domingo, 30 de junho de 2013

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sábado, 29 de junho de 2013

O CORAÇÃO DAS TREVAS

O CORAÇÃO DAS TREVAS
 
ROGEL SAMUEL
 
Em «O coração das trevas», de Conrad, há uma extraordinária cena em que um navio de guerra francês bombardeia a costa africana. Nada havia lá, no continente africano: «não havia uma única choça à vista, e no entanto o navio estava bombardeando o litoral». Na realidade, estava o navio bombardeando a África!
O CORAÇÃO DAS TREVASEm «O coração das trevas», de Conrad, há uma extraordinária cena em que um navio de guerra francês bombardeia a costa africana.

Nada havia lá, no continente africano: «não havia uma única choça à vista, e no entanto o navio estava bombardeando o litoral».

Na realidade, estava o navio bombardeando a África!

  O espetáculo desta sinistra e singular cena reside no fato de um país europeu rico, de um país do primeiro mundo, militarmente poderoso, estar ali, descarregando seus «longos canhões de seis polegadas», sobre o solo africano.

  Isso me lembra que meu falecido pai contava que, do alto de seus navios ao longo do Rio Amazonas, os ingleses se exercitavam no tiro ao alvo matando os jacarés ao sol sobre as praias.

  Ou pior ainda: Num dos inúmeros livros que pesquisei, para escrever meu «O amante das amazonas» (Belo Horizonte, Editora Itatiaia, 2005) deparei com a horrorosa descrição de um grupo de senhores europeus disparando suas Winchesters sobre as crianças, indiozinhos que tinham vindo à margem do rio curiosos à passagem do grande e belo navio, «destampando as cabecinhas a tiros»!

  Mas em «Heart of darkness» de Joseph Conrad o poderoso vaso de guerra tinha ancorado perto da costa e «ali estava ele, incompreensivelmente, em meio àquela imensa e vazia extensão de água, céu e terra, dando tiros para o continente».

«Heart of darkness» inspirou um dos melhores filmes de Francis Ford Coppola, «Apocalypse now».

Gosto tanto deste filme que o possuo em VHS, revendo-o periodicamente. Nele inclusive há uma das melhores aparições de Marlon Brando, interpretando o Coronel Kurtz. O som, a fotografia e o ator coadjuvante Robert Duvall ganharam Oscar. O filme recebeu a Palma de Ouro do Festival de Cannes.

Sou herdeiro da guerra do Vietnã. Explico-me melhor: passei a juventude lendo, diariamente, pelo Correio da Manhã, as notícias da guerra. Além dos comentários de Otto Maria Carpeaux a respeito.

Tenho até, na gaveta, esquecida entre os escritos esquecidos, uma novela cujo pano de fundo é aquela guerra e mais a nossa guerra intestina, a nossa ditadura militar.

* * *

É o que nos lembra os ataques diários ao Governo e ao PT por parte da grande mídia no último mês.

«Bum, fazia um dos canhões de seis polegadas, e uma chamazinha brilhava rápida e se extinguia, uma fumacinha branca se desvanecia no ar, um minúsculo projétil silvava debilmente... e nada acontecia».

Aquelas balas não poderiam pulverizar todo o continente africano, mas o estavam castigando!

O inimigo era a própria existência da África.

O espetáculo sinistro, entretanto, revela uma coisa: hoje a África está destruída.

LIVRO DE GRAÇA NA PRAÇA


sexta-feira, 28 de junho de 2013

O significado das Eleições

O significado das Eleições
 
ROGEL SAMUEL
 
A minha geração toda acredita na Democracia como o único sistema político, na soberania popular, na distribuição eqüitativa do poder e da renda, no governo que nasce do povo, do voto, da liberdade do ato eleitoral, na divisão dos poderes, no controle do poder pelo povo.
Somos uma geração que acredita nos políticos e não no que a imprensa diz sobre eles. Na realidade éramos quase todos socialistas, íamos aos comícios, fazíamos a história.
Lembro-me da turma que ficava na saída da Central do Brasil distribuindo panfletos, e dos candidatos que subiam num caixote para falar.
Depois ficamos 20 anos sem poder votar e sem comícios.
Hoje, a Internet é nossa ação política. Amanhã será o celular.
A eleição do Obama se decidiu, não na Internet, mas no celular. Minha amiga X., que morava em Los Angeles, brasileira que não vota, passou dias ao celular ligando para as pessoas para que elas saíssem de casa para votar no Obama.
Houve uma mobilização nacional.
Grande orador, Obama espelhava o desejo do cidadão e cidadã, dos negros e latinos, dos brancos esclarecidos.
A pior coisa para uma nação é não acreditar nos políticos. E também acreditar.
Por isso a Democracia.
A Democracia explicita quem é quem, quem governa para quem.
Getulio, apesar de suas contradições, só pôde ficar tanto tempo no poder, porque governava para os pobres.
Getúlio era a CLT, a consolidação das leis trabalhistas.
Quando falava, falava para os pobres, para os trabalhadores.
Aquele vocativo: “Trabalhadores do Brasil!” – não era uma simples figura de retórica.
Foi um Ditador? Sim, claro, mas naquela época todos eram: Perón, Stalin, Hitler, Salazar, Mussolini. Os americanos aparentemente não eram, mas eram os ditadores do capital.
A vida dá muitas voltas. Reis caem em desgraça e mendigos se tornam reis.
Mas isso só é possível na Democracia.
Por isso, todos que acreditam que “todo político é corrupto” comete um crime, um grave crime: o de pensar desse modo.
A política não é coisa suja. A política determina a nossa própria vida.
A nossa vida não é coisa suja, a nossa vida não é corrupta.
E o Brasil real não é o que aparece na TV, no noticiário da TV, no noticiário policial.
Eu, você, nossos filhos, nossos pais, não somos aquilo!
Quando votamos, é o nosso sangue que estamos colocando na urna eletrônica.
E principalmente dos nossos filhos e netos, pois um país só muda devagar, através do nosso voto.
Todos que falam mal do Congresso cometem o crime maior: apunhalam a nossa mãe, ferem e tentam matar a Democracia. A nossa mãe.
Somos filhos da Democracia.
 

quinta-feira, 27 de junho de 2013

O manuscrito excluído

O manuscrito excluído
 
ROGEL SAMUEL
 
Céleste Albaret conta que Gide não apenas recusou o manuscrito de “No caminho de Swann” de Proust. Gide nem mesmo abriu o pacote. Para ele, Proust era apenas um “dândi socialite”.
Gide desculpou-se depois e afirmou o contrário, que leu etc. Mas Céleste conta que o nó do barbante que amarrava o pacote voltou como foi, e ninguém sabia dar aquele nó como o secretário de Proust da época. O nó estava lá, e no mesmo lugar.
Gide trabalhava para a NRF – Nouvelle Revue Française – de onde saiu a Editora Gallimard (Gaston Gallimar era na época um jovem rico). Quando o Príncipe Antoine, amigo de Proust, foi ver André Gide, na Editora da NRF, Gide desceu de sua sala para recebê-lo e disse:
- Nossa editora publica obras sérias. Está fora de cogitação poder editar uma coisa como essa, que é a literatura de um dândi da alta sociedade.
E devolveu o manuscrito de “No caminho de Swann” a Antoine Bibesco.
E na mesma época a Editora Fasquelle também recusou a mesma obra, com uma carta.
Gide fez mea culpa, e até citou num erro de francês do escritor (“as vértebras da fronte” da tia Léonie).
Mas Proust repetia sempre:
- Céleste, jamais abriram meu pacote na NRF, posso-lhe assegurar.
Céleste foi a governanta do escritor nos últimos 8 anos de vida, e sua confidente. Ela conheceu Gide e disse que ele parecia “falso” (“um falso monge”). Disse que a Senhora Gide era “uma camponesa” (pensou que era sua empregada).
Gide já conhecia Proust dos salões elegantes de Paris. Sempre achou que ele era um “dândi socialite”.
Proust vingou-se cruelmente, pois seu primeiro livro depois de publicado logo fez um imenso sucesso. O editor foi o jovem Bernard Grasset. Proust pagou a edição.
Com o sucesso do livro, todos na NRF ficaram furiosos com Gide e logo tentaram recuperar a obra. Mas Proust ria-se, vingado. Recusava-se até a receber os emissários da NRF, que vinham com súplicas verdadeiras.
Mas Proust acabou publicando o segundo livro na NRF. Mas esses editores quase se arrastaram a seus pés.
Um dia, Proust mandou Céleste chamar André Gide para anuncia sua decisão. Gide veio imediatamente. Quando Gide chegou, a governanta o anunciou para Proust:
- O falso monge está aqui.
E retirou-se.
Proust recebeu-o deitado em sua cama, pois vivia doente e de lá quase nunca saía. Céleste se retirou, silenciosa como sempre.
Um pouco depois, Proust a chamou, através da campainha que usava. Gide ainda estava no quarto, a capa caída ao longo do corpo, a cabeça inclinada para o lado, e dizia:
- Sim Senhor Proust... sim, eu lhe confesso. Foi o maior erro que cometi na minha vida.
Falavam do manuscrito.
E mais. Quando saíram os outros livros de Proust, a vendagem tirou a NRF do vermelho.
Mas ele nunca mais recebeu Gide, ainda que este diga o contrário.
 
Um dia, tempos depois, Proust recebeu uma carta de Gide, recomendando um jovem, e pedindo que fizesse alguma coisa por ele.
Proust, que era muito rico, leu o resumo para ela e jogou a carta no lixo. “Eu não me ocupo disso”, disse ele.
E depois de um silêncio, falou para ela:
- Veja você, minha querida Céleste, em minha opinião, um dia se perceberá que André Gide é um homem que terá feito o maior mal, um grande mal, moralmente, à nossa juventude.
Céleste sabia da homossexualidade dos dois escritores, mas nunca se referiu diretamente ao assunto no seu livro. E defendeu o seu ex-patrão até o fim.
- Eu não sou um “Imoralista”, afirmou Proust.

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quarta-feira, 26 de junho de 2013

ÍNDIOS


A SENHORA MOON JANTA COM KAFKA


A SENHORA MOON JANTA COM KAFKA

ROGEL SAMUEL

Escreveu Derrida: “a mulher não existe”.
Assim, a mulher estava presa desde 1987. Mas ninguém soube explicar por quê. Talvez pelo fato de ser mulher.
Depois de 15 anos de prisão, foi mandada para um centro de desabrigados. Numa província próxima.
Na realidade, se chamava Jaeyaena Beuraheng, era malaia, muçulmana.
A muçulmana tinha saído de casa há 25 anos, de Narathiwat, uma das três províncias de maioria muçulmana, no extremo sul da Tailândia budista.
Mas Jaeyaena Beuraheng pegou o ônibus errado, 25 anos atrás, e se perdeu. Não sabia ler nem escrever. Muito menos em tai.
Tentando voltar para casa, sua tragédia piorou, pois Jaeyaena Beuraheng tomou o ônibus pensando que ele se dirigia para o sul, para sua casa, quando na verdade a viatura ia para o Norte, para Chiang Mai, a mais de 700 km, no Norte.
Jaeyaena Beuraheng acabou a 1.200 km ao Norte de sua casa, que ficava em Bangcoc.
* * *
Jaeyaena Beuraheng passou a se sustentar durante cinco anos pedindo esmola.
Depois, foi presa pela polícia. Por quê? Por que era analfabeta, pobre, estava indefesa.
Mandada para um centro de desabrigados, "foi só quando alguns estudantes vestidos de muçulmanos a visitaram que ela começou a conversar com eles e então nós percebemos que ela não era muda", disse o diretor do centro, Jintana Satjang, à Agência Reuters.
Eram três estudantes de Narathiwat, que foram trabalhar no centro. Falaram com ela. Ouviram sua voz, a história trágica.
Vinte e cinco anos depois ela reencontrou seus oito filhos.
Os filhos tinham sido informados que ela havia sido atropelada por um trem.
Ela já tinha 76 anos.
Jaeyaena Beuraheng era conhecida como "Senhora Moon", porque seus suspiros soavam como moon, uma língua tribal do país vizinho, Miamar.
* * *
A crítica feminista anglo-americana, assim como toda a investigação feminista, procura expor os mecanismos sobre os quais a sociedade patriarcal domina e pelos qual é mantido o objetivo de transformar as relações sociais.
O objeto da crítica feminista é fundamentalmente político.
Por isso as feministas defendem a atividade de transformar a sociedade, porque acreditam que a sociedade patriarcal está a serviço dos interesses dos homens sobre os das mulheres.
O objeto das feministas é o modo de como a sociedade patriarcal oprime.
A psicanalista Luce Irigaray avançou com a crítica feminista sob a influência de Freud e de Lacan, situando o discurso psicanalítico em geral dentro do contexto maior do pensamento Ocidental.
Como Kristeva, ela vê o mito humanista do ego unificado como fundamentado na ideologia do falocentrismo de um criador masculino potente e sem igual.
Mas a preocupação central de Irigaray é a construção e imagem da mulher feita pela imaginação masculina que informa a tradição filosófica inteira.
Ela se refere ao texto de Derrida de que as metafísicas ocidentais excluíram mulher-como-conceito; e se apropria da formulação de Lacan sobre a dinâmica da ausência:
Como Jaeyaena Beuraheng, a mulher "não existe".
Em Speculum, de 1974, Irigaray vê como os pensadores masculinos desde Platão fizeram da mulher um ser passivo por suas elaborações da "lógica do mesmo": nas suas especulações filosóficas, o sujeito reflete somente a si próprio, e tudo aquilo que é diferente dele é o "negativo", ou "inconcebível".
A metáfora do espelho sugere o problema da invisibilidade da imediatez da sexualidade feminina no pensamento ocidental. O pensamento "masculino" contempla o que objetivou na mulher, e a questão da representação do discurso e da escrita como pura reflexão do lugar ou imitação do discurso de si mesmo.
Mas no mundo oriental existe a senhora Moon.
Isto foi notícia em fevereiro deste ano. Mas ninguém viu que ela era mulher. E muçulmana. E só falava yawi, um dialeto do sul da Tailândia.
Parodiando Derrida, esta mulher não existe. Só nos livros de Kafka.

LIVRO SOBRE ESTILO DE MICHAEL JACKSON GANHA PRÊMIO

 

Livro sobre estilo de Michael Jackson ganha prêmio

"The King of Style: Dressing Michael Jackson", de Michael Bush, estilista e assistente pessoal do cantor por 25 anos, recebeu medalha de ouro na categoria cultura pop/estilo de vida

Reuters |                              
Um livro sobre o estilo do cantor Michael Jackson, escrito por quem foi seu estilista e assistente pessoal durante 25 anos, ganhou uma medalha de ouro no Prêmio de Editoras de Livros Independentes, disseram os responsáveis nesta segunda-feira (24).



Michael Jackson na época do Jackson 5. Foto: Divulgação
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"The King of Style: Dressing Michael Jackson" ("O rei do estilo: vestindo Michael Jackson"), de Michael Bush, recebeu o prêmio principal na categoria cultura pop/estilo de vida.
Bush se disse "mais do que emocionado" com o prêmio, que segundo ele reconhece não só a memória do cantor como também "seu jeito ímpar e incrível de influenciar a moda até o dia de hoje".
O livro mostra o astro nos bastidores e acompanha a evolução do seu estilo desde a infância até sua morte, em 2009, passando pelos trajes militares, as luvas reluzentes, os chapéus de feltro e os intrincados adereços com contas.
           
Os organizadores do prêmio, criado em 1996 para reconhecer autores e editoras independentes, disseram que houve 3.650 inscrições nas categorias para norte-americanos.
Jim Barnes, diretor do prêmio, salientou o fato de que 29 medalhistas deste ano eram de editoras universitárias, e nove de museus.