sexta-feira, 8 de abril de 2011

Rogel Samuel: A MORTE NA SALA DE AULA














na sala de aula
o demônio armado

na sala de aula
apreendeu-se a dor

na sala de aula
o som do vulcão

na sala de aula
todos podiam morrer

aula

CORCOVADO SEM O CRISTO


Mirante em ferro fundido do Corcovado ainda sem o Cristo Redentor
***
Descrição: "Parte da Rua do Cosme Velho, sobe pelo lado direito do vale do Silvestre e à esquerda do Morro do Inglês, transpõe o mesmo vale sobre um viaduto com três vãos, cruza na cota de 218 metros o caminho da Carioca (Silvestre) e desenvolve-se pela encosta da margem direita do ri de mesmo nome, atravessa dois ou três vales secundários em pontes de 20 metros de vão cada uma. Atinge as Paineiras na cota de 465 metros, segue pelo dorso do Corcovado e, finalmente, atinge a cota dos 60 metros, tendo o seu ponto terminal à esquerda do cume desse morro".

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UMA VITIMA


ESTUDANTE BRASILEIRO VÍTIMA DE ATAQUE TERRORISTA-SUICIDA EM REALENGO, EM 7.4.2011,

RECEBE ATENDIMENTO DE MUITO COMPETENTES E ABSOLUTAMENTE DEDICADOS MÉDICOS,

PARAMÉDICOS, ENFERMEIROS E OUTROS PROFISSIONAIS DA ÁREA DE SAÚDE

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INFANCIA








INFÂNCIA


Nos bosques tem um pássaro, você pára e cora com seu coro. Tem um relógio que não toca nunca. Tem uma brecha no gelo com um ninho de bichos brancos. Tem uma catedral que sobe e um lago que desce. Tem uma pequena carruagem abandonada na moita, ou que passa correndo, decorada. Tem uma trupe em trajes de comédia, espiada pela trilha da floresta. E então, quando você tem fome e sede, tem sempre alguém que te manda passear.

Arthur Rimbaud

Gustavo,de 6 anos, ficou ferido no ataque à escola








(Foto: Carolina Lauriano/G1)
Vítima da tragédia na escola em Realengo, Gustavo Pires Damaceno, de 6 anos, deixou o Hospital Albert Schweitzer por volta das 16h30 desta quinta-feira (30), com curativos nas duas mãos.

O pai, o sargento do Corpo de Bombeiros Adriano Silva Damaceno, disse que o filho machucou o tendão na correria durante o tiroteio na escola.

Atirador não tinha antecedentes criminais
Segundo autoridades, o nome do atirador é Wellington Menezes de Oliveira e ele é ex-aluno da Escola Municipal Tasso da Silveira. Seu corpo foi retirado por volta das 12h20, segundo os bombeiros. De acordo com polícia, Wellington não tinha antecedentes criminais

A polícia diz que ele portava dois revólveres calibre 38 e equipamento para recarregar rapidamente a arma. Esse tipo de revólver tem capacidade para 6 balas.

Segundo testemunhas, Wellington baleou duas pessoas ainda do lado de fora da escola e entrou no colégio dizendo que faria uma palestra.



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O MASSACRE



MASSACRE EM REALENGO

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'Ele atirava nas meninas para matar', diz aluno que sobreviveu a ataque
Segundo estudante de 13 anos, tiros nos meninos eram 'só para machucar'.
Menino contou que chegou a conversar com o atirador durante o massacre.
Fabrício Costa Do G1 RJ


Mateus Moraes, de 13 anos, contou que conversou
com o atirador (Foto: Fabrício Costa/G1)
O estudante Mateus Moraes, de 13 anos, contou que as meninas eram o alvo do atirador o ataque à Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, na Zona Oeste do Rio. "Ele matava as meninas com tiros na cabeça. Nas meninas, ele atirava para matar. Nos meninos, os tiros eram só para machucar, nos braços ou nas pernas", disse o aluno, acrescentando que o atirador saiu da sala cinco vezes para recarregar as arma, e a ação durou cerca de cinco minutos.

O menino disse ainda que chegou a conversar com o atirador durante o ataque. "Estava no meio da aula de português quando ele apareceu. Só pedi a Deus para ele não me matar. E ele falou para eu ficar tranquilo que eu não ia morrer. Fiquei orando e pedindo a Deus para me guardar", disse o aluno do 7º ano.

Mateus não sabe se conseguirá voltar à escola depois de sobreviver ao ataque. "Não sei se vou voltar aqui por causa das lembranças", disse o aluno, desolado.

Outros alunos também relataram momentos de pânico vividos no interior da escola na manhã desta quinta-feira (7).

A estudante Jade Ramos de Araújo, de 12 anos, disse que estava no meio de uma prova de Ciências quando começou a ouvir os disparos. "Todo mundo achou que era tiro, mas as professoras tentaram tranquilizar a turma", contou a menina.

Segundo ela, as crianças gritavam muito, mas as professoras pediam para fazerem silêncio. "Elas diziam: 'ele vai ficar nervoso, vai querer matar todo mundo'". Ao entrar nas salas, ainda segundo a menina, o atirador disse para que as crianças ficassem de frente para a parede. "Ele pedia para virarem de costas para a parede e falava que ia matar todo mundo. Foi nessa hora que alguns conseguiram fugir", relatou.

Nesse momento, de acordo com Jade, algumas crianças conseguiram correr em direção ao terceiro andar da escola. "Vi muito sangue nas escadas, crianças desmaiadas. Quando a gente subia tinha um bando de gente amontoada no chão. Os alunos foram pisoteados durante a fuga, as crianças iam fugindo subindo as escadas e algumas acabaram desmaiando", disse.

A menina contou ainda que contou com a ajuda do irmão, de 17 anos, para sair da escola. "Meu irmão veio me buscar, ele procurou de porta em porta. O atirador ainda estava vivo quando ele entrou e conseguiu me tirar daqui", falou.

'Fiquei nervosa, mas consegui fugir', conta aluna
"Fiquei muito nervosa, mas consegui fugir. Para me tranquilizar, fiquei desenhando na minha mão, desenhei uma casa", disse a menina Jade, que correu da escola levando apenas um lápis na mão e chegou em casa com o "tênis imundo de sangue".

Jade voltou à escola na tarde desta quinta (7) para tentar recuperar seus pertences e, principalmente, tentar falar com os policiais que a salvaram. "Vim para agradecer aos policiais porque ele ia matar todo mundo", completou.

Já o motorista de ônibus Elias Campista da Silva, disse que o sobrinho relatou que conseguiu fugir do atirador no momento em que ele recarregava uma de suas armas. "Ele correu na hora, escorregou numa poça de sangue, caiu e se machucou enquanto tentava fugir", contou o tio de Patrick da Silva Figueiredo, de 14 anos.

'Vai ser difícil voltar a estudar aqui', diz aluno
Segundo Elias, foi Patrick quem ajudou a menina Renata Lima Rocha, 13, a escapar do atirador. A menina foi baleada nos rins durante o ataque e está internada Albert Schweitzer, que fica no mesmo bairro o colégio.

“Foram pelo menos dez minutos de tiro sem parar. O professor de geografia mandou todo mundo deitar no chão e saiu da sala trancando a turma pelo lado de fora, pois era o único jeito de trancar a gente lá. Quando eu saí, eu vi cena de guerra, de terror. Vai ser difícil voltar a estudar aqui. Não é nem pelo atentado, pelos amigos que perdi”, relata Riccele Ponce, de 15 anos, que perdeu três amigos.

'Pensei que fosse morrer'
O estudante Marcus Vinicius estava no último andar da escola quando ouviu muitos tiros. "A professora mandou todo mundo abaixar e trancou a porta. Foi terrível. Fiquei muito nervoso. Pensei que fosse morrer", diz o menino, de 10 anos.

Outra aluna também lembrou dos momentos de terror na unidade. A menina de 12 anos disse que viu o atirador entrar na escola. Ela estava dentro da sala de aula quando ele abriu fogo contra os alunos.

“Ele começou a atirar. Eu me agachei e, quando vi, minha amiga estava atingida. Ele matou minha amiga dentro da minha sala”, conta ela, que afirma que estava no pátio na hora em que o atirador entrou na escola.

“Ele estava bem vestido. Subiu para o segundo andar e eu ouvi dois tiros. Depois, todos os alunos subiram para suas salas. Depois ele subiu para o terceiro andar, onde é a minha sala, entrou e começou a atirar”, completou.

Ainda de acordo com os relatos, professores e alunos colocaram armários e cadeiras atrás das portas das salas para evitar a entrada do atirador.

Patrick Figueiredo


Patrick Figueiredo, 14 anos, ajudou Renata Rocha, 13, baleada nos rins, a escapar do atirador


[Flávio Bittencourt]

Patrick Figueiredo, 14 anos, ajudou Renata Rocha, 13, baleada nos rins, a escapar do atirador

Patrick é herói brasileiro e professores agiram com a inteligência e o coração durante o massacre.

Rogel Samuel: Por que o massacre?









Rogel Samuel: Por que o massacre?

Diante de tanto espanto e tanto sofrimento, podemos levantar algumas hipóteses para “explicar” o caso de Realengo:

1. O atirador sabia como atingir a sociedade como um todo: matando crianças, que são o elo mais fraco da cadeia social.

2. Por que naquela escola? Porque era a escola dele, onde ele cresceu, era aquela a sua família, já que fora adotado, não tinha familia e sua mãe adotiva já está falecida.

3. Por que quase somente matou meninas, e não meninos? O atirador se via nos meninos frágeis talvez etc.

4. E por que na escola? (e não na casa de algum parente etc?). Talvez para vingar-se das humilhações porque passara na época em que ali estivera.

Nada explica nada. Nada se explica nem se justifica. Somente me pergunto como foi possível ter tanto armamento e tanta munição?

ACORRENTADOS

Após desastre, turismo é um dos setores mais afetados no Japão




.O turismo é um dos grandes setores prejudicados pela crise que vem afetando o Japão desde o tremor do dia 11 de março, que fez despencar as reservas de diárias em hotéis e os voos internacionais com destino ao país, ameaçando a meta de receber 30 milhões de visitantes por ano.



O desastre sem precedentes do dia 11 de março --que conjuga um terremoto, um tsunami e uma crise nuclear-- paralisou as campanhas de promoção da Organização Nacional de Turismo do Japão, que admite um "enorme impacto" negativo sobre a chegada de turistas estrangeiros.

Países como Reino Unido, Estados Unidos e Espanha ainda mantêm a recomendação para que seus cidadãos evitem visitar Tóquio, a menos que seja imprescindível, embora o México tenha comunicado nesta terça-feira que a situação na maior parte do Japão já permite viagens com normalidade.

Além disso, várias linhas aéreas estrangeiras continuam reduzindo sua frequência de voos ao Japão, diante da queda da demanda, cinco meses depois de o aeroporto de Haneda, o mais próximo ao centro de Tóquio, abrir um novo terminal internacional destinado a impulsionar o turismo.

Já ao aeroporto de Narita, o outro internacional de Tóquio, apenas 67 mil estrangeiros chegaram entre os dias 11 e 22 de março, 60% a menos que no mesmo período do passado, segundo o Serviço de Alfândegas japonês citado pela agência de notícias "Kyodo".

COMPANHIAS CANCELAM ROTAS

A companhia aérea American Airlines suspenderá neste mês sua recém-inaugurada linha Haneda-Nova York, além do voo Narita-Dallas. Já a Delta cancelou suas rotas de Haneda a Detroit e Los Angeles e rebaixou em pelo menos 15% a capacidade de seus aviões entre Japão e EUA.

As empresas australianas Qantas e Jetstar também anunciaram sua intenção de reduzir a frequência aérea de seus voos ao Japão em abril, da mesma forma que a companhia aérea Cathay Pacific, de Hong Kong, que prevê uma "demanda fraca" para os próximos meses.

As companhias aéreas japonesas JAL e ANA, no entanto, não têm planos em baixa, enquanto o governo de Tóquio e os operadores esperam que a queda no turismo seja pouco duradoura e o setor possa se recuperar no segundo semestre.

HOTÉIS TÊM BAIXA OCUPAÇÃO

Por enquanto, os hotéis esvaziaram no Japão, e o impacto foi mais sentido em Tóquio. Segundo o jornal econômico "Nikkei", até o final de abril foram canceladas 90% das reservas de turistas estrangeiros na rede de luxo Prince Hotels, com 44 estabelecimentos no Japão.

Em um dos hotéis-símbolos de Tóquio, o Imperial, onde geralmente se hospedam políticos e diplomatas estrangeiros que passam pela capital, as reservas dos turistas procedentes do exterior caíram à metade desde 11 de março.

Outros estabelecimentos exclusivos da capital, como o hotel Shangri-la, aberto em 2010, tiveram pior sorte: foram fechados até meados de abril por questões logísticas.

Além do impacto do terremoto sobre os turistas, os hotéis de luxo de Tóquio aplicam medidas de racionamento de energia, que os impedem de manter em funcionamento 24 horas por dia serviços secundários, como lojas, restaurantes e bares.

METAS AMEAÇADAS

A Organização de Turismo do Japão fixou a meta de conseguir em 2020 mais de 25 milhões de turistas por ano e, o mais rápido possível, os 30 milhões de visitantes para aumentar as receitas e as vagas de emprego, além de transformar o turismo em um pilar de crescimento econômico.

Apesar de suas atrações turísticas exóticas, com gueixas, templos xintoístas, arquitetura moderna e rica gastronomia, o Japão recebeu em 2010 apenas 8,6 milhões de turistas, embora quase 27% a mais que no ano anterior.

A grande maioria dos turistas que visitam o Japão, cerca de 70%, é composta por asiáticos, sobretudo coreanos, chineses e taiuaneses, atraídos principalmente pelas compras e pela cultura japonesa.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

ANISIO MELLO

MASSACRE











Atirador que invadiu escola municipal em Realengo é identificado


RIO - O atirador que invadiu a Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo , foi identificado como Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos. Ele era ex-aluno do colégio e visitara a unidade no ano passado. Antes de morrer, teria deixado uma carta de cunho religioso em que afirmava ser portador do vírus HIV, segundo o subprefeito da Zona Oeste, Edmar Peixoto. A correspondência foi entregue à Delegacia de Homicídios.



Wellington era filho adotivo de uma família de mais cinco irmãos. Até pouco mais de um ano atrás, ele morava na Rua Jequitinhonha, em Realengo, a cerca de um quilômetro do colégio. Depois, se mudou para Sepetiba. Segundo a irmã de criação de Wellington, Roselaine, de 49 anos, ele morava sozinho em Sepetiba. Em entrevista à Rádio BandNews, ela afirmou que não via o irmão há sete meses.

- Na época da eleição, ele veio aqui. Achamos estranho que ele estava com a barba muito grande. Chamei para almoçar, ele não queria. Falava muita besteira. Ele só ficava na internet, não tinha amigos, era muito estranho e reservado - afirmou Roselaine.

Segundo vizinhos que conheciam a família, Wellington era muito retraído e costumava se isolar. Teria ficado muito abalado quando a mãe adotiva morreu de enfarte.

A promotora de vendas Elda Lira, de 55 anos, disse que a vizinhança está chocada:

- Nós sempre tivemos um relacionamento ótimo com a família e os irmãos dele, mas ele era muito isolado.

A jornalista Karen Mendes, de 31 anos, conheceu Wellington na infância. Segundo ela, o atirador tinha dificuldade para compreender algumas coisas, mas o massacre foi uma surpresa. Já para a secretária municipal de Educação, Cláudia Costin, o crime foi premeditado. Segundo informações do subprefeito da Zona Oeste e do tenente-coronel Djalma Beltrame, comandante do 14º BPM (Bangu), Wellington levava duas armas e um carregador de munição com capacidade para introduzir seis balas por vez. Beltrame acrescentou, inclusive, que Wellington costumava entrar em sites de cunho fundamentalista.

Um ex-aluno da Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, que foi da mesma turma de Wellington Menezes de Oliveira lembra que ele dava sinais de perturbação mental. O frentista Bruno Dantas da Costa, de 22 anos, estudou com o atirador nas antigas 7ª e 8ª séries, de 2003 a 2004. Segundo ele, Wellington evitava contato com todos os colegas de classe:

- Ele era um cara caladão, não se misturava com a gente nem para jogar bola.

Dantas diz que não se lembra de nenhuma atitude violenta por parte de Wellington naquela época.

- Ele não parecia violento, mas era calado demais. Todos achavam estranho - disse o frentista, que não se recorda de ter visto o assassino com namoradas na escola.

O estudante Renan Oliveira, de 22 anos, também foi contemporâneo de Wellington na Tasso da Silveira, só que de outra turma.

- Não tive muito contato com ele, só de vista. Mas não me lembro de ter visto qualquer confusão em que ele estivesse envolvido. Parecia uma pessoa normal.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Desfile de roupas feitas de preservativo abre evento de moda









Mônica Dias . portal@d24am.com
O objetivo do desfile foi alinhar a moda e a responsabilidade, uma temática séria abordada de uma forma bem original, que divertiu os estilistas e a platéia.

Manaus - Teve início nesta segunda-feira (04) a quarta edição da feira de moda Vitrine Rosa Choque. A abertura aconteceu no Espaço Cultural Thiago de Mello, na Saraiva MegaStore, às 16h, com o desfile do concurso cultural “Vista-se”, apresentando 12 criações de looks com preservativos, elaborados por estilistas e designers da cidade.




Estátua de Michael Jackson com bebê na janela irrita fãs em Londres







Agência France Press . portal@d24am.com

O diretor do estúdio, Viv Broughton, defendeu a escultura alegando que era "uma declaração para suscitar uma reflexão sobre a fama e a idolatria".

[ i ] Estátua de Michael Jackson provocou polêmica na Inglaterra. Foto: Ben Stansall/ AFP Londres - Uma estátua de Michael Jackson com seu bebê pendurado junto a uma janela exposta em Londres provocou nesta quarta-feira a irritação dos fãs do falecido astro pop.

A escultura em tamanho natural, intitulada "Madonna and Child", representa o incidente protagonizado por Jackson em 2002, quando ante o olhar atônito de centenas de admiradores, ele mostrou seu filho mais novo, Prince Michael II, segurando-o perigosamente para fora da janela de seu quarto de hotel em Berlim.

Os fãs de Jackson condenaram a obra de arte da sueca Maria von Kohler, que se encontra instalada no Premises Studios, um estúdio de gravação a leste da capital britânica.

Um dos fãs afirmou, no site do estúdio, que a obra "reflete ignorância, crueldade e falta de compaixão".

Mas o diretor do estúdio, Viv Broughton, defendeu a escultura alegando que era "uma declaração para suscitar uma reflexão sobre a fama e a idolatria".

2 bilhões de pessoas assistirão, pela televisão, ao casamento do príncipe William





Cerimônia só não irá bater a audiência do funeral de Diana em 1997, diz governo

O governo do Reino Unido calcula que 2 bilhões de pessoas assistirão, pela televisão, ao casamento do príncipe William e Kate Middleton, marcado para o próximo dia 29 de abril.

De acordo com o ministro da Cultura britânico, Jeremy Hunt, a cerimônia de matrimônio despertou grande expectativa do público e contará com a presença de 8.000 jornalistas de todo o mundo.

Com isso, a audiência superará as 800 milhões de pessoas que acompanharam, em 1981, o casamento do príncipe Charles e a princesa Diana, pais de William, e as 1,5 bilhões que assistiram ao Live Aid em 1985, os shows simultâneos realizados em Nova York e Londres contra a fome no Sudão, Etiópia e Somália.

Só o funeral de Diana, em 1997, que foi visto por 2,5 bilhões de pessoas em todo o mundo, deve superar a audiência que o governo britânico prevê para o casamento do príncipe William.

A cerimônia começará às 11h no horário local (7h, em Brasília), o que contribuirá para que a audiência seja multimilionária, já que na costa leste americana estará amanhecendo e será fim de tarde na Ásia e Oceania, em horário do pico de audiência.

Há pouco mais de três semanas para o casamento na abadia de Westminster, a expectativa cresce inclusive entre os protagonistas, tanto que o príncipe William já confessou que suas pernas tremeram durante o ensaio.

INFÂNCIA




RIMBAUD


É ela, a pequena morta, atrás das roseiras.
- A jovem mãe já falecida desce a sacada.
- A carruagem do primo grita sobre o
- O irmãozinho está (lá na Índia!) diante do poente, num campo de cravos.
- Os velhos foram sepultados em pé na muralha de alelises. O enxame de folhas douradas rodeia a mansão do general. Eles estão no Sul.
- Segue-se a rua vermelha até chegar ao albergue vazio, O castelo está a venda, as persianas estão caindo.
- O padre deve ter levado a chave da igreja.
- Ao redor do parque, as casas dos vigias estão vazias. As paliçadas são tão altas que só se vê os cimos sussurrando. Além disso, não há nada lá dentro para ser visto. prados remontam às vilas sem galos, sem bigornas. A represa está aberta. Ó os Calvários e os moinhos do deserto, as ilhas e as moendas. Flores mágicas zumbiam. As colinas o ninaram. Bichos circulavam sobre o alto mar feito eternas lágrimas quentes.

AS MORTES

BILAC











A Morte


OLAVO BILAC


Oh! a jornada negra! A alma se despedaça...
Tremem as mãos... O olhar, molhado e ansioso, espia,
E vê fugir, fugir a ribanceira fria,
Por onde a procissão dos dias mortos passa.


No céu gelado expira o derradeiro dia,
Na última região que o teu olhar devassa!
E só, trevoso e largo, o mar estardalhaça
No indizível horror de uma noite vazia...


Pobre! por que, a sofrer, a leste e a oeste, ao norte
E ao sul, desperdiçaste a força de tua alma?
Tinhas tão perto o Bem, tendo tão perto a Morte!

Paz à tua ambição! paz à tua loucura!
A conquista melhor é a conquista da Calma:
- Conquistaste o país do Sono e da Ventura!

Enchentes no Paquistão provocam espetáculo de teias de aranha em árvores


Insetos procuraram locais altos como abrigo
BBC Brasil




Compartilhar: As enchentes que atingiram algumas áreas do Paquistão no ano passado acabaram gerando um efeito inesperado: um espetáculo de teias de aranha em árvores. Por causa da alta das águas, milhões de aranhas procuraram locais mais altos como abrigo.

Devido à escala das enchentes e ao fato de que o nível da água levou muitos meses para baixar, diversas árvores ficaram completamente envoltas em teias de aranha. A população desta parte da província de Sindh nunca havia visto este fenômeno antes, segundo relatos feitos ao Departamento para o Desenvolvimento Internacional do governo britânico.

Os moradores das regiões atingidas também afirmam que há menos mosquitos que o esperado. Acredita-se que os mosquitos tenham ficado presos nas teias, reduzindo o risco de malária, algo que seria positivo para a população local, que enfrentou tantas dificuldades após as enchentes.


Foto: Russell Watkins / UK Department for International DevelopmentPor conta da enchente, aranhas buscaram locais mais altos como abrigo

terça-feira, 5 de abril de 2011

INFÂNCIA




Este ídolo, de olhos negros e crina amarela, sem pais nem corte, mais nobre do que fábulas, mexicanas e flamengas; seu domínio, arrogância verdeazul, se espraia por praias batizadas, por ondas sem navios, com ferozes nomes gregos, celtas, eslavos. Nos confins da floresta
- flores de sonho tilintam, explodem, resplendem,
- menino de lábios laranja, cruzando as pernas no dilúvio branco que brota dos prados, sua nudez em sombra, de viés, vestida de arco-íris, mar, e flora. Damas que giram nos terraços à beira-mar; infantas e gigantas, negras e soberbas no musgo verdegris, jóias eretas no solo fértil dos bosquezinhos e jardinzinhos em degelo
- mães jovens e irmãs mais velhas, cheias de olhares peregrinos, sultanas, princesas de trajes e passos tirânicos, estrangeirinhas e pessoas docemente infelizes. Que tédio, a hora do "que corpo" e do "meu bem".


RIMBAUD, ILUMINURAS

RATO COM OVO





RATO COM OVO - PERTENCE A CLARISSE DE OLIVEIRA, HERDADO DE SUA FAMOSA AVÓ, CLARISSE INDIO DO BRASIL

"MATOU-SE VARGAS!"

BRINQUEDO DE LUXO

Expedição na Amazônia revela 'peixe-onça'










Eric Camara |

Pesquisadores tiveram que peneirar a água para encontrar o peixe (Todas as fotos: Adriano Gambarini/Conservation International)
Um minúsculo peixe com pintinhas escuras é uma das mais recentes novas espécies descobertas na Amazônia. Por causa da aparência - que lembra uma onça - ele foi batizado com o nome Ix, que significa jaguar no idioma maia.

O Stenolicnus Ix é da família dos bagres, mas muito menor, cerca de 2 cm de comprimento, e foi encontrado quase no fim de uma das sete expedições do Museu Emílio Goeldi em parceria com a Universidade Federal do Pará, o grupo ambientalista Conservação Internacional (CI) na Estação Ecológica Grão Pará e o governo do Estado.

A espécie foi descrita na edição de janeiro da revista especializada Zootaxa . Os pesquisadores salientaram a dificuldade em se capturar o peixe, por causa de seu tamanho.

Ele foi literalmente peneirado no igarapé Curuá, um afluente da margem esquerda do rio Amazonas. A região faz parte da reserva ambiental considerada a maior área contígua do mundo totalmente protegida, com seus 4 milhões de hectares.




A área é tão protegida que os pesquisadores tiveram que ser deixados de helicóptero no local.

Para ambientalistas, a descoberta reforça o argumento de que é preciso proteger a Amazônia com rigor.

"Descobertas como essa nos lembram de que ainda temos muito o que aprender sobre a biodiversidade da Amazônia. A área (da reserva) abriga espécies importantes, conhecidas e ainda não descritas pela ciência, e serviços ambientais essenciais", afirmou Patricia Baião, diretora do Programa Amazônia da CI-Brasil

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Inania Verba




DETALHE DE MONUMENTO EM MANAUS, AMAZONAS





Inania Verba


OLAVO BILAC


Ah! quem há de exprimir, alma impotente e escrava,
O que a boca não diz, o que a mão não escreve?
- Ardes, sangras, pregada a' tua cruz, e, em breve,
Olhas, desfeito em lodo, o que te deslumbrava...


O Pensamento ferve, e é um turbilhão de lava:
A Forma, fria e espessa, é um sepulcro de neve...
E a Palavra pesada abafa a Idéia leve,
Que, perfume e dano, refulgia e voava.


Quem o molde achará para a expressão de tudo?
Ai! quem há de dizer as ânsias infinitas
Do sonho? e o céu que foge à mão que se levanta?


E a ira muda? e o asco mudo? e o desespero mudo?
E as palavras de fé que nunca foram ditas?
E as confissões de amor que morrem na garganta?!



CONCERTO NA FINEP

Nietzsche




Prefácio

Este livro pertence aos homens mais raros. Talvez nenhum deles sequer esteja vivo. É possível que se encontrem entre aqueles que compreendem o meu "Zaratustra": como eu poderia misturar-me àqueles aos quais se presta ouvidos atualmente? ­ Somente os dias vindouros me pertencem. Alguns homens nascem póstumos.

As condições sob as quais sou compreendido, sob as quais sou necessariamente compreendido ­ conheço-as muito bem. Para suportar minha seriedade, minha paixão, é necessário possuir uma integridade intelectual levada aos limites extremos. Estar acostumado a viver no cimo das montanhas ­ e ver a imundície política e o nacionalismo abaixo de si. Ter se tornado indiferente; nunca perguntar se a verdade será útil ou prejudicial... Possuir uma inclinação ­ nascida da força ­ para questões que ninguém possui coragem de enfrentar; ousadia para o proibido; predestinação para o labirinto. Uma experiência de sete solidões. Ouvidos novos para música nova. Olhos novos para o mais distante. Uma consciência nova para verdades que até agora permaneceram mudas. E um desejo de economia em grande estilo ­ acumular sua força, seu entusiasmo... Auto-reverência, amor-próprio, absoluta liberdade para consigo...

Muito bem! Apenas esses são meus leitores, meus verdadeiros leitores, meus leitores predestinados: que importância tem o resto? ­ O resto é somente a humanidade. ­ É preciso tornar-se superior à humanidade em poder, em grandeza de alma ­ em desprezo...

Friedrich Nietzsche

ILUMINURAS






Artur Rimbaud

DEPOIS DO DILÚVIO Assim que a idéia do Dilúvio sossegou, Uma lebre se deteve entre trevos e campânulas cambiantes, e fez sua prece ao arco-íris, através da teia de aranha. Oh! as pedras preciosas que se escondiam,
- e as flores que já olhavam. Na grande rua suja açougues se abriram, e barcos foram lançados nos degraus do mar lá no alto como nas gravuras. O sangue correu, no Barba-Azul,
- nos matadouros,
- nos circos, onde o selo de Deus empalidecia as janelas. O sangue e o leite correram. Castores construíram. "Mazagrans" enfumaçaram os botecos. Na imensa mansão de vidros ainda gotejantes, meninos de luto admiram imagens maravilhosas.

Uma porta bateu,
- e sobre a praça da vila, o menino girou os braços, compreendidos os cata-ventos e galos dos campanários de toda parte, sob um temporal cintilante. Madame *** instalou um piano nos Alpes. A missa e as primeiras comunhões foram celebradas nos cem mil altares da catedral. As caravanas partiram. E o Splendide-Hotel foi erguido no caos de gelo e da noite polar. Desde então, a Lua ouviu o uivo dos chacais nos desertos de timo,
- e écoglas de tamancos grunhindo no pomar. Depois, na floresta violeta, florescente, Êucaris me disse que era a primavera.
- Lago, salte,
- Espuma, role sobre aponte e por cima desses bosques;
- panos negros e órgãos,
- trovão e raio,
- subam e rolem;
- águas e tristeza, subam e renovem esses Dilúvios. Pois desde que dissiparam,
- Oh as pedras preciosas se enterrando, e as flores se abrindo!
- tudo é um tédio! E a Rainha, a Feiticeira que acende sua brasa num pote de barro, não vai querer jamais nos contar tudo o que sabe, e que nós ignoramos.

Budismo, paciência e união com a Comissão de Combate à Intolerância Religiosa







Pertenço a uma corrente japonesa do Budismo Mahayana, Grande Veículo, chamada Budismo Primordial HBS – Hommon Butsuryu Shu. É próprio da filosofia budista esta multiversidade de caminhos, linhagens, escolas, ramos etc. Então, a tolerância religiosa, para nós budistas, nasce em casa. São tantas as formas de ver, olhar e praticar os ensinamentos do Senhor Buddha que só nos resta, humildemente, aceitar, agradecer e respeitar as outras formas de Budismo, ainda que, muitas vezes, um seja completamente diferente do outro, aparentemente, mas não na essência, não em profundidade.

O Budismo surge no século VI antes de nossa era comum. Sidarta Gautama, o Buddha, afirmava que, antes dele, já existiram muitos Buddhas e, após ele, outros viriam. Já começava aí a multiversidade. Por exemplo, a linhagem a qual estou ligado é uma escola reformada, cujas origens remontam ao profeta japonês Nichiren (1222-1282) e, só para se ter uma ideia, o Budismo Nichiren tem hoje 38 ramos diferentes. No total, podemos dizer, tranquilamente, que as linhagens búdicas vão acima de 100.

Sidarta sabia que tudo é interpretável. Então, o caminho espiritual também é assim. Por isso, ele incentivava muito o exercício da paciência. Dizia com frequência que a paciência é a maior de todas as virtudes. Podemos dizer que paciência é sinônimo de tolerância.

Vejo com excelentes olhos esse importante trabalho de aproximação inter-religiosa através da CCIR e do Fórum. Temos muito a aprender uns com os outros, crescemos, amadurecemos em prol do bem comum e da sociedade. Nosso Budismo Nichiren preocupa-se muito com a paz mundial. Acreditamos que ela começa no coração de cada ser humano.

De acordo com os ensinamentos do Buddha, todos os seres vivos e as demais coisas, fatos etc estão interligados. Então, as religiões também estão, como se fôssemos uma grande família. Daí a importância da tolerância religiosa e nos demais sentidos.

Nós, religiosos tolerantes, podemos e devemos construir um mundo melhor. Sabemos que há muito que fazer: aparar arestas, ouvir mais, dialogar bastante em prol do bem comum, sabendo que assim o planeta fica mais feliz. E todos os grandes mestres espirituais nos deixaram belos ensinamentos de felicidade.

Antonio Rocha é Gakutô (auxiliar sacerdotal) do Budismo Primordial HBS e membro da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa

Nelson Freire cancela concertos com a OSB






RIO - Considerado o mais importante pianista brasileiro, Nelson Freire anunciou o cancelamento das apresentações que faria ao lado da Orquestra Sinfônica Brasileira, que enfrenta uma disputa entre seus dirigentes e o corpo de músicos. Freire, que se apresentou com a OSB pela primeira vez há 55 anos, desmarcou todos os concertos agendados em conjunto com a orquestra para esta temporada. A notícia repercutiu internacionalmente em sites especializados em música erudita.


Tendo companhado as noticias através de todos os jornais, o pianista Nelson Freire decidiu cancelar os compromissos com a OSB em 2011, chocado com a demissão em massa dos músicos", disseram os representantes do músico em comunicado oficial. Freire está em Paris, onde fará três concertos esta semana, um deles em benefício às vítimas do terremoto no Japão. O pianista também passará pela Suíça e Itália.

O boicote de Freire foi anunciado dois dias após a também pianista Cristina Ortiz ter cancelado o concerto que faria com a OSB este mês.

A neurótica segurança de Obama







A neurótica segurança de Obama


LEONARDO BOFF

"Hoje temos medo de nós mesmos, das armas de destruição em massa, das guerras de grandíssima devastação que alguns paises centrais conduzem"



Muitos de nós, na América Latina sob as ditaduras militares, temos conhecido o que significou a ideologia de segurança nacional. A segurança do Estado era o valor primeiro. Na verdade, tratava-se da segurança do capital para que este continuasse com seus negócios e com sua lógica de acumulação, mais do que propriamente da segurança do Estado. Essa ideologia, no fundo, partia do pressuposto de que todo cidadão é um subversivo real ou potencial. Por isso, devia ser vigiado e eventualmente preso, interrogado e, se resistisse, torturado, às vezes até a morte. Destarte, romperam-se os laços de confiança sem os quais a sociedade perde seu sentido. Vivia-se sob um pesado manto de desconfiança e de medo.

Digo tudo isso a propósito do aparato de segurança que cercou a visita do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ao Brasil. Ai funcionou em pleno a ideologia da segurança, não mais nacional, mas presidencial. Não se teve confiança na capacidade dos órgãos brasileiros de garantir a segurança do presidente. Acompanhou-o todo o aparato norte-americano de segurança. Vieram imensos helicópteros de tamanho tão monstruoso que havia escassos lugares onde pudessem aterrissar. Limusines blindadas, soldados revestidos com tantos aparatos tecnológicos que mais pareciam máquinas de matar que pessoas humanas. Atiradores especiais colocados nos telhados e em lugares estratégicos junto com o pessoal da inteligência. Em cada canto por onde passaria a “corte imperial”, as ruas próximas, casas e lojas foram vigiadas e vistoriadas. Foi cancelado, por razões de segurança, o discurso previsto ao público, no centro do Rio, na Cinelândia. Os que foram convidados a ouvir seu discurso no Theatro Nacional tiveram que passar por minuciosa revista prévia.

O que revela semelhante cenário? Que estamos num mundo doente e desumano. Outrora, tinha-se medo de forças da natureza às quais estávamos entregues sem qualquer defesa, ou de demônios ameaçadores ou de deuses vingativos. Hoje temos medo de nós mesmos, das armas de destruição em massa, das guerras de grandíssima devastação que alguns paises centrais conduzem. Temos medo de assaltos na rua. Temos medo de subir os morros, onde vivem comunidades pobres. Temos medo até de crianças de rua que nos podem ameaçar. De que não temos medo?

Já os clássicos ensinavam que as leis, a organização do Estado e a ordem pública existem fundamentalmente para nos libertar do medo e podermos conviver pacificamente.

Formalizando o pensamento, podemos, em primeiro lugar, dizer que o medo pertence à nossa existência. Há quatro medos fundamentais: o medo de que nos tirem a individualidade e nos façam dependentes ou um mero número; o medo de que sejamos cortados das relações e sejamos castigados à solidão e ao isolamento; o medo diante de mudanças que podem afetar a profissão, a saúde e, no limite, a própria vida; o medo diante de realidades inevitáveis e definitivas como a morte. A forma como enfrentamos esses medos existenciais marcam nosso processo de individuação. Se o fazemos com coragem, superando dificuldades, crescemos. Se fugimos e somos omissos, acabamos enfraquecidos e até envergonhados.

Apesar de toda nossa ciência que nos cria a ilusão de onipotência, voltamos a ter medo da Terra e de suas forças. Quem controla o choque das placas tectônicas? Quem detém um terremoto e freia um tsunami? Somos nada face a tais energias incontroláveis, agravadas pelo aquecimento global.

O medo pertence, pois, à nossa condição humana. Ele se transforma em patologia e neurose quando se busca evitá-lo de tal forma que transtorna toda uma realidade social e faz do espaço uma espécie de campo de guerra, como foi montado pelas forças de segurança norte-americanas. Se um Presidente visita um país e seu povo, deve tomar em conta riscos que pertencem à vida. Caso contrário, as autoridades de ambos os lados melhor fariam encontrar-se num navio em alto mar, a salvo de medos e riscos. As estratégias de segurança apenas revelam em que mundo vivemos: o ser humano tem medo de outro ser humano. Todos somos reféns do medo e por isso, sem liberdade e sem alegria de viver e de receber um visitante.



http://www.congressoemfoco.com.br/noticia.asp?cod_canal=14&cod_publicacao=36606

Voo 447: governo da França diz que encontrou corpos entre os destroços do avião




PARIS - O governo francês afirmou, nesta segunda-feira, que partes dos destroços do avião da Air France encontrados no Oceano Atlântico no fim de semana contêm corpos de alguns passageiros que morreram na queda da aeronave, em 2009.

O Airbus 330-203, que fazia o voo 447 da Air France, mergulhou no mar a caminho de Paris, matando todos os 228 passageiros e tripulantes a bordo. As causas do acidente ainda não foram esclarecidas. Após os achados deste fim de semana, o Escritório de Investigações e Análise (BEA, na sigla em francês) afirmou, no domingo, que têm "esperanças" de localizar as caixas-pretas da aeronave.


As autoridades do BEA divulgaram que foram encontradas partes do avião, como o motor e a fuselagem. Já a ministra do Meio Ambiente, Nathalie Kosciusko-Morizet, disse, nesta segunda, que corpos estavam entre os restos da aeronave.

- Nós temos mais do que achados, nós temos corpos. A identificação é possível - disse ela à rádio France Info.

O ministro dos Transportes, Thierry Mariani, afirmou que as famílias das vítimas seriam informadas sobre os achados em um encontro no fim da semana e que nenhum detalhe seria divulgado antes disso:

- É verdade que corpos foram vistos, mas é natural que, por causa da natureza do assunto, nós prefiramos manter certos detalhes para as famílias.

Quarta fase de buscas começou em março

O BEA iniciou no dia 25 de março uma quarta fase de buscas no mar para encontrar os destroços do voo AF 447. A procura foi reiniciada em uma zona de 10.000 km2, ou seja, um raio de 75 quilômetros em torno da última posição conhecida do voo.

Na operação, os técnicos contam com o apoio de três submarinos não tripulados, capazes de navegar em profundidades de até quatro mil metros. Eles são projetados para passar até 22 horas submersos e rastrear objetos a 700 metros de distância, bem como içá-los do fundo do mar. Os submarinos contam com câmeras e faróis que permitem iluminar objetos localizados pelos sonares dos navios.

As buscas aos destroços recomeçaram dias depois de a Justiça francesa indiciar a Air France e a Airbus por homicídio culposo (sem intenção de matar). No caso da empresa área, o diretor-geral da companhia, Pierre Henri Gourjon, foi diretamente responsabilizado, na condição de pessoa jurídica. Os dois indiciamentos são os primeiros do processo e estão condicionados à eventual localização das caixas-pretas do avião.

Apesar de, à época do acidente, algumas partes da aeronave terem sido localizadas, ainda pouco se sabe sobre o que provocou a queda. As últimas informações enviadas pelo avião, por mensagens automáticas, mostram que os pitots (sensores de velocidade) registravam valores conflitantes, possivelmente devido ao congelamento. O problema teria levado ao desligamento do piloto automático, num momento em que a aeronave enfrentava forte turbulência.

Especialistas dizem, no entanto, que a pane no pitot pode ter contribuído para a tragédia, mas não seria suficiente para causar o acidente. Mesmo assim, após o acidente, agências de aviação determinaram a troca de sensores como os usados no A330-200. Com base na análises dos destroços e de corpos encontrados, os investigadores franceses concluíram que o avião se chocou de barriga contra a água, praticamente intacto.

domingo, 3 de abril de 2011

Arnold Schwarzenegger gasta R$ 58 mil em joias em Manaus


De acordo com a coluna de Bruno Astuto, publicada no "O Dia", o ator e ex-governador da Califórnia fez compras em Manaus
quem online
Arnold Schwarzenegger gastou R$ 58 mil em joias segundo a coluna de Bruno Astuto, publicada no jornal "O Dia" nesta sexta-feira (25).

O ator teria ido na H. Stern, que fica nas dependências do Hotel Tropical, onde está hospedado em Manaus.



O ex-governador da Califórnia fez a alegria dos vendedores da joalheria e em pouco mais de 10 minutos, gastou cerca de R$ 58 mil em pulseiras, anéis e um relógio.

De acordo com a publicação, o ator pagou em dinheiro vivo - dólar. Quando os funcionários da loja pediram para tirar uma foto ao seu lado, ele brincou que só toparia se tivesse um bom desconto.

Para se deslocar pela cidade, Schwarzenegger conta com a ajuda de seis seguranças. O staff do hotel e os participantes do Segundo Fórum Mundial de Sustentabilidade apelidaram o grupo de Tropa de Elite.

Rogel Samuel: A terra não é redonda


Rogel Samuel: A terra não é redonda

Já dizia meu professor de geografia Mario Ypiranga Monteiro:

- A Terra não é redonda... A Terra se parece com uma melancia, que enche a barriga da gente.

Assim disse João Steiner ao IG, professor titular do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) sobre a imagem acima:

“É apenas um modelo que aumenta a escala para destacar o que se quer mostrar. Se em vez de colocar nele a representação da gravidade, colocássemos a da altitude, os Andes apareciam como um calombo e o Oceano Pacífico como uma depressão”.

sábado, 2 de abril de 2011

Rogel Samuel - A DIMENSÃO DO MAR








Após ver a exposiçao de Fernando Pessoa no Rio, releio:


A DIMENSÃO DO MAR

Escreveu Fernando Pessoa:

Na noite escreve um seu Cantar de Amigo
O plantador de naus a haver,
E ouve um silêncio múrmuro consigo:
É o rumor dos pinhais que, como um trigo
De Império, ondulam sem se poder ver.
Arroio, esse cantar, jovem e puro,
Busca o oceano por achar;
E a fala dos pinhais, marulho obscuro,
É o som presente desse mar futuro,
É a voz da terra ansiando pelo mar.

O rei D. Dinis governou entre 1279 e 1325. Criou a semente da primeira universidade portuguesa, em Lisboa (1290). Escreveu 72 cantigas de amor e 51 de amigo, como a deliciosa:

Levantou-s' a velida,
levantou-s' alva
e vai lavar camisas
eno alto:
vai-las lavar alva.
Levantou-s' a louçaa,
levantou-s' alva
e vai lavar delgadas
eno alto

Ora, D. Dinis ficou conhecido como «lavrador», «plantador». No poema de Pessoa bem se vê. Plantador do Império. Ele plantou os pinheiros com que se construíram as naus.
Nós não vamos examinar aqui o heróico fato de que aqueles navios também espalharam o terror pelo mundo. Toda a Europa fez isso. As naus portuguesas dominaram o mundo à força das armas. Há, por exemplo, um texto, na literatura singalesa, que conta a invasão de um mosteiro budista. No Brasil, nossos índios foram dizimados etc.

Não.

Vamos ficar com o poema. Com a visão do Pessoa jovem, poeta máximo.

« Na noite escreve um seu Cantar de Amigo». Por que «na noite»? Porque o Império ainda ia amanhecer.
Este verso revela a maestria do poeta, são dez sílabas, numa alternância de átonas e tônicas: na NOIte esCREve um SEU canTAR de aMIgo. (-/=/-/=/-/=/-/=/-/=/). 1-2, 1-2, 1-2, 1-2, 1-2.
Este ritmo, binário, com alguma imaginação, traduz o ato da máquina, o ato do escrever, do trabalhar, seu ritmo, sua maquinaria, seus pinhais, seus delírios. O verso marca o ritmo do trabalho poético, do trabalho noturno, do trabalho intelectual, silencioso, martelando. E Amigo. Ele escrevia a história, a história do futuro, «o plantador de naus a haver».
E ele «ouve um silêncio múrmuro consigo», que é « o rumor dos pinhais», o rumor do vento nos pinhais, que sussurram: seremos reis, seremos Detentores-reis das terras de além-mar. O murmúrio do futuro, murmúrio do «trigo da história», murmúrio do cabelo da história, que ondula sem se poder ver.

E a fala dos pinhais, marulho obscuro,
É o som presente desse mar futuro,
É a voz da terra ansiando pelo mar.

Pessoa abusa de sua genialidade, no «Plantador do Trigo do Império do Fim do Mundo». Sim, porque o Império se estendeu, de Oriente a Ocidente do Orbe terrestre. Como dele disse Camões:

O Sol, logo em nascendo, vê primeiro;
Vê-o também no meio do Hemisfério,
E quando desce o deixa derradeiro;

D.Dinis canta, e «esse cantar, jovem e puro, busca o oceano por achar». Aponta o futuro.

Pessoa era um patriota, e a pátria ingrata só lhe prestou homenagem e lhe fez honra depois de morto. Como a Camões.

No maior jornal de Lisboa de sua época, o «Diário de Notícias», o seu nome nunca apareceu. Ou melhor, só apareceu na página policial, quando um mágico, seu amigo, fez alguém sumir de verdade. Seus colegas de escritório nem sabiam que ele era poeta! Por isso disse que pertencia a uma geração que herdara a descrença.
«Pertenço a uma geração, diz ele, que herdou a descrença na fé cristã e que criou em si uma descrença em tôdas as outras fés. Os nossos pais tinham ainda a impulso credor, que transferiam do cristianismo para outras formas da ilusão. Uns eram entusiastas da igualdade social, outros eram enamorados só da beleza, outras tinham a fé na ciência e nas seus proveitos, e havia outras que, mais cristãos ainda, iam buscar a orientes e ocidentes outras formas religiosas com que entretivessem a consciência, sem elas ôca, de meramente viver. Tudo isso nós perdemos, de tôdas essas consolações nascemos órfãos. Nós perdemos essa, e às outras também. Ficamos, pois, cada um entregue a si próprio, na desolação de se sentir viver. Um barco parece ser um objeta cujo fim é navegar; mas o seu fim não é navegar, senão chegar a um pôrto. Nós encontramo-nos navegando, sem a idéia da pôrto a que nos deveríamos acolher. Reproduzimos assim, na espécie dolorosa, a fórmula aventureira dos argonautas: navegar é preciso, viver não é precisa. Sem ilusões, vivemos apenas da sanha, que é a ilusão de quem não pode ter ilusões. Vivendo de nós próprios, diminuímo-nos...» (nota solta, sem data nem assinatura, do magnífico poeta Fernando Antonio Nogueira Pessoa, talvez o maior de todos nós).

RESPOSTA de L. Ruas










RESPOSTA


apenas vemos sombras
sem conhecermos a luz.
percebemos a chaga
não tocamos a alma.
brasa em negro fogo consumida
semente bipartida.
julgas possuir toda ciência
se sabes rir apenas
quando é preciso rir
é mister no entanto descobrir
que também no muito riso há pranto.
a máscara sustém dois olhos
um é cego porém. de fato
só um olho vê. por isso
conheces silhuetas
e não a dimensão total
aquela dimensão que
por ser transdimensional
entre todas
é mais constante e mais real.
a caverna de platão.
que sabes das rosas renascidas?
das estrelas em luz desfalecidas?
da liberdade e do amor?
ser livre em essência é ser cativo.


APARIÇÃO DO CLOWN

O PRINCIPE ESTÁ NERVOSO

CENAS DE GUERRA NA LIBIA




CENAS DA GUERRA NA LIBIA




sexta-feira, 1 de abril de 2011

O IMPRESSIONANTE SOL






Observatório Dinâmico Solar captou imagem do Sol durante a estação de eclipses, quando o astro se oculta por trás da Terra por até 72 minutos por dia

Japão, por Monja Coen‏



A monja Coen, apesar de não ser descendente de japoneses, consegue definir muito bem algumas características dos japoneses, por vezes incompreensíveis aos outros povos.

A monja Coen, que mora em São Paulo no Templo Busshinji, explica por que os
japoneses estão surpreendendo o mundo com seu modo de fazer face às dificuldades.

JAPÃO

Quando voltei ao Brasil, depois de residir doze anos no Japão, me incumbi da difícil missão de transmitir o que mais me impressionou do povo Japonês: kokoro.

Kokoro ou Shin significa coração-mente-essência.

Como educar pessoas a ter sensibilidade suficiente para sair de si mesmas, de suas necessidades pessoais e se colocar à serviço e disposição do grupo, das outras pessoas, da natureza ilimitada?

Outra palavra é gaman: aguentar, suportar. Educação para ser capaz de suportar dificuldades e superá-las.

Assim, os eventos de 11 de março, no Nordeste japonês, surpreenderam o mundo de duas maneiras. A primeira pela violência do tsunami e dos vários terremotos, bem como dos perigos de radiação das usinas nucleares de Fukushima. A segunda pela disciplina, ordem, dignidade, paciência, honra e respeito de todas as vítimas. Filas de pessoas passando baldes cheios e vazios, de uma piscina para os banheiros.

Nos abrigos, a surpresa das repórteres norte americanas: ninguém queria tirar vantagem sobre ninguém. Compartilhavam cobertas, alimentos, dores, saudades, preocupações, massagens. Cada qual se mantinha em sua área. As crianças não faziam algazarra, não corriam e gritavam, mas se mantinham no espaço que a família havia reservado.

Não furaram as filas para assistência médica – quantas pessoas necessitando de remédios perdidos – mas esperaram sua vez também para receber água, usar o telefone, receber atenção médica, alimentos, roupas e escalda pés singelos, com pouquíssima água.

Compartilharam também do resfriado, da falta de água para higiene pessoal e coletiva, da fome, da tristeza, da dor, das perdas de verduras, leite, da morte.

Nos supermercados lotados e esvaziados de alimentos, não houve saques. Houve a resignação da tragédia e o agradecimento pelo pouco que recebiam. Ensinamento de Buda, hoje enraizado na cultura e chamado de kansha no kokoro: coração de gratidão.

Sumimasen é outra palavra chave. Desculpe, sinto muito, com licença. Por vezes me parecia que as pessoas pediam desculpas por viver. Desculpe causar preocupação, desculpe incomodar, desculpe precisar falar com você, ou tocar à sua porta. Desculpe pela minha dor, pelo minhas lágrimas, pela minha passagem, pela preocupação que estamos causando ao mundo. Sumimasem.

Quando temos humildade e respeito pensamos nos outros, nos seus sentimentos, necessidades. Quando cuidamos da vida como um todo, somos cuidadas e respeitadas.
O inverso não é verdadeiro: se pensar primeiro em mim e só cuidar de mim, perderei. Cada um de nós, cada uma de nós é o todo manifesto.

Acompanhando as transmissões na TV e na Internet pude pressentir a atenção e cuidado com quem estaria assistindo: mostrar a realidade, sem ofender, sem estarrecer, sem causar pânico. As vítimas encontradas, vivas ou mortas eram gentilmente cobertas pelos grupos de resgate e delicadamente transportadas – quer para as tendas do exército, que serviam de hospital, quer para as ambulâncias, helicópteros, barcos, que os levariam a hospitais.

Análise da situação por especialistas, informações incessantes a toda população pelos oficiais do governo e a noção bem estabelecida de que “somos um só povo e um só país”.

Telefonei várias vezes aos templos por onde passei e recebi telefonemas. Diziam-me do exagero das notícias internacionais, da confiança nas soluções que seriam encontradas e todos me pediram que não cancelasse nossa viagem em Julho próximo.

Aprendemos com essa tragédia o que Buda ensinou há dois mil e quinhentos anos: a vida é transitória, nada é seguro neste mundo, tudo pode ser destruído em um instante e reconstruído novamente.

Reafirmando a Lei da Causalidade podemos perceber como tudo está interligado e que nós humanos não somos e jamais seremos capazes de salvar a Terra. O planeta tem seu próprio movimento e vida. Estamos na superfície, na casquinha mais fina. Os movimentos das placas tectônicas não tem a ver com sentimentos humanos, com divindades, vinganças ou castigos. O que podemos fazer é cuidar da pequena camada produtiva, da água, do solo e do ar que respiramos. E isso já é uma tarefa e tanto.

Aprendemos com o povo japonês que a solidariedade leva à ordem, que a paciência leva à tranquilidade e que o sofrimento compartilhado leva à reconstrução.

Esse exemplo de solidariedade, de bravura, dignidade, de humildade, de respeito aos vivos e aos mortos ficará impresso em todos que acompanharam os eventos que se seguiram a 11 de março.

Minhas preces, meus respeitos, minha ternura e minha imensa tristeza em testemunhar tanto sofrimento e tanta dor de um povo que aprendi a amar e respeitar.

Havia pessoas suas conhecidas na tragédia?, me perguntaram. E só posso dizer : todas. Todas eram e são pessoas de meu conhecimento. Com elas aprendi a orar, a ter fé, paciência, persistência. Aprendi a respeitar meus ancestrais e a linhagem de Budas.

Mãos em prece (gassho)
Monja Coen

BUDA RESISTE AO TSUNAMI





Na cidade de Sendai, estátua de Buda resiste à destruição causada pelo tsunami que atingiu o Japão há três semanas

Expedição identifica cavernas sagradas dos índios yanomami no Pico da Neblina, no Amazonas



Cecav e IMCBio realizam expedição inédita para cadastrar cavernas, em um projeto denominado Levantamento Etnoespeleológico

Manaus, 18 de Março de 2011

Elaíze Farias

Pico da Neblina, no Amazonas, possui uma diversidade de cavernas desconhecidas da maioria da população (Divulgação/Acervo Parna Pico da Neblina.)

Expedição inédita realizada no final do ano passado no Parque Nacional do Pico da Neblina, no Amazonas, identificou cinco cavernas que são consideradas sagradas pelos indígenas da etnia yanomami – além de ser um parque federal, a área é uma terra indígena demarcada.

As cavernas localizadas na região do Alto Rio Negro, apesar do conhecimento dos indígenas, ainda não haviam sido cadastradas pelo Centro Nacional de Conservação e Pesquisas de Cavernas (Cecav), órgão vinculado ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), responsáveis pela expedição.

Embora tenha sido realizada há três meses, somente nesta semana a expedição foi divulgada pelo ICMBio.

Com o cadastro das cavernas, espera-se assegurar a preservação da área, conforme explicações de José Carlos Reino, analista do Cecav e coordenador da expedição, em entrevista ao acritica.com.

O projeto Levantamento Etnoespeleológico também deverá compor o etnozoneamento e o Plano de Manejo da Unidade.

Diferente de outras áreas semelhantes, as cavernas do Pico da Neblina (localizadas na base) não são espaços meramente físicos. A importância espiritual que os yanomami dão ao local confere um status especial às cavernas.

Mitos


Daí o cuidado que o Cecav e o ICMBio estão tendo para divulgar os dados encontrados no local.

“A gente ainda não colocou as coordenadas geográficas, nem divulga fotografias do que foi encontrado. Por enquanto, a gente está sistematizando os dados para apresentar primeiramente aos indígenas”, disse Reino.

Algumas informações, contudo, podem ser reveladas. Segundo Reino, as cavernas são de pequenas dimensões e têm um rico ecossistema.

O conjunto geral é denominado de granitóides (referente à gratito). A expedição, que demanda uma expressiva logística, foi realizada ao longo de 60 quilômetros de extensão.


Além do cadastro oficial das cavernas, os participantes da expedição querem dar continuidade ao projeto com a construção de uma publicação com relatos das histórias e dos mitos identificados na relação entre os yanomami com as cavernas.

Sagrado

Embora toda expedição em uma unidade de conservação federal seja realizada também com vistas ao desenvolvimento de um plano de manejo, é pouco provável que as cavernas do Pico da Neblina possam ser utilizadas para atividades turísticas, segundo Reino.


“Eles (indígenas) não querem isso. As cavernas são sagradas para eles. O que eles querem é poder reviver a história e os mitos associadas às cavernas para as próximas gerações para que eles não sejam esquecidos”, disse o analista.

Yanomami

A primeira fase da expedição contou com uma assembleia geral para pedir autorização dos yanomami. Em seguida, os indígenas participaram ativamente como protagonistas da atividade.


“Foram os próprios yanomami que levaram a equipe. Mas antes, a gente apresentou o projeto a eles, para ver se concordavam em nos deixar entrar. Eles permitiram e nos acompanharam”, disse Márcia Abrão, analista do Parna Pico da Neblina, cuja sede fica em São Gabriel da Cachoeira, interior do Amazonas.

Moradores das comunidades Maturacá e Ariabú, no Parque, os indígenas foram os guias da expedição até as cavernas – no início da atividade, o cacique Joaquim Figueiredo também ofereceu proteção espiritual à expedição.

“Antes de sairmos em busca das cavernas, o cacique disse que deixou um sinal (uma luz) na cabeça de cada um de nós, para que fossemos identificados pelos espíritos. Assim, todas as cavernas do planeta onde haja esses espíritos receberão uma fumaça avisando que os exploradores irão com um sinal de luz na cabeça, para que não haja mal algum a eles”, conta Marcia.

Rio Negro

O Cecav planeja realizar outras expedições no Alto Rio Negro, desta vez no região do rio Maiá e Morro dos Seis Lagos.

Conforme Reino, devido aos cortes no orçamento feito pelo governo federal ainda não está definido se o projeto de prosseguir na expedição ainda este ano.