domingo, 31 de outubro de 2010

Dilma é eleita a primeira mulher presidente do Brasil, aponta Datafolha




Dilma é eleita a primeira mulher presidente do Brasil, aponta Datafolha

DE SÃO PAULO

Atualizado às 19h33.

Dilma Rousseff (PT) é a primeira mulher presidente do Brasil, segundo o Datafolha.

Com 80,66% dos votos apurados, a candidata petista alcançou até o momento 54,22% dos votos válidos e tem 44,2 milhões de votos. O tucano José Serra tem 37,4 milhões, com 45,78%

A abstenção gira em torno de 20,9%.

O eleitorado brasileiro é de 135 milhões de pessoas

CRATERA


RIO - Um enorme buraco que se abriu em uma rua residencial da cidade de Schmalkalden, na Alemanha, engoliu um carro e obrigou moradores a deixarem 23 casas na área. Nenhuma construção foi atingida. Ainda não se sabe o que causou a abertura da cratera.

O buraco teria 20 metros de profundidade, segundo a imprensa local. Um morador chegou a ligar para polícia por volta das 3h desta segunda-feira depois de ouvir um forte estrondo, possivelmente causado pela cratera.

Segundo a polícia, por segurança, agentes evitaram se aproximar do local para realizar investigações. Autoridades informaram que um helicóptero estava sobrevoando a área para tentar medir a extensão da cratera.

Há possibilidade de uma bomba da Segunda Guerra Mundial ter explodido no local. Moradores disseram ter ouvido relatos de que durante o conflito havia um bunker subterrâneo sob a rua.

Boca de urna do Ibope mostra Dilma com 57% e Serra com 43%


Boca de urna do Ibope mostra Dilma com 57% e Serra com 43%
FOLHA.COM

Rogel Samuel: Um dia que decide o futuro





Rogel Samuel: Um dia que decide o futuro

O dia de hoje é uma bifurcação para nosso futuro. De um lado está uma incógnita volta a um passado triste. Do outro, a consolidação do país como de primeiro mundo. De um lado as poderosas forças da calúnia, da mentira, do noticiário truncado, do mundo às avessas. Do outro, a certeza de que continuaremos no rumo certo do nosso destino.

Há dias que valem décadas. O dia de hoje é um deles.

Não sabemos que Brasil sairá das urnas.

Depende disso a vida do futuro de nossos filhos e netos.

HOJE





DE CARTA MAIOR

Hoje, a esperança progressista de todo o mundo dirige seu olhar para o Brasil. Dois projetos de futuro confrontam-se aqui numa síntese dos antagonismos históricos realçados pela crise econômica mundial. Trata-se de decidir a quem pertence o destino da sociedade e do desenvolvimento no século XXI: ao escrutínio da cidadania organizada e ativa –que não restringe sua participação ao momento do voto-- ou à supremacia das finanças desreguladas, cujos impulsos irracionais, mais uma vez evidenciados nesta crise, esfarelam ciclicamente não apenas a riqueza fictícia, mas os direitos que sustentam a convivência compartilhada e, cada vez mais, os recursos que formam as bases da vida na Terra. A América Latina representa hoje a fronteira do mundo onde o embate entre essas duas lógicas evolui de forma cada vez mais nítida e veloz a favor das forças populares. A eleição brasileira representa sem dúvida o grande guarda-chuva político que influenciará decisivasmente o passo seguinte da história regional . As diferentes concepções de desenvolvimento e de estratégia internacional ficaram claramente demarcadas ao longo da campanha que desemboca agora na urna eletrônica. Por isso, hoje, vote 13, vote com orgulho, vote pelo Brasil. Mas também pelo futuro de uma América Latina mais justa e solidária.

Alckmin contraria lei eleitoral e é retirado da seção eleitoral

Alckmin contraria lei eleitoral e é retirado da seção eleitoral



Depois de votar, o governador eleito de SP queria dar entrevista à tevê ainda dentro da seção eleitoral

Por: Cida de Oliveira, Rede Brasil Atual

Publicado em 31/10/2010, 11:08

Última atualização às 11:11


São Paulo - O governador eleito por São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), foi convidado a se retirar da seção eleitoral onde vota, no Colégio Santo Américo, na zona sul de São Paulo.
Assim que retirou seus documentos com os mesários, em vez de sair logo da sala para liberar o espaço para outros eleitores, Alckmin se preparava para dar entrevista a repórteres no local, descumprindo a lei eleitoral, pois atrapalha o andamento das votações.

A entrevista só não aconteceu porque os mesários intervieram e solicitaram que o governador se retirasse. Antes disso, porém, jornalistas e fotógrafos que aguardavam do lado de fora já tinham começado a tentar entrar na sala, o que poderia ter se tornado um pequeno tumulto.

Vantagem de Dilma em MG beira 20 pontos e desanima tucanos

Vantagem de Dilma em MG beira 20 pontos e desanima tucanos



Apesar do empenho e otimismo de José Serra (PSDB) na última semana de corrida eleitoral, assessores e aliados sabem que uma vitória sobre Dilma Rousseff (PT) é improvável. Por isso não foi reservado nenhum local de comemoração para este domingo, quando eleitores escolherão o substituto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No primeiro turno, havia certeza de que tucano passaria a etapa e, por isso, a campanha alugou um espaço para eventos na capital paulista.
O diagnóstico mais duro de que a vitória é improvável veio de Minas Gerais, onde Serra tinha esperança de que o senador eleito Aécio Neves (PSDB) ajudasse a promover uma virada. Na quinta-feira, ele e o governador reeleito, Antonio Anastasia, fizeram um relato de como estava a situação no Estado: Dilma se mantém forte no Norte e no Triângulo Mineiro, onde nem Anastasia venceu.

19 pontos de vantagem para Dima em MG

Um integrante do PSDB mineiro que mantém diálogo frequente com Serra contou ao iG que a diferença em pontos percentuais entre Dilma Rousseff (PT) e Serra ficará nos números da contagem nacional. De acordo com as últimas pesquisas, a petista está 14 pontos percentuais na frente.

Mas uma pesquisa encomendada pelo jornal O Tempo mostra que a vitória de Dilma em Minas será maior. A pesquisa DataTempo/CP2 realizada em todo o Estado mostra vantagem da candidata do PT de 19 pontos percentuais em relação ao seu adversário tucano. A petista registra 59,50% dos votos válidos (não são considerados os brancos, nulos e os indecisos) contra 40,50% de Serra.

Contabilizando todas as intenções de votos (brancos, nulos, indecisos), Dilma tem 52,53% da preferência do eleitorado contra 35,81% de Serra. Afirmam que não sabem em quem votar ou não respondem 5,40% dos pesquisados. Dizem que vão anular o voto 4,14% e 1,54% pretende votar em branco. Afirma que não quer votar em ninguém 0,58% dos entrevistados.

Na comparação com a pesquisa DataTempo/CP2 divulgada em 20 de outubro, as intenções de voto em Dilma cresceram de 51,22% para 52,53% - variação abaixo da margem de erro, que é de 2,16 pontos percentuais. Já José Serra caiu de 38,37% para 35,81% - um pouco acima da margem de erro.

Na pesquisa espontânea, quando não são apresentados os nomes dos candidatos aos entrevistados, Dilma Rousseff se mantém na liderança. Nessa situação, ela tem 50,80% das intenções de voto contra 34,07% de José Serra.

Dilma vence também em Belo Horizonte

De acordo com a pesquisa DataTempo/CP2, Dilma registra o seu melhor desempenho nas regiões mais pobres do Estado. Nas regiões Norte e Noroeste de Minas, a petista tem 61,50% das intenções de voto contra 30,80% do candidato do PSDB. Situação parecida ocorre nos vales do Jequitinhonha e Mucuri, onde Dilma Rousseff conta com 60,70% da preferência do eleitorado, e José Serra registra 27% do total.

As regiões Central, Oeste e Sudoeste são as que oferecem melhor desempenho para José Serra em Minas Gerais, segundo a pesquisa DataTempo/CP2.

Na região Central, José Serra vence Dilma Rousseff . Ele tem 51,10% das intenções de voto contra 46,70% da candidata petista. Quadro semelhante ocorre nas regiões Oeste, Sudoeste, onde o tucano também supera a petista. Ele registra 50,70% da preferência do eleitorado contra 39,30% de Dilma Rousseff.

Na região metropolitana de Belo Horizonte, onde os candidatos fazem hoje as últimas atividades de campanha, Dilma Rousseff vence José Serra. A petista contabiliza 54,40% das intenções de voto contra 30,70% do tucano. No Triângulo Mineiro, Dilma também vence Serra com 54,90% contra 35,20%.

O Campo das Vertentes é a região em que a candidata Dilma Rousseff (PT) e o seu rival José Serra (PSDB) mais se aproximam. Nessa área do Estado, a petista tem 44% das intenções de voto contra 40,40% do tucano.

Desanimados, tucanos dizem: "Minas é isso"

“Minas é isso. Um retrato do Brasil mesmo”, disse o interlocutor tucano ainda enquanto Serra discursava para militantes do PSDB em evento político realizado na quinta-feira em Montes Claros, município localizado no semi-árido na região Norte de Minas. Na cidade, Dilma deverá vencer com facilidade. No primeiro turno, o tucano ficou em terceiro lugar.

Ex-governador mineiro e senador eleito pelo PSDB, Aécio Neves também estava no evento. Assim como Serra, Aécio tentou demonstrar otimismo. “Acho que ainda dá. Não podemos nos preocupar com pesquisas. Tem um movimento silencioso em favor de Serra”, disse.

Fazendo uma autocrítica, lideranças tucanas avaliam que esse “movimento silencioso”, como classificou Aécio, talvez seja tão silencioso que desanime eleitores, aliados e, especialmente, doadores. A ida de Serra ao segundo amenizou a dificuldade financeira pela qual a campanha tucana passou na primeira etapa, mas não foi o suficiente para enfrentar a robusta empreitada adversária.

Desanimados, auxiliares de Serra tentam se espelhar no “chefe” e manter o vigor no fim da disputa. Na última semana de campanha, o tucano chegou a viajar para quatro Estados no mesmo dia. Ele, sim, não perde o ânimo, apesar dos avisos de auxiliares de que poderá perder a eleição também em Minas.

As pesquisas de intenção de voto também contribuíram para o clima. Até mesmo o levantamento encomendado pelo próprio PSDB ao instituto carioca GPP, ligado ao ex-prefeito do Rio Cesar Maia, apontava vitória de Dilma a poucos dias da eleição. Daí a campanha de difamação da reputação dos principais institutos de pesquisa liderada pelo coordenador da campanha de Serra, o senador Sérgio Guerra.

Como resume uma liderança tucana, a vitória de Serra é mais um desejo do que uma possibilidade real. No Nordeste, o candidato derrotado ao governo de Pernambuco pela aliança tucana, Jarbas Vasconcelos (PMDB), reconhece que o objetivo na região é “diminuir o tamanho da derrota”. Para isso, apostam na abstenção. No primeiro turno, os eleitores contaram com o transporte providenciado por candidatos a deputado para chegarem até as urnas. Sem essa ajuda, agora, a diferença entre Dilma e Serra pode cair, espera o deputado Raul Jungmann (PPS).

A esperança é que Serra consiga tirar a desvantagem em São Paulo e nos Estados do Sul. Em São Paulo, o presidenciável conta com o governador eleito pelo PSDB, Geraldo Alckmin, para garantir uma vitória confortável. A conta é de 5 milhões de votos de vantagem sobre Dilma.

Fonte: iG

Milhões na defesa de Dilma e de Lula. E a esperança venceu o ódio

Milhões na defesa de Dilma e de Lula. E a esperança venceu o ódio

Com o último debate na noite de ontem na Rede Globo, no qual nossa candidata Dilma Rousseff (governo-PT-partidos aliados) se impôs como a favorita do eleitorado e como a sucessora do presidente Lula, mais as pesquisas desta semana, fica comprovado que a estratégia da mentira, da calúnia e a campanha reacionária e obscurantista do adversário pela oposição José Serra (PSDB-DEM-PPS) e de sua aliança não lhe deu um voto. Pelo contrário, eles perderam o eleitorado jovem e a inteligência do país. E não ganharam nem no voto religioso, onde Dilma vence. José Serra, ainda por cima, rasgou sua biografia e renunciou ao passado progressista que cinicamente reinvidicou ao longo da campanha e na propaganda eleitoral no rádio e na TV. Sem sombra de dúvida, quem fez a diferença e nos deu essa vitória foi a militância.


BLOG ZE DIRCEU

Jogada para cima dos amazonenses

Jogada para cima dos amazonenses


BLOG DO ZE DIRCEU


É blefe, não procede, é totalmente mentirosa a notícia publicada por uma revista semanal de grande circulação nacional, segundo a qual o governador reeleito do Amazonas, Omar Aziz (PMN) abandonou a candidatura Dilma Rousseff (governo-PT-partidos aliados) e estaria trabalhando pela do nosso adversário, o candidato da oposição José Serra (PSDB-DEM-PPS).

Omar Aziz continua fiel à candidatura Dilma, assim como os dois senadores eleitos no Estado, o ex-governador Eduardo Braga (PMDB) e a deputada Vanessa Graziottin (PC do B). Omar telefona diariamente ao comando da campanha, mantendo um entendimento perfeito com a coordenação e, inclusive para reiterar sua meta: conquistar, amanhã, para a candidata petista ao Planalto 80% dos votos válidos do seu Estado.

Rogel Samuel: O valor do voto






Rogel Samuel: O valor do voto

Diz “O globo” que no primeiro turno houve 18 % de abstenções. O quadro é esse:

votos brancos 3.479.340 (2,56%)

votos nulos 6.124.254 (4,51%)

abstenção 24.610.296 (18,12%)

A soma de brancos, nulos e abstenções foi gigantesca, no primeiro turno: quase 25%, o que daria para decidir uma eleição.

Nos Estados Unidos a campanha eleitoral é acompanhada pelo seu prestígio em doações em dinheiro. Só no Brasil os partidos se envergonham disso, e a população confunde isto com compra de voto.

O voto sempre é “comprado”, mesmo quando só se vende o prestígio do candidato/a, vendido como produto. Pois as democracias modernas vivem de marketing, que são “c onjuntos de estratégias e ações que provêem o desenvolvimento, o lançamento e a sustentação de um produto ou serviço no mercado consumidor, estratégias e ações que visam a aumentar a aceitação e fortalecer a imagem de pessoa, idéia, empresa, produto, serviço, etc., pelo público em geral, ou por determinado segmento desse público” (Aurélio).

Diz Bourdieu que a lógica do voto é desfavorável aos desinformado. Para que todos os eleitores possam votar conscientemente, eles tem de possuir o mesmo grau de informação, de saber, ou seja, os instrumentos culturais, o capital cultural necessário para produzir uma opinião pessoal.

Isto depende de uma espécie de sabedoria, no duplo sentido de autonomia e conformidade com os seus interesses pessoais vinculados a uma classe social específica.

Não é fácil saber quais são os meus interesses e os de minha classe social.

O pior eleitor é aquele que julga que o que está em jogo é a escolha de duas pessoas, como numa disputa de personalidades. Este é o mais perigoso, e o mais fácil de ser enganado. Basta-lhe o desempenho do candidato/a, como de um ator/a.
Ou seja, muitos agentes se perdem e se confundem e não votam a favor de seus próprios interesses, porque não sabem, ou não vêem.
O voto é “favorável aos dominantes pelo fato de ter as estruturas da ordem social funcionando a seu favor” diz Bourdieu.

Os dominados não têm chance alguma de escapar à alternativa da demissão (por meio da abstenção) ou da submissão, a não ser que abandonem a lógica, para eles profundamente alienante, da escolha individual. (Pierre Bourdieu: O sufrágio universal e a invenção democrática - Vários autores).
Isso recupera as idéias de Marx que sabia que a classe que detém os meios de produção material também detém os meios de produção intelectual.
O voto pode expressar esse desequilíbrio, mas no mundo moderno essa distinção quase desapareceu, houve um avanço sistemico graças às novas tecnologias da informação. A Internet expõe as estruturas do poder para todos. A Internet é o maior fator de democracia atual.
O perigo é o voto nulo e a abstenção, ou o tipo de voto “de protesto”, pois todo voto é “de protesto”.

O voto “de protesto” anula o voto. A abstenção anula o eleitor.

Rogel Samuel

sábado, 30 de outubro de 2010

Rogel Samuel: O perigo da maioria silenciosa





Rogel Samuel: O perigo da maioria silenciosa

Diz Luis Nassif que “em 1969, em virtude das manifestações contra a guerra do Vietnã, o então presidente americano Richard Nixon fez um discurso em que se dirigia à "grande maioria silenciosa", formada pelas bases conservadoras do partido Republicano, que não havia ido às ruas, que apoiava a guerra, e pedia apoio para unir-se a ele em favor da vitória dos Estados Unidos. A estratégia funcionou e Nixon conseguiu reeleger-se em 1972”.

O termo me assaltou quando eu ontem estava num restaurante e ouvi o seguinte diálogo na mesa ao lado:

- A senhora viu o debate na tv ontem? – perguntou um rapaz.

- Eu não vou perder meu tempo... – respondeu uma senhora.

Por causa dessa imensa “maioria silenciosa” que se recusa a ver a realidade (que é política) é que houve a terrível guerra do Vietnã quando mais de 400 mil soldados e civis morreram durante o conflito de nove anos, quando quase três milhões de jovens norte-americanos serviram durante os 15 anos de engajamento militar e 56 mil soldados americanos morreram e mais de 300 mil voltam para casa mutilados ou com deficiência e que bem poderiam ser filhos daquela senhora elegante que não quis “perder o seu tempo”.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Rogel Samuel: Benjamin Sanches


Rogel Samuel: Benjamin Sanches

Leio no excelente Blog do coronel que a Livraria Acadêmica de Manaus fechou as portas em 2009. Eu saberia se tivesse ido a Manaus, pois era um dos lugares aonde sempre ia, desde a adolescência.

“Fundada em 1912, este estabelecimento fechou as portas ano passado. Agora, o edifício passa por reformas e, certamente, ali não mais haverá livros nem papéis. Nem o acolhimento fidalgo do seu Barata. Restará apenas saudades pelo fim do mais antigo templo ocupado pelos leitores da cidade” escreveu Roberto Mendonça.
“O Estado, por iniciativa da Secretaria de Cultura, já transferiu o que restou do acervo da Acadêmica para o Centro Cultural Palácio Rio Branco. Merece ser visitado, aproveitando o visitante para estender os olhos pelos outros seletos ambientes”, acrescentou.

Numa de minhas idas à Acadêmica, comprei um raríssimo exemplar de “Argila”, de Benjamin Sanches, com a bela capa de Moacir Andrade.

O livro estava tão escondido no fundo da sala, que o Sr. Barata não queria vender-me, pois não sabia o preço.

Onde andarão aquelas gigantescas estantes de madeira?

E o passado, ali recolhido?

Aquela livraria teve muito a ver comigo: Foi uma das poucas livrarias de Manaus que comprou o meu “O amante das amazonas” diretamente da Editora Itatiaia.

Termino reproduzindo um poema de “Argila”, chamado “Fé”:

Ver
sem
bem
crer.
Crer
sem
bem
ver.
Crer
é
fé.
Ver
não
é.

(Argila, Manaus, Sergio Cardoso, 1957)

Agora, a revolução cidadã?


Agora, a revolução cidadã?

Tomada de um sentimento dramático, a militância cidadã da esquerda brasileira, entendida em uma significação muito ampla, como social, política e cultural ao mesmo tempo, como centenas de milhares, talvez como alguns milhões de ativistas, entraram decididamente na campanha. Em Belo Horizonte, mesmo após as divisões e derrotas amargas colhidas no primeiro turno, esta militância cidadã fez o que parecia impossível e que desde 1989 não era feito: conseguiu abraçar a Avenida do Contorno, a principal avenida da cidade, em um encontro de antigas e novas gerações, repondo no centro da vida pública da capital de Minas os motivos e esperanças da esquerda. O artigo é de Juarez Guimarães.

Juarez Guimarães


Se a figura anônima, sinistra e multiforme do caluniador dominou a cena da última quinzena do primeiro turno das eleições, parece ser agora a figura pública, irradiante e multitudinária do cidadão ativo que vai ao centro. Se a primeira fazia da mídia empresarial a sua morada e espelho de amplificação, a segunda está nas ruas, das cidades ou virtuais, com suas vozes e gestos insubmissos.

Se, ao final do primeiro turno, a candidatura Serra havia se encorpado à direita, como se o inconsciente conservador brasileiro tivesse vindo à tona, de fanáticos religiosos ao que há de protofascismo entendido como reação agressiva à presença dos pobres e negros na democracia brasileira, a candidatura Dilma Roussef está se encorpando claramente à esquerda.

À postura saliente do clero de ultra-direita, a tradição da Teologia da Libertação, com Dom Pedro Casaldáliga , Dom Tomaz Balduíno, Leonardo Boff e Frei Betto à frente, tomou em uníssomo o seu posicionamento político unitário mais importante nos últimos dez anos. O voto crítico do PSOL em Dilma Roussef, com a derrota dos setores mais sectários, deve ser justamente valorizado para diálogos futuros. O engajamento nítido e vibrante do MST, que já havia decidido o “voto contra Serra” no primeiro turno, assim como da Consulta Popular, ajudaram a criar uma espécie de frente única dos movimentos sociais.

Em torno ao posicionamento de Chico Buarque, esta espécie de fundamento gauche do que há de melhor na tradição cultural brasileira, promoveu-se, enfim, o encontro dos artistas e intelectuais no Rio de Janeiro, elaborando pela primeira vez uma espécie de aura lírica da campanha. Reitores de universidades federais, professores e cientistas de todo o país, a UNE com suas tradições e rebeldias estudantis, vieram a público dar testemunho dos progressos qualitativos alcançados nos governos Lula.

O que havia de esquerda e progressista em torno à candidatura de Marina decidiu-se pelo apoio à candidatura Dilma. Esta consciência ecológica crítica é fundamental pois nela está, de novo, a reivindicação do eco-socialismo, da fusão do vermelho e do verde. O posicionamento equívoco de Marina, equilibrando-se com os setores fisiológicos e conservadores do PV, frustrou e entristeceu quem apostava na reafirmação dos seus compromissos com os pobres e oprimidos do Brasil.

Houve, de enorme importância, um fenômeno novo: a formação de uma vastíssima rede democrática na Internet, informativa e argumentativa, com picos que eram registrados inclusive como recordes na rede mundial. Alguns blogs – como o da Cidadania de Eduardo Guimarães, o Blog de Rodrigo Vianna, de Nassif, o portal da Carta Maior e o portal da Carta Capital, e dezenas de outros – passaram a centralizar e dialogar com centenas de milhares de pessoas cotidianamente. Jornais eletrônicos diários de campanha passaram a ser feitos.

Mas, principalmente, tomada de um sentimento dramático, a militância cidadã da esquerda brasileira, entendida em uma significação muito ampla, como social, política e cultural ao mesmo tempo, como centenas de milhares, talvez como alguns milhões de ativistas, entraram decididamente na campanha. Em Belo Horizonte, mesmo após as divisões e derrotas amargas colhidas no primeiro turno, esta militância cidadã fez o que parecia impossível e que desde 1989 não era feito: conseguiu abraçar a Avenida do Contorno, a principal avenida da cidade, em um encontro de antigas e novas gerações, repondo no centro da vida pública da capital de Minas os motivos e esperanças da esquerda. O jornal Estado de Minas, de domingo 24 de outubro, trazia a chamada discretamente estampada na página 13: "Militância do PT repete a campanha de Lula e volta às ruas em apoio à candidatura de Dilma" e a manchete: “Abraço à Contorno depois de 21 anos”.

Como anotou Maria Inez Nassif, no jornal Valor Econômico, desde 2002 a esquerda brasileira não alcançava um arco tão amplo. Mas talvez, nem aí, no momento daquela vitória histórica, este arco fosse socialmente tão vasto e tão colorido.

Revolução democrática: o nome que precisa ser dito
O segundo turno das eleições de 2006 pode ser entendido historicamente como uma derrota política programática dos neoliberais, mais nítida ainda daquela que ocorreu em 2002. O ataque central feito às privatizações desmontou a identidade da candidatura Alckmin que, certamente obedecendo aos estímulos do marketing político que lhe soprava que esta agenda era impopular, apareceu vestido em uma camiseta da Caixa Econômica Federal. Não é apenas por ser uma imagem, mas exatamente por expressar um conceito, que a figura algo ridícula do conservador de terno preto Alckmin vestindo uma camiseta de uma estatal significou o segundo turno: ele veio a ter menos votos do que aqueles obtidos no primeiro turno.

E como se expressasse imediatamente a conquista pública obtida neste segundo turno, uma nova legitimidade para a ação econômica do Estado e para as políticas sociais, o segundo governo Lula foi exatamente marcado pelo PAC e pela expansão do emprego, do salário-mínimo, das políticas sociais, da agricultura familiar, que vieram coladas e impulsionando as novas dinâmicas macro-econômicas.

Mas se fomos capazes de compreender que Serra estava escavando uma possibilidade de vitória, articulando uma frente ampla liberal-conservadora, fanática religiosa e proto-fascista, é absolutamente necessário que revelemos claramente para o cidadão brasileiro – e para nós próprios! – o sentido e o nome do que estamos construindo. No caso de Serra, trata-se exatamente de um projeto de uma contra-revolução democrática, no sentido de que todas as conquistas democráticas obtidas nos dois mandatos de Lula – de não repressão e participação dos movimentos sociais, de direitos do trabalho e novos direitos sociais, de soberania nacional e reposicionamento público do estado – estariam em perigo com uma eventual vitória.

Se compreendemos a política democrática como formação de consensos sociais amplos, de razões argumentativas que disputam legitimidades e interesses publicamente, então, a comunicação não pode ser mais vista como externa à política. Não se faz a política e, depois, a comunicação. O conceito e a imagem estão já no próprio ato da política democrática. Assim, se não falamos inteiramente a linguagem da democracia, um campo será aberto, como foi no primeiro turno, para que um discurso liberal conservador ocupe o centro da cena. Se não falamos que lutamos contra a corrupção – é impressionante que este tema não tenho sido sequer abordado nos programas de Dilma – então, ficamos vulneráveis à acusação incessante e diariamente repetida que o PT e o governo Lula são corruptos.

Quando se fala dos feitos do governo Lula mas não se fala da sua base cidadã ativa, que tornou possível estes feitos, então, é como se um recado de desmobilização fosse transmitido. Quando criticamos a mídia empresarial, é porque ela seca o pluralismo de opiniões, dá voz aos poderosos e fecha a boca da população, é porque queremos uma opinião pública democrática, mais plural, mais informada e mais reflexiva no país. Se não falamos isto, então, ficamos de novo vulneráveis à campanha que somos a favor da volta da censura do estado quando criticamos a mídia empresarial.

Neste segundo turno, a campanha de Dilma adquiriu claramente – desde o debate decisivo da tv Bandeirantes, logo no início do segundo turno – um discurso político antagonístico ( ao contrário da propaganda auto-referida do primeiro turno), passou a dialogar com o movimento ativo das suas bases democráticas e sociais e, principalmente, foi capaz de recolocar no centro da agenda de campanha o eixo aprofundamento das mudanças ou retrocesso do Brasil. Todas as pesquisas publicadas – na média de seus índices e nas linhas dinâmicas da definição de voto – refletem estas vitórias políticas da campanha de Dilma sobre a campanha reacionária dirigida pelo PSDB.

Mas o que acontecerá nesta última semana?

O retorno do caluniador ?

Utilizando-se de uma analogia militar para caracterizar a “fúria midiática” nestes últimos dias das eleições, Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania, fala em “bombardeio de saturação”. Utilizando-se de um raciocínio semelhante, um outro analista fala da “concentração de todas as calúnias” a partir de um artifício – “uma igreja evangélica queimada”, um carro de reportagem da Globo depredado ou qualquer outro fato que se possa imaginar. Uma “armação” imprevista será feita no último debate da Globo?

Esperar expectante, angustiado e ansioso ou, pior ainda, dar já por vencida uma eleição que não foi conquistada?

Decididamente, esta não é a melhor atitude: é preciso uma iniciativa política central, que marque os dias finais da provável vitória de Dilma e que neutralize a ação potencial dos reacionários. Nos seus últimos dias de campanha, a candidatura Tarso Genro conseguiu neutralizar a pressão de voto pelo segundo turno e o anti-petismo forte no Sul, ocupando a cena política com um “Pacto Republicano”, frente a entidades sociais e democráticas do Estado, assumindo compromissos de direitos e participação cidadã, soldando sua base política e social.

Já se elaborou no centro do governo Lula, a proposta da Consolidação das Leis Sociais, articulada à institucionalização das Conferências Nacionais e de todo uma cultura participativa no governo federal. Por que não trazê-la à público agora, como síntese que solda e aglutine toda a base política e social que sustenta a candidatura Dilma?

Voto a voto, até a última hora do último dia, a militância cidadã da campanha de Dilma está em expansão. Confirmando que estamos diante do maior épico feminino de nossa história, a foto de Dilma - militante dos anos sessenta, candidata à presidência – já aparece em dezenas de milhares de camisetas militantes em todo o Brasil. Esta Dilma presentificada estava por todos os lados, por mais de vinte pontos, no abraço à avenida do Contorno em Belo Horizonte. Nesta imagem da multiplicação democrática de sua figura, na linha do passado e do futuro, mora o conceito da revolução democrática.

O governo mais republicano da história brasileira


O governo mais republicano da história brasileira

Nem o mais faccioso oposicionista ao governo Lula conseguirá citar um décimo que seja destas ações republicanas que tenham sido feitas por um governante do Brasil anterior ao presidente Lula. Não saem de nossa memória, os escândalos no governo FHC como o dos Anões do Orçamento, dos precatórios, do DNER, da compra de votos para a reeleição em 1998, da Sudene, da Sudam, do Fat/Planfor, das Privatizações, do Proer, da pasta Rosa, do Banestado e dos Bancos Marka e Fonte-Cidam, para citar apenas alguns. Mas o que mesmo foi feito de combate sistemático à corrupção pelo governo tucano ? Quem não se lembra da figura do “engavetador-geral da República”? O artigo é de Juarez Guimarães.

Juarez Guimarães


Imagine se em uma casa de mais de cem anos se fizesse, pela primeira vez de modo profundo e sistemático por um novo ocupante, uma caça e combate a baratas, ratos e outros bichos. As pragas, então, reveladas dariam a impressão que a casa está muito mais suja e infestada do que era antes. Se não fosse revelada ao público adequadamente que só agora se faz uma pesquisa e combate sistemático a estas pragas, e que a limpeza apenas começou, ficaria a impressão de que o novo dono “sujou geral”, como se diz.

A estória revela exatamente o que ocorreu durante o governo Lula e, de forma dramática, agora nas eleições presidenciais de 2010. No segundo domingo de outubro pela manhã um ponto de ônibus de um bairro de classe média alta de Belo Horizonte apareceu com a convocação fixada em letras garrafais: “ Vamos por fim ao governo Lula, o mais corrupto da história do Brasil”. Na manhã do dia seguinte, o jornal Folha de S. Paulo alardeava que dos 19 % pontos de votação alcançados por Marina Silva, 7 % tinham migrado de Dilma em função da denúncia sobre os lobbies dos filhos de Erenice.

Isto não surpreende a quem, por vários anos, vem estudando o fenômeno da corrupção no Brasil. Pelo segunda ano consecutivo, pesquisas nacionais realizadas pelo Instituto Vox Populi em 2009 identificavam que a corrupção é muito grave para 73 % dos brasileiros e grave para 24 % outros.

A pesquisa registra o paradoxo da consciência atual dos brasileiros, ao modo da estória da casa infestada de pragas e seu novo dono mais asseado: 39 % julgam que a corrupção aumentou muito durante o governo Lula, 33 % avaliam que ela aumentou um pouco e 19 % que ela não aumentou nem diminuiu. Por outro lado, quando colocados diante das opções, “1- A corrupção aumentou durante o governo Lula” ou “2- Durante o governo Lula, o que aumentou não foi a corrupção, mas a apuração dos casos que ficavam escondidos”, 75 % optavam pela resposta 2 e apenas 15 % pela resposta 1.

Os liberais conservadores e a mídia empresarial, liderados pelo ex-presidente FHC, compreenderam muito bem e antes a moral da estória da casa infestada e seu novo dono. Já passou da hora do novo governante da república brasileira, historicamente marcada pela corrupção sistêmica, vir a público para esclarecer os vizinhos da sua rua. O preço a pagar pelo silêncio é muito alto: os vizinhos podem até querer expulsá-lo de lá.

No livro mais denso e amplo de reflexões sobre a corrupção já elaborado no Brasil ( Corrupção- Leituras críticas, Editora UFMG, 2008), que mobilizou mais de 60 intelectuais de várias áreas, a crítica ao critério único da percepção como medição da corrupção aparece em vários momentos, inclusive aos relatórios divulgados pelo Banco Mundial. Por este critério único da percepção, por exemplo, uma ditadura que silenciasse todo tipo de crítica pode parecer como a menos corrupta.

Os brasileiros não sabem, por exemplo, que os escândalos dos Sanguessugas, dos Vampiros, dos Gafanhotos, do Propinoduto da Receita, do Gabiru, da Confraria, da Navalha, do Valerioduto e tantos outros foram revelados durante o governo Lula mas tinham origem em governos anteriores.

O governo mais republicano da história
A prova, fartamente documentada e sistematizada, que o governo Lula, exatamente ao contrário do que diz o cartaz apócrifo pregado em um manhã de domingo em Belo Horizonte, é o governo mais republicano da história do país está no pequeno e precioso livro de Jorge Hage, ministro-chefe da Controladoria Geral da União, intitulado “O governo Lula e o combate à corrupção” ( Editora Fundação Perseu Abramo, 2010). Lá se informa, de modo didático, aos vizinhos da rua o que o novo morador da casa anda fazendo em três capítulos: Fatos e números na área da repressão à corrupção; Fatos e números na área de prevenção e transparência; Fatos e números na área do Controle Interno (principais inovações). ( O livro “O governo Lula e o combate à corrupção” está aberto para download na Biblioteca Digital da Fundação Perseu Abramo).

O que já foi feito nestes anos foi suficiente para que o professor Stuart Gilman, consultor da ONU e do Banco Mundial e uma das maiores autoridades do mundo no tema anticorrupção, afirmasse: “Atualmente, coisas impressionantes têm sido feitas na luta anticorrupção (no Brasil)...,(o) trabalho na CGU é reconhecido mundialmente. O Portal da Transparência, onde os cidadãos podem ver onde o dinheiro público supostamente deve ser gasto, foi uma excelente idéia que se tornou um modelo para outros países. O Brasil está fazendo um grande trabalho, de verdade. E é também verdade que ainda há muito por fazer.” ( Carta Capital,16 de dezembro de 2009). Além disso, o Brasil foi classificado em oitavo lugar em um ranking de 85 países que tiveram o grau de transparência de seus orçamentos públicos analisado pelo International Budget Partneship (IBP), uma ONG com sede em Washington.

Em um Estado que tem uma história de corrupção sistêmica e não eventual, o combate à corrupção deve ser sistemático. O comando deste trabalho está na Controladoria Geral da União (CGU), que realizou três concursos públicos de 2003 a 2009, aumentando seu quadro efetivo de 1430 a 2.286 analistas e técnicos, elevou os salários de seus quadros e investiu fortemente em equipamentos.

A CGU tem funcionado como uma inteligência articuladora da luta contra a corrupção: com a Polícia Federal, mas também com o Ministério Público ( 2452 procedimentos judiciais instaurados em decorrência das fiscalizações da CGU), com a Advocacia Geral da União ( 340 ações de improbidade ajuizadas com fundamento nos trabalhos da CGU), com o Tribunal de Contas da União ( 11 mil Tomadas de Contas Especiais, com retorno potencial de 4,3 bilhões de reais aos cofres públicos) Da CGU partiram as principais inovações no combate à corrupção, que podem ser reunidas em sete.

A primeira foi a criação – antes não havia - de Um Sistema de Correição da Administração Federal, com uma corregedoria setorial em cada ministério e uma corregedoria-geral na CGU. Isto permite a punição exemplar e justa a funcionários corruptos sem ter que esperar a longuíssima tramitação processual no Judiciário. Até 31 de dezembro de 2009, já perderam o cargo efetivo ou aposentadoria, 2398 servidores federais, entre os quais 231 ocupantes de altos cargos, como dirigentes e superintendentes de estatais, secretários e subsecretários de ministérios, procuradores e fiscais da Receita, gerentes, juízes.

A segunda inovação foi a articulação CGU e Polícia Federal, que exponenciou – como nunca havia sido visto antes no Brasil – as operações especiais de desbaratamento de máfias de corrupção: de 2004 até 15 de dezembro de 2009, a PF realizou 995 operações, com a prisão de 12.989 pessoas.

A terceira inovação foi a introdução sistemática da punição aos corruptores – antes não havia - , em geral empresas que fraudam obras e serviços públicos. Foi criado o Cadastro Nacional de Empresas Inidôneas e Suspensas, disponibilizado na Internet, que evita, por exemplo, que uma empresa punida na Bahia seja contratada pelo estado do Rio de Janeiro ou pelo próprio governo federal. Está também em tramitação no Congresso Nacional um projeto de lei, enviado pelo governo Lula, que estabelece pela primeira vez punições e multas elevadas a empresas corruptoras.

A quarta inovação – antes não havia – foi a criação do Portal da Transparência (www.portaldatransparência.gov.br), considerado modelo no mundo. Ele abriga hoje cerca de 900 milhões de unidades de informação, envolvendo a aplicação de recursos orçamentários superiores a 6,4 trilhões ( de 2004 a 2009). Criado em linguagem didática e cidadã, intelegível ao cidadão comum, sem senha nem cadastro, ele permite, por exemplo, saber os detalhes de cada programa federal, de cada verba e de cada beneficiário, mês a mês, nome por nome, endereço por endereço.

A quinta inovação - antes também não havia – foi o Programa de Fiscalização por Sorteios, que fiscaliza o uso dos recursos federais repassados aos municípios nas diversas funções, como educação, saúde, assistência social, habitação. A escolha da amostra a ser fiscalizada é feita por sorteios públicos na Caixa Econômica Federal. Já foram fiscalizados , com auditorias diretas e minuciosas em cada local , 1 700 municípios envolvendo 13 bilhões de recursos federais. O mesmo foi feito para os recursos federais repassados aos estados, com 77 fiscalizações e recursos superiores a 6 bilhões de reais.

A sexta inovação – também isto não existia! – foi a criação do Conselho de Transparência Pública e combate à Corrupção, que estabelece a ponte com a sociedade civil. O Conselho tem vinte integrantes, entre os quais a OAB, a ABI, a ONG Transparência Brasil, entidades das classes patronais e dos trabalhadores. O Programa Olho Vivo já formou 19 mil cidadãos e editou 2 milhões de cartilhas, ensinando como controlar o dinheiro público. Os projetos da CGU voltados à promoção da ética e da cidadania entre a juventude já mobilizam cerca de 740 mil crianças e jovens, bem como 23,5 mil professores, de 5.500 escolas brasileiras.

Por fim, a sétima inovação – está também era um problema básico não enfrentado – é o encaminhamento de um Projeto de Lei pelo presidente Lula ao Congresso Nacional tornando mais rigorosas as punições por crimes contra a corrupção por autoridades do primeiro escalão no plano federal, estadual e municipal. Os crimes de corrupção, além de ter a pena dobrada, seriam pelo Projeto de Lei considerados hediondos, tornando-se inafiançáveis, sendo os criminosos passíveis de decretação imediata de prisão temporária de 30 dias, renováveis por igual período, sendo vedados os benefícios de anistia, graça ou indulto.

Cidadão e corrupção
Nem o mais faccioso oposicionista ao governo Lula conseguirá citar um décimo que seja destas ações republicanas que tenham sido feitas por um governante do Brasil anterior ao presidente Lula. Não saem de nossa memória, os escândalos no governo FHC como o dos Anões do Orçamento, dos precatórios, do DNER, da compra de votos para a reeleição em 1998, da Sudene, da Sudam, do Fat/Planfor, das Privatizações, do Proer, da pasta Rosa, do Banestado e dos Bancos Marka e Fonte-Cidam, para citar apenas alguns. Mas o que mesmo foi feito de combate sistemático à corrupção pelo governo tucano ? Quem não se lembra da figura do “engavetador-geral da República” ? Só pelo Ministério da Justiça passaram nove titulares em oito anos, mostrando a desconsideração total com esta área. E a Polícia Federal no governo FHC, ao invés das 1150 operações especiais feitas até agora pelo governo Lula, fez apenas...23 operações especiais!

Mas as denúncias comprovadas de atos de corrupção durante o governo Lula demonstram também que o desafio está longe de ser vencido, apesar dos avanços fundamentais conseguidos. Na maior parte da história do Brasil não havia democracia e, portanto, controle social. E quando a democracia foi reconquistada, os valores e instituições republicanas estavam profundamente corroídos.

Além de histórica, a corrupção no Brasil é sistêmica, é capaz de se reproduzir de forma permanente através das relações entre as empresas e bancos e o sistema político, os partidos e as eleições caríssimas que funcionam com financiamento privado sem controle devido. Sem a reforma política, que introduza o financiamento público e rigorosamente controlado, os circuitos da corrupção serão sempre renovados a cada eleição.

Além disso, nossa legislação penal e processual só permite levar o réu à prisão após o trânsito em julgado do último recurso, geralmente no Supremo Tribunal Federal. Não há nenhum país do mundo que ofereça tantas oportunidades aos criminosos de fugir aos rigores da lei. Os recursos e procedimentos protelatórios, usados principalmente por quem pode pagar bancas especializadas de advogados, estimulam a sensação de que o corrupto jamais terá a pena que merece.

O Brasil já consegue ver no horizonte mais próximo o fim da miséria. Precisa agora ver também o fim próximo da corrupção sistêmica. Assim como diz o poeta, para que rimar amor e dor, cidadão não rima com corrupção.

No dia 12 de outubro, Dilma afirmou com veemência, após defender a urgência da Reforma Política: “ O Brasil precisa hoje também uma melhoria nos padrões éticos e morais e necessita, para transformar-se numa sociedade desenvolvida, que a gente valorize a relação da Nação com valores culturais,e éticos e morais. É um todo que começa no combate ferrenho à corrupção. É importante perceber que não haverá impunidade no meu governo.”

Néstor Kirchner e o que vem por aí




Néstor Kirchner e o que vem por aí

Nunca fui kirchnerista. Nunca vi Nestor pessoalmente, jamais estive em um mesmo lugar com ele. Nem sequer votei nele em 2003. Eu lhe disse isso na única vez que me telefonou para pedir-me que aceitasse ser o embaixador argentino em Cuba. Sempre disse e escrevi que não me agradava seu estilo meio descarado, essa informalidade provocadora que o caracterizava. Mas fui o respeitando na medida em que, com um poder que não tinha, tomava velozmente medidas que a Argentina precisava e que quase todos vínhamos pedindo aos gritos. E que enumero agora, porque no futuro imediato me parece que teremos que destacá-las para marcar diferenças. O artigo é de Mempo Giardinelli, escritor e jornalista argentino.

Mempo Giardinelli - Página/12


Escrevo esse texto em meio ao calor dos acontecimentos, na mesma manhã do anúncio da morte de Néstor Kirchner, e oxalá esteja errado. Mas sinto dor e medo e necessito expressá-lo.

Penso que estes dias serão muito feios, com um carnaval de hipocrisia no Congresso. Os mortos políticos estarão ali com suas caras impávidas. Os ressuscitados de governos anteriores. Os bajuladores profissionais que agora se dizem “dissidentes”. Os frívolos e os garcas que diariamente desenham Rudi e Dany. Todos eles e elas. Caras de plástico, de ferro fundido, de caca endurecida. Aplaudidos secretamente por aqueles que já estão emitindo sorrisos de alegria feroz.

Os veremos na televisão, eu já os vejo neste meio dia ensolarado que, aqui no Chaco, ao menos, resplandece como que para uma causa melhor.

Nunca fui kirchnerista. Nunca vi Nestor pessoalmente, jamais estive em um mesmo lugar com ele. Nem sequer votei nele em 2003. Eu lhe disse isso na única vez que me telefonou para pedir-me que aceitasse ser o embaixador argentino em Cuba.

Sempre disse e escrevi que não me agradava seu estilo meio descarado, essa informalidade provocadora que o caracterizava. Sua maneira tão peronista de fazer política juntando água clara e azeite usado e viscoso.

Mas fui o respeitando na medida em que, com um poder que não tinha, tomava velozmente medidas que a Argentina precisava e que quase todos vínhamos pedindo aos gritos. E que enumero agora, porque no futuro imediato me parece que teremos que destacá-las para marcar diferenças.

Foi ele, ou seu governo, e agora o de Cristina:

- O que mudou a política de Direitos Humanos na Argentina. Nada menos do que isso. Agora alguns dizem que estão “fartos” do assunto, como outros criticaram sempre que era uma política mais declarativa que outra coisa. Mas Nestor o fez: iniciou a mudança e foi conseqüente. E assim se ganhou o respeito de milhões.

- O que mudou a Corte Suprema de Justiça, e não importa se, depois, a Corte não soube mudar a Justiça Argentina.

- O que abriu os arquivos dos serviços secretos e com isso reorientou o julgamento dos atentados sofridos pela comunidade judia nos anos 90.
- O que recuperou o controle público do Correio, das Águas, da Aerolíneas.

- O que impulsionou e conquistou a nulidade das leis que impediam de se conhecer a verdade e de castigar os culpáveis de genocídio.

- O que mudou nossa política externa terminando com as claudicantes relações carnais e outras palhaçadas.

- O que implementou uma consequente e progressista política educativa como não tivemos por décadas, e que mudou a infame Lei Federal de Educação menemista pela atual, que é democrática e inclusiva.

- O que começou a mudar a política para os professores e os aposentados, que por muitos anos foram os dois setores salarialmente mais atrasados do país.

- O que mudou radicalmente a política de Defesa, de modo que agora este país começa a ter umas Forças Armadas diferentes, democráticas e submetidas ao poder político pela primeira vez na história.

- O que iniciou uma gestão plural na Cultura, que agora atinge todo o país e não somente a cidade de Buenos Aires.

- O que começou a primeira reforma fiscal em décadas, que precisa avançar muito ainda,mas que hoje permite arrecadações recordes.

- O que renegociou a dívida externa e terminou com a estúpida ditadura do FMI. E, pela primeira vez, maneja o Banco Central com uma política nacional e com recorde de divisas.

- O que liquidou o infame negócio das AFJP e recuperou para o Estado a proteção social.

- O que, com a nova Lei de Meios, começou a limitar o poder absoluto da ditadura jornalística privada que provoca distorções na cabeça de milhões de compatriotas.

- O que impulsionou a Lei do matrimônio igualitário e mantém uma política antidiscriminatória como jamais tivemos.

- O que vem obtendo um crescimento econômico dos mais altos do mundo, com recuperação industrial evidente, estabilidade de quase uma década e diminuição do desemprego. Além disso, se aproxima a nova legislação das entidades bancárias, que terminará um dia destes com as heranças de Martinez de Hoz e de Cavallo.

Nestor fez isso. Junto com Cristina, que o segue fazendo. Com muitos erros, diga-se desde já. Com patadas, corruptelas e turvamentos vários e alguns muito irritantes, funcionários não apresentáveis, certa belicosidade inútil e o que se queira reprovar-lhes, tudo isso o que para muitos como eu nos dificulta nos declararmos kirchneristas, ou nos impede.

Mas só os miseráveis esquecem que a corrupção na Argentina é conatural desde que os malditos ditadores a reinventaram mil vezes. E o “riojano” (Menem) idem.

De maneira que, sem justificar o desvio de um centavo sequer, nesta hora é preciso lembrar a nação inteira que ninguém, mas ninguém, e nenhum presidente desde, pelo menos, Juan Perón, entre 46 e 55, produziu tantas e tão profundas mudanças positivas para a vida nacional.

A ver se alguém pode dizer o contrário.

De maneira que estes são os méritos deste zarolho fraco, descarado, contraditório e de andar lateral, como os pingüins.

Sim, escrevo isso dolorido e com medo, nesta fodida manhã de sol, e desolado também, como milhões de argentinos, um pouco por este homem que Estela de Carlotto acaba de definir como “indispensável” e outro poço por nós, por nosso amado e pobre país.

E redobro meu rogo para que Cristina se cuide, e para que cuidemos dela. Temos diante de nós um ano tremendo, com as matilhas sedentas e capazes de qualquer coisa para recuperar o miserável poder que tiveram e perderam graças a quem chamam de modo depreciativo “Os K” e nós, os argentinos comuns, os cidadãos e cidadãs que não comemos os alimentos envenenados pela imprensa e a televisão do sistema midiático privado, provavelmente nos recordaremos deles como “Néstor e Cristina, os que mudaram a Argentina”.

Descanse em paz, Néstor Kirchner, com todos os seus erros, defeitos e misérias, mas sobretudo com seus enormes acertos. E resista Cristina. Você não está sozinha.

E os demais, nós, a enfrentar os desafios. Ou, por acaso, temos feito outra coisa em nossas vidas e em nosso país?

(*) Escritor e jornalista argentino

Tradução: Katarina Peixoto

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Polichinelo


Polichinelo


Patience Strong

(Tradução de Cunha e Silva Filho)

http://asideiasnotempo.blogspot.com/




Encaras o futuro
Tendo, sangrando, um coração?
Polichinelo vai ser,
Ri, o papel teu desempenha –

Ousado, mostra teu desempenho
Quando levantarem as cortinas,
Sorri e a música enfrenta
Com uma máscara de alegria.

À tua dor ninguém atenção dará,
Tuas lágrimas ninguém ver desejará,
Deixa que se espalhe a canção
Pelos vazios anos vindouros –

Que os teus risos ouçam,
Que a tua arte vejam,
Ainda que, lá no fundo d’alma,
Despedaçado, atormentado, sentir-te possas.

Simulacro, engodo e glamour,
A vida, um mundo circense!
Mascaradas de prazeres,
Aflições, carências e desgraças -

Posto mais sonhos não acalentes,
Assim como finda está do Amor a alegria,
Que nada mais é senão eterno programa
- Continuar deve o show!

(Tradução de Cunha e Silva Filho)

* NOTA: Patience Strong é pseudônimo da poeta inglesa Winifred Emma.

Ramayana de Chevalier (1909-1972)




ALEGRIA

Ramayana de Chevalier (1909-1972)

Manaus, Jornal do Commercio, em 25 set. 1958

Reproduz:

http://catadordepapeis.blogspot.com/




Quando Frederico Nietzsche, do fundo de sua caverna lôbrega, afirmava que Jesus só pregava o amor ao próximo, porque não conhecia a democracia, estava em transe de iluminação. A democracia é irmã gêmea da demagogia e esta, filha dileta do diabo.

O político profissional tudo promete, certo de que irá se manter com um milésimo do prometido. Sorri, como as figuras torvas do submundo parisiense: de esgar. Aperta mãos com a solicitude dos carteiros. Tira o chapéu quando o usa, como um mágico do palco, para que surja dele uma surpresa. E, nos comícios, alteia a voz com ênfase, numa coleção abjeta de lugares comuns que todas as bocas mentirosas já repetiram; inflama os olhos; suspende o dedo em riste como se agitasse um látego; submete-se a uma falsa atitude humilde, como se fora um servente obscuro da grande massa eleitoral.

Quando ele defende uma tese social, quando está do lado do povo, aconselhando-o, pregando, doutrinando, então é feliz. Pode ser sincero. O seu entusiasmo é contagiante, é quase puro, é vivo e ardente. Sem o povo, ele falseia e mente, intriga e infama, apedreja e gargalha, cospe nas tradições e rasga os cânones mais nobres da espécie.

O político profissional é uma pobre criatura que tem que se defender do seu maior inimigo: o eleitor inconsciente. Este é o verdugo e a vítima. Sente-se enorme às vésperas do pleito, como sabe que é um verme, no resto do tempo. E quando não possui a consciência cívica, gloriosa e alta, que lhe empresta o poder seletivo, o condão de escolher, então rasteja e sacode-se como um chacal. Pretende escravizar moralmente o político, como este o maneja socialmente. O eleitor inconsciente só vê uma coisa às vésperas do pleito: o seu interesse. Insinua, difama, toma dinheiro, ou empavona-se em chefete, procura dirigir o candidato, absorver-lhe a atenção, empolgar-lhe a atividade, arrastá-lo para si como um joguete sem vontade e sem critério. E engendra despesas imaginárias como um Einstein, inventa contas como um botequineiro.

Disse-me o meu amigo Ruy Araujo, brilhante candidato a deputado federal, que, se fossem verdadeiros os livros de fichas eleitorais que apresentam esses forjadores de fantasmas, o eleitorado amazonense seria maior que o de São Paulo. Se o político profissional é algo de sórdido, o eleitor profissional é muito mais sujo. E chato.

No fundo, ele vota num interesse, não vota num homem. E alicia a opinião do povo humilde, com a esperteza de uma víbora. Tenho alergias por estes sacripantas. O seu contato me é nefasto. Creio no povo, modesto e bom, que enche este mundo.

Se os peitos eleitorais se passassem com elevação, sem arreganhos, sem cachaça e sem demagogia, então valia a pena tentar-se a defesa de uma tese social, de uma doutrina política sadia.

Quando vejo um desses eleitores profissionais aproximando-se de mim, arrogante ou de sorriso número cinco a tiracolo, tenho vontade de mandá-lo para o lugar aonde Pilatos mandou o inventor do sabonete.

Tenho uma invencível vontade de trabalhar pela minha gente, de dar de mim pelos humildes do nosso Estado. Mas o processo me constrange. Gostaria que tudo se passasse entre pessoas conscientes, entre almas compreensíveis, entre vocações patrióticas definitivas. Se, para ser político, é preciso abdicar de tudo isso, então já não contem comigo. Sou alérgico ao cinismo.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Lula anuncia em palco morte de Kirchner: temos muito a lamentar






Lula anuncia em palco morte de Kirchner: temos muito a lamentar



"Temos muito a lamentar", afirmou o presidente Lula sobre a morte de Néstor Kirchner

Foto: Fabrício Escandiuzzi/Especial para Terra


Direto de Itajaí
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já havia encerrado a cerimônia de inauguração da última fase de reconstrução do cais do Porto de Itajaí (SC), parcialmente destruído pelas enchentes em 2008, quando foi informado da morte do ex-presidente argentino. Ao saber da morte do colega, Lula voltou ao palco e anunciou o falecimento pelo microfone. "Temos muito a lamentar", afirmou, antes de se retirar.

No início da cerimônia, Lula já havia pedido um minuto de silêncio em homenagem ao senador Romeu Tuma, que morreu ontem. "O Tuma me prendeu na década de 80 e lembro dele, pois ele me liberou para acompanhar o enterro de minha mãe. Isso não era muito comum na época da ditadura", disse.

Kirchner morreu em uma clínica da cidade de Calafate vítima de um infarto. O ex-governante tinha sido internado no hospital, onde chegou acompanhado da mulher, a presidente Cristina Kirchner, hoje pela manhã.

Kirchner, 60 anos, já tinha sido hospitalizado em setembro passado por um problema cardíaco em uma clínica do bairro portenho de Palermo, onde foi submetido a uma angioplastia.

O ex-presidente também era secretário-geral da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), líder do Partido Justicialista (PJ) e possível candidato à presidência nas eleições de 2011.

Trajetória
Nascido em 25 de fevereiro de 1950 em Rio Gallegos, na província de Santa Cruz, Patagônia, Néstor Carlos Kirchner teve uma vida dedicada à política. Participou desde cedo de movimentos, fazendo oposição ao governo militar como parte da Juventude Peronista. Chegou à Presidência da Argentina em 2003, fazendo sua mulher como sucessora em 2007. Atual primeiro-cavalheiro de seu país, Kirchner morreu nesta quarta-feira, vítima de problemas cardíacos.

Considerado um homem público com um caráter implacável frente a seus adversários, Kirhcner foi um dos políticos mais influentes do país e um potencial candidato para as eleições de outubro do ano que vem.

No início da década de 70, Kirchner estudou Direito na Universidade Nacional de La Plata. Em 1975, casou-se com Cristina Fernández, também militante do movimento justicialista. Em setembro de 1987, como candidato peronista, Kirchner foi eleito intendente de Rio Gallegos. O sucesso de sua administração o levou a ser candidato a governador da província, cargo para o qual foi eleito com 61% dos votos em setembro de 1991, sendo reeleito em 1999.

Em 2003, Kirchner saiu em segundo lugar no primeiro turno das eleições, atrás do também peronista Carlos Saúl Menem. Apoiado pelo então chefe do Executivo da Argentina, Eduardo Duhalde, Néstor Kirchner virou o jogo e venceu o ex-presidente Menem, criticado por ter encabeçado um governo marcado por uma forte crise econômica.

Consolidada a recuperação da economia, Kirchner deixou o cargo em 2007 com alta popularidade, fazendo sua mulher como sucessora. Ultimamente, o ex-presidente era deputado federal e secretário-geral da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), além de presidente do poderoso Partido Justicialista (peronista).

MORTE DE KIRCHNER EMBARALHA SUCESSÃO ARGENTINA





MORTE DE KIRCHNER EMBARALHA SUCESSÃO ARGENTINA

CARTA MAIOR

Comoção paralisa o país e se espalha por toda Améria Latina. Presidente Lula transmite a Presidente Cristina Kirchner "imenso pesar e a solidariedade" do povo brasileiro. Nota de Lula destaca o papel do ex-presidente argentino na luta pela integração regional: "Sempre tive em Néstor Kirchner um grande aliado e um fraternal amigo. Foram notáveis o seu papel na reconstrução econômica, social e política de seu país e seu empenho na luta comum pela integração sul-americana"

La pasión se llevó la vida de Néstor Kirchner






La pasión se llevó la vida de Néstor Kirchner

Por: Liliana Franco



La pasión por la política, por el poder, y las contrariedades apagaron a las 9.15 de hoy la vida de Néstor Carlos Kirchner. Desde hace unos días resultaba sugerente en el entorno más íntimo del ex presidente el viaje al Calafate y el silencio que rodeaba al retiro de la cúpula del poder en el extremo sur.

Kirchner falleció en su ley, desconociendo las advertencias de los médicos y de su propio cuerpo, ya que tan reciente como en septiembre pasado había sido operado por una afección cardiaca. A 72 horas de ese episodio, el ex primer mandatario se hizo presente en un acto partidario en el Luna Park. Es que, la política era la razón de su vida. Desde una pequeña ciudad, Río Gallegos llegó a la primera magistratura: toda una vida construyendo un camino para llegar al la máxima aspiración de un político, la presidencia de la República. Supo como nadie acumular poder y de la misma magnitud es el vacío que deja su desaparición.

Luchador, temperamental, metódico y ordenado, dedicó toda su existencia a un proyecto político. Sus colaboradores más estrechos saben que dormía muy pocas horas por día y más de un ministro supo recibir llamados a la madrugada del ex presidente. Detallista al extremo solía preguntar todos los días la recaudación impositiva, el resultado de la Tesorería y el nivel de las reservas, información que anotaba en un papelito que lleva siempre en el bolsillo de su traje. Apasionado por la economía, sus colaboradores debían anticiparle el resultado de los distintos indicadores macroeconómicos y era habitual verlo festejar como en un partido de fútbol la buena marcha de la economía.

Político de raza era manifiesta la satisfacción que sentía al mezclarse entre la gente y recibir el afecto de sus seguidores. Menos conocido es que apenas asumido designó una persona encargada específicamente de recibir todas las cartas y pedidos que la gente suele hacer en los actos. Creo una oficina en la Casa Rosada para que cada una de esas cartas sea respondida.

Quienes estuvieron cerca de Kirchner en sus últimas horas de vida dicen que la muerte del militante del Partido Obrero (PO), Mariano Ferreira, produjo una tremenda alteración en el ánimo del jefe de justicialismo. Preocupado por la sombra de la muerte de los dirigentes Kosteki y Santillán, que empujaron a la salida del gobierno de su antecesor, Eduardo Duhalde.

Kirchner siempre tuvo extremo cuidado por evitar que la muerte volviera a presentarse en las manifestaciones callejeras. Es más, la orden estricta de no reprimir ninguna manifestación pública tenía también el trasfondo de evitar cualquier tipo de incidente doloso.

Finalmente un episodio de estas características se produjo, presuntamente como consecuencia del accionar de patotas avaladas por el gremio ferroviario. Pero lo que más habría alterado en los últimos días a Kirchner habría sido, según dicen fuentes de la Casa Rosada en absoluto off the record, es la aparición de fotos de miembros de su gabinete con uno de los principales implicados en el asesinato del militante del PO. Aunque, esas fotos sacadas en el contexto de una reunión multitudinaria, no implican una relación estrecha.

Allegados a su entorno también comentaban que el ex presidente, como gran estratega político, era conciente de los diferentes frentes de conflicto que tenía abiertos, entre ellos el enfrentamiento con los medios, en particular el Grupo Clarín y el diario La Nación, como así también las diferencias con la Corte Suprema y la permanente atención que le demandaba el Congreso. No habría sido menor el disgusto que le provocó la decisión que, según la Casa Rosada, tuvo que tomar la presidente Cristina de Kirchner de vetar el 82% móvil en las jubilaciones.

De ahí, prosiguen, que la pareja presidencial haya decidido buscar la tranquilidad de Calafate para serenar los ánimos y pensar, como era su estilo, cursos de acción para seguir peleando, pero ya era tarde.

Aliados de Lula e Dilma governarão 17 Estados, dizem pesquisas




Aliados de Lula e Dilma governarão 17 Estados, dizem pesquisas
Christina Lemos, colunista do R7


A quatro dias do segundo turno, pesquisas regionais indicam que nas 9 unidades da federação em que haverá nova votação para escolher o governador, os governistas são favoritos em seis e a oposição em três. Se confirmadas as previsões, Dilma Rousseff encerraria a disputa com 17 governadores aliados, e Serra, com 10.

Na lista de aliados ao Planalto com chance de vitória neste segundo turno estão: Camilo Capiberibe (PSB), no Amapá; Agnelo Queiroz (PT), no DF; Ricardo Coutinho (PSB), na Paraíba; Wilson Martins (PSB), no Piauí; Confúcio Moura (PMDB), em Rondônia; Neudo Campos (PP), em Roraima.

A oposição, que já elegeu sete governadores, segundo sondagens regionais, pode fazer outros três. Seriam eles: Teotônio Vilela (PSDB), em Alagoas; Marconi Perillo (PSDB), em Goiás; Simão Jatene (PSDB), no Pará.

Se confirmados os resultados destas sondagens de intenção de voto, ficaria assim a correlação de forças políticas nos governos estaduais, a partir de janeiro de 2011:

- PSDB terá potencialmente o maior número de governadores: sete. Além dos quatro eleitos no primeiro turno, faria mais três agora.

- PSB virá em segundo lugar, com seis governadores. O partido elegeu três no primeiro turno e pode fazer mais três.

- PT: Cinco. Quatro eleitos no primeiro turno, mais um agora, com a provável vitória de Agnelo Queiroz, no DF.

- PMDB: Quatro. Três eleitos no primeiro turno (sendo um declaradamente de oposição: André Puccinelli, no Mato Grosso do Sul), mais um, com provável vitória de Confúcio Moura, em Rondônia.

- DEM: dois. Partido dobrou sua cota de governadores ao eleger no primeiro turno Raimundo Colombo, em Santa Catarina e Rosalba Chiarlini, no Rio Grande do Norte.

- PMN: um governador eleito no primeiro turno: Omar Aziz, pelo Amazonas,

- PP: ficará com um, se eleger Neudo Campos governador de Roraima neste segundo turno.

DILMA 17 PONTOS À FRENTE






A quatro dias do segundo turno, Dilma
está 17 pontos à frente de Serra

Petista tem 58,6% dos votos válidos, contra 41,4% do tucano

Priscilla Mendes, do R7, em Brasília



A quatro dias do segundo turno, Dilma Rousseff, candidata do PT à Presidência, mantém vantagem de 17 pontos sobre o adversário, José Serra (PSDB). Pesquisa CNT/Sensus, divulgada nesta quarta-feira (27), mostra a petista com 58,6% dos votos válidos, contra 41,4% de Serra. Neste cenário, os votos brancos e nulos são descartados. Se a votação fosse hoje, Dilma seria eleita.

Considerando os votos totais, Dilma aparece com 51,9% da preferência dos eleitores e o tucano, com 36,7%. Os votos brancos e nulos somam 4,7% e os indecisos chegam a 6,8%.

Na pesquisa espontânea (quando o instituto não apresenta os nomes dos candidatos), 50,4% dos eleitores citaram a candidata do PT e 35,7%, o do PSDB. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que não é candidato, foi mencionado por 0,2% dos eleitores. Brancos e nulos somaram 4,6%.

A margem de erro da pesquisa é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos. O Sensus entrevistou 2.000 pessoas em 136 cidades, entre os dias 23 e 25 de outubro. O levantamento foi encomendado pela CNT (Confederação Nacional do Transporte) e foi registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número 37.609/2010.

A pesquisa mais recente sobre intenções de voto foi divulgada nesta terça-feira (26) pelo Instituto Datafolha. A candidata do PT estava 12 pontos à frente de José Serra. A petista ficou com 56% dos votos válidos, contra 44% do tucano.

NESTOR



El ex presidente Néstor Kirchner falleció esta mañana






El ex presidente Néstor Kirchner falleció esta mañana en la ciudad de El Calafate a raíz de un paro cardiorrespiratorio.

el clarín


El ex mandatario sufrió una descompensación durante la madrugada, mientras participaba de una reunión en su casa de la villa santacruceña.



Oficialmente fue una “paro cardiorrespiratorio con muerte súbita”. Según confirmaron a Clarín fuentes del equipo médico presidencial, en el hospital José Formenti de la ciudad santacruceña no pudo ser reanimado.



El ex presidente, que tenía 60 años, había llegado a la clínica acompañado por su esposa, la presidenta Cristina Fernández.

Sufrió un parocardiorrespiratorio con muerte súbita, según confirmaron a Clarín desde el equipo médico presidencial. Había ingrsado esta mañana en hospital José Formenti de la ciudad de El Calafate acompañado por su esposa, la presidenta Cristina Fernández, pero no pudieron reanimarlo.

Kirchner reapareció en el acto del Luna, y Cristina se refierió a la clase media que "no entiende y cree que separándose de los morochos le va a ir mejor.


Néstor KirchnerEl ex presidente Néstor Kirchner falleció esta mañana en la ciudad de El Calafate a raíz de un paro cardiorrespiratorio.



El ex mandatario sufrió una descompensación durante la madrugada, mientras participaba de una reunión en su casa de la villa santacruceña.



Oficialmente fue una “paro cardiorrespiratorio con muerte súbita”. Según confirmaron a Clarín fuentes del equipo médico presidencial, en el hospital José Formenti de la ciudad santacruceña no pudo ser reanimado.



El ex presidente, que tenía 60 años, había llegado a la clínica acompañado por su esposa, la presidenta Cristina Fernández.



El ex presidente había sufrido al menos dos episodios en el último año que lo habían obligado a internaciones de urgencia. La primera fue en febrero, cuando fue operado de la carótida. Y el 11 de septiembre último tuvo que ser sometido a una angioplastia y le colocaron un stent. Los médicos le habían recomendado cambiar su estilo de vida debido al estrés.



Antes de ser elegido presidente en 2003, Kirchner fue alcalde de Río Gallegos, capital de Santa Cruz (1987-1991) y gobernador de esa provincia (1991-2003). En 2009 fue elegido diputado nacional, cargo por el que tenía mandato hasta el 2013. Y el 4 de mayo pasado había sido nombrado secretario general de la Unasur.


El ex presidente había sufrido al menos dos episodios en el último año que lo habían obligado a internaciones de urgencia. La primera fue en febrero, cuando fue operado de la carótida. Y el 11 de septiembre último tuvo que ser sometido a una angioplastia y le colocaron un stent. Los médicos le habían recomendado cambiar su estilo de vida debido al estrés.



Antes de ser elegido presidente en 2003, Kirchner fue alcalde de Río Gallegos, capital de Santa Cruz (1987-1991) y gobernador de esa provincia (1991-2003). En 2009 fue elegido diputado nacional, cargo por el que tenía mandato hasta el 2013. Y el 4 de mayo pasado había sido nombrado secretario general de la Unasur.

Sensus: Dilma tem 58,6% das intenções de voto contra 41,4% de Serra



Sensus: Dilma tem 58,6% das intenções de voto contra 41,4% de Serra

27 de outubro de 2010

Pesquisa do Instituto Sensus encomendada pela CNT (Confederação Nacional do Transportes) e divulgada nesta quarta-feira (27), aponta a candidata do PT, Dilma Rousseff com 51,9% das intenções de voto contra 36,7% do tucano José Serra. Brancos e nulos totalizaram 4,7% e indecisos, 6,8%.


Na análise apenas dos votos válidos (que excluem nulos e brancos), Dilma ficou com 58,6% ante 41,4% de Serra. A margem de erro é de 2, 2 pontos percentuais para mais ou para menos.


Na pesquisa espontânea, em que os candidatos não são identificados aos entrevistados, Dilma teve 50,4% das intenções de votos e Serra obteve 35,7%. Outros nomes citados pontuaram 0,3% e o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva ainda foi citado por 0,2% dos entrevistados. Os votos brancos e nulos somaram 4,6% e os que não sabem ou não responderam correspondem a 8,9%.


Na avaliação do presidente da CNT, a retomada de Dilma nas pesquisas se deve à mudança na discussão entre os candidatos nos últimos dias. “A discussão de valores, como o aborto, perdeu força e voltou a discussão de propostas. Dilma ganhou vantagem com isso”, afirmou.


Realizada entre os dias 23 e 25 de outubro, a pesquisa entrevistou 2.000 eleitores em 24 Estados, com sorteio aleatório de 136 municípios, e foi registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número 37609/2010, no dia 20 de outubro.


Rejeição e expectativa de vitória


Com relação ao índice de rejeição, Serra tem 43% ante 32,5% da ex-ministra-chefe da Casa Civil.


“Essa é a maior rejeição de Serra desde o início da pesquisa deste pleito”, destacou Clésio Andrade, ao comparar o número com o levantamento da CNT/Sensus feito entre 11 e 13 de outubro, quando a rejeição de Serra era de 37,5% contra 35,4% da petista.


Questionados sobre a expectativa de vitória, 69,7% dos entrevistados disseram acreditar que a candidata petista ganharia a eleição presidencial. contra 22,3% acreditam que o tucano seria o vencedor do segundo turno. Indecisos somam 8,1%.


Com relação ao levantamento feito entre os dias 11 e 13, a expectativa de vitória de Dilma aumentou quase 10 pontos percentuais (era de 59,6%) enquanto a do tucano apresentou queda (era 29%), assim como o número de indecisos, que era de 11,4%.


Como a pesquisa foi realizada entre sábado (23) e segunda (25), a repercussão do mais recente debate televisivo entre os presidenciáveis, promovido pela Rede Record no último domingo, não foi medido.


Votos por região


Em comparação com o levantamento da CNT/Sensus feito entre os dias 18 e 19 de outubro e divulgado no último dia 20, a candidata Dilma Rousseff apresentou aumento na expectativa de votos em todas as regiões do país, com exceção do Sul, onde o tucano José Serra ainda mantém a liderança.


No Norte e Centro-Oeste, que representam 15,1% do eleitorado, Dilma obteve 50,7% das intenções de voto contra 40,4% de Serra. No levantamento anterior, Dilma tinha 42,1% contra 52,6% do tucano.


No Nordeste, onde estão 28% do eleitores, Dilma aparece com 66, 3% e Serra com 25,5%. Na avaliação anterior, Dilma tinha 57,5% e Serra, 34,8%.


No Sudeste, onde que concentra 42,4% do eleitorado, Dilma recebeu 48,4% das intenções de votos ante 36,7% de Serra. Na pesquisa passada, Dilma tinha 44,2% e Serra, 41,6%.


E no Sul, que possui 14,6% dos eleitores, o candidato do PSDB cresceu mais: passou de 45,1% para 54%, enquanto Dilma caiu de 38,2% para 35,4%.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Rogel Samuel: Debate




Rogel Samuel: Debate

Não sou a favor de dizer o que não vi. No penúltimo debate, Dilma parecia cansada, cheia de dor. Fôra obrigada a descer uma escadaria gigantesca com seu pé quebrado. Parecia exausta, amarga, apática. Para mim Serra teve melhor desempenho.

Ontem não. Ela estava mais calma, menos triste.

Ela nunca é muito alegre, parece sempre equilibradamente séria. Nunca a euforia.

Mas ontem ela foi firme, sem agressividade. Ela sempre foi firme, sem agressividade.

Mas às vezes aparece meio cansada.

Mas nunca falsa.

GOLPE À VISTA!


José Serra está preparando golpe para tentar vencer a eleição. Cuidado!

http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/

A filósofa Marilena Chaui denunciou nesta segunda-feira (25) uma articulação para tentar relacionar o PT e a candidatura de Dilma Rousseff à violência. De acordo com ela, alguns partidários discutiram no final de semana uma tática para usar a força durante o comício que o candidato José Serra (PSDB) fará no dia 29.


Segundo Chaui, pessoas com camisetas do PT entrariam no comício e começariam uma confusão. As cenas seriam usadas na TV e no programa de José Serra sem que a campanha petista pudesse responder a tempo hábil.


'Dia 29, nós vamos acertar tudo, está tudo programado', disse a filósofa sobre a conversa. Para exemplificar o caso, ela disse que se trata de um novo caso Abílio Diniz. Em 1989, o sequestro do empresário foi usado para culpar o PT e o desmentido só ocorreu após a eleição de Fernando Collor de Melo.


A denúncia foi feita durante encontro de intelectuais e pessoas ligadas à Cultura, estudantes e professores universitários e políticos, na USP, em São Paulo. 'Não vai dar tempo de explicar que não fomos nós. Por isso, espalhem.'


DILMA 13 na truculência serrista

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Rogel Samuel: O rio Negro recua 5 centímetros por dia






Rogel Samuel: O rio Negro recua 5 centímetros por dia


O rio atingiu, na manhã deste domingo, a menor cota já registrada na história das vazantes no Estado do Amazonas, juntando-se ao recordes já batidos pelos rios Solimões e Amazonas.

Iguala a de 63.

Agora os indicadores dos órgãos de pesquisa do Amazonas apontam que, depois de uma grande seca a população pode esperar uma grande enchente.

"De acordo com o engenheiro Valderino Pereira da Silva, de ontem para hoje as águas do rio Negro recuaram 5 centímetros, marcando na régua do Porto de Manaus, 13,69 centímetros contra 13,64 da segunda maior vazante ocorrida em 1963.

Para Valderino o processo de estiagem está próximo do fim, mas antes de começar a processo de cheia, o rio Negro costuma dar uma parada".

Jane Austen era péssima em ortografia, revela especialista




Jane Austen era péssima em ortografia, revela especialista

AFP




A escritora inglesa Jane Austen (1775-1817), autora de "Orgulho e preconceito", conhecia tão mal a gramática e a ortografia que suas obras precisavam ser reescritas por um revisor, revelou neste sábado uma especialista da Universidade de Oxford.

"Geralmente considera-se que Jane Austen tinha um estilo perfeito. Seu irmão Henry pronunciou em 1818 uma frase que passou a ser célebre, 'tudo sai perfeito de sua pena', e os comentaristas seguem compartilhando essa opinião", declarou Kathryn Sutherland, professora da Universidade de Oxford.

"Entretanto, ao reler seus manuscritos, aparece rapidamente a evidência de que não há neles tal precisão", acrescentou Sutherland, que estudou 1.100 páginas não publicadas da escritora.

"Os manuscritos não publicados de Jane Austen acabam com a reputação da perfeição da escritora de várias formas: há manchas, rasuras, desordem. Pode-se ver a criação se formar neles e, no caso de Jane Austen, descobre-se uma maneira antigramatical de escrever" que contrasta com o estilo polido de suas obras publicadas.

"Isto nos faz pensar que outra pessoa esteve fortemente envolvida no processo de edição entre o manuscrito e o livro impresso", afirma a especialista, explicando que provavelmente essa pessoa foi o editor e revisor William Gifford.

domingo, 24 de outubro de 2010

Rogel Samuel: Qualquer que seja a chuva desses campos



Rogel Samuel: Qualquer que seja a chuva desses campos

Há um soneto de Jorge de Lima que releio sempre, que não me canso de lembrar e que assim canta:

“Qualquer que seja a chuva desses campos
devemos esperar pelos estios;
e ao chegar os serões e os fiéis enganos
amar os sonhos que restarem frios.

Porém se não surgir o que sonhamos
e os ninhos imortais forem vazios,
há de haver pelo menos por ali
os pássaros que nós idealizamos.

Feliz de quem com cânticos se esconde
e julga tê-los em seus próprios bicos,
e ao bico alheio em cânticos responde.

E vendo em torno as mais terríveis cenas,
possa mirar-se as asas depenadas
e contentar-se com as secretas penas”.

Jorge de Lima, Invenção de Orfeu - Canto I – XXVI


Se tudo estiver bem, lembre-se de que tempos piores podem advir: “Qualquer que seja a chuva desses campos / devemos esperar pelos estios”. E quando a época ruim chegar, devemos contentar-nos com os sonhos. O poeta está sendo pessimista, espera os danos futuros. Pensa em não conseguir o amor sonhado, imortal: “Porém se não surgir o que sonhamos / e os ninhos imortais forem vazios, / há de haver pelo menos por ali / os pássaros que nós idealizamos”.

Feliz de quem com cânticos se esconde
e julga tê-los em seus próprios bicos,
e ao bico alheio em cânticos responde.

E vendo em torno as mais terríveis cenas,
possa mirar-se as asas depenadas
e contentar-se com as secretas penas.

Bugatti Veyron - 8 milhões de reais






Esta versão especial do famoso Bugatti Veyron, foi apresentada oficialmente nesta semana.

Dilma rebate Veja e exige provas de novas acusações


Dilma rebate Veja e exige provas de novas acusações

Por: Agência Brasil




Eleitores de Dilma no comício deste sábado em Carapicuiba (Foto: Roberto Stuckert Filho)
Brasília - Em entrevista coletiva após comício que reuniu milhares de militantes em Carapicuiba, região metropolitana de São Paulo, a candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, rebateu neste sábado (23) as acusações de que teria encaminhado pedidos à Secretaria Nacional de Justiça, ligada ao Ministério da Justiça, para a elaboração de supostos dossiês.

A acusação foi feita pela revista Veja, que alega ter acessado gravações de conversas que comprovam a denúncia. A candidata negou as informações durante entrevista coletiva em São Paulo.

“Eu nego terminantemente esse tipo de conversa às vésperas das eleições. Gostaria muito que houvesse, por parte de quem acusou, a comprovação e a prova de que alguma vez fiz isso”, reagiu Dilma. “É muito fácil, na última hora, na semana da eleição, criar uma acusação contra a pessoa sem prova alguma. É grave utilizar desses métodos nesta reta final.”

Dilma descartou qualquer relação alguma com as acusações. “Quero, mais uma vez, confirmar que nego terminantemente e repudio esse tipo de acusação, absolutamente sem provas”, disse. “Eu nego terminantemente e acredito que algumas pessoas teriam alguma razão para fazer isso [levantar falsas denúncias]. Não me coloque no meio de práticas com que eu não tenha relação alguma”, afirmou.

A revista Veja desta semana publica suposta reportagem sobre supostas gravações feitas no gabinete do ex-secretário nacional de Justiça Romeu Tuma Júnior, de conversas com funcionários do Ministério da Justiça. Nos diálogos, Tuma Júnior cita o desconforto de Pedro Abramovay – que o sucedeu na secretaria - por receber eventuais pedidos para a elaboração de dossiês.

Abramovay desmente suposta reportagem

O secretário nacional de Justiça, órgão ligado ao Ministério da Justiça, Pedro Abramovay, desmentiu as informações publicadas em Veja.

“Nego peremptoriamente ter recebido, de qualquer autoridade da República, em qualquer circunstância, pedido para confeccionar, elaborar ou auxiliar na confecção de supostos dossiês partidários. Não participei de supostos grupos de inteligência em nenhuma campanha eleitoral. Nunca, em minha vida, tive que me esconder”, diz a nota.

Ele também diz que a revista se recusou a oferecer o conteúdo da suposta conversa. “Dediquei os últimos oito de meus 30 anos a contribuir para a construção de um Brasil mais livre, justo e solidário, e tenho muito orgulho de tudo o que faço e de tudo o que fiz. Trabalhei no Ministério da Justiça como assessor especial, secretário de Assuntos Legislativos e secretário nacional de Justiça, conseguindo de meus pares respeito decorrente de meu trabalho.”

Nos diálogos, reproduzidos na revista, Abramovay cita a candidata Dilma Rousseff e o chefe de gabinete do presidente da República, Gilberto Carvalho. Em uma das conversas, Abramovay afirma “não aguentar mais” receber pedidos dos dois para a confecção de dossiês. Na revista não há informações se as gravações foram feitas com autorização legal.

Dilma e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fizeram neste sábado (23) campanha política em duas cidades paulistas – Diadema e Carapicuíba. Em Diadema, houve uma caminhada. Em Carapicuíba, uma carreata. Além da primeira-dama Marisa Letícia, também participaram os senadores Eduardo Suplicy e Aloizio Mercadante, ambos do PT de São Paulo, e a senadora eleita Marta Suplicy (PT-SP).

Perguntado sobre a reportagem da Veja, o presidente Lula afirmou que não leu a revista e, portanto, desconhecia as informações sobre supostos pedidos de elaboração de dossiês por parte de Dilma e Carvalho.

PF também desmente revista

Em nota oficial, o Ministério da Justiça também rebateu o vazamento de informações envolvendo a Polícia Federal (PF).

“A Polícia Federal é hierarquicamente subordinada ao Ministério da Justiça, mas autônoma com relação às suas investigações”, diz a nota. “O ministro da Justiça [Luiz Paulo Barreto] informa que jamais recebeu qualquer solicitação com relação aos rumos dos inquéritos da Polícia Federal, quaisquer que sejam”, acrescenta.

“O Ministério da Justiça é uma instituição sólida, respeitada, que atua e continuará atuando como sempre fez no exercício de suas competências, de forma republicana”.

O comunicado acrescenta que não há interferência nas ações conduzidas pela PF. “O ministério não interfere nos inquéritos ou nas conclusões da Polícia Federal. A condução dos inquéritos é definida pela própria polícia, sob critérios técnicos e republicanos”, diz a nota.

Segundo o ministério, um exemplo da autonomia da PF é que no período de 2003 a 2010 foram deflagradas mais de 1.100 operações, que atingiram “indistintamente todos os envolvidos” nos casos investigados - “cidadãos comuns, empresários, funcionários públicos, policiais, políticos de quaisquer partidos ou detentores de importantes cargos de governo”.


Serra
O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, esteve neste sábado em duas cidades do interior de São Paulo: Araraquara e Campinas. Nesta, prometeu transformar o terminal de Viracopos no segundo maior do país. O candidato também evitou comentar as suposta reportagem de Veja.

Edição: Fábio M. Michel

O PSDB e o governo Collor


PSDB e o governo Collor

A não ser por Covas, o PSDB estava pronto a uma adesão total a Fernando Collor. Fernando Henrique, na posse, ofereceu sua imagem televisiva aos milhões de telespectadores brasileiros no lugar de honra junto ao empossado. Covas segurou a barra, praticamente sozinho. Não me consta, da época, uma única palavra de Serra contra o plano ou contra Collor. Falo do tempo em que Collor estava politicamente forte, não quando milhões se apresentaram nas ruas para depô-lo. Em razão disso, quando denuncia Dilma por receber o apoio passivo de Collor e Sarney, e se vangloria de ter o apoio de Fernando Henrique e Itamar, Serra apela para um simbolismo vulgar e se esquece da verdadeira política ativa que ele apoiou. O artigo é de J.Carlos de Assis

J. Carlos de Assis (*)

Fui o primeiro economista brasileiro a deixar registrado em artigos – tinha uma coluna diária de economia política em “O Globo” – a inevitabilidade do fracasso do Plano Collor. Como era também assessor da presidência da CNI, tentei convencer o presidente, Senador Albano Franco, a mobilizar a cúpula empresarial para consertar o que me parecia o lado mais estúpido do plano, a saber, o congelamento da moeda circulante junto com a poupança. Era difícil fazer isso sem desmontar o plano inteiro, mas era, a meu ver, a única alternativa para salvá-lo.

Albano não conseguiu convencer seus pares. Ao contrário, o então presidente da Fiesp, Mário Amato, intimidado pela demonstração de poder que Collor exalava por todos os poros, chefiou uma comitiva de empresários ao Planalto para um beija-mão vergonhoso ao recém-empossado. A propósito, como haviam dito que o plano era contra os ricos e a favor dos pobres, a caravana empresarial de Amato foi ao Planalto de ônibus, para não parecer que seus participantes eram ricos. Este é o Brasil real, um Brasil que apenas uns poucos conhecem!

Havia um outro caminho: convencer o PSDB a emendar o plano na direção que havia sugerido. Junto com Raphael de Almeida Magalhães e Carlos Lessa, procuramos os próceres do PSDB (então nosso partido) no Congresso, para tentar articular uma emenda. O único que ficou realmente impressionado com nossas ponderações foi Mário Covas. Fez um discurso dramático apontando as falhas do plano. Estava programada uma reunião da bancada do partido na Câmara, e Covas cuidou para que me dessem a palavra, embora, obviamente, eu não fosse parlamentar.

Fiz uma exposição exaltada, talvez mais do que devesse, para chamar a atenção sobre a fragilidade do plano. Paulo Renato falou em seguida, e defendeu a tese oposta: o plano, a seu ver, era muito bom, e o PSDB deveria aprová-lo como estava, sem emendas. José Serra não esteve nessa reunião, pelo menos durante o tempo em que permaneci nela. Mas Raphael foi procurá-lo pessoalmente, e sua posição foi exatamente a de Paulo Renato. Não havia muita saída, mas assim mesmo insisti: fui encontrar-me com Bresser Pereira, único economista integrante da Executiva.

Consegui tirar Bresser da reunião da Executiva para uma conversa rápida. Repetindo o que havia proposto em artigo, disse a Bresser que, já que era inevitável o congelamento do meio circulante junto com a poupança, que se fizesse a restauração da circulação monetária liberando depósitos segundo as folhas de pagamento das empresas. Isso não era nenhuma novidade. Em 1948, acontecera na Alemanha e no Japão. Bresser me respondeu que não podia, porque a folha salarial correspondia a 36% do PIB, e isso estouraria com o plano. Aliás, a ministra Zélia ou alguém de sua assessoria fizera a mesma alegação em face da minha sugestão.

“Bresser, argumentei, 36% do PIB é a acumulação anual de um fluxo mensal de, no máximo, 3%”. “Ah é, redargüiu Bresser. Então a gente propõe liberar 1,5%”. “Mas por que, Bresser, não os 3%”. “Porque é mais fácil para a equipe econômica aceitar”. Claro que não houve liberação de nada, nem de 3% nem de 1,5%, e em dois ou três meses o plano tinha ido para o espaço, determinando uma contração da economia no ano de mais de 4%, com imenso desconforto social por causa do congelamento – algo que, a meu ver, seria uma motivação decisiva no movimento do impeachment.

Essa longa história é para dizer que, a não ser por Covas, o PSDB estava pronto a uma adesão total a Fernando Collor. Fernando Henrique, na posse, ofereceu sua imagem televisiva aos milhões de telespectadores brasileiros no lugar de honra junto ao empossado. Covas segurou a barra, praticamente sozinho. Não me consta, da época, uma única palavra de Serra contra o plano ou contra Collor. Falo do tempo em que Collor estava politicamente forte, não quando milhões se apresentaram nas ruas para depô-lo. Em razão disso, quando denuncia Dilma por receber o apoio passivo de Collor e Sarney, e se vangloria de ter o apoio de Fernando Henrique e Itamar, Serra apela para um simbolismo vulgar e se esquece da verdadeira política ativa que ele apoiou.

É bom dizer que não tenho nada pessoalmente contra Serra. Ao contrário, acho que é um político honrado e limpo, e um administrador público eficiente. A razão porque temo sua eleição é estritamente política: em matéria de política econômica, ele tem certezas erradas. Além disso, se tem havido desvios éticos graves na “turma” do PT, houve desvios ainda piores no PSDB, inclusive em relação a um programa de privatização nefasto aos interesses nacionais e de favorecimento aberto aos amigos do rei, conduzido por pessoas controversas como Ricardo Sérgio de Oliveira, Luís Carlos Mendonça de Barros (demitidos) e – às vezes fora, às vezes dentro da máquina pública – André Lara Resende, todos eles do círculo íntimo de Serra.

Relativamente ao programa de privatização conduzido por Serra no governo FHC, devo dizer que nunca tive uma posição doutrinária ou ideológica contrária a ele. Critique sobretudo a forma, desde Collor. A privatização fatiada da siderurgia foi uma estupidez. A privatização da Telebrás era desnecessária: bastava liberar suas tarifas, como se fez para os privados que a compraram. A privatização de distribuidora elétricas, desde Itamar, sem prévia regulação do mercado, foi um acinte ao consumidor. A privatização da Vale privou o setor público de um agente estratégico do desenvolvimento (coisa que os chilenos não fizeram com seu cobre). Por tudo isso Serra, junto com FHC, pode ser associado a um exterminador do patrimônio público. É impossível tirar dele esse rótulo para a história. Mas que não seja um exterminador do futuro.

(*) Jornalista, economista, doutor pela Coppe/UFRJ, professor de Economia Internacional da UEPA, autor de mais de 20 livros sobre Economia Política brasileira e mundial, entre os quais “A Chave do Tesouro” e “Os Mandarins da República”, e, mais recentemente, “A Crise da Globalização”, sobre a crise mundial em curso.