segunda-feira, 18 de maio de 2015

A PANTERA 4


A PANTERA 4

ROGEL SAMUEL


Chegamos junto, chegamos a uma íngreme pedra de umas grandes árvores cercada, cingida de um pequeno e claro riacho, que atravessamos com os pés nas pedras e caminhamos, graves, os nossos olhos meneando para aquelas árvores de aspecto majestoso, e com voz suave Jara me falava, mas eu o que ouvia não entendia, enquanto subimos aquela alta pedra pelos galhos, sobre um viso nós subíamos, e de lá, de cima, divisávamos dessas aves o bando numeroso, de verde esmalte - a guerreira me dizia e me indicava, egrégias aves inda me extasia o prazer com que vê-las exultava, relato não me dando fazer plena de todas, a comparsa então se dividindo por outra vereda comigo na trilha, do ar sereno ao ar que treme, vindo me diz, mas na sua língua adversa, que traduzo como: “Aqui chegamos, onde e quando a luz do dia não mais brilha e o espaço menos largo se compreende, mas onde o pungir da dor é mais profundo”. 

E aqui quedamos, armando de enorme galho nossas redes, a esperar que da noite as sombras nos cobrissem e o sono, misterioso e leve, nos tomasse. 

Mas logo conseguimos ouvir os infernais lamentos da onça negra que rugia como uma mar combatido de ventos, de tormenta ou furor nos perseguindo, nunca abatida que perpetuamente nos seguira em seu embate, recrescida, que à borda daquele abismo precipitava em ais, soluços, rompendo com blasfêmias, ouvindo então de Jara me dizer:  não se atemorize, pois como nós ela também está temendo ao capricho do vento, sem conforto neste longa série de avanços com seu grasnido assim no gemer seu que não descansa com que o vendaval fustiga denegrida. 

E em tumulto as invisíveis aves da noite volteavam ao capricho dos ventos, que as trazia no conforto e não lhes fazia  mais agonia, como nos ares longa série de abutres avançando por trás do tufão de sombras, em vão pelo seu pavor como saídos da tumba de demônios. 

E após aquelas aves foi o silêncio feito, que perguntei: “Que aconteceu agora?” 

– E Jara respondeu com um suspiro: 

“Cruel destino, triste congitar! Procederam do mar do fim do mundo”. 

Disse-lhe eu: “Oh Amiga, teus martírios me angustiam”, pois tinha nascido a flor do nosso afeto, como namorados éramos a sós naquele monte, e um ponto só nos deu guarida, pois a boca me beijou estremecida que tombei como corpo morto, mas: 

“Espera!” – me disse ela, subia ao alto colina onde da árvore alta pode observar uns novos clarões que vislumbrava. 


Enquanto que eu da pantera a respiração ouvia por toda parte ao longe e ao lado.

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