terça-feira, 31 de agosto de 2010

Alagoas, duas pesquisas e um abismo



Alagoas, duas pesquisas e um abismo

Por Anderson David Gomes dos Santos em 31/8/2010


Desde julho que os alagoanos esperavam pela primeira pesquisa de fontes mais "tradicionais" sobre as eleições no estado. Naquela ocasião, a pesquisa aferida pelo Instituto Brasileiro de Pesquisa e Ensino (Ibrape) apontava o ex-presidente, cassado por impeachment em 1992, Fernando Collor de Mello (PTB), com 38%, o ex-governador Ronaldo Lessa (PDT) com 26%, o atual governador Teotônio Vilela (PSDB) com 21% e Mário Agra (PSOL) com 1%.

Pesquisas de dois institutos foram divulgadas nesta terça-feira (24/8). Primeiro, através do jornal Gazeta de Alagoas, o Gazeta Pesquisas (Gape) anunciou a sua, realizada durante o dia anterior e que ouviu 1.055 eleitores. O resultado aponta uma distância maior de Collor para os seus concorrentes: Fernando Collor com 38%; Ronaldo Lessa com 23%; Teotônio Vilela com 16%; Mário Agra com 1%. Com esses resultados, o ex-presidente teria fortes chances de vencer no primeiro turno, com a somatória dos votos dos demais candidatos estando empatada, dentro da margem de erro, com a sua porcentagem.

O que poderia ser motivo de preocupação para muitos foi contradito na noite dessa mesma terça-feira. O Ibope Inteligência, sob encomenda da TV Gazeta, teve divulgada no telejornal noturno da emissora afiliada à Globo a sua pesquisa, realizada do dia 19 de agosto até o dia de anúncio da pesquisa (24/8) e que ouviu 812 pessoas. O resultado foi completamente diferente: Ronaldo Lessa com 29%; Fernando Collor com 28%; Teotônio Vilela com 26%; Mário Agra com 1%. Um equilíbrio que aponta, levando-se em consideração a margem de erro de três pontos percentuais, um empate técnico entre os três candidatos que já passaram pelo cargo.

Exemplo das eleições para o Senado

Duas coisas nos chamaram a atenção. Uma é óbvia e despertou um alerta em todos que acompanham a política no estado: a diferença nos resultados das pesquisas poderia apontar influência direta na elaboração das mesmas. Já a segunda é, a partir do primeiro aspecto apontado, o quanto de influência uma pesquisa pode gerar no eleitor.

O Gazeta Pesquisa (Gape) foi fundado em agosto de 1995 como mais uma empresa da maior organização político-midiática de Alagoas, a Organização Arnon de Mello (OAM). Segundo o site da empresa, "a pesquisa eleitoral de intenção de voto é realizada através de amostra ponderada, em locais escolhidos através de sorteio dentro do município, com re-verificação de 20% da amostragem".

Filho do fundador da OAM, é a terceira vez que Fernando Collor é candidato com a existência do instituto de pesquisas e como os políticos da família sempre se utilizaram dos meios de comunicação como instrumento político, as discussões sobre interferência ou manipulação aparecem também no caso das pesquisas, especialmente com este caso.

Um exemplo a mais sobre isso vem das últimas eleições para o Senado, com participação de Collor contra Ronaldo Lessa. A última pesquisa Gape realizada e publicada na edição dominical da Gazeta de Alagoas no dia das eleições apontava vitória collorida por 49% a 27%. Nas urnas, o resultado foi bem mais apertado: 44,04% a 40,08%.

Resultado, só com apuração

A Organização Arnon de Mello possui a TV Gazeta, afiliada da Rede Globo e, consequentemente, com a maior audiência do Estado – mais de 70% de média diária; rádios em Maceió (AM e FM), Arapiraca (AM) e Pão de Açúcar (AM); um portal de notícias, Gazetaweb; e o jornal diário com a maior circulação em Alagoas – 15 mil a 20 mil exemplares; além de uma gráfica e do instituto de pesquisas Gape.

A nossa maior preocupação em torno disso tudo é quanto à influência que as pesquisas podem gerar nos eleitores e a pesquisa divulgada pelo Ibope traz um ponto importante como justificativa para esta preocupação.

Analisemos uma outra pergunta feita no questionário: "Independente da sua intenção de voto, quem o (a) senhor (a) acha que será o próximo governador de Alagoas?" 37% dos eleitores responderam Fernando Collor; 23% citaram Ronaldo Lessa e 21% Teotônio Vilela. Percebam que a quantidade de votos praticamente reflete a pesquisa do Ibrape, supracitada.

Uma pesquisa, especialmente se ela pode indicar o término das eleições ainda no primeiro turno, pode fazer com que o eleitor vote em alguém já que "ele vai ganhar mesmo". Ainda que no caso de Collor, devido à sua rejeição gerada pelo processo de impeachment quando era presidente do país, tais resultados possam criar um processo inverso, "forçando" os indecisos e os decididos em anular o voto em votar num candidato opositor.

A mídia, através da divulgação destes resultados, não só agenda as discussões em torno de uma "previsível" vitória de candidato A, como acaba por fazer com que os eleitores de candidatos adversários comecem a se acostumar com uma realidade diferente daquela desejada.

Por melhor que seja o método das pesquisas e/ou a maneira de divulgação das mesmas, só a apuração pode (e deveria) mostrar quem tem realmente mais votos e o quanto tem. As eleições passadas demonstram isso: enquanto o resultado das urnas apresentou a vitória de Teotônio Vilela ainda no primeiro turno sobre João Lyra (PTB), só a última pesquisa mostrava Vilela à frente para uma disputa de segundo turno.


http://www.observatoriodaimprensa.com.br/



PAPELITO




Os dirigentes da companhia San Esteban Minera, proprietária da mina de cobre de San José, cujo desmoronamento deixou soterrados 33 homens que sobrevivem a 700 metros de profundidade há mais de três semanas, foram chamados a responder pelo acidente perante um painel de deputados do Parlamento do Chile.
Memorial junto da estrada principal a caminho da mina de San José, onde os 33 mineiros estão presos (Ivan Alvarado/Reuters)

Os donos da empresa, Alejandro Bohn e Marcelo Kemeny, foram inquiridos sobre as condições e os procedimentos de segurança da mina, que tem um longo historial de irregularidades, falhas e acidentes fatais, o último a 11 de Julho, quando a queda descontrolada de rocha esmagou a perna de um mineiro.

“O país precisa de explicação para o facto de não terem sido respeitadas as obrigações impostas pelo Governo, nomeadamente uma série de medidas correctivas”, declarou antes do início da audiência o deputado Alejandro Garcia-Huidobro, que dirige o comité de segurança mineira criado pelo Executivo.

O sinistro originou o encerramento temporário da mina, próxima da localidade de Copiaco, a 500 quilómetros da capital Santiago. Mas essa não foi a primeira vez que um acidente forçou o fecho da mina: a empresa perdeu a licença e esteve parada mais de um ano, entre 2007 e 2008, depois de 16 pessoas terem morrido em acidentes.

A reabertura da mina, a 28 de Julho, foi assinada por um oficial do Ministério da Saúde, Raúl Martínez Guzmán, que esta terça-feirase demitiu. A rapidez com que a empresa foi autorizada a retomar a produção leva Garcia-Huidobro a suspeitar de suborno e corrupção. “Esta foi a única mina que reabriu sem ter sido feita uma inspecção depois da denúncia de irregularidades. Isso significa que foram feitas pressões”, concluiu, em declarações a uma rádio.

Salários por pagar

Entretanto, Bohn e Kemeny disseram que as investigações governamentais, as acções judiciais interpostas depois do acidente e a paragem da produção da mina de San José poderão levar a empresa a declarar falência – pondo em causa o pagamento dos salários e de possíveis indemnizações aos mineiros que ficaram soterrados.

Um juiz já ordenou o congelamento de 1,8 milhões de dólares de receitas como medida de prevenção e poderá exigir que os donos da mineira sejam impedidos de sair do Chile enquanto durar a investigação.

O sindicato que representa os mineiros pediu ao Governo para assumir as responsabilidades da empresa e garantir o pagamento dos salários aos trabalhadores. No entanto, o secretário de Estado do Trabalho, Bruno Abranda, explicou que “o Governo não pode, legalmente, substituir-se à empresa para pagar salários e outros benefícios”.

Os 33 homens presos no subsolo foram entretanto “realojados” numa outra cavidade a 200 metros do seu anterior refúgio, onde o grau de humidade não é tão elevado. Vários exibiam feridas cutâneas provocadas por fungos resultantes das altas temperaturas. O ministro da Saúde, Jaime Mañalich, garantiu que os sobreviventes estão sob rigorosa vigilância médica: todos os dias são controladas a pressão arterial, a temperatura e a circunferência abdominal de forma a calcular as doses de água, nutrientes e suplementos que lhes são enviados por sonda.

Os homens estão a receber vitamina B e ácido fólico em substituição de vinho – que é o produto por que mais têm reclamado, assim como tabaco. Muitos bebiam bastante, alguns serão alcoólicos. Em vez disso, têm ainda vídeos e PlayStations portáteis.


PUBLICO.PT

E LAS ULTIMAS NOTICIAS, CHILE




A imprensa e a despolitização do debate eleitoral


Vermelho
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A imprensa e a despolitização do debate eleitoral


Até parece conversa de avô para neto, mas definitivamente não se fazem mais campanhas eleitorais como antes. O que mais surpreende na atual campanha é a ausência de conflito, é como se o eleitor fosse escolher entre seis e meia dúzia porque esta é a mensagem embutida na agenda que a mídia está levando para a opinião publica.

Por Carlos Castilho*

Até agora a imprensa tem se preocupado mais em mostrar o seu aparato tecnológico para cobrir um evento, o que para a população ainda não parece significar grande coisa. A competição real não parece ser entre os candidatos mas entre a TV Globo e suas concorrentes, da mesma forma que os jornais tratam de achar temas eleitorais que possam justificar aumento nas tiragens.

A imprensa parece adotar este comportamento porque sente que o eleitor está cada vez mais descrente na política convencional, ao mesmo tempo em que sabe que convém ficar bem com o próximo/a eleito/a ou pelo menos ampliar o seu cacife para futuras negociações com o/a novo/a presidente.

Os candidatos, pelo menos até agora, deixaram de lado a politização ou ideologização da campanha por dois motivos:

a) O grupo liderado pelo PT não quer dar elementos para ser chamado de esquerdista, chavista ou filo-comunista e por isto recorre à mesma estratégia “paz e amor” que lhe garantiu vitórias nas eleições de 2002 e 2006;

b) A coligação PSDB/DEM também evita o rótulo de conservador porque sabe que o eleitorado moveu-se para uma posição de centro-esquerda durante o governo Lula, por conta da política de distribuição de renda que favoreceu as classes C e D.

É importante fazer a ressalva do tempo, ou seja, o "até agora", porque o espectro de uma derrota pode levar candidatos a uma radicalização desesperada e provavelmente também inútil. Mesmo se isto ocorrer, o fenômeno básico continua, isto é, a despolitização como um processo em marcha e aparentemente irreversível na campanha eleitoral.

Ele é a conseqüência de um desgarramento entre a máquina político-partidária do país e os eleitores. As siglas criaram um mundo próprio no qual o importante é agarrar-se ao poder como estrutura de perpetuação de interesses, fenômeno que contaminou o processo eleitoral transformando-o numa verdadeira dança de cadeiras.

Enquanto isto, o eleitor começou a dar-se conta que seus interesses reais se distanciaram cada vez mais da elite político-partidária e também da imprensa. A perda de interesse na campanha é uma conseqüência direta deste processo, que não é novo e já foi cantado em prosa e verso por inúmeros pesquisadores acadêmicos brasileiros.

Todo mundo sabe que numa eleição o grande protagonista é o eleitor, pois é ele que vai decidir, pelo menos é isto o que dizem os manuais da democracia. Mas o que prevalece de fato, há décadas, são o jogo dos políticos e a preocupação da mídia em transformar a disputa eleitoral numa corrida de cavalos.

Agora a grande atração é o jatinho da Globo e sua troupe de repórteres-celebridades. Causa embaraço ver William Bonner apresentar o Jornal Nacional de Macapá, tendo ao fundo uma multidão ululante, dando ao telejornal um ar de programa do Faustão ou um show de Roberto Carlos.

O fenômeno novo em tudo isto é o surgimento da internet como fator capaz de reverter este quadro. Capaz, porque ainda é tão somente uma alternativa, já que apenas 30% da população brasileira têm acesso ao ciberespaço e a cultura digital ainda está no jardim da infância. Mas o que a web já começa a mostrar é a emergência de dezenas de blogs, twitters, fóruns e comunidades sociais onde a presença da política é clara.

Se na mídia convencional acontece uma despolitização, na mídia alternativa digital ocorre o contrário. São os eleitores expressando os seus pontos de vista, geralmente de forma crua, passional e, às vezes, até agressiva. Quem for navegar, sem preconceitos, pela web vai verificar que não são poucos os blogueiros que se irritam contra o uso de ferramentas digitais por candidatos e partidos. É como se os blogueiros fossem donos da internet.

A mídia tem opções ao seu dispor para reencontrar a ligação com o público. A proposta do jornalismo cívico, desenvolvida nos Estados Unidos nos anos 1980 e 90, é uma ferramenta testada e capaz de ser adaptada a um contexto brasileiro. Ela é de uma simplicidade franciscana: em vez de promover shows para os marqueteiros de candidatos mostrarem as suas habilidades, bastaria convocar assembléias de bairros para que os moradores possam debater com os candidatos.

* Carlos Albano Volkmer de Castilho é jornalista com mis de 30 anos de experiência em rádio, jornais, revistas, televisão e agências de notícias, no Brasil e no exterior. Escreve para o Observatório da Imprensa.

Fonte: Observatório da Imprensa

RJ: Candidatos de Sérgio Cabral sobem e embolam disputa ao Senado


Vermelho
www.vermelho.org.br 31/08/2010

RJ: Candidatos de Sérgio Cabral sobem e embolam disputa ao Senado



Numa eleição morna — onde a disputa estadual traz o governador Sérgio Cabral na liderança isolada com chance quase irreversível de vencer já no primeiro turno —, o eleitor do Rio começa a se voltar para o Senado. É o que revelam as mais recentes pesquisas de intenções de voto feitas no estado.
Tanto Datafolha como Ibope apontam um forte crescimento dos candidatos do PT, o ex-prefeito de Nova Iguaçu Lindberg Farias, e do PMDB, deputado estadual Jorge Picciani — ambos apoiados por Cabral. Ao mesmo tempo, os dois institutos indicam quedas do líder nas últimas enquetes, o senador, Marcelo Crivella (PRB), e do ex-prefeito do Rio Cesar Maia (DEM).

O candidato que conquistou mais pontos na disputa foi Picciani. Segundo o Ibope, ele passou de 11%, há duas semanas, para 17%. Lindberg também teve elevação de 21% para 24% no mesmo período, enquanto Crivella e Cesar Maia caíram de 37% para 30% e 33%, respectivamente.

Nas últimas semanas, Picciani tem intensificado a campanha no interior do estado. Com ajuda do prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), reuniu, no início de agosto, 78 prefeitos para pedir apoio. No sábado, eles fizeram um ato batizado de "Municípios do Rio com Picciani" com carreatas por todo o estado.

Segundo Picciani, a liderança de Cesar Maia e de Crivella deve-se ao fato de ambos terem disputado outras eleições. "O recall deles é muito alto. Quando o eleitor olha a ficha das pesquisas, só conhece os dois e escolhe. Mas com a campanha da TV e o apoio de políticos que dão qualificação, falam o que fiz, o eleitor passa a me conhecer melhor", argumenta Picciani.

O deputado acredita que os votos que vêm recebendo agora são de indecisos e que ainda não roubou votos dos candidatos líderes. Isso, segundo ele, deve ocorrer agora na reta final.

Já Lindberg tem crescido na campanha e já se aproxima de Cesar Maia e Crivella. Em sua opinião, o principal motivador de sua expansão foi a propaganda na televisão onde tem mostrado suas propostas e o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Único dos que concorrem ao Senado pelo Rio a receber a adesão presidencial na propaganda eleitoral gratuita — já que o Tribunal Regional Eleitoral do estado proibiu o presidente de aparecer na campanha de Crivella —, Lindberg expõe diariamente as declarações de Lula na TV. Ontem, em visita ao porto do Rio, o presidente disse o prefeito anterior da cidade — sem citar diretamente Cesar Maia — não era um bom parceiro do governo federal.

A pesquisa do Datafolha, divulgada também no fim de semana, mostra números e tendência similares, com uma inversão entre Crivella e Maia. Crivella caiu de 40% para 37%. Cesar Maia ficou com 32%, enquanto Lindberg apareceu com 24% das intenções de voto e Picciani, com 16%.

Da Redação, com informações do Valor Econômico

O fim do JB nas bancas: relembrando a “batalha” de 1982


O fim do JB nas bancas: relembrando a “batalha” de 1982

por Luiz Carlos Azenha

FOTO: quadro de CARRERO

O Jornal do Brasil chegou às bancas hoje pela última vez. Presumo que tenha sido resultado de uma combinação de incompetência administrativa e concorrência desleal com a decadência relativa dos meios impressos por causa da internet. O modelo brasileiro de mídia é altamente concentrador, já que é escorado em relações de poder altamente concentradas. Você vai entender melhor se olhar naquela esquina do Congresso onde se cruzam os donos de terras, de cargos eletivos/públicos e dos meios de comunicação, especialmente das concessões de rádio e TV.

No Rio de Janeiro, especificamente, Paulo Henrique Amorim já descreveu (aqui) em detalhes como as Organizações Globo usaram seu poder eletrônico para detonar a concorrência: O Globo de domingo era destaque na programação de sábado da TV Globo, por exemplo. O JB foi uma das vítimas disso.

Os jornalistas, com certeza, vão se lembrar das grandes batalhas travadas pelo JB. Contra o regime militar, por exemplo. Ou, talvez a mais simbólica de todas, em 1982, nas eleições estaduais do Rio de Janeiro, quando Leonel Brizola enfrentou Moreira Franco.

Foi o ano do escândalo da Proconsult, empresa encarregada pelo TRE de totalizar os votos. Ano de pesquisas eleitorais distorcidas. De manchetes em choque. Moreira Franco tinha o apoio das Organizações Globo. Brizola contou com os jornalistas da rádio Jornal do Brasil e do JB para evitar a fraude.

No livro “Mídia: Crise política e poder no Brasil”, de Venício A. de Lima, o episódio é descrito assim:

Leonel Brizola era, em 1964, o mais controvertido dos políticos contra quem se voltaram os militares. Exilado, voltou ao país com a anistia de 1979. Em 1982 candidatou-se ao governo do Rio de Janeiro, um dos estados politicamente mais importantes do país.

A candidatura de Brizola não agradava ao regime militar e muito menos à RGTV, que tinha outras preferências, conforme revelou o ex-diretor da sua Divisão de Análise e Pesquisas, Homero Sanchez, em famosa entrevista publicada em maio de 1983. Sanchez, que à época da entrevista já não pertencia mais à RGTV, demitido que foi em consequência da sua ação como conselheiro informal de Brizola durante as eleições, revelou com detalhes o papel que a RGTV desempenhou na tentativa frustrada de se fraudar a eleição no Rio de Janeiro para impedir a vitória de Brizola.

Conforme a versão de Sanchez, Roberto Irineu Marinho, filho de Roberto Marinho e um dos quatro homens fortes das OG, havia assumido compromisso com o partido de sustentação do regime autoritário, cujo candidato era Wellington Moreira Franco. Segundo Sanchez, ao assumir tais compromissos, há indícios de que Roberto Irineu Marinho tenha se associado implicitamente ao esquema fraudulento montado para impedir a eleição de Brizola. Esse esquema consistia em iniciar as apurações pelo interior, onde era majoritário o partido do governo, criando a ilusão de uma iminente derrota do político anistiado. Era parte central desse esquema a empresa encarregada de processar a contagem dos votos — a Proconsult –, cujo principal programador era um oficial da reserva do Exército. A Proconsult havia desenvolvido um programa capaz de subtrair votos de Brizola e adicionar votos para Moreira Franco. Ao divulgar apenas os resultados da apuração oficial, a RGTV, líder de audiência, seria vital para o sucesso da fraude, pois emprestaria credibilidade aos falsos resultados que iriam aos poucos sendo fabricados.

O que não estava nos planos dos organizadores do esquema fraudulento, todavia, era o desenvolvimento de um serviço próprio de apuração, a partir dos boletins emitidos pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Este serviço foi organizado pelo jornal concorrente de O Globo, o Jornal do Brasil, justamente com suas duas prestigiadas emissoras de rádio AM e FM — representando interesses tanto comerciais como políticos em conflito com os das OG. Com isso, eram apresentados resultados parciais totalmente diversos dos veiculados pela RGTV. Já alertado para a fraude, Leonel Brizola orientou seu partido a desenvolver trabalho paralelo de apuração, utilizando-se de um computador próprio. Essas providências contribuíram para a descoberta da trama, denunciada depois por vários outros órgãos de imprensa (Veja, 1982b).

Ao mesmo tempo, constatada a possibilidade de fraude nas eleições para governador de um dos estados politicamente mais importantes do país, criava-se um clima de perplexidade na opinião pública, pois o candidato Leonel Brizola havia sido votado maciçamente na capital, ao contrário do que a RGTV mostrava.

Embora a entrevista citada de Homero Sanchez seja muito rica em detalhes sobre o envolvimento da RGTV na tentativa de fraude, vale destacar o seguinte trecho:

“O Brizola perguntou o que eu achava. Eu disse: ‘Está parecendo fraude’. [Pergunta do Brizola]: ‘O que tu acha que devo fazer?’ [Resposta]: ‘Bota a boca no mundo. Essa é a atitude que eu tomaria se fosse você, como candidato. Bota a boca no mundo’. Brizola inclusive me perguntou se devia falar com a TV Globo. ‘Nesse momento’ — eu disse para ele — ‘não te convém falar com a TV Globo porque lá agora toda a questão da apuração está sob as ordens de Roberto Irineu e ele acredita que pode eleger o Moreira Franco de qualquer maneira. Eu não te aconselharia a fazer isso’. Então ele procurou a TV Bandeirantes nesta mesma quarta-feira à noite.”

À época, o episódio mereceu a devida repercussão na mídia. Editorial da Folha de S. Paulo, por exemplo, afirmava:

“O verdadeiro fiasco em que se envolveu a Rede Globo de Televisão durante a fase inicial das apurações no Rio de Janeiro torna ainda mais presentes as inquietações quanto ao papel da chamada mídia eletrônica no Brasil [...]. Houve uma tentativa grave e inédita, posta a efeito pela maior cadeia de TV do país, no sentido de turvar o resultado das apurações e enfraquecer politicamente o candidato da oposição pedetista ao governo fluminense” (Folha de S. Paulo, 1982).

Quatro anos depois, o jornalista Luiz Carlos Cabral, que era um jovem editor de notícias da TV Globo no Rio de Janeiro quando ocorrreram as eleições de 1982, veio a público e relatou o que sabia acerca do esquema fraudulente. Ele disse:

“O papel da Globo no escândalo Proconsult foi preparar a opinião pública para o que ia acontecer — o roubo dos votos de Brizola para beneficiar a Moreira Franco. Não posso dizer de quem vieram as ordens [para distorcer os resultados], embora todos nós soubéssemos por intruição… As notícias da fraude estavam pipocando por toda a parte. Começamos a cobri-las. Esta era a nossa [dos jornalistas] oportunidade. Mas nada foi ao ar. Ordens superiores proibiram qualquer notícia sobre a fraude”. (Cabral, 1986).

A vitória de Brizola foi finalmente reconhecida e ele tornou-se governador do estado do Rio de Janeiro em março de 1983, mas seus problemas com as OG estavam longe de acabar. Durante seus quatro anos de governo, teve que enfrentar a forte oposição de Roberto Marinho. Brizola não foi capaz de assegurar a eleição de seu sucessor em 1986. Moreira Franco foi de novo o candidato da RGTV, agora apoiado pelo partido que havia conquistado o controle do governo federal em março de 1985. Ele ganhou as eleições, concorrendo contra, entre outros, Darcy Ribeiro, o candidato de Brizola, que atribuiu o fracasso da candidatura à permanente campanha da RGTV contra o seu governo.

Em entrevista concedida ao The New York Times, Roberto Marinho admitiu:

“Em um determinado momento, me convenci de que o sr. Leonel Brizola era um mau governador. Ele transformou a cidade maravilhosa que é o Rio de Janeiro em uma cidade de mendigos e vendedores ambulantes. Passei a considerar o sr. Brizola daninho e perigoso e lutei contra ele. Realmente usei todas as possibilidades para derrotá-lo na eleição”. (Riding, 1987).

*****

O deputado Brizola Neto tem uma visão particular sobre aquele episódio e sobre o papel do JB. E traça um paralelo com 2010.

Amazonas: Vanessa, do PCdoB, ameaça reeleição de Arthur Virgílio


Vermelho
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31/08/2010

Amazonas: Vanessa, do PCdoB, ameaça reeleição de Arthur Virgílio


A disputa pela segunda vaga no Senado pelo Amazonas tem empate técnico e deve ganhar ares mais polêmicos. O senador e candidato à reeleição Arthur Virgilio Neto (PSDB) aparece tecnicamente empatado com a deputada federal Vanessa Grazziotin (PCdoB), em 39% das intenções de voto.

Por Fábio Oscar, na Rede Brasil Atual
Na liderança e com vaga praticamente garantida está o ex-governador Eduardo Braga (PMDB), com mais de 80% da preferencia do eleitorado. Pesquisas de empresas locais, como Action Pesquisa de Mercado no Amazonas e Instituto Perspectiva, realizadas na semana passada apontavam empate técnico em 36% e 39%. Não foram divulgados dados de institutos nacionais a respeito da disputa.

Em entrevista à Rede Brasil Atual, Vanessa disse que considera a campanha dela bastante consolidada enquanto a do adversário direto mostra-se "completamente frágil". "A Dilma (Rousseff, candidata à Presidência) entrou na minha campanha no sábado (28). Mas o que vai fazer diferença mesmo é quando o povo amazonense cair na real e ver que a campanha do meu adversário é completamente mentirosa", acusou.

Segundo Vanessa, Virgílio "passou oito anos atacando o presidente Lula e hoje coloca tudo de bom que o presidente fez como se ele tivesse participado". "Ele engana a população e mentira tem perna curta", disparou a deputada. Virgílio, que faz campanha usando o nome Artur Neto, chegou a dizer, no plenário do Senado, que daria uma "surra" em Luiz Inácio Lula da Silva.

Procurada, a assessoria de imprensa de Virgílio, classificou de "patética" a acusação de que a campanha seria mentirosa. Segundo a campanha do tucano, "a resposta vai ser no dia 3 de outubro".

'Dragão parrudo'.


RIO - O fóssil de um novo tipo de dinossauro, que provavelmente se parecia com uma versão maior e mais forte do velociraptor, acaba de ser descoberto na Romênia. Segundo cientistas, o predador viveu há 70 milhões de anos e tinha duas garras afiadas em cada pata, diferente dos velociraptors, tinham apenas uma. E estas garras devem ter sido usadas para rasgar sua caça e outros predadores menores, afirmaram os pesquisadores que fizeram a descoberta à publicação "Proceedings of the National Academy of Sciences". O novo dinossauro ganhou o nome científico de Balaur bondoc, que quer dizer 'dragão parrudo'.

FIDEL RECONHECE CULPA


Fidel afirmou na segunda parte de uma entrevista publicada nesta terça-feira que é o principal responsável pela perseguição aos homossexuais na ilha há 50 anos e lamentou não ter corrigido essa falha por estar envolvido na defesa do país.

- Sim, foram momentos de grande injustiça, uma grande injustiça! Fomos nós que fizemos, fomos nós(...) Estou tentando diminuir minha responsabilidade em tudo isso, porque, pessoalmente, eu não tenho esse tipo de preconceito - disse. - Escapar da CIA, que comprava tantos traidores, às vezes entre pessoas próximas, não era coisa fácil. Mas, no fim, de todas as formas, se tem que assumir a responsabilidade, assumo a minha. Não vou jogar a culpa nos outros - acrescentou.

Fidel, que acaba de completar 84 anos, reapareceu em público no começo de julho, após quatro anos de reclusão recuperando-se de uma doença.

CIRANDA, EM MANAUS


FOTO DO AMAZONAS EM TEMPO

O resultado do 14º Festival de Cirandas de Manacapuru (a 68 quilômetros de Manaus) surpreendeu os brincantes e torcedores das agremiações Flor Matizada, Guerreiros Mura e Tradicional. As três associações folclóricas foram eleitas campeãs do festival 2010, algo inédito na cidade. A contagem ocorreu, durante à tarde de ontem, no “Cirandódromo”, no Parque do Ingá, segundo informou a assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Manacapuru.




De acordo com a organização do evento, um erro na nota do 6º jurado, cujo nome não foi revelado, impediu a computação das notas. Ele não deu nota a uma das agremiações e para evitar tumulto, a comissão organizadora decidiu declarar as três cirandas campeãs. A primeira a se apresentar foi a Flor Matiza que levou para o centro de convenções o tema “Aquecimento Global”. A ciranda coloriu o Parque do Ingá nas cores lilás e branco. A associações levou para arena 180 brincantes e 80 pares de cirandeiros em busca do quinto título do festival.




O grupo “Guerreiros Mura” homenageou a capital amazonense. Com o tema “Deusa Mãe, Rainha do Amazonas”, a associação folclórica relembrou a história de Manaus mostrando as glórias e o progresso alcançados pela capital, ressaltando ainda a cultura do Estado, numa homenagem destacando a evolução da cidade desde o ciclo da borracha até a atualidade.




Já a agremiação Tradicional, que encerrou o festival, defendeu o tema “Manacapuru uma saga cabocla, Ciranda Tradicional”. A agremiação fez uma homenagem aos produtores rurais, com destaque aos cultivadores de juta e malva, bastante presente na região do rio Negro

Onde o poder da grande mídia não chega


Venício Lima

31/08/2010


DEBATE ABERTO

Onde o poder da grande mídia não chega



O acesso às novas tecnologias e as facilidades de filmar, gravar, produzir sons e imagens e distribuí-los a baixo custo nas próprias comunidades periféricas, cria novos "espaços públicos" externos e fora do alcance da grande mídia.

Data: 31/08/2010
Publicado originalmente no Observatório da Imprensa

Os incríveis índices de aprovação do presidente Lula e do seu governo e a expectativa de que a candidata por ele apoiada vença as eleições ainda no primeiro turno – agora confirmada pela unanimidade dos institutos de pesquisa de "opinião pública" – vem deixando muita gente boa desorientada.

Teóricos de ocasião e autodesignados "formadores de opinião" estão perdidos diante do insucesso da cobertura de oposição sistematicamente praticada pela grande mídia nos últimos anos – aliás, confirmada pela presidente da ANJ em março passado – e têm oferecido explicações sem sentido para salvar as aparências.

Quem forma a "opinião pública"?

Afinal o que é opinião pública? Qual é o papel da grande mídia na sua formação? Quem são os seus formadores? Qual é o papel da mídia – e, portanto, dos jornalistas – na democracia representativa liberal?

A opinião pública tem sido objeto de estudo e reflexão desde pelo menos o século 18 e, no século 20, passou a fazer parte do debate conceitual e teórico na academia. Mais do que isso, seu significado se tornou objeto da própria disputa política de vez que serve aos interesses privados da grande mídia (a) defini-la como resultado das pesquisas que financia ou faz; (b) atribuir a si mesma o papel de "falar em nome da opinião pública"; e, sobretudo, (c) ser considerada como sua principal formadora.

O que está envolvido em tudo isso, por óbvio, é a disputa pelo poder: o enorme poder de "fazer a cabeça" das pessoas.

Descartada pelo marxismo clássico como falsa consciência e ideologia que mascara o interesse de classe, a opinião pública ocupa um papel central nas chamadas democracias consentidas liberais (G. Sartori), pois é considerada, no plano das idéias, o equivalente ao "preço das mercadorias", uma e outro resultantes da livre competição racional no mercado.

A opinião do cidadão informado e esclarecido surgiria do confronto plural de idéias no processo racional de debate público informado pela mídia. O sujeito da opinião, portanto, não seria o membro alienado de uma "massa", mas o cidadão esclarecido de um "público".

Na perspectiva liberal, caberia à mídia, acima dos interesses em jogo, o papel de fornecer ao público a pluralidade e a diversidade das informações necessárias à formação de sua opinião e, claro, à tomada de decisão política, em geral, e eleitoral, em particular. A liberdade da imprensa seria, portanto, a garantia do fluxo livre de informações, responsável pelo funcionamento do mercado de idéias e, em última instância, da própria democracia representativa.

Os excluídos despertam...

Como explicar, então, que, apesar de estar sendo "bem informada", a maioria da opinião pública brasileira esteja se formando politicamente com opinião oposta àquela explicitamente defendida pela grande mídia, ou seja, favorável não só ao presidente Lula, mas ao seu governo e à sua candidata?

Tenho argumentado a algum tempo que a grande mídia insiste em não enxergar a nova realidade (ver, por exemplo, neste Observatório, "A velha mídia finge que o país não mudou"). Certamente são muitas as explicações para o que vem acontecendo em relação à opinião pública brasileira.

Entre elas, com certeza, está a maior diversidade de fontes de informação política hoje disponível [internet] e o crescimento às vezes imperceptível do nível de consciência de camadas significativas da população sobre a mídia comercial, seu enorme poder e seus interesses. E ainda: a crescente consciência de que a comunicação é um direito fundamental da cidadania.

Jovens da periferia de Brasília

Essa longa reflexão vem a propósito de rápido, mas intenso contato que tive com grupos de jovens e educadores populares da periferia de Brasília, discutindo com eles sobre as relações entre a mídia e a violência durante o seminário "A juventude quer viver: diga não à violência e ao extermínio de jovens", realizado na Universidade Católica de Brasília, no último fim de semana.

O acesso às novas tecnologias e as facilidades de filmar, gravar, produzir sons e imagens e distribuí-los a baixo custo nas próprias comunidades periféricas, cria novos "espaços públicos" externos e fora do alcance da grande mídia.

Um exemplo: chega a ser surpreendente o conteúdo de músicas hip-hop que artistas populares criam descrevendo criticamente o padrão de cobertura que a grande mídia oferece sobre o jovem da periferia dos centros urbanos. Basta a esses artistas o confronto da sua realidade cotidiana com o que se escreve, se fala e se mostra a seu respeito. Revela-se comparativamente para milhões de jovens como o seu cotidiano é omitido ou grosseiramente distorcido. Eles são de fato excluídos e assim se consideram.

Para esses jovens, restrições à liberdade de expressão são uma realidade histórica, só que praticadas não pelo Estado, mas exatamente pela grande mídia que não oferece a eles o acesso e o espaço que deveria ser seu de direito [direito de antena].

Novos tempos

Essa realidade começa a ser mudada, todavia, pelos próprios jovens. E sem qualquer participação da grande mídia: são rádios comunitárias, shows de hip-hop, portais na internet, vídeos e outros recursos que começam a formar redes alternativas de comunicação comunitária a serviço da liberdade de expressão de milhares e milhares de jovens da periferia.

Nestes "espaços públicos" a grande mídia não interfere na formação da opinião. Aqui o conteúdo dos jornalões, das revistas semanais e das redes dominantes de rádio e televisão serve, na verdade, para confirmar a exclusão social e cultural, além de alimentar a crítica conscientizadora.

Talvez esteja aí – nas comunidades organizadas de jovens das periferias das grandes cidades – uma das explicações para o retumbante fracasso da grande mídia na formação da opinião pública em relação ao presidente Lula, ao seu governo e à sua candidata à Presidência.

O tempo dirá.

Ferenc Aszmann

PITIGRILLI


Duas horas antes aquele cão de máscara de Beethoven encontrara, sob os pórticos da “Comédie Française”, por trás do monumento a De Musset um cão seu amigo, um “fox-terrier” estúpido como uma rapariga honesta.

Os dois animais tinham-se aproximado, olhando-se nos olhos, e fazendo sinais por algum tempo, com a cauda. Depois um havia dado a precedência ao outro e o outro se tinha voltado, como para dizer:

— Depois de vós, senhor!

Esgotado aquilo que Maupassant chama as cerimônias maçônicas dos cães, sentaram-se um defronte ao outro, e contaram-se as suas peripécias.

O cão da máscara de Beethoven dissera:

— Tu moras na pastelaria da Rua Lépic. Reconheço-te. Parecia-me que não fosses uma cara, ou antes, um cheiro novo. Sempre nos encontrávamos quando eu e o meu criado íamos comprar na tua casa o presunto cozido do meu almoço.

“Agora não estou mais naquela casa. Consegui fugir.

“Que queres? Aquela casa não me agradava mais. Os meus hóspedes eram demasiados ricos, demasiado bons; queriam-me demasiado bem. Devam-me nojo com o seu afeto.”

— Deixavam-te lamber os pratos?

— Isso não, porque é anti-higiênico, dizem eles, deixar que os cães comam nos pratos do dono.

— Preconceitos!

— Têm razão. Eu sei de um cão que, por ter lambido o prato onde comera uma senhorita de dezoito anos, de família distinta, pegou a sífilis.

“Davam-me tudo o que eu queria.

“Não sabes quanto se está mal na abastança!

“Tinha um criado exclusivamente para mim. Dormia em coxins moles, macios, inchados, num quarto escrupulosamente aquecido, no meio de móveis finíssimos que eu me sentia no dever de respeitar, conquanto me deixassem a mais completa liberdade de escolha, entre uma peça e outra.

“Não me faltava nada. Faziam-me contrair a diabete por hipernutrição. Não havia gulodice que não me dessem. Mantinham-me a pastéis de caça, “pemmican” e “plum cake”. Mandavam vir da Inglaterra uns biscoitos especiais. Haviam chegado a eliminar em mim a coisa mais bela: o desejo. Eu não podia desejar mais nada, porque tinha tudo.

“Só desejava uma coisa, que nunca me permitiram: aventuras passageiras com cadelinhas de menor idade, que mostravam interesse por mim, quando eu levava a passeio nos Campos Elísios o meu criado. Mas um cão da minha raça — diziam eles — não pode ter “mésalliances”. E aconteceu-me o que acontece aos príncipes hereditários: estabeleceram épocas fixas para os meus amores, que eu só devia consumar com exemplares femininos da minha raça. Com este fim peregrinei de casa em casa; em toda parte onde se encontrasse uma fêmea de meu tipo, tinha eu que fazer estágios de quinze dias. Estive na casa de uma grande atriz, de um ex-presidente da República, de um embaixador, de um filósofo chinês, de uma “cocotte” célebre.”

— De uma “cocotte”? Deves ter visto boas!

— Não. Vi mais nas casas de famílias decentes. Oh, quantas coisas vi nas que freqüentei! Se soubesses como os homens são diferentes em casa e fora de casa! Tu, que vagas continuamente pelas ruas, imaginarás que as mulheres sejam, em frente de si mesmas, seres delicados, refinados, preciosos como são fora. Oh, iludido! Eu vi-as na intimidade, e afirmo-te que nunca encontrei u’a mulher, por espiritual que fosse, que na solidão do seu quarto, sabendo-se inobservada, não introduzisse no nariz aqueles dedinhos pálidos que parecem destinados a só tocar hóstias santas e pérolas reais.

http://www.ebooksbrasil.org/eLibris/castidade.html



domingo, 29 de agosto de 2010

UM ACADEMICO NATO


UM ACADEMICO NATO

Rogel Samuel

Leio que Roberto Mendonça é candidato a uma vaga na Academia Amazonense de Letras. Ninguém melhor do que ele pode servir à Academia do que ele. Conheci-o há anos, na biblioteca da UFAM, em Manaus, na rua Ramos Ferreira. Ele já pesquisava os textos dos antigos acadêmicos: Ramayana de Chevalier, Genesino Braga etc. Ele sabia que eu fui o primeiro a colocar na Internet os autores daquela época de ouro da AAL: Álvaro Maia, Péricles Morais, João Leda. Ele sabia do meu gosto pelos autores amazonenses: André Araujo, Hemetério Cabrinha, Mavignier de Castro, João Nogueira da Mata, Pe. Nonato Pinheiro, Moacyr Rosas e tantos outros. Tivemos grandes prosadores, antes dos grandes poetas do Clube da Madrugada.

Mas um livro em particular logo nos uniu naquele dia: “Aparição do Clown”, de L. Ruas. Eu só tinha um Xerox do livro, mas mesmo assim consegui colocar o livro no meu site, tempos depois.

Roberto Mendonça tem tudo para entrar na academia, vários livros importantes.

E principalmente amor pela literatura amazonense.

Esfera pública x esfera mercantil


Esfera pública x esfera mercantil


Emir Sader


O neoliberalismo é a realização máxima do capitalismo: transformar tudo em mercadoria. Foi assim que o capitalismo nasceu: transformando a força de trabalho (com o fim da escravidão) e as terras em mercadorias. Sua história foi a crescente mercantilização do mundo.

A crise de 1929 - de que o liberalismo foi unanimemente considerado o responsável - gerou contratendências, todas antineoliberais: o fascismo (com forte capitalismo de Estado), o modelo soviético (com eliminação da propriedade privada dos meios de produção) e o keynesianismo (com o Estado assumindo responsabilidades fundamentais na economia e nos direitos sociais).

O capitalismo viveu seu ciclo longo mais importante do segundo pós-guerra até os anos 70. Quando foi menos liberal, foi menos injusto. Vários países – europeus, mas também a Argentina – tiveram pleno emprego, os direitos sociais foram gradualmente estendidos no que se convencionou chamar de Estado de bem-estar-social.

Esgotado esse ciclo, o diagnóstico neoliberal triunfou, voltando de longo refluxo: dizia que o que tinha levado a economia à recessão era a excessiva regulamentação. O neoliberalismo se propôs a desregulamentar, isto é, a deixar circular livremente o capital. Privatizações, abertura de mercados, “flexibilização laboral” – tudo se resume a desregulamentações.

Promoveu-se o maior processo de mercantilização que a história conheceu. Zonas do mundo não atingidas ainda pela economia de mercado (como o ex-campo socialista e a China) e objetos de que ainda usávamos como exemplos de coisas com valor de uso e sem valor de troca (como a água, agora tornada mercadoria) – foram incorporadas à economia de mercado.

A hegemonia neoliberal se traduziu, no campo teórico, na imposição da polarização estatal/privado como o eixo das alternativas. Como se sabe, quem parte e reparte fica com a melhor parte – privado – e esconde o que lhe interessa abolir – a esfera pública. Porque o eixo real que preside o período neoliberal se articula em torno de outro eixo: esfera pública/esfera mercantil.

Porque a esfera do neoliberalismo não é a privada. A esfera privada é a esfera da vida individual, da família, das opções de cada um – clube de futebol, música, religião, casa, família, etc.. Quando se privatiza uma empresa, não se colocam as ações nas mãos dos indivíduos – os trabalhadores da empresa, por exemplo -, se jogam no mercado, para quem possa comprar. Se mercantiliza o que era um patrimônio público.

O ideal neoliberal é construir uma sociedade em que tudo se vende, tudo se compra, tudo sem preço. Ao estilo shopping center. Ou do modo de vida norteamericano, em que a ambição de todos seria ascender como consumidor, competindo no mercado, uns contra os outros.

O neoliberalismo mercantilizou e concentrou renda, excluiu de direitos a milhões de pessoas – a começar os trabalhadores, a maioria dos quais deixou de ter carteira de trabalho, de ser cidadão, sujeito de direitos -, promoveu a educação privada em detrimento da publica, a saúde privada em detrimento da pública, a imprensa privada em detrimento da pública.

O próprio Estado se deixou mercantilizar. Passou a arrecadar para, prioritariamente, pagar suas dívidas, transferindo recursos do setor produtivo ao especulativo. O capital especulativo, com a desregulamentação, passou a ser o hegemônico na sociedade. Sem regras, o capital – que não é feito para produzir, mas para acumular – se transferiu maciçamente do setor produtivo ao financeiro, sob a forma especulativa, isto é, não para financiar a produção, a pesquisa, o consumo, mas para viver de vender e comprar papéis – de Estados endividados ou de grandes empresas -, sem produzir nem bens, nem empregos. É o pior tipo de capital. O próprio Estado se financeirizou.

O neoliberalismo destruiu as funções sociais do Estado e depois nos jogou como alternativa ao mercado: se quiserem, defendam o Estado que eu destruí, tornando-o indefensável; ou venham somar-se à esfera privada, na verdade o mercado disfarçado.

Mas se a esfera neoliberal é a esfera mercantil, a esfera alternativa não é a estatal. Porque há Estados privatizados, isto é, mercantilizados, financeirizados; e há Estados centrados na esfera pública. A esfera pública é centrada na universalização dos direitos. Democratizar, diante da obra neoliberal, é desmercantilizar, colocar na esfera dos direitos o que o neoliberalismo colocou na esfera do mercado. Uma sociedade democrática, posneoliberal, é uma sociedade fundada nos direitos, na igualdade dos cidadãos. Um cidadão é sujeito de direitos. O mercado não reconhece direitos, só poder de comprar, é composta por consumidores.

Na esfera da informação, houve até aqui predomínio absoluto da esfera mercantil. Para emitir noticias era necessário dispor de recursos suficientes para instalar condições de ter um jornal, um rádio, uma TV. A internet abriu espaços inéditos para a democratização da informação.

A democratização da mídia, isto é, sua desmercantilização, a afirmação do direito a expressar e receber informações pluralistas, tem que combinar diferentes formas de expressão e de mídia. A velha mídia é uma mídia mercantil, composta de empresas financiadas pela publicidade, hoje aderida ao pensamento único. Uma mídia composta por empresas dirigidas por oligarquias familiares, sem democracia nem sequer nas redações e nas pautas dos meios que a compõem.

A nova mídia, por sua vez, é uma mídia barata nos seus custos, pluralista, crítica. O novo espaço criado pelos blogueiros progressistas faz parte da esfera pública, promove os direitos de todos, a democracia econômica, política, social e cultural. A esfera pública tem expressões estatais, não- estatais, comunitárias. Todas comprometidas com os direitos de todos e não com a seletividade e a exclusão mercantil.

São definições a ser discutidas, precisadas, de forma democrática, aberta, pluralista, de um fenômeno novo, que prenuncia uma sociedade justa, solidária, soberana. A possibilidade com que estão comprometidos Dilma e Lula de uma Constituinte autônoma permite que se possa discutir e levar adiante processos de democratização do Estado, de sua reforma em torno das distintas formas de esfera pública, desmercantilizando e desfinanceirizando o Estado brasileiro.


Emir Sader

Un callejón sin salida


Un callejón sin salida

El Ejército paquistaní no tiene más que una obsesión: impedir cualquier influencia india y, más en general, cualquier avance de India en la región. La hipótesis paquistaní por un lado, el bloqueo iraní por otro, la reaparición de cierta inestabilidad en Irak tras la negativa de los chiíes -respaldados por Irán- a obedecer el veredicto de las elecciones...Todo se desarrolla como si las guerras de Bush estuvieran llevando a Barack Obama a un callejón sin salida.

Jean-Marie Colombani (*)


El asunto de los documentos secretos sobre la guerra de Afganistán en el periodo 2004-2009, publicados por Wikileaks, The Guardian, Der Spiegel y The New York Times, se puede valorar en función de tres aspectos: las propias revelaciones contenidas en estos documentos, la actitud de los socios de Estados Unidos en la guerra y, tal vez, su posible influencia en la estrategia estadounidense para la región.

Como "revelaciones", no hay duda de que constituyen un magnífico golpe periodístico, pero no aportan ningún elemento que trastoque por completo la idea que podíamos tener del conflicto afgano. En 1973, The Washington Post publicó los extractos de un voluminoso documento encargado por el ministro de Defensa y que permitió establecer el origen de la guerra de Vietnam y mostrar que, desde el principio, ese conflicto había partido de unas bases falsas.

Los documentos obtenidos por Wikileaks no contienen nada parecido: nos informan de que las víctimas civiles son probablemente más numerosas de lo que dan a entender los balances oficiales, que las autoridades afganas están corruptas y que los servicios secretos paquistaníes utilizan a los talibanes, más que combatirlos. Pero todo eso se sabía ya, y figuraba en informes oficiales.

Por otra parte, se puede establecer una relación entre estos elementos y el cambio de estrategia estadounidense decretado por Barack Obama y que ya está llevando a cabo el general Petraeus (verdadero autor de ese cambio), según el cual, a partir de ahora hay que trabajar para ganarse "las mentes y los corazones".

Ahora bien, debemos tener en cuenta las repercusiones políticas de estas revelaciones. Como ocurre a menudo, la publicación de estos papeles puede servir para orientar las opiniones y, en cualquier caso, suscita unas emociones que, a su vez, se convierten en elemento de la realidad política. Por eso se han reabierto los debates en Europa, en países en los que la opinión pública rechaza desde hace tiempo la idea misma de la guerra en Afganistán. Es lo que sucede en Alemania, donde a intervalos regulares se pone en tela de juicio la presencia de casi 5.000 soldados. Esta situación se complica aún más porque en los documentos queda a la vista el papel de las fuerzas especiales estadounidenses, que escapan a todo control y se alojan, en parte, en un campamento militar del ejército alemán.

Del mismo modo, el debate ha resurgido con fuerza en Reino Unido, país en el que la opinión pública está todavía conmocionada por el error (término utilizado por el viceprimer ministro, Nick Clegg) que supuso la participación en la guerra deIrak. Por ese motivo se ha hecho la promesa de abrir y ampliar una investigación parlamentaria sobre los entresijos de la guerra de Afganistán, pese a que el Gobierno se ha comprometido a retirar sus 9.000 soldados de aquí a 2015 y que podría incluso verse obligado a emprender esa retirada antes de lo previsto.

El primero en anunciar su salida ha sido el contingente holandés, cuyos 2.000 soldados han empezado ya a retirarse.

En Francia, la emoción es menor. Salvo por la toma de posición de un ex ministro de Defensa socialista, Paul Quilès, que ha exigido la retirada de las tropas francesas, no ha sucedido nada que sea comparable a lo que, hace dos años, siguió a la muerte de 10 soldados franceses en una emboscada.

Las miradas están mucho más dirigidas hacia Estados Unidos, donde la publicación de estos documentos se produce en un momento en el que se multiplican las dudas sobre la estrategia estadounidense para la región. Ha habido un debate muy enérgico en el Congreso, saldado con la aprobación, por gran mayoría, de que se renueven los fondos para la guerra. A cambio, muchos se preguntan si Estados Unidos no se encuentra ya en una situación imposible.

Es evidente que, en lo esencial, se trata de una estrategia heredada de George W. Bush. Recordemos que este último se inventó la amenaza de las armas de destrucción masiva en Irak para justificar el comienzo de la guerra en dicho país, pese a que ya se sabía que una buena parte de las bases de apoyo de Al Qaeda estaba no solo en Afganistán, sino también en Pakistán, que sigue siendo el epicentro y el principal punto débil de Estados Unidos.

Los norteamericanos esperan de los paquistaníes que intensifiquen su lucha contra los talibanes. Pero está claro que Pakistán piensa mucho más en qué pasará después de la guerra e intenta adelantarse y controlar una parte del país que, es de imaginar, en el futuro estará repartido entre la influencia de Pakistán, por un lado, e Irán, por otro.

No es extraño, pues, que los servicios secretos paquistaníes sigan apoyando por completo o en parte a los talibanes, al tiempo que conceden, aquí y allí, algunas detenciones o eliminaciones cuya veracidad ni siquiera podemos comprobar.

Con su metedura de pata al conminar a Pakistán a que escoja un bando -sin distinguir, como habría debido, entre el Gobierno civil y el aparato militar-, el primer ministro británico, David Cameron, ha provocado una crisis diplomática con Islamabad desde India, donde se encontraba en viaje oficial.

El Ejército paquistaní no tiene más que una obsesión: impedir cualquier influencia india y, más en general, cualquier avance de India en la región. La hipótesis paquistaní por un lado, el bloqueo iraní por otro, la reaparición de cierta inestabilidad en Irak tras la negativa de los chiíes -respaldados por Irán- a obedecer el veredicto de las elecciones...

Todo se desarrolla como si las guerras de Bush estuvieran llevando a Barack Obama a un callejón sin salida.

Pero la verdad es que no existe, ni en Estados Unidos ni en Europa, una reflexión alternativa que genere una estrategia mejor sobre el terreno. Ese es, sin duda, el motivo de que, más por resignación que por convicción, la guerra de Afganistán vaya a continuar como hasta ahora.

(*) Jean-Marie Colombani fue director de Le Monde. Traducción de María Luisa Rodríguez Tapia. Artículo publicado en la sección "Tribuna" de la página de Opinión del diario "El País" de Madrid.

O colapso político do projeto do PSDB no Brasil




O colapso político do projeto do PSDB no Brasil

Sem programa, sem agenda e sem candidato com cara definida, o PSDB arrasta-se pela campanha à espera de um milagre e com um objetivo central: não perder o controle de São Paulo, onde sua blindagem também começa a fazer água. O crescimento do candidato do PT, Aloisio Mercadante, já detectado por pesquisas, acendeu a luz vermelha no quartel general tucano. Mudando de identidade e de estratégia a cada semana, campanha de Serra dá sinais de desespero e tenta se agarrar em velhas denúncias requentadas. Desorientação tucana é expressão do colapso da agenda política do PSDB para o país.

Marco Aurélio Weissheimer

Data: 27/08/2010
Por que, na contramão da maré nacional, os tucanos ainda são fortes em São Paulo? A pergunta, feita pelo sociólogo Emir Sader em seu blog nesta página, expressa a percepção cada vez mais forte de que o PSDB ingressou em uma fase de acentuado declínio. Se esse declínio é de longo, médio ou curto alcance só o tempo dirá. Mas há fatos que apontam para o fim de um ciclo político ou, ao menos, o fim de uma agenda política e econômica que, no Brasil, foi abraçada principalmente pelo PSDB. Um deles é o fato de o candidato tucano à presidência da República, José Serra, ter sido ultrapassado pela candidata Dilma Rousseff (PT) em São Paulo, o reduto mais forte do PSDB e maior colégio eleitoral do país com cerca de 30 milhões de eleitores.

Segundo o Instituto Datafolha, Dilma tem 41% das intenções de voto em São Paulo, contra 36% de Serra. Na pesquisa anterior do mesmo instituto, Dilma tinha 34% e Serra, 41%. A candidata do PT também ultrapassou Serra no Rio Grande do Sul e no Paraná. No Estado governado pela tucana Yeda Crusius, Dilma passou de 35% para 43%, enquanto Serra caiu de 43% para 39%. De modo similar, no Paraná, a candidata do PT saltou de 34% para 43% e Serra caiu de 41% para 34%.

Dilma Rousseff também está na frente dos dois maiores colégios eleitorais depois de São Paulo. Em Minas, passou de 41% para 48% (Serra caiu de 34% para 29%) e no Rio de 41% para 46% (Serra caiu de 25% para 23%). No plano nacional, ainda segundo o Datafolha (último instituto a apontar a ultrapassagem de Dilma sobre Serra), a candidata petista tem 49% das intenções de voto, contra 29% de Serra. Esses números correspondem à pesquisa divulgada pelo Datafolha dia 26 de agosto.

Curitiba é hoje a única das grandes capitais do país onde Serra tem vantagem (40% x 31%), mas mesmo aí a diferença vem caindo. Repetindo indicadores e tendências que vêm sendo apontadas por outros institutos (como Vox Populi, Sensus e Ibope), Dilma cresce em quase todos os segmentos do eleitorado.

O início da propaganda eleitoral no rádio e na televisão, que era considerado um trunfo pela campanha de Serra, só fez a vantagem de Dilma aumentar. Na pesquisa realizada pelo Datafolha, 54% dos entrevistados disseram que o programa de Dilma é melhor e que ela tem um melhor desempenho na TV. Serra ficou com apenas 26% de apoio neste quesito. Além disso, a percepção de vitória da candidata governista só aumenta: ainda segundo o Datafolha, 63% dos eleitores acreditam que Dilma vencerá a eleição presidencial.

O fim da Terceira Via
A queda de Serra, para além dos problemas que sua candidatura enfrenta na campanha eleitoral, expressa o declínio da agenda política do PSDB no Brasil. O fato de Serra esconder o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e utilizar a figura do presidente Lula em seu programa é a confissão de derrota de um programa. Uma derrota que não se limita ao caso brasileiro. O cientista político José Luís Fiori associa esse declínio ao fracasso da agenda da chamada Terceira Via em todo o mundo (ler artigo nesta página):

O que mais chama a atenção não é a derrota em si mesma, é a anorexia ideológica dos dois últimos herdeiros da “terceira via”. Não se trata de incompetência pessoal, nem de um problema de imagem, trata-se do colapso final de um projeto político-ideológico eclético e anódino que acabou de maneira inglória: o projeto do neoliberalismo social-democrata.

Campanha sem identidade
Essa é a chave para compreender a desorientação da campanha de Serra, que muda de cara todas as semanas. Já tivemos o Serra bonzinho, o malvado, o seguidor de Lula, o destruidor do Mercosul. A cada pesquisa e a cada ampliação da vantagem de Dilma muda a estratégia da campanha tucana. A mais recente é tentar ressuscitar o caso fraudulento de um suposto dossiê que teria sido elaborado por pessoas ligadas ao PT. Nos últimos dias, a denúncia foi requentada e voltou para as páginas dos jornais e para o programa de Serra. No contexto atual, é um tiro no pé, visto que evidencia o clima de desespero que vai tomando conta do PSDB.

Desespero acentuado pela situação do partido em nível nacional, onde seus candidatos escondem Serra de suas propagandas na TV, no rádio e mesmo em panfletos. Um dos casos mais patéticos ocorre no Rio Grande do Sul, onde a governadora tucana Yeda Crusius omite o nome de Serra de suas falas no rádio e na TV. Serra, por sua vez, não faz questão de aparecer ao lado de Yeda, que ostenta quase 50% de rejeição do eleitorado nas pesquisas que vêm sendo divulgadas.

Sem programa, sem agenda e sem candidato com cara definida, o PSDB arrasta-se pela campanha à espera de um milagre e com um objetivo central: não perder o controle de São Paulo, onde sua blindagem também começa a fazer água. O crescimento do candidato do PT, Aloisio Mercadante, já detectado por pesquisas, acendeu a luz vermelha no quartel general tucano.

Torcida do Holanda


FOTO RICARDO TEIXEIRA
Torcida do Holanda

sábado, 28 de agosto de 2010

O BELO BRANCO BOLO DA GUANABARA


O BELO BRANCO BOLO DA GUANABARA

Rogel Samuel


Naquela bela segunda-feira era aniversário do Rio. Eu andava na cidade, e o bolo de vários estava lá, “ maravilhoso». André Filho, no Carnaval de 1935, dizia: «Berço do samba e das lindas canções».


Dizem que foi Coelho Neto que primeiro chamou o Rio de Janeiro de «Cidade maravilhosa», em artigo publicado em 1908, no jornal A Notícia, «onde enaltecia as belezas e os contornos da cidade» (DA COSTA E SILVA/CARVALHO, Myrthes de/TOLEDO, Caio Alves de. Dicionário universal de curiosidades. CIL S.A., 1966. p. 433.) Referência encontrada na Internet.

Drummond, em «Canto do Rio em Sol», diz:

Os que te amamos sentimos
e não sabemos cantar:
o que é sombra do Silvestre
sol da Urca
dengue flamingo
mitos da Tijuca de Alencar.


Já Drummond dissera, em famoso poema («Canto Esponjoso»):

Bela
esta manhã sem carência de mito,
E mel sorvido sem blasfémia.

Bela
esta manhã ou outra possível,
esta vida ou outra invenção,
sem, na sombra, fantasmas.

Umidade de areia adere ao pé.
Engulo o mar, que me engole.
Valvas, curvos pensamentos, matizes da luz
azul
completa
sobre formas constituídas.

Bela
a passagem do corpo, sua fusão
no corpo geral do mundo.
Vontade de cantar. Mas tão absoluta
que me calo, repleto.

Nunca Carlos Drummond de Andrade foi tão carioca-mineiro quanto neste poema. O Rio ainda é Copacabana, « esta manhã ou outra possível, / esta vida ou outra invenção, /sem, na sombra, fantasmas.». O Rio, « sobre formas constituídas».

Encerro com meu poeminha « CENA CARIOCA»:


Joga o mendigo na praça
pedaços de pão para os pombos
e inteiramente de graça
dá de ombros.


(FOTO DE CUSTODIO COIMBRA)

No Amazonas, Dilma pede voto para Vanessa Grazziotin


Dilma pede voto para Vanessa na propaganda eleitoral na televisão

A deputada federal Vanessa Grazziotin, candidata ao Senado pela coligação “Avança Amazonas”, ganhou um reforço de peso na sua propaganda de televisão. A presidenciável Dilma Rousseff, líder nas pesquisas eleitorais no Amazonas, pede voto para Vanessa num vídeo que já está disponível no site da candidata na internet (senadoravanessa656.com.br) e vai ao ar durante este final de semana na propaganda da televisão em inserções comerciais de 30 segundos.

“O governo do presidente Lula começou a construir um novo Brasil, um país com estabilidade, crescimento econômico, inclusão e ascensão social. Nesse processo, alguns companheiros e companheiras sempre estiveram do nosso lado. Vanessa é um exemplo disso lutando com garra e competência pela Zona Franca de Manaus, pelo direito dos trabalhadores, pelo desenvolvimento do Amazonas. Por isso peço, para senadora, vote em Vanessa”, diz Dilma.

Vanessa afirmou que tem muita afinidade com Dilma desde o início do governo Lula. Lembrou que a ex-ministra foi uma das principais incentivadoras para que ela fosse candidata ao Senado.

“Estou muito contente. Isso deixa claro que nossa candidatura faz parte de um projeto político para o país. Com Dilma presidente, o Amazonas vai precisar de senadores equilibrados e comprometidos em dar continuidade a esse projeto de transformação”, afirmou Vanessa.

Para o comando de campanha, o pedido de voto feito por Dilma equilibra a propaganda eleitoral na televisão. Isso porque, alguns candidatos entraram no ar levando para a população a mensagem de que o presidente Lula e Dilma já haviam escolhidos seus candidatos no Estado.

A gravação também reafirma o compromisso de Dilma com os candidatos da base aliada. Segundo o comando, em termos eleitorais a hora é de avaliar que tem mais chances de vitória e mais história de luta.

Senadores experientes que ganharam os holofotes nos últimos oito anos estão ameaçados de sair de cena no início de 2011. Apesar de terem ocupado as páginas dos jornais e frequentado de maneira assídua a tribuna do Senado por quase uma década, eles, agora, têm a eleição ameaçada. Alguns mantiveram o discurso ultrapassado e utilizam a campanha não para apresentar novas ideias, mas para denegrir a imagem dos oponentes. Outros, além de envolvidos com esquemas de corrupção, fazem campanha semelhante à de coronéis que dividiam os Estados em currais eleitorais. De acordo com especialistas, o eleitor, cada vez mais bem-informado, vem mostrando que quer sangue novo e exige competência. “Há dois terços do Senado em disputa e haverá uma grande renovação”, diz o diretor do Diap, Antônio Augusto Queiroz. “Dos 30 que tentam a reeleição, quase a metade não deve se reeleger.”


A degola ameaça principalmente os senadores de oposição do Nordeste, que apostaram num discurso surrado e de crítica sistemática ao governo Lula no Congresso. O senador Heráclito Fortes (DEM-PI), que utilizou a CPI dos Bingos para minar o governo, corre sério risco de ficar sem mandato. Ele está em terceiro lugar nas pesquisas, com 24% dos votos, atrás do ex-governador Wellington Dias (PT-PI), que tem 55%, e de Mão Santa (PSC-PI), com 30%. “Estou recebendo um bombardeio direto do Palácio”, reclama Heráclito. “Eles não têm o direito de usar a máquina do governo, de distribuir verbas e convênios para favorecer seus aliados. As candidaturas mais caras são as do governo”, justificou. Outro que usou a CPI para atingir o governo foi o senador Efraim Morais (DEM-PB). Com uma diferença: Efraim é acusado de envolvimento em esquemas de corrupção. As denúncias vão desde a distribuição de cargos a servidores fantasmas no Senado até a cobrança de propinas em contratos de serviços públicos. Na Paraíba, o ex-governador Cássio Cunha Lima (PSDB) lidera as pesquisas ao Senado, com 52% dos votos. Em segundo lugar está o prefeito de Campina Grande, Vital do Rego Filho (PMDB), com 25%. Efraim tem 22%.


Outra figura carimbada da política brasileira que corre o risco de ficar sem mandato é o senador Arthur Virgílio (PSDB). Dono de um discurso ácido e de críticas pesadas, ele aproveita sua campanha para desferir duros golpes nos concorrentes. Mas essa estratégia não tem garantido votos para Virgílio. O ex-governador do Amazonas Eduardo Braga (PMDB) tem 82% e a deputada Vanessa Grazziotin (PCdoB) está em segundo lugar, com 39,3%. Virgílio aparece com 39%. No Rio Grande do Norte, o senador José Agripino Maia (DEM), que chegou a bater boca com a ministra Dilma Rousseff em audiência no Senado, está em segundo lugar nas pesquisas, com 39%, mas vê o avanço de sua oponente, a ex-governadora Wilma Maia (PSB), que já tem 32%. Em primeiro lugar está o ex-presidente do Senado Garibaldi Alves Filho (PMDB), com 41%.




Netinho empata com Quércia em pesquisa Datafolha e disputa pelo Senado em SP fica acirrada


Netinho empata com Quércia em pesquisa Datafolha e disputa pelo Senado em SP fica acirrada

O cantor, apresentador e vereador Netinho de Paula (PC do B) subiu sete pontos desde o início do horário eleitoral e já está empatado tecnicamente em segundo lugar com Orestes Quércia (PMDB) na disputa por uma vaga de senador por São Paulo.

Segundo pesquisa Datafolha realizada nos dias 23 e 24, Netinho passou de 17% para 24% de intenção de voto, enquanto Quércia oscilou de 25% para 26%. A margem de erro é de dois pontos.

Marta Suplicy (PT) manteve o mesmo patamar de 32% e continua liderando a disputa paulista.


O senador Romeu Tuma (PTB), que tenta a reeleição, caiu para a quarta posição, com 16% (tinha 23%). Ciro Moura (PTC) aparece em quinto, com 13%, e Aloysio Nunes Ferreira (PSDB) cresceu quatro pontos e chegou à sexta posição, com 9%.

Mais atrás estão Moacyr Franco (PSL), com 7%, Ana Luiza (PSTU), com 4%.

Em seguida vêm Ricardo Young (PV), Afonso Teixeira (PCO) e Serpa (PSB), com 2% cada um, e Marcelo Henrique (PSOL), Dirceu Travesso (PSTU), Mazzeo (PCB) e Ernesto Pichler (PCB), com 1% um.

Doutor Redó (PP) foi citado, mas não atingiu 1% das menções.

Votariam em branco ou anulariam o voto para as duas vagas 8%, e para uma das vagas, 13%. Não sabem em quem votar para uma das vagas 24%, e 14% estão indecisos com relação aos dois votos.

Foram ouvidos 2.088 eleitores em 59 municípios de São Paulo. Contratada pela Folha e pela Rede Globo, a pesquisa está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com o número 25.451/2010.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Dilma amplia sua vantagem para 24 pontos:


A pesquisa Ibope a ser publicada no Estadão, já vazou. Dilma amplia sua vantagem para 24 pontos:

Dilma: 51% (tinha 43% na pesquisa anterior Ibope/Estadão)
Serra: 27% (tinha 32%)
Marina: 7% (tinha 8%)

No estado de São Paulo, Mercadante cresce e reduz diferença de Alckmin:

Alckmin: 47%
Mercadante: 24%

Em Brasília, Agnelo empata com Roriz:

Agnelo Queiroz (PT): 36%
Joaquim Roriz (PSC): 36%

FOTO DE SEBASTIÃO SALGADO

Campanha oportunista isola o tucano Arthur Virgílio no Amazonas


Campanha oportunista isola o tucano Arthur Virgílio no Amazonas




Se quiser ser reeleito, o senador Arthur “eu daria uma surra no Lula” Virgílio (PSDB-AM) precisará superar dificuldades de toda sorte. Seu candidato ao governo estadual está com zero nas pesquisas. Seu presidenciável, o tucano José Serra, tem justamente no Amazonas as piores intenções de votos. Virgílio está praticamente sozinho — e sua atuação inconsequente na oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nos últimos oito anos, ajuda a entender esse isolamento.
Apesar de ser ainda popular entre os amazonenses, Virgílio não contava com uma realidade tão (merecidamente) adversa à sua candidatura. Uma das vagas do estado para o Senado é dada como certa para o ex-governador Eduardo Braga (PMDB) — que aparece virtualmente eleito senador com mais de 80% das intenções de voto. Na disputa à segunda vaga, o tucano duela com uma candidata que se revela cada vez mais competitiva — a deputada federal Vanessa Grazziotin (PCdoB).

"O embate Arthur-Vanessa será mais acirrado que a campanha de governador", avalia Edmilson Barreiros, procurador-regional eleitoral do Amazonas. Contra Virgílio pesa o fato de que seus adversários estão nas duas maiores coligações do estado e têm as candidaturas turbinadas pelos apoios de Lula, da presidenciável Dilma Rousseff e de Eduardo Braga.

Fazendo propaganda como Artur (sem o "H") Neto, o senador não esconde apenas o Virgílio do nome. Omite também que foi um dos inimigos mais intransigentes e grosseiros do governo Lula. Omite mais ainda o nome e a imagem de Serra em seus materiais de propaganda. É como se quisesse apagar o passado e as circunstâncias, para fazer uma campanha à moda antiga, baseada não nas ideias, mas no corpo a corpo.

Para Virgílio, os tempos de oposição raivosa e golpista a Lula não devem aparecer. O que importa é tão somente a reeleição, sob qualquer aparência “Segurei a oposição no Senado nas costas durante sete anos. Agora quero cuidar da minha reeleição. Quero meu mandato de volta”, afirma o senador, confirmando o pragmatismo. “Pode me chamar de pouco inteligente se eu tentar me reeleger brigando com o Lula dia e noite.”

Pesquisas desfavoráveis

Segundo Virgílio, sua rotina em campanha tem sido levantar, todos os dias, às 4h e "não dormir antes da meia-noite". O discurso é um conjunto de informações algo atrapalhadas, desconexas: “Hoje já apertei 4 mil mãos. Minha candidatura tem personalidade, não tem tutor. Depende só da minha vida e do meu passado — de mostrar o que pretendo fazer. Acredito que serei vitorioso e com base elástica".

Os números, porém, mostram o contrário. Pesquisa feita entre 15 e 22 de agosto pela Perspectiva — empresa que faz levantamentos estatísticos no Amazonas — mostra Virgílio com 39% das intenções de voto, empatado tecnicamente com Vanessa Grazziotin, que chegou a 39,3%.




Ao contrário de Virgílio, Vanessa está cercada de aliados de peso. É o caso do próprio Eduardo Braga – que promete transferir boa parte de seu imenso apelo popular entre os amazonenses para a candidata. Lula também vê as movimentações com ânimo. Afinal, se Vanessa vencer, o Amazonas terá, em 2011, três senadores da situação em caso de vitória de Dilma e do candidato a governador Omar Aziz.

Parte do PT com Vanessa

Antes do início da campanha eleitoral, o PT amazonense liberou seus filiados no Amazonas para apoiar candidatos da coligação de Vanessa. Já Dilma assumiu palanque duplo no estado e aparece com destaque no material de campanha da deputada. “A Vanessa tem o respeito do presidente Lula e do PT nacional porque é uma ótima parlamentar, mas ela se tornou nossa candidata por mérito”, diz Braga. “O PCdoB participou do nosso governo e do plano macroestratégico que temos para o Amazonas.”

Com três mandatos como vereadora em Manaus e no exercício da terceira legislatura na Câmara dos Deputados, Vanessa liderou a transição do PCdoB da oposição para a base aliada no segundo mandato de Braga. Nesse processo, o deputado estadual Eron Bezerra, também do PCdoB, assumiu uma secretaria no governo estadual.

A oposição histórica ao grupo político de Arthur Virgílio continua firme na campanha. “Vamos dizer à população que o Arthur agia de forma truculenta com trabalhadores quando foi prefeito de Manaus e ameaçou dar uma surra no presidente Lula em vez de cuidar dos interesses do estado no Senado”, afirma o presidente municipal do PCdoB em Manaus, Antônio Carlos Brabo.

Da Redação, com informações do Valor Econômico

ASSIM ESTÃO OS MINEIROS

VOLTO PARA CASA


VOLTO PARA CASA

Rogel Samuel

(3.8.2003)

Depois de tantos dias fora, voltar para casa me faz bem. Juro que quando chegar no Brasil vou a uma churrascaria rodízio. A brasileira melhor culinaria do mundo. Em qualquer botequim, em qualquer bar sujo de Copacabana se come melhor do que NY. Talvez eu não tenha ido aos lugares certos, aqueles dos turistas ricos. Sou péssimo turista. Sinto falta do colesterol de nossos quitutes, de nossas feijoadas, rabadas, chega de comida chinesa, de amburgueres e de asceticas saladas caloria zero (sabor zero), viva o toucinho defumado, o torresmo, o refogado. Viva a caipirinha. Mas a policia americana gosta de brasileiro por aqui, me parece, nao me revistam no aeroporto. Devem lembrar-se de seus idolos, o Romario, o Ronaldo, o Rivaldo. Um amigo me pergunta se conheco algum jogador, de perto. O unico famoso que conheci foi o Zico, que ja era merecidamente famoso. Quase foi meu aluno em faculdade particular. Ele estudava Educacao Fisica; eu lecionava Comunicacao na mesma instituicao. Um dia vinhamos nos, eu e Jorge Lucio, pelo corredor, quando o encontramos. Pareceu-me franzino, magrinho, fragil demais para ser heroi. Depois disso ganhou peso, como que cresceu, aumentou a massa muscular. Nunca mais o vi. Nem o Jorge Lucio, amigo da area de educacao. Onde andara? Foi locutor da Radio Nacional, nos bons tempos da radio. Tinha a voz grave, a diccao perfeita, o timbre cristalino. Geralmente perco meus amigos. Separamo-nos. Talvez seja defeito meu, não os procuro. Tudo passa. Não telefono. Quando reaparecem, quase nada temos em comum. Eu mudei depressa, o outro tambem. Zico vejo ate hoje na TV. Sim esta na hora de voltar. Assaltam-me vozes, cantam antigas marchinhas de carnaval. “Quem foi que descobriu o Brasil? Foi seu Cabral, no dia 22 de abril, dois meses depois do carnaval”. Sim, para o Brasil, ou melhor, para o Rio. Estou cansado de ser estrangeiro. Não sei passar sem o Rio de Janeiro.

CASOS


Globo online 27-08: "...Numa última tentativa, a ordem, ainda que não consensual na campanha tucana, foi de jogar todas as fichas no episódio da violação do sigilo fiscal... "

Por que raios o PT , a candidatura Dilma ou quem quer que seja no âmbito progressista iria bisbilhotar o sigilo fiscal da apresentadora Ana Maria Braga? A quem interessaria, de fato, enredar a campanha do PT --como acusa Serra no leito da extrema-unção eleitoral -- numa trama improvável que transforma em vítimas de um mesmo redil alguns de seus 'homens de confiança e de caixa" e a apresentadora mais popular da televisão brasileira junto ao eleitorado feminino? Recorde-se que esta fatia majoritária do universo eleitoral, antes serrista, foi progressivamente conquistada por Dilma, que empatou e agora bate o adversário na preferencia das mulheres, por larga margem, em todas as pesquisas de intenção de voto. A própria apresentadora Ana Maria Braga já manifestou simpatia pela candidata à sucessão de Lula. Insuspeito de qualquer empatia equivalente, o comentarista da Folha, Janio de Freitas, sempre ácido contra Lula, alertava de forma quase premonitória em sua coluna de 5º feira: "...Menos pela excitação quase esportiva das pesquisas do que pelas atitudes de José Serra e do PSDB diante delas, a disputa eleitoral para a Presidência reduz-se a uma pergunta: o que dizer ainda a seu respeito? É verdade que a Polícia Federal, ao menos até agora, não entrou em cena, como fez nas últimas campanhas com insuspeitada vocação eleitoral, de feitos jamais esclarecidos dada a útil circunstância de que à própria PF coube o dever do esclarecimento.O ensaio de um ex-delegado federal não passou disso mesmo, agora, com o tal convite para abastecer de dados, sobre oposicionistas, um citado serviço de inteligência da campanha de Dilma Rousseff. Tempo há, mas seria impróprio atribuir a essa expectativa as atitudes de Serra e do PSDB diante da sua performance no skate em ladeira..." Recoloca-se assim pergunta: a quem interessa a reedição de um 'caso Lunus' versão 2010? Em 2002, como se recorda, uma obscura ação da PF envolvendo como sempre malas de dinheiro fotogenicamente oferecidas ao Jornal Nacional e correlatos, tirou da disputa Roseane Sarney, então a principal rival de Serra na disputa pela primazia eleitoral junto aos interesses de centro-direita na sucessão de FHC. Como ironiza Janio de Freitas coube à própria raposa investigar o esquartejamento das galinhas nquele episódio. O caso nunca foi esclarecido, mas a família Sarney sedimentou uma esférica certeza: Serra deixou digitais na chacina. (Carta Maior; 27-08)

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Gilberto Braga diz que novela é literatura e sai aplaudido na ABL


Gilberto Braga diz que novela é literatura e sai aplaudido na ABL


O autor de novelas Gilberto Braga posou de estrela em seminário realizado na Academia Brasileira de Letras, nesta quinta-feira, pouco depois do chá dos imortais. Cercado de escritores, Braga defendeu o valor artístico dos folhetins escritos para a televisão que, segundo ele, podem ser classificados como textos literários.

"Se cordel é literatura, se temos a literatura oral, as novelas também são um tipo de literatura", disse. Na mesa do debate, organizado pela ABL, também estavam o escritor e dramaturgo Walcyr Carrasco e o ator José Wilker.

Braga citou o constante intercâmbio entre novelas de TV e romances impressos, ressaltando ter sido autor das versões para televisão de livros como "Helena", de Machado de Assis, "Senhora", de José de Alencar, e "A Escrava Isaura", de Bernardo Guimarães.

Segundo ele, até livros mal escritos podem render boas novelas. "Escrava Isaura é mal escrito e mal estruturado, mas tem um dos melhores enredos para fazer um novelão", disse.

Ele negou a influência da Rede Globo em suas criações artísticas. "Há uma fantasia sobre a existência de uma entidade TV Globo. Mas a emissora é um esforço de 30 pessoas de temperamento forte que brigam por seu espaço", disse.

Walcyr Carrasco também disse não haver interferência direta da emissora nos roteiros que não dão Ibope. "Se houvesse alguém na Globo que soubesse o que mudar, eu me ajoelharia diante dele para pedir ajuda. O que queremos é fazer um sucesso, e nós mesmos temos que encontrar os caminhos", disse.

Na defesa da telenovela, José Wilker, o último palestrante, foi além: "O Brasil é um país continental e poderia ter se dividido em quatro, mas a televisão e as novelas ajudaram a uni-lo", disse. A plateia aplaudiu.

Dilma coloca 20 pontos em cima de Serra


Dilma coloca 20 pontos em cima de Serra



A candidata do PT a presidente, Dilma Rousseff, manteve sua tendência de alta e foi a 49% das intenções de voto. Abriu 20 pontos de vantagem sobre seu principal adversário, José Serra.


INTENÇÃO DE VOTO PARA A PRESIDÊNCIA" (resposta estimulada) %
Dilma (PT): 49
Serra (PSDB): 29
Marina (PV): 9
Plínio (PSOL): 0
Zé Maria (PSTU): 0
Eymael (PSDC) : 0
Rui Costa Pimenta (PCO): 0
Ivan Pinheiro (PCB): 0
Levy Fidelix (PRTB) : 0
Branco/nulo/nenhum : 4
Não sabe: 8
Fonte: Datafolha

Pesquisa do Instituto de Pesquisas Datafolha encomendada pelo jornal Folha de S.Paulo e divulgada na madrugada de desta quinta-feia mostra a candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, com 49% das intenções de voto. Vinte pontos percentuais à frente de seu principal adversário, o candidato do PSDB, José Serra, que aparece em segundo lugar, com 29%.
A candidata Marina Silva, do PV, está em terceiro, mantendo os 9%, e os demais candidatos não atingiram 1% da preferência do eleitorado. Os eleitores que ainda não sabem em quem votar ou não responderam permanecem em 8%, e os votos brancos e nulos, em 4%.

Essa é a segunda pesquisa Datafolha desde que começou a propaganda eleitoral no rádio e na TV. Dilma tinha 47% na sondagem do dia 20 e foi a 49%. Serra estava com 30% e agora apresenta 29%. Os que assumiram ter visto a programação pelo menos uma vez somam 34% dos entrevistados.

A pesquisa tem margem de erro de 2 pontos percentuais. Feito nos dias 23 e 24 com 10.948 entrevistas em todo o país, o levantamento também mostra que Dilma lidera as intenções de votos em São Paulo, no Rio Grande do Sul e no Paraná.

A pedido de tesoureiro de Marina, TSE manda retirar do ar site que falava mal de Dilma


A pedido de tesoureiro de Marina, TSE manda retirar do ar site que falava mal de Dilma


A pedido do tesoureiro de campanha da candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva, o ministro Joelson Dias (foto), do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou a imediata suspensão de um site na internet, hospedado no provedor Host Location Ltda., que estaria sendo utilizado para fazer propaganda contra a candidata da coligação “Para o Brasil seguir mudando”, Dilma Rousseff, e outros membros de seu partido, o PT.

O tesoureiro de Marina ajuizou representação no TSE, com pedido de liminar, alegando que tomou conhecimento, por meio do Comitê Gestor da Internet no Brasil, de que seu nome e CPF teriam sido usados por outra pessoa para registrar um domínio na rede mundial de computadores para veiculação de propaganda que ele considera “ilícita e degradante” contra Dilma Rousseff, o que violaria a Lei das Eleições (9.504/97), mais especificamente o artigo 57-H.

Instauração de Inquérito

Além de pedir a retirada do site questionado do ar, o tesoureiro do PT, que afirma não ser autor da página, pede que seja aplicada a multa prevista no artigo 26 da Resolução TSE 23.191, sobre propaganda eleitoral – multa que pode ir de R$ 5 mil a R$ 30 mil. E ainda, que seja encaminhada cópia dos autos para o Ministério Público, para instauração de inquérito policial, “diante dos manifestos indícios de práticas criminosas (injúria e calúnia na propaganda eleitoral e falsidade ideológica eleitoral)”.

Decisão

Com efeito, frisou o ministro, os documentos apresentados com a representação “estariam a evidenciar a veiculação de propaganda irregular, visto que no sítio do ‘Registro.br – Whois’, constaria mesmo o número de CPF do representante como responsável pelo referido domínio, o que pode, ao menos em tese, levar que se conclua seja de sua autoria o que ali veiculado”. Além disso, emendou o ministro, o conteúdo do sítio realmente ofende o direito “daqueles que participam do processo eleitoral”.

Ao decidir conceder a liminar, o ministro disse entender que a decisão poderia ser ineficaz, caso não deferida de pronto, “uma vez que, notificado pelo representante, o Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (Nic.br) informa que o menor prazo para o cancelar o domínio e alterar os dados seria de dois dias úteis contados do recebimento da documentação necessária”.

“Assim, concluiu o ministro Joelson Dias, “constatada, ao menos em tese, a alegada irregularidade, tenho que a suspensão do sítio deve ser imediata, ao menos até que a segunda representada [Host Location Ltda], onde estaria armazenado, informe sobre o seu autor. Ou, querendo, até que o próprio responsável pela divulgação do sítio eventualmente venha ao processo pleiteando a regularidade na sua manutenção”.

PSDB admite que fator Lula-Dilma deve alavancar Mercadante em SP


PSDB admite que fator Lula-Dilma deve alavancar Mercadante em SP



O peso da campanha presidencial pode alterar os rumos da corrida para o governo de São Paulo. É o que começam a admitir, reservadamente, tucanos ligados à campanha de Geraldo Alckmin (PSDB) — que já preveem um possível crescimento do petista Aloizio Mercadante nas pesquisas e a probabilidade de segundo turno na disputa ao governo.
Segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (26), a presidenciável Dilma Rousseff, da coligação Para o Brasil Seguir Mudando, acaba de ultrapassar o tucano José Serra no eleitorado paulista. Em São Paulo — estado governado por Serra até abril e por tucanos há 16 anos —, Dilma saiu de 34% na semana passada e está com 41% agora, enquanto o ex-governador caiu de 41% para 36%. Já na capital paulista, administrada por Gilberto Kassab (DEM), aliado de Serra, Dilma tem 41% e ele, 35%.

Outro trunfo de Mercadante é a alta popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em São Paulo. Nos programas de rádio e TV, o PT tem se utilizado de mensagens de Lula para alavancar a candidatura de Mercadante. Nas ruas, com agenda turbinada no estado, Lula pediu a criação de "fatos políticos" para que o petista cresça e vá para o segundo turno.

Oficialmente, os tucanos têm afirmado que as incursões de Lula na propaganda eleitoral de Mercadante são "o retrato da falta de discurso e de propostas" do candidato do PT. E que o presidente tenta passar uma "senha" ao propor, em eventos públicos, a criação de "fatos políticos". Contudo, o clima no partido, segundo outro tucano, é de cautela.

Em avaliações internas, o patamar de votos de Alckmin pode até se manter, mas a probabilidade de crescimento de Mercadante é considerada alta. "Trabalhamos com a hipótese de que o PT tem um porcentual no Estado de São Paulo maior do que aquele que vem sendo apresentado pelo Mercadante", observou o presidente do PSDB paulista, deputado Mendes Thame.

Na sondagem do Instituto Datafolha de 21 de agosto, Alckmin apareceu com 54% da preferência do eleitorado, contra 16% de Mercadante. A manutenção desses porcentuais, considerada difícil, garantiria ao tucano vitória ainda no primeiro turno. "O fato é que a gente não analisa a pesquisa no momento, mas dentro de um contexto histórico", avalia um dirigente tucano.

Nas ruas

Na quarta-feira (25), em clima pós-debate Estadão/TV Gazeta, Mercadante foi a Taubaté e Pindamonhangaba, no Vale do Paraíba, região de forte influência política de Alckmin, para fazer corpo a corpo. O petista declarou que, caso vá ao segundo turno, pretende buscar o apoio dos demais candidatos. "De certa forma, todos os que saíram candidatos são contra o PSDB no governo de São Paulo. Vamos fazer uma ampla frente para vencer as eleições."

O esforço do PT nacional e do governo Lula, na atual etapa da campanha, é trabalhar para derrotar o PSDB nos dois maiores colégios eleitorais do país: São Paulo e Minas Gerais. Nos planos do comando da campanha do PT, derrotar o tucanato em São Paulo seria uma vitória tão espetacular quanto eleger Dilma em primeiro turno.

Esta é a razão do rolo compressor que passou pelo estado no último fim de semana, quando Lula e Dilma tiveram várias agendas eleitorais, iniciadas com um comício na noite de sexta-feira e concluídas com um evento de forte simbolismo na porta da fábrica da Mercedes-Benz, em São Bernardo do Campo, onde Lula surgiu para o sindicalismo e para o cenário político nacional .

Lula reclamou da falta de diálogo entre a campanha de Mercadante e da candidata do PT ao Senado, Marta Suplicy e da falta de entusiasmo da militância. Rebateu o discurso de que “o esforço agora é tentar chegar ao segundo turno”.

O presidente sabe que o crescimento de Mercadante, mesmo que não seja suficiente para assegurar a vitória para governador, significa mais pontos para Dilma. "Se o Mercadante for eleito, ótimo, é um aliado fiel nosso. Mas o nosso objetivo é a Dilma derrotar Serra em São Paulo", explicitou um integrante do núcleo da campanha.

“Fatos políticos”

Na sexta à noite, em discurso em Osasco, Lula anunciou que sua prioridade na eleição é o estado. Para conquistar um triunfo no maior colégio eleitoral do país, ele cobrou da coordenação da campanha Mercadante a criação de uma lista de temas políticos para atacar a gestão tucana.

Os assuntos não deverão ser muito diferentes do que Mercadante tem criticado dos governos tucanos, como educação e segurança. No discurso, o presidente citou o primeiro deles: os pedágios. Disse que os valores cobrados nas estradas paulistas são "um roubo".

Ainda na noite de sexta, Lula conversou com Mercadante, com o prefeito de Osasco, Emídio de Souza, coordenador da campanha ao governo, e com o presidente do PT-SP, Edinho Silva. Segundo Lula, suas participações na campanha no estado, por meio da TV e de comícios, não são suficientes para virar a disputa — é preciso haver "fatos políticos" para atacar os tucanos.

Da Redação, com agências