – em que lhes será permitido ter uma vida digna. Que o mesmo estudo revele que 89% dos inquiridos entende que o que é mesmo importante na democracia é haver um nível de vida digno para todos os cidadãos mostra as razões fundas da desconfiança crescente na democracia. Para os “investidores” isto pode até ser uma boa notícia – um Estado autoritário dá-lhes garantias acrescidas de confiança.

(*) Dirigente do Bloco de Esquerda, professor associado na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, na área de Relações Internacionais, e investigador do Centro de Estudos Sociais onde coordena o Núcleo de Estudos para a Paz.

BOM HUMOR

DUGPA RINPOCHÊ -
Não rejeites o bom humor. Ele impede o envelhecimento do corpo e do coração. Sem humor, a felicidade não dá frutos. É como uma árvore sem pássaros que está virada para o inverno.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

MÁRIO QUINTANA

A poesia não se entrega a quem a define.
-- Mário Quintana

ENTRA O NOVO ANO DO DRAGÃO DA ÁGUA

A ALEGRIA


DUGPA RINPOCHÊ
A vida afirma-se numa alegria constante que reconcilia os adversários, aproxima os amantes, os amigos, numa mesma liberdade. A alegria é um estado de perfeita aceitação, de renúncia a si próprio e de abandono aos outros. Encontramo-nos de repente cheios, para além dos nossos próprios limites humanos.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Para Annie

Para Annie


não, eu não quero mais
contracenar com a tua morte
não quero estar para sempre a ensaiar
o teu lado mortal
agora eu quero a vida
o vazio da paz mental
o abrir para um novo silêncio
de flores de mares sem lamentações
sem adeuses sem tristeza
um novo estado de voz
de minha voz cansada
de cantar no vazio deserto


(minha amiga Annie Giraud sucidou-se em Paris em 2008)



sábado, 21 de janeiro de 2012

MANSÃO DE GISELE

MANSÃO DE GISELE BUNDCHEN NA CALIFÓRNIA FICA PRONTA

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

POEMA

era o parque o ser o nada
era o monstro da montanha
era tudo o abandonado
o castelo no ar o aliado
era o canavial incontrolável
a lente de todos os saberes
o morredouro das gentes
o sorvedouro do ser
era o risco a mágoa a nuvem
as estreitezas o ver
mas tinha o que eu mais amava
o sonho a fantasia o crer


Rogel Samuel

Sayd Bahodine Majrouh (Afeganistão, 1928-1988)

um libelo contra a repressão

"landays" de exílio e de amor
Meus amigos, qual dos dois escolher?
Luto e exílio chegaram juntos a minha casa.

É Primavera, aqui as folhas crescem nos ramos
Mas no meu país as árvores perderam a ramagem sob o
[granizo das balas inimigas


Adormece em meus olhos
A insónia das minhas noites reduziu-me a pó

Poisa a tua boca na minha
Mas deixa a minha língua livre para falar de amor

Vem, amor, deixa-me abraçar-te
Eu sou a frágil hera que o Outono em breve levará

Esta mulher exilada não pára de morrer
Voltai-lhe o rosto para a terra natal, para que ela exale o seu último suspiro



Sayd Bahodine Majrouh
, A voz secreta das mulheres afegãs - versão de Ana Hatherly,

Notas:
"Até agora desconhecidos do mundo, os “landays” das mulheres afegãs, aparentemente gritos sem sentido, escondem afinal uma linguagem secreta feminina que serve para expressar discursos de ódio, amor, erotismo ou escárnio. São vozes secretas proferidas à revelia e dirigidas aos homens e à cultura masculina dominante.

Sayd Bahodine Majrouh, poeta e profundo conhecedor das formas de arte e de poesia do seu país, o Afeganistão, recolheu estes cantos".

Sayd Bahodine Majrouh
BIOGRAFIA
Sayd Bahodine Majrouh nascido em 12 de Fevereiro de 1928, foi assassinado a 11 de Fevereiro de 1988 em Peshawar, no Paquistão. Doutor em Filosofia pela Universidade de Montpellier, decano da Faculdade de Letras de Kabul, foi também governador da província de Kapiça. Após a invasão soviética do Afeganistão, exilou-se no Paquistão onde fundou o Centro Afegão de Informação, que difundiu no mundo inteiro reportagens e análises sobre a resistência.

(Enviado por Amélia Pais)

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

PREGUINHO, FILHO DE COELHO NETO, É O ATLETA DO SÉCULO

Autor do primeiro gol brasileiro em Copas do Mundo, João Coelho Neto, o Preguinho, ganhou 357 medalhas pelo clube carioca
Esqueça a história recente do tricolor das laranjeiras. E esqueça tudo que você conhece sobre ser um esportista vitorioso e completo. O maior atleta da história do Fluminense existiu quando o futebol ainda era praticado amadoramente no Brasil. João Coelho Neto nasceu em 1905, no Rio de Janeiro, na mesma casa da Rua das Laranjeiras que morou a vida toda. Filho do escritor Coelho Neto e com 13 irmãos, filiou-se ao Fluminense Football Club em 1916, onde, incentivado pelo pai, começou a vida de esportista. Jogado na água durante uma aula de natação, afundou como um prego, apelido que o perseguiria por toda a vida no diminutivo. Dedicou 33 anos de sua vida ao esporte pelo clube das laranjeiras, sempre na condição de amador.
Aos 18 anos, foi artilheiro do campeonato carioca de 1923 com 12 gols pelo Fluminense, onde jogou a vida toda. Seria também artilheiro dos campeonatos de 1928 (16 gols) e em 1932 (13 gols), e artilheito do clube em 1929 (9 gols), 1930 (20 gols) e 1931 (10 gols). Campeão Brasileiro de amadores em 1931 e Carioca em 1933 e 1938. Na época do futebol profissional, conquistou o tri-campeonato carioca de 1936, 1937 e 1938.
Mas o que o torna o atleta mais completo do século são seus títulos pelo clube em diversos esportes. Alcançou a marca de 357 medalhas em dez modalidades: remo, volêi, basquete (marcou 48 pontos em seu jogo de estreia e é um dos maiores cestinhas da história do clube, com 711), polo aquático, saltos ornamentais, atletismo, hockey, tênis de mesa, natação e futebol numa época onde atletas eram mitos. Em 1925 chegou ao ponto de disputar uma prova de natação de 600 metros na Praia do Botafogo, ser campeão, correr para chegar a tempo de disputar o jogo final contra o Sâo Cristovão e sagrar-se campeão da Primeira Divisão de futebol amador no mesmo dia.
Argeu Afonso, jornalista e historiador amigo de Preguinho por 40 anos, fala sobre as lendas a respeito do façanha. “Foi campeão carioca de natação, veio para o Estádio das Laranjeiras, pegou o jogo final, entrou no time e foi campeão. Seria mar e terra. A lenda é que uns dizem que ele veio da Praia de Botafogo para o Fluminense de táxi. Outros dizem que ele veio de bicicleta. E os mais fanáticos dizem que ele veio correndo, quer dizer, fez natação, veio correndo, e jogou futebol. Seria o máximo! Mas isso vai por conta da lenda”, conclui.
Preguinho entrou para a história do futebol brasileiro ao marcar o primeiro gol da Seleção Brasileira em Copas do Mundo. Na estreia da seleção na derrota para a Iugoslávia por 2 x 1, na Copa do Mundo de 1930, disputada no Uruguai. No albúm oficial do torneio, descrição do gol do brasileiro: “Aos 17 minutos do segundo tempo, os brasileiros fizeram o primeiro gol da seguinte forma: o lateral-direito brasileiro ataca, chuta… Arsenievich põe para
escanteio! Pamplona cobra, Stefenovitch tira de cabeça. Quando se acreditava que a bola seria levada para o campo adversário, a bola foi conquistada por Fausto, que driblou Vouyadinovich, enviando a bola de forma altíssima para o arco yugoslavo. No preciso instante em que a bola caía, em frente ao gol saltaram à procura da bola Ickovitch e Prego. Este conseguiu mover violentamente a bola em um dos ângulos conquistando o gol!”.

Foi também o primeiro capitão e o primeiro artilheiro da seleção em Copas, com 3 gols.

O gol que Pelé não fez

Na semana que antecedeu o Fla x Flu de 1928, Preguinho recebe um telegrama do goleiro rubro-negro: “Amanhã não farás nenhum gol. Vai ser canja para o Flamengo. E a zero”. Preguinho encheu-se de raiva e prometeu a amigos que faria dois gols no clássico mais tradicional do futebol carioca. Aos dois minutos de jogo, acertou um “tijolo quente” (apelido de seu forte chute) de longa distância.

Aos dez minutos, numa confusão na área, se choca com Amado e sente que passou da bola. Testemunha ocular do feito e notável torcedor tricolor, Mário Lago descreveu o gol na revista Placar de julho de 1983. “A bola ia mesmo cair nas costas do Preguinho, mas ele nem se abalou. Tocou de calcanhar, com a maior categoria. Foi um gol de fazer inveja ao Sócrates. No fim, ganhamos de 4 x 1, com dois gols do nosso meia-esquerda”
Dois anos depois, na final do carioca de 1930 contra o Botafogo em 7 de dezembro, ele faria o gol que Pelé não fez. “Foi igual ao que Pelé tentou contra o goleiro Viktor, da Tchecoslováquia, na Copa de 70. O goleiro Germano lançou-lhe a bola na intermediária do Flu, Preguinho dominou-a, deu duas passadas e chutou forte, alto, por cobertura. Um gol que nenhum outro jogador conseguiu no mundo” disse Mário Lago em 1983. O jornalista Mário Filho apontou o lance como “um gol diabólico”.


FONTE: http://placar.abril.com.br/

POEMA

Não posso reter os teus traços
Nem as notas de teu tema
Pois tua música se esquece
Como as vozes do poema
Da paixão, que mais um traço
Foi do azul de minha pena,
E quando te vir já será garço
O repique da tua cena
e o afastado abraço...
(oriunda onda a que cerca de aço
me levarão tuas algemas?)


Rogel Samuel

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

DOGEN

Uma garça branca
escondida


campo nevado
a grama do inverno
não pode ser vista

NEUZA MACHADO - SOBRE "O AMANTE DAS AMAZONAS"

No entanto, se atento para os enclaves que superexcedem no todo deste romance em especial, recupero uma terceira fase, autenticamente reveladora das imposições respeitantes às inovadoras formas estruturais de narrar da pós-modernidade. No capítulo sete, o arcabouço mítico desaparece para oferecer o espaço ao narrador da fase final do século XX. O próprio título do capítulo já é por si uma revelação peculiar: “SETE: DESAPARECE”. Quem desaparece? Do desaparecido, falarei depois. Por ora, a palavra desaparece se projeta como um referente (um sinal) de finalização da narrativa mítica e de nova mudança narrativa: do mítico para o plano da ficção-arte (a anterior sinalizou a caminhada do histórico para o mítico). No capítulo seguinte (capítulo Oito), há um “ponto” indefinido direcionando a mudança de estilo narrativo, revelando a decadência da realidade sócio-substancial amazonense, apresentada inicialmente pela maneira de narrar grandiosa da linguagem histórico-lendária.
Contudo, ainda não me desenredei de Paxiúba. O arcabouço mítico-ficcional diferenciado exige-me novas reflexões sobre este poderoso personagem. Ele, neste momento em que o reflito, está vindo ao encontro de Zilda, a “esposa do Laurie Costa,” (...) “lavadeira pessoal do Palácio, das roupas brancas, exceto as lavadas em Lisboa”[i]. Ele está vindo também ao encontro de minhas reflexões teórico-críticas. Vejo-me em expectativa: assim como a outra energética Zilda, a da mitologia germânica, a poderosíssima guerreira da vitória, a guerreira de ferro, terei de vencê-lo teoricamente e reflexivamente ─ pela razão, pelo conhecimento, pela ponderação inovadora ─, terei de vencer suas guardas míticas e seus desafios existenciais. Não posso deixar-me seduzir teluricamente pelo seu fabuloso porte, descomunal, colocando-me em perigo diante das já insuficientes e, ainda, exigidas análises significativas (dogmáticas), as quais estão aqui a digladiarem-se com as minhas inferências fenomenológico-interpretativas.
Paxiúba surge no desenrolar ficcional pós-moderno como personagem “cínico, atravessador”, anunciando que, mesmo possuidor de uma aura mítica (que, pelo ponto de vista épico, deveria ser de autêntica pureza), ele não será concebido como tal. Seu papel é o de “atravessador”, de intermediário entre as três dimensões da efetiva ficção criativamente alterada: a sócio-substancial, a mítico-substancial e a ficcional-arte. Desde o seu surgimento até ao final da escrita rogeliana, ele atuará com desenvoltura nestes três planos da criação literária. Seu poder será atuante. Pari passu com o primeiro personagem-narrador, a sua importância se revelará sempre ativada.


[i] Idem: 37- 41.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Reflexões sobre a eleição na Academia Amazonense

Reflexões sobre a eleição na Academia Amazonense

Rogel Samuel

Houve ontem a posso da nova diretoria. A “oposição” não compareceu.
Luta política na Academia é coisa muito antiga, comum e esperada.
A primeira de que se tem notícia foi na eleição de Mário de Alencar, protegido de Machado de Assis, na Academia Brasileira de Letras.
A “panelinha” de Machado de Assis, unida ao Rio Branco, derrotou o escritor Domingos Olímpio, autor do consagrado “Luzia-Homem”.
Voz discordante foi a de José Veríssimo, apesar de ser intimamente ligado a Machado. É o que se lê em Brito Broca, “A vida literária no Brasil – 1900”.
Votaram em Olímpio, também, o grupo dos boêmios: Guimarães Passos, Artur Azevedo e Bilac.
A diferençã entre os dois candidatos era grande e a injustiça flagrante e clamorosa. Não podia haver comparação:  Domingos Olímpio um escritor nacionalmente famoso, e Mário de Alencar apenas “um moço de talento”.
Houve protestos até nos Estados Unidos.  O “Correio da Manhã” atacou a Academia, culpando o Barão do Rio Branco que não se convencia de que Olímpio não tenha sido o autor de uns editoriais em “A notícia” criticando a sua política do Acre. Em carta a Frederico Abranches, Rio Branco refere-se a Domingos Olimpio como “capadócio, capaz de perfídias e molecagens”. Alcindo Guanabara protestou na imprensa.
Muitos diziam que tudo era culpa de Olimpio não freqüentar as “rodinhas literárias”.
Se Domingos Olímpio tivesse vivido um pouco mais, talvez tivesse entrado na Academia. Mas morreu no ano seguinte, aos 56 anos.
E Mário de Alencar? Por que entrou na Academia tão jovem em 1905, quando só tinha publicado uns livros inexpressivos: “Lágrimas”, (poesia, 1888); “Versos” (1092); e “Ode cívica ao Brasil”, (poesia, 1903)?
Por ser filho de José de Alencar?
Humberto de Campos, no “Diário secreto”, diz que não: Mário de Alencar teria sido filho ilegítimo de Machado de Assis.
Até hoje há brigas na Academia. Recentemente, um acadêmico (dizem) atacou com um copo de vinho um seu colega...
Mas isso é outra estória.

sábado, 14 de janeiro de 2012

O mundo da literatura “pop”

O mundo da literatura “pop”

Rogel Samuel

Os escritores brasileiros. Fui a uma famosa livraria, em Ipanema. Rodei, fui e voltei, não vi nada que me interessasse. Eu tinha um “vale” de compras. Nada. Acabei trazendo o caderno, onde escreverei uns pobres textos. A época é do “pop”. Do nada. O livro como artigo “pop”. Naquela loja os escritores brasileiros estavam postos nas estantes marginais, na parede. Mas poucos. Só os mais (pop)ulares.  Não nada a comprar, a me interessar. Ainda bem. Dentro de uma década a grande maioria daqueles autores será esquecida. Pouco restara da imensa massa de papel.

ARMADOS

Moradores do acampamento do Pinheirinho, localizado na zona sul de São José dos Campos, aguardam com cães e armas improvisadas a reintegração de posse do local. Segundo a prefeitura são pelo menos 1.600 famílias em situação irregular e que já foram avisadas pela Justiça para deixar a área ocupada do Pinheirinho. Algumas barreiras foram montadas pelo terreno. A ordem da juíza da 6ª Vara Cível da cidade revoltou os moradores

TAO THE KING

O céu e a terra não são bondosos
Tratam os dez mil seres como cães de palha
O Homem Sagrado não é bondoso
Trata os homens como cães de palha
O espaço entre o céu e a terra assemelha-se a um fole
É um vazio que não distorce
Seu movimento é a contínua criação
O excesso de conhecimento conduz ao esgotamento
E não é melhor do que manter-se no centro

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

ZEQUINHA DE ABREU

Recorded by Jacques Klein and Ezequiel Moreira in Teatro Cultura Artística

TAO THE KING

Trinta raios convergem ao vazio do centro da roda
Através dessa não-existência
Existe a utilidade do veículo
A argila é trabalhada na forma de vasos
Através da não-existência
Existe a utilidade do objeto
Portas e janelas são abertas na construção da casa
Através da não-existência
Existe a utilidade da casa
Assim, da existência vem o valor
E da não-existência, a utilidade

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

TAO THE KING

O Caminho é o Vazio
E seu uso jamais o esgota
É imensuravelmente profundo e amplo, como a raiz dos dez mil seres
Cegando o corte
Desatando o nó
Harmonizando-se à luz
Igualando-se à poeira
Límpido como a existência eterna
Não sei de quem sou filho
Venho de antes do Rei Celeste

BIENAL DO LIVRO DE MANAUS


TEXTO DA FONTE: http://catadordepapeis.blogspot.com/

"Não se trata de notícia sobre qualquer das mais notórias exposições de livros no País. Trata-se, sim, dessa que vai acontecer em Manaus, no período de 27 de abril a 7 de maio próximo. Muito próximo.
O evento será patrocinado pelo governo do Estado, e será realizado pela Secretaria de Cultura do Amazonas, sob a direção de Robério Braga, que já executa vasto calendário de eventos.
Será distribuído na Bienal aos estudantes da rede pública 1 milhão em vale livro para aquisição de obras, assim incentivando a leitura.
A iniciativa espera contar com 60 expositores; 250.000 visitantes e ainda 50.000 alunos. Para tantos números, a área da exposição terá seis mil metros quadrados.
Nosso anseio é que esta Bienal também alcance a longevidade e a notoriedade das atualmente em curso no Brasil."

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Atrás do obstáculo, encontra-se a liberdade: entrando pelo novo ano

(Quadro de Manet)

Atrás do obstáculo, encontra-se a liberdade: entrando pelo novo ano



Rogel Samuel



O novo sempre é agradável de sentir, de viver, de estar. Não é constituído de palavras. É algo vivo, pulsa, tem energia. Viajamos no novo, entrando numa novidade. A nova ação produz as novas amizades, novas cores, flores.

Disse Dugpa Rinpoche: “Volte os olhos para a simplicidade natural do mundo”.

Dugpa Rinpochê é um escritor budista. Seus preceitos são simples, claros, curtos, poéticos. Ele os escrevia em pedacinhos de papel, meditava neles durante muito tempo, e depois os liberava, dava-os ao visitante. Acompanhou o Dalai Lama na fuga deste do Tibet, na época da invasão chinesa. Morou em Dharamsala, na Índia, e depois foi para Nagarkot, no Nepal, a três mil metros de altitude, perto daquelas montanhas, o Annapurna, o Melung Tse, o Everest.

 Não deve ter tido uma vida fácil. Deve ter perdido a família e pátria. Viu o sofrimento de milhares de tibetanos. Talvez sua família tenha sido morta ou torturada, como tantas outras, naquela terrível invasão. Mas não esqueceu a surpresa da novidade, a alegria, o amor. Não deixou de ver o mundo e a vida como uma coisa nova e bonita, com alegria, sem depressão. Faleceu em Dharamsala, em 1989. A vida não é fácil, nunca é fácil. Mas sempre é uma coisa nova. E é muito curta para que a possamos sofrer, para que a transformemos em tragédia. É fácil fazer da vida uma tragédia. Difícil é o contrário, fazer dela uma alegria nova.

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Sei que estou fazendo pose, que estou fazendo frases, que estou tecendo frases de efeito, frases de estilo. Mas vou ou procuro entrar nesse novo ano com um espírito renovado, sem os aborrecimentos do passado.

Podemos entrar no novo ano por um novo caminho interior, bem diferente, sem os padecimentos do passado, deixando no velho o peso morto.

Dugpa Rinpochê, “Quem deseja a sorte alcança-a sempre. Não deprecie nunca os seus sonhos. Deve fazer um pacto com eles. Eles são a nascente e a força inesgotável que levarão à vitória. Atrás do obstáculo, encontra-se uma liberdade virginal, um horizonte mais vasto”.

Sei que estou lidando com frases. Mas, além das frases, que mais existe?





TAO THE KING

CAPÍTULO 3

Não valorizando os tesouros, mantém-se o povo alheio à disputa
Não enobrecendo a matéria de difícil aquisição, mantém-se o povo alheio à cobiça
Não admirando o que é desejável, mantém-se o coração alheio à desordem
O Homem Sagrado governa
Esvazia seu coração
Enche seu ventre
Enfraquece suas vontades
Robustece seus ossos
Mantém permanentemente o povo sem conhecimentos e desejos
Faz com que os de conhecimento não se encorajem e não ajam
Sendo assim
Nada fica sem governo

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

RISCO DE EXTINÇÃO

Manaus - “O que vem acontecendo com os anfíbios é algo silencioso, mas já podemos sentir no dia a dia os efeitos da eliminação de algumas espécies”. A afirmação é do pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), Marcelo Morais, teme a extinçãoque junto a pesquisadores da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) descobriu, em meados de 2010, uma nova espécie de perereca transparente, registrada pela primeira vez no Brasil.
Essa espécie de anfíbio, catalogada como Hyalinobatrachium crurifasciatum foi encontrada em uma das visitas de campo dos pesquisadores em Cotriguaçu, ao norte do Estado de Mato Grosso (MT). No entanto, por ser encontrada dentro de floresta nativa às margens de pequenos igarapés, a espécie já corre risco de ser extinta na região, pois essas áreas sofrem constante desmatamento, como grande parte do Estado.
Segundo Morais, motivos como este, contribuem para que a espécie fique cada vez mais vulnerável. “Quando desmatam áreas onde tem águas, como córregos, lagoas e igarapés, os anfíbios não têm de onde tirar água para sua sobrevivência, já que a maioria das espécies de sapos, rãs e pererecas dependem da água para a sua reprodução”, afirma.
Outro fator preponderante ao desaparecimento de várias espécies, é o aquecimento global. O famoso efeito estufa atinge diretamente os anfíbios. “Precisamos fazer algo urgente para frear o desmatamento, para que mais espécies não desapareçam, pois a mudança do clima, não só afeta os anfíbios, mas acaba afetando todas as espécies, incluindo nós mesmos”, alerta mais uma vez o pesquisador.