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terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

A Catedral

A Catedral









A Catedral



Rogel Samuel




Alphonsus de Guimaraens sonha com uma catedral, misteriosa, entre brumas, entre as luzes da aurora, branca de sol, cantam os sinos, cor de sol, ao som dos cânticos lúgubres, a catedral segue o seu rumo, o segue o seu sol, atravessa o dia, lírios, lilases e a tarde esquiva, clamam os sinos, a catedral é o luar, os sons da lua e o céu se apagam, cortam os relâmpagos pela noite escura, a catedral mergulha no caos de sua noite, de sua morte, e os sinos choram, a catedral mergulha em sua luz, em sua sonoridade... de manhã na sua paz, de tarde na sua amargura, de noite no seu medo, na sua morte...



Entre brumas ao longe surge a aurora,
O hialino orvalho aos poucos se evapora,
Agoniza o arrebol.
A catedral ebúrnea do meu sonho
Aparece na paz do céu risonho
Toda branca de sol.

E o sino canta em lúgubres responsos:
"Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!"

O astro glorioso segue a eterna estrada.
Uma aurea seta lhe cintila em cada
Refulgente raio de luz.
A catedral eburnea do meu sonho,
Onde os meus olhos tao cansados ponho,
Recebe a bencao de Jesus.

E o sino clama em lugebres responsos:
"Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!"

Por entre lirios e lilases desce
A tarde esquiva: amargurada prece
Poe-se a luz a rezar.
A catedral eburnea do meu sonho
Aparece na paz do ceu tristonho
Toda branca de luar.

E o sino chora em lúgubres responsos:
"Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!"

O céu e todo trevas: o vento uiva.
Do relâmpago a cabeleira ruiva
Vem acoitar o rosto meu.
A catedral ebúrnea do meu sonho
Afunda-se no caos do céu medonho
Como um astro que já morreu.

E o sino chora em lúgubres responsos:
"Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!"

domingo, 1 de novembro de 2009

A Catedral













A Catedral



Rogel Samuel




Alphonsus de Guimaraens sonha com uma catedral, misteriosa, entre brumas, entre as luzes da aurora, branca de sol, cantam os sinos, cor de sol, ao som dos cânticos lúgubres, a catedral segue o seu rumo, o segue o seu sol, atravessa o dia, lírios, lilases e a tarde esquiva, clamam os sinos, a catedral é o luar, os sons da lua e o céu se apagam, cortam os relâmpagos pela noite escura, a catedral mergulha no caos de sua noite, de sua morte, e os sinos choram, a catedral mergulha em sua luz, em sua sonoridade... de manhã na sua paz, de tarde na sua amargura, de noite no seu medo, na sua morte...



Entre brumas ao longe surge a aurora,
O hialino orvalho aos poucos se evapora,
Agoniza o arrebol.
A catedral ebúrnea do meu sonho
Aparece na paz do céu risonho
Toda branca de sol.

E o sino canta em lúgubres responsos:
"Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!"

O astro glorioso segue a eterna estrada.
Uma aurea seta lhe cintila em cada
Refulgente raio de luz.
A catedral eburnea do meu sonho,
Onde os meus olhos tao cansados ponho,
Recebe a bencao de Jesus.

E o sino clama em lugebres responsos:
"Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!"

Por entre lirios e lilases desce
A tarde esquiva: amargurada prece
Poe-se a luz a rezar.
A catedral eburnea do meu sonho
Aparece na paz do ceu tristonho
Toda branca de luar.

E o sino chora em lúgubres responsos:
"Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!"

O céu e todo trevas: o vento uiva.
Do relâmpago a cabeleira ruiva
Vem acoitar o rosto meu.
A catedral ebúrnea do meu sonho
Afunda-se no caos do céu medonho
Como um astro que já morreu.

E o sino chora em lúgubres responsos:
"Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!"

sábado, 23 de maio de 2009

A catedral









A catedral

Rogel Samuel


Meu pai cresceu ao lado dessa catedral. Quase cantou no seu coro. Eu amo a catedral de Strasburgo não é por isso. É pelo seu mistério. Espero vê-la ainda várias vezes, antes de morrer. É um lugar tão imponente que vale uma viagem só para vê-la. Mas a melhor hora de visita é pouco antes das 18 horas. Fique perto do relógio lá dentro e espere. Às 18 horas sai um boneco de metal, uma caveira, sai de dentro de uma portinhola e bate um sininho cujo som se expande e domina toda a nave. E o grande sino lá em cima responde. A caveira representa o tempo, a morte, a transitoriedade de tudo, nos diz que vamos morrer um dia. O sino maior não está em uso, está no chão, você pode ver e tocar nele. É tão grande que seu som estava abalando a estrutura de 142 metros de altura daquela construção... para ter uma idéia veja, compare com a altura das pessoas que estão no chão na foto, click para ampliar. Mas há outro sino, mais sinistro ainda, mais trágico, que só toca poucas vezes em cada Século, ainda bem, só em grandes calamidades mundiais, guerras, pragas... meu pai o ouviu, durante a Primeira Guerra Mundial... Depois dela, daquela sinistra caveira, sai outro boneco pelo outro lado... e bate o sininho de som fino, agudo, terrível... e o possante e grande sino responde... e depois vem outro boneco, e bate, e responde, e bate, e responde até que o grande órgão da igreja literalmente desaba como uma catástrofe sonora, numa tempestuosa massa de sons crescentes maiores mais possantes mais volumosos até que você tem que se segurar para não cair desmaiado ou morto ou desfalecido e em prantos...