terça-feira, 7 de junho de 2011

Os jornais enlouquecem


Rogel Samuel


Cada um dos 3 jornais hoje diz algo diferente e contraditório sobre o Ministro. Todos tentam - sem conseguir - enfraquecer o governo.

Palocci não tem a importância que os 3 lhe dão. O importante é criar o clima.

Esqueceram a Ministra da Cultura e colocaram Palocci em foco.

Vai continuar assim todo o governo.

Até perderem mais leitores e credibilidade.

Quem acredita no que dizem?

Drummond


Poema da Necessidade

É preciso casar João,
é preciso suportar António,
é preciso odiar Melquíades,
é preciso substituir nós todos.

É preciso salvar o país,
é preciso crer em Deus,
é preciso pagar as dívidas,
é preciso comprar um rádio,
é preciso esquecer fulana.

É preciso estudar volapuque,
é preciso estar sempre bêbedo,
é preciso ler Baudelaire,
é preciso colher as flores
de que rezam velhos autores.

É preciso viver com os homens,
é preciso não assassiná-los,
é preciso ter mãos pálidas
e anunciar o FIM DO MUNDO.

Carlos Drummond de Andrade, in 'Sentimento do Mundo'

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Amélia Pais

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segunda-feira, 6 de junho de 2011

Academia Amazonense de Letras tem duas cadeiras em disputa



NA FOTO ADERSON DUTRA E W. B. DE SALLES

Encerraram-se na semana passada as inscrições para as cadeiras 24 e 40 da Academia Amazonense de Letras, dos patronos Joaquim Nabuco e Paulino de Brito.

Pela cadeira 24, que foi ocupada pelo jurista e ex-reitor da UFAM Áderson Dutra, concorrem:

– Marilene Correa: ex-reitora da UEA, socióloga e ensaísta, autora de O Paiz do Amazonas;

– Rogel Samuel: professor aposentado da UFRJ, poeta, romancista e ensaísta, autor do Novo Manual de Teoria Literária.

Pela cadeira 40, que foi ocupada pelo cronista e agrônomo Waldemar Baptista de Salles, concorrem:

– Francisco Vasconcelos: contista e cronista, ex-presidente do Clube da Madrugada e um de seus membros mais eminentes, autor de O palhaço e a rosa;

– Isaac Sabbá Guimarães: promotor de justiça em Santa Catarina, com vasta obra de cunho jurídico, é também tradutor; é autor do livro de viagem Pelos caminhos de Israel;

– João da Silva: padre, autor de Cadernos Salesianos.

Curiosidade: todos os candidatos são amazonenses. Citei apenas um livro de cada, mas todos têm obra volumosa.

FONTE http://palavradofingidor.blogspot.com/

HOPE

NADAL

domingo, 5 de junho de 2011

OTAN CONTRA CADAFI

BOIUNA


A boiuna que foi

fotografada no quartel do Exército Brasileiro em Marabá,

Estado do Pará

foto: C. M. Rech

sábado, 4 de junho de 2011

Reflexos de uma vocação libertária









Lançado em 1963, 'Sobre a Revolução', de Hannah Arendt, que ganha nova edição no País, permanece atual ao tratar da busca da felicidade pública por meio do fim da opressão - algo verificado, por exemplo, na primavera árabe de 2011





Celso Lafer - O Estado de S.Paulo



O que é uma Revolução? O que distingue um revolucionário de um revoltado - que é um insatisfeito - e de um rebelde - que se levanta contra a autoridade? Por que um golpe de Estado, que provoca uma mudança de governo e uma ruptura da ordem jurídica, não é a expressão de uma Revolução? O que separa um reformista de um revolucionário? Por que uma mudança radical como a representada pela Revolução Industrial, que transformou a economia, ou a Revolução Feminina, que alterou os costumes da sociedade, não tem a aura da Revolução Francesa ou da Revolução Russa que foram precedidas pela violência de um movimento revolucionário?


APA pensadora alemã, em 1969: hipocrisia dos governantes que instiga a violência dos governados
Estas perguntas permanecem na agenda da discussão pública. Delas trata, esclarecendo, Hannah Arendt em Sobre a Revolução. Daí uma razão do interesse do seu livro que, em nova e cuidadosa tradução para o português de Denise Bottmann, acaba de ser publicado pela Companhia das Letras.

A primeira edição do livro, publicada pela Viking Press de Nova York, é de 1963; a segunda, revista pela autora, é de 1965. A edição de 2006, inserida nos clássicos da Penguin, contém uma importante apresentação de Jonathan Schell que integra, igualmente, esta edição da Companhia das Letras. Schell destaca a atualidade do livro sublinhando a pertinência da reflexão arendtiana para a análise da onda das revoluções democráticas posteriores à redação do livro - da Revolução dos Cravos, de Portugal, às do Leste Europeu, nos processos que levaram à derrocada da União Soviética. A elas pode-se acrescentar as da primavera árabe de 2011. Por isso, Sobre a Revolução tem uma das características de um livro "clássico" - e como tal foi qualificado pela Penguin. Com efeito, continua propiciando caminhos para o entendimento do mundo atual, não obstante ter sido concebido e redigido no distinto contexto histórico da década de 1960, caracterizado pelo confronto entre os EUA - herdeiros do legado da Revolução Americana - e a URSS - herdeira, na época, do legado da Revolução Russa.

Hannah Arendt abre o seu livro explicando que a guerra tem em comum com a revolução a presença da violência e, portanto, o problema da sua justificativa. Esta, no caso de uma Revolução, diz respeito à possibilidade de um novo início, fruto de uma aspiração trazida pelo potencial da convergência entre libertação e liberdade. Revolução não se confunde, portanto, como ela diz, com rebelião e revolta que não apontam para a instauração de uma nova liberdade. Tampouco se identifica com o golpe de Estado, que não carrega o pathos da novidade, tem a sua origem no palácio e não na praça, que é o espaço político do exercício da liberdade motivador da Revolução. A Revolução não se assemelha ao reformismo nem às mudanças substantivas mas aluvionais como as trazidas pela Revolução Industrial ou pela Revolução Feminina, pois tem como nota distintiva não apenas a mudança mas o movimento da tempestade revolucionária, de que falava Robespierre.

A Revolução vem à tona por meio da violência. Esta não a explica, assim como a mudança que não dá conta do seu significado. O fenômeno da Revolução, aponta Hannah Arendt, tem como característica "quando a mudança ocorre no sentido de criar um novo início; quando a violência é empregada para constituir uma forma de governo totalmente diferente e para gerar a formação de um novo corpo político", e "quando a libertação da opressão visa pelo menos à constituição da liberdade".

Foi a aura da Revolução Francesa que incendiou o mundo, aponta Hannah Arendt ao propor a "ideia a realizar" da coincidência entre liberdade e um novo início. Não teve precedentes históricos, pois não foi entendida e historicamente recepcionada como uma indiferenciada expressão da mudança política mas sim como algo radicalmente novo: a fundação do novus ordo saeclorum, instaurador da legitimidade do poder. O impacto da Revolução Francesa, no campo das ideias, trouxe um novo conceito de História na filosofia de Hegel. Este conceito, por sua vez, exerceu uma influência direta sobre os revolucionários dos séculos 19 e 20, que absorveram o conceito nas lições de Marx e que passaram a enxergar a Revolução com base nas categorias hegelianas, como um libertário desenlace histórico da convergência entre necessidade e violência.

O tema recorrente do livro é uma grande reflexão sobre, de um lado, a validade das aspirações de liberdade que motivaram, no mundo moderno, o fenômeno revolucionário e, de outro, as razões dos descaminhos das Revoluções. Estes descaminhos integram o tema arendtiano da ruptura - vale dizer o das descontinuidades entre o passado e o futuro, assinaladores dos desdobramentos da modernidade - pois não trouxeram a constituição da liberdade. Explicam, ao mesmo tempo, a relevância do que Hannah Arendt considera o tesouro perdido da tradição revolucionária - a da autogestão dos townhalls, dos conselhos, dos Räte, dos sovietes - pela qual, com sua vocação libertária e empenho na construção de uma comunidade política criativa e criadora, tinha apreço e afinidade

Hannah Arendt traz à colação, neste livro, a importância da Revolução Americana. Destaca que o espírito da Revolução Americana não teve o mesmo impacto no imaginário político que caracterizou a Revolução Francesa, mas realça tanto o significado desta experiência na criação de uma nova ordem quanto à densidade das teorias políticas dos seus pais fundadores, que estão na origem da República norte-americana. Esta não nasceu de uma necessidade histórica nem de um desenvolvimento orgânico, mas "de um ato deliberado empenhado na fundação da liberdade". Por isso as reflexões e as ações de John Adams, Jefferson, Hamilton, Madison ecoam nas páginas deste livro assim como as de Robespierre, Saint-Just, Condorcet, Marx e Lenin. A comparação e o contraste entre as Revoluções Americana e a Francesa tem como horizonte a preocupação arendtiana de examinar as condições da possibilidade de um mundo comum, livre da opressão e ensejador da liberdade política de participação no governo e nos assuntos públicos.

O pensamento de Hannah Arendt é denso e abrangente. Daí os riscos da simplificação da sua análise. Ciente destes riscos diria que o fulcro de Sobre a Revolução é a tese de que a busca da felicidade pública (à que não têm acesso os Homens em Tempos Sombrios para os quais o espaço público desapareceu ou encolheu) através da liberação da opressão - econômica, social, política, colonial - não leva, necessária ou automaticamente, à liberdade. Esta requer instituições políticas apropriadas, a constitutio libertatis. Sem estas instituições não se efetiva a motivação revolucionária de uma nova ordem que assegure a permanência do espaço público para o exercício da liberdade. Daí a especificidade e a autonomia da política, que não se reduz à questão social e que Hannah Arendt ilumina no seu livro através da dicotomia liberação da opressão/construção da liberdade.

Na discussão da criação de instituições políticas, Hannah Arendt elaborou, com muito engenho, o significado fundacional do poder constituinte originário e explora o papel da Constituição como a convenção que enseja a gramática da ação e a sintaxe do poder. Na análise da experiência da Revolução Americana e dos desdobramentos no tempo de sua construção institucional chama atenção para o vínculo virtuoso entre República e Federação e mostra o significado da Suprema Corte e do Senado como instâncias de autoridade distintas do exercício da ação conjunta do poder.

Tanto no mando quanto no desmando, na política sempre ocorre o enlace, entre as forças impessoais e históricas e o bom e o mau das paixões e dos sentimentos humanos. Numa Revolução, que é uma situação-limite, este enlace adquire uma intensidade própria, à qual Hannah Arendt dedica páginas de grande acuidade.

No trato das motivações que levam aos movimentos revolucionários, destaca os efeitos da hipocrisia dos governantes de regimes corruptos e prepotentes que instiga a violência dos governados. Na análise do que leva aos descaminhos revolucionários, realça a obsessão jacobina com a pureza da virtude que induz o terror revolucionário e destaca os riscos do voluntarismo na política que não leva em conta a pluralidade e a diversidade da condição humana.

Em Sobre a Revolução Hannah Arendt discute os equívocos da piedade e da compaixão promovidos pela contemplação da miséria dos deserdados. A compaixão e a piedade são incapazes de argumentação. Por isso, não dizem respeito à política e a sua intrusão neste âmbito acaba levando à destrutividade da violência. A compaixão e a piedade são sentimentos. Não são um princípio da ação como a solidariedade, que pode orientar o juízo político.

O bom e o mau que caracteriza os seres humanos - da generosidade ao ressentimento - estão presentes na vida política. Na análise desta dimensão da política, Hannah Arendt com frequência valeu-se, na sua obra, da literatura que nos dá acesso, como ela dizia citando Shakespeare, "às trevas do coração humano". Do mal absoluto na política ela tratou em Origens do Totalitarismo e em Eichmann em Jerusalém. Em Sobre a Revolução, avaliou as consequências da bondade absoluta. Instigada pela leitura de O Grande Inquisidor de Dostoievski e do Billy Budd de Melville, discute os riscos para a política da bondade absoluta - a bondade além da virtude e o mal além do vício - capaz de buscar impor, pelo terror, a virtude revolucionária. Mostra, assim, como é fundamental, na discussão do fenômeno e da motivação revolucionária, a percepção da atuação concreta dos atores políticos que os ideólogos, com as suas paixões e sentimentos e as ideologias, nas suas abstrações, não alcançam.


CELSO LAFER É PROFESSOR TITULAR DA FACULDADE DE DIREITO DA USP, MEMBRO DA ACADEMIA BRASILEIRA DE CIÊNCIAS E DA ABL. PRESIDENTE DA FAPESP, FOI MINISTRO DAS RELAÇÕES EXTERIORES DO GOVERNO FERNANDO HENRIQUE




ANIVERSÁRIO DE GARCIA LORCA





DO AMOR DESESPERADO




A noite não quer vir
para que tu não venhas,
nem eu possa ir.

Mas eu irei
nem que um sol de lacraus me devore a fronte.

Mas tu virás
com a língua queimada pela chuva de sal.

O dia não quer vir
para que tu não venhas,
nem eu possa ir.

Mas eu irei
entregando aos sapos meu cravo mordido.

Mas tu virás
pelas turvas cloacas da escuridão.

Nem a noite nem o dia querem vir
para que por ti eu morra
e tu morras por mim.


Federico García Lorca

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Amélia Pais

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Palocci nega irregularidades em aluguel de imóvel




Apartamento em que vive o ministro estaria registrado nome de empresa de fachada, diz revista


iG São Paulo | 04/06/2011 12:39

Um dia depois de falar pela primeira vez sobre a polêmica em torno de sua evolução patrimonial, o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, respondeu neste sábado à notícia de que o apartamento em que vive seria de propriedade de uma empresa de fachada. A notícia foi divulgada neste sábado, em reportagem da revista Veja.


Foto: AE Ampliar

Palocci vive em um apartamento no bairro de Moema, região nobre da capital paulista, avaliado em aproximadamente R$ 4 milhões, segundo a revista. O imóvel, diz a reportagem, está registrado em nome da empresa Lion Franquia e Participações Ltda. O texto aponta que os donos da empresa seriam Dayvini Costa Nunes, de 23 anos, com 99,5% das cotas, e Filipe Garcia dos Santos, de 17 anos, com 0,5%. Dayvini, segundo a revista, ganha salário de R$ 700 e seria apenas um laranja na operação.

Logo após a veiculação da matéria, a Casa Civil divulgou nota alegando que o imóvel foi alugado em 1º de setembro de 2007, por indicação da imobiliária Plaza Brasil, contratada pelo ministro. Segundo a nota, o contrato foi firmado "em bases regulares" entre Palocci e os proprietários, que seriam "Gesmo Siqueira dos Santos, sua mulher, Elisabeth Costa Garciam, e a Morumbi Administradora de Imóveis". Ainda segundo a Casa Civil, o contrato foi renovado em 1 de fevereiro de 2010, entre Palocci e a Morumbi Administradora de Bens, empresa que sucedeu a Morumbi Administradora de Imóveis.

De acordo com o ministério, todos os aluguéis são pagos regularmente, por meio de depósitos bancários dos quais o ministro possui todos os comprovantes. "O ministro e sua família nunca tiveram contato com os proprietários, tendo sempre tratado as questões relativas ao imóvel com a imobiliária responsável indicada pelos proprietários", prossegue a nota.

"O ministro, assim como qualquer outro locatário, não pode ser responsabilizado por atos ou antecedentes do seu locador", continua o texto. Segundo a assessoria, Palocci não prestou esclarecimentos à revista porque não foi informado sobre o teor da reportagem.

Mais tarde, o advogado de Palocci, José Roberto Batochio, disse que a reportagem é uma "temeridade" e um "despropósito", por atribuir ao inquilino responsabilidades que deveriam ser cobradas da administradora responsável pela locação do imóvel. Batochio comparou a situação de seu cliente à de um consumidor em relação ao dono do armazém onde ele faz suas compras. "Você não pode ser responsável pelos antecedentes do dono da mercearia onde adquire seus produtos de necessidade básica", afirmou. "Eu acho essa matéria um despropósito."

*Com informações da Agência Estado

BARILOCHE COBERTA DE CINZAS VULCANICAS




AIDS

A saga dos dias





Rogel Samuel


Os dias que passam. A voragem do tempo, a virada das horas, das páginas das horas da vida, da mudança de tudo.

Nós somos tempo, somos temporalidade, somos passageiros de um navio no grande e infinito oceano, nesse oceano sem destino certo, neste sem rumo do sem fim de todas as coisas.

Lembro-me da época em que estava a escrever O amante das amazonas, perdido naquele labirinto, no meio daquela selva das lembranças de um passado quem nem conheci, no meio dos índios, no meio dos Numas, oh, eu hei de escrever a continuaçao daquela saga...

sexta-feira, 3 de junho de 2011

A saga dos dias



FOTO DE ANDRE PAIVA



A saga dos dias

Rogel Samuel

Dia calmo. Hoje.

Estive com Abdias do Nascimento em Nova Iguaçu na primeira convenção do PDT, logo que o Brizola voltou do exílio. Os helicópteros sobrevoavam, provocadores. Extraordinário discurso do Brizola, no inicio:

- Eu peço aos companheiros que protegem as portas... vamos abrir os portões... vamos deixar o povo entrar... este povo já esteve excluído das decisões políticas por tantos anos...

Estavam lá todos os líderes do PDT. Foi uma festa.

FOTO DE XIXARO - CARREGADOR DO PORTO DE MANAUS

Adeus a Abdias



Sebastião Nery

RIO – O general Otávio Costa era comandante da 6ª Região Militar na Bahia. Estava em Sergipe, no fim de semana, visitando a cidade histórica de Laranjeiras, terra dos dois históricos jornalistas Paulo e Joel Silveira. Sábado, recebeu um telefone urgente de Brasília.

Era o general Otavio de Medeiros, chefe do SNI do governo Figueiredo, que acabava de assumir seu posto no palácio do Planalto: “General, segunda-feira o professor Abdias do Nascimento, líder negro, que está chegando dos Estados Unidos, vai fazer uma palestra no Centro Cultural Brasil-Alemanha, em Salvador, e lançar o Movimento de Libertação da Raça Negra. A ordem é melar.”

O general Otávio Costa já estava há dois anos na Bahia. Sabia que o Centro Cultural Brasil-Alemanha de Salvador ficava em um local pequeno, apertado, movimentado. Tentar melar seria exatamente promover. Ligou para Salvador, mandou para o local um sargento negro, do Serviço Secreto do Exercito, com a ordem de telefonar urgente. se necessário.

***
EXERCITO

Segunda-feira, 10 da manhã. Abdias do Nascimento abria sua conferência no Centro Cultural Brasil-Alemanha apinhado de escritores, professores, intelectuais de todos os setores. Todos brancos. Lá no fundo, de pé, um senhor negro. Abdias levantou-se:

- Quero começar prestando uma homenagem a meus irmãos de cor. Convido meu irmão negro, que está lá ao fundo, a presidir esta solenidade.

O sargento do Serviço Secreto do Exercito, o irmão de cor, foi e presidiu com inteira competência. Até o fim. Sem melar.

***
NEGRO

Para comemorar um 13 de maio, a revista “Veja” fez uma matéria de capa sobre os negros no Brasil. Mandou ouvir os negros mais ilustres do país: Pelé e o sortilégio de seus pés; Grande Otelo, o menino mais encantado que já nasceu nestas terras de Santa Cruz.

Ouviu também Abdias do Nascimento, o líder consciente que mostrou aos seus irmãos que discriminação racial não é literatura, é economia mesmo; Ruth de Souza, a atriz maravilhosa que jamais negociou a cor; Raimundo Souza Dantas, embaixador da nova política brasileira na África, no governo Janio; Luísa Maranhão, a divina atriz. E outros.

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NUNES FREIRE

No Congresso, “Veja” mandou ouvir o deputado José Camargo, líder negro da baixada santista (MDB), e o deputado Nunes Freire, do Maranhão, depois governador, simpático senhor acaboclado, nítido representante da bela mistura do negro com o índio, formado pela Escola de Medicina da Bahia. Nunes Freire fez o anti-racismo:

- Não falo, não posso responder. Não sou negro, sou um amazônida.

Abdias, que o conhecia desde os tempos da Bahia, ficou sabendo:

- O que é isso, Nunes? Soube de sua resposta à “Veja”. Não existe isso. Raça é branco, negro. Amazônida não é raça. Só se for peixe-boi.

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LIDER

A morte no Rio do jornalista, teatrólogo, escritor, artista plástico, cineasta, professor, ex-senador Abdias do Nascimento, deixou o Brasil sem seu mais importante e atuante embaixador da negritude nacional Ainda bem que viveu 97 anos, quase um século, e teve tempo de ver que valeram a pena suas lutas de décadas em defesa dos negros e suas causas.

Nascido em Franca (SP) em março de 1914, em 1936, plena ditadura Vargas, com apenas 22 anos já se rebelava contra o racismo e era preso, por negar-se a entrar pela porta dos fundos, por ser negro, em uma boate paulista. Economista pela universidade do Rio, fundou em 1944 o Teatro Experimental do Negro onde estreou sua primeira peça em maio de 1945.

Foi um dos organizadores da Convenção Nacional do Negro, no Rio e em São Paulo, que propôs à Constituinte de 1946 a definição da discriminação racial como crime de lesa-pátria. Foi também um dos organizadores do primeiro Congresso do Negro Brasileiro, em 1950.

***
ESTADOS UNIDOS

Com o golpe militar de 1964, exilou-se nos Estados Unidos, onde foi professor conferencista da “School of Drama” na Universidade de Yale e professor visitante da “Wesleyan Center of the Humanities”. Entre 70 e 82, foi professor da universidade de Nova York e diretor do Centro de Estudos Portorriquenhos da mesma universidade, da qual foi professor emérito.

Sua longa experiência internacional ajudou-o a criar instrumentos de luta contra o racismo no Brasil como o Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros na PUC São Paulo. Já como deputado (PDT) em de 83 a 86 e senador de 91 a 92 e 97 a 99, criou o feriado de 20 de novembro como dia Nacional da Consciência Negra, homenagem a Zumbi dos Palmares.

Amigo morto é uma luz sempre, na beira da estrada. Adeus, Abdias.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

A saga dos dias








Rogel Samuel

Há muito tempo não escrevo esta Saga dos dias. Era – e ainda é – um diário on-line. Não tem tema. Propósito. Vale dizer, é um exercício de escrita. Como o pianista precisa exercitar-se diariamente, o escritor precisa escrever. Vale mais quando tem algo a dizer. Hoje nada sei, nada sigo, como no meu antigo poema:

Não posso reter os teus traços
Nem as notas de teu tema
Pois tua música se esquece
Como as vozes do poema
Da paixão, que mais um traço
Foi do azul de minha pena,
E quando te vir já será garço
O repique da tua cena
e o afastado abraço...
(oriunda onda a que cerca de aço
me levarão tuas algemas?)

quarta-feira, 1 de junho de 2011

A boa poesia




Rogel Samuel

Estamos no Brasil, mas não conseguimos almoçar no Bar Brasil, tão cheio. Nenhuma mesa. Fomos ao Nova Capela, aonde não íamos desde os anos 70. O mundo não passou, nesses lugares centenários. Nós, sim. Não mais encontramos o Válter e outros mortos. Nem os poetas daquela época. A poesia que naquela época se publicava em papel mimeógrafo. Alguns faziam um verdadeiro livrinho no mimeógrafo. Mas a poesia era boa. Tinha o sabor de algo proibido e revolucionário. A poesia dos excluídos, marginais e malditos. A boa poesia.

Descoberta estátua do faraó Amenhotep III, avô de Tutancâmon






Arqueólogos egípcios e europeus localizaram a estátua do faraó durante escavações na cidade de Luxor
EFE | Foto: EFE


A estátua do faraó Amenhotep III foi descoberta em um templo funerário na cidade de Luxor

Uma grande estátua do faraó Amenhotep III (1352-1390 a.C.), pai de Aquenaton e avô de Tutancâmon, foi descoberta durante escavações em um templo funerário deste monarca em Luxor, no sul do Egito.

O Ministério de Estado para as Antiguidades anunciou nesta terça-feira em comunicado que uma delegação de arqueólogos egípcios e europeus localizou uma estátua na margem ocidental de Luxor.

A peça representa o rei sentado e vestido, com coroa e barba reais.

Os arqueólogos encontraram o corpo do faraó separado de sua cabeça em um dos corredores do templo, que foi destruído por um terremoto no período romano.

terça-feira, 31 de maio de 2011

AS ENTRANHAS DO CORAÇÃO DA FLORESTA




Rogel Samuel

O Choro n. 10 de Villa Lobos está entre o que de melhor se fez em música sinfônica no Brasil. Achei um vídeo no YouTube que me impressionou: a interpretação de Eleazar de Carvalho, magnífica. O ritmo de batuque é um grande "samba-enredo sinfônico", “um acompanhamento coral bem ritmado de onomatopéias supostamente indígenas (mas inventadas por Villa-Lobos) e a uma bateria marcada revezadamente por ganzá, tamborim, reco-reco, cuíca e similares de escola de samba”. É um show de brasilidade, um carnaval de sublimidades, vozes em delírio, aleluias, gritos alucinantes na ginga de Eleazar, que está imponente em sua Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo que corresponde, respondendo de pronto. Eleazar, como sempre, dançante no pódio, desvelando o útero do Brasil desde as suas entranhas selvagens, pois Villa Lobos alcança um nível raramente ultrapassado até hoje. Villa tinha consciência e amava o Brasil em sua aguda natureza, olhava para o horizonte futuro, para na sua raiz popular, mas com uma altivez e uma grandeza e uma imponência e um orgulho monumental. A música é um estranho ritual indígena, um festival, um hino de amor às belezas do Brasil. O filme é antigo, em preto-e-branco, mas dá para sentir a superioridade da massa orquestral. Sim, Villa era um louco. Louco porque tinha grandeza. Muito além do que os seus contemporâneos podiam assimilar. O excelente Coral é o da Associação Coral Adventista de São Paulo. Foi na Abertura do Festival de Inverno de Campos do Jordão de 1988.
Confira em:
http://www.youtube.com/watch?v=eT8u7_EsT5g&feature=related