segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

CHARGE DO MÊS


“Lógico que você está se sentindo ótimo. Essas coisas estão entupidas de antidepressivos”

(Cartoon de Paul Noth, publicado na “New Yorker” de 20 de dezembro de 2010)

ÍNDIOS NO MEIO DA SELVA

domingo, 30 de janeiro de 2011

A Internet brasileira ultrapassou a marca do R$ 1 bilhão






A Internet brasileira ultrapassou a marca do R$ 1 bilhão de faturamento publicitário no ano passado. Fechados os números do Projeto Inter-Meios relativos aos meses de janeiro a novembro de 2010, o meio arrecadou R$ 1,06 bilhão com venda de publicidade, valor 28,1% maior que o registrado em igual período do ano anterior. Esse percentual é o maior entre as mídias auditadas pelo projeto, seguido pelo da TV por assinatura (24,6%), que faturou R$ 905 milhões.

No total, o faturamento dos veículos de comunicação com venda de espaço publicitário cresceu 19,2% entre janeiro e novembro do ano passado, em relação ao mesmo período de 2001. O valor chegou a R$ 23,6 bilhões. A maior fatia do bolo continua firme e forte nas mãos da TV aberta (63% de participação), que além de ter faturado expressivos R$ 14,9 bilhões, ainda por cima registrou o terceiro maior índice de crescimento (23,9%).

Jornais, revistas, rádio, mídia exterior e cinema tiveram crescimento abaixo da média do mercado. No caso dos meios impressos, o índice das revistas ficou em 14,9% (com faturamento de R$ 1,7 bilhão) e o dos jornais, em 4,1% (R$ 2,9 bilhões). As emissoras de rádio faturaram 12% a mais em 11 meses do ano passado (R$ 990,4 milhões) e os cinemas, 14% (R$ 81,6 milhões).

Já a mídia exterior como um todo viu seu faturamento se ampliar em 16,9%, chegando a R$ 688,3 milhões). O outdoor responde por mais de metade desse valor (R$ 381,9 milhões) e cresceu 16,1%, enquanto o digital out of home, apesar de ter faturado bem menos (R$ 131,8 milhões), teve crescimento expressivo de 63%. Entre as mídias pesquisadas, só no caso de guias e listas o desempenho foi negativo (em 10,3%), com arrecadação de R$ 298,6 milhões.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

AGENDA DA SENHORA PRESIDENTA DA REPÚBLICA



Segunda-feira
31 de janeiro de 2011

Horário local de Buenos Aires/Argentina: menos 1 h em relação a Brasília


09h - Partida para Buenos Aires
Base Aérea de Brasília (DF)

11h - Chegada a Buenos Aires
Base Aérea de Buenos Aires

11h25 - Chegada a Casa Rosada

11h40 - Reunião privada com a presidenta da Argentina, Cristina
Kirchner

12h - Encontro com as mães e avós da Praça de Maio

12h20 - Reunião ampliada
Casa Rosada, Salão de Mujeres

12h45 - Assinatura de atos
Casa Rosada, Salão de Mujeres

12h55 - Declaração à imprensa

14h15 - Almoço oferecido pela presidenta da Argentina, Cristina Kirchner
Palácio San Martin, Salão Libertador

16h30 - Partida para Brasília
Base Aérea de Buenos Aires

20h30 - Chegada a Brasília
Base Aérea de Brasília

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

AVE RARA


BEIJA-FLOR PERUANO

AVES RARAS

AVE RARA

Ativista gay é espancado até a morte em Uganda










Editor do jornal "Rolling Stone",Giles Muhame, mostra edição em que fotos de gays foram expostas




DA REUTERS, EM CAMPALA

O ativista dos direitos gays David Kato foi espancado até a morte em sua casa em Campala, em Uganda, informaram grupos de direitos humanos.

O nome de Kato apareceu ao lado de outros gays em um artigo do jornal ugandense "Rolling Stone", no ano passado, sob o título "Enforque eles". Muitas pessoas relataram ter sofrido agressões após a publicação de seus nomes e fotos e Kato chegou a dizer à rede de TV CNN que temia por sua vida.

"Testemunhas disseram à polícia que um homem entrou na casa de Kato aproximadamente a 1h de 26 de janeiro de 2011, bateu duas vezes na sua cabeça e fugiu em um veículo", disse a ONG Human Rights Watch, em um comunicado.

"Kato morreu a caminho do Hospital Kawolo. A polícia disse ao advogado de Kato que tem o número da placa do veículo e está procurando por ele".

A polícia não quis comentar o assunto.

Não está claro se o assassinato está vinculado ao ativismo de Kato ou a lista do jornal. Kato afirmou ter recebido ameaças de morte desde a sua publicação.

Amigos de Kato, que não quiseram ser identificados, disseram à agência de notícias Reuters que ele foi atacado com um martelo. Eles suspeitam que o fato de ser homossexual pode ser o motivo do assassinato brutal.

Human Rights Watch pediu uma investigação e que o governo de Uganda proteja os homossexuais da violência e do "discurso do ódio" que pode incitá-la.


No começo de janeiro, um juiz da Alta Corte de Uganda determinou que órgãos de imprensa do país não podem publicar a identidade de pessoas que eles consideram ser homossexuais.

Atos homossexuais são ilegais em Uganda, e ativistas dizem que os gays vivem sob ameaça no país africano. A perseguição aos gays foi manchete em todo mundo quando o Parlamento de Uganda tentou aprovar uma lei que previa pena de morte para homossexuais "reincidentes".

No ano passado, o jornal "Rolling Stone" publicou listas de pessoas que, segundo o jornal, eram gays. Kato e outros dois ativistas entraram com processo contra a publicação, que teve que pagar 1,5 milhão de xelins ugandenses (R$ 1.070) de indenização e as despesas legais.

Giles Muhame, 22, editor do jornal, disse à Reuters que condena o assassinato e que o jornal não quer que os gays sejam atacados. "Se ele foi assassinado, isso é ruim e nós rezamos por sua alma", disse Muhame, acrescentando que o pedido de enforcamento é para o governo mate quem promove a homossexualidade. "Nós dizemos que eles têm que ser enforcados, não apedrejados ou atacados", defende.

Brasil teve em 2010 a menor taxa de desemprego da série histórica









Vitor Abdala
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro - A taxa de desemprego média no Brasil em 2010 foi de 6,7%, a menor da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), iniciada em 2002. Segundo o órgão, o contingente de desocupados foi de 1,6 milhão de pessoas, em média, no ano passado.

Em 2009, a taxa havia ficado em 8,1%. O dado foi divulgado hoje (27) pelo IBGE. Já as pessoas ocupadas somaram 22 milhões, 3,5% a mais do que em 2009.

O número de pessoas com carteira assinada no setor privado também atingiu um recorde no ano passado. Foram 10,2 milhões de pessoas, em média, em 2010, ou seja 46,3% do total de pessoas ocupadas. Em 2009, a proporção era de 44,7%.

O rendimento médio real dos trabalhadores em 2010 foi o maior desde 2003: R$ 1.490,61. O ganho foi de 3,8% em relação a 2009 e de 19,0% em relação a 2003.

Levando em consideração apenas o mês de dezembro de 2010, a taxa de desemprego foi de 5,3%, com um contingente de desocupados de 1,3 milhão de pessoas. O rendimento médio foi de R$ 1.515,10.

Edição: Talita Cavalcante

AGENDA DA SENHORA PRESIDENTA DA REPÚBLICA




Quinta-feira
27 de janeiro de 2011


09h30 - Despacho interno
Palácio do Planalto

11h - Partida para o Rio de Janeiro (RJ)
Base Aérea de Brasília (DF)

12h30 - Chegada ao Rio de Janeiro
Base Aérea do Galeão

13h15 - Almoço
Palácio das Laranjeiras

15h - Anúncio de unidades habitacionais para os desabrigados da
Região Serrana
Palácio Guanabara

16h - Visita ao Centro de Operações da Prefeitura do Rio de Janeiro
Rua Ulysses Guimarães, nº 300

17h - Partida para Porto Alegre (RS)
Base Aérea do Galeão

18h45 - Chegada a Porto Alegre
Aeroporto Salgado Filho

19h - Cerimônia alusiva ao Dia Internacional em Memória das Vítimas
do Holocausto
Ministério Público Estadual, Praça Marechal Deodoro, 110

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

PIANO MISTERIOSO







Um piano de cauda apareceu sobre um banco de areia no mar em plena baía Biscayne de Miami, sem que as autoridades saibam como explicar o mistério de como chegou até ali.


A Guarda Costeira americana (USCG) afirma não ter informações sobre o misterioso piano e que não vai tirar o instrumento de lá enquanto não representar ameaça para a navegação ou o ambiente.

A Comissão de Pesca e Vida Silvestre da Flórida (FWC) indicou, por sua parte, que também não fará nada para tirar o piano do banco de areia.

"Pode haver aves que queiram se inspirar e resolvampousar no piano. Por que não?", afirmou o porta-voz da FWC em Miami, Jorge Pino.

BBC

Piano não será será retirado enquanto não representar ameaça para a navegação ou o ambiente

ENTRE-TEXTOS - ÌNTEGRA DO BATE-PAPO COM ROGEL SAMUEL




ÌNTEGRA DO BATE-PAPO COM ROGEL SAMUEL EM ENTRE-TEXTOS


Moderador Entre-textos: Boa noite! A partir de agora você conversa com o escritor Rogel Samuel
Data 17/10/2008 20:03:08
Rogel Samuel: Boa noite a todos.
Data 17/10/2008 20:04:09
Dílson Lages: Boa noite, amigo! Rogel, Você já me afirmou que a quarta edição do Novo Manual é a que mais lhe apraz. Por quê?
Data 17/10/2008 20:05:27
Rogel Samuel: Sim, principalmente porque até agora não li nenhum erro ou frase que eu poderia deixar melhor
Data 17/10/2008 20:05:57
Rogel Samuel: O texto foi reescrito quase totalmente. Novos conceitos foram introduzidos. Parece que está bem, pois já está na quarta edição.
Data 17/10/2008 20:06:30
Rogel Samuel: Fiz o melhor que pude.
Data 17/10/2008 20:07:23
Teresa: Professor entrei na universidade agora em São Luís no Curso de Letras e estou tendo uma certa dificuldade para gostar de literatura. O que o senhor acha que devo fazer?
Data 17/10/2008 20:07:50
Rogel Samuel: Temos 80 páginas a mais.
Data 17/10/2008 20:08:07
Rogel Samuel: Teresa, você deve procurar um romance ou um poeta do seu gosto. Existe uma coisa que se chama - crítica do gosto.
Data 17/10/2008 20:09:20
Dílson Lages: O que mudou em relação as edições anteriores do ponto de vista teórico?
Data 17/10/2008 20:09:26
Rogel Samuel: Mudou alguma coisa sim. Novos capítulos foram introduzidos e outros refeitos. Introduzi, por exemplo, o estudo da Internet.
Data 17/10/2008 20:11:01
Rogel Samuel: A webcultura, a poesia digital etc são fatos novos.
Data 17/10/2008 20:11:58
Rogel Samuel: Escrevi um pouco mais sobre a evolução da literatura.
Data 17/10/2008 20:13:03
Rogel Samuel: E separei modernidade e pós-modernidade.
Data 17/10/2008 20:13:56
Dílson Lages: O senhor vê de forma positiva o uso de novos suportes para a arte literária. Que mudanças se anunciam para o sistema literário por conta da internet?
Data 17/10/2008 20:14:07
Rogel Samuel: Acredito na webcultura. aindo hoje li no 45 graus uma excelente matéria sobre isso que veio da feira de Frankfurt.
Data 17/10/2008 20:15:54
Teresa: O senhor pode se estender um pouco no assunto? Quais romancistas e poeta o senhor indica?
Data 17/10/2008 20:15:58
Dílson Lages: Você escreve no livro que ler “é nomear sentidos”. O que muda na leitura do crítico literário e na do leitor à cara de entretenimento?
Data 17/10/2008 20:17:46
Rogel Samuel: Teresa, abra um livro.... um romance.... e se você for tomada pelo texto, continue. Se não procure outro livro. Vá assim até encontrar o seu autor do coracão.
Data 17/10/2008 20:17:54
Rogel Samuel: Teresa, quando eu era professor do segundo grau, um dia um pai de aluno me disse: meu filho não lê nada! Não adianta!. Eu disse que ia resolver o problema... Conversei com o rapaz e descobri que ele gostava mesmo era de moto
Data 17/10/2008 20:20:41
Rogel Samuel:
Data 17/10/2008 20:20:47
Verbena: Boa noite pra todo mundo online aqui! Professor quem quer fazer crítica literária deve começar por onde? Por que teoria?
Data 17/10/2008 20:21:50
Rogel Samuel: Então descobri um livro de um motoqueiro que o rapaz passou a noite lendo. De uma só vez.
Data 17/10/2008 20:22:16
Teresa: então me recomende algum romance sobre coisas do lar, tipo culinária . Tem algum de memória?
Data 17/10/2008 20:23:29
Rogel Samuel: Dilson, A leitura crítica faz levantar alguns dos sentidos possíveis. É preciso dizer que neste livro quase nada é pensamento meu, pois é um “manual”, ou seja, um livro-resumo, um vade-mecum da ciência da literatura.
Data 17/10/2008 20:23:45
Rogel Samuel: Eu sempre tive facilidade em resumir, passei a vida toda resumindo trechos, sublinhando e riscando livros (o que não recomendo), é possível saber que livros eu li porque estão todos rabiscados, anotados. Eu sempre grifei as frases mais impor
Data 17/10/2008 20:24:34
Rogel Samuel: mais importantes.
Data 17/10/2008 20:25:25
Dílson Lages: Entre as correntes da crítica literária qual mais cativa Rogel?
Data 17/10/2008 20:26:07
Rogel Samuel: O processo hermenêutico, descobrir os meus sentidos no texto. Descobrir-me no texto.
Data 17/10/2008 20:28:41
Rogel Samuel: Verbena, deve começar
Data 17/10/2008 20:30:27
Rogel Samuel: Verbena, comece lendo os críticos brasileiros. A crítica começa com Machado de Assis.
Data 17/10/2008 20:32:11
Dílson Lages: Com tantas correntes examinando os aspectos materais do textos, independente de sua natureza, e até mesmo a recepção da obra, ainda vê espaço para a crítica impressionista e para a biográfica?
Data 17/10/2008 20:32:47
Rogel Samuel: Dilson, tudo é possível na pós-modernidade. Mas seria algo novo.
Data 17/10/2008 20:34:35
Rogel Samuel: Dilson, o que se vê hoje é o fim dos gêneros, da separação entre literatura e crítica .... e o nascimento do texto.
Data 17/10/2008 20:38:21
Rogel Samuel: Um texto concorrente com o texto literário
Data 17/10/2008 20:39:11
Dílson Lages: O Novo Manual de Teoria Literária está destinado realmente a quem? Ao crítico? Ao leitor comum? Aos estudantes de letras? Quem de fato você quer atingir?
Data 17/10/2008 20:39:53
Rogel Samuel: O ideal seria o leitor em geral. Mas o maior número de leitores são alunos das faculdades de letras, da graduação e pós-graduação.
Data 17/10/2008 20:40:46
Teófilo: Alguns escritores, inclusive de bom nível, se dizem desinteressados em crítica e teoria literária. eles podem ser grandes escritores sem o estudo dessas teorias?
Data 17/10/2008 20:41:46
Rogel Samuel: Continuando a questão anterior, o crítico hoje também é um escritor.
Data 17/10/2008 20:42:13
Teófilo: E meu cordial boa noite, estou acompanhando desde o incício mas só agora criei coragem e estou perguntando.
Data 17/10/2008 20:42:37
Rogel Samuel: Teófilo, sim, podem. Há grandes escritores que não gostam da crítica. Mas depende de qual crítica.
Data 17/10/2008 20:44:02
Dílson Lages: Quando surgiu a idéia de escrever o Novo Manual de Teoria e Técnica Literária?
Data 17/10/2008 20:45:20
Rogel Samuel: Há grandes escritores que viveram da crítica, como Barthes.
Data 17/10/2008 20:45:28
Verbena: Entre as teorias que o senhor apresenta no livro, alguma mais influenciou a crítica literária?
Data 17/10/2008 20:47:42
Dílson Lages: Uma correção professor, o Novo Manual de Teoria Literária.
Data 17/10/2008 20:48:20
Rogel Samuel: Em 1983. Mas foi difícil convencer a editora, que me sugeriu, ou melhor, me impôs uma condição, que o livro fosse escrito por vários professores (e que adotassem o livro! e muitos nunca o adotaram!). Ora, foi uma imposição errada, pois se o
Data 17/10/2008 20:49:28
Dílson Lages: Rogel, qual o segredo para que este livro fosse editado sucessivas vezes e caísse no gosto de professores e estudantes?
Data 17/10/2008 20:52:32
Rogel Samuel: Dilson, não há segredo, o livro é um resumo, o mais claro possível. Espero que eu tenha facilitado as coisas. É um livro que procura ser didático.
Data 17/10/2008 20:55:30
Dílson Lages: Quais conceitos de Teoria Literária você julga mais devam ocupar o pensamento dos escritores iniciantes?
Data 17/10/2008 20:56:23
Rogel Samuel: Como eu dizia antes, o editor não acreditava no livro.
Data 17/10/2008 20:57:34
Verbena: Qual o entendimento do senhor sobre a crítica literária que se faz atualmente no Brasil?
Data 17/10/2008 20:58:12
Rogel Samuel: Hoje temos 14 edições da primeira fase e 4 da segunda. Ao todo 18 edições.
Data 17/10/2008 20:58:53
Dílson Lages: Quantos exemplares aproximadamente já circularam desta obra?
Data 17/10/2008 21:00:05
Rogel Samuel: Aos escritores iniciantes eu indicaria um crítico muito antigo chamado antonio Albalat, que escreveu A arte de escrever e outro livro sobre a formação do estilo. Ninguém lê mais isso. Mas Albalat é um mestre, está na raiz da crítica genetica
Data 17/10/2008 21:02:47
Rogel Samuel: Por exemplo, Albalat estudou os rascunhos dos grandes escritores franceses e viu como eles fizeram.
Data 17/10/2008 21:04:26
Dílson Lages: Em A crítica da escrita, o senhor enfatiza a valorização da vivência como pano de fundo para as especulações teóricas naquele livro. A vivência em o Novo Manual de Teoria Literária foi mais importante que a pesquisa bibliográfica?
Data 17/10/2008 21:05:00
Rogel Samuel: Albalat chega a recomendar a cópia e modificação dos textos...
Data 17/10/2008 21:05:22
Dílson Lages: Digo, a vivência da leitura e da sala de aula, no exercício contínuo das teorias...
Data 17/10/2008 21:06:05
Rogel Samuel: Eu não sei, pois as edições antigas eram de 3 mil exemplares. E as novas menos.
Data 17/10/2008 21:06:15
Rogel Samuel: Sim, Dilson, a vivência em sala de aula, o exercício crítico começa com o professor de literatura explicando um texto.
Data 17/10/2008 21:07:55
Rogel Samuel: O crítico tem de dominar uma série de amplos conhecimentos, como a política, a história, a filosofia, a psicanálise, a antropologia etc.
Data 17/10/2008 21:10:53
Rogel Samuel: Sem esquecer a linguistica.
Data 17/10/2008 21:11:26
Moderador Entre-textos: O bate-papo chega ao fim. Agradecemos a todos que parciparam com perguntas ou simplesmente acompanhando o diálogo.
Data 17/10/2008 21:12:24
Rogel Samuel: Agradeço a todos a atenção. Boa noite.
Data 17/10/2008 21:13:23
Moderador Entre-textos: Boa noite a todos!
Data 17/10/2008 21:13:55

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

AGENDA DA SENHORA PRESIDENTA DA REPÚBLICA






SOMENTE A NBR TRANSMITIU O DISCURSO DA NOSSA PRESIDENTA EM SÃO PAULO, HOJE




Presidência da República


AGENDA DA SENHORA PRESIDENTA DA REPÚBLICA


Terça-feira
25 de janeiro de 2011

Segunda alteração


10h - Partida para São Paulo (SP)
Base Aérea de Brasília (DF)

11h30 - Chegada a São Paulo
Aeroporto de Congonhas

12h20 - Cerimônia de entrega da Medalha 25 de Janeiro
Prefeitura de São Paulo, Viaduto do Chá, 15, Edifício Matarazzo,
Centro

14h - Despachos internos
Escritório Regional da Presidência da República

16h - Partida para Brasília
Aeroporto de Congonhas

17h30 - Chegada a Brasília
Base Aérea de Brasília

Petrobras é a 3ª maior empresa de energia do mundo




A Petrobras avançou mais uma posição e passou do quarto para o terceiro lugar no ranking PFC Energy 50 - consultoria de energia com atuação junto a empresas e governos de todo o mundo. Segundo publicação, a Petrobras completou dezembro de 2010 com US$ 228,9 bilhões, à frente de gigantes como a Shell e a Chevron, que ficaram, respectivamente, na quarta e quinta posição.


A ExxonMobil, com valor de mercado de US$ 368,7 bilhões, ficou com a primeira posição do ranking. O segundo lugar ficou com a PetroChina, com valor de mercado 18% menor que a líder (US$ 303,3). A publicação divulgada nesta segunda-feira lista as maiores empresas de energia do mundo em valor de mercado.


As informações foram divulgadas pela própria Petrobras que ressalta, ainda, o fato de a consultoria PFC Energy ter destacado a "constante ascensão da Petrobras, que passou de 27º lugar, na primeira edição do ranking em 1999, para a terceira colocação em pouco mais de uma década".


"Segundo a consultoria, o valor de mercado da companhia, que era de US$ 13,5 bilhões naquele ano, cresceu a uma taxa composta de 27% ao ano. Ainda de acordo com a PFC Energy, o recuo no preço das ações da Petrobras em 2010 foi compensado pela capitalização de US$ 67 bilhões", diz a nota da estatal.


A PFC Energy publica anualmente o ranking das 50 maiores companhias de energia com ações em bolsa e tem como principal critério o desempenho no mercado de capitais. Fundada em 1984, a PFC Energy tem escritórios em Washington, Paris, Houston, Bahrain, Lausanne, Kuala Lumpur e Buenos Aires.


Confira as dez maiores empresa de energia, segundo a pesquisa:


ExxonMobil US$ 368,7 bilhões
PetroChina US$ 303,3 bilhões
Petrobras US$ 228,9 bilhões
Royal Dutch Shell US$ 207,9 bilhões
Chevron US$ 183,6 bilhões
Gazprom US$ 149,4 bilhões
BP US$ 136,3 bilhões
Total US$ 124,5 bilhões
Schlumberger US$ 113,9 bilhões
CNOOC (China National Offshore Oil Corporation) US$ 106 bilhões

Agência Brasil

Aranha cria 'clone' de si mesma para despistar predadores


Clone (à dir.) age como isca (Foto: I-Min Tso/Divulgação)







Matt Walker,
Da BBC Earth News



Cientistas em Taiwan descobriram uma espécie de aranha que cria um "clone" de si mesma para despistar seus predadores.

Em artigo publicado na revista especializada Animal Behaviour, os biólogos Ling Tseng e I-Min Tso, da Universidade de Tunghai, afirmam ainda que este pode ser o primeiro exemplo de um animal capaz de construir uma réplica em tamanho natural de seu próprio corpo.

Segundo eles, o comportamento da espécie, chamada Cyclosa mulmeinensis, também ajuda a esclarecer por que muitos aracnídeos gostam de decorar suas teias com ornamentos estranhos, como partes de plantas, dejetos e restos de presas e de ovos.

Como esses detritos geralmente têm as mesmas cores das aranhas, os cientistas suspeitam que eles ajudem a camuflar a aranha.

'Iscas'

Tseng e Tso observaram, em uma ilha na costa de Taiwan, que a Cyclosa mulmeinensis não apenas decorava sua teia, como também juntava os detritos para compor objetos de seu próprio tamanho.

Segundo os cientistas, esses "dublês" atraíam os predadores - em geral, vespas - por também terem a mesma cor e a mesma maneira de refletir a luz que as verdadeiras aranhas.

"Nossos resultados mostram que esta espécie vulnerável de aranha se protege de ataques de predadores, construindo iscas que os atraem mais do que ela própria", escreveram os pesquisadores em seu artigo.

Eles afirmam que em teias não decoradas, as vespas atacavam diretamente as aranhas.

Mistério

Há mais de cem anos, cientistas vêm tentando entender por que muitas espécies de aranhas decoram suas teias.

Mas para Tso, não há uma só resposta.

"Creio que a função da decoração varia entre as espécies", disse o cientista à BBC, citando como exemplo as teias decoradas com seda, que têm por objetivo reforçar a trama e impedir que ela seja destruída. Outras teias são decoradas para atrair e deter presas.

O disfarce é um recurso muito usado por vários animais.

Alguns tentam evitar serem vistos usando a camuflagem para se "misturar" a seu habitat, como as mariposas. Outros, como as lagartixas, desenvolvem artefatos mais sofisticados, como o de conseguir se soltar se sua cauda por pega.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

KRISHNAMURTI




Being nothing, being a desert in oneself, one hopes through another to find
water. Being empty, poor, wretched, insufficient, devoid of interest or
importance, one hopes through another to be enriched. Through the love of
another one hopes to forget oneself. Through the beauty of another one hopes to acquire beauty. Through the family, through the nation, through the lover, through some fantastic belief, one hopes to cover this desert with flowers. And God is the ultimate lover. So one puts hooks into all these things. In this there is pain and uncertainty, and the desert seems more arid than ever before. Of course it is neither more nor less arid; it is what it was, only one has avoided looking at it while escaping through some form of attachment with its pain, and then escaping from that pain into detachment. But one remains arid and empty as before. So instead of trying to escape, either through attachment or through detachment, can we not become aware of this fact, of this deep inward poverty and inadequacy, this dull, hollow isolation? That is the only thing that matters, not attachment or detachment. Can you look at it without any sense of condemnation or evaluation? When you do, are you looking at it as an observer who looks at the observed, or without the observer? – The Urgency of Change

domingo, 23 de janeiro de 2011

A maior tragédia do Brasil foi na Serra das Araras!




Rogel Samuel


Escreveu-me o meu leitor Marcos Freitas que “infelizmente já existiram no Brasil tragédias ainda maiores! A maior tragédia do Brasil foi na Serra das Araras” em 196.

“Uma cruz de 10 metros na subida da Serra das Araras (Piraí-RJ), no local conhecido por Ponte Coberta, marca o início de um enorme cemitério construído pela natureza. Lá estão cerca de 1.400 mortos (fora os mais de 300 corpos resgatados) vítimas de soterramento pelo temporal que atingiu a serra em janeiro de 1967.
Foi a maior tragédia da história do país, superando o número de mortos da atual tragédia na Região Serrana do Estado do Rio de Janeiro.

No episódio da Serra das Araras, suas encostas praticamente se dissolveram em um diâmetro de 30 quilômetros. Rios de lama desceram a serra levando abaixo ônibus, caminhões e carros. A maioria dos veículos jamais foi encontrada. Uma ponte foi carregada pela avalanche. A Via Dutra ficou interditada por mais de três meses, nos dois sentidos.

A Revista Brasileira de Geografia Física publicou, em julho do ano passado, a lista das maiores catástrofes por deslizamento de terras ocorridos no país.
O episódio da Serra das Araras, com seus 1700 mortos estimados, supera de longe qualquer outro acidente do gênero no país.

Para se ter uma idéia do que ocorreu na Serra das Araras basta comparar os índices pluviométricos.

A atual tragédia de Teresópolis ocorreu após um volume de chuvas de 140mm em 24 horas.

Na Serra das Araras, em 1967, o volume de chuvas chegou a 275 mm em apenas três horas!

Quase o dobro de água em um oitavo do tempo.

Mas o episódio da Serra das Araras parece ter sido apagado da memória do país e, especialmente, da imprensa. O noticiário dos veículos de comunicação enfatiza que a tragédia da Região Serrana do Rio superou o desastre de Caraguatatuba em março de 1967.

O caso da Serra das Araras, ocorrido em janeiro daquele mesmo ano, sequer é citado.

Até a ONU embarcou na história e colocou a tragédia atual entre os dez maiores deslizamentos de terras do mundo nos últimos 111 anos.

O ano de 1967 foi realmente atípico. Em março, dois meses após a tragédia da Serra das Araras, outro desastre atingiu Caraguatatuba, no litoral paulista. Chovia quase todos os dias desde o início do ano (541mm só em janeiro, o dobro do normal). Do dia 17 para 18 de março, um temporal produziu quase 200 mm de chuvas em um solo já encharcado. No início da tarde de 18 de março, sábado, a tragédia aconteceu sob intenso temporal que chegou a acumular 580mm de chuvas em dois dias (Teresópolis teve 366mm em 12 dias).

Segundos os relatos da época, houve uma avalanche de lama, pedras, milhares de árvores inteiras e troncos que desceu das encostas da Serra do Mar, destruindo casas, ruas, estradas e até uma ponte.

Cerca de 400 casas sumiram debaixo da lama. Mais de 3 mil pessoas ficaram desabrigadas (20% da população da época). O número de mortos - cerca de 400 - foi feito por estimativa, pois a maioria dos corpos foi soterrada ou arrastada para o mar.

Detalhe: Caraguatatuba, em 1967, era um balneário turístico de 15 mil habitantes. Dá para imaginar quais seriam as consequências se aquela tragédia ocorresse hoje, com os atuais 100 mil habitantes.

Vimos mortos nas árvores, braços na lama', disse Bárbara Osório-MacLaren que nasceu na Alemanha em janeiro de 1939.

Tendo sobrevivido à II Guerra Mundial, veio para o Brasil com a família em 1950, quando tinha 11 anos, atendendo a um chamado do avô materno, que já vivia no país. Foi morar em São Paulo.
No Rio de Janeiro, em 22 de janeiro de 1967, às 23 horas, tomou um ônibus da Viação Cometa com destino a São Paulo. Um temporal desabou na Via Dutra, que acabara de ser duplicada. Nunca, naquela região, se havia visto ou iria se ver uma chuva tão forte quanto aquela que presenciava a jovem alemã e que ela relata a seguir:
- "Pela manhã, descemos o morro a pé, vimos mortos nas arvores, braços na lama, as reportagens nos jornais falavam de mais de 400 mortos. Eu desmaiei no transporte de caminhão desta cena ao Centro do Rio. Quando acordei do coma ou desmaio, estava em Lisboa, Portugal. Em outras palavras, em vez de me levarem a um hospital no Rio, me despacharam para a Europa".
A experiência da jovem alemã, hoje com 72 anos, foi contada há dois anos em um depoimento ao site "São Paulo Minha Cidade" e dá a dimensão do que ocorreu na Serra das Araras em 1967. Mas seu depoimento, 42 anos após a tragédia, é uma raridade.”.

Foi o que relatou meu leitor e eu resumi por aqui.

J. KRISHNAMURTI







MEDITAÇÕES





A mente meditativa é silenciosa. Não é o silêncio que o pensamento pode imaginar;
não é o silêncio de um calmo anoitecer; é o silêncio que vem quando o pensamento
com todas as suas imagens, palavras e percepções - cessa completamente.
Esta mente meditativva é a mente verdadeiramente religiosa
- religiosidade que não é tocada pelas igrejas, os templos ou os cânticos. %

A mente religiosa é a explosão do amor - de um amor que não conhece a separação. Para ele, o longe é perto. Não é o amor de um só, ou de muitos; é, antes, um estado de amor no qual toda a divisão desaparece. Tal como a beleza ele também não cabe na medida das palavras. E só a partir deste silêncio a mente meditativa actua.

A meditação é uma das maiores artes da vida - talvez a maior, e não é possível aprendê-la de alguém. Nisso reside a sua beleza. Não está sujeita a nenhuma técnica, e portanto a nenhuma autoridade. Aprendermos a respeito de nós mesmos, observando-nos, vendo o modo como andamos, como comemos, reparando no que dizemos, nas conversas fúteis e maldizentes, na inimizade, no ciúme... estarmos atentos a tudo isto, em nós mesmos, sem qualquer escolha, faz parte da meditação. Assim, a meditação pode acontecer quando estamos sentados num autocarro ou passeamos nos bosques cheios de luz e de sombras, quando escutamos o canto das aves, quando olhamos o rosto da nossa mulher ou do nosso filho.

É curioso como a meditação se torna uma constante presença: não há um fim nem um princípio para ela. É como uma gota de chuva: nela estão todos os regatos, os grandes rios, os mares e as quedas de água... A gota de chuva alimenta a terra e o homem; sem ela, a terra seria um deserto. Sem a meditação, também o coração se torna um deserto, um lugar abandonado.

Meditar é ver se o cérebro, com todas as suas atividades, todas as suas experiências, pode ficar inteiramente silencioso; sem ser forçado a isso, porque no momento em que se força, nasce a dualidade. A entidade que diz, «gostaria de ter experiências maravilhosas, portanto tenho de forçar o meu cérebro a ficar quieto» - não conseguirá aquietá-lo. Mas se começarmos a procurar descobrir, a reparar, a escutar todos os movimentos do pensamento, o seu condicionamento, os seus interesses, os seus medos, os seus desejos, observando como o cérebro funciona, então veremos que ele se toma extraordinariamente quieto; mas essa quietude não é entorpecimento: ele está extremamente ativo e, portanto, silencioso. Um poderoso dínamo a trabalhar perfeitamente quase não se ouve; só quando há fricção, há ruído.

Silêncio e amplidão interior andam juntos. A imensidade do silêncio é a imensidade da mente em que não existe um centro.

A meditação requer um trabalho de grande empenhamento. Requer a mais alta forma de disciplina - não a do conformismo, da imitação, da obediência - mas uma disciplina que nasce de uma atenção constante, não apenas às coisas que nos rodeiam exteriormente, mas também interiormente. Assim, a meditação não é uma atividade de isolamento. Ela é ação na vida quotidiana, que exige cooperação, sensibilidade e inteligência. Sem lançarmos a base de uma vida reta, a meditação toma-se uma fuga, e não tem portanto valor algum. Uma vida reta não consiste em seguir a «moralidade» social, mas em estar liberto da avidez, da inveja, da procura de poder - todos eles criadores de inimizade. Não é pela ação da vontade que podemos libertar-nos deles, mas pela atenção que lhes damos por meio do auto-conhecimento. Se não conhecemos as atividades do «eu», a meditação torna-se uma forma de excitação ligada aos sentidos, e é portanto de muito pouco significado.

Andar sempre à procura de .«experiências transcendentes», mais variadas e intensas, é uma forma de fugir da realidade presente, daquilo que é, ou seja, de nós mesmos, da nossa própria mente condicionada. Uma mente desperta, inteligente, livre, que necessidade tem dessas experiências? A luz é luz; não anda à procura de mais luz.

Se não sabemos o que é a meditação - e ela é realmente muito extraordinnária - somos como cegos num mundo de cores vivas, de sombras e de luz em movimento. Meditar não é uma actividade intelectual, uma actividade mental, mas quando o coração «inunda» a mente, esta adquire uma qualidade inteiramente nova; fica, então, verdadeiramente sem limites, não só na sua capacidade de pensar e de agir com eficiência, mas também no sentir que está a viver num espaço imenso, onde fazemos parte de tudo.
A meditação é o movimento do amor. Não é o amor de um só ou de muitos. É a água que brota, inesgotável, e que qualquer pessoa pode beber, por um jarro qualquer, seja ele de ouro ou de barro. E acontece uma coisa singular, que nenhuma droga ou auto-hipnose pode fazer acontecer: a mente como que entra em si mesma, começando àsuperfície e penetrando sempre mais profundamente - até que «profundidade» e «altura» perdem o seu significado e toda a forma de medida cessa. Neste estado há completa paz - não um contentamento que surge como uma recompensa - mas uma paz que é ordem, beleza e intensidade. Pode ser destruída - tal como se pode destruir uma flor - e contudo, devido à sua subtileza e ausência de rigidez, ela é indestrutível. Esta meditação não pode ser aprendida de outrem. Temos de «começar» sem nada saber sobre ela, e de ir sempre de inocência em inocência.

O solo em que a mente meditativa pode desabrochar é o solo da vida quotidiana, com os seus conflitos, dores e fugazes alegrias. Deve nascer aí, para criar ordem, e a partir desta prosseguir constantemente. Mas se estamos apenas interessados em criar ordem, então essa mesma «ordem» trará a sua própria limitação, e a mente ficará dela prisioneira. Em todo este movimento, temos, de algum modo, de «começar» a partir do outro lado, a partir da outra margem, sem estarmos sempre preocupados com esta margem ou em como atravessar o rio. Temos de dar um mergulho na água, sem saber nadar. E a beleza da meditação é que nunca sabemos onde estamos, onde é que vamos, qual é o fim.

A meditação não é algo diferente da vida de todos os dias; não é isolarmo-nos no canto de um quarto, para meditar durante dez minutos, e depois sairmos dali e irmos destruir o nosso semelhante - não só metaforicamente como de maneira real. Meditar é algo da maior seriedade. Podeis fazê-Io durante o dia, no emprego, com a família, quando dizeis a alguém «Amo-te», quando cuidais dos vossos filhos... Mas depois dais-Ihes uma «educação» para se tomarem soldados e matarem, para serem nacionalistas e prestarem culto à bandeira, «educando-os» para entrarem na armadilha do mundo moderno. Observar tudo isso, compreender a vossa participação nisso, faz parte da meditação. E quando assim meditais encontrareis nesse meditar uma beleza extraordinária; agireis correctamente em todos os momentos; e se num dado momento assim não for, não importa; tentareis de novo agir correctamente - sem perder tempo em lamentações. A meditação não está separada da vida, faz parte dela.

Se nos esforçamos por meditar, não estamos a meditar. Se nos esforçamos por sermos bons, a bondade não floresce. Se cultivamos a humildade, ela fica ausente. A meditação é a brisa que entra quando deixamos a janela aberta; mas se deliberadamente a mantemos aberta, com o propósito de atrair a brisa, ela não aparece.

A meditação não é um meio para alcançar um fim. Ela é não só o meio, como é também o fim.

Que extraordinária é a meditação... Se existir alguma espécie de pressão ou de esforço para fazer o pensamento ajustar-se, imitar, então tudo isso se toma um fardo fastidioso, cansativo. O silêncio que se deseja deixa de ser iluminante. E se se procuram visões e «experiências», essa procura leva à auto-hipnose e a várias ilusões. Só escutando o pensamento, deixando-o «florescer» e, assim, cessar, é que a meditação tem verdadeiro significado. O pensamento só pode «florescer» em liberdade - e não dentro dos moldes, cada vez mais variados, do conhecimento acumulado. O conhecimento acumulado pode proporcionar novas experiências de maior excitação sensorial, mas a mente que anda em busca dessas experiências é imatura. Maturidade é estar liberto de todas as experiências, é não estar sujeito a qualquer influência para ser, ou não ser, isto ou aquilo. Maturidade, na meditação, significa a libertação da mente relativamente ao conhecimento acumulado, porque ele molda e controla todas as experiências. A mente que é uma luz para si mesma não precisa de «experiências». A imaturidade reside na ânsia de experiências mais espectaculares e variadas. Meditar é percorrer o mundo do conhecido e libertar-se dele para penetrar no desconhecido.


sábado, 22 de janeiro de 2011

Comentário de um leitor



O senhor Marcos Freitas escreveu:

Infelizmente já existiram no local tragédias ainda maiores! Deslizamento: Maior tragédia do Brasil foi na Serra das Araras sex, 14 jan 2011 - 19:43 | by frc.vfco Desabou: a Serra das Araras ficou ?pelada? após tragédia de 1967 (Arquivo) Uma cruz de 10 metros na subida da Serra das Araras (Piraí-RJ), no local conhecido por Ponte Coberta, marca o início de um enorme cemitério construído pela natureza. Lá estão cerca de 1.400 mortos (fora os mais de 300 corpos resgatados) vítimas de soterramento pelo temporal que atingiu a serra em janeiro de 1967. Foi a maior tragédia da história do país, superando o número de mortos da atual tragédia na Região Serrana do Estado do Rio de Janeiro, hoje acima de 500. No episódio da Serra das Araras, suas encostas praticamente se dissolveram em um diâmetro de 30 quilômetros. Rios de lama desceram a serra levando abaixo ônibus, caminhões e carros. A maioria dos veículos jamais foi encontrada. Uma ponte foi carregada pela avalanche. A Via Dutra ficou interditada por mais de três meses, nos dois sentidos. A Revista Brasileira de Geografia Física publicou, em julho do ano passado, a lista das maiores catástrofes por deslizamento de terras ocorridos no país. O episódio da Serra das Araras, com seus 1700 mortos estimados, supera de longe qualquer outro acidente do gênero no país. Para se ter uma idéia do que ocorreu na Serra das Araras basta comparar os índices pluviométricos. A atual tragédia de Teresópolis ocorreu após um volume de chuvas de 140mm em 24 horas. Na Serra das Araras, em 1967, o volume de chuvas chegou a 275 mm em apenas três horas. Quase o dobro de água em um oitavo do tempo. Mas o episódio da Serra das Araras parece ter sido apagado da memória do país e, especialmente, da imprensa. O noticiário dos veículos de comunicação enfatiza que a tragédia da Região Serrana do Rio superou o desastre de Caraguatatuba em março de 1967 (ver abaixo). O caso da Serra das Araras, ocorrido em janeiro daquele mesmo ano, sequer é citado. Até a ONU embarcou na história e colocou a tragédia atual entre os dez maiores deslizamentos de terras do mundo nos últimos 111 anos. Caraguatatuba: As marcas dos deslizamentos no mesmo ano de 1967 (Arquivo) Caraguatatuba O ano de 1967 foi realmente atípico. Em março, dois meses após a tragédia da Serra das Araras, outro desastre atingiu Caraguatatuba, no litoral paulista. Chovia quase todos os dias desde o início do ano (541mm só em janeiro, o dobro do normal). Do dia 17 para 18 de março, um temporal produziu quase 200 mm de chuvas em um solo já encharcado. No início da tarde de 18 de março, sábado, a tragédia aconteceu sob intenso temporal que chegou a acumular 580mm de chuvas em dois dias (Teresópolis teve 366mm em 12 dias). Segundos os relatos da época, houve uma avalanche de lama, pedras, milhares de árvores inteiras e troncos que desceu das encostas da Serra do Mar, destruindo casas, ruas, estradas e até uma ponte. Cerca de 400 casas sumiram debaixo da lama. Mais de 3 mil pessoas ficaram desabrigadas (20% da população da época). O número de mortos - cerca de 400 - foi feito por estimativa, pois a maioria dos corpos foi soterrada ou arrastada para o mar. Detalhe: Caraguatatuba, em 1967, era um balneário turístico de 15 mil habitantes. Dá para imaginar quais seriam as consequências se aquela tragédia ocorresse hoje, com os atuais 100 mil habitantes. ?Vimos mortos nas árvores, braços na lama' Bárbara Osório-MacLaren nasceu na Alemanha em janeiro de 1939. Tendo sobrevivido à II Guerra Mundial, veio para o Brasil com a família em 1950, quando tinha 11 anos, atendendo a um chamado do avô materno, que já vivia no país. Foi morar em São Paulo, na Tijuca Paulista, fez Admissão no Externato Pedro Dolle e, quando jovem, estudou no Ginásio Salete. Frequentava o Clube Floresta: "Nos encontrávamos (com os amigos) para nadar ou praticar outro esporte", relembra. Em 1961, mudou-se para a Inglaterra. Seis anos depois, aos 28 anos de idade, voltou ao Brasil para rever os amigos. Já no Rio de Janeiro, em 22 de janeiro de 1967, às 23 horas, tomou um ônibus da Viação Cometa com destino a São Paulo. Um temporal desabou na Via Dutra, que acabara de ser duplicada. Nunca, naquela região, se havia visto ou iria se ver uma chuva tão forte quanto aquela que presenciava a jovem alemã e que ela relata a seguir: - Dentro de 40 minutos, na Via Dutra, houve um temporal. O nosso ônibus já estava na subida, mas a estrada se abriu a nossa frente. Lá ficamos até a manhã do dia seguinte. Pela rádio ouvimos os gritos de pessoas em outros carros, estavam sufocando na lama. Bárbara dá detalhes: "Pela manhã, descemos o morro a pé, vimos mortos nas arvores, braços na lama, as reportagens nos jornais falavam de mais de 400 mortos. Eu desmaiei no transporte de caminhão desta cena ao Centro do Rio. Quando acordei do coma ou desmaio, estava em Lisboa, Portugal. Em outras palavras, em vez de me levarem a um hospital no Rio, me despacharam para a Europa". A experiência da jovem alemã, hoje com 72 anos, foi contada há dois anos em um depoimento ao site "São Paulo Minha Cidade" e dá a dimensão do que ocorreu na Serra das Araras em 1967. Mas seu depoimento, 42 anos após a tragédia, é uma raridade. Há poucas histórias registradas sobre os acontecimentos da época, por duas razões: carência de boa cobertura jornalística, em virtude dos parcos recursos tecnológicos da imprensa no período, e o fato de que o episódio foi tão trágico que poucos sobreviveram para testemunhá-lo. Outra das poucas histórias que sobreviveram também envolve um cidadão estrangeiro. É a história do motorista do ônibus prefixo 529 da Viação Cometa, que salvou a vida de quase todos os passageiros. O motorista, quando vislumbrou a tragédia que poderia se suceder, pediu que todos deixassem o ônibus, mas um estrangeiro recusou-se à deixar o veículo. Poucos minutos depois, uma rocha rolou e caiu sobre o ônibus, matando o estrangeiro. Salvos: Ônibus da Viação Cometa na Serra das Araras, em 1967. Motorista só não salvou um passageiro (Arquivo) Advogado lembra trabalho de presos O advogado Affonso José Soares, de Volta Redonda, que morava em Piraí na época da tragédia, lembrou que, na madrugada da tragédia na Serra das Araras, trabalhava em um habeas corpus para a libertação de sete presos. Eles haviam sido detidos, em flagrante, cerca de dois meses antes, praticando um jogo ilegal de aposta conhecido como "Jogo da Biquinha". Durante a madrugada, percebeu o barulho do estrondo, mas continuou o trabalho com o auxílio de um lampião, já que a cidade ficou às escuras por causa dos deslizamentos na serra. - Estava trabalhando no meu escritório e escutei o estrondo por volta de uma ou duas horas da manhã. Estava trabalhando intensamente em um habeas corpus para sete presos que estavam na cadeia de Piraí e, quando as luzes se apagaram, tive que usar um lampião durante a madrugada toda - lembrou. Na manhã seguinte, segundo ele, o município foi "invadido" por passageiros do Rio de Janeiro e de São Paulo, que ficaram impossibilitados de passar pela serra devido aos desmoronamentos e crateras. - Foi uma ocorrência de acidente muito grave. Os ônibus de São Paulo e carros do Rio entravam em Piraí e não tinham como seguir viagem. O comércio foi praticamente invadido por passageiros. A tromba d'água tinha destruído praticamente todo o acesso. Na Serra das Araras, havia crateras enormes. Demoraram quatro ou cinco meses para restabelecer a situação - lembrou. Antes do meio dia, no dia da tragédia, o advogado lembra que foi procurado pelo delegado que pediu sua ajuda para convencer os presidiários a colaborarem no resgate das vítimas. - O contingente da delegacia era de cinco pessoas, entre policiais militares e civis e havia necessidade imediata de pessoas para realizar o trabalho de prestar socorro às vítimas presas nas crateras. O delegado acrescentou que os presos depositavam confiança em mim e me respeitavam e que eu poderia convencê-los a ajudar - continuou. Ao dirigir-se àquele que seria o "líder" dos presos, Affonso recordou que frisou a oportunidade de os presos mostrarem humanidade e solidariedade. - Falei que eles estavam tendo uma oportunidade de prestar um serviço público e demonstrar espírito solidário. Mesmo assim, lembrei que se esboçassem qualquer reação de rebeldia poderiam ter sérios problemas, porque eu tinha material suficiente para incriminá-los. Eles aceitaram e pediram para dizer que estavam nas mãos do delegado - acrescentou o advogado. Os sete presos fizeram o trabalham mais pesado do salvamento: foram amarrados por cordas e descidos até o local em que estavam às vítimas. Além de auxiliar no salvamento e nos primeiros socorros aos sobreviventes, apanhavam corpos e os traziam abraçados. "Eles eram fortes e fizeram um trabalho que ninguém queria fazer. Trabalharam por 48 horas e voltaram à delegacia para ajudar na parte burocrática", frisou Affonso. Dias depois, por intermédio de um escrivão piraiense que vinha de São Paulo, Affonso descobriu que o trabalho executado pelos presos havia ido parar na primeira página do Jornal da Tarde com o título "Os sete homens bons". Sem pestanejar, anexou a reportagem ao processo que estava organizando. - Apanhei a primeira página do Jornal da Tarde e juntei ao habeas corpus e tenho certeza que isso contribuiu para obter a liberação deles. Eles demonstraram seu lado humano, o de quem não é só criminoso, bandido - explicou. Aurélio Paiva | Diário do Vale | Publicado em 14/1/2011, às 19h43 http://diariodovale.uol.com.br/noticias/4,34343.htmlaxzz1AxEtkmng
18-01-2011

Rogel Samuel - PRAZERES DE VERÃO





Há quem escreva poemas contos novelas. Eu escrevo crônicas. Tenho alguns leitores. Há, também, quem escreva tratados. Quem deixou de escrever. Quem vá à praia. Bronzear-se. O Rio é balneário. Verões de sol. E de chuvas. Ainda bem. Achei um tempo para ir à praia. Antes, ia diariamente. Gostava do Pier, como todo mundo. Agora vou à Praia Vermelha, que não é comunista, nem lembra a Praça. Cercada de quartéis. Foi lá que a vi. Recentemente.

* * *

Conheço um maestro pela Quarta Sinfonia de Brahms. Ela diz quem é quem. Bruno Walter, com a Columbia Symphony Orchestra. Um mestre. Consegue a dimensão suprema. A orquestra excelente. Gravação de 1960. Walter, que nasceu em 1876, estava com 84 anos. Faleceu em 62. Todos já morreram: Klemperer em 73, Furtwangler em 54, Beecham em 61, Barbirolli em 70, Stokowsky em 77, Bernstein em 90, Karajam em 89, o
grande Mravinsky em 88, Scherchen em 66. Toda uma geração de grandes maestros.
Na Quarta sentimos o mundo desabar como uma cristaleira de estrelas. Conheci uma pessoa que não a podia ouvir sem verter lágrimas. "Por que chora?" - perguntei, certa vez. "Choro pela magnitude, a beleza" - respondeu.

* * *

Mas o cronista enlouqueceu? passei da praia para Brahms? Gosto de escrever ouvindo música. Fui arrancado da praia. Quando a vi, ela vinha preparada: barraca, cadeira, bronzeador. Sentou-se a meu lado. Não me viu. Ainda uma bela mulher. Cerca de 60 anos. O corpo, excelente. Rijo, pleno. O rosto não. Marcava nas rugas todas as vicissitudes por que passara. Há muito sei que nada escreve. Parar de escrever é mortal, para poeta. E ela escreveu dois belos livros, há muito tempo. As rugas marcavam a expressão severa, tensa. Armada. Onde moraria? Que estaria fazendo? Quando eu já pensava em retirar-me, apareceu a amiga. Começaram a conversar em voz alta. Lembrei-me de sua cristalina voz. Pude ouvir que cuidava dos netos, estivera no supermercado, e assuntos domésticos. Nada, nem uma palavra de poesia. Saí, sem me identificar, reconhecer, sem me despedir. Ela, porém, não me tinha visto. Será que ainda me reconheceria?

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Helicóptero de resgate cai no Rio



Aeronave caiu sobre montanha de esterco quando
tentava pousar, afirma militar em Nova Friburgo

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Rogel Samuel: Terremoto no Afeganistão




Como se não bastasse a guerra, um terremoto abala o Afeganistão.


“Um terremoto de magnitude 5,3 atingiu hoje uma montanhosa região ao norte da capital afegã, Cabul, matando sete pessoas e ferindo 30, segundo autoridades. O tremor ocorreu a 1 hora (horário local) na província de Samangan, quase na metade do caminho entre Cabul e Mazar-i-Sharif, no norte do país, segundo o vice-governador provincial, Kulam Sakhi Baghlani. São escassos os caminhos e outras vias de comunicação nessa área, dificultando a obtenção de informações. O terremoto foi também sentido em Cabul e nos vizinhos Usbequistão e Tajiquistão. Baghlani disse que três distritos com populações dispersas foram afetados. Pelo menos 300 casas feitas de barro foram danificadas. Dezenas de cabeças de gado morreram. Foram provocadas enchentes pelo terremoto, bloqueando rotas e complicando a chegada à área. "O sismo foi sentido com intensidade muito maior nas montanhas", disse Baghlani. Segundo ele, três unidades da defesa civil foram enviadas para avaliar as consequências do tremor”, diz o Estadão.

O Afeganistão já foi um rico país de tradição budista, onde nasceu (ou apareceu) Padmasambhava, ou Guru Rinpochê, autor de “O livro dos mortos”, tão famoso, mestre dos mestres do budismo do Tibet (foi ele quem levou o budismo para lá), o Afeganistão foi uma terra extraordinária antes de invadida e de ficar em guerras sucessivas.

Antonio Candido: Carta à ministra



Íntegra da carta do Professor Antonio Candido saudando a ministra Ana de Hollanda

Querida Ana:

Você não imagina com que emoção me dirijo agora à menina que vi nascer, crescer e amadurecer, até tornar-se uma personalidade de relevo no panorama cultural do Brasil.
No setor público, não esqueço a sua excelente atuação como Secretária de Cultura do Município de Osasco, estreia que se desdobrou ao longo do tempo em serviços prestados a sucessivas instituições culturais.
Não esqueço a qualidade excepcional do meio familiar em que você viveu e se formou mentalmente, sob a égide de sua mãe e de seu pai, cercada sempre por intelectuais e artistas do mais alto nível.
Tudo isso parece tê-la preparado para ocupar funções como esta que hoje assume e que exercerá certamente com a maior eficiência, acompanhada pelos augúrios favoráveis de todos os que desejam a continuação das melhores políticas culturais para o Brasil.
É com toda confiança que lhe mando esta mensagem desejando êxito na sua difícil missão e cumprimentando-a como dedicado amigo e admirador

Antonio Candido

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

CASTRINHO





POR CLARICE DE OLIVEIRA



Vi o ator Castrinho pedindo informções sobre o paradeiro de parentes seus.
Minha lembrança voltou ha anos atrás em que houve uma chuva terrivel sobre o Rio de Janeiro, que destruiu residencias nas encostas da Barra da Tijuca, na Av. Niemayer e muitos lugares do Rio.
Soube que Castrinho socorreu vários refugiados, até levando colchões para os necessitados.
E a recordação de momentos felizes, foi infalivel.
Castrinho é um Mestre no jogo Chinês de Majong.
Eu joguei Majong com ele e nunca soube de alguém que jogasse com a maestria dele.
Seus pais, Sêo Geraldo e D. Yolanda, eram pessoas agradabilissimas, que
tornavam o ambiente de reunião em algo inesquecivel...
O pai de Castrinho, foi um grande pintor: gostava do mar e dos barcos sobre a areia da praia: um dos lugares preferidos de Sêo Geraldo, foi a
praia de Nazareth, em Portugal.
A casa de Castrinho na Vargem Grande, para mim era um deleite; havia sempre uns queijos do tamanho de uma roda de automovel, dos quais D. Yolanda, mãe dele, me cortava uma fatia, eu, que adoro queijo... e eu pensava: - Um dia, terei uma casa de campo com um queijo desses...
Hoje, tenho minha casa de campo, mas minhas posses dão somente para um queijo do tamanho de um prato raso.
Um dia, fomos, os pais de Castrinho, ele,eu, visitar uma casa japonesa construida por um brasileiro: a medida que a Vida permitia, o proprietario, esticava mais um comodo da casa, que era numa montanha;
então, ora era uma subida, ora uma decida... ora um plano... e era tão
engraçado, que eu não parava de rir... E esse passeio, proporcionou uma
das melhores performances de ator de Castrinho: - na volta, Castrinho imitou todos nós... imitou a mim, com as minhas risadas, o pai dele batendo com os nós dos dedos nas paredes de madeira... nunca vou esquecer... Nunca vou esquecer esse tempo, que agora está emoldurado na
Recordação, que é a memória da Terra, amanhã sua Alma e mais além, seu
Espirito, para os Arqueologos Esotéricos, que tentam recompor as Idades
até fazendo-as passar pelas Dimensões Imaginarias de Tempos que fogem à
sua Perspicácia de Observação dos Mundos Inatingíveis pelos que estão
presos à provação na Existencia da Carne.
clarisse

MÍDIA, CATÁSTROFES, COERÊNCIAS



A hora das verdades

Por Alberto Dines em 18/1/2011

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/imprimir.asp?cod=625IMQ001



"Quando a tragédia nos golpeia, nossa natureza pede explicações, tenta pôr ordem no caos, busca um sentido naquilo que não parece ter sentido algum." (Barack Obama, 12/1/2011)

O presidente americano estava em Tucson, Arizona, para homenagear os mortos no atentado terrorista contra a deputada democrata Gabrielle Giffords. Horas depois, na madrugada daquela mesma quarta-feira (12/1), desabava na região serrana do Rio de Janeiro uma violenta tromba d’água que provocou o maior desastre já registrado na história brasileira. O emocionado discurso de Obama, elogiado até pelos adversários, foi considerado um de seus melhores: aplacou os ódios, sobretudo evitou prejulgamentos simples e fáceis.

Marcada pela sucessão de desastres climáticos acontecidos um ano antes nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas, nossa mídia reagiu com indignação. Denunciou a desatenção das autoridades aos alarmes, reclamou contra a ausência de uma política prevenção, acusou os políticos demagogos que em troca de votos mantêm grandes parcelas da população em áreas de risco.

A mídia acordou antes das autoridades, mostrou a catástrofe enquanto se consumava e está cobrindo todos os desdobramentos com uma persistência inusitada. A assombrosa cadeia de solidariedade que prontamente se articulou em todo o país foi uma resposta a este esforço de reportagem. A participação da âncora do Jornal Nacional Renata Vasconcellos, durante dois dias na cobertura in loco, foi simbólica: ofereceu ao nosso telejornalismo aquela devoção ao ofício há muito desaparecida.

Hegemonia criminosa

A mídia sente-se, portanto, legitimada para fazer exigências, espernear, indignar-se, malhar. Mas precisa levar em conta o entrelaçamento das causas: não foi só a quantidade de chuva – nem apenas a precariedade em que vive parcela substancial da nossa população – a responsável pelo funesto recorde de vítimas.

Apesar da euforia do último ano, o país está atolado em impasses cruciais. O regime, as instituições, a sociedade vivem contradições que se agigantam, assustadoras, nas emergências.

Nossa imprensa ainda não conseguiu assumir-se como real prestadora de serviços públicos. Não é uma concessionária, mas a principal beneficiária de um sistema de liberdades que a obriga a contrapartidas e sacrifícios que não ousa fazer. Assustada com os boatos que ela própria divulga sobre o seu próximo fim, esquece a missão de defender o sagrado interesse coletivo mesmo quando os seus estão ameaçados.

O crescimento das nossas cidades precisa ser drasticamente disciplinado, o uso do automóvel precisa ser limitado, o crescimento da economia deve ser sustentável, o consumismo e o desperdício não podem ser as molas mestras do desenvolvimento. No entanto, nenhum veículo jornalístico tem a coragem de mostrar as aberrações e distorções produzidas pelo mercado imobiliário ou propor qualquer limitação à criminosa hegemonia dos carros nas vias urbanas.

Convém não esquecer que a mídia paulistana não apenas abominou, mas fez o possível e o impossível para impedir a adoção do rodízio de carros em 1996. Temia uma forte redução nas vendas que, infelizmente, não se materializou.

Função da tragédia

Enquanto a meteorologia se torna a vedete do noticiário e as deficiências na previsão do tempo dominam as arengas dos recantos de opinião, é preciso reconhecer que nossa mídia – com a exceção das emissoras de rádio – ainda não aprendeu a induzir o seu público a se interessar pelas variações do tempo. Nem os jornais, a televisão ou a internet conseguem sensibilizar as respectivas audiências para esse importante indicador publicado diariamente há mais de um século, apto a evitar inconvenientes pessoais e catástrofes nacionais, no entanto invariavelmente tosco.

Para impor-se junto à opinião pública, a imprensa deve se mostrar capaz de dolorosas coerências e sacrifícios. A mesma veemência para denunciar políticos corruptos deveria dirigir-se às incorporadoras e construtoras que apostam em aglomerados de luxo, esquecidas de que cada unidade produzirá automaticamente cinco ou seis casebres em áreas de risco na periferia.

A função da tragédia é produzir catarses, delas nascem verdades. Uma imprensa sadia não pode ignorá-las. Uma imprensa madura deve pressentir que também ela tem culpas.


Rogel Samuel: Nada será como antes






Conheço bem a região destruída. Fui freqüentador assíduo de suas belezas e de suas temperaturas amenas. Sempre pensei em mudar-me para a serra. Mas depois de toda essa catástrofe, que pensar? O que era um paraíso virou um inferno. Ainda não conseguimos absorver o impacto. Nada será como antes.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Mais de 400 máquinas removem lama e entulhos na região serrana


Nielmar de Oliveira

Repórter da Agência Brasil



Rio de Janeiro - Com o apoio do governo federal, o governo do Rio já encaminhou às cidades da região serrana do estado afetadas pelas fortes chuvas dos últimos dias mais de 400 máquinas para ajudar nos trabalhos de remoção de lama e entulhos que cobrem as ruas e avenidas.



São dragas, tratores, retroescavadeiras, caminhões, ambulâncias e helicópteros que atuam em ações de busca de sobreviventes, resgate de corpos, remoção de entulho, segurança, limpeza e reconstrução de vias e rodovias.



Estão sendo empregados, segundo levantamento do governo do Rio, 30 helicópteros, 227 veículos da Secretaria de Obras, 74 viaturas do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil Estadual e pelo menos 47 veículos da Polícia Militar, além de outros de órgãos como Polícia Civil e Secretaria de Estado de Governo, que deslocou efetivos e carros das operações Lei Seca e Barreira Fiscal para ajudar o trabalho na região.




Edição: João Carlos Rodrigues



Mortes pelas chuvas na Região Serrana do Rio sobem para 626


Mortes pelas chuvas na Região Serrana do Rio sobem para 626

Castrinho tenta resgatar os sogros


NOVA FRIBURGO - O comediante Castrinho está em Nova Friburgo para pedir ajuda da Polícia Militar para resgatar o sogro Adolf Kindel e a mulher dele, Ingedurg Kindel, e ainda uma amiga do casal, Dóris, que estão isolados em um sítio em Rio Grande de Cima, onde moram há mais de 40 anos.

No sítio, há 70 cabeças de gado e quatro cães. Ele não teve qualquer notícia do trio desde o início das chuvas.

- Aguentamos até onde foi possível. Agora temos que resgatá-los de qualquer jeito. Meu medo é que eles que não queiram vir, porque são muito apegados àquele lugar - disse Castrinho.

O comediante levou consigo um saco de ração para alimentar os cachorros.

Sobe para 617 número de mortos pelas chuvas na região serrana do Rio





Nova Friburgo, o município mais castigado pelo enxurrada, tem 279 mortos. Em Teresópolis, há 263 mortos. Petrópolis registra 56 mortes e Sumidouro, 19.


Changing the Tone




By request from Joseph Benaiah Cox:

As someone who frequently points out that Jonah Goldberg is a moron unsuited for any work in the public, let along public intellectual debate, how do you feel about calls to tone down the rhetoric? While obviously yours is not violent rhetoric, it probably doesn’t make anyone feel too charitable. I enjoy your candor, but as someone who has a blog award for bravery named after him I wonder if you could chew on your own role in the public discourse. Do you regret things you have said? Do you think that you contribute to the devil shift?

I have definitely said some things over the years which I regret. But I draw a distinction here. I don’t think people should pretend to like people they dislike or avoid saying what they mean. But I do think people should be careful to avoid a certain kind of tendentious rhetoric. Some of the participants in our political debate are quite stupid, some are corrupt, some are dishonest, and some combine multiple unattractive qualities.

What should be avoided is the tendency to dramatically overstate the ideological stakes in our political debates. The choice between Democratic candidates and Republicans ones is important and has important consequences. But in the grand scheme of things, you’re seeing what’s basically a friendly debate between two different varieties of the liberal tradition. I think efforts to elide the difference between the religiously inflected populist nationalism of George W Bush and the religiously inflected populist nationalism of Mullah Omar are really absurd, as are the efforts by Glenn Beck to elide the difference between the progressive income tax and Joseph Stalin. This stuff is mostly unserious, but I also think it’s potentially dangerous. If you really thought prominent American politicians were plotting to fundamentally subvert the American constitutional order tand supplant it with a totalitarian dictatorship, you’d be prepared to countenance some pretty extreme countermeasures.

The problem here isn’t really about “civility” or being nice, it’s about accuracy and not treating your audience like you respect them. Beck thinks of his audience as marks, which is just plain wrong, and some day I’m afraid the con may lead someone to do something equal in craziness to the yarn Beck is spinning.


http://yglesias.thinkprogress.org/

ver também

http://en.wikipedia.org/wiki/Liberal_Fascism



sábado, 15 de janeiro de 2011

Os sintomas de uma nova crise alimentar mundial





Os preços mundiais do arroz, do trigo, do açúcar, da cevada e da carne seguiram altos ou registraram significativos aumentos em 2011, podendo replicar a crise de 2007-2008, alerta a FAO. No final de 2010, ocorreram protestos na China pelos altos preços das refeições de estudantes. Nos primeiros dias de 2011, já ocorreram protestos na Argélia e também na Tunísia, onde protestos de rua causaram a morte de pelo menos 20 pessoas. "Estamos entrando em um terreno perigoso", alerta economista da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação.

Thalif Deen - Rebelión


A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), com sede em Roma, alertou a semana passada que os preços mundiais do arroz, do trigo, do açúcar, da cevada e da carne seguiram altos ou registraram significativos aumentos em 2011, podendo replicar a crise de 2007-2008. Rob Vos, diretor de políticas de desenvolvimento e análise no Departamento de Economia e Assuntos Sociais da ONU relata que o aumento dos preços já está afetando vários países em desenvolvimento. Ele indicou ainda que nações como Índia e outras do leste e do sudoeste da Ásia sofrem inflação de dois dígitos, impulsionada pelo aumento dos preços dos alimentos e da energia. Na Bolívia, o governo se viu obrigado a reduzir os subsídios a alguns dos alimentos da cesta básica, já que estavam provocando uma disparada no déficit fiscal.

As implicações no curto prazo não são apenas que os pobres serão afetados e que mais gente poderá ser arrastada para a pobreza, mas sim que ficará mais difícil a recuperação dos países que enfrentam uma maior inflação e cairá o poder aquisitivo dos consumidores em geral. Alguns bancos centrais estão endurecendo suas políticas monetárias e governos estão se vendo obrigados a apertar o cinto, assinalou Vos, que é também chefe dos economistas da ONU.

Frederic Mousseau, diretor de políticas do Instituto Oakland, com sede em São Francisco, declarou que, em setembro passado, Moçambique já havia sofrido revoltas populares pelos altos preços do pão. Cerca de 13 pessoas morreram nestes protestos. “Ocorreram manifestações em uns 30 países em 2008 e isso pode se repetir agora uma vez que a situação não mudou nos últimos três anos”, sustentou Mousseau, autor do livro “O desafio dos altos preços dos alimentos: uma revisão das respostas para combater a fome”. Os países mais vulneráveis são os mais dependentes das importações e os menos capazes de enfrentar o aumento dos preços nos mercados com políticas públicas, sustentou. Isso concerne a muitas das nações mais pobres, com menos recursos, menos instituições e menos mecanismos públicos para apoiar a produção de alimentos”, explicou ainda Mousseau.

No final do ano passado ocorreram protestos na China pelos altos preços das refeições dos estudantes do ensino secundário, e na Argélia, pelo aumento do preço da farinha, do leite e do açúcar. Os argelinos voltaram a tomar as ruas na semana passada para protestar contra as duras condições econômicas. As manifestações terminaram com três mortos e centenas de feridos, enquanto que, na vizinha Tunísia, distúrbios similares causaram pelo menos 20 vítimas fatais.

Segundo o índice da FAO divulgado na semana passada, os preços dos cereais, dos grãos oleaginosos, lácteos, carnes e açúcar seguiram aumentando por seis meses consecutivos. “Estamos entrando em um terreno perigoso”, disse Abdolreza Abbassian, economista da FAO, para um jornal de Londres. Mousseau explicou que os preços começaram a aumentar em 2010 após as quebras de safras na Rússia e Europa Oriental, em parte causadas pelos incêndios de verão. Agora, as severas inundações que atingiram a Austrália, quarto maior exportador mundial de trigo, provavelmente afetarão a produção desse cultivo, elevando ainda os preços. “Qualquer outro acontecimento, como outro desastre climático em algum país exportador ou um novo aumento do preço do petróleo, sem dúvida alguma fará os preços dispararem, tornando a situação pior que a de 2008 e ameaçando o sustento de milhões de pessoas em todo o mundo”, acrescentou.

Por outro lado, Mousseau esclareceu que não se trata agora de um problema de escassez, como ocorreu em 2007-2008. “Não se pode usar a palavra escassez se consideramos que mais de um terço dos cereais produzidos no mundo são usados como alimento para animais, e que uma parte cada vez maior é utilizada para produzir agrocombustíveis”, observou. De fato, produziram-se 2,23 bilhões de toneladas de cereais no mundo em 2008, uma cifra sem precedentes. O nível de produção para o período 2010-2011 é levemente menor que o de 2008. A diferença é que, em 2008, foi o arroz que impulsionou a alta de preços, enquanto que, desta vez, é o trigo. Mas, em todo o caso, há uma combinação de fatores agindo: uma má colheita em uma parte do mundo provoca uma pressão sobre o mercado, que envia sinais negativos aos especuladores. Esses então começam a comprar e os preços disparam.

Tradução: Katarina Peixoto

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Jorge Tufic: AS ÁGUAS DO QUE VERÃO




Não sei com que voz, muito menos com que letra, tornar-me solidário ao grito coletivo daqueles que sucumbiram nas catástrofes da região serrana do Rio de Janeiro, para falar apenas nesta, tudo unicamente por culpa do próprio Governo, que nas circunstâncias atuais deixa de merecer este nome, para equiparar-se à ralé dos mais desprezíveis políticos deste País. Repugna também ao mais insensato admitir, neste caso, que o Brasil já não tenha passado, desde a morte de Getúlio Vargas, às mãos hediondas de meros politiqueiros, ladrões e sacripantas. A consciência anestesiada de milhares apenas ocupados com esporte, carnaval, tóxico e outras variadas diversões alienadoras, impediram de ver e gravar para sempre estas imagens que fizeram a nossa angústia e a nossa desesperança num futuro melhor. Estavam eles, nesse mesmo dia e nessa mesma hora, amontoados nas ruas para receber um jogador que vinha de fora, ao aceno contratual de um time de futebol. Os demais brasis, de igual modo, cuidavam de si e de suas miudezas, enquanto as televisões anunciavam, naquele crescendo vocal que alterna com as imagens dramáticas de resgates nem sempre bem sucedidos, a maior tragédia ¨natural¨ já ocorrida em nossa ex-Capital da República. Pois esta não foi, nem é, uma tragédia natural. A ocupação das encostas têm muito a ver com milhares de outras ocupações, quer nas serras, quer nas grandes cidades, periferias urbanas, florestas e rios, estes, podres, aquelas, agonizantes. A tragédia é global, embora, algumas vezes, silenciosa.

Uma lágrima é pouco, mas suaviza o caudal das chuvas, enquanto o sorriso é maior ou menor, se temos que assistir ao salvamento de uns, e, às vezes, ao inexplicável e tormentoso destino de tantos outros.


quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Lupi diz que aguarda decreto de calamidade pública no RJ para liberar recursos do FGTS



Paula Laboissière
Repórter da Agência Brasil

Brasília - O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, afirmou hoje (13) que aguarda apenas a decretação de calamidade pública pelo governo do Rio de Janeiro para que a pasta comece a estruturar a concessão de benefícios para as vítimas da chuva no estado. Segundo ele, poderão ser liberados, por exemplo, recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para trabalhadores que perderam suas casas, além de um programa especial de seguro-desemprego.

“Estamos esperando, e já deve estar ficando pronto [o decreto]. Se não saiu ontem (12), deve sair hoje o decreto de calamidade pública. É por meio dele que se pode tomar atitudes concretas, a legislação exige isso”, explicou durante entrevista no programa Bom Dia, Ministro, produzido pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, em parceria com a EBC Serviços.

Ele destacou a agilidade do processo. “Já fizemos isso em Niterói e no Nordeste. É rápido porque a gente pode tomar decisões antes da reunião do conselho, porque são emergenciais”, disse.

Edição: Talita Cavalcante

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Feixes de antimatéria


WASHINGTON - Cientistas da Nasa usaram o Telescópio Fermi de Raios Gama para detectar feixes de antimatéria produzidos por tempestades na Terra, um fenômeno nunca visto antes. Para eles, as partículas de antimatéria foram formadas em flashes de raios gama terrestres (TGF), uma curta explosão produzida dentro das tempestades de raios e trovões e associadas aos relâmpagos. Estima-se que cerca de 500 TGFs acontecem diariamente em todo o mundo, mas a maioria não é detectada.

- Estes sinais são a primeira evidência de que tempestades produzem feixes de antimatéria - diz Michael Briggs, membro do Monitor de Explosões de Raios Gama do Telescópio Fermi da Universidade do Alabama em Huntsville. Ele apresentou a descoberta nesta segunda-feira, durante o encontro da Sociedade Americana de Astronomia, em Seattle.

- Em órbita há menos de três anos, a missão Fermi tem fornecido ferramentas para investigar o universo. Mas aprendemos que ele pode descobrir mistérios muito mais perto de casa - diz Ilana Harrus, cientista do programa Fermi no escritório da Nasa em Washington.


A nave estava localizada logo acima das tempestades na maioria dos TGFs que observou, mas em quatro casos as tempestades aconteceram longe de Fermi. Durante uma TGF em 14 de dezembro de 2009, o Fermi estava acima do Egito, mas a tempestade acontecia sobre Zâmbia, a 4,5 mil quilômetros ao sul. Como a tempestade estava abaixo do horizonte de Fermi, nenhum raio gama produzido foi detectado.

- Mas mesmo quando o Fermi não podia ver a tempestade, ele estava magneticamente conectada a ela - explica Joseph Dwyer, do Instituto de Tecnologia de Melbourne, na Florida. - O TGF produiu elétrons e pósitrons de alta velocidade, que viajaram pelo campo magnético da Terra até atingir a nave.

A presença de pósitrons mostra que muitas partículas energéticas estão sendo lançadas da atmosfera e os cientistas agora acreditam que todos os TGFs emitem feixes de elétrons e positrons.

- Os resultados do Fermi nos aproximam do entendimento de como os TGFs trabalham - diz Steven Cummer, da Duke University. - Nós ainda precisamos descobrir o que há de especial nessas tempestades e o papel exato dos relâmpagos neste processo.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Governo brasileiro quer repatriar cientistas que atuam no exterior



FÁBIO AMATO
DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS

O ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, disse nesta segunda-feira que pretende desenvolver mecanismos para que o país mantenha diálogo permanente e mesmo repatrie cientistas brasileiros que atuam em instituições no exterior.

"Temos que criar uma rede dessa inteligência brasileira no exterior, uma rede em que eles [cientistas] se relacionem com o Brasil para participar de projetos no país e abrir uma porta para aqueles que quiserem voltar", disse o ministro durante visita ao Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), em São José dos Campos (SP).

Wilson Dias/ABr

Alemanha


Temperaturas mais amenas estão derretendo a neve recorde que cobriu boa parte da Alemanha em dezembro passado e causando inundações em várias cidades do país.

A água chega aos rios como Reno e Oder e ultrapassa as barreiras de proteção.

O nível do rio Reno deve chegar a sete metros nesta segunda-feira e as autoridades observam com cautela a possível chegada das águas na cidade de Koblenz.

Mais ao sul, o rio Mosel inundou várias cidades do vale de produção de vinhos.

As autoridades observam ainda o nível do rio Oder, na fronteira leste, apesar de suas águas parecerem retroceder.

Filme de cineasta transexual é alvo de censura na Tailândia



DA EFE

O primeiro filme que mostra a marginalização dos transexuais na Tailândia, da diretora também transexual Tanwarin Sukhapisit, é alvo de censura.

"Insects in the Backyard" foi considerado pornográfico e imoral e teve sua exibição proibida. O longa levanta a discussão sobre a tolerância no meio cinematográfico.

O filme, baseado na própria história da cineasta, conta a história de um pai solteiro com dois filhos adolescentes que se envergonham dele por sua escolha sexual e que se prostituem para fugir de casa.


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Making its world premiere at the Vancouver International Film Festival next week is Insects in the Backyard, the debut feature by up-and-coming director Tanwarin Sukkhapisit (ธัญญ์วาริน สุขพิสิษ).

It's in the Dragons & Tigers competition for the $10,000 Dragons & Tigers Award for Young CinemaAward for Young Cinema. Here's programmer Tony Rayns' synopsis from the VIFF website:



In the absence of their parents, Johnny (15) and Jennifer (17) are being brought up by their "big sister" Tanya, an overdressed transvestite who eats and smokes too much and causes both kids endless embarrassment. It's a situation ripe for problems (actually, more complicated than I've made it sound), and Tanwarin's debut feature - as director, writer and star – explores those problems with unbridled determination. Both kids mess up their pursuit of romance, in the ways that teenagers do, and both look for ways to break away from the family home and become independent. For Johnny, this entails going into male prostitution, which is as much an attempt to erase his own self-esteem as a way of earning some fast bucks. Jenny makes other mistakes, but both of them wind up deeply dissatisfied. And Tanya? When Johnny catches her trying to seduce one of his buddies, things start to go downhill for her too. Tanwarin (a language major from Khon Kaen University who has acted in 13 self-directed short films since 2001) finds the roots of family dysfunction in Thai attitudes to sexuality and prostitution, but his sense of framing, colour and pace gives the film larger resonances. Universal ones, in fact.

Tanwarin also gave a phone interview to Vancouver's Straight.com, saying she aims to expose Thai taboos:


She emphasized that the characters don’t represent the norm; she wanted to show what is hidden in the Southeast Asian country, including homosexuality. “The characters in this film is not like the culture. They’re different, but they’re real. I want everybody to understand that.” She added that the title reflects that fact. “You know…the back yard has many, many insects. But nobody can see them. Like Thailand.”

A katoey filmmaker, Tanwarin is well known and respected in Thailand's indie scene, as well as in the industry, where she's worked as an acting coach and even directed a segment for Poj Arnon's horror anthology, Tai Hong (ตายโหง, Die a Violent Death, also known as Still). Her shorts include In the Name of Sin, Phone Mood, I'm Fine Sa-bai-dee Ka and Where's My Doll?

Other Thai films in Vancouver are the musical documentary Baby Arabia by Panu Aree, Kaweenipon Ketprasit and Kong Rithdee and Mundane History by Anocha Suwichakornpong as well as a batch of films by Apichatpong Weearasethakul, including the Oscar hopeful Uncle Boonmee Who Can Recall His Past Lives and the shorts A Letter to Uncle Boonmee, Anthem and Luminous People plus Anocha's Elvis short Graceland and Aditya Assarat's Phuket (which has just opened in Bangkok).






domingo, 9 de janeiro de 2011

Amy Winehouse sai da piscina amparada após bebedeira



Curtir a piscina tem sido a preocupação principal da cantora Amy Winehouse desde que chegou ao Rio.

A cantora, que foi servida de bebidas nesta piscina, já apareceu sorrindo e pagando peitinho na sacada do hotel, onde foi fotografada na última sexta, inclusive com o mesmo biquíni que usou na quinta.

E assim tem sido o dia-a-dia da cantora: piscina e bebidas à vontade.

30% das fontes de água têm qualidade ruim ou péssima, diz ONG




NA FOTO, UM JACARÉ SUBMERSO?




Pesquisa da organização não governamental (ONG) SOS Mata Atlântica mostra que as fontes de água no país estão cada vez mais poluídas e que, diante disso, a saúde da população corre risco. Ao analisar coletas de 43 corpos d'água, em 12 estados e no Distrito Federal, a ONG verificou que nenhuma amostra foi considerada boa ou ótima.

As análises foram feitas ao longo de 2010. Com base em parâmetros definidos pelo Ministério do Meio Ambiente, o estudo revela que em 70% das coletas feitas em rios, córregos, lagos e outros corpos hídricos, a qualidade da água foi considerada regular. Em 25%, a qualidade era ruim e em 5%, péssima.

Em visitas a pontos de educação ambiental da ONG, foi avaliada a qualidade da água para consumo e concluiu-se que as águas precisam de tratamento para qualquer uso, seja para o consumo ou para indústria. Nos locais visitados, também foi constado que o principal agente de poluição é o esgoto doméstico.

Indicadores da falta de saneamento básico, como a presença de coliformes, larvas e vermes, lixo e baixa quantidade de oxigênio na água, além de dez propriedades físico-químicas, foram testadas pela ONG. Das 43 coletas analisadas, o pior resultado foi a do Rio Verruga, em Vitória da Conquista (BA), e a do Lago da Quinta da Boa Vista, no Rio.

Em condição um pouco melhor, mas ainda considerada regular e, consequentemente imprópria para consumo, estavam as amostras coletadas no Rio Doce, no município de Linhares (ES), e na Lagoa de Maracajá, em Lagoa dos Gatos (PE).

A qualidade da água é um das preocupações da Organização das Nações Unidas (ONU), que declarou o período entre 2005 e 2015 a década internacional Água para Vida. Em 2006, a instituição estimou que 1,6 milhão de pessoas, principalmente crianças menores de cinco anos, morram anualmente por causa de doenças transmitidas pela água.

Procurados, o Ministério do Meio Ambiente e a Agência Nacional de Águas (ANA) não comentaram a pesquisa.

Fonte: Agência Brasil

Capitalismo: o que é isso?








Emir Sader


As duas referências mais importantes para a compreensão do mundo contemporâneo são o capitalismo e o imperialismo.

A natureza das sociedades contemporâneas é capitalista. Estão assentadas na separação entre o capital e a força de trabalho, com aquela explorando a esta, para a acumulação de capital. Isto é, os trabalhadores dispõem apenas de sua capacidade de trabalho, produzir riqueza, sem os meios para poder materializa-la. Tem assim que se submeter a vender sua força de trabalho aos que possuem esses meios – os capitalistas -, que podem viver explorando o trabalho alheio e enriquecendo-se com essa exploração.

Para que fosse possível, o capitalismo precisou que os meios de produção –na sua origem, basicamente a terra – e a força de trabalho, pudessem sem compradas e vendidas. Daí a luta inicial pela transformação da terra em mercadoria, livrando-a do tipo de propriedade feudal. E o fim da escravidão, para que a força de trabalho pudesse ser comprada. Foram essas condições iniciais – junto com a exploração das colônias – que constituíram o chamado processo de acumulação originaria do capitalismo, que gerou as condições que tornaram possível sua existência e sua multiplicação a partir do processo de acumulação de capital.

O capitalismo busca a produção e a comercialização de riquezas orientada pelo lucro e não pela necessidade das pessoas. Isto é, o capitalista dirige seus investimentos não conforme o que as pessoas precisam, o que falta na sociedade, mas pela busca do que dá mais lucro.

O capitalista remunera o trabalhador pelo que ele precisa para sobreviver – o mínimo indispensável à sobrevivência -, mas retira da sua força de trabalho o que ele consegue, isto é, conforme sua produtividade, que não está relacionada com o salário pago, que atende àquele critério da reprodução simples da força de trabalho, para que o trabalhador continue em condições de produzir riqueza para o capitalista. Vai se acumulando assim um montante de riquezas não remuneradas pelo capitalista ao trabalhador – que Marx chama de mais valia ou mais valor – e que vai permitindo ao capitalista acumular riquezas – sob a forma de dinheiro ou de terras ou de fábricas ou sob outra forma que lhe permite acumular cada vez mais capital -, enquanto o trabalhador – que produz todas as riquezas que existem – apenas sobrevive.

O capitalista acumula riqueza pelo que o trabalhador produz e não é remunerado. Ela vem por tanto do gasto no pagamento de salários, que traz embutida a mais valia. Mas o capitalista, para produzir riquezas, tem que investir também em outros itens, como fábricas, máquinas, tecnologia entre outros. Este gasto tende a aumentar cada vez mais proporcionalmente ao que ele gasta em salários, pelo peso que as máquinas e tecnologias vão adquirindo cada vez mais, até para poder produzir em escala cada vez mais ampla e diminuir relativamente o custo de cada produto. Assim, o capitalista ganha na massa de produtos, porque em cada mercadoria produzida há sempre proporcionalmente menos peso da força de trabalho e, por tanto, da mais valia - que é o que lhe permite acumular capital.

Por isso o capitalista está sempre buscando ampliar sua produção, para ganhar na competição, pela escala de produção e porque ganha na massa de mercadorias produzidas. Dai vem o caráter sempre expansivo do capitalismo, seu dinamismo, mobilizado pela busca incessante de lucros.

Mas essa tendência expansiva do capitalismo não é linear, porque o que é produzido precisa ser consumido para que o capitalista receba mais dinheiro e possa reinvestir uma parte, consumir outra, e dar sequencia ao processo de acumulação de capital. Porém, como remunera os trabalhadores pelo mínimo indispensável à sobrevivência, a produção tende a expandir-se mais do que a capacidade de consumo da sociedade – concentrada nas camadas mais ricas, insuficiente para dar conta do ritmo de expansão da produção.

Por isso o capitalismo tem nas crises – de superprodução ou de subconsumo, como se queira chamá-las – um mecanismo essencial. O desequilíbrio entre a oferta e a procura é a expressão, na superfície, das contradições profundas do capitalismo, da sua incapacidade de gerar demanda correspondente à expansão da oferta.

As crises revelam a essência da irracionalidade do capitalismo: porque há excesso de produção ou falta de consumo, se destroem mercadorias e empregos, se fecham empresas, agudizando os problemas. Até que o mercado “se depura”, derrotando os que competiam em piores condições – tanto empresas, como trabalhadores – e se retoma o ciclo expansivo, mesmo se de um patamar mais baixo, até que se reproduzam as contradições e se chegue a uma nova crise.

Esses mecanismos ajudam a entender o outro fenômeno central de referência no mundo contemporâneo – o imperialismo – que abordaremos em um próximo texto.