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segunda-feira, 20 de junho de 2011

A saga dos dias




Rogel Samuel

Uma batida de automóvel na rua. Acorda-me. Agora não. Já tudo passou. Já o silencio, os pássaros raros, a tristeza morta. Sim morta. A vida não é nem alegre nem triste, a vida é algo desconhecido. Valioso e frágil. Estou numa fase de poucos contatos com o mundo exterior, como quando se escreve um livro. Quando o livro aparece, o mundo desaparece. Uma batida de automóvel na esquina. Penso no prejuízo e na dor. Os carros não foram para bater, mas para correr. Talvez haja um demônio nessa esquina. Já morreu ali uma criança. Atropelada. Penso novamente na dor. “Compreende que o medo dos outros, que tu ressentes, é primeiramente o medo de ti próprio. Um ser pacificador, que ultrapassou as suas angústias, vai ter com os outros com serenidade”, escreveu Dugpa Rinpoche.

sábado, 4 de junho de 2011

A saga dos dias





Rogel Samuel


Os dias que passam. A voragem do tempo, a virada das horas, das páginas das horas da vida, da mudança de tudo.

Nós somos tempo, somos temporalidade, somos passageiros de um navio no grande e infinito oceano, nesse oceano sem destino certo, neste sem rumo do sem fim de todas as coisas.

Lembro-me da época em que estava a escrever O amante das amazonas, perdido naquele labirinto, no meio daquela selva das lembranças de um passado quem nem conheci, no meio dos índios, no meio dos Numas, oh, eu hei de escrever a continuaçao daquela saga...

sexta-feira, 3 de junho de 2011

A saga dos dias



FOTO DE ANDRE PAIVA



A saga dos dias

Rogel Samuel

Dia calmo. Hoje.

Estive com Abdias do Nascimento em Nova Iguaçu na primeira convenção do PDT, logo que o Brizola voltou do exílio. Os helicópteros sobrevoavam, provocadores. Extraordinário discurso do Brizola, no inicio:

- Eu peço aos companheiros que protegem as portas... vamos abrir os portões... vamos deixar o povo entrar... este povo já esteve excluído das decisões políticas por tantos anos...

Estavam lá todos os líderes do PDT. Foi uma festa.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

A saga dos dias








Rogel Samuel

Há muito tempo não escrevo esta Saga dos dias. Era – e ainda é – um diário on-line. Não tem tema. Propósito. Vale dizer, é um exercício de escrita. Como o pianista precisa exercitar-se diariamente, o escritor precisa escrever. Vale mais quando tem algo a dizer. Hoje nada sei, nada sigo, como no meu antigo poema:

Não posso reter os teus traços
Nem as notas de teu tema
Pois tua música se esquece
Como as vozes do poema
Da paixão, que mais um traço
Foi do azul de minha pena,
E quando te vir já será garço
O repique da tua cena
e o afastado abraço...
(oriunda onda a que cerca de aço
me levarão tuas algemas?)