domingo, 10 de julho de 2011

O MAR AZUL


O MAR AZUL

Rogel Samuel

O mar azul.
Volto de Copacabana, onde o vi. O mar, aquele mar azul.
«Vontade de cantar, mas tão absoluta, que me calo, repleto», escreveu Drummond ao vê-lo. Ao vê-lo belo. E azul. Tão azul.
O problema do mar, de sua beleza, é que sua beleza é infinita, é azul, azul profundo.

Oh, sim, estamos, entramos no Verão.Voltemos ao Verão. Que venha o verão. Como no início dos "Cantos", Ezra Pound diz:

E pois com a nau no mar,
Assestamos a quilha contra as vagas
E frente ao mar divino içamos vela
No mastro sobre aquela nave escura,
Levamos as ovelhas a bordo e
Nossos corpos também no pranto aflito,
E ventos vindos pela popa nos
Impeliam adiante, velas cheias,
Por artifício de Circe,
A deusa benecomata.

Que mar é esse? Este é o mesmo mar de Ulisses, o mesmo mar de Pessoa, de Camões, que canta:

Já no largo Oceano navegavam,
As inquietas ondas apartando;
Os ventos brandamente respiravam,
Das naus as velas côncavas inchando;
Da branca escuma os mares se mostravam
Cobertos, onde as proas vão cortando
As marítimas águas consagradas,
Que do gado de Próteo são cortadas

Desconhecido embora, um poeta amazonense, Sebastião Norões, escreveu, há décadas, em 1956, um soneto perfeito, exemplar, único, sobre o mar. Seu título, «Mar da memória»:
Eu quero é o meu mar, o mar azul.
Essa incógnita de anil que se destrança
em ânsias de infinito e me circunda
em grave tom de inquietude langue.
O mar de quando eu era, não agora.
Quando as retinas fixavam tredas
a incompreensível mole líquida e convulsa.
E o pensamento convidava longes,
delimitava imprevisíveis rumos
viagens de herói e de mancebo guapo.
Quando as distâncias fomentavam sonhos.
Rebenta em mim essa aspersão tamanha
que a imagem imatura concebeu
de quando o mar era meu, o mar azul.

No verão, o brilho intenso, os ares claros, as nuvens brancas. O calor é pegajoso, pecaminoso.
Quando jovem, morava perto do Arpoador. Domingos de sol, festivos, de verão extremo.
O sol ficando forte, vem a vida, as canções. O metalizado brilho do passado estandartiza, nos ares, as claras visões dos cânticos do sol. É o verão do mar, que para o amor se vai abrir. Quando amar se espera. E o mar, o mar azul, «essa incógnita de anil que se destrança / em ânsias de infinito e me circunda / em grave tom de inquietude langue».

É langue todo verão, e assim esqueço, me esqueço, penso que ainda jovem. Me lembro dos dias de verão do Pier. Quem tem sonhos não morre. «O mar de quando eu era, não agora. / Quando as retinas fixavam tredas / a incompreensível mole líquida e convulsa. / E o pensamento convidava longes.»
O mar convida longes. Atravessa o longe, a linha, o afastado horizonte. Delimitando «imprevisíveis rumos / viagens de herói e de mancebo guapo.»
Naquele tempo, acampávamos nas praias desertas, e em desertas praias amávamos.
Um dia, em Búzios, um grande e luxuoso barco ancorou na praia onde acampávamos, na noite de Reveillon. De longe podíamos ver mulheres elegantes, os garçons, as champanhas. Fogos de artifícios. Ao nascer do sol, alguns vieram, num bote menor, até a praia. Algumas mulheres, de vestidos longos e brancos, ainda com as jóias, jogaram-se no mar. Outras, completamente nuas. Era a Era de 60, onde tudo se permitia, mesmo o ser feliz, nas « marítimas águas consagradas, / que do gado de Próteo são cortadas. »
E «nossos corpos também no pranto aflito, / E ventos vindos pela popa nos / Impeliam adiante, velas cheias». Sim, sim. « Por artifício de Circe, / A deusa benecomata.»

Norões nasceu no dia 7 de março de 1915, em Humaitá, Rio Madeira, Amazonas. Mas estudou em Fortaleza, daí sua fixação no Mar. Aos 18 anos voltou para Manaus, fez Faculdade de Direito. Foi meu professor no Colégio Estadual. Chefe de Polícia do Estado, onde protegeu o comunista Jorge Amado. Era professor de Geografia.
A geografia do Mar.
Quando éramos jovens, Norões foi nosso professor e Mestre. Posso vê-lo, atrás das baforadas de cigarro. As lentes grossas. Norões impressionava, carismático, culto. Nunca pensei que faria sua “apresentação”, anos mais tarde, quando escrevi um prefácio para a segunda edição de seu livro «Poesia Freqüentemente», de 1956. E é uma surpresa sempre que releio seu livro, sua poesia está mais viva ali, sua poesia é azul, lá onde o horizonte mergulha. E desponta.

O mar azul.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Rogel Samuel: Qualquer que seja a chuva desses campos



Frio. Dias escuros, chuvosos e frios. Mas a Primavera virá. O sol vai luzir no céu.

Rogel Samuel: Qualquer que seja a chuva desses campos

Há um soneto de Jorge de Lima que releio sempre, que não me canso de lembrar e que assim canta:

“Qualquer que seja a chuva desses campos
devemos esperar pelos estios;
e ao chegar os serões e os fiéis enganos
amar os sonhos que restarem frios.

Porém se não surgir o que sonhamos
e os ninhos imortais forem vazios,
há de haver pelo menos por ali
os pássaros que nós idealizamos.

Feliz de quem com cânticos se esconde
e julga tê-los em seus próprios bicos,
e ao bico alheio em cânticos responde.

E vendo em torno as mais terríveis cenas,
possa mirar-se as asas depenadas
e contentar-se com as secretas penas”.

Jorge de Lima, Invenção de Orfeu - Canto I – XXVI


Se tudo estiver bem, lembre-se de que tempos piores podem advir: “Qualquer que seja a chuva desses campos / devemos esperar pelos estios”. E quando a época ruim chegar, devemos contentar-nos com os sonhos. O poeta está sendo pessimista, espera os danos futuros. Pensa em não conseguir o amor sonhado, imortal: “Porém se não surgir o que sonhamos / e os ninhos imortais forem vazios, / há de haver pelo menos por ali / os pássaros que nós idealizamos”.

Feliz de quem com cânticos se esconde
e julga tê-los em seus próprios bicos,
e ao bico alheio em cânticos responde.

E vendo em torno as mais terríveis cenas,
possa mirar-se as asas depenadas
e contentar-se com as secretas penas.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

LADRÃO ROUBA PICASSO E SAI DE TAXI


Um homem roubou um desenho de Pablo Picasso de uma galeria de San Francisco e fugiu de táxi. A obra, chamada "Tete de Femme", está avaliada em R$ 250 mil.

Um funcionário da galeruia Weinstein disse ao jornal "San Francisco Chronicle" que o desenho é uma peça "original e única". Picasso fez "Tete de Femme" em 1965.

Siga o iG Cultura no Twitter

O policial Albie Esparza disse: "Esperamos que alguém possa reconhecer o desenho se vir o ladrão andando por aí com a obra ou tentar vendê-la". "Não sabemos se foi algo premeditado ou se ele apenas viu uma oportunidade de cometer o roubo", completou o policial.

"Tête de Femme" (Cabeça de Mulher) tem tamanho aproximado de uma folha de papel. Fazia parte de uma coleção do motorista de Picasso, maurice Bresnu, e que foi comprado pela galeria no ano passado, disse o presidente da Weinstein, Rowland Weinstein.

Segundo explicou, se trata do primeiro grande roubo da galeria, precisamente em uma área onde repousam outras peças de pequeno tamanho de artistas como Marc Chagall, Salvador Dalí e Joan Miró.

Por outro lado, apontou Sharon Flescher, historiadora da arte da Fundação Internacional da Pesquisa da Arte, a venda do quadro será prejudicada. "Uma vez que o roubo é divulgado, é muito difícil colocar no mercado uma peça de Picasso ou de alguém tão conhecido", explicou

NAS OLIMPIADAS DE LONDRES


Os filmes mudos de Alfred Hitchcock - agora remasterizados - serão exibidos no próximo Verão, em Londres, com nova orquestração. A revisita prende-se com as comemorações dos Jogos Olímpicos.

terça-feira, 5 de julho de 2011

DISCURSO DE POSSE DE JOAQUIM NABUCO





Discurso de Posse

Discurso pronunciado na Sessão inaugural da Academia Brasileira de Letras, em 20 de julho de 1897, na qualidade de Secretário Geral.

Meus Senhores,

Uma vez que conversávamos sobre os nossos estatutos achei ousado darmos, como tranqüilamente se propunha, o título de perpétuo ao nosso secretário; pensava eu então no constrangimento do nosso colega a quem tocasse lançar aquele soberbo desafio ao nosso temperamento. Não imaginava estar falando em defesa própria. A primeira condição de perpetuidade é a verossimilhança, e o que tentamos hoje é altamente inverossímil. Para realizar o inverossímil o meio heróico é sempre a fé; a homens de letras que se prestam a formar uma Academia, não se pode pedir fé; só se deve esperar deles a boa-fé. A questão é se ela bastará para garantir a estabilidade de uma companhia exposta como esta a tantas causas de desânimo, de dispersão e de indiferentismo. Se a Academia florescer, os críticos deste fim de século terão razão em ver nisso um milagre; terá sido com efeito um extraordinário enxerto, uma verdadeira maravilha de cruzamento literário.

A nossa formação não passará incólume; seremos acusados de nos termos escolhido a nós mesmos, de nos termos feito Imortais e em número de quarenta. Se não tivéssemos quadro fixo, receávamos não ser uma companhia. Tendo-o, se fôssemos menos de quarenta, como não se diria: “A Academia Francesa, que é a Academia Francesa, e se reúne em Paris, donde ninguém quer sair, precisa ter quarenta membros para trabalhar, e entre nós, onde ninguém se reúne, no Rio de Janeiro, donde se vive em Paris, julgamos poder ter só vinte, ou trinta?” Se fôssemos mais, estais ouvindo o tom de desdém: “A França, que é a França, só tem quarenta acadêmicos, e nós, que não temos quase literatura, temos a pretensão de ter cinqüenta.” O número de quarenta era quase forçado, por que não dizê-lo? tinha a medida do prestígio, esse quê simbólico das grandes tradições, o cunho do primi capientis: as proporções justas de qualquer criação humana são sempre as que foram consagradas pelo sucesso. Não tomamos à França todo o sistema decimal? Podíamos bem tomar-lhe o metro acadêmico. Nós somos quarenta, mas não aspiramos a ser os Quarenta.

Quanto à escolha própria, como podia ser evitada? Nenhum de nós lembrou o seu próprio nome; todos fomos chamados e chamamos a quem nos chamou... Houve uma boa razão para nos reunirmos ao convite do Sr. Lúcio de Mendonça; é que, exceto essa, só havia outra forma de apresentação: a oficial. Não seria decerto mais inspirada, e não podia ser tão ampla, a nomeação por decreto, e uma eleição pública havia de ressentir-se da cor local. De qualquer modo que se formasse a série dos primitivos, a origem seria imperfeita; resultariam iguais injustiças. Não temos de que nos afligir: todas as Academias nasceram assim. Que era a Academia Francesa quando a Richelieu ocorreu insuflar-lhe o seu gênio, associá-la à sua missão? Era uma reunião de sete ou oito homens de espírito em Paris. E as Academias, as Arcádias todas do século passador? Qualquer pretexto é bom para nascer... Não se deve inquirir das origens. Quando a vida aparece, é que o inconsciente tomou parte na concepção, e com a vida vem a responsabilidade, que enobrece as origens as mais duvidosas. Quem nos lançará em rosto o nosso nascimento, se fizermos alguma coisa; se justificarmos a nossa existência; criando para nós mesmos uma função necessária e desempenando-a? Acaso tem o ator que provar ao público o seu direito de existir? Não basta a emoção que desprende de si e faz passar por todos nós? E o pintor, o escultor, o poeta? Não basta a obra?

Na formação do primeiro quadro era preciso atender à proporção de ausentes. A Europa exerceu sempre sobre a imaginação dos nossos homens de letras uma atração perigosa. Houve, talvez, tempo em que Magalhães, Gonçalves Dias, Porto-Alegre, Odorico Mendes, João Francisco Lisboa, Sales Torres-Homem, Maciel Monteiro, Gomes de Sousa, Varnhagen, Joaquim Caetano, Pereira da Silva, podiam ter formado uma Academia Brasileira em Paris. Isso vinha de trás, e continua hoje com mais força. Bem poucos dos nossos homens de letras recusariam em qualquer tempo um desterro para longe do país. Há felizmente muito entre nós, quem de coração, de sentimento, pela imaginação, pelo espírito, por todo o prazer de viver, prefira o quadro, o aspecto, a sensação do nosso torrão brasileiro a todos os panoramas d'arte da Europa. Para se ser assim tão sincero, tão definitivamente brasileiro, - em alguns isso vem de uma reação natural contra o egoísmo estético - parece, a julgar pelo nosso confrade, o autor da Retirada da Laguna, que o melhor é ter tido no sangue a inoculação da própria arte européia. Como quer que seja, foi preciso contar com essa migração certa do talento nacional, com esse tributo que ele pagou sempre a Paris.

Havia também que atender à representação igual dos antigos e dos modernos... Uma censura não nos hão de fazer: a de sermos um gabinete de antigualhas. A Academia está dividida ao meio, entre os que vão e os que vêm chegando; os velhos, aliás sem velhice, e os novos; os dois séculos estão bem acentuados, e se algum predomina é o que entra; o século XX tem mais representação entre nós do que o século XIX. Quanto a mim, já tomei o meu partido... Uma vez me pronunciei entre os dois e como o fiz no livro de uma jovem senhora do nosso patriciado, pedir-lhe-ei licença para reproduzir, creio que nos mesmos termos, essa minha última profissão de fé. “Nascido, dizia eu, em uma época de transição, prefiro em tudo, arte, política, religião, ligar-me ao passado que ameaça ruína do que ao futuro que ainda não tem forma.” É apenas, como vedes, uma preferência; resta-me ainda muita simpatia pela quimeras que disputam umas às outras o toque da vida e muita curiosidade pelas invenções e revelações iminentes. Eu não sou o poeta do quadro de Gleyre, vendo a barca das ilusões perdidas, dourada pelo crepúsculo da tarde, e abismado no seu próprio isolamento. o coração, que é a parte fixa de nós mesmos, está em mim voltado para o céu estrelado, para a cúpula de verdades imortais, de princípios divinos, que sucede ao trabalho, aos esforços, às ardentes decepções do dia. Oh!.., meus senhores, é quando a vida para, que se tem a plenitude do viver. Ao contrário de tudo o mais, a vida, falo da vida intelectual, não é o movimento; é a parada do espírito, a absorção, a dilatação infinita do pensamento em um só objeto, em um só gozo, em uma só compreensão. Quieta non movere. Serei talvez um velho imaginário; é o meio de não ser um jovem imaginário. Há na vida uma coisa que não se deve fingir: - é a mocidade.

Devo confessar-vos que assim pensada, com uma ou outra lacuna, das quais algumas se explicam pela recusa dos escolhidos, e com uma exceção apenas, a nossa lista de nomes parece representar o que as nossas letras possuem de mais distinto. Algumas das nossas individualidades mais salientes nos estudos morais e políticos, no jornalismo e na ciência, deixaram de ser lembradas... A literatura quer que as ciências, ainda as mais altas, lhe dêem a parte que lhe pertence em todo o domínio da forma. Outros nomes, estes literários, estão ausentes, alguns, porém, renunciaram às letras. Devo dizer que compreendo a omissão destes: a uma Academia importa mais elevar o culto das letras, o valor do esforço, do que realçar o talento e a obra do escritor. Decerto, deixamos ao talento a liberdade de se apagar. Alguém fez uma bela obra? Admiremos a obra e deixemos o autor viver como toda gente; não o forcemos, querendo que se exceda a si mesmo, a refazer-se, uma e mais vezes, a viver da sua reputação, diminuindo-a sempre. Não o condenemos a sério, deixemo-lo desaparecer na fileira, depois de ter feito uma brilhante ação como soldado. A altivez do talento pode consistir nisso mesmo, em não diminuir. É a primeira liberdade do artista, deixar de produzir; não, porém, renunciar a produzir; repelir a inspiração, abdicar o talento, deixar a imaginação atrofiar-se. Isso é desinteressar-se das suas próprias criações anteriores, as quais só podem viver por essa cultura literária, que perdeu para ele toda a primazia.

Não há em nosso grêmio omissão irreparável; a morte encarrega-se de abrir nossa porta com intervalos mais curtos do que o gênio ou o talento toma para produzir qualquer obra de valor. Nós, os primeiros, seremos os únicos acadêmicos que não tiveram mérito em sê-lo, quase todos entramos por indicação singular, poucos foram eleitos pela Academia ainda incompleta, e nessas escolhas cada um de nós como que teve em vista corrigir a sua elevação isolada, completar a distinção que recebera; só dora em diante, depois que a Academia existir, depois de termos uma regra, tradições, emulação, e em torno de nós o interesse, a fiscalização da opinião, a consagração do sucesso, é que a escolha poderá parecer um plebiscito literário. Nós de fato constituímos apenas um primeiro eleitorado.

As Academias, como tantas outras coisas, precisam de antiguidade. Uma Academia nova é como uma religião sem mistérios: falta-lhe solenidade. A nossa principal função não poderá ser preenchida senão muito tempo depois de nós, na terceira ou quarta dinastia dos nossos sucessores. Não tendo antiguidade, tivemos que imitá-la, e escolhemos os nossos antepassados. Escolhemo-los por motivo, cada um de nós, pessoal, sem querermos, eu acredito, significar que o patrono da sua Cadeira fosse o maior vulto das nossas letras. Foi assim, pelo menos, que eu escolhi a Maciel Monteiro. Nesse misto de médico poeta, de orador diplomata, de dandy que vem a morrer de amor, elegi o pernambucano. A lista das nossas escolhas há de ser analisada como um curioso documento autobiográfico; está aí o sentido da minha. Entretanto, como nenhum de nós preocupou-se de escolher a maior figura de nossas letras, pode ser que algumas delas não figurem nesse quadro. Teremos meio de reparar essa falta com homenagens especiais. Restam apenas cinco cadeiras: já não há lugar para entrarem juntos Alexandre de Gusmão, Antônio José, Santa Rita Durão, São Carlos, Mont'Alverne, José da Silva Lisboa, Porto-Alegre, Sales Torres-Homem, José Bonifácio, o avô e o neto, Antônio Carlos, J. J. da Rocha, Odorico Mendes, Ferreira de Meneses.

Basta essa curta história de nossa formação para se ver que não podemos fazer o mal atribuído às Academias pelos que não querem na literatura sombra da mais leve tutela, do mais frouxo vínculo, do mais insignificante compromisso. É um anacronismo recear hoje para as Academias o papel que elas tiveram em outros tempos, mas se aquele papel fosse ainda possível, nós teríamos sido organizados para não o podermos exercer. Se percorrerdes a nossa lista, vereis nela a reunião de todos os temperamentos literários conhecidos. Em qualquer gênero de cultura somos um México intelectual; temos a tierra caliente, a tierra templada e a tierra fría... Já tivemos a Academia dos Felizes; não seremos a dos Incompatíveis, mas na maior parte das coisas não nos entendemos. Eu confio que sentiremos todo o prazer de concordarmos em discordar; essa desinteligência essencial é a condição da nossa utilidade, o que nos preservará da “uniformidade acadêmica”. Mas o desacordo tem também o seu limite, sem o que começaríamos logo por uma dissidência. A melhor garantia da liberdade e independência intelectual é estarem unidos no mesmo espírito de tolerância os que vêem as coisas d'arte e poesia de pontos de vista opostos. Para não podermos fazer nenhum mal basta isso; para fazermos algum bem é preciso que tenhamos algum objetivo comum. Não haverá nada comum entre nós? Há uma coisa: é a nossa própria evolução; partimos de pontos opostos para pontos opostos, mas, como astros que nascessem uns a leste e outros a oeste, temos que percorrer o mesmo círculo, somente em sentido inverso. Há assim de comum para nós o ciclo, o meio social que curva os mais rebeldes e funde os mais refratários; há os interstícios do papel, da característica, do grupo e filiação literária, de cada um; há a boa-fé invencível do verdadeiro talento. A utilidade desta companhia será, a meu ver, tanto maior quanto for um resultado da aproximação, ou melhor, do encontro em direção oposta, desses ideais contrários, a trégua de prevenções recíprocas em nome de uma admiração comum, e até, é preciso esperá-lo, de um apreço mútuo.

Porque, senhores, qual é o princípio vital literário que precisamos criar por meio desta Academia, como se compõe a matéria orgânica em laboratórios de química? É a responsabilidade do escritor, a consciência dos seus deveres para com sua inteligência, o dever superior da perfeição, o desprezo da reputação pela obra. Acreditais que um tal princípio limite em nada a espontaneidade do gênio? Não, o que faz é somente impor maiores obrigações ao talento. A responsabilidade não pode ameaçar nenhuma independência, coartar nenhuma ousadia; é dela, pelo contrário, que saem todas as nobres audácias, todas as grandes rebeldias. Em França, a Academia reina pelo prestígio de sua tradição; exerce sua influência pela escolha, pela convivência e pelo tom; mantém um estilo acadêmico, como toda a arte francesa, convencional, acabado, perfeito, e que só poderia parecer estreito a um gênio do Norte, como Shakespeare. Mas não é do destino da França produzir Shakespeare... Nós não temos por missão produzir esse estilo, o qual, como toda concepção intelectual, escapa à vontade e ao propósito, pode ser guardado e cultivado, mas não pode ser criado, obedece a leis de cristalização de cada idioma, à simetria de cada gênio nacional. Nós pretendemos somente defender as fontes do gênio, da poesia e da arte, que estão quase todas no prestígio, ou antes na dignidade da profissão literária... Não tenhamos tanto ciúme do gênio, o gênio há de revelar-se de qualquer modo; ele faz a sua própria lei, cria o seu próprio berço, esconde o seu nascimento, como Júpiter infante, no meio dos seus coribantes.

Além da deferência devida à companhia a que me faziam pertencer, confesso-vos que aceitei a honra que me foi feita, atraído pelo prazer de me sentir ao lado da nova geração. Cedi também, devo dizer-vos, à necessidade que sente de atividade, de renovação um espírito muito tempo ocupado na política e que de boa-fé acredita ter voltado às letras. Na Academia estamos certos de não encontrar a política. Eu sei bem que a política, ou, tomando-a em sua forma a mais pura, o espírito público, é inseparável de todas as grandes obras: a política dos Faraós reflete-se nas pirâmides tanto quanto a política ateniense no Partenon; o gênio católico da Idade Média está na Divina Comédia, como o gênio da protestante do Protetorado está no Paraíso Perdido, como o gênio da França monárquica está na literatura e no estilo dos séculos XVII e XVIII...

Nós não pretendemos matar o literato, no artista, o patriota, porque sem a pátria, sem a nação, não há escritor, e com ela há forçosamente o político. Até hoje, apesar do cristianismo, que trouxe o sentimento de uma comunhão mais vasta, o gênio nada fez fora da pátria ou, pelo menos, contra a pátria. A pátria e a religião são em certo sentido cativeiros irresgatáveis para a imaginação, condições do fiat intelectual. Compreendeis o artista grego que em réplica a Ésquilo esculpisse o Persa? Ou o poeta francês que depois de Sedan cantasse o Alemão? A política, isto é, o sentimento do perigo e da glória, da grandeza ou da queda do país, é uma fonte de inspiração de que se ressente em cada povo a literatura toda de uma época, mas para a política pertencer à literatura e entrar na Academia é preciso que ela não seja o seu próprio objeto; que desapareça na criação que produziu, como o mercúrio nos amálgamas de ouro e prata. Só assim não seríamos um parlamento.

Disse-vos, porém, que vim seduzido pelo contato, eu quisera que se pudesse dizer o contágio, dos moços. Como as diferentes idades da vida se compreendem mal uma a outra! - é a observação que vou fazendo à medida que caminho. Asseguro-vos que não suspeitava do que é a vista da mocidade tomada da outra margem da vida... Os que envelhecem não compreendem mais o valor das ilusões que perderam; os jovens não dão valor à experiência que ainda não têm. Há dois climas na vida, o passado e o futuro. A Academia, como o nobre romano, tem a sua villa dividida em casa de verão e em casa de inverno. Podeis habitar uma ou outra, conforme o vento soprar. Eu direi somente a todos os novos espíritos ambiciosos de abrir caminho para a glória: não receiem a concorrência dos mais velhos; sejam jovens e hão de romper tão naturalmente, como os rebentos da primavera rompem a casca da árvore rugosa. Basta a mocidade, se for verdadeiramente a vossa própria mocidade que expressardes, para vos dar o nome.

O escritor que chegou à madureza é, só por isso, o representante de um estado do espírito que preencheu o seu fim. Não há mocidade perpétua, o vosso privilégio está garantido... Quando se fala da mocidade perpétua de um escritor, como Molière, por exemplo, não se quer dizer que não envelheceu, mas que o fundo de verdade humana que ele recolheu e exprimiu continua a ser sempre verdadeiro. Não é que o escritor ou a obra guardasse a sua deliciosa frescura; é que a humanidade, sempre jovem, se reconheceu a si mesma sob os traços de outra época e acha em vê-los o mesmo prazer, se não maior! - do que em sua imagem atual. Eu leio em Elisée Reclus: “Acima da sua grande queda o São Francisco possui formas particulares de peixes inteiramente diversas das que vivem abaixo; o invencível precipício separou as duas faunas.” Não tenhais medo da concorrência... estais acima da grande queda. Uma advertência, porém. Às vezes não são as gerações somente que envelhecem uma após outra; sente-se também envelhecer a raça. A manhã torna-se então incrivelmente curta, como nos trópicos, e o perfume da mocidade cada vez mais inapreensível ao calor do sol que se levanta. “Não há que se apressar nas coisas eternas”, é uma dessas admiráveis frases do grande místico inglês. Não vos apresseis em compor a obra que há de conservar para vós mesmos a essência de vossa mocidade.

Eu li há pouco umas páginas, na Biblioteca de Buenos Aires, assinadas pelo General Mitre, a quem sinceramente admiro; a idéia é que a literatura hispano-americana não produziu ainda um livro. Que livro, diz ele, se tomaria para uma viagem, - eu acrescentarei, para o exílio? Senhores, hoje nenhum de nós se contentaria com um livro; um livro em poucos dias está lido e não gostamos de reler -; para uma viagem de dias precisamos levar uma biblioteca... Numa página sedutora, Emile Gebhart pintava ultimamente Cícero, condenado à morte, fazendo esperar a liteira em que se podia salvar, por não saber que livro levasse consigo para os longos instantes da proscrição... Nós podemos compreender-nos na sentença de Mitre: não tivemos ainda o nosso livro nacional, ainda que eu pense que a alma brasileira está definida, limitada e expressa nas obras de seus escritores; somente não está toda em um livro. Esse livro, um extrator hábil podia, porém, tirá-lo de nossa literatura... O que é essencial está na nossa poesia e no nosso romance. O livro é uma vida; em um livro deve estar o homem todo, e nós não sabemos mais fundir o caráter na obra, sem o que não pode haver criação. Em um certo sentido toda criação é, se não um suicídio, uma larga e generosa transfusão do próprio sangue em outras veias. Temos pressa de acabar. Estamos todos eletrizados; não passamos de condutores elétricos, e o jornalismo é a bateria que faz passar pelos nossos corações essa corrente contínua... Se fôssemos somente condutores, não haveria mal nisso; que sofrem os cabos submarinos? Nós, porém, somos fios dotados de uma consciência que não deixa a corrente passar despercebida de ponta a ponta, e nos faz receber em toda a extensão da linha o choque constante dessas transmissões universais...

Esperemos que a Academia seja um isolador, e que do seu repouso, da sua calma, venha a sair o livro em que o General Mitre vê o sinal da força, da musculatura literária... Eu pela minha parte não sei que ópera não daria por uma só frase de Mozart ou de Schumann; trocaria qualquer livro por uma dessas palavras luminosas que brilham eternamente no espírito como estrelas de primeira grandeza... A obra de quase todos os grandes escritores resume-se em algumas páginas; ser um grande escritor é ter uma nota sua distinta, e uma nota ouve-se logo; de fato, ele não pode senão repeti-la.

A principal questão ao fundar-se uma Academia de Letras brasileira é se vamos tender à unidade literária com Portugal. Julguei sempre estéril a tentativa de criarmos uma literatura sobre as tradições de raças que não tiveram nenhuma; sempre pensei que a literatura brasileira tinha que sair principalmente do nosso fundo europeu. Julgo outra utopia pensarmos em que nos havemos de desenvolver literariamente no mesmo sentido que Portugal ou conjuntamente com ele em tudo que não depende do gênio da língua. O fato é que, falando a mesma língua, Portugal e Brasil têm de futuro destinos literários tão profundamente divididos como são os seus destinos nacionais. Querer a unidade em tais condições seria um esforço perdido. Portugal, decerto, nunca tomaria nada essencial ao Brasil, e a verdade é que ele tem muito pouco, de primeira mão, que lhe queiramos tomar. Uns e outros nos fornecemos de idéias, de estilo, de erudição e pontos de vista, nos fabricantes de Paris, Londres ou Berlim... A raça portuguesa, entretanto, como raça pura, tem maior resistência e guarda assim melhor o seu idioma; para essa uniformidade de língua escrita devemos tender. Devemos opor um embaraço à deformação que é mais rápida entre nós; devemos reconhecer que eles são os donos das fontes, que as nossas empobrecem mais depressa e que é preciso renová-las indo a eles. A língua é um instrumento de idéias que pode e deve ter uma fixidez relativa; nesse ponto tudo precisamos empenhar para secundar o esforço e acompanhar os trabalhos dos que se consagrarem em Portugal à pureza do nosso idioma, a conservar as formas genuínas, características, lapidárias, da sua grande época... Nesse sentido nunca virá o dia em que Herculano, Garrett e os seus sucessores deixem de ter toda a vassalagem brasileira. A língua há de ficar perpetuamente pro indiviso entre nós; a literatura, essa, tem que seguir lentamente a evolução diversa dos dois países, dos dois hemisférios. A formação da Academia de Letras é a afirmação de que literária, como politicamente, somos uma nação que tem o seu destino, seu caráter distinto, e só podes ser dirigida por si mesma, desenvolvendo sua originalidade com os seus recursos próprios, só querendo, só aspirando a glória que possa vir de seu gênio.

15 milhões de pessoas correm risco de fome na Europa





15 milhões de pessoas correm risco de fome na Europa

Um regulamento aprovado pela Comissão Europeia corta 80% da ajuda alimentar para os pobres. A Federação Europeia dos Bancos Alimentares apela ao Conselho Europeu. Apelo foi apoiado por Conselho Internacional Geral de São Vicente de Paulo, Comunidade de Santo Egídio e Caritas Italiana. De acordo com as estatísticas europeias, 43 milhões de pessoas estão em risco de pobreza alimentar, ou seja não podem pagar uma refeição adequada a cada dois dias.

Esquerda.net


A Comissão Europeia aprovou no dia 10 de junho o Regulamento 562/2011, que reduz o programa europeu de ajuda alimentar de 500 milhões de euros para 113 milhões, um corte de 77,4%. A Federação Europeia dos Bancos Alimentares (FEBA) lançou um apelo ao Conselho Europeu de ministros da Agricultura a que chegue a um acordo sobre novas formas de financiamento.

Segundo a FEBA, em 2010 a sua rede “cobriu 40% dos alimentos fornecidos pelo Programa Europeu. Os 240 bancos alimentares distribuíram 360 mil toneladas de alimentos para associações caritativas e serviços sociais em 21 países europeus. Por sua vez, as organizações de caridade distribuíram alimentos para pessoas indigentes, tais como pacotes ou refeições. 51% desses suprimentos vieram do Programa Europeu, a outra parte de doações de empresas e colectas locais. Se nada for feito, esta decisão levará a uma grave crise”.

A FEBA lembra em comunicado que, de acordo com as estatísticas europeias, 43 milhões de pessoas estão em risco de pobreza alimentar, ou seja não podem pagar uma refeição adequada a cada dois dias.

A FEBA salientando que “o alimento é a base da vida e é um direito humano fundamental”, refere que “a aplicação desta decisão poderá reforçar a percepção de uma Europa tecnocrática que não se preocupa com o destino das pessoas”.

CAOS URBANO NO CENTRO DE MANAUS - ESTILO ASIÁTICO

PALESTRA DE MÁRCIO SOUZA

segunda-feira, 4 de julho de 2011

TESOURO DO MARAJÁ ENCONTRADO

Índia encontra tesouro milionário no porão de templo hindu



Índia encontra tesouro milionário no porão de templo hindu



Autoridades da Índia encontraram um tesouro de valor incalculável no porão de um templo hindu no estado de Kerala.

Acredita-se que o montante de ouro, prata e pedras preciosas, guardadas em quatro câmaras no subsolo do templo, foi enterrado por marajás da dinastia que governava a região ao longo do tempo.

A abertura do subsolo do templo de Sree Padmanabhaswamy, construído no século 16, foi autorizada pela Suprema Corte da Índia, que temia pela segurança do tesouro.

Embora peritos insistam que não é possível avaliar o valor da descoberta, estimativas extraoficiais falam em até US$ 500 milhões (cerca de R$ 780 milhões).

Os descendentes da dinastia de Travancore, que por séculos governou a região e perdeu todos os poderes após a independência da Índia, em 1947, entraram na Justiça para ficar com as peças, mas o processo foi rejeitado.

O atual marajá (que não é reconhecido oficialmente), Uthradan Thirunaal Marthanda Varma, tem sido o responsável pela manutenção do templo. O governo irá administrar o local a partir de agora.

Disputa
Até o momento, apenas duas das quatro câmaras foram abertas. Calcula-se que o tesouro estava intocado há mais de um século.

Um grupo de sete pessoas, entre arqueólogos, representantes do governo e da família Travancore, participou da abertura das câmaras. A localização e o tamanho do tesouro eram assunto de lendas na região.

Um dos membros do grupo, Anand Padmanaban, disse que "há peças do século 18". Por causa da quantidade, "não foi possível contá-las, então estão pesando" o tesouro.

A querela judicial que culminou na descoberta do tesouro teve início após um advogado local questionar a propriedade do templo por parte dos descendentes da dinastia Travancore.

Os Travancore se consideram servos de Padmanabhaswamy, divindade a quem o templo é dedicado, que seria um dos aspectos do deus Vishnu, um dos mais importantes no hinduísmo.

Por isso, os membros da família teriam guardado suas riquezas no subsolo do templo.

O marajá Uthradan Thirunaal Marthanda Varma afirma que tem o direito de controlar o templo por causa de uma lei especial indiana, decretada após a independência, que dava a posse do local ao então líder da dinastia.

No entanto, o pedido de Marthanda foi rejeitado, já que, atualmente, marajás são considerados cidadãos comuns no país.

domingo, 3 de julho de 2011

A invenção da santa


A invenção da santa

Rogel Samuel

A leitura do excelente livro de Almir Diniz, “O pitoresco e o hilariante na imprensa” (São Paulo, Scortecci, 1997) me trouxe a lembrança de um caso ou lenda que se contava há muito tempo de famoso repórter amazonense que inventou uma santa.
Ele estava precisando de um furo para assegurar o seu lugar no jornal e por isso resolver inventar uma notícia espetacular: foi a um subúrbio de Manaus, encontrou uma velhinha pobre que morava sozinha num casebre, deu-lhe um dinheirinho e lhe disse:
- Minha senhora, a senhora diz que viu uma santa!
- Que santa?
- Uma santa sobre aquela árvore no quintal...
- Mas eu não vi nada!
- Mas diga que viu, diga que viu, para quem aparecer por aqui a senhora tem de dizer que viu, e juro que vou ajudar a senhora.
- Mas...
- Combinado?
- Está bem, está bem, disse a inocente e boa velhinha, que ganhou mais umas moedinhas.
No dia seguinte apareceu a manchete: “Santa misteriosa aparece e cura velhinha”. E a matéria se estendia numa intrigante aparição luminosa de uma dama vestida de branco.
O pior veio depois.
Imediatamente após a notícia começou a aparecer muita gente na casa da velha, com doentes trazidos de longe, aleijados de muleta, cegos, crianças, maridos traídos, meninas em busca de noivos, desempregados em busca de emprego, vendedores ambulantes... enfim um espetáculo alimentado diariamente pelo jornal.
Mas a polícia foi acionada, outros jornais apareceram e a coisa ficou feia e perigosa.
Não adiantou o repórter desmentir dizendo que foi uma brincadeira.
Pois pessoas chegavam ao local e gritavam e desmaiavam, choravam e caíam de joelhos no chão, pois clamavam que estavam vendo, estavam vendo...
E a “santa” começou realmente a ser vista por sobre a árvore e a fazer milagres.
Por pouco o repórter não perdeu o emprego.
Talvez tenha sido por um milagre da santa.

sábado, 2 de julho de 2011

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Uma gaivota radical






Uma gaivota radical
Fonte: YouTube
Um dos mais recentes vídeos virais do YouTube mostra uma gaivota a voar pelos céus de Cannes, em França, com uma câmara de filmar GoPro no bico, que terá "roubado" ao eslovaco Lukáš (conhecido no site de partilha de vídeos com opica1983). As imagens têm todos os condimentos para serem um sucesso, mas há quem desconfie da veracidade da história e acredite que tudo não passa de publicidade viral da fabricante de câmaras de filmar.

POEMA DE MARIA AZENHA

quinta-feira, 30 de junho de 2011

POSSE NA ACADEMIA DE CLEONICE BERARDINELLI

PREMIO NACIONAL


MANAUS - Cenas do cotidiano amazônico servem de inspiração para a composição das fotografias artísticas de Jimmy Christian, que venceu o 8º Salão Nacional de Fotografia ‘Pérsio Galembeck’, realizado em Araras (SP).
Com tema ‘Retratos’, o concurso irá premiar o fotógrafo amazonense pela imagem em preto e branco ‘Sem Cabeça’, produzida em 2004, no município de Boca do Acre. A premiação irá ocorrer no dia 9 de julho, no Centro Cultural Leny de Oliveira Zurita, em São Paulo.

“Recebi a notícia por telefone na manhã de terça-feira (28) que eu havia sido escolhido como grande campeão”, contou, acrescentando que o concurso reuniu 810 trabalhos de artistas de 92 cidades e 19 Estados brasileiros.

Jimmy concorreu com três fotos. As imagens selecionadas e muitas outras foram feitas também por um cientista social com olhar treinado, que enxerga e capta as peculiaridades da região. “Quando fiz ‘Sem Cabeça’ era aluno do curso de Ciências Sociais da Ufam e fotojornalista, o que me possibilitava viajar pelo interior do Estado e fazer essas imagens mais plásticas, artísticas”, comentou. As fotografias serviram, inclusive, como trabalho de conclusão de curso de Jimmy, que ganhou, também, exposição própria, a ‘Beiradão Urbano’, no Palácio da Justiça, no ano passado, por meio do Programa de Apoio às Artes (Proarte).

Nasce um fotógrafo

Com a primeira máquina fotográfica, Jimmy começou a fotografar como amador no final da década de 90. No início tendo Sebastião Salgado ‘espelho’, o Christian hoje trabalha com o conceito moderno de ‘Fine Art’. “É um estilo em voga, que garante a arte final, um produto acabado que é impresso, emoldurado e vendido para ser exposto como objeto de decoração”, explicou. Usando técnicas clássicas ou novas, o fotógrafo segue eternizando pessoas e cenários do Amazonas e mais uma vez é reverenciado com um prêmio artístico.

ARTISTA UCRANIANA

Arte de rua


Arte de rua

Artistas de rua trabalham na fachada de um edifício em Brooklyn, Nova Iorque, nos Estados Unidos. Fotografia: Lucas Jackson/Reuters

Festa no palácio


Festa no palácio

A rainha Isabel II e o príncipe Filipe, duque de Edimburgo, à entrada do Palácio de Buckingham, onde nos jardins decorreu a festa anual de Verão. Fotografia: Matt Dunham/Reuters

Mais de 20 mil pessoas participaram da procissão de São Pedro em Manaus


Mais de 20 mil pessoas participaram da procissão de São Pedro em Manaus

Às 15h30 foi o início do cortejo fluvial que reuniu cerca de 80 barcos que acompanharam a imagem de São Pedro até o porto da Panair, na zona Sul de Manaus


Cerca de 80 barcos acompanharam a procissão de São Pedro, na tarde desta quarta-feira
Cerca de 80 barcos acompanharam a procissão de São Pedro, na tarde desta quarta-feira

Cerca de 80 barcos acompanharam a procissão de São Pedro, na tarde desta quarta-feira
FOTO: Bruno Kelly/Acrítica


Cerca de 80 embarcações acompanharam a imagem do Santo até o porto da Panair

Cerca de 80 embarcações acompanharam a imagem do Santo até o porto da Panair (Bruno Kelly)

Mais de 20 mil pessoas participaram da procissão fluvial em homenagem ao padroeiro São Pedro que aconteceu nesta tarde de quarta-feira (29), em Manaus.

O início da procissão começou com percurso terrestre, com saída às 15h da Catedral Nossa Senhora da Conceição, em direção à Manaus Moderna. O percurso seguiu pela rua Marquês de Santa Cruz, descendo ao lado do mercado Adolpho Lisboa, com embarque na balsa do A Jato.

Às 15h30 foi o início do cortejo fluvial que reuniu cerca de 80 barcos que acompanharam a imagem de São Pedro até o porto da Panair, na zona Sul de Manaus. O trajeto durou duas horas. Durante percurso houve uma salva de fogos com terços comunitários e cantos em homenagem ao santo dos pescadores.

Às 18h, iniciou a celebração da missa campal em homenagem a São Pedro no Centro Cultural Zulândio, conhecido como Currão do Boi Garanhão, no bairro do Educandos

Com informações de Ana Célia e Camila Baranda

Três pessoas estão desaparecidas depois de colisão de comboios de balsas no rio madeira, no Amazonas



FOTO ANTIGA

Três pessoas estão desaparecidas depois de colisão de comboios de balsas no rio madeira, no Amazonas

Colisão entre comboio formado por empurrador e duas balsas resulta em três pessoas desaparecidas nesta terça-feira



Três pessoas continuam desaparecidas depois de uma colisão ocorrida entre um comboio formado por um empurrador e duas balsas com um tronco submerso. O acidente foi na localidade de Bela Vista, a cerca de 90 km de Humaitá, no estado do Amazonas, por volta das cinco da madrugada dessa terça-feira (28).

Em nota divulgada à imprensa, o Comando do 9º Distrito Naval informou que logo que foi acionada, a Marinha enviou uma embarcação da Agência Fluvial de Humaitá para coordenar as buscas aos desaparecidos. O trabalho é realizado juntamente com o Corpo de Bombeiros do Amazonas.

No momento da colisão, sete pessoas estavam a bordo do comboio.

Nesta quarta-feira(29), o Corpo de Bombeiros do Amazonas enviou dois mergulhadores para darem reforço ao trabalho de busca dos desaparecidos. Os dois embarcaram em um avião por volta do meio dia. A aeronave decolou do aeroporto de Ponta Pelada, zona sul de Manaus.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Elizabeth Taylor


NOVA YORK (Reuters Life!) - A renomada coleção de joias, obras de arte, moda e memorabília da atriz Elizabeth Taylor será posta à venda em uma série de leilões que começará em dezembro, anunciou a casa Christie's na quarta-feira.

Uma das últimas grandes estrelas da época áurea de Hollywood, Liz Taylor, que era conhecida tanto por sua beleza, seu apreço por diamantes, seus oito casamentos e seu trabalho como ativista contra a Aids quanto por seus filmes, morreu em Los Angeles em 23 de março, de falência cardíaca congestiva, aos 79 anos.

A Christie's disse que vai dedicar todo o espaço de sua galeria sede no Rockefeller Center a uma monumental e inusitada exposição da coleção de Taylor, que começará em 3 de dezembro e ficará no local por dez dias.

Antes dos leilões, terá início em setembro uma turnê mundial de três meses das joias, roupas, acessórios, artes decorativas e memorabília de Liz Taylor. A mostra itinerante fará escalas em Moscou, Londres, Los Angeles, Dubai, Genebra, Paris e Hong Kong.

Marc Porter, presidente da Christie's Américas, disse que as exposições vão proporcionar "uma visão do mundo de um ícone verdadeiro, uma mulher rara que foi ao mesmo tempo estrela internacional do cinema e da moda, mãe amorosa, empresária bem sucedida e humanitária generosa".

De maneira condizente com o trabalho humanitário de Taylor, uma parte da renda dos ingressos vendidos para a exposição, eventos e publicações relacionadas aos leilões será doada à Fundação Elizabeth Taylor de Combate à Aids, fundada pela atriz em 1991.

A Christie's não divulgou detalhes sobre objetos específicos que vão a leilão, nem estimativas sobre seus possíveis valores de venda, mas leilões passados de coleções de outras personalidades famosas renderam muitos milhões.

Em 1993 a venda de objetos de Jacqueline Kennedy Onassis rendeu 35 milhões de dólares para a casa Sotheby's, enquanto um leilão de bens do duque e duquesa de Windsor, realizado ao longo de nove dias, arrecadou quase 25 milhões de dólares.

A série de venda dos objetos de Liz Taylor terá leilões dedicados individualmente a joias, alta-costura, moda e acessórios, artes decorativas e memorabília da casa de Taylor em Bel Air, além de obras de arte impressionista e moderna.

A expectativa é que as joias de Taylor atraiam interesse enorme. A Christie's descreveu o leilão como "um dos eventos mais notáveis com joias na história dos leilões". Um leilão de gala na noite de 13 de dezembro será seguido por duas outras sessões em 14 de dezembro.

Consta que as joias de Taylor valiam mais de 100 milhões de dólares quando ela morreu. O espólio da atriz foi avaliado em entre 500 milhões e 1 bilhão de dólares.

Todos os leilões, excetuando o de arte, que terá lugar em Londres em fevereiro, vão acontecer em Nova York em dezembro.

A Christie's disse que também fará leilões unicamente online através da Christie's LIVE, concomitantemente com as exposições e os leilões.

FRANÇA LANÇOU ARMAS POR AVIAO




A França confirmou nesta quarta-feira que forneceu armamento aos rebeldes líbios. A notícia tinha sido adiantada pelo jornal “Le Figaro”, que deu conta do envio, por ar, de metralhadoras, lança-rockets e mísseis anti-tanque em Djebel Nafusa, a Sul da capital, Trípoli.

terça-feira, 28 de junho de 2011

A PIOR SECA EM 60 ANOS


GENEBRA - A pior seca em 60 anos no Chifre da África, no Nordeste do continente, causa uma grave crise alimentar e piora os índices de desnutrição, disse a ONU nesta terça-feira. Mais de 10 milhões de pessoas já estão sendo afetadas no Djibouti, Etiópia, Quênia, Somália e Uganda, e a situação vem se agravando, afirmou a entidade.

Um mapa produzido pela ONU para ilustrar a segurança alimentar no leste do Chifre da África mostra grandes áreas no centro do Quênia e da Somália na categoria de "emergência", apenas uma fase antes daquilo que as Nações Unidas classificam como catástrofe/fome generalizada.

- Duas temporadas chuvosas ruins consecutivas resultaram em um dos anos mais secos desde 1950/51 em muitas zonas pastorais - disse a jornalistas Elisabeth Byrs, porta-voz do Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU. - Não há probabilidade de melhora (da situação) até 2012.

Os preços dos alimentos subiram substancialmente na região, piorando a situação de muitas famílias pobres da região, disse ela.

A desnutrição infantil nas áreas mais afetadas supera 30%, o dobro do limite mínimo da emergência, e deve subir ainda mais, segundo Elisabeth. De acordo com a ONU, a mortalidade infantil também cresceu, mas não foram apresentadas cifras.

Na Somália, a seca é agravada por conflitos armados, criando uma onda de 20 mil refugiados na direção do Quênia nas últimas duas semanas, segundo informou a agência da ONU para refugiados na sexta-feira.

UFRJ

MAIS PETROLEO DESCOBERTO


A Petrobras anunciou hoje em seu site o que chamou de "principal descoberta" no pré-sal da Bacia de Campos (o pré-sal é uma região profunda de exploração de petróleo).

Segundo a estatal, foram descobertos "dois níveis de petróleo de boa qualidade no poço exploratório informalmente conhecido como Gávea". Os estudos foram feitos por um consórcio formado por Petrobras, Repsol Sinopec e Statoil.

"Esta descoberta é a principal realizada no pré-sal da Bacia de Campos", diz nota no site da Petrobras.

O poço, localizado a 190 quilômetros da costa do Rio de Janeiro, foi perfurado pelo navio sonda de última geração Stena Drillmax I, em águas de 2.708 metros e atingiu a profundidade final de 6.851 metros, disse a Petrobras.

O consórcio está analisando os resultados obtidos no poço, antes de continuar com o processo de exploração e avaliação da área.

O consórcio tem participação de 35% da Repsol Sinopec, mais 35% da Statoil e os restantes 30% da Petrobras.

As autoridades brasileiras foram informadas da existência de indícios de hidrocarbonetos no poço exploratório Gávea em março de 2011, para o primeiro nível, e em abril do mesmo ano, para o segundo nível.

A Repsol Sinopec é a companhia estrangeira líder em direitos de exploração nas Bacias de Santos, Campos e Espírito Santo, participando em 16 blocos, dos quais é operadora em seis.

SOMOS MEMBROS UNS DOS OUTROS


SOMOS MEMBROS UNS DOS OUTROS

Rogel Samuel

«Somos membros uns dos outros», dizia São Paulo aos cristãos de Efeso.
Isto é citado por Laín Entralgo, num artigo que incluímos recentemente no nosso site.
Entralgo, pensador da direita espanhola, discípulo de Ortega, sempre exerceu sobre mim sobrenatural fascínio.
Define ele a capacidade do homem de considerar-se pessoa por dois conceitos: o próprio e o alheio.
Na esfera do próprio, estabelece Laín duas diferentes esferas: o 'meu' (que define a própria estrutura do eu), e o 'em mim' (que posteriormente ele estuda na patologia).
Como a pessoa é capaz de relacionar-se com a outra? como considerar o outro como outro eu? como analisar o encontro, como estabelecer relações de amizade?
Para ele, a realidade consiste em ser 'de si' e em 'dar de si''.
A realidade se faz presente e cognoscível na impressão de realidade que a coisa oferece ao sujeito que a percebe.
O principal livro de Entralgo, raríssimo entre nós, se chama 'Teoria e realidade do outro', que só consegui ler na Biblioteca Nacional.
Nesse, ele percorre com maestria toda a filosofia ocidental desde os pré-socráticos em busca da teoria da consciência do outro, do outro como outro eu, onde a consciência de si é a consciência do outro.
Assim era em Hegel, quando o eu suprassumia a si no outro a que se opunha numa negação: eu não sou o outro.
Lain também era médico, e escreveu tratados de medicina.
Faleceu no ano passado, com cerca de 90 anos.
Essas considerações vêm antes de ler o CANTO 1, 26 de Jorge de Lima, em INVENÇÃO DE ORFEU:

Qualquer que seja a chuva desses campos
Devemos esperar pelos estios;
E ao chegar os serões e os fiéis enganos
Amar os sonhos que restarem frios.

Porém senão surgir o que sonhamos
E os ninhos imortais forem vazios,
Há de haver pelo menos por ali
Os pássaros que nós idealizamos.

Feliz de quem com cânticos se esconde
E julga tê-los em seus próprios bicos,
E ao bico alheio em cânticos responde.

E vendo em tôrno as mais terríveis cenas,
Possa mirar-se as asas depenadas
E contentar-se com as secretas penas.

Alguns poetas tiveram ou revelam alguma dificuldade de relacionar-se com o outro ('os ninhos imortais forem vazios').
'Imortal' - revela o 'felizes para sempre'.
A felicidade presente ('a chuva desses campos') atinge a solidão do futuro ('Devemos esperar pelos estios').
Sua poesia reside nisso.
Entre 'os serões e os fiéis enganos' há uma solidão sempre presente, sempre fiel, uma vocação de 'amar o perdido', o passado: 'Amar os sonhos que restarem frios'.
Os ninhos estarão vazios, e neles só os pássaros os idealizados.
A estrofe:

Feliz de quem com cânticos se esconde
E julga tê-los em seus próprios bicos,
E ao bico alheio em cânticos responde.

Marca o centro do reconhecimento de si no outro inexistente, no outro distante e impossível.
Diz esses versos: Eu me escondo nos versos que canto, canto com o fingimento do canto.

É o contentar-se descontente de si consigo mesmo, e em si.

E vendo em tôrno as mais terríveis cenas,
Possa mirar-se as asas depenadas
E contentar-se com as secretas penas.

As asas depenadas não voam, o coração não ama, as cenas ao redor são terríveis, as dores não se expressam e são secretas, os ninhos vazios, os enganos fiéis, mas a poesia de Invenção de Orfeu mantém a sua imortalidade e beleza.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

ITAMAR NA UTI


O ex-presidente e senador Itamar Franco (PPS-MG),80, foi transferido para a UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, para tratar de uma pneumonia grave, segundo boletim médico divulgado nesta segunda-feira (27).

Ele está internado em São Paulo desde 21 de maio para tratar de leucemia. De acordo com o hospital, embora esteja na UTI, o senador "apresentou ótima resposta ao primeiro ciclo de tratamento quimioterápico".

Em boletins anteriores, a equipe médica divulgou que um transplante de medula não era cogitado.

Itamar foi diagnosticado com a doença ao realizar exames devido a uma forte gripe. Ele pediu afastamento temporário de suas atividades no Senado.

Pelo regimento do Senado, o suplente de Itamar só assume a cadeira do senador se ele se afastar por um período superior a 120 dias.

Richard Gere visita templo budista na Indonésia


Richard Gere visita templo budista na Indonésia

DE SÃO PAULO

O ator Richard Gere, 61, vistou um templo budista na Indonésia nesta segunda-feira.

Acompanhado por um monge, Gere visitou o templo Borobudur, em Mageland, na província de Java.

O local é patrimônio da UNESCO e um dos maiores templos budistas do mundo.

O ator, que também é um ativista dos direitos humanos, aproveitou para meditar na companhia dos monges.


Clara Prima/France Presse

Goldberg Variations


Goldberg Variations

Rogel Samuel


Na "Ária" inicial ele faz um passeio pelas teclas do piano. Conta uma "estória", a de nossas mais antigas recordações, conta a nossa estória a nós mesmos, nos ensina a contar, a falarmos de nós mesmos, para um receptor oculto. Uma reflexão auditiva, uma argumentação instintiva, uma ária, ou seja, a música de um solitário, a música solitária, de uma só voz amante, exprime o sentimento da solidão, a cantiga do solitário, do esquecido, do ser um retrospecção de seu amor.
A primeira variação nos leva para um lugar em declive, rápido lugar, de onde voltamos para a ária inicial.
Na segunda variação alçamos o campo, onde flores e cores nos recebem e nos recompensam. Os dedos passeiam pelo teclado.
Ouço Gleen Gould, na gravação de 82, que prefiro: que é mais lenta, mais clara, mais profunda... porém mais triste.
O genial pianista perto da morte, em declínio, suas roupas eram desalinhadas, engordara, estava cada vez pessoalmente mais difícil, mais musical, menos social, pura música, a música pura.
Na gravação se pode ouvir que ele canta por trás do piano, pode-se ouvir sua voz, seus murmúrios.
Estou esperando um dia ouvir a prometida gravação do meu amigo Christopher Schindler. Ele é muito bom em Bach.
Eu o conheci na Ilha de San Juan, em Friday Harbour. Ele estudava num velho piano dos alunos de uma escola, um piano esquecido num canto de uma sala. Aproximei-me, e quando ele parou de praticar começamos a conversar. Logo estava ele falando num excelente português. Chris fala não sei quantas línguas, inclusive a linguagem musical. Foi aluno do filho do polonês Artur Schnabel, para muitos um dos maiores de todos os tempos. Pena que as gravações de Schnabel sejam tão antigas. Por exemplo a do Concerto N. 1 de Beethoven é de 1932. Mas apesar de mono, impressionante. Schnabel deixou Berlin em 33, devido ao regime nazista. A arte de Schnabel percebe-se nos discos de 78 rotações.
A origem da Goldberg Variations é famosa: O conde Count Hermann Carl von Keyserlingk, de Dresden, que frequentava Bach em Leipzig para receber aulas de composição, o conde sofria de insônia e pedia sempre a seu músico particular, de 15 anos, o prodigioso Johann Gottlieb (Theophil) Goldberg (1727-1756), que tocasse algo no quarto contíguo, para ajuda-lo a dormir. Durante uma visita em 1742, o Conde pediu a Bach que compusesse uma peça «de uma quietude calmante» para fazê-lo dormir, e Bach compôs a "Aria com 30 variações", BWV 988, que ficou conhecida posteriormente como Goldberg. O Conde, pela magnificência da obra, fazia Goldberg tocá-la todas as noites. E tão impressionado ficou pela música que retribuiu Bach com 100 luíses de ouro.

Brasileiros esnobam férias no país



Brasileiros esnobam férias no país


Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press


A queda do dólar e a estabilidade da economia aumentaram em 30% a venda de pacotes internacionais, que ficaram 10,6% mais baratos do que há um ano. Já as viagens nacionais sequer entram nos planos de muitos turistas. Sete dias em Orlando (EUA), por exemplo, custam a partir de R$ 1.980, enquanto o preço de um passeio em Porto de Galinhas (PE) chega a R$ 1.820. A estudante Ana Matoso (foto) acaba de embarcar para Londres, onde vai estudar inglês nas férias, e já prepara viagem aos Estados Unidos com a família em março. "Eu nem cheguei a pensar em viajar pelo Brasil", conta.

sábado, 25 de junho de 2011

Stephen Jay Gould


Stephen Jay Gould, o famoso cientista que se distinguiu tanto pelo estudo da evolução como pela sua defesa frente aos ataques da direita fundamentalista americana, terá sido vítima dos preconceitos que ele próprio denunciou num célebre artigo na Science e num ainda mais célebre ensaio, no livro A Falsa Medida do Homem (Quasi).

Tudo isto tem a ver com um cientista do século XIX, Samuel Morton, que reuniu uma colecção única de 1000 crânios, a inteligência e o racismo. E, claro, a integridade científica.

Gould, que morreu em 2002, questionou a integridade científica de Morton, acusando-o de ter, subtilmente - inconscientemente -, manipulado as medições que fez da capacidade craniana dos homens brancos para demonstrar que estes seriam os mais inteligentes. Isto para demonstrar que a raça branca - e o seu expoente, o homem branco - era a superior. A seguir vinham os asiáticos, os índios americanos e, no fim, os africanos.

Na altura em que Morton fez as suas experiências (a década de 1830, ainda antes da publicação de A Origem das Espécies por Charles Darwin, em 1859), quem era contra a abolição da escravatura defendia que a Humanidade não era una, mas antes que cada raça tinha sido criada em momentos distintos por Deus.

Mas um artigo publicado este mês na revista científica Public Library of Science - Biology (PLOS), acaba por pôr também em causa a integridade científica de Stephen Jay Gould - não preto no branco, mas é o que se pode aferir das conclusões dos cientistas que reconstituíram as experiências de Morton e chegaram à conclusão de que ele não terá manipulado, nem inconscientemente, as suas medições da capacidade craniana, feitas com sementes de mostarda, como dizia Gould.

E, pelo contrário, encontram indícios de que Gould é que terá sido vítima dos seus preconceitos - ou desejo de demonstrar como o racismo não tem bases científicas -, o que o levou a tratar os dados de uma forma discutível. Não o acusam de fraude no artigo, mas em entrevistas dadas a propósito do seu trabalho alguns membros da equipa têm cruzado essa linha vermelha.

Artimanhas

Morton, um médico de Filadélfia, como bom cientista, tentou substituir a especulação por factos e medições, usando a sua colecção impressionante de crânios, representando todos os grupos raciais humanos. Mas, de acordo com a crítica de Gould - que foi ao mesmo tempo biólogo, paleontólogo, historiador das ciências, ensaísta e divulgador de ciência e pensador sobre a teoria da evolução -, o trabalho de Morton é exemplar para ilustrar como "artimanhas inconscientes ou mal percebidas são provavelmente endémicas na ciência, pois os cientistas são seres humanos enraizados em contextos culturais, não autómatos que se dirigem para verdades externas", escreveu na Science, em 1978.

Gould tornou-se uma figura pública com uma enorme projecção - uma espécie de Carl Sagan para a evolução, embora tivesse algumas ideias polémicas. Mas, em termos de grande público, tornou-se uma figura incontornável, nos Estados Unidos e não só. Dele esperava-se um juízo acertado.

GRECIA

Duzentas vezes Bloclos online!


Duzentas vezes Bloclos online
- um aniversário de 200...
Ducentesima coluna de R. Samuel em Blocos online!

Em

http://www.blocosonline.com.br/home/index.php

CHAVEZ LUTA PELA VIDA


O ministro dos Negócios Estrangeiros da Venezuela, Nicolás Maduro, confirmou que o Presidente Hugo Chávez está a lutar "pela vida".

"A batalha que trava pela sua saúde é uma batalha de todos, uma batalha pela vida, pelo futuro imediato da pátria", disse o ministro à televisão venezuelana. "E isto é o que podemos dizer aos nossos compatriotas."

Hugo Chávez encontra-se hospitalizado desde o dia 10 de Junho em Havana, Cuba, onde foi submetido a uma intervenção cirúrgica. A notícia que corre em Caracas, a capital da Venezuela, é de que sofre de um cancro na próstata. Oficialmente, foi operado a um quisto pélvico.

De manhã, um jornal de Miami ligado à dissidencia cubana, o "Nuevo Herald", citando uma fonte médica, já tinha adiantado que o estado de saúde de Chavéz é "crítica".

Citando fontes dos serviços secretos norte-americanos, o mesmo jornal referia, no entanto, que não estava confirmado se se trata ou não de um cancro.

O "El Nuevo Herald" escreve ainda que a filha e a mulher de Chávez já viajaram “de urgência” de Caracas para Cuba, a bordo de um avião da Força Aérea.

Casamento

Sviatoslav Richter: Schubert Sonata D.894 1st mvt. 1/3

sexta-feira, 24 de junho de 2011

MONA LISA NAO SAI




A Itália estava interessada em receber a obra de arte de Leonardo Da Vinci em 2013. Pediu o quadro emprestado ao Museu do Louvre, em Paris, mas por questões de segurança “Mona Lisa” não vai viajar.

Quadro de Leonardo Da Vinci é a obra mais procurada no Museu do Louvre e por isso não sai Quadro de Leonardo Da Vinci é a obra mais procurada no Museu do Louvre e por isso não sai (Reuters)

O Museu do Louvre anunciou esta sexta-feira que não emprestará o quadro a Itália, para uma exposição em Florença em 2013. O pedido foi feito pelo Comité Nacional para a Valorização dos Bens Culturais, presidido por Silvano Vincenti, que lançou um apelo na Internet, com o fim de conseguir 100 mil assinaturas para que o museu parisiense cedesse por algumas semanas o quadro pintado entre 1503 e 1507, a obra mais famosa do italiano Da Vinci. O objectivo é comemorar o centenário do achado do quadro em Florença, em 1913.

Vincent Pomarède, director do departamento de Pintura do Louvre, explicou à agência EFE que não “recebeu nenhum pedido oficial de empréstimo”, mas mesmo que isso tivesse acontecido o quadro não abandonaria o museu. “Não emprestamos a 'Mona Lisa' porque está extremamente frágil e corria o risco de se danificar de forma irreversível numa viagem.”

Apesar de “La Gioconda” já ter abandonado o museu francês em duas ocasiões (em 1963 para Washington DC e Nova Iorque e em 1974 para Tóquio e Moscovo), a instituição explicou que isso já não faz parte dos planos, dada a impossibilidade de se controlar as variações de temperatura e humidade.

A petição italiana, dirigida ao governo francês e ao museu, já contava com o apoio governamental italiano, apelando à “consideração da importância cultural e história dos eventos programados”.

O museu recordou ainda que, nos últimos anos, “seja qual seja o estabelecimento” que tenha pedido o empréstimo da obra de Da Vinci tem levado uma resposta negativa, não apenas por motivos de segurança mas também porque quem visita o Louvre pela primeira vez, a maioria dos visitantes, o faz para ver a Gioconda e “não apresentá-la seria um problema para a instituição”.

USA

Há um oceano salgado sob o gelo da sexta lua de Saturno


Encelado, a sexta lua de Saturno, gelada à superfície, deve esconder um oceano salgado sob o gelo. É o que concluíram os cientistas que estudaram a análise das partículas sólidas dos géisers gigantes que saem do pólo sul deste pequeno satélite do planeta dos anéis feita por instrumentos a bordo da sonda Cassini da NASA: são sobretudo grãos de sal.

Na verdade, 99 por cento dos materiais sólidos que são lançados para o espaço nesses jactos de vapor de água e gelo, que saem de fissuras na superfície conhecidas como Listas de Tigre, são partículas ricas em cálcio e potássio, diz um comunicado do Laboratório de Propulsão a Jacto da NASA. “Não há outra forma plausível de produzir um fluxo constante de grãos ricos em sal a partir de gelo sólido para além da existência de água salgada sob a superfície gelada de Encelado”, diz Frank Postberg, o cientista da Universidade de Heidelberg, na Alemanha e membro da equipa da Cassini que é o principal autor deste trabalho, publicado on-line na Nature.

Os jactos de gelo e vapor de água foram descobertos em 2005, e tem-se falado na possibilidade de existir um oceano subglacial desde então — se existisse mesmo, seria um bónus para a busca de vida no nosso sistema solar e algures no Universo. Se os grandes planetas não têm condições para que haver vida, por que não olhar para as suas luas?

O trabalho da equipa de Postberg aponta para um oceano salgado a cerca de 80 quilómetros de profundidade. Mas existe um outro reservatório de água salgada mais perto da superfície, que alimenta directamente as fracturas dos géisers. Calculam os cientistas que se perdem cerca de 200 quilos de vapor de água e gelo por segundo nestas plumas, que criam o anel E de Saturno, coincidente com a órbita de Encelado em torno do planeta dos anéis.

Amin Maalouf eleito membro da Academia Francesa


O escritor libanês, estabelecido em França, Amin Maalouf foi eleito membro da Academia Francesa, sucedendo assim o antropólogo francês Claude Lévi-Strauss, que morreu em Outubro de 2009.

Prémio Goncourt em 1993 com a obra “Rocher de Tanios”, Amin Maalouf foi eleito à primeira volta com 17 votos, em 24 votantes, ultrapassando o filósofo francês Yves Michaud, que apenas recebeu três votos.

Nascido a 25 de Fevereiro de 1949 em Beirute, numa família cristã, Amin Maalouf, que fala árabe e francês, dedicou a sua obra à aproximação das civilizações. Foi jornalista do “an-Nahar”, um jornal libanês de relevo, mas em 1975, uma onda de violência assolou o Líbano e, com o rebentamento de uma guerra civil, Amin Maalouf optou, em 1977, por se exilar com a família em Paris, onde continuou a exercer a carreira, contribuindo para o “Jeune Afrique” e para a edição internacional do “an-Nahar”.

Os temas do exílio e da identidade ocupam uma grande parte da sua obra, analisados em detalhe nas obras "As Identidades Assassinas", de 1989, e "Um Mundo Sem Regras", de 2009. Publicou o seu primeiro livro, já instalado em Paris, no ano de 1983, "As Cruzadas Vistas pelos Árabes", uma obra histórica. Mas foi com o romance "Leão, o Africano" que Amin Maalouf se tornou conhecido do grande público, em 1986, passando a dedicar-se exclusivamente à literatura.

Esta era a terceira vez que o nome de Amin Maalouf surgia nos boletins de votos, depois de ter sido candidato à Academia Francesa em 2004 e 2007.

O escritor estreou-se ainda na ópera em 2000, ao escrever um libreto de ópera "L'Amour de Loin", que conta os amores do trovador do século XII Jaufre Raudel pela Condessa de Tripoli. Com arranjo musical da compositora finlandesa Kaija Saariaho, a ópera estreou em Salzburgo em 2000 e em Paris no ano seguinte, sob a direcção de Peter Sellars.

Depois desta eleição, seguem-se outras nos próximos meses para eleger os sucessores da helenista Jacqueline de Romilly, que morreu a 19 de Dezembro de 2010, aos 97 anos, e do escritor Jean Dutourd, falecido a 18 de Janeiro de 2011, aos 91 anos.

Amin Maalouf foi distinguido em 2010 com o Prémio Príncipe das Astúrias de Letras. O júri do prémio destacou na altura a "linguagem intensa e sugestiva" que nos transporta "no grande mosaico mediterrâneo de línguas, culturas e religiões para construir um espaço simbólico de encontro e entendimento".

A Academia Francesa foi criada em 1635 por Richelieu com o objectivo de preservar a língua francesa e escrever seu dicionário. Actualmente, a Academia é constituída por 40 membros, conhecidos como os “Quarenta” ou os “Imortais”.