quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Rogel Samuel: Que é Democracia


Rogel Samuel: Que é Democracia

Para quem, como eu, que ficou 20 anos sem votar para Presidente, as eleições é uma belíssima alegria.

Voto no Partido, não voto em pessoas.

A Democracia, essa Sagrada Instituição, é feita de Partidos.

O partido moderno, diz Maquiavel, “é o centro de uma ampla rede de instituições sociais e políticas que compõem a sociedade civil”.

“O príncipe toma o lugar, nas consciências, da divindade ou do imperativo categórico, torna-se a base de um laicismo moderno e de uma laicização completa de toda a vida e de todas das relações de costume” (O príncipe, p. 9).

É claro que as religiões e a mídia passaram, para manterem-se vivas, a constituir-se em espécies de partidos políticos, partidários do jogo do Poder.

Só assim se tornaram legitimadas no mundo moderno, e vigoram no meio de tudo.

Se a igreja não tivesse sido instituída como religião oficial pelo imperador Constantino, em 312, certamente não teria sobrevivido.

A partir do Iluminismo, entretanto, esta separação entre o poder e o obedecer tende a se dissolver, a se interpenetrar, passando a própria burguesia a assumir a postura de autodominação, embora reconhecendo na classe administrativa dominante, nas instituições do Direito, da Justiça e da Polícia os representantes vivos dos símbolos de dominação da ordem e do equilíbrio.

Em outras palavras, os representantes do povo: EU OS ESCOLHI, SÃO OS MEUS REPRESENTANTES.

A divisão do trabalho, na qual a dominação se dissolve socialmente, e a existência de um partido único, no caso do antigo modelo soviético, serviam para a autoconservação de todo dominado.

A opressão exercida pela sociedade moderna vem de baixo, dos eleitores, e exibe sempre, hoje, as características de opressão exercida coletivamente, pela ditadura do coletivo.

É essa unidade de coletividade e dominação, no nosso século XXI, que unifica as forças de unidades social das sociedades modernas e determina a formação dos Partidos, em cuja base estão os interesses e as necessidades coletivas. E a emoção.
Somente a emoção, e não a razão, pôde servir de força para a liberdade dos povos.
A liberdade, desde o século XVIII, vem devido à crença de que o homem é o ser dotado de razão e emoção e pode autogovernar-se.

Isto aparece na Declaração dos Direitos Humanos, na teoria econômica de Adam Smith e mesmo no Manifesto Comunista de 1848.

A Democracia é uma luta.

Luta com uma arma antiga: a força da argumentação do discurso, a força do texto. A força da emoção. Do “patos”.

Luta pela liberdade, contra a organização da técnica, contra os riscos da técnica, contra as bombas da técnica.

Sua luta é um resíduo considerado “conservador”, pois a modernidade está imbuída da tecnologia-científica.

O discurso é uma forma conservadora da História.

Mas é melhor do que a sanguinária luta armada.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Avenida Brasil


Rogel Samuel: Avenida Brasil

Quando chegamos no Rio, entrando pelo portal da Avenida Brasil, parece que chegamos no Iraque em guerra: fábricas fechadas, janelas quebradas, lixo no chão, pó como pólvora, telhados desabados, cumeeiras expostas, esqueletos de prédios decadentes, calçadas em ruínas, o deserto de uma cidade sem vida, de uma cidade arruinada, dizimada pela guerra dos pixadores, dos horrores, dos pavores, dos horrores do mal.


Como cantavam os indios do Amazonas:

“Comerei teu corpo no crânio da tua cabeça
Sobre tuas cinzas dançarei
E exultarei!”



DESABAFO EM DEFESA DA DILMA



DESABAFO EM DEFESA DA DILMA


Dori Carvalho*

1.
Tenho ouvido e lido dezenas de ofensas, calúnias e injúrias nunca vistas contra
ninguém que tenha tentado ser presidente do meu país.
Por que tanto ataque pessoal à Dilma?
Assassina, criminosa, bandida, assaltante, terroristas, vagabunda... fez
plástica, cortou o cabelo, ta gorda, ta magra, é arrogante, é dura (ela vive
“rodeada de homens meigos”).
Será que tudo é tão pequeno, tão mesquinho? Não quero acreditar que tudo isso
seja porque ela é mulher.
Ora, qual é o crime da Dilma?
Levantar-se em armas, arriscar a própria pele, entregar a vida pela liberdade,
ser presa e torturada, lutar contra a ditadura que nos calou e nos oprimiu por
mais de duas décadas?
Eram jovens sinceros e idealistas que foram à luta armada contra golpistas,
torturadores e carrascos que tomaram a democracia de nossas mãos, que tiraram
do poder aqueles que foram eleitos pelo povo... isso é crime?
Então, temos que condenar aqueles que lutaram ao lado de Mandela, na África do
Sul; de Che Guevara, Simon Bolívar, Tiradentes, Zumbi, Zapata, na América
Latina; de Ho Chi Minh, no Vietnã; de franceses, judeus e socialistas que
lutaram contra o nazismo; dos americanos contra os ingleses, dos portugueses
contra Salazar, dos espanhóis contra Franco, dos africanos contra os
portugueses, ingleses, franceses... a história não tem fim... eram todos
chamados de bandidos.

2.
“Aquele que defender os fracos contra os fortes será condenado a viver como um
fora-da-lei...
Em tempos de tirania e injustiça, quando a lei oprime o povo, o fora-da-lei
assume o seu papel na história.” In Robin Hood
3. Estão querendo condenar a Dilma e seus companheiros de luta duas vezes pelo
crime de defender o Brasil, de combater por um ideal, de defender uma causa com
unhas e dentes. Enquanto os ex-torturadores estão de pijama se fingindo de
pacatos e atirando em mendigos, caluniando na sombra do anonimato e
“direitistas” chafurdando nas telas compradas da TV ou degustando vinhos em
Manhattan. Essa gente que ama a democracia apenas quando está no poder ou
gravitando em torno dele.
4.
Dilma
D de dedicação, determinação
I de independência, ideal
L de liberdade, luta
M
A de amor, avançar
(não, não esqueci do M)
M maiúsculo de Mulher
5.
Lá em casa éramos cinco. Dalva, Dulce, Djalma Darcy e Dorival. Todos rebeldes,
inquietos e inconformados e, tenho certeza, todos ficaríamos honrados com mais
uma irmã: Dilma.

*Dori Carvalho é ator e poeta. Vive em Manaus.

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Rogel Samuel - Mentiras na web

Recebo um email com falsas afirmações da candidata Dilma com ofensas a Jesus Cristo etc.

Meu espanto maior é que veio de meu próprio irmão.

Se ele distribuiu na sua lista, crente de que aquilo realmente foi dito por ela, deve estar correndo por todo lado.

Ele é uma pessoa simplória capaz de acreditar em tudo.

So falta dizer que Dilma come criancinhas.





Que é a amizade?


Rogel Samuel: Que é a amizade?

Escreveu Dugpa Rinpochê: “A amizade permite avançar mais depressa na via da felicidade. O amigos que se conhecem bem olham um nos outros do outro e se avaliam no mesmo espelho, sem nunca deixar de se amar. Um é o fiel espelho do outro”.

Que é a amizade? Estará nesse olhar? Ou reside no espelhar? No espelhar-se na alma do outro, no avaliar-se nele, no ser-se com o outro, naquele sair de si pelos olhos do amigo.

Feliz é quem descobre as paisagens da amizade, que navega nesse mar amigo, quem se abandona nos outros, que sai de sua capsula de solidão.

FOTO DE ROGEL SAMUEL


segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Que é escrever?


Rogel Samuel: Que é escrever?

Antigamente, escrever era pensar-se no papel em branco, com tinta escura e pena fina. Agora tudo muda: escrever será pensar-se com os dedos no teclado branco do leptop reduzido, ou pensar é escrever-se no monitor, ou será lançar-se no espaço entre os dedos e a luz que se acende na tela do Word?

Enfim que será escrever, hoje, quando se pensa digitalmente, quando tudo se resolver no teclado em letras já impressas?

E escrever hoje já quer dizer vir impresso, no molde da tela, onde tudo se resolve.

domingo, 26 de setembro de 2010

NOVOS TEMPOS





Vermelho
www.vermelho.org.br

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28/09/2010
Datafolha: Tasso Jereissati despenca e pode ficar fora do Senado
A cinco dias das eleições, o instituto Datafolha divulgou, nesta terça-feira (28), pesquisa encomendada pelo grupo de comunicação O Povo que mostra a liderança, não mais com folga, do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) para a disputa pelo Senado no Ceará. O tucano — que chegou a ter mais de 60% das intenções de voto — despencou e agora possui 44%.
Já os candidatos apoiados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pela candidata Dilma Rousseff registram trajetória de alta nas pesquisa. Eunício Oliveira (PMDB-CE) oscilou entre 25% e 35% das intenções de voto no decorrer da campanha. Agora, chegou a 44%, num inédito empate com Tasso. Já José Pimentel (PT-CE) — que variava entre 25% e 31% — somou agora 36%. Desde a semana passada, Lula aparece no programa de TV pedindo votos para os dois candidatos.

Entre os demais concorrentes ao Senado, Alexandre pereira (PPS-CE), que possui apoio de Tasso para a segunda vaga, oscilava entre 1% e 3%, mas nesta pesquisa alcançou 4%. Os postulantes Tarcísio Leitão (PCB), Marilene Torres (Psol) e Rachel Dias (PSTU) somam 2%. Com 1%, aparecem Benedito Oliveira (PCB), Reginaldo (PSTU) e Polô (PV).

A pesquisa Datafolha ainda mostra que 35% dos entrevistados não definiram votos para uma das duas vagas e 22% não escolheram os dois candidatos. Os percentual que escolheu votar branco, nulo ou nenhum dos dois concorrentes é de 3%. Além disso, 7% dos entrevistas afirmaram que deverão votar nulo, branco ou em nenhum dos nomes para uma das duas vagas.

A consulta foi realizada entre os dias 23 e 24 de setembro em 44 municípios do Ceará e ouviu 985 eleitores. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos. O registro da pesquisa no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-CE) é o de número 57467/2010 e no Tribunal Superior Eleitoral é 32025/2010.

Da Redação, com informações do O Povo









Rogel Samuel: Governar para os pobres





Rogel Samuel: Governar para os pobres

Sou classe-média, descendo de família rica que empobreceu, mas voto sempre com quem governa para os pobres. Daí meu respeito por certa candidata que criou programas contra o empobrecimento, contra a fome, e que promete acabar com a pobreza. Sim, é possível acabar com a pobreza, no Brasil.

Certa vez um arcebispo disse (pasmem) que a bolsa família vicia!

- Sim, Arcebispo, comer vicia.

Outro me disse que o presidente estava comprando voto. Meu Deus! O Obama injetou bilhões de dólares no sistema financeiro, nos bancos, nas empresas ricas, riquíssimas, milionárias... e ninguém disse nada.

Sim, sim, no Brasil governar para os pobres é um erro, um erro histórico. Foi por isso que Getulio se matou.

Dia de amigos



Rogel Samuel: Dia de amigos


Ontem estive com duas amigas queridas. Duas pérolas. Foi um dia bom. Os dias bons são dias de amigos. Antes, telefonei para outra amiga, mas que mora no interior de São Paulo. À noite, rapidamente falei, no celular, com um amigo do Norte. Dias bons são dias de amigos. De reunião com os amigos, de conversas, de abraços. Quando a gente envelhece os amigos se vão ficando escassos. Morrem, ou mudam. Nos esquecem. Quando velhos, somos reféns da necessidade de fazer novos amigos. Minha amiga paulista, que é mais velha, diz que é impossível. Eu digo que não. Não é impossível. Como disse Dugpa Rimpochê: “Escolha os amigos pela qualidade das suas almas, mesmo que eles não partilhem das suas aspirações, dos mesmos projetos. Não fique sozinho. Você precisa de uma família humana maior, para abrir o seu coração e libertar-se. Considere-os como irmãos e irmãs, com os quais partilha um segredo”.

sábado, 25 de setembro de 2010

Coimbra: Nem onda verde, nem queda de Dilma




Coimbra: Nem onda verde, nem queda de Dilma



por Luiz Carlos Azenha

Marcos Coimbra, em entrevista por escrito ao Poder Online:

“Para ter segundo turno, Dilma teria de perder 8 milhões de votos em seis dias”

Uma pequena entrevista por email, do presidente do Instituto Vox Populi, Marcos Coimbra, ao Poder Online, do IG:

Marina Silva está crescendo sobre votos de Dilma Rousseff?

– Não dá para dizer. Dilma cresceu tanto após o início do horário gratuito da propaganda eleitoral que roubou votos dos outros dois. Agora, esses votos estão, ao que parece, voltando para eles.

Quantos votos, de fato, Dilma precisa perder para que haja segundo turno?

– Nos dados de nosso tracking (corroborados por vários outros que temos de pesquisas desenvolvidas em paralelo), a vantagem dela para a soma dos outros estava em 12 pontos percentuais ontem. Se 6 pontos passassem dela para os outros, a eleição empataria e o prognóstico de vitória no primeiro turno seria impossível. Como cada ponto equivale a mais ou menos 1,35 milhão de eleitores, isso seria igual a 8 milhoes de eleitores (sem raciocinar com abstenções).

Marina Silva pode ultrapassar José Serra?

– É muito pouco provável, no conjunto do país. Possível em alguns lugares, como a região Norte e o DF. Talvez se consolide no Rio, onde ela já está na frente.

Qual o quadro que o senhor acha mais provável?

Vitória de Dilma no primeiro turno.

*****

Em outras conversas, ao longo do dia, Coimbra disse o mesmo a mais de um interlocutor: não há sinais de onda verde, nem de queda de Dilma Rousseff.

O próprio tracking do Vox Populi de hoje registra Dilma com 49%, Serra com 25% (subiu 1) e Marina com 12% (caiu 1).

Ou seja, faltando quatro dias para as eleições continua valendo a entrevista que Coimbra deu ao Viomundo, que está aqui. Serra e Dilma estão abaixo das previsões que Coimbra fez em texto para a CartaCapital (56% a 33%).

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Da arte do sol


Rogel Samuel: Da arte do sol



Escrevo de madrugada. Nunca dormi muito bem, e sempre acordo durante a noite. Esta é a hora boa para ler, pensar, rever a vida. Antigamente era possível sair de madrugada. Quando eu morava em Copacabana, nessas horas eu saía para caminhar na praia e ver o sol nascer. O sol sempre nasce com esplendor, como tudo que nasce. A vida é o nascimento: o demais é um declinar-se para a morte, já pensou Heiddeger. Se nos fosse possível imaginar, diz Nietzsche, a dissonância feita criatura humana (pois o homem é uma dissonância) esta, para poder suportar a vida, teria a necessidade de uma admirável ilusão que lhe escondesse a sua verdadeira natureza, sob um véu de beleza. Esta é a finalidade da arte apolínea. Da arte do sol. O nome de Apolo resume aqui essas ilusões sem número da bela aparência que tornam, a cada instante, a existência digna de ser vivida e nos incitam a vivê-la no instante seguinte. A vida sempre renasce. Sempre que as potências dionisíacas a subverte violentamente, é desejável que Apolo, envolvido em nuvens, desça até nós, para curar a nossa escuridão, a nossa embriaguez.

Fatos decisivos


Fatos decisivos

Rogel Samuel



A arte da guerra, de Sun Tzu, parece um manual apropriado para essas eleições.

Tenho-o lido nesses dias. Pois faltam poucos dias para a decisão.

Diz Sun Tzu: “Um grande general não é arrastado ao combate; ao contrário, sabe impô-lo ao inimigo”.

Em geral, “o perito em batalhas move o inimigo, em vez de ser movido por ele”.

Assim a oposição se perdeu na sua própria virulência.

Ontem saiu que a taxa de desemprego no Brasil está em 6,7 %, a menor da História.

E que a renda média dos trabalhadores alcançou 1.400 reais.

São dois fatos decisivos.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Emir Sader: “No mínimo, está havendo manipulação na margem de erro”

Emir Sader: “No mínimo, está havendo manipulação na margem de erro”
por Conceição Lemes

O Datafolha divulgou pesquisa nesta terça-feira pesquisa dizendo que Dilma Rousseff (PT) caiu três pontos percentuais em relação ao último levantamento, realizado em 21/22 de setembro. Neste, ela tinha 49%. No de hoje, 46%. O candidato José Serra (PSDB) manteve os 28% da semana passada. Já Marina Silva (PV) teria subido de 13% para 14%. Portanto, um ponto percentual.

Desde cedo, essa pesquisa, claro, está sob bombardeio intenso na internet. Conversamos sobre o assunto com o sociólogo político Emir Sader, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Viomundo – Como o senhor avalia as pesquisas divulgadas ao longo desta campanha?

Emir Sader – A evolução foi muito convergente. Começou com um recall forte da parte do Serra. Mas com preferências de votar na candidata do Lula. Então, era previsível que no decorrer da campanha houvesse transferência de intenção de voto do Serra para a Dilma. Foi o que aconteceu.

A Dilma está hoje na casa dos 50% e o Serra na, dos 25% para baixo. Aparentemente a grande intenção de votos que o Serra tinha no começo era recall mesmo. Até porque, todos nós vimos, ele desmoronou. Tudo o que se propalava sobre o governo Serra foi por água abaixo. Ele está perdendo na capital e no estado no Estado de São Paulo.

Viomundo – O que achou da pesquisa do Datafolha de hoje?

Emir Sader – Anômala. Ela botou 3% a menos para a Dilma e 1% a mais para a Marina. Enquanto as pesquisas em geral dão 10% de vantagem para Dilma em relação à soma dos outros candidatos, o Datafolha deu 4%. Enquanto o Datafolha cogita o segundo turno, Sensus, Vox Populi e Ibope continuam jurando que vai dar Dilma no primeiro turno.

Viomundo – O Datafolha vai manter isso até o final?


Emir Sader – Não dá para saber. Afinal, não nos esqueçamos que a dona Judith Brito, executiva da Folha e presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ), disse que eles são um partido político. Mas é possível que o Datafolha tenha feito esta operação, veiculada hoje, depois faça o ajuste final, para não perder o pouco de credibilidade que ainda tem. Se chegar à eleição com a diferença de 2% e resultado for 8%, 10% , vai pesar muito para o lado do Datafolha.

Viomundo – Qual o objetivo da operação de hoje?

Emir Sader — Tentar oxigenar o Serra. Só que não tem que bote vida no Serra. Esse mesmo jogo aconteceu na véspera das prévias do PSDB. O Datafolha aumentou 9 pontos percentuais para o Serra na pesquisa divulgada naquela ocasião.

Viomundo – O Datafolha sai arranhado dessa campanha eleitoral?

Emir Sader – Acho que já saiu. Aconteceram duas coisas. Primeira, a Dilma subiu e o Datafolha resistiu ao máximo a reconhecer esse dado. Segunda, na véspera da convenção do PSDB, o Datafolha cravou uma subida de 9 pontos em favor de José Serra, sem que nada tivesse acontecido. Considerando os vínculos políticos, ideológicos e orgânicos que a Folha tem com o Serra, dá para desconfiar.

O mínimo que se pode dizer é que, na margem de erro, está havendo manipulação. Afora os critérios de pesquisa, como se é na rua, se é por telefone. O fato é que tem uns ajustes aí muito estranhos.

Aliás, o Datafolha questionava a veracidade das outras pesquisas e foi o Datafolha que tive de se ajustar aos outros. Tem muito mais coerência a evolução do Vox Populi e do Sensus. E o Ibope teve a grandeza de fazer autocrítica. De modo que eu acho que o Datafolha está muito mal na parada.

Viomundo — O que teremos na reta final?


Emir Sader – Lexotan (risos). Falando sério. Recomendaria calma. Quem está empenhado num candidato, intensificar o trabalho. Mas, sobretudo, tentar desmentir os boatos, as falsidades que andam espalhando por aí.

Nota do Viomundo: Amanhã publicaremos a segunda parte desta entrevista. O professor Emir Sader falará sobre Marina Silva (PV).

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Por que a grande mídia e a oposição resolveram jogar sujo



Por que a grande mídia e a oposição resolveram jogar sujo

A grande mídia e a oposição não compreenderam que o país entrou em um novo período histórico e, desta forma, correm o risco de ficarem falando sozinhas por um bom tempo. As pessoas não estão votando em personalidades, como supunham os próceres da campanha Serra. Estão votando no futuro - no seu futuro e no futuro do país. A disputa eleitoral de 2010 não ficará marcada pelo “confronto de biografias”, como imaginavam os tucanos e seus aliados no início da campanha. Derrotados em seus próprios conceitos; perplexos diante de uma ampla maioria que lhes vira as costas, só lhes resta o golpe, que não tem força pra dar. O artigo é de Vinicius Wu.

Vinicius Wu

Data: 21/09/2010
Revisitemos as declarações de Serra e de diversos articulistas da grande mídia simpáticos à sua candidatura ao longo de 2009 e início deste ano. Sem esforço, perceberemos que sua estratégia eleitoral baseava-se na tese do “contraste de biografias”. Inebriado por sua vaidade, Serra alimentou a certeza de que a comparação de sua trajetória política com a de Dilma seria a senha para a vitória. Ocorre que o povo brasileiro rejeitou a fulanização do debate. Optou por contrastar os projetos de Brasil disponíveis e sepultou as pretensões tucanas nestas eleições.

Mas o drama da oposição não termina aí. Afinal, estamos diante de um processo ainda mais complexo, que está na origem da impotência política da oposição hoje. Diante do atual cenário, tiveram de optar entre a resignação diante da derrota e o surto golpista que assistimos nos últimos dias. Compreender os motivos que desencadearam este processo é o que buscaremos nas próximas linhas.

Crise do neoliberalismo e mudança do léxico político brasileiro
As eleições de 2010 encerram a profunda alteração do léxico político brasileiro em curso desde o embate eleitoral de 2002. A crise do paradigma neoliberal possibilitou uma mudança radical dos termos e dos conceitos através dos quais se organiza a luta política no país.

Se nas eleições de 1994 e 1998 o debate eleitoral orbitava em torno do tema da “estabilidade”, desde 2002 vivemos um profundo deslocamento do debate em direção aos temas do desenvolvimento, da inclusão social e distribuição de renda. Ou seja, a disputa política passou a se desenvolver a partir de temas estranhos ao receituário neoliberal. Esta foi a grande derrota política do bloco conservador proporcionada pela vitória de Lula em 2002.

Portanto, o debate político nacional nos últimos anos passou por uma verdadeira metamorfose que desencadeou: 1. Uma mudança de problemática: da manutenção da estabilidade econômica e do ajuste fiscal para a busca do desenvolvimento e da justiça social; 2. uma alteração da lógica argumentativa: a defesa das privatizações e do enxugamento do Estado cedeu lugar ao combate às desigualdades e ampliação do alcance das políticas públicas e; 3. uma mudança de conceitos: crescimento econômico, papel indutor do Estado, distribuição de renda, cidadania etc. passam a integrar, progressivamente, o discurso de todas as correntes políticas do país.

Este é o grande legado político da “Era Lula” e diante do qual as respostas da direita brasileira foram absolutamente insuficientes até aqui.

O novo protagonismo dos pobres
Paralelamente ao processo supramencionado, foi sendo desenvolvida uma nova consciência das camadas populares no país, que identificaram em Lula a expressão viva de seu novo protagonismo. O operário do ABC paulista alçado à condição de Presidente mais popular da história da República é a síntese perfeita da nova condição política dos “de baixo”.

Ao afirmar recentemente que “nós” somos a opinião pública, o Presidente Lula não está cedendo a nenhuma tentação autoritária, como desejam alguns mal intencionados articulistas da grande mídia. O que está em jogo é o fim da tutela dos “formadores de opinião” sobre a formação da opinião nacional. Este é o motivo do desespero crescente da mídia monopolista do centro-sul do país.

Há uma revolução democrática em curso no Brasil e ela altera profundamente a forma como os pobres se relacionam com a política. O país vivencia uma inédita e profunda reestruturação de seu sistema de classes. As implicações deste processo para o futuro da nação ainda não são mensuráveis.

A grande mídia e a oposição não compreenderam que o país entrou em um novo período histórico e, desta forma, correm o risco de ficarem falando sozinhas por um bom tempo.

As pessoas não estão votando em personalidades, como supunham os próceres da campanha Serra. Estão votando no futuro - no seu futuro e no futuro do país.

A disputa eleitoral de 2010 não ficará marcada pelo “confronto de biografias”. Esta é a eleição da aposta no “Devir-Brasil” no mundo, como sugere Giuseppe Cocco. O país recompôs a esperança em seu futuro e deseja ser grande. Os brasileiros querem continuar mudando e, principalmente, melhorando suas vidas.

E o eleitor brasileiro não está “inebriado pelo consumo” como afirmou, revoltado, um dos mais preconceituosos articulistas da grande mídia. Os seres humanos fazem planos, sonham, imaginam uma vida melhor para si e para seus filhos. As pessoas estão sim - e é absolutamente legitimo que o façam - votando com a cabeça no seu próximo emprego; no seu próximo carro ou eletrodoméstico; no seu próximo empreendimento; na faculdade dos seus filhos; em seus filhos... É uma opção consciente. Não querem retroagir, preferem a continuidade da mudança conduzida por Lula, por mais que esperneiem os articulistas sempre bem pagos da grande mídia.

A “Conservação” da mudança
Talvez, nem o próprio Presidente Lula tenha se dado conta de uma outra - e também decisiva - derrota imposta ao bloco conservador. Trata-se da apropriação e ressignificação de um dos conceitos mais caros ao neoliberalismo.

Lula tomou para si a primazia da estabilidade. A defesa da estabilidade (quem diria?!) passa ser tarefa da esquerda brasileira. Mas não a estabilidade neoliberal, e sim uma nova estabilidade; a da continuidade da mudança.

O slogan da campanha Dilma não poderia ter sido mais adequado: “Para o Brasil seguir mudando”. Esta é a perfeita síntese da opinião popular no atual período; continuar mudando para que permaneçam abertas – e se ampliem – as possibilidades de mobilidade social, de emancipação e prosperidade econômica. A mensagem é simples e foi acolhida pela maioria do povo brasileiro: “conservar” a mudança e não retroagir.

A “venezuelização” do comportamento da grande mídia
Derrotados em seus próprios conceitos; perplexos diante de uma ampla maioria que lhes vira as costas (só 4% da população rejeitam Lula); impotentes diante de uma nova realidade, que se impõe diante de seus olhos, só lhes resta o golpe, que não tem força pra dar.

E se não podem “restaurar a democracia” à força, resta-lhes, então, trabalhar para que a disputa política no próximo período se dê em outros termos. Como imaginam que estarão livres da força de Lula a partir de Janeiro de 2011, iniciam uma virulenta campanha de difamação, deslegitimação e questionamento da autoridade daquela que deverá ser a primeira Presidenta do país.

Desejam fazer do Brasil uma nova Venezuela, onde posições irreconciliáveis travam uma luta sem tréguas, instaurando um clima de instabilidade e insegurança generalizado. Querem que oposição e governo não dialoguem. Preferem a radicalização ao entendimento. Concluíram que esta é a única maneira de derrotar as forças populares no futuro. Precisam retirar de nossas mãos o primado da estabilidade. Querem, de fato, venezuelizar o Brasil.

Mal se deram conta de que quase ninguém sairá vencedor em Outubro confrontando-se com Lula. Em todas as regiões do país, candidatos oposicionistas bem sucedidos resolveram absorver Lula e o sucesso de seu governo. Raros serão os candidatos oposicionistas que vencerão com discurso de oposição.

A “venezuelização” que pretendem esbarrará na força política que se assenta na emergência de um novo Brasil, que estamos a construir, e na fé de nosso povo em um futuro diferente daquele que imaginaram as oligarquias deste país.

Twitter: @vinicius_wu / Blog: www.leituraglobal.com

No bar






No bar

Rogel Samuel


Com minha amiga L. bebo uma taça de champanhe. Há muito não bebo. Mas me lembro do Café Flore, onde tão bom foi estar até aquela madrugada com minha amiga N. Eu trouxe o cardápio. Comprei o cinzeiro, que mais tarde dei para o poeta Luiz Bacellar. Era uma época cheia de sonhos, de riquezas da juventude. Minha amiga L., ontem, me disse que X. morreu. Em Manaus. Era dona do Bar Galvez, muito amiga. A morte nunca é graciosa, como diz o poema. A morte é o fim de uma antiga amizade.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Paulo Henrique Amorim: a eleição agora é entre Dilma e a mídia


Vermelho
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21/09/2010
Paulo Henrique Amorim: a eleição agora é entre Dilma e a mídia


Amigo navegante telefona preocupado: o PiG (*) vai ao Tribunal Superior Eleitoral para impedir a vitória da Dilma no tapetão. Há certo perigo aí.

Por Paulo Henrique Amorim, no blog Conversa Afiada
A procurador eleitoral é a Dra. Cureau, sempre imparcial, que quer calar o Mino Carta. Marco Aurélio de Mello, que, em 2006, como presidente do TSE, ameaçou não dar posse ao Lula, é titular do TSE. Gilmar Dantas (Gilmar Mendes) é suplente no TSE, ele que tentou, com as tropas do Estadão, dar o Golpe de Estado da Direita.

O jenio (José Serra) tem mais chance no TSE do que no voto. E a UDN só ganha eleição no tapetão — no Golpe.

Acontece que a Dilma perdeu a paciência. Dilma não é Lula.

Na resposta à Folha, ela se pôs ao lado de Leonel Brizola, autor de outro vídeo histórico — o editorial que Brizola obrigou o Roberto Marinho a ler. Os filhos do Roberto Marinho sabem disso — o temperamento da Dilma está mais para Brizola do que para Lula.

A Dilma não vai esperar o Golpe sentada em cima das mãos. Dilma tem um aliado importante. Já imaginou o Lula na rua, a pregar uma greve geral para garantir a posse da Dilma? Lula não é Jango. Isso parece uma insensatez? Insensatez é o que o PiG (*) faz hoje no Brasil.

A eleição não é mais entre a Dilma e o Serra, que foi atropelado pela própria insignificância. A eleição é entre a Dilma e o PiG (*).

A Judith Brito disse que a Associação Nacional dos Jornais, que preside em nome do Otavinho, é a oposição. Ela provavelmente não sabia que tinha entrado para a História do Golpe, que tinha escrito uma página do Livro de Ouro da extrema direita brasileira.

O PiG (*) não tem mais volta. Ele destruiu todas as pontes que o ligavam à Democracia e ao Estado de Direito. O PiG (*) é o PiG (*) da Argentina e da Venezuela. Vai fazer o quê? Demitir a Eliane Catanhêde para se aproximar da Dilma? A urubóloga, o Merval, o Waack, o Ali Kamel, o do Golpe de 2006? Não tem como.

O ultimo recurso será entrar com um pedido de anulação da eleição no TSE, redigido por um jurista de prateleira, como, por exemplo, Yves Gandra Martins. O que o PiG (*) quer? Uma Guerra da Secessão? Uma “Revolução” de 32, para se separar de Vargas?

O PiG (*) está miseravelmente isolado. Deve representar uns 5% da população brasileira — seus leitores. Na tem uma passeata do Cansei na rua. Não tem uma Marcha com Deus pela Família e a Propriedade. Não tem um Carlos Lacerda.

A Fiesp não está no Golpe. A Febraban não está no Golpe. A Associação Comercial … associação comercial, qual? Acabou a União Soviética e não assusta mais as mal-amadas. A Igreja Católica afundou-se com seus próprios pedófilos e não tem autoridade moral para derrubar nem prefeito. Os americanos estão atolados no Afeganistão e nas dividas. Não vão mandar a Frota que derrubou o Jango. E o Obama acha o Lula “o cara”.

Não tem Manifesto dos Coronéis. Não tem mais seu redator, o grande democrata Golbery e seu fantoche, o George Washington do Elio Gaspari, o general Geisel. Não tem o Ipês (o Millenium do Jabor, convenhamos…)

Tem alguém na tribuna da Câmara a pedir o Golpe, como o Padre Godinho, da UDN de São Paulo? Cadê o jovem deputado da UDN da Bahia, Antonio Carlos Magalhães, a dizer que o Lula é ladrão? Eles morrem de medo do Lula

Quem o PiG (*) representa? Quer dar o Golpe em nome de que? Em defesa de quem? De seus próprios interesses? A quem interessa defender o interesse do Otavinho, a não ser o próprio Otavinho? Quantas lágrimas serão derramadas no dia em que a Folha fechar? Provavelmente só as do Clóvis Rossi.

O PiG (*) não tem mais como conversar com a presidenta Dilma, depois desse desabafo, hoje, no Rio. Não adiante produzir manchete na Folha para o jenio e o Gonzalez reproduzirem no programa eleitoral. Não dá em nada.

A pesquisa tracking da Vox Populi desmoralizou o Datafalha e o Globope. A Sensus idem. Os institutos mineiros acabaram com o blefe, a chantagem.

O Tribunal Superior Eleitoral vai dar o Golpe em nome de que? Da quebra dos 30 milhões de sigilos da filha do Serra? Do filho da Erenice? Do tucano que sumiu com a Caixa (2?) do Serra?

Como diz o Vasco: acharam um monte de Vavás e o Daniel Dantas está solto. Esse é o problema grave: o PiG perdeu a importância. Ele só serve para dar Golpe. Para desestabilizar o país. Com o Lula, o PiG (*) podia achar que levava o Brasil à beira do precipício e, na hora “h”, o Lula conciliava. A bonomia do Lula não deixava o caldo virar.

A Dilma não é o Lula. O Otavinho que se cuide. Os filhos do Roberto Marinho que se cuidem. Eles vão fechar o negócio do pai.


(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.


DISPOSITIVO MIDIÁTICO LANÇA ORDEM UNIDA:
'O POVO NÃO SABE VOTAR'

Arnaldo Jabor: "preparemo-nos para a guerra"

EDITORIAL Estadão, 21-09: "... sem o menor pudor Lula alimenta no eleitorado de baixa renda e pouca instrução - seu público-alvo prioritário - o sentimento difuso de que quem tem dinheiro e/ou estudo está do "outro lado", nas hostes inimigas. Mas a verdade é que o paladino dos desvalidos nutre hoje uma genuína ojeriza por uma, e apenas uma, categoria especial de elite: a intelectual, formada por pessoas que perdem tempo com leituras e que por isso se julgam no direito de avaliar criticamente o desempenho dos governantes. Por extensão, uma enorme ojeriza à imprensa...."

ARNALDO Jabor; 21-09: "...Lula não é um político - é um fenômeno religioso. De fé. Como as igrejas que caem, matam os fiéis e os que sobram continuam acreditando. Com um povo de analfabetos manipuláveis, Lula está criando uma igreja para o PT dirigir, emparedando instituições democráticas e poderes moderadores.(...)A única oposição que teremos é o da imprensa livre, que será o inimigo principal dos soviéticos ascendentes. O Brasil está evoluindo em marcha à ré! Só nos resta a praga: malditos sejais, ó mentirosos e embusteiros! Que a peste negra vos cubra de feridas, que vossas línguas mentirosas se transformem em cobras peçonhentas que se enrosquem em vossos pescoços, e vos devorem a alma. Os soviéticos que sobem já avisaram que revistas e jornais são o inimigo deles.Por isso, "si vis pacem, para bellum", colegas jornalistas. Se quisermos a paz, preparemo-nos para a guerra..."

CAETANO Veloso, 20-09: "É como se fosse assim uma população hipnotizada. As pessoas não estão pensando com liberdade e clareza..."

MERVAL Pereira, Globo, 21-09: " ... popularidade de Lula hoje lhe dá essa sensação de poder absoluto. Daí a desqualificar a grande imprensa e querer influenciar diretamente o eleitorado, sobretudo o das regiões mais pobres do país, através dos programas assistencialistas, e a tentativa de controle da mídia regional através de verbas de publicidade.[...] Para os que não se submetem a essa política, fica cada vez mais evidente que um eventual governo Dilma vai tentar aprovar no Congresso uma legislação especial que permita o controle dos meios de comunicação através dos mais diversos conselhos, o chamado controle social da mídia, a exemplo do que já acontece na Venezuela de Chávez e a Argentina dos Kirchner está tentando.A reação desmesurada da candidata oficial a uma reportagem do jornal Folha de S. Paulo que mostrou problemas em sua gestão à frente de uma secretaria no governo do Rio Grande do Sul dá bem a medida de sua tolerância à livre circulação de notícias críticas.." (Carta Maior apoia ato no Sind. dos Jornalistas, dia 23, contra o golpe; 22-09)

A Elegia Nº1 de Mauro Mota






Elegia Nº1

Mauro Mota


Vejo-te morta. As brancas mãos pendentes.
Delas agora, sem querer, libertas
a alma dos gestos e, dos lábios quentes
ainda, as frases pensadas só em certas
tardes perdidas. Sob as entreabertas
pálpebras, sinto, em teu olhar presentes,
mundos de imagens que, às regiões desertas
da morte, levarás, que a morte sentes

fria diante de todos os apelos.
Vejo-te morta. Viva, a cabeleira,
teus cabelos voando! ah! teus cabelos!

Gesto de desespero e despedida,
para ficares de qualquer maneira
pelos fios castanhos presa à vida.




As regiões desertas

Rogel Samuel

Em que reside a beleza dessa elegia?
Entre outros elementos pela visão, mãos, lábios, pálpebras, cabeleira, corpo e alma, pendentes por um fio de cabelo.
As mãos libertam gestos. Os lábios frases. As pálpebras, as visões do amor, as regiões desertas.



Som e fúria da velha imprensa


Vermelho
www.vermelho.org.br

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20/09/2010
Som e fúria da velha imprensa

GILSON CARONI


Em uma guerra onde cada queda nas pesquisas repercute como a perda de um exército do candidato tucano, a grande imprensa brasileira tem a reação previsível. Emissoras de televisão, jornais e revistas semanais se unem em grupos, deixando a confiança em uma improvável virada de José Serra se avolumar até atingir o êxtase nos estratos sociais que lhe dão sustentação rarefeita. Tal comportamento, onde todos os meios de comunicação atuam de forma orquestrada, em fina sintonia com os comitês de campanha, traduz a relação simbiótica entre o tucanato e as famílias que controlam os mecanismos de produção e difusão informativos. No estreitamento do processo, um projeta no outro seus interesses pessoais e políticos. Serra é a mídia. A mídia é Serra.

Cria-se uma vivência de alienação, situação de risco escolhida para se experimentar um novo cenário golpista. Neste clima, são negadas as dificuldades em se resolver os problemas sociais, políticos, econômicos e ideológicos de uma candidatura fadada a um “enterro de Gioconda". É por esta anestesia da razão, alheamento da realidade, que se acentua a autoconfiança dos milicianos encastelados nas editorias de Política. Só assim acreditam que o desejo poderá ser satisfeito em um passe de mágica. Transitam pela animação da onipotência, acreditando possuir a força ilimitada dos deuses. Quando, no entanto, a história mostra o seu compasso, o efeito delirante dá lugar ao desconforto da depressão e do vazio ameaçador. Serra é a mídia. A mídia é Serra.

Não há espaço para o contraditório. Publicações que não fazem parte do pool tucano são censuradas no campo jornalístico. Escândalos são fabricados em escala crescente. Denúncias publicadas sem apuração. O contraditório inexiste. A imprensa golpista, involuntariamente, reaviva a advertência de Gramsci: enquanto o mundo velho não se finda e o novo não se afirma, a sociedade vive num estágio de morbidez latente, apta a produzir seus fenômenos mais perversos. Nesse interregno, os Mervais, Leitões, Noblats, Josias e Fernandos, entre tantos outros, fazem, ou tentam fazer, o retorno a uma formação política infantilizada, desagregada e primitiva.

Se for justa a indignação dos que militam no campo democrático, a perplexidade é imperdoável. Desculpem-me a sinceridade da pergunta, mas que tipo de comportamento vocês esperavam da mídia brasileira: isenção, equilíbrio, não alinhamento com a direita? Que os proprietários dos veículos fossem capazes de contrariar seus interesses financeiros e políticos em nome da cobertura lisa do processo democrático? O padrão editorial predominante em 1954 não se repetiu dez anos depois? Desde a eleição de Lula a que temos assistido? Por que razão ficamos esperando que agora fosse diferente?

Será que é preciso lembrar que continuamos vivendo em uma sociedade determinada pelos interesses de classe? E, quando se trata do principal, não podemos esquecer que somos o outro lado, os inimigos a serem derrotados, mais ainda a Dilma e o que ela representa simbolicamente. Ficar surpresos nos remete a uma ingenuidade inadmissível.

A credibilidade no jornalismo é puro mito, pura hipocrisia, recurso de marketing usado pelas empresas. Apesar de sabermos disso, esperamos, lá no fundo das nossas almas, que seja diferente, que a prática da mídia burguesa seja semelhante ao seu discurso publicitário, mas não é e não será jamais. A única forma de travar a batalha democrática no campo informativo é criar veículos eficientes, na forma e no conteúdo, que estejam a serviço dos interesses da maioria da população. E isto não é para “fazer a cabeça" do povão, mas simplesmente articular um discurso, uma argumentação contrária à estrutura narrativa da imprensa que representa o establishment. Se falarmos em luta pela hegemonia, como ignorar questões centrais?

Queremos “absolvição" por termos desconcentrado o mercado publicitário e realizado a Confecom? Creio que não. Para continuar reerguendo o país do descalabro, da frustração e da desesperança, o que podemos esperar senão som e fúria dos aparelhos ideológicos burgueses? A ausência de poder sobre a situação fará aumentar o rugido, o desejo destrutivo de forças que subestimaram a sociedade brasileira, que a ignora solenemente.

Todos os sinais de alarme já soaram. O velho Gramsci era do ramo. Ninguém poderá dizer, desta vez, que não foi alertado a tempo.

PS: Acho difícil haver segundo turno, mas, se houver, ganhamos. Resta ao PSDB um alento: depois de uma campanha eleitoral dirigida de forma errática e de ter um candidato que se transformou num fardo dificílimo de carregar, ganhar as eleições em São Paulo e ainda ter 30% dos votos para a Presidência da República é uma vitória a ser comemorada.

O poder corrompe?







O poder corrompe?


Emir Sader

Algumas frases que correm soltas e parecem, inclusive pela força da sua formulação, parecer evidentes por si mesmas, se prestam a somar-se à desmoralização da política, das ações coletivas, do Estado, favorecendo, como contrapartida, o individualismo, o egoísmo, o mercado – que busca congregar a todos como indivíduos na sua dimensão de consumidores.

Há poderes corruptos e outros não. Absolutizar é fazer o jogo dos que querem governos e Estados fracos, como os monopólios privados da mídia. Como dizer que “político é corrupto”, que “partidos são tudo a mesma coisa”, que “as pessoas não prestam”, que “todo mundo é egoísta”, “que o mundo não tem jeito”, “que as coisas estão cada vez pior no Brasil e no mundo”.

O senso comum costuma ser a representação popular de grandes preconceitos. Aparece como “verdades” evidentes por si mesmas, que nem precisam demonstração. E camuflam valores muito reacionários. Para isso, precisam naturalizar as coisas, tirando seu caráter histórico.

O poder da ditadura, o do Collor, o do FHC e o do Lula são iguais? Basta se chegar ao poder, para alguém se tornar corrupto? O poder de uma grande potência imperialista, como os EUA, é mais ou menos corrupto que o poder de um país da periferia? O poder de um grande conglomerado econômico transnacional é maior ou menor do que o dos governos?

Uma ONG internacional publica anualmente o ranking do que seriam os governos mais corruptos do mundo. Um deles colocou o o Haiti entre os lideres. Será que o governo do Haiti é mais ou menos corrupto que o governo dos EUA?

Mas o principal problema dessa lista é que ela lista os corruptos, mas não os corruptores, que certamente estão entre as grandes corporações multinacionais. Mas se trata de uma ONG, busca criminalizar os governos e, por dedução, absolver as empresas privadas.

Essa visão criminalizadora da política e do poder sugere que as pessoas são “boas” na “sociedade civil” e quando “entram” para o Estado, para a política, se corrompem. É a visão que sustenta a opinião, tão disseminada, de “quanto menos imposto se paga, melhor”, de que “o seu imposto está sustentando aos burocratas”, etc.

Do que se trata é de historicizar o tema. Há poderes e poderes. Todos eles têm natureza de classe. Mas mesmo nesse marco, há poderes assentados diretamente em organizações populares, em dirigentes com compromisso ideológico com os processos de transformação profunda da realidade.

Senão contribuiríamos para a rejeição da política, deixando para que ela seja feita justamente pelos políticos tradicionais, acostumados a tirar proveitos do Estado e dos governos, a desmoralizar a política.

SUGESTÕES DE LEITURA

- MEXICO INSURGENTE
John Reed
Boitempo Editorial

- AS GAROTAS DA FÁBRICA
Leslie T. Chang
Editora Intrinseca

- VITÓRIA
Joseph Conrad
Editora Revan

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

"Nós somos a opinião pública", diz Lula


"Essa gente não me tolera. Mesmo lendo pesquisas de opinião pública, mesmo vendo que tem apenas 4% que acham o governo ruim e péssimo", comparou.

O presidente chamou as críticas recentes dos adversários e as reportagens sobre condutas suspeitas em seu governo de intolerância, ódio e mentira. "Existe uma revista que não lembro o nome dela. Ela destila ódio e mentira. E eu queria pedir para você Dilma e para você Aloizio: não percam o bom humor, eu já ganhei, eu não disputo voto. Outra vez nós vamos derrotar nossos adversários tucanos, vamos derrotar alguns jornais e revistas que se comportam como se fossem um partido político."

E continuou: "Se o dono do jornal lesse seu jornal ou o dono da revista lesse sua revista eles ficariam com vergonha do que estão escrevendo exatamente nesse momento", Segundo Lula, "eles não se conformam que o pobre não aceita mais o tal do formador de opinião pública. Nós somos a opinião pública e nós mesmos nos formamos".

PREPARAM O GOLPE!


VOX POPULI/BAND: DILMA 53% X SERRA, 23%
A ESTRATÉGIA, AGORA, É A DA DESLEGITIMAÇÃO

O MODELO É O MESMO DE CARLOS LACERDA CONTRA VARGAS EM 1950: 'SE ELEITO, NÃO DEVE GOVERNAR'

na reta final das eleições de 2010, a mídia demotucana desistiu de manter as aparências e ressuscitou o golpismo udenista mais desabrido e virulento. O arrastão conservador não disfarça a disposição de criar um clima de mar de lama no país nas duas semanas que separam a cidadania das urnas."Ódio e mentira", disse o Presidente Lula, no último sábado, em Campinas, para caracterizar a linha editorial que unifica agora o dispositivo midiático da direita e da extrema direita em luta aberta contra ele, contra o seu governo, contra o PT , contra Dilma mas, sobretudo, contra a legitimidade do apoio popular avassalador ao governo e a sua candidata nestas eleições. O jornal o Globo foi buscar no sempre desfrutável Caetano Veloso o mote para a investida: "É como se fosse assim uma população hipnotizada. As pessoas não estão pensando com liberdade e clareza". Ou seja, a vitória que se anuncia é ilegítima. Virtualmente derrotada a coalizão demotucana já não têm mais esperança eleitoral em Serra, que avalia como um 'estorvo', um erro e um fracasso --o mesmo "Caê", na entrevista ao jornal carioca, classifica o tucano como "burro", por não ter , desde o início, atacado frontalmente Lula. Sua candidatura, agora, sobrevive apenas como mula de um carregamento de forças, interesses, veículos e colunistas determinados a sabotar por antecipação o governo Dilma, custe o que custar. O objetivo é criar uma divisão radicalizada na sociedade brasileira. Vozes do conservadorismo, mesmo quando travestido de ares pop, caso de Caetano, inoculam na elite e segmentos da classe média um sentimento de menosprezo e ilegitimidade pelo veredito quase certo das urnas. A audácia sem limite cogita, inclusive, levar Dilma a depor no Senado, às vésperas do pleito que deve consagrá-la Presidente do país. O desafio à vontade popular é claro e típico do arsenal golpista. A receita é a mesma pregada por Carlos Lacerda, em manchete do jornal Tribuna da Imprensa, em 1º de junho de 1950, quando era evidente a vitória de Getúlio Vargas contra a UDN. O lema de ontem comanda hoje a ordem unida que articula pautas, capas e manchetes nos últimos 12 dias de campanha: "o senhor Getúlio Vargas, senador, não deve ser candidato à presidência, Candidato, não deve ser eleito, Eleito, não deve tomar posse, Empossado, devemos recorrer à revolução para impedi-lo de governar..." (Carta Maior apoia ato no Sind. dos Jornalistas, dia 23, contra o golpe; 20-09)

Tiradentes


Tiradentes


Rogel Samel

Novamente em casa. O Rio parece cinzento. Ouço um ruído de carro e aviões ao longe. Os aviões, estou na rota. Vão para o Santos Dumont. O Rio ainda dorme. Preparo-me para dar a minha caminhada. É bom estar em casa, mas saudades de Tiradentes e da minha amiga Lyria. Espero que ela me esteja lendo. O meu amigo Dílson Lages Monteiro escreveu um poema sobre Tiradentes:

Palpitam e apitam
Em ruas de rumores e estações
As pedras palpitam minas e ouro
Palpitam como as encostas da serra
Palpitam nuvens e cerração
O céu de sol e sombra
em silêncios e orações.

A Maria Fumaça parada, parada
na viagem derradeira
reviva em cada charrete
Como o passado em ilusão.

Tiradentes palpita.
As encostas da serra
As ruas de pedras
Palpitam e apitam paradas.

Nos rumores da estação
Palpita a Maria Fumaça
Em cada charrete apita.
Palpita e apita

Tiradentes parada.

Como este poema me soa a Tiradentes! Cidade parada, amada. As pedras da Serra de São José nas pedras das ruas.
Sobre elas, as charretes passam.
Mas o tempo, esse lambido de gato,
Não passa.
Ali não passa.

domingo, 19 de setembro de 2010

Leio poemas




Leio poemas


Rogel Samuel


Leio alguns poemas de Murilo Mendes. Leio quase todo o livro, que encontrei na pousada.

Seleção de L. Picchio, que não concordo.

Debruçado à varanda
Que enxergas no horizonte?

- Órfãos, loucos, aleijados
Em carros tintos de sangue

...............

Vejo a morte graciosa

sim, ela é muito moça,
prepara o vestido novo
para receber a guerra


O poema, sobre a guerra: "Visão lúcida".

A morte graciosa.

A guerra.

PRESIDENTE LULA MOBILIZA 30 MIL PESSOAS EM CAMPINAS


PRESIDENTE LULA MOBILIZA 30 MIL PESSOAS EM CAMPINAS E CONVOCA A RESISTÊNCIA AO GOLPISMO MIDIÁTICO

aspas para o Estadão, 17-09: "... o Largo do Rosário, na região central de Campinas foi tomado por cerca de 30 mil pessoas... Apesar do esquema para proteger Lula, muitos prédios comerciais no entorno estavam abarrotados de curiosos nas janelas. Um limpador de janelas parou o que estava fazendo na marquise de um prédio ,ao lado do palco, quando Lula começou a discursar...." Aspas para o discurso do Presidente:

"...nós não vamos derrotar apenas os blocos adversários tucanos, nós vamos derrotar alguns jornais e revistas que se comportam como se fossem partido político e não têm coragem de dizer que são partido político e têm candidato...Eu estive lendo algumas revistas que vão sair essa semana, sobretudo uma que eu não sei o nome dela. Parece "óia” ... destila ódio e mentira. Ódio...Tem dia que determinados setores da imprensa brasileira chegam a ser uma vergonha. Se o dono do jornal lesse o seu jornal e o dono da revista lesse a sua revista, eles ficariam com vergonha do que eles estão escrevendo exatamente neste instante. E eles falam em democracia... Nós não precisamos de formadores de opinião. Nós somos a opinião pública...Eles não suportam escrever que a economia brasileira vai crescer 7% este ano, não se conformam é que um metalúrgico vai criar mais emprego que presidentes elitistas que governaram este País.Não tem nada que faça um tucano sofrer mais do que a gente provar que eles têm um bico muito grande para falar e um bico pequeno para fazer..."

CARTA MAIOR

sábado, 18 de setembro de 2010

Nassif: O fim de um ciclo em que a velha mídia foi soberana

Vermelho
www.vermelho.org.br

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18/09/2010
Nassif: O fim de um ciclo em que a velha mídia foi soberana



Dia após dia, episódio após episódio, vem se confirmando o cenário que traçamos aqui desde meados do ano passado: o suicídio do PSDB apostando as fichas em José Serra; a reestruturação partidária pós-eleições; o novo papel de Aécio Neves no cenário político; o pacto espúrio de Serra com a velha mídia, destruindo a oposição e a reputação dos jornais; os riscos para a liberdade de opinião, caso ele fosse eleito; a perda gradativa de influência da velha mídia.

Por Luís Nassif, em seu blog
O provável anúncio da saída de Aécio Neves marca oficialmente o fim do PSDB e da aliança com a velha mídia carioca-paulista que lhe forneceu a hegemonia política de 1994 a 2002 e a hegemonia sobre a oposição no período posterior.

Daqui para frente, o outrora glorioso PSDB, que em outros tempos encarnou a esperança de racionalidade administrativa, de não-sectarismo, será reduzido a uma reedição do velho PRP (Partido Republicano Paulista), encastelado em São Paulo e comandado por um político – Geraldo Alckmin – sem expressão nacional.

Fim de um período odioso

Restarão os ecos da mais odiosa campanha política da moderna história brasileira – um processo que se iniciou cinco anos atrás, com o uso intensivo da injúria, o exercício recorrente do assassinato de reputações, conseguindo suplantar em baixaria e falta de escrúpulos até a campanha de Fernando Collor em 1989.

As quarenta capas de Veja – culminando com a que aparece chutando o presidente – entrarão para a história do anti-jornalismo nacional. Os ataques de parajornalistas a jornalistas, patrocinados por Serra e admitidos por Roberto Civita, marcarão a categoria por décadas, como símbolo do período mais abjeto de uma história que começa gloriosa, com a campanha das diretas, e se encerra melancólica, exibindo um esgoto a céu aberto.

Levará anos para que o rancor seja extirpado da comunidade dos jornalistas, diluindo o envenenamento geral que tomou conta da classe.

A verdadeira história desse desastre ainda levará algum tempo para ser contada, o pacto com diretores da velha mídia, a noite de São Bartolomeu, para afastar os dissidentes, os assassinatos de reputação de jornalistas e políticos, adversários e até aliados, bancados diretamente por Serra, a tentativa de criar dossiês contra Aécio, da mesma maneira que utilizou contra Roseana, Tasso e Paulo Renato.

O general que traiu seu exército

Do cenário político desaparecerá também o DEM, com seus militantes distribuindo-se pelo PMDB e pelo PV.

Encerra-se a carreira de Freire, Jungman, Itagiba, Guerra, Álvaro Dias, Virgilio, Heráclito, Bornhausen, do meu amigo Vellozo Lucas, de Márcio Fortes e tantos outros que apostaram suas fichas em uma liderança destrambelhada e egocêntrica, atuando à sombra das conspirações subterrâneas.

Em todo esse período, Serra pensou apenas nele. Sua campanha foi montada para blindá-lo e à família das informações que virão à tona com o livro do jornalista Amaury Ribeiro Jr e da exposição de suas ligações com Daniel Dantas.

Todos os dias, obsessivamente, preocupou-se em vitimizar a filha e a ele, para que qualquer investigação futura sobre seus negócios possa ser rebatida com o argumento de perseguição política.

A interrupção da entrevista à CNT expôs de maneira didática essa estratégia que vinha sendo cantada há tempos aqui, para explicar uma campanha eleitoral sem pé nem cabeça. Seu argumento para Márcia Peltier foi: ocorreu um desrespeito aos direitos individuais da minha filha; o resto é desculpa para esconder o crime principal.

Para salvar a pele, não vacilou em destruir a oposição, em tentar destruir a estabilidade política, em liquidar com a carreira de seus seguidores mais fiéis.

Mesmo depois que todas as pesquisas qualitativas falavam na perda de votos com o denuncismo exacerbado, mesmo com o clima político tornando-se irrespirável, prosseguiu nessa aventura insana, afundando os aliados a cada nova pesquisa e a cada nova denúncia.

Com isso, expôs de tal maneira a filha, que não será mais possível varrer suas estripulias para debaixo do tapete.

A marcha da história

Os episódios dos últimos dias me lembram a lavagem das escadarias do Senhor do Bonfim. Dejetos, lixo, figuras soturnas, almas penadas, todos sendo varridos pela água abundante e revitalizadora da marcha da história.

Dia após dia, mês após mês, quem tem sensibilidade analítica percebia movimentos tectônicos irresistíveis da história.

Primeiro, o desabrochar de uma nova sociedade de consumo de massas, a ascensão dos novos brasileiros ao mercado de consumo e ao mercado político, o Bolsa Família com seu cartão eletrônico, libertando os eleitores dos currais controlados por coronéis regionais.

Depois, a construção gradativa de uma nova sociedade civil, organizando-se em torno de conselhos municipais, estaduais, ONGs, pontos de cultura, associações, sindicatos, conselhos de secretários, pela periferia e pela Internet, sepultando o velho modelo autárquico de governar sem conversar.

Mesmo debaixo do tiroteio cerrado, a nova opinião pública florescia através da blogosfera.

Foi de extremo simbolismo o episódio com o deputado do interior do Rio Grande do Sul, integrante do baixo clero, que resolveu enfrentar a poderosa Rede Globo.

Durante dias, jornalistas vociferantes investiram contra UM deputado inexpressivo, para puni-lo pelo atrevimento de enfrentar os deuses do Olimpo. Matérias no Jornal Nacional, reportagens em O Globo, ataques pela CBN, parecia o exército dos Estados Unidos se valendo das mais poderosas armas de destruição contra um pequeno povoado perdido.

E o gauchão, dando de ombros: meus eleitores não ligam para essa imprensa. Nem me lembro do seu nome. Mas seu desprezo pela força da velha mídia, sem nenhuma presunção de heroísmo, de fazer história, ainda será reconhecido como o momento mais simbólico dessa nova era.

Os novos tempos

A Rede Record ganhou musculatura, a Bandeirantes nunca teve alinhamento automático com a Globo, a ex-Manchete parece querer erguer-se da irrelevância.

De jornal nacional, com tiragem e influência distribuídas por todos os estados, a Folha foi se tornando mais e mais um jornal paulista, assim como o Estadão. A influência da velha mídia se viu reduzida à rede Globo e à CBN. A Abril se debate, faz das tripas coração para esconder a queda de tiragem da Veja.

A blogosfera foi se organizando de maneira espontânea, para enfrentar a barreira de desinformação, fazendo o contraponto à velha mídia não apenas entre leitores bem informados como também junto à imprensa fora do eixo Rio-São Paulo. O fim do controle das verbas publicitárias pela grande mídia, gradativamente passou a revitalizar a mídia do interior. Em temas nacionais, deixou de existir seu alinhamento automático com a velha mídia.

Em breve, mudanças na Lei Geral das Comunicações abrirão espaço para novos grupos entrarem, impondo finalmente a modernização e o arejamento ao derradeiro setor anacrônico de um país que clama pela modernização.

As ameaças à liberdade de opinião

Dia desses, me perguntaram no Twitter qual a probabilidade da imprensa ser calada pelo próximo governo. Disse que era de 25% - o percentual de votos de Serra. Espero, agora, que caia abaixo dos 20% e que seja ultrapassado pela umidade relativa do ar, para que um vento refrescante e revitalizador venha aliviar a política brasileira e o clima de São Paulo.

Leio poemas



Leio poemas


Rogel Samuel


Leio alguns poemas de Murilo Mendes. Leio quase todo o livro, que encontrei na pousada.
Seleção de L. Picchio, que não concordo.

Debruçado à varanda
Que enxergas no horizonte?

- Órfãos, loucos, aleijados
Em carros tintos de sangue

...............

Vejo a morte graciosa

sim, ela é muito moça,
prepara o vestido novo
para receber a guerra


O poema, sobre a guerra: "Visão lúcida".

A morte graciosa.

A guerra.

MAIS DILMA

Ibope: Dilma amplia vantagem sobre Serra




As recentes denúncias envolvendo a ex-ministra Erenice Guerra, que substituiu a candidata Dilma Rousseff (PT) no comando da Casa Civil, não mudaram a intenção de voto dos eleitores. Pesquisa Ibope encomendada pelo jornal O Estado de S. Paulo e pela Rede Globo, divulgada hoje, mostra que a petista ampliou de 24 para 26 pontos porcentuais sua vantagem sobre seu principal adversário na disputa, o tucano José Serra. Dilma teve 51% das intenções de voto, enquanto o presidenciável do PSDB ficou com 25%.


Na mostra anterior, divulgada no dia 3 de setembro, Dilma tinha também 51%, enquanto o tucano aparecia com 27%. Se as eleições fossem hoje, e levando em conta os votos válidos, Dilma venceria a disputa em primeiro turno. Num eventual cenário de segundo turno, Dilma ganharia de Serra por 56% a 31%.


A candidata do PV, Marina Silva, cresceu de 8% na pesquisa do dia 3 para 11%. Os demais candidatos não chegaram a 1% das intenções de voto. O total de votos brancos e nulos é de 4% e 8% não sabem ou não responderam em quem vão votar.


A pesquisa foi realizada com 3.010 eleitores entre os dias 14 e 16 de setembro. A margem de erro é de dois pontos porcentuais para mais ou para menos. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo de número 30.271/2010.


Governo Lula


O Ibope também avaliou a aprovação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo com a sondagem, avaliaram como ótimo ou bom a gestão federal 79% dos entrevistados, enquanto 16% o consideraram regular e 4%, ruim ou péssimo.





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sexta-feira, 17 de setembro de 2010

SINAL DOS TEMPOS

Vermelho
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17/09/2010
Pesquisa mostra Marco Maciel mais próximo de derrota histórica
Diante da primeira pesquisa de intenção de votos que o põe fora do Senado, o candidato à reeleição Marco Maciel (DEM-PE) optou em apostar em seu histórico como parlamentar e na receptividade de seu nome no estado para rebater os números. "Estou na rua e trabalhando. O eleitorado pernambucano é consciente e politizado", declarou o parlamentar, nesta sexta-feira (17), depois de caminhada no Mercado de São José, no bairro de Santo Antônio, no Recife.
O otimismo de seus depoimento, porém, não tem correspondência com a realidade concreta. Se a eleição fosse hoje, Maciel, um dos mais eminentes caciques do DEM (Ex-PFL e ex-Arena), não estaria eleito. É o que aponta um levantamento realizado pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e divulgado nesta sexta-feira (17) pelo jornal Folha de Pernambuco.

De acordo coma pesquisa, Humberto Costa (PT) aparece na liderança da disputa ao Senado com 40,5% das intenções de votos. Armando Monteiro Neto (PTB) é citado por 34,1% dos eleitores e Marco Maciel obteve 25,4% das intenções de votos. O quarto colocado é o deputado federal Raul Jungmann (PPS), com 10,5%.

A pesquisa da UFPE, registrada no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-PE) sob o número 45200/2010 e coordenada pelo Núcleo de Estudos Eleitorais, Partidários e da Democracia (NEPD), realizou 2.526 entrevistas em 18 microrregiões de Pernambuco, entre os dias 8 e 9 de setembro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais.

Marco Maciel liderava todas as pesquisas no começo da campanha — mas em julho as pesquisas já mostravam um empate técnico com Armando Monteiro Neto. Apesar da queda, o senador do DEM tenta aparentar tranquilidade. "Isso não vai alterar minha conduta. Estou em plena atividade e minha posição nas pesquisas é boa. Aonde vou sou bem recebido, no Recife ou no interior. Quem escolhe é o eleitor, o povo", declarou o Marco Maciel.

Segundo Armando Monteiro Neto, o resultado "estimula" a candidatura, mas ele manterá "os pés no chão" até 3 de outubro. "A pesquisa traduz o que nós já tínhamos identificado — uma curva de crescimento consistente de nossa candidatura e a queda do senador das oposições. Vamos continuar a campanha limpa, sem atacar e agredir ninguém. Nem vamos tomar uma posição triunfalista, de já ganhou."

Todos contra o “demo”

A candidatura à reeleição de Maciel se tornou a principal disputa nesta reta final da eleição de Pernambuco. Com a reeleição do governador Eduardo Campos (PSB) praticamente garantida, segundo os aliados que tomam como base as pesquisas de intenção de votos, o novo norte da campanha da Frente Popular — coligação encabeçada pelo governador — é "tomar" a vaga do cardeal dos “demos” .

Segundo o presidente estadual do PT, Jorge Perez, a estratégia de intensificar as candidaturas de Costa e Monteiro Neto. Temos o desastre da candidatura de Jarbas Vasconcelos (PMDB). Marco Maciel cai no mesmo ritmo. A não-eleição de Marco Maciel proporciona um novo momento político, pois cai o último bastião da política conservadora do DEM. É uma vitória que o estado deve a Lula e a Dilma Rousseff (PT). Estamos dando carga e acredito que essa dívida será quitada", declarou Perez.

Da Redação, com informações do iG

SINAL DOS TEMPOS

Vermelho
www.vermelho.org.br

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17/09/2010
Pesquisa mostra Marco Maciel mais próximo de derrota histórica
Diante da primeira pesquisa de intenção de votos que o põe fora do Senado, o candidato à reeleição Marco Maciel (DEM-PE) optou em apostar em seu histórico como parlamentar e na receptividade de seu nome no estado para rebater os números. "Estou na rua e trabalhando. O eleitorado pernambucano é consciente e politizado", declarou o parlamentar, nesta sexta-feira (17), depois de caminhada no Mercado de São José, no bairro de Santo Antônio, no Recife.
O otimismo de seus depoimento, porém, não tem correspondência com a realidade concreta. Se a eleição fosse hoje, Maciel, um dos mais eminentes caciques do DEM (Ex-PFL e ex-Arena), não estaria eleito. É o que aponta um levantamento realizado pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e divulgado nesta sexta-feira (17) pelo jornal Folha de Pernambuco.

De acordo coma pesquisa, Humberto Costa (PT) aparece na liderança da disputa ao Senado com 40,5% das intenções de votos. Armando Monteiro Neto (PTB) é citado por 34,1% dos eleitores e Marco Maciel obteve 25,4% das intenções de votos. O quarto colocado é o deputado federal Raul Jungmann (PPS), com 10,5%.

A pesquisa da UFPE, registrada no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-PE) sob o número 45200/2010 e coordenada pelo Núcleo de Estudos Eleitorais, Partidários e da Democracia (NEPD), realizou 2.526 entrevistas em 18 microrregiões de Pernambuco, entre os dias 8 e 9 de setembro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais.

Marco Maciel liderava todas as pesquisas no começo da campanha — mas em julho as pesquisas já mostravam um empate técnico com Armando Monteiro Neto. Apesar da queda, o senador do DEM tenta aparentar tranquilidade. "Isso não vai alterar minha conduta. Estou em plena atividade e minha posição nas pesquisas é boa. Aonde vou sou bem recebido, no Recife ou no interior. Quem escolhe é o eleitor, o povo", declarou o Marco Maciel.

Segundo Armando Monteiro Neto, o resultado "estimula" a candidatura, mas ele manterá "os pés no chão" até 3 de outubro. "A pesquisa traduz o que nós já tínhamos identificado — uma curva de crescimento consistente de nossa candidatura e a queda do senador das oposições. Vamos continuar a campanha limpa, sem atacar e agredir ninguém. Nem vamos tomar uma posição triunfalista, de já ganhou."

Todos contra o “demo”

A candidatura à reeleição de Maciel se tornou a principal disputa nesta reta final da eleição de Pernambuco. Com a reeleição do governador Eduardo Campos (PSB) praticamente garantida, segundo os aliados que tomam como base as pesquisas de intenção de votos, o novo norte da campanha da Frente Popular — coligação encabeçada pelo governador — é "tomar" a vaga do cardeal dos “demos” .

Segundo o presidente estadual do PT, Jorge Perez, a estratégia de intensificar as candidaturas de Costa e Monteiro Neto. Temos o desastre da candidatura de Jarbas Vasconcelos (PMDB). Marco Maciel cai no mesmo ritmo. A não-eleição de Marco Maciel proporciona um novo momento político, pois cai o último bastião da política conservadora do DEM. É uma vitória que o estado deve a Lula e a Dilma Rousseff (PT). Estamos dando carga e acredito que essa dívida será quitada", declarou Perez.

Da Redação, com informações do iG

DE LYRIA PALLOMBINI

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

CAIU NO RIDÍCULO

Vermelho
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16/09/2010
"Denúncia" da Folha cai no ridículo após nota do BNDES
A pressa da mídia em fermentar escândalos contra o governo --e, de tabela, atingir a candidatura de Dilma Rousseff-- fez valer o ditado popular que diz que o "apressado come cru". Em nota à imprensa, o BNDES esclareceu o caso que foi manchete da Folha nesta quinta-feira e desmoronou a "denúncia" do jornal. Mais do que isso, expôs a Folha ao ridículo ao demonstrar, de forma simples, que só quem "desconhece totalmente" como funciona o Banco poderia acreditar numa acusação tão estapafúrdia.
Em síntese e traduzindo em termos comuns, o que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) disse à Folha foi o seguinte: é preciso ser muito desinformado ou agir com descarada má-fé para acreditar que uma instituição como o BNDES liberaria R$ 2,25 bilhões (ou R$ 9 bilhões na versão-fantasia da Folha) para uma empresa de pequeno porte só porque ela contratou uma consultoria que "prometeu" ajudar na liberação do dinheiro, sem apresentar projetos, sem agendar reuniões, nem nada.

Mas a Folha de S. Paulo, do alto de sua arrogância e desprezo à inteligência alheia, achou que seus leitores acreditariam na história, tanto que elevou a "denúncia" à condição de manchete principal do jornal. E com um agravante: a única "fonte" da Folha é um "empresário" que passou dez meses na prisão dois anos atrás.


Leia também: PT pede apuração da Polícia Federal sobre acusação ao BNDES
Segundo informações da própria Folha, o acusador Rubnei Quícoli já foi condenado duas vezes em São Paulo (por interceptação de carga roubada e por posse de moeda falsificada). E em 2007 passou dez meses preso. O fato de antecipar as denúncias sobre sua fonte não absolve o jornal. Pelo contrário, é agravante. Quando uma pessoa com tal currículo faz uma denúncia, é praxe de qualquer jornalismo sério ouvir as denúncias e exigir a apresentação de provas. Mas a Folha achou que o "acusador" era idôneo o suficiente para atacar o governo.

A única prova que o tal consultor apresenta é um email marcando audiência na Casa Civil e que tem o nome de Vinicius Oliveira no C/C (com cópia). Ou seja, a Folha sustentou uma denúncia que envolve cifras da ordem de "bilhões" de reais com base numa troca de e-mails.

Segundo a "denúncia" do jornal, a emprea EDRB do Brasil Ltda. teria sido instada a "pagar propina" para os sócios da empresa Capital Consultoria --entre eles o filho da agora ex-ministra Erenice Guerra, Israel Guerra-- para tentar viabilizar o empréstimo de "R$ 9 bilhões" junto ao BNDES para a construção de um "projeto de energia solar".

Para pedidos dessa ordem, em geral os pretendentes a financiamento procuram dirigentes do banco e fazem uma exposição do projeto, assim como de sua empresa e do que pretende fazer. No entanto, esse pedido foi simplesmente deixado no protocolo do banco, na portaria da sede. Não houve o comparecimento de diretores da tal empresa. E não havia a menor possibilidade do projeto ser aprovado. O porte da empresa era incompatível com o financiamento pretendido. Sequer se tinha o local onde deveria ser instalado o tal empreendimento.

Veja abaixo o comunicado do BNDES que colocou o "jornalismo" da Folha de S. Paulo na lata do lixo:


Em função de reportagem publicada na edição desta quinta-feira, 16 de setembro, do jornal Folha de S. Paulo, o BNDES vem a público declarar que:

Repudiamos a insinuação de que o Banco poderia estar envolvido em um suposto esquema de favorecimento para a obtenção de empréstimos junto à instituição e consideramos que a tese demonstra um total desconhecimento quanto ao funcionamento do BNDES. O projeto em questão foi rejeitado pelo Comitê de Enquadramento e Crédito do BNDES, órgão interno do Banco, formado por seus superintendentes. A aprovação por esse colegiado é condição básica e necessária para que qualquer pedido de apoio financeiro seja encaminhado para análise.

Na reunião semanal do Comitê ocorrida em 29 de março deste ano — e na qual o projeto em questão foi apenas um dos itens discutidos —, o pedido foi negado. A decisão foi tomada pelos 14 superintendentes presentes à reunião, todos funcionários de carreira da instituição.

O projeto da EDRB foi encaminhado ao BNDES por meio de carta-consulta, solicitando R$ 2,25 bilhões (e não R$ 9 bilhões como afirma a reportagem) para a construção de um parque de energia solar. O BNDES considerou que o montante solicitado era incompatível com o porte da referida empresa. Além disso, a companhia não apresentou garantias e não havia local definido para a instalação do empreendimento (essencial para o licenciamento ambiental), não atendendo, portanto, a pré-requisitos básicos para a concessão do crédito.

Qualquer aprovação de financiamento pelo BNDES passa por um processo de análise que envolve mais de 30 técnicos de carreira da instituição, além da consulta à Diretoria do Banco. Esse rigor técnico tem como consequência um índice de inadimplência de 0,2%, muito inferior à média do sistema financeiro brasileiro, público e privado.


Da redação, Cláudio Gonzalez,
com informações do Blog do Nassif



A QUEDA DE ERENICE GUERRA E 'O CONSULTOR' DE HONESTIDADE DA FOLHA

Ladrão de carga e passador de dinheiro falso que cumpriu pena de 10 meses de prisão 'sustenta' manchete garrafal contra o governo

Depois de estampar manchete de seis colunas na primeira página e gastar cinco ou seis páginas para recriar um clima de ‘mar de lama’ lacerdista contra o governo Lula, o jornal Folha de SP usou exatamente 170 palavras, uma parcimoniosa coluna de canto, para informar aos leitores o perfil de sua referência de honestidade e indignação: o consultor Rubnei Quícoli, cujo prontuário, generoso, inclui 'negócios' no ramo de roubo de carga, falsificação de dinheiro e coação, interrompidos, momentaneamente, por 10 meses de prisão.

A INSUSPEITA FONTE DE UM INSUSPEITO JORNALISMO
O consultor Rubnei Quícoli, representante da empresa que tentava obter o financiamento no BNDES por meio da empresa de lobby Capital, foi condenado em processos movidos pela Justiça de São Paulo sob duas acusações: receptação e coação....Quícoli foi denunciado, em maio de 2003, por ocultar "em proveito próprio e alheio" uma carga de 10 toneladas de condimentos, que "sabia ser produto de crime de roubo". Em 2000, após denúncia anônima, o consultor foi acusado de receptação de moeda falsa num posto de gasolina em Campinas. A polícia apreendeu no posto sete notas de R$ 50,00. Quícoli afirmou não saber a procedência... Em 2007, Quícoli foi preso e passou cerca de dez meses na prisão...

INFORMAÇÃO, MANIPULAÇÃO E INTERESSE PÚBLICO>
Carta Maior defende a investigação transparente, rigorosa e corajosa de qualquer denúncia que envolva o interesse público. A tônica do denuncismo udenista perde legitimidade quando se revela um mero dispositivo eleitoral da coalizão demotucana. Aspas para a coluna de Inês Nassif, no Valor desta 5º feira:

(...) O PSDB, que catalisou a oposição a Lula, e o DEM, com o qual é mais identificado, terceirizaram a ação partidária para uma mídia excessivamente simpática a um projeto que, mais do que de classes, é antipetista. Todo trabalho de organização partidária, de formulação ideológica e de articulação orgânica foi substituído por uma única estratégia de cooptação, a propaganda política assumida pelos meios de comunicação tradicionais. A vanguarda oposicionista tem sido a mídia. [...]Os partidos de oposição e a mídia falam um para o outro. Pouco têm agregado em apoio popular, que significaria voto na urna e, portanto, vitória eleitoral. A ideia de propaganda política via mídia [...] tornou-se a única ação efetiva da oposição brasileira, exercida, porém, de fora dos partidos. Teoricamente, a mídia tradicional brasileira não é partidária. Na prática, exerce essa função no hiato deixado pela deficiente organização dos partidos que hoje estão na oposição ao presidente Lula..." (Carta Maior, recuerdos: 3º feira, no Rio, Monica Serra fazia campanha contra Dilma dizendo,aspas: Ela é a favor de matar as criancinhas...;16-09)

Vamos voltar ao verão


Vamos voltar ao verão


Rogel Samuel


Calor máximo, em Tiradentes. Sol aberto e belo. Caminhamos até o Rio das Mortes, o rio
da guerra dos Emboabas. Dizem que jogavam os cadáveres no rio. Fomos ao Bichinho, um vilarejo
belo, onde fica a Oficina de Agosto. Almoçamos no restaurante de sempre, comida mineira,
servida em grandes panelas de barro. Frio à noite. Noite feliz.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Acenda uma luz neste vácuo


Acenda uma luz neste vácuo


Rogel Samuel


Estou em Tiradentes. Depois de 5 horas de viagem estou semi-morto. Durmo. Me recupero.
Estou vivo. No quarto da pousada, a luz é pouca. O silêncio concreto, de vácuo. A Internet muito lenda. Paz.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Ibope Amazonas: Vanessa está 5 pontos acima de Arthur Virgílio


Vermelho
www.vermelho.org.br

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13/09/2010


Ibope Amazonas: Vanessa está 5 pontos acima de Arthur Virgílio



Nova pesquisa Ibope, encomendada pela Rede Amazônica, divulgada nesta segunda-feira (13), mostra a candidata ao Senado pela coligação “Avança Amazonas”, deputada federal Vanessa Grazziotin (PCdoB), com 39% das intenções de voto contra 34% do tucano Arthur Virgílio Neto. Ambos disputam a segunda vaga do Estado no Senado. Na liderança isolada, está o ex-governador Eduardo Braga (PMDB), com 80%. Jefferson Praia (PDT) está em quarto lugar, com 9%. Indecisos somam 12% e Brancos e Nulos 2%.
Pelos números da sondagem anterior do mesmo instituto, divulgada no dia 31 de agosto, Vanessa cresceu 7 pontos e o seu adversário direto caiu 15.

Essa é novidade no processo eleitoral amazonense. É que pela primeira vez a candidata aparece descolada do tucano. No mês passado, dois institutos locais de pesquisa (Action e Perspectiva) davam empate técnico entre os dois.

A campanha de Vanessa ganhou há duas semanas um apoio de peso na propaganda eleitoral da TV. Ela foi a única a receber no palanque eletrônico a presidenciável Dilma Rousseff pedindo voto para a sua candidatura (veja aqui).

Campanha conjunta

Nessa nova fase da propaganda, Eduardo Braga e Vanessa entraram no horário eleitoral em um único programa. Os dois argumentam que o Amazonas precisa estar forte no Senado com representantes afinados com Dilma.

A candidata recebeu o resultado com cautela. Disse que o importante agora é manter o trabalho de corpo a corpo que vem fazendo pelo Estado, sobretudo na capital, onde pretende intensificar a campanha. Ela já viajou quase a totalidade dos municípios.

Na disputa ao governo, Omar Aziz (PMN) lidera com 53% contra 32% de Alfredo Nascimento (PR). Com base na última pesquisa, Omar saiu de 54% para 53% e Alfredo caiu de 38% para 32%. Se as eleições fossem hoje, o candidato do PMN venceria no primeiro turno.

Para a Presidência, Dilma Rousseff (PT) teria 77% dos votos dos amazonenses. O tucano José Serra alcançou apenas 10% na pesquisa e Marina Silva (PV) 8%. Os outros candidatos chegaram a 1%. Brancos e nulos são 1% e indecisos 3%.

A pesquisa ouviu 812 pessoas entre 10 a 12 de setembro e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número 23.718/2010 e no Tribunal Regional Eleitoral (TRE/AM) sob número 26976/2010. A margem de erro, que é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos.


De Manaus,
Iram Alfaia

Padre dá surra em prefeito de Boa Vista do Ramos


Padre dá surra em prefeito de Boa Vista do Ramos




O padre Marcilio Moutinho “rodou a baiana” hoje, ao dar uma surra em praça pública, no prefeito de Boa Vista do Ramos, Elmir Lima Mota, com uma correia de motor de uma embarcação.

O religioso afirma que foi chamado de gay pelo prefeito. Em meio a discussão, o padre criticou a administração municipal, tendo o prefeito reagido questionando a sexualidade do vigário.

O rififi começou por causa do barco do Programa de Atendimento ao Interior – PAI, que na opinião do padre Marcílio, não estava atendendo as pessoas que aguardavam na fila, em meio ao sol quente da manhã desta sexta-feira.

O padre alega que cobrou do prefeito um tratamento mais digno às pessoas. O prefeito reagiu chamando-o de gay. Irritado, o religioso pegou uma corda emborrachada que estava num barco e deu umas boas lambadas no alcáide.

O caso foi parar na polícia.

O estado diferente


O estado diferente

Rogel Samuel

“A manchete da primeira página da Folha no domingo é uma exibição de contorcionismo para implicar a candidata do PT – "Filho do braço direito de Dilma atua como lobista", disse Alberto Dines, no Observatório da imprensa.

Nem é contorcionismo, é palhaçada, é hilário. Primeiro porque filho não sai do braço, a não ser na Grécia antiga, quando Venus saiu da coxa do pai.
Interessante é que mesmo Marina e Plínio se transformam em forças auxiliares da Folha, da Veja.

No debate tudo foi dito, menos o necessário. Mas Dilma, como Lula, quanto mais atacada mais sobe nas pesquisas.

Por quê?

Pergunte ao povão pobre.

Em São Paulo não há muito problema de emprego. É onde a grande indústria nasce. Estado rico, muito rico.

Talvez por isso as coisas ali sejam diferentes.

O livro secreto








O livro secreto

Rogel Samuel


Quase frio. A tarde fria, úmida. Sem sol. Paira uma tristeza no ar. Sinto falta de um gole de café, viciado que sou. Quantos cafés tomo por dia? Li uma página de Montello sobre o Diário secreto de Humberto de Campos. Montello diz que ali estão algumas das mais belas páginas de Humberto de Campos. E das mais sofridas. Montello diz que não fala mal de ninguém em seus diários. São imensos volumes. Li dois deles. “O silêncio é também uma sentença”, conclui. Ascendino Leite relata a sua dificuldade de achar uma editora. Teve de pagar seus próprios livros, na maioria das vezes. A Itatiaia o publicou. Pedro Paulo, da Itatiaia, publicou muitos belos livros que não venderam. Encalhe enorme, que não preocupava Pedro Paulo: “Acabam vendendo”, dizia ele. Não fazia liquidação de seus livros. Editava com amor. Tinha mais de 5 mil títulos no catálogo.

domingo, 12 de setembro de 2010

Rios secam. Manaus pode ficar sem combustível


Rios secam. Manaus pode ficar sem combustível

(FOTO ALBERTO CESARARAUJO)



Cerca de 20 cidades do Amazonas já enfrentam dificuldades de abastecimento e locomoção. Cinco municípios às margens do Rio Juruá, que nasce no Peru, estão isolados. O transporte de combustível pelo rio Madeira está ameaçado e pode provocar o desabastecimento do produto na Refinaria de Manaus, com impacto na sua distribuição nos postos da cidade.

De acordo com a Marinha do Brasil, o Rio Amazonas já não tem profundidade para que balsas com mercadorias e combustível cheguem até as cidades. A Defesa Civil já declarou situação de atenção em 16 municípios e situação de alerta - etapa imediatamente anterior à situação de emergência - em outros nove. Veja a situação dos principais rios da região:

- Em Eirunepé, nível d’água 1,37m acima da seca registrada em 1995.

- Em Gavião, nível d’água 2,14m acima da vazantes de 2005.

Bacia do Purus

- Níveis d’água muito baixos nas duas estações monitoradas.

- Em Rio Branco (AC), o nível do rio Acre está apenas 23 cm acima da r vazante de 2005.

- Em Boca do Acre, no Rio Purus, nível d’água só 55 cm acima da vazante máxima, de 1998.

Bacia do Japurá

- Nível d’água em 2,19 m abaixo do nível registrado em 2009.

Bacia do Rio Negro

- Níveis normais para o período.

Solimões e Amazonas

- Níveis abaixo das vazantes máximas em todas as estações.

- Exceção é Tabatinga: nível atual 74 cm acima da vazante, de 2005.

Bacia do Madeira

- Em Humaitá, nível em 72 cm acima da vazante de 1969.

- Em Porto Velho, nível d’água 98 cm acima da vazante máxima de 2005.

Bacia do Javari

- O nível d’água atual está 4,57 m mais baixo que o registrado em 2009.

Fonte: Agência Nacional de Águas (ANA). (Diário do Pará)

Almino Afonso e Hemetério Caminha










Almino Afonso e Hemetério Caminha

Rogel Samuel

Vi Almino Afonso uma única vez na vida.

Eu devia ter 16, 17 anos de idade e era, na época, repórter de “A crítica”.

Aquele jornal ficava na Saldanha Marinho, e tinha cerca de dois andares. No andar de baixo, térreo, ficavam as impressoras, linotipos. No primeiro andar, ficava a redação e a sala da diretoria. Tudo era uma só área: aos fundos era a redação, onde eu trabalhava. Meu chefe se chamava, se não me engano, Gutemberg Omena, um rapaz bem vestido, elegante, mas muito exigente. Na frente, com janelas para a rua, ficava a mesa do diretor, o Calderaro, onde ele se reunia com os visitantes ilustres.

Foi ali que vi Almino Afonso.

Ali também conheci o excelente poeta Hemetério Caminha. Recitando Castro Alvez:

Era um sonho dantesco... o tombadilho
Que das luzernas avermelha o brilho.
Em sangue a se banhar.
Tinir de ferros... estalar de açoite...
Legiões de homens negros como a noite,
Horrendos a dançar...

Negras mulheres, suspendendo às tetas
Magras crianças, cujas bocas pretas
Rega o sangue das mães:
Outras moças, mas nuas e espantadas,
No turbilhão de espectros arrastadas,
Em ânsia e mágoa vãs!

Ele tinha o timbre de ator shakespeariano, a densidade, a eloqüência, a voz voltada para o alto, o sublime, o dramático voar.