sexta-feira, 24 de junho de 2011

Prenderam James “Whithey” Bulger, o gangster que inspirou Scorsese





Um dos criminosos mais procurados e famosos dos Estados Unidos, James Bulger, conhecido como “Whithey”, foi preso na Califórnia, aos 81 anos.


Bulger era procurado há quase 17 anos, depois de ter deixado Boston, na costa leste dos EUA, zona onde actuava. Estava nessa altura para ser preso por agentes federais devido a cerca de 20 assassinatos, extorsão, tráfico de drogas e outros crimes cometidos entre o início dos anos 1970 e meados da década de 1980.

Controlava um grupo (gang) de crime organizado, foi objecto de vários livros e inspirou o filme The Departed (2006), de Martin Scorsese, com Leonardo DiCaprio, Matt Damon e Jack Nicholson. Estava na lista dos dez fugitivos mais procurados pelo FBI, que oferecia uma compensação de dois milhões de dólares (cerca de 1,4 milhões de euros) pela sua captura.

James Bulger foi detido ontem à noite pelo FBI num vulgar edifício de apartamentos em Santa Mónica, uma praia a cerca de 20 quilómetros do centro de Los Angeles, “sem incidentes”, segundo as fontes não identificadas que deram a notícia em primeira mão ao diário Los Angeles Times e que requereram anonimato por não estarem autorizadas a falar sobre o assunto.

Segundo as autoridades, quando fugiu de Boston, Bulger tinha sabido que estaria para ser preso por um agente do FBI que era seu informador, John Connolly Jr., e que entretanto foi condenado por extorsão em 2002, por proteger Bulger e outro conhecido criminoso.

Numa conferência de imprensa dada já hoje de manhã em Boston conjuntamente por várias forças policiais dos EUA, as várias autoridades envolvidas elogiaram a sua próprias “persistência e tenacidade”, e atribuíram a captura de Bulger aos vários anúncios que fizeram e permitiram chegar até ele.

O FBI tinha lançado recentemente uma campanha na comunicação social de 14 cidades de todo o país, que não incluíam Los Angeles, onde Bulger tinha sido identificado ou onde tinha laços anteriores. A polícia estava convencida de que Bulger teria passado os últimos anos a viajar na companhia de Catherine Elizabeth Greig, 60 anos, com quem vivia e que foi presa com ele. Era uma mulher de estatura pequena, que tivera como profissão a higiene dentária, e que se habituara a mudar a cor do cabelo, relata a agência Reuters.

A campanha do FBI dirigia-se sobretudo a mulheres na casa dos 60 anos, o grupo etário de Greig, na esperança de obter pistas. A informação que levou à detenção chegou na terça-feira à noite, e ontem à tarde a brigada de fugitivos do FBI de Los Angeles começou a vigilância, assistida pela Polícia da cidade, após ter detectado duas pessoas que pensou serem Bulger e Greig. Foi montado um estratagema (não divulgado) através do qual foram atraídos para fora do seu apartamento, sendo presos após a polícia se assegurar da sua identidade.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Justin Bieber, atacado


O cantor adolescente Justin Bieber, 17, foi atacado por um homem nesta quinta-feira (23), segundo o programa "Eyewitness News" da ABC 7.

Ele estava em Nova York, onde distribuía autógrafos e promovia um perfume de sua marca em uma loja.

Bieber decidiu aparecer fora da loja, para falar com fãs que não haviam conseguido entrar.

Neste momento, segundo testemunhas, um homem pulou em cima dele e o derrubou no chão.

O homem foi levado por policiais. O cantor, apesar do susto, voltou para dentro da loja e continuou dando autógrafos.

TRI

URSO INVADE CIDADE NA LITUANIA

REVOLVER DE AL CAPONE EM LEILAO



Um revólver que pertenceu ao “gangster” norte-americano Al Capone foi vendido ontem à noite por 77 mil euros durante um leilão da Christie’ s em Londres.

O Colt .38 foi vendido por um coleccionador privado que entregou também uma carta de Madeleine Capone Morichetti, viúva do irmão de Al Capone, onde esta confirma que a arma “pertenceu a Al Capone” e que, durante a sua vida, só foi usada por ele.

Os registos do Colt .38 indicam que foi fabricado em Maio de 1929, meses depois do famoso Massacre do Dia de S. Valentim, em Chicago, quando sete pessoas morreram durante um tiroteio entre facções rivais, incluindo a de Capone.

O comprador preferiu ficar no anonimato e fez a sua licitação online.

Vladimir Horowitz Playing Scriabin 12 Etudes Op.8 No.12

Scriabin Etude op 8 no 12 by Evgeny kissin

Shostakovich, Symphony No. 5 Mvt. 4




Mravinsky conducts the Leningrad Philharmonic at the Leningrad Conservatory hall (if I'm not mistaken). This is the 4th concluding movement of Shostakovich's Symphony no. 5.

Ophélia e Fernando Pessoa, in "Mensagem" de Luis Vidal Lopes




"O meu destino pertence a outra Lei, de cuja existência a Ophelinha nem sabe...", escreveu Fernando Pessoa numa carta a Ophélia Queiroz.
Excerto do filme "Mensagem", dirigido e montado por Luis Vidal Lopes, estreado no cinema S.Luiz, em Lisboa, no dia 13 de Junho de 1988 e baseado no livro homónimo de Fernando Pessoa. Argumento e texto de Manuel Gandra e Luis Vidal Lopes. Poemas, cartas e textos originais de Fernando Pessoa. Fotografia de Manuel Costa e Silva. Produção de Cristina Hauser. Filipe Ferrer no papel de Fernando Pessoa. Cristina Hauser no papel de Ophélia.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

A CANELA CURA


TEL AVIV - O professor israelense Michael Ovadia transformou um trauma infantil em pesquisa de sucesso. O pivô da reviravolta é a canela, aparentemente mais do que um tempero. Segundo Ovadia, a erva aromática pode ajudar a combater uma das doenças mais misteriosas da atualidade, o Mal de Alzheimer, que afeta 18 milhões de pessoas no mundo. Há mais de 50 anos, Ovadia quase foi desclassificado num concurso de conhecimentos de Bíblia ao esquecer a resposta a uma pergunta: que ingredientes formavam o óleo sagrado usado pelos sacerdotes do Templo Sagrado de Salomão? Na última hora, se lembrou da lista, cujo ingrediente mais conhecido é a canela. Acabou tirando um respeitado segundo lugar, mas o episódio nunca saiu de sua cabeça.

Anos depois, já um renomado pesquisador do departamento de Zoologia da Faculdade de Ciências da Vida da Universidade de Tel Aviv, Ovadia decidiu pesquisar porque os israelenses antigos usavam esse óleo para limpar os artefatos sagrados do Templo e proteger seus sacerdotes de doenças causadas pelo contato com sangue devido ao sacrifício de animais. Aos poucos, foi descobrindo que a canela é capaz de neutralizar vários tipos de vírus e infecções. Mas qual não foi sua surpresa ao ousar pesquisar a eficiência da erva na inibição dos chamados oligômeros: conglomerados de proteína beta-amiloide, abundante no cérebro dos doentes de Alzheimer e acusados de causarem perda de memória em mais de 50% dos idosos com mais de 85 anos.

Ovadia liderou e um grupo de pesquisadores formado pelos professores Ehud Gazit, Daniel Segal, Dan Frankel, Anat Frydman Maor e Aviad Levin, conseguiu extrair uma substância líquida da canela que é capaz de inibir o acúmulo progressivo de agregados neurotóxicos do peptídeo beta-amiloide (A-beta) no cérebro dos indivíduos afetados. E mais do que isso: o grupo descobriu que o extrato de canela também é capaz de dissolver as chamadas fibrilas de beta-amiloides, cujo acúmulo no cérebro mata neurônios em pacientes com Alzheimer.

O estudo foi publicado na revista científica PloS ONE em janeiro e causou tanto impacto que a Universidade de Tel Aviv, que entrou com pedido de patente do extrato de canela, já deu permissão para que uma empresa privada desenvolva e distribua remédios à base de canela.

A canela, obtida da parte interna do tronco da caneleira, uma árvore nativa do Sri Lanka, já foi uma das especiarias mais valiosas do mundo. Na Idade Média, seu valor chegou a superar 15 vezes o do ouro. O motivo era seu uso não só como tempero saboroso e aroma inconfundível para fins espirituais, mas também por seus poderes medicinais. Seus compostos (acetato de cinamilo, álcool de cinamilo e cinnamaldehyde) se unem à sua composição mineral (fibra, ferro, cálcio e magnésio) para curar males.

Além dos israelenses, outras culturas milenares apontam a canela como um santo remédio. Citações do uso da erva são datadas de 4000 AC. Os egípcios a usavam para conservar a comida e como analgésico. Os chineses, contra diarreia, gripes, resfriados, indigestão e repelente de mosquistos. Na Índia, os poderes antibactericidas, antioxidantes, anti-inflamatórios e antifúngicos da erva a transformaram num dos principais compostos mediciais. Mas, até hoje, há pouca prova científica de tudo isso.

- Um dos poucos estudos concretos quanto ao poder da canela é o que provou que ela inibe o helicobater pylori, a bactéria que causa a úlcera duodenal - conta Michael Ovadia. - Mas muitas civilizações usavam ervas, plantas e outras produtos naturais contra males. O que eles usavam instintivamente, nós começamos a provar cientificamente.

Hoje, estudos apontam para os possíveis benefícios do tempero no combate a pressão alta, diabetes, herpes, acne, reumatismo, perda de memória, infecções urinárias e até mesmo alguns tipos de câncer. Funcionaria também como um anticoagulante natural indicado para mulheres grávidas e até mesmo como afrodisíaco.

A GUERRA CONTINUA

Emprego mais perigoso do mundo




Trabalhadores que constroem um caminho de madeira do lado de uma enorme montanha na China estão demonstrando coragem em um dos empregos mais perigosos do mundo.



A cada dia eles trabalham em condicões precárias no projeto milhares de metros acima do chão sabendo que um escorregãozinho pode ser o último.

O caminho de madeira, na montanha de Shifou, na província de Hunan, terá cerca de 3,2 km quando estiver pronto e será o mais longo deste tipo na China.

A passagem estreita é sustentada por suportes de madeira que ficam em buracos que os trabalhadores primeiro perfuram na face do penhasco.

A maioria dos construtores cresceu nas montanhas e alega que o trabalho vem naturalmente a eles.

"Os jovens não querem esse trabalho, pois significa que temos de ficar nas montanhas durante meses, às vezes até anos. Mas eu não sinto que é tão diferente de qualquer outro trabalho. Não é tão perigoso quanto as pessoas pensam. Você usar as cordas, e então tudo está bem", contou Yu Ji, de 48 anos, que trabalha nas alturas há mais de dez anos.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Rogel Samuel - O mundo esquecido


O mundo esquecido

Rogel Samuel

O mundo esquecido é o dos sonhos. Um mundo morto, porto para o mar desconhecido. Sonho sempre que estou perdido, que não sei voltar, ou que não há um veiculo que me traga de volta a mim mesmo. Sonho que estou em rua escura, desconhecida. Pressinto perigosa.
Mas nada me acontece porque eu me protejo no despertar. Perco as origens, o casulo, o lar. Somo as encostas, as aventuras, marcas de minha dimensão, link perdido.

CONVITE




A magnífica reitora da Universidade Federal do Amazonas, professora doutora Márcia Perales Mendes Silva, juntamente com a diretora da Editora da Universidade Federal do Amazonas, professora doutora Iraildes Caldas Torres, em parceria com o Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas, com o Conselho Indigenista Missionário e com o Museu Amazônico, têm a honra de convidá-lo (a) para os lançamentos dos livros:



“Povos Indígenas Isolados na Amazônia: a luta pela sobrevivência”, do antropólogo e professor Lino João de Oliveira Neves e do historiador Guenter Francisco Loebens e

“Amazônia dos Viajantes”, dos professores Almir Diniz de Carvalho Júnior e Nelson Matos de Noronha



Onde: IGHA (Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas)

Rua Bernardo Ramos, 117 – centro antigo de Manaus

Quando: 22 de junho (quarta-feira)

Horas: a partir das 18 horas





Evaldo Ferreira

Assessor de Comunicação e Eventos8134-9960

WILZA CARLA

Wilza Carla morre aos 75 anos em São Paulo




Atriz ficou famosa por ter sido jurada do programa de Silvio Santos nos anos 80

Do R7.

A atriz e humorista Wilza Carla morreu, aos 75 anos, na madrugada deste domingo (19) em São Paulo. Internada desde o dia 17 deste mês, a ex-vedete sofria do coração e tinha diabetes, além de problemas de saúde que comprometiam sua locomoção.

Seus dois principais papéis de destaque na TV foram como jurada do Show de Calouros apresentado por Silvio Santos nos anos 80, no SBT, e como a excêntrica Dona Redonda, da novela Saramandaia, da Globo, exibida em 1976.

O enterro da atriz acontece no Cemitério do Caju, no Rio de Janeiro. A atriz vivia sob os cuidados de sua filha Paola.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Casal de lésbicas se casa no Nepal‏


Casal de lésbicas se casa no Nepal‏

A saga dos dias




Rogel Samuel

Uma batida de automóvel na rua. Acorda-me. Agora não. Já tudo passou. Já o silencio, os pássaros raros, a tristeza morta. Sim morta. A vida não é nem alegre nem triste, a vida é algo desconhecido. Valioso e frágil. Estou numa fase de poucos contatos com o mundo exterior, como quando se escreve um livro. Quando o livro aparece, o mundo desaparece. Uma batida de automóvel na esquina. Penso no prejuízo e na dor. Os carros não foram para bater, mas para correr. Talvez haja um demônio nessa esquina. Já morreu ali uma criança. Atropelada. Penso novamente na dor. “Compreende que o medo dos outros, que tu ressentes, é primeiramente o medo de ti próprio. Um ser pacificador, que ultrapassou as suas angústias, vai ter com os outros com serenidade”, escreveu Dugpa Rinpoche.

TEATRO AMAZONAS

MAR MORTO ESTÁ MORRENDO MESMO





Mar Morto pode acabar em quarenta anos
Águas do lago salgado diminuem um metro por ano por conta da baixa vazão do rio Jordão e extração de minerais
EFE



Foto: EFE
Mar Morto: na melhor das previsões, seu volume pode chegar a 30% do tamanho atual
O Mar Morto está morrendo. A redução em 98% do volume do Rio Jordão, que o abastece, e a exploração industrial desenfreada para extrair seus minerais ameaça fazer desaparecer uma formação única no mundo.

Leia também:
Perfuração no Mar Morto pretende desvendar mistérios científicos

Desfrutar da sensação de falta de gravidade produzida quando se flutua na água hipersalina deste balneário natural e untar o corpo com seu oleoso barro será um luxo do qual as próximas gerações não poderão gozar, segundo especialistas.

As águas do Mar Morto diminuem ao vertiginoso ritmo de um metro por ano, o que poderia fazê-lo desaparecer em apenas quatro décadas, afirmam. No entanto, outros defendem que nunca deixará de existir, graças ao fornecimento de água subterrânea, mas será reduzido até ter apenas 30% dos 625 quilômetros quadrados que ocupa agora.

Os grupos de defesa do meio ambiente denunciam que nem Israel, nem a Jordânia, nem a Autoridade Nacional Palestina fazem nada para conservar o local mais baixo do planeta (situado a 416 metros abaixo o nível do mar), famoso por suas propriedades saudáveis e cosméticas e que desfruta de uma radiação solar única e uma densidade de oxigênio maior do que o normal.

"O grande problema do Mar Morto é que não recebe mais quase nada de água do Jordão. Frente aos 1,3 bilhão de metros cúbicos ao ano que recebia nos anos 1950, agora só chegam cerca de 50 milhões", explica Mira Edelstein, porta-voz da ONG Amigos da Terra Oriente Médio.

A deterioração nas últimas décadas fez com que a parte norte e sul do grande lago salino tenham perdido completamente sua conexão. "De fato, podemos falar que resta apenas a parte norte, porque a sul são apenas piscinas industriais para a coleta de minerais", declarou.

As empresas responsáveis pelos tanques multiplicam os problemas deste lago salino sem equivalente no planeta. Além de extraírem o potássio e outros minerais, diminuindo a concentração da água, utilizam para isso as piscinas de dissecação, uma técnica bastante intensiva em água que demanda a substração do líquido da parte norte do lago.

Além disso, não limpam o sedimento que fica depositado no fundo dos tanques, o que faz aumentar seu nível 20 centímetros por ano. A consequência é que o nível de água nessa parte põe em risco a sobrevivência dos 15 hotéis de luxo situados em sua margem. "A questão dos hotéis é um sinal vermelho para as autoridades, foi o que fez com que o governo começasse a se preocupar com a situação", explica Eldestein.

O sistema judiciário do país também começou a lidar com o assunto e, na semana passada, determinou às empresas que exploram o local que retirem o sedimento acumulado há anos.

Enquanto isso, Amigos da Terra, Salvar Nosso Mar e outras organizações ambientais que lutam para conservar o lago focam sua estratégia em três aspectos. "O mais importante é reabilitar o Rio Jordão e devolver a ele parte de seu caudal, o que é possível fazer otimizando o uso de sua água. Também é preciso obrigar as empresas poluentes a limparem o que poluíram e exigir que utilizem métodos de extração menos prejudiciais, como a tecnologia de membranas", diz a ecologista.

Segundo ela, a recuperação de um terço do fluxo histórico do rio bíblico permitiria reabilitar o Mar Morto.

A terceira das estratégias é conseguir com que a Unesco declare o local Patrimônio Nacional da Humanidade, o que exigiria a aprovação de planos de gestão conjuntos. "Perder o Mar Morto seria uma catástrofe", adverte Eldestein.

Isso não significaria apenas o desaparecimento de um ecossistema único, mas também causaria sérias consequências econômicas - pela perda de um dos destinos turísticos mais importantes da região - e políticas, já que é uma fronteira entre Israel e Cisjordânia de um lado e com a Jordânia de outro.

domingo, 19 de junho de 2011

PINTURA NA AREIA


PINTURA NA AREIA

Para curar-me, o feiticeiro
pintou tua imagem
no deserto:
areia de oiro - teus olhos,
areia vermelha - a tua boca,
areia azul para os cabelos,
e branca, branca areia, para as minhas lágrimas.

Pintou durante o dia, e tu
crescias como uma deusa
sobre a imensa tela amarela.
E pela tarde o vento dispersou
tua sombra colorida.

E, como sempre, na areia
nada ficou senão o símbolo das minhas lágrimas:
areia prateada.

Poemas dos Peles-Vermelhas, mudado para português por Herberto Helder, de O Bebedor Nocturno (1968), in Poesia Toda, Assírio & Alvim, Novembro de 1990, pp. 238-239.


_________________________
Amélia Pais

http://barcosflores.blogspot.com
http://cristalina.multiply.com

quarta-feira, 15 de junho de 2011

ZEMARIA PINTO LANÇA NOVO LIVRO

Heifetz-Rubinstein-Piatigorsky Schubert trio No. 1 1st mvmt.

Mantega celebra risco menor que EUA


Mantega celebra risco menor que EUA

Por Aluísio Alves e Silvio Cascione

SÃO PAULO/BRASÍLIA (Reuters) - O custo do seguro sobre títulos soberanos do governo dos Estados Unidos com prazo de um ano superou o do Brasil, fato comemorado nesta quarta-feira pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega.

"Pela primeira vez na história, o risco Brasil é menor que o risco dos Estados Unidos", afirmou Mantega a jornalistas, referindo-se ao valor comparativo dos Credit Default Swaps (CDS), proteção contra inadimplência do emissor, dos dois países.

Na véspera, o CDS do Brasil de um ano fechou em 39,974 pontos-base, abaixo dos 40,349 pontos do norte-americano.

Nesta quarta-feira, a situação já se invertia. Às 13h10, o mesmo papel brasileiro embutia prêmio de 40,701 pontos, enquanto o dos EUA apontava 40,481 pontos.

Os CDS de cinco anos, que têm mais liquidez, apontavam para um risco maior do Brasil que dos EUA. O papel norte-americano negociava a 112 pontos-básicos, enquanto o brasileiro operava a 52,7 pontos.

Os títulos de um ano, negociados no mercado de balcão, têm baixa liquidez e, por isso, podem enfrentar variações mais fortes.

Segundo profissionais do mercado, o aumento do custo dos CDS dos EUA está relacionado ao temor de investidores de que o Congresso do país não eleve o teto de endividamento. Se os parlamentares não derem o aval, o governo norte-americano poderia ficar inadimplente em agosto.

Diante disso, o custo do seguro de dívida dos EUA de um ano mantinha-se no nível mais elevado em mais de dois anos, após o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, e o presidente Barack Obama alertarem para as consequências econômicas caso o limite de endividamento não seja ampliado.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Meu cavalo chegou



Rogel Samuel



Leio o belo soneto de Farias de Carvalho (1930-1997), o poeta amazonense, o poeta maior, tão bom quanto os maiores. Leio no "Fingidor" o soneto. Farias meu professor de literatura no colégio. Farias genial poeta:




Meu cavalo chegou


Farias de Carvalho (1930-1997)


Meu cavalo chegou (memória e nuvem),
a aurora derramada sobre a crina.
Meu cavalo chegou. Fome de tudo
estou também: engoliremos mundos.

Meu cavalo chegou. E, pressentidos,
os caminhos me espiam de suas rédeas.
Meu cavalo chegou. Há quanto tempo
gasto-me em pés e olhos nesta espera...

Meu cavalo chegou. Eu despertava
quando o vento falou-me de seus cascos
e a poeira garantiu-me sua presença.

Meu cavalo chegou. Cumprir-me-ei.
Tanta gente cansada nessas cruzes...
Meu cavalo chegou. Mortos, montai!...


Leio o belo soneto e mergulho na sua simbologia, na sua mitologia. Cavalo, signo quente, masculino, sexual. Memória e nuvem, desejos na aurora, sobre a crina. Desejo, fome de tudo, engoliremos mundos. Pressentimentos dos caminhos, de suas rédeas de virtude e de vício, de seus cascos, da poeira, da presença. Meu cavalo chegou para acordar os mortos, tema sempre constante em Farias d'Ouro de Carvalho, tanta gente morta, tanta gente cansada nessas cruzes. O ponto é aqui. A vida contra a morte. O cavalo contra a poeira esquecida do caminho...

Corrida pelo ouro toma conta dos esgotos de Bagdá



Situação ilustra os maiores problemas que ainda existem na economia do Iraque, que tem 40% da força de trabalho desempregada


The New York Times |



Bem abaixo das oficinas de um desgastado bairro de venda de joias de Bagdá, homens desempregados passam seus dias vasculhando o sistema de esgotos da cidade em busca da única coisa que dizem poder trazer-lhes algum dinheiro: flocos de ouro.



Várias vezes por mês, homens desesperados por alguma renda descem mais de 20 metros no escuro em busca de pedaços de ouro que tenham caído no ralo de artesãos quando eles limpavam sua mesa após um dia de trabalho na criação e reforma de joias. Com uma lanterna na mão e uma máscara para ajudar com o mau cheiro, eles passam horas vasculhando a lama espessa, colhendo com as mãos descobertas qualquer pedaço de ouro.


Foto: The New York Times
Iraquiano busca pedaços de ouro no Rio Tigre, em Bagdá
Em um bom dia, os homens dizem recolher o suficiente para ganhar cerca de US$ 20 de uma fundição, que vende blocos de ouro reconstituído de volta para os mesmos joalheiros cujos ralos alimentam os desempregados. "Porque é nojento e sujo, eu não digo a minha família o que eu faço. Eu estou envergonhado", disse Mohammad Ali Freji, 30 anos.

Freji está entre um grupo de cerca de uma dúzia de homens que buscam ouro dessa maneira diariamente. Sua situação ilustra os maiores problemas que ainda existem na economia do Iraque, oito anos após a invasão dos Estados Unidos. Apesar dos bilhões de dólares gastos pelos americanos e outros estrangeiros para tentar reconstruir a infraestrutura do país e sua economia, ainda há poucos empregos, com cerca de 40% da força de trabalho desempregada ou dependente de trabalho de meio período.

Mas o bairro de joias é o único lugar onde a riqueza chega, literalmente, das lojas de joias para os esgotos. "Agradeço a Deus por tudo que temos. É uma coisa pequena que ninguém se preocupa, mas significa muito para mim", disse Abbas Abdul-Razzaq, 30 anos, que vasculha os esgotos em busca de ouro.

Os homens vasculham cerca de oito esgotos, uma vez por mês. Quando não estão no subsolo, eles varrem as ruas do bairro em busca de pó de ouro em pó criado no processo de montagem de joias. Os homens recolhem pontas de cigarro, embalagens de comida e sujeira de dentro e fora das lojas. Então, ao lado de um barco enferrujado nas margens do Rio Tigre, eles usam a água para filtrar o lixo até que suas panelas estejam cheias de pó de ouro e pequenos pedaços do metal precioso.

“Os donos das lojas de ouro trabalham com o material e, em seguida, limpam e lavam as mãos e os pedacinhos caem pelo ralo", disse Freji. "Os flocos de ouro ficam colados nos esgotos, mas a poeira vai com a água para o rio”.

Ventos de até 150km assustam Manaus





Ventos de até 150 quilômetros por hora derrubaram postes, árvores, muros, placas e provocaram inundações em grande parte de Manaus na noite deste domingo.

Alguns bairros, como parte do Japiim II, ficaram sem energia durante quatro horas, O serviço de Internet banda larga também deixou de funcionar na cidade durante a tempestade .

Em frente ao Condomínio Nossa Senhora de Fátima, na Avenida Paraiba, duas árvores cairam e Corpo de Bombeiros teve que utilizar motosserras para desobstruir a avenida para o trânsito.

A maioria dos sinais deixou de funcionar por falta de energia e alguns acidentes foram registrados. Mas a surpresa ficou por conta da ausência dos azuizinhos, os agentes de trânsito da prefeitura de Manaus e os motoristas tiveram que se aventurar , aumentandoo risco de acidentes nas

ruas da cidade.


No bairro Aleixo, a energia foi interrompida por volta das 19h15 . "O serviço de atendimento da Eletrobrás Amazonas Energia parou de funcionar e a luz só retornou na madrugada de hoje, às 02h30".

No Conjunto Jardim Petrópolis, no bairro homônimo, os ventos vieram como um 'furacão', de acordo com a jornalista Beth Menezes. "Ouvimos um barulho alto e muito estranho. Quando vimos, todo o telhado da cozinha voou e foi quebrado. Vou ter um grande prejuízo", contou a moradora da

Avenida Marginal. "O telhado do meu vizinho parece não ter sofrido impactos, mas uma tampa de caixa d'água atingiu o teto da casa", completou. Na praça do conjunto, na mesma via, várias árvores tombaram com a força do vento. Ninguém ficou ferido. A energia também foi interrompida e

voltou somente às 02h de hoje. O Corpo de Bombeiros foi ao local por volta das 20h.

No bairro Japiim II, uma casa teve o portão eletrônico aberto pela força do vendaval. "Estava voltando para casa quando começou a chuva. Tivemos a impressão mesmo de tratar-se de um furacão. Quando chegamos, vimos o portão aberto. Dos males o menor, já que não poderíamos entrar

em casa, pois a entrada é eletrônica e estávamos sem luz na região", contou um morador, que preferiu não se identificar.

Em parte da Cidade Nova, o estrago não foi grande, mas a interrupção de energia causou transtornos. "Nos preparávamos para dormir quando houve a interrupção. Graças a Deus, a luz voltou por volta das 22h", afirmou o industriário Carlos Antônio Pereira.



O Amazonas Shopping apresentou uma rachadura de aproximadamente 1,5 metro em seu segundo piso ontem, dia 12, por volta das 20h30 no momento do vendaval. O dentista Apoena Barbosa estava no centro de compras e viu a fenda. "Os seguranças isolaram uma loja que estava com

goteiras. Vi uma rachadura ali perto, mas não havia riscos para os clientes", contou.

DALAI LAMA NA AUSTRALIA


O líder religioso tibetano dalai-lama se reúne com o líder de oposição Tony Abott no parlamento de Camberra, na Austrália

domingo, 12 de junho de 2011

UBUNTU






UBUNTU

A filósofa Lia Diskin, no Festival Mundial da Paz, em Floripa (2006),

nos presenteou com um caso de uma tribo na África chamada Ubuntu.
Ela contou que um antropólogo estava estudando os usos e costumes da tribo e,

quando terminou seu trabalho, teve que esperar pelo transporte que o levaria

até o aeroporto de volta pra casa. Sobrava muito tempo, mas ele não queria catequizar os membros da tribo; então, propôs uma brincadeira pras crianças, que achou ser inofensiva.

Comprou uma porção de doces e guloseimas na cidade, botou tudo num cesto

bem bonito com laço de fita e tudo e colocou debaixo de uma árvore.

Aí ele chamou as crianças e combinou que quando ele dissesse "já!",

elas deveriam sair correndo até o cesto, e a que chegasse primeiro ganharia

todos os doces que estavam lá dentro.

As crianças se posicionaram na linha demarcatória que ele desenhou no chão

e esperaram pelo sinal combinado. Quando ele disse "Já!", instantaneamente

todas as crianças se deram as mãos e saíram correndo em direção à árvore com o cesto.

Chegando lá, começaram a distribuir os doces entre si e a comerem felizes.

O antropólogo foi ao encontro delas e perguntou porque elas tinham ido todas juntas

se uma só poderia ficar com tudo que havia no cesto e, assim, ganhar muito mais doces.

Elas simplesmente responderam:

"Ubuntu, tio. Como uma de nós poderia ficar feliz se todas as outras estivessem tristes?"

Ele ficou desconcertado! Meses e meses trabalhando nisso, estudando a tribo,

e ainda não havia compreendido, de verdade,a essência daquele povo.

Ou jamais teria proposto uma competição, certo?

Ubuntu significa: "Sou quem sou, porque somos todos nós!"

Atente para o detalhe: porque SOMOS, não pelo que temos...


UBUNTU PARA VOCÊ!





José Graziano da Silva - A bastilha da exclusão





(*) Artigo publicado originalmente no jornal Valor

Crises funcionam como uma espécie de tomografia na vida dos povos e das nações. Nos anos 80, por exemplo, o fim do ciclo de alta liquidez escancarou a fragilidade de um modelo de crescimento adotado por inúmeros países da América Latina e Caribe ancorado em endividamento externo. Nos anos 90, a adesão ao cânone dos mercados auto-reguláveis expôs a economia a sucessivos episódios de volatilidade financeira que desmentiram a existência de contrapesos intrínsecos ao vale tudo do laissez-faire. O custo social foi avassalador.

A crise mundial de 2007-2008, por sua vez, evidenciou a eficácia de uma ferramenta rebaixada nos anos 90: as políticas de combate à fome e à pobreza, que se revelaram um importante amortecedor regional para os solavancos dos mercados globalizados.

O PIB regional per capita recuou 3% em média em 2009 e o contingente de pobres e miseráveis cresceu em cerca de nove milhões de pessoas. No entanto, ao contrário do que ocorreu na década de 90, quando 31 milhões ingressaram na miséria, desta vez o patrimônio regional de avanços acumulados desde 2002 não se destroçou.

Abriu-se assim um espaço de legitimidade para a discussão de novas famílias de políticas sociais, desta vez voltadas à erradicação da pobreza extrema.

No Brasil, a intenção é aprimorar o foco das ações de transferência de renda, associadas a universalização de serviços essenciais e incentivos à emancipação produtiva. Espera-se assim alçar da exclusão 16,2 milhões de brasileiros (8,5% da população) que vivem com menos de R$ 70,00 por mês.

A morfologia da exclusão nos últimos anos indica que o êxito da empreitada brasileira- ou regional - pressupõe, entre outros requisitos, uma extrema habilidade para associar o combate à miséria ao aperfeiçoamento de políticas voltadas para o desenvolvimento da pequena produção agrícola. Vejamos.

A emancipação produtiva de parte dessa população requer habilidosa sofisticação das políticas públicas.

Apenas 15,6% da população brasileira vive no campo. É aí, em contrapartida, que se concentram 46% dos homens e mulheres enredados na pobreza extrema - 7,5 milhões de pessoas, ou 25,5% do universo rural. As cidades que abrigam 84,4% dos brasileiros reúnem 53,3% dos miseráveis - 8,6 milhões de pessoas, ou 5,4% do mundo urbano.

Portanto, de cada quatro moradores do campo um vive em condições de pobreza extrema e esse dado ainda envolve certa subestimação. As pequenas cidades que hoje abrigam algo como 11% da população brasileira constituem na verdade uma extensão inseparável do campo em torno do qual gravitam. Um exemplo dessa aderência são os 1.113 municípios do semi-árido nordestino, listados como alvo prioritário da erradicação da miséria brasileira até 2014.

Nos anos 90, a cada dez brasileiros, quatro eram miseráveis. Hoje a proporção é de um para dez. O ganho é indiscutível. Mas o desafio ficou maior: erradicar a miséria pressupõe atingir a bastilha da exclusão que no caso do Brasil tem uma intensidade rural (25,5%) cinco vezes superior à urbana (5,4%).

O cenário da América Latina e Caribe inclui relevo semelhante com escarpas mais íngremes. Cerca de 71 milhões de latinoamericanos e caribenhos são miseráveis que representam 12,9% da população regional, distribuídos de forma igual entre o urbano e o rural: cerca de 35 milhões em cada setor. A exemplo do que ocorre no Brasil, porém, a indigência relativa na área rural, de 29,5%, é mais que três vezes superior a sua intensidade urbana (8,3%), conforme os dados da Cepal de 2008.

Estamos falando, portanto, de um núcleo duro que resistiu à ofensiva das políticas públicas acionada na última década. Desde 2002, 41 milhões de pessoas deixaram a pobreza e 26 milhões escaparam do torniquete da miséria na América Latina e Caribe. Essa conquista percorreu trajetórias desiguais: declínios maiores de pobreza e miséria correram na área urbana (menos 28% e menos 39%, respectivamente) em contraposição aos do campo (menos 16% e menos 22%).

Uma visão de grossas pinceladas poderia enxergar nesse movimento uma travessia da exclusão regional em que a pobreza instaura seu predomínio na margem urbana, enquanto a maior incidência da miséria se consolida no estuário rural e na órbita dos pequenos municípios ao seu redor.

A superação da miséria absoluta é possível com a extensão dos programas de transferência de renda aos contingentes mais vulneráveis. Mas a emancipação produtiva de parte desses protagonistas requer habilidosa sofisticação das políticas públicas. A boa notícia é que o núcleo duro rural inclui características encorajadoras: os excluídos tem um perfil produtivo, um ponto de partida a ser ativado. Os governos, por sua vez, tem experiências bem sucedidas a seguir. Entre elas, a brasileira, a exemplo do crédito do Pronaf, e das demandas cativas que incluem o suprimento de 30% da merenda escolar e as Compras de Alimentos da Agricultura Familiar, implantadas nos últimos anos. Não por acaso, a pobreza extrema no campo brasileiro caiu de 25% para 14% entre 2002 e 2010 e a renda do agricultor familiar cresceu 33%, três vezes mais que a média urbana nesse mesmo período.

O Paxiúba





O Paxiúba

Rogel Samuel



De onde vem o bugre Paxiúba que aparece em O AMANTE DAS AMAZONAS? Creio que vem da própria literatura amazonense, Ramayana de Chevalier ou Raymundo de Moraes. Eu teria de refazer os passos que dei, naquela época, as leituras que fiz. Seria uma tarefa exaustiva, mas belíssima, reler aquilo tudo, mergulhar no fundo da floresta, nos seus furos e igarapés ignotos. Um mundo perdido, o do rio Juruá.

O escritor Flavio Bittencourt fez uma postagem magnífica sobre esse personagem no Entre-textos.



(Foto de Xíxaro)

sexta-feira, 10 de junho de 2011

terça-feira, 7 de junho de 2011

Morre Jorge Semprún




O escritor e ex-ministro da Cultura da Espanha Jorge Semprún morreu nesta terça-feira.

O escritor e ex-ministro da Cultura da Espanha Jorge Semprún morreu nesta terça-feira em Paris, informou a imprensa espanhola, citando familiares e fontes do Ministério.

Jorge Semprún era considerado uma testemunha excepcional do século XX. Nasceu em Madri, mas passou grande parte da vida em Paris, onde residia.

Membro da resistência francesa durante a ocupação nazista, foi detido e enviado a um campo de concentração. Sobreviveu ao Holocausto e agiu na clandestinidade contra o Franquismo pelo Partido Comunista. Depois da morte de Franco foi ministro de Cultura, durante o governo socialista de Felipe González.

No cinema, destacou-se com roteiros como o elaborado para o filme "Z" de Costa-Gravas.

Tinha 87 anos e construiu sua obra literária com base nas lembranças de sua juventude, em especial do período em que ficou preso em um campo de concentração alemão. Boa parte de sua obra foi escrita em francês.

Sua experiência de vida marcaram algumas de suas principais obras literárias como "A Grande Viagem", centrada em seus dias como membro da Resistência francesa.

O RIO BRANCO SUBIU 10 METROS

VULCÃO


Brasília - As cinzas do vulcão chileno Puyehue chegaram ontem ao sul da província argentina de Buenos Aires e devem chegar hoje (7) à capital da Argentina, segundo o Serviço de Metereologia Nacional (SMN). Buenos Aires está a mais de mil quilômetros do fenômeno natural, no Sul do Chile. O vulcão Puyehue, que forma parte da cadeia Puyehue-Cordón Caulle, perto da fronteira com a Argentina, entrou em erupção no sábado (4), e grandes nuvens de fumaça podiam ser vistas de longe.

O Conselho Provincial de Emergências (CPE) solicitou aos moradores de cidades afetadas que tomem precauções, como o uso de máscaras para evitar problemas respiratórios. A agência de aviação civil da Argentina determinou o fechamento do aeroporto de Bahia Blanca durante três dias. As principais companhias aéreas suspenderam até quinta-feira (8) os voos de Buenos Aires para a região da Patagônia.

“As cinzas foram registradas hoje [ontem, 6] nas províncias de Mendoza e La Pampa e avançaram entrando também na cidade de Bahia Blanca, na província de Buenos Aires. Elas vão continuar seu curso e esperamos que a nuvem passe sobre a capital federal”, disse o gerente do SMN, Luis Rosso.

Segundo ele, a tendência é que as cinzas vulcânicas percam a força e cheguem “quase imperceptíveis” à cidade de Buenos Aires.

A Secretaria de Transportes do governo argentino informou que foi organizado um comitê de crise para definir os próximos passos junto com o Serviço de Meteorologia, a Aviação Civil e companhias áreas, entre outros envolvidos. O objetivo é informar, a cada duas horas, a situação dos aeroportos e dos voos.

A nuvem de cinzas atingiu fortemente as localidades argentinas de Bariloche, Villa Angostura e San Martín de los Andes, que tiveram casas e avenidas cobertas por fuligem. Por precaução, as aulas foram suspensas e, no caso de San Martín de los Andes, autoridades locais determinaram o racionamento de água e de energia elétrica e pediram que as pessoas ficassem dentro de suas casas.

No Chile, a possibilidade de chuva na região do complexo vulcânico, prevista pelo serviço de meteorologia, preocupou autoridades locais que temem novos movimentos das cinzas do fenômeno natural. “Se chover existe a possibilidade de avalanche [do vulcão]”, disse o prefeito da região dos Ríos, Juan Andrés Varas. É nessa região que fica o complexo vulcânico. Segundo ele, a previsão de chuva deverá levar à ampliação da área evacuada, forçando o deslocamento de mais moradores e turistas.

Os jornais enlouquecem


Rogel Samuel


Cada um dos 3 jornais hoje diz algo diferente e contraditório sobre o Ministro. Todos tentam - sem conseguir - enfraquecer o governo.

Palocci não tem a importância que os 3 lhe dão. O importante é criar o clima.

Esqueceram a Ministra da Cultura e colocaram Palocci em foco.

Vai continuar assim todo o governo.

Até perderem mais leitores e credibilidade.

Quem acredita no que dizem?

Drummond


Poema da Necessidade

É preciso casar João,
é preciso suportar António,
é preciso odiar Melquíades,
é preciso substituir nós todos.

É preciso salvar o país,
é preciso crer em Deus,
é preciso pagar as dívidas,
é preciso comprar um rádio,
é preciso esquecer fulana.

É preciso estudar volapuque,
é preciso estar sempre bêbedo,
é preciso ler Baudelaire,
é preciso colher as flores
de que rezam velhos autores.

É preciso viver com os homens,
é preciso não assassiná-los,
é preciso ter mãos pálidas
e anunciar o FIM DO MUNDO.

Carlos Drummond de Andrade, in 'Sentimento do Mundo'

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Amélia Pais

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segunda-feira, 6 de junho de 2011

Academia Amazonense de Letras tem duas cadeiras em disputa



NA FOTO ADERSON DUTRA E W. B. DE SALLES

Encerraram-se na semana passada as inscrições para as cadeiras 24 e 40 da Academia Amazonense de Letras, dos patronos Joaquim Nabuco e Paulino de Brito.

Pela cadeira 24, que foi ocupada pelo jurista e ex-reitor da UFAM Áderson Dutra, concorrem:

– Marilene Correa: ex-reitora da UEA, socióloga e ensaísta, autora de O Paiz do Amazonas;

– Rogel Samuel: professor aposentado da UFRJ, poeta, romancista e ensaísta, autor do Novo Manual de Teoria Literária.

Pela cadeira 40, que foi ocupada pelo cronista e agrônomo Waldemar Baptista de Salles, concorrem:

– Francisco Vasconcelos: contista e cronista, ex-presidente do Clube da Madrugada e um de seus membros mais eminentes, autor de O palhaço e a rosa;

– Isaac Sabbá Guimarães: promotor de justiça em Santa Catarina, com vasta obra de cunho jurídico, é também tradutor; é autor do livro de viagem Pelos caminhos de Israel;

– João da Silva: padre, autor de Cadernos Salesianos.

Curiosidade: todos os candidatos são amazonenses. Citei apenas um livro de cada, mas todos têm obra volumosa.

FONTE http://palavradofingidor.blogspot.com/

HOPE

NADAL

domingo, 5 de junho de 2011

OTAN CONTRA CADAFI

BOIUNA


A boiuna que foi

fotografada no quartel do Exército Brasileiro em Marabá,

Estado do Pará

foto: C. M. Rech

sábado, 4 de junho de 2011

Reflexos de uma vocação libertária









Lançado em 1963, 'Sobre a Revolução', de Hannah Arendt, que ganha nova edição no País, permanece atual ao tratar da busca da felicidade pública por meio do fim da opressão - algo verificado, por exemplo, na primavera árabe de 2011





Celso Lafer - O Estado de S.Paulo



O que é uma Revolução? O que distingue um revolucionário de um revoltado - que é um insatisfeito - e de um rebelde - que se levanta contra a autoridade? Por que um golpe de Estado, que provoca uma mudança de governo e uma ruptura da ordem jurídica, não é a expressão de uma Revolução? O que separa um reformista de um revolucionário? Por que uma mudança radical como a representada pela Revolução Industrial, que transformou a economia, ou a Revolução Feminina, que alterou os costumes da sociedade, não tem a aura da Revolução Francesa ou da Revolução Russa que foram precedidas pela violência de um movimento revolucionário?


APA pensadora alemã, em 1969: hipocrisia dos governantes que instiga a violência dos governados
Estas perguntas permanecem na agenda da discussão pública. Delas trata, esclarecendo, Hannah Arendt em Sobre a Revolução. Daí uma razão do interesse do seu livro que, em nova e cuidadosa tradução para o português de Denise Bottmann, acaba de ser publicado pela Companhia das Letras.

A primeira edição do livro, publicada pela Viking Press de Nova York, é de 1963; a segunda, revista pela autora, é de 1965. A edição de 2006, inserida nos clássicos da Penguin, contém uma importante apresentação de Jonathan Schell que integra, igualmente, esta edição da Companhia das Letras. Schell destaca a atualidade do livro sublinhando a pertinência da reflexão arendtiana para a análise da onda das revoluções democráticas posteriores à redação do livro - da Revolução dos Cravos, de Portugal, às do Leste Europeu, nos processos que levaram à derrocada da União Soviética. A elas pode-se acrescentar as da primavera árabe de 2011. Por isso, Sobre a Revolução tem uma das características de um livro "clássico" - e como tal foi qualificado pela Penguin. Com efeito, continua propiciando caminhos para o entendimento do mundo atual, não obstante ter sido concebido e redigido no distinto contexto histórico da década de 1960, caracterizado pelo confronto entre os EUA - herdeiros do legado da Revolução Americana - e a URSS - herdeira, na época, do legado da Revolução Russa.

Hannah Arendt abre o seu livro explicando que a guerra tem em comum com a revolução a presença da violência e, portanto, o problema da sua justificativa. Esta, no caso de uma Revolução, diz respeito à possibilidade de um novo início, fruto de uma aspiração trazida pelo potencial da convergência entre libertação e liberdade. Revolução não se confunde, portanto, como ela diz, com rebelião e revolta que não apontam para a instauração de uma nova liberdade. Tampouco se identifica com o golpe de Estado, que não carrega o pathos da novidade, tem a sua origem no palácio e não na praça, que é o espaço político do exercício da liberdade motivador da Revolução. A Revolução não se assemelha ao reformismo nem às mudanças substantivas mas aluvionais como as trazidas pela Revolução Industrial ou pela Revolução Feminina, pois tem como nota distintiva não apenas a mudança mas o movimento da tempestade revolucionária, de que falava Robespierre.

A Revolução vem à tona por meio da violência. Esta não a explica, assim como a mudança que não dá conta do seu significado. O fenômeno da Revolução, aponta Hannah Arendt, tem como característica "quando a mudança ocorre no sentido de criar um novo início; quando a violência é empregada para constituir uma forma de governo totalmente diferente e para gerar a formação de um novo corpo político", e "quando a libertação da opressão visa pelo menos à constituição da liberdade".

Foi a aura da Revolução Francesa que incendiou o mundo, aponta Hannah Arendt ao propor a "ideia a realizar" da coincidência entre liberdade e um novo início. Não teve precedentes históricos, pois não foi entendida e historicamente recepcionada como uma indiferenciada expressão da mudança política mas sim como algo radicalmente novo: a fundação do novus ordo saeclorum, instaurador da legitimidade do poder. O impacto da Revolução Francesa, no campo das ideias, trouxe um novo conceito de História na filosofia de Hegel. Este conceito, por sua vez, exerceu uma influência direta sobre os revolucionários dos séculos 19 e 20, que absorveram o conceito nas lições de Marx e que passaram a enxergar a Revolução com base nas categorias hegelianas, como um libertário desenlace histórico da convergência entre necessidade e violência.

O tema recorrente do livro é uma grande reflexão sobre, de um lado, a validade das aspirações de liberdade que motivaram, no mundo moderno, o fenômeno revolucionário e, de outro, as razões dos descaminhos das Revoluções. Estes descaminhos integram o tema arendtiano da ruptura - vale dizer o das descontinuidades entre o passado e o futuro, assinaladores dos desdobramentos da modernidade - pois não trouxeram a constituição da liberdade. Explicam, ao mesmo tempo, a relevância do que Hannah Arendt considera o tesouro perdido da tradição revolucionária - a da autogestão dos townhalls, dos conselhos, dos Räte, dos sovietes - pela qual, com sua vocação libertária e empenho na construção de uma comunidade política criativa e criadora, tinha apreço e afinidade

Hannah Arendt traz à colação, neste livro, a importância da Revolução Americana. Destaca que o espírito da Revolução Americana não teve o mesmo impacto no imaginário político que caracterizou a Revolução Francesa, mas realça tanto o significado desta experiência na criação de uma nova ordem quanto à densidade das teorias políticas dos seus pais fundadores, que estão na origem da República norte-americana. Esta não nasceu de uma necessidade histórica nem de um desenvolvimento orgânico, mas "de um ato deliberado empenhado na fundação da liberdade". Por isso as reflexões e as ações de John Adams, Jefferson, Hamilton, Madison ecoam nas páginas deste livro assim como as de Robespierre, Saint-Just, Condorcet, Marx e Lenin. A comparação e o contraste entre as Revoluções Americana e a Francesa tem como horizonte a preocupação arendtiana de examinar as condições da possibilidade de um mundo comum, livre da opressão e ensejador da liberdade política de participação no governo e nos assuntos públicos.

O pensamento de Hannah Arendt é denso e abrangente. Daí os riscos da simplificação da sua análise. Ciente destes riscos diria que o fulcro de Sobre a Revolução é a tese de que a busca da felicidade pública (à que não têm acesso os Homens em Tempos Sombrios para os quais o espaço público desapareceu ou encolheu) através da liberação da opressão - econômica, social, política, colonial - não leva, necessária ou automaticamente, à liberdade. Esta requer instituições políticas apropriadas, a constitutio libertatis. Sem estas instituições não se efetiva a motivação revolucionária de uma nova ordem que assegure a permanência do espaço público para o exercício da liberdade. Daí a especificidade e a autonomia da política, que não se reduz à questão social e que Hannah Arendt ilumina no seu livro através da dicotomia liberação da opressão/construção da liberdade.

Na discussão da criação de instituições políticas, Hannah Arendt elaborou, com muito engenho, o significado fundacional do poder constituinte originário e explora o papel da Constituição como a convenção que enseja a gramática da ação e a sintaxe do poder. Na análise da experiência da Revolução Americana e dos desdobramentos no tempo de sua construção institucional chama atenção para o vínculo virtuoso entre República e Federação e mostra o significado da Suprema Corte e do Senado como instâncias de autoridade distintas do exercício da ação conjunta do poder.

Tanto no mando quanto no desmando, na política sempre ocorre o enlace, entre as forças impessoais e históricas e o bom e o mau das paixões e dos sentimentos humanos. Numa Revolução, que é uma situação-limite, este enlace adquire uma intensidade própria, à qual Hannah Arendt dedica páginas de grande acuidade.

No trato das motivações que levam aos movimentos revolucionários, destaca os efeitos da hipocrisia dos governantes de regimes corruptos e prepotentes que instiga a violência dos governados. Na análise do que leva aos descaminhos revolucionários, realça a obsessão jacobina com a pureza da virtude que induz o terror revolucionário e destaca os riscos do voluntarismo na política que não leva em conta a pluralidade e a diversidade da condição humana.

Em Sobre a Revolução Hannah Arendt discute os equívocos da piedade e da compaixão promovidos pela contemplação da miséria dos deserdados. A compaixão e a piedade são incapazes de argumentação. Por isso, não dizem respeito à política e a sua intrusão neste âmbito acaba levando à destrutividade da violência. A compaixão e a piedade são sentimentos. Não são um princípio da ação como a solidariedade, que pode orientar o juízo político.

O bom e o mau que caracteriza os seres humanos - da generosidade ao ressentimento - estão presentes na vida política. Na análise desta dimensão da política, Hannah Arendt com frequência valeu-se, na sua obra, da literatura que nos dá acesso, como ela dizia citando Shakespeare, "às trevas do coração humano". Do mal absoluto na política ela tratou em Origens do Totalitarismo e em Eichmann em Jerusalém. Em Sobre a Revolução, avaliou as consequências da bondade absoluta. Instigada pela leitura de O Grande Inquisidor de Dostoievski e do Billy Budd de Melville, discute os riscos para a política da bondade absoluta - a bondade além da virtude e o mal além do vício - capaz de buscar impor, pelo terror, a virtude revolucionária. Mostra, assim, como é fundamental, na discussão do fenômeno e da motivação revolucionária, a percepção da atuação concreta dos atores políticos que os ideólogos, com as suas paixões e sentimentos e as ideologias, nas suas abstrações, não alcançam.


CELSO LAFER É PROFESSOR TITULAR DA FACULDADE DE DIREITO DA USP, MEMBRO DA ACADEMIA BRASILEIRA DE CIÊNCIAS E DA ABL. PRESIDENTE DA FAPESP, FOI MINISTRO DAS RELAÇÕES EXTERIORES DO GOVERNO FERNANDO HENRIQUE




ANIVERSÁRIO DE GARCIA LORCA





DO AMOR DESESPERADO




A noite não quer vir
para que tu não venhas,
nem eu possa ir.

Mas eu irei
nem que um sol de lacraus me devore a fronte.

Mas tu virás
com a língua queimada pela chuva de sal.

O dia não quer vir
para que tu não venhas,
nem eu possa ir.

Mas eu irei
entregando aos sapos meu cravo mordido.

Mas tu virás
pelas turvas cloacas da escuridão.

Nem a noite nem o dia querem vir
para que por ti eu morra
e tu morras por mim.


Federico García Lorca

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Amélia Pais

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Palocci nega irregularidades em aluguel de imóvel




Apartamento em que vive o ministro estaria registrado nome de empresa de fachada, diz revista


iG São Paulo | 04/06/2011 12:39

Um dia depois de falar pela primeira vez sobre a polêmica em torno de sua evolução patrimonial, o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, respondeu neste sábado à notícia de que o apartamento em que vive seria de propriedade de uma empresa de fachada. A notícia foi divulgada neste sábado, em reportagem da revista Veja.


Foto: AE Ampliar

Palocci vive em um apartamento no bairro de Moema, região nobre da capital paulista, avaliado em aproximadamente R$ 4 milhões, segundo a revista. O imóvel, diz a reportagem, está registrado em nome da empresa Lion Franquia e Participações Ltda. O texto aponta que os donos da empresa seriam Dayvini Costa Nunes, de 23 anos, com 99,5% das cotas, e Filipe Garcia dos Santos, de 17 anos, com 0,5%. Dayvini, segundo a revista, ganha salário de R$ 700 e seria apenas um laranja na operação.

Logo após a veiculação da matéria, a Casa Civil divulgou nota alegando que o imóvel foi alugado em 1º de setembro de 2007, por indicação da imobiliária Plaza Brasil, contratada pelo ministro. Segundo a nota, o contrato foi firmado "em bases regulares" entre Palocci e os proprietários, que seriam "Gesmo Siqueira dos Santos, sua mulher, Elisabeth Costa Garciam, e a Morumbi Administradora de Imóveis". Ainda segundo a Casa Civil, o contrato foi renovado em 1 de fevereiro de 2010, entre Palocci e a Morumbi Administradora de Bens, empresa que sucedeu a Morumbi Administradora de Imóveis.

De acordo com o ministério, todos os aluguéis são pagos regularmente, por meio de depósitos bancários dos quais o ministro possui todos os comprovantes. "O ministro e sua família nunca tiveram contato com os proprietários, tendo sempre tratado as questões relativas ao imóvel com a imobiliária responsável indicada pelos proprietários", prossegue a nota.

"O ministro, assim como qualquer outro locatário, não pode ser responsabilizado por atos ou antecedentes do seu locador", continua o texto. Segundo a assessoria, Palocci não prestou esclarecimentos à revista porque não foi informado sobre o teor da reportagem.

Mais tarde, o advogado de Palocci, José Roberto Batochio, disse que a reportagem é uma "temeridade" e um "despropósito", por atribuir ao inquilino responsabilidades que deveriam ser cobradas da administradora responsável pela locação do imóvel. Batochio comparou a situação de seu cliente à de um consumidor em relação ao dono do armazém onde ele faz suas compras. "Você não pode ser responsável pelos antecedentes do dono da mercearia onde adquire seus produtos de necessidade básica", afirmou. "Eu acho essa matéria um despropósito."

*Com informações da Agência Estado

BARILOCHE COBERTA DE CINZAS VULCANICAS




AIDS

A saga dos dias





Rogel Samuel


Os dias que passam. A voragem do tempo, a virada das horas, das páginas das horas da vida, da mudança de tudo.

Nós somos tempo, somos temporalidade, somos passageiros de um navio no grande e infinito oceano, nesse oceano sem destino certo, neste sem rumo do sem fim de todas as coisas.

Lembro-me da época em que estava a escrever O amante das amazonas, perdido naquele labirinto, no meio daquela selva das lembranças de um passado quem nem conheci, no meio dos índios, no meio dos Numas, oh, eu hei de escrever a continuaçao daquela saga...

sexta-feira, 3 de junho de 2011

A saga dos dias



FOTO DE ANDRE PAIVA



A saga dos dias

Rogel Samuel

Dia calmo. Hoje.

Estive com Abdias do Nascimento em Nova Iguaçu na primeira convenção do PDT, logo que o Brizola voltou do exílio. Os helicópteros sobrevoavam, provocadores. Extraordinário discurso do Brizola, no inicio:

- Eu peço aos companheiros que protegem as portas... vamos abrir os portões... vamos deixar o povo entrar... este povo já esteve excluído das decisões políticas por tantos anos...

Estavam lá todos os líderes do PDT. Foi uma festa.

FOTO DE XIXARO - CARREGADOR DO PORTO DE MANAUS

Adeus a Abdias



Sebastião Nery

RIO – O general Otávio Costa era comandante da 6ª Região Militar na Bahia. Estava em Sergipe, no fim de semana, visitando a cidade histórica de Laranjeiras, terra dos dois históricos jornalistas Paulo e Joel Silveira. Sábado, recebeu um telefone urgente de Brasília.

Era o general Otavio de Medeiros, chefe do SNI do governo Figueiredo, que acabava de assumir seu posto no palácio do Planalto: “General, segunda-feira o professor Abdias do Nascimento, líder negro, que está chegando dos Estados Unidos, vai fazer uma palestra no Centro Cultural Brasil-Alemanha, em Salvador, e lançar o Movimento de Libertação da Raça Negra. A ordem é melar.”

O general Otávio Costa já estava há dois anos na Bahia. Sabia que o Centro Cultural Brasil-Alemanha de Salvador ficava em um local pequeno, apertado, movimentado. Tentar melar seria exatamente promover. Ligou para Salvador, mandou para o local um sargento negro, do Serviço Secreto do Exercito, com a ordem de telefonar urgente. se necessário.

***
EXERCITO

Segunda-feira, 10 da manhã. Abdias do Nascimento abria sua conferência no Centro Cultural Brasil-Alemanha apinhado de escritores, professores, intelectuais de todos os setores. Todos brancos. Lá no fundo, de pé, um senhor negro. Abdias levantou-se:

- Quero começar prestando uma homenagem a meus irmãos de cor. Convido meu irmão negro, que está lá ao fundo, a presidir esta solenidade.

O sargento do Serviço Secreto do Exercito, o irmão de cor, foi e presidiu com inteira competência. Até o fim. Sem melar.

***
NEGRO

Para comemorar um 13 de maio, a revista “Veja” fez uma matéria de capa sobre os negros no Brasil. Mandou ouvir os negros mais ilustres do país: Pelé e o sortilégio de seus pés; Grande Otelo, o menino mais encantado que já nasceu nestas terras de Santa Cruz.

Ouviu também Abdias do Nascimento, o líder consciente que mostrou aos seus irmãos que discriminação racial não é literatura, é economia mesmo; Ruth de Souza, a atriz maravilhosa que jamais negociou a cor; Raimundo Souza Dantas, embaixador da nova política brasileira na África, no governo Janio; Luísa Maranhão, a divina atriz. E outros.

***
NUNES FREIRE

No Congresso, “Veja” mandou ouvir o deputado José Camargo, líder negro da baixada santista (MDB), e o deputado Nunes Freire, do Maranhão, depois governador, simpático senhor acaboclado, nítido representante da bela mistura do negro com o índio, formado pela Escola de Medicina da Bahia. Nunes Freire fez o anti-racismo:

- Não falo, não posso responder. Não sou negro, sou um amazônida.

Abdias, que o conhecia desde os tempos da Bahia, ficou sabendo:

- O que é isso, Nunes? Soube de sua resposta à “Veja”. Não existe isso. Raça é branco, negro. Amazônida não é raça. Só se for peixe-boi.

***
LIDER

A morte no Rio do jornalista, teatrólogo, escritor, artista plástico, cineasta, professor, ex-senador Abdias do Nascimento, deixou o Brasil sem seu mais importante e atuante embaixador da negritude nacional Ainda bem que viveu 97 anos, quase um século, e teve tempo de ver que valeram a pena suas lutas de décadas em defesa dos negros e suas causas.

Nascido em Franca (SP) em março de 1914, em 1936, plena ditadura Vargas, com apenas 22 anos já se rebelava contra o racismo e era preso, por negar-se a entrar pela porta dos fundos, por ser negro, em uma boate paulista. Economista pela universidade do Rio, fundou em 1944 o Teatro Experimental do Negro onde estreou sua primeira peça em maio de 1945.

Foi um dos organizadores da Convenção Nacional do Negro, no Rio e em São Paulo, que propôs à Constituinte de 1946 a definição da discriminação racial como crime de lesa-pátria. Foi também um dos organizadores do primeiro Congresso do Negro Brasileiro, em 1950.

***
ESTADOS UNIDOS

Com o golpe militar de 1964, exilou-se nos Estados Unidos, onde foi professor conferencista da “School of Drama” na Universidade de Yale e professor visitante da “Wesleyan Center of the Humanities”. Entre 70 e 82, foi professor da universidade de Nova York e diretor do Centro de Estudos Portorriquenhos da mesma universidade, da qual foi professor emérito.

Sua longa experiência internacional ajudou-o a criar instrumentos de luta contra o racismo no Brasil como o Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros na PUC São Paulo. Já como deputado (PDT) em de 83 a 86 e senador de 91 a 92 e 97 a 99, criou o feriado de 20 de novembro como dia Nacional da Consciência Negra, homenagem a Zumbi dos Palmares.

Amigo morto é uma luz sempre, na beira da estrada. Adeus, Abdias.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

A saga dos dias








Rogel Samuel

Há muito tempo não escrevo esta Saga dos dias. Era – e ainda é – um diário on-line. Não tem tema. Propósito. Vale dizer, é um exercício de escrita. Como o pianista precisa exercitar-se diariamente, o escritor precisa escrever. Vale mais quando tem algo a dizer. Hoje nada sei, nada sigo, como no meu antigo poema:

Não posso reter os teus traços
Nem as notas de teu tema
Pois tua música se esquece
Como as vozes do poema
Da paixão, que mais um traço
Foi do azul de minha pena,
E quando te vir já será garço
O repique da tua cena
e o afastado abraço...
(oriunda onda a que cerca de aço
me levarão tuas algemas?)

quarta-feira, 1 de junho de 2011

A boa poesia




Rogel Samuel

Estamos no Brasil, mas não conseguimos almoçar no Bar Brasil, tão cheio. Nenhuma mesa. Fomos ao Nova Capela, aonde não íamos desde os anos 70. O mundo não passou, nesses lugares centenários. Nós, sim. Não mais encontramos o Válter e outros mortos. Nem os poetas daquela época. A poesia que naquela época se publicava em papel mimeógrafo. Alguns faziam um verdadeiro livrinho no mimeógrafo. Mas a poesia era boa. Tinha o sabor de algo proibido e revolucionário. A poesia dos excluídos, marginais e malditos. A boa poesia.

Descoberta estátua do faraó Amenhotep III, avô de Tutancâmon






Arqueólogos egípcios e europeus localizaram a estátua do faraó durante escavações na cidade de Luxor
EFE | Foto: EFE


A estátua do faraó Amenhotep III foi descoberta em um templo funerário na cidade de Luxor

Uma grande estátua do faraó Amenhotep III (1352-1390 a.C.), pai de Aquenaton e avô de Tutancâmon, foi descoberta durante escavações em um templo funerário deste monarca em Luxor, no sul do Egito.

O Ministério de Estado para as Antiguidades anunciou nesta terça-feira em comunicado que uma delegação de arqueólogos egípcios e europeus localizou uma estátua na margem ocidental de Luxor.

A peça representa o rei sentado e vestido, com coroa e barba reais.

Os arqueólogos encontraram o corpo do faraó separado de sua cabeça em um dos corredores do templo, que foi destruído por um terremoto no período romano.