quinta-feira, 30 de junho de 2011

POSSE NA ACADEMIA DE CLEONICE BERARDINELLI

PREMIO NACIONAL


MANAUS - Cenas do cotidiano amazônico servem de inspiração para a composição das fotografias artísticas de Jimmy Christian, que venceu o 8º Salão Nacional de Fotografia ‘Pérsio Galembeck’, realizado em Araras (SP).
Com tema ‘Retratos’, o concurso irá premiar o fotógrafo amazonense pela imagem em preto e branco ‘Sem Cabeça’, produzida em 2004, no município de Boca do Acre. A premiação irá ocorrer no dia 9 de julho, no Centro Cultural Leny de Oliveira Zurita, em São Paulo.

“Recebi a notícia por telefone na manhã de terça-feira (28) que eu havia sido escolhido como grande campeão”, contou, acrescentando que o concurso reuniu 810 trabalhos de artistas de 92 cidades e 19 Estados brasileiros.

Jimmy concorreu com três fotos. As imagens selecionadas e muitas outras foram feitas também por um cientista social com olhar treinado, que enxerga e capta as peculiaridades da região. “Quando fiz ‘Sem Cabeça’ era aluno do curso de Ciências Sociais da Ufam e fotojornalista, o que me possibilitava viajar pelo interior do Estado e fazer essas imagens mais plásticas, artísticas”, comentou. As fotografias serviram, inclusive, como trabalho de conclusão de curso de Jimmy, que ganhou, também, exposição própria, a ‘Beiradão Urbano’, no Palácio da Justiça, no ano passado, por meio do Programa de Apoio às Artes (Proarte).

Nasce um fotógrafo

Com a primeira máquina fotográfica, Jimmy começou a fotografar como amador no final da década de 90. No início tendo Sebastião Salgado ‘espelho’, o Christian hoje trabalha com o conceito moderno de ‘Fine Art’. “É um estilo em voga, que garante a arte final, um produto acabado que é impresso, emoldurado e vendido para ser exposto como objeto de decoração”, explicou. Usando técnicas clássicas ou novas, o fotógrafo segue eternizando pessoas e cenários do Amazonas e mais uma vez é reverenciado com um prêmio artístico.

ARTISTA UCRANIANA

Arte de rua


Arte de rua

Artistas de rua trabalham na fachada de um edifício em Brooklyn, Nova Iorque, nos Estados Unidos. Fotografia: Lucas Jackson/Reuters

Festa no palácio


Festa no palácio

A rainha Isabel II e o príncipe Filipe, duque de Edimburgo, à entrada do Palácio de Buckingham, onde nos jardins decorreu a festa anual de Verão. Fotografia: Matt Dunham/Reuters

Mais de 20 mil pessoas participaram da procissão de São Pedro em Manaus


Mais de 20 mil pessoas participaram da procissão de São Pedro em Manaus

Às 15h30 foi o início do cortejo fluvial que reuniu cerca de 80 barcos que acompanharam a imagem de São Pedro até o porto da Panair, na zona Sul de Manaus


Cerca de 80 barcos acompanharam a procissão de São Pedro, na tarde desta quarta-feira
Cerca de 80 barcos acompanharam a procissão de São Pedro, na tarde desta quarta-feira

Cerca de 80 barcos acompanharam a procissão de São Pedro, na tarde desta quarta-feira
FOTO: Bruno Kelly/Acrítica


Cerca de 80 embarcações acompanharam a imagem do Santo até o porto da Panair

Cerca de 80 embarcações acompanharam a imagem do Santo até o porto da Panair (Bruno Kelly)

Mais de 20 mil pessoas participaram da procissão fluvial em homenagem ao padroeiro São Pedro que aconteceu nesta tarde de quarta-feira (29), em Manaus.

O início da procissão começou com percurso terrestre, com saída às 15h da Catedral Nossa Senhora da Conceição, em direção à Manaus Moderna. O percurso seguiu pela rua Marquês de Santa Cruz, descendo ao lado do mercado Adolpho Lisboa, com embarque na balsa do A Jato.

Às 15h30 foi o início do cortejo fluvial que reuniu cerca de 80 barcos que acompanharam a imagem de São Pedro até o porto da Panair, na zona Sul de Manaus. O trajeto durou duas horas. Durante percurso houve uma salva de fogos com terços comunitários e cantos em homenagem ao santo dos pescadores.

Às 18h, iniciou a celebração da missa campal em homenagem a São Pedro no Centro Cultural Zulândio, conhecido como Currão do Boi Garanhão, no bairro do Educandos

Com informações de Ana Célia e Camila Baranda

Três pessoas estão desaparecidas depois de colisão de comboios de balsas no rio madeira, no Amazonas



FOTO ANTIGA

Três pessoas estão desaparecidas depois de colisão de comboios de balsas no rio madeira, no Amazonas

Colisão entre comboio formado por empurrador e duas balsas resulta em três pessoas desaparecidas nesta terça-feira



Três pessoas continuam desaparecidas depois de uma colisão ocorrida entre um comboio formado por um empurrador e duas balsas com um tronco submerso. O acidente foi na localidade de Bela Vista, a cerca de 90 km de Humaitá, no estado do Amazonas, por volta das cinco da madrugada dessa terça-feira (28).

Em nota divulgada à imprensa, o Comando do 9º Distrito Naval informou que logo que foi acionada, a Marinha enviou uma embarcação da Agência Fluvial de Humaitá para coordenar as buscas aos desaparecidos. O trabalho é realizado juntamente com o Corpo de Bombeiros do Amazonas.

No momento da colisão, sete pessoas estavam a bordo do comboio.

Nesta quarta-feira(29), o Corpo de Bombeiros do Amazonas enviou dois mergulhadores para darem reforço ao trabalho de busca dos desaparecidos. Os dois embarcaram em um avião por volta do meio dia. A aeronave decolou do aeroporto de Ponta Pelada, zona sul de Manaus.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Elizabeth Taylor


NOVA YORK (Reuters Life!) - A renomada coleção de joias, obras de arte, moda e memorabília da atriz Elizabeth Taylor será posta à venda em uma série de leilões que começará em dezembro, anunciou a casa Christie's na quarta-feira.

Uma das últimas grandes estrelas da época áurea de Hollywood, Liz Taylor, que era conhecida tanto por sua beleza, seu apreço por diamantes, seus oito casamentos e seu trabalho como ativista contra a Aids quanto por seus filmes, morreu em Los Angeles em 23 de março, de falência cardíaca congestiva, aos 79 anos.

A Christie's disse que vai dedicar todo o espaço de sua galeria sede no Rockefeller Center a uma monumental e inusitada exposição da coleção de Taylor, que começará em 3 de dezembro e ficará no local por dez dias.

Antes dos leilões, terá início em setembro uma turnê mundial de três meses das joias, roupas, acessórios, artes decorativas e memorabília de Liz Taylor. A mostra itinerante fará escalas em Moscou, Londres, Los Angeles, Dubai, Genebra, Paris e Hong Kong.

Marc Porter, presidente da Christie's Américas, disse que as exposições vão proporcionar "uma visão do mundo de um ícone verdadeiro, uma mulher rara que foi ao mesmo tempo estrela internacional do cinema e da moda, mãe amorosa, empresária bem sucedida e humanitária generosa".

De maneira condizente com o trabalho humanitário de Taylor, uma parte da renda dos ingressos vendidos para a exposição, eventos e publicações relacionadas aos leilões será doada à Fundação Elizabeth Taylor de Combate à Aids, fundada pela atriz em 1991.

A Christie's não divulgou detalhes sobre objetos específicos que vão a leilão, nem estimativas sobre seus possíveis valores de venda, mas leilões passados de coleções de outras personalidades famosas renderam muitos milhões.

Em 1993 a venda de objetos de Jacqueline Kennedy Onassis rendeu 35 milhões de dólares para a casa Sotheby's, enquanto um leilão de bens do duque e duquesa de Windsor, realizado ao longo de nove dias, arrecadou quase 25 milhões de dólares.

A série de venda dos objetos de Liz Taylor terá leilões dedicados individualmente a joias, alta-costura, moda e acessórios, artes decorativas e memorabília da casa de Taylor em Bel Air, além de obras de arte impressionista e moderna.

A expectativa é que as joias de Taylor atraiam interesse enorme. A Christie's descreveu o leilão como "um dos eventos mais notáveis com joias na história dos leilões". Um leilão de gala na noite de 13 de dezembro será seguido por duas outras sessões em 14 de dezembro.

Consta que as joias de Taylor valiam mais de 100 milhões de dólares quando ela morreu. O espólio da atriz foi avaliado em entre 500 milhões e 1 bilhão de dólares.

Todos os leilões, excetuando o de arte, que terá lugar em Londres em fevereiro, vão acontecer em Nova York em dezembro.

A Christie's disse que também fará leilões unicamente online através da Christie's LIVE, concomitantemente com as exposições e os leilões.

FRANÇA LANÇOU ARMAS POR AVIAO




A França confirmou nesta quarta-feira que forneceu armamento aos rebeldes líbios. A notícia tinha sido adiantada pelo jornal “Le Figaro”, que deu conta do envio, por ar, de metralhadoras, lança-rockets e mísseis anti-tanque em Djebel Nafusa, a Sul da capital, Trípoli.

terça-feira, 28 de junho de 2011

A PIOR SECA EM 60 ANOS


GENEBRA - A pior seca em 60 anos no Chifre da África, no Nordeste do continente, causa uma grave crise alimentar e piora os índices de desnutrição, disse a ONU nesta terça-feira. Mais de 10 milhões de pessoas já estão sendo afetadas no Djibouti, Etiópia, Quênia, Somália e Uganda, e a situação vem se agravando, afirmou a entidade.

Um mapa produzido pela ONU para ilustrar a segurança alimentar no leste do Chifre da África mostra grandes áreas no centro do Quênia e da Somália na categoria de "emergência", apenas uma fase antes daquilo que as Nações Unidas classificam como catástrofe/fome generalizada.

- Duas temporadas chuvosas ruins consecutivas resultaram em um dos anos mais secos desde 1950/51 em muitas zonas pastorais - disse a jornalistas Elisabeth Byrs, porta-voz do Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU. - Não há probabilidade de melhora (da situação) até 2012.

Os preços dos alimentos subiram substancialmente na região, piorando a situação de muitas famílias pobres da região, disse ela.

A desnutrição infantil nas áreas mais afetadas supera 30%, o dobro do limite mínimo da emergência, e deve subir ainda mais, segundo Elisabeth. De acordo com a ONU, a mortalidade infantil também cresceu, mas não foram apresentadas cifras.

Na Somália, a seca é agravada por conflitos armados, criando uma onda de 20 mil refugiados na direção do Quênia nas últimas duas semanas, segundo informou a agência da ONU para refugiados na sexta-feira.

UFRJ

MAIS PETROLEO DESCOBERTO


A Petrobras anunciou hoje em seu site o que chamou de "principal descoberta" no pré-sal da Bacia de Campos (o pré-sal é uma região profunda de exploração de petróleo).

Segundo a estatal, foram descobertos "dois níveis de petróleo de boa qualidade no poço exploratório informalmente conhecido como Gávea". Os estudos foram feitos por um consórcio formado por Petrobras, Repsol Sinopec e Statoil.

"Esta descoberta é a principal realizada no pré-sal da Bacia de Campos", diz nota no site da Petrobras.

O poço, localizado a 190 quilômetros da costa do Rio de Janeiro, foi perfurado pelo navio sonda de última geração Stena Drillmax I, em águas de 2.708 metros e atingiu a profundidade final de 6.851 metros, disse a Petrobras.

O consórcio está analisando os resultados obtidos no poço, antes de continuar com o processo de exploração e avaliação da área.

O consórcio tem participação de 35% da Repsol Sinopec, mais 35% da Statoil e os restantes 30% da Petrobras.

As autoridades brasileiras foram informadas da existência de indícios de hidrocarbonetos no poço exploratório Gávea em março de 2011, para o primeiro nível, e em abril do mesmo ano, para o segundo nível.

A Repsol Sinopec é a companhia estrangeira líder em direitos de exploração nas Bacias de Santos, Campos e Espírito Santo, participando em 16 blocos, dos quais é operadora em seis.

SOMOS MEMBROS UNS DOS OUTROS


SOMOS MEMBROS UNS DOS OUTROS

Rogel Samuel

«Somos membros uns dos outros», dizia São Paulo aos cristãos de Efeso.
Isto é citado por Laín Entralgo, num artigo que incluímos recentemente no nosso site.
Entralgo, pensador da direita espanhola, discípulo de Ortega, sempre exerceu sobre mim sobrenatural fascínio.
Define ele a capacidade do homem de considerar-se pessoa por dois conceitos: o próprio e o alheio.
Na esfera do próprio, estabelece Laín duas diferentes esferas: o 'meu' (que define a própria estrutura do eu), e o 'em mim' (que posteriormente ele estuda na patologia).
Como a pessoa é capaz de relacionar-se com a outra? como considerar o outro como outro eu? como analisar o encontro, como estabelecer relações de amizade?
Para ele, a realidade consiste em ser 'de si' e em 'dar de si''.
A realidade se faz presente e cognoscível na impressão de realidade que a coisa oferece ao sujeito que a percebe.
O principal livro de Entralgo, raríssimo entre nós, se chama 'Teoria e realidade do outro', que só consegui ler na Biblioteca Nacional.
Nesse, ele percorre com maestria toda a filosofia ocidental desde os pré-socráticos em busca da teoria da consciência do outro, do outro como outro eu, onde a consciência de si é a consciência do outro.
Assim era em Hegel, quando o eu suprassumia a si no outro a que se opunha numa negação: eu não sou o outro.
Lain também era médico, e escreveu tratados de medicina.
Faleceu no ano passado, com cerca de 90 anos.
Essas considerações vêm antes de ler o CANTO 1, 26 de Jorge de Lima, em INVENÇÃO DE ORFEU:

Qualquer que seja a chuva desses campos
Devemos esperar pelos estios;
E ao chegar os serões e os fiéis enganos
Amar os sonhos que restarem frios.

Porém senão surgir o que sonhamos
E os ninhos imortais forem vazios,
Há de haver pelo menos por ali
Os pássaros que nós idealizamos.

Feliz de quem com cânticos se esconde
E julga tê-los em seus próprios bicos,
E ao bico alheio em cânticos responde.

E vendo em tôrno as mais terríveis cenas,
Possa mirar-se as asas depenadas
E contentar-se com as secretas penas.

Alguns poetas tiveram ou revelam alguma dificuldade de relacionar-se com o outro ('os ninhos imortais forem vazios').
'Imortal' - revela o 'felizes para sempre'.
A felicidade presente ('a chuva desses campos') atinge a solidão do futuro ('Devemos esperar pelos estios').
Sua poesia reside nisso.
Entre 'os serões e os fiéis enganos' há uma solidão sempre presente, sempre fiel, uma vocação de 'amar o perdido', o passado: 'Amar os sonhos que restarem frios'.
Os ninhos estarão vazios, e neles só os pássaros os idealizados.
A estrofe:

Feliz de quem com cânticos se esconde
E julga tê-los em seus próprios bicos,
E ao bico alheio em cânticos responde.

Marca o centro do reconhecimento de si no outro inexistente, no outro distante e impossível.
Diz esses versos: Eu me escondo nos versos que canto, canto com o fingimento do canto.

É o contentar-se descontente de si consigo mesmo, e em si.

E vendo em tôrno as mais terríveis cenas,
Possa mirar-se as asas depenadas
E contentar-se com as secretas penas.

As asas depenadas não voam, o coração não ama, as cenas ao redor são terríveis, as dores não se expressam e são secretas, os ninhos vazios, os enganos fiéis, mas a poesia de Invenção de Orfeu mantém a sua imortalidade e beleza.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

ITAMAR NA UTI


O ex-presidente e senador Itamar Franco (PPS-MG),80, foi transferido para a UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, para tratar de uma pneumonia grave, segundo boletim médico divulgado nesta segunda-feira (27).

Ele está internado em São Paulo desde 21 de maio para tratar de leucemia. De acordo com o hospital, embora esteja na UTI, o senador "apresentou ótima resposta ao primeiro ciclo de tratamento quimioterápico".

Em boletins anteriores, a equipe médica divulgou que um transplante de medula não era cogitado.

Itamar foi diagnosticado com a doença ao realizar exames devido a uma forte gripe. Ele pediu afastamento temporário de suas atividades no Senado.

Pelo regimento do Senado, o suplente de Itamar só assume a cadeira do senador se ele se afastar por um período superior a 120 dias.

Richard Gere visita templo budista na Indonésia


Richard Gere visita templo budista na Indonésia

DE SÃO PAULO

O ator Richard Gere, 61, vistou um templo budista na Indonésia nesta segunda-feira.

Acompanhado por um monge, Gere visitou o templo Borobudur, em Mageland, na província de Java.

O local é patrimônio da UNESCO e um dos maiores templos budistas do mundo.

O ator, que também é um ativista dos direitos humanos, aproveitou para meditar na companhia dos monges.


Clara Prima/France Presse

Goldberg Variations


Goldberg Variations

Rogel Samuel


Na "Ária" inicial ele faz um passeio pelas teclas do piano. Conta uma "estória", a de nossas mais antigas recordações, conta a nossa estória a nós mesmos, nos ensina a contar, a falarmos de nós mesmos, para um receptor oculto. Uma reflexão auditiva, uma argumentação instintiva, uma ária, ou seja, a música de um solitário, a música solitária, de uma só voz amante, exprime o sentimento da solidão, a cantiga do solitário, do esquecido, do ser um retrospecção de seu amor.
A primeira variação nos leva para um lugar em declive, rápido lugar, de onde voltamos para a ária inicial.
Na segunda variação alçamos o campo, onde flores e cores nos recebem e nos recompensam. Os dedos passeiam pelo teclado.
Ouço Gleen Gould, na gravação de 82, que prefiro: que é mais lenta, mais clara, mais profunda... porém mais triste.
O genial pianista perto da morte, em declínio, suas roupas eram desalinhadas, engordara, estava cada vez pessoalmente mais difícil, mais musical, menos social, pura música, a música pura.
Na gravação se pode ouvir que ele canta por trás do piano, pode-se ouvir sua voz, seus murmúrios.
Estou esperando um dia ouvir a prometida gravação do meu amigo Christopher Schindler. Ele é muito bom em Bach.
Eu o conheci na Ilha de San Juan, em Friday Harbour. Ele estudava num velho piano dos alunos de uma escola, um piano esquecido num canto de uma sala. Aproximei-me, e quando ele parou de praticar começamos a conversar. Logo estava ele falando num excelente português. Chris fala não sei quantas línguas, inclusive a linguagem musical. Foi aluno do filho do polonês Artur Schnabel, para muitos um dos maiores de todos os tempos. Pena que as gravações de Schnabel sejam tão antigas. Por exemplo a do Concerto N. 1 de Beethoven é de 1932. Mas apesar de mono, impressionante. Schnabel deixou Berlin em 33, devido ao regime nazista. A arte de Schnabel percebe-se nos discos de 78 rotações.
A origem da Goldberg Variations é famosa: O conde Count Hermann Carl von Keyserlingk, de Dresden, que frequentava Bach em Leipzig para receber aulas de composição, o conde sofria de insônia e pedia sempre a seu músico particular, de 15 anos, o prodigioso Johann Gottlieb (Theophil) Goldberg (1727-1756), que tocasse algo no quarto contíguo, para ajuda-lo a dormir. Durante uma visita em 1742, o Conde pediu a Bach que compusesse uma peça «de uma quietude calmante» para fazê-lo dormir, e Bach compôs a "Aria com 30 variações", BWV 988, que ficou conhecida posteriormente como Goldberg. O Conde, pela magnificência da obra, fazia Goldberg tocá-la todas as noites. E tão impressionado ficou pela música que retribuiu Bach com 100 luíses de ouro.

Brasileiros esnobam férias no país



Brasileiros esnobam férias no país


Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press


A queda do dólar e a estabilidade da economia aumentaram em 30% a venda de pacotes internacionais, que ficaram 10,6% mais baratos do que há um ano. Já as viagens nacionais sequer entram nos planos de muitos turistas. Sete dias em Orlando (EUA), por exemplo, custam a partir de R$ 1.980, enquanto o preço de um passeio em Porto de Galinhas (PE) chega a R$ 1.820. A estudante Ana Matoso (foto) acaba de embarcar para Londres, onde vai estudar inglês nas férias, e já prepara viagem aos Estados Unidos com a família em março. "Eu nem cheguei a pensar em viajar pelo Brasil", conta.

Formação de opinião: cai a ficha da grande mídia


Formação de opinião: cai a ficha da grande mídia


DO BLOG DO ZE DIRCEU

Venício A. de Lima



Raras vezes a realidade fala mais alto e revela ter mais poder do que alguns atores tradicionais da grande mídia brasileira.

Um artigo de Soraya Aggege, sob o título “O poder da maioria”, recentemente publicado na CartaCapital (n. 644, de 4/5/2011), fez um interessante resumo de informações que têm circulado há algum tempo sobre a impressionante ascensão que a classe C teve em nosso país, nos últimos anos. A revista se utiliza, sobretudo, de dados do instituto Data Popular, especializado em pesquisar esse segmento da população que, em 2014, será majoritário e concentrará 54% do eleitorado.

Nada de novo. Apenas algumas confirmações e, mais importante, algumas conseqüências.

“Deslocando” a formação da opinião


A matéria afirma que “no atual contexto, dizem os especialistas, o eixo da formação de opinião deslocou-se dos pais, ou de velhas lideranças locais, como padres e representantes comunitários, para os filhos”. E prossegue: “Os dados revelam que, nesse segmento, o que mais vale não é o que diz a televisão. Nada menos que 79% deles confiam mais nas recomendações dos parentes que na propaganda de tevê. Para se ter uma ideia, no Nordeste, onde se deu a maior expansão desse estrato social, 74% preferem se informar pelo boca a boca”.

Ao longo do texto alguns depoimentos colhidos de novos representantes da Classe C ratificam aquilo que as pesquisas revelam. Exemplo:

“Aos 20 anos, [Vanessa Antonio] integra a porção jovem dos 31 milhões de brasileiros recém-instalados no meio da pirâmide social, com renda familiar mensal entre 1,5 mil e 5 mil reais. [Ela] e outros milhões de jovens das periferias começam a desempenhar o papel de principais formadores de opinião da chamada “nova classe média”. E mais: “Para os jovens como [Vanessa], três fatores aumentaram seu poder de opinião sobre a família e suas comunidades: emprego, estudos e o que eles chamam de “nova bomba do mundo”, a tecnologia. “Temos computadores e celulares. Nossas famílias agora têm mais acesso à informação. Agente vê as notícias, compara na internet e conta para eles.”

Esse extraordinário fenômeno de deslocamento do poder de construção da opinião pública de seus “formadores tradicionais” (pais, padres, professores e colunistas da velha mídia, dentre outros) para “líderes de opinião” das classes em ascensão social, com acesso direto e/ou indireto a fontes alternativas de informação, sobretudo à internet, já havia sido identificado faz tempo e deu mostras inequívocas de seu poder pelo menos desde as eleições de 2006 [cf. Venício A. de Lima, A Mídia nas Eleições de 2006, Perseu Abramo; 2007 e “A Internet e os novos formadores de opinião”].

A grande mídia brasileira, no entanto, fazia de conta que não via o que estava acontecendo no país [ver “A velha mídia finge que o país não mudou”].

A entrevista de Florisbal


Por total coincidência, alguns dias depois da matéria da CartaCapital, sob o sugestivo título “Globo muda programação para atender a nova classe C”, o portal UOL divulga uma longa entrevista com Octavio Florisbal, diretor-geral da Globo. O que diz ele? Vale a pena ler a entrevista na sua totalidade, mas reproduzo abaixo alguns highlights:

Na introdução à entrevista Maurício Stycer escreve:

“A Rede Globo aprofundou um processo de modificações em sua programação para atender a uma nova clientela: a emergente classe C. As mudanças afetam as áreas de novelas, os programas de humor e o jornalismo. E objetivam deixar a programação mais popular. A nova classe C, na visão da emissora, quer se ver retratada nas telas.”

O diretor-geral da Globo afirma:

“Em dramaturgia, se você voltar 20 anos, você tinha alguns estereótipos. A novela estava centrada nos Jardins, em São Paulo, ou na zona sul do Rio e tinha um núcleo, aquele núcleo alegre, de classe C, na periferia. Hoje, não. A gente começa a ver essas histórias trafegando mais na periferia.”

“[A classe C] tem que estar mais bem representada e identificada na dramaturgia, no jornalismo. Antes, você fazia uma coisa mais geral. Hoje, não. A gente tem que ir, principalmente nos telejornais locais, ao encontro deles. Eles têm que ver a sua realidade retratada nos telejornais. (...) No jornalismo é a mesma coisa. (...) Tem a redação móvel, que vai nas periferias e faz de lá. Nos telejornais nacionais você também tem que cuidar bem para não colocar em excesso certos temas que não atendem tanto.”

Aaahhh... Então a classe C não estava sendo “retratada nas telas”, ausente no entretenimento e ausente no jornalismo? Uai... não era a exclusão de alguns setores da população da telinha – a ausência de pluralidade e diversidade na representação – exatamente o que críticos da mídia apontam há anos?

E continua o diretor-geral:

“No passado, a classe C seguia muito os padrões das classes A e B. (...) Eram seguidores. (...) Houve uma mudança de comportamento e de valores para estas pessoas. Acabamos de fazer uma pesquisa muito interessante de classe C que mostra isso. (...) Aquela divisão de que 80% do público é das classes C, D e E continua, mas eles têm mais presença, mais opinião. Eles ascenderam. Têm um jeito próprio de ser. Você tem que atendê-los melhor.”

Aaahhh... quer dizer que a classe C não é mais seguidora, agora ela sabe o que quer. Talvez, quem sabe, tenha aprendido até mesmo a votar, não é mesmo?

Mudanças inevitáveis?


Ao que parece, alguns princípios consagrados na Constituição de 1988, esperando há mais de 22 anos para serem cumpridos, acabarão acontecendo por força das mudanças que ocorreram no país, independente até mesmo da regulamentação legal. Exemplo: a regionalização da produção cultural, artística e jornalística.

Da mesma forma, a sobrevivência no “mercado” talvez obrigue o jornalismo televisivo a operar mudanças não só aos níveis local e regional, mas também no nacional. Afinal, a classe C agora sabe o que quer, tem “mais presença, mais opinião” e é preciso atendê-la.

Há realmente momentos em que a realidade parece ser mais forte do que o status quo.

A ver.

Venício A. de Lima é professor Titular de Ciência Política e Comunicação da UnB (aposentado) e autor, dentre outros, de Regulação das Comunicações – História, poder e direitos, Editora Paulus, 2011.

domingo, 26 de junho de 2011

HARRY

DILMA SATISFEITA


A presidenta Dilma Rousseff, por meio de nota à imprensa, externou “enorme satisfação” pela eleição do ex-ministro José Graziano da Silva para o cargo de diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), que ocorreu nesse domingo (26/6) em Roma.

A vitória do candidato brasileiro – continuou a presidenta – reflete o reconhecimento pela comunidade internacional das transformações socioeconômicas em curso em nosso país, bem como o compromisso do Brasil de inserir o combate à fome e à pobreza no centro da agenda internacional.

GRAZIANO ELEITO


O brasileiro José Graziano da Silva foi eleito neste domingo o diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) por 90 votos, frente aos 88 votos obtidos por seu adversário, o ex-ministro de Relações Exteriores espanhol Miguel Ángel Moratinos. Graziano, que sucederá no posto o senegalês Jacques Diouf, tomará posse no novo cargo em 1º de janeiro de 2012.

A eleição deste domingo dá um desfecho a uma longa campanha comandada pelo governo brasileiro, para emplacar um nome no comando da organização. Graziano, que foi coordenador do extinto programa Fome Zero, teve sua candidatura articulada pessoalmente pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pela presidenta Dilma Rousseff.

O brasileiro dedicou-se desde a década de 70 a questões relacionadas ao desenvolvimento rural e à luta contra a fome. Já à frente do Fome Zero, ele assumiu em 2003 o posto de ministro extraordinário para a Segurança Alimentar e Luta contra a Fome no início do governo Lula. Em março de 2006, foi nomeado representante regional da FAO para a América Latina e Caribe e subdiretor-general da organização.

Na prática, o endosso de Lula a Graziano permitiu que o próprio ex-presidente resistisse às pressões para se lançar candidato ao comando da FAO. Lula chegou a escrever artigos na imprensa internacional em defesa de seu ex-ministro. Em um texto publicado no jornal britânico The Guardian, por exemplo, o ex-presidente afirmou que a indicação reafirmaria o compromisso brasileiro com uma política internacional de combate à fome.

A votação que elegeu o brasileiro teve início pouco depois das 11 horas no horário local (6 horas de Brasília). Na primeira rodada, Graziano levou cinco votos de vantagem sobre o espanhol, obtendo 77 votos contra os 72 de Moratinos.

Nesta etapa ainda havia outros candidatos: o indonésio Indroyono Soesilo, que teve 12 votos, Franz Fischler, da Áustria, com 10 votos, o iraquiano Abdul Latif Rashid, com seis votos, e o iraniano Mohammad Saeid Noori, com dois votos.

Conforme as regras da votação, ocorrem sucessivas rodadas até que um candidato alcance a maioria absoluta de 90 votos. Ao mesmo tempo, os aspirantes menos votados deixam a disputa. Dessa forma, os representantes da Indonésia, Iraque, Áustria e do Irã retiraram suas candidaturas.

ARRAU, IMPERDIVEL

MORRE IRMÃ DE LULA


Sem alarde e de maneira simples, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), acompanhou, ao lado da esposa Marisa Letícia, o enterro da irmã Marinete Leite Cerqueira da Silva, 72 anos, no Cemitério da Paulicéia, em São Bernardo, na tarde deste sábado. Irmã mais velha entre oito, ela sofria de câncer no pulmão há nove meses e estava internada no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo.

Marinete, que se dizia segunda mãe de Lula, morreu na noite de sexta-feira. Sete anos mais velha que o ex-presidente, em período de eleição, afirmava que era ela quem cuidava do irmão quando a mãe, dona Lindu, saía para trabalhar na roça. Dona de casa, era viúva há três anos, tinha dois filhos e vivia em São Bernardo. Não continha ligação político-partidária. Assim como os demais Silva, viajou de Pernambuco para Santos em 1952.

A discrição do ato foi tanta que apenas o Diário esteve no enterro. Na companhia da família e amigos, Lula compareceu ao velório no início da tarde e acompanhou o sepultamento até o fim, inclusive, ajudando a levantar o caixão. O ex-presidente demonstrou grande pesar e falou sobre a perda. Disse ser difícil comentar devido ao forte carinho apresentado pela irmã, um exemplo de humildade.

MORRE PAULO RENATO AOS 65 ANOS


O ex-ministro da Educação Paulo Renato Souza morreu na noite deste sábado (25), vítima de um infarto fulminante, em São Roque, interior paulista. Paulo Renato, que, segundo sua assessoria de imprensa, vinha enfrentando problemas cardíacos, passava o feriado prolongado ao lado de familiares em um hotel da cidade quando começou a se sentir mal. Ele ainda foi encaminhado ao Hospital Unimed, no Jardim Lourdes, mas já teria chegado morto.

O velório do ex-ministro será realizado neste domingo (26), na Assembleia Legislativa de São Paulo, em horário ainda a ser definido. O secretário estadual da Cultura de São Paulo, Andrea Matarazzo (PSDB), esteve junto com familiares providenciando a documentação necessária para a liberação do corpo, que ocorreu por volta das 5h45 da manhã deste domingo.

O corpo de Paulo Renato será trazido direto para a Alesp. O enterro deve ocorrer apenas amanhã (27) pela manhã, para que as filhas de Paulo Renato - uma mora nos EUA e a outra no México - possam estar presentes no enterro do pai. Ambas iriam embarcar em voo ainda na manhã de hoje. Segundo a assessoria de imprensa do ex-ministro, o governador Geraldo Alckmin foi informado sobre o falecimento logo na primeira hora desta madrugada.

Matarazzo informou em sua página no Twitter que soube do falecimento pela família do ex-ministro. “Triste noticia o falecimento do Paulo Renato. Um grande ministro. Uma grande pessoa. Bom caráter. Serio”. Segundo ele, Paulo Renato morreu às 23h20 de ontem.

O ex-governador do Estado de São Paulo José Serra também lamentou em sua página no Twitter a morte de Paulo Renato: "Foi-se Paulo Renato, meu querido amigo, um dos maiores homens públicos do Brasil. Foi um grande secretário e um grande ministro da Educação".

Entre suas principais realizações quando comandou o ministério entre janeiro de 1995 e dezembro de 2002, no governo de Fernando Henrique Cardoso, está a criação do Enem (Exame Nacional de Ensino Médio).

Paulo Renato nasceu em Porto Alegre (RS) no dia 10 de setembro de 1945. Era economista formado pela UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), obteve seu mestrado pela Universidade do Chile e seu doutorado pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), onde foi professor titular do Instituto de Economia e, na década de 80, reitor.

Ministrou cursos também na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), Universidade do Chile, PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) e Universidade Católica do Chile.

Na década de 70, foi especialista da ONU (Organização das Nações Unidas) em questões de empregos e salários e um dos diretores do Programa Regional do Emprego para a América Latina e o Caribe.

Escreveu diversos livros e artigos nas áreas de educação, economia do desenvolvimento e economia do Trabalho.

Sobrevida de segunda


Sobrevida de segunda
Vinte anos após o fim da URSS, o homem que presidiu o desmanche está longe de ser festejado como herói - isso quando é lembrado

Anne Applebaum - O Estado de S.Paulo

Na mais notável das muitas fotos feitas na celebração de gala em que comemorou seu 80.º aniversário, Mikhail Gorbachev parece mais baixo e mais gordo do que no auge da carreira, quando era uma das pessoas mais importantes do mundo. Sua expressão é inescrutável, não passando de um meio sorriso; sua aparência também parece pecar pela falta de asseio, e talvez ele estivesse um pouco inseguro de si. É claro que tais impressões podem ter sido exageradas pelo fato de, na foto em questão, o antigo secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética estar de braços dados com Sharon Stone. A atriz usa um sedoso vestido cor de champanhe e batom de um vermelho vivo. Sorri abertamente. De salto alto, ela parece ser mais de 15 cm mais alta que Gorbachev, o que sem dúvida diminui sua aura de autoridade.

Mas, pensando bem, faz muito tempo que Gorbachev deixou de ter a mesma aura de autoridade. Na verdade, todos os aspectos daquela extravagante festa de aniversário gritavam "celebridades do segundo escalão". Sharon não emplaca um filme de sucesso há algum tempo; o mesmo pode ser dito de Kevin Spacey, coanfitrião do evento ao lado dela. Entre os presentes estavam também Goldie Hawn, Arnold Schwarzenegger, Ted Turner, Shirley Bassey e - sinto informar - até Lech Walesa. O baile de gala era ostensivamente um evento para arrecadar fundos para a Fundação Raíssa Gorbachev, que ajuda a financiar o tratamento de crianças com câncer. Mas a noite serviu principalmente para sublinhar quanto é estranho o destino de Gorbachev. Ali estava o homem que lançou a glasnost e a perestroika, presidiu o desmantelamento do império soviético e depois o da própria União Soviética, é um dos estadistas fundadores da Rússia moderna - e, ainda assim, sua festa de aniversário foi realizada no Royal Albert Hall, em Londres, entre convidados que mal o conheciam.

Isso não foi um acidente; 20 anos após a dissolução da URSS, a Rússia se mostra ambivalente (na melhor das hipóteses) em relação a Gorbachev. Longe de ser celebrado como herói, ele é comumente lembrado como um líder desastroso - isso quando chega a ser lembrado. É verdade que criou espaço para uma nova era de abertura anunciando liberdades antes impensáveis na década de 80, mas na Rússia ele é também considerado o responsável pelo colapso econômico dos anos 90. Da mesma maneira, a maioria dos russos não anseia por agradecer a ele pelo fim do império soviético. Ao contrário: o atual primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, descreveu o desmantelamento da União Soviética como "a maior catástrofe geopolítica" do século 20. Uma pesquisa de opinião divulgada em março, na época do aniversário, mostrava que cerca de 20% dos russos sentiam uma hostilidade ativa em relação a Gorbachev, 47% eram indiferentes a ele e apenas 5% diziam admirá-lo. E esse resultado foi uma melhoria: outra pesquisa, realizada em 2005, revelou que ele inspirava hostilidade em 45% dos russos. Na Rússia atual, a palavra perestroika recebe quase invariavelmente conotações negativas.

Em Londres e Washington, a reputação de Gorbachev é obviamente mais positiva. Ele é tratado com carinho - foi convidado para o funeral de Ronald Reagan e para a festa de 80 anos de George Bush pai - e costuma ser celebrado como um "símbolo" da paz e do bem-vindo fim da Guerra Fria. Mas ele também recebe elogios insossos e às vezes até inapropriados. Em sua festa de aniversário, Paul Anka cantou em dueto com um roqueiro da era soviética. O refrão: "One day we"ll recall / He was changing the world for us all" ("Um dia lembraremos / que ele estava mudando o mundo para todos nós"). Então Sharon o presenteou com uma pergunta retórica: "Onde estaria a Rússia se não estivesse colhendo os frutos benéficos da democracia livre?" Eu gostaria de ter estado presente para ver a expressão de constrangimento no rosto dos convidados no Royal Albert Hall. Afinal, a Rússia não colheu os frutos benéficos da livre democracia, como bem sabiam todos os russos ali presentes. Até o próprio Gorbachev descreveu recentemente a democracia russa como uma mentira: "Temos instituições, mas elas não funcionam. Temos leis, mas elas precisam de policiamento para serem cumpridas".

É claro que não se pode culpar Gorbachev pela falta de transparência política no Kremlin de hoje, nem pela debilidade dos partidos políticos, pelo retorno da antiga KGB enquanto fonte de influência e poder e nem pela violência que as autoridades russas empregam intermitentemente contra todo tipo de dissidente. E nem foram de responsabilidade dele as verdadeiras causas do colapso econômico dos anos 90 - o baixo preço do petróleo, 70 anos de políticas econômicas equivocadas e a insaciável ganância da elite russa educada no sistema soviético. Boris Yeltsin, o primeiro presidente russo, carrega uma parcela muito maior da culpa pela corrupção na economia russa, e Putin é sem dúvida o principal responsável pelo estado de estagnação da política russa.

Na verdade, Gorbachev não pretendia que as coisas acabassem da maneira como acabaram. Mas até aí ele nunca se propôs a ser um dos pais fundadores da Rússia moderna. Era um reformista, não um revolucionário; quando se tornou líder do Partido Comunista soviético, em março de 1985, sua intenção era revitalizar a União Soviética, não desfazê-la. Ele sabia que o sistema estava estagnado. Mas não entendeu por quê. Em vez de abolir o planejamento central ou anunciar uma reforma nos preços, Gorbachev anunciou uma drástica campanha de combate ao álcool: talvez, se bebessem menos, os trabalhadores produzissem mais. Dois meses depois de assumir o poder, ele impôs restrições à venda de álcool, aumentou a idade mínima para o consumo de bebidas alcoólicas e ordenou cortes na produção das mesmas. O resultado: grandes perdas para o orçamento soviético e uma dramática escassez de certos produtos, como o açúcar, que a população começou a usar para produzir vodca caseira ilegal.

Foi somente depois do fracasso da campanha - e somente depois do desastre nuclear de Chernobyl tê-lo obrigado a se dar conta dos perigos do sigilo numa sociedade industrial avançada - que Gorbachev empreendeu sua segunda tentativa de reforma. Como a campanha contra o álcool, a glasnost tinha o intuito original de promover a eficiência econômica. Gorbachev acreditava que um debate aberto dos problemas da União Soviética levaria ao fortalecimento do comunismo. Ele sem dúvida nunca quis que sua política alterasse o sistema econômico da URSS de modo profundo. Ao contrário. Pouco depois de assumir o poder, ele disse a um grupo de economistas do partido: "Muitos de vocês enxergam como solução para nossos problemas um apelo aos mecanismos de mercado como substitutos do planejamento direto. Alguns de vocês veem o mercado como um bote salva-vidas para suas economias. Mas, camaradas, vocês não devem pensar nos botes salva-vidas, e sim no navio, e este navio é o socialismo".

É claro que Gorbachev acabaria mudando suas ideias, tanto na economia quanto em muitas outras áreas. De fato, esse padrão se repetiria muitas vezes. Determinado a salvar o planejamento central, ele disse às pessoas que falassem abertamente a respeito desse sistema econômico - e, como resultado, a população concluiu que ele não funcionava. Determinado a salvar o comunismo, ele deixou que as pessoas criticassem esse sistema político - e, como resultado, elas decidiram que preferiam o capitalismo. Determinado a salvar o império soviético, ele concedeu mais liberdade aos europeus orientais - que usaram essa liberdade para se libertar das garras do império tão logo puderam fazê-lo. Ele nunca compreendeu a profundidade do cinismo em seu próprio país e nem a profundidade do anticomunismo nos Estados satélites soviéticos. Nunca compreendeu quanto as burocracias centrais estavam podres e nem quanto os burocratas tinham se tornado amorais. Ele sempre pareceu surpreendido pelas consequências de seus atos. No fim, em vez de fazer história, Gorbachev se viu correndo para alcançá-la.

Na verdade, todas as suas decisões mais radicais e importantes foram aquelas que ele não tomou. Ele não ordenou aos alemães-orientais que atirassem contra as pessoas que cruzavam o Muro de Berlim. Não lançou uma guerra para evitar a deserção dos países bálticos. Não impediu o esfacelamento da União Soviética e nem impediu a ascensão de Yeltsin ao poder. O fim do comunismo poderia sem dúvida ter sido muito mais sangrento e, se houvesse outra pessoa no comando, é possível que as coisas tivessem sido assim. Por sua recusa em recorrer à violência, Gorbachev merece a cafona serenata de Paul Anka.

Mas, por não ter compreendido o que estava ocorrendo, Gorbachev deixou de preparar seus compatriotas para as grandes mudanças políticas e econômicas. Ele não ajudou a projetar instituições democráticas e não preparou os alicerces para uma reforma política ordenada. Em vez disso, tentou se manter no poder até o último instante - para preservar a União Soviética até que fosse tarde demais. Como resultado, não houve para ele sobrevivência política após o colapso da URSS. Depois de deixar o cargo, Gorbachev tentou por três vezes fundar novos partidos políticos. Fracassou em todas elas.

Na política o senso de oportunidade é tudo, como estamos aprendendo novamente este ano com a agitação no Oriente Médio. Se o egípcio Hosni Mubarak tivesse convocado eleições livres um ano atrás, seria lembrado como um estadista magnânimo. Se o líbio Muamar Kadafi tivesse graciosamente abdicado em favor de seu filho Saif al-Islam, ele seria agora lembrado nos brindes feitos em todos os salões europeus. Se o tunisiano Zine al-Abidine Ben Ali tivesse começado a planejar sua aposentadoria um pouco mais cedo, estaria agora vivendo em paz num subúrbio de Túnis e não evitando os mandados de captura da Interpol em algum lugar da Arábia Saudita.

Pela mesma lógica, se Gorbachev tivesse planejado o desmantelamento da União Soviética desde 1988, em vez de aceitar furioso esse destino somente após sua consumação, em 1991, seu aniversário este ano poderia ter sido celebrado por russos agradecidos, em lugar de atrizes americanas balbuciando banalidades. Como também aprenderemos no Oriente Médio, uma transição organizada da ditadura para a democracia conta com dois elementos cruciais: uma elite disposta a abrir mão do poder e uma elite alternativa suficientemente organizada para assumi-lo. Graças em parte à natureza relutante e caótica dos últimos anos de Gorbachev no poder, a Rússia não teve nenhuma das duas coisas.

Pode ser que não houvesse para ele a possibilidade de agir de outra forma. Gorbachev nada sabia da democracia real e conhecia menos ainda a dinâmica econômica do livre mercado. Criado e educado na cultura soviética, ele simplesmente não conseguiu pensar numa saída para aquele sistema. Não evitou a mudança e não atirou nas pessoas que finalmente realizaram essa mudança. Mas, num momento histórico de tamanha importância, a ignorância não serve como desculpa. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

ANNE APPLEBAUM, COLUNISTA DO WASHINGTON POST, É AUTORA DE GULAG - UMA HISTÓRIA (CIVILIZAÇÃO EDITORA). ESCREVEU ESTE ARTIGO PARA FOREIGN POLICY

sábado, 25 de junho de 2011

Stephen Jay Gould


Stephen Jay Gould, o famoso cientista que se distinguiu tanto pelo estudo da evolução como pela sua defesa frente aos ataques da direita fundamentalista americana, terá sido vítima dos preconceitos que ele próprio denunciou num célebre artigo na Science e num ainda mais célebre ensaio, no livro A Falsa Medida do Homem (Quasi).

Tudo isto tem a ver com um cientista do século XIX, Samuel Morton, que reuniu uma colecção única de 1000 crânios, a inteligência e o racismo. E, claro, a integridade científica.

Gould, que morreu em 2002, questionou a integridade científica de Morton, acusando-o de ter, subtilmente - inconscientemente -, manipulado as medições que fez da capacidade craniana dos homens brancos para demonstrar que estes seriam os mais inteligentes. Isto para demonstrar que a raça branca - e o seu expoente, o homem branco - era a superior. A seguir vinham os asiáticos, os índios americanos e, no fim, os africanos.

Na altura em que Morton fez as suas experiências (a década de 1830, ainda antes da publicação de A Origem das Espécies por Charles Darwin, em 1859), quem era contra a abolição da escravatura defendia que a Humanidade não era una, mas antes que cada raça tinha sido criada em momentos distintos por Deus.

Mas um artigo publicado este mês na revista científica Public Library of Science - Biology (PLOS), acaba por pôr também em causa a integridade científica de Stephen Jay Gould - não preto no branco, mas é o que se pode aferir das conclusões dos cientistas que reconstituíram as experiências de Morton e chegaram à conclusão de que ele não terá manipulado, nem inconscientemente, as suas medições da capacidade craniana, feitas com sementes de mostarda, como dizia Gould.

E, pelo contrário, encontram indícios de que Gould é que terá sido vítima dos seus preconceitos - ou desejo de demonstrar como o racismo não tem bases científicas -, o que o levou a tratar os dados de uma forma discutível. Não o acusam de fraude no artigo, mas em entrevistas dadas a propósito do seu trabalho alguns membros da equipa têm cruzado essa linha vermelha.

Artimanhas

Morton, um médico de Filadélfia, como bom cientista, tentou substituir a especulação por factos e medições, usando a sua colecção impressionante de crânios, representando todos os grupos raciais humanos. Mas, de acordo com a crítica de Gould - que foi ao mesmo tempo biólogo, paleontólogo, historiador das ciências, ensaísta e divulgador de ciência e pensador sobre a teoria da evolução -, o trabalho de Morton é exemplar para ilustrar como "artimanhas inconscientes ou mal percebidas são provavelmente endémicas na ciência, pois os cientistas são seres humanos enraizados em contextos culturais, não autómatos que se dirigem para verdades externas", escreveu na Science, em 1978.

Gould tornou-se uma figura pública com uma enorme projecção - uma espécie de Carl Sagan para a evolução, embora tivesse algumas ideias polémicas. Mas, em termos de grande público, tornou-se uma figura incontornável, nos Estados Unidos e não só. Dele esperava-se um juízo acertado.

GRECIA

Duzentas vezes Bloclos online!


Duzentas vezes Bloclos online
- um aniversário de 200...
Ducentesima coluna de R. Samuel em Blocos online!

Em

http://www.blocosonline.com.br/home/index.php

CHAVEZ LUTA PELA VIDA


O ministro dos Negócios Estrangeiros da Venezuela, Nicolás Maduro, confirmou que o Presidente Hugo Chávez está a lutar "pela vida".

"A batalha que trava pela sua saúde é uma batalha de todos, uma batalha pela vida, pelo futuro imediato da pátria", disse o ministro à televisão venezuelana. "E isto é o que podemos dizer aos nossos compatriotas."

Hugo Chávez encontra-se hospitalizado desde o dia 10 de Junho em Havana, Cuba, onde foi submetido a uma intervenção cirúrgica. A notícia que corre em Caracas, a capital da Venezuela, é de que sofre de um cancro na próstata. Oficialmente, foi operado a um quisto pélvico.

De manhã, um jornal de Miami ligado à dissidencia cubana, o "Nuevo Herald", citando uma fonte médica, já tinha adiantado que o estado de saúde de Chavéz é "crítica".

Citando fontes dos serviços secretos norte-americanos, o mesmo jornal referia, no entanto, que não estava confirmado se se trata ou não de um cancro.

O "El Nuevo Herald" escreve ainda que a filha e a mulher de Chávez já viajaram “de urgência” de Caracas para Cuba, a bordo de um avião da Força Aérea.

Casamento

Sviatoslav Richter: Schubert Sonata D.894 1st mvt. 1/3

sexta-feira, 24 de junho de 2011

MONA LISA NAO SAI




A Itália estava interessada em receber a obra de arte de Leonardo Da Vinci em 2013. Pediu o quadro emprestado ao Museu do Louvre, em Paris, mas por questões de segurança “Mona Lisa” não vai viajar.

Quadro de Leonardo Da Vinci é a obra mais procurada no Museu do Louvre e por isso não sai Quadro de Leonardo Da Vinci é a obra mais procurada no Museu do Louvre e por isso não sai (Reuters)

O Museu do Louvre anunciou esta sexta-feira que não emprestará o quadro a Itália, para uma exposição em Florença em 2013. O pedido foi feito pelo Comité Nacional para a Valorização dos Bens Culturais, presidido por Silvano Vincenti, que lançou um apelo na Internet, com o fim de conseguir 100 mil assinaturas para que o museu parisiense cedesse por algumas semanas o quadro pintado entre 1503 e 1507, a obra mais famosa do italiano Da Vinci. O objectivo é comemorar o centenário do achado do quadro em Florença, em 1913.

Vincent Pomarède, director do departamento de Pintura do Louvre, explicou à agência EFE que não “recebeu nenhum pedido oficial de empréstimo”, mas mesmo que isso tivesse acontecido o quadro não abandonaria o museu. “Não emprestamos a 'Mona Lisa' porque está extremamente frágil e corria o risco de se danificar de forma irreversível numa viagem.”

Apesar de “La Gioconda” já ter abandonado o museu francês em duas ocasiões (em 1963 para Washington DC e Nova Iorque e em 1974 para Tóquio e Moscovo), a instituição explicou que isso já não faz parte dos planos, dada a impossibilidade de se controlar as variações de temperatura e humidade.

A petição italiana, dirigida ao governo francês e ao museu, já contava com o apoio governamental italiano, apelando à “consideração da importância cultural e história dos eventos programados”.

O museu recordou ainda que, nos últimos anos, “seja qual seja o estabelecimento” que tenha pedido o empréstimo da obra de Da Vinci tem levado uma resposta negativa, não apenas por motivos de segurança mas também porque quem visita o Louvre pela primeira vez, a maioria dos visitantes, o faz para ver a Gioconda e “não apresentá-la seria um problema para a instituição”.

USA

Há um oceano salgado sob o gelo da sexta lua de Saturno


Encelado, a sexta lua de Saturno, gelada à superfície, deve esconder um oceano salgado sob o gelo. É o que concluíram os cientistas que estudaram a análise das partículas sólidas dos géisers gigantes que saem do pólo sul deste pequeno satélite do planeta dos anéis feita por instrumentos a bordo da sonda Cassini da NASA: são sobretudo grãos de sal.

Na verdade, 99 por cento dos materiais sólidos que são lançados para o espaço nesses jactos de vapor de água e gelo, que saem de fissuras na superfície conhecidas como Listas de Tigre, são partículas ricas em cálcio e potássio, diz um comunicado do Laboratório de Propulsão a Jacto da NASA. “Não há outra forma plausível de produzir um fluxo constante de grãos ricos em sal a partir de gelo sólido para além da existência de água salgada sob a superfície gelada de Encelado”, diz Frank Postberg, o cientista da Universidade de Heidelberg, na Alemanha e membro da equipa da Cassini que é o principal autor deste trabalho, publicado on-line na Nature.

Os jactos de gelo e vapor de água foram descobertos em 2005, e tem-se falado na possibilidade de existir um oceano subglacial desde então — se existisse mesmo, seria um bónus para a busca de vida no nosso sistema solar e algures no Universo. Se os grandes planetas não têm condições para que haver vida, por que não olhar para as suas luas?

O trabalho da equipa de Postberg aponta para um oceano salgado a cerca de 80 quilómetros de profundidade. Mas existe um outro reservatório de água salgada mais perto da superfície, que alimenta directamente as fracturas dos géisers. Calculam os cientistas que se perdem cerca de 200 quilos de vapor de água e gelo por segundo nestas plumas, que criam o anel E de Saturno, coincidente com a órbita de Encelado em torno do planeta dos anéis.

Amin Maalouf eleito membro da Academia Francesa


O escritor libanês, estabelecido em França, Amin Maalouf foi eleito membro da Academia Francesa, sucedendo assim o antropólogo francês Claude Lévi-Strauss, que morreu em Outubro de 2009.

Prémio Goncourt em 1993 com a obra “Rocher de Tanios”, Amin Maalouf foi eleito à primeira volta com 17 votos, em 24 votantes, ultrapassando o filósofo francês Yves Michaud, que apenas recebeu três votos.

Nascido a 25 de Fevereiro de 1949 em Beirute, numa família cristã, Amin Maalouf, que fala árabe e francês, dedicou a sua obra à aproximação das civilizações. Foi jornalista do “an-Nahar”, um jornal libanês de relevo, mas em 1975, uma onda de violência assolou o Líbano e, com o rebentamento de uma guerra civil, Amin Maalouf optou, em 1977, por se exilar com a família em Paris, onde continuou a exercer a carreira, contribuindo para o “Jeune Afrique” e para a edição internacional do “an-Nahar”.

Os temas do exílio e da identidade ocupam uma grande parte da sua obra, analisados em detalhe nas obras "As Identidades Assassinas", de 1989, e "Um Mundo Sem Regras", de 2009. Publicou o seu primeiro livro, já instalado em Paris, no ano de 1983, "As Cruzadas Vistas pelos Árabes", uma obra histórica. Mas foi com o romance "Leão, o Africano" que Amin Maalouf se tornou conhecido do grande público, em 1986, passando a dedicar-se exclusivamente à literatura.

Esta era a terceira vez que o nome de Amin Maalouf surgia nos boletins de votos, depois de ter sido candidato à Academia Francesa em 2004 e 2007.

O escritor estreou-se ainda na ópera em 2000, ao escrever um libreto de ópera "L'Amour de Loin", que conta os amores do trovador do século XII Jaufre Raudel pela Condessa de Tripoli. Com arranjo musical da compositora finlandesa Kaija Saariaho, a ópera estreou em Salzburgo em 2000 e em Paris no ano seguinte, sob a direcção de Peter Sellars.

Depois desta eleição, seguem-se outras nos próximos meses para eleger os sucessores da helenista Jacqueline de Romilly, que morreu a 19 de Dezembro de 2010, aos 97 anos, e do escritor Jean Dutourd, falecido a 18 de Janeiro de 2011, aos 91 anos.

Amin Maalouf foi distinguido em 2010 com o Prémio Príncipe das Astúrias de Letras. O júri do prémio destacou na altura a "linguagem intensa e sugestiva" que nos transporta "no grande mosaico mediterrâneo de línguas, culturas e religiões para construir um espaço simbólico de encontro e entendimento".

A Academia Francesa foi criada em 1635 por Richelieu com o objectivo de preservar a língua francesa e escrever seu dicionário. Actualmente, a Academia é constituída por 40 membros, conhecidos como os “Quarenta” ou os “Imortais”.

Prenderam James “Whithey” Bulger, o gangster que inspirou Scorsese





Um dos criminosos mais procurados e famosos dos Estados Unidos, James Bulger, conhecido como “Whithey”, foi preso na Califórnia, aos 81 anos.


Bulger era procurado há quase 17 anos, depois de ter deixado Boston, na costa leste dos EUA, zona onde actuava. Estava nessa altura para ser preso por agentes federais devido a cerca de 20 assassinatos, extorsão, tráfico de drogas e outros crimes cometidos entre o início dos anos 1970 e meados da década de 1980.

Controlava um grupo (gang) de crime organizado, foi objecto de vários livros e inspirou o filme The Departed (2006), de Martin Scorsese, com Leonardo DiCaprio, Matt Damon e Jack Nicholson. Estava na lista dos dez fugitivos mais procurados pelo FBI, que oferecia uma compensação de dois milhões de dólares (cerca de 1,4 milhões de euros) pela sua captura.

James Bulger foi detido ontem à noite pelo FBI num vulgar edifício de apartamentos em Santa Mónica, uma praia a cerca de 20 quilómetros do centro de Los Angeles, “sem incidentes”, segundo as fontes não identificadas que deram a notícia em primeira mão ao diário Los Angeles Times e que requereram anonimato por não estarem autorizadas a falar sobre o assunto.

Segundo as autoridades, quando fugiu de Boston, Bulger tinha sabido que estaria para ser preso por um agente do FBI que era seu informador, John Connolly Jr., e que entretanto foi condenado por extorsão em 2002, por proteger Bulger e outro conhecido criminoso.

Numa conferência de imprensa dada já hoje de manhã em Boston conjuntamente por várias forças policiais dos EUA, as várias autoridades envolvidas elogiaram a sua próprias “persistência e tenacidade”, e atribuíram a captura de Bulger aos vários anúncios que fizeram e permitiram chegar até ele.

O FBI tinha lançado recentemente uma campanha na comunicação social de 14 cidades de todo o país, que não incluíam Los Angeles, onde Bulger tinha sido identificado ou onde tinha laços anteriores. A polícia estava convencida de que Bulger teria passado os últimos anos a viajar na companhia de Catherine Elizabeth Greig, 60 anos, com quem vivia e que foi presa com ele. Era uma mulher de estatura pequena, que tivera como profissão a higiene dentária, e que se habituara a mudar a cor do cabelo, relata a agência Reuters.

A campanha do FBI dirigia-se sobretudo a mulheres na casa dos 60 anos, o grupo etário de Greig, na esperança de obter pistas. A informação que levou à detenção chegou na terça-feira à noite, e ontem à tarde a brigada de fugitivos do FBI de Los Angeles começou a vigilância, assistida pela Polícia da cidade, após ter detectado duas pessoas que pensou serem Bulger e Greig. Foi montado um estratagema (não divulgado) através do qual foram atraídos para fora do seu apartamento, sendo presos após a polícia se assegurar da sua identidade.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Justin Bieber, atacado


O cantor adolescente Justin Bieber, 17, foi atacado por um homem nesta quinta-feira (23), segundo o programa "Eyewitness News" da ABC 7.

Ele estava em Nova York, onde distribuía autógrafos e promovia um perfume de sua marca em uma loja.

Bieber decidiu aparecer fora da loja, para falar com fãs que não haviam conseguido entrar.

Neste momento, segundo testemunhas, um homem pulou em cima dele e o derrubou no chão.

O homem foi levado por policiais. O cantor, apesar do susto, voltou para dentro da loja e continuou dando autógrafos.

TRI

URSO INVADE CIDADE NA LITUANIA

REVOLVER DE AL CAPONE EM LEILAO



Um revólver que pertenceu ao “gangster” norte-americano Al Capone foi vendido ontem à noite por 77 mil euros durante um leilão da Christie’ s em Londres.

O Colt .38 foi vendido por um coleccionador privado que entregou também uma carta de Madeleine Capone Morichetti, viúva do irmão de Al Capone, onde esta confirma que a arma “pertenceu a Al Capone” e que, durante a sua vida, só foi usada por ele.

Os registos do Colt .38 indicam que foi fabricado em Maio de 1929, meses depois do famoso Massacre do Dia de S. Valentim, em Chicago, quando sete pessoas morreram durante um tiroteio entre facções rivais, incluindo a de Capone.

O comprador preferiu ficar no anonimato e fez a sua licitação online.

Vladimir Horowitz Playing Scriabin 12 Etudes Op.8 No.12

Scriabin Etude op 8 no 12 by Evgeny kissin

Shostakovich, Symphony No. 5 Mvt. 4




Mravinsky conducts the Leningrad Philharmonic at the Leningrad Conservatory hall (if I'm not mistaken). This is the 4th concluding movement of Shostakovich's Symphony no. 5.

Ophélia e Fernando Pessoa, in "Mensagem" de Luis Vidal Lopes




"O meu destino pertence a outra Lei, de cuja existência a Ophelinha nem sabe...", escreveu Fernando Pessoa numa carta a Ophélia Queiroz.
Excerto do filme "Mensagem", dirigido e montado por Luis Vidal Lopes, estreado no cinema S.Luiz, em Lisboa, no dia 13 de Junho de 1988 e baseado no livro homónimo de Fernando Pessoa. Argumento e texto de Manuel Gandra e Luis Vidal Lopes. Poemas, cartas e textos originais de Fernando Pessoa. Fotografia de Manuel Costa e Silva. Produção de Cristina Hauser. Filipe Ferrer no papel de Fernando Pessoa. Cristina Hauser no papel de Ophélia.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

A CANELA CURA


TEL AVIV - O professor israelense Michael Ovadia transformou um trauma infantil em pesquisa de sucesso. O pivô da reviravolta é a canela, aparentemente mais do que um tempero. Segundo Ovadia, a erva aromática pode ajudar a combater uma das doenças mais misteriosas da atualidade, o Mal de Alzheimer, que afeta 18 milhões de pessoas no mundo. Há mais de 50 anos, Ovadia quase foi desclassificado num concurso de conhecimentos de Bíblia ao esquecer a resposta a uma pergunta: que ingredientes formavam o óleo sagrado usado pelos sacerdotes do Templo Sagrado de Salomão? Na última hora, se lembrou da lista, cujo ingrediente mais conhecido é a canela. Acabou tirando um respeitado segundo lugar, mas o episódio nunca saiu de sua cabeça.

Anos depois, já um renomado pesquisador do departamento de Zoologia da Faculdade de Ciências da Vida da Universidade de Tel Aviv, Ovadia decidiu pesquisar porque os israelenses antigos usavam esse óleo para limpar os artefatos sagrados do Templo e proteger seus sacerdotes de doenças causadas pelo contato com sangue devido ao sacrifício de animais. Aos poucos, foi descobrindo que a canela é capaz de neutralizar vários tipos de vírus e infecções. Mas qual não foi sua surpresa ao ousar pesquisar a eficiência da erva na inibição dos chamados oligômeros: conglomerados de proteína beta-amiloide, abundante no cérebro dos doentes de Alzheimer e acusados de causarem perda de memória em mais de 50% dos idosos com mais de 85 anos.

Ovadia liderou e um grupo de pesquisadores formado pelos professores Ehud Gazit, Daniel Segal, Dan Frankel, Anat Frydman Maor e Aviad Levin, conseguiu extrair uma substância líquida da canela que é capaz de inibir o acúmulo progressivo de agregados neurotóxicos do peptídeo beta-amiloide (A-beta) no cérebro dos indivíduos afetados. E mais do que isso: o grupo descobriu que o extrato de canela também é capaz de dissolver as chamadas fibrilas de beta-amiloides, cujo acúmulo no cérebro mata neurônios em pacientes com Alzheimer.

O estudo foi publicado na revista científica PloS ONE em janeiro e causou tanto impacto que a Universidade de Tel Aviv, que entrou com pedido de patente do extrato de canela, já deu permissão para que uma empresa privada desenvolva e distribua remédios à base de canela.

A canela, obtida da parte interna do tronco da caneleira, uma árvore nativa do Sri Lanka, já foi uma das especiarias mais valiosas do mundo. Na Idade Média, seu valor chegou a superar 15 vezes o do ouro. O motivo era seu uso não só como tempero saboroso e aroma inconfundível para fins espirituais, mas também por seus poderes medicinais. Seus compostos (acetato de cinamilo, álcool de cinamilo e cinnamaldehyde) se unem à sua composição mineral (fibra, ferro, cálcio e magnésio) para curar males.

Além dos israelenses, outras culturas milenares apontam a canela como um santo remédio. Citações do uso da erva são datadas de 4000 AC. Os egípcios a usavam para conservar a comida e como analgésico. Os chineses, contra diarreia, gripes, resfriados, indigestão e repelente de mosquistos. Na Índia, os poderes antibactericidas, antioxidantes, anti-inflamatórios e antifúngicos da erva a transformaram num dos principais compostos mediciais. Mas, até hoje, há pouca prova científica de tudo isso.

- Um dos poucos estudos concretos quanto ao poder da canela é o que provou que ela inibe o helicobater pylori, a bactéria que causa a úlcera duodenal - conta Michael Ovadia. - Mas muitas civilizações usavam ervas, plantas e outras produtos naturais contra males. O que eles usavam instintivamente, nós começamos a provar cientificamente.

Hoje, estudos apontam para os possíveis benefícios do tempero no combate a pressão alta, diabetes, herpes, acne, reumatismo, perda de memória, infecções urinárias e até mesmo alguns tipos de câncer. Funcionaria também como um anticoagulante natural indicado para mulheres grávidas e até mesmo como afrodisíaco.

A GUERRA CONTINUA

Emprego mais perigoso do mundo




Trabalhadores que constroem um caminho de madeira do lado de uma enorme montanha na China estão demonstrando coragem em um dos empregos mais perigosos do mundo.



A cada dia eles trabalham em condicões precárias no projeto milhares de metros acima do chão sabendo que um escorregãozinho pode ser o último.

O caminho de madeira, na montanha de Shifou, na província de Hunan, terá cerca de 3,2 km quando estiver pronto e será o mais longo deste tipo na China.

A passagem estreita é sustentada por suportes de madeira que ficam em buracos que os trabalhadores primeiro perfuram na face do penhasco.

A maioria dos construtores cresceu nas montanhas e alega que o trabalho vem naturalmente a eles.

"Os jovens não querem esse trabalho, pois significa que temos de ficar nas montanhas durante meses, às vezes até anos. Mas eu não sinto que é tão diferente de qualquer outro trabalho. Não é tão perigoso quanto as pessoas pensam. Você usar as cordas, e então tudo está bem", contou Yu Ji, de 48 anos, que trabalha nas alturas há mais de dez anos.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Para Mészáros, capitalismo vive uma crise estrutural profund





Para Mészáros, capitalismo vive uma crise estrutural profunda

Em conferência na Bahia, Mészáros defendeu que o capitalismo enfrenta uma “crise estrutural profunda e cada vez mais grave, que necessita da adoção de remédios estruturais abrangentes, a fim de alcançar uma solução sustentável”. Apesar de comumente a crise ser apresentada como ‘atual’, Mészáros discorda que ela tenha se originado em 2007, com a explosão da bolha habitacional dos EUA. A crise teria começado há mais de quatro décadas e, em 1971, ele já escrevia no prefácio de “Teoria da Alienação em Marx” que as revoltas de maio de 68 e seus desdobramentos “salientavam dramaticamente a intensificação da crise estrutural global do capital”.

Ana Maria Amorim - Brasil de Fato


De passagem pelo Brasil, o filósofo húngaro István Mészáros teve em sua agenda a conferência plenária “Crise estrutural necessita de mudança estrutural”, no Salão Nobre da Reitoria da Universidade Federal da Bahia (UFBA), no dia 13 de junho. Começava com Mészáros, portanto, o II Encontro de São Lázaro, que comemora os 70 anos da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFBA. O Salão Nobre da Reitoria foi tomado por uma maioria jovem que recebeu Mészáros com entusiasmo e sonoras palmas.

Mészáros começa sua fala deixando claro que nada do que ele está propondo pode ser visto como uma “utopia não realizável” e que, para transformarmos este tão-chamado impossível em realidade é primordial que a crise do capitalismo seja avaliada adequadamente. “Sem uma avaliação da crise econômica e social de nossos dias, que já não pode ser negada pelos defensores da ordem capitalista, ainda que eles rejeitem a necessidade de uma mudança maior, a probabilidade de sucesso a esse respeito é insignificante”, diz o filósofo.

Natureza da crise
Para Mészáros, a crise que o mundo enfrenta é uma “crise estrutural profunda e cada vez mais grave, que necessita da adoção de remédios estruturais abrangentes, a fim de alcançar uma solução sustentável”. Apesar de comumente a crise ser apresentada como ‘atual’, Mészáros discorda que ela tenha se originado em 2007, com a explosão da bolha habitacional dos Estados Unidos. A crise teria começado há mais de quatro décadas e, em 1971, ele já escrevia no prefácio de “Teoria da Alienação em Marx” que as revoltas de maio de 68 e seus desdobramentos “salientavam dramaticamente a intensificação da crise estrutural global do capital”.

Por ser uma crise estrutural, e não apenas conjuntural, esta crise não pode ser solucionada no foco que a gera sem que não haja uma mudança desta estrutura que a criou. Mészáros reforça a diferença entre as crises conjunturais e estruturais, diferenciando-as pela impossibilidade destas realimentarem o sistema, se remodelarem a partir de uma nova forma ainda nas bases do sistema capitalista. Isto, contudo, não significa que as crises conjunturais possam se apresentar até mesmo de forma mais violenta que as crises estruturais.

“O caráter não-explosivo de uma crise estrutural prolongada, em contraste com as grandes tempestades, nas palavras de Marx, através das quais crises conjunturais periódicas podem elas mesmas se liberar e solucionar, pode conduzir a estratégias fundamentalmente mal concebidas, como resultado da interpretação errônea da ausência de tempestades, como se tal ausência fosse uma evidência impressionante da estabilidade indefinida do ‘capitalismo organizado’ e da ‘integração da classe trabalhadora’”, diz Mészáros.

O que esta crise (que não é nova) teria como características que a definem como estrutural? Mészáros aponta quatro aspectos principais: o caráter universal (ou seja, não é reservada a um ramo da produção, ou estritamente financeira, por exemplo); o escopo verdadeiramente global (não envolve apenas um número limitado de países); escala de tempo extensa e contínua (“se preferir, permanente”, adiciona Mészáros, enfatizando que não se trata de mais uma crise cíclica do capital) e, por fim, modo de desdobramento gradual (“em contrates com as erupções e colapsos mais espetaculares e dramáticos do passado”, diz o filósofo). Assim é construído o cenário que qualificaria esta crise como estrutural, com a impossibilidade de solução das “tempestades” dentro da atual estrutura.

Capitalismo destrutivo
Outro ponto levantado por Mészáros – e recebido com manifestações de apoio pela platéia – foi delinear os “limites absolutos” do capitalismo. Um desses limites passa pelo papel do trabalho na sociedade, que é visto como uma necessidade, tanto para os indivíduos que produzem quando para a sociedade como um todo. Uma situação onde o trabalho seja visto como um problema, ou pior, como uma falha, tem em si um limite a ser resolvido. O capitalismo, para Mészáros, “com seu desemprego perigosamente crescente” (ainda que a questão não seja meramente numérica), apresenta no trabalho um dos seus limites.

Mészáros chama ainda a atenção para outros males dessa estrutura. A primeira questão apresentada pelo filósofo estaria no foco que o capital vem apontado, os “setores parasíticos da economia”. Para ilustrar o que seria isso, Mészáros aponta para o aventurismo especulativo que a economia tem vivenciado (e que, quando peca em seus resultados, é apontado como um fracasso individual, pertencente a um determinado grupo, quando, para o filósofo, deveria ter o sistema como grande culpado, visto que ele deveria responder por aquilo que produz para se oxigenar) e a uma “fraudulência institucionalizada”.

As guerras e o seu complexo aparato industrial militar aparecem como um desperdício autoritário ao qual o capital submete a sociedade. Este ponto é analisado por Mészáros como uma “operação criminosamente destrutiva e devastadora de uma indústria de armas permanente, juntamente com as guerras necessariamente a elas associadas”. Esta produção sistemática de conflitos e estímulo a uma produção militar resultaria no outro limite destrutivo no capitalismo, apesar de não ser apenas resultado deste, que seria a destruição ecológica: “o dinamismo monopolista militarmente embasado teve até mesmo que assumir a forma de duas devastadoras guerras mundiais, bem como da aniquilação total da humanidade implícita em uma potencial terceira guerra mundial, além da perigosa destruição atual da natureza que se tornou evidente na segunda metade do século XX”.

Criar o futuro
“Existe e deve existir esperança”, diz o filósofo. Apesar do retrato de destruição apresentado por Mészáros e vivenciado cotidianamente dentro da própria estrutura capitalista da sociedade, faz-se o esforço de pensar o futuro, não apenas como um desejo sonhador, mas sim como uma tarefa necessária para mudar o sistema.

A solução para os problemas apontados pelo capital já foram apresentados em momentos históricos anteriores. Mészáros resgata as soluções apresentadas para o capitalismo. Relembrando o liberal John Stuart Mill, Mészáros aponta como inconcebível que o capitalismo chegue a “um estado estacionário da economia”, como defendia Mill, pois faz parte da lógica capitalista a incessante expansão do capital e da sua acumulação.

Retomando o ponto do limite da ecologia, fica mais visível o caráter ilusório de um freio para o capital, visto que em 2012 será realizado o Rio+20, Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que pretende engajar as nações em um projeto sustentável de crescimento. As tentativas de criar projeções para as taxas de emissão de carbono, por exemplo, sempre presente nas pautas ecológicas, seriam, para Mészáros, a evidência da incompatibilidade entre o capital e o freio, ainda, entre o capital e o não-avanço destrutivo na natureza.

Mészáros ainda aponta como soluções já tentadas na história: a saída social democrata, socialismo evolutivo, o Estado de Bem Estar Social e a promessa da fase mais elevada do socialismo. “O denominador comum de todas essas tentativas fracassadas – a despeito de suas diferenças principais – é que todas elas tentaram atingir seus objetivos dentro da base estrutural da ordem sociometabólica estabelecida”. Pensar a mudança sem erradicar o capital, portanto, seria deixar latente a possibilidade do capital voltar, ser “restaurado”. A mudança, para Mészáros, precisa ser estrutural e radical, como ele bem especificou para a plateia, extirpando o capital pela raiz.

O rombo estadunidense na economia, com um débito alarmante de U$ 14 trilhões, é, para o filósofo, a marca de um desperdício. Ao ver a inquietude dos capitalistas com a China e seus “três trilhões [de dólares] em caixa”, o capitalismo já pensa um “melhor uso” para esse montante. “E qual é o melhor uso? Por de volta no buraco que fizeram nos Estados Unidos?”, questiona Mészáros. Como foi gerado e como se pode assegurar que um rombo desta proporção não se repita na história são perguntas entrelaçadas ao caráter estrutural da crise e, em conseqüência disto, da resposta necessariamente estrutural que ela requer. Crise esta que tropeça em suas intermináveis guerras, devastação da natureza e contínua produção destrutiva.

Foto: Amana Dutra/LabFoto

Lula recebe prêmio por "Fome Zero"


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi anunciado nesta terça-feira como um dos vencedores do prêmio World Food Prize 2011, ao lado de John Kufuor, ex-presidente de Gana. O nome de Lula foi anunciado em uma cerimônia no Departamento de Estado americano, em Washington, com a presença da secretária Hillary Clinton. O prêmio, instituído em 1986 pelo Nobel da Paz Norman Borlaug, reconhece pessoas que "contribuem para o avanço do desenvolvimento humano ao melhorar a qualidade, quantidade e disponibilidade de alimentos no mundo".



Lula recebe prêmio por "Fome Zero"



O World Food Prize inclui uma premiação em dinheiro, de US$ 250 mil (cerca de R$ 398 mil), além de uma escultura de autoria do designer Saul Bass. A cerimônia de entrega do prêmio está marcada para o dia 13 de outubro em Des Moines, capital do Estado americano de Iowa (centro do país). Fome Zero Segundo os organizadores da premiação, Lula e Kufuor foram escolhidos "por seu comprometimento pessoal e liderança visionária" durante o período que exerceram a Presidência "ao criar e implementar políticas de governo para aliviar a fome e a pobreza em seus países".

"As importantes realizações desses dois ex-chefes de Estado ilustram que a liderança transformacional pode realmente provocar mudanças positivas e melhorar de maneira significativa as vidas das pessoas", diz o texto de apresentação dos vencedores no site da World Food Prize Foundation.

"Durante os oito anos de seu governo, o comprometimento e a visão do presidente Lula conquistaram reduções dramáticas na fome, pobreza extrema e exclusão social, melhorando imensamente as vidas do povo do Brasil", afirma a fundação.

A World Food Prize Foundation cita o sucesso dos programas de combate à fome no Brasil - encabeçados pelo Fome Zero - durante os dois mandatos de Lula e ressalta que durante seu governo o país reduziu pela metade a proporção de pessoas que passam fome e também o percentual de brasileiros vivendo em pobreza extrema. "O Fome Zero rapidamente se transformou em uma das mais bem-sucedidas políticas de segurança alimentar e nutricional no mundo, por meio de sua ampla rede de programas", diz o texto.