terça-feira, 31 de dezembro de 2013

ENTRANDO PELO NOVO ANO

Atrás do obstáculo, encontra-se a liberdade: entrando pelo novo ano
 
Rogel Samuel
 
O novo sempre é agradável de sentir, de viver, de estar. Não é constituído de palavras. É algo vivo, pulsa, tem energia. Viajamos no novo, entrando numa novidade. A nova ação produz as novas amizades, novas cores, flores.
Disse Dugpa Rinpoche: “Volte os olhos para a simplicidade natural do mundo”.
Dugpa Rinpochê é um escritor budista. Seus preceitos são simples, claros, curtos, poéticos. Ele os escrevia em pedacinhos de papel, meditava neles durante muito tempo, e depois os liberava, dava-os ao visitante. Acompanhou o Dalai Lama na fuga deste do Tibet, na época da invasão chinesa. Morou em Dharamsala, na Índia, e depois foi para Nagarkot, no Nepal, a três mil metros de altitude, perto daquelas montanhas, o Annapurna, o Melung Tse, o Everest.
 Não deve ter tido uma vida fácil. Deve ter perdido a família e pátria. Viu o sofrimento de milhares de tibetanos. Talvez sua família tenha sido morta ou torturada, como tantas outras, naquela terrível invasão. Mas não esqueceu a surpresa da novidade, a alegria, o amor. Não deixou de ver o mundo e a vida como uma coisa nova e bonita, com alegria, sem depressão. Faleceu em Dharamsala, em 1989. A vida não é fácil, nunca é fácil. Mas sempre é uma coisa nova. E é muito curta para que a possamos sofrer, para que a transformemos em tragédia. É fácil fazer da vida uma tragédia. Difícil é o contrário, fazer dela uma alegria nova.
Sei que estou fazendo pose, que estou fazendo frases, que estou tecendo frases de efeito, frases de estilo. Mas vou ou procuro entrar nesse novo ano com um espírito renovado, sem os aborrecimentos do passado.
Podemos entrar no novo ano por um novo caminho interior, bem diferente, sem os padecimentos do passado, deixando no velho o peso morto.
Dugpa Rinpochê, “Quem deseja a sorte alcança-a sempre. Não deprecie nunca os seus sonhos. Deve fazer um pacto com eles. Eles são a nascente e a força inesgotável que levarão à vitória. Atrás do obstáculo, encontra-se uma liberdade virginal, um horizonte mais vasto”.
Sei que estou lidando com frases. Mas, além das frases, que mais existe?
 
 

AMEAÇA

Segundo atentado em dois dias desafia Putin e o seu projecto de Sochi

Bombista suicida matou 14 pessoas que viajavam num autocarro eléctrico em Volgogrado. Presidente russo ainda não falou ao país, mas ordenou novo reforço de segurança.                
 
 


Pelo segundo dia consecutivo, de novo na cidade que simboliza a resistência russa e usando o mesmo método da véspera. O atentado suicida que nesta segunda-feira matou 14 pessoas em Volgogrado fez mais do que semear o medo – constitui um desafio ao Presidente russo, Vladimir Putin, faz temer pela segurança dos Jogos Olímpicos de Inverno e mostra que uma década depois do fim da guerra na Tchetchénia os jihadistas do Cáucaso continuam capazes de lançar ataques de grande visibilidade fora da região.
“Esta série de explosões visam criar um clima de terror antes dos Jogos” de Sochi, disse à AFP o analista Pavel Felgenhauer, resumindo a suspeita que paira desde que, domingo ao início da tarde, um bombista detonou os explosivos que transportava à entrada da estação de comboio de Volgogrado, matando 17 pessoas e ferindo outras 40.
Por ordem de Putin, a segurança foi reforçada nos aeroportos e estações da Rússia – muito movimentados em vésperas do Ano Novo, a festa mais importante no país. Na manhã desta segunda-feira, um autocarro eléctrico, repleto de passageiros, explodiu no centro da cidade. O Comité de Investigações Federais confirmou que foi um novo atentado suicida – o terceiro na cidade desde 21 de Outubro, quando uma mulher matou seis pessoas num autocarro.
“Pelo segundo dia, estamos aqui a morrer. É um pesadelo”, disse à Reuters uma mulher em lágrimas junto ao autocarro, reduzido a uma carcaça esventrada. Além dos 14 mortos, 28 pessoas foram hospitalizadas, cinco das quais em estado crítico. “Estamos aterrorizados. Toda a gente saiu dos autocarros e dos eléctricos e continuou o caminho a pé”, disse outra testemunha à agência Ria Novosti.
Putin, que ainda não falou aos russos desde os atentados, ordenou um novo reforço da segurança a nível nacional, com especial atenção em Volgogrado, e enviou à cidade o director do FSB (ex-KGB), Aleksandr Bortnikov. Dezenas de países, incluindo Portugal, condenaram o atentado antecipando-se ao pedido de solidariedade da diplomacia russa, que equiparou os atentados em Volgogrado aos que visaram os EUA ou a Síria. “Não vamos recuar e vamos continuar a luta contra este inimigo insidioso que só pode ser derrotado em conjunto”, afirmou em comunicado.
A mesma pista
Vladimir Markin, porta-voz dos investigadores, revelou que os fragmentos encontrados no autocarro indicam que a bomba era idêntica à detonada na central de comboios e admitiu que os dois engenhos “podem ter sido preparados no mesmo local”.
As autoridades voltaram a não identificar o atacante, dizendo apenas suspeitar de “um homem em cujo corpo foram recolhidos fragmentos enviados para testes genéticos”. Domingo, as suspeitas recaíram sobre uma mulher, que a imprensa disse ser oriunda do Daguestão, república vizinha da Tchetchénia, mas nesta segunda-feira foi divulgado um vídeo de segurança mostrando um homem a passar pelo detector de metais da estação segundos antes da explosão.
Mas é no Cáucaso do Norte e nos violentos jihadistas da região que as suspeitas se concentram, em especial depois de Doku Umarov, o guerrilheiro tchetcheno que se proclama emir do Cáucaso, ter desafiado os radicais a “usarem a máxima força” para impedir os Jogos de Sochi, uma competição “satânica” realizada sobre “as ossadas de muitos muçulmanos”.
A organização dos Jogos assegurou que “tudo o que podia ser feito [para proteger a competição] já foi feito” e o Comité Olímpico Internacional disse “não ter dúvidas que a Rússia estará à altura da tarefa”. Putin, que presidirá em Sochi à primeira grande competição em solo russo desde a queda da URSS, não olhou a gastos para blindar a estância do mar Negro. O trânsito estará vedado a não residentes a partir de 7 de Janeiro (um mês antes do início dos Jogos), além dos bilhetes os espectadores terão de pedir passes de acesso ao recinto, mediante a apresentação de passaporte e haverá drones a vigiar em permanência o recinto.
Cidade símbolo
“Isto é uma forma de dizer à Rússia ‘vocês podem montar toda a segurança que quiserem em redor dos Jogos. As pessoas comuns nas maiores e mais conhecidas cidades não vão estar protegidas'”, disse à AP Edward Turzanski, especialista em terrorismo do Foreign Policy Research Institute, nos EUA.
Volgogrado é um alvo mais fácil. Situada entre Moscovo (900 km a norte) e Sochi (700 km a sudoeste), é a metrópole mais próxima do Cáucaso, ao qual está ligada por várias linhas de autocarro. Volgogrado, antiga Estalinegrado, foi também palco da grande batalha em que o Exército Vermelho derrotou as tropas de Hitler, em 1943. “É o símbolo do sofrimento e da vitória na II Guerra Mundial e foi escolhida precisamente pelos terroristas por causa desse estatuto na mente dos russos”, explicou ao Washington Post Dmitri Trenin, do Carnegie Center de Moscovo.
Na imprensa pediu-se mão dura com os terroristas e um deputado do Partido Liberal (populista) sugeriu o fim da moratória à pena de morte. Mas todos os sinais indicam que o Kremlin quer tratar este assunto como um caso de polícia e não um assunto de Estado – elevar o nível de alerta terrorista a nível nacional poderia criar alarmismo em redor dos Jogos, dizem os analistas. Mas em marcha está já uma caça ao homem: a televisão Russia Today noticiou que 260 grupos de busca e 142 equipas de investigadores estão em Volgogrado, tendo revistado mais de 1500 locais em menos de um dia. 

 

NAVIO ENCALHADO NO GELO

Australia Plans Evacuation of Passengers Stranded in Ice

Andrew Peacock, via Agence France-Presse — Getty Images
An image from one of the passengers of the Akademik Shokalskiy shows the Russian research ship icebound off Antarctica.
Maritime safety officials began preparations on Tuesday for a helicopter rescue of scientists and others aboard a chartered research ship that has been stuck in Antarctic ice for a week.

CALOR NO RIO

RIO — Após os núcleos de chuva que atuavam sobre a cidade se deslocarem em direção ao oceano, o município do Rio de Janeiro retornou ao Estágio de Vigilância às 2h desta terça-feira, 31 de dezembro. O Estágio de Atenção, segundo em uma escala de quatro, foi acionado em toda a cidade às 20h10m de segunda-feita depois de um dia de calor com máxima de 38,5 graus e sensação térmica de 49 graus. Na Baixada Fluminense, o Rio Pavuna, que corta a cidade de São João de Meriti, está em alerta máximo. Segundo o sistema de alerta de cheias do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), isso significa que o nível atingiu 80% do nível de transbordamento. Por volta de 20h30m, chovia forte na região dos rios Sarapuí, em Mesquita, e no Capivari, que atravessa os municípios de Duque de Caxias. Em uma hora, o acumulado de chuva chegou a 42,4mm no primeiro e 40,4 no segundo, diz o Inea.

José de Abreu quebra a costela na TV

acidente em gravação

José de Abreu quebra a costela TV

José de Abreu caiu e quebrou a costela durante a gravação da novela das seis, "Joia Rara", da Globo, na última sexta-feira. O ator escorregou em um tapete durante uma cena em que seu personagem, o vilão Ernest, contracena com Manfred (Carmo Dalla Vecchia). Apesar da contusão, Abreu continuou participando das gravações durante todo o final de semana. Ele está de repouso e tomando anti-inflamatório. (com UOL)

BALÕES COLOREM SÃO PAULO


segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

LUTA PELA VIDA


NEUZA MACHADO: O FOGO DA LABAREDA DA SERPENTE


NEUZA MACHADO: O FOGO DA LABAREDA DA SERPENTE
SOBRE O AMANTE DAS AMAZONAS DE ROGEL SAMUEL


Se os leitores acompanharam até o momento o meu raciocínio interpretativo, lembrar-se-ão do primeiro personagem-narrador Ribamar de Sousa, logo depois do fogo mítico, agente ígneo providencial ao desaparecimento dos personagens tio Genaro e Antônio, a mergulhar “na invisível água do igarapé de treva fria e rápida” e “[sendo] levado e se [afastando] dali”. Foi nesse momento que a apresentação do arcabouço histórico-ficcional se “dissolveu” para ceder o espaço ao mediador do relato mítico, onde se sobressaiu/se sobressai, conforme já foi refletido, a poderosa figura do bugre Paxiúba, iluminado pelo interregno simbólico do relato pós-moderno da Segunda Geração. Esta segunda fase de O Amante das Amazonas, relacionada ao bugre Paxiúba, resguardada pela construção do recontar mítico indígena, também revelará, seguidamente, um novo momento de impasse ficcional, na busca dos valores ficcionais da pós-modernidade. Para referendar minhas deduções reflexivas, auxiliadas pela crítica cientificista analítica, retomo o trecho da página 35 (op. cit.), no qual o narrador fundamental (oculto, disfarçado de Ribamar de Sousa) anuncia reptadoramente, sublinearmente, por intermédio de seu próprio sonho (“sonho de meia-noite psíquica, onde germinam virtudes de origem” ), que, dali por diante, a narrativa não prosseguirá pelo mesmo procedimento inicial.
O sonho do narrador Ribamar de Sousa, aqui, é um importante referente, pois, por meio dele, o verdadeiro dono do narrar ficcional, o segundo narrador, à moda deleuziana, está temporariamente oculto, distanciado da propagação cultural burra, e processará o seu ato de narrar, estruturando sublinearmente a edificação intelectual-espiritual de um Seringal Manixi idealizado, mitificado, sem evidências exercidas. A partir do “sonho na noite velada”, “muito burra e muito cega”, “entre sombras, segredos e lágrimas”, o narrador principal procura revelar a seus leitores a verdadeira e primitiva história do Estado do Amazonas, cujos vestígios foram consumidos pelos relatos oficiais ou reduzidos em frações simplificadas pela veemência do código. A narrativa O Amante das Amazonas poderá ser classificada futuramente como a história de uma representação/criação mental, valiosamente ficcional (não é épica) do arquétipo poderoso e sensível da Grande Mãe associado ao poder bélico do Grande Pai (o poder feminino/masculino do mito andrógino), bem sinalizado por intermédio do mito das amazonas guerreiras.




FIM DE ANO - NOVO ANO


domingo, 29 de dezembro de 2013

MENSAGEM


Toma prazer em viver, e a vida tomar-te-á a seu cargo.
DUGPA RINPOCHÊ

O governo Tarso Genro pós-manifestações de Junho


O governo Tarso Genro pós-manifestações de Junho





         Por Vinicius Wu

O grande acontecimento político do ano de 2013 foram os protestos de Junho. As reações ao processo de mobilização e as respostas apresentadas pelos governos municipais, estaduais e federal definiram, em grande medida, o ambiente político do país no último semestre. A mais recente pesquisa CNI-Ibope atesta que Tarso Genro foi o governador que mais cresceu em aprovação após as mobilizações (conta com 50%, segundo o Ibope). Analisar os motivos desse desempenho não parece ser algo irrelevante para a compreensão da política nacional no último ano.

Entre os jovens de 18 a 24 anos a aprovação de Tarso subiu quase vinte pontos percentuais no período que vai de Junho a Novembro do corrente ano. Nesta parcela da população, a aprovação do desempenho do Governador frente aos protestos chega a 62%, segundo levantamento realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Se considerarmos todas as faixas etárias, 58% dos gaúchos aprovaram a atuação de Tarso durante as mobilizações e apenas 28% desaprovaram. Trata-se de um resultado que distancia o Governador da maioria de seus congêneres país afora.

Até mesmo em relação à atuação da Polícia Militar verifica-se que a maioria da sociedade gaúcha aprovou a condução do governo petista. Para 50% dos gaúchos, a Brigada Militar agiu com violência, mas sem exageros durante os protestos.

Outros 30% avaliam que a polícia gaúcha agiu sem violência e apenas 15% acreditam que agiu com muita violência, de acordo com o estudo da FGV.

Diversos fatores contribuíram para essa percepção geral positiva. A posterior aprovação do projeto que estabelece Passe-Livre para os estudantes das regiões metropolitanas tem relação direta com a formação da opinião majoritariamente simpática à reação do governo gaúcho. A proposta, surgida das ruas, foi incorporada pela Administração Estadual. Mas a grande diferença parece ter sido a capacidade de diálogo do governador e a existência de diversos canais, previamente estabelecidos, de consulta e escuta à sociedade no âmbito do Sistema Estadual de Participação.

O Gabinete Digital, criado ainda em 2011, possibilitou o estabelecimento de uma comunicação direta com os manifestantes, sem nenhum tipo de intermediação, expondo o Governador de forma transparente e acessível em um dos momentos mais tensos da política nacional nos últimos anos.

Uma das audiências publicas digitais, realizada em 20 de Junho com transmissão pela internet, contou com a participação de meio milhão de cidadãos e cidadãs, mobilizados pelas redes sociais digitais. Na ocasião, Tarso debateu diretamente com ativistas do Rio Grande do Sul e do país, recebeu críticas, ouviu e respondeu a diversas questões e retirou dali orientações para a atuação posterior de suas forças policiais. Foi um evento memorável, possível graças a uma atitude corajosa do governo. O diálogo, com alto grau de improviso e espontaneidade, foi realizado horas antes de assistirmos a uma das maiores manifestações populares já realizadas no país.

O Gabinete Digital realizou, ainda, uma série de outras audiências públicas digitais, nas quais o Governador do Estado debateu diversos temas com ativistas, especialistas e lideranças sociais. Todos os debates ocorreram com participação simultânea de milhares de pessoas pela rede, sem nenhum tipo de filtro ou censura. Algo singular no Brasil durante os intensos meses de Junho e Julho.

Através do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES/RS), o governo logrou processar proposições que surgiram das ruas e transformá-las em ações. O projeto que instituiu o Passe-Livre, por exemplo, foi sendo construído através de inúmeras rodadas de negociação, em meio à complexidade do diálogo com um movimento de massas declaradamente desprovido de lideranças. E nem por isso o processo deixou de ser ágil e gerar resultados.

Certamente, se estes mesmos canais de participação e diálogo – Gabinete Digital e CDES – tivessem sido constituídos às pressas, apenas para dar respostas às mobilizações de Junho, o resultado teria sido bem diferente. Dificilmente conquistariam legitimidade e reconhecimento público para se tornarem ferramentas válidas ao processamento dos debates suscitados pelos protestos de 2013. Mas, por terem sido organizados desde o primeiro ano do Governo Tarso, conquistaram a legitimidade necessária ao desfecho positivo que obtiveram.

As pesquisas de opinião comprovam o acerto do governo do Rio Grande do Sul ao apostar na conformação de um complexo Sistema de Participação Cidadã, que vai se tornando referência internacional. Recentemente, a Organização das Nações Unidas (ONU) concedeu um prêmio ao Governo gaúcho pelo Sistema e o Banco Mundial já havia premiado também o Gabinete Digital, experiência que já conta com expressivo reconhecimento dentro e fora do país.

E a participação da sociedade atesta a validade da experiência. A última consulta ao orçamento, realizada pelo Governo gaúcho, contou com a participação de mais de 1,2 milhões de pessoas. E o Gabinete Digital promoveu a maior consulta pública digital já realizada até aqui no Brasil no ano de 2012.

É possível afirmar, sem incorrer em nenhum exagero, que o Governo Tarso é outro depois dos protestos de Junho. A disposição em dialogar, ouvir e abrir-se à participação efetiva da cidadania permitiu um posicionamento singular do governo gaúcho durante as grandiosas mobilizações de Junho.

Frente àquele que foi o principal evento político do ano de 2013, o Governo do Rio Grande do Sul fez valer toda a história de estímulo e valorização da participação popular, originária das administrações petistas de Porto Alegre, que inspiraram o mundo através do Orçamento Participativo e do Fórum Social Mundial.

O ano de 2013, portanto, deixa um aprendizado valioso para a esquerda gaúcha que pode – e deve – ser compartilhada com a esquerda brasileira, em especial no próximo ano, quando a capacidade de renovar a esperança do povo brasileiro em nosso projeto transformador e democrático estará, novamente, diante de um teste decisivo.

(*) Secretário-Geral do Governo do Rio Grande do Sul. Coordenador do Gabinete Digital.

Após acidente na França, Schumacher está em coma


RADIAÇÃO


CARNAVAL EM CALI

Cali se convirtió en un gran carnaval







                      
Cali se convirtió ayer en un gran carnaval


Unos 1.500 artistas en 39 comparsas participaron en el desfile.

        




Fueron 1.500 artistas, entre ellos 120 niños, encargados de convertir a Cali en un gran Carnaval.

Como el tradicional desfile del Día de los Inocentes evoca el Cali de antaño, no podía faltar Jovita Feijoo, una mujer, no muy bonita, que se creyó, hasta el 15 de julio de 1970, el día en que murió, la reina eterna de los caleños. Iba en una carroza, interpretada por el actor de teatro Iván Montoya.
Por las calles de la ciudad desfilaron 39 comparsas con propuestas que mostraban una Cali pluriétnica y multicultural. Diversa. Ahí estaba la colonia japonesa con sus trajes tradicionales. Son los descendientes de los inmigrantes que llegaron en 1923 al Valle del Cauca. También desfilaron los silleteros, el aporte de la colonia antioqueña residente en Cali, y pasaron los jeepaos cargados de trastes y mercado, herencia del Eje Cafetero.
“El Carnaval ha permitido mostrar retazos de la historia de esta ciudad, desde antes de la conquista, hasta el futuro inmediato”, comentó el actor y director artístico del evento, Jorge Vanegas.
No podían faltar los diablos y los esqueletos, esos que salen cada diciembre a bailar por toda la ciudad y a pedir plata. Estuvieron representados en una de las comparsas organizadas en Siloé, quizá, el barrio de ladera más popular de Cali.
Otra comparsa puso en escena el dicho popular que reza que ‘las caleñas son como las flores’. Algunas más, como ‘Y Dios puso al negro aquí’, ‘Memoria étnica’ y ‘Cali, cuna del Pacífico’ llenaron de color el sur de la ciudad, por donde pasó el Carnaval.
“Hemos encontrado tantas formas tan bellas de expresarnos, que cada año este Carnaval es un desafío para la imaginación”, decía Jorge Vanegas.
Los cuatro días de Feria han transcurrido sin mayores sobresaltos. Sin embargo, el lunar, como cada año, fue la cabalgata. Paola Salazar, una economista de 34 años, fue declarada con muerte cerebral después de que cayera de un caballo el pasado jueves. La Policía, por su parte, incautó seis equinos por desnutrición y laceraciones. La directora de la Feria de Cali, Luz Adriana Latorre, dijo que “se hará una evaluación juiciosa de la cabalgata”, ante el clamor de buena parte de los caleños para que se acabe con este espectáculo.
Los que andan contentos son los hoteleros. La Corporación Hotelera del Valle (Cotelvalle) reportó, durante estos días de Feria en Cali, una ocupación del 56 por ciento, frente al 53 por ciento del año pasado. En el 2011 fue del 46 por ciento.
La Feria continúa este domingo con el Concierto Blanco, de la Licorera del Valle. Está prevista la presentación de los artistas vallenatos Jorge Celedón y Daniel Calderón, así como la actuación de Silvestre Dangond en el centro de eventos Alférez Real. Paralelamente se celebra el encuentro de melómanos que reúne a los clubes de coleccionistas de vinilos de salsa. La Feria termina este lunes 30 de diciembre.
REDACCIÓN CALI

Entre Arno et Tibre, le faste des Etrusques

Entre Arno et Tibre, le faste des Etrusques

LE MONDE |         
Vue aérienne d'ensemble de la nécropole de Banditaccia de la cité étrusque de Cerveteri.

Quarante-cinq kilomètres séparent Rome du plateau de tuf recelant les vestiges de Cerveteri ; la plus importante et la plus peuplée des douze cités étrusques, à son apogée du VIe au IVe siècle av. J.-C. Un chemin odorant conduit à l'une de ses nécropoles, celle de Banditaccia, siégeant sur une colline alentour. Egaillées autour des villes, les hypogées (tombes souterraines) contenaient du mobilier, de la vaisselle, des bijoux, des armes, tout le nécessaire pour la vie éternelle.
>> Voir : le portfolio sur cette exposition
Ces objets racontent les us et coutumes dans l'antiquité de la péninsule italienne avant la centralisation romaine. Et le brassage des cultures Orient-Occident véhiculé par d'intenses échanges commerciaux avec la Grèce, la Phénicie, Chypre, la Syrie, l'Egypte et au-delà. Platon parlait de la Méditerranée comme d'un lac où les grenouilles sautent d'une rive à l'autre. Les artisans travaillaient pour le meilleur offrant.
Au nord-ouest de ce vaste marché de la Méditerranée que se disputent les peuples riverains, « les aristocrates étrusques sont des clients au même titre que les Orientaux », précise Laurent Haumesser, conservateur du patrimoine au département des Antiquités grecques, étrusques et romaines du Musée du Louvre, et co-commissaire de l'exposition qui se tient au Louvre-Lens (Nord-Pas-de-Calais) consacrée à Cerveteri.
Extraits des tombes, une coupe provient de Mycènes (Grèce), un bol de Chypre, des œufs d'autruche d'Afrique, les représentations du foie, en bronze...

MENSAGEM DO DIA


Volta os teus olhos para a simplicidade natural do mundo: o céu, a luz do sol, as árvores, as flores e os risos das crianças. Liberta-te dos fardos pesados. Torna-te de novo leve e puro como um céu de montanha.
DUGPA RINPOCHÊ


sábado, 28 de dezembro de 2013

poemas de friday harbour

poemas de friday harbour


rogel samuel


 
 
 
Na Ilha de Friday Harbour
caem poemas do céu
estrofes de Longfellow
nas folhasinhas da horta
que um deer um dia comeu
oh sabedorias aladas
nas placas nacas do mel
das árvores engravidadas
típicas moradas
da Ilha de Friday Harbour
onde por quase nada
saem poemas do chão

 
 
MAS NA ILHA DE FRIDAY HARBOUR
O DIA É MUITO MAIS LONGO
HÁ SÓIS POR TODOS OS LADOS
UNS NASCENDO, OUTROS SE PONDO
DE TAL MODO QUE O QUADRO
FICA EM FORMA DE XADREZ
(ALI TODOS TÊM VEZ)
SÃO VOZES BEM CONJUGADAS
HOKAI SUSAN TRINLEY
TODOS DE IGUAL MEDIDA
NA CONSTRUÇÃO DA MANHÃ
MEUS IRMÃOS E IRMÃS
CADA QUAL TEM O SEU SOL
ALÔ ALÔ MADRUGADA
NADA DE LUZ APAGADA
NA ILHA DE FRIDAY HARBOUR



MESMO AS ORCAS DAS ILHAS
QUE SAEM SEM TER NENHUM PEJO
GORDAS E ASSANHADAS
VÃO POR ALI COM SEU BEIJO
PODEM ESTAR GLORIOSAS
TECNICOLORES MODA
DEMOCRÁTICAS AMERICANAS
ALI BALEIA BACANA
E TEMO QUE UM DIA PASSE
SEM QUE VEJA O MEU AMOR
DIZEM QUE MUDOU DE SEXO
OU ATÉ MESMO DE COR




bem está quem nessa ilha
sabe seu bem cortejar
por aqui passou o rei
e por aqui passará
a sua sagrada filha

 
 
 
 

tudo aqui nesta ilha
na ilha de Friday harbour
parece coisa de fada
as bandeirolas ao vento
a imaginária enseada
nada é feito a lamento
mas para contemplação
o soluço do silêncio
primeiro me faz sonhar
depois me moe de bocejos
tudo aqui nesta ilha
tem a mole maravilha
desta bela primavera
do senhor juan de fuca
dos anos de mil e tal
ao velho capitão vancouver
dos anos de setecentos



só na ilha de friday harbour
tive esta inspiração
onde por quase nada
poemas crescem do chão
onde as orcas das ilhas
saem passeando em pelo
e a lua movida a pilha
desenrosca seu novelo
 
 
 
 
 
 
estou muito contente
com a lucidez dos faróis
que a noite põe no seu teto
quando estende seus lençóis
bem está quem nesta ilha
mora com seu amor
por aqui passou o rei
e logo mais passará
a sua lendária filha

 
 
 
 
 
 
não tem idéia onde pisa
nem onde me põe a paixão
há figurativas milhas
sob o tume do calção
bem está quem nessa ilha
nunca olha para o lado
pois não vê, misericórdia
quão rápido passa o amado
 
 
 
 
na ilha de san juan
verdadeiro nome da ilha
uma baía é chamada falsa
quem a vê não sob as águas
onde esconde a falsidade
nem se a baía atende
pelo nome de renome
que a faz tão respeitada
quão se sabe que ela mente
em vez de abrigo, desastre
traz para quem dela se sente

 
 
 

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

MENSAGEM DA MANHÃ

Se guardares a tua felicidade só para ti, acabará por te abafar. Comunica-a aos outros, àqueles que amas, aos teus próximos, e vê-la-ás florir.
DUGPA RINPOCHÊ

Emmanuelle Guattari. Une saine enfance

Manou, fille de Félix Guattari… il y a pire comme filiation. Emmanuelle, dite «Manou», est la fille de ce magnifique philosophe, au sourire chaleureux, qui longtemps a codirigé, avec Jean Oury, ce lieu unique qu’a été - et qui reste - la clinique de La Borde, près de Blois (Loir-et-Cher).
Cet automne, Emmanuelle Guattari a publié deux petits livres autour de ce lieu mythique, dont la Petite Borde. L’air de rien, avec des mots ciselés, dans les petites histoires qu’elle raconte, transparaît le miracle de cet endroit qui voyait vivre ensemble des grands fous, des soignants, mais aussi leurs ...

RILKE


RAINER MARIA RILKE


Trad. Joao Accioli


PRIMEIRA ELEGIA

RAINER MARIA RILKE


Quem se eu gritasse, entre as legiões de Anjos
me ouviria? E mesmo que um deles me tomasse
inesperadamente em seu coração, aniquilar-me-ia
sua existência demasiado forte. Pois que é o Belo
senão o grau do Terrível que ainda suportamos
e que admiramos porque, impassível, desdenha
destruir-nos? Todo anjo é terrível.
E eu me contenho, pois, e reprimo o apelo
do meu soluço obscuro. Ai, quem nos poderia
valer? Nem anjos, nem homens
e o intuitivo animal logo adverte
que para nós não há amparo
neste mundo definido. Resta-nos, quem sabe,
a árvore de alguma colina, que podemos rever
cada dia; resta-nos a rua de ontem
e o apego cotidiano de algum hábito
que se afeiçoou a nós e permaneceu.
E a noite, a noite, quando o vento pleno dos espaços
do mundo desgastar-nos a face — a quem se furtaria ela,
a desejada, ternamente enganosa, sobressalto para o
coração solitário? Será mais leve para os que amam?
Ai, apenas ocultam eles, um ao outro, seu destino.
Não o sabias? Arroja o vácuo aprisionado em teus braços
para os espaços que respiramos — talvez os pássaros
sentirão o ar mais dilatado, num vôo mais comovido.
Sim, as primaveras precisam de ti.
Muitas estrelas queriam ser percebidas.
Do passado profundo afluía uma vaga, ou
quando passavas sob uma janemla aberta,
uma viola d'amore se abandonava. Tudo isso era missão.
Acaso a cumpriste? Não estavas sempre
distraído, aà espera, como se tudo
anunciasse a amada? (Onde queres abrigá-la,
se grandes e estranhos pensamentos vão e vêm
dentro de ti e, muitas vezes, se demoram nas noites?)
Se a nostalgia vier, porém, canta as amantes;
ainda não é bastante imoral sua celebrada ternura.
Tu quase as invejas — estas abandonadas
que te parecem tão mais ardentes que as
apaziguadas. Retoma infinitamente o inesgotável
louvor. Lembra-te: o herói permanece, sua queda
mesma foi um pretexto para ser — nasciemnto supremo.
Mas às amantes, retoma-as a natureza no seio
esgotado, como se as forças lhe faltassem
para realizar duas vezes a mesma obra.
Com que fervor lembraste Gaspara Stampa,
cujo exemplo sublime faça enfim pensar uma jovem
qualquer, abandonada pelo amante: por que não sou
como ela? Frutificarão afinal esses longínquos
sofrimentos? Não é tempo daqueles que amam libertar-se
do objetivo amado e superá-lo, frementes?
Assim a flecha ultrapassa a corda, para ser no vôo
mais do que ela mesma. Pois em parte alguma se detém.
Vozes, vozes. Ouve, meu coração, como outrora apenas
os santos ouviam, quando o imenso chamado
os erguia do chão; eles porém permaneciam ajoelhados,
os prodigiosos, e nada percebiam,
tão absortos ouviam. Não que possas suportar
a voz de Deus, longe disso. Mas ouve essa aragem,
a incessante mensagem que gera o silêncio.
Ergue-se agora, para que ouças, o rumor
dos jovens mortos. Onde quer que fosses,
nas igrejas de Roma e Nápoes, não ouvias a voz
de seu destino tranquilo? Ou inscrições não se ofereciam,
sublimes? A estela funerária em Santa Maria Formosa...
O que pede essa voz? a ansiada libertação
da aparência de injustiça que as vezes perturba
a agilidade pura de suas almas.
É estranho, sem dúvida, não habitar mais a terra,
abandonar os hábitos apenas aprendidos,
às rosas e a outras coisas o sentido do vir-a-ser humano;
o que se era, entre mãos trêmulas, medrosas,
não mais ser; abandonar até mesmo o próprio nome
como se abandona um brinquedo partido.
Estranho, não desejar mais nossos desejos. Estranho,
ver no espaço tudo o quanto se encandeava, esvoaçar,
desligado. E o estar-morto é penoso
e quantas tentativas até encontrar em seu seio
um vestígio de eternidade. — Os vivos cometem
o grande erro de distinguir demasiado
bem. Os Anjos (dizem) muitas vezes não sabem
se caminham entre vivos ou mortos.
Através das duas esferas, todas as idades a corrente
eterna arrasta. E a ambas domina com seu rumor.
Os mortos precoces não precisam de nós, eles
que se desabituam do terrestre, docemente,
como de suave seio maternal. Mas nós,
ávidos de grandes mistérios, nós que tantas vezes
só através da dor atingimos a feliz transformação, sem eles
poderíamos ser? Inutilmente foi que outrora, a primeira
música para lamentas Linos, violentou a rigidez da
matéria inerte? No espaço que abandonava, jovem,
quase deus, pela primeira vez o vácuo estremeceu
em vibrações — que hoje nos trazem êxtase, consolo e amparo.

Água fria nos pessimistas: superávit fiscal é recorde


BRASILEIRINHO

Pochmann: imprensa brasileira está morrendo


O Brasil apela à tecnologia para combater a falta de água no Nordeste

O Brasil apela à tecnologia para combater a falta de água no Nordeste

Enquanto as chuvas castigam o Sudeste, a região vizinha experimenta novos sistemas de irrigação para saciar a sede de plantas, animais e pessoas.

          
O agricultor Jean Carlos do Azevedo é uma espécie de arquivo histórico ambulante sobre as secas que afetaram o semiárido potiguar nas últimas quatro décadas.
“Meu pai, já falecido, recebeu um lote nos arredores de Cruzeta em 1976. Até 1992, os cultivos eram irrigados todos os anos. Em 1994 começamos a irrigar de novo, mas em 1998 parou durante vários anos devido a uma longa seca. Voltamos a irrigar em 2004, até o ano de 2012. Em janeiro de 2013, tivemos de parar mais uma vez.”
Azevedo vive numa região onde caem, em média, menos de 800 mm de chuva por ano – um volume de precipitação similar ao do Saara –, e onde praticamente não chove entre julho e dezembro.
Segundo a ONU, a atual seca é a pior no Brasil nos últimos 50 anos, sendo o fenômeno natural que mais afetou os brasileiros em 2012 (quase 9 milhões de pessoas), segundo o Anuário Brasileiro de Desastres.
Em meio a essa situação, as terras da família de Azevedo não recebem nem uma só gota de água quando o açude da região baixa a níveis mínimos devido à ausência prolongada de chuvas.
Neste momento, a população urbana de Cruzeta (uma cidade de 8.000 pessoas, no Sertão potiguar) tem prioridade para usar a água, segundo as autoridades. Em segundo lugar vêm os animais. Em terceiro lugar, a indústria. A agricultura está no final da lista.
“A seca deste ano foi a pior de todas. Nós, que passamos por isso várias vezes, nos acostumamos, mas ainda sofremos”, diz Azevedo. Um recente estudo da Agência Nacional de Águas (ANA) confirma essa percepção sobre a seca que afeta o Nordeste desde 2011.
Além disso, a variabilidade das chuvas e a intensidade das secas continuarão aumentando até 2050, com efeitos graves para a população, se os governos locais não investirem em infraestrutura e gestão hídrica, segundo previsões de especialistas no relatório “Impactos da Mudança Climática na Gestão de Recursos Hídricos: Desafios e Oportunidades no Nordeste do Brasil”, do Banco Mundial.
Esse é um dos poucos estudos sobre os efeitos climáticos, hidrológicos e socioeconômicos do aquecimento global nos Estados mais pobres do país.
O documento analisa a bacia de Piranhas-Açu, onde estão Cruzeta e Jaguaribe, no vizinho estado do Ceará. Os pesquisadores do Banco Mundial, da ANA, da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos e da Universidade Federal do Ceará, entre outras instituições, analisaram as precipitações e a seca no período de 1971 a 2000 e compararam isso com uma projeção para 2041-2070.
Dessa comparação se deduziu que, se a irrigação agrícola continuar sendo relegada nas prioridades, o setor poderia perder em média até 56,4 milhões de reais por ano, faturando 41% a menos do que seria possível. Por outro lado, os investimentos na modernização do setor poderiam gerar 14 milhões de reais por ano, sem prejudicar o abastecimento hídrico urbano.
O estudo também mostra que nos próximos anos a bacia de Piranhas-Açu vai sofrer uma maior perda de água no solo e nas plantas – um fenômeno que os especialistas chamam “evapotranspiração”. Entretanto, se forem realizados constantes investimentos na modernização da irrigação, a demanda pela água na agricultura pode diminuir 40%.
Preservar esse recurso natural tão valioso é um dos principais objetivos de Vitoriano Alves dos Santos, colega do Azevedo na Associação de Produtores de Cruzeta. “Ainda tenho acesso a uma fonte de água, mas me aflige ver a quantidade gasta todos os dias com a irrigação”, diz.

Trabalho inspirador

A boa notícia é que a região começou a trabalhar para ajudar os agricultores locais a cultivarem com menos água. Um programa financiado pelo Banco Mundial apoia os produtores locais na compra de equipamentos que economizam água, dá assistência técnica na gestão hídrica e auxilia a expansão da rede elétrica na área do projeto.
Serão atendidos 23 pequenos produtores, que cultivam lotes com uma média de 5 hectares cada. A iniciativa pode servir de modelo para programas similares em todo o Nordeste do Brasil e em outros países atingidos por secas recorrentes.
“Os produtores de Cruzeta inovam ao procurar a melhor maneira de operar o açude coletivo: focar no abastecimento prioritário da cidade e ao mesmo tempo otimizar o uso da irrigação para evitar maiores prejuízos em anos de seca. Esse trabalho pioneiro pode guiar várias comunidades que dependem de pequenos açudes para seu sustento”, diz Erwin de Nys, especialista do Banco Mundial em questões hídricas.
Emocionado, Jean Azevedo considera que o novo projeto ajudará os produtores que continuam procurando oportunidades no campo. “Quero ficar, porque nasci aqui e estou contente de trabalhar a terra”, diz.
Mariana Kaipper Ceratti é produtora on-line do Banco Mundial

O Pequeno Principe, Antoine de Saint-Exupery, XXII


O Pequeno Principe, Antoine de Saint-Exupery, XXII


- Bom dia, disse o principezinho.
- Bom dia, respondeu o guarda-chaves.
- Que fazes aqui! perguntou-lhe o principezinho.
- Eu divido os passageiros em blocos de mil, disse o guarda-chaves. Despacho os trens que os carregam, ora para a direita, ora para a esquerda.
E um rápido iluminado, roncando como um trovão, fez tremer a cabine do guarda-chaves.
- Eles estão com muita pressa, disse o principezinho. O que é que estão procurando?
- Nem o homem da locomotiva sabe, disse o guarda-chaves.
E trovejou, em sentido inverso, um outro rápido iluminado.
- Já estão de volta? perguntou o principezinho...
- Não são os mesmos, disse o guarda-chaves. É uma troca.
- Não estavam contentes onde estavam?
- Nunca estamos contentes onde estamos, disse o guarda-chaves.
- E um terceiro rápido, iluminado, trovejou.
- Estão perseguindo os primeiros viajantes? perguntou o principezinho.
- Não perseguem nada, disse o guarda-chaves. Estão dormindo lá dentro, ou bocejando. Só as crianças esmagam o nariz nas vidraças.
- Só as crianças sabem o que procuram, disse o principezinho. Perdem tempo com uma boneca de pano, e a boneca se torna muito importante, e choram quando a gente toma...
- Elas são felizes... disse o guarda-chaves.