sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

DILMA RECEBE O PRIMEIRO MINISTRO BÚLGARO


A presidenta eleita Dilma Rousseff se emocionou hoje (30) durante o encontro com o primeiro-ministro da Bulgária, Boyko Medtodiev Borisov. Filha de pai búlgaro - Petar Rusev (que virou Rousseff no Brasil) -, Dilma ganhou de presente do primeiro-ministro um estudo sobre sua árvore genealógica, um quadro com a imagem de sua tia paterna (Vana) – que se chama Dilma Vana em homenagem a esta tia - e uma relíquia típica dos búlgaros – a reprodução de um animal da região.

Borisov afirmou que Dilma pretende visitar a Bulgária na sua primeira viagem à Europa, que deve ocorrer no primeiro semestre de 2011, em data a ser definida. Na conversa que teve com a presidenta eleita, segundo o primeiro-ministro, já ficou acertado que as relações entre o Brasil e a Bulgária e Brasil serão intensificadas.

O assessor de Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, disse que as áreas que deverão liderar as relações bilaterais são as de tecnologia da informação e de transportes. De acordo com ele, Dilma e Borisov vão orientar os assessores para que dêem prosseguimento aos estudos referentes a esses setores.

No encontro com Dilma, Borisov entregou uma mensagem do povo búlgaro para a presidenta eleita. Segundo assessores do primeiro-ministro, a população do país se emocionou e se empolgou com as eleições no Brasil porque havia uma descendente de búlgaros concorrendo com chances de vitória, que se confirmaram. O conteúdo da mensagem não foi divulgado.

Na campanha eleitoral, pelo menos uma vez por semana um veículo da imprensa da Bulgária publicava notícias sobre Dilma Rousseff. A presidenta eleita disse não lembrar de palavras em búlgaro, mas se recorda de que um dos principais estímulos para a leitura veio do pai, que sempre estava com um livro nas mãos.

A cópia com a árvore genealógica da família Rousseff, entregue pelo primeiro-ministro a Dilma, foi elaborada por um instituto de Gabrobo – cidade onde nasceu o pai da presidenta eleita.

Localizada entre a Turquia e a Romênia, a Bulgária tenta se recuperar do fim da parceria com a União Soviética e adaptar-se às regras impostas pela União Europeia. Com pouco mais de 7,9 milhões de habitantes, o país faz esforços para promover as reformas estruturais e o estímulo às privatizações.

Na Bulgária, o presidente é de esquerda e o primeiro-ministro é de centro-direita. O comércio bilateral entre o Brasil e a Bulgária envolve atualmente um volume total de US$ 140,3 milhões – de janeiro a novembro de 2010. Pelo menos, dois terços deste total são de exportações do Brasil para a Bulgária.

A economia búlgara é baseada na extração de minérios, como carvão, cobre e zinco, e na agricultura com a produção de cereais e tabaco. O principal desafio do governo é retomar o desenvolvimento industrial do país.

30 anos de “Blade Runner”


Vermelho
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Quando a ficção científica se transforma em realidade. O filme de Riddley Scott se transformou num ícone de um futuro terrível e, hoje, muito do que ele registrou em forma artística passou a fazer parte do cotidiano de uma sociedade globalizada, empobrecida e ameaçadora.

Por Paco Arnau

Quase 30 anos depois de sua filmagem, em 1981, Blade Runner – produção norte-americana dirigida pelo britânico Ridley Scott estreada em junho do ano seguinte – é um filme que resistiu à passagem de três décadas “sem despentear-se” e tem sido considerado ela melhor crítica do gênero de ficção científica como uma obra prima em toda a extensão do termo, por muito que a Academia de Hollywood não tenha pensado o mesmo ao não lhe conceder nenhum dos Oscars de 1982 (teve apenas duas indicações no ano da estreia).

Sem dúvida, para a imensa maioria dos cinéfilos e aficionados do gênero, muitos dos quais seguramente perderam a conta das vezes que o assistiram, Blade Runner não é apenas um filme a mais de ficção científica, e inclusive vai além do clichê de filme “cult”: é “o filme”. Sem esquecer, claro, 2002 Uma Odisseia no Espaço, a obra prima de Kubrick de 1968 e verdadeiro ponto de inflexão de uma nova época na sétima arte.

O roteiro de Blade Runner é um trabalho coletivo inspirado – embora não baseado em estrito senso – no romance publicado em 1968 (o mesmo ano da estreia de 2001 Uma Odisseia no Espaço) – Sonham os androides com ovelhas elétricas? (Do androids dream of electric sheep?, no título original) do escritor norte-americano Philip Dick que, infelizmente, não chegou a assistir ao filme pois faleceu apenas três meses antes da estreia nos EUA.

A trilha sonora é de Vangelis, o conhecido e magistral compositor grego de música eletrônica. Os cenários e a ambientação estão baseados nos trabalhos da excelente geração de autores de histórias em quadrinhos dos anos 70 e 80, entre os quais se destaca Jean Giraud, desenhista francês reconhecido internacionalmente como Moebius e um dos principais autores da revista cult Métal hurlant (Heavy Metal em sua versão em outros países, como Espanha, Alemanha, Grã Bretanha, Brasil ou EUA).

É um filme de contrastes. A estética, as roupas e a ambientação de Blade Runner criaram tendência e ainda hoje parece “moderna”... ou pós-moderna. Uma mistura explosiva de vintage, afterpunk e futurismo... Brilhante arquitetura de vanguarda do século 21 sobre uma camada “sedimentar” de avantajados edifícios de cortiços de princípios do século 20. Elegantes trajes e penteados que homenageiam a moda da década de 1940 junto a quinquilharias póspunkies. Sofisticados veículos aero terrestres desviando-se de massas de pessoas que só podem deslocar-se a pé em uma macroconurbação onde não há transporte público... Tudo isso manchado de uma obscuridade nevoenta provocada pela contaminação de poços de petróleo que esgotam as últimas reservas californianas em pleno solo urbano desta cidade fundada pelos espanhóis como Nossa Senhora de Los Ángeles em 1781. Os detalhes nos adereços e na decoração beiram à perfeição.

Sem necessidade de recorrer ao abuso de efeitos especiais (enfeites baratos usados para esconder a debilidade do argumento na maioria dos fracos filmes que estreiam na atualidade) apenas com profissionalismo e boa qualidade cinematográfica, Blade Runner consegue deslumbrar e surpreender cena após cena.

A direção desta grande produção da Warner esteve a cargo, como já dissemos, do britânico Ridley Scott (Inglaterra, 1937), um verdadeiro virtuose da telona que não precisa de apresentação e que também foi autor de filmes imperecíveis com Alien (1979, outra obra prima de referência obrigatória no pouco prolífico gênero da ficção científica), Thelma & Louise (1991) ou Gladiador (2000), entre outras.

Sob suas ordens atuou em Blade Runner um conjunto de atores encabeçado pelo protagonista Harrison Ford no papel de Rick Deckard (trabalho responsável pela consagração definitiva de Ford como estrela internacional) e o “holandês errante” Rutger Hauer, que fez o papel do líder dos androides replicantes Roy Batty; junto ao lado de outros de carreiras mais ou menos irregulares: uma jovem e belíssima (beirando os cânones da perfeição) Sean Young no papel da glamourosa Rachael, a também jovem e linda Daryl Hannah no papel da replicante Pris, e Edward James Olmos, representando o misterioso, sinistro e intrigante detetive Gaff do LAPD.

O contexto social e “histórico” é verossímil porque hoje ele já não parece ficção científica. Não nos estenderemos sobre o argumento de Blade Runner. A ação se desenrola na obscura, caótica, empobrecida e contaminada grande metrópole californiana de Los Angeles no final de 2019 ou princípios de 2020, centro de poder de grandes multinacionais privadas que se converteram, substituindo o Estado, em donas e senhoras da vida (humanas ou humanoides), fazendas e tudo de tudo o que acontece... No início da década de 1980, quando o filme foi rodado, era um futuro distópico, ou utopia perversa (na época a correlação de forças econômicas e sociais globais era certamente diferente da de hoje). Hoje, é mais verossímil, menos distópico e em boa medida descritivo do mundo atual.

As ineficientes e hostis, embora muito lucrativas e onipotentes grandes multinacionais privadas já superam com folga a metade do PIB planetário e também o de muitas nações e também – em consequência – detém o poder real em grande parte deles. As chamadas democracias ocidentais e seus empobrecidos países satélites, sejam vassalos ou submetidos à ocupação e à guerra, como podemos constatar dia a dia.

Deixando de lado os avanços nos campos científicos e tecnológicos que se refletem o 2019 de Blade Runner, e é altamente improvável que os vejamos chegar na próxima décadas, esse mundo empobrecido cujos desígnios dirigem oligopólios privados dominados por um punhado de criminosos a partir de suas torres de cristal opaco (que este filme descreveu tão bem como ficção científica na época em que foi rodado) se parece muito ao mundo atual, nesta etapa de retrocessos sociais globais que teve início no final dos anos 80 e início dos 90 como acontecimentos históricos europeus de consequências nefastas para o planeta e para nossas gerações.

Certamente é por isso que Blade Runner não envelheceu com a passagem de praticamente três décadas desde sua estreia. Sem esquecer, claro, sua excelência desde o ponto de vista artístico, algo que não deixa de surpreender por mais que revisitemos esta obra prima... É por isso que, para terminar, deixamos uma pergunta no ar: por que já não se fazem filmes como este?

Serviço:
No original deste texto podem ser encontrados fotogramas de censas, fotografias de produção e outros recursos gráficos inéditos relacionados com Blade Runner

Fonte: ciudad-futura.net

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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Imagem de inseto preso em resina vence concurso de fotografia científica


DA BBC BRASIL

A imagem de um inseto capturado por uma gota de resina foi a vencedora do concurso espanhol Fotciencia 2010, criado pelo Conselho Superior de Pesquisas Científicas e pela Fundação Espanhola para Ciência e Tecnologia, na Espanha.

Fotciencia 2010/Pedro Ramos



Imagem de inseto preso em resina, captada por Pedro Ramos, vence concurso de fotografia científica na Espanha



Segundo o autor Pedro Ramos, a foto registra o início de um processo que dura milhões de anos e que tem uma importância fundamental para o conhecimento de alguns seres já extintos que tiveram seu DNA preservado pelo âmbar.

O objetivo do concurso é aproximar a ciência e a tecnologia dos cidadãos comuns através da visão artística e estética presente nas imagens científicas.

Qualquer pessoa maior de idade pode participar em duas categorias: Micro, quando a dimensão do objeto é menor ou igual a 1 mm ou a foto foi tirada com microscópio, ou Geral, para os demais casos

INDIANA

EM DUBAI

GALERIA

O BOM

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Governo Lula põe publicidade em 8.094 veículos de comunicação






Publicidade
FERNANDO RODRIGUES
DE BRASÍLIA

Quando Luiz Inácio Lula da Silva tomou posse, em janeiro de 2003, apenas 499 veículos de comunicação recebiam verbas de publicidade do governo federal. Agora o número foi para 8.094.

Esses jornais, revistas, emissoras de rádio, de TV e "outros" estão espalhados por 2.733 cidades. Em 2003, eram só 182 municípios.

Só neste ano eleitoral de 2010, o dinheiro para publicidade de Lula passou a ser distribuído para 1.047 novos veículos de comunicação.

A categoria "outros" inclui portais de internet, blogs, comerciais em cinemas, carros de som, barcos e publicidade estática, como outdoors ou painéis em aeroportos.

Chama a atenção o aumento do número de "outros". Em 2003, eram apenas 11. Agora, são 2.512. A informação do governo é que a maioria é de sites e blogs.

Lula e sua equipe de comunicação não escondem a simpatia pelo novo meio digital. O presidente foi o primeiro a conceder uma entrevista exclusiva dentro do Planalto para o que a administração petista chama de "blogs progressistas".

Lula da Silva avançou na transparência em relação ao governo do tucano Fernando Henrique Cardoso.

Nunca existiu esse tipo de estatística até 2003. Ainda assim, há buracos negros no processo. Não se sabe quais são os veículos que recebem verba de publicidade estatal nem quanto cada um ganha.

O valor total gasto nos dois mandatos, até outubro deste ano, foi R$ 9,325 bilhões. Dá média anual de R$ 1,2 bilhão.

Essa cifra não inclui três itens: custo de produção dos comerciais, publicidade legal (os balanços de empresas estatais) e patrocínio.

Produção e publicidade legal consomem cerca de R$ 200 milhões por ano. No caso de patrocínio, o gasto médio anual foi de R$ 910 milhões de 2007 a 2009.

Tudo somado, Lula gasta R$ 2,310 bilhões por ano com propaganda. Os valores são semelhantes aos do governo FHC, embora inexistam estatísticas precisas à disposição.

A diferença do petista para o tucano foi a dispersão do dinheiro entre os 8.094 jornais, revistas, emissoras de rádio, de TV e sites. Um espetáculo de 1.522% de crescimento de veículos atendidos.

Luiz Carlos Antero: O digno Brasil da era Lula (1)


Vermelho
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27/12/2010




Luiz Inácio Lula da Silva completa seu segundo mandato e passa a faixa presidencial para sua sucessora, Dilma Rousseff, com um balanço de muitas conquistas e avanços, e alguns impasses herdados — dos quais não se desvencilhou. Entre suas grandes realizações, revelou-se, ao longo de oito anos, um Presidente brasileiro inédito sob praticamente todos os aspectos que iluminam a ação de um estadista.

por Luiz Carlos Antero* para a revista Nordeste XXI


Nesta retrospectiva, publicada em três, partes, abordamos os exemplos práticos de ações governamentais e posições políticas que fizeram do governo Lula um dos mais bem avaliados da história do Brasil.

Para citar um exemplo, esteve continuamente posto na dignidade com que se postou diante dos Estados Unidos da América. Precisamente o oposto do seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso.

Uma personalidade marcante que se posicionou sobre todas as questões candentes a cada momento da vida política do País e do mundo, encarando-as de frente. Diante dos grandes temas, Lula revelou-se um estadista que, além de patriota e progressista, combinou suas características de gestor vocacionado com o talento e a desenvoltura de um espontâneo protagonista de “talk show”.

Numa situação exemplar, ocorrida entre suas recentes intervenções públicas no mês de dezembro de 2010, em plena cerimônia de balanço do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), arrancou aplausos entusiásticos quando defendeu, com sua contumaz sinceridade, a liberdade de expressão. E prestou solidariedade a Julian Assange — o então encarcerado criador do WikiLeaks, o sítio eletrônico que divulgou farta documentação acerca da (baixa) ação diplomática dos EUA planeta afora.

Em mais uma ocasião, confirmou sua previsível mas sempre aclamada capacidade de levantar platéias e multidões, de todo modo surpreendente pela ousadia. Desde a primeira disputa presidencial, em 1989, até o momento do crepúsculo de seu segundo mandato, conquistou corações e mentes com seu verbo fácil, de reconhecida extração popular, passeando alegre sobre as chacotas dos bem nascidos da elite brasileira e hipócritas de carteirinha.

Em 2002, vitorioso após três insucessos eleitorais (que incluíram duas derrotas, em 1994 e 1998, para o tucano-mor Fernando Henrique Cardoso), nenhuma profética e definitiva sentença assegurava que tudo iria dar certo.

Em setembro deste ano, assinou uma “Carta aos Brasileiros” que mais se assemelhava a um abafado contencioso firmado junto às elites dos seculares cortadores de cabeça que investiram contra as rebeliões populares ao longo da trajetória de nossa formação nacional. Nela — para vencer, tomar posse e também governar —, arriscava suas fichas no “respeito aos contratos” firmados pelos governos precedentes, entre os brindes aos comensais do banquete neoliberal, beneficiários das privatizações.



Da Hercúlea incerteza

Assim, naquele caloroso primeiro dia do ano de 2003, com o povo em festa e nas ruas, Lula recebeu a faixa presidencial do seu antecessor, acompanhada por um gigantesco e comprometedor passivo histórico e social de diversas faces. Muito mais que um simbólico “presente de grego”, estava diante de uma tarefa que comparamos na ocasião a um dos doze fantásticos trabalhos do lendário Hércules: a limpeza das cavalariças de Áugias. O texto, escrito originalmente para a revista Princípios (Ed. 67, Nov/dez/jan/2003), está hoje alojado no sítio do CMI (Centro de Mídia Independente”) .

E, então, saudamos a chegada de Lula com um recurso à milenar tradição grega para ilustrar nossa modesta trajetória secular de um País rico e dotado de um povo bom, generoso, mas vitimado por uma elite já definida como a mais calhorda do planeta:

“Conta a mitologia grega que o herói Hércules teve, entre suas mais gigantescas tarefas, a limpeza das cavalariças de Áugias — ou Augêis, cujo nome, em grego, designa luz, raios de sol e bem poderia ser a terra brasileira, a invejada e cobiçada terra tropical da biomassa, onde, em se plantando, tudo dá, e de fantástico e abundante reino mineral, de fabulosas riquezas.

O trabalho hercúleo consistiu na limpeza das imundícies milenares das estrebarias que simbolizam o mundo das animalidades, para que o sol do espírito pudesse manifestar-se na Terra e propiciar o advento da Idade de Ouro vaticinada pelos profetas, videntes e pitonisas de todos os tempos. Assim, somente assim, poderiam os cavalos do carro de ouro do Sol cavalgar a Terra, conduzindo o Senhor da Luz na Mercavah, o carro de fogo”.

Aos umbrais da verdade

Foram doze os trabalhos de Hércules em relação com as doze casas zodiacais pelas quais passou, completando seu ciclo astrológico ao Sol. Hércules, ou Heracles, o deus solar grego, passou pelas provas iniciáticas marcado pelo simbolismo que bem expressaria a difícil caminhada do governo Lula no País que bem seria aquele lugar referido com insistência nas lendas da Antigüidade: um país maravilhoso, na região donde o Sol se põe, isto é, no Ocidente. Os papiros egípcios citam-no como o Amenti, ou melhor, Amen-Ti, o País Oculto, e determinado lugar dessa mansão, maravilhosa, a montanha do ocidente, a Mansão das Almas osirificadas, justamente onde iam viver aqueles que, iniciados nos mistérios, imortalizavam-se e atravessavam o umbral Ro-sta, que dava para a sala de Maat, a deusa da Verdade”.

E passaram-se oito anos até que o simbolismo desta “deusa” se confrontasse com seu paradoxo (a mentira), armado na disputa eleitoral de mais baixo nível de todo o percurso da jovem República brasileira.
Mentiras em cascata trataram de desfigurar a tarefa de superação da obra histórica e secular do conservadorismo. Esta, avaliada apenas em seu aspecto estritamente policial, afirmaria o fato de que nunca antes na história deste País se investigou tanto, se prendeu tanto, se algemou tanto, inclusive banqueiros do porte de Daniel Valente Dantas — que, depositário dos mais significativos segredos do tucanato, “falou fino” diante do delegado Protógenes Queiroz, hoje deputado federal eleito pelo Estado de São Paulo.





À árdua “limpeza” da herança privatista

Em busca dessa verdade, do percurso mitológico pousamos na realidade brasileira quando o presidente FHC passou solenemente a faixa republicana para o seu sucessor — sob pompas e circunstâncias nas quais posou de democrata que entrega o País sob a mais radiante democracia, preparado para o desenvolvimento. Falso.

Pois, antes de registrar o advento da “era Lula”, dizíamos:

“FHC sai da Presidência com uma nódoa irreparável, determinada por seu inconfundível compromisso com o berço conservador, manchado pelo desprezo ao suor e ao sacrifício do povo humilde, a quem humilhou, e pelas reverências aos poderosos, a quem bajulou e elevou. Ele se despede do poder depois de uma orgia inédita em nossa História, na qual os convidados foram os rentistas internacionais de toda espécie e a nata dos exploradores” .

A melhor compreensão das realizações da “era Lula”, requer, portanto, uma visão atualizada das peraltices de seu antecessor e de sua prática sandice neoliberal.

(continua) 1 2 3

*Luiz Carlos Antero, jornalista, escritor e sociólogo, é membro da equipe de pautas especiais do Vermelho.

Artigo reproduzido da revista Nordeste XXI

ESTOQUE





MÍDIA DEMOTUCANA ANUNCIOU O 'CAOSAÉREO' UMA SEMANA ANTES DO NATAL: E ELE NÃO OCORREU


"Os atrasos nos aeroportos durante a véspera de Natal e todo o fim de semana ficaram abaixo da média mensal histórica, que é de 22% segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). A exceção ocorreu na quinta-feira, dia 23, quando foram registrados atrasos em 36% dos voos" (Valor, 27/12)

VAMOS LÁ, FORÇA GENTE
'O GLOBO' VIRA SINDICALISTA ENGAJADO
'Risco de caos aéreo retorna com excesso de jornada dos aeroviários' (manchete online do Globo, 27/12)

FOLHA PARTE PARA OUTRA E ELEGE
O NOVO VILÃO: EXCESSO DE EMPREGO

''nível de pleno emprego eleva salários, aumenta rotatividade de profissionais e afeta a qualidade de serviços' (Folha, 27/12). O jornal foi buscar uma receita tucana para resolver o 'problema': "A única forma de resolver isso é aumentar a produtividade e reduzir os encargos trabalhistas', diz Edmar Bacha, presidente do BNDES no governo FHC.

POPULAÇÃO DISCORDA DO JORNAL, DIZ DATAFOLHA
46% acham que seu poder de compra vai aumentar;
41% acham que a taxa de desemprego vai diminuir;
apenas 19% acham que ganham muito pouco;no final do governo tucano, esse índice alcançava 45% (Datafolha,27/12)

DESENVOLVIMENTISMO SOCIAL

Sem contar o pagamento de juros da dívida pública (média 6% do PIB ao ano) , as despesas do Estado brasileiro cresceram 2,9 pontos percentuais do PIB no governo Lula. Desse total, 2,2 pontos foram destinados às transferências de renda para as famílias (do Bolsa Família à Previdência), que subiram de 6,8% do PIB em 2002 para 9% do PIB em 2010. Trata-se de uma transferencia adicional de R$ 75 bilhões em relação a 2002, que gerou encadeamentos de demanda e produção responsáveis, em boa parte, pelo reduzido impacto da crise mundial no país. Despesas com funcionalismo da União, ativo e inativo, permaneceram inalteradas em relação a 2002, em relação ao PIB (4,7%). Já os investimentos estatais dobraram. Passaram de 0,6% do PIB em 2002 para 1,2% do PIB este ano (Carta Maior, com Valor; 27/12)(Carta Maior; Segunda-feira, 27/12/2010)

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Rogel Samuel: O SOL E O MAR





Voltamos ao Verão. Vem o verão. Volto ao início dos "Cantos" de Ezra Pound:

E pois com a nau no mar,
Assestamos a quilha contra as vagas
E frente ao mar divino içamos vela
No mastro sobre aquela nave escura,
Levamos as ovelhas a bordo e
Nossos corpos também no pranto aflito,
E ventos vindos pela popa nos
Impeliam adiante, velas cheias,
Por artifício de Circe,
A deusa benecomata.

Que é o mesmo mar de Camões, que diz:

Já no largo Oceano navegavam,
As inquietas ondas apartando;
Os ventos brandamente respiravam,
Das naus as velas côncavas inchando;
Da branca escuma os mares se mostravam
Cobertos, onde as proas vão cortando
As marítimas águas consagradas,
Que do gado de Próteo são cortadas

Mas um poeta desconhecido de (quase) todos, Sebastião Norões, escreveu um soneto perfeito, exemplar, único, sobre o mar, o «Mar da memória»:

Eu quero é o meu mar, o mar azul.
Essa incógnita de anil que se destrança
em ânsias de infinito e me circunda
em grave tom de inquietude langue.
O mar de quando eu era, não agora.
Quando as retinas fixavam tredas
a incompreensível mole líquida e convulsa.
E o pensamento convidava longes,
delimitava imprevisíveis rumos
viagens de herói e de mancebo guapo.
Quando as distâncias fomentavam sonhos.
Rebenta em mim essa aspersão tamanha
que a imagem imatura concebeu
de quando o mar era meu, o mar azul.

No verão, o brilho intenso, os ares claros, as nuvens brancas. O outono, a primavera.
Quando jovem, eu morava perto do Arpoador. Tínhamos domingos de sol, de verão.
O sol está ficando forte, vem o verão, a vida, as canções. O brilho intenso do passado estandartiza, nos ares, as claras visões dos cânticos do outono. O verão é o mar, que se vai abrir para o amor. É quando se espera amar. E o mar, o mar azul, «essa incógnita de anil que se destrança / em ânsias de infinito e me circunda / em grave tom de inquietude langue».

Todo verão é assim, esqueço, me esqueço, penso que ainda sou muito jovem. Me lembro dos dias de verão de Copacabana e do Pier de Ipanema. Quem tem sonhos não morre. « O mar de quando eu era, não agora. / Quando as retinas fixavam tredas / a incompreensível mole líquida e convulsa. / E o pensamento convidava longes.»
O mar sempre convida longes. Sempre atravessa o horizonte. Delimitando «imprevisíveis rumos / viagens de herói e de mancebo guapo.»
Naquele tempo acampávamos em praias desertas, e em desertas praias amávamos.
Um dia, em Búzios, um grande e luxuoso barco ancorou na praia onde acampávamos na noite de Reveillon. À noite podíamos ver as mulheres elegantes, os garçons, as champanhas. Fogos de artifícios. Ao nascer do sol, alguns vieram num note menor até a praia. Algumas mulheres, de vestidos longos e brancos, jogaram-se no mar. Outras, completamente nuas. Era Era de 60, onde tudo era permitido. Nas « marítimas águas consagradas, / Que do gado de Próteo são cortadas. »
E «nossos corpos também no pranto aflito, / E ventos vindos pela popa nos / Impeliam adiante, velas cheias». Sim, sim. « Por artifício de Circe, / A deusa benecomata.»

Norões nasceu no dia 7 de março de 1915, em Humaitá, Rio Madeira, Amazonas. Estudou em Fortaleza, daí sua fixação no Mar. Aos 18 anos volta para Manaus, faz a Faculdade de Direito. Foi meu professor no Colégio Estadual. Foi Chefe de Polícia do Estado onde (dizem) protegeu Jorge Amado. Membro do Clube da Madrugada, da Academia Cearense de Letras. Era professor de Geografia.
A geografia do Mar.
Quando éramos jovens, Norões foi nosso professor e Mestre. Posso vê-lo, atrás das baforadas de cigarro. As lentes grossas. Norões impressionava, carismático, culto. Nunca pensei que faria sua “apresentação”, anos mais tarde. Há poucos anos escrevi um prefácio para a segunda edição de seu livro «Poesia Freqüentemente», de 1956. E é uma surpresa sempre que releio seu livro, sua poesia está mais viva ali, sua poesia é azul, lá onde o horizonte mergulha. E desponta.

O mar azul.

A FESTA VEM AÍ

O primeiro-ministro da Bulgária, Boiko Borisov, assistirá à posse da presidente eleita no dia 1º de janeiro.


Prefeito da cidade do pai de Dilma, na Bulgária, espera visita da presidenta eleita

O prefeito Nikolai Sirakov, da cidade de Gabrovo, na Bulgária, onde nasceu o pai da presidenta eleita Dilma Rousseff, disse:

"Recebemos uma carta da senhora Rousseff na qual nos agradece o apoio que lhe demos durante a campanha eleitoral. Além disso, ela prometeu visitar, no próximo ano, a cidade de seu pai".

Na Bulgária, Dilma desperta grande interesse, sendo tratada como cidadã búlgara, uma vez que seu falecido pai nasceu no país.

O primeiro-ministro da Bulgária, Boiko Borisov, assistirá à posse da presidente eleita no dia 1º de janeiro.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Rolls Royce pronto para Dilma



Com 57 anos de uso, carro só é usado em ocasiões especiais. Neste domingo, curiosos puderam vê-lo de perto



Em um dia cinzento na capital federal, o Rolls Royce presidencial desfilou pelas ruas da Esplanada dos Ministérios. Usado apenas em ocasiões muito especiais – não é à toa que, em quase 60 anos de uso, tenha apenas 30 mil quilômetros rodados –, como no desfile de 7 de setembro, posses presidenciais ou visitas oficiais, o carro foi utilizado na tarde neste domingo durante ensaio realizado (o segundo e último antes do evento contou com atrasos e pequenos problemas no carro) pelo Itamaraty, Presidência da República e Congresso Nacional para definir os últimos detalhes da posse da presidenta eleita, Dilma Roussef.


No dia 1º de janeiro, Dilma seguirá da Catedral de Brasília ao Congresso Nacional no veículo. Para ficar mais próxima da multidão que espera acompanhar o evento, a presidenta recusou a companhia da escolta dos cavalos e das motos durante o trajeto. Apenas dois cavaleiros dos Dragões da Independência vão acompanhar o carro, logo à frente. Eles vão ditar o ritmo da marcha. A velocidade do carro não deve ultrapassar 40 km/h no percurso. O vice-presidente irá em outro veículo, atrás de Dilma.

O Rolls Royce Silver Wraith, de 1953, será dirigido pelo motorista pessoal de Dilma, Valdecir da Silva Ribeiro. Ele fez treinamentos para guiar o carro presidencial e, hoje, participou do ensaio. Revestido com bancos de couro e madeira legítima no interior, o veículo está pronto para o grande dia.

Alencar reclama de 'juro alto' durante visita de Mantega






O ministro da Fazenda, Guido Mantega, visitou hoje o vice-presidente da República, José Alencar, no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, onde Alencar está internado desde a última quarta-feira. Segundo Mantega, durante a meia hora da visita, os dois conversaram sobre economia e o vice-presidente voltou a reclamar da alta taxa de juros do País, queixa que se tornou uma marca pessoal dele ao longo dos oito anos do governo Lula.
"Eu o ouvi falar das questões importantes do País, com toda a lucidez e disposição que o moveu por todos esse anos", assinalou Mantega. Por conta disso, o ministro disse acreditar que Alencar participará da cerimônia de posse da presidente eleita, Dilma Rousseff, no dia 1º de janeiro. "Não conversei com os médicos, mas o filho dele (Josué Gomes) disse que ele deve ter condições de estar na cerimônia de posse", afirmou Mantega. Na impressão do ministro, a recuperação de Alencar "está sendo boa". Entretanto, os médicos do vice-presidente ainda não confirmaram se o estado de saúde dele permitirá sua presença na posse.

Mantega destacou o papel de Alencar no governo Lula, ressaltando que, ao longo dos últimos oito anos, ele exerceu a função de vice de maneira ativa e participante e, que por conta disso, queria concluir sua missão, comparecendo à posse de Dilma. "O Alencar ajudou na eleição do Lula. Por ser um empresário, deu a confiança que talvez o Lula não tivesse naquele momento", disse Mantega.

O ministro da Fazenda também se mostrou agradecido pelo elogio de Alencar sobre a escolha de seu nome para seguir à frente do Ministério no governo Dilma. "O elogio, partindo de quem veio, que é uma pessoa que entende muito de economia, é um empresário bem-sucedido e é um senador, me deixa muito feliz", disse Mantega, ressaltando que Alencar foi um grande amigo ao longos desses últimos anos e que teve uma grande participação do governo Lula.

Mais cedo, a assessoria de imprensa do hospital Sírio-Libanês informou que não houve alteração do quadro clínico do vice-presidente de ontem para hoje e que seu estado de saúde permanece estável. Alencar não apresenta mais hemorragia e a equipe médica continua realizando tratamento clínico, o que inclui a hemodiálise. O vice-presidente segue internando na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital.

Fonte: Agência Estado

Lula, o presidente mais popular da história





A pesquisa IBOPE, divulgada hoje, encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), confirma o que todos já sentíamos: Lula encerra seus oito anos de mandato como o presidente da República mais bem avaliado de nossa história.

O índice de apoio e aprovação popular superior a 80%, conferido a ele e ao seu governo, já era antecipado pelas demais pesquisas, mas agora o presidente superou a média dos 83% registrados nos levantamentos e crava 87% de apoio e aprovação nesta CNI/IBOPE.

O levantamento de opinião pública, tanto nos índices que confere ao presidente Lula quanto nos apurados sobre a expectativa dos brasileiros em relação à futura administração Dilma Rousseff aponta um excelente final de gestão e início de outra. Os dados indicam que 62% da população acreditam que ela fará um ótimo/bom governo.

Alta expectativa nacional em relação a Dilma

É alta, portanto, a expectativa popular em relação à presidenta Dilma Rousseff e um apoio e aprovação populares nunca vistos ao presidente que sai, inédito até mesmo no mundo, de acordo com as análises dos especialistas.

Particularmente se levarmos em conta que no Brasil quase toda a mídia é de oposição e há uma forte base social e política, inclusive eleitoral, que apoia a oposição capitaneada pelos tucanos.

Mas, o que esta CNI/IBOPE confirma é que mesmo essa base social e eleitoral reconhece os avanços do governo Lula. E que está aí uma das mais prováveis explicações para a retumbante derrota da oposição nas eleições desse ano.

Derrota, registre-se, inclusive para o parlamento, que costuma ser termômetro para avaliação dos desempenhos eleitorais dos partidos em todo o mundo e onde, no nosso caso, o PT elegeu as maiores bancadas tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado Federal.



Fotos: Roosewelt Pinheiros e Antonio Cruz, ambos da Agência Brasil.

Zé Dirceu busca apoio de movimentos sociais


José Dirceu (Foto: Agência Brasil)

O ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu (PT), tem dito a amigos íntimos que iniciará uma campanha em busca do apoio de movimentos da sociedade civil e de centrais sindicais no próximo ano, quando o processo do mensalão será julgado pelo Supremo Tribunal Federal.

Acusado de comandar o esquema de compra de votos de parlamentares, Dirceu pretende criar uma rede, com o apoio dos movimentos sociais, para servir de escudo contra o julgamento e contra as críticas da mídia.

LULA E DILMA OFICIALIZAM CANDIDATURA BRASILEIRA À FAO


A candidatura do ex-ministro José Graziano da Silva à direção-geral da FAO foi classificada pelo chanceler Celso Amorim como uma candidatura de "Estado". Leia, abaixo, trecho da carta de Graziano que já circula nos meios oficiais. A partir de fevereiro, Graziano, um dos responsáveis pelo Fome Zero e pela formulação da política de segurança alimentar do governo Lula, deve se licenciar da direção regional da FAO para América Latina e Caribe, cargo que ocupa atualmente, para mergulhar na campanha internacional:

"... o presidente Lula e a presidenta eleita Dilma Rossef indicaram meu nome para disputar o cargo de diretor geral da FAO, nas eleições que se realizarão ao final de junho de 2011. O ministro Celso Amorim a classificou-a como uma "candidatura de Estado", atribuindo assim o mais alto nível de prioridade a mesma. Embora o voto seja apenas dos países membros e a decisão seja tomada pelas Chancelarias nas respectivas capitais, pela própria natureza técnica da organização, os ministros de pecuária e agricultura, pesca, meio ambiente, assim como seu staff técnico são atores igualmente relevantes para definir o voto. Gostaria de solicitar seu apoio, que muito me honraria, no sentido de difundir a candidatura --ver http://www.grazianodasilva.org/, twitter e Facebook ..." (José Graziano da Silva, diretor da FAO para América Latina e Caribe) (Carta Maior; Sábado, 25/12/2010)

Ministério Dilma e "a luta continua"




Rudá Ricci



http://rudaricci.blogspot.com/2010/12/ministerio-dilma-e-luta-continua.html



Marcos Coimbra publica, hoje, artigo em que contesta que o ministério de Dilma seja mera continuidade (43% dos ministros de Lula continuarão) ou excessivamente paulista (24,3% dos ministros são paulistas, para um estado que tem 22% da população). O conteúdo é correto, mas a forma como escreve revela a polarização política que permanece entre cientistas sociais e grande imprensa brasileira. Não há uma matéria da área política ou discussão entre sociólogos em que a racionalidade e a predisposição ao diálogo pareça campear. Manchetes e enunciados parecem desfraldar as bandeiras logo de cara. As comparações são fartas. Até uma mera notícia sobre leituras de cabeceira da próxima Presidente, típica de final de ano para ser lida ao som do mar de Itapuã, é pretexto para se afirmar que o todo poderoso Lula não lê. Algo que parece conhecido até da tela branca do computador. O que interessa é expurgar a raiva que, sinceramente, me parece uma raiva de classe e não de defesa da leitura. Dilma está mais à esquerda que Lula, mas é mais palatável que o peão-classe média que revelou sua genialidade política. O que parece um paradoxo. Como pode alguém menos à esquerda - e, portanto, mais próximo do ideário da Folha de SPaulo - ser mais odiado que alguém mais distante da bandeira da democracia ocidental (sic)? Puro ódio classista. Parece insuportável que alguém vindo da ralé seja superior ao dono que empunha seu diploma de doutorado (ou curso de férias nos EUA ou França). Mas é ainda mais insuportável que o peão-classe média saia do Poder Estamental da Política Tupiquim com os mesmos vícios semânticos da ralé. Sair sem superar suas citações futebolísticas ou suas ironias (muitas vezes infantis, que parecem incitar ainda mais o ódio dos escribas de boa pena), seu riso superior (no canto da boca), sua ausência de dedo, sua índole emotiva e contraditória. Um conciliador que veio e afirma que voltará às ruas! Como pode? Só há uma resposta: mesmo construindo o país dos desejos, Lula afirma um país que só daria notícia nos dias atuais se estivesse na 25 de março ou no Saara. Mas ver na TV o shopping center abarrotado desta nova classe média cujo acabamento ainda parece úmido é demais! A grande imprensa e parte dos cientistas sociais que até pouco eram os ícones da explicação do que é nosso país não se conformam. A luta continua! Com sinais trocados.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

O presente de Natal de Obama a AT&T (e Comcast e Verizon)



Uma das promesas de campanha do presidente Barack Obama foi proteger a liberdade na internet. Em dezembro de 2010, pode-se dizer que o presidente dos Estados Unidos não está cumprindo esse compromisso. Acaba de ser aprovada uma norma sobre neutralidade na rede que é considerada desastrosa pelos ativistas da internet. A proposta apresenta vazios legais que deixam a porta aberta a todo tipo de abusos no futuro, o que permitiría que empresas como AT&T, Comcast, Verizon e os grandes provedores de serviços na internet decidam que sites funcionarão, quais não e quais poderão receber um tratamento especial. O artigo é de Amy Goodman.

Amy Goodman - Democracy Now


Uma das promesas de campanha do presidente Barack Obama foi proteger a liberdade na internet. Ele disse em novembro de 2007: “Assumirei pessoalmente o compromisso com a neutralidade da rede, porque quando os provedores começam a privilegiar alguns aplicativos ou sites acima de outros, as vozes menores são silenciadas e todos perdemos. A internet é possivelmente a rede mais aberta da história e debemos mantê-la assim”.

Voltemos a dezembro de 2010, momento em que Obama claramente não está assumindo esse compromisso, motivado por gigantes como AT&T, Verizon e Comcast. Junto a ele se encontra o presidente da Comissão Federal de Comunicações (FCC, em sua sigla em inglês), Julius Genachowski,companheiro de Obama na Faculdade de Direito de Harvard e nas quadras de basquete, que acaba de conseguir a aprovação de uma norma sobre neutralidade da rede que os ativistas da internet consideram desastrosa.

O diretor da revista Free Press, Craig Aaron, afirmou: “Essa proposta parece repleta de vazios legais que deixam a porta aberta a todo tipo de abusos no futuro, o que permitiría que empresas como AT&T, Comcast, Verizon e os grandes provedores de serviços na internet decidam que sites funcionarão, quais não e quais poderão receber um tratamento especial”.

Para o comediante eleito senador, Al Franken, democrata por Minnesotta, as novas normas sobre neutralidade da rede não devem ser tomadas como uma brincadeira, já que as mesmas podem permitir a redes móveis como AT&T e Verizon Wireless bloquear por completo certos conteúdos e aplicativos quando quiserem. Franken deu o seguinte exemplo: “Talvez você goste do Google Maps. Bom, é uma pena. Se a FCC aprova esta norma, a Verizon poderá cortar o acesso a esse aplicativo em seu telefone e obrigá-lo a usar o seu próprio programa de mapas, Verizon Navigator, ainda que não seja tão bom e ainda que tenha que pagar para utilizá-lo, já que o Google Maps é gratuito. Se as empresas tiverem permissão para priorizar conteúdo na internet ou para bloquear aplicativos no iPhone, não há nada que impeça esas mesmas empresas de censurar um discurso político”.

A AT&T é um dos conglomerados que, segundo os ativistas, praticamente redigiu as normas da FCC promovidas por Genachowski. Já fomos testemunhas de mudanças radicais desse tipo. Semanas antes de sua promessa de neutralidade na rede, realizada em 2007, o então senador Obama contratou a AT&T, que foi denunciada por participar de escutas telefônicas sem ordem judicial contra cidadãos estadunidenses a pedido do governo de Bush. A AT&T queria imunidade judicial retroativa. O porta voz da campanha de Obama, Bill Burton, disse a Talking Points Memo: “Para ser claro: Barack apoiará a obstrução de qualquer projeto de lei que inclua a imunidade retroativa às empresas de telecomunicações”.

Mas, em julho de 2008, um mês antes da Convenção Nacional Democrata, quando Obama era o possível candidato à presidencia, ele não somente não obstruiu, mas também votou a favor do projeto de lei que outorgou imunidade judicial retroativa às empresas de telecomunicações. A AT&T conseguiu o que queria, e rápidamente mostrou seu agradecimento. A bolsa oficial entregue a cada delegado da convenção trazia estampado um grande logo da AT&T. A empresa organizou uma festa para os delegados, à qual a imprensa não teve acesso, para festejar que o Partido Democrata havia firmado sua liberdade.

AT&T, Verizon,a gigante de televisão a cabo Comcast e outras empresas expressaram seu apoio à nova norma das FCC. Os aliados democratas de Genachowski na comissão são Michael Copps e Mignon Clyburn (filha do líder da maioria da Câmara de Representantes, James Clyburn). Novamente, Criag Aaron, da Free Press, registrou:

“Entendemos que Copps e Clyburn tentaram melhorar esas normas, mas Genachowski se negou a ceder, aparentemente devido ao fato de que já havia firmado um acordo com a AT&T e os lobistas da tv a cabo acerca do alcance das normas”.

Clyburn advertiu que as normas poderiam permitir que os provedores de internet móvel adotem práticas discriminatórias e que as comunidades pobres, em particular afroestadunidenses e latinos, usem os serviços de internet móvel mais que as conexões a cabo.

Craig Aaron considera lamentável o poder dos lobistas da industria de telecomunicações e de tv a cabo em Washington: “Nos últimos anos deslocaram 500 lobistas, basicamente um para cada membro do Congresso, e isso é somente o que declaram abertamente. A AT&T é a empresa que doou mais dinheiro para campanhas políticas em toda a história. E a Comcast, a Verizon e as outras grandes empresas não ficam atrás. Estamos realmente vendo esse jogo aqui. Mais uma vez, os grandes interesses empresariais estão utilizando sua influência, suas contribuições para as campanhas, para eliminar qualquer ameaça a seu poder, a seus planos para o futuro da internet. Quando a AT&T quer reunir todos os seus lobistas, não há uma sala que abrigue a todos. Tiveram que alugar uma sala de cinema. As pessoas que representam o interesse público e que lutam pela internet livre e aberta aqui em Washington ainda podem compartilhar o mesmo táxi.

O dinheiro das campanhas eleitorais é, mais do que nunca, o que mantém vivos os políticos estadunidenses, e podem estar certos que Obama e seus assessores estão pensando na eleição de 2021, que provavelmente será a mais cara da história dos Estados Unidos. Acredita-se que o uso enérgico e inovador da internet e das tecnologias de celular ajudaram Obama a asegurar sua vitória em 2008. A medida que a internet aberta é cada vez mais restringida nos Estados Unidos, e que as empresas que controlam a internet se tornam cada vez mais poderosas, é possível que não exista essa participação democrática por muito mais tempo.

(*) Denis Moynihan colaborou na produção jornalística dessa coluna

Tradução: Katarina Peixoto

As previsões de fim de ano e o futuro da internet






Enio Squeff



Desde os tempos imemoriais, sempre houve a resistência do poder à democratização da informação. Uma das teorias mais alucinadas, e que ainda ocupa alguns especialistas ociosos, é a de que Mozart foi assassinado por conta de segredos maçônicos que ele teria deixado transparecer na sua ópera "A Flauta Mágica".


As previsões de fim de ano, por serem as cartomantes e profetas mais afeitos aos sortilégios do que à tecnologia, talvez devessem incluir um ou outro palpite quanto ao futuro da internet. O Departamento de Estado americano acaba de decretar a proibição de qualquer funcionário ou candidato a cargos no governo, de ler os documentos do WikiLeaks. É uma determinação que supõe a espionagem ou, máxime, um levantamento acurado dos subentendidos em qualquer texto para concursos a cargos públicos. Como ficará a questão da censura, e a liberdade de expressão deveria preocupar os defensores das direitos civis, não apenas os quase todos que consideramos os EUA "a maior democracia do mundo".

Eric Hobsbawm, historiador inglês ainda vivo, logo que o neoliberalismo se impôs ao Ocidente como uma das conseqüências do fim do socialismo na URSS, augurou que os direitos trabalhistas estariam com seus dias contados. Não exagerou muito, já que todas as soluções para as crises na Europa e na Ásia estão a supor a diminuição dos salários e a "flexibilização das leis trabalhistas". Ademais, a censura não parece estranha nem mesmo a instituições de arte, como a Bienal de São Paulo. Por razões que o bom senso não nega, mas que a democracia não aceita, na feira de artes mais libertária que existe no País, uma moça que no ano retrasado pichou uma parede vazia da Bienal, pegou três meses de cadeia. Fica claro que o poder do mundo já não vê a democracia como um valor permanente ou absoluto. Há ameaças bem mais que previsíveis, a espreitar as diferenças.

Mas qual a importância da internet? Talvez na aparente liberdade que ela concede a quem quer que tenha um computador e a acesse. E que, em teoria, pode ter à mão todo o mundo do saber - da história, aos mais requintados cálculos matemáticos, além das informações sobre as fofocas entre diplomatas do mundo - incluindo-se os dos EUA. As previsões de fim de ano deveriam, por isso, incluir uma pitonisa da informática: ela nos contaria de que forma os filmes de ficção que previram um governo mundial a ditar o que podemos ou não ler, ou acreditar - se realizarão num contexto de controle virtual, da internet.

Desde os tempos imemoriais, sempre houve a resistência do poder à democratização da informação. Uma das teorias mais alucinadas, e que ainda ocupa alguns especialistas ociosos, é a de que Mozart foi assassinado por conta de segredos maçônicos que ele teria deixado transparecer na sua ópera "A Flauta Mágica". A peça, de fato, tem a ver com alguns ritos maçônicos aos quais o músico tinha acesso por ser membro da tal sociedade secreta. Mas se quase ninguém, de sã consciência, leva a sério tal possibilidade. A Igreja Católica, por sua vez, jamais discutiu que seu "Index Librorum Proihibitorum" (índice dos livros proibidos) deveu-se à invenção da imprensa por Guttenberg.

Na medida em que a alfabetização se tornasse universal, censurar livros ou proibi-los aos católicos, seria a única maneira de manter intacta a visão vaticana do mundo. É infindável o número de livros que há séculos fazem uma das mais interessantes bibliotecas de quantas existem em qualquer país . É a que o Vaticano recolheu por séculos a fio, e que derrisoriamente recebia a denominação de "inferno" pelo próprio clero. Eram livros considerados heréticos, facultados apenas a teólogos e exegetas altamente confiáveis. Dela, entre milhares de livros constavam (e ainda constam, já que não se sabe que tenha sido desmobilizada) o indefectível "O Príncipe", de Maquiavel, mas também algumas obras-primas da literatura como a "Utopia" de Thomas Morus. Apesar de canonizado, o Vaticano nunca perdoou ao intelectual inglês, morto por Henrique VIII, ter inventado uma sociedade ideal sem a propriedade privada, destituída da luta de classes, e onde o coletivo se sobrepunha aos interesses individuais.

Pode-se discutir as razões da Igreja - e ela as têm além da censura- mas o fundamental era o acesso irrestrito aos livros: eles revelavam, por exemplo, como na "Religiosa", de Diderot, que os conventos não eram só rezas, ou auto-flagelação. Podiam, inclusive, eventualmente, ser depositários de moças para o deleite de reis e nobres, como foram, em certa época, principalmente para a aristocracia de Portugal. Não se deu por um descuido, enfim, que um católico fervoroso como o ex-ditador português Antônio de Oliveira Salazar defendesse o analfabetismo quase como programa de governo: os livros, no fundo, não ensinariam nada de útil aos cidadãos de seu país. Entre a difusão do pecado pelos livros, e a salvação da alma pela ignorância, o grande defensor do catolicismo preferia interditar a seus compatriotas "Os Maias", de Eça de Queirós, "Eurico, o Presbítero", de Alexandre Herculano, mas também "Os Lusíadas", de Camões.

No caso da Internet, pouco a conjeturar. No próximo ano, todo o aparato do poder, que inclui parte da grande imprensa - principalmente essa - terá certamente de se ver, mais que nunca, com a amplidão ilimitada da internet. Há que se prever o que será o futuro também aqui. Ao que tudo indica, o WiliLeaks, é apenas um começo de conversa. Por outro lado, a bola de cristal, ou o Anjo anunciador que levou a Igreja a inventar seu "Index", muito provavelmente não se revelará a qualquer visionário - ou cartomante, mais eficiente do que, as que animaram Anthony Burgess e Stanley Kubrik, a fazerem previsões apocalípticas como as revelados no filme "Laranja Mecânica". Na obra, a suposição da sociedade repressiva não se faz no mundo russo, ou chinês - o que confirmaria o "Império do Mal", de Ronald Reagan,- mas naquele falado em inglês, num meio ambiente prá lá de conhecido, de inequívoca extração cultural do Ocidente, nada estranho, em suma, aos Papai Noéis, aos Beethovens ou à Coca-Cola.

O previsível mundo novo, seria a reedição dos piores pesadelos do fascismo ou do estalinismo, mas não num contexto de filmes e romances de tipo "noir" como nos legaram os grandes cineastas do passado - Fritz Lang, ou Charles Chaplin, para só citar alguns. Ou escritores como Kafka e Orwell para, de novo, só mencionar uns poucos. Naqueles e nesses, o mundo é preto e branco; no mundo virtual nunca deixará de ser uma bela paisagem- até quando pode ser colorida- só que nos limites de uma tela de computador. O sociólogo Francisco de Oliveira, ao discutir a inevitável crise do capitalismo, lembrou, há anos, que o filósofo Theodor W. Adorno, previa o ressurgimento do fascismo exatamente nos Estados Unidos, não em outro país qualquer.

Claro que tais assuntos não são matéria para pitonisas ou astrólogos de fim de ano - mas talvez interesse saber a forma com que o poder tratará a internet e a sua liberdade sem peias. A fogueira física dos livros - a cena famosa do "Dom Quixote", tão bem descrita no livro, quando o cura e o barbeiro queimam as obras que teriam enlouquecido o Cavaleiro da Triste Figura - é apenas um episódio exemplar do passado. Na Europa de Cervantes era corrente que os livros podiam abalar corações e mentes, o que não deixa de ser verdade ainda hoje. Santo Inácio de Loyola, criador da Companhia de Jesus, teria se convertido depois de ler "A Imitação de Cristo", de Tomas de Kempis - mas as tribos nômades e das cidades do Oriente Médio, que se juntaram ao Profeta, na formação do primeiro Império Islâmico, só o fizeram, no eco dos conceitos reunidos no Alcorão.

Os militares de 64 no Brasil, palmilharam, sem escrúpulos, a esteira da Idade Média, e da Inquisição, ao proibirem jornais e livros (e filmes, e novelas, e peças de teatro e músicas) durante a ditadura. Como justificou um dos ministros militares da época, o ainda vivo Jarbas Passarinho, se os comunistas proibiam livros - por que não imitá-los, vetando-os também do lado de cá do mundo? Era a lógica da oposição de uma ditadura à outra, exatamente dentro da mesma dinâmica de interditos e de violências. Na era da internet isso, evidentemente, não é mais possível. Difícil para um regime medievalesco evitar o que não seja concreto, visível, ao alcance das mãos de um esbirro qualquer.

No entanto, não só nas ditaduras, há também sempre o invisível da ficção de terror. Mesmo nos filmes e livros infantis, como "O Mágico de Oz" e "Alice no País das Maravilhas", os personagens são movidos por forças incorpóreas: conduzem-se como as Parcas da antigüidade helênica; elas tecem as existências inclusive dos deuses e nada as determina senão o Destino inexorável e inadivinhado - que, aliás, não valia só para os homens, senão também para as divindades. A internet, certamente, é também incorpórea, e num aspecto assemelha-se às parcas: em seu indeterminismo, ela traça destinos, denuncia crimes e encobre outros. Sob qualquer aspecto, porém, ela é a antítese do sistema de poder, da determinação ou do que ficou conhecido como "administração das vidas".

Seu terreno invisível constitui-se, até agora, numa espécie de terra da liberdade, do "laissez-faire". Talvez a conclusão seja precipitada, mas é a primeira vez na história em que, uma vez ultrapassada a cultura oral - o retorno à oralidade pode-se fazer sem os ouvidos das paredes. Pelo menos é essa, por enquanto, a regra do jogo.

Até quando?

Não para sempre, de certo. A invisibilidade da internet não é o mesmo que a opacidade do poder invisível. Esse talvez tenha como controlar as ingerências que ele próprio, o poder, nunca imaginou, embora o tenha gerado. Será, quem sabe, e - por enquanto- uma batalha virtual, mas a detenção física do dirigente do WikiLeaks, se não destrói sistemas, pode ser o mote para o seu controle. A China tem realizado ensaios aproveitáveis para quem quer que imagine uma internet devidamente domada - exeqüível, portanto, somente para os bem comportados.

As previsões catastróficas talvez não requeiram pitonistas ou cartomantes -mas inventores, ficcionistas. Eles preverão que os sonhos do poder são inextinguíveis. E imprevisíveis. Nenhum marxista sincero calculava que a revolução bolchevique desse no estalinismo. Jacques-Louis Davi (748-1825), o grande pintor de Napoleão, ferrenho defensor da Revolução de 1789 na França, sonhava com que a democracia sobreviria ao Império napoleônico; morreu na Béligica, exilado, a assistir o retorno dos Bourbons na França.

As pitonisas e cartomantes são muito boas, parece, para preverem destinos individuais - não lêem nos astros ou nas cartas os caminhos da história. As tentativas de domar a internet são claramente uma tentativa de mudança na história. O lugar-comum de que a democracia é uma luta diária - talvez canse, mas não parece ter outro jeito de mantê-la.

Guimarães Rosa dizia sofrer horrores à vista de um novo livro que começava a despontar em seu cérebro. É o que parece ficar ao fim de cada ano para os que sabem o que é uma ditadura anacrônica; a virtual que nos ameaça no futuro deve ser bem pior.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

FELIZ NATAL


“Só existem dois dias no ano em que nada pode ser feito. Um se chama ontem e o outro se chama amanhã, portanto hoje é o dia certo para amar, acreditar, fazer e principalmente viver. E seja a mudança que você quer ver no mundo.”

S. S. Dalai Lama

Dilma promete repetir encontros anuais com catadores


Vermelho
www.vermelho.org.br

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23/12/2010



Os encontros da população de rua e dos catadores de materiais recicláveis com a presidenta eleita, Dilma Rousseff, estão garantidos pelos próximos anos. O compromisso foi feito por ela durante a comemoração do Natal dos catadores e moradores de rua, na capital paulista. Desde que assumiu, em 2003, Luiz Inácio Lula da Silva encontra-se com esse público no dia 23 de cada ano.
Mostrando-se à vontade, Dilma chegou a cantar durante uma das apresentações culturais que antecederam os discursos de lideranças e autoridades. A canção foi um samba, composto especialmente para o evento. Durante os pronunciamentos de moradores de rua, ela chegou a se emocionar por pelo menos três vezes.

“É época de Natal e temos de fazer duas coisas: a primeira é olhar o mundo e pensar o que fizemos nesse período para transformá-lo e o que devemos fazer para continuar essa transformação”, sugeriu.

Em seu discurso, Dilma prometeu ações para tornar os catadores em cidadãos e fazer da "profissão de catador será um instrumento de trabalho". Ela assegurou ainda uma política permanente de financiamento bancário, para equiparar catadores a outras profissões. "Uma política permanente de financiamento, apoio, assistência, integração aos serviços de educação e saúde", afirmou.

"Não descansarei enquanto não conseguir dar as melhores condições possíveis para que esse processo avance e os catadores, cada vez mais, saiam do lixão, organizem cooperativas, tenham seus caminhões, suas máquinas”, disse Dilma.

Dilma ainda garantiu que o programa habitacional Minha Casa, Minha Vida continuará em seu governo. “É para essa população que se dirige o Minha Casa Minha Vida”, disse. “A cidadania é algo que é direito de cada um”, completou.

Fonte: Rede Brasil Atual

Mulheres farão a escolta de Dilma na posse



Polícia Federal convoca atiradores de elite e tropa especial para o dia em que Dilma receberá a faixa presidencial


A Polícia Federal vai empregar cerca de 600 agentes na posse da presidente eleita, Dilma Rousseff, em 1º de janeiro, incluindo um grupo de mulheres, que ficará encarregado da escolta no percurso que vai da Granja do Torto aos locais das cerimônias. A pedido de Dilma, a PF vai manter a segurança até após a transmissão do cargo, passando o trabalho, em seguida, ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI). Normalmente, a troca das corporações é feita na Catedral de Brasília, antes da posse oficial, mas desta vez a mudança ocorrerá no Congresso.


O efetivo utilizado pela Polícia Federal é um dos maiores para cerimônias do gênero. Somente em visitas de autoridades estrangeiras de grande notoriedade — como ocorreu com o papa Bento XVI, em 2007 — o número de agentes é reforçado. Dos cerca de 600 policiais, parte será usada na escolta dos visitantes, com atenção especial à secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton. Nesse caso, a PF apenas reforça a segurança, que fica por conta do Serviço Secreto dos Estados Unidos.


Até a semana passada, além de Hillary, estavam confirmadas as presenças dos chefes de Estado da Venezuela, do Chile, do Uruguai, do Peru, da Bolívia, da Colômbia, de El Salvador, da Argélia, do Gabão, de Guiné e da Guatemala, além de um representante da Espanha e do ex-primeiro-ministro japonês Taro Aso. Todos receberão escolta da PF, mas alguns visitantes estrangeiros terão um esquema especial, caso seja requisitado. Até agora, no entanto, a Polícia Federal não recebeu pedidos nesse sentido, a não ser em relação a Hillary Clinton.


Atiradores
Durante a semana, delegados da PF definiram o esquema de segurança, que contará com helicópteros da Coordenação de Operações Aéreas (Caop) e agentes do Comando de Operações Táticas (COT), a elite da Polícia Federal. A corporação usará atiradores de elite postados em pontos estratégicos da Esplanada dos Ministérios.


Outros agentes ficarão espalhados na Esplanada, que terá um posto da PF, onde estarão os comandos da operação de posse. O último treinamento do grupo ocorrerá no domingo, provavelmente às 14h30. O efetivo será formado por policiais da Superintendência do Distrito Federal e será reforçado com pessoal de outros estados e pelas divisões especiais, como o COT e o setor de operações aéreas.


A escolta da Polícia Federal deveria deixar Dilma na Catedral, como ocorreu com outros presidentes, mas a presidente eleita pediu para manter o grupo de agentes — o mesmo que a acompanha desde as eleições — até o momento em que for empossada. Esta será a primeira vez em que a PF faz a segurança total de um presidente eleito até sua posse. Em outros momentos, o GSI e a Polícia Federal determinam um ponto — geralmente a Catedral— para que o Gabinete de Segurança Institucional receba o novo chefe do Executivo.


O procedimento foi adotado na cerimônia de posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003, com um diferencial. Na ocasião, os agentes do GSI foram buscá-lo na Granja do Torto, causando constrangimento nos policiais federais que o escoltavam desde a eleição.


Escolta
A Polícia Federal faz a escolta dos candidatos a partir do momento em que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aceita o registro. Todos recebem escolta por 24 horas, com as despesas pagas pelo próprio governo. O efetivo usado é definido de acordo com o candidato. A PF colocou à disposição dos dois principais que disputaram as eleições presidenciais deste ano, Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB), em torno de 15 agentes, comandados por um delegado. A escolta acompanha o eleito até o dia da posse.

Correio

Meu Natal


Rogel Samuel

Não fui feliz na infância. Menino triste, doentio, solitário. Tive até poliomielite. Sou e estou muito melhor agora, na velhice. Nunca conheci a felicidade do que minha amiga X designa de “aconchego familiar”. Ela me atribuiu isso. Engano dela. Comecei a ser feliz quando, aos 18 anos, vim sozinho para o Rio de Janeiro. Mas gosto muito de Natal. (leia a continuação em:)


http://www.blocosonline.com.br/home/index.php

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Formação de opinião: revisitando o poder da mídia






Venício Lima

21/12/2010





O fenômeno Lula, que deixa o poder, como observou um analista, "amado pelo povo e detestado pela mídia", deve servir não só para uma reavaliação do papel da mídia, mas também como horizonte para aqueles que trabalham pela universalização da liberdade de expressão e pela efetivação do direito à comunicação.

Data: 21/12/2010
Publicado originalmente no Observatório da Imprensa

Os resultados da pesquisa CNI/Ibope divulgados no dia 16 de dezembro confirmam uma clara tendência dos últimos anos e, ao mesmo tempo, recolocam uma importante questão sobre o poder da grande mídia tradicional. De fato, a aprovação pessoal e a confiança no presidente Lula atingiram novos recordes, 87% e 81%, respectivamente; e a avaliação positiva do governo subiu para 80%, outro recorde (íntegra da pesquisa disponível aqui).

A confirmação dessa tendência ocorre apesar da grande mídia e sua cobertura política do presidente e de seu governo ter sido, ao longo dos dois mandatos, claramente hostil ou, como disse a presidente da ANJ, desempenhando o papel de oposição partidária.

Isso significa que a grande mídia perdeu o seu poder?

Monopólio da informação política
Parece não haver dúvida de que a mídia tradicional não tem mais hoje o poder de "formação de opinião" que teve no passado em relação à imensa maioria da população brasileira. E por que não?

Um texto clássico dos estudos da comunicação, escrito por dois fundadores deste campo, ainda na metade do século passado, afirmava que para os meios de comunicação exercerem influência efetiva sobre os seus públicos é necessário que se cumpram pelo menos uma das seguintes três condições, válidas até hoje: monopolização; canalização ao invés de mudança de valores básicos, e contato pessoal suplementar. Com relação à monopolização afirmam:

"Esta situação se concretiza quando não se manifesta qualquer oposição crítica na esfera dos meios de comunicação no que concerne à difusão de valores, políticas ou imagens públicas. Vale dizer que a monopolização desses meios ocorre na falta de uma contrapropaganda. Neste sentido restrito, essa monopolização pode ser encontrada em diversas circunstâncias. É claro, trata-se de uma característica da estrutura política de uma sociedade autoritária, onde o acesso a esses meios encontra-se totalmente bloqueado aos que se opõem à ideologia oficial" [cf. Paul Lazarsfeld e Robert K. Merton, "Comunicação de massa, gosto popular e ação social organizada" in G. Cohn, org. Comunicação e Indústria Cultural; CEN; 1ª. ed., 1971; pp. 230-253].

Aparentemente, a monopolização do discurso político "mediado" pela grande mídia – em regimes não-autoritários – foi quebrada pelo enorme aumento das fontes de informação, sobretudo com a incrível disseminação e capilaridade social da internet.

Em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, quando de sua rápida visita ao Brasil, em abril passado, o fundador do diário espanhol El País, Juan Luis Cebrian, afirmava:

"...a internet é um fenômeno de desintermediação. E que futuro aguarda os meios de comunicação, assim como os partidos políticos e os sindicatos, num mundo desintermediado? Do início ao fim da última campanha presidencial americana, circularam pela web algo como 180 milhões de vídeos sobre os candidatos Obama e McCain, mas apenas 20 milhões haviam saído dos partidos Democrata e Republicano. As próprias organizações políticas foram ultrapassadas pela movimentação dos cidadãos. Como ordenar tudo isso? Não sei. (...) ...hoje existem 2 bilhões de internautas no mundo, ou seja, um terço da população planetária já tem acesso à rede. Há 200 milhões de páginas web à escolha do navegante. Na rede, você diz o que quer, quando quiser e a quem ouvir, portanto, o acesso à informação aumentou de forma espetacular. Isso é fato [íntegra disponível aqui].

A disseminação da internet – ou seja, a quebra do monopólio informativo da grande mídia – aliada a mudanças importantes em relação à escolaridade e à redistribuição de renda que atingem boa parte da população brasileira, certamente ajudam a compreender os incríveis índices de aprovação de Lula e de seu governo, mesmo enfrentando a "oposição" da grande mídia.

Resta muito poder
Isso não significa, todavia, que a grande mídia tenha perdido todo o seu poder. Ao contrário, ela continua poderosa, por exemplo, na construção da agenda pública e na temerosa substituição de várias funções tradicionais dos partidos políticos, vale dizer, do enfraquecimento deles.

A grande mídia, em particular a mídia impressa (jornais e revistas), ainda continua poderosa como ator político em relação à reduzida parcela da população que se situa na ponta da pirâmide social e exerce influência significativa nas esferas do poder responsáveis pela formulação das políticas públicas, inclusive no setor das comunicações.

O fenômeno Lula, que deixa o poder, como observou um analista, "amado pelo povo e detestado pela mídia", deve servir, não só para uma reavaliação do papel da mídia de massa tradicional, mas também como horizonte para aqueles que trabalham pela universalização da liberdade de expressão e pela efetivação do direito à comunicação.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Os donos da mídia estão nervosos






Laurindo Lalo Leal Filho




A Veja andou atrás do blogueiro Renato Rovai querendo saber como foi feita a articulação para que o presidente Lula concedesse uma entrevista a blogs de diferentes pontos do Brasil. Estão preocupadíssimos.


O blogueiro Renato Rovai contou durante o curso anual do Núcleo Piratininga de Comunicação, realizado semana passada no Rio, que a Veja andou atrás dele querendo saber como foi feita a articulação para que o presidente Lula concedesse uma entrevista a blogs de diferentes pontos do Brasil. Estão preocupadíssimos.

À essa informação somam-se as matérias dos jornalões e de algumas emissoras de TV sobre a coletiva, sempre distorcidas, tentando ridicularizar entrevistado e entrevistadores.

O SBT chegou a realizar uma edição cuidadosa daquele encontro destacando as questões menos relevantes da conversa para culminar com um encerramento digno de se tornar exemplo de mau jornalismo.

Ao ressaltar o problema da inexistência de leis no Brasil que garantam o direito de resposta, tratado na entrevista, o jornal do SBT fechou a matéria dizendo que qualquer um que se sinta prejudicado pela mídia tem amplos caminhos legais para contestação (em outras palavras). Com o que nem o ministro Ayres Brito, do Supremo, ídolo da grande mídia, concorda.

Jornalões e televisões ficaram nervosos ao perceberem que eles não são mais o único canal existente de contato entre os governantes e a sociedade.

Às conquistas do governo Lula soma-se mais essa, importante e pouco percebida. E é ela que permite entender melhor o apoio inédito dado ao atual governo e, também, a vitória da candidata Dilma Roussef.

Lula, como presidente da República, teve a percepção nítida de que se fosse contar apenas com a mídia tradicional para se dirigir à sociedade estaria perdido. A experiência de muitos anos de contato com esses meios, como líder sindical e depois político, deu a ele a possibilidade de entendê-los com muita clareza.

Essa percepção é que explica o contato pessoal, quase diário, do presidente com públicos das mais diferentes camadas sociais, dispensando intermediários.

Colunistas o criticavam dizendo que ele deveria viajar menos e dar mais expediente no palácio. Mas ele sabia muito bem o que estava fazendo. Se não fizesse dessa forma corria o risco de não chegar ao fim do mandato.

Mas uma coisa era o presidente ter consciência de sua alta capacidade de comunicador e outra, quase heróica, era não ter preguiça de colocá-la em prática a toda hora em qualquer canto do pais e mesmo do mundo.

Confesso que me preocupei com sua saúde em alguns momentos do mandato. Especialmente naquela semana em que ele saía do sul do país, participava de evento no Recife e de lá rumava para a Suíça. Não me surpreendi quando a pressão arterial subiu, afinal não era para menos. Mas foi essa disposição para o trabalho que virou o jogo.

Um trabalho que poderia ter sido mais ameno se houvesse uma mídia menos partidarizada e mais diversificada. Sem ela o presidente foi para o sacrifício.

Pesquisadores nas áreas de história e comunicação já tem um excelente campo de estudos daqui para frente. Comparar, por exemplo, a cobertura jornalística do governo Lula com suas realizações. O descompasso será enorme.

As inúmeras conquistas alcançadas ficariam escondidas se o presidente não fosse às ruas, às praças, às conferências setoriais de nível nacional, aos congressos e reuniões de trabalhadores para contar de viva voz e cara-a-cara o que o seu governo vinha fazendo. A NBR, televisão do governo federal, tem tudo gravado. É um excelente acervo para futuras pesquisas.

Curioso lembrar as várias teses publicadas sobre a sociedade mediatizada, onde se tenta demonstrar como os meios de comunicação estabelecem os limites do espaço público e fazem a intermediação entre governos e sociedade.

Pois não é que o governo Lula rompeu até mesmo com essas teorias. Passou por cima dos meios, transmitiu diretamente suas mensagens e deixou nervosos os empresários da comunicação e os seus fiéis funcionários, abalados com a perda do monopólio da transmissão de mensagens.

Está dada, ao final deste governo, mais uma lição. Governos populares não podem ficar sujeitos ao filtro ideológico da mídia para se relacionarem com a sociedade.

Mas também não pode depender apenas de comunicadores excepcionais como é caso do presidente Lula. Se outros surgirem ótimo. Mas uma sociedade democrática não pode ficar contando com o acaso.

Daí a importância dos blogueiros, dos jornais regionais, das emissoras comunitárias e de uma futura legislação da mídia que garanta espaços para vozes divergentes do pensamento único atual.

MINISTÉRIO DILMA



SÃO PAULO (Reuters) - Veja os ministros do governo Dilma Rousseff que já foram anunciados.


* AGRICULTURA - Wagner Rossi (PMDB) - Fazendeiro de Ribeirão Preto (SP) com extensa carreira em cargos públicos, é formado em Direito pela USP com diversos cursos de pós-graduação, alguns no exterior. Foi deputado federal por três legislaturas e deputado estadual por duas em São Paulo, além de ter assumido diversas secretarias paulistas.


* BANCO CENTRAL - Alexandre Tombini - Funcionário do BC desde 1995, tem experiência no combate à inflação, mas terá que mostrar capacidade de resistir a pressões políticas. Aos 46 anos, trabalhou na formulação do regime de metas de inflação.


* CASA CIVIL - Antonio Palocci (PT) - Ex-ministro da Fazenda da gestão Lula (2003-2006), deixou a pasta sob escândalo e retorna como homem de bastidor que faz a ponte do governo com setores da economia. Na Fazenda, obteve a confiança do mercado financeiro pela austeridade com as contas públicas e na Casa Civil terá a função de coordenar as ações de governo. Tem 50 anos.


CIDADES - Mário Negromonte (PP-BA) - deputado e advogado, já pertenceu ao PMDB e PSDB. Va substituir Marcio Fortes, também do PP. Muito cobiçada, a pasta de Cidades, criada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2003, é responsável pelo programa Minha Casa, Minha Vida.


* CIÊNCIA E TECNOLOGIA - Aloizio Mercadante (PT) - Economista e senador eleito com mais de 10 milhões de votos em 2002, saiu derrotado das eleições para o governo paulista em 2006 e 2010. Sem mandato a partir do ano que vem, ele ensaiou deixar a liderança do PT no Senado para marcar sua insatisfação contra orientação da direção do partido pelo arquivamento de processos contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).


* CULTURA - Ana de Hollanda - Irmã do compositor Chico Buarque de Hollanda, é atriz, cantora e também compositora.


* COMUNICAÇÕES - Paulo Bernardo (PT) - Sem ter concluído curso universitário, o ex-bancário, eleito três vezes deputado federal pelo Paraná, direcionou sua vida política a assuntos relacionados a finanças públicas, caminho que o levou a ser escolhido para assumir o Ministério do Planejamento de Lula em 2005. Terá como desafios assumir o novo marco regulatório das comunicações e introduzir o Plano Nacional da Banda Larga.


* DEFESA - Nelson Jobim (PMDB) - Chegou ao comando da Defesa em 2007 em meio ao caos aéreo, após o acidente com um avião da TAM em São Paulo. No seu currículo, possui a marca de ter ocupado cargos de primeiro escalão nas três esferas de poder. Gaúcho, de 64 anos, foi indicado ministro do Supremo Tribunal Federal em 1997 e presidiu a Corte entre 2004 e 2006. Já foi deputado federal pelo Rio Grande do Sul e comandou o Ministério da Justiça no governo Fernando Henrique Cardoso.


* DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR - Fernando Pimentel (PT) - Ex-prefeito de Belo Horizonte e militante contra a ditadura militar, é um dos fundadores do PT. Formado em Economia e mestre em Ciências Políticas, é amigo pessoal de Dilma Rousseff. Deixou a coordenação da campanha da petista neste ano após citação em escândalo. Saiu derrotado da eleição ao Senado.


* DESENVOLVIMENTO SOCIAL - Tereza Campello - É subchefe de articulação e monitoramento da Casa Civil, onde se dedica ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e atua desde agosto de 2004. É gaúcha, economista e foi secretária do governo do Rio Grande do Sul antes de atuar no governo de transição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002.


* EDUCAÇÃO - Fernando Haddad (PT) - Assumiu a pasta em 2005 e tem a confiança de Dilma. Foi mantido no posto mesmo após dois momentos críticos relacionados ao Enem. Paulistano, de 47 anos, liderou a expansão das universidades federais e o programa Prouni.


* ESPORTE - Orlando Silva (PCdoB) - Baiano de Salvador, chegou ao comando da pasta em 2006. Aos 39 anos, leva no currículo a realização dos Jogos Pan-Americanos no Rio de Janeiro, em 2007, e a conquista dos direitos para sediar a Copa do Mundo de 2014 no Brasil e os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio.


* FAZENDA - Guido Mantega (PT) - Aos 61 anos, foi mantido no cargo que ocupa a há cinco anos no governo Lula. Sob sua gestão, a economia brasileira cresceu de forma consistente em meio a críticas de pouco rigor com as contas públicas.


* JUSTIÇA - José Eduardo Cardozo (PT) - Advogado paulistano de 51 anos, é secretário-geral do PT e foi coordenador da campanha eleitoral de Dilma. Atuou na primeira gestão da Prefeitura de São Paulo com a prefeita Luiza Erundina (1989-1992). Deputado federal por dois mandatos, desistiu de concorrer na última eleição.


* MEIO AMBIENTE - Izabella Teixeira - Brasiliense, é bióloga e funcionária de carreira do Ibama desde 1984. Tem mestrado em Planejamento Energético e doutorado em Planejamento Ambiental e se mantém à frente da pasta que assumiu em abril deste ano.


* MINAS E ENERGIA - Edison Lobão (PMDB) - Já ocupou a pasta no governo Lula. Reeleito para o Senado pelo Maranhão nas eleições de outubro, Lobão, de 74 anos, é ligado ao ex-presidente José Sarney (PMDB-AP). Antes sem experiência em energia, conquistou a confiança da presidente eleita.


* PLANEJAMENTO - Miriam Belchior (PT) - Coordenadora do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo Lula, de 52 anos, foi secretária da prefeitura petista de Santo André e é viúva do ex-prefeito da cidade Celso Daniel. Levará para o Planejamento a gestão do PAC.

* PREVIDÊNCIA SOCIAL - Garibaldi Alves (PMDB-RN) - Aos 63 anos, foi eleito este ano para um terceiro mandato de senador. Com intensa carreira política, foi duas vezes governador do Rio Grande do Norte, prefeito de Natal e três vezes deputado estadual. Foi presidente do Senado entre 2007 e 2009. É formado em direito e jornalista de profissão.

* RELAÇÕES EXTERIORES - Antonio Patriota - Ex-embaixador do Brasil em Washington, tem boas relações com autoridades norte-americanas. Patriota, de 56 anos, defende a ampliação da relação do Brasil com a África e a busca por um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU.

* SAÚDE - Alexandre Padilha (PT) - Médico infectologista, de 39 anos, é militante petista desde o movimento estudantil. Em 2009 assumiu a pasta das Relações Institucionais, responsável pela articulação política. Ainda quando ocupava a subchefia de Assuntos Federativos do Planalto acompanhava a então ministra da Casa Civil Dilma Rousseff em reuniões da base aliada.

* TRABALHO - Carlos Lupi (PDT) - Representante do PDT no primeiro escalão, comandou o ministério no governo Lula a partir de 2007 e alavancou a geração de empregos e usou os instrumentos que estavam ao seu alcance, como o conselho curador do FGTS e o Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat), para expandir o crédito durante a crise econômica mundial.

* TRANSPORTES - Alfredo Nascimento (PR-AM) - Derrotado na disputa pelo governo do Amazonas neste ano, Nascimento já comandou a pasta nos dois mandatos do presidente Lula. Foi prefeito de Manaus e eleito senador em 2006.

* TURISMO - Pedro Novais (PMDB- MA) - Advogado, exerce seu sexto mandato como deputado federal. Tem 80 anos e elegeu-se pela primeira vez em 1983. Antes, foi deputado estadual, em 1979. Já integrou as comissões de Orçamento, Constituição e Justiça e Finanças e Tributação.

* SECRETARIA-GERAL - Gilberto Carvalho (PT) - Chefe de gabinete de Lula desde 2003, é amigo pessoal e homem de confiança do presidente. Paranaense nascido em 1951, é católico praticante ligado à Igreja Católica. Fará a ponte do governo com entidades da sociedade civil.

* SECRETARIAS: Moreira Franco (Assuntos Estratégicos), Ideli Salvatti - PT-SC (Pesca e Aquicultura), Maria do Rosário -PT-RS (Direitos Humanos), Luiza Helena Bairros (Igualdade Racial), Helena Chagas (Comunicação).

* ADVOCACIA GERAL DA UNIÃO (AGU) - Luís Inácio Lucena Adams.

(Reportagem de Carmen Munari e Hugo Bachega)

MINISTRA











A cantora, compositora e atriz Ana de Hollanda será a ministra da Cultura. Filha do historiador Sérgio Buarque de Holanda e de Maria Amélia Buarque de Hollanda, ela atuou no primeiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como diretora do Centro de Música da Funarte (Fundação Nacional de Artes), sendo responsável pela retomada de projetos como a Bienal de Música Contemporânea e o Projeto Pixinguinha.

Nasceu em 12 de agosto de 1948 e começou sua carreira artística aos 16 anos de idade, acompanhando o irmão Chico Buarque, como integrante do quarteto "As Quatro Mais", no show "Primeira Audição", apresentado no teatro do Colégio Rio Branco, em São Paulo, e reapresentado na TV Record. Em 1968, participou do 3º Festival Internacional da Canção, interpretando o frevo Dança das rosas.

Em 1980 e 1981, frequentou o Curso de Formação de Atores no Teatro Vento Forte em São Paulo. Em 1983, assinou a direção musical do curta metragem "Vianinha", de Gilmar Candeias e Jorge Achôa. Entre 1986 e 1988, foi Secretária Municipal de Cultura de Osasco (SP). Em 1990 atuou como atriz no espetáculo baseado no conto O Reino deste Mundo, de Alejo Carpentier, dirigido por Amir Haddad, encenado em Machurrucutu (Cuba). Ainda nesse ano, escreveu, em parceria com a dramaturga Consuelo de Castro, a peça "Paixões provisórias".

O primeiro disco solo de Ana de Hollanda foi gravado em 1980. Depois vieram mais três gravações. O seu repertório inclui sambas de Noel Rosa e Geraldo Pereira, canções de Chico Buarque, da Bossa Nova e da Música Popular Brasileira (MPB).


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A presidente eleita Dilma Rousseff confirmou o nome de mais sete ministros do futuro governo. Alexandre Padilha (PT) foi oficializado nesta segunda-feira, 20. como novo ministro da Saúde. Entre os sete ministros confirmados hoje, três são mulheres. Dilma manteve Orlando Silva na pasta de Esportes e Luiz Inácio Adams na AGU (Advocacia-Geral da União).

Além de Padilha, Silva e Adams, Dilma confirmou os nomes de Anna de Holanda (Cultura), Tereza Campoello (Desenvolvimento Social), Luiza Helena de Barros (Promoção da Igualdade Racial) e Mario Negromonte (Cidades).

Dilma pretende fechar até quarta, 22, os nomes do primeiro escalão de seu governo

PRESENTINHO DE NATAL

Dilma deve limitar poder do PMDB em estatais


Vermelho
www.vermelho.org.br

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20/12/2010


Após definir a composição do Ministério, a presidente eleita, Dilma Rousseff, ao assumir o cargo, vai se dedicar à montagem do tabuleiro do segundo escalão mais cobiçado do governo: o comando das estatais, com a promessa de reduzir o poderio do PMDB no setor.
Ela pretende esperar apenas a eleição dos novos presidentes da Câmara e do Senado, marcada para o início de fevereiro. Nessa fase, vai definir primeiro as empresas da área energética, hoje dominadas pelos grupos do presidente do Senado, José Sarney (AP), de Jader Barbalho (PA) e do deputado Eduardo Cunha (RJ), todos do PMDB.

Dilma quer pôr nos principais postos do setor elétrico pessoas de perfil técnico e de sua confiança. Reconduzido ao Ministério de Minas e Energia, Edison Lobão admitiu recentemente que não terá autonomia para indicar todos os cargos das estatais do setor. "Não há nenhum ministério nessa condição de porteira fechada", disse Lobão.

As empresas do sistema Eletrobras têm R$ 8,1 bilhões de investimentos previstos no Orçamento de 2011. Nos últimos anos, a presidência da holding ficou sob responsabilidade de pessoas indicadas por Sarney. O atual presidente, José Antonio Muniz Lopes, é um fiel aliado do presidente do Senado. Antes de ir para a Eletrobras, presidiu a Eletronorte.

Mas o alvo número um de Dilma é Furnas. Ela avisou aos integrantes da transição que, em fevereiro, quer intervir no comando da empresa. A terceira maior verba das estatais do setor elétrico é destinada a Furnas (R$ 1,256 bilhão), que tem no comando atualmente Carlos Nadalutti, do grupo de Eduardo Cunha.

O comando de Furnas está sendo disputado pelo PMDB mineiro como opção para o senador Hélio Costa (PMDB-MG), derrotado na eleição para o governo estadual, com apoio do deputado Newton Cardoso (PMDB-MG). Dilma, contudo, usará seus próprios critérios para as indicações.

Furnas tem também o cobiçado Fundo de Pensão Real Grandeza, que movimenta um orçamento de cerca de R$ 7,1 bilhões por ano, e cujo comando já foi alvo de duras disputas tendo Cunha à frente.

Com O Globo