domingo, 31 de julho de 2011

A última dor


A última dor

Rogel Samuel



Ele se predispõe: «Posso escrever os versos mais tristes esta noite», diz, e pode, que produziria versos tristes como a noite, mas a noite não está triste, a noite está estrelada, sim, «e tiritam, azuis, os astros, à distância».

Há algo muito distante, lá longe, nos astros, na distância das estrelas. Na realidade, distante está o Amado de amar: «Eu a quis e por vêzes ela também me quis.»

Exercendo o que mais o lirismo sabe fazer, ele se lembra: «Eu a tive em meus braços em noites como esta. / Beijei-a tantas vêzes sob o céu infinito.»

Sim, perdida está, seu lirismo, sua lembrança, «Ela me quis e às vêzes eu também a queria.»

Mas esta estranha palavra, essa estranha temporalidade, o que se interpõe: «às vezes». E o poema continua, sempre nas suas mudanças de humor, na bela tradução de Domingos Carvalho da Silva:


«Como não ter amado seus grandes olhos fixos?

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Pensar que não a tenho. Sentir que já a perdi.

Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela.
E desce o verso à alma como ao campo o rocio.

Que importa se não pôde o meu amor guardá-la.
A noite está estrelada e ela não está comigo.

Isso é tudo. À distância alguém canta. À distância.
Minha alma se exaspera por havê-la perdido.»


Pablo Neruda nunca foi tão simples, nunca tão perfeito, tão clássico como neste poema, o «20» dos «Vinte poemas de amor», de 1968.

Lá, parece que o Amado só se apercebe de que ela se foi quando a perdeu. Não a vê de perto, em si, há referência a uma mulher-lua, a um luar:

«A mesma noite faz branquear as mesmas árvores.
Já não somos os mesmos, nós os de outros dias.»

Esta obra da juventude de Neruda, que tinha 20 anos. Ele teve diversos amores em vida, as mais conhecidas foram Maria Antonieta Hagenaar, que ele conheceu na ilha de Java, Maria Del Carril e Maria Matilde Urrutia. O poema se encontra no seu livro «Veinte Poemas», seu mais popular e famoso livro, de 1924, que vendeu mais de um milhão de exemplares. Afinal, em 1971, Neruda ganha um Prêmio Nobel.
Mas o livro é a leitura preferencial, ideal de todos os jovens (e velhos) amantes do mundo inteiro em todas as línguas, pois para quase todas foi traduzido.
Em 1950, Neruda produziu seu CANTO GENERAL, monumental obra com 340 poemas, quando tematiza a América Latina, sua luta, sua pobreza, sua libertação. Lá se encontra o famoso poema «Alturas de Macchu Picchu», escrito depois de sua visita às ruínas de Macchu Picchu, em 1943. Ali ele se torna a voz dos povos Incas que ali viveram, que ali foram dizimados.

No poema 20, dos « Veinte Poemas», o amado está confuso, ela já não o ama, é isto o que verdadeiramente dói, apenas ele está triste porque ela não está ali: porque ela existia ali ele será capaz de entristecer-se, porém já não a ama, «talvez a queira», não sabe, porque o amor é breve, longo é o esquecimento do amor.
Afinal ele se desespera por havê-la perdido, mas sente e sabe o caso perdido, terminado, e que aqueles versos serão os últimos e que aquela dor será a última dor que ela lhe cause.
O mais é o espaço amplo da noite, as estrelas ao largo, o vento da grandeza escura, a solidão estelar onde será possível escrever os versos mais tristes, pensar que ela será de outro, para justificar o perdê-la, para justificar o não saber amá-la, porque o amor só ama o amor, e a voz que soa nos seus ouvidos dela são para o eco de si mesmo, aos seus olhos infinito

«Já não a quero, é certo, quanto a quis, no entanto.
Minha voz ia no vento para alcançar-lhe o ouvido.

De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos.
Sua voz, seu corpo claro, seus olhos infinitos.

Já não a quero, é certo, porém talvez a queira.
Ai, é tão breve o amor e é tão extenso o olvido.

Porque em noites como esta eu a tive em meus braços,
minha alma se exaspera por havê-la perdido.

Mesmo sendo esta a última dor que ela me cause
e êstes versos os últimos que eu lhe tenha escrito. »

Enfrentamento da crise





Enfrentamento da crise

O cenário internacional está em franco processo de deterioração. Diante desse cenário, o Brasil deve se defender, baseando sua força no desenvolvimento do seu mercado interno e na posição estratégica que tem nas commodities e alimentos que contribuem tanto interna quanto externamente nas exportações. O governo deve priorizar o abastecimento interno das commodities e alimentos regulando os volumes exportados para que não faltem ao consumo. O que sobrar é que deve ser destinado à exportação. O artigo é de Amir Khair.

Amir Khair


As análises conservadoras atribuem peso excessivo à ameaça da inflação. Como antídoto recai no velho chavão de que o governo está gastando em excesso, o crescimento está elevado demais e que isso obriga o Banco Central (BC) elevar a Selic para conter o excesso da demanda criada pelo governo. É a política do pé no freio da economia para conter a inflação. É sempre a mesma ladainha. O que na realidade querem é que a Selic suba para dar mais lucro financeiro aos que aplicam nos títulos do governo federal.

Isso vem se repetindo há anos e o custo dessa política de taxas de juros elevada atingiu nos últimos doze meses até maio R$ 220 bilhões (5,7% do PIB). Esse custo na média mundial é de 1,8% do PIB.

Essas análises parecem desconhecer que o que está elevando as despesas do governo são os juros e essa elevação é bem superior à própria capacidade do governo em crescer suas despesas.

Assim essas análises são totalmente desprovidas de sentido, mas por serem as mais difundidas pela mídia acabam por iludir a opinião pública para não focar a causa central dos problemas criados pelo BC e pelo mercado financeiro que são as taxas de juros Selic e taxas de juros dos bancos, as mais altas do mundo e que impedem o País de ter os recursos necessários para enfrentar os elevados déficits sociais e de infraestrutura.

Na China a taxa básica de juros equivalente à Selic é de 3% e a taxa de juros ao consumidor de 6% ao ano. Aqui, a taxa de juros média cobrada do consumidor pelos bancos foi de 46,1% em junho, ou seja, oito vezes maior do que a chinesa.

Nos empréstimos do cheque especial entre os maiores bancos em 18 de julho, segundo dados do BC, foi de 167% na Caixa Econômica Federal, 175% no Banco do Brasil, 176% no Itaú e Bradesco e 219% no Santander. Agiotagem em alto grau, inclusive nos bancos oficiais.

O governo tem o poder de limitar essas taxas de juros, mas não enfrenta o mercado financeiro e tem que dar nó em pingo d’água para conduzir a economia dentro dessas distorções que afetam o poder de compra dos consumidores e as empresas que dependem de capital de giro para viabilizarem seus negócios.

Cenário externo
O cenário internacional está em franco processo de deterioração. A dívida dos EUA, mesmo se ampliada pelo Congresso, já arranhou a imagem do país e passou a ser motivo de preocupação para todo o mundo. Os americanos viveram artificialmente um super consumo irrigado a crédito barato e, agora se encontram endividados, tendo que conter a volúpia consumista. Como 70% do PIB dos EUA dependem do consumo, a tendência é de estagnação por vários anos. Para agravar esse quadro, as despesas militares não cabem mais no orçamento americano e, quanto mais tempo permanecerem tentando impor sua hegemonia militar, com tropas espalhadas pelo mundo, pior será.

Na Europa a falta de entendimento entre o Banco Central Europeu (BCE), os governos da Alemanha e França e os bancos privados para tentar contornar a crise grega evidenciou a fragilidade da zona do euro. A tendência é permanecer estagnada a economia por vários anos e com riscos de default da Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha e Itália, atingindo o sistema bancário dentro e fora da zona.

Estratégia de enfrentamento da crise
Diante deste cenário, o Brasil deve se defender, baseando sua força no desenvolvimento do seu mercado interno e na posição estratégica que tem nas commodities e alimentos que contribuem tanto interna quanto externamente nas exportações.

O governo deve priorizar o abastecimento interno das commodities e alimentos regulando os volumes exportados para que não faltem ao consumo. O que sobrar é que deve ser destinado à exportação.

Quanto aos preços das commodities o governo deve assumir a posição estratégica de aproveitar as cadeias produtivas que têm no topo as commodities, para agregar valor e empregos nas empresas à jusante dessas cadeias.

No comércio exterior o melhor caminho é continuar sua política externa no rumo dos países emergentes, que apresentam crescimento econômico e defender nossas empresas da invasão de produtos importados ilegalmente por dumping e triangulação da China usando outros países para suas exportações ao Brasil.

Para tentar controlar o câmbio o governo resolveu atuar sobre o mercado futuro com medidas mais fortes e que podem reduzir a especulação com os derivativos. O CMN impôs três medidas, que poderão conter os movimentos especulativos sobre o real.

A primeira medida foi cobrar 1% de IOF quando os investidores ampliarem suas apostas na valorização do real, que excederem US$ 10 milhões. Junto, a ameaça é que o IOF pode ir até 25% se o governo achar necessário.

A segunda é exigir o registro de todas as operações com derivativos. Com isso, espera ter mais transparência e controle sobre esses negócios.
A terceira taxa em 6% de IOF os financiamentos superiores a 720 dias que forem antecipadamente resgatados.

Essas decisões, embora acertadas, não irão coibir a maior fonte de ingressos de dólares pela porta dos investimentos diretos de estrangeiros (IDE), que não pagam o IOF de 6%. O BC poderia controlar essas operações antes da internação dos dólares pelo depósito obrigatório em sua conta no exterior, só liberando cada entrada ao fluxo de caixa necessário ao investimento a ser feito no Brasil. Não o faz e, assim, os dólares que entram se transformam em reais e podem ser aplicados na Selic gerando lucros financeiros que são remetidos para a matriz estrangeira. Isso ficou evidenciado na anormal elevação do IED nos primeiros cinco meses deste ano em comparação com o mesmo período de 2010. Atingiram 138% (!)

Para completar a defesa cambial do País é necessário que a Selic vá para o nível internacional rapidamente, para coibir toda e qualquer operação de carry trade (aplicação financeira que consiste em tomar dinheiro a uma taxa de juros em um país e aplica-lo em outro, onde as taxas de juros são maiores).

O controle inflacionário deve ser feito via metas de inflação, através das medidas macroprudenciais, que podem calibrar o crédito e o valor das prestações (o que a Selic não consegue), adequando o crescimento da oferta de empréstimos à evolução da massa salarial, para ter sob controle a inadimplência.

Em apoio ao controle inflacionário e melhoria do comércio exterior, o governo deve agir mais sobre as importações via impostos, preços mínimos, quantitativos máximos, como fazem os demais países para a proteção de suas empresas e/ou da população contra os preços abusivos internos.

Dilma deve por o mercado financeiro e o BC a favor da economia e da sociedade, limitando as taxas de juros e tarifas bancárias extorsivas e trazer a Selic ao nível internacional até meados de 2012.

Se a presidente assumir esse enfrentamento terá o apoio da sociedade e se livrará das amarras que até agora vem impedindo aproveitar o imenso potencial material e humano que o Brasil possui.

Felizmente, algumas iniciativas governamentais estão indo na direção desejável.

Moralização - Priorizar a gestão e enfrentar a corrupção, como as do DENIT, terá apoio da sociedade, trunfo necessário para enfrentar ameaças no Congresso, que refluem quando a mídia denuncia a corrupção. É assim, que se constrói seriedade e ponto de partida para cortar desperdícios de recursos públicos, permitindo alocá-los onde as carências são flagrantes.

Estímulo - Algumas medidas foram tomadas na direção do desenvolvimento ao deslanchar programas sociais, como a elevação dos valores do Bolsa Família, o lançamento do Brasil sem Miséria e a segunda fase do Minha Casa Minha Vida.

Pode contribuir o lançamento do "Programa de Inovação do Brasil", referente à política de desenvolvimento da competitividade, com incentivo à exportação de manufaturados e assentar os pilares da política industrial, na exigência de maior conteúdo local, agregação de valor, compras governamentais e política de defesa comercial.

Dia 9, a presidente disse que anunciará "uma boa melhorada" no Super Simples, que prevê a unificação de oito tributos - seis federais, um estadual e um municipal. Ele atinge a maioria das empresas.

São iniciativas pró-desenvolvimento, mas insuficientes para os desafios da crise internacional, que se aprofunda e poderá se estender por vários anos.

(*) Mestre em finanças públicas pela FGV e consultor

A MATEMÁTICA QUE ENCORAJA E AO MESMO TEMPO APAVORA.


A MATEMÁTICA QUE ENCORAJA E AO MESMO TEMPO APAVORA.


Os democratas de Obama tem 53 cadeiras no Senado norte-americano composto de 100 representantes do povo. Portanto, tem maioria: 50 votos mais 3 .Pela Constituição, trata-se de uma maioria insuficiente para aprovar projetos de envergadura, como a elevação do endividamento fiscal que magnetiza as atenções do mundo e requer o apoio de 60 senadores para ser implementada. Obama precisa atrair mais sete votos republicanos para fechar a conta. O número, modesto, ao mesmo tempo em que encoraja a aposta num desfecho bem sucedido, desconcerta pela fragilidade que escancara. O Presidente da maior potencia capitalista da terra se arrasta de concessão em concessão rumo à autodissolução ideológica para atrair o irrisório apoio de sete republicanos. Pior ainda, enfrenta dificuldades nas derradeiras horas que lhe restam no calendário: 43 dos 47 congressistas republicanos afirmaram em carta aberta, neste sábado, que não apoiarão o pleito de Obama. É assustador.
(Carta Maior; Domingo, 31/07/ 2011)

Votação sobre teto da dívida americana é adiada em 12 horas


Votação sobre teto da dívida americana é adiada em 12 horas
Líder dos democratas no Senado, Harry Reid pediu mais tempo para tentar negociar acordo com os republicanos. Votação deve acontecer a partir das 13h de hoje

EFE |


Votação sobre teto da dívida americana é adiada em 12 horas Líder dos democratas no Senado, Harry Reid pediu mais tempo para tentar negociar acordo com os republicanos. Votação deve acontecer a partir das 13h de hoje


O porta-voz da maioria democrata no Senado dos Estados Unidos, Harry Reid, decidiu neste sábado adiar para o domingo a votação de seu plano sobre o teto da dívida para dar tempo às negociações com os republicanos sobre um acordo bipartidário que evite a moratória, no dia 2 de agosto.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, voltou a negociar com legisladores democratas e republicanos para elevar o teto da dívida, enquanto os planos de ambos os partidos para alcançá-lo desmoronavam nas duas câmaras. Em um fim de semana-chave para evitar que o Tesouro americano declare parcialmente a moratória na próxima terça-feira, a obstrução protagonizou neste sábado as tensas negociações mantidas por Casa Branca e Capitólio.

Em uma agitada votação, a Câmara de Representantes (Deputados), de maioria republicana, rejeitou por 246 votos a 173 a proposta democrata para aumentar o teto da dívida, que agora se situa em US$ 14,3 trilhões, antes mesmo que o Senado iniciasse os trâmites para votá-la.

Os republicanos optaram assim por devolver o golpe que o Senado havia dado na sexta-feira à proposta do presidente da Câmara, John Boehner, ao bloqueá-la pouco depois de ter sido aprovada nesse plenário.


O líder da minoria republicana no Senado, Mitch McConnell, afirmou em entrevista coletiva concedida após a votação que havia falado neste sábado por telefone tanto com o vice-presidente, Joe Biden, quanto com Obama, e opinou que o governante deveria estar presente em qualquer negociação para chegar a um consenso. "Acredito plenamente que alcançaremos um acordo em um futuro muito próximo", declarou McConnell, enquanto Boehner destacou que os americanos podem ficar seguros de "que esta crise acabará e que não haverá moratória".

Esse otimismo contrastou com a frustração que Reid expressou mais tarde no plenário do Senado, após uma visita à Casa Branca ao lado da líder da minoria democrata na Câmara, Nancy Pelosi.

Os dois legisladores se reuniram com Obama pouco depois que o plano de Reid foi rejeitado, mas não foram divulgados detalhes sobre o encontro. "Não é certo que estamos perto de um acordo significativo", disse Reid no Senado após a reunião. "E se estamos hoje aqui, é por uma singela razão: o obstrucionismo", acrescentou.

O líder democrata passou a manhã imerso em conversas com os republicanos para garantir o êxito da votação programada para a madrugada do domingo (1h do horário local, 2h de Brasília), um voto de procedimento para limitar o debate e assegurar que a medida seja votada definitivamente nas primeiras horas da segunda-feira. Para isso, Reid necessita de uma maioria de 60 votos, o que obriga os democratas, que controlam a Câmara, a garantir o respaldo de pelo menos sete republicanos.

Esse objetivo pareceu distante neste sábado quando McConnell entregou a Reid uma carta na qual 43 dos 47 senadores republicanos se comprometiam a votar contra nesta madrugada. Nos últimos dias, Reid modificou seu plano para acrescentar elementos propostos por McConnell, e seu projeto agora inclui uma elevação da dívida em duas fases, até chegar aos US$ 2,4 trilhões, e uma redução do déficit em US$ 2,2 trilhões na próxima década.

No entanto, a proposta carece de um mecanismo que estabeleça a forma de atuação se o Congresso não conseguir reduzir o déficit nos níveis esperados, o que se transformou no principal argumento de muitos republicanos para rejeitar o plano. "É hora de acabarmos com este teatro do absurdo", disse após a votação na Câmara dos Representantes uma decepcionada Nancy Pelosi, que fez um apelo aos legisladores de ambos os partidos para que priorizem uma solução "real".

sábado, 30 de julho de 2011

Amanhã pode nunca chegar!




Amanhã pode nunca chegar!


por Dzogchen Ponlop Rinpoche‏


Consciência pura,
Genuinamente livre de nascimento e morte.
Mente dualista,
Solidifica ontens e amanhãs.
Vajra veículo,
Aspira despertar nesta vida.
Não pisque,
Esta vida pode ser apenas este momento.
Sangha sorte,
Aproveitar cada momento precioso.
Presente momento,
É o cruzamento entre o samsara
e nirvana.
Acorde Vajra sangha,
Nossa única esperança de despertar pode estar
neste momento.
porque,
Amanhã pode nunca chegar!


Composed on the occasion of the death of Patty Rivas, Mexico Nalandabodhi sangha member. Hong Kong, January 11, 2008.

AOS 103 ANOS

Aos 103 anos, mulher começa a estudar no interior da Bahia


Aos 103 anos, mulher começa a estudar no interior da Bahia
Independente, lúcida e ainda dando tragos no seu cachimbo, Dona Beduína já aprendeu a escrever o primeiro nome

Thiago Guimarães, iG Bahia

A aluna mais aplicada do curso de alfabetização de adultos em São Sebastião do Passé (68 km de Salvador) não perde um dia de aula. Sob sol ou chuva, caminha 200 metros até a escola, quatro noites por semana. Enquanto conhece letras e números, divide lembranças raras: a morte do cangaceiro Lampião, Primeira Guerra Mundial, a “grande seca” de 1932 na Bahia.

Foto: Thiago Guimarães/iG Ampliar

Maria Joviniana e a bisneta na sala de aula em São Sebastião do Passé, no interior da Bahia: "Nunca me dediquei a estudar, e não tinha escola como tem hoje".

Maria Joviniana dos Santos tem 103 anos, como atestam 19 comprovantes de votação bem gastos que faz questão de mostrar. Nasceu em 15 de julho de 1908, no Brasil que vivia o quinto governo da República, somava 20 anos sem escravidão e apenas 600 carros - importados - pelas ruas.

Dona Beduína, como é conhecida, atendeu ao chamado de uma educadora de 33 anos que, em fevereiro deste ano, passou por sua rua recrutando alunos para um programa de alfabetização do governo estadual. “É ruim ver a palavra de Deus e não saber explicar, ver uma receita médica, não saber que dia é. Eu disse: não estou fazendo nada, vamos ver se aprendo alguma coisa”, diz a centenária.


É ruim ver a palavra de Deus e não saber explicar, ver uma receita médica, não saber que dia é. Eu disse: não estou fazendo nada, vamos ver se aprendo alguma coisa"

Com lucidez e energia notáveis, dona Beduína conta que teve poucas possibilidades de estudar - chegou a cursar o extinto Mobral, programa de alfabetização do regime militar, mas a experiência durou pouco. “Nunca me dediquei a estudar, e não tinha escola como tem hoje.”

A trajetória da baiana do Recôncavo acompanhou a de São Sebastião do Passé, embora tenha nascido antes da criação oficial do município, em 1926. Viveu de fazenda em fazenda com o pai, que era caseiro, ao sabor dos resultados nas roças de mandioca, principal cultivo local. A cultura declinou diante da pecuária, o pai foi ser carroceiro em Salvador e a menina ficou com a avó, parteira, em Lameirão do Passé, distrito a 18 km da sede da cidade.

Dos tempos com a avó, Joviniana conta das mangabas - fruto cultivado há séculos pelos povos do sertão brasileiro - que catavam e reuniam em latas para vender. Havia também o coco e o óleo da piaçava, espécie nativa baiana, e a água que a avó buscava longe para as casas mais abastadas, naqueles tempos sem encanamento. “Botava água para ganhar um litro de farinha, um pedaço de carne. Disso a gente ia vivendo.”

A memória também evoca fatos históricos, como a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e os tios que se jogavam em rios para fugir dos “carros forrados com lona verde” do recrutamento “porque não tinha esse negócio de ir para a guerra”. Canta “Salve a Princesa Isabel”, samba de 1948 de Paquito e Luis Soberano, e se lembra do jornal que estampava as cabeças cortadas do bando de Virgulino Ferreira da Silva, o cangaceiro Lampião, morto em 1938. “Ele era uma boa pessoa”, diz.

Dona Joviniana conta que só desmaiou quando filho virou policial
Embed

Aulas em família

Na sala da escola estadual Luís Eduardo Magalhães, dona Beduína já escreve o primeiro nome. “Ela conta muitos casos. Se deixar, acho que até dá aula, mas é bastante concentrada na hora da atividade”, diz a estudante de pedagogia Francisca Ferreira, professora da turma de 20 alunos de 22 a 103 anos, a maior parte entre 50 e 60 anos.


Desisti da irmandade porque não dorme com marido, não bebe cachaça, não fuma, não come carne"

Joviniana é um dos 351 alunos em São Sebastião do Passé do Topa (Todos pela Alfabetização), programa do governo Jaques Wagner (PT). A iniciativa reflete velhos problemas da educação do País – os professores do programa, todos voluntários, ainda não receberam em 2011 a ajuda de custo mensal de R$ 250. A Secretaria da Educação da Bahia informou que os repasses estão atrasados porque a prefeitura de São Sebastião do Passé não confirmou dados de presença dos docentes. A prefeitura disse estar providenciando as informações.

Para além das dificuldades, o exemplo da estudante centenária animou Maria da Silva dos Santos, 59 anos, que também passou a frequentar as aulas e caminha de mãos dadas com a amiga até a escola todos os dias. Outra colega é Maria Cecília dos Santos, 58 anos, uma das sete filhas de dona Beduína. Ao todo, a matriarca teve quatro maridos (o último morreu há cerca de dez anos) e 17 filhos, dos quais 14 estão vivos, espalhados por cidades do entorno de Salvador e em São Paulo. São 92 netos, e a família já perdeu a conta dos outros descendentes.


A Bahia é o Estado com mais brasileiros centenários – são 3.525 ao todo, segundo o censo 2010 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) - entre eles, dona Canô, mãe do cantor e compositor Caetano Veloso. Dona Beduína diz que ajuda a compor a estatística com muito feijão. “Como feijão ao meio-dia, à noite. É meu café.”

Joviniana também dá seus tragos de cachimbo até hoje. “Solta o catarro da garganta e desentope o ouvido”, diz. Conta que já gostou de cachaça e “muita pimenta”, mas agora só de vez em quando.

Ela afirma que até pensou em fazer parte, quando jovem, de uma irmandade, associações religiosas de caráter comunitário. “Desisti da irmandade porque não dorme com marido, não bebe cachaça, não fuma, não come carne.”

Dona Beduína vive apenas com um neto de 26 anos. Uma filha mora ao lado, mas a centenária é independente. Serve café, conversa com a reportagem e se prepara para mais uma noite de aula – o curso de alfabetização, de 360 horas, vai até o final do ano. “A gente nessa idade ficar dentro de casa é muito ruim, a doença toma conta. Vamos para ver se ainda aprendo alguma coisa.”

Brasil e América do Sul já se preparam para calote na dívida dos EUA





Brasil e América do Sul já se preparam para calote na dívida dos EUA

Impasse sobre dívida dos Estados Unidos deixa América do Sul em alerta. Países temem invasão de dólares de especulador em fuga dos EUA, com conseqüências desastrosas para indústrias locais. No Brasil, governo se deu superpoderes para supervisionar especulação. No continente, ministros da economia vão discutir proteção conjunta em duas reuniões em agosto. Problemas econômicos globais foram o tema principal de encontro da presidenta Dilma Rousseff com a colega argentina, Cristina Kirchner, nesta sexta-feira (29/07). Dilma criticou "imobilismo político" dos EUA frente à iminente crise da dívida.

André Barrocal


BRASÍLIA – O Brasil e os demais países da América do Sul começam a se preparar para um desfecho da crise da dívida norte-americana com potencial para causar estragos pela região. Se o governo Barack Obama for empurrado para o calote, o continente aposta que os especuladores em fuga dos Estados Unidos e atrás de lucros fáceis vão querer invadir a região. Neste cenário, o preço das moedas de cada país ficaria mais caro, afetando as exportações nacionais a produzindo uma avalanche de importações.

Para tentar proteger o Brasil de uma enxurrada de dólares, o governo armou-se dando amplos poderes aos ministros da Fazenda e do Planejamento e ao presidente do Banco Central (BC) para intervir no chamado “mercado de derivativos”, paraíso da especulação. A trinca, que forma o Conselho Monetário Nacional (CMN), poderá impor limites de valores e de prazos para a compra e venda de dólares e taxar os contratos em até 25%.

Já os chefes de Estado e governo da América do Sul decidiram nesta quinta-feira (28/07), no Peru, onde estiveram para a posse do novo presidente daquele país, Ollanta Humala, que seus ministros da economia vão se reunir nos dias 4 e 5 de agosto, em Lima, para discutir com se proteger dos efeitos de uma possível nova etapa na crise global. Um outro encontro acontecerá no dia 11 de agosto, em Buenos Aires, desta vez, com a presença dos presidentes dos bancos centrais.

Os atuais problemas da economia mundial foram o tema principal da reunião que as presidentas do Brasil, Dilma Rousseff, e da Argentina, Cristina Kirchner, tiveram nesta sexta-feira (29/07), em Brasília, durante visita oficial da argentina.

Em declaração à imprensa depois da reunião, Dilma disse que a América do Sul se diferencia de “outras partes do mundo, hoje dominadas pela recessão, pelo desemprego, pelo caos financeiro e fiscal e, sobretudo, pela imobilidade política na resolução dos desafios que têm pela frente”.

Embora a presidenta não tenha especificado, a afirmação referia-se aos EUA, onde um impasse entre Obama e seus inimigos republicanos sobre a dívida norte-americana ainda não foi superado e deixa o mundo em estado de alerta. Segundo Dilma, a Unasul precisa mesmo discutir o assunto para “coordenar respostas à crise global” e para defender-se da “excessiva liquidez”, da “avalanche de manufaturas” e da “valorização de nossas moedas”.

Cristina concordou ser fundamental blindar a região contra o “ingresso de capitais especulativos” e adotar medidas comuns que defendam o “formidável” avanço social, no mercado de trabalho e na industrialização que, na opinião dela, tem ocorrido na região nos últimos tempos. “Temos que nos adiantar porque os tempos econômicos e dos mercados muitas vezes não são os tempos da política”, afirmou Cristina, sobre as duas reuniões econômicas da Unasul marcadas para as próximas semanas.

Xerife da especulação
No Brasil, o governo já se adiantou. Na última quarta-feira (27/07), em um pacote de medidas para conter o barateamento do dólar, o governo resolveu dar-se autorização para fazer intervenções maciças no “mercado de derivativos”. Uma medida provisória (MP) transformou o CMN numa espécie de xerife da especulação, com autoridade para fixar limites e prazos e até para proibir certas cláusulas contratuais na negociação de dólares.

Até agora, a supervisão dos derivativos era repartida entre a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o BC. Segundo o secretário-executivo do ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, ambos exercem tal controle conforme a perspectiva individual da área de jurisdição de cada um – investidores privados, no caso da CVM, e setor financeiro, no do BC. Nenhum tem uma visão mais ampla sobre os riscos mais gerais para o país (prejuízo causado a exportadores pelo dólar barato, por exemplo).

De acordo com Barbosa, esta postura do governo está em linha com as posições que o Brasil defende, desde a eclosão da crise financeira internacional em 2008, no grupo dos países mais ricos do mundo, o G-20, de mais transparência e regulação do mercado de derivativos.

Para ele, as incertezas sobre o futuro da dívida norte-americana justificam que o Brasil se prepare para o pior. “Uma situação de extrema liquideza internacional tem potencial de movimentos muito grandes e muito rápidos de capital para um lado ou outro. E, nesse momento, isso pode se refletir numa apreciação adicional do real que não é benéfica para a economia [brasileira]”, afirmou.

O mercado de derivativos tem potencial para bagunçar a economia brasileira e afetar o preço do dólar por causa do volume de negócios. Em junho, as transações com dólares atingiram US$ 376 bilhões, segundo a Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F). O valor é nove vezes maior do que a quantia movimentada pelo comércio exterior no período (US$ 42 bilhões, entre exportações e importações).

Apesar de a equipe econômica ter agora superpoderes de intervenção no mercado de derivativos, esse poder ainda não foi exercido. O CMN teve sua reunião mensal nesta quinta-feira (28/07), mas não baixou nenhuma norma.

A única medida do pacote cambial que concretamente já está em vigor é uma nova taxação, de 1%, sobre contratos de compra e venda de dólares acima de US$ 10 milhões. Os pagamentos devem começar a ocorrer a partir de outubro (mas serão retroativos a julho). Até lá, a equipe econômica vai fazer reuniões com entidades do sistema financeiros para explicar como funcionará a nova regulação dos derivativos.

Não te Fies do Tempo nem da Eternidade


Não te Fies do Tempo nem da Eternidade



Não te fies do tempo nem da eternidade

que as nuvens me puxam pelos vestidos,

que os ventos me arrastam contra o meu desejo.

Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,

que amanhã morro e não te vejo!



Não demores tão longe, em lugar tão secreto,

nácar de silêncio que o mar comprime,

ó lábio, limite do instante absoluto!

Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,

que amanhã morro e não te escuto!



Aparece-me agora, que ainda reconheço

a anêmona aberta na tua face

e em redor dos muros o vento inimigo...

Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,

que amanhã morro e não te digo...



Cecília Meireles, in 'Retrato Natural'
________________________
Amélia Pais
http://barcosflores.blogspot.com
http://cristalina.multiply.com

STRESS


DE JORNAL ALEMÃO

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Os EUA têm histórico esquecido de calotes


Os EUA têm histórico esquecido de calotes
Se ocorrer, default americano não será inédito; para a decepção dos catastrofistas, o mundo não acabará dessa vez

Patrick Cruz, iG São Paulo

Na tela da TV, apresentadores e entrevistados dissecam em tom funéreo a possibilidade de os Estados Unidos anunciarem o calote de sua dívida. O canal Bloomberg adicionou drama ao exibir em sua tela um relógio com a contagem regressiva para a quebra: quatro dias, seis horas, dois minutos, nove segundos (oito, sete, seis). Analistas usam expressões tão leves quanto “episódio sem precedentes” e “catastrófico”. O horror, o horror, o horror.

Obama tenta tapar buraco de US$ 1,5 trilhão no orçamento

Mas o mundo não acabará dessa vez. Se o Congresso não chegar a um consenso sobre a elevação do limite da dívida do país (atualmente de US$ 14,29 trilhões) até o dia 2 de agosto – e, assim, o calote for confirmado –, os EUA, que têm déficit orçamentário de US$ 1,5 trilhão, suspenderão o pagamento de suas obrigações. Os políticos têm alardeado o ineditismo dessa decisão e os mercados financeiros estão tensos com as consequências imprevisíveis, mas, em outras ocasiões, o default já ocorreu – e a vida seguiu.

Esse histórico esquecido de calotes norte-americanos começou em 1790. O país, ainda imberbe, tinha proclamado sua Constituição menos de três anos antes disso quando o recém-formado governo federal reestruturou os pagamentos dos bônus emitidos pelos Estados para financiar a guerra pela independência da Inglaterra. E foi um calote em obrigações internas e externas. “Os juros nominais foram mantidos em 6%, mas uma parte dos juros foi postergada por dez anos”, relatam Carmen Reinhart e Kenneth Rogoff em “The forgotten history of domestic debt” (A história esquecida da dívida doméstica), trabalho feito para a National Bureau of Economic Research, entidade privada de pesquisa de temas econômicos criada há quase 100 anos.

A lista de defaults ganhou novo item em 1933, o primeiro ano de Franklin Delano Roosevelt na presidência dos EUA. As finanças do governo ainda tinham uma ligação íntima com o ouro – e isso era particularmente verdade no caso dos bônus emitidos para financiar a participação norte-americana na Primeira Guerra Mundial. Esses papéis tinham uma cláusula que permitia a seus detentores optar por receber o pagamento em moedas feitas do metal precioso.

Mas como aqueles eram os dias da Grande Depressão, o governo, com a anuência do Congresso, desvalorizou o dólar e, no dia 5 de junho daquele ano, também decidiu que a cláusula do ouro não era mais válida. Como o metal era uma garantia contra a desvalorização da moeda, e como, com aquele ato, ele não seria mais usado pelo governo para honrar seus débitos, na prática, a desvalorização da moeda faria com que os detentores dos bônus recebessem menos dinheiro por esses documentos do que eles efetivamente valiam. Ações na Justiça contra a decisão chegaram à Suprema Corte, que, por cinco votos a quatro, ratificou a medida do governo. Estava decretada a moratória.

O ano de 1979 teve um quase-calote. A exemplo do que ocorre hoje, o Congresso demorou para votar a elevação do teto da dívida para US$ 830 bilhões. A proposta foi aprovada, mas não a tempo de o governo emitir cheques para todos os seus credores. Com isso, foram adiados os pagamentos que totalizavam US$ 122 milhões a investidores com títulos que venceriam em 26 de abril, 3 e 10 de maio daquele ano. O episódio foi considerado pelo Tesouro dos EUA não um calote (ainda que momentâneo), mas um problema técnico.

Houve ainda ocasiões em que Estados dos EUA deram calote. Entre 1841 e 1842, nove deles o fizeram. Depois, entre 1873 e 1884, nos recessivos anos pós-Guerra Civil, foram dez os caloteiros. No caso de West Virginia, um dos dez dessa lista, a liquidação das obrigações só ocorreria em 1919.

Há quem prefira dizer que os episódios passados seriam casos de “default técnico” e não têm a mesma dramaticidade da ameaça atual de moratória. Em 1790, a ação, orquestrada pelo secretário do Tesouro Alexander Hamilton, teria sido menos um calote e mais uma reestruturação de dívida, afirmam alguns pesquisadores. E, em 1933, os EUA postergaram unilateralmente suas obrigações, mas os pagamentos acabariam sendo feitos – ainda que não nos termos originalmente acordados.

Mas não havia, de qualquer forma, garantia de que os compromissos seriam honrados depois dos calotes (ou “defaults técnicos”). Carmen Reinhart e Kenneth Rogoff (professor em Harvard e ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional) atestam as moratórias no livro Desta vez é diferente: oito séculos de loucura financeira, de 2010.

“Contrair dívidas será quase que infalivelmente uma ação a ser tomada de forma abusiva pelos governos”, foi o que disse o filósofo David Hume há quase 250 anos no ensaio “Sobre o crédito público”. Endividar-se é da essência dos governos, atestou o escocês. Para os otimistas, há (como se vê) vida depois das moratórias. Para os pessimistas, o mundo vai acabar – mais uma vez.

Sargento do Exército acusado de atirar em jovem homossexual tem habeas corpus negado


Sargento do Exército acusado de atirar em jovem homossexual tem habeas corpus negado

o globo

RIO - O plantão Judiciário do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ) negou o pedido de habeas corpus do sargento do Exército Ivanildo Ulisses Gervásio que foi preso, na noite de quinta-feira, acusado de ter atirado em um jovem homossexual, em novembro do ano passado. O crime aconteceu no Parque Garota de Ipanema, no Arpoador, horas depois da parada gay de Copacabana.

O sargento responde por tentativa de homicídio e teve a prisão preventiva decretada na última segunda-feira, conforme antecipou a coluna do jornalista Ancelmo Gois .

No pedido de prisão, o juiz Murilo André Kieling, da 3ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio, decidiu pela prisão preventiva para preservar a ordem pública e a integridade das testemunhas do caso.

Douglas, que já não sai mais à noite e se mudou da casa da mãe, em Campo Grande, teme represália por parte dos militares. O jovem homossexual foi abordado por três militares do Forte de Copacabana, foi xingado, agredido fisicamente e ferido à bala no Parque Garota de Ipanema, no Arpoador. A vítima, agora com 20 anos, comentou a prisão do militar:

- Fiquei feliz com a notícia, mas também com muito medo. Deixei minha casa para fugir de tudo e tentar esquecer o que aconteceu. A notícia de hoje me fez lembrar de tudo. Será que ele vai querer se vingar? - questionou o rapaz, exibindo a cicatriz do tiro que levou na barriga.

O jovem lembra o momento em que foi abordado por três militares do Forte de Copacabana. Ele conta que foi xingado e agredido fisicamente pelo sargento Ivanildo mesmo depois de ter sido ferido:

- Depois de me dar um tiro, ele me levantou pelo colarinho e me chutou. Fui socorrido por amigos - contou o rapaz. - Acho que ele ficou irritado porque eu não fiquei gritando e chorando quando eles começaram o terror psicológico. Fiquei quieto. Jamais poderia imaginar que ele me daria um tiro.

Segundo a polícia, o militar que fez o disparo alegou que manuseava a arma apenas para intimidar o jovem. O sargento foi indiciado por tentativa de homicídio duplamente qualificado por motivo torpe e sem possibilidade de defesa da vítima, com dolo eventual. Os dois outros militares, segundo Douglas, não participaram do crime:

- Eles só fizeram terror psicológico. Um deles já tinha ido embora quando fui baleado.

De acordo com o Tribunal de Justiça, o juiz decretou a prisão do sargento alegando que foi um crime "com motivo torpe e com recurso que impossibilitou a defesa da vítima". O inquérito inicialmente foi para a Justiça Militar, mas foi transferido para a Justiça comum porque o delito foi praticado fora da área militar e contra um civil. Na Justiça Militar, o sargento chegou a ter a prisão decretada, mas depois o ato foi revogado.

Para o superintendente de Direitos Individuais, Coletivos e difusos da Secretaria estadual de Assistência Social e de Direitos Humanos, Claudio Nascimento, a decisão judicial foi uma vitória. A superintendência ajudou a identificar os militares e deu apoio psicológico para a vítima e testemunhas:

- A decisão certamente vai desestimular homofóbicos e estimular as denúncias.

Na quinta-feira aconteceu o julgamento do sargento pelo crime de abandono de posto na 3 Auditoria Militar. Ele foi condenado a oito meses de detenção e poderá apelar em liberdade.

Risco de calote dos EUA faz mercados falarem em "cataclismo"




Risco de calote dos EUA faz mercados falarem em "cataclismo"

Os Estados Unidos estão a uma semana de serem obrigados a suspender os pagamentos à sua administração pública, aos veteranos de guerra e a credores estrangeiros se o governo Obama e o Partido Republicano não resolverem a queda de braço em torno do limite da dívida pública. Fundo Monetário Internacional e Wall Street falam em "cataclismo" de âmbito mundial se esse cenário se concretizar. A dívida pública norte-americana é de 14,3 trilhões de dólares, equivalente a cerca de 100 por cento do PIB do país.

Esquerda.net


Existe a convicção de que as duas partes não irão até à ruptura mas reina o nervosismo nos mercados financeiros e respectivos símbolos, desde a diretora geral do FMI a Wall Street, que não hesitam em recorrer à palavra “cataclisma” de âmbito mundial se o cenário se concretizar.

São muitas as divergências entre Obama e os democratas de um lado e os republicanos, que dominam a Câmara dos Representantes, do outro. No entanto, que impede verdadeiramente o acordo é o calendário para integração do limite do déficit no orçamento. A Casa Branca insiste que a alteração deve fazer-se de uma só vez, válida até 2013, portanto já depois das eleições presidenciais do próximo ano. Os republicanos, através do presidente da Câmara dos Representantes, John Boehner, pretendem que a operação seja a dois tempos: um aumento até fevereiro ou março de 2012 e o outro até 2013.

Obama contesta porque, em seu entender, uma crise do mesmo tipo seria reaberta dentro de nove meses, praticamente já em plena campanha eleitoral; Boehner argumenta que o presidente “quer um cheque em branco”. Analistas políticos norte-americanos consideram que o duelo é uma verdadeira queda de braço com um conteúdo eleitoral em que ambas as partes testam reacções perante as suas próximas linhas econômicas e orçamentárias.

Na sequência de uma mensagem televisiva presidencial pedindo aos cidadãos para que pressionem seus representantes sobre a necessidade de se entenderem, Washington tem estado nas últimas horas sob uma tempestade de chamadas telefônicas e mails, sufocando comunicações, websites de representantes e agitando o Twitter através da campanha “Fuck You Washington”.

A dívida pública norte-americana é de 14,3 trilhões de dólares, equivalente a cerca de 100 por cento do PIB, e, mais do que a definição do limite da dívida, o que divide os dois partidos do sistema de poder norte-americano são os conteúdos das reduções de gastos que devem acompanhar esse aumento. Os republicanos pretendem cortes entre 2,7 e 3 trilhões e os democratas vão até 1 trilhão contando com mais 1,2 trilhões que viriam da retirada de tropas do Afeganistão e do Iraque.

Os números nem sempre dão uma ideia da envergadura dos montantes envolvidos, o que levou um website a defini-la graficamente a partir da acumulação de notas de cem dólares de modo a perfazerem o total da dívida do Estado federal norte-americano. Os resultados podem ser encontrados aqui.

As agências de classificação de risco, que mantêm a dívida norte-americana sob pressão, consideram que sem cortes de despesas de 4 trilhões de dólares não haverá condições para travar a “indisciplina orçamentária”.

A imprensa norte-americana recorda que desde que o aumento da dívida norte-americana se tornou vertiginoso, a partir das administrações Reagan nos anos oitenta, os limites já foram alterados cerca de 40 vezes, o que torna inusitado o prolongamento da resistência republicana em relação ao teto. Alguns órgãos da imprensa europeia lembram também que os alargamentos dos limites das dúvidas públicas são frequentes em Estados da União Europeia, inclusivamente na Alemanha, que em 1949 estabeleceu na sua Constituição um limite para o déficit e logo deixou de cumprir essa norma.

NOVO LIVRO DE JORGE TUFIC LANÇADO ONTEM

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Is Love An Art?



Is Love An Art?

Kathleen O’Dwyer asks if we can learn how to love, with Erich Fromm and friends.

“For one human being to love another; that is perhaps the most difficult of all our tasks, the ultimate, the last test and proof, the work for which all other work is but preparation” Rainer Maria Rilke.

“Your task is not to seek for love, but merely to seek and find all the barriers within yourself that you have built against it” Jelaluddin Rumi

Love is a universal human phenomenon: we all need to love and to be loved. An acknowledgement of this need is beautifully portrayed by Raymond Carver in his poem ‘Late Fragment’, from Staying Alive: Real Poems for Unreal Times:

And did you get what
You wanted from this life, even so?
I did.
And what did you want?
To call myself beloved, to feel myself
Beloved on the earth

However, love is also a uniquely personal experience which can never be fully articulated. From a philosophical viewpoint, the concept of love raises many questions: What does it mean to love? What is the relationship between love of self and love of others? Is love an instinctive emotion, or is it a decisive and rational commitment? In his best-selling 1956 book The Art of Loving, German philosopher and psychoanalyst Erich Fromm (1900-1980) examines these questions and others relating to love, and he puts forward a strong argument that love is an art which must be developed and practiced with commitment and humility: it requires both knowledge and effort. Fromm provides specific guidelines to help his readers develop the art of loving, and he asserts that “love is the only sane and satisfactory answer to the problem of human existence” (p.104, 1995 edition). This assertion carries a strong echo of the words of Sigmund Freud: “Our inborn instincts and the world around us being what they are, I could not but regard that love is no less essential for the survival of the human race than such things as technology” (from The Life Cycle Completed, Erik Erikson, 1998, p.20). Fromm puts forward a theory of love which is demanding, disturbing and challenging. He based it on the contradiction between the prevalent idea that love is natural and spontaneous – and consequently not requiring application or practice – and the incontestable evidence of the failure of love in personal, social and international realms.

The human need for love is rooted in our awareness of our individual separateness and aloneness within the natural and social worlds. This is one of the existential dichotomies which characterize the human condition: “Man is alone and he is related at the same time” (Fromm, Man for Himself, 1947). Many philosophers have addressed this paradoxical aspect of being human, and there has been a general consensus on the essential relationship between well-being, flourishing, even survival, and the experience of loving relationships and friendships. As the Irish poet Brendan Kennelly notes, “the self knows that self is not enough, / the deepest well becomes exhausted” (from Familiar Strangers). The possibility of love exists within an acknowledgement of this insufficiency.

According to Fromm, aloneness creates an experience of “an unbearable prison” which may be a significant source of anxiety, shame and unhappiness: “The deepest need in man, then, is the need to overcome his separateness, to leave the prison of his aloneness” (Art, p.8). Therefore, the individual continually reaches out for connection and communication with others; he or she strives to attain the experience of love.

Thus one’s existential aloneness and need for relationship and connection propels the desire for mutuality and intimacy on a variety of levels. However, when this desire is grounded in the belief that one’s fulfilment can be achieved through the devotion and support of another, the emphasis is placed on the experience of being loved rather than on loving, and the loving other is distorted and diminished in order to facilitate this. This need-based motivation is not Fromm’s understanding of love, and it does not answer the problem of human separateness.

Fromm claims that love has been widely misunderstood. According to his interpretation, love “is a relatively rare phenomenon and its place is taken by a number of forms of pseudo-love” (Art, p.65). For instance, the desire to escape aloneness may be expressed in a passive form of submission or dependence, wherein a person seeks an identity through another. Here, the individual renounces their responsibility and sense of self, and attempts to live through the perceived greatness or strength of the other. This mode of unhealthy relatedness may be experienced at a personal, social, national, even religious level. In all cases, the individual looks to another for the answers to the problems of living, and thus attempts to escape the challenges and demands of freedom and responsibility. There is often simultaneously the practice of domination and control on the part of the perceived more powerful partner. Yet the controlling partner is often equally dependent on the submissive other for the fulfilment of their own desire. Fromm interestingly points out that the two modes of living are frequently exercised by the same individual, submissive or dominating in relation to different people.

Such expressions of ‘love’ are synonymous with certain forms of romantic literature and music. ‘Love’ is cited as the motivation of both parties, based on the assertion that neither can live without the other. In either case, the individual is attempting to dispel the anxieties of aloneness and difference through a symbiotic or co-dependent union which places the focus of creative and productive living on a being outside the self: “for if an individual can force somebody else to serve him, his own need to be productive is increasingly paralyzed” (Man for Himself, p.64). Fromm describes such a union as ‘fusion without integrity’, and he considers it an immature form of love which is destined to disappointment and failure. Or in the words of W.H. Auden, “Nothing can be loved too much, / but all things can be loved / in the wrong way.”

At the root of such immature expressions of love is a predominantly narcissistic preoccupation with one’s own world, one’s own values, and one’s own needs. This precludes an openness to otherness and difference, and it diminishes the possibility of relationship, and thus of love, through an exclusive reference to one’s own perspective. The person who experiences life through such a narcissistic orientation inevitably views others either as a source of threat and danger, or as a source of usefulness and manipulation. From this perspective, the other – person or world – is not experienced as they are, but rather through the distorting lens of one’s own needs and desires.
True Love

In opposition to this naïve, selfish, drive to escape separateness and aloneness, Fromm insists that “paradoxically, the ability to be alone is the condition for the ability to love” (Art, p.88), and that the ability to experience real love is based on a commitment to the freedom and autonomy of both partners: “Mature love” he writes “is union under the condition of preserving one’s integrity, one’s individuality… In love the paradox occurs that two beings become one and yet remain two” (Art, p.16). Thus the need for connection is answered through a relatedness which allows us to transcend our separateness without denying us our uniqueness. According to the German poet Rilke, this is the only solution to the dichotomy of separateness and connection. Rilke argues that “even between the closest human beings infinite distances continue to exist, [but] a wonderful living side by side can grow up, if they succeed in loving the distance between them which makes it possible for each to see the other whole and against a wide sky” (Rilke on Love and Other Difficulties, p.34). Fromm says further that one must reach out to the other with one’s whole being: “Love is possible only if two persons communicate with each other from the centre of their existence” (Art, p.80).

According to Fromm’s interpretation, real love is motivated by the urge to give and to share rather than by a desire to fulfil one’s own needs or to compensate for one’s inadequacies. This is only possible if the individual is committed to a ‘productive orientation’ towards life, since a productive character is more concerned with giving than with receiving: “For the productive character, giving… is the highest expression of potency. In the very act of giving, I experience my strength, my wealth, my power. This experience of heightened vitality and potency fills me with joy. I experience myself as overflowing, spending, alive, hence as joyous. Giving is more joyous than receiving, not because it is a deprivation, but because in the act of giving lies the expression of my aliveness” (Art, p.18). However, in order to give, an individual must experience a sense of self, from which to draw that which is given: “What does one person give another? He gives of himself, of the most precious he has, he gives his life … he gives him of his joy, of his interest, of his understanding, of his knowledge, of his humour, of his sadness” (Art, p.19).

For Fromm, mature love is an act of giving which recognizes the freedom and autonomy of the self and the other, and in this sense, it differs radically from the passive, involuntary phenomenon suggested by the phrase ‘falling in love’. To Fromm there is a “confusion between the initial experience of ‘falling’ in love, and the permanent state of being in love, or as we might better say, ‘standing’ in love” (Art, p.3). Indeed, Fromm claims that the intensity and excitement which accompanies moments of infatuation is frequently relative to the degree of loneliness and isolation which has been previously experienced. As such, it is commonly followed, sooner or later, by boredom and disappointment. Many thinkers, from Freud to the contemporary philosopher J. David Velleman, also emphasise the blindness of romantic love. In contrast, mature love is an active commitment to and concern for the well-being of that which we love. “Love, experienced thus, is a constant challenge; it is not a resting place, but a moving, growing, working together” (Art, p.80).

Fromm’s theory of love demands commitment, humility and courage, as well as persistence and hope in the face of inevitable conflicts and difficulties. But how is mature love to be developed and practised? How are the pitfalls of resentment, disappointment and indifference to be avoided, or, at least, constructively managed and overcome? Fromm declares that the art of loving is based on the practice of four essential elements: “care, responsibility, respect and knowledge” (Art, p.21). These evoke a radically different response than that more commonly associated with romantic or sentimental love.

Care for the other implies a concern for their welfare characterised by our willingness to respond to their physical, emotional and psychological needs. This involves a commitment of time, effort and labour, which means responsibility. However, this commitment to care is tempered with a humility and openness which refrains from any attempt to mould the other to an image or ideal; it does not say ‘I know what is best for you’, but rather respects the autonomy and individuality of the other: “I want the loved person to grow and unfold for his own sake, and in his own ways, and not for the purpose of serving me. If I love the other person, I feel one with him or her, but with him as he is, not as I need him to be as an object for my use” (Art, p.22). Respect thus implies the absence of exploitation: it allows the other to be, to change and to develop ‘in his own ways’. This requires a commitment to know the other as a separate being, and not merely as a reflection of my own ego. According to Velleman, this loving willingness and ability to see the other as they really are is foregrounded in our willingness to risk self-exposure: “Love disarms our emotional defences; it makes us vulnerable to the other… in suspending our emotional defences, love exposes our sympathy to the needs of the other” (Self to Self: Selected Essays, 2006, p.95).
Love Variations

Of course, there are many kinds of love: sexual, parental and brotherly love are only some manifestations of the phenomenon, and are motivated by different desires, needs and hopes. But Fromm asserts that the experience of mature love has in all cases a similar foundation and orientation: if a mature attitude to love is being practiced, the other will not be an object to serve my purpose. The converse is also the case: Fromm refers to the various forms of subtle exploitation and manipulation which may be discerned behind the mere appearance or assertion of love. For example, sexual encounters may be primarily motivated by the desire for physical excitement, pleasure and release, or by the urge for domination or submission. In either case, the intimacy experienced is momentary and limited, and the relationship is not characterized by the core elements of care, responsibility, respect and knowledge, but by using the other as a means to an end. Parental love is assumed to be marked by the exercise of unconditional care, concern and devotion, and this is often the case. However, since Freud, we cannot ignore the idea that some parents are sometimes motivated by factors not conducive to the healthy growth of the child. For instance, whatever the reasons, when parental love is offered or withdrawn on conditional terms – obedience, compliance, success, popularity, pleasantness, etc – the child senses that he/she is not loved for his/her self, but only on the condition of being deserving. Psychoanalytic theory explores the lasting impact of such experiences for the resulting adult as the desire for unconditional love remains an unsatisfied craving.

Fromm offers a very interesting analysis of two possible approaches within the parental role. Using the images of ‘milk’ and ‘honey’, Fromm differentiates between a care-focussed love, and one which is imbued with vitality: “Milk is the symbol of the first aspect of love, that of care and affirmation. Honey symbolises the sweetness of life, the love for it, and the happiness in being alive” (Art, p.39). The ability to give honey-love is dependent on one’s sense of happiness and joyful engagement; hence, it is rarely achieved. The ensuing effect on the child is profound: “Both attitudes have a deep effect on the child’s whole personality; one can distinguish, indeed, among children – and adults – those who got only ‘milk’, and those who got ‘milk and honey’.” (Art, p.39). Perhaps this suggests a fifth element for Fromm’s list of the basic aspects of mature love. Care, responsibility, respect and knowledge are praiseworthy qualities in the loving person, an expression of a mature and genuine concern for the other; however, is there not a desire for something other than generosity and concern in the experience of love? Is there not a desire for ‘honey’ – for a sense of the lover having joy in the beloved, enjoyment in their very existence? Perhaps this is a necessary addition to Fromm’s already demanding view of love.

The concept of self-love is also a perennial subject of argument from philosophical, psychological and religious perspectives. Analysis ranges over the apparent dichotomy between our obligations to ourselves and to others, as well as interpretations of selfishness, narcissism and self-centeredness. In many cases, the issue rests on the varying interpretations of the phrase. The negative connotations of ‘self-love’ usually emanate from associations with an exclusive and obsessive focus on oneself and one’s world, and a disregard for anything outside this self-contained cosmos. In contrast, the idea of a healthy self-love posits no contradiction between love of self and love of others; rather, the former is seen as an essential starting point for the latter. This is Fromm’s view: “Love of others and love of ourselves are not alternatives. On the contrary, an attitude of love towards themselves will be found in all those who are capable of loving others. Love, in principle, is indivisible as far as the connection between ‘objects’ and one’s own self are concerned” (Art, p.46). So self-love and love of others are not mutually exclusive, but co-existent. Fromm strengthens this argument by pointing to the distortions which ensue when the conditions of self-love or self-acceptance are not met; the parent who sacrifices everything for their children, the spouse who ‘does not want anything for himself’, the person who ‘lives only for the other’. Fromm discerns such expressions of ‘unselfishness’ as often being façades masking an intense self-centredness and a chronic hostility to life which paralyses one’s ability to love self or others.

Fromm’s claim that love of self and of others is intricately linked, is based on his argument that love for one human being implies a love for all – when I love someone, I love the humanity of that person, therefore, I love the humanity of all persons, including myself: “Love is not primarily a relationship to a specific person: it is an attitude, an orientation of character which determines the relatedness of a person to the world as a whole, not towards one ‘object’ of love” (Art, p.36). Therefore this theory of love is opposed to exclusivity or partiality. In this sense, Fromm concurs with the concept of universal love. He argues that “if I truly love one person, I love all persons” (p.36).

This idea is rejected by Freud, who points to various historical manifestations of its incongruence, for example, “After St Paul had made universal brotherly love the foundation of his Christian community, the extreme intolerance of Christianity towards those left outside it was an inevitable consequence,” he writes in Civilization and Its Discontents on p.51. Freud’s argument rests on the premise that one cannot love everyone one meets. He also stresses the concrete and practical nature of love over universal theories. Friedrich Nietzsche states the case for that in his typically aphoristic style: “There is not enough love and kindness in the world to permit us to give any of it away to imaginary beings” (Human, All Too Human). Interestingly, Freud’s argument against the possibility of universal love echoes Fromm’s thoughts on care and responsibility; but Freud maintains that we cannot exercise these values on a universal scale, and would not choose to do so.

In his analysis of the concept of neighbourly love, contemporary philosopher and psychoanalyst Slavoj Žižek poses the question ‘who is the neighbour?’, and concludes that the injunction to ‘love thy neighbour’ and correlative preaching about universal love, equality and tolerance, are ultimately strategies to avoid encountering the neighbour in all their vulnerability, frailty, obscenity and fallibility: “it is easy to love the idealized figure of a poor, helpless neighbour, the starving African or Indian, for example; in other words, it is easy to love one’s neighbour as long as he stays far enough from us, as long as there is a proper distance separating us. The problem arises at the moment when he comes too near us, when we start to feel his suffocating proximity – at this moment when the neighbour exposes himself to us too much, love can suddenly turn into hatred” (Enjoy Your Symptom! Jacques Lacan in Hollywood and Out, p.8). Thus the popularity of humanitarian causes lies in their inherent paradox, whereby one can ‘love’ from a distance without getting involved. Žižek offers a pertinent challenge: “‘Love thy neighbour!’ means ‘Love the Muslims!’ OR IT MEANS NOTHING AT ALL!” (etext).

Velleman argues that human beings are selective in love because it is not constitutionally possible to know and so to love everybody: “One reason why we love some people rather than others is that we can see into only some of our observable fellow creatures” (Self to Self, p.107). Our choice of love objects is inevitably limited by our own limitations, but this is not to deny the potential value of others as worthy of love: “We know that those whom we do not happen to love may be just as eligible for love as our own children, spouses, and friends” (ibid, p.108). Perhaps the resolution of this apparent paradox resides in the humble acknowledgement that every person is worthy of love, but that our ability to love is limited to those whom we choose to know and cherish on a personal level. As Velleman says, “knowing the other is essential to love, and this, in part, points to ‘the partiality of love’: Personal love is… a response to someone with whom we are acquainted. We may admire or envy people of whom we have only heard or read, but we can only love the people we know” (Self to Self, p.10).
Love Begins and Ends

Fromm’s treatise on the art of loving is provocative and insightful. It exposes the myriad problems associated with the experience of loving and of being loved. It confidently asserts that love is essential to human flourishing and survival, while also highlighting the demands and responsibilities associated with its practice. Is Fromm’s understanding of love idealistic and unrealistic? I leave the final words to Carl Sandburg:

There is a place where love begins and a place where love ends.
There is a touch of two hands that foils all dictionaries.
There is a look of eyes fierce as a big Bethlehem open hearth furnace or a little green-fire acetylene torch.
There are single careless bywords portentous as a big bend in the Mississippi River.
Hands, eyes, bywords – out of these love makes battlegrounds and workshops.
There is a pair of shoes love wears and the coming is a mystery.
There is a warning love sends and the cost of it is never written till long afterward.
There are explanations of love in all languages and not one found wiser than this:
There is a place where love begins and a place where love ends – and love asks nothing.

(‘Explanations of Love’)

© Dr Kathleen O’Dwyer 2011

Kathleen O’Dwyer’s book The Possibility of Love: An Interdisciplinary Analysis (2009) is published by Cambridge Scholars Press. It’s a philosophical investigation into the complex experience of love.

Carlos Kleiber - Brahms Symphony No.4 (1st mov./ first part)

Roman Polanski, David Cronenberg, Steve McQueen e são apenas três, dos 26 nomes anunciados em antestreia mundial



Apesar de a apresentação oficial dos filmes para o festival de Veneza estar marcada apenas para quinta-feira, o britânico "The Guardian" acabou de anunciar o programa para a 68ª edição. Roman Polanski, David Cronenberg, Steve McQueen e são apenas três, dos 26 nomes anunciados em antestreia mundial: Polanski com "Carnage", protagonizado por Jodie Foster, Kate Winslet, Christoph Waltz e John C. Reilly, "A Dangerous Method", de Cronenberg, e o último filme de Steven McQueen, "Shame", nova colaboração com o seu actor de "Hunger", Michael Fassbender.

A edição deste ano, que se realiza de 31 de Agosto a 10 de Setembro, vai contar ainda com as estreias de "Dark Horse", de Todd Solondz e que conta no elenco com Mia Farrow, "Faust", do russo Aleksandr Sokurov e "Contagion" de Steven Soderbergh.

O filme "W.E." realizado por Maddona, que estamos habituados a vê-la em palco, e "Sal" que atirou James Franco para trás das câmaras para o papel de realizador, são dois dos outros filmes anunciados - o filme de Franco é uma biografia do actor Sal Mineo ("Rebel without a cause").

A estes juntam-se "Alps", de Yorgos Lanthimos, "A Burning Hot Summer", de Philippe Garrel, "Chicken With Plums", da dupla Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud, "The Exchange, de Eran Kolirin, "La Folie Almayer", de Chantel Akerman, "Himizu", de Sion Sono, "I'm Carolyn Parker: The Good, the Mad and the Beautiful", de Jonathan Demme, "Killer Joe", de William Friedkin, "Last Day on Earth", de Abel Ferrera, "The Moth Diaries", de Mary Harron, "Quando la Notte", de Cristina Comencini, "Seediq Bale", de Wei Te-sheng, "Terraferma", de Emanuele Crialese, "Texas Killing Fields", de Ami Canaan Mann, "Tinker, Tailor, Soldier, Spy", de Tomas Alfredson, "L'ultimo Terrestre", de Gipi, e "Wuthering Heights", de Andrea Arnold.

O realizador norte-americano Darren Aronofsky vai presidir ao júri da 68.ª edição do Festival de Cinema de Veneza que atribui o Leão de Ouro. O tailandês Apichatpong Weerasethakul vai presidir ao júri da secção paralela "Horizontes", onde concorrem os portugueses Teresa Villaver, com "Swan", e Gabriel Abrantes, com "Palácios de pena (The Last Generation of Portugal". Carlo Mazzacurati ficará responsável pelo júri do Prémio "Luigi de Laurentiis" para Melhor Primeira Obra, conhecida como o "Leão do Futuro", e a italiana Roberta Torre presidirá ao júri da secção "Controcampo Italiano".

O festival italiano vai ainda homenagear Al Pacino, que receberá o prémio Glory to the Filmmaker, pelo seu trabalho como realizador, no qual a organização vê "um original contributo para o cinema contemporâneo, e o italiano Marco Bellocchio, que receberá o Leão de Ouro de carreira por ser "um dos maiores nomes do cinema moderno". "The Ides of March", o filme protagonizado e realizado por George Clooney, foi o escolhido para a abrir a edição deste ano.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Passaram por amigos Humoristas brasileiros infiltraram-se no funeral de Amy Winehouse



O funeral de Amy Winehouse, que aconteceu esta terça-feira em Londres, foi apenas para a família e os amigos mais próximos mas afinal contou também com a presença de intrusos. Os brasileiros Daniel Zukerman, do programa televisivo de humor “Impostor do Pânico” da RedeTv, e André Machado, editor do programa, conseguiram entrar na cerimónia privada e às lentes dos fotógrafos passaram por dois amigos da cantora.


A fotografia dos dois, aparentemente emocionados, apareceu em centenas de jornais e sites de todo o mundo. A agência Reuters, responsável pela imagem e sua legenda, já pediu desculpas.

Aquela que parecia ser uma das imagens do funeral de Amy Winehouse e que representava a dor dos amigos presentes na cerimónia é afinal uma fraude. Os dois homens que aparecem na fotografia e que foram identificados pela Reuters como duas pessoas de luto abraçadas à saída do funeral são dois humoristas brasileiros, um deles, Daniel Zukerman, é já conhecido no Brasil pelas suas constantes invasões em acontecimentos fechados. Inspirado no francês Rémi Gaillard, conhecido pelas suas peripécias cómicas, Daniel já se tinha infiltrado no funeral de Michael Jackson, tentou a mesmo sorte no casamento do príncipe William com Kate Middleton e no Brasil conseguiu mesmo infiltrar-se no programa "Big Brother".

Em Londres, os dois humoristas apareceram vestidos de preto e com um quipá, utilizado pelos judeus como símbolo da religião e sinal de respeito a Deus. Entre abraços e choros os dois enganaram todos e passaram por convidados da cerimónia, chegando mesmo a dar entrevistas. “Perdemos uma amiga”, disse Daniel a uma televisão alemã, enquanto André chorava e pedia desculpa pela emoção.

A Reuters pediu entretanto desculpa pela confusão e por ter dado a informação errada que rapidamente se espalhou entre a comunicação social.

Nas redes sociais e na Internet o assunto já está a dar que falar. Há quem se ria e aplauda a proeza dos humoristas mas também são muitos os que criticam Daniel Zukerman e André Machado, acusando a dupla de não respeitar a morte da cantora.

O ‘calote’ americano


O ‘calote’ americano

EDITORIAL DO JORNAL EM TEMPO

Se o Congresso dos EUA não autorizar, hoje, a Casa Branca a se endividar além dos US$ 14,3 trilhões que já contraiu em empréstimos – quase o PIB do país –, contas deixarão de ser pagas.

Isto seria “terrível para o mundo”, definiu a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, as consequências de um calote americano.

É claro que a situação de hoje está ligada, também, à crise de 2008, quando um bando de vigaristas arrasou com a poupança do povo americano, com reflexos que ainda hoje são sentidos em todo o planeta.

Para a diretora-gerente do FMI “é óbvio que as consequências não vão parar na fronteira”, como aconteceu no pós-2008. O governo Barack Obama negocia o escalonamento do aumento da dívida.

Na primeira etapa, agora, o limite seria esticado até o início do ano, mediante cortes de gastos de US$ 1,2 trilhão. Depois, haveria nova votação para outra extensão de um ano, e novos cortes de US$ 1,8 trilhão. Na cola do presidente, os republicanos afirmam que os cortes previstos são insuficientes para equilibrar o Orçamento – estima-se que os EUA precisam cortar US$ 4 trilhões em dez anos.

Os EUA não conseguiram surfar na euforia da “marola” que bateu na praia do segundo mandato do presidente Lula. O otimismo lulista sequer permitiu que se refletisse sobre a “inundação” de uma classe média artifical de mais 35 milhões de consumidores.

Um otimismo que precisa ser revisto, como alertou ontem à presidente Dilma Rousseff, o empresário Jorge Gerdau Johannpeter, convidado por ela para ajudar a melhorar a gestão do Executivo. Ele mostrou preocupação com os rumos da política econômica do governo.

Em uma crítica à política cambial, ele afirmou que a desindustrialização “já está acontecendo” no Brasil, e defendeu o fim dos impostos cumulativos. A busca de capital estrangeiro – com juros altos – “precisa ter limites”.

”As políticas financeiras e econômicas vão ter que obedecer uma discussão de vontade política de que país nós queremos”, disse ele à presidente, atento a uma eventual “marola” que atravesse a fronteira americana em direção à América Latina.

JG de Araujo Jorge


Liberdade



A liberdade é o meu clarim de guerra

e eu sou, no meu viver amplo e sem véus,

como os caminhos soltos pela terra,

como os pássaros livres pelos céus.



Ela é o sol dos caminhos ! Ela é o ar

que os enche os pulmões, é o movimento,

traz num corpo irrequieto como o mar

uma alma errante e boêmia como o vento.



Minha crença, meu Deus, minha bandeira,

razão mesma de ser do meu destino,

há de ser a palavra derradeira

que há de aflorar-me aos lábios como um hino.



Liberdade: Alavanca de montanhas!

Aureolada de louros ou de espinhos

há de cingir-me a fronte nas campanhas,

há de ferir-me os pés pelos caminhos.



Sinto-a viva em meu sangue palpitando

seja utopia ou seja ideal, - que importa?

Quero viver por esse ideal lutando,

quero morrer se essa utopia é morta !



JG de Araujo Jorge

do livro O Canto da Terra – 1945)
________________________
Amélia Pais
http://barcosflores.blogspot.com
http://cristalina.multiply.com

terça-feira, 26 de julho de 2011

'Marcha da insensatez' da dívida dos EUA deixa governo 'apreensivo'





'Marcha da insensatez' da dívida dos EUA deixa governo 'apreensivo'

Impasse entre Barack Obama e seus inimigos republicanos sobre a gigantesca dívida norte-americana preocupa governo, que 'torce' por solução. 'Confesso minha apreensão', diz o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Com EUA e parte da Europa patinando na 'segunda fase' da crise financeira mundial de 2008/2009, governo prepara medidas tributárias e protecionistas em favor do setor industrial. Apesar do pessimismo sobre o exterior, previsões para o crescimento do Brasil continuam positivas, graças ao mercado interno.

André Barrocal


BRASÍLIA – A falta de solução para a dívida dos Estados Unidos começa a deixar o governo preocupado. O motor do crescimento brasileiro tem sido – e continuará sendo - o mercado interno, mas a piora da expectativa sobre o futuro dos países desenvolvidos, especialmente os EUA, prejudica a indústria e justifica adotar medidas tributárias e comerciais que o governo prepara e anunciará em breve.

“Confesso minha apreensão pelo rumo que as coisas estão tomando [nos Estados Unidos]”, disse nesta terça-feira (26/07) o ministro da Fazenda, Guido Mantega, durante reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, no Palácio do Planalto. “Torço para que eles resolvam essa situação”, que classificou de “grave”.

Para o ministro, o mundo assiste a uma “marcha da insensatez” nos EUA, cuja dívida é gigantesca (cerca de cinco vezes o tamanho da economia brasileira), não para de crescer, mas o mundo político não acha uma solução – subir impostos, cortar gastos ou fixar novos limites de endividamento. “Certamente existe um cenário político por trás disso”, disse Mantega, aludindo à guerra entre o presidente Barack Obama e seus inimigos republicanos por causa da eleição do ano que vem.

Na Europa, disse o ministro, o cenário não é muito diferente. Alguns países, como Grécia e Itália, vivem na pele uma segunda etapa da crise financeira mundial de 2008/2009. O problema, que era privado (dos bancos), tornou-se estatal (dos governos). A solução dessa nova crise “deve se arrastar pelos próximos anos”, para Mantega, mas já tem consequências práticas.

A principal delas, disse o ministro, é a “falta de mercado para manufaturas”. Como o mundo rico não cresce, fecham-se os espaços para produtos de maior valor agregado, e a competição se acirra. Neste quadro, corre-se o risco de um “vale-tudo” em busca de mercados. “Até os Estados Unidos estão sendo usados na triangulação para o Brasil. Os Estados Unidos têm hoje superávit comercial com o Brasil. Vamos tomar medidas importantes neste campo”, declarou.

A triangulação a que se referiu o ministro é a exportação de uma mercadoria a algum país antes de ser remetida ao Brasil, numa tentativa de driblar tarifas e burocracias maiores, caso o bem viesse direto de seu país de origem. Tem sido praticada sobretudo por empresas chinesas, que vinham optando por exportar para países do Mercosul e, logo em seguida, ao Brasil, porque os parceiros do bloco tem comércio facilitado. Agora, os chineses estariam recorrendo aos EUA.

Do ponto de vista das empresas brasileiras, o fechamento dos mercados internacionais para produtos industriais agrava-se com a ininterrupta queda do preço do dólar. Como o país continua crescendo, investidores e multinacionais seguem botando seus recursos no Brasil, em busca de lucros. No primeiro semestre, entraram US$ 50 bilhões de dólares no país, segundo dados divulgados pelo Banco Central (BC) nesta terça-feira (26/07). A cotação da moeda americana aproxima-se da casa de U$ 1,50.

Para tentar melhorar a competitividade das empresas, especialmente industriais, sem agir no dólar diretamente, o ministério da Fazenda estuda mudar a cobrança de contribuição previdenciária (que hoje incide sobre a folha de salários e passaria para o faturamento) e na legislação do ICMS, o principal imposto do país, que é estadual e possui 27 legislações diferentes. “Essa é uma prioridade decidida junto com a presidenta Dilma Rousseff”, disse Guido.

Apesar do cenário algo pessimista sobre o exterior, o governo aposta que, a exemplo do que ocorreu na primeira etapa da crise financeira mundial, o Brasil está preparado para se sair bem, porque a economia está sendo impulsionada pelo mercado interno, com geração de emprego e renda ainda elevada, mesmo que num ritmo menor do que o de 2010. O controle da inflação este ano está sendo feito sem sacrificar o mercado de trabalho.

"O importante é salientar que o controle da inflação, embora implacável, não chegou a derrubar a economia", disse mantega. "O atual crescimento é satisfatório para atender as necessidades dos jovens e da sociedade", completou.

Uma senhora de 98 anos chamada Irena faleceu há pouco tempo.


Uma senhora de 98 anos chamada Irena faleceu há pouco tempo.

Durante a 2ª Guerra Mundial, Irena conseguiu uma autorização para trabalhar no Gueto de Varsóvia, como especialista de canalizações.

Mas os seus planos iam mais além... Sabia quais eram os planos dos nazistas relativamente aos judeus (sendo alemã!)

Irena trazia crianças escondidas no fundo da sua caixa de ferramentas e levava um saco de sarapilheira na parte de trás da sua caminhoneta (para crianças de maior tamanho). Também levava na parte de trás da caminhoneta um cão a quem ensinara a ladrar os soldados nazistas quando entrava e saia do Gueto.

Claro que os soldados não queriam nada com o cão e o ladrar deste encobriria qualquer ruído que os meninos pudessem fazer.
Enquanto conseguiu manter este trabalho, conseguiu retirar e salvar cerca de 2500 crianças.

Por fim os nazistas apanharam-na e partiram-lhe ambas as pernas, braços e prenderam-na brutalmente.

Irena mantinha um registo com o nome de todas as crianças que conseguiu retirar do Gueto, que guardava num frasco de vidro enterrado debaixo de uma árvore no seu jardim.

Depois de terminada a guerra tentou localizar os pais que tivessem sobrevivido e reunir a família. A maioria tinha sido levada para as câmaras de gás. Para aqueles que tinham perdido os pais ajudou a encontrar casas de acolhimento ou pais adotivos.

No ano passado foi proposta para receber o Prêmio Nobel da Paz... mas não foi selecionada. Quem o recebeu foi Al Gore por uns dispositivos sobre o Aquecimento Global.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Rogel Samuel - Marilene Corrêa substitui Aderson Dutra na Academia Amazonense



Marilene Corrêa substitui Aderson Dutra na Academia Amazonense

Rogel Samuel


Excelente escolha da Academia Amazonense de Letras: Marilene Corrêa substitui Aderson Dutra na Academia Amazonense.

Ele é minha amiga dileta e a última vez que a vi foi em Paris, quando ela me ofereceu seu apartamento para hospedar-me,
já que eu estava tendo problemas com minha amiga francesa Annie Giraud, em casa de quem me hospedava sempre que estava em
Paris. Cara e querida Annie, cara e saudosa Annie, que já naquela época começava a ter problemas psicológicos. e que
sucidou-se poucos anos depois. Eu nada pude fazer por ela, estando tâo distante.

Marilene prontamente se ofereceu para me abrigar, mas eu já estava de volta para o Brasil.

Jantamos e bebemos vinho numa noite memorável. Inesquecível noite.

Agora fico realmente feliz por ter ela sido eleita para a cadeira de Áderson Dutra.


O Dr. Áderson Pereira Dutra nasceu no dia 27 de janeiro de 1922 em Parintins, no Amazonas. Seu pai era o Sr. Militão Soares Dutra e sua mãe a Senhora Jacy Pereira Dutra, que cheguei a conhecer.
Bacharelou-se em Direito aos 25 anos, em 1947, pela Faculdade de Direito do Amazonas. E em maio de 1949, dois anos depois, com 27 anos, torna-se Procurador da Fazenda Nacional no Amazonas, cargo que ele exerceu de maio de 1949 a julho de 1958.

Professor Catedrático de Direito Administrativo da Faculdade de Direito da Universidade do Amazonas, cargo que exerceu de julho de 1958 a janeiro de 1992. Foram 34 anos de Magistério. Aposentou-se aos 70 anos.

Um ano antes, em outubro de 1957, perante a Congregação da Faculdade de Direito do Amazonas tornou-se Doutor em Direito, mediante defesa de tese.

Em julho de 1958, deixa a Fazenda para assumir o cargo de Diretor-presidente da Companhia de Eletricidade de Manaus, que exerceu até abril de 1967.

Juiz do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas, de 1956 a 1960.

Ingressa na Justiça Federal como Juiz Federal no Amazonas de abril de 1967 a agosto de 1970, em Manaus.

De fevereiro a abril de 1967 foi Secretario de Justiça do Estado do Amazonas, no final do Governo de Arthur Cesar Ferreira Reis.
Este cargo volta a ser exercido por ele, de janeiro de 1987 a agosto de 1988, no início do Governo de Amazonino Mendes.
No período de outubro de 1970 a dezembro de 1976 torna-se Reitor da Universidade Federal do Amazonas.

Foi Procurador-geral de Justiça do Amazonas de abril de 1979 a abril de 1983.
Suas principais obras publicadas, foram:
-DA JURISDICÃO ADMINISTRATIVA (Tese de Concurso), Manaus, 1956.

-DA AUTONOMIA MUNICIPAL, Manaus, 1956.

-DO ESTÁGIO PROBATÓRIO, Manaus, 1956.

-SUBSIDIOS A ELABORACAO DO PROJETO DO CODIGO TRIBUTARIO NACIONAL, Ministerio da Fazenda, Rio de Janeiro, 1954, p.460-472.

-CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO, Revista do Tribunal de Contas do
Distrito Federal, Brasilia, 1979, Vol. 9, p.51-63.

Áderson Dutra era Cavaleiro da Ordem Nacional do Mérito Educativo (Decreto de 31 de dezembro de 1973). Recebeu a Medalha do Mérito Universitário (RES. 13/84, do CONSUNI/UA), foi Presidente da Comissão de Reforma da Constituição do Estado do Amazonas (1967), Membro da Comissão de Adaptação da Constituição do Estado do Amazonas (1969), Membro do Instituto dos Advogados Brasileiros, Seção do Amazonas, Membro da Academia Amazonense de Letras Jurídicas, Membro do Instituto Brasileiro de Direito Administrativo (IBDA).

Dutra era casado com a prima de minha mãe, Norma Dutra, já falecida. Norma era filha da irmã de minha avó, Maria José Freitas, casada com o Dr. Edgar Freitas, Barão e Visconde de Vila-Gião.
Dr. Edgar era um homem ilustre, de nobreza portuguesa, muito culto, pois fui mantenedor de parte de sua biblioteca. Advogado formado em Londres, devia tocar violino, pois seu violino foi usado por meu pai. O apartamento da família Freitas, na Glória, no Rio de Janeiro, era freqüentado por presidentes da República.
Áderson Dutra era um bom amigo. Quando Diretor da Companhia de Eletricidade de Manaus vinha muitas vezes ao Rio, onde eu, na época estudante de letras, o encontrava. Estou longe de Manaus há 50 anos, ainda que tenha morado ali em 1996 e 97, quando fui professor-visitante da UFAM.

Áderson era homem de grande cultura, tinha uma extraordinária biblioteca na sua casa, na rua 10 de julho, onde todos os fins de ano passávamos o réveillon, enquanto minha mãe era viva.

Sempre de muito bom humor, o Dr. Áderson gostava de fazer umas reflexões jocosas sobre as coisas mais sérias.

Famoso foi o seu concurso para catedrático, em cuja banca estavam os maiores nomes da ciência jurídica do seu tempo, como creio que Bilac Pinto.

Eu me lembro de Aderson Dutra jovem, na varanda de nossa ex-casa, na Av Getulio Vargas, nos dias de aniversário. Rindo, como sempre contando fatos.

Ele era assim. Generoso. Ele e Norma, sua esposa, instituíram uma cesta básica para pessoas pobres. Todo mês o chofer ia levar os mantimentos para elas. Vivia para os outros. Gostava de política e era um democrata.

Homem elegante sempre, mesmo em casa. Escrevia muito bem, conforme se pode ler em seus textos jurídicos.

Creio que foi Olavo Bilac Pinto quem participou da banca de catedrático de Áderson Dutra. Bilac Pinto (Santa Rita do Sapucaí, 8 de fevereiro de 1908 — Brasília, 18 de abril de 1985) foi um grande advogado, jurista e político brasileiro, Presidente da Câmara dos Deputados do Brasil em 1965, embaixador do Brasil na França de 1966 a 1970 e Ministro do Supremo Tribunal Federal até 1978.

Outros membros da banca da Banca de Áderson Dutra devem ter sido Enoch Reis e Aderson de Meneses, famoso professor titular das Universidades do Amazonas e de Brasília e autor da "Teoria geral do estado", manual usado até hoje nas Faculdades de Direito no Brasil.

Eu não tive tempo de pesquisar.

Áderson Dutra foi um grande orador.

Foi ele quem representou a Ordem dos Advogados na homenagem a Waldemar Pedrosa.

Seu discurso foi publicado no Jornal do Comercio de 18.11.1955.

Excelente escolha, a da Academia. Excelente e oportuna, no Ano Internacional da Mulher Brasileira.

Espero que Marilene seja eleita também para o Governo do Estado do Amazonas, já que foi candidata ao Senado.