sábado, 29 de setembro de 2012

Morre aos 83 anos a apresentadora Hebe Camargo

Morre aos 83 anos a apresentadora Hebe Camargo


Morreu aos 83 anos a apresentadora Hebe Camargo, em São Paulo, neste sábado (29). Desde 2010, lutava contra um câncer. Hebe sofreu uma parada cardíaca quando se deitava para dormir, nesta madrugada, segundo o SBT,para onde fazia planos de retornar com seu programa. Em nota, a emissora lamentou a morte da apresentadora e confirmou que já estava certo sua volta para o canal de Silvio Santos.




A alegria, uma das marcas de Hebe Camargo / foto: divulgação

Hebe é um dos ícones da TV, tida por muitos como musa da televisão brasileira já que sua história se confunde com a origem desse meio de comunicação. Atualmente, apresentava um programa, há dois anos, que levava seu nome na Rede TV. Antes disso, permaneceu durante décadas no SBT.

A apresentadora ficou internada pela última vez por quase duas semanas em agosto, no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Desde a descoberta do câncer, já havia passado por várias cirurgias e tratamentos contra o câncer.

Até o início da tarde, não havia confirmação sobre data e local de velório e enterro.

Biografia

Nascida em Taubaté (SP), a 130 km da capital, Hebe Maria Monteiro de Camargo Ravagnani começou a carreira cantando. Entrou para a TV logo após a fundação da primeira emissora brasileira, a TV Tupi, onde ela fazia aparições nos programas como cantora.

Estreou como apresentadora em 1955, no programa “O mundo é das mulheres”, na TV Carioca, a primeira atração voltada especialmente para mulheres. Antes disso, havia substituído Ary Barroso no programa de calouros apresentado por ele.

Depois disso, a apresentadora ficou afastada da TV por um período, até que em 1966 estreou o dominical que levava seu nome na TV Record. A atração era líder de audiência. Foi responsável por dar espaço para novos talentos ligados à Jovem Guarda.

Para dedicar-se ao filho, Hebe ficou afastada da televisão por cerca de dez anos, quando voltou a aparecer na TV Bandeirantes. Em 1985, aceitou o convite do SBT para comandar uma atração na emissora. Em quatro de março de 1986, entrava no ar o “Programa Hebe”, comandado por ela até 2010 quando foi para a Rede TV.

Hebe ganhou fama como apresentadora mas também teve uma carreira musical. Em 1950, quando a TV foi inaugurada no país, ela e o cantor Ivon Curi protagonizaram a primeira canção tocada na telinha.

Depois, lançou três discos entre 1959 e 1966 e, depois, compilou-os no CD “Maiores sucessos”, de 1995. Depois, lançou mais quatro discos. "Pra você" (1998), "Como é grande meu amor por você" (2001), "As mais gostosas da Hebe" (2007) e "Hebe mulher" (2010, ano em que participou do Grammy Latino).


POSSE DE RENAN FREITAS PINTO NA ACADEMIA AMAZONENSE

CLICK DUAS VEZES PARA LER

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

NA MORTE DOS RIOS




NA MORTE DOS RIOS

Rogel Samuel


       "Desde que no Alto Sertão um rio seca, / a vegetação em volta, embora de unhas, / embora sabres, intratável e agressiva / faz alto à beira daquele leito tumba. / Faz alto à agressão nata: jamais ocupa / o rio de ossos areia, de areia múmia." - escreveu João Cabral de Melo Neto. É verdade que ele nunca acusou recebimento de um livro que lhe mandei pelo correio. Talvez não tenha gostado, nem tenha lido. Era minha dissertação de mestrado, versava sobre as águas. Na sua obra. Cabral para mim é sempre uma fixação. Eu não me canso de lê-lo. Nunca o vi, pessoalmente. Assisti à uma entrevista na televisão. Mas como os maiores poetas têm dificuldade de falar! Cabral era claudicante. Cheio de "não é verdade?". Lembro-me de Drummond. Um dia, quando éramos aluno da FNFi, e como estudássemos sua obra, conseguimos que Drummond aceitasse a vir, na nossa sala, para conversar. Ele exigiu que ninguém soubesse, e que pudesse entrar pela porta dos fundos! Incrível: um dos maiores poetas  entrou pela porta dos fundos da nossa faculdade de letras. Mas Drummond não dizia coisa com coisa. Parecia um funcionário público (que era), conversando. Trazia um guarda-chuva preto e vestia um terno cinzento. Sério, magro, seco, quase mal humorado. Disse, por exemplo, que perdia belas imagens e versos que lhe ocorriam no caminho de casa para o trabalho. Parece que ele andava de ônibus, de Copacabana para o Centro, no Rio. Quando eu lhe perguntei por que ele não tinha consigo um caderninho de notas, ele respondeu que "não ficava bem alguém ficar escrevendo". Lembro-me de que nossa professora, D. Cleonice Berardinelli, que ia passando no corredor, o viu e, espantada, logo entrou na sala. Drummond, o gênio da nossa poesia, discorria singelamente, prosaicamente sobre sua obra. Nenhum brilho, nada de demonstrações de grandeza. Disse: "não sei por que fazem tanto barulho pela minha poesia, eu não vejo nada de especial nela" (as palavras eram mais ou menos assim). Disse horrores sobre o verso "no meio do caminho tinha uma pedra". E no fim, quando se despediu, eu lhe pedi um autógrafo. Ele logo se irritou comigo ao ver, na folha de rosto do seu livro, após o seu nome, que eu tinha escrito, a mão: (1920 - ..... ). "Esse aqui já está esperando a minha morte!", disse. A última vez que o vi, foi em Copacabana. Eu bebia um cafezinho num botequim do Posto Seis que existe até hoje, quando ele passou. A cabeça pensativa, meio cabisbaixo. Eu fiquei extático,  boquiaberto, imóvel, reverente, e mentalmente me curvava à Grande Poesia que passava.
       Mas João Cabral nunca o vi.
Tenho lido sua obra, nesses áridos dias.
Empaquei na "Conversa em Londres, 1952", da qual transcrevo alguns dos versos:

                    Durante que vivia em Londres,
                    amigo inglês me perguntou:
                    concretamente o que é o Brasil
                    que até se deu um Imperador?

                    Disse-lhe que há uma Amazônia
                    e outra sobrando no planalto;
                    ...............................................
                    Porém como a nenhum britânico
                    convence conversa impressionista
[ele disse]...
                    "Posso dizer minha opinião?
                    O Brasil é o Império britânico
de si mesmo, ...
é fácil ler nesse mapa,
Colônias...
e a Londres, certo mais monstruosa,
que no Brasil não é cidade,
é região, é esponja...
a de Minas, Rio, São Paulo
que vos arrebata até a chuva."


Talvez ele não tenha gostado das minha leitura da sua obra, que não é lá grande coisa. Talvez nem a tenha lido. Mas nenhum amazonense, lá onde há água tanta, soube dizer das águas quanto o árido João Cabral nordestino. Nordeste da seca, Nordeste dos "territórios mais mendigos". A Amazônia é (pasme) nordestina. A família da minha mãe, por exemplo, é nordestina. Até 1919, no Amazonas, 150 mil emigrantes nordestinos já tinham chegado, fugidos da seca. A Amazônia do Planalto, não. É paulista, mineira, carioca. "Você não se separa do que é Nordeste", diz o poema. Toda favela, toda periferia urbana é Nordeste. "Desde que no Alto Sertão um rio seca, o homem ocupa logo..." Não. Nunca. Cabral nunca agradeceria um elogio. "Porque o sertanejo fala pouco: as palavras de pedra ulceram a boca".

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

MARLON BRANDO




MARLON BRANDO

Rogel Samuel

        Quando Al Pacino saiu de sua primeira cena com Brando em «Godfather», estava pálido e trêmulo. Perguntaram-lhe o que estava acontecendo com ele. E ele respondeu: «Você não compreende? Estou contracenando com Deus».
        Brando apareceu no mundo artístico no dia 3 de dezembro de 1947. No Ethel Barrymore Theater, de Nova Iorque, representando «Um bonde chamado desejo», de Tennesse Williams's.
A sala estava vendida várias semanas antes da estréia. Parte da alta-sociedade novaiorquina estava presente. Quando a cortina subiu, viram-se dois homens no palco. Um era alto, narigudo. O outro logo chamou atenção. Era um rapaz jovem, musculoso, usava uma camiseta justa. As roupas apertadas exibiam o corpo escultural, sensual, ao mesmo tempo animalesco e ingênuo. Ele era orgulhoso de sua virilidade. Que aparecia volumosa nas suas calças jeans apertadas. Ele era Brando, que representou «com selvagem e primitivo dinamismo», mudando o modo de representar na América para sempre.
        Quando ouvi que ele morrera, tratei de reler sua «unauthorized» biografia, escrita por Charles Higham. De onde retiro os fatos.
        Curiosamente, achei o livro num sebo de West Hollywood, ou melhor, no chão da calçada. Vendido por uma jovem, junto com outros livros e discos. Estava com minha amiga, a cantora Maíra, e seu namorado, o músico Beto Montero, que moram em Los Angeles, mais precisamente em West Hollywood, no San Vicent Boulevar, largo e belo. 
Brando era respeitado como ator até pelos maiores.
Laurence Olivier apontava-o como o melhor. De Niro, Al Pacino, Dustin Hoffman e Paul Newman declaravam que Brando era o modelo.
        Ele tinha um mistério. Uns dizem que seu mistério vinha do fato de ele desprezar a carreira de ator, a arte de representar. «Só faço isso porque preciso de dinheiro», dizia. Dinheiro que ele distribuía em obras sociais, e que dissipava e gastava desordenadamente, tanto que falam que terminou pobre e endividado, e morando num quarto e sala.
        Nas telas e na vida, Brando foi tudo, até ativista político.
Sim, ele era político. Muito político. Mesmo nos detalhes. Contra a guerra do Vietnã, por exemplo, a sua crítica maior veio no tom de sua voz nas duas palavras finais do filme de Francis Ford Coppola,  «Apocalypse now», palavras terríveis, catastróficas,  duas palavras shakespearianas, tiradas de «Hamlet», duas palavras apenas, sim, bastaram duas palavras, ditas pelo Coronel Walter E. Kurtz, ao morrer:
        - Horror... Horror...
        Foi a mais dura crítica àquela guerra.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Avaliação do governo Dilma bate novo recorde e sobe de 59% para 62%, aponta CNI/Ibope

Avaliação do governo Dilma bate novo recorde e sobe de 59% para 62%, aponta CNI/Ibope



O governo de Dilma Rousseff teve a aprovação de 62% dos brasileiros, índice três pontos percentuais maior que o registrado na última pesquisa, divulgada em junho deste ano. O levantamento foi apresentado nesta quarta-feira (26 ) pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) em parceria com o Ibope, em Brasília.
Na pesquisa de junho, a avaliação do segundo ano da presidente já tinha atingido patamares ainda maiores que seus antecessores, o também petista Luiz Inácio Lula da Silva e o tucano Fernando Henrique Cardoso. Em junho, o governo de Dilma teve 59% de aprovação, contra 29% de Lula, em junho de 2004, e 35% de FHC, em maio de 1996. Nesta edição, fica com 62%, frente a 38% de Lula e 38% de FHC, em período semelhante.
A aprovação pessoal da presidente manteve-se na marca de 77%, mesmo percentual apurado em março e junho deste ano. O índice também é superior aos alcançados por FHC (56%) e Lula (55%), no período.

Mario Vargas Llosa comemorou em Nova York o 50ª aniversário de seu prilmeiro livro

O escritor peruano Mario Vargas Llosa comemorou em Nova York o 50ª aniversário de A cidade e os Cachorros, seu primeiro romance, que ganhou uma edição comemorativa e com o qual o prêmio Nobel começou na literatura, um "mistério" que ainda o "apaixona".

"Escrever é apaixonante. Sinto a mesma ilusão e dificuldades que tive quando escrevi meus primeiros contos. Não tenho facilidade para escrever, mas as dificuldades não tiram nada da fascinação, da exaltação e do entusiasmo", disse Vargas Llosa sobre seu ofício em um encontro no Instituto Cervantes de Nova York.


O escritor se referiu à sensação "extraordinária" que sente quando "a história começa a ter vida própria, algo que sempre é misterioso", e que experimentou diante de cada nova obra de sua carreira, que começou com a publicação de
A Cidade e os Cachorros, em 1962.

"Aprendi muito com este romance, sobre a construção da história, os pontos de vista, a linguagem, adquiri certa técnica que depois repetiria e aperfeiçoaria em outros romances, e forjei uma forma de escrever que tinha a ver com minha personalidade, com minhas simpatias e diferenças no mundo literário", descreveu o autor.


O escritor peruano, que nasceu em Arequipa, em 1936, afirmou que "quase nenhum escritor começa sabendo que tipo de escritor vai ser, já que isso é algo que se descobre com a prática, e por isso as primeiras obras são decisivas".


Além disso, Vargas Llosa lembrou as dificuldades que enfrentou na estreia de seu primeiro romance devido à censura que imperava na Espanha. Segundo ele, a obra só foi publicada graças ao "esforço sobre-humano" de seu editor, Carlos Barral, quem manteve um ano de árduas negociações para que o livro fosse lançado.


"Ele falou com o ministro da Informação, com intelectuais bem-vistos pelo regime (franquista), como José María Valverde, para que falassem bem da obra. E eu também tive que viajar para Madri para manter uma conversa com o chefe da censura", afirmou o escritor.


Vargas Llosa lembrou de momentos de sua entrevista com o censor, que tinha reservas ao uso de frases como a que dizia que um coronel "era gordo, com o ventre de uma baleia", já que a interpretou como uma ironia aos militares. No entanto, o censor concordou em conservar a frase mudando a palavra "baleia" por "cetáceo".


"No final, só tive que tirar oito frases, que eram absurdas e disparatadas, e mesmo assim Barral as restituiu na segunda edição", explicou.


O prêmio Nobel de Literatura de 2010, que brincou dizendo que a condecoração é "uma semana de conto de fadas e um ano de pesadelo", retornou do passado para tratar de temas atuais, como o futuro do livro, "um objeto emblemático da civilização" que enfrenta uma "grande incerteza".


"Minha esperança é que o livro digital coexista com o de papel, e meu temor é que o livro escrito expressamente para as telas, não o transferido, seja muito diferente do tradicional, e que as telas façam o que a televisão fez com seus conteúdos: tornaram eles rápidos, leves e inclusive frívolos", questionou.


domingo, 23 de setembro de 2012

MORTE NOS HYMALAIAS

Nine foreigners killed in Manaslu avalanche

   

HIMALAYAN NEWS SERVICE
GORKHA: At least nine mountaineers were killed and more than 18 injured in an avalanche at the Third Base Camp of the 8,156-metre Mt Manaslu at an altitude of 6,600 metres in Gorkha’s Samagaun this morning. More than 50 persons were sleeping at the Third Camp when the incident occurred around 3.00am.

The deceased have been identified as French nationals Ludo Challeat, Fabrice Priez, Cathrine Ricard and Philippe Bos, Canadian citizen Domique Ouimet, Spanish citizens Marti Gasull and Cristine Mittermeyer, Italian citizen Alberto Magliano and Dawa Sherpa, a Nepali. Claude Belmsas, Thomas Grenier, Ralf Rieske, Andreas Reiter and Arnaud Manel were injured in the incident and were airlifted to Kathmandu. Two French nationals, Remy Lecluse and Gregory Costa, have been missing.


Bodies of two of the deceased have been sent to Kathmandu. DSP Kuwar said five of the injured were airlifted to Kathmandu for treatment. He added that they could not launch rescue operation due to bad weather.


Five choppers belonging to Simrik, Dynastic, Fishtail and Mountain Air were deployed for the rescue operation. Local Bir Bahadur Lama of Gorkha’s Samagaun said the exact number of missing and survivors was yet to be ascertained.


Siddhartha Jhung Gurung, a pilot involved in the rescue operation, told our correspondent in Kathmandu that 16 survivors and two bodies were airlifted from the accident site to the base camp. The rescue operation will start again tomorrow at 6 am, added Gurung.


The Associated Press adds that it is the beginning of Nepal’s autumn mountaineering season. The autumn season comes right after the end of the monsoon rains, which make weather conditions unpredictable, and is not as popular among mountaineers as the spring season, when hundreds of climbers crowd the high Himalayan peaks.


Nepal has eight of the 14 highest peaks in the world. Climbers have complained in recent years that climbing conditions have deteriorated and risks of accidents have increased.


Veteran mountain guide Apa, travelled for months across Nepal earlier this year campaigning about the effects of global warming on the mountain peaks. He told The Associated Press the mountains now have considerably less ice and snow, making it harder for climbers to use ice axes and crampons on their boots to get a grip on the slopes.

sábado, 22 de setembro de 2012

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Carlos Nelson Coutinho morre aos 70 anos no Rio



Rio 247 – Vítima de um câncer, o cientista político e filósofo Carlos Nelson Coutinho morreu nesta quinta-feira 20, no Rio de Janeiro, aos 70 anos. O professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro é autor de mais de dez livros, entre eles "Gramsci, um estudo sobre seu pensamento político" e "A Democracia como Valor Universal", escrito na volta de seu exílio em Bolonha, na época da ditadura militar.
No entanto, Coutinho, que era militante do PCB ficou realmente conhecido pela tradução para o português do clássico "O Capital", de Karl Marx. O corpo do cientista baiano, natural de Itabuna, foi cremado nesta sexta-feira no Cemitério do Caju, zona norte do Rio, depois de ter sido velado nesta quinta no átrio do Palácio Universitário, no Campus da Praia Vermelha da UFRJ.

Carlos Nelson Coutinho (1943 - 2012)
Morreu nesta quinta-feira (20), o filósofo e cientista político Carlos Nelson Coutinho, professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Militante do PCB por muitos anos, desde a juventude, Carlos Nelson escreveu mais de uma dezena de livros e deixa um legado amplo na área da produção cultural e também na área política. Uma original articulação de Lukács e Gramsci estruturou seu trabalho nos últimos anos até o livro mais recente "De Rousseau a Gramsci. Ensaios de teoria política", publicado em 2011.
Data: 20/09/2012
Nascido em Itabuna, na Bahia, em 1943, morreu nesta manhã de 20 de setembro, no Rio de Janeiro, o filósofo e cientista político Carlos Nelson Coutinho. Professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde lecionava na Escola de Serviço Social, Carlos Nelson deixa um legado amplo na área da produção cultural e também na área política.

Militante do PCB por muitos anos, desde a juventude, Carlos Nelson escreveu mais de uma dezena de livros, a começar por Literatura e humanismo, lançado no final dos anos 1960 pela Editora Civilização Brasileira, de Ênio Silveira. Em Literatura e humanismo, já estão presentes algumas qualidades que o distinguiriam nos anos seguintes, como a clareza de pensamento, a escrita elegante e a percepção refinada de autores fundamentais, como atesta o ensaio sobre Graciliano Ramos. Também neste livro inaugural está presente a influência decisiva do filósofo húngaro Georg Lukács, cujas ideias sobre o realismo norteavam as pesquisas do então jovem crítico brasileiro.

Nos anos 1970, Carlos Nelson conheceu o exílio em Bolonha — terra em que se afirmara por décadas o seu amado Partido Comunista Italiano, outra das referências político-intelectuais imprescindíveis para entender o nosso autor — e, posteriormente, em Paris. Foi membro eminente do “grupo de Armênio Guedes”, que, dentro do PCB, buscava a renovação do nosso comunismo a partir da questão democrática, vista — a democracia — também como a alternativa mais produtiva aos caminhos e descaminhos da modernização “prussiana” do capitalismo brasileiro, que havia conhecido um novo impulso a partir da ditadura implantada em 1964.

Neste sentido, Carlos Nelson se notabilizou, já na volta do exílio, pelo ensaio “A democracia como valor universal”, fortemente inovador na cultura comunista, exatamente por ter como assumida fonte de inspiração o pensamento político amadurecido em torno do antigo PCI, muito especialmente Enrico Berlinguer e Pietro Ingrao. Difícil subestimar o papel deste ensaio, sobre o qual, posteriormente, o próprio autor se voltaria em diferentes ocasiões, ratificando-o e retificando-o em variados pontos: esta é, precisamente, a função de um ensaio seminal.

A partir deste momento, incorpora-se vigorosamente à reflexão de Carlos Nelson a presença de Antonio Gramsci: pode-se dizer que, a partir de uma original articulação de Lukács e Gramsci — isto é, dos problemas da ontologia do ser social e da política tal como experimentada nos países “ocidentais” —, tenha se estruturado a produção posterior de Carlos Nelson Coutinho, até o livro mais recente, De Rousseau a Gramsci. Ensaios de teoria política, publicado em 2011.

Nos últimos meses, mesmo abalado pela doença, Carlos Nelson dedicava-se a uma história da filosofia, testemunho da enorme erudição e inquietação intelectual que o acompanhou por toda a vida. Nos anos 1980, com a crise do PCB e o afastamento de grande parte dos “eurocomunistas” brasileiros, Carlos Nelson passaria pelo PSB (expressão do seu interesse pelo socialismo democrático, uma vez que o PSB de Carlos Nelson era aquele histórico, do pós-1945, marcado por figuras como Hermes Lima e João Mangabeira), pelo PT e, a partir de 2003, pelo PSOL. Estas opções políticas, naturalmente, deixaram marca na produção teórica do nosso autor, que está destinada a ser tema de estudos e reflexões por parte de todos aqueles que se preocupam com o destino do humanismo, da democracia e do socialismo no nosso tempo.

(*) Luiz Sérgio Henriques é o editor de Gramsci e o Brasil.
Fonte: Especial para Gramsci e o Brasil


quarta-feira, 19 de setembro de 2012

CONSELHOS DE UM VELHO APAIXONADO



CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu  coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção: pode ser a pessoa mais importante da sua vida.
Se os olhares se cruzarem e, neste momento, houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceu.
Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante, e os olhos se encherem d'água neste  momento, perceba: existe algo mágico entre vocês.
Se o 1º e o último pensamento do seu dia for essa pessoa, se a vontade de ficar  juntos chegar a apertar o coração, agradeça: Algo do céu te mandou um presente divino : O AMOR.
Se um  dia tiverem que pedir perdão um ao outro por algum motivo e, em troca,  receber um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos e os gestos valerem  mais que mil palavras, entregue-se: vocês foram feitos um pro outro.
Se por algum motivo você estiver triste, se a vida te deu uma rasteira e a outra pessoa sofrer o seu sofrimento,  chorar as suas lágrimas e enxugá-las com ternura, que coisa maravilhosa: você poderá contar com ela em qualquer momento de sua vida.
Se você conseguir, em pensamento, sentir o cheiro da pessoa como se ela estivesse ali do seu lado...
Se você achar a pessoa maravilhosamente linda, mesmo ela estando de pijamas velhos, chinelos de dedo e cabelos emaranhados...
Se  você não consegue trabalhar direito o dia todo, ansioso pelo encontro que está marcado para a noite...
Se você não consegue imaginar, de maneira nenhuma, um futuro sem a pessoa ao seu lado... Se você tiver a certeza que vai ver a outra envelhecendo e, mesmo  assim, tiver a convicção que vai continuar sendo louco por ela...
Se você preferir fechar os olhos, antes de ver a outra partindo: é o amor que chegou na sua  ida.
Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes na vida, mas poucas amam ou encontram um amor verdadeiro.
Às vezes encontram e, por não prestarem atenção nesses sinais, deixam o amor passar, sem  deixá-lo acontecer verdadeiramente. É o livre-arbítrio.
Por isso, preste atenção nos sinais.
Não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: o AMOR !!!
Ame muito.....muitíssimo...


terça-feira, 18 de setembro de 2012

Escrever é Triste

Escrever é Triste

Carlos Drummond de Andrade

Escrever é triste. Impede a conjugação de tantos outros verbos. Os dedos sobre o teclado, as letras se reunindo com maior ou menor velocidade, mas com igual indiferença pelo que vão dizendo, enquanto lá fora a vida estoura não só em bombas como também em dádivas de toda natureza, inclusive a simples claridade da hora, vedada a você, que está de olho na maquininha. O mundo deixa de ser realidade quente para se reduzir a marginália, puré de palavras, reflexos no espelho (infiel) do dicionário.
O que você perde em viver, escrevinhando sobre a vida. Não apenas o sol, mas tudo que ele ilumina. Tudo que se faz sem você, porque com você não é possível contar. Você esperando que os outros vivam, para depois comentá-los com a maior cara-de-pau ("com isenção de largo espectro", como diria a bula, se seus escritos fossem produtos medicinais). Selecionando os retalhos de vida dos outros, para objeto de sua divagação descompromissada. Sereno. Superior. Divino. Sim, como se fosse deus, rei proprietário do universo, que escolhe para o seu jantar de notícias um terremoto, uma revolução, um adultério grego — às vezes nem isso, porque no painel imenso você escolhe só um besouro em campanha para verrumar a madeira. Sim, senhor, que importância a sua: sentado aí, camisa aberta, sandálias, ar condicionado, cafezinho, dando sua opinião sobre a angústia, a revolta, o ridículo, a maluquice dos homens. Esquecido de que é um deles.
Ah, você participa com palavras? Sua escrita — por hipótese — transforma a cara das coisas, há capítulos da História devidos à sua maneira de ajuntar substantivos, adjetivos, verbos? Mas foram os outros, crédulos, sugestionáveis, que fizeram o acontecimento. Isso de escrever «O Capital» é uma coisa, derrubar as estruturas, na raça, é outra. E nem sequer você escreveu «O Capital». Não é todos os dias que se mete uma ideia na cabeça do próximo, por via gramatical. E a regra situa no mesmo saco escrever e abster-se. Vazio, antes e depois da operação.
Claro, você aprovou as valentes ações dos outros, sem se dar ao incómodo de praticá-las. Desaprovou as ações nefandas, e dispensou-se de corrigir-lhes os efeitos. Assim é fácil manter a consciência limpa. Eu queria ver sua consciência faiscando de limpeza é na ação, que costuma sujar os dedos e mais alguma coisa. Ao passo que, em sua protegida pessoa, eles apenas se tisnam quando é hora de mudar a fita no carretel.
E então vem o tédio. De Senhor dos Assuntos, passar a espectador enfastiado do espetáculo. Tantos fatos simultâneos e entrechocantes, o absurdo promovido a regra de jogo, excesso de vibração, dificuldade em abranger a cena com o simples pai de olhos e uma fatigada atenção. Tudo se repete na linha do imprevisto, pois ao imprevisto sucede outro, num mecanismo de monotonia... explosiva. Na hora ingrata de escrever, como optar entre as variedades de insólito? E que dizer, que não seja invalidado pelo acontecimento de logo mais, ou de agora mesmo? Que sentir ou ruminar, se não nos concedem tempo para isto entre dois acontecimentos que desabam como meteoritos sobre a mesa? Nem sequer você pode lamentar-se pela incomodidade profissional. Não é redator de boletim político, não é comentarista internacional, colunista especializado, não precisa esgotar os temas, ver mais longe do que o comum, manter-se afiado como a boa peixeira pernambucana. Você é o marginal ameno, sem responsabilidade na instrução ou orientação do público, não há razão para aborrecer-se com os fatos e a leve obrigação de confeitá-los ou temperá-los à sua maneira. Que é isso, rapaz. Entretanto, aí está você, casmurro e indisposto para a tarefa de encher o papel de sinaizinhos pretos. Concluiu que não há assunto, quer dizer: que não há para você, porque ao assunto deve corresponder certo número de sinaizinhos, e você não sabe ir além disso, não corta de verdade a barriga da vida, não revolve os intestinos da vida, fica em sua cadeira, assuntando, assuntando...

Carlos Drummond de Andrade, in 'O Poder Ultrajovem'

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Cobra sai viva de incêndio

Cobra sai viva de incêndio em casa de R$ 2 milhões na Grã-Bretanha

A píton, chamada Jake, mede 1,8 metros e foi achada no telhado da casa.
Animal escapou de seu viveiro há cerca de um mês, diz imprensa local.

Do Globo Natureza, em São Paulo
Comente agora
Píton de 1,8 metros encontrada por bombeiros após incêndio (Foto: Reprodução/"Herts and Essex Observer")Píton de 1,8 metros encontrada por bombeiros após
incêndio (Foto: Reprodução/"Herts and Essex Observer")
Uma cobra de estimação foi encontrada sem ferimentos após a residência de seu dono, avaliada em aproximadamente R$ 2 milhões (700 mil libras), pegar fogo na Grã-Bretanha nesta segunda-feira (17), de acordo com órgãos da imprensa local, como o "Daily Mail" e o "Herts and Essex Observer".
O animal, chamado Jake, é uma píton de 1,8 metros de comprimento que estava desaparecida há cerca de um mês, segundo o site de notícias "Herts and Essex Observer".
Os bombeiros chegaram à residência por volta das 5h da manhã, ainda segundo o site. Um porta-voz de uma das principais organizações de proteção animal da Grã-Bretanha, a RSPCA, afirmou à imprensa que a cobra aparentemente havia escapado do seu viveiro e estava escondida no telhado da casa há 30 dias.
"Serpentes muitas vezes escapam e pode ser difícil encontrá-las, já que elas se escondem em lugares pequenos. Felizmente a píton parece estar bem", disse o homem ao site do "Herts and Essex Observer".
A cobra foi levada ao hospital de vida selvagem do condado de Essex e vai ficar lá até que seu dono a busque, de acordo com os bombeiros.

ANIVERSÁRIO DE GUERRA JUNQUEIRO

    O GÉNESIS       
                                     
    Jeová, por alcunha antiga o Padre Eterno,
    Deus muitíssimo padre e muito pouco eterno,
    Teve uma idéia suja, uma idéia infeliz:
    Pôs-se a esgaravatar com o dedo no nariz,
    Tirou desse nariz o que um nariz encerra,
    Deitou isso depois cá baixo, e fez-se a Terra.
    Em seguida tirou da cabeça o chapéu,
    Pô-lo em cima da Terra, e zás, formou o céu.
    Mas o chapéu azul do Padre-Onipotente
    Era um velho penante, um penante indecente,
    Já muito carcomido e muito esburacado,
    E eis ai porque o Céu ficou todo estrelado.
    Depois o Criador (honra lhe seja feita!)
    Achou a sua obra uma obra imperfeita,
    Mundo sarrafaçal, globo de fancaria,
    Que nem um aprendiz de Deus assinaria,
    E furioso escarrou no mundo sublunar,
    E a saliva ao cair na Terra fez o mar.
    Depois, para que a Igreja arranjasse entre os povos
    Com bulas da cruzada, alguns cruzados novos,
    E Tartufo pudesse inda dessa maneira
    Jejuar, sem comer de carne à sexta-feira,
    Jeová fez então para a crença devota
    A enguia, o bacalhau e a pescada-marmota.
    Em seguida meteu a mão pelo sovaco,
    Mais profundo e maior que a caverna de Caco,
    E arrancando de lá parasitas estranhos,
    De toda a qualidade e todos os tamanhos,
    Lançou-os sobre a Terra, e deste modo isonte
    Fez ele o megatério e fez o mastodonte.
    Depois, para provar em suma o quanto pode
    Um Criador, tirou dois pelos do bigode,
    Cortou-os em milhões e milhões de bocados,
    (Obra em que ele estragou quatrocentos mahados)
    Dispersou-os no globo, e foi desta maneira
    Que nasceu o carvalho, o plátano e a palmeira.
    ...........................................................................
    Por fim com barro vil, assombro da olaria!,
    O que é que imaginais que o Criador faria?
    Um pote? não; um bicho, um bípebe com rabo,
    A que uns chamam Adão e outros Simão. Ao cabo
    O pobre Criador sentindo-se já fraco,
    (Coitado, tinha feito o universo e um macaco
    Em seis dias!) pensou: - Deixemo-nos de asneiras.
    Trago já uma dor horrível nas cadeiras,
    Fastio... Isto dá cabo até duma pessoa...
    Nada, toca a dormir uma sonata boa! -
    Descalçou-se, tirou os óclos e o chinó,
    Pitadeou com delicia alguns trovões em pó,
    Abriu, para cair num sono repentino,
    O alfarrábio chamado o Livro do Destino,
    E enflanelano bem a carcaça caduca,
    Com o barrete azul-celeste até à nuca,
    Fez ortodoxamente o seu sinal da cruz
    Como qualquer um de nós, tossiu, soprou a luz,
    E de pança pro ar, num repoiso bendito,
    Espojou-se, estirou-se ao longo do infinito
    Num imenso enxergão de névoa e luz doirada.
    E até hoje, que eu saiba, inda não fez mais nada.
              
    Guerra Junqueiro (17 de setembro de 1850 - 7 de julho de 1923)

ALÉM DO AFEGANISTÃO


ALÉM DO AFEGANISTÃO
 (crônica antiga)
ROGEL SAMUEL

     A ameaça que nos ronda é falta de poesia. Eu vinha pela Tiradentes, passo pela Rua Luiz de Camões, esquecida. Depois, a Travessa das Belas Artes. Lá, só poucas mulheres, decadentes,  esperam fregueses. A seguir, o Beco do Tesouro. Nada mais pobre. "Proibidos beijos ousados", está escrito no cardápio da Adega Flor de Coimbra. Em sonhos, no meio do conflito. Estresse das notícias. Estamos assistindo ao fim da Internet, como espaço livre de opinião, sem censura e sem limites. Primeiro, veio surto de acusações contra a pornografia infantil, que ninguém vê. Não deu certo. Essa guerra marca o fim da vida privada. Nasce a desconfiança e a incerteza. Nós todos vamos de nos entocar nos nossos redutos,  voltar à civilização num estágio anterior, à civilização do papel. Fim do homem público, do homem digital. Restritos são "os beijos ardentes". Lembro-me de um soneto de Olegário Mariano, que não está nas suas "Obras Completas" e que começa: "As coisas boas da vida, tu podes ter sem comprar". Há os versos do poeta indiano antigo Shantideva, que dizem:
Quaisquer flores e frutos que haja, 
Quaisquer tipos de medicamento, 
Tudo o que é precioso neste mundo, 
E todas suas puras águas refrescantes. 
 
Montanhas de pedras preciosas, e assim, 
As solitárias florestas, a alegria calma, 
Árvores brilhantemente adornadas com flores, 
Os ramos pesados de excelentes frutos. 
 
Lagos e lagoas adornadas de lótus, 
Gansos selvagens que enchem o céu 
Com gritos tão bonitos—  
Tudo o que não tem posse neste vasto universo. 
 
Tendo tudo isso em mente, eu ofereço  
Para você e seus descendentes; 
Por pura e grande compaixão  
Amavelmente aceite este presente. 
 
Eu sou pobre e não tenho nenhuma riqueza, 
Eu nada tenho mais para oferecer, 
Assim por esta intenção amável pelos outros, 
Aceite também isto por mim.


 
Depois de velho, recolho-me ao sofá, acompanhado da novela. A paisagem árabe me pergunta: a emissora previu o 11 de setembro? A qualquer momento, no vídeo,  espero aparecer Osama: "Allá al-wa ka-bá" e Deus Salve a América. O meu amigo Kaled, hoje morando em Belo Horizonte, iniciou-me no Islã. Começou pela coalhada, com sal e azeite. A cordialidade árabe me lembra o banquete que, em 1952, o filho do rei da Arábia Saudita Ibn Sa'ud ofereceu a Onassis: No Palácio de Riad havia dançarinos comedores de fogo, cantoras e músicos. E foi servido um "camelo recheado" com um cervo, que é recheado com um carneiro etc que é recheado com uma pomba. Assado por 15 horas, regado por óleo perfumado com ervas finas. Exige dezenas de robustos cozinheiros para poder virar o espeto, sempre no mesmo ritmo. Depois do repasto, Onassis deixou o palácio levando bons contratos comerciais assinados e duas maravilhosas espadas de ouro maciço, presente do rei [Cafarakis, "O fabuloso Onassis", p. 93]. É certo que, para agradar ao rei, Onassis desembarcou com uma bagagem de presentes  "capaz de encher dois andares das Galerias Lafayette", que distribuiu para o povo. Para o rei, só jóias, ouro e pedras preciosas. Do rei também ganhou um casal de canários, que Onassis chamava de Caruso, e que viajava com ele pelo mundo, presente do Rei Ibn Saud. Onassis transportaria o petróleo da Arábia através do mundo devido unicamente à elegância de seu trato social. Os dirigentes do mundo moderno deviam aprender a ler biografia, antes de tratados de guerra. São mais eficazes. "Deus criou apenas a água. O homem fez o vinho" diz Victor Hugo numa tabuleta da Adega Flor de Coimbra. O vinho faz esquecer, desarma os espíritos e as guerras. Diz o filósofo indiano moderno Krishnamurti: "A crise que atualmente assola o mundo inteiro é excepcional e sem precedentes. Crises tem havido, de toda a ordem, em diferentes períodos, crises sociais, nacionais, políticas... Sem dúvida a crise atual é diferente. E diferente porque não se trata de coisas tangíveis, mas de idéias. Estamos disputando armados de idéias, justificando-se o assassínio, em todas as partes do mundo justifica-se o assassínio como um meio de alcançar um fim justo, o que por si só é coisa inédita, o homem perdeu toda a importância: os sistemas, as idéias tornaram-se importantes. O homem já não tem nenhuma significação. Pode-se destruir milhões de homens, desde que se produza certo resultado, e esse resultado se justifica por meio de idéias.”["A primeira e última liberdade"].