terça-feira, 14 de dezembro de 2010

MEC define diretrizes para o Ensino Fundamental





FOTO A. CESAR ARAUJO

MEC define diretrizes para o Ensino Fundamental de 9 anos



O Ministério da Educação (MEC) homologou as diretrizes para o Ensino Fundamental de nove anos, elaboradas pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), tornando-se resolução número 7 de 2010. O texto deverá servir de base para a elaboração do currículo em todas as escolas do País já no início de 2011. O ponto central é a definição dos três primeiros anos do Esino Fundamental como um único ciclo, que não tenha reprovação, mas que não tenha aprovação automática. Trata-se de um imenso avanço, algo que venho propagandeando neste blog.

Sobre os Princípios:

Éticos: de justiça, solidariedade, liberdade e autonomia; de respeito à dignidade da pessoa humana e de compromisso com a promoção do bem de todos, contribuindo para combater e eliminar quaisquer manifestações de preconceito e discriminação.
Políticos: de reconhecimento dos direitos e deveres de cidadania, de respeito ao bem comum e à preservação do regime democrático e dos recursos ambientais; de busca da equidade no acesso à educação, à saúde, ao trabalho, aos bens culturais e outros benefícios; de exigência de diversidade de tratamento para assegurar a igualdade de direitos entre os alunos que apresentam diferentes necessidades; de redução da pobreza e das desigualdades sociais e regionais.
Estéticos: de cultivo da sensibilidade juntamente com o da racionalidade; de enriquecimento das formas de expressão e do exercício da criatividade; de valorização das diferentes manifestações culturais, especialmente as da cultura brasileira; de construção de identidades plurais e solidárias.


Objetivos

Propiciar o desenvolvimento do educando, assegurar-lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe os meios para que ele possa progredir no trabalho e em estudos posteriores, segundo o artigo 22 da Lei nº 9.394/96 (LDB), bem como os objetivos específicos dessa etapa da escolarização (artigo 32 da LDB), devem convergir para os princípios mais amplos que norteiam a Nação brasileira.



A peculiaridade desta etapa de desenvolvimento

Nos anos iniciais do Ensino Fundamental, a criança desenvolve a capacidade de
representação, indispensável para a aprendizagem da leitura, dos conceitos matemáticos básicos e para a compreensão da realidade que a cerca, conhecimentos que se postulam para esse período da escolarização. O desenvolvimento da linguagem permite a ela reconstruir pela memória as suas ações e descrevê-las, bem como planejá-las, habilidades também necessárias às aprendizagens previstas para esse estágio. A aquisição da leitura e da escrita na escola, fortemente relacionada aos usos sociais da escrita nos ambientes familiares de onde veem as crianças, pode demandar tempos e esforços diferenciados entre os alunos da mesma faixa etária. A criança nessa fase tem maior interação nos espaços públicos, entre os quais se destaca a escola. Esse é, pois, um período em que se deve intensificar a aprendizagem das normas da conduta social, com ênfase no desenvolvimento de habilidades que facilitem os processos de ensino e de aprendizagem.


Currículo

O acesso ao conhecimento escolar tem, portanto, dupla função: desenvolver habilidades intelectuais e criar atitudes e comportamentos necessários para a vida em sociedade. O aluno precisa aprender não apenas os conteúdos escolares, mas também saber se movimentar na instituição pelo conhecimento que adquire de seus valores, rituais e normas, ou seja, pela familiaridade com a cultura da escola.


O currículo da base nacional comum do Ensino Fundamental deve abranger obrigatoriamente, conforme o artigo 26 da LDB, o estudo da Língua Portuguesa e da Matemática, o conhecimento do mundo físico e natural e da realidade social e política, especialmente a do Brasil, bem como o ensino da Arte, a Educação Física e o Ensino Religioso.
Os componentes curriculares obrigatórios do Ensino Fundamental serão assim organizados em relação às áreas de conhecimento:
I – Linguagens:
a) Língua Portuguesa
b) Língua materna, para populações indígenas
c) Língua Estrangeira moderna
d) Arte
e) Educação Física
II – Matemática
III – Ciências da Natureza
IV – Ciências Humanas:
a) História
b) Geografia
V - Ensino Religioso
O Ensino Fundamental deve ser ministrado em língua portuguesa, mas às
comunidades indígenas é assegurada também “a utilização de suas línguas maternas e processos próprios de aprendizagem” (Constituição Federal, art. 210, §2º, e art. 32, §3º da LDB).

OS OLHOS TUDO PODEM



Poema Dos Olhos Da Amada

Vinicius de Moraes

Composição: Vinicius de Moraes / Paulo Soledade

Oh, minha amada
Que os olhos teus

São cais noturnos
Cheios de adeus
São docas mansas
Trilhando luzes
Que brilham longe
Longe nos breus

Oh, minha amada
Que olhos os teus

Quanto mistério
Nos olhos teus
Quantos saveiros
Quantos navios
Quantos naufrágios
Nos olhos teus

Oh, minha amada
Que olhos os teus

Se Deus houvera
Fizera-os Deus
Pois não os fizera
Quem não soubera
Que há muitas eras
Nos olhos teus

Ah, minha amada
De olhos ateus

Cria a esperança
Nos olhos meus
De verem um dia
O olhar mendigo
Da poesia
Nos olhos teus

Mona Lisa guarda em pupila a chave de sua identidade, segundo nova teoria
Seg, 13 Dez, 12h09



Londres, 13 dez (EFE).- A Mona Lisa de Leonardo da Vinci guarda em sua pupila esquerda a clave da identidade da modelo em que o pintor se inspirou, segundo o investigador italiano Silvano Vinceti, cujas teorias são divulgas nesta segunda-feira pelo jornal "The Guardian".


De acordo com Vinceti, que é presidente da comissão nacional de patrimônio cultural em seu país, o gênio renascentista, amante dos códigos, pintou uma série de letras pequenas nas duas pupilas de Mona Lisa.


"Invisíveis ao olho humano e pintadas em preto sobre verde e marrom, estão as letras LV em sua pupila direita, obviamente as iniciais de Leonardo, mas o mais interessante está em sua pupila esquerda", afirma o investigador, em declarações recolhidas pelo jornal.


Vinceti mantém que no olho aparecem as letras "B" e "S", além de, possivelmente, as iniciais "CE", o que considera de vital importância para averiguar a identidade da modelo.


Esta foi identificada frequentemente como Lisa Gherardini, a esposa de um mercador florentino, mas o investigador italiano não está de acordo, já que mantém que a Mona Lisa foi pintada em Milão.


"Atrás do quadro aparecem os números 149, com um quarto número médio apagado, o que sugere que Da Vinci o pintou quando estava em Milão na década de 1490, usando como modelo uma mulher da corte de Ludovico Sforza, o duque de Milão", declara ao jornal.


"Leonardo gostava de utilizar símbolos e códigos para transmitir mensagens, e queria que descobríssemos a identidade da modelo através de seus olhos", prossegue o italiano, que deve detalhar suas conclusões no próximo mês.


O mistério da Mona Lisa já foi objeto de teorias também na ficção, como no caso do romance "O Código Da Vinci", na qual o autor, Dan Brown, sugere que o nome é um anagrama para Amon l'Isa, em referência a antigas divindades egípcias. EFE







segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

MERCEDES DE OURO








Gold Mercedes C63


This United Arab Emirates-registered gold-mirror-finish Mercedes-Benz C63 AMG was caught at the Bling on Wheels Show, otherwise known as the valet area at the Mall of the Emirates in Dubai. While we have nothing untoward to say about someone who decks out his/her ride in any manner desired, we are always intrigued when someone looks to have spent the worth of a car – on top of the price of the car itself – on "beautification."

There is some debate as to whether this is a real paint job or a wrap, but parking your gold-wrapped C63 next to a genuinely chrome SLR would be shamefully ludicrous. A C63 AMG goes for about 300,000 AED (about $82,000 USD). Unless gold paint bubbles out of the ground as well, a liquid gold paint job has to cost a good portion of that.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Salvar o gatinho: leopardo amur




A Rússia ofereceu à China criar uma reserva natural conjunta para ajudar a salvar o leopardo amur, felino mais raro do mundo e espécie ameaçada de extinção.

"Nós enviamos nossas propostas à China", disse neste sábado o vice-premiê Sergei Ivanov, responsável por um programa estatal para salvar a espécie.

Joerg Sarbac

Filhote fêmea de leopardo amur é exibido no Parque Serengeti, em Hodenhagen, na Alemanha

Ivanov disse que o habitat destes leopardos caiu para a metade nos últimos 20 anos e restam apenas 30 ou 35 deles no extremo leste da Rússia, além de dez nas vizinhas China e Coreia do Norte.

"O leopardo amur está à beira da extinção", disse Ivanov à Sociedade Geográfica Russa, acusando caça, exploração madereira e incêndios florestais.

Ivanov destacou algumas das propostas, como a construção de um túnel de US$ 100 milhões para evitar a construção de estradas e o desmatamento excessivo do habitat dos leopardos.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

ASSALTO À CATEDRAL DE MANAUS






Dois dos suspeitos entraram e se fingiram de fiéis antes de fazer seis pessoas de refém na secretaria da igreja.

Dupla esperou o movimento da igreja diminuir para agir.

Foto: Caio Pimenta




Manaus - Parte do dinheiro arrecadado no primeiro dia de arraial da Catedral Metropolitana de Manaus, no Centro, cerca de R$ 6 mil, foi roubada ontem por dois homens armados. Eles invadiram a secretaria da igreja e fizeram seis pessoas reféns por cerca de cinco minutos.

As informações são do secretário paroquial Paulo Henrique Santos, 42, que foi vítima dos assaltantes. Segundo ele, o crime ocorreu por volta de 11h30. Havia seis pessoas na secretaria. Todas elas foram amarradas com fios elétricos. O vigário-geral de Manaus, padre José Sabino, não estava na igreja no momento do assalto. O dinheiro, que estava sendo preparado para ser depositado no banco foi levado pelos suspeitos, que fugiram à pé. “Toda a quantia era depositada em partes para não chamar a atenção de ladrões dentro do banco. Mas fomos surpreendidos aqui dentro da igreja”, disse. Paulo afirmou que a maior parte do dinheiro arrecadado no arraial já havia sido depositada quando ocorreu o assalto.

O comandante da 1ª Companhia Interativa Comunitária (1ª Cicom), major da Polícia Militar (PM) Darcelo Gomes, contou que os suspeitos entraram na igreja e ficaram sentados num banco observando, de longe, o entra e sai de pessoas da secretaria. Quando o local ficou menos movimentado, eles se passaram por fiéis em busca de informações sobre agendamento de um batizado. “Quando eram atendidos pelo secretário da paróquia, anunciaram o assalto. Os bandidos fizeram isso para evitar gritaria”, afirmou.

Segundo o major, um terceiro suspeito estava no lado de fora da catedral dando cobertura aos comparsas. O crime foi registrado ontem à tarde na Delegacia Especializada em Robos, Furtos e Defraudações (DERFD).

Ilya Kaminsky


Paul Celan

He writes towards your mouth
with his fingers.

In the lamplight he sees mud, wind bitten trees,
he sees grass still surviving this hour, page

stern as a burnt field:
Light was. Salvation

he whispers. The words leave the taste of soil
on his lips.



"Paul Celan" previously appeared in Tikkun

Ilya Kaminsky

Elisabeth Murawski



Abu Ghraib Suggests the
Isenheim Altarpiece

Arms behind him shackled to the wall,
Jamadi’s knees buckle. He lands on air.
Let us reposition him to stand erectly,

homo sapiens, place the irons higher up
on the window bars. When again he falls
forward, hangs like Jesus from his wrists,

call it faking, possum-playing. Persist.
Lift him up on legs that ragdoll-sag
into a third collapse, the effect

grotesque as Grunewald’s Christ: bones
about to pop from their sockets. The silence
curious, raise the hood that hid a face,

asphyxiation, wag a finger past the eyes.
It has begun, the turning of the skin
to purple, the indigo of Tyre and Sidon. Note

as he’s lowered to the floor, the stunning
rush of blood from nose and mouth,
the Red Sea. In this heat, let us blur

the time of death, pack the flesh in ice
like fish or meat, pretend he’s merely
sick, hooked to an I.V., a patient

on a stretcher. Destroy the crime scene.
Throw away the bloodied hood. It stings
with the quality of mercy.

Note: This poem is based on material in “A Deadly Interrogation” by Jane Mayer, The New Yorker, Nov. 14, 2005.

Elisabeth Murawski is the author of Zorba’s Daughter, which was selected by Grace Schulman for the 2010 May Swenson Poetry Award, Moon and Mercury, and two chapbooks, Troubled by an Angel and Out-patients. She was a Hawthornden fellow in 2008. Publications include The Yale Review, The Virginia Quarterly Review, Southern Review, Antioch Review, The New York Quarterly, et al. “Abu Ghraib Suggests the Isenheim Altarpiece” won the 2006 Ann Stanford Prize. She currently resides in Alexandria, VA.

Boto seduz Luciano Huck no Amazonas





Os botos e as lendas da Amazônia impressionaram o apresentador Luciano Huck que gravou em Manaus esta semana o programa Caldeirão . O apresentador postou no Twitter uma foto na qual aparece "no meio da floresta"acariciando um boto.

Luciano escolheu Manaus para gravar o quadro "A Festa é Sua" com 300 alunos da rede pública estadual de ensino e integrantes do Projeto Jovem Cidadão. A gravação ocorreu na terça-feira e o quadro vai ao ar no dia 25

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Aretha Franklin, Facts & Statistics, pancreatic cancer





The Detroit News

"It has the worst prognosis of any major human malignancy. It is the most dreaded cancer to get."

—DR. DIANE SIMEONE, director of the Pancreatic Tumor Clinic at the University of Michigan, speaking about pancreatic cancer, for which singer Aretha Franklin is reportedly being treated [via The Detroit News]

Only 5% of those diagnosed with pancreatic cancer can expect to survive five years, and 36,800 Americans will die of the disease this year, according to the National Cancer Institute. Among celebrities, Patrick Swayze recently succumbed to it, though Steve Jobs and Ruth Bader Ginsburg have both successfully beaten the illness.

Aretha Franklin Cancels Concerts for the Next Six Months


“At the insistence” of the 68-year-old’s doctors, Aretha has had to cancel her upcoming appearances, BBC News reports.

Aretha was admitted to a Detroit hospital last month for unknown reason, but is now “resting comfortably” at home. She broke two ribs in a bad fall and had to cancel two concerts in August as a result.

But the singer wishes she could be on stage!

Aretha’s publicist said in a statement she is “very anxious to get back on the road to perform for her fans.”

“The award-winning songstress sends her sincerest apologies to her loyal followers and colleagues for the canceled shows.”

She will be missed!

Rafael Correa: "Vamos rumo a uma globalização descontrolada''


Vermelho
www.vermelho.org.br

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09/12/2010


O presidente equatoriano Rafael Correa manifesta, nesta entrevista, preocupação com a espionagem e as operações políticas reveladas pelo Wikileaks. Também fala sobre a tentativa de golpe que sofreu e o desenrolar da crise mundial. Para ele, a situação é grave, pois não se atacou a raiz do problema, que é o descontrole absoluto dos mercados em geral e, em particular, dos mercados financeiros.
"Isto é, vamos rumo a uma globalização, mas sem mecanismos de governança em nível mundial. É um absurdo ter um mercado mundial sem mecanismo de governança para esse mercado", denuncia na entrevista abaixo, concedida ao jornal argentino Página/12 e publicada no último dia 4, antes da Cúpula Ibero-americana de Mar del Plata.

Sorridente e relaxado, Rafael Correa parece ter desfrutado seu dia em Buenos Aires, que começou cedo com um doutorado "honoris causa" na Universidade de Buenos Aires e continuou com um encontro com membros da comunidade do seu país, a inauguração de uma rua em Puerto Madero que leva o nome da heroína equatoriana Manuela Sáenz, a apresentação do seu livro "Ecuador: de Banana Republic a la No República", em que respondeu a perguntas do público, incluindo as de Federico Luppi, Piero, Osvaldo Bayer e do economista Mario Rappoport.

Ao cair da noite, depois de uma coletiva com a imprensa local e estrangeira, ele concedeu uma entrevista exclusiva ao jornal Página/12. Veja abaixo:

Página/12: Qual sua opinião sobre os vazamentos do Wikileaks?
Rafael Correa: É algo terrível, muito grave. Traiu-se a confiança dos países amigos dos Estados Unidos. Vamos esperar um pouco mais. Pedimos relatórios de inteligência para ver até onde chega a gravidade do assunto e, em função disso, daremos as respostas pertinentes.

Página/12: Vai mudar a maneira de fazer diplomacia?
Rafael Correa: Sem dúvida. Depois do que aconteceu, deve ser muito mais cuidadosa para que não nos espiem, para que não estejam nos grampeando, para que não influenciem em nossa política externa, etc.

Página/12: Dos documentos que puderam ser vistos até agora, qual é o que mais lhe preocupa?
Rafael Correa: Até agora, nada. Talvez a ingenuidade dos EUA de pensarem que podem, por meio dessa querida amiga que é Cristina Fernández de Kirchner, influenciar para que o presidente Correa seja mais maduro, mais moderado, mais equilibrado em sua relação com a Colômbia. Isso revela o apoio incondicional que os EUA tiveram pela Colômbia, apesar de a Colômbia ter sido o agressor no bombardeio de Angostura.

A ingenuidade de pensar que uma querida amiga como Cristina ia me influenciar, ia se prestar a isso, para tratar de resolver o problema com a Colômbia, e não resolvê-lo com base no litígio, mas sim por meio de concessões do Equador. Nós não temos nada a temer. Que tirem o que quiserem de informações sobre o Equador. Em todo o caso, o que nos interessa mais é o que tentaram fazer conosco. Insisto, estamos recompilando essa informação.

Página/12: Chama-lhe a atenção que tenha havido tantos documentos sobre a Argentina?
Rafael Correa: Eu não tinha essa notícia, não posso opinar a respeito.

Página/12: A abstenção do Equador e da Bolívia na votação da OEA pelo conflito entre a Nicarágua e a Costa Rica marca uma ruptura com a Alba?
Rafael Correa: Não, isso incomoda um pouco. Nunca se votou na OEA, sempre se decidiu por consenso, por isso decidimos pelo mal menor, que foi nos abster. Mas a Nicarágua e a Costa Rica são países próximos, muito queridos pelo Equador, e o que esperamos é que esse impasse seja resolvido o mais rápido possível.

Página/12: Mudou alguma coisa com a crise ou o capitalismo se recompôs e é mais do mesmo?
Rafael Correa: O capitalismo se recompôs e há mais do mesmo. Sem dúvida, houve mudanças. Obama tomou muitas das mesmas medidas que o governo equatoriano havia tomado. Mas não se atacou a raiz do problema, que é o descontrole absoluto dos mercados em geral e, em particular, dos mercados financeiros. Isto é, vamos rumo a uma globalização, mas sem mecanismos de governança em nível mundial.

Então, é um absurdo ter um mercado mundial sem mecanismo de governança para esse mercado. Vamos ser vítimas desse mercado, e é o que estamos vivendo, porque não se atacou a raiz do problema. Podem-se injetar bilhões de dólares no sistema, mas não vai se resolver o problema se as sociedades estão submetidas ao mercado, e não o mercado submetido às sociedades humanas.

Página/12: O que mudou?
Rafael Correa: Muito pouco. Por exemplo, aqueles que viviam insultando o Estado tiveram que recorrer ao Estado para sair da crise. Mas, insisto, são reformas dentro do sistema. O sistema em si mesmo deve ser mudado em seus fundamentos.

Página/12: Quais são seus objetivos para a Cúpula de Mar del Plata ?
Rafael Correa: Tomara que consigamos acordos vinculantes, senão tudo fica em uma foto. Devemos conseguir uma cooperação mútua para melhorar indicadores qualitativos, não só os quantitativos da educação. Uma meta é conseguir currículos homogêneos para diversos países.

Página/12: Quem está freando o Banco do Sul?
Rafael Correa: (Risos) Não posso dizer, mas mostra-se muita falta de vontade em alguns países.

Página/12: Alguns dos mais poderosos?
Rafael Correa: (Ri outra vez) Mostra-se falta de vontade de alguns países.

Página/12: Depois da refundação, como se faz para continuar mobilizando, para manter a militância ativa?
Rafael Correa: Isso não se faz com uma Constituição. Isso se faz com organização, e isso nos faltava, sempre dissemos isso. Evo (Morales) veio das organizações sociais, Hugo (Chávez), do movimento Quinta República, nossa situação foi quase espontânea. Fomos poder, fomos governo sem essa estrutura política. Temos um grande capital político, mas não o estruturamos, não o mobilizamos. Por isso, somos vítimas fáceis de minorias com grande capacidade de mobilização.

Então, era um desafio, sabíamos disso desde o primeiro dia de governo, mas estávamos sobrepassados pelo trabalho de governar. Agora, felizmente, nesta segunda etapa de governo, o desafio era criar essa estrutura política, organizada, com capacidade de mobilização. Isso é precisamente o que começamos a fazer. No dia 14 de novembro, tivemos a primeira convenção nacional do nosso partido, Alianza PAIS. E estamos nisso. Ninguém vai parar a nossa revolução cidadã.

Página/12: Depois da tentativa de golpe há dois meses, suponho que o senhor tem muito interesse em fortalecer as instituições do país.
Rafael Correa: Bom, isso é o que viemos fazendo fortemente. O que acontece é que este é um novo Estado, não em função das burguesias e das elites, essas elites que manejam os meios de comunicação que dizem que estamos desinstitucionalizando o país.

O país estava desinstitucionalizado. Estamos institucionalizando-o, mas não em favor dessa gente. Quanto mais fortes forem as instituições, menos dependentes são das lideranças pessoais. Isso é o que todos desejamos, mas, enquanto isso, e em todos os países, as lideranças continuam sendo importantes.

Página/12: O senhor tem uma relação difícil com os líderes da principal organização indígena.
Rafael Correa: É que existe uma direção indígena bastante intransigente com a qual é impossível falar. E não queremos falar com eles porque são desrespeitosos, sem seriedade. Você pode chegar aos acordos mais claros, firmá-los, e eles descem as escadas e já estão se contradizendo. Defendem interesses corporativos, o espaço que têm na educação bilíngue, cotas de poder, não o bem comum.

Mas de nenhuma forma isso significa que não temos o apoio indígena. Temos um imenso apoio dos indígenas. Infelizmente, existe uma direção bastante intransigente, muito dura, que perdeu o rumo. Qual é seu projeto político? Não entendo. Até fazem coisas ridículas.

Querem me levar à Corte Interamericana de Direitos Humanos acusar-me de genocídio, de etnocídio, de xenofobia, ou seja, de ódio aos estrangeiros, quando minha esposa é estrangeira. Têm propostas inviáveis, como mais escolas, mais hospitais, mais construção, mas não ao petróleo, não à mineração, não ao monocultivo, etc. Então, como se obtém o que tanto pedem se não temos capacidade de gerar renda?

Página/12: O senhor foi muito crítico com a burocracia dos órgãos internacionais de crédito. Isso pode lhe prejudicar em sua tentativa de atrair investimentos ao Equador?
Rafael Correa: Nós queremos investimentos desde que cumpram com normas éticas. O problema é pensar que todo investimento estrangeiro é bom. Há investimentos que destroem os nossos países.

Também é um erro acreditar que o investimento estatal compete com o investimento privado. Todas as forças econômicas são necessárias: local e estrangeira, privada e estatal. Mas terminemos com o mito de que todo investimento estrangeiro é bom. É preciso ter regras muito claras, bons controles, senão acaba tirando mais do que dá.

Página/12: Surpreendeu-lhe a rapidez com que se recompuseram as relações com a Colômbia depois da saída de Uribe do governo desse país?
Rafael Correa: É que, precisamente durante dois anos, Uribe disse que não ia nos dar a informação simples à qual tínhamos direito. Por exemplo, de como se realizou o bombardeio (do acampamento das FARC no Equador), porque havia sérios rumores de que um terceiro país havia participado. Por exemplo, informação sobre os supercomputadores de Reyes que sobreviveram ao bombardeio, com base nos quais fizeram toda uma campanha de desprestígio e de vinculação com as FARC.

Uribe nunca cumpriu. Veio Juan Manuel (Santos), e, no mesmo dia da posse, ele me deu um disco rígido com um computador supostamente de Reyes. Depois, nos entregou toda a informação do bombardeio de Angostura. Então, há uma mudança drástica na vontade de dar satisfação legítima ao Equador frente à agressão que sofreu da Colômbia. Frente a esses sinais, frente ao cumprimento dos requerimentos, sem dúvida vamos normalizar as relações bilaterais sem jamais esquecer o passado, que é o melhor para o povo. Se você se refere ao fato de que houve uma mudança radical na política exterior colombiana, isso sim é surpreendente. Santos é muito inteligente.

Depois da Colômbia, os mais prejudicados pelo conflito colombiano somos nós, os países vizinhos. As tropas na fronteiras colombiana para frear os guerrilheiros e os paramilitares nos custam mais de 100 milhões de dólares por ano, além dos mortos e feridos. É um absurdo envolver países vizinhos no conflito colombiano para ganhar popularidade em casa. Santos mudou radicalmente essa política, e, em consequência, pudemos acelerar o processo de normalização das relações bilaterais.


Aretha Franklin luta contra câncer no pâncreas





RIO - Aretha Franklin está lutando contra um câncer no pâncreas. Na semana passada, cantora passou por uma cirurgia nos Estados Unidos, mas se recusou a revelar a razão. Na quarta-feira, o jornal americano "Detroit News" revelou que a diva de 68 anos havia sido diagnosticada com a doença.

De acordo com o Reverendo Jesse Jackson, amigo da cantora, Franklin está se "recuperando muito bem da cirurgia", mas não confirmou se a diva está mesmo com um câncer, limitando-se a dizer que Aretha "está otimista e de bm humor".

A saúde de Franklin, que é dona de sucessos como "Respect" e "I say a little prayer", tem sido alvo de muita especulação depois que a cantora recebeu ordens médicas para que cancelasse todos os shows e compromissos profissionais até maio do ano que vem.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Violência faz parte da vida de transexuais e travestis





Para Aureliano Biancarelli, casos de agressões por supostas razões homofóbicas, como os da avenida Paulista, em São Paulo, não são novidade

Por Suzana Vier, do Rede Brasil Atual

Os recentes casos de violência por suposta motivação homofóbica, como os que envolveram jovens na avenida Paulista, em São Paulo, em novembro passado, não são novidade na vida de travestis e transexuais, afirma o pesquisador e jornalista, Aureliano Biancarelli.

Autor do livro “A Diversidade Revelada”, que narra o dia a dia de transexuais e travestis, ele relata que a violência contra essas pessoas começa cedo, já na infância, e no interior da própria família e se repete na escola e ao longo de toda a vida.

“A violência é uma constância na vida delas. Começa com uma violência que é menos visível, mas mais danosa para a pessoa que é a violência dentro de casa”, pontua. Nem sempre travestis e transexuais sofrem violência física, mas em geral passam pela exclusão familiar. “Ou você se enquadra no sexo que nasceu ou vai ser expulso de casa”, acentua Biancarelli.

Em entrevista à Rede Brasil Atual, o jornalista explicou que a violência doméstica, física ou psicológica, acaba levando transexuais e travestis às ruas e à marginalidade. “Se vai para rua e é um travesti, um homossexual que quer viver como travesti, vai acabar caindo na marginalidade. A única coisa que vai encontrar no mercado de trabalho é a prostituição ou, raramente, vai encontrar trabalho como cabeleireiro”, analisa.

De acordo com definições médicas citadas pelo antropólogo e pesquisador Bruno Cesar Barbosa em entrevista à Agência USP de Notícias, uma ou um travesti seria aquele que se comporta e se veste como o outro gênero, mas não quer a cirurgia para mudar seu órgão sexual. Já os/as transexuais, sentem a necessidade de fazer a cirurgia, pois se sentem do outro gênero desde o nascimento.

As transexuais consideram que nasceram com o corpo errado. A mente age como se fosse de um sexo e o corpo é de outro, por isso desejam fazer a operação que recolocaria o corpo no lugar que deveria estar, diz Biancarelli.

Segundo o pesquisador, uma ínfima porcentagem de famílias compreendem e aceitam familiares transexuais ou travestis. Motivo que leva muitas pessoas a viverem escondidas ou se relacionarem apenas dentro do mesmo grupo.

Como exemplo do medo que ronda a vida dessa população, Biancarelli cita a história de um homem trans, com corpo feminino,que perto de se casar, prefere esconder da família da noiva sua condição de transexual. Ou a história do professor de inglês, homem trans, que tem uma vida em comum com uma professora da mesma área, mas vive sempre no “limiar do risco”, com receio de que colegas e familiares descubram a transexualidade.

A rejeição social também impacta no estilo de vida de trans e travestis.”Eles têm medo do dia. Têm uma vida na escuridão”, comenta. “Quando escurece, aí se travestem, se enfeitam, mas durante o dia saem o mínimo possível de casa. Elas não têm coragem de tomar Metrô, ou ônibus, por exemplo”, acrescenta em relação às travestis.

Discriminação

Biancarelli detectou que transexuais e travestis sofrem preconceito e humilhação em ações simples do dia a dia, como ir ao banheiro ou procurar um médico.

“Homem e mulher trans, como se vestem de mulher, utilizam banheiros femininos e todas elas relatam violência nessas situações porque mulheres reclamam se descobrem ou sabem. Da mesma forma não seriam aceitas com roupa de mulher em banheiro de homem”, alega Biancarelli. Há casos de profissionais demitidos ou que tiveram de se submeter a usar “o banheiro dos fundos” para permanecer na empresa, informa o jornalista.

Ir ao médico é outra questão complicada para essa população. Primeiro, a transexual ou travesti é chamada pelo nome de homem, mas quem levanta e vai ao encontro do médico ou da enfermeira é uma mulher. Depois, os trans homens não têm ginecologista para atendê-los. “Não tem como ir a um ginecologista vestida de homem”, argumenta o jornalista. Da mesma forma, é difícil para uma trans mulher ir ao proctologista. “Como iam procurar hormônio?”, indaga o pesquisador.

Saúde

Segundo o jornalista, travestis e transexuais têm a saúde muito precária. Entrevistas realizadas com a população mais jovem aponta que apesar de não procurarem cuidados médicos há vários anos, em geral ainda não manifestaram problemas. Entretanto, a faixa etária mais velha sofre com graves problemas de saúde.

Da população que procura o centro de acolhimento do Centro de Referência da Diversidade (CRD) na rua Major Sertório, centro da capital paulista, quase metade estava infectada e outra metade nunca havia feito exames, por isso não sabe seu estado de saúde real.

Biancarelli diz que as travestis acabam bebendo muito e usando drogas diariamente para aguentar a precariedade em que vivem. “Na noite você as vê cheirando cocaína, às 21 horas. Uma das coisas que o hotel ou boate condiciona é que ela incentive o cliente a beber e o cliente quer que ela beba também”, conta.

Também é frequente que clientes queiram que a prostituta use drogas com ele. “Eles estão usando crack, então elas acabam caindo no crack rapidamente”, elucida. “Elas precisam de mais serviços de saúde”, afirma o jornalista.

Amor
Ao acompanhar o dia a dia do Centro de Referência da Diversidade, o pesquisador diz que se surpreendeu com as inúmeras histórias de amor vividas por transexuais e travestis. A maioria das mulheres e homens transexuais sonha com casamento, família e quer a mudança de sexo.

“Elas querem uma vida mais regrada, recolhida”, esclarece. ”Vi vários casos de trans casadas, estabelecidas. Impressionou o número de trans que tinham relacionamentos”, enfoca. O jornalista também encontrou muitas travestis casadas ou namorando transexuais, michês, cafetões.

“Já esperava ouvir relatos de humilhações e maus-tratos sofridos pela população LGBT… Só não esperava que o amor e o companheirismo sobrevivessem com tanta força entre esses personagens. No Centro de Referência da Diversidade é comum ver casais de mãos dadas, ela travesti, ele heterossexual, os dois morando na rua. Em todos os relatos, em meio a histórias de maus-tratos, abandono e discriminação, há sempre uma história de amor”, revela em trecho do livro “A Diversidade Revelada”.

Na publicação, Biancarelli acentua que “respeito e os cuidados psicológicos e médicos a essa população dependem de um amadurecimento da sociedade. Vai do conhecimento e da atenção médica, que inclui cirurgias complexas e reordenações do serviço público, aos avanços em termos da legislação e até mesmo às interpretações do Judiciário”, sublinha.

domingo, 5 de dezembro de 2010

sábado, 4 de dezembro de 2010

Lenin: Tolstoi, um grande artista


Vermelho
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Morreu Leon Tolstoi. Sua importância mundial como artista e sua popularidade universal como pensador e pregador refletem, a seu modo, a importância mundial da revolução russa.

Por Vladimir Ilitch Lênin*

Leon Tolstoi se manifestou como um grande artista desde os tempos do regime da servidão. Em várias obras geniais, escritas por ele no transcurso dos longos cinquenta anos em que se prolongou a sua atividade literária, pintou de preferência a velha Rússia anterior à revolução, que depois de 1861 ficou em um regime de semisservidão; pintou a Rússia aldeã, a Rússia do latifundiário e o camponês. Ao pintar esse período da vida histórica da Rússia, Leon Tolstoi soube apresentar tantas questões fundamentais em seus escritos, alcançou em sua arte tão grande força, que suas obras figuram entre as melhores da literatura mundial.

A época em que se preparava a revolução em um dos países oprimidos pelos senhores feudais foi, graças à forma genial com que Tolstoi a tratou, um passo adiante no desenvolvimento artístico de toda a humanidade.

Como artista, somente uma minoria insignificante o conhece na Rússia. Para fazer efetivamente suas grandes obras patrimônio de todos, há que lutar contra o regime social que condenou milhões e milhões de seres à ignorância, ao embrutecimento, a um trabalho próprio de condenados e à miséria; há que fazer a revolução socialista.

Tolstoi não só escreveu obras literárias que sempre serão apreciadas e lidas pelas massas quando estas criem para si condições de vida humana, derrubando a opressão dos latifundiários e dos capitalistas; ele soube também descrever com força admirável o estado de ânimo das grandes massas subjugadas pela ordem de coisas desse tempo, soube também pintar sua situação e expressar os seus sentimentos espontâneos de protesto e indignação. Tostói que pertenceu, principalmente, à época de 1861 a 1904, refletiu com assombroso realce em suas obras – como artista e como pregador – as características da especificidade histórica de toda a primeira revolução russa, sua força e sua debilidade...

Olhem com atenção o que dizem de Tolstoi os jornais do governo. Choram lágrimas de crocodilo assegurando que têm em alta estima o “grande escritor”; mas, ao mesmo tempo, defendem o “santíssimo” sínodo. E os santíssimos padres acabam de cometer uma canalhice das mais imundas, enviando seus popes à cabeceira do moribundo, para enganar o povo e dizer que Tolstoi se “arrependeu”. Antes, o santíssimo sínodo havia excomungado Tolstoi.

Prestem atenção no que dizem de Tolstoi os jornais liberais. Eles se apressam com estas frases ocas, oficial-liberalescas, batidas e professorais sobre “a voz da humanidade civilizada”, “o eco unânime do mundo”, “as ideias da verdade e do bem”, etc. etc., pelas razões que Tolstoi castigava com tanta força e tanta razão contra a ciência burguesa. Os jornais liberais não podem dizer clara e concretamente o que pensam das idéias de Tolstoi sobre o Estado, a Igreja, a propriedade privada da terra e o capitalismo. Isso não porque a censura os atrapalha – pelo contrário, a censura os ajuda a sair da dificuldade.

Eles não podem porque cada tese da crítica de Tolstoi é uma bofetada no liberalismo burguês; porque, por si, a valente, franca e implacavelmente dura concepção das questões mais candentes e mais malditas de nossa época por Tolstoi é uma bofetada nas frases estereotipadas, nos batidos subterfúgios e na falsidade escorregadia, “civilizada” de nossa imprensa liberal (e liberal populista).

Morreu Tolstoi, e se foi o passado da Rússia anterior à revolução, a Rússia cuja debilidade e impotência se expressaram na filosofia do genial artista e vemos refletidas em sua obras. Mas em sua herança há coisas que não pertencem ao passado. Pertencem ao futuro. Essa herança passa às mãos dos proletários da Rússia, que a está estudando. Daí virá a explicação às massas trabalhadoras e exploradas da significação da crítica que Tolstoi fez ao Estado, à Igreja, à propriedade privada da terra; e não o fará para que as massas se limitem à autoperfeição e a suspirar por uma vida santa, mas para que se levantem com o fim de lançar um novo golpe à monarquia czarista e à posse da terra por latifundiários, que em 1905 só foi ligeiramente quebrada e que deve ser destruída. Então se explicará às massas a crítica que Tolstoi fez do capitalismo, mas não o fará para que as massas se limitem a maldizer o capitalismo e o poder do dinheiro, mas para que aprendam a apoiar-se, em cada passo de sua vida e de sua luta, nas conquistas técnicas e sociais do capitalismo, para que aprendam a se agrupar em um exército único de milhões de lutadores socialistas, que derrubarão o capitalismo e criarão uma nova sociedade sem miséria para o povo, sem exploração do homem pelo homem.

* Fragmentos do texto de Lênin refletindo a morte de Tolstoi

Fonte: Publicado em 16 (29) de novembro de 1910 em “O Social-democrata”


quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Malikai Dapana: a escola de pajés





Índios baniwa criam o primeiro centro de formação para xamãs do Brasil

São Gabriel da Cachoeira (AM)

Leandro Prazeres

Pajé usa tabaco e chacoalha seu maracá como parte do tratamento de seu paciente. Manuel da Silva, o “Mandu”, é o pajé mais poderoso do povo baniwa (Foto: Euzivaldo Queiroz)

Um grunido de dor ecoa na floresta. O corpo fraco do velho xamã não suporta mais o pariká como antigamente. A cada dia, o pó sagrado lhe deixa mais e mais esgotado. Mesmo assim, ele apoia o corpo franzino em um cajado e, lentamente, se afasta do paciente. Sai da maloca chacoalhando seu maracá e olhando para o céu. Em transe, ele pede aos espíritos da mata que o ajudem até que sua boca expele uma mistura de vômito e saliva. É a materialização da doença. A cura está próxima.

O velho que precisa de um cajado para se equilibrar se chama Manoel da Silva, 75, mais conhecido pelo apelido “Mandu”. Ele é professor da primeira escola de pajés do Brasil, localizada na aldeia onde vive, Uapuí-Cachoeira, às margens do rio Ayari, em São Gabriel da Cachoeira (a 858 quilômetros de Manaus). A escola foi criada em novembro do ano passado com a missão de evitar a morte do xamanismo entre os baniwa que, desde o início dos anos 90, lutam para revitalizar sua cultura.

A escolha de “Mandu” para ser professor da Malikai Dapana (Maloca dos Conhecimentos dos Pajés) não foi por acaso. Ele é o pajé mais poderoso do povo baniwa, etnia do tronco linguístico aruak que vive entre Brasil, Colômbia e Venezuela. De acordo com o antropólogo norte-americano Robin Wright, que estuda a região desde 1976, “Mandu” é o único “pajé-onça” de todo o povo baniwa. “O pajé-onça é o estágio mais avançado que existe. Para um xamã chegar a esse nível, ele demora, em média, dez anos. Existem outros pajés, mas poderoso como o Seu ‘Mandu’, nenhum”, diz Wright, um dos idealizadores da escola.

Papel
Entre os antropólogos que estudam o povo baniwa, há consenso de que o pajé não é um mero curandeiro, mas uma espécie de médico com amplo conhecimento dos remédios extraídos das plantas, mas, sobretudo, um guia espiritual e mediador entre os espíritos das diversas camadas que compõem o mundo deles e o plano físico em que os índios vivem.

A ideia de criar a escola de pajés surgiu das conversas entre Wright e Alberto de Lima da Silva, 47, filho e aluno de “Mandu”. “A gente sentiu a necessidade de resgatar esses conhecimentos. O meu pai já está velho e os jovens precisam aprender essas coisas, senão a pajelança vai desaparecer”, diz Alberto.

O risco de “extinção” do xamanismo baniwa tem explicação. Durante quase 300 anos, missionários católicos e evangélicos proibiram os índios de praticar seus rituais. Os pajés praticamente desapareceram. Desde o início dos anos 90, porém, diversas etnias iniciaram um processo de revitalização e reforço étnico que, em Uapuí-Cachoeira, culminou com a construção da Malikai Dapana.

Escola diferente
A escola construída pelos baniwa em nada se parece com uma escola convencional. Ela tem a forma de uma grande maloca construída com vigas de madeira entrelaçadas com cipó e coberta com palha de caraná, uma palmeira da região. Tem dez metros de comprimento por cinco de largura e três de altura.

“Mandu” dá aula a 15 alunos. Quase todos são jovens, parentes do professor e vivem em Uapuí-Cachoeira. Alberto diz que já mandou recado para as outras aldeias convocando novos alunos, mas até agora não recebeu resposta. João Joaquim de Lima da Silva tem 16 anos, é neto de “Mandu” e um dos primeiros alunos da escola. Seu interesse pelos conhecimentos dos mais velhos é coisa rara entre a juventude baniwa. “É importante cultivar os conhecimentos do meu avô. Isso faz parte da nossa história e eu quero preservar. Não quero que nossa cultura morra com o meu avô”, diz o aprendiz de pajé.

EM NÚMEROS - US$ 18 mil
Esse é o valor repassado pela organização não-governamental Foundation For Shamanic Studies (Fundação para Estudos Xamânicos). O valor foi utilizado na construção da maloca. Outros US$ 4,5 mil foram liberados neste ano. 5,8 mil é a população estimada pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa) dos índios baniwa no Brasil. A etnia se espalha pela Colômbia, também. Eles se encontram em centenas de comunidades na calha do rio Içana, Ayari Cubate e Cuiari.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

A CONQUISTA DO ALEMÃO





FOTO DO DIARIO DE NOTICIAS DE PORTUGAL

Mario Monicelli morto suicida a Roma: padre della commedia all'italiana, è stato regista di più di 60 pellicole


Mario Monicelli morto suicida a Roma



Il regista viareggino si è ucciso lanciandosi dal quarto o quinto piano del reparto di urologia del San Giovanni



Nei suoi film l'Italia che cambiava padre della commedia all'italiana, è stato regista di più di 60 pellicole

Mario Monicelli morto suicida a Roma

Il regista viareggino si è ucciso lanciandosi dal quarto o quinto piano del reparto di urologia del San Giovanni


Mario Monicelli (Errebi)
MILANO - Un volo dal quinto piano dell'ospedale San Giovanni di Roma. Scompare così Mario Monicelli, ultimo grande maestro del cinema italiano. Il regista si è ucciso lanciandosi, intorno alle 21 di lunedì sera, dal quinto piano del reparto di urologia dell'ospedale San Giovanni di Roma, dove era ricoverato da domenica. Il cineasta aveva 95 anni e soffriva di un tumore alla prostata. Il corpo di Monicelli è stato trovato dal personale sanitario dell'ospedale a terra, disteso nei viali vicino alle aiuole, a pochi metri dal pronto soccorso. Monicelli non ha lasciato nessun biglietto a spiegazione del suo gesto. Sul posto sono arrivati amici e familiari. Al San Giovanni sono giunti anche gli agenti del commissariato Celio per ricostruire quanto accaduto e la presidente della Regione Lazio, Renata Polverini. «La tragica morte di Mario Monicelli ci lascia sgomenti e ci addolora profondamente» ha detto la governatrice. La notizia del suicidio in pochi secondi ha fatto il giro del web: commenti, foto, ricordi, riflessioni sono postati velocemente su Facebook e Twitter, mentre su YouTube i video del maestro hanno raccolto numerosissimi clic.

STANCHEZZA E INSOFFERENZA - Prima il giro per la terapia poi, una volta rimasto da solo nella stanza doppia occupata da lui soltanto, Monicelli ha raggiunto la finestra e si è gettato nel vuoto: questa a quanto si apprende, la dinamica del suicidio del grande cineasta. La tragedia si è consumata nella palazzina principale dell'ospedale. Stando ad alcune testimonianze, il regista aveva mostrato stanchezza e insofferenza per la malattia che lo aveva colpito a 95 anni. «Era stanco di vivere» ha riferito un sanitario. La moglie del cineasta, in giacca nera e pantaloni grigi, è uscita con il volto sofferente e visibilmente provato dalle lacrime, ma con lo sguardo alto, senza dire nulla. Anche il padre del regista, il noto scrittore e giornalista Tomaso Monicelli, morì suicida nel 1946.

Mario Monicelli suicida a 95 anni


MAESTRO CAUSTICO - Viareggino, classe 1915, Monicelli è considerato uno dei padri della commedia all'italiana. Negli ultimi anni di vita gli è toccato l'ingrato compito di commentare la morte di numerosi e cari colleghi. Lo ha fatto con arguzia e cinismo e senza sentimentalismi. La vena caustica e amarognola delle sue opere, l'aveva di recente riservata alle sue uscite pubbliche. Aveva preso parte al Viola Day di febbraio e al primo no B day nel dicembre scorso a Piazza San Giovanni. E aveva incitato i giovani a tenere duro: «Viva voi, viva la vostra forza, viva la classe operaia, viva il lavoro. Dobbiamo costruire una Repubblica in cui ci sia giustizia, uguaglianza, e diritto al lavoro, che sono cose diverse dalla libertà». Era stato anche a Montecitorio con i colleghi nel luglio 2009 per protestare contro i tagli al Fus. L'Italia era per lui «una penisola alla deriva». Il suo quartiere «d'adozione» a Roma era Monti, l'antica Suburra, con ancora gli artigiani a lavorare sull'uscio, al quale il cineasta aveva dedicato una delle sue ultime opere. Abitava al 29 di Via dei Serpenti, proprio sopra un noto gelataio. Viveva in un piccolo loft, un bilocale dai colori sgargianti che poteva essere quello di uno studente fuori sede.

I capolavori di Monicelli: titoli e protagonisti


«POSSO CAPIRE QUESTO GESTO» - La notizia della scomparsa del regista ha colto di sorpresa il mondo del cinema e non solo. «Quello che è successo mi ha lasciato estremamente basito» ha commentato il produttore Aurelio De Laurentiis. «Io che lo conoscevo profondamente e sapevo della sua grande dignità e del suo desiderio di essere sempre indipendente e autonomo, posso capire questo gesto. Ultimamente aveva perso anche la vista ma fino all'ultimo era stato capace di una deambulazione perfetta. Insomma una persona sana che non tollerava l'idea di poter dipendere da qualcuno». «Sono attonito» ha detto Carlo Verdone, accogliendo con grande sgomento la notizia della morte tragica di Mario Monicelli. «Era probabilmente una persona stanca di vivere, che non sosteneva più la vecchiaia. L'ho apprezzato molto come grande osservatore e narratore - ha aggiunto l'attore romano - anche se a volte con condividevo il suo cinismo. Era gentile, cordiale, ma di poche parole. Un anno fa - ha ricordato Verdone - mi capitò di fargli gli auguri a Natale. Rimase sorpreso: gli auguri, mi disse, non li fa più nessuno». «Non posso andare avanti: devo dirvi che è morto Mario Monicelli. Lo avremmo tanto voluto qui, ma era malato e adesso non c'è più» ha detto Fabio Fazio durante la diretta di Vieni via con me, il programma condotto con Roberto Saviano su Raitre. Il pubblico in studio ha accolto la notizia con un lungo applauso. «Non so che cosa si dirà domani di quello che è successo - ha commentato Giovanni Veronesi -, ma una cosa va detta: non ho mai sentito nessuno che si suicida a novantacinque anni. Era davvero speciale». Veronesi si è detto «scombussolato»: «L'avevo sentito poco tempo fa - ha spiegato - e pur sapendo che era all'ospedale, non lo sono mai andato a trovare. Peccato». «Provo un grande dolore» ha scritto in una nota il presidente della Provincia di Roma, Nicola Zingaretti.

I SUCCESSI - Monicelli esordì nel cinema giovanissimo con il corto, firmato insieme ad Alberto Mondadori, Cuore rivelatore. Padre della commedia all'italiana, con i colleghi come Dino Risi, Luigi Comencini e Steno, è stato regista di oltre 60 film e autore di più di 80 sceneggiature. Quella di Monicelli è stata una vita dedicata interamente al cinema, al ritmo di quasi un film all'anno. Una produzione ininterrotta da I ragazzi della via Paal (1934) fino a Le rose del deserto (2006) e la sua ultima opera, il corto della sua carriera Vicino al Colosseo...c'è Monti, in programma fuori concorso alla 65esima Mostra del Cinema di Venezia. Fra i suoi grandi successi, Guardie e ladri (due premi a Cannes nel '51), nel pieno del suo sodalizio con Totò, I soliti ignoti (nomination all'Oscar), La Grande guerra (1959) trionfatore a Venezia con il Leone d'oro, L'armata Brancaleone (1965). Sono gli anni dell'amicizia con Risi, degli scontri con Antonioni, del controverso rapporto con Comencini, del trionfo della commedia all'italiana e dei "colonnelli della risata". Inventa Monica Vitti attrice comica in La ragazza con la pistola (1968); nel 1975 raccoglie l'ultima volontà di Pietro Germi che gli affida la realizzazione di Amici miei. Nel 1977 recupera la dimensione tragica con Un borghese piccolo piccolo. Seguono fra gli altri Speriamo che sia femmina (1985) e il feroce Parenti serpenti (1993) con cui dimostra di saper leggere le trasformazioni della società italiana con l'acume e la cattiveria di sempre. È del 2006 il tanto desiderato ritorno sul set di un film, rallentato da ritardi e difficoltà produttive, con Le rose del deserto, liberamente ispirato a Il deserto della Libia di Mario Tobino e a Guerra d'Albania di Giancarlo Fusco.

OPERA A NEW YORK - Proprio in questi giorni a New York è stato presentato in chiave retrospettiva un dei film del neorealismo di Mario Monicelli, Risate di Gioia, con Anna Magnani. Il film rientra nell'ambito della retrospettiva che il Linclon Center dedica alla figura di Suso Cecchi D'Amico, che lavorò con Monicelli alla sceneggiatura del film. «Risate di gioia» è stato presentato insieme a una serie di altri sei film del neorealismo italiano.

Redazione online
29 novembre 2010(ultima modifica: 30 novembre 2010)

Mario Monicelli suicida-se aos 95 anos



Cineasta italiano Mario Monicelli suicida-se aos 95 anos




DA FRANCE PRESSE, EM ROMA

O cineasta italiano Mario Monicelli, que morreu nesta segunda-feira em Roma aos 95 anos, era considerado um dos mestres da comédia à italiana, gênero que o elevou à celebridade.



Mario Monicelli suicidou-se hoje, atirando-se da janela do hospital San Giovanni de Roma onde estava internado.

Entre suas obras-primas, deixa para a posteridade filmes como "O Exército de Brancaleone", "Quinteto Irreverente", "Meus Caros Amigos" e outras muitas produções.

Em "Meus Caros Amigos", encontramos o ator francês Philippe Noiret como um jornalista florentino, partindo para a realização de golpes com seus companheiros quinquagenários, entre eles Ugo Tognazzi, Adolfo Celi, Gastoni Moschin e Duilio del Prete, seguindo-se "O Quinteto Irreverente", a história do enterro do mesmo jornalista - um de seus melhores filmes.

Mario nasceu em 15 de maio de 1915 em Viareggio, na Toscana, onde passou toda a infância.

"I soliti ignoti", Os Eternos Desconhecidos, de 1958, apresenta um elenco especial, composto por Vittorio Gassman, Marcello Mastroianni, Totò e Claudia Cardinale, sendo considerado o primeiro filme do filão da 'commedia all'italiana'.

Em 1959, seu filme "A Grande Guerra" ganhou o Leão de Ouro do Festival Internacional de Cinema de Veneza, rendendo ainda sua primeira indicação ao Oscar. A segunda viria em 1963, com "I compagni".

A partir de 1934 - com menos de 20 anos -, estreou dois curtas-metragens com seu amigo Alberto Mondadori: "Cuore rivelatore" e "I ragazzi della via Paal". Este último foi destaque na Mostra de Veneza, criada dois anos antes.

Até o final de 1940, colaborou em cerca de 40 filmes, às vezes como roteirista, outras como diretor-assistente.

A partir de 1953, Monicelli lançou-se sozinho na direção, tornando-se um mestre de um gênero de comédia que colocava em cena problemas da sociedade da época, em plena evolução.

Trabalhou com os maiores atores da Itália, de Totò, Aldo Fabrizi, Vittorio De Sica, a Sophia Loren, Marcello Mastroianni, Vittorio Gassman, Ugo Tognazzi, Anna Magnani, Alberto Sordi, Nino Manfredi, Paolo Villaggio, Monica Vitti, Enrico Montesano, Giancarlo Giannini, Philippe Noiret, Giuliano Gemma, Stefania Sandrelli, Gian Maria Volonté e Leonardo Pieraccioni.

Monicelli, que também produziu para o teatro e a televisão, assinou 65 filmes.

sábado, 27 de novembro de 2010

130 anos do INSTITUTO DE EDUCAÇÃO DO AMAZONAS



De manhã funcionava o GRUPO ESCOLAR PRINCISA ISABEL, onde estudei, na década de 40.
Foi feito por Alvaro Maia sobre as fundações do palácio do governo não concluído por Eduardo Ribeiro, em Manaus, cuja planta está ao lado. CLICK PARA AMPLIAR.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Sucuri de quase 6 metros é capturada no Triângulo Mineiro


Sucuri de quase 6 metros é capturada no Triângulo Mineiro



Réptil estava atacando outros animais em sítio da região


Uma cobra sucuri de quase 6 metros foi capturada em um sítio de Campina Verde, no Triângulo Mineiro. O animal pesa aproximadamente 80 kg e foram necessários cinco homens para carregá-la.

O réptil estava atacando animais em um sítio da cidade. O dono da fazenda chegou a flagrar a cobra tentando engolir uma capivara, mas chegou a tempo de evitar a morte do roedor.

Com o apoio da Polícia Militar de Meio Ambiente, os moradores usaram um alçapão para prender a sucuri. A cobra, mesmo imobilizada, deu trabalho aos militares por causa do peso.

Ela foi solta logo depois em uma mata na cidade de Iturama, também no Triângulo.

Segundo a PM de Meio Ambiente, a sucuri pode viver até 30 anos e é a segunda maior serpente do mundo - atrás da píton reticulada. As fêmeas são maiores do que os machos e a espécie tem fama de ser perigosa.

RAIOS




Foto: National Geographic

China alerta contra atos militares em sua zona econômica






China alerta contra atos militares em sua zona econômica

Advertência de Pequim é feita após Pyongyang alertar que Seul e EUA aproximam Península da Coreia da guerra com manobras militares


iG São Paulo | 26/11/2010 12:45

A China alertou nesta sexta-feira contra quaisquer ações militares em sua zona econômica exclusiva, em resposta à realização a partir do domingo de manobras conjuntas entre EUA e Coreia do Sul. Washington enviou um porta-aviões para participar dos exercícios militares, que devem durar quatro dias. A zona econômica exclusiva é uma área naval de até 200 milhas náuticas a partir da costa de um país.

"Nos opomos a qualquer ato unilateral conduzido na zona econômica exclusiva da China sem aprovação", declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Hong Lei, em resposta sobre qual a posição chinesa em relação ao envio do porta-aviões americano George Washington à região para participar de exercícios navais militares com a Coreia do Sul.


Foto: AP
Visitantes caminham ao lado de tela que mostra vídeo de combate da China contra os EUA na Guerra da Coreia (1950-1953) em ponte destruída no conflito em Dandong, China
A situação atual na Península Coreana é complicada e sensível. Todas as partes devem mostrar moderação, trabalhar em favor da distensão, da manutenção da paz e da estabilidade da península, e não o contrário", completou Hong.

Coreia do Norte faz advertência

A declaração da China foi feita após a Coreia do Norte, que lançou disparos contra uma ilha sul-coreana na terça-feira deixando quatro mortos, ter afirmado nesta sexta-feira que os exercícios militares conjuntos entre EUA e Seul aproximam a região de uma guerra.

"A situação na Península Coreana está à beira de uma guerra por causa do imprudente plano desses elementos de realizar novos exercícios de guerra voltados contra a Coreia do Norte", afirmou a KCNA, agência oficial de notícias norte-coreana.

Obama leva cotovelada no rosto


Obama leva cotovelada no rosto durante jogo de basquete e toma 12 pontos

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, teve que levar 12 pontos no lábio depois de uma cotovelada violenta durante um jogo de basquete, informou a Casa Branca.

Obama, fã e jogador frequente de basquete, estava jogando com amigos e familiares em um jogo cinco contra cinco em Fort McNair, uma base militar americana em Washington.

Tim Sloan/AFP

DESMATAMENTO NO ACRE


FOTO DE MARGI MOSS

AFLUENTE DO ACRE

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

A ROTA DE FUGA





O delegado Rodrigo Oliveira, subchefe operacional da Polícia Civil, disse, por volta das 17h40 desta quinta-feira (25), que a Vila Cruzeiro, na zona norte do Rio de Janeiro, "agora pertence ao Estado e à sociedade carioca". A favela está ocupada por aproximadamente 200 policiais civis e militares - o Bope (Batalhão de Operações Especiais) também continua no local.

Ainda segundo o delegado, as operações continuam a ser realizadas na comunidade para que se alcance todos os objetivos. Ele disse ter presenciado cenas violentas nesta quinta, que caracterizou como um "dia histórico", como carros e caminhões queimados. Ele afirmou ter visto várias marcas de sangue, mas ainda não confirmou mortos.

- Muitos criminosos se deslocaram para o complexo do Alemão, mas ainda há bandidos na Vila Cruzeiro. Os chefes já saíram da Penha.

Os cinco blindados da Marinha que estavam na operação saíram da comunidade e foram para o batalhão de Olaria (16º BPM).

O HARRIER

MERCEDES DE OURO


MERCEDES TOTALMENTE REVESTIDA DE OURO EM DUBAI

Rainha Elizabeth 2ª visita Emirados Árabes Unidos


Rainha Elizabeth 2ª visita Emirados Árabes Unidos após mais de 30 anos


A rainha Elizabeth 2ª visitou uma das maiores mesquitas do mundo nesta quarta-feira, em sua primeira viagem de Estado em mais de 30 anos aos Emirados Árabes Unidos (EAU), rico país árabe do Golfo e com fortes laços com o Reino Unido.



A monarca, de 84 anos, usou um chapéu branco coberto por um véu dourado em sua visita à Grande Mesquita Xeque Zayed, em Abu Dhabi. A mesquita faz parte de um enorme complexo de mármore, e contém a tumba do xeque Zayed bin Sultan al Nahyan, o primeiro presidente dos Emirados Árabes Unidos após ganhar status de Estado, depois de mais de cem anos sob protetorado britânico.

Acompanhada de seu marido, o príncipe Philip, e de líderes dos Emirados, a rainha parou por um momento do lado de fora da mesquita para retirar seus sapatos. Ela estava acompanhada ainda por seu filho, o príncipe Andrews, e o ministro das Relações Exteriores, William Hague.

Marwan Naamani/AFP

A rainha Elizabeth 2ª e seu marido, o príncipe Philip, visitam mesquita em Abu Dhabi

Os laços históricos do Reino Unido com a região remontam ao século 19. Os EAU tornaram-se uma nação em 1971, após mais de um século sob proteção britânica como parte de um armistício para proteger os navios passando pelas importantes rotas até a Índia.

O Reino Unido também teve um papel-chave em desenvolver o Exército e outras instituições no país.

A última visita da rainha aos Emirados foi em 1979, antes de o país passar por uma grande expansão econômica que atraiu trabalhadores e empresas de todo o mundo, incluindo mais de 100 mil britânicos e 4.000 negócios britânicos.

Na quinta-feira, a rainha deve ir para o vizinho Omã, onde o sultão Qabus celebra 40 anos de reinado.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

MONGES REZAM NO CAMBOJA

BARATAS




Mitos, histórias e a importância das baratas são tema de projeto da UFRJ

RIO - Ela é uma das maiores vilãs do mundo animal. Transmite doenças, adapta-se a qualquer ambiente, e, como se não bastasse, é feia. Poucos discordariam de aplicar este julgamento à barata. Mas há quem se esforce para mudar a imagem do inseto. Um grupo do Instituto de Bioquímica Médica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) prepara uma série de minidocumentários para provar que a cucaracha é importante na cadeia alimentar, fundamental para a limpeza de material orgânico e, além de tudo, pode até ter uma aparência simpática.



- Existe um confronto urbano entre o homem e a barata - destaca Roberto Eizemberg, que integra a equipe do projeto batizado de "Baratas: procuradas vivas ou mortas". - Não queremos que ninguém crie o inseto em casa. Mas é importante saber como ele é necessário à natureza, e de que formas podemos controlar o seu crescimento populacional nos centros urbanos.

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Existe um confronto urbano entre o homem e a barata
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.O boom das baratas poderia ser evitado com ajuda de sua maior inimiga: a vespa. Ela põe seu ovo no interior da ooteca da barata - uma estrutura de cálcio onde há dezenas de ovos. A larva da vespa, ao nascer, alimenta-se dos embriões da rival em gestação.

A aliança do homem com a vespa seria bem-vinda. O crescimento das metrópoles tem assanhado as baratas. Já existem 200 delas para cada um de nós em São Paulo, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Biológicas. Afinal, com as cidades, aumenta também a produção de lixo, seu habitat por excelência. E, quando se trata delas, nenhum exemplar é desprezível. Uma barata deixa, em média, 750 filhotes em sua vida, produzidos em apenas um ano.

O milagre da multiplicação é especialmente visível nos meses mais quentes. À noite, a inversão térmica faz a temperatura aumentar nas tubulações e diminuir na superfície. Em busca de um tempo mais fresco, as baratas saem dos esgotos e se exibem nas casas alheias.

O calor ressalta uma adaptação sofrida por aquelas que adotaram a cidade como lar: os hábitos noturnos. As 99% que permaneceram no campo preferem circular durante o dia.

- Aquelas que vieram para a cidade trocaram a hora de circular para não se depararem com o homem - explica Suzete Bressan, consultora técnica do projeto e professora do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho. - Nada assusta mais uma barata do que ser surpreendida enquanto passeia pela madrugada.

Por isso, não precisa gritar: se flagrada por aí, a barata foge. Se capturada, ela aciona seus mecanismos de defesa. Entre seus recursos está a mordida (caso do inseto urbano), estridular (a emissão de um som agudo, comum entre as espécies silvestres) e o uso dos espinhos de suas patas, também visto apenas em algumas delas. Nem os inseticidas são muito eficientes, porque, quando usados em excesso, podem contribuir para a proliferação de um grupo mais resistente ao veneno.

O que não se discute é a capacidade de sobrevivência desse inseto. Não à toa há fósseis do animal de 300 milhões de anos - são, portanto, anteriores aos dinossauros. Em toda a sua trajetória, o inseto sofreu pouquíssimas adaptações em sua anatomia. O desenho das asas, por exemplo, é praticamente o mesmo.

O futuro também não reserva ameaças à barata. Nem um ataque nuclear seria capaz de detê-las.

- Por viverem escondidas em galerias, elas ficam mais protegidas dos efeitos de uma explosão nuclear do que o homem - opina Rozemberg. - Outra demonstração de resistência é o fato de que as baratas têm um sistema nervoso descentralizado, o que permite até que seu corpo resista algum tempo após a cabeça ser arrancada.

Quem quiser decepar a barata terá de suar: as pernas do tipo cursoriais, próprias para correr, tornam-na um dos mais rápidos insetos terrestres. O instinto de defesa abrange até a criação dos filhotes - os ovos, como foi mencionado, ficam dentro de uma cápsula de cálcio, que, embora seja penetrada pela vespa, é suficiente para protegê-la de uma série de outras espécies.

Desprezada pelo homem, a barata apetece ao paladar de aranhas, lacraias, sapos, escorpiões e pássaros. Tem, portanto, um papel inegável na cadeia alimentar.

Mais amplo é o cardápio das próprias baratas. A impressão é de que qualquer objeto pode lhes servir de alimento. As espécies silvestres preferem raízes de plantas e fungos; as urbanas, plástico, isopor, madeira, materiais de fossas. Eventualmente podem apelar para o canibalismo, quando a dieta tradicional é escassa ou sua colônia é invadida. A contaminação de alimentos com uma secreção, aliás, é uma das formas de a espécie marcar território.

A demarcação de seu espaço, a dieta e os locais por onde transita mostram por que a barata não é um modelo de higiene. Seu habitat conta com inúmeros micro-organismos patogênicos, transmissores de doenças que vão da gastroenterite ao herpes. Ainda assim, menos de 40 das 4 mil espécies conhecidas podem ser consideradas pragas urbanas.

Para quem quer estudar essa variedade, o Brasil é um palco privilegiado. Mil espécies são vistas por aqui - entre elas a Blaberus giganteus, nativa da Amazônia, que atinge 10 centímetros de comprimento. Mais comum é se deparar com a Blattella germanica, protagonista de uma disputa diplomática. Os franceses dizem que a espécie é alemã; estes, por sua vez, asseguram que o inseto foi descoberto na França. Por aqui, ela é conhecida tanto como francesinha como por baratinha-alemã.

Curiosidades como esta serão abordadas nos novos vídeos do projeto, que conta com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio (Faperj). O material será apresentado em visitas a escolas e no Espaço Ciência Viva, um galpão na Praça Saens Peña, na Tijuca.

- Procuramos desmistificá-la, mostrá-la como um inseto que faz parte da cadeia ecológica, que tem papel inestimável por decompor matéria orgânica - ressalta Eizemberg. - É possível mudar a percepção das pessoas.

E se alguém encontrá-la em casa?

- Aí é melhor pegar o chinelo.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Tomie Ohtake completa 97 anos com exposição de obras inéditas





Tomie Ohtake completa 97 anos com exposição de obras inéditas


FABIO CYPRIANO
DE SÃO PAULO

"Faz tempo que não nos vemos. Você envelheceu, né?", disse Tomie Ohtake, às vésperas de comemorar seus 97 anos, completados anteontem, a este repórter, durante a entrevista sobre sua nova mostra, em seu ateliê.

Tomie Ohtake vai comemorar aniversário de 97 anos no show de Paul McCartney

"Acho que o Ricardo [Ohtake, seu filho] não vai gostar do que eu falei, mas eu não sei guardar as coisas, coloco tudo para fora", sorri.

A pintora costuma ser direta, mesmo que para tanto desagrade um pouco.

Desde pequena, ela queria ser artista e chegou a estudar aquarela na escola, mas o meio conservador em que cresceu no Japão, entre a Primeira e a Segunda Guerra Mundial, não favorecia suas vontades.

A forma que ela encontrou para escapar foi convencer a mãe, em 1936, que vinha visitar o irmão no Brasil. "Eu tinha de dar um jeito de sair do Japão e prometi a ela que vinha para ficar um ano", conta. Três meses depois de desembarcar, Tomie Nakakubo se casava com o engenheiro agrônomo Ushio Ohtake, morto em 1977.


A artista plástica Tomie Ohtake, que completa 97 anos, no ateliê de sua casa, no Campo Belo, em São Paulo

BIFE A CAVALO

Apesar da identidade japonesa, Tomie nunca foi de ficar em gueto. Ela vivia na Mooca, "onde era tudo italiano", relembra-se. Seus filhos estudaram em escola católica e sua dieta vai bem além de sushi e sashimi. "Nunca me esqueço do bife a cavalo que comi, quando desembarquei no Brasil. É uma das minhas comidas favoritas."

Persistência também é outra marca de Tomie. Teve dois filhos e, só após criá-los, quando já estava próxima dos 40 anos, começou de fato sua carreira artística, como autodidata. Então o que estava guardado por tanto tempo começou a aflorar.

E sem parar. Só para a mostra "Pinturas Recentes", que inaugura hoje, ela realizou, em menos de dois anos, 25 telas, todas de grandes dimensões, tendo o círculo como tema central.

Por que o círculo? "É uma forma muito sintética. Trabalhar só com ele é um grande desafio. E ele é também o primeiro desenho que os bebês fazem com os dedinhos", conta, repetindo o gesto.

Em um texto de 1961, o crítico Mário Pedrosa (1901-1981) escreveu que Tomie era "uma pintora que ainda está se formando, numa personalidade já desabrochada", portanto, nela, "a obra corre atrás da personalidade".

Agora, quase 50 anos depois, "Pinturas Recentes" revela como obra e personalidade estão afinadas.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Preconceito no Brasil


Do Blog do Rudá Ricci

Preconceito no Brasil

A pesquisa da Fundação Perseu Abramo (ver planilha-resumo em nota abaixo) indica algo importante sobre a cultura política e social dos brasileiros. Uso de drogas e ateus são rejeitados com ódio por mais de 40% das respostas. Mas, em seguida, os grupos sociais mais rejeitados são os que têm comportamento sexual considerado anormal (transexuais, garotos de programa, travestis, prostitutas, lésbicas, bissexuais, gays).

Algo impressionante e remonta à uma moral vitoriana (em pleno país tropical, de cultura negra e indígena).

Prolegômenos para uma ontologia do ser social








Prolegômenos para uma ontologia do ser social

Ao contrário do que alguns detratores do marxismo costumam afirmar, Lukács buscava mostrar como não há em Marx um determinismo unívoco da esfera econômica sobre as outras instâncias da sociabilidade: o cerne estruturador do pensamento econômico de Marx se funda na concepção da determinação recíproca das categorias que compõem o complexo do ser social. A base econômica constitui o momento preponderante, mas interage com uma série de superestruturas de forma dialética e recíproca. A Boitempo Editorial publica pela primeira vez em português os Prolegômenos para uma ontologia do ser social, de György Lukács, um dos pensadores marxistas mais importantes de todos os tempos.

Após a publicação da primeira parte de sua Estética, em 1963, o filósofo húngaro György Lukács começou a trabalhar no ambicioso projeto de uma Ética que sintetizaria sua longa trajetória intelectual. Em suas investigações, porém, notou a “necessidade de uma elaboração prévia: a determinação histórico-concreta do modo de ser e de reproduzir-se do ser social”, como aponta José Paulo Netto, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Esses esforços são concluídos em 1969 e publicados postumamente com o título de Para uma ontologia do ser social.

Com o objetivo de explicar melhor alguns conceitos apresentados, no início dos anos 1970 Lukács passa a trabalhar no manuscrito do que seriam os Prolegômenos para uma ontologia do ser social: questões de princípios para uma ontologia hoje tornada possível, publicados também postumamente, em 1984, e agora traduzidos pela primeira vez para o português pela Boitempo Editorial.

Um dos pensadores marxistas mais importantes de todos os tempos, Lukács tinha como objetivo ao escrever sua Ontologia reexaminar passo a passo as categorias fundamentais do pensamento de Marx, “iniciando pela retomada das considerações marxianas acerca do trabalho como complexo central decisivo do ser social, passando pelo problema da reprodução, da ideologia, e culminando no tratamento da alienação”, como explicam Ester Vaisman, professora de filosofia da Universidade Federal de Minas Gerais, e Ronaldo Vielmi Fortes, especialista na obra lukacsiana, responsáveis respectivamente pela supervisão editorial e pela revisão técnica da obra, além de autores da completa apresentação à edição brasileira.

Ainda segundo Vaisman e Fortes, o autor apresenta uma denúncia de que o caráter ontológico do pensamento de Marx ficou obscurecido “pela rigidez dogmática em que o marxismo se viu imerso desde a morte de Lenin, que rechaçava a discussão acerca da ontologia, qualificando-a de idealista e/ou simplesmente metafísica”. Ao contrário do que alguns detratores do marxismo costumam afirmar, Lukács buscava mostrar como não há em Marx um determinismo unívoco da esfera econômica sobre as outras instâncias da sociabilidade: “o cerne estruturador do pensamento econômico de Marx se funda na concepção da determinação recíproca das categorias que compõem o complexo do ser social”, como explicam os autores da apresentação. A base econômica constitui o momento preponderante, mas interage com uma série de superestruturas de forma dialética e recíproca.

Além de introduzir e contextualizar a Ontologia – também inédita em português e sendo preparada para publicação pela Boitempo – os Prolegômenos acrescentam a ela novas reflexões e abordagens, complementando-a. Partindo da premissa marxiana de que a realidade deve ser não somente analisada e compreendida mas principalmente transformada, ao redigir este material Lukács tinha nos ombros o peso de uma série de desilusões e derrotas da esquerda no período posterior à Revolução de 1917. Buscava partir de Marx para reformular as perspectivas revolucionárias de então, apontando respostas aos impactos que o stalinismo causara no projeto comunista. Certamente aqueles que ainda se preocupam com uma atuação social transformadora não podem deixar de analisar esta importante contribuição para o pensamento revolucionário.

Segundo Nicolas Tertulian, professor da École de Hautes Études en Sciences Sociales, a obra “tem o valor de um testamento por constituir o último grande texto filosófico de Lukács. Concebida como uma introdução ao texto principal da Ontologia, representa, de fato, uma vasta conclusão”.

Trecho da obra
Nossas considerações visam determinar principalmente a essência e a especificidade do ser social. Mas, para formular de modo sensato essa questão, ainda que apenas de maneira aproximativa, não se devem ignorar os problemas gerais do ser, ou, melhor dizendo, a conexão e a diferenciação dos três grandes tipos de ser (as naturezas inorgânica e orgânica e a sociedade). Sem compreender essa conexão e sua dinâmica, não se pode formular corretamente nenhuma das questões autenticamente ontológicas do ser social, muito menos conduzi-las a uma solução que corresponda à constituição desse ser.

Não precisamos de conhecimentos eruditos para ter a certeza de que o ser humano pertence direta e – em última análise – irrevogavelmente também à esfera do ser biológico, que sua existência – sua gênese, transcurso e fim dessa existência – se funda ampla e decididamente nesse tipo de ser, e de que também tem de ser considerado como imediatamente evidente que não apenas os modos do ser determinados pela biologia, em todas as suas manifestações de vida, tanto interna como externamente, pressupõem, em última análise, de forma incessante, uma coexistência com a natureza inorgânica, mas também que, sem uma interação ininterrupta com essa esfera, seria ontologicamente impossível, não poderia de modo algum desenvolver-se interna e externamente como ser social.

Sobre o autor
Nascido em 13 de abril de 1885 em Budapeste, Hungria, György Lukács é um dos mais influentes filósofos marxistas do século XX. Doutorou-se em Ciências Jurídicas e depois em Filosofia pela Universidade de Budapeste. No final de 1918, influenciado por Béla Kun, aderiu ao Partido Comunista e no ano seguinte foi designado Vice-Comissário do Povo para a Cultura e a Educação. Em 1930 mudou-se para Moscou, onde desenvolveu intensa atividade intelectual. O ano de 1945 foi marcado pelo retorno à Hungria, quando assumiu a cátedra de Estética e Filosofia da Cultura na Universidade de Budapeste. Estética, considerada sua obra mais completa, foi publicada em 1963 pela editora Luchterhand. Já seus estudos sobre a noção de ontologia em Marx, que resultariam oito anos depois na Ontologia do ser social, iniciaram-se em 1960. Faleceu em sua cidade natal, em 4 de junho de 1971.

domingo, 21 de novembro de 2010

Rogel Samuel: Morre Almeida Prado aos 67 anos





Morre Almeida Prado aos 67 anos


Rogel Samuel

Um dia eu estava na Sala Cecília Meireles e esperava o começo de um concerto.

Não me lembro se perguntei algo, mas sei que iniciei a conversa com um senhor muito simpático que estava perto.

Falamos sobre o programa que ia ser tocado.

Eu disse:

- Não conheço essa música.

- É minha, disse-me ele.

Era Almeida Prado. Eu não o conhecia pessoalmente.

Almeida Prado morreu na manhã deste domingo aos 67 anos, em São Paulo.

Era um dos artistas mais importantes do país, e estava internado há 10 dias na UTI do hospital Panamericano após sofrer
uma parada respiratória.

"Paulista nascido em Santos, compôs a primeira peça aos nove anos. Prado acumulou mais de 400 composições e diversos prêmios por sua obra nos 58 anos de carreira. Ele deixa duas filhas e dois netos.

O corpo do compositor será velado, a partir das 12h30, no teatro São Pedro, na Barra Funda. O enterro está marcado para acontecer às 16h30 no cemitério da Consolação.

"O Almeida talvez fosse o maior compositor vivo do país. Ele tinha uma importância muito grande para a música nacional", disse o maestro João Carlos Martins, amigo pessoal de Almeida Prado.

HOMENAGEM

Um concerto em memória ao compositor será realizado no próximo fim de semana, em Santo André, no ABC Paulista. A obra "Sinfonia dos Orixás", composta por Prado, será interpretada pela Orquestra Sinfônica de Santo André. A homenagem será regida pelo maestro Carlos Moreno, genro do compositor.

"A morte dele é uma perda muito grande. Além do carinho e amizade, fica o exemplo e a obra extensa desse gênio da música brasileira", afirmou Moreno.