segunda-feira, 29 de junho de 2009

Lançamento de livro










Lançamento de livro

Rogel Samuel

Lançamento do livro de Lucilene Gomes Lima - "FICÇÕES DO CICLO DA BORRACHA NO AMAZONAS", Manaus: Estudo comparativo dos romances “A selva” (FERREIRA DE CASTRO), “Beiradão” (ÁLVARO MAIA) e “O amante das amazonas” (ROGEL SAMUEL), Editora da Universidade do Amazonas, ISBN 978-85-7401-458-6. Dia 30.06, no auditório Eulálio Chaves, do campus da UNIVERSIDADE DO AMAZONAS, Manaus.

Trata-se de livro extraordinário, muito bem escrito (a autora é excelente contista) originário de sua dissertação de mestrado defendida na Universidade do Pará.

Analisa as três principais obras, segundo a autora, da temática do ciclo da borracha amazônica: a primeira é "A selva" do português FERREIRA DE CASTRO; a segunda é "Beiradão"de ÁLVARO MAIA, e a terceira é "O amante das amazonas" de Rogel Samuel.

Independente do meu "O amante das amazonas", o livro de Lucilene Gomes Lima é o melhor já escrito sobre o ciclo da borracha no Amazonas e a literatura a respeito.

Foi grande a surpresa, em 2006, quando descobri por acaso este ensaio no site da Universidade do Pará.

Telefonei para a Neide Gondim:

- Quem é Lucilene Gomes Lima? - perguntei.
- Foi uma das minhas melhores alunas, disse ela.

Outra grande alegria foi saber agora que o livro foi publicado.




domingo, 28 de junho de 2009

Bandeira




Bandeira

Rogel Samuel





"Hoje, amanhã e sempre
teu nome será para nós, Manuel
Bandeira"

Escreveu (creio) Drummond.

Conheci Bandeira. Um dia fomos um grupo de alunos da Faculdade de Letras a seu apartamento, que ficava em frente. Batemos na porta. Ele atendeu de pijama.

- Que que vocês querem? - perguntou ele, naquela sua voz nasalada.
- Queremos entrevistá-lo, dissemos nós.
- Estou doente, respondeu ele. Não posso atender.
E foi fechando a porta. Atrás dele havia um tapete na parede. No vestíbulo. Mas eu o via com frequência andando por ali, com um jornal ou livro debaixo do braço. Eu já tinha lido quase todos os seus poemas, meu poeta preferido. Agora sai um livro de crônicas inéditas. Vou procurar. Ele era um excelente escritor em prosa.

sábado, 27 de junho de 2009

O canto nordestino



O mundo dá muitas voltas. Ninguém diria que aqueles meninos iam tornar-se tão famosos. Era um grupo de jovens músicos nordestinos que fazia uma apresentação na PUC do Rio. Eu lá estava, com meu amigo Junior, hoje alemão. Junior amava música e graças a ele eu ia a muitos espectáculos musicais de gente nova, Chico, Ney Matogrosso. Aquele era um deles.

O primeiro impacto foi uma jovem Sueli Costa cantando sua belíssima canção. Depois veio aquele rapaz exótico, meio sonhador, tristíssimo, depressivo, que cantou sua canção:

"Quando penso em você fecho os olhos de saudade.
Tenho tido muita coisa, menos a felicidade".

Era Fagner. Confesso que ele estava passando mal, no palco.

"Correm os meus dedos longos em versos tristes que invento
Nem aquilo a que me entrego já me dá contentamento
Pode ser até manhã
sendo claro feito dia,
mas nada do que me dizem me faz sentir alegria".

No final do espectáculo encontro Fagner sentado no chão. Nunca pensei que ele seria tão famoso.

Sua música era o canto nordestino, sofrido, cheio de solidão e abandono.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

A morte de um ícone

A morte de um ícone




A morte de um ícone

Rogel Samuel

Senti a morte do cantor. Porque muito me recordo dos tempos daquele menino Michael Jackson cantando tristemente. Ele fazia parte de uma cultura de todos nós, jovens da época. No Brasil apareceu até um grupo rival, os "Golden Boys", que eram também muito bons. Morre com ele toda uma geração de ouvintes. Foi o primeiro cantor negrinho que desafiou o mundo do pop e se tornou rei. Era o melhor dançarino, desde Fred Astaire. Tinha uma voz belíssima e dançava como ninguém. Pequeno vulcão magrinho, um dos poucos que valia a pena ver e ouvir. A media o massacrou até na hora de sua morte. Vítima de todos os preconceitos de cor e de sexualidade. Não foi a toa que quem anunciou sua morte foi um site de fofocas. Mas a sua arte é eterna, não se iludam. Morre numa boa hora. Na era de Obama.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Luxo das arábias






Luxo das arábias.

Rogel Samuel

É muito interessante ver as propagandas de jóias dos jornais árabes. Aqueles senhores têm
muito dinheiro e gastam em luxo. Fazem muito bem. Infelizmente o povo é pobre. Muito
petróleo. Diariamente se vêem jóias muito caras, carros de luxo, próprios para o consumo
daquela classe dominante. Os anúncios são de milhões, e na primeira página.

Propaganda em "Al-Riyadh", publicado em Riyadh, Saudi Arabia.

Faz hoje anos Yves Bonnefoy (França,24 de junho de 1923)‏





Enviado por Amelia Pais

ARTE POÉTICA



Rosto que se apartou dos seus ramos primeiros,
Beleza toda alarme por céu baixo.

Em que lareira erguer o fogo de teu rosto
Ô Mênade tomada e atirada abaixo?



– Yves Bonnefoy

trad. - Mário Laranjeira (?)


Citação: Ecrire, c'est une façon de se souvenir de soi-même.

- Escrever é um modo de nos lembramos de nós mesmos.(Yves Bonnefoy:)

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Curiosidade: primeiro texto de R. Samuel publicado



"O jornal", Manaus, 9 de novembro de 1958, aos 15 anos de idade.


TUA RESPOSTA

(corrigido em 22 de junho de 2009)

Rogel Samuel

(Do Grêmio Gregório de Matos)

Se responderes SIM, todo o vigor e toda doçura desta palavra se coloriu de uma coruscante
tradução. É a interpretação da felicidade, interpretação do amor. A vida tão cruelmente
castigada quando na plenitude de suas dores se descambará, libélula inquieta, num raio
policromado, coagulado, como se a noite se liquidificasse e tombasse, encachoeirada, com
todas as suas culminâncias, de sua luminosidade, com toda glorificação de suas estrelas!
Sim, completamente plena, a minha felicidade se resume na palavra!
Sim, este SIM será o convivente único do meu júbilo, onde brilham os sentimentos humanos,
longe dos canhões da noite, e onde nossa humanidade na sua satisfação se embebeda das carícias perfumadas e das delícias estonteantes reais, tão reais como a fluorescência do dia sobre a suavidade da noite que lentamente vai revestindo e enlutando as montanhas.
Mas se responderes NÃO a tua palavra vai penetrar-me pelos poros e aniquilar o meu amor,
e eu me tornarei surdo como os peixes solitários abandonados no fundo dos poços, eternamente sós.
(Ilegível) Não, e está tudo consumado. É a voz estéril das paredes.
Por isso, creia, um não seria mortal.






domingo, 21 de junho de 2009

Encontro com Sophia de Mello Breyner



Encontro com Sophia de Mello Breyner


Rogel Samuel


Conhecemos Sophia em sala de aula. D. Cleonice Berardineli a convidou para visitar a nossa turma. Quem nos lembra é a poetisa Bernardina Oliveira, que estava presente. Foi em 1966. Só me lembro de Sophia vagamente. D. Cleo nos dava aulas de poesia portuguesa contemporânea. Sophia nasceu 1919 e morreu em 2004. Naquela época era ainda uma mulher bonita. D. Cleonice gostava de nossa pequenina turma. Certa vez nos recebeu em sua casa, onde nos ofereceu um lanche, um ótimo lanche. Ela morava, na época, na esquina da Av. Atlântica com vista para o grande Oceano. Talvez por isso tenha sido professora de literatura portuguesa até hoje. Ao lado de seu apartamento, havia outro somente para seus livros. Ela era casada com um marido muito amoroso, um médico, que a vinha buscar todos os dias depois das aulas. Viúva, passou a dirigir seu próprio automóvel até recentemente, enfrentando a Av. Brasil para chegar ao Fundão.

A mim me deu um riquíssimo presente, mas ninguém viu, foi segredo: A edição das Obras poéticas de Pessoa, da Aguilar, que tenho até hoje. Com uma dedicatória: "Ao Rogel em quem deposito grandes esperanças. Cleonice Berardinelli". Cobriu a dedicatória com uma fita adesiva, para manter o segredo e não despertar ciúme nos colegas. Não sei se correspondi às esperanças dela, certamente que não.

D. Cleo estudou conosco, comentou e interpretou Sophia.

O poema talvez fosse:


Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

sábado, 20 de junho de 2009

Era aqui. Chegavam




O poema começa num lugar: era aqui. Num tempo: com a noite. Chegavam serpertes do frio. As carícias envolventes. Flores da sombra, lilases, malmequer. Frutos, cerejas e malvas. Um passado. No campo? Recordaçoes de um pomar. De um amar. De um amor.


Era aqui. Chegavam,
com a noite, as serpentes
do frio, o novelo
das carícias. I
rompiam da sombra
os sôfregos lilases, des
folhava-se em nossas
bocas o
malmequer dos beijos.
Era
o tempo das
cerejas e das malvas.

Albano Martins, “Era aqui, era o tempo”

http://novelosdesilencio.blogspot.com/


René Char





René Char


Rogel Samuel


René Char nasceu na Provença, em 1907. Faleceu em 1988. Seu poema de amor nos diz o que já sabemos: o verão, o mar, a rocha, a aparição, a liberdade, a juventude, a tristeza... e os anos passaram, o mundo partiu, tudo mudou, o teu coração me desconheceu, e o amado ainda lhe era fiel.



Fastos

O Verão cantava sobre a sua rocha preferida
quando tu me apareceste,

o Verão cantava afastado de nós
que éramos silêncio,
simpatia, liberdade triste,
mar
mais ainda do que o mar,
cuja enorme comporta azul
brincava aos nossos pés.

O Verão cantava
e o teu coração nadava longe dele.
Eu beijava a tua coragem,
entendia a tua perturbação.


Estrada através do absoluto das vagas
em direcção a esses altos picos de escuma
onde navegam virtudes assassinas
para as mãos que seguram as nossas casas.

Não éramos crédulos.
Éramos rodeados.

Os anos passaram.
As tempestades morreram.
O mundo partiu.

Sofria
por sentir que era o teu coração que já não me conhecia.

Eu amava-te.
Na minha ausência de rosto e no meu vazio de felicidade.

Eu amava-te, mudando em tudo,
fiel a ti.


René Char
trad.de. margarida vale de gato
relógio de água,2000

Enviado por Amelia Pais

sexta-feira, 19 de junho de 2009

A fome é um não




A fome é um não


Rogel Samuel


O mundo está com fome. A fome no mundo aumenta.

Leio que a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) prevê que o número de famintos no mundo chegará em 2009 ao recorde de 1 bilhão e 20 milhões de pessoas. Um em cada seis seres humanos está passando fome.

Há uma perversa combinação da crise econômica com a elevação do preço dos alimentos.
Jacques Diouf, da FAO, disse que a crise alimentar vai por em risco a paz e a segurança mundial.

642 milhões vivem na Ásia e 265 milhões na África subsaariana.

"A fome não é um produto da superpopulação: a fome já existia em massa antes do fenômeno da explosão demográfica do após-guerra. Apenas esta fome que dizimava as populações do Terceiro Mundo era escamoteada, era abafada era escondida. Não se falava do assunto que era vergonhoso: a fome era tabu" escreveu há muitos anos Josué de Castro.

Escreveu Cassiano Ricardo:

"A fome é um não.

A fome ri. A fome é a morte ainda viva.
Ambulante".

Vejo os rostos cadavéricos da fome africana e asiática. A máscara da fome. No coro das máscaras. A face ossuda, angulada. Não é preciso perguntar: 'você me conhece'.

"A face do sub-vivo é dialética. Gera pontas de faca sob a pele" diz Cassiano Ricardo.


A máscara da fome é um feroz atestado. Uma em cada seis pessoas passa fome, no mundo.

A fome ri. A fome esculpe, cinzela as suas criaturas (ou caricaturas?)

- A fome é um Não.

Um não que não aceita explicação.

(Cassiano).

KAWAVATA RECEBENDO PRÊMIO NOBEL


KAWAVATA RECEBENDO PRÊMIO DAS MÃOS DO IMPERADOR EM 1968.
Na foto, recebendo o prêmio Nobel das mãos do Imperador, em 1968. Foi o primeiro escritor japonês a receber o Nobel de Literatura.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

As jóias de Imelda Marcos

Manila Standard Today, published in Manila, Philippines

As jóias de Imelda Marcos Rogel Samuel 

 Li no Manila Standard Today, de Manila, Philippines, que a famosa esposa do ditador Marcos está perto de recuperar suas jóias por uma decisão judicial. A família Marcos ainda detém muito prestígio na sua terra. Marcos governou por 21 anos aquele país e dizem ter acumulado uma fortuna de cerca de 10 bilhões de euros, dos quais 1,2 foram recuperados. Sua mulher, Imelda, dona de 1200 pares de sapato, ex-miss, que se vestia nos mais caros costureiros do mundo, tinha uma imensa coleção de jóias, inclusive um famoso rubi do tamanho de uma ameixa. Todo esse luxo real ainda existe depositado em alguns bancos. As jóias de Imelda Marcos lembram os palácios de Saddam Hussein. Imelda também tinha palácios. Imelda está viva, com quase 80 anos. Recentemente deu uma grande festa de aniversário num de seus antigos palácios. E ainda reclamou do estado de conservação do prédio.

Índio do Brasil




Índio do Brasil

Rogel Samuel


Li que "O primeiro monumento a uma mulher foi um busto construído em 1919 em homenagem feita à Clarisse Índio do Brasil, que morreu vítima de violência urbana, no Rio de Janeiro" (www.armazemdedados.rio.rj.gov). Ela foi assassinada por um desconhecido, dentro do automóvel do marido, em plena Av. Rio Branco. O marido estacionou o carro, foi à farmácia. Quando voltou a encontrou morta a tiro.

Dona Clarisse era avó da escritora Clarisse de Oliveira e sua vida foi extraordinária.

Muito rica, tia do Conde Lage, dono do Parque Lage, onde morava. D. Clarisse vivia numa chácara na Voluntários da Pátria, com um batalhão de empregados. Antes, abandonou a família para casar-se com o Almirante Índio do Brasil, que era meio índio, bem moreno (aparece na foto, a direita, na primeira fila). Este almirante foi um político importante no Brasil, e como tal aparece na Enciclopédia Larousse. Foi governador do Pará e creio que senador. Existem ruas e praças com o nome do almirante em Porto Alegre, no Bairro Tristeza; e no Rio, em Botafogo, onde havia um ancoradouro. O Almirante está na origem da estátua do Cristo Redentor, no Rio, pois fazia parte da comissão (na foto) que decidiu a forma da estátua. Na época Silva Costa foi à Europa, a fim de fazer a maquete do monumento. Formou-se, então, a seguinte comissão executiva: presidente efetivo, Dom Sebastião Leme, arcebispo coadjutor; 1º vice-presidente, mons. Gonzaga do Carmo; 2o dito, senador Almirante Índio do Brasil, etc.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Próximas postagens


Próximas postagens: Ainda a Cajuína; a foto de Caetano; crítica literária e hermenêutica.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Cajuína




Cajuína

(Foto de Rogel Samuel)

Rogel Samuel

Será que existe a cajuína bebida lágrima e fina em Teresina? Sim, mas existirá a linguagem a que se destina àquela matéria de Torquato e a poesia tão fina? Existirá aquela bebida dos deuses e aquela a que se destina a rosa pequenina? Existiu em Teresina, existiu um homem que o ocaso se lhe deu a sina de se iluminar com aquela luz nordestina, que era de olhar a intacta retina?

Caetano compôs um poema tecido em lágrima e gotas de caju, em saudades do morto que era o menino cuja matéria da vida era tão fina. Começa por "existirmos". A que se destina o existir? O poema de amor em versos de dozes sílabas, sofisticadíssimo.

No primeiro verso "a que será que se destina" - repete um SE, uns sss. E o destino de dar, destinar-se é doar, e um rumo, um lance de dados, um laçar e apontar um lugar no ponto do horizonte e do futuro.

Mas o futuro é a morte...

Para que "existimos"? pergunta Caetano.

O personagem "menino", "homem lindo", ou seja, este homem-menino é um destinado
deus-menino para nós, mas a nós não nos pertenceu, não se nos ilumina a sua luz nem se amofina sua dor e a sua morfina. Bem, nem se confina o deus-menino que se foi.
Foi para o seu destino, desapareceu no ar. Nem se turvou da lágrima nordestina.
Apenas foi. Desapareceu na sua materialidade transparente, fina, gaze. E éramos ele,
e nós nos olhávamos nele, bebíamos nossas recordações em lágrimas da cajuína destilada em Teresina, matéria em fragmentos de um Torquato tecido leve e transparente ido, um Torquato que se desfia em sua sina, se fragmenta no ocaso as coisas finas.

Assista ao vídeo.


http://www.youtube.com/watch?v=ZaxDlDbMppE

Cajuína

Caetano Veloso

Existirmos: a que será que se destina?
Pois quando tu me deste a rosa pequenina
Vi que és um homem lindo e que se acaso a sina
Do menino infeliz não se nos ilumina
Tampouco turva-se a lágrima nordestina
Apenas a matéria vida era tão fina
E éramos olharmo-nos intacta retina
A cajuína cristalina em Teresina.

No muro



Foto de El periódico de Catalunya

domingo, 14 de junho de 2009

Lama Osel






Lama Osel

Rogel Samuel

Algumas pessoas me mandaram a revista Veja com reportagem sobre o garoto Lama Osel.
Já no ano passado eu ouvia coisas como essa: “Lama Osel largou o budismo!”
Mas é necessário informação melhor para saber que grandes mestres do passado fizeram o mesmo e continuaram grandes mestres. Deixaram de ser venerados e passaram a cidadãos comuns.

O maior de todos foi Virupa, criador do Landré, que deixou de ser abade do seu mosteiro e foi viver nu na floresta como mendigo.
Outro foi Sangton Chobar, guru de Sachen Kunga Nyngpo, a quem devemos tudo, pois a tradição do Landré tinha desaparecido e só ele a detinha. Chobar tornou-se um simples lavrador, e nem os vizinhos sabiam que ele era um mestre de budismo. Quando Sachen chegou, perguntou se ali morava o grande guru Sangton Chobar, os vizinhos se riram e disseram que desconheciam tal grande guru, mas que Sangton Chobar era aquele lavrador rústico que estava lavrando na serra. E mesmo quando Sachen, carregado de ricos presentes, chegou perto de Chobar, este disse: “O senhor deve estar enganado, eu não sou mestre de nada”.

Mas quando Sachen já ia saindo, alguém advertiu a Chobar: “Aquele é o filho do seu discípulo da família Khon, você tem obrigação de atendê-lo”.
E foi assim que a tradição Landré não se perdeu.

Eu conheci Lama Osel quando ele era menino. Em Kopam. Uns monginhos meus amigos perguntaram: “Que ver Lama Osel? “E me levaram até ele.

Foi surpreendente! Apesar de ser uma criança, Lama Osel exerceu um forte impacto sobre mim.
- Oh, disse-me ele, estou ocupado agora. Você pode voltar amanhã?
No dia seguinte já o tinham levado.

Já naquele tempo ele gostava de filmes de Hollywood, filmes de ação. Naquela noite eu o vi na sala de vídeo do mosteiro. Queriam as beatas passar filmes virtuosos. Ele não deixou. Exigiu filme de ação.

Ele hoje cresce na minha admiração.

As águas do jardim





As águas do jardim

Rogel Samuel


Omar Khayyam lastima as rosas o Irã as as xícaras de sete anéis o lugar desconhecido para onde todos se foram. Jamshyd é a mitológica figura do grande Pai iraniano, o quarto rei da sua dinastia, e aparece nas escrituras de Zoroastro. Jamshyd é a tradição, o herói nacional, o modelar, o mítico, a reserva a imagem.

Que sobrou? que ficou? Restou o jardim antigo e sua videira e suas águas que passam como o tempo passa a história e suas lendas e o velho Irã e suas mais belas tradições...


O Irã realmente se foi com todas suas Rosas,
E a Xícara de sete anéis de Jamshyd para onde ninguém sabe;
Mas ainda a Videira seus frutos de rubi antigos oferta,
E ainda há um Jardim com suas taças de Água.

Versão inglesa de Edward FitzGerald, Língua original Persian/Farsi, Trad. R. Samuel