terça-feira, 31 de dezembro de 2013

ENTRANDO PELO NOVO ANO

Atrás do obstáculo, encontra-se a liberdade: entrando pelo novo ano
 
Rogel Samuel
 
O novo sempre é agradável de sentir, de viver, de estar. Não é constituído de palavras. É algo vivo, pulsa, tem energia. Viajamos no novo, entrando numa novidade. A nova ação produz as novas amizades, novas cores, flores.
Disse Dugpa Rinpoche: “Volte os olhos para a simplicidade natural do mundo”.
Dugpa Rinpochê é um escritor budista. Seus preceitos são simples, claros, curtos, poéticos. Ele os escrevia em pedacinhos de papel, meditava neles durante muito tempo, e depois os liberava, dava-os ao visitante. Acompanhou o Dalai Lama na fuga deste do Tibet, na época da invasão chinesa. Morou em Dharamsala, na Índia, e depois foi para Nagarkot, no Nepal, a três mil metros de altitude, perto daquelas montanhas, o Annapurna, o Melung Tse, o Everest.
 Não deve ter tido uma vida fácil. Deve ter perdido a família e pátria. Viu o sofrimento de milhares de tibetanos. Talvez sua família tenha sido morta ou torturada, como tantas outras, naquela terrível invasão. Mas não esqueceu a surpresa da novidade, a alegria, o amor. Não deixou de ver o mundo e a vida como uma coisa nova e bonita, com alegria, sem depressão. Faleceu em Dharamsala, em 1989. A vida não é fácil, nunca é fácil. Mas sempre é uma coisa nova. E é muito curta para que a possamos sofrer, para que a transformemos em tragédia. É fácil fazer da vida uma tragédia. Difícil é o contrário, fazer dela uma alegria nova.
Sei que estou fazendo pose, que estou fazendo frases, que estou tecendo frases de efeito, frases de estilo. Mas vou ou procuro entrar nesse novo ano com um espírito renovado, sem os aborrecimentos do passado.
Podemos entrar no novo ano por um novo caminho interior, bem diferente, sem os padecimentos do passado, deixando no velho o peso morto.
Dugpa Rinpochê, “Quem deseja a sorte alcança-a sempre. Não deprecie nunca os seus sonhos. Deve fazer um pacto com eles. Eles são a nascente e a força inesgotável que levarão à vitória. Atrás do obstáculo, encontra-se uma liberdade virginal, um horizonte mais vasto”.
Sei que estou lidando com frases. Mas, além das frases, que mais existe?
 
 

AMEAÇA



NAVIO ENCALHADO NO GELO

Australia Plans Evacuation of Passengers Stranded in Ice

Andrew Peacock, via Agence France-Presse — Getty Images
An image from one of the passengers of the Akademik Shokalskiy shows the Russian research ship icebound off Antarctica.
Maritime safety officials began preparations on Tuesday for a helicopter rescue of scientists and others aboard a chartered research ship that has been stuck in Antarctic ice for a week.

CALOR NO RIO

RIO — Após os núcleos de chuva que atuavam sobre a cidade se deslocarem em direção ao oceano, o município do Rio de Janeiro retornou ao Estágio de Vigilância às 2h desta terça-feira, 31 de dezembro. O Estágio de Atenção, segundo em uma escala de quatro, foi acionado em toda a cidade às 20h10m de segunda-feita depois de um dia de calor com máxima de 38,5 graus e sensação térmica de 49 graus. Na Baixada Fluminense, o Rio Pavuna, que corta a cidade de São João de Meriti, está em alerta máximo. Segundo o sistema de alerta de cheias do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), isso significa que o nível atingiu 80% do nível de transbordamento. Por volta de 20h30m, chovia forte na região dos rios Sarapuí, em Mesquita, e no Capivari, que atravessa os municípios de Duque de Caxias. Em uma hora, o acumulado de chuva chegou a 42,4mm no primeiro e 40,4 no segundo, diz o Inea.

José de Abreu quebra a costela na TV

acidente em gravação

José de Abreu quebra a costela TV

José de Abreu caiu e quebrou a costela durante a gravação da novela das seis, "Joia Rara", da Globo, na última sexta-feira. O ator escorregou em um tapete durante uma cena em que seu personagem, o vilão Ernest, contracena com Manfred (Carmo Dalla Vecchia). Apesar da contusão, Abreu continuou participando das gravações durante todo o final de semana. Ele está de repouso e tomando anti-inflamatório. (com UOL)

BALÕES COLOREM SÃO PAULO


segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

LUTA PELA VIDA


NEUZA MACHADO: O FOGO DA LABAREDA DA SERPENTE


NEUZA MACHADO: O FOGO DA LABAREDA DA SERPENTE
SOBRE O AMANTE DAS AMAZONAS DE ROGEL SAMUEL


Se os leitores acompanharam até o momento o meu raciocínio interpretativo, lembrar-se-ão do primeiro personagem-narrador Ribamar de Sousa, logo depois do fogo mítico, agente ígneo providencial ao desaparecimento dos personagens tio Genaro e Antônio, a mergulhar “na invisível água do igarapé de treva fria e rápida” e “[sendo] levado e se [afastando] dali”. Foi nesse momento que a apresentação do arcabouço histórico-ficcional se “dissolveu” para ceder o espaço ao mediador do relato mítico, onde se sobressaiu/se sobressai, conforme já foi refletido, a poderosa figura do bugre Paxiúba, iluminado pelo interregno simbólico do relato pós-moderno da Segunda Geração. Esta segunda fase de O Amante das Amazonas, relacionada ao bugre Paxiúba, resguardada pela construção do recontar mítico indígena, também revelará, seguidamente, um novo momento de impasse ficcional, na busca dos valores ficcionais da pós-modernidade. Para referendar minhas deduções reflexivas, auxiliadas pela crítica cientificista analítica, retomo o trecho da página 35 (op. cit.), no qual o narrador fundamental (oculto, disfarçado de Ribamar de Sousa) anuncia reptadoramente, sublinearmente, por intermédio de seu próprio sonho (“sonho de meia-noite psíquica, onde germinam virtudes de origem” ), que, dali por diante, a narrativa não prosseguirá pelo mesmo procedimento inicial.
O sonho do narrador Ribamar de Sousa, aqui, é um importante referente, pois, por meio dele, o verdadeiro dono do narrar ficcional, o segundo narrador, à moda deleuziana, está temporariamente oculto, distanciado da propagação cultural burra, e processará o seu ato de narrar, estruturando sublinearmente a edificação intelectual-espiritual de um Seringal Manixi idealizado, mitificado, sem evidências exercidas. A partir do “sonho na noite velada”, “muito burra e muito cega”, “entre sombras, segredos e lágrimas”, o narrador principal procura revelar a seus leitores a verdadeira e primitiva história do Estado do Amazonas, cujos vestígios foram consumidos pelos relatos oficiais ou reduzidos em frações simplificadas pela veemência do código. A narrativa O Amante das Amazonas poderá ser classificada futuramente como a história de uma representação/criação mental, valiosamente ficcional (não é épica) do arquétipo poderoso e sensível da Grande Mãe associado ao poder bélico do Grande Pai (o poder feminino/masculino do mito andrógino), bem sinalizado por intermédio do mito das amazonas guerreiras.




FIM DE ANO - NOVO ANO


domingo, 29 de dezembro de 2013

MENSAGEM


Toma prazer em viver, e a vida tomar-te-á a seu cargo.
DUGPA RINPOCHÊ

Após acidente na França, Schumacher está em coma


RADIAÇÃO


CARNAVAL EM CALI

Cali se convirtió en un gran carnaval







                      
Cali se convirtió ayer en un gran carnaval


Unos 1.500 artistas en 39 comparsas participaron en el desfile.

        




Fueron 1.500 artistas, entre ellos 120 niños, encargados de convertir a Cali en un gran Carnaval.

Como el tradicional desfile del Día de los Inocentes evoca el Cali de antaño, no podía faltar Jovita Feijoo, una mujer, no muy bonita, que se creyó, hasta el 15 de julio de 1970, el día en que murió, la reina eterna de los caleños. Iba en una carroza, interpretada por el actor de teatro Iván Montoya.
Por las calles de la ciudad desfilaron 39 comparsas con propuestas que mostraban una Cali pluriétnica y multicultural. Diversa. Ahí estaba la colonia japonesa con sus trajes tradicionales. Son los descendientes de los inmigrantes que llegaron en 1923 al Valle del Cauca. También desfilaron los silleteros, el aporte de la colonia antioqueña residente en Cali, y pasaron los jeepaos cargados de trastes y mercado, herencia del Eje Cafetero.
“El Carnaval ha permitido mostrar retazos de la historia de esta ciudad, desde antes de la conquista, hasta el futuro inmediato”, comentó el actor y director artístico del evento, Jorge Vanegas.
No podían faltar los diablos y los esqueletos, esos que salen cada diciembre a bailar por toda la ciudad y a pedir plata. Estuvieron representados en una de las comparsas organizadas en Siloé, quizá, el barrio de ladera más popular de Cali.
Otra comparsa puso en escena el dicho popular que reza que ‘las caleñas son como las flores’. Algunas más, como ‘Y Dios puso al negro aquí’, ‘Memoria étnica’ y ‘Cali, cuna del Pacífico’ llenaron de color el sur de la ciudad, por donde pasó el Carnaval.
“Hemos encontrado tantas formas tan bellas de expresarnos, que cada año este Carnaval es un desafío para la imaginación”, decía Jorge Vanegas.
Los cuatro días de Feria han transcurrido sin mayores sobresaltos. Sin embargo, el lunar, como cada año, fue la cabalgata. Paola Salazar, una economista de 34 años, fue declarada con muerte cerebral después de que cayera de un caballo el pasado jueves. La Policía, por su parte, incautó seis equinos por desnutrición y laceraciones. La directora de la Feria de Cali, Luz Adriana Latorre, dijo que “se hará una evaluación juiciosa de la cabalgata”, ante el clamor de buena parte de los caleños para que se acabe con este espectáculo.
Los que andan contentos son los hoteleros. La Corporación Hotelera del Valle (Cotelvalle) reportó, durante estos días de Feria en Cali, una ocupación del 56 por ciento, frente al 53 por ciento del año pasado. En el 2011 fue del 46 por ciento.
La Feria continúa este domingo con el Concierto Blanco, de la Licorera del Valle. Está prevista la presentación de los artistas vallenatos Jorge Celedón y Daniel Calderón, así como la actuación de Silvestre Dangond en el centro de eventos Alférez Real. Paralelamente se celebra el encuentro de melómanos que reúne a los clubes de coleccionistas de vinilos de salsa. La Feria termina este lunes 30 de diciembre.
REDACCIÓN CALI

Entre Arno et Tibre, le faste des Etrusques

Entre Arno et Tibre, le faste des Etrusques

LE MONDE |         
Vue aérienne d'ensemble de la nécropole de Banditaccia de la cité étrusque de Cerveteri.

Quarante-cinq kilomètres séparent Rome du plateau de tuf recelant les vestiges de Cerveteri ; la plus importante et la plus peuplée des douze cités étrusques, à son apogée du VIe au IVe siècle av. J.-C. Un chemin odorant conduit à l'une de ses nécropoles, celle de Banditaccia, siégeant sur une colline alentour. Egaillées autour des villes, les hypogées (tombes souterraines) contenaient du mobilier, de la vaisselle, des bijoux, des armes, tout le nécessaire pour la vie éternelle.
>> Voir : le portfolio sur cette exposition
Ces objets racontent les us et coutumes dans l'antiquité de la péninsule italienne avant la centralisation romaine. Et le brassage des cultures Orient-Occident véhiculé par d'intenses échanges commerciaux avec la Grèce, la Phénicie, Chypre, la Syrie, l'Egypte et au-delà. Platon parlait de la Méditerranée comme d'un lac où les grenouilles sautent d'une rive à l'autre. Les artisans travaillaient pour le meilleur offrant.
Au nord-ouest de ce vaste marché de la Méditerranée que se disputent les peuples riverains, « les aristocrates étrusques sont des clients au même titre que les Orientaux », précise Laurent Haumesser, conservateur du patrimoine au département des Antiquités grecques, étrusques et romaines du Musée du Louvre, et co-commissaire de l'exposition qui se tient au Louvre-Lens (Nord-Pas-de-Calais) consacrée à Cerveteri.
Extraits des tombes, une coupe provient de Mycènes (Grèce), un bol de Chypre, des œufs d'autruche d'Afrique, les représentations du foie, en bronze...

MENSAGEM DO DIA


Volta os teus olhos para a simplicidade natural do mundo: o céu, a luz do sol, as árvores, as flores e os risos das crianças. Liberta-te dos fardos pesados. Torna-te de novo leve e puro como um céu de montanha.
DUGPA RINPOCHÊ


sábado, 28 de dezembro de 2013

poemas de friday harbour

poemas de friday harbour


rogel samuel


 
 
 
Na Ilha de Friday Harbour
caem poemas do céu
estrofes de Longfellow
nas folhasinhas da horta
que um deer um dia comeu
oh sabedorias aladas
nas placas nacas do mel
das árvores engravidadas
típicas moradas
da Ilha de Friday Harbour
onde por quase nada
saem poemas do chão

 
 
MAS NA ILHA DE FRIDAY HARBOUR
O DIA É MUITO MAIS LONGO
HÁ SÓIS POR TODOS OS LADOS
UNS NASCENDO, OUTROS SE PONDO
DE TAL MODO QUE O QUADRO
FICA EM FORMA DE XADREZ
(ALI TODOS TÊM VEZ)
SÃO VOZES BEM CONJUGADAS
HOKAI SUSAN TRINLEY
TODOS DE IGUAL MEDIDA
NA CONSTRUÇÃO DA MANHÃ
MEUS IRMÃOS E IRMÃS
CADA QUAL TEM O SEU SOL
ALÔ ALÔ MADRUGADA
NADA DE LUZ APAGADA
NA ILHA DE FRIDAY HARBOUR



MESMO AS ORCAS DAS ILHAS
QUE SAEM SEM TER NENHUM PEJO
GORDAS E ASSANHADAS
VÃO POR ALI COM SEU BEIJO
PODEM ESTAR GLORIOSAS
TECNICOLORES MODA
DEMOCRÁTICAS AMERICANAS
ALI BALEIA BACANA
E TEMO QUE UM DIA PASSE
SEM QUE VEJA O MEU AMOR
DIZEM QUE MUDOU DE SEXO
OU ATÉ MESMO DE COR




bem está quem nessa ilha
sabe seu bem cortejar
por aqui passou o rei
e por aqui passará
a sua sagrada filha

 
 
 
 

tudo aqui nesta ilha
na ilha de Friday harbour
parece coisa de fada
as bandeirolas ao vento
a imaginária enseada
nada é feito a lamento
mas para contemplação
o soluço do silêncio
primeiro me faz sonhar
depois me moe de bocejos
tudo aqui nesta ilha
tem a mole maravilha
desta bela primavera
do senhor juan de fuca
dos anos de mil e tal
ao velho capitão vancouver
dos anos de setecentos



só na ilha de friday harbour
tive esta inspiração
onde por quase nada
poemas crescem do chão
onde as orcas das ilhas
saem passeando em pelo
e a lua movida a pilha
desenrosca seu novelo
 
 
 
 
 
 
estou muito contente
com a lucidez dos faróis
que a noite põe no seu teto
quando estende seus lençóis
bem está quem nesta ilha
mora com seu amor
por aqui passou o rei
e logo mais passará
a sua lendária filha

 
 
 
 
 
 
não tem idéia onde pisa
nem onde me põe a paixão
há figurativas milhas
sob o tume do calção
bem está quem nessa ilha
nunca olha para o lado
pois não vê, misericórdia
quão rápido passa o amado
 
 
 
 
na ilha de san juan
verdadeiro nome da ilha
uma baía é chamada falsa
quem a vê não sob as águas
onde esconde a falsidade
nem se a baía atende
pelo nome de renome
que a faz tão respeitada
quão se sabe que ela mente
em vez de abrigo, desastre
traz para quem dela se sente

 
 
 

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

MENSAGEM DA MANHÃ

Se guardares a tua felicidade só para ti, acabará por te abafar. Comunica-a aos outros, àqueles que amas, aos teus próximos, e vê-la-ás florir.
DUGPA RINPOCHÊ

Emmanuelle Guattari. Une saine enfance

Manou, fille de Félix Guattari… il y a pire comme filiation. Emmanuelle, dite «Manou», est la fille de ce magnifique philosophe, au sourire chaleureux, qui longtemps a codirigé, avec Jean Oury, ce lieu unique qu’a été - et qui reste - la clinique de La Borde, près de Blois (Loir-et-Cher).
Cet automne, Emmanuelle Guattari a publié deux petits livres autour de ce lieu mythique, dont la Petite Borde. L’air de rien, avec des mots ciselés, dans les petites histoires qu’elle raconte, transparaît le miracle de cet endroit qui voyait vivre ensemble des grands fous, des soignants, mais aussi leurs ...

RILKE


RAINER MARIA RILKE


Trad. Joao Accioli


PRIMEIRA ELEGIA

RAINER MARIA RILKE


Quem se eu gritasse, entre as legiões de Anjos
me ouviria? E mesmo que um deles me tomasse
inesperadamente em seu coração, aniquilar-me-ia
sua existência demasiado forte. Pois que é o Belo
senão o grau do Terrível que ainda suportamos
e que admiramos porque, impassível, desdenha
destruir-nos? Todo anjo é terrível.
E eu me contenho, pois, e reprimo o apelo
do meu soluço obscuro. Ai, quem nos poderia
valer? Nem anjos, nem homens
e o intuitivo animal logo adverte
que para nós não há amparo
neste mundo definido. Resta-nos, quem sabe,
a árvore de alguma colina, que podemos rever
cada dia; resta-nos a rua de ontem
e o apego cotidiano de algum hábito
que se afeiçoou a nós e permaneceu.
E a noite, a noite, quando o vento pleno dos espaços
do mundo desgastar-nos a face — a quem se furtaria ela,
a desejada, ternamente enganosa, sobressalto para o
coração solitário? Será mais leve para os que amam?
Ai, apenas ocultam eles, um ao outro, seu destino.
Não o sabias? Arroja o vácuo aprisionado em teus braços
para os espaços que respiramos — talvez os pássaros
sentirão o ar mais dilatado, num vôo mais comovido.
Sim, as primaveras precisam de ti.
Muitas estrelas queriam ser percebidas.
Do passado profundo afluía uma vaga, ou
quando passavas sob uma janemla aberta,
uma viola d'amore se abandonava. Tudo isso era missão.
Acaso a cumpriste? Não estavas sempre
distraído, aà espera, como se tudo
anunciasse a amada? (Onde queres abrigá-la,
se grandes e estranhos pensamentos vão e vêm
dentro de ti e, muitas vezes, se demoram nas noites?)
Se a nostalgia vier, porém, canta as amantes;
ainda não é bastante imoral sua celebrada ternura.
Tu quase as invejas — estas abandonadas
que te parecem tão mais ardentes que as
apaziguadas. Retoma infinitamente o inesgotável
louvor. Lembra-te: o herói permanece, sua queda
mesma foi um pretexto para ser — nasciemnto supremo.
Mas às amantes, retoma-as a natureza no seio
esgotado, como se as forças lhe faltassem
para realizar duas vezes a mesma obra.
Com que fervor lembraste Gaspara Stampa,
cujo exemplo sublime faça enfim pensar uma jovem
qualquer, abandonada pelo amante: por que não sou
como ela? Frutificarão afinal esses longínquos
sofrimentos? Não é tempo daqueles que amam libertar-se
do objetivo amado e superá-lo, frementes?
Assim a flecha ultrapassa a corda, para ser no vôo
mais do que ela mesma. Pois em parte alguma se detém.
Vozes, vozes. Ouve, meu coração, como outrora apenas
os santos ouviam, quando o imenso chamado
os erguia do chão; eles porém permaneciam ajoelhados,
os prodigiosos, e nada percebiam,
tão absortos ouviam. Não que possas suportar
a voz de Deus, longe disso. Mas ouve essa aragem,
a incessante mensagem que gera o silêncio.
Ergue-se agora, para que ouças, o rumor
dos jovens mortos. Onde quer que fosses,
nas igrejas de Roma e Nápoes, não ouvias a voz
de seu destino tranquilo? Ou inscrições não se ofereciam,
sublimes? A estela funerária em Santa Maria Formosa...
O que pede essa voz? a ansiada libertação
da aparência de injustiça que as vezes perturba
a agilidade pura de suas almas.
É estranho, sem dúvida, não habitar mais a terra,
abandonar os hábitos apenas aprendidos,
às rosas e a outras coisas o sentido do vir-a-ser humano;
o que se era, entre mãos trêmulas, medrosas,
não mais ser; abandonar até mesmo o próprio nome
como se abandona um brinquedo partido.
Estranho, não desejar mais nossos desejos. Estranho,
ver no espaço tudo o quanto se encandeava, esvoaçar,
desligado. E o estar-morto é penoso
e quantas tentativas até encontrar em seu seio
um vestígio de eternidade. — Os vivos cometem
o grande erro de distinguir demasiado
bem. Os Anjos (dizem) muitas vezes não sabem
se caminham entre vivos ou mortos.
Através das duas esferas, todas as idades a corrente
eterna arrasta. E a ambas domina com seu rumor.
Os mortos precoces não precisam de nós, eles
que se desabituam do terrestre, docemente,
como de suave seio maternal. Mas nós,
ávidos de grandes mistérios, nós que tantas vezes
só através da dor atingimos a feliz transformação, sem eles
poderíamos ser? Inutilmente foi que outrora, a primeira
música para lamentas Linos, violentou a rigidez da
matéria inerte? No espaço que abandonava, jovem,
quase deus, pela primeira vez o vácuo estremeceu
em vibrações — que hoje nos trazem êxtase, consolo e amparo.

BRASILEIRINHO

Pochmann: imprensa brasileira está morrendo


O Brasil apela à tecnologia para combater a falta de água no Nordeste

O Brasil apela à tecnologia para combater a falta de água no Nordeste

Enquanto as chuvas castigam o Sudeste, a região vizinha experimenta novos sistemas de irrigação para saciar a sede de plantas, animais e pessoas.

          
O agricultor Jean Carlos do Azevedo é uma espécie de arquivo histórico ambulante sobre as secas que afetaram o semiárido potiguar nas últimas quatro décadas.
“Meu pai, já falecido, recebeu um lote nos arredores de Cruzeta em 1976. Até 1992, os cultivos eram irrigados todos os anos. Em 1994 começamos a irrigar de novo, mas em 1998 parou durante vários anos devido a uma longa seca. Voltamos a irrigar em 2004, até o ano de 2012. Em janeiro de 2013, tivemos de parar mais uma vez.”
Azevedo vive numa região onde caem, em média, menos de 800 mm de chuva por ano – um volume de precipitação similar ao do Saara –, e onde praticamente não chove entre julho e dezembro.
Segundo a ONU, a atual seca é a pior no Brasil nos últimos 50 anos, sendo o fenômeno natural que mais afetou os brasileiros em 2012 (quase 9 milhões de pessoas), segundo o Anuário Brasileiro de Desastres.
Em meio a essa situação, as terras da família de Azevedo não recebem nem uma só gota de água quando o açude da região baixa a níveis mínimos devido à ausência prolongada de chuvas.
Neste momento, a população urbana de Cruzeta (uma cidade de 8.000 pessoas, no Sertão potiguar) tem prioridade para usar a água, segundo as autoridades. Em segundo lugar vêm os animais. Em terceiro lugar, a indústria. A agricultura está no final da lista.
“A seca deste ano foi a pior de todas. Nós, que passamos por isso várias vezes, nos acostumamos, mas ainda sofremos”, diz Azevedo. Um recente estudo da Agência Nacional de Águas (ANA) confirma essa percepção sobre a seca que afeta o Nordeste desde 2011.
Além disso, a variabilidade das chuvas e a intensidade das secas continuarão aumentando até 2050, com efeitos graves para a população, se os governos locais não investirem em infraestrutura e gestão hídrica, segundo previsões de especialistas no relatório “Impactos da Mudança Climática na Gestão de Recursos Hídricos: Desafios e Oportunidades no Nordeste do Brasil”, do Banco Mundial.
Esse é um dos poucos estudos sobre os efeitos climáticos, hidrológicos e socioeconômicos do aquecimento global nos Estados mais pobres do país.
O documento analisa a bacia de Piranhas-Açu, onde estão Cruzeta e Jaguaribe, no vizinho estado do Ceará. Os pesquisadores do Banco Mundial, da ANA, da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos e da Universidade Federal do Ceará, entre outras instituições, analisaram as precipitações e a seca no período de 1971 a 2000 e compararam isso com uma projeção para 2041-2070.
Dessa comparação se deduziu que, se a irrigação agrícola continuar sendo relegada nas prioridades, o setor poderia perder em média até 56,4 milhões de reais por ano, faturando 41% a menos do que seria possível. Por outro lado, os investimentos na modernização do setor poderiam gerar 14 milhões de reais por ano, sem prejudicar o abastecimento hídrico urbano.
O estudo também mostra que nos próximos anos a bacia de Piranhas-Açu vai sofrer uma maior perda de água no solo e nas plantas – um fenômeno que os especialistas chamam “evapotranspiração”. Entretanto, se forem realizados constantes investimentos na modernização da irrigação, a demanda pela água na agricultura pode diminuir 40%.
Preservar esse recurso natural tão valioso é um dos principais objetivos de Vitoriano Alves dos Santos, colega do Azevedo na Associação de Produtores de Cruzeta. “Ainda tenho acesso a uma fonte de água, mas me aflige ver a quantidade gasta todos os dias com a irrigação”, diz.

Trabalho inspirador

A boa notícia é que a região começou a trabalhar para ajudar os agricultores locais a cultivarem com menos água. Um programa financiado pelo Banco Mundial apoia os produtores locais na compra de equipamentos que economizam água, dá assistência técnica na gestão hídrica e auxilia a expansão da rede elétrica na área do projeto.
Serão atendidos 23 pequenos produtores, que cultivam lotes com uma média de 5 hectares cada. A iniciativa pode servir de modelo para programas similares em todo o Nordeste do Brasil e em outros países atingidos por secas recorrentes.
“Os produtores de Cruzeta inovam ao procurar a melhor maneira de operar o açude coletivo: focar no abastecimento prioritário da cidade e ao mesmo tempo otimizar o uso da irrigação para evitar maiores prejuízos em anos de seca. Esse trabalho pioneiro pode guiar várias comunidades que dependem de pequenos açudes para seu sustento”, diz Erwin de Nys, especialista do Banco Mundial em questões hídricas.
Emocionado, Jean Azevedo considera que o novo projeto ajudará os produtores que continuam procurando oportunidades no campo. “Quero ficar, porque nasci aqui e estou contente de trabalhar a terra”, diz.
Mariana Kaipper Ceratti é produtora on-line do Banco Mundial

O Pequeno Principe, Antoine de Saint-Exupery, XXII


O Pequeno Principe, Antoine de Saint-Exupery, XXII


- Bom dia, disse o principezinho.
- Bom dia, respondeu o guarda-chaves.
- Que fazes aqui! perguntou-lhe o principezinho.
- Eu divido os passageiros em blocos de mil, disse o guarda-chaves. Despacho os trens que os carregam, ora para a direita, ora para a esquerda.
E um rápido iluminado, roncando como um trovão, fez tremer a cabine do guarda-chaves.
- Eles estão com muita pressa, disse o principezinho. O que é que estão procurando?
- Nem o homem da locomotiva sabe, disse o guarda-chaves.
E trovejou, em sentido inverso, um outro rápido iluminado.
- Já estão de volta? perguntou o principezinho...
- Não são os mesmos, disse o guarda-chaves. É uma troca.
- Não estavam contentes onde estavam?
- Nunca estamos contentes onde estamos, disse o guarda-chaves.
- E um terceiro rápido, iluminado, trovejou.
- Estão perseguindo os primeiros viajantes? perguntou o principezinho.
- Não perseguem nada, disse o guarda-chaves. Estão dormindo lá dentro, ou bocejando. Só as crianças esmagam o nariz nas vidraças.
- Só as crianças sabem o que procuram, disse o principezinho. Perdem tempo com uma boneca de pano, e a boneca se torna muito importante, e choram quando a gente toma...
- Elas são felizes... disse o guarda-chaves.



quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

O QUE A BAIANA TEM?

PROCURANDO TU


A ALEGRIA

Quando é partilhada, a alegria nunca fica diminuída. Renova-se constantemente no outro.
DUGPA RINPOCHÊ

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

'Estou oficialmente me aposentando', diz Justin Bieber no Twitter

Justin Bieber flirts with retirement in Christmas Eve tweets

                                   Após Justin Bieber publicar em seu Twitter que está "oficialmente" se aposentando, alguns sites começaram a especular que o anúncio pode ser uma "brincadeira" criada para promover o novo filme do astro pop. O documentário "Justin Bieber's Believe" estreou nesta quarta-feira (25), nos cinemas norte-americanos. (Clique aqui para assistir ao trailer do filme)



                                             

                               

'Estou oficialmente me aposentando', diz Justin Bieber no Twitter

Cantor já havia falado sobre a possibilidade de deixar a carreira musical.
'Meus queridos beliebers, estou oficialmente me aposentando', afirmou.

                                   
 
Justin Bieber disse nesta quarta-feira (25) em uma mensagem publicada no Twitter que está oficialmente se aposentando. "Meus queridos beliebers, estou oficialmente me aposentando", disse o cantor.
"A mídia fala muito de mim. Eles inventam um monte de mentiras e querem que eu fracasse, mas eu nunca vou deixar vocês. Ser um belieber é um estilo de vida", disse nas mensagens.
"Sejam bons amando uns aos outros, perdoem uns aos outros assim como Deus nos perdoou através de Cristo. Feliz Natal. Estou aqui para sempre".
Ele já havia falado sobre desistir da carreira musical em uma entrevista à rádio Power 106, de Los Angeles, nos Estados Unidos.

  






Reuters


REUTERS

NEW YORK: Teenage pop star Justin Bieber sent out a series of mixed messages over his Twitter feed on Tuesday night, one of which said he was retiring, on the eve of the Christmas Day release of the latest film chronicling the life of the Canadian singer.

The tweet to the 19-year-old's nearly 48 million followers - "My beloved beliebers I'm officially retiring" - was quickly followed by another message: "I'm never leaving you, being a belieber is a lifestyle."

And then: "IM HERE FOREVER."

Representatives for Bieber did not immediately respond to a request for clarification.

The Canadian singer has been involved in a series of headline-grabbing incidents over the past year.

In March, the singer scuffled with a photographer outside a London hotel during a European tour. Later that month, police were called to his Los Angeles area home after a neighbor claimed he had been threatened and struck by Bieber.

In June, Bieber struck a photographer with his Ferrari sports car while driving away from a comedy club in Los Angeles, though police said the accident was not considered a hit-and-run.

The movie, "Justin Bieber's Believe," which takes the name of Bieber's third studio album, could help repair his image after the difficult year.

"I think people forget that it's a 19-year-old kid, trying to figure it out," Bieber's manager, Scooter Braun, told ABC News, adding the film shows Bieber as "a human."

At one point in the film, director Jon Chu suggests Bieber's life could become a "train wreck."

The "retirement" message went out on the night of Christmas Eve and by the following morning had nearly a quarter million retweets and over 185,000 favorites.

Twitter user @theycallmejerry tweeted: "A life without Justin Bieber. A life without my idol, hero, inspiration, my everything. Not the best thing to think about on Christmas Eve."

On the other end of the spectrum, Twitter user CozImAGuy said, "Justin Bieber retiring is the greatest Christmas gift EVER."

Jandyra Waters, 92 anos

Todos os volpistas, ou seja, os colecionadores das pinturas de Volpi, têm em suas coleções pelo menos uma tela da pintora paulista Jandyra Waters, que comemora meio século de sua primeira exposição individual com um calendário de 2014 patrocinado por um deles, Ladi Biezus, proprietário de um respeitado acervo de construtivistas brasileiros, entre eles Volpi e Jandyra, claro. Ela é um caso de inteligência visual intuitiva muito parecido com o de Volpi – aliás, reconhecida por críticos como Theon Spanudis, Mario Schenberg, José Geraldo Vieira e Geraldo Ferraz. Aos 92 anos, Jandyra continua pintando sem parar. Já comparada ao italiano Alberto Magnelli (1881-1971), mestre da arte concreta que ganhou o segundo prêmio na primeira edição da Bienal de São Paulo, Jandyra é um mito para os iniciados, uma pintora, digamos, “cult”, que merece uma retrospectiva urgente num grande museu.
A artista plástica, poetisa e escultora Jandyra Waters - Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão
A artista plástica, poetisa e escultora Jandyra Waters

Discreta e avessa à publicidade, o oposto do que se vê hoje no mercado de arte, Jandyra Waters está presente nas coleções dos principais museus (MAM e MAC, entre eles), mas é pouco lembrada pela nova geração de curadores, a despeito de sua importância para a evolução do construtivismo no Brasil – ela foi uma das pioneiras abstracionistas ao voltar ao País, casada com um oficial do Exército inglês, exatamente no ano da realização da 1ª Bienal de São Paulo, 1951. A história da pintora paulista Jandyra Waters, nascida há 92 anos em Sertãozinho, interior de São Paulo, está ligada a uma notícia que leu no Estado no fim da 2ª Guerra. Em 1945, a United Nations Relief Rehabillitation Administration (Unrra), organização internacional que dava assistência e repatriava cidadãos deslocados pelo conflito, precisava de voluntários. Ela abriu mão de um posto na embaixada americana do Rio de Janeiro para seguir seu destino. Viajou para Londres, depois para a Holanda e, finalmente, em direção à Áustria, onde conheceu o futuro marido, o major britânico Eri Dale Waters, de quem herdou o sobrenome. E foi na Inglaterra, terra de Constable e Turner, que começou a pintar depois da guerra.

Jandyra retira da prateleira uma natureza-morta de 1948, sua primeira pintura, feita em Lewes, Sussex, onde estudou pintura na escola local. Persistente, ela passou a se dedicar em tempo integral à arte, mas ficou grávida de Martin, seu único filho, e a tinta a óleo começou a afetar sua saúde. Obrigada a parar, ela só retomaria a pintura ao voltar ao Brasil, em 1951, data que marca historicamente a entrada do abstracionismo no país. Na época, não sentia particular atração pela arte abstrata. Frequentando o ateliê de Yoshiya Takaoka (1909-1978), que foi também professor de Amélia Toledo, Jandyra pintava paisagens e estudava história da arte com Walter Zanini, além de aprender pintura mural com Clóvis Graciano e gravura com Marcelo Grassmann.

A passagem da figuração para o abstracionismo informal não foi traumática. No entanto, exigiu esforço da pintora, que nunca andou em turma nem se filiou a escolas – nem mesmo aos concretos, como fez Volpi. O construtivismo geométrico surgiu em sua vida nos anos 1960, década que marcou sua passagem pela Bienal de São Paulo – na nona edição, de 1967, também lembrada pela presença maciça dos artistas pop americanos, entre eles Andy Warhol, Lichtenstein, Rauschenberg e Jasper Johns. Foi exatamente nesse ano que o crítico José Geraldo Vieira celebrou sua escolha para a Bienal, classificando a pintora como a antípoda desses artistas pop, uma pura “representante do neomondrianismo”.

Jandyra não se importa com rótulos, mas estar ligada a Mondrian, maior nome do neoplasticismo, não deixa de ser uma responsabilidade. Curiosamente, também o sentimento metafísico e religioso do pintor holandês pode ser detectado em sua pintura – a síntese de um abstracionismo eventualmente ligado à geometria sagrada. O fato é que a artista batizou uma série, na década de 1970, de Templos (há dois trabalhos dessa época no acervo do MAM e MAC, reproduzidos no calendário). Também por essa filiação, sua pintura é comparada à obra de Rubem Valentim, embora a artista rejeite ser a sua uma proposta “religiosa”. Isso não impediu que a geometrização de suas estruturas fosse vista assim. Afinal, ela recorre ao uso de diagonais, à simetria e a números como o 3, 4 e 7, representados por figuras como o quadrado e o triângulo.

Dois críticos, no mínimo, reforçam a ideia de que a contribuição de Jandyra Waters ao construtivismo não foi apenas estética, mas religiosa: o físico Mário Schenberg (1914- 1990) e o psicanalista Theon Spanudis (1915- 1986). Schenberg escreveu, em 1971, que o conteúdo de suas formas “é de tendência esotérica e iniciática”. Spanudis, dez anos depois, voltaria a falar de seu “vocabulário esotérico”, classificando sua pintura de “simples e clara como só um gênio poderia fazer”. Foi o poeta e crítico turco que também comparou Jandyra ao cubofuturista (e depois concreto) Magnelli.

“Pode ser, mas nunca senti sua influência, nem de outros, apesar de gostar muito de Matisse”, observa a pintora, que esperou amadurecer para fazer sua primeira exposição individual, em 1963, aos 42 anos, na Galeria Aremar, em Campinas. O calendário que a homenageia traz uma pintura do período, que marca a transição do informalismo para uma construção rígida (de 1965 em diante), marcada pela aplicação da tinta quase diluída, que reforça o caráter incorpóreo da cor. Naquela época, 1964, pintores como britânico John Hoyland começavam a usar tinta acrílica, que Jandyra só adotaria nos anos 1970.

“Não foi por moda, mas porque, nos anos 1970, eu passei para a pintura geométrica e tive um problema de saúde por causa da tinta a óleo.” A textura da superfície mudou com a tinta acrílica e com ela veio à tona uma necessidade de experimentar que a artista levou também para a poesia (ela tem livros publicados pela José Olympio). “Certa vez, estava em Ilha Bela, chovia muito e, sem dispor de material para pintura, resolvi recortar e pintar chapas de isopor, fazendo meus primeiros trabalhos tridimensionais, talvez pensando na arquitetura de Brasília.” A primeira dessas obras, da série Templos, foi comprada por Theon Spanudis e doada por ele ao MAC, antes de morrer.

“Por causa das cores vivas, minha pintura já foi até chamada de psicodélica, mas o fato é que sempre trabalhei com croquis, dentro de um rigoroso construtivismo que, posso assegurar, é totalmente intuitivo.”