quarta-feira, 20 de julho de 2011

Franz Liszt: o bicentenário de um gênio desprendido



Enio Squeff


Franz Liszt: o bicentenário de um gênio desprendido

O longo tempo que nos separa do gênio parece empanar a evidência de que ainda hoje Liszt estende muito de sua influência aos músicos, aos encenadores de óperas, mas não menos aos diretores de cinema. Com a sua música poderosa, há que se buscar no cinema épico, a espacialidade que Franz Liszt - com Wagner - instaurou na música de concerto.


Comemora-se este ano o bicentenário de nascimento de Franz Liszt (1811-1886). Parece espantoso que tenha transcorrido tanto tempo. Insiste-se em que Liszt foi um dos maiores, senão o maior "pop star" de sua época na Europa- o que não é uma inverdade. E se louva sua produção prolífica, o que também não é uma mentira. Chega-se inclusive a se lembrar o mulherengo que ele foi - igualmente uma história que a sua biografia confirma. Mas quase não se enfatiza o melhor de tudo - seu imenso talento como pianista e principalmente como compositor. Talvez o grande segredo de sua existência tenha sido sua importância para a história da música, sem que seus simpatizantes (ou seus detratores), não pudessem inibir sua glória como amante, como regente, escritor e até como revolucionário. O longo tempo que nos separa do gênio, parece empanar a evidência de que ainda hoje Liszt estende muito de sua influência aos músicos, aos encenadores de óperas, mas não menos aos diretores de cinema. Com a sua música poderosa, há que se buscar no cinema épico, a espacialidade que Franz Liszt - com Wagner - instaurou na música de concerto.

Liszt, de fato, exerceu muitos papéis - mas alguns musicólogos, na ânsia de encontrar um caminho natural para a modernidade - uma espécie de inevitabilidade histórica - armaram várias teorias que confirmam sua relevância, sem que se possa dizer que, não fosse seu pioneirismo, nem por isso sua proeminência seria menor. Um estudioso francês, René Leibowitz, chegou a descobrir uma série dodecafônica numa de suas peças.

O dodecafonismo foi uma das formas mais conseqüentes assumidas pelo atonalismo no começo do século XX: Liszt teria previsto o seu nascimento, antes de Arnold Schoenberg, que, por sua vez, desenvolveu e influenciou praticamente toda a música de concerto contemporânea - dando uma espécie de "fundamentação histórica" ao progresso musical; ou seja, Schoenberg foi um revolucionário em muitos sentidos. Só que Liszt o precedeu. em sua música. Esta, porém, parece não estar sendo tão divulgada, além do ramerrão, justamente no ano em que se celebra o bicentenário de seu nascimento,

Musicólogos, historiadores e críticos não hesitam em insistir que Liszt foi um dos maiores, senão o maior pianista que já existiu. Suas partituras para piano que, em certos casos, exigem um virtuosismo inacreditável, comprovariam a tese. Como pianista, Liszt exercia um tal entusiasmo entre os ouvintes da sua época que não era incomum ser carregado em triunfo, por estudantes, em sua carruagem desatrelada dos seis cavalos brancos que a conduziam - tudo para o louvarem como uma espécie de fenômeno único, eterno. A par disso, porém, era um homem bonito, fascinante que arrebatava especialmente as mulheres. Poderia ter sido a sua desgraça.

Sem ser aquele bem aventurado que Manuel Bandeira imaginava para si mesmo como num sonho, Liszt, húngaro de nascimento, mas de formação alemã (mal falava a língua magiar), talvez pudesse reivindicar a condição de vivente de Pasárgada. Que tinha a mulher que quisesse na cama que bem escolhesse.

Um libertino? Nem tanto. De suas ligações com as mulheres, sabe-se de pelo menos duas que lhe foram fiéis (até quando isso fosse possível). Marie de Flavigny , madame d'Agoult, deu-lhe três filhos; Caroline zu Sayn Wittgenstein, princesa russo-polonesa foi a que o acompanhou, ainda que a distância, até o fim da vida. Ambas foram intelectuais de algum valor.

Liszt - ele próprio um intelectual - gostava de mulheres inteligentes e articuladas. Mas, enquanto duraram, não foram ligações pacíficas. Madame d'Agoult parece ter resumido a sua relação com o pianista e compositor, ao lhe declarar, claramente, que não queria ser mais uma de suas amantes - mas "a amante", isto é, desejavelmente, a única. Não seria o caso. O insólito é que Liszt, em meio a suas derrapadas passionais, tinha dramas de consciência só explicáveis por sua religiosidade extremada. Não caía em tentação sem procurar um confessionário. Levou o seu catolicismo a tal ponto que. sempre em meio a aventuras amorosas ( morreu relativamente velho, para a época, aos 75 anos), conseguiu vestir uma batina para, por fim, se tornar abade ("Abbé Liszt").

À primeira vista, um inconstante e um inconformado. Mas se tergiversava no amor, nunca hesitou na música. Para esta, o donjuanismo ou mesmo as decepções amorosas, foram-lhe sempre apenas intervalos entre recitais e concertos - centenas deles ao longo dos anos, (numa época em que a viagem de carruagem era o único meio de transporte por terra) mas principalmente entre as composições - centenas delas; essas sim, o melhor que poderia ter legado à posteridade.

Sua produção foi realmente prodigiosa. Além de canções, peças para piano, dois concertos (também para piano), obras sinfônicas, música religiosa, Liszt tornou-se - muito provavelmente sem querer - o mais importante divulgador da música de concerto em todos os tempos. Ao fazer arranjos para piano de óperas e de sinfonias, Liszt espalhou pelo mundo uma série infindável de partituras, impossíveis de serem executadas em sua forma orquestral em lugares onde não houvessem sinfônicas. Ao reduzir peças orquestrais e óperas para um instrumento relativamente acessível, Liszt facultou a que óperas e sinfonias fossem escutadas onde quer que tivesse um piano. E alguém para tocá-lo. Assim, quando Machado de Assis afirma, no "Memorial de Aires" que a viúva do romance, tocava ao piano a ópera "Tanhauser", de Wagner, muito provavelmente se referia a um arranjo feito por Liszt.

Foi notável em quase tudo o que fez, incluindo-se aí, de forma especial, os 13 "poemas sinfônicos" - expressões puramente musicais que tinham um argumento, em geral, extraídos das poesias de alguns grandes escritores tanto da sua época, como Victor Hugo, e Lamartine, quanto do passado, como Dante Alighieri. Isto irá acontecer numa época relativamente tardia para ele: já tinha tocado para milhares de pessoas - queria se dedicar à composição e ao ensino. Fez o melhor concebível para ambas as atividades. Pode-se dizer que toda uma legião de pianistas de todos os países foram alunos, dos alunos de Liszt. Este o DNA legado aos que se dedicam ao piano. Como compositor, porém, Liszt foi muito maior do que se possa imaginar de um homem mais que talentoso e, sobretudo, mais que festejado.

Era de se esperar, por exemplo e talvez, que fizesse vista grossa para estudo dos instrumentos orquestrais a fim de escrever para conjuntos sinfônicos. No entanto, numa época em que já era consagrado como o melhor pianista de todos os tempos, teve a humildade de tomar aulas de orquestração e deixar para outros a instrumentação de algumas de suas obras. Considerava, porém, que deveria dominar a escrita para orquestra com a mesma autoridade com que fazia o que bem quisesse com o piano.

Mais uma vez foi vitorioso. Praticamente todos os compositores do século XX passaram um dia pelas suas partituras para orquestra sinfônica. Mesmo quando ao piano, tornou-se um mestre na arte da orquestração. Ninguém nega a seu "pianismo", uma força orquestral só sugerida. O mais instigante, porém, foi que Liszt, em meio a tantas glórias e talentos, tivesse ainda tempo para escrever livros (com a inconfessável ajuda de pelo menos duas de suas companheiras já mencionadas) e, mais que tudo, viesse ajudar, com dinheiro, alguns movimentos nacionais emancipatórios. Até onde se possa considerar "patriota" a quem incentive as ações de independência de um país, Liszt fez o bastante para merecer o título: nunca negou aos seus patrícios húngaros o seu apoio explícito à luta pela independência da Hungria.

Mas e o cinema?

É uma teoria antiga. Com sua orquestração Liszt e alguns de seus colegas (como Wagner, e Berlioz) ampliaram o espectro orquestral. À categoria de tempo, própria da música, a orquestração lisztiana incluiu, no âmbito sinfônico, a dimensão espacial - a orquestra agora sugeria os grandes panoramas, os movimentos pelos horizontes amplos, o espaço da natureza, em suma. Não foi por acaso que o início do cinema sonoro incluísse na sua trilha sonora os achados sinfônicos de Liszt (ainda que não só dele). Na música orquestral lisztianas, em todo o caso, alargava-se também o espaço das tomadas pelas pradarias dos velhos Westerns.

São muitos, em síntese, os tributos devidos pelo futuro à memória de Liszt. A generosidade para com muitos de seus colegas foi o que menos se amplificou para o futuro. Talvez seu fascínio e seu talento não supusessem, ainda por cima, o gesto desinteressado de não cobrar, por exemplo, um só centavo para dar aulas a pianistas que julgasse simplesmente talentosos. Fez mais - quando podia, ajudava inclusive com dinheiro.

Um homem exemplar, em suma - não fosse o compositor e o pianista genial.

Konstantin Simonov (1915 - 1979)




ESPERA POR MIM

a V.C.


Espera por mim, que eu voltarei,
Mas tens de esperar muito
Espera quando a chuva amarela
Tristeza trouxer,
Espera quando a neve vier,
Espera quando fizer calor,
Espera quando os outros não esperarem,
Esquecidos do passado.
Espera, quando dos países distantes
Cartas não chegarem,
Espera, quando até se cansarem
Aqueles que juntos esperam.

Espera por mim, que eu voltarei,
Não perdoes àqueles
Que encontram palavras para dizer
Que é tempo de esquecer.
E se crêem, filho e mãe,
Que já não vivo,
Se os meus amigos, cansados de esperar,
Se sentam à lareira
E bebem vinho amargo
Para me recordarem…
Espera. E com eles
Não te apresses a beber.

Espera por mim, que eu voltarei
A despeito da morte.
Quem não me esperou,
Que diga: ‘Teve sorte!’
Não compreendem os que não esperavam
Como no meio do fogo
A tua espera
Me salvou.
Como sobrevivi, saberemos
Só tu e eu, -
É porque me soubeste esperar
Como ninguém mais.



Konstantin Simonov


Tradução de Manuel de Seabra.





Konstantin Simonov nasceu em Novembro de 1915 na cidade de Leninegrado. Em 1931 a sua família mudou-se para Moscovo, tendo Simonov começado a trabalhar como mecânico numa fábrica. Os primeiros poemas surgem por esta altura, sendo publicados em alguns jornais moscovitas. Entra para o Instituto Gorki de Literatura, interrompendo os estudos para cumprir serviço militar como correspondente de guerra. Escreve peças de teatro, romances, reportagens e livros de poemas inspirados na temática da guerra. Depois da guerra, ocupou alguns cargos importantes que abandonou para se dedicar por inteiro à sua obra. Morreu em Moscovo no dia 28 de Agosto de 1979.



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terça-feira, 19 de julho de 2011

PAI E FILHO CONFUNDIDOS COM CASAL GAY FORAM ESPANCADOS POR 7 HOMENS




SP: Polícia prende suspeito de agredir pai e filho confundidos com gays



Autônomo de 42 anos teve parte da orelha decepada - Reprodução/EPTV

SÃO PAULO - Um homem suspeito de envolvimento no caso de agressão a um pai e um filho, que foram confundidos com um casal gay, foi detido nesta terça-feira em São João da Boa Vista, a 225 km de São Paulo. O agressor, que não teve a identidade divulgada, teria confessado a participação no crime. A Polícia Civil já fez o pedido da prisão preventiva dele. Outros dois suspeitos foram identificados e estão sendo procurados, segundo o site da EPTV.

RELEMBRE:Pai e filho são confundidos com casal gay e agredidos por grupo em São João da Boa Vista, SP

Um simples gesto de afeto entre pai e filho motivou o espancamento. Os dois estavam abraçados quando foram cercados por sete homens, na madrugada da última sexta-feira, na Exposição Agropecuária Industrial e Comercial (EAPIC).

- Passou um grupo perguntando se a gente era gay. Eu falei que não. Falei que, como nós vamos ser gays se somos pai e filho. Aí os caras ficaram bravos: não, vocês são gays, vocês são gays - relatou o autônomo de 42 anos, que é de Vargem Grande do Sul e teve parte da orelha decepada.

" Passou um grupo perguntando se a gente era gay. Eu falei que não. Falei que, como nós vamos ser gays se somos pai e filho. Aí os caras ficaram bravos: não, vocês são gays, vocês são gays "

O grupo foi embora, mas voltou logo depois. Eles foram abordados novamente com violência, recebendo chutes e socos. O filho teve ferimentos leves e o pai foi espancado.

- Quando eu começei a acordar, escutei gritar: ele está sem orelha, ele está sem orelha - disse.

A organização da festa informou que todas as exigências de segurança foram cumpridas e explicou que no local havia 150 seguranças, além da Polícia Militar. Disse também que vai colaborar com a polícia para a identificação de todos os agressores.

Uma vendedora ambulante que trabalhava na barraca onde aconteceu a agressão foi uma das testemunhas ouvidas pela Polícia Civil nesta terça-feira. A mulher, que preferiu não se identificar, falou sobre a violência que viu na semana passada.

- O cara estava em cima dele, parecia que queria matar - disse.

O autônomo também foi até a delegacia para tentar reconhecer um dos agressores. O suspeito teria sido identificado com a ajuda das câmeras do circuito de segurança do recinto da festa. Apesar disso, a vítima não soube dizer se o suspeito fazia parte do grupo.

- Eu cai na hora e não tenho como identificar - afirmou.

O filho dele de 18 anos, que teve ferimentos leves, voltou para São Paulo, onde mora e estuda. O rapaz está com medo. A namorada dele, que acompanhava os dois e estava no banheiro no momento da agressão, ficou indignada com tanta violência.

Um grupo da cidade que defende a diversidade sexual considera que a agressão está relacionada à Parada Gay, que será realizada no próximo domingo.

A homofobia, que é a aversão a homossexuais, ainda não consta como crime no Código Penal brasileiro, mas, além da agressão, os jovens também podem responder por discriminação.

VAI E VEM

THE TIMES

Eagles


Now that the NFL lockout is finally ending, it’s time for the Eagles to show that the past five empty months haven’t been in

Viajar no tempo pelas Linhas de Torres


Viajar no tempo pelas Linhas de Torres


Há pouco mais de dois séculos, o avanço do exército napoleónico de Massena em direcção a Lisboa era parado pelas Linhas de Torres, um formidável arco defensivo construído entre o Atlântico e o Tejo para proteger a capital. Percorremos a Estremadura em busca dos sinais e vestígios desse passado militar português.

Fotogaleria: Um passeio pelas Linhas de Torres


É uma manhã de Maio e sopra uma brisa fresca que quase faz esquecer o sol já razoavelmente forte. O tempo está magnífico e sob um céu azul o olhar perde-se na distância, tal é a visibilidade neste dia primaveril. Do alto, a poucos quilómetros de Torres Vedras, vê-se a cicatriz que a auto-estrada fez de norte para sul e, mais longe, para lá das eólicas, está o mar envolto em ténue neblina. Em suma, um dia luminoso de Primavera.

Para chegar até aqui há que subir de carro em velocidade muito moderada - também pode ser a pé -, a estrada militar em terra batida que ladeia o Forte da Feiteira (GPS 39º 02" 39,805""N, 09º 13" 55,387""W) e culmina mais à frente no Forte da Archeira (39º 02" 04,641""N, 09º 13" 04,991""W), mesmo no topo do monte. A ligeira protuberância no terreno, coberto por vegetação rasteira e flores silvestres de todas as cores, não diz a quem passa que esta é uma construção militar típica das Linhas de Torres. De perto, observa-se que o fosso ainda tem o empedrado original e o recinto circular bem definido abriga o través, uma pequena elevação à entrada do forte para defender o acesso ao interior, onde estavam instaladas as peças de artilharia e a guarnição.

Passaram-se 200 anos sobre a construção destes monumentos e já pouco mais resta que dê testemunho da sua existência. Carlos Guardado da Silva, historiador, director do Arquivo Municipal de Torres Vedras e especialista das Linhas de Torres Vedras, lembra que a maior parte destas edificações eram "obras militares de campanha, sempre efémeras, na sua maioria feitas de terra". Mas houve homens que viveram aqui longos períodos, militares que perscrutavam todos os dias os vales que se dominam a partir destas posições elevadas, em busca do invasor estrangeiro. Estabeleciam comunicação com fortes idênticos espalhados pela paisagem, suportando os ventos fortes, o frio glacial ou o calor extremo, e as precárias condições de alojamento da época, isolados do mundo por caminhos que nem sequer mereciam esse nome.

O nosso guia aponta para norte, lá onde se vislumbra o vale de Runa - não se vê, mas não fica longe a aldeia de Caixaria, ponto mais próximo de Lisboa a que os franceses conseguiram chegar -, onde a 1 de Novembro de 1810 se travou uma das poucas escaramuças entre soldados franceses e tropas do exército anglo-português, no caso da Leal Legião Lusitana, sob o comando do capitão Veloso Horta.

Para o lado do mar fica Peniche e ao lado o Bombarral. Para o interior, ergue-se a serra de Montejunto, um dos obstáculos naturais à progressão do exército napoleónico em território português. Atrás do Forte da Archeira vê-se o imponente monte do Socorro (GPS 39º 1" 3,058""N, 9º 13" 30,591""W), onde estava instalado o centro de comunicações das linhas. Um dos lados deste forte dá para uma encosta íngreme, praticamente inexpugnável. Lá em baixo corre um dos desfiladeiros que a malha das Linhas de Torres tinha por missão controlar. No cume, tem-se a sensação de ter o mundo aos pés, tal é a grandeza do espaço que se domina dali, e percebe-se por que razão foi escolhido para instalar esta fortificação militar.

Maiakovski


Arrancaste-me o coração


Tomaste
arrancaste-me o coração
e simplesmente foste com ele jogar
como uma menina com sua bola.

E eu de júbilo
esqueci o jogo.
Louco de alegria
saltava
como em casamento de índio
tão leve
tão bem me sentia.


Maiakovski

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Amélia Pais
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ÁLVARO MAIA


Quando, alva e loura vital me dava,
minha Mãe, entre a selva e o céu nevoento,
também me dava o trom do oceano ao vento,
das galeras valsando na onda em lava...
Mas minha vida em fumo se apagava:
Germinara e cahira em soffrimento...
E tive a salvação, tive o tormento
nos seios de Narcisa, uma índia brava...
Dessas correntes em meu sangue, sinto
Galeões em rota por um mundo extincto,
Tribus em lucta pela mesma terra,
E, ora em doçuras, ora em rebeldias
Labios christãos ciciando Ave-Marias,
Rudes almas pagãs medindo a guerra...

ÁLVARO MAIA


Na foto, com sua mãe

segunda-feira, 18 de julho de 2011

ÁLVARO MAIA NA SUA CANOA

ÁLVARO MAIA COM SUA MÃE

ÁLVARO MAIA EM BRASÍLIA

Shostakovich, Symphony No. 5 Mvt. 4

Magia e Sedução



Magia e Sedução


Jorge Tufic


NA FOTO - ALMIR DINIZ


Cronologicamente, deve ter sido em 1948 que tive meu primeiro encontro com Almir Diniz, na redação da “Folha do Povo”, em Manaus. E já nessa época ambos assinávamos uma coluna nesse jornal do combativo Francisco Rezende. Transitávamos da crônica ao soneto, sob os olhares compassivos do mestre Adaucto Rocha, um paraibano que foi colega de Café Filho na imprensa de João Pessoa, agora a serviço da nossa como Redator Chefe. Uma época turbulenta, pois tivemos a oportunidade de assistir aototal empastelamento da gráfica, seguido de incêndio, dano jamais reparado pelo Governo de Leopoldo Amorim da Silva Neves.

Mas nada impedira que seguíssemos em frente, Almir para “O Jornal”, dos Archer Pinto, e eu para “O Tempo”, semanário fundado por mim e o jornalista Julian Flores Lopes. A poesia, contudo, era o que mais nos fazia sonhar, principalmente através dessa forma fixa imortalizada por Camões e Petrarca. Tanto que, sessenta anos após, organizei e publiquei, em coautoria com Gaitano Antonaccio, uma espécie de florilégio sob o título de O Soneto no Amazonas, onde figuram textos de autores amazonenses e duas longas pesquisas que fizemos sobre as origens do gênero nas terras de Makunaíma. O que vale dizer, vencemos os anos acreditando na “chave de ouro”, enquanto os modernistas da primeira hora esnobavam de Bilac e a geração de 45, através de Lêdo Ivo, trazia-a de volta sob novas roupagens, sempre bem recebidas pelos leitores brasileiros.

Este livro, Magia e Sedução, composto em 2003, dá-nos mais uma prova da dedicação do autor – hoje com várias obras publicadas e uma estante cheia de diplomas e títulos conquistados em certames nacionais, a exemplo do Prêmio Esso de Jornalismo – quer aos temas iniciais de sua inspiração lírica, quer aos difíceis quatorze versos que fazem de nós aqueles eternos e contemplativos ouvintes da Via Lactea.

Juízos de valor? Ao invés, degustem os leitores daquilo que ainda podemos definir como poemas de amor de todos os tempos, tal fora um dos prazeres estéticos de Walmir Ayalla, ao nomear as seletas de conteúdo romântico. Poemas de amor que servem, contudo, para uma bem humorada excursão pelos domínios do corpo e da alma da mulher, este ser que irritara os filósofos com seus “cabelos longos e idéias curtas”.

Deste modo singular, a presença do soneto na poesia universal só encontra ecos perenes na misteriosa incorporação dos segredos femininos, sugeridos ou antevistos por trás da magia, do fascínio e do encantamento que sublimam os tercetos de Dante, levam ao êxtase a Bossa Nova de Vinicius de Moraes e, aqui, nesta coletânea de sonetos, fazem vibrar as cordas da lira deste poeta da Academia Amazonense de Letras, do Chá do Armando, do Clube da Madrugada e das praias de Icaraí, em Fortaleza, Ceará.

Falcão não resistiu às derrotas


Mesmo sendo ídolo da torcida, por conta de sua passagem como jogador, entre 1973 e 1980, Falcão não resistiu à terceira derrota consecutiva no Campeonato Brasileiro

Mesmo com toda idolatria da torcida, Falcão não resistiu às derrotas e foi demitido do cargo de treinador do Internacional. Foto: Divulgação Mesmo com toda idolatria da torcida, Falcão não resistiu às derrotas e foi demitido do cargo de treinador do Internacional.

Porto Alegre - Paulo Roberto Falcão não é mais técnico do Internacional. A sua demissão foi oficializada pelo clube nesta segunda-feira, um dia após a derrota por 3 a 0 para o São Paulo, em casa, pela décima rodada do Campeonato Brasileiro. Com isso, Osmar Loss, técnico da equipe sub-23 do clube, e o ex-goleiro André Doring assumirão o comando do time profissional interinamente.

Mesmo sendo ídolo da torcida, por conta de sua passagem como jogador, entre 1973 e 1980, Falcão não resistiu à terceira derrota consecutiva no Campeonato Brasileiro - já havia perdido para Vasco e Corinthians. A sequência negativa deixou a equipe gaúcha na oitava colocação no torneio, com 15 pontos em 11 jogos.

O treinador havia sido contratado no início de abril para substituir Celso Roth, mas, apesar do título gaúcho, conquistado diante do rival Grêmio, não conseguiu ter sucesso nesta passagem pelo clube. Na Libertadores, o Internacional foi eliminado nas oitavas de final pelo Peñarol.

Este não é o primeiro fracasso de Falcão em sua carreira como técnico. Entre 1990 e 1991, ele esteve à frente da seleção brasileira, mas não foi bem e acabou substituído por Carlos Alberto Parreira. Depois, ainda passou pelo América do México, pelo próprio Inter e pela seleção japonesa, sempre sem sucesso.

Depois das passagens ruins como treinador, ele acabou se tornando comentarista de televisão, emprego que largou este ano, tentado pela proposta de assumir o time de coração. Em sua segunda passagem como técnico da equipe gaúcha, teve alguns desentendimentos com a diretoria por conta da falta de reforços.

Falcão não foi o único a cair com a má fase do Internacional no Campeonato Brasileiro. Também nesta segunda-feira, a diretoria do clube confirmou a demissão do vice-presidente de futebol, Roberto Siegmann.

JÓIAS DO PIAUÍ

J. KRISHNAMURTI


J. KRISHNAMURTI

MEDITAÇÕES



A mente meditativa é silenciosa. Não é o silêncio que o pensamento pode imaginar;
não é o silêncio de um calmo anoitecer; é o silêncio que vem quando o pensamento
com todas as suas imagens, palavras e percepções - cessa completamente.
Esta mente meditativva é a mente verdadeiramente religiosa
- religiosidade que não é tocada pelas igrejas, os templos ou os cânticos.

MARGARITA ALIGER



Margarita Iosifovna Aliger



LÁGRIMAS DOS OLHOS, COMO CENTELHAS DE SÍLEX



Lágrimas dos olhos, como centelhas de sílex,
como uma palavra justa, arrancar para que serve?
Nada há de especial. A palavra é como fogo,
e o coração do homem não vive de soluços.
Não é absolutamente isso que me atormenta.
Mas levantarmo-nos de madrugada, à chegada do dia,
e dizer a quem vai à frente:
- Felicidade! –
Dar-lhes uma canção, com toda a alegria,
que proteja como uma autêntica armadura,
das palavras que soam vãs e falsas.
Queremos do homem não a centelha mas o fogo.

Tradução de Manuel de Seabra.



Margarita Aliger nasceu em Odessa no ano de 1915. Foi operária, bibliotecária e jornalista. Já em meados da década de 1930, fez estudos de Literatura em Moscovo. Tornou-se conhecida durante a II Guerra Mundial, muito por culpa de um poema, Zoyá, sobre uma jovem estudante enforcada pelos nazis. Zoyá foi publicado em 1942. Margarita tinha-se estreado em 1938 com God rojdéniia. Faleceu no dia 1 de Agosto de 1992.
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Amélia Pais
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domingo, 17 de julho de 2011

LADRÕES DE JÓIAS PRESOS EM DUBAI




Jewel thieves strike at two Dubai shops

(Amira Agarib)


Dubai Police on Sunday arrested a gang of seven Asians, who allegedly stole jewels worth Dh11 million from a shop in Dubai International City last week.

Brigadier Khalil Ibrahim Al Mansouri, Director of the General Department of Criminal Investigation, said that the thieves had rented a store near the jewellery shop and broke the wall separating them to gain entry and rob the jewels.

Police said their investigations showed that the gang had rented a store behind the jewellery shop. The operation was allegedly masterminded by a suspect, who is currently imprisoned in a GCC country. They said the gang used iron rods and other tools to make a hole in the wall and enter the shop, but were caught on surveillance cameras.

O DESABROCHAR

TAILÂNDIA

ESCÂNDALO

Contra 'novo cangaço', Ceará cria polícia itinerante para o interior


Contra 'novo cangaço', Ceará cria polícia itinerante para o interior
Bandidos sitiam cidades, fazem tocaias, montam barricadas e atiram contra delegacias em uma versão mais "pesada" de Lampião

Daniel Aderaldo, iG Ceará

Contra 'novo cangaço', Ceará cria polícia itinerante para o interior Bandidos sitiam cidades, fazem tocaias, montam barricadas e atiram contra delegacias em uma versão mais "pesada" de Lampião

Contra 'novo cangaço', Ceará cria polícia itinerante para o interior Bandidos sitiam cidades, fazem tocaias, montam barricadas e atiram contra delegacias em uma versão mais "pesada" de Lampião

A Polícia Militar do Ceará criou um comando especial para combater a ação de quadrilhas de assaltantes apelidadas por especialistas em segurança pública de “novo cangaço”. Os bandos agem em grupos de 10 a 15 homens assaltando bancos de pequenos municípios. Eles sitiam cidades, fazem tocaias, montam barricadas, atiram contra delegacias e usam armamento pesado numa versão mais "pesada" de Lampião.

Somente de março até o começo julho deste ano foram registrados 13 assaltos a bancos no interior do Ceará. No último dia 13, uma quadrilha de 15 homens levou R$ 2 milhões em dinheiro de um carro-forte, na rodovia estadual CE-359, distrito de Triunfo, município de Ibaretama (a 120 km de Fortaleza). Na ação, eles bloquearam a rodovia com um caminhão-baú roubado, atiraram contra o veículo blindado com tiros de fuzis e arrombaram a porta e o cofre com explosivos.

Foto: Daniel Aderaldo/iG

Policiais participam de treinamento do Comando Tático Rural, unidade especial criada no Ceará para combater o "novo cangaço"

O primeiro assalto a banco do ano foi em março, quando 15 homens assaltaram uma agência do Banco do Brasil do município de Cariús (a 418 quilômetros de Fortaleza), que tem cerca de 20 mil habitantes. Os criminosos dinamitaram o cofre do banco e trocaram tiros com a polícia local. A partir daí começou uma sequência de ações semelhantes em Independência, Miraima, Pires Ferreira, Groaíras, Parambu, Lavras da Mangabeira, Apuiarés, Viçosa do Ceará, Caridade e Quiterianópoles.

“São quadrilhas organizadas, que atuam em todo o Brasil. O Ceará, hoje, detém um dos menores índices, com 13 ações até agora. São Paulo lidera com 283 ações. No Nordeste, a Bahia já registra 61 ações”, compara o titular da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS), coronel Francisco Bezerra.

Há três pontos em comum entre esses crimes. Todas as vezes os bandidos conseguiram escapar, as cidades assaltadas têm menos de 50 mil habitantes e elas ficam a uma distância considerável da capital.


Eles reproduzem de forma moderna táticas antigas, pois usam armamentos pesados e são extremamente aparelhados”, diz especialista

A razão para isso é evidente, segundo o diretor da Academia Estadual de Segurança Pública (Aesp), professor César Barreira. “Esses pequenos municípios são desguarnecidos. O efetivo policial é escasso”, reconheceu à reportagem do iG. Com isso, os bandidos rendam os poucos homens com facilidade. “O Estado nunca vai poder ter o número ideal de policiais em todas as cidades do interior.”

A carência de efetivo policial, contudo, não é o único fator levado em consideração por esses bandos na hora de escolher uma cidade para assaltar. O pouco desenvolvimento urbano dos municípios facilita a fuga. Existem muitos atalhos e trilhas pouco conhecidas, por exemplo. Tudo isso facilita a fuga dos bandidos.

"Novo cangaço"

Até o início do século passado, os cangaceiros que cometiam crimes no interior nordestino conheciam como poucos as veredas que cortam a caatinga. Eles dominavam as rotas de fuga e os esconderijos de difícil acesso. Por essa razão tinham tanto êxito ao fugirem dos “macacos” – era como se referiam aos policiais. Essa é uma característica comum entre o antigo e o “novo cangaço”.

Emma Watson


British actress Emma Watson has lived and breathed “Harry Potter” — having starred in all eight of the films as Potter’s close friend, the bookish Muggle-born Hermione Granger.

OUTONO EM CIGULDA


OUTONO EM CIGULDA



Salto para a plataforma do comboio

e digo adeus.

Adeus, Verão.

Mas já sinto saudades

Da datcha onde o martelo soa.

Fecham a minha casa de madeira.

Adeus.



As árvores perderam já as folhas

E agora, nuas e tristes,

São como um acordeão

sem música.

E nós, nós

também somos estranhos,

partimos,

como se fosse assim determinado,

do erg,

das mães

e das mulheres,

assim tem sido sempre assim será.



Adeus, Mãe,

começas a ficar já transparente

à janela, como num casulo.

O dia extenuou-te, certamente,

e só nos resta descansar.



Amigos e inimigos, good-bye!

Em breve, quando soar o silvo do comboio

vocês, aí, vão ficando para trás

e eu vou-me afastando de vocês.



Despeço-me da terra.

Serei talvez estrela ou salgueiro branco,

mas não irei chorar, não sou nenhum pedinte.

E agradeço à vida que passou.



Nos campos de combate,

tentei matar, poupando as munições,

mas não fui capaz

e pela terceira vez digo obrigado,

porque entre as pás transparentes a vista penetrava

como um punho de sangue

em luvas de borracha.





Andrei Voznessensky



________________________
Amélia Pais
http://barcosflores.blogspot.com
http://cristalina.multiply.com

sábado, 16 de julho de 2011

Pregação contra gays vira caso de polícia no centro de São Paulo



Pregação contra gays vira caso de polícia no centro de São Paulo


16 Jul 2011 . 08:15 h . Agência Estado . portal@d24am.com

Sentindo-se ofendidos, gays de passagem, lésbicas e simpatizantes reclamam no posto policial do que chamam de “baixarias”.

São Paulo - Todos os pudores do pastor Cristiano Xavier, de 36 anos, um dos evangélicos que pregam diariamente na Praça da Sé, região central de São Paulo, desaparecem quando ele explica porque tem um discurso tão virulento contra os homossexuais. Ultimamente, as pregações de Xavier e seus correligionários na praça têm virado caso de polícia.

“É um tema que causa polêmica, atrai público. Está até no meu DVD. R$ 10. Quer comprar um?”, pergunta Xavier, depois de terminar a palavra, puxando o repórter para um canto. Em seu discurso de ontem, ele gritava: “Os bicha deixam Deus em segundo plano. São promíscuo, sujo, faz orgia (sic)...”.

“Glória a Deus!”, dizia o fiel desempregado Rildo Ferreira, de 33 anos, com a Bíblia na mão. Por três vezes, Ferreira voltou ao tema dos “efeminados”, a pedido do pastor.

Sentindo-se ofendidos, gays de passagem, lésbicas e simpatizantes reclamam no posto policial do que chamam de “baixarias”. Eventualmente, a reclamação evolui para um registro no 1.º Distrito Policial, na Liberdade, que atende a região.

Postado dia 28 no YouTube, embate entre homossexuais e evangélicos na praça já teve cerca de 10 mil acessos. Na ocasião um homem e uma mulher que discordaram do pastor foram xingados de ‘filhos de satã’. Policiais precisaram usar gás de pimenta para evitar agressões. Segundo PMs, há confrontos semanais. “Qualquer pessoa de roupa colorida já é classificada de ‘criatura do demônio’”, diz policial.

Boris Pasternak


Definição de Poesia


Um risco maduro de assobio.
O trincar do gelo comprimido.
A noite, a folha sob o granizo.
Rouxinóis num dueto-desafio.


Um doce ervilhal abandonado
A dor do universo numa fava.
Fígaro: das estantes e flautas -
Geada no canteiro, tombado.


Tudo o que para a noite releva
Nas funduras da casa de banho,
Trazer para o jardim um estrela
Nas palmas túmidas, tiritando.


Mormaço: como pranchas na água,
Mais raso. Céu de bétulas, turvo.
Se dirá que as estrelas gargalham,
E no entanto o universo está surdo.


(1917)



Tradução de Haroldo de Campos

China pede que Obama anule decisão de receber Dalai Lama


China pede que Obama anule decisão de receber Dalai Lama



PEQUIM, China, 16 Jul 2011 (AFP) -A China pediu neste sábado ao presidente americano, Barack Obama, que anule sua decisão de receber o Dalai Lama e que não "interfira nos assuntos internos chineses".

Pequim pede a Washington que "anule imediatamente sua decisão de realizar um encontro entre o presidente Obama e o Dalai Lama", e recorda que os Estados Unidos reconhecem a soberania chinesa sobre o Tibet, destaca o porta-voz do ministério das Relações Exteriores Hong Lei.

"Rejeitamos com firmeza que qualquer político estrangeiro se reúna com o Dalai Lama, em qualquer forma que seja", destaca o comunicado, que adverte à administração americana para toda ação passível de "prejudicar as relações sino-americanas".

A Casa Branca informou hoje que Obama receberá o Dalai Lama neste sábado, em um "encontro que mostra o forte apoio do presidente à preservação religiosa, cultural e lingüística única no Tibet e à proteção dos direitos humanos dos tibetanos".

"O presidente reafirmará seu apoio ao diálogo entre os representantes do Dalai Lama e do governo chinês visando resolver suas divergências".

Obama foi criticado hoje no Congresso por não ter recebido o Dalai Lama - que visita Washington desde o início de julho - e por ceder à pressão da China, que considera o líder tibetano como um perigoso separatista.

O presidente americano se reuniu com o Dalai Lama no ano passado, o que provocou a ira de Pequim, que acusa o líder religioso de buscar a independência do Tibet.

JOAQUIM NABUCO




LEIA A CONFERÊNCIA DE ALBERTO VENÂNCIO FILHO EM:






http://historiadosamantes.blogspot.com/2011/07/joaquim-nabuco.htm
l

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Umberto Martins: Dívida e decadência do império americano






Umberto Martins: Dívida e decadência do império americano



A novela da dívida americana teve um novo e dramático capítulo nesta sexta-feira (15), protagonizado por Barack Obama. Durante entrevista coletiva, a segunda da semana, o presidente dos EUA renovou o apelo ao Congresso para elevar o teto da dívida pública, hoje em US$ 14,3 trilhões, e advertiu que “o tempo está se esgotando”. Se o Parlamento não autorizar a ampliação do endividamento até 2 de agosto, o governo não terá como pagar suas despesas e incorrerá em moratória.

www.vermelho.org.br

Por Umberto Martins

O impasse foi reiterado hoje no Capitólio, onde democratas e republicanos não conseguiram chegar a um acordo. Já se fala num plano B para evitar o calote. Seguindo o caminho da Moody’s, outra agência de classificação de risco, a Standard & Poor's, anunciou a revisão da nota de crédito dos EUA e a possibilidade de rebaixá-la.

Um problema mundial

Na quinta (14), a China manifestou preocupação com a possibilidade de moratória e cobrou do governo estadunidense maior “responsabilidade” na relação com os investidores estrangeiros. O gesto é emblemático das mudanças em curso na economia mundial. O gigante asiático é o maior credor da Casa Branca. Possui mais de 1 trilhão de dólares em títulos do Tesouro dos EUA e tem razões de sobra para ficar apreensivo.

Embora menosprezada por muitos economistas, a dívida estadunidense, pública e privada, vai se revelando um sério problema para a economia mundial. Ela reflete, ao mesmo tempo em que impulsiona, o processo histórico de declínio do poderio econômico relativo dos Estados Unidos.

De credor a devedor

Ao contrário do que muitos imaginam tal declínio não começou com a chamada Grande Recessão, iniciada em dezembro de 2007, nem terá desfecho em curto prazo. É certo que o fenômeno se tornou mais agudo e transparente ao longo dos últimos anos. Mas teve início décadas atrás.

Um marco no processo de declínio foi precisamente a transformação dos EUA de país credor (o maior do mundo) em devedor (líquido), o que ocorreu na segunda metade dos anos 1980. Desde então, a dívida não parou de crescer, de forma que Tio Sam é hoje, de longe, o maior e mais perdulário devedor do planeta.

Pano de fundo

O problema não se resume à dívida governamental, que já está em torno de 100% do PIB. É preciso levar em conta também os débitos privados (de empresas e indivíduos), que são pelo menos três vezes superiores ao do setor público e fomentaram a bolha e a crise imobiliária.

O pano de fundo da decadência, e também da dívida, é o acúmulo de déficits na balança comercial, recorrentes desde o fatídico ano de 1971, quando o ex-presidente Richard Nixon deu um fim ao acordo monetário de Bretton Woods, que estabelecia a convertibilidade do dólar em ouro.

Exportação de capitais

Durante anos o déficit no intercâmbio de mercadorias foi coberto com folga pelos lucros das multinacionais estadunidenses, extraídos em outros países e remetidos às matrizes. Embora a balança comercial registrasse saldos negativos a conta corrente continuava positiva e o país mantinha a posição de credor.

Conforme notou Lênin em suas análises sobre o imperialismo, a exportação de capitais, ao permitir a apropriação de excedentes gerados no exterior, cria as condições para o florescimento do parasitismo – a arte de viver à custa alheia. O déficit comercial é a medida mais precisa do quanto a sociedade norte-americana consome o produto do trabalho alheio além dos próprios meios que produz, é o que confere a todo o processo de reprodução do capital na maior potência capitalista do mundo um caráter parasitário.

Contaminando a conta corrente

Mas isto foi mudando na medida em que crescia o passivo externo decorrente do excesso de importações. Este passivo, que na outra ponta é ativo de empresas e governos estrangeiros, também demanda remuneração. Ao longo dos anos 1980, o rombo comercial se transformou em déficit da conta corrente, refletindo o fato de que os lucros extraídos no exterior já não eram suficientes para cobrir o saldo das importações.

Tio Sam teve de recorrer a um crescente endividamento externo para financiar o consumismo e a decorrente deterioração das transações correntes. Por isto deixou de ser credor (líquido) e, desde então, vem acumulando dívidas.

Desindustrialização

Políticos norte-americanos e apologistas do império não perceberam os riscos embutidos no comportamento da balança comercial, concebida apenas como um artifício contábil, que ano após ano e sem muito alarde foi corrompendo a competitividade da indústria e ampliando o parasitismo da sociedade.

Era como se o país não mais precisasse produzir para sobreviver. Comprando fiado no exterior, Tio Sam fomentou o consumismo enquanto a indústria local perdia terreno para as importações e empresas se deslocaram para outros países. Um lento processo de desindustrialização teve curso, mas foi apresentado como resultado exclusivo do desenvolvimento objetivo das forças produtivas - um sinal de progresso, caminho seguro para a sociedade pós-industrial.

Roda da fortuna

Bem mais que um mero artifício contábil, o déficit na conta de mercadorias denuncia a carência de poupança interna (contrapartida do excesso de consumo) e se revela a principal via de valorização e realização de capitais estrangeiros. Pelo déficit americano girou a roda da fortuna mundial. Primeiro foram Alemanha e Japão os principais beneficiários do desequilíbrio comercial. Depois, a China. Daí se infere o entrelaçamento do déficit com o processo de reprodução do capital em escala mundial.

A forma aparentemente fácil e segura de financiamento da dívida (a transmutação dos superávits obtidos pela China e outros países em títulos públicos e outros ativos dos EUA, incluindo aquisição de empresas) reforçava a aparência de que tudo estava em ordem, a China poderia continuar produzindo, Tio Sam consumindo. Temos, então, uma perfeita simbiose de interesses e - vamos que vamos! – não há razão para se preocupar com déficits e débitos. Esta percepção enviesada da realidade não sobreviveu à crise.

Sem final feliz

A dívida deslocou os EUA da condição de maior exportador de capitais do mundo para a desconfortável posição de importador líquido de capitais, virou um país dependente da injeção maciça de capitais estrangeiros, com uma necessidade de financiamento externo que, antes da crise, oscilava em torno de US$ 1 trilhão de dólares (por ano). Conforme notou o historiador Eric Hobsbawm, é aí que se esconde o segredo da decadência do império, que deixou de ser o ator principal no concorrido jogo das fusões e aquisições, pelo qual corre o processo de concentração e centralização do capital na atualidade.

A novela da dívida promete novos capítulos até 2 de agosto. É provável que governo e parlamentares cheguem a um acordo, mas isto não significará necessariamente um final feliz. O processo de declínio da liderança econômica dos EUA no mundo (e, por decorrência, da decomposição do padrão dólar e da ordem imperialista mundial), do qual a dívida é apenas um reflexo, promete rolar durante muitos anos e dificilmente terá um desfecho pacífico, mesmo porque as coisas, neste nível, não se resolvem no plano da economia. Há que se levar em conta a política e o poder militar, onde a supremacia norte-americana, por hora, é quase absoluta.

Matthew R. Devlin


The tug mate involved in the deadly duck boat crash a year ago was criminally charged in connection with the incident on Thursday and will plead guilty, federal prosecutors said.

Matthew R. Devlin, 35, of Catskill, N.Y., was piloting the M/V Caribbean Sea on July 7, 2010, as it towed a 250-foot barge on the Delaware River and crushed a stalled Ride the Ducks vessel with 35 passengers, killing Hungarian students Szabolcs Prem, 20, and Dora Schwendtner, 16.

Devlin is charged with misconduct of a ship operator causing death. He has signed a plea agreement that will force him to permanently give up his Coast Guard-issued maritime license. In exchange for his guilty plea, the government will only seek a three-year prison sentence instead of the 10-year maximum.

The investigation revealed that Devlin, who was attending to medical complications with his 5-year-old son, violated numerous company policies — including using his personal cell phone while on watch — that prevented him from seeing the duck boat or hearing radio calls before the crash.

CLOSING THE BOOK

BANCOS NO LIXO


A agência de notação financeira Moody’s cortou hoje o rating a sete bancos portugueses. Dos quatro submetidos aos testes de stress europeus, só o BPI escapou à nota de “lixo”.

ILUSTRAÇÃO DE OSWALDO GOELDI PARA MAR MORTO DE JORGE AMADO


DA PALAVRA DO FINGIDOR, BLOG DE ZEMARIA PINTO


Rogel Samuel A viagem

Eles viajam para o sol, para a felicidade. Mas que
barco é este? Será o barco do mistério
do Amor?

quinta-feira, 14 de julho de 2011

FOTO

POEMA DO RIO NEGRO, 2


POEMA DO RIO NEGRO, 2

(Na foto, Ananda, último barco de Albert Samuel citado no terceiro verso)

Rogel Samuel

Seguimos até o celismar
na nossa sincopada batida
de Ananda bois espiam margens
crianças olham ocorridas
gritam cios cicios curumins
passarinhada menina
a cunhantã levantou voo?
o curumim mergulhou? o rio urubu prossegue
marcha fúnebre ritual líquido da corte
onde um dia, nesta tarde
meu pai não me deixou mergulhar
como se ali o rio pudesse
para sempre me tragar
quantos olhos aparecem? quantos ameaçam?
na leveza do anum canarana
a criança de longe a vista
o rapaz nu ri ou está chorando?
o sol se põe naquela tarde
densíssima de calor e escudo
e escuro e orgulho o rio negro
fecha suas portas
sobe para o céu suas veias iluminadas e nervuras
acesas
a lá estão os milhares índios mortos
ranger de dentes
do rio chamado urubu
sons percorrem com suas luvas pretas
as exclusividades das belezas sombrias
urubu o rio range dorme cemitério norte
risca fio alertado brilho fantasma
sobretudo preto urubu balança e nos ameaça
nos quer no seu túmulo histórico
amazônico emparedado dos matagais gerais
alta e terrível a floresta
transforma as corridas as amas úmidas amantes
rio doente para sempre
que desde o município de silves
está pronto para ejetar seus encapuzados enlevos
e inocular a morte
como as suas aranhas

POEMA DO RIO NEGRO, 1


POEMA DO RIO NEGRO, 1

Rogel Samuel

Em 1729 morrem no rio urubu
vinte e oito mil índios
assassinados
Mas eu estou fraco para esta luta
e preparo a fala afiada.
A cozinheira corta o peixe a faca
como o selo que pincela, amara.
Três homens remam montados nas águas
Oh estou fraco para a luta
preparada selva absoluta.
No caminho vendem os armadores as ilhas
cai a chuva sobre as lajes da tarde
que estou fraco para a luta
preparo o corte a morte
preparo o rio, urubu, orgulho das águas
imprópria para o passeio público
não o passado branco amigo
gesto sobretudo de suas partes
que ali viram morrer 300 malocas
no rio urubu rio negro da morte
o que passa entre o mato aziago
É belo? É limpo? adejam papagaios
entre mil insetos de teia de ouro fino
o rio não esquece
o rio nunca esquece
nunca lava
a hecatombe a fila a corrida

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Impasse nas negociações sobre aumento da dívida


Impasse nas negociações sobre aumento da dívida


Moody’s ameaça cortar rating máximo aos Estados Unidos


Por Pedro Crisóstomo

Os receios de que democratas e republicanos não consigam um acordo para aumentar o limite legal de endividamento dos Estados Unidos levou hoje a agência Moody’s a colocar o rating norte-americano sob vigilância negativa. Na hipótese de uma revisão, ressalva, o corte teria efeitos mínimos ou nulos nos investidores.

Quanto mais se arrastam as negociações, mais crescem as probabilidades de os EUA perderem a nota máxima com que estão avaliados.

A notação de risco da dívida norte-americana é a mais elevada de todas, mas o impasse das negociações entre a Casa Branca e a oposição – apesar das intensas conversações – ameaça os Estados Unidos de perderem o nível AAA, o famoso “triple A”.

A agência já tinha dado a entender no início do último mês que poderia cortar o rating dos EUA caso em meados de Julho não houvesse um acordo para o Governo aumentar o tecto legal do endividamento, que chegou ao limite a 16 de Maio e que tem obrigado o Washington a socorrer-se de medidas extraordinárias.

A Moody’s diz que existe um “pequeno risco” – que, sublinha, está a aumentar – de ocorrer um “incumprimento de curta duração”. A administração Obama deu 2 de Agosto como a data limite para fechar um acordo sobre a dívida, já que, diz, a partir dessa data não poderá recorrer a mais medidas extraordinárias para honrar os compromissos financeiros.

Apesar disso, a revisão em baixa nunca seria superior a três níveis – os analistas ponderariam entre baixar a nota para Aa1, Aa1 ou Aa3 – “porque este tipo de incumprimento deveria ser de curto prazo e a perda prevista para os detentores de Obrigações do Tesouro seria mínima ou nula”.

O presidente Barack Obama ainda ontem colocou mais pressão sobre os ombros do líder republicano do Senado, Mitch McConnell, dizendo que não dava garantias de os pagamentos das reformas serem feitos a 3 de Agosto se a questão não se resolver até à véspera.

O braço-de-ferro mantém-se. O porta-voz da Câmara dos Representantes, John Boehner, onde os republicanos têm maioria, reforçou que não há garantias para um acordo.

O aviso da Moody's é apenas o culminar de uma ameaça das agências de rating que nao é, porém, de agora. A antever difíceis consensos entre a Casa Branca e o Partido Republicano quanto às políticas orçamentais, a agência Standard and Poor’s já a 18 de Abril lançou a hipótese de deixar cair a avaliação do patamar máximo da dívida norte-americana, o que, na altura, gerou um coro de protestos por parte dos responsáveis políticos norte-americanos.

Notícia actualizada às 23h09

O “complexo Deus” da modernidade


O “complexo Deus” da modernidade






A crise atual não é apenas de escassez crescente de recursos e de serviços naturais. É fundamentalmente a crise de um tipo de civilização que colocou o ser humano como “senhor e dono” da natureza (Descartes). Esta, para ele, é sem espírito e sem propósito e por isso pode fazer com ela o que quiser.

Segundo o fundador do paradigma moderno da tecnociência, Francis Bacon, cabe ao ser humano torturá-la, como o fazem os esbirros da Inquisição, até que ela entregue todos os seus segredos. Desta atitude se derivou uma relação de agressão e de verdadeira guerra contra a natureza selvagem que devia ser dominada e “civilizada”. Surgiu, também, a projeção arrogante do ser humano como o “Deus” que tudo domina e organiza.

Devemos reconhecer que o Cristianismo ajudou a legitimar e a reforçar esta compreensão. O Gênesis diz claramente:”enchei a Terra e sujeitai-a e dominai sobre tudo o que vive e se move sobre ela”(1,28). Depois se afirma que o ser humano foi feito “à imagem e semelhança de Deus”(Gn 1,26). O sentido bíblico desta expressão é: o ser humano é lugar-tenente de Deus e como Este é o senhor do universo, o ser humano é senhor da Terra. Ele goza de uma dignidade que é só dele, o de estar acima dos demas seres. Daí, se gerou o antropocentrismo, uma das causas da crise ecológica. Por fim, o estrito monoteismo retirou o caráter sagrado de todas as coisas e o concentrou só em Deus. O mundo, não possuindo nada de sagrado, não precisa ser respeitado. Podemos moldá-lo ao nosso bel-prazer. A moderna civilização da tecnociência encheu todos os espaços com seus aparatos e pôde penetrar no coração da matéria, da vida e do universo. Tudo vinha envolto pela aura do “progresso”, uma espécie de resgate do paraíso das delícias, outrora perdido, mas agora reconstruido e oferecido a todos.

Esta visão gloriosa começou a ruir no século XX com as duas guerras mundiais e outras coloniais que vitimaram duzentos milhões de pessoas. Quando se perpetrou o maior ato terrorista da história, as bombas atômicas lançadas sobre o Japão pelo exército norteamericano, que matou milhares de pessoas e devastou a natureza, a humanidade levou um susto do qual não se refez até hoje. Com as armas atômicas, biológicas e químicas construidas depois, nos demos conta de que não precisamos de Deus para concretizar o Apocalipse.

Não somos Deus e querer ser “Deus” nos leva à loucura. A idéia do homem como “Deus” se transformou num pesadelo. Mas, ele se esconde ainda atrás do “tina” (there is no alternative) neoliberal:”não há alternativa, este mundo é definitivo.” Ridículo. Demo-nos conta de que “o saber como poder”(Bacon) quando feito sem consciência e sem limites éticos, pode nos autodestruir. Que poder temos sobre a natureza? Quem domina um tsunami? Quem controla o vulcão chileno Puyehe? Quem freia a fúria das enchentes nas cidades serranas do Rio? Quem impede o efeito letal das partículas atômicas do urânio, do césio e de outras liberadas, pelas catástrofes de Chernobyl e de Fukushima? Como disse Heidegger em sua última entrevista ao Der Spiegel: ”só um Deus nos poderá salvar”.

Temos que nos aceitar como simples criaturas junto com todas as demais da comunidade de vida. Temos a mesma origem comum: o pó da Terra. Não somos a coroa da criação, mas um elo da correnta da vida, com uma diferença, a de sermos conscientes e com a missão de “guardar e de cuidar do jardim do Eden”(Gn 2,15), quer dizer, de manter a condições de sustentalidade de todos os ecossistemas que compõem a Terra.

Se partimos da Bíblia para legitimar a dominação da Terra, temos que voltar a ela para aprender a respeitá-la e a cuidá-la. A Terra gerou a todos. Deus ordenou: “Que a Terra produza seres vivos, segundo sua espécie”(Gn 1,24). Ela, portanto, não é inerte, é geradora e é mãe. A aliança de Deus não é apenas com os seres humanos. Depois do tsunami do dilúvio, Deus refez a aliança “com a nossa descendência e com todos os seres vivos”(Gn 9,10). Sem eles, somos uma família desfalcada.

A história mostra que a arrogância de “ser Deus”, sem nunca poder sê-lo, só nos traz desgraças. Baste-nos ser simples criaturas com a missão de cuidar e respeitar a Mãe Terra.



Leonardo Boff é teólogo.

terça-feira, 12 de julho de 2011

MUSEUS DE MANAUS

Restauração revela que quadro vendido por US$ 72 foi pintado por Leonardo da Vinci


Restauração revela que quadro vendido por US$ 72 foi pintado por Leonardo da Vinci



O quadro 'Salvator Mundi', de Leonardo da Vinci

LONDRES - O que era para ser um rotineiro trabalho de restauração fez o quadro "Salvator Mundi" ganhar o status da mais recente obra de Leonardo da Vinci redescoberta. Vendida em 1956 por US$ 72 , a pintura - que será exibida na Galeria Nacional do Reino Unido numa mostra sobre o artista - vale, agora, US$ 191 milhões.

A limpeza do quadro evidenciou a apurada técnica usada para pintar a esfera de vidro que Cristo segura em uma das mãos. Para especialistas, apesar de Da Vinci ter sido muito imitado no século 16, o objeto transparente foi pintado tão brilhantemente que não poderia ser obra de um de seus discípulos.

Da Vinci era obcecado em criar soluções para efeitos translúcidos na pintura e para capturar os efeitos de luz - as mesmas questões apresentadas na pintura da esfera transparente.

Outra evidência é a túnica. O complexo movimento da peça lembra um desenho de Da Vinci exposto na Biblioteca Real, aparentemente um estudo para este quadro. A pintura também tem ligações com a "Última Ceia": o Cristo tem a mesma característica etérea e fugaz que a figura central da célebre obra de Da Vinci.

O número de trabalhos perdidos de Da Vinci quase se equivale ao de suas pinturas conhecidas. "Leda e o cisne", um nu provocante, foi provavelmente destruída por um membro religioso da família real francesa. "A batalha de Anghiari" foi escondida ou destruída a mando dos Médici. Um nu de Mona Lisa, o "Mona Vanna", é outra obra perdida. O quadro "Salvator Mundi" foi descrito em documentos do século 17, mas estava desparecido até o momento.

POEMA DE MARIA COSTA





Escrevo para ser nada, nem ninguém
Lugar ausente de mim mesma
A manhã contemplada da janela entreaberta
Umas quantas palavras
Um olhar que se afoga
Dou-me assim a esse amor.
Escrevo sob ameaça de uma luz que consome o fogo.





por Maria Costa

Rogel Samuel: A palavra árvore


Rogel Samuel: A palavra árvore

Leio o poema de Maria Azenha e sonho. Leio o poema de Maria Azenha e também ouço aquela música dos ramos, dos ventos entre as folhagens. E até sinto o perfume dos eucaliptos no mais alto das serras. Rios azuis escorrem da montanha. Sons de cristalino e puro violino, sons de água, de vento, sons.
Meu pensamento coroado de ventos elevados voa nessas nuvens. Do poema:

às vezes basta uma palavra : árvore
e ouço a música dos ramos
correndo transparente
como um rio azul


a sua voz é água
um violino puro


coroado de vento
e
nuvens


maria azenha
http://ardeoazul3.blogspot.com/

segunda-feira, 11 de julho de 2011

GOLFINHOS NO ESTUÁRIO DO RIO TEJO


Estes animais “não são uma espécie indicadora da qualidade da água”, já que toleram facilmente sítios poluídos, afirma um biólogo do Projecto Delfim.

SEDA: Manaus sedia primeira edição do projeto Semana do Audiovisual


SEDA: Manaus sedia primeira edição do projeto Semana do Audiovisual

Promovido pelo Coletivo Difusão e Clube de Cinemas do Fora do Eixo, projeto terá programação inteiramente grátis, levando ao público mostras, oficinas e demais eventos e atividades responsáveis por promover o “casamento” do audiovisual com outros segmentos artísticos da capital

Arte contemporânea, experimentação, mídias livres e muito, mas muito audiovisual. Assim será a SEDA, primeira edição em Manaus da Semana do Audiovisual (SEDA), promoção e realização do Coletivo Difusão e do Clube de Cinemas do Fora do Eixo, que acontece de 13 a 17 de julho, com programação inteiramente grátis, trazendo ao público mostras, oficinas e debates, shows e outras atividades responsáveis por promover o “casamento” do audiovisual com outros segmentos artísticos da capital.

Uma das coordenadoras do SEDA e membro do Coletivo Difusão, Michelle Andrews, chama atenção para os três painéis de discussão, enfocando no perfil mais prático da atividade, levando ao evento profissionais da cidade e convidados de São Paulo, como Yasmin Bidim, e de Minas Gerais, Flávio Charchar, estes últimos falando de tópicos mais abrangentes, como distribuição.

Yasmin, por exemplo, participará do painel “Panorama da Economia do Audiovisual Brasileiro”, ao lado do mediador e ex-jornalista de A CRÍTICA, Thiago Hermido, enquanto Charchar estará na mesa “Distribuição e circulação do audiovisual brasileiro”, com o cineasta e produtor amazonense Chicão Fill, tendo como mediador Aldemar Matias.

“Essa é a primeira edição da Semana do Audiovisual de Manaus. Cada Coletivo faz a sua e desde março a SEDA acontece Brasil afora. E decidimos prestar uma homenagem ao professor Narciso Lobo (falecido em 2009), com uma ‘Vivência’ palestrada por Tom Zé (15h, dia 13, no Sesc-AM), cuja proposta é apresentar a história do Narciso e sua contribuição teórica ao audiovisual amazonense. É importante lembrar de pessoas com mentes mais abertas, de forma positiva. Também vamos exibir um documentário experimental que o Coletivo Difusão fez com ele, de 5 minutos de duração, no qual Narciso fala sobre o movimento cineclubista de Manaus”, explica a coordenadora do SEDA em Manaus e membro do Coletivo Difusão, Michelle Andrews.

Locais
O painel com os profissionais locais será “Cobertura de TV na Amazônia”, com Orlando Junior, Danilo Egle e Denilson Novo. Outros destaques da programação são as oficinas, que também se estenderão até a Zona Leste, saindo da área central de realização do SEDA.

“Essa será uma parte mais de fomento, de experiência mesmo, levando um material legal para os jovens, crianças e comunidade em geral no Jorge Teixeira”, diz Michelle.

Essa oficina será a de “Cineclubismo”, ministrada pela Yasmin no sábado, dia 16, de 9h às 12h, no Centro Comunitário Maria Gorethe, loclaizado na rua das Orquídeas, s/n, no bairro Jorge Teixeira, Zona Leste de Manaus.

As atividades didáticas do SEDA acontecem pela parte da manhã, enquanto ao cair da noite ocorrem as exibições audiovisuais.

A semana inicia com uma homenagem ao professor Narciso Lobo, um dos grandes intelectuais que se debruçaram sobre a história do cinema local, que abre a programação.

A abertura acontecerá no Sesc-AM, com uma oficina pela parte da manhã e, a partir das 15h, haverá a homenagem a Lobo.

A Semana do Audiovisual é um festival integrado de cinema, realizado pelo Circuito Fora do Eixo em cerca de 40 cidades do Brasil, por meio do Clube de Cinema Fora do Eixo, setor responsável pela gestão audiovisual da rede, produzindo semanalmente web TVs e obras audiovisuais.

Programação
13/7 - Quarta-feira: Oficina - Mídias livres, com Flávio Charchar (MG). 9h às 12h na Casa do Cinema (rua Ferreira Pena, 1.355) ,Vivência - Homenagem ao Profº Narciso Lobo, com Tom Zé. 15h às 16h no Sesc-AM (rua Henrique Martins, 427) , Painel - Panorama da Economia do Audiovisual Brasileiro. Convidados: Thiago Hermido (mediador) e Yasmin Bidim (SP). 15h às 16h no Sesc-AM ,Mostra - 19h às 21h, no Teatro Gebes Medeiros Rua Eduardo Ribeiro, Ideal Clube.

14/7 - Quinta-feira: Oficina - Mídias livres com Flávio Charchar (MG). 9h às 12h na Casa do Cinema. ,Painel - Distribuição e circulação do audiovisual brasileiro. Convidados: Chicão Fill (AM), Aldemar Matias (mediador) e Flávio Charchar (MG). 15h às 17h no Sesc-AM. ,Mostra - 19h às 21h no Teatro Gebes Medeiros. Lançamentos: Filme Cartão Postal(RJ) e Videoclipe Rua Augusta do rapper Emicida (SP), no Ideal Clube. 15/7 - Sexta-feira ,Oficina - Experiências Multimídias com Paulo Fehlauer (SP). 8h às 18h Espaço Cultural Arte e Fato – Ponto de Cultura (rua 10 de Julho, 443, ao lado do Teatro Amazonas). ,Oficina - Mídias livres, com Flávio Charchar (MG). 9h às 12h na Casa do Cinema. ,Painel - Cobertura de TV na Amazônia. Convidados: Orlando Junior, Danilo Egle, Denilson Novo e Aldemar Matias (mediador). 14h30 às 16h no Sesc-AM. ,Painel - Produção Internacional. Convidados: Carolina Fernandes, Aldemar Matias (mediador) e Marcos Tupinambá. 16h30 às 18h no Sesc-AM. ,Mostra - 19h às 21h na Casa Ivete Ibiapina.

16/7 - Sábado: Oficina - Experiências Multimídias com Paulo Fehlauer (SP). 8h às 18h no Espaço Cultural Arte e Fato. ,Oficina - Cineclubismo com Yasmin Bidim (SP). 9h às 12h no Centro Comunitário Maria Gorethe (rua das Orquídeas, s/n, Jorge Teixeira) ,Mostra - Centro Comunitário Maria Gorethe, às 18h. Encerramento ,Cabaré Fora do Eixo - 19h às 21h no Espaço Cultural Muiraquitã 17/7 - Domingo ,Oficina - Experiências Multimídias com Paulo Fehlauer (SP). 8h às 18h Espaço Cultural Arte e Fato.

OS PRÍNCIPES

domingo, 10 de julho de 2011

Tailândia quer proibir tatuagem budista em turista estrangeiro


Tailândia quer proibir tatuagem budista em turista estrangeiro

IRENE ALCONCHEL
DA EFE, EM BANCOC

O turista deixará a Tailândia com seu corpo menos decorado a partir da entrada em vigor de uma norma do governo que prevê proibir tatuar o estrangeiro com desenhos religiosos budistas.

O motivo alegado é o uso "irrespeitoso" que se faz dos símbolos. A medida preocupa os tatuadores em Bancoc e outros lugares do país.


Barbara Walton - 5.jul.11/Efe


Description: Turista mostra sua tatuagem de Buda, em Bancoc, Tailândia

Turista mostra sua tatuagem de Buda, em Bancoc, Tailândia

Um dos defensores da medida é o ministro tailandês de Cultura, que expressou nesta semana sua oposição a que turistas estrangeiros usem imagens de Buda ou ainda do deus com forma de elefante Ganesha.

A cada ano, milhares de estrangeiros aproveitam sua visita à Tailândia para tatuar algum desenho no corpo, principalmente a imagem de Buda.

Segundo as autoridades, muitas vezes o local da tatuagem é em zonas do corpo consideradas "impuras", o que constituiria uma ofensa aos fiéis.

A sociedade budista julga como "suja" a parte do corpo que vai desde a cintura até os pés, de modo que representações religiosas nos quadris, glúteos ou membros inferiores não seriam adequadas.

No entanto, defende-se um tatuador: "Nós respeitamos o budismo e, se um estragneiro quer uma tatuagem budista na panturrilha [batata da perna], explicamos porque não podemos fazer isso, e sempre costumam entender".

É o que diz Plat, dono de um pequeno posto de tatuagens e piercings do bairro de Khao San, importante ponto de turismo jovem na capital.

A demanda por este tipo de lembrança cresceu de forma abrupta em 2004, quando a atriz norte-americana Angelina Jolie se tatuou no país de um grande tigre e um símbolo de proteção budista nas costas.