sexta-feira, 30 de abril de 2010

BOTTICELLI

JAMAICA

BEM GUARDADA


http://www.jamaicaobserver.com/

PARQUE CARABOBO


http://www.ultimasnoticias.com.ve/capriles/cadena-global/cadena-global.aspx?idcat=56431&tipo=8

Lula es el líder más influyente del mundo, según la revista 'Time'


Lula es el líder más influyente del mundo, según la revista 'Time'


El presidente de EE UU, Barack Obama, aparece en cuarto lugar de la lista sobre las 100 personas más importantes


JUAN ARIAS - Rio de Janeiro - 29/04/2010

El presidente de Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, encabeza la lista de los personajes que han cambiado el mundo, según la revista estadounidense Time. Lula se ha impuesto, entre otros, al presidente de EE UU, Barack Obama, que aparece en cuarto lugar. Además de mandatarios, en la lista de los 100 personajes más importantes del mundo que Time publica cada año, existen artistas, pensadores y hasta héroes.

El perfil de Lula, ex sindicalista y tornero mecánico, lo ha escrito el cineasta Michael Moore, que asegura que el brasileño puede dar hoy lecciones a Estados Unidos. En el texto, Moore dice de Lula que es "un hijo genuino de la clase trabajadora de América Latina" y enumera las dificultades que el político brasileño tuvo que sufrir a lo largo de su vida, desde que dejó los estudios en la escuela elemental para poder ayudar a su familia trabajando como limpiabotas.

Según el texto de Moore, mientras Lula trabaja para acabar con las desigualdades sociales y la pobreza en Brasil, acercando el país al primer mundo, los Estados Unidos se enfrentan a una situación de concentración de renta cada vez mayor. "Lo que Lula quiere para Brasil es lo que nosotros llamábamos el sueño americano", afirma el texto. Moore añade que "es una paradoja que EE UU, donde el 1% de la población más rica posee más riqueza financiera que el 95% de los más pobres, se está encaminando rápidamente a un escenario semejante al brasileño".

La revista estadounidense recalca que es una "gran ironía", que mientras Lula empuja a Brasil hacia el mundo desarrollado, con programas sociales destinados a acabar con la pobreza y mejorar la educación de las clases trabajadoras, "Estados Unidos se parece cada día más al Tercer Mundo".

Otros líderes que han influido en los destinos del mundo, según Time, son el presidente de la empresa de ordenadores personales Acer, J.Twang, el Jefe del Estado Mayor Conjunto de EE UU, el almirante Mike Mullen, y la presidenta de la Cámara de Representantes de EE UU, Nancy Pelosi. Entre los héroes figura el ex presidente americano, Bill Clinton por su actividad humanitaria durante el terremoto de Haiti. Mientras que entre los pensadores aparecen la arquitecta angloiraquí, Zaha Hadid, el creador de Apple, Steve Jobs y el ex presidente de la Reserva Federal y ahora asesor de Obama en materia económica, Paul Volker.

Entre los más influyentes en Internet, la revista americana coloca a Obama y Lady Gaga, seguidos del actor, Ashton Kutcher, de la cantante Taylor Swift y de la presentadora Oprah Winfrey, al considerar Time que son los que mejor dominan las herramientas electrónicas.

FONTE: EL PAIS


LULA, O MAIS INFLUENTE



Apesar do "desmentido" dos grandes jornais brasileiro, Lula é o mais influente líder.

O HORROR DA GUERRA




REPUBLICADO EM " EL PAIS"

A GRANDE MANCHA NEGRA





FOTO DE "EL PAIS", ESPANHA

A GRANDE MANCHA





FOTO DO ESTADÃO

Quem "controla" a mídia?


Venício Lima



Quem "controla" a mídia?



Enquanto na América Latina, inclusive no Brasil, a grande mídia continua a “fazer de conta” que as amaças à liberdade de expressão partem exclusivamente do Estado, em nível global, confirma-se a tendência de concentração da propriedade e controle da mídia por uns poucos mega empresários.


Você já ouviu falar em Alexander Lebedev, Alexander Pugachev, Rupert Murdoch, Carlos Slim ou Nuno Rocha dos Santos Vasconcelos? Talvez não, mas eles já “controlam” boa parte da informação e do entretenimento que circulam no planeta e, muito provavelmente, chegam diariamente até você, leitor(a).

Enquanto na América Latina, inclusive no Brasil, a grande mídia continua a “fazer de conta” que as ameaças à liberdade de expressão partem exclusivamente do Estado, em nível global, confirma-se a tendência de concentração da propriedade e controle da mídia por uns poucos mega empresários.

Na verdade, uma das conseqüências da crise internacional que atinge, sobretudo, a mídia impressa, tem sido a compra de títulos tradicionais por investidores – russos, árabes, australianos, latino-americanos, portugueses – cujo compromisso maior é exclusivamente o sucesso de seus negócios. Aparentemente, não há espaço para o interesse público.

Na Europa e nos Estados Unidos
Já aconteceu com os britânicos The Independent e The Evening Standard e com o France-Soir na França. Na Itália, rola uma briga de gigantes no mercado de televisão envolvendo o primeiro ministro e proprietário de mídia Silvio Berlusconi (Mediaset) e o australiano naturalizado americano Ropert Murdoch (Sky Itália). O mesmo acontece no leste europeu. Na Polônia, tanto o Fakt (o diário de maior tiragem), quanto o Polska (300 mil exemplares/dia) são controlados por grupos alemães.

Nos Estados Unidos, a News Corporation de Murdoch avança a passos largos: depois do New York Post, o principal tablóide do país, veio a Fox News, canal de notícias 24h na TV a cabo; o tradicionalíssimo The Wall Street Journal; o estúdio Fox Films e a editora Harper Collins. E o mexicano Carlos Slim é um dos novos acionistas do The New York Times.

E no Brasil?
Entre nós, anunciou-se recentemente que o Ongoing Media Group – apesar do nome, um grupo português – que edita o “Brasil Econômico” desde outubro, comprou o grupo “O Dia”, incluindo o “Meia Hora” e o jornal esportivo “Campeão”. O Ongoing detem 20% do grupo Impressa (português), é acionista da Portugal Telecom e controla o maior operador de TV a cabo de Portugal, o Zon Multimídia.

Aqui sempre tivemos concentração no controle da mídia, até porque , ao contrário do que acontece no resto do mundo, nunca houve preocupação do nosso legislador com a propriedade cruzada dos meios. Historicamente são poucos os grupos que controlam os principais veículos de comunicação, sejam eles impressos ou concessões do serviço público de radio e televisão. Além disso, ainda padecemos do mal histórico do coronelismo eletrônico que vincula a mídia às oligarquias políticas regionais e locais desde pelo menos a metade do século passado.

Desde que a Emenda Constitucional n. 36, de 2002, permitiu a participação de capital estrangeiro nas empresas brasileiras de mídia, investidores globais no campo do informação e do entretenimento, atuam aqui. Considerada a convergência tecnológica, pode-se afirmar que eles, na verdade, chegaram antes, isto é, desde a privatização das telecomunicações.

Apesar da dificuldade de se obter informações confiáveis nesse setor, são conhecidas as ligações do Grupo Abril com a sul-africana Naspers; da NET/Globo com a Telmex (do grupo controlado por Carlos Slim) e da Globo com a News Corporation/Sky.

Tudo indica, portanto, que, aos nossos problemas históricos, se acrescenta mais um, este contemporâneo.

Quem ameaça a liberdade de expressão?
Diante dessa tendência, aparentemente mundial, de onde partiria a verdadeira ameaça à liberdade de expressão?

Em matéria sobre o assunto publicada na revista Carta Capital n. 591 o conhecido professor da New York University, Crispin Miller, afirma em relação ao que vem ocorrendo nos Estados Unidos:

“O grande perigo para a democracia norte-americana não é a virtual morte dos jornais diários. É a concentração de donos da mídia no país. Ironicamente, há 15 anos, se dizia que era prematuro falar em uma crise cívica, com os conglomerados exercendo poder de censura sobre a imensidão de notícias disponíveis no mundo pós-internet (...)”.

Todas estas questões deveriam servir de contrapeso para equilibrar a pauta imposta pela grande mídia brasileira em torno das “ameaças” a liberdade de expressão. Afinal, diante das tendências mundiais, quem, de fato, “controla” a mídia e representa perigo para as liberdades democráticas
?

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Os cartazes de Stálin



Os cartazes de Stálin devem decorar as ruas de Moscou?

Breno Altman




O prefeito da capital russa tomou uma decisão que está dividindo o país, às vésperas das comemorações do 65º aniversário da vitória sobre o exército nazista. O administrador resolveu colocar, como parte das ilustrações da marcha que celebrará a data histórica, dez painéis com imagens de Stálin.


O prefeito da capital russa, Iuri Luzhkov, tomou uma decisão que está dividindo o país, às vésperas das comemorações, no dia 9 de maio, do 65º. aniversário da vitória sobre o exército nazista. O administrador, integrante do partido situacionista Rússia Unida, resolveu colocar, como parte das ilustrações da marcha que celebrará a data histórica, dez grandes painéis com imagens de Stálin, dirigente do país quando os alemães foram batidos.

Ao atender, com sua polêmica iniciativa, à insistente reivindicação da associação dos veteranos de guerra, provocou duras reações. Tanto setores políticos hostis à experiência soviética quanto organizações de direitos humanos protestaram, denunciando desrespeito às vítimas do período staliniano. Luzhkov, ele próprio ácido em suas opiniões sobre o antigo líder comunista, rechaçou as críticas: “Pretende-se livrar a história de um importante nome, ligado à etapa que foi, provavelmente, a mais dramática na história do país. Estou contra isso.”

O tema é delicado por vários motivos. Talvez a mais destacada dessas razões seja porque o papel de Stálin na 2ª. Guerra Mundial (ou Grande Guerra Patriótica, como a chamam os russos, preservando denominação reinante na velha URSS) se constitua no calcanhar de Aquiles da longa política de demonização do chefe soviético. Afinal, se continuasse a receber votos de respeito e admiração pelo protagonismo no combate ao nazismo, seu retrato como vilão dos povos não ficaria de pé. No mínimo, as apreciações acerca de sua trajetória teriam que ser mais equilibradas e contextualizadas.

Seu enorme prestígio no imediato pós-guerra, dentro e fora da União Soviética, irradiava-se até pelos meios de comunicação dos países capitalistas. Naquele então, era patente que as forças hitleristas tinham sido derrotadas fundamentalmente pelo Exército Vermelho, sob o comando estrito do georgiano que sucedera a Lênin. A deflagração da Guerra Fria, porém, exigia que esse registro no imaginário social fosse destruído, transformando o herói comunista em um bandido sórdido, cuja participação no conflito mundial teria sido errática e coadjuvante.

Ao campo norte-americano e suas agências diretas ou disfarçadas interessava alimentar a teoria dos dois demônios. O sinal de equivalência entre o dirigente soviético e o ditador alemão, afinal de contas, favorecia a falsificação destinada a apresentar as nações sob democracia liberal como o esteio da vitória contra o nazismo e, portanto, legitimadas para continuar o combate contra o autoritarismo de esquerda.

O indispensável livro “Stálin, a construção de um mito negro”, do italiano Domenico Losurdo, que deverá ser publicado pela Editora Revan nos próximos meses, apresenta uma preciosa pesquisa de como se articulou a máquina propagandística destinada a reescrever páginas da guerra na lógica do combate ao “império do mal” e seu líder máximo. E de como amplos setores de esquerda, às voltas com disputas internas ou intimidados pela ofensiva conservadora, também acabaram intoxicados pelo mesmo revisionismo histórico e viraram seus co-patrocinadores.

O problema orgânico desse discurso, no entanto, nunca foi solucionado. Como seria possível, de forma consistente, apresentar Stálin como um tirano que a tudo e a todos controlava, mas que no momento mais decisivo teria se transformado em um joguete dos militares? Aliás, dos mesmo oficiais que são descritos em inúmeros livros não-comunistas como eternamente amedrontados pelas atitudes do secretário-geral comunista, que teria liquidado fisicamente o núcleo duro do Exército Vermelho, às vésperas da guerra, para poder exercer a regência inconteste sobre as forças armadas soviéticas.

Faz tanto sentido essa argumentação, que defende a submissão de Stálin a seus oficiais, quanto qualquer abordagem sobre as guerras napoleônicas que anulasse a participação de seu patronímico. Ou sobre as batalhas de independência da América hispânica que eludisse o papel de Bolívar. Ou sobre as guerras púnicas que escapasse de dar devida importância à intervenção de Scipião na destruição de Cartago.

As memórias de Roosevelt e Churchill, além das investigações realizadas nos arquivos russos após o colapso soviético, para ficarmos apenas em algumas fontes, são claras ao afirmar que Stálin exercia a liderança absoluta, tirânica, sobre os movimentos de suas tropas, muitas vezes contra a opinião dos generais de seu estado-maior.

O ex-presidente norte-americano chegou a revelar sua estupefação com o fato do líder comunista participar das conferências mundiais durante a guerra ao lado de apenas dois ou três assessores, com controle irreparável dos dados de combate, enquanto a delegação dos Estados Unidos e a inglesa eram compostas por dezenas de integrantes, de sorte a permitir que seus chefes políticos tivessem informações competitivas sobre o teatro de operações.

O mais importante, porém, é a memória social dos acontecimentos – também resgatada em numerosos documentos e estudos. Os guerrilheiros e soldados aprisionados pelos nazistas, às vésperas de seu fuzilamento, escreviam cartas às famílias brindando seu próprio sacrifício e enaltecendo a liderança de Stálin. Milhares e milhares de depoimentos relembram o efeito moral do chefe soviético ter decidido manter, em 1941, o tradicional desfile do 7 de novembro, aniversário da revolução bolchevique, mesmo em meio ao bombardeio da artilharia alemã às portas de Moscou. São registros de uma guerra de caráter popular, que mobilizou todas as energias, civis e militares, sob uma clara voz de comando.

A onda revisionista, no entanto, chegou ao ponto de trocar o nome da cidade na qual se travou a mais importante e heróica batalha contra o nazismo: Stalingrado, ainda nos anos 60, passou a se chamar Volgogrado. No curso da restauração capitalista dos anos 90, os últimos símbolos e homenagens também foram eliminados. Mas a pressão dos veteranos e outras camadas sociais sobre a administração moscovita, nesses último meses, parece revelar o relativo fracassso de se combater Stalin através de métodos outrora classificados como... stalinistas.

Não é o caso de se contrapor a violação da verdade histórica com uma imagem cândida e igualmente falsa sobre o homem que governou o primeiro Estado socialista durante trinta anos. Seria tão absurdo como aceitar que o contraponto ao culto à personalidade pudesse ser a vilanização de um líder dessa envergadura.

Stálin foi ator em uma época de extrema polarização. Seu período de liderança foi exercido praticamente o tempo todo em situação de guerra, civil ou externa, quando a violência era instrumento inalienável de todas as forças políticas, que se jogavam em batalhas de vida ou morte, triunfo ou aniquilamento. No curso de sua estratégia para modernizar o país, derrotar as antigas classes dirigentes, consolidar a hegemonia interna e romper o cerco montado pelos governos capitalistas, muitos crimes foram cometidos e vítimas inocentes, incluindo provados dirigentes bolcheviques, perderam sua vida e honra.

Representava o projeto de uma ditadura revolucionária, com seus feitos e inegáveis deformações. Seu grande legado, porém, segundo o insuspeito historiador trotsquista Isaac Deutscher, foi ter herdado um país que vivia na era do arado de madeira e tê-lo entregue às gerações futuras, em menos de trinta anos, como uma potência atômica. Seu sistema autocrático de governo, que tampouco foi sempre o mesmo e passou por tentativas aberturistas, construiu também o doloroso caminho para gerar e controlar os recursos que permitiram a mais rápida e ampla expansão de direitos sociais da qual se tem notícia.

Esse artigo, de toda forma, não se presta a um balanço do que foi a trajetória do controvertido líder soviético. A questão é repor um fato histórico, apenas isso. Se a algum dirigente em particular a humanidade deve a liquidação do nazismo, esse homem atende pelo nome de Josef Stálin. A ele coube, a despeito de seus erros e sangrentos delitos, o comando do exército e da pátria que quebraram a coluna vertebral das tropas de Hitler.

O PAPA





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ÍNDIA E PAQUISTÃO








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DIA BUDISTA


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"Time" elege Lula o líder mais influente do mundo Economia


"Time" elege Lula o líder mais influente do mundo Economia



Presidente Lula é o primeiro na categoria 'leaders'. Obama ficou em quarto lugar na mesma relação

Veja o site de Time


O GLOBO E A FOLHA TENTARAM MINIMIZAR, DIZENDO QUE LULA NÃO ESTÁ EM PRIMEIRO, MAS ENTRE OS 25 PRIMEIROS ETC.

NÃO É VERDADE: LULA É O PRIMEIRO DA LISTA.

O Presidente Lula foi eleito nesta quinta-feira (29) pela revista americana “Time” como o líder mais influente do mundo. Lula encabeça o ranking de 25 nomes e é seguido por J.T Wang, presidente da empresa de computadores pessoais Acer, o almirante Mike Mullen, chefe do Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos, o presidente americano Barack Obama e Ron Bloom, assessor sênior do secretário do Tesouro dos Estados Unidos.


No perfil escrito pelo cineasta Michael Moore, o programa Fome Zero é citado como destaque no governo do PT como uma das conquistas para levar o Brasil ao “primeiro mundo”. A história de vida de Lula também é ressaltada por Moore, que chama o presidente Lula de “verdadeiro filho da classe trabalhadora da América Latina”.



A revista lembra quando Lula, aos 25 anos, perdeu sua primeira esposa Maria grávida de oito meses pelo fato dos dois não terem acesso a um plano de saúde decente. Ironizando, Moore dá um recado aos bilionários do mundo: “deixem os povos terem bons cuidados de saúde e eles causarão muito menos problemas para vocês”.


A lista mostra os 100 nomes de pessoas mais influentes do mundo em diversas áreas –líderes da esfera pública e privada, heróis, artistas, entre outros.


Entre os líderes em destaque também estão a ex- governadora do Alasca e ex-candidata republicana à Vice-Presidência, Sarah Palin; o diretor do FMI (Fundo Monetário Internacional), Dominique Strauss-Kahn; os primeiros-ministros japonês e palestino, Yukio Hatoyama e Salam Fayyad, e o chefe do Governo da Turquia, Recep Tayyip Erdogan.Reuters


The World's Most Influential People:Luiz Inácio Lula da Silva


“Quando, pela primeira vez os brasileiros elegeram Luiz Inácio Lula da Silva presidente em 2002, os barões ladrões do país nervosamente verificaram os medidores de combustível de seus jatos particulares. Eles transformaram o Brasil em um dos lugares mais desiguais do planeta, e agora parecia que chegara a hora desta conta ser cobrada. Lula, 64 anos, era um verdadeiro filho da classe trabalhadora da América Latina – na verdade, um membro fundador do Partido dos Trabalhadores – e já tinha sido preso uma por liderar greve.


No momento em que Lula, finalmente, conquistou a presidência, após três tentativas fracassadas, ele já se tornara uma figura familiar na vida brasileira. Mas o que o levou para a primeiro lugar da política? Foi seu conhecimento pessoal do quão duramente muitos brasileiros têm de trabalhar para sobreviver? Ser forçado a abandonar a escola depois da quinta série para sustentar sua família? Trabalhar como engraxate? Perder parte de um dedo em um acidente de trabalho?Não. Foi quando, aos 25 anos, viu sua esposa Maria morrer durante o oitavo mês de gravidez, junto com seu filho, porque não podiam pagar os cuidados médicos decentes.

Há uma lição aqui para bilionários do mundo: deixar que as pessoas têm bons cuidados de saúde, e eles causam muito menos problemas para vocês.

E aqui está uma lição para o resto de nós: a grande ironia da presidência de Lula – ele foi eleito para um segundo mandato em 2006 e que terminará este ano – é que, mesmo enquanto ele tenta impulsionar o Brasil ao Primeiro Mundo com programas sociais do governo como o Fome Zero, que visa acabar com a fome, e com planos de melhorar a educação oferecida aos membros da classe trabalhadora do Brasil, os EUA se parecem mais com o antigo Terceiro Mundo a cada dia.
O que Lula quer para o Brasil é o que costumamos chamar o sonho americano. Nós, os EUA, onde os 1% mais ricos possuem agora mais riqueza do que os 95% mais pobres somados, estamos vivendo em uma sociedade que está rapidamente se tornando mais parecida com o Brasil.”

Outras homenagens

Lula já havia recebido outras homenagens de jornais e revistas importantes no cenário internacional. Em 2009, foi escolhido pelo jornal britânico "Financial Times" como uma das 50 personalidades que moldaram a última década.

Também foi eleito o "homem do ano 2009" pelo jornal francês 'Le Monde', na primeira vez que o veículo decide conferir a honraria a uma personalidade. No mesmo ano, o jornal espanhol 'El País' escolheu Lula o personagem do ano. Na ocasião, Zapatero redigiu o artigo de apresentação do Presidente e disse que Lula 'surpreende' o mundo.
Veja abaixo a lista dos 10 líderes mais influentes da Time

1 - Luiz Inácio Lula da Silva
2 - J.T. Wang
3 - Admiral Mike Mullen
4 - Barack Obama
5 - Ron Bloom
6 - Yukio Hatoyama
7 - Dominique Strauss-Kahn
8 - Nancy Pelosi
9 - Sarah Palin
10 - Salam Fayyad

(Confira a lista completa no site da revista)

Duda Mendonça diz que Dilma vai ganhar


Publicitário Duda Mendonça diz que Dilma vai ganhar

O publicitário Duda Mendonça afirmou na noite de segunda-feira que a campanha da pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, erra na forma que tenta apresentá-la ao eleitor. "Não adianta desvirtuar a Dilma. Tem que deixar a Dilma ser como ela é. As pessoas vão entender como ela é ou não. Pegá-la e fazer outra pessoa...Vai ficar numa vestimenta que não é confortável, vai ficar escorregando volta e meia", disse Duda, em palestra de duas horas na Casa do Saber, em Ipanema, zona sul do Rio.


Para um público de assessores de marketing, pré-candidatos e jornalistas, Duda procurou explicar como trabalha. "Por que eu votaria na Dilma? Ou por que eu votaria no Serra? É a primeira pergunta fundamental. Tudo começa aí. Acabou-se o tempo em que a formação de opinião era de cima para baixo. O povo na base, e os artistas e intelectuais tinham uma opinião e saía na imprensa. A pirâmide virou de cabeça para baixo. Quem gera a opinião marcante que muda o voto é um igual, um colega de trabalho. A palavra mais importante é argumento. A palavra mágica em eleição hoje é argumento."


Duda já mostrou várias vezes que tem simpatia a Dilma. "Dilma está comprometida a prosseguir o que Lula está fazendo e dando certo."


Responsável pela campanha de Lula em 2002, Duda afirmou acreditar que Dilma deve vencer, graças ao apoio do Presidente.


"A Dilma é de uma geração nova de política. Tenho o privilégio de conhecê-la. Tem chance numa eleição muito disputada. Acho que Dilma ganha a eleição. O palco mais importante vai ser Minas", opinou. "Se não fosse o Lula, seria a vez do Serra. Serra é um baita de um quadro. Se não fosse o Lula, era a vez dele. Mas Lula é igual Padre Cícero ou está ali perto."


Duda comentou as dificuldades de Dilma de obter apoio entre as mulheres, contingente em que as pesquisas a mostram mais frágil. "O PT tem uma camada de homens maior do que de mulheres. Talvez porque as mulheres sofrem mais com aquele momento inicial de greve, de apitaço...Ficou um pouco deste distanciamento. É possível melhorar? Sim. Na campanha do Lula melhorou. Ficou esta pontinha, sobretudo a ideia de radicalismo."


Duda afirmou que a imprensa dimensiona erradamente o papel do marqueteiro. "É uma profissão dura, para quem gosta de competir. É uma responsabilidade enorme lidar com a imagem dos outros. Quando você lida com a sua [imagem], você corre os riscos de dizer uma bobagem ou não. É exagerada a capacidade de poder que a imprensa dá a gente. É um trabalho de sensibilidade, de buscar conhecer a alma do povo."


Duda procurou contestar o mito de que Obama foi eleito mais pela força da web do que pela TV. "Obama foi eleito pela internet? Não é verdade. Não temos nada lá para aprender. Eles é que aprenderam com a gente. Usaram um discurso emocional, Obama não atacou ninguém e o slogan deles foi o nosso aqui: a esperança venceu o medo. Como ele foi um fenômeno em tudo, ele virou um fenômeno na internet. Mas o dinheiro que eles arrecadaram na internet, eles colocaram na televisão."


Acredita que a internet trará para a eleição o público jovem. "Ele é arredio, mas vai participar, meio próximo da esculhambação, mas vai participar. A eleição chegou ao instrumento dele. Nas grandes cidades. Esta garotada vota, vai haver uma mudança. Qual é? Não sei exatamente."

Saiba quais estimulantes e entorpecentes ajudaram a criar grandes obras


Saiba quais estimulantes e entorpecentes ajudaram a criar grandes obras
da Livraria da Folha

Há sempre um burburinho se certos escritores nacionais e internacionais usaram ou não substâncias químicas enquanto compunham suas obras. A alegação é, na maioria das vezes, justificada pela genialidade de seus escritos.

Como exemplos, temos os chamados "desregrados" tanto na escrita quanto na vida --Jack Kerouac, Charles Baudelaire e Jean-Paul Sartre. No site do jornal de história "Lapham's Quarterly", o leitor tem acesso aos estimulantes e entorpecentes que esses gênios utilizaram enquanto escreviam obras que marcaram a literatura mundial.

Conheça os bastidores de obras como "On the Road", "Junkie", "O Estranho Caso do Dr. Jekyll e Sr. Hyde", entre outras:

Fotomontagem/Folha Online

Charles Baudelaire, Jean-Paul Sartre, Jack Kerouac, William Faulkner e Raymond Chandler constam na lista

*
Estimulantes ou drogas

"La Comédie Humaine" (1829-1848), de Honoré de Balzac
- café

"O Estranho Caso do Dr. Jekyll e Sr. Hyde" (1886), de Robert Louis Stevenson
- cocaína

"On the Road" (1957), de Jack Kerouac
- benzedrina (atua como estimulante no sistema nervoso central)

"September 1, 1939" (1958), de W.H. Auden
- benzedrina (atua como estimulante no sistema nervoso central)

"Critique of Dialectical Reason" (1960), de Jean-Paul Sartre
- café e corydrane (anfetamina com aspirina)

Álcool

"Vanity Fair Essays" (1921), de Edna St. Vincent Millay
- gim

"Road to Glory" (1936), de William Faulkner
- uísque

"O Coração É um Caçador Solitário" (1940), de Carson McCullers
- chá quente e vinho

"A Dália Azul" (1946), de Raymond Chandler
- doses de vitaminas

"A Sangue Frio" (1965), de Truman Capote
- martinis duplos

Drogas que causam depressão

"Kubla Khan" (1797), de Samuel Taylor Coleridge
- láudano (tintura de ópio com efeito sedativo)

"Aurora Leigh" (1856), de Elizabeth Barrett Browning
- láudano (tintura de ópio com efeito sedativo)

"Paraísos Artificiais" (1860), de Charles Baudelaire
- haxixe (narcótico)

"Junkie" (1953), de William S. Burroughs
- heroína

"The Basketball Diaries" (1978), de Jim Carroll
- heroína

Psicodélicos

"As Portas da Percepção" (1954), de Aldous Huxley
- mescalina (substância que causa alucinações)

"Um Estranho no Ninho" (1962), de Ken Kesey
- peiote (cacto de onde se origina uma droga que causa alucinações) e LSD

"High Priest" (1968), de Timothy Leary
- LSD

"Medo e Delírio em Las Vegas" (1971), de Hunter S. Thompson
- LSD

"Journey to Ixtlan" (1972), de Carlos Castaneda
- peiote (cacto de onde se origina uma droga que causa alucinações)

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Câncer de Hebe já não existe mais, diz assessoria


Câncer de Hebe já não existe mais, diz assessoria

Nota afirma que quimioterapia foi encerrada com sucesso


A assessoria de imprensa de Hebe Camargo, 81 anos, divulgou no início da tarde desta quarta-feira (28) um comunicado em que afirma que a apresentadora venceu a luta contra o câncer de peritônio e que não faz mais sessões de quimioterapia.

"A apresentadora Hebe Camargo submeteu-se a um exame clínico hoje [quarta] e foi constatado que o câncer que a acometia já não existe mais, portanto está livre das sessões de quimioterapia", diz a nota, que credita as informações ao empresário de Hebe, Claudio Pessutti.

"Sabemos que ainda há um período a ser percorrido até que tudo esteja resolvido, mas esta é uma grande notícia aos fãs de todo o Brasil que acompanharam e oraram por nossa querida Hebe."

O comunicado encerra com uma frase de Hebe, comemorando a notícia de se ver livre do câncer: "Deus nunca me abandonou, nunca vi a vida com tanta alegria".

De acordo com a assessoria da apresentadora, Hebe nem precisou fazer a última sessão de quimioterapia que tinha agendada.

Diagnóstico

Hebe foi diagnosticada no início de janeiro com um câncer primário (isto é, sem metástase) no peritônio, membrana que envolve os órgãos do aparelho digestivo.

Ela passou por uma cirurgia para retirada de nódulos, ficou 12 dias internada e desde então vinha fazendo tratamento quimioterápico.

Hebe voltou a gravar seu programa no SBT em 8 de março. Na ocasião ela também celebrou seu aniversário, cercada por amigos e celebridades como Xuxa, Ana Maria Braga, Ivete Sangalo, Leonardo, Maria Rita e Marília Gabriela.

No programa, a apresentadora ainda recebeu uma mensagem gravada de Silvio Santos, que cantou “Parabéns a você” com a plateia. “Muita saúde e alegria. Você supera tudo com seu otimismo”, afirmou à época o patrão. (G1)

HOJE, DE GRAÇA


NELSON FREIRE ESTÁ HOJE, DE GRAÇA, IMPERDÍVEL EM:

http://www.medici.tv/

PEDRA DA GALINHA, QUIXADÁ, CE


FOTO DE CIRO ALBANO

CRIANÇAS DO XINGU

GALERIA DE FOTOS PREMIADAS




Floresta de Belo Monte que será alagada


VEJA
Pássaros ostentando suas presas, prontos para ataque ou fugindo de um incêndio florestal estão entre as 36 cenas vencedoras do concurso Avistar de fotografia de aves deste ano. Ciro Albano, Dimitri Matoszko e Simone Cemin Tomaz ganham os primeiros prêmios. Cerca de 3,7 milhões de votos de internautas ajudaram jurados a escolher os Prêmios Especiais ‘Vox Populi’. A exposição com vencedores será durante o Avistar 2010, de 14 a 16 de maio próximo no Parque Villa-Lobos, em SP

GALERIA EM:

http://www.oeco.com.br/fotografia/39-fotografia/23804-avistar-2010

Camilo Pessanha





Sim. Os olhos estão apagados. Mas vêem, sem luz. A água cai, das beiras dos telhados a água cai. Cai, sempre. Cai, para sempre. Cai, como a morrer. Os olhos tristes vêem, cansados, em lágrimas, na vã tristeza ambiente, os olhos. Como a água morrente (Rogel Samuel)




Água morrente

Meus olhos apagados,
Vede a água cair.
Das beiras dos telhados,
Cair, sempre cair.
Das beiras dos telhados,
Cair, quase morrer...
Meus olhos apagados,
E cansados de ver.
Meus olhos, afogai-vos
Na vã tristeza ambiente.
Caí e derramai-vos
Como a água morrente.

Camilo Pessanha

terça-feira, 27 de abril de 2010

segunda-feira, 26 de abril de 2010

"Não serei conhecido, serei uma lenda"


Livro narra a trajetória de Freddie Mercury, a principal estrela do Queen que abalou o Rock in Rio, em 1985


Lúcio Flávio

Para fugir do exílio na Ilha de Creta, Dédalos, pai de Ícaro, confeccionou dois pares de asas usando penas e cera. A fuga do desterro teria sido bem-sucedida se o filho não tivesse se aproximado tão perto do sol, derretendo seus alados acessórios. O incidente o levaria à morte. Meio que encarnando o personagem da mitologia grega, o cantor britânico Freddie Mercury também alcançou os pontos mais altos do firmamento na condição de astro de rock e, tal qual o herói ateniense, se viu diante da derrocada ao ser alvejado por doença incurável.

A analogia com o mito grego quem traça é o escritor francês Selim Rauer, autor de biografia sobre o líder da banda Queen que acaba de chegar às livrarias pela editora Planeta. "À princípio meu desejo era escrever um livro sobre música, especialmente sobre uma figura importante do rock, alguém que fosse, em minha opinião, simbólico o bastante, fascinante e capaz de trazer uma multiplicidade de acesso e entendimento. Achei que o paralelo com o mito de Ícaro poderia ser, em termos de literatura, muito interessante", comenta Rauer, em entrevista por e-mail.

"Não havia na França absolutamente nenhum livro sobre Freddie Mercury, então pensei na possibilidade de trabalhar numa biografia sobre esse artista. Minha meta foi fazer uma obra que fosse ao mesmo tempo acessível para qualquer um, mantendo o mais alto padrão de qualidade", confessa o autor, que trabalhou cinco anos no projeto.

Ao longo desse período, Rauer debruçou-se num minucioso trabalho de pesquisa que consistiu em livros, documentários e vídeos de bastidores dos shows, além das antológicas apresentações ao vivo do grupo. Também ouviu inúmeras pessoas que trabalharam ou conviveram com o artista, além dos três remanescentes integrantes da banda que já vendeu mais de 300 milhões de cópias em todo o mundo desde sua formação em Londres, em meados dos anos 1970. "Não sei se poderia dizer se esta é uma 'biografia definitiva' sobre o cantor. Sempre damos o melhor de si naquilo que fazemos."

Apesar das poucas fotos, a obra, intitulada simplesmente de Freddie Mercury, conta com narrativa honesta e direta sobre a trajetória do cantor. O mais intrigante diz respeito às origens de Mercury, que remontam à Ilha de Zanzibar, localizada ao largo da costa da Tanzânia. Foi ali que o artista nasceria em 5 de setembro de 1946 com o nome de Farrokh Pluto Bulsara. Seus pais, indianos seguidores da religião zoroastriana, tinham descendências persas e viveram na região até o início da década de 1960, quando tiveram que deixar a ilha devido a conflitos políticos e religiosos.

Radicada em Londres, a família Bulsara daria início a uma nova vida. Para o escritor Selim Rauer, a formação familiar do jovem Farrokh foi determinante para moldar o personagem Freddie Mercury. "Ele nunca falava sobre sua infância e origem, tudo isso era uma espécie de jardim secreto para ele. Tal inacessibilidade ajudou a criar o mito em torno de sua figura", observa Rauer.

Pompa
Como já era de se esperar, a melhor parte da biografia, óbvio, é quando o autor esmiuça os detalhes da formação de uma das bandas de rock mais importantes do planeta. Chama atenção detalhes como o símbolo imponente da banda criado por Mercury a partir de sua herança como designer e a origem do nome do grupo. "É grande, pomposo", justificaria o vocalista, que se autodefinia como uma prostituta do rock.

O livro detalha também como Farrokh Bulsara chegou ao nome e persona Freddie Mercury, este último rabiscado de um verso confuso escrito por ele próprio - "Mother Mercury, look what you have done to me, I can not run, I can not hide (Mamãe Mercury, veja o que você me fez, Não posso fugir nem me esconder) -, ou a forte influência exercida pela passagem do xamã Jimi Hendrix (para Mercury uma figura exótica) por Londres, entre 1965 e 1966, na sonoridade do que viria a ser o Queen.

Mais tarde seriam somados a esse rol de referências o rock purpurina do T-Rex, a poesia engajada de Bob Dylan e a química explosiva trabalhada entre o guitarrista Jimmi Page e o vocalista Robert Plant, as principais cabeças do Led Zeppelin. "Não serei conhecido, serei uma lenda...", vaticinou Mercury, bem antes de se tornar o mito que conhecemos.

Com a atenção devida de um crítico musical, coisa que não é, o escritor Selim Rauer vasculha com precisão os bastidores de cada álbum do Queen, mostrando não apenas a evolução, disco a disco, dos quatro integrantes, mas a força criativa de cada elemento da banda formada ainda pelo baterista Roger Taylor, o baixista John Deacon e o guitarrista Brian May, um dos principais compositores ao lado de Mercury. Vai mais além ao elucidar o estilo musical da banda que unia numa única paleta cores ilustrativas como música clássica, ópera, comédia trágica, rock, pop e uma boa dose de teatralidade.

Elementos facilmente detectados, por exemplo, na obra-prima A night at the opera, 1975. "Naquele momento, precisávamos de uma virada, de uma mudança radical, e apostamos tudo naquele álbum, sem saber onde aquilo nos levaria", registra, no livro, o baterista Roger Taylor. Outro tópico relevante abordado pelo autor foi a importância que o Queen teve como performance de palco com apresentações antológicas ao vivo em grandes estádios. A inovação da banda foi pomposa, condizente com o nome criado por eles e nesse sentido pode-se dizer que o quarteto londrino foi maior que os Beatles. Vai ficar para sempre na lembrança das pessoas a imagem de Mercury regendo um coro de mais de 200 mil vozes, no Rock in Rio, em 1985, quando cantou a imortal balada Love of my life.

UMA MORTE LENTA
Com algumas revelações surpreendentes, pelo menos aos olhos dos fãs brasileiros, entre elas, um casamento do astro com Mary Austin (com quem viria a ser grande amiga e principal retentora de seus bens), ainda no início da carreira, e o envolvimento amoroso com a atriz alemã, de origem austríaca, Barbara Valentin (na época um conhecido caso do cineasta alemão Werner Fassbinder), em meados da década de 1970, a biografia encontra o clímax nos últimos anos de vida do cantor. Período que vai de sua descoberta como portador do vírus HIV (um dos primeiro da esfera musical), até a morte lenta, triste e agônica de um superstar. O autor Rauer percorre os últimos passos do artista, mostrando a aflição dos colegas de trabalho e de pessoas próximas, passando pela preocupação dos fãs diante de visível degradação física do ídolo, e o assédio desavergonhado da imprensa sensacionalista britânica. Mostra o desespero e a preocupação de Mercury de todo tempo querer maquiar a morte, com a entrega total no estágio mais crítico da doença. "A morte de Mercury foi um desses dramas que provocam um autêntico choque na opinião pública. Aquele homem tinha encarnado todo um mundo, toda uma época. Com a morte de Mercury, Farrokh Bulsara é que seria enfim liberado", arremata o autor.

FREDDIE MERCURY
Selim Rauer. Editora
Planeta. 320 páginas.
R$ 49,90.

DILMA: "É POSSÍVEL ELIMINAR A POBREZA"









O governo Lula devolveu a “esperança ao povo brasileiro” disse a pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, neste domingo (25) durante encontro estadual do partido no Rio de Janeiro. Durante o evento, foi apresentada também a pré-candidatura do prefeito petista de Nova Iguaçu, Lindberg Farias, ao Senado.

“O que ele [o governo Lula] deu foi essa imensa esperança que tenho orgulho de representar. Tinham relegado esse povo para uma situação de desesperança”, discursou Dilma para mais de 5 mil pessoas na quadra da Portela. Ela foi recebida com uma parodia da música "Deixa a vida me levar", de Zeca Pagodinho. O auditório cantava "deixa Dilma me levar, dilma leva eu".

Ela salientou a geração recorde de emprego no país durante a gestão petista, quando foram criados mais de 12 milhões de postos formais de trabalho. “Vamos ter um governo que mais gerou empregos no país. Vamos acabar com a era do bico, a época que as pessoas precisavam fazer um bico para alimentar a família. Já geramos 12 milhões de empregos e vamos gerar mais”, salientou.

Dilma voltou dizer que nessa próxima década o Brasil tem condições de dar fim à miséria e que, agora, há condições econômicas e sociais para os brasileiros subirem na vida. “Nós achamos que é possível que nessa década que começa em 2011 que o Brasil elimine a pobreza. Os primeiros passos o presidente Lula deu quando tirou milhões de brasileiros da miséria e outros foram para classe media. Subir na vida era uma coisa que estava proibida na sociedade brasileira”, discursou.

A pré-candidata reforçou novamente a importância das empresas estatais na época da crise. ”Mostramos que empresas estatais valorizadas são capazes de ajudar no desenvolvimento do país. Tem uma história ótima do Banco do Brasil. Quando veio a crise só o Banco do Brasil investiu. Quando investiu na crise foi o que mais lucrou. Estamos mostrando que a empresas estatais são armas poderosas em tempos de crise”, disse.


Mesmo contrariando a recomendação dos caciques petistas, a pré-candidata à Presidência Dilma Rousseff (PT) decidiu responder a parte dos ataques feitos pelo deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE). O socialista disse, na semana passada, que considerava o tucano José Serra (PSDB) mais capaz e melhor preparado do que Dilma. A ex-ministra da Casa Civil fez contraponto ao fogo amigo e disse que tem credenciais suficientes para disputar o cargo. A fala foi proferida durante o lançamento da pré-campanha ao Senado do ex-prefeito de Nova Iguaçú Lindberg Farias, ontem, no Rio de Janeiro.

Logo na chegada à quadra da escola de samba Portela, na Zona Norte do Rio, Dilma procurou amenizar o tom, mas rebateu as declarações do ex-ministro da Integração Nacional. “Ciro Gomes está na razão dele para dar a opinião dele, mas tenho todas as credenciais para ser candidata. Tenho experiência nos três níveis da Federação e participei de todas as lutas políticas do país. Na Casa Civil, coordenei os principais projetos da Presidência”, afirmou, acrescentando que ainda mantém a admiração e a amizade pelo deputado federal cearense.

O encontro serviu também para os petistas confirmarem o apoio à reeleição do governador fluminense Sérgio Cabral (PMDB). Além de Cabral e Lindberg, Dilma dividiu o palco com o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB); os ministros do Trabalho, Carlos Lupi ; e das Cidades, Márcio Fortes; e o ex-ministro do meio ambiente Carlos Minc. O discurso da pré-candidata para a militância petista voltou a centrar ataques ao governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). Dilma respondeu aos que “menosprezam” a capacidade administrativa da atual gestão e fez referências às privatizações durante o comando tucano. “Nós não fugimos da luta, não esmorecemos e não entregamos os pontos. Não pensem que nos atemorizam. Não somos daqueles que entregam o seu país, seu Estado, seus municípios”, disse Dilma Rousseff.

Promessas

No campo das promessas, a petista disse que é possível eliminar a pobreza na próxima década. “Nós descobrimos o modelo correto de desenvolvimento: crescimento com as pessoas podendo subir na vida.” Dilma também aproveitou para elogiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem chamou de “doutor em desenvolvimento econômico e social”. “Diziam que o presidente Lula não saberia governar porque não tinha diploma universitário. Eles nunca entenderam que o presidente Lula tem diploma de Brasil, pós-graduação em democracia e é doutor em desenvolvimento econômico e social.”

Depois de cumprimentar militantes e integrantes da Portela, a petista retornou a Brasília. Durante a semana, a única viagem prevista até o momento na agenda da pré-candidata é uma visita à feira de tecnologia agrícola Agri-show, em Ribeirão Preto (SP), provavelmente na quarta-feira.

O monge

Mesa

Fidel Castro: As loucuras de nossa época


As loucuras de nossa época


Não há outra saída senão chamar as coisas por seus nomes. Aqueles que conservam um mínimo de sentido comum podem observar, sem grande esforço, quão pouco resta de realismo no mundo atual. Quando o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, foi indicado para o prêmio Nobel da Paz, Michael Moore declarou: "agora seja digno dele!".

Por Fidel Castro, no Granma


Não há outra saída senão chamar as coisas por seus nomes. Aqueles que conservam um mínimo de sentido comum podem observar, sem grande esforço, quão pouco resta de realismo no mundo atual. Quando o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, foi indicado para o prêmio Nobel da Paz, Michael Moore declarou: "agora seja digno dele!".

Muitas pessoas gostaram do engenhoso comentário pela agudeza da frase, embora muitos não vissem outra coisa na decisão do Comitê norueguês além de demagogia e exaltação à aparentemente inofensiva politicagem do novo presidente dos Estados Unidos, um cidadão afro-norte-americano, bom orador e político inteligente, à frente de um império poderoso envolvido numa profunda crise econômica.

A reunião mundial de Copenhague estava prestes a acontecer e Obama despertou as esperanças de um acordo vinculante, no qual os Estados Unidos se somariam a um consenso mundial para evitar a catástrofe ecológica que ameaça a espécie humana. O que lá aconteceu foi decepcionante, a opinião pública internacional foi vítima de um doloroso engano.

Na recente Conferência Mundial dos Povos sobre Mudança Climática e Direitos da Mãe Terra, realizada na Bolívia, foram expressas respostas cheias da sabedoria das antigas nacionalidades indígenas, invadidas e virtualmente destruídas pelos conquistadores europeus que, em busca de ouro e riquezas fáceis, impuseram durante séculos suas culturas egoístas e incompatíveis com os interesses mais sagrados da humanidade.

Duas notícias recebidas ontem expressam a filosofia do império tentando fazer com que acreditemos em seu caráter "democrático", "pacífico", "desinteressado" e "honesto". Basta ler o texto dessas informações procedentes da capital dos Estados Unidos.

"Washington, 23 de abril de 2010.— O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, avalia a possibilidade de desenvolver um arsenal de mísseis com ogivas convencionais, não nucleares porém capazes de atingir alvos em qualquer lugar do mundo em aproximadamente uma hora e com capacidade explosiva potentíssima".

"Se, por um lado, a nova superbomba, montada em mísseis do tipo Minuteman, não terá ogivas atômicas, por outro, sua capacidade de destruição será equivalente, tal como confirma o fato de que sua dispersão está prevista no acordo START 2, assinado recentemente com a Rússia".

"As autoridades de Moscou reclamaram e conseguiram fazer figurar no acordo, que para cada um destes mísseis, os Estados Unidos deve eliminar um de seus foguetes providos de ogivas nucleares".

"Segundo as notícias do New York Times e da rede de televisão CBS, a nova bomba, batizada PGS (Prompt Global Strike) deverá ser capaz de matar o líder de Al Qaeda, Ossama Bin Laden, em uma gruta do Afeganistão, destruir um míssil norte-coreano em plena preparação ou atacar um silo nuclear iraniano, ‘tudo isso sem trespassar o umbral atômico’".

"A vantagem de dispor como opção militar de um arma não nuclear, que tenha os mesmos efeitos de impacto localizado de uma bomba atômica é considerada interessante pelo governo de Obama".

"O projeto foi colocado inicialmente pelo predecessor de Obama, o republicano George W. Bush, mas foi bloqueado pelos protestos de Moscou. Tendo em conta que os Minuteman também transportam ogivas nucleares, as autoridades de Moscou disseram que era impossível estabelecer que o lançamento de um PGS não fosse o início de um ataque atômico".

"Contudo, o governo de Obama considera que pode dar à Rússia ou à China garantias necessárias para evitar mal-entendidos. Os depósitos dos mísseis da nova arma serão instalados em lugares distantes dos depósitos de ogivas nucleares e poderão ser inspecionados periodicamente por especialistas de Moscou ou de Pequim".

"A superbomba poderia ser lançada com um míssil Minuteman, capaz de voar através da atmosfera à velocidade do som e carregando quinhentos quilos de explosivos. Equipamentos ultrasofisticados permitirão ao míssil largar a bomba e fazer com que caia com extrema precisão nos alvos escolhidos".

"A responsabilidade do projeto PGS — com um custo estimado de US$ 250 milhões, somente em seu primeiro ano de experiências — foi encarregada ao general Kevin Chilton, que tem sob seu comando o arsenal nuclear norte-americano. Chilton explicou que o PGS cobrirá um buraco no leque de opções com que o Pentágono conta atualmente".

"'Neste momento, podemos atacar com armas não nucleares qualquer recanto do mundo, em um espaço de tempo não menor a quatro horas’, disse o general. ‘Para uma ação mais rápida — reconheceu — contamos somente com opções nucleares’".

"No futuro, com a nova bomba, os Estados Unidos poderão atuar rapidamente e com recursos convencionais, tanto contra um grupo terrorista quanto contra um país inimigo, em um período ainda mais curto e sem provocar a ira internacional pelo emprego de armas nucleares".

"Prevê-se que os primeiros testes começarão em 2014, e que, em 2017 estaria disponível no arsenal estadunidense. Obama já não estará no poder, no entanto, a superbomba pode ser a herança não nuclear deste presidente, que obteve o prêmio Nobel da Paz."

"Washington, 22 de Abril de 2010. — Uma nave espacial não tripulada da Força Aérea dos Estados Unidos descolou nesta quinta-feira na Flórida, em meio de um véu de segredo sobre sua missão militar".

"A nave-robô espacial, X-37B, foi lançada de Cabo Cañaveral mediante um foguete Atlas V, às 19h52 locais (23h52 GMT), segundo um vídeo distribuído pelo exército".

"’ O lançamento é iminente’, disse à AFP o major da Força Aérea, Angie Blair".

"Parecido com uma nave espacial em miniatura, o avião tem 8,9 metros de comprimento e 4,5 metros de envergadura".

"A fabricação do veículo espacial reutilizável demorou anos e o exército tem dado poucas explicações sobre seu objetivo ou seu papel no arsenal militar."

"O veículo está desenhado para ‘proporcionar o meio ambiente de um ‘laboratório em órbita’, a fim de testar novas tecnologias e componentes antes que estas tecnologias sejam designadas a programas de satélites em funcionamento’, disse a Força Aérea em um comunicado recente".

"Alguns funcionários informaram que o X-37B aterrisará na base da Força Aérea Vandenberg, na Califórnia, mas não disseram quanto durará a missão inaugural".

"’Para ser honestos, não sabemos quando voltará’, disse esta semana aos jornalistas o segundo subsecretário de programas espaciais da Força Aérea, Gary Payton".

"Payton assinalou que a nave poderia permanecer no espaço até nove meses".

"O avião, fabricado pela Boeing, começou como um projeto da agência espacial estadunidense (NASA), em 1999, e depois foi transferido à Força Aérea, que visa o lançamento de um segundo X-37B em 2011."

Será que é necessária mais alguma coisa?

Hoje existe um colossal obstáculo: a mudança climática já irreversível. Faz-se referência ao inevitável aumento de calor em mais de dois graus centígrados. Suas conseqüências serão catastróficas. A população mundial em apenas 40 anos aumentará em dois bilhões de habitantes, e atingirá a cifra de nove bilhões de pessoas, nesse breve tempo.

Cais, hotéis, balneários, vias de comunicação, indústrias e instalações próximas aos portos, ficarão sob a água em menos tempo do que se precisa para desfrutar a metade de sua existência uma geração de um país desenvolvido e rico, que hoje, de maneira egoísta, se recusa a fazer o menor sacrifício para preservar a sobrevivência da espécie humana. As terras agrícolas e a água potável diminuirão consideravelmente. Os mares ficarão poluidos; muitas espécies marinhas deixarão de ser consumíveis e outras desaparecerão. Isto não é afirmado pela lógica, mas sim pelas pesquisas científicas.

O ser humano conseguiu incrementar, através da genética natural e da transferência de variedades de espécies de um continente para o outro, a produção por hectare de alimentos e outros produtos úteis ao homem, que aliviaram durante um tempo a escassez de alimentos como o milho, a batata, o trigo, as fibras e outros produtos necessários. Mais tarde, a manipulação genética e o uso de fertilizantes químicos contribuíram também para a solução de necessidades vitais, porém estão chegando ao limite de suas possibilidades para produzir alimentos sadios e aptos para serem consumidos.

Por outro lado, em apenas dois séculos estão se esgotando os recursos do petróleo, que a natureza demorou 400 milhões de anos em formar. Do mesmo modo, esgotam-se os recursos minerais vitais não renováveis dos quais precisa a economia mundial. Por sua vez, a ciência criou a capacidade de autodestruir o planeta várias vezes em questão de horas. A maior contradição em nossa época é, precisamente, a capacidade da espécie para se autodestruir e sua incapacidade para se governar.

O ser humano conseguiu aumentar as possibilidades de vida até limites que ultrapassam sua própria capacidade de sobreviver. Nessa batalha, consome aceleradamente as matérias-primas ao alcance de suas mãos. A ciência tornou possível a conversão da matéria em energia, como aconteceu com a reação nuclear, ao custo de enormes investimentos, mas não se vislumbra sequer a viabilidade de converter a energia em matéria.

O gasto infinito dos investimentos nas pesquisas pertinentes vem demonstrando a impossibilidade de conseguir em umas poucas dezenas de anos o que o universo demorou dezenas de bilhões de anos em criar. Será necessário que o menino pródigo Barack Obama nos explique? A ciência cresceu extraordinariamente, mas a ignorância e a pobreza também crescem. Por acaso, alguém pode demonstrar o contrário?

Fidel Castro
25 de Abril de 2010

Fonte: Granma

www.vermelho.org.br

domingo, 25 de abril de 2010

NO STF AS MÃOS FALAM




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Dilma traça estragégias para regiões Sul e Sudeste


Dilma traça estragégias para regiões Sul e Sudeste

Tiago Pariz



O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende intensificar sua participação na campanha da pré-candidata do PT ao Palácio do Planalto, Dilma Rousseff, em regiões onde ela apresentar as maiores dificuldades perante o eleitorado. A prioridade é os dois aparecerem juntos em estados do Sul e do Sudeste. As atividades no Nordeste serão deixadas em segundo plano.

A cúpula da campanha da petista reforça que a necessidade é ter a ajuda de Lula nos locais onde ela vai mal nas pesquisas. São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, e Rio Grande do Sul são os pontos de partida para diminuir a vantagem do pré-candidato do PSDB, José Serra, segundo as últimas pesquisas de intenção de votos.

Em São Paulo, Dilma dá a largada a uma agenda intensa já nesta semana com um giro pelo interior e uma visita à Feira Agrishow, que reúne empresários do agronegócio em Ribeirão Preto. Na festa do 1º de maio, Lula junta-se a sua pupila para participar das comemorações organizadas pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) e pela Força Sindical em São Bernardo do Campo, cidade do ABC paulista.

Os levantamentos mais recentes mostraram que Serra tem uma considerável vantagem sobre Dilma na Região Sudeste. No Datafolha, por exemplo, o pré-candidato tucano tem uma diferença de 18 pontos percentuais, e o Ibope mostrou vantagem de 16 pontos. No maior colégio eleitoral do país, a estratégia está sendo desenhada com cautela, devido ao histórico recente de fracasso do envolvimento de Lula na campanha de 2008 quando ele não conseguiu reverter a desvantagem que a ex-prefeita Marta Suplicy tinha em relação aos adversários.

O ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel, coordenador da pré-campanha de Dilma Rousseff, disse que Lula precisa se empenhar nos locais onde o partido vai mal por conta da questão óbvia da popularidade dele ser maior que a do partido. "O presidente tem uma popularidade maior do que o do contingente do partido", disse Pimentel. "Se quisermos expandir (nosso potencial), é bom usar a popularidade. Onde está pior tem que trabalhar mais", emendou.

A prioridade na agenda no Sul e no Sudeste foi ideia do próprio presidente. Em entrevista ao Correio, Lula disse que a eleição no Nordeste não precisa de esforço: "Lá (no Nordeste), eu não vou nem chegar. Lá, eles são Lula. Lá, estou representado. Eu quero ir é aos outros lugares". Questionado se não se preocupa com a região em que ele detém o maior nível de popularidade, ele respondeu: "Lógico que me preocupa. Não existe eleição ganha antes da apuração, mas o carinho que o povo nordestino e do Norte tem por mim é de relação humana forte. Vou pedir o apoio desses companheiros para a minha candidata e vou trabalhar em outros estados".

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A ideia nas visitas dos dois juntos a cidades de São Paulo não é apenas participar de comícios ou caminhadas, explorados à exaustão na campanha de Marta, mas tentar apresentar ao eleitorado que o sucesso do governo estadual de José Serra se deu graças ao dinheiro federal. "A ideia é ter uma participação ativa, não necessariamente em comício, porque tem muita inauguração sendo feita em São Paulo com recursos do governo federal. É preciso demonstrar a origem do dinheiro", disse o deputado Carlos Zarattini (PT-SP), que coordenou a campanha de Marta. O PT fiscalizará as próximas inaugurações do governo tucano para levantar se a determinada obra teve verba federal.

Dilma participou ontem do lançamento da candidatura ao governo estadual do senador Aloizio Mercadante (PT-SP). Os petistas tentam vender que essa eleição em São Paulo será diferente das últimas coleções de derrotas do partido. São Paulo tem sido um caso tão específico que nos dois últimos pleitos presidenciais, Lula, mesmo vitorioso, foi derrotado por Alckmin, em 2002, e por Serra, em 2006. "O PSDB conseguiu vender ilusões com o alto número de publicidade", atacou Zarattini.

Escândalos


Os levantamentos de intenção de votos mostraram que a diferença de Serra para Dilma é ainda maior nos três estados do Sul. Segundo o Datafolha, são 20 pontos que os separam; o Ibope mostrou uma distância de 24 pontos. No Rio Grande do Sul, o pré-candidato do PT, Tarso Genro, pretende explorar as crises do governo de Yeda Crusius e apresentar os 16 anos administrando a capital Porto Alegre como uma época em que a gestão funcionava. Mais: lembrar que Dilma Rousseff foi secretária no governo de Olívio Dutra (PT) e tentar mostrar que a administração tucana só não implodiu afetada por escândalos de corrupção por causa dos projetos financiados pelo governo federal.

Nos dois outros estados, os problemas se amontoam. Em Santa Catarina, o PMDB quer que a pré-candidata ao governo, Ideli Salvatti (PT), retire seu nome da disputa para apoiar Eduardo Moreira. No Paraná, o pedetista Osmar Dias, que está na disputa pelo governo estadual, quer que o PT desista de concorrer ao Senado com Gleisi Hoffmann. Como os petistas resistem, Dias flerta com um apoio ao PSDB.

NA ARGENTINA

PT lança Marta e Mercadante como pré-candidatos em São Paulo


PT lança Marta e Mercadante como pré-candidatos em São Paulo


Agência Brasil



O Partido dos Trabalhadores (PT) anunciou hoje (24/4) os nomes de seus pré-candidatos ao governo de São Paulo e ao Senado pelo estado. O senador Aloizio Mercadante disputará o governo paulista nas próximas eleições e a ex-ministra Marta Suplicy, uma vaga no Congresso.

O lançamento das pré-candidaturas foi feito em ato político realizado na cidade de São Paulo. Delegados do PT reunidos no evento aprovaram os nomes de Mercadante e Marta por aclamação.

Deputados federais, estaduais e vereadores do PT e de outros nove partidos compareceram ao evento para apoiar as pré-candidaturas. A pré-candidata do PT à Presidência da República, a ex-ministra Dilma Rousseff, também esteve presente.

As pré-candidaturas de Marta e Mercadante serão submetidas, em junho, à aprovação na convenção estadual do PT. Só então, ambos serão oficialmente candidatos.

Dilma vai usar termo ´presidenta´


Dilma vai usar termo ´presidenta´

Dilma "presidenta": adoção do termo no feminino promete levantar vários debates

FOTO: PAULINO MENEZES


Medida é inspirada na estratégia da campanha de Michelle Bachelet, primeira mulher a comandar o Chile

Brasília A coordenação da campanha da ex-ministra Dilma Rousseff decidiu copiar Michelle Bachelet, primeira mulher eleita presidente do Chile, e dizer que a petista é candidata a "presidenta" da República. Na avaliação do PT, o termo feminino pode marcar um diferencial da candidatura, mas ainda é preciso ter certeza de que não causará estranheza aos eleitores.

As palavras "presidente" e "presidenta" estão corretas, "mas a forma feminina é pouco utilizada", diz Thaís Nicoleti, consultora de português. Palavras terminadas em "ente", segundo ela, são resultado do antigo particípio presente e formam substantivos neutros. "O que vai definir o gênero será o artigo: ´o´ presidente, ´a´ presidente", opina a consultora.

Para Pasquale Cipro Neto, o uso da forma "presidenta" é desnecessário se forem considerados todos os outros casos semelhantes na língua portuguesa. "Os dicionários dão como forma possível, não obrigatória. Talvez a ´exigência´ decorra do politicamente correto", declara.

Polêmica

Maria Helena de Moura Neves, professora do Mackenzie e da Universidade Estadual Paulista (Unesp), concorda que não é necessário usar "presidenta", mas diz que, do ponto de vista da campanha, "faz sentido, porque valoriza o fato de o PT estar lançando uma mulher à Presidência da República".

Para Regina Dalcastagnè, professora da UnB, é impossível saber se isso terá impacto eleitoral positivo, mas diz que a questão "é política em sentido amplo, pois marca a presença do feminino e rompe com a uniformização na língua portuguesa, sempre no masculino". Para ela, a decisão vai gerar muitos debates nos mais diversos setores.

Também da UnB, Susana Moreira de Lima diz que o correto é usar ´presidenta´, pois é a palavra registrada para designar a mulher que preside. "A discussão é bastante saudável, porque traz a questão do machismo na linguagem", ressalta.

REABILITAÇÃO DE PADRE CÍCERO


REABILITAÇÃO DE PADRE CÍCERO

Vaticano mantém silêncio



Comissão de caririenses liderada pelo bispo dom Panico, na Praça São Pedro, no Vaticano, durante viagem em defesa da reabilitação do Padre Cícero
FOTO: ANTÔNIO VICELMO


Em setembro do ano passado, papa Bento XVI prometeu acelerar a análise do processo de reabilitação do Pe. Cícero

Juazeiro do Norte Quatro anos depois da entrega do processo de reabilitação do Padre Cícero na Congregação para a Doutrina da Fé, o Vaticano mantém-se em silêncio. A demora no julgamento reacende a polêmica em torno do nomeado "Cearense do Século".

"Roma é eterna. Aqui tudo é demorado". Com esta frase, o bispo da Diocese do Crato, dom Fernando Panico, colocou uma ducha de água fria no entusiasmo do grupo de romeiros, entre os quais o então prefeito de Juazeiro, Raimundo Macedo; o presidente da Câmara Municipal, José de Amélia Junior; e alguns vigários da Diocese do Crato, que acompanharam o bispo na entrega da documentação, solicitando, ao cardeal e prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Josef William Levada, a reabilitação de Padre Cícero.

A advertência de dom Fernando aconteceu no dia 31 de maio de 2006, no interior do ônibus que conduzia a comitiva de 52 romeiros do Cariri do hotel para o Vaticano. Os mais entusiasmados como o prefeito Raimundo Macedo, que atravessou a Praça de São Pedro com uma caixa de documentos na cabeça em direção ao antigo Santo Oficio, esperavam voltar ao Brasil com uma resposta positiva sobre a reabilitação do Padre Cícero.

Quatro anos depois, o Vaticano se mantém em silêncio. Em setembro do ano passado, quando da visita "ad límina" dos bispos do Nordeste ao Vaticano, o Papa Bento XVI, segundo dom Fernando, prometeu mandar acelerar a análise do processo de reabilitação. O padre Francisco Roserlândio de Souza, coordenador do Departamento Histórico Diocesano Padre Antônio Gomes de Araújo, diz que a única novidade sobre o assunto é a presença de um escritor americano que inicia, esta semana, uma pesquisa sobre o processo de reabilitação.

O então Papa João Paulo II, de acordo com o escritor Geraldo Barbosa, foi bastante objetivo, quando em visita ao Brasil, ao dizer que "o Brasil precisa de Santos". "A vida religiosa do (padre) Cícero Romão Batista foi florescente de virtudes e doações a Jesus Cristo, num apostolado que ainda hoje registra uma nação cristã romeira de 80 milhões de devotos. Nunca o Brasil testemunhou um líder cristão de tamanho poder espiritual e humano", justifica o entrevistado ao defender uma definição sobre o processo de reabilitação que tramita no Vaticano há mais de um século, uma vez que foi o próprio Padre Cícero que pediu o perdão da Igreja.

O escritor cearense e autor do livro "Padre Cícero: poder, fé e guerra no sertão", Lira Neto, lembra que, para o Vaticano, a veneração ao Padre Cícero tem se tornado ainda mais eloquente diante da constatação de que, a cada ano, o catolicismo perde milhares de adeptos no Brasil.

Segundo cálculos da própria Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a sangria de fiéis é considerada alarmante. O País continua a ser "a maior nação católica do mundo". Mas a última década assistiu à queda vertiginosa no percentual de católicos brasileiros, enquanto outras religiões se multiplicam em idêntica proporção. Deixar que o culto ao Padre Cícero permanecesse à margem da liturgia significa, na interpretação de Lira Neto, negar o acolhimento pastoral a toda uma preciosa legião de devotos.

Acusações

O escritor cearense recorda, por outro lado, que o Vaticano não desconhece as graves acusações históricas que recaem sobre padre Cícero Romão Batista. Elas não são poucas. Quando reunidas, constituem notórios obstáculos à ideia de anistiar, "post-mortem", as penas que foram impostas ao padre, em vida, pelo Tribunal do Santo Ofício.

A primeira incriminação que incide sobre Cícero é a de ter sido um mistificador, um aproveitador das crenças do povo mais simples, um semeador de fanatismos. "Homem de ideias religiosas pouco ortodoxas, leitor de autores místicos, dado a ver almas do outro mundo e defensor de milagres não endossados pelo Vaticano, Cícero estaria mais próximo da superstição do que da fé", disseram dele os muitos adversários que colecionou no meio do próprio clero.

Decorre daí, acrescenta Lira Neto, outra incriminação, ainda mais incisiva: "a de que nas vezes em que fora repreendido por seus superiores eclesiásticos agira como um rebelde e caíra em desobediência". Na rígida hierarquia clerical, desobedecer a um superior constitui pecado gravíssimo. Almas indóceis à autoridade de bispos e cardeais não vão para o Céu, assim determina a lei da Igreja.

A constante proliferação de seitas e templos protestantes, em Juazeiro do Norte, segundo Geraldo Barbosa, pode ser motivada pelo silêncio de Roma, em não decidir sobre a reabilitação sacerdotal de Cícero Romão Batista, num processo que já começa a caducar. Os católicos sentem-se esquecidos.

Barbosa destaca que "provavelmente a CNBB, que tem interesse nessa solução, já percebeu que o povo brasileiro tem o Padre Cícero entronizado no seu coração como santo. Sua reabilitação, pela Santa Sé, seria um ato burocrático justo, que bem poderia ter evitado essa atual multiplicação das seitas, pelo menos no Nordeste.

Romarias

As romarias não são mais redutos exclusivos da Igreja Católica. O grupo protestante Jovens Com Uma Missão (Jocum) realiza um trabalho missionário entre os romeiros desde 1998 que consiste na distribuição de água, "sopão" nas madrugas, teatro infantil e adulto, concentrações noturnas nas praças e música regional intercaladas com mensagens evangélicas, utilizando uma linguagem acessível ao romeiro.

A disputa religiosa em torno da fé dos romeiros gerou uma "guerra santa regional" entre católicos e evangélicos. Em uma de suas homilias, dom Fernando criticou o modelo de evangelização de setores protestantes. Enquanto a Igreja Católica caminha a passos lentos no julgamento do processo de reabilitação do Padre Cícero, outras religiões avançam celeremente na conquista de espaços no terreiro do Padre Cícero.

O escritor Geraldo Barbosa também critica essa demora no processo de reabilitação de Padre Cícero. Ele teme que essa demora seja fator para que o Catolicismo perca sua força e poder sobre a fé dos milhares de cristãos. O escritor acrescenta que "a mudança dos tempos está a exigir da Igreja Católica, tanto no Brasil como no mundo cristão, uma busca de equilíbrio que possa competir com o eletromagnético da Internet, destituindo o ser humano de sentir a presença do Espírito e da Luz Divina nas suas vidas. O computador é o novo senhor dos povos modernos".

Na interpretação do escritor, "a Igreja Católica, em Roma, passa por momentos difíceis nas denúncias do clero mundial, em declínio moral e religioso, até então impunes. Sente-se a ausência do abraço maternal da Santa Madre Igreja Católica".

O que eles pensam
A fé resiste às intempéries

Decorridos quatro anos da entrega do pedido de reabilitação eclesial de Padre Cícero, a gente percebe que seus devotos não só de Juazeiro, mas de todo o Brasil, estão perplexos com a demora. O bispo dom Panico tenta amenizar a decepção dos devotos informando que as coisas em Roma são devagar, mas isso pouco consola, pois o que todos querem mesmo é ver o Padim reabilitado. Como é possível a Igreja Católica ficar tão passiva diante das evidências emanadas do fenômeno Padre Cícero?

Daniel Walker
escritor e historiador

Há muitos anos que nós esperávamos uma revisão do caso Padre Cícero, com a reabertura de seu processo junto à antiga Sagrada Inquisição Romana. O que foi estimulado mais recentemente pela Sagrada Congregação da Doutrina da Fé nos encheu de ânimo. Nossa ansiedade sobre como virá esta decisão é muito grande. Não será a conjuntura atual vivida pela Igreja, seja no mundo, seja em Juazeiro do Norte. O romeiro, devoto do Padre Cícero, é paciente. Tem uma fé inquebrantável.

Renato Casimiro
pesquisador

sábado, 24 de abril de 2010

ROGEL SAMUEL: A HISTÓRIA DOS AMANTES 2














Uma tarde, nela atravessávamos a luz, andávamos pela rua daquele subúrbio, o bairro, silenciosos, graves, gravemente subimos o aclive, os passos, resumimos nossas conversas a um leve contato, leve toque dos dedos, ocasionais, toque rápido, cheio de emoção e felicidade. Mas a vida não, mas a vida não é um brinquedo. Não consigo saber o que se passou, as recordações recortam imagens irrecuperáveis. Tento compreender. O que acontecia naquele momento, naquele passar de sua presença inteira, fixa, na minha frente - de uma existência - o passado como tela de cinema implantado no olho da memória. A vida não pára, não parou. Não chego ao desespero, ao estranho relacionamento que tenho, hoje, com o que hoje sou. O presente aqui não é nem alegre, nem triste. Tenho de começar devagar.
Certo dia, quando aciono, quando acordo, o teto do quarto com uma coloração rósea, a janela aberta dá para um labirinto em que o olhar ostenta mover-se, e que se Val desdobrando em abstrata claridade, a fragrância marinha emanando suave, fria, perfumada, vinda do horizonte, a janela respirava... Entrava, quase imperceptível, um som, aquele som, um murmúrio, doce, azulado, como o mar. As pessoas amigas me tinham recomendado calma. Mas eu não consigo. Lembro-me ainda das retas cruzes das ruas da cidade indiferente. Vista do alto prédio, a cidade. Foi naquela madrugada que a sentença me chegou, forte, perfeita, correta, aterradora como a de um assassino: Val. Era ela. Val me abandonava. As persianas batem, fortes, nervosas. As roupas por cima da cama, acordava do sonho do meu amor desfeito. O amor, como uma bala, passava de boca em boca. Se espalhava. Eu sofria a angústia, a queda. O amor é um mar. Cheiro familiar de café. Um pente um espelho. Eu penso. Matar o meu sonho. Não, Val. Eu tinha soluções. Alguns homens formavam grupo no ângulo da esquina, e ela... ah, súbita felicidade da totalidade!... agora nós estávamos na praça. Na orla da praia eu subia até um pedestal vazio, que chegava à cabeceira do tanque retangular, e no ar abria os braços, espalmava as mãos, feliz, e ainda me consigo ver. De lá dizia, de lá me recordava de mim mesmo, eu para mim agora, a um majestoso e largo mar que soava no ar com a clara voz de Val, com todas as claras vozes daquele tempo, a aragem crescendo no meio de tudo, infiltrando-se na camisa aberta, os seios nus.
Nada me prende mais, hoje, do que a demora do passado no momento presente, esse momento interior imensurável, onde às vezes a força dos instantes retardam os passos do passado para sempre. Às vezes, como num sonho, largo pesado sonho estirado, os momentos são assim inteiramente vivos, inesperados. Neles me movo, me reconstruo, me recomeço. Em frente. Naquela praia nós nos largávamos, era como se durante a vida toda estivéssemos ali. Na areia suave, como se as lembranças estivessem inteiramente nuas. Visto de hoje o mar, vedação alta e azul, as coisas vastas, as coisas em bloco, as coisas se dissolviam em explosões de brancas espumas, cristas, covas, límpidas cintilações coriscantes.







Ainda estou perdido, perplexo. Ainda me movo mal nesse espaço. Ela. Ela penteia os cabelos, diante do espelho, os ombros largos. Muitos anos se passaram diante da imagem de Val, naquele espelho. Era ali, a sua viagem, uma viagem de barco, ela, os cabelos muito soltos no convés, chovia quase todo tempo, interminável ruído da chuva, a chuva nascia da ondulação das dobras do lençol de chuva azul, ou verde, nós riamos, recebíamos de face as espetadelas gélidas das gotas do ar. Isso é tudo? Durante todo o tempo em que vivemos juntos, parece hoje, por uma misteriosa deformação mágica, que todas as tardes são sua presença, de seu mar, onde sempre se ouvem ondas, onde as luzes, os sóis se impunham, juvenis, um elemento, alto, magro, qual garça branca, andando atrás da pedra, do deserto, entre o carro e um adorno, uma corrente, ele se precipitava entre as coisas da memória, se encostava ao cimento do muro. Aqui, Val aqui, atrás o seu ciúme, conectando com o que se refere, com tudo o que... bombas (anos depois os soldados invadem o prédio, rebentam no meio da sala cruelmente as bombas, eu procurava Valquíria entre os acontecimentos tumultuosos, estávamos encurralados ali, não conseguimos sair daquilo, não há nenhum telefone funcionando). Esse amor. Tenho de deixar sossegado? Posso iludi-lo com amenidades? Eu sempre penso em matar minha lembrança, meu passado. Ele estaria morto finalmente se eu não o estivesse revirando agora.

CIRO JOGA RAIVA NO VENTILADOR




O Liberal, published in Belém, Brazil



O último suspiro de Ciro


Denise Rothenburg

Ivan Iunes

Publicação: 24/04/2010 10:56

Com a candidatura presidencial levada ao despenhadeiro pelo próprio partido, o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) decidiu não esperar o anúncio oficial de que estava fora da disputa pela Presidência. Em um espaço inferior a 24 horas, o pré-candidato explodiu, recuou e, como ele próprio disse, "continua esperneando". Com frases de efeito, Ciro alvejou o presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, a pré-candidata petista, Dilma Rousseff, e os dois comandantes do PSB, o presidente, Eduardo Campos, e o vice, Roberto Amaral, em entrevista ao portal IG. Mais tarde, recuou das críticas e diminuiu o tom, durante entrevista ao SBT.

Os principais atingidos pela verve do ainda pré-candidato à Presidência preferiram não comentar os ataques do político cearense. Eles estiveram reunidos para tratar das alianças entre PSB e PT no estados, já com o deputado federal virtualmente fora do baralho presidencial. Os socialistas cobram que o governo libere legendas menores para candidatos dos socialistas aos governos estaduais. As declarações de Ciro só o fizeram ficar mais distante do projeto de concorrer à Presidência. Em conversas reservadas, lideranças do PSB admitem que esperavam dele um conformismo maior com a realidade: o partido está mais disposto a construir seus projetos estaduais do que a enfrentar o presidente Lula e o PT.

Depois de ser informado por Campos e Amaral de que a decisão sobre uma possível candidatura partiria dos diretórios regionais do PSB, o deputado federal entendeu que a senha era para desistir de vez da terceira candidatura ao Planalto. Disparou contra todos os obstáculos que se impuseram entre ele e as eleições presidenciais. Primeiro, atacou o presidente da República: "Lula está navegando na maionese. Ele está se sentindo o todo poderoso e acha que vai batizar Dilma presidente da República. Pior: ninguém chega para ele e diz 'Presidente, tenha calma'".

Na mesma toada, desdenhou das chances de Dilma em outubro. "Minha sensação agora é que o Serra vai ganhar. Dilma é melhor do que o Serra como pessoa, mas o Serra é mais preparado, mais legítimo, mais capaz", opinou. Sobre o próprio partido, também carregou a mão nas críticas. "Tiraram de mim o direito de ser candidato. Mas quer saber? Relaxei. Eles não querem que eu seja candidato? Querem apoiar a Dilma? Que apoiem a Dilma. Estou como a Tereza Batista cansada de guerra", declarou. O comentário mais ácido foi disparado contra Eduardo Campos e Roberto Amaral, comandantes da legenda. "(Eles) não estão no nível que a história impõe a eles", classificou.

Rojões


Procurando diminuir os efeitos da bomba detonada por Ciro Gomes, Eduardo Campos disse que tinha opiniões divergentes do companheiro de legenda. Diante do fogo amigo, deu recado tímido, de que o deputado teria de se curvar à decisão do partido. “A decisão que ocorre na próxima terça-feira vai ser compactuada por Ciro e por todos os companheiros, pois isso foi compactuado com ele”, disse. Aliado de primeira hora do pré-candidato, o deputado federal Márcio França (PSB-SP) contemporizou: "O Ciro é o Ciro e ninguém vai domá-lo. É igual à mulher da gente, vem com defeitos e qualidades. Tem potencial para explodir o mundo. Quando ele só solta meia dúzia de rojões, é para se comemorar".

Oficialmente, o PSB ainda não cortou pelo talo a pré-candidatura de Ciro à Presidência. Para oficializar a retirada, cobra do governo a liberação de partidos menores, como PCdoB e PR, para as alianças estaduais. Em três dias, os diretórios estaduais entregarão posicionamento sobre os rumos do partido em outubro. Cerca de 20 diretórios devem declarar apoio a Dilma Rousseff. Hoje, a legenda tem quatro governadores (Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte e Piauí). Para outubro, estuda ter candidaturas para governador em 11 estados, e para Senador em oito. A aliança com os petistas é vista como primordial para engordar os quadros do partido.

EM CHAMAS





Publicado em Nuernberger Zeitung, published in Nurnberg, Germany

Pesquisadores alemães criam carro dirigido pelo olhar




Pesquisadores alemães criam carro dirigido pelo olhar




BERLIM (AFP) - Um veículo dirigido apenas com o olhar é possível, segundo um protótipo desenvolvido por uma universidade alemã, batizado de "Spirit of Berlin", que fez testes de direção nesta sexta-feira, na pista do aeroporto de Tempelhof, no sul da capital alemã.


Trata-se de um pequeno ônibus da marca Dodge adaptado pela Universidade Livre de Berlim (FU, da sigla em alemão) para ser dirigido unicamente com o olhar, sem que as mãos tenham de tocar o volante.


O protótipo deu voltas na pista do aeroporto alemão desativado. "Esse tipo de veículo está proibido nas vias de circulação normais", disse Raúl Rojas, de origem mexicana, especialista em informática e diretor do departamento de "inteligência artificial" que desenvolve essa tecnologia.


Seu colega, que ocupou o lugar do motorista, usou um capacete dotado de uma câmera que foca os olhos. O mínimo movimento é transmitido ao computador que o transforma em impulso enviado à direção do veículo.


Cheio de receptores, cabos e processadores, o veículo é inclusive capaz de perdoar uma eventual falta de atenção do motorista, já que se não houver nenhuma curva no lugar para o qual a vista foi desviada, o automóvel anula a ordem de girar.


Batizado de "Spirit of Berlin", essa pequena joia tecnológica, com custo em torno de 150.000 euros, é "um passo rumo ao carro sem motorista", explica Rojas, que chegou a Berlim há 27 anos.


O departamento de "inteligência artificial" da FU de Berlim está, assim como as universidades americanas de Stanford e de Carnegie Mellon, na liderança das pesquisas neste setor, explica.


Mas a produção em massa desse veículo ainda está longe de ocorrer. Para isso, serão necessários de 20 a 30 anos para que a tecnologia amadureça e para que os veículos sejam autorizados pela legislação, conclui Rojas.

Chomsky alerta sobre crescimento da extrema direita nos EUA





Chomsky alerta sobre crescimento da extrema direita nos EUA


A direita se alimenta da frustração e avançam os ultra-conservadores como o Tea Party. Latinos e negros são perseguidos, como a Alemanha fascista fez com os judeus, assegura o intelectual.

Por David Brooks, para o La Jornada

O desencanto com o governo e os políticos cresceu a níveis sem precedentes nos últimos tempos de acordo com pesquisas. Crescem a ira, a incerteza, o pessimismo e a desconfiança em Washington, e o fruto dessa frustração popular está sendo colhido por direitistas.

"Nunca vi nada parecido na minha vida", declarou Noam Chomsky. Entrevistado por Chris Hedges para o site Truthdig, acrescentou que o humor do país é aterrador. O nível de ira, frustração e ódio a instituições não está organizado de maneira construtiva. É desviado para fantasias autodestrutivas em referência a expressões populistas da ultra-direita.

O sentimento anti-governamental foi incrementado entre a sociedade, e só 22% diz confiar plenamente no governo, de acordo com pesquisas do Pew Research Center, um dos pontos mais baixos em meio século. Para quase toda medida concebível, os estadunidenses hojes são menos positivos e mais críticos de seu governo. Há uma tormenta perfeita de condições associadas com a desconfiança em relação ao governo: uma economia abismal, um público pessimista e um descontentamento épico com o Congresso e os funcionários eleitos, afirmou Andrew Kohut, presidente do Pew Research Center, ao resumir as conclusões de uma série de pesquisas.

O Pew registrou que apenas 25% tem uma opinião favorável do Congresso — o ponto mais baixo em 50 anos — e 65% expressa uma opinião negativa. Cada vez mais americanos opinam que o governo tem prioridades equivocadas e que isso tem um impacto negativo em suas vidas cotidianas. Cerca de 62% afirma que as políticas do governo beneficiam somente alguns grupos e 56% opina que o governo não faz o suficiente para ajudar o estadunidense médio.

Além disso, se confirma o aumento do sentimento anti governamental entre um segmento da sociedade, ao duplicar-se aqueles que dizem que estão incomodados com o governo federal: de 10% em 2000 a 21% hoje. E 30% percebe que o governo é uma ameaça para sua liberdade pessoal.

O Pew também registrou, em um revés comparado com uma pesquisa de meses atrás, que a maioria desconfia de um maior papel do Estado na economia, com a exceção do setor financeiro, onde uma ampla maioria deseja que o governo regule estritamente as empresas financeiras.

Talvez o setor mais descontente com o governo seja o chamado movimento Tea Party, expressão ultra-conservadora que surgiu há um ano em protesto pelo projeto de estímulo econômico e que cresceu em visibilidade na campanha contra a reforma da saúde proposta pelo governo de Barack Obama. Esse movimento é majoritariamente formado por homens brancos, de 45 anos, que se descrevem como incomodados ou furiosos com Washington.

São considerados como a parte mais dinâmica do movimento conservador, com o propósito de não só deter as propostas de Obama, como também de atacar políticos republicanos que são considerados "não muito" conservadores.

Pesquisas recentes do New York Times/CBS News revelaram que 18% dos americanos se identificam como simpatizantes do Tea Party, se classificam "muito conservadores", são muito pessimistas sobre a direção do país e severamente críticos de Washington e, naturalmente, de Obama. Mais de 90% deles acreditam que o país avança por um caminho equivocado e a mesma porcentagem desaprova o presidente e sua administração política. Já 92% dos pesquisados estimam que Obama leva o país "rumo ao socialismo" (uma opinião compartilhada por mais da metade da população em geral).

Por outro lado, as expressões de ira popular direitista se registram ao reportar-se mais crimes de ódio, um aumento de grupos ultradireitistas radicais, assim como relatórios não oficiais de um crescente número de ameaças de morte contra o presidente. As agências de segurança pública elevaram o estado de alerta pelo que foi chamado de "terrorismo doméstico".

Foram relatados incidentes, vários sob investigação, de atos de intimidação contra congressistas e outros políticos eleitos. No início do mês, mais de 30 governadores receberam cartas de um grupo anti-governamental ultra-conservador que exigia deles sua renúncia em um prazo de 3 dias (embora não houvesse ameaça de violência), o que fez com que autoridades federais advertissem policiais locais que as cartas poderiam provocar comportamento violento. Como estes, existem mais exemplos por todo o país.

A onda de desilusão com o governo e seus governantes provoca preocupação entre alguns políticos que ainda não sabem que impacto isso poderia ter nas eleições legislativas de novembro próximo. Mas para outros o assunto é alarmante.

"É muito similar à Alemanha de Weimar, os paralelos são notáveis". Também aí existe uma desilusão tremenda com o sistema parlamentar, apontou Chomsky na entrevista do Truthdig.

"Os Estados Unidos tem muita sorte em que não tenha surgido uma figura honesta e carismática, já que se isso acontecesse este país estaria em verdadeiros apuros pela frustração, a desilusão e a ira justificada e à ausência de uma resposta coerente", inclui.

Na Alemanha, relembra, o inimigo criado para explicar a crise foi o judeu. "Aqui serão os imigrantes ilegais e os negros. Nos dirão que os homens brancos são uma minoria perseguida. Nos dirão que temos que nos defender e defender a honra da nação. Se exaltará a força militar. Haverá golpes. Isso pode se converter em uma força incontestável. E, se ocorrer, será mais perigosa que a Alemanha nazista. Os Estados Unidos são o poder mundial... não acredito que isto esteja longe de acontecer", diz.

Fonte: La Jornada