quarta-feira, 23 de março de 2011

ÚLTIMA JORNADA


ÚLTIMA JORNADA

MACHADO DE ASSIS

I



E ela se foi nesse clarão primeiro,

Aquela esposa mísera e ditosa;

E ele se foi o pérfido guerreiro.



Ela serena ia subindo e airosa,

Ele à força de incógnitos pesares

Dobra a cerviz rebelde e lutuosa.



Iam assim, iam cortando os ares,

Deixando embaixo as fértiles campinas,

E as florestas, e os rios e os palmares.



Oh! cândidas lembranças infantinas!

Oh! vida alegre da primeira taba;

Que aurora vos tomou, aves divinas?



Como um tronco do mato que desaba,

Tudo caiu; lei bárbara e funesta:

O mesmo instante cria e o mesmo acaba.



De esperanças tamanhas o que resta?

Uma história, uma lágrima chorada

Sobre as últimas ramas da floresta.



A flor do ipê a viu brotar magoada,

E talvez a guardou no seio amigo,

Como lembrança da estação passada.



Agora os dois, deixando o bosque antigo,

E as campinas, e os rios e os palmares,

Para subir ao derradeiro abrigo,

Iam cortando lentamente os ares.



II



E ele clamava à moça que ascendia;

“— Oh! tu que a doce luz eterna levas,

E vais viver na região do dia,



Vê como rasgam bárbaras e sevas

As tristezas mortais ao que se afunda

Quase na fria região das trevas!



Olha esse sol que a criação inunda!

Oh quanta luz, oh! quanta doce vida

Deixar-me vai na escuridão profunda!



Tu ao menos perdoa-me, querida!

Suave esposa, que eu ganhei roubando,

Perdida agora para mim, perdida!



Ao maldito na morte, ao miserando,

Que mais lhe resta em sua noite impura?

Sequer alívio ao coração nefando.



Nos olhos trago a tua morte escura.

Foi meu ódio cruel que há decepado,

Ainda em flor, a tua formosura.



Mensageiro de paz, era enviado

Um dia à taba de teus pais, um dia

Que melhor fora se não fora nado.



Ali te vi; ali, entre a alegria

De teus fortes guerreiros e donzelas,

Teu doce rosto para mim sorria.



A mais bela eras tu entre as mais belas,

Como no céu a criadora lua

Vence na luz as vívidas estrelas.



Gentil nasceste por desgraça tua;

Eu covarde nasci; tu me seguiste;

E ardeu a guerra desabrida e crua.



Um dia o rosto carregado e triste

À taba de teus pais volveste, o rosto

Com que alegre e feliz dali fugiste.



Tinha expirado o passageiro gosto,

Ou o sangue dos teus, correndo a fio,

Em teu seio outro afeto havia posto.



Mas, ou fosse remorso, ou já fastio,

Ias-te agora leve e descuidada,

Como folha que o vento entrega ao rio.



Oh! corça minha fugitiva e amada!

Anhangá te guiou por mau caminho,

E a morte pôs na minha mão fechada.



Feriu-me da vingança agudo espinho;

E fiz-te padecer tão cruas penas,

Que inda me dói o coração mesquinho.



Ao contemplar aquelas tristes cenas

As aves, de piedosas e sentidas,

Chorando foram sacudindo as penas.



Não viu o cedro ali correr perdidas

Lágrimas de materno amado seio;

Viu somente morrer a flor das vidas.



O que mais houve da floresta em meio

O sinistro espetáculo, decerto

Nenhum estranho contemplá-lo veio.



Mas, se alguém penetrasse no deserto,

Vira cair pesadamente a massa

Do corpo do guerreiro; e o crânio aberto,



Como se fora derramada taça

Pela terra jazer, ali chamando

O feio grasno do urubu que passa.



Em vão a arma do golpe irão buscando,

Nenhuma houve; nem guerreiro ousado

A tua morte ali foi castigando.



Talvez, talvez Tupã, desconsolado,

A pena contemplou maior do que era

O delito; e de cólera tomado,



Ao mais alto dos Andes estendera

O forte braço, e da árvore mais forte

A seta e o arco vingador colhera;



As pontas lhe dobrou, da mesma sorte

Que o junco dobra, sussurrando o vento,

E de um só tiro lhe enviou a morte.”



Ia assim suspirando este lamento,

Quando subitamente a voz lhe cala,

Como se a dor lhe sufocara o alento.



No ar se perdera a lastimosa fala,

E o infeliz, condenado à noite escura,

Os dentes range e treme de encontrá-la.



Leva os olhos na viva aurora pura

Em que vê penetrar, já longe, aquela

Doce, mimosa, virginal figura.



Assim no campo a tímida gazela

Foge e se perde; assim no azul dos mares

Some-se e morre fugidia vela.



E nada mais se viu flutuar nos ares;

Que ele, bebendo as lágrimas que chora,

Na noite entrou dos imortais pesares,

E ela de todo mergulhou na aurora.

JORGE BAIRD





MEU TIO JORGE BAIRD NO JORNAL DO COMMERCIO DE MANAUS EM 1972, À DIREITA, DE TERNO ESCURO (FOTO DO BLOG DO COROGEL ROBERTO).
Ernesto Geisel, Governador João Walter (centro) e Jorge Baird, Jornal do
Commercio. Manaus, 13 jan. 1972. BAIRD NA ÉPOCA ERA PRESIDENTE DA COMPANHIA DE ELETRICIDADE DE MANAUS, CASADO COM MINHA TIA MARCELA, IRMÃ DE MEU PAI. TODOS JÁ FALECIDOS.


http://catadordepapeis.blogspot.com/

terça-feira, 22 de março de 2011

Governo brasileiro pede cessar-fogo na Líbia





Luana Lourenço
Repórter da Agência Brasil

Brasília - O governo brasileiro manifestou hoje (21) formalmente a expectativa de um cessar-fogo efetivo na Líbia, com o fim dos ataques aéreos e das hostilidades entre grupos rivais no país.

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores defende o fim dos ataques e destaca a necessidade de garantir a proteção da população civil e de buscar a paz e o diálogo, evitando o acirramento do conflito entre partidários e opositores do regime de Muammar Khadafi.

“O Brasil reitera sua solidariedade com o povo líbio na busca de uma maior participação na definição do futuro político do país, em ambiente de proteção dos direitos humanos”, diz o texto divulgado na noite de hoje (21).

A iniciativa brasileira segue o exemplo da Turquia e da Índia, que defendem o cessar-fogo e pedem a Khadafi que entregue o poder como forma de acabar com o impasse e os confrontos na região.

No comunicado, o Itamaraty também reafirma o apoio do Brasil às intervenções da Organização das Nações Unidas (ONU) e do Comitê ad hoc de Alto Nível estabelecido pela União Africana União Africana, que tentam negociar uma solução para a crise na Líbia.

Edição: João Carlos Rodrigues

sexta-feira, 18 de março de 2011

Unidos da Tijuca fará desfile para Michelle Obama



Rio - Diretores, passistas e o carnavalesco da Unidos da Tijuca, Paulo Barros, aguardam com ansiedade a visita da primeira dama norte-americana Michelle Obama, no domingo, no barracão da escola, na Cidade do Samba, zona portuária do Rio de Janeiro. Orientado por representantes do consulado dos Estados Unidos a não dar declarações sobre o encontro, Paulo Barros passou várias horas hoje com sua equipe tentando recuperar alegorias e fantasias para uma exibição curta e de improviso, em homenagem à Michelle.

A escola se apresentou no fim de semana passado, no Desfile das Campeãs, por ter sido a segunda colocada do carnaval do Rio. Depois, os carros alegóricos foram levados para o barracão e alguns deles perderam parte de sua estrutura. Eletricistas e mecânicos trabalharam hoje para a montagem de pelo menos dois daqueles carros - um deles seria o que representou na Sapucaí "Indiana Jones". O enredo da Unidos da Tijuca foi sobre o medo despertado pelo cinema.


Michelle deve ir ao barracão por volta das 15 horas, em companhia de suas filhas, Sasha e Malia. Paulo Barros conseguiu reunir passistas e algumas senhoras da ala das baianas e conta com a presença do casal de mestre-sala e porta-bandeira da escola, Marquinhos e Giovanna, para a festa na Cidade do Samba. Ele ainda tem dúvidas se será viável uma pequena apresentação da comissão de frente da Tijuca, com homens que "desprendiam a cabeça" do restante do corpo.

AE / Portal do Holanda

Internet contra Obama no RJ?










O Portal R7 divulgou hoje à tarde a informação que Barack Obama cancelou o comício que faria domingo na Cinelândia, no centro do Rio Janeiro, devido aos fortes protestos que se espalharam pela internet. Ele agora discursará apenas para convidados "especiais" no interior do Theatro Municipal.

"Monitoramento das redes sociais"

Segundo Sérgio Vieira, repórter do R7, o presidente dos EUA cancelou o seu discurso "depois dos alertas recebidos pelos serviços de inteligência dos Estados Unidos após monitoramento de redes sociais, segundo informações obtidas com fontes no consulado norte-americano".

Ainda segundo o jornalista, "o serviço secreto cogitou a possibilidade de protestos e críticas ao Chefe de Estado dos EUA após a ONU (Organização das Nações Unidas) ter autorizado sanções militares à Líbia. Fontes do consulado afirmaram que agentes do serviço secreto encontraram indícios de que críticas ao ato público estavam sendo feitas na rede social, o que deixou a equipe de segurança do governo norte-americano receosa".

O CARRO DE OBAMA




O carro é chamado de “A Fera”.

O Cadillac One blindado é uma tradição dos presidentes americanos, mas recebeu sua versão mais moderna em 2009, quando Barack Obama assumiu o governo. Com 1,85 metro de altura, 4,5 toneladas de peso e 5,40 metros de extensão – é uma versão estendida do Cadillac DTS –, o veículo foi montado especialmente sobre um chassi de um caminhão médio. Um potente motor V8 a diesel, que lhe permite chegar a 96 km/h, faz o carro andar.

Tudo foi concebido tendo a segurança como prioridade. A blindagem de 12cm é feita de um composto de aço, titânio, fibra de carbono e cerâmica. Parte mais sensível do automóvel, as portas têm blindagem especial, de cerca de 20 cm de largura e pesam como a porta de um avião Boeing 757.

Também contam com um mecanismo de trancamento semelhante ao do cofre de um banco, que faz da cabine traseira uma cápsula totalmente isolada do mundo exterior – silenciosa e definida como “casulo”, por um ex-motorista, à CNN. Os vidros não baixam – só a porta do motorista baixa os vidros, por cerca de dez centímetros, para se comunicar com outro agente ou no caso de alguma emergência. Toda vez que o carro se movimenta em baixa velocidade, é acompanhado a pé, ao redor, por quatro a seis agentes.

Os motoristas do Cadillac One são intensamente treinados pela CIA (Agência Central de Inteligência, dos EUA) para saber como reagir ao volante a variadas situações de emergência e risco ao presidente. Eles contam sistema de GPS e uma central de comunicações. O carro é equipado com câmeras de visão noturna, armas longas e lançadores de granadas de gás lacrimogêneo.



O assoalho da “Fera” também é reforçado, com uma chapa de 13 cm, resistente a explosões embaixo do carro. O tanque de combustível é preenchido com uma espuma especial que evita explosão mesmo em caso de impacto direto. O porta-malas tem tanques de oxigênio e equipamento de combate a incêndio. Os pneus são reforçados com kevlar e revestidos com aço, o que lhes permite rodar ainda que estejam muito danificados.

A escolta acompanha o presidente em ao menos seis Chevrolet Suburban pretos, que circulam com os vidros do porta-malas abertos, equipes de atiradores a postos, portando fuzis e óculos de visão noturna. Esses carros têm teto retrátil, para permitir o eventual uso de metralhadoras de grosso calibre, que sobem em uma plataforma, como se fossem carros de combate.

Separada da parte da frente por um vidro, que só pode ser abaixado pelo presidente, na cabine de Obama há lugar para quatro pessoas. O ar interno do Cadillac One é filtrado, para evitar que o presidente respire ar contaminado por eventual ataque de armas químicas ou biológicas. Obama tem um botão de pânico, que pode ser acionado no caso de emergência, e bolsas do próprio sangue para a necessidade de transfusão urgente – uma ambulância completa integra sempre o comboio.

A segurança do presidente não é apenas física, mas também de informações. Antes de serem levados para o Serviço Secreto, os modelos de carro blindado de Obama foram completamente desmontados e escaneados para identificação de equipamentos de escuta. Desde então, a custódia do carro fica sempre sob responsabilidade dos agentes especiais.

Na cabine de Obama, conforto e equipamento de comunicação de altíssimo nível. A ideia é que o carro seja uma extensão do Salão Oval da Casa Branca. O presidente americano conta com uma mesa com computador, telefone por satélite, contato direto com o vice-presidente e com o Pentágono.

Nas viagens ao exterior, sempre há ao menos duas limousines blindadas (uma reserva), e uma equipe de mecânicos especializados faz parte da comitiva

PROTESTO CONTRA OBAMA NO RIO


Um protesto contra a visita ao Brasil do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, terminou em tumulto no início da noite desta sexta-feira, no centro do Rio.

Os manifestantes partiram da Candelária e se encaminharam para o Consulado Americano, onde policiais policiais do Batalhão de Choque da PM faziam a segurança do edifício. Uma garrafa de coquetel molotov foi arremessada contra o consulado, dando início à confusão.

A polícia respondeu com tiros de balas de borracha, spray de pimenta e bombas de efeito moral. O coquetel molotov chegou a incendiar uma parte da roupa de um segurança do Consulado, que ficou ferido sem gravidade. Um repórter da rádio CBN foi ferido por um tiro de borracha.

O trânsito chegou a ser fechado em frente ao consulado, mas já foi liberado.

ESQUEMA ESPECIAL

A Prefeitura do Rio divulgou nesta sexta-feira o esquema especial de trânsito nos arredores do Theatro Municipal, centro do Rio, onde o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fará um discurso público no domingo.

Em reunião da Prefeitura do Rio com o Exército Brasileiro, polícias Federal e Militar, e Serviço Secreto Norte-Americano, definiram que as ruas Evaristo da Veiga e Treze de Maio, que anteriormente seriam fechadas na noite desta sexta-feira, serão interditadas às 7h de sábado (19).

No domingo (20), as ruas do Passeio e Santa Luzia não serão mais fechadas. "Todo o comércio da Cinelândia poderá abrir normalmente", informou em nota a prefeitura.

O Metrô Rio terá funcionamento normal sem interrupção na circulação de trens. A estação da Cinelândia permanecerá aberta.

No sábado, a partir das 7h, o tráfego de veículos também será proibido em parte da avenida Rio Branco (entre a avenida Almirante Barroso e a rua Santa Luzia) e nas ruas do entorno da Cinelândia.

Às 5h de domingo, serão interditadas todas as ruas transversais à avenida Rio Branco desde a avenida Beira-Mar até a avenida Presidente Vargas. A partir desse horário, estará bloqueada também a pista lateral da Presidente Vargas junto às edificações no sentido Candelária, nos trechos entre a avenida Passos e a rua Uruguaiana e da Uruguaiana e avenida Rio Branco.

A SUPER LUA CHEIA








No próximo sábado (19/março) teremos Lua Cheia. Até aí nada de mais. Só que nem todas as Luas Cheias têm o mesmo tamanho aparente. Sabia?

A de amanhã será maior. E a última vez que este fenômeno aconteceu nesta magnitude foi em março de 1993, há 18 anos.

A variação no tamanho aparente da Lua acontece porque a órbita do nosso satélite ao redor da Terra não é uma circunferência perfeita e sim uma elipse com a Terra posicionada num dos focos.

COBRAS PELO CORREIO




CURITIBA - Um jovem de 18 anos foi preso em flagrante quando tentava retirar uma encomenda nos Correios na manhã desta sexta-feira, em Uraí, no Norte do Paraná. Dentro do pacote, que vinha do Rio de Janeiro, foram encontradas sete cobras exóticas, que de acordo com técnicos do Ibama são comuns em lavouras de milho dos Estados Unidos.

Os funcionários da agência teriam recebido uma denúncia anônima e acionado o Ibama e a Polícia Federal.

Na casa do rapaz, a Polícia Federal encontrou outras cinco cobras da mesma espécie, uma jiboia com 1,5 m de comprimento, quatro jabotis, cágados, um esquilo e dois jacarés empalhados. Também foram apreendidas armas de caça.

O rapaz foi encaminhado para a Polícia Federal em Londrina, prestou depoimento e foi liberado em seguida. Ele deve responder por pelo menos dois crimes ambientais.


Consulado americano confirma cancelamento de discurso de Obama na Cinelândia







O Consulado-Geral dos Estados Unidos no Rio de Janeiro confirmou nesta sexta-feira que o discurso que o presidente norte-americano, Barack Obama, faria na Cinelândia, no próximo domingo, foi cancelado. Segundo a representação diplomática, o pronunciamento foi transferido para o Teatro Municipal, também na Cinelândia.

Uma das possibilidades para o cancelamento, segundo os organizadores da visita de Obama, é a questão de segurança. Os receios dos assessores do norte-americano aumentaram depois da decisão tomada ontem pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas de autorizar uma ação militar na Líbia.

No entanto, o Consulado-Geral limitou-se hoje a informar apenas que o local para o discurso de Obama foi transferido da Cinelândia para uma área fechada.

Após resolução da ONU, Líbia decreta cessar-fogo


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Por AE | Agência Estado –


O governo da Líbia anunciou hoje um cessar-fogo imediato no país, após semanas de confrontos entre forças do governo e rebeldes que exigem a deposição do governante Muamar Kadafi. O anúncio foi feito pelo ministro das Relações Exteriores, Musa Kusa. Ontem, o Conselho de Segurança (CS) da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou resolução permitindo uma ação militar internacional para proteger civis no país do norte africano. Kusa disse que o país iria "responder positivamente" à resolução e interromper suas operações militares.

Apesar disso, o chanceler expressou sua "tristeza" com aspectos da resolução, que, segundo ele, prejudicam bastante a Líbia e são uma violação da soberania nacional do país. Anteriormente, o governo líbio havia prometido decretar um cessar-fogo no domingo, apenas para que os rebeldes entregassem suas armas. Os que não obedecessem seriam novamente atacados, havia afirmado o governo.


Inspirado pelos casos de Tunísia e Egito, que resultaram na deposição dos presidentes desses países, o levante na Líbia começou no dia 15 de fevereiro, com protestos contra o governante Muamar Kadafi. As forças oficiais, porém, vinham retomando várias posições dos rebeldes nos últimos dias e ameaçavam, antes do cessar-fogo, lançar um violento ataque contra Benghazi, principal cidade controlada pelos rebeldes. As informações são da Dow Jones.
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quinta-feira, 17 de março de 2011

TREMORES NO BRASIL








A terra tremeu ontem em Ibirá (SP), assustando os cerca de 11 mil moradores da cidade. Há casas com rachaduras. O primeiro abalo foi sentido por volta do meio-dia. Três horas depois a terra voltou a tremer. "Eu senti o tremor por volta do meio-dia e meia, as janelas da minha casa começaram a balançar e o monitor do meu computador chacoalhou", explicou o servidor municipal Estevam Collar de Brito, de 20 anos.

A casa dele não teve rachaduras, mas alguns vizinhos não tiveram a mesma sorte. "Eles confirmaram que houve pequenas rachaduras em suas casas e que os lustres sacudiram", acrescentou Brito, observando que os tremores foram sentidos em toda a cidade. No bairro São Benedito, perto do centro, pessoas assustadas, sem saber o que estava acontecendo, se abrigaram em uma mercearia. "Eles entraram aqui em meu comércio, estavam muito assustados", segundo o comerciante Inácio Rodrigues, de 64 anos, dono do estabelecimento.


A princípio, a população achou que o chão tremeu devido a uma explosão na caldeira de uma usina de açúcar e álcool. A explosão de um botijão de gás também foi admitida e, em seguida, descartada. "Não foi nada disso (explosão), a usina fica a uns dez quilômetros da cidade", contou o servidor municipal.


Não foi a primeira vez que a terra tremeu em Ibirá. "Há cerca de cinco meses foi registrado um abalo, confirmado pela Unesp (Universidade Estadual Paulista)", completou Brito. Geólogos do Departamento de Geologia da Unesp, em São José do Rio Preto, estão conferindo se os abalos de ontem foram registrados pela estação sismográfica da Universidade.
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.....Tremor de 2 graus é registrado em Pernambuco

Por Marília Lopes | Agência Estado


A cidade de Caruaru (PE) registrou um tremor de terra de 2 graus na escala Richter por volta das 17 horas de ontem. O tremor foi registrado na estação sismográfica de Gravatá, também em Pernambuco, segundo o Departamento de Geofísica da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Segundo o sismólogo Aderson do Nascimento, do Departamento de Geofísica da UFRN, o tremor aconteceu devido a um lineamento da estrutura geológica em Pernambuco, uma espécie de cicatriz na estrutura geológica, causada por um movimento muito antigo das placas tectônicas. O tremor de 2 graus é sentido apenas por pessoas que estejam muito próximos ao epicentro.
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"Nuvem radioativa chegará à Europa semana que vem, dizem especialistas franceses






| do UOL Notícias


Daniela Fernandes
De Paris
Especialistas franceses afirmam que uma nuvem radioativa causada pelas explosões na central de Fukushima Daiichi, no Japão, deverá chegar à Europa na próxima semana, mas estimam, no entanto, que ela não será nociva à saúde.

Segundo Jean-Marc Peres, chefe do serviço de fiscalização da radioatividade no meio ambiente do Instituto de Radioproteção e Segurança Nuclear (IRSN) da França, “é muito provável” que a nuvem seja detectada a partir da próxima semana no território francês”.

O IRSN criou o site “Criter Japon”, que permite à população ter acesso ao nível de radiação na França. A radiação é medida por sensores espalhados pelo país quase em tempo real, com apenas uma hora de defasagem em relação à coleta dos dados.

O site mostra as áreas do país onde estão situados os sensores, e legendas em cores explicam os níveis de radioatividade.

O site “Criter Japon” tem tido “um número tão grande de acessos” que tem ficado fora do ar, informa o IRSN. O especialista do instituto afirma, no entanto, que em razão do fenômeno de dispersão das partículas radioativas durante o trajeto de vários milhares de quilômetros entre o Japão e a Europa, “ é certo que o nível de radioatividade da nuvem ficará abaixo do limite nocivo à saúde”.

Dalai-lama se nega a reconsiderar sua saída da vida política



NA FOTO, DALAI LAMA COM 7 ANOS



DA FRANCE PRESSE, EM DHARAMSALA

O Dalai-lama rejeitou, nesta quinta-feira, os pedidos do Parlamento tibetano para que reconsidere a decisão de abandonar as funções políticas dentro do movimento tibetano.

Ao ser questionado sobre uma possível mudança de ideia, o Prêmio Nobel da Paz declarou à agência France Presse: 'Não. Eu pensei por muitos anos (...), minha decisão em longo prazo é a melhor'.

O líder espiritual dos tibetanos anunciou na quinta-feira passada que renunciava a seu papel político para deixar o posto a um novo dirigente "livremente eleito", uma decisão que o governo da China classificou de "ardil" para enganar a comunidade internacional.

"Meu desejo de transmitir a autoridade não tem nada a ver com uma vontade de renunciar às responsabilidades", declarou o Dalai-lama durante um discurso em Dharamsala, norte da Índia, onde vive exilado.

"É pelo bem em longo prazo dos tibetanos. Não porque me sinta desanimado", completou.

Em um debate histórico no Parlamento tibetano no exílio na terça-feira, a maioria da assembleia composta por 47 membros se opôs a esta decisão, repercutindo a opinião pública tibetana.

Na carta, dirigida aos parlamentares, o Dalai-lama, de 75 anos, adverte que qualquer adiamento da decisão da Assembleia a respeito de sua aposentadoria política pode representar um "desafio esmagador" no futuro.

O afastamento político do Dalai-lama deve ser aprovado primeiro pelo Parlamento, mas isso poderá levar semanas devido a diversas posições conflituosas por parte dos parlamentares.

Sem nenhuma responsabilidade política, o Dalai-lama terá mais tempo para dar conferências e viajar por diversos lugares do mundo, como afirmou.

No domingo, cerca de 85.000 exilados de 13 países votarão para eleger um novo primeiro-ministro que poderá assumir maiores responsabilidades, como deseja o Dalai-lama.

O religioso e Prêmio Nobel da Paz considera que o movimento tibetano está suficientemente maduro para eleger diretamente o novo chefe de Governo tibetano no exílio.

"Se tivermos que seguir exilados durante várias décadas, chegará inevitavelmente o momento em que eu não serei mais capaz de assumir o governo", afirma na carta, lida pelo presidente do Parlamento.

"Por isto é necessário estabelecer um sistema de governo enquanto eu ainda estou em boas condições de saúde, para que a administração tibetana no exílio seja autônoma e não dependente do Dalai-lama", completa o texto.

O prêmio Nobel da Paz em 1989 tinha 15 anos quando foi nomeado 'chefe de Estado' em 1950, após a chegada das tropas chinesas ao Tibet.

Em 1959 fugiu da China e se refugiou em Dharamsala, após o fracasso de uma revolta contra Pequim.

O Dalai-lama, herdeiro de uma dinastia espiritual fundada no século XIV, acredita que o "caminho do meio" é a melhor solução.

Nascido em 6 de julho de 1935 em uma família camponesa da aldeia de Taksar, no nordeste do Tibet, Lhamo Dhondrub foi eleito como 14a. encarnação do chefe supremo do budismo tibetano, o Dalai-lama, quando tinha apenas 4 anos, em 22 de fevereiro de 1940.

de boemia, etc






L. Ruas



http://aparicaodoclown.blogspot.com/



Jornal Cultura n° 3


Para começo de conversa, faço questão de acentuar que sou do número daqueles que não aceitam boêmia com acento circunflexo em cima do “e”. Sei que, segundo os dicionários, não há boemia sem acento circunflexo, mas neste caso me insurjo contra os dicionários, contra a ortofonia, conta a ortografia. Para mim o negocio é boemia mesmo. Mia. Esta é que é a verdadeira boemia.

Outro dia me lembrei que, há tempos atrás, em um de nossos muitos e prolongados bate-papos ocorridos nessas andanças, naquelas nossas andanças de antes da Fundação Cultural, de antes da Secretaria de Educação, quando o tempo não lhe era ainda tão escasso ou ele ainda não precisaria se tornar tão avarento de tempo, no meio das nossas muitas conversas sobre tão muitos assuntos, dessas muitas conversas que acontecem toda vez que dois ou mais amigos se encontram para gastar a noite (já que o dia nos gasta e desgasta...), o poeta Elson Farias e eu, depois de divagarmos sobre o assunto, resolvemos que um dia haveríamos de escrever, não sei bem se um livro ou coisa parecida, sobre a boemia. Mas, pelo que eu vejo, livro mesmo é coisa difícil e, muito mais, sobre boemia. Por isso, resolvi, ao lembrar aquela conversa, transmiti-a, mais ou menos aos que me quiserem ler.

Não será necessário esclarecer que o esquecimento, isto é, a memória, já fez o seu costumeiro trabalho e, com sinceridade, não sei mais exatamente o que foi que eu disse, naquela ocasião, e o que foi que o Elson disse. Diante desta incerteza, deixo aqui um aviso aos meus leitores: as asnices que ocorrerem ficam por minha conta. E as outras asnices, por conta do Elson.

Mas, vamos à boemia.

De início me parece que boemia e poesia são muito parecidas, e não só por causa da rima. Pra mim, poeta e boêmio são irmãos gêmeos. Talvez sejam diferentes apenas em um aspecto: o boêmio é uma espécie de poeta existencial, vivencial. Ele trás para a vida aquele estado de espírito que é peculiar ao poeta. Isto explica porque nem todo boêmio é poeta no sentido estrito (que faz poesia) e nem todo poeta é boêmio embora este último caso seja muito comum.

Diz um velho (é claro que velho) adágio latino que “poetae nascuntur”, o que em português quer dizer que os poetas já nascem poetas. Não adianta fazer força para ser poeta se se não tiver o dom da poesia. No fim dá em nada, para não dizer que dá em outra coisa mais concreta e viscosa. Naturalmente, há muitos que tiveram sua “fase poética”. Mas, ter “fase poética” não é ser poeta. O poeta é poeta sempre, mesmo quando não cria mais poesia escrita, revelada. Lembremos o caso de Rimbaud. Rimbaud sempre foi um poeta mesmo quando abandonou o ofício da poesia. Aliás, diga-se de passagem, aqui temos um caso excelente de poeta-boêmio: Rimbaud. Pois bem. O boêmio também é assim. Quase todo mundo teve sua “fase boêmia”. Fase que corresponde, mais ou menos, à já referida fase poética. Mas quem não é poeta assim como quem não é boêmio, passada aquela fase, micha. E fica até com vergonha de ter tentado ser uma coisa ou outra.

A boemia como a poesia é um dom. Quem nasceu para ser boêmio pode virar do avesso que não deixa. Ou deixa. Mas aí é um frustrado.

Além de dom a boemia é também vocação. Há os boêmios frustrados do mesmo modo que há os outros frustrados. Aqueles que vivem uma vida que não cola com as suas aptidões. E que, portanto, não vivem vida nenhuma. Ninguém escolhe a boemia. Ela é que nos escolhe. Nisto está a verdadeira vocação. O vocacionado é aquele que não sabe explicar porque é que é isso ou aquilo. Pergunte, leitor, a um poeta verdadeiro porque ele é poeta. Duvido que você obtenha uma resposta exata, lógica. A vocação nos obriga e nos constrange. Não adianta fugir. Nessa historia de vocação é como aquela história do “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”. Não tem escapatória. E o verdadeiro poeta e o verdadeiro boêmio tem consciência disso mesmo quando acontece como no caso do Poeta de Baudelaire:

Quando, por um decreto das potências supremas,
O Poeta aparece neste mundo de náuseas,
Sua mãe horrorizada e cheia de blasfêmias
Crispa seus punhos para Deus, que se compadece dela:
... “Maldita seja a noite dos prazeres efêmeros
Na qual concebi a minha expiação!...”” etc. etc.

Pois é assim. O verdadeiro boêmio, por cima de paus e pedras, não nega a sua raça... Isto é, sua vocação.

Mas em que consiste o verdadeiro boêmio?

Bem. Devo dizer que não me arriscarei a cair na asnice de definir o poeta ou o boêmio. Diz o Jorge Tufic que o poeta é transparente. A gente não sabe o que é ser poeta. Mas se ninguém sabe o que é o poeta, diz ainda o Tufic, todos sentem o poeta. Aliás, isso não ocorre só com o poeta. Lembro-me, agora, de um artigo de Roberto Alvim Corrêa sobre o pe. Clérrisac. Roberto Alvim Corrêa, que, por sinal, publicou um belíssimo trabalho sobre François Mauriac no Jornal do Brasil, dizia que quem se aproximasse do pe. Clérrisac sentia que estava perto de um santo. Pela simples presença, pela simples aproximação. Isso ocorre com quem possui alguma coisa a mais (que não é aquele mais que a Shell lhe dá). Este é o caso do poeta. É o caso do boêmio. Ninguém pode definir um boêmio, mas todos sentem o boêmio. Como definir o indefinível?

Contudo, se não me arrisco a escorregar nesta asnice (consciente-mente eu não escorrego, não) de dar uma definição didática tal como a gente encontra em compêndios sobre arte, do poeta e do boêmio pra que depois qualquer imbecil saia dizendo por aí que sabe o que é um poeta ou um boêmio, atrevo-me a destacar uma característica que me parece indispensável e essencial a todo boêmio.

Parodiando Euclides da Cunha: o boêmio é, antes de tudo, um rebelde.

Calma. Não se apresse. Não se trata de rebeldia subversiva. Nada disso. O boêmio é rebelde no sentido, talvez, da rebeldia do “homem rebelde” de Albert Camus. Se a palavra, porem, pode parecer digna de qualquer suspeição, digamos, em vez de rebelde, insatisfeito ou, melhor, chateado. É isso mesmo. O boêmio é um sujeito chateado. Naturalmente a maioria dos indivíduos não é chateada. É chata, mas não chateada. A maioria é conformada. Nivelada. São sujeitos comuns. Sujeitos substantivos comuns. Mas, comuns mesmo. Tão comuns que não passam de sujeitos sem qualquer predicado que lhes dê qualquer relevo. E não só são comuns por uma questão de organização ou vocação fisiológica, mas fazem questão de ser comuns. Diga-se de passagem que nisto são um exemplo para os boêmios. Os boêmios deviam fazer como os sujeitos-substantivos-comuns: fazer força para ser boêmios de verdade. Não conciliar. Pois, como eu estava dizendo, os sujeitos-substantivos-comuns são conformados. Não querem mais nada. Aceitam tudo como está. Tudo como acontece. Mas, também, como vão querer se não sabem, nem podem (é uma questão de determinismo fisiológico, me parece) querer ser outra coisa se são comuns? Isto é, indivíduos que vivem unicamente para comer, beber, dormir, ejacular e produzir novos membros do imenso rebanho de sujeitos-substantivos-comuns. Não falo em trabalho. Ninguém gosta de trabalhar. Nem mesmo os sujeitos-substantivos-comuns, que se o fazem, é simplesmente para poderem fazer aquelas outras coisas acima enumeradas. O boêmio é o antípoda (também por um determinismo fisiológico) do sujeito-substantivo-comum. É alguém que não aceita a chatice do estabelecido e do pronto. Do que está feito. Do que está bitolado. Do dia-a-dia, da rotina, do lugar comum. O boêmio ama o novo, o diferente, o que se renova, a descoberta, o desconhecido, a aventura.

O boêmio é um aventureiro no melhor e no mais largo, no mais dilatado sentido da palavra. É um faminto e um sedento do diferente, do desconhecido, do exótico. Eis o motivo porque ele sempre foi olhado com espanto e com um certo escândalo. Criticam seu modo de vida pelo simples fato de ser um modo de vida diferente do dos demais. Por ele procura fazer coisas que os outros não fazem ou não sabem ou não podem fazer. Por isso acham que ele é um errado, um louco. Um visionário. Na verdade, ele não é acomodado. E todos os que não se acomodam, incomodam os acomodados. Mas isto é uma questão de modo de ver as coisas. É uma questão de perspectiva. A visão dos indivíduos comuns vê o mundo com alguma coisa bem arrumada, com cada coisas em seu lugar. Que me perdoe o Manuel Bandeira. Nisso o boêmio é parecido também com o artista. O artista é alguém que, fundamentalmente, não acredita na arrumação deste mundo. Para o artista o mundo, o universo, é alguma coisa que está exigindo ima arrumação profunda. E o artista está certo. Na verdade, como dizia um amigo meu, por sinal, uma verdadeira vocação de boêmio, Deus foi um grande esbanjador. Esbanjou beleza. O meu amigo falava assim a respeito das mulheres. Mas, acredito que sua idéia pode ser estendida ao resto do . . .cão. E, nisto, não concordo com Platão. O filósofo grego dizia que Deus foi um grande geômetra: geometrizou o céu e a terra. Qual o quê! Na criação não há nada arrumado nem muito menos geometrizado. Tudo está por ser feito. A criação está apenas começando. O que Deus foi pegar uma infinitude de coisas e aí chamou o homem e disse:

- Eu lhe dei inteligência, força e coragem para que você agora continue o trabalho que comecei.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Carmen Miranda é homenageada com selo nos Estados Unidos






DE SÃO PAULO

Carmen Miranda é uma das homenageadas em uma série de selos que começou a ser vendida nesta quarta-feira (16) nos Estados Unidos.

Além da cantora, outros quatro "gigantes da música latina" aparecem nas imagens: Tito Puente, Celia Cruz, Selena e Carlos Gardel.

A vice-presidente dos Correios norte-americanos, Marie Therese Dominguez, afirmou à Associated Press que os selos são um "tributo a cinco artistas extraordinários".

UNIVERSOS PARALELOS


UNIVERSOS PARALELOS

(Escrito em 2004, para o jornal CORREIO DO SUL, de VARGINHA, sob indicação de ZANOTO)

Rogel Samuel

O Rio de Janeiro doente, piora. Entramos no início de fase crítica, quando o choque parece inevitável. A cidade progressivamente desfalece, faveliza-se. Desde a mudança da capital para Brasília. O fechamento da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro é um marco. Símbolo do fim. A economia é informal. O poder é “informal”. A vida é “informal”. Somos todos camelôs da vida cotidiana. Há mais favelados do que habitantes do asfalto? Quantos homens e mulheres têm aqui contra si algum processo criminal? Calculava-se em cem mil o exército de marginais, no Rio. Quem garante que esta situação não explode um dia, numa grande matança, numa geral confrontação armada? Já há uma separação, já há dois países distintos: a cidade e a favela. Um contra ou outro. O mundo da favela penetra o da classe-média através das empregadas domésticas e faxineiros, mas isso pode acabar incontrolável. Morre-se mais no Rio do que na Palestina? Vivemos confinados, ilhados?
Há um poema de Cassiano Ricardo, escrito em plena Guerra-fria, que diz:

Milhões de crianças chorando
na noite esférica.

Por que choram?
Não são
elas que choram

É o futuro.

É a vida ainda não vivida.

São crianças no escuro
chorando por adivinhação
do acontecer.

Um dia, uma empregada, mulher quase tísica, na época trouxe a filhinha escondida, pois não tinha naquele dia com quem deixá-la. A menina não tinha pai, as duas moravam num barraco de perigosa favela. A mãe deve ter feito graves ameaças à criança, que ficasse calada e quieta, que desaparecesse num canto, que sumisse, que se escondesse, pois eu, o bacana, não a queria ali. Era uma criança muito frágil, magrinha e desnutrida, muito pequenina e bonita. A mãe já tinha perdido vários empregos por causa dela, pois ninguém gostava de ver criança estranha ameaçando quebrar os cristais da sala. Acuada, ela se escondia debaixo da mesa da cozinha, no fundo de si mesma, quando inesperadamente e antes da hora eu perigosamente apareci. Cheguei e, infelizmente, fui ate a cozinha beber um gole d’água quando a descobri.
O pavor daquele pequenino ser me assustou mais do que pudesse suportar. Aquilo me assusta até hoje. Eu não sabia. Não sabia. Nós nunca nos imaginamos agressivos, ameaçadores, somos sempre nós as vítimas. Ela, a pequenina, começou a chorar dolorosamente, estranhamente abandonada, como se eu fosse animal selvagem, como se “soubesse” que a mãe perderia mais aquele emprego, que a vida estava perdida, morta. A garotinha mostrava tanta dor e dramaticidade, que me contagia até hoje.
O pânico daquele minúsculo ser me ocorre sempre que ouço falar de tiroteio nas favelas. Onde andará ela, a pequenina? Estará viva? Amedrontada, encurralada entre forças adversas: os grandes bandidos, os grandes policiais e nós, a classe média agressiva, onde se esconderá aquela meninazinha linda de tantos inimigos, deles e de nós? Como estará sobrevivendo? De que natureza somos nós feitos, que nada podemos fazer para mudar o mundo? O que fizemos com aquele ser feito de lágrimas? Nós fizemos este mundo, a natureza da realidade é nossa obra. As crianças da favela são:

Criaturas
apenas de fato
por seus nomes
inscritos
no cadastro
eletrônico

.....

o sul sem
norte

viagem
sem
passaporte

Eu nunca pensei, eu nunca me imaginei, eu nunca me senti assim, ao ver-me no espelho. No meu tempo de marxismo, falava-se de luta de classe, mas da classe dominante não se falava, e sim da burguesia, dos detentores dos meios da produção material. Será a classe média, mesmo a classe média pobre, hoje, a classe dominante? E se a favela passar a nos ver como aquela menininha me viu um dia? E se a Rocinha descer contra o Leblon? E se nos virem como os “bacanas”, os responsáveis? E se disserem: “eles têm computador e TV a cabo, têm educação, cultura e livros, e nós não temos? Eles ouvem Wagner, Beethoven, lêem Proust e Pessoa, sabem escrever e são capazes de ler em vários idiomas? E nós? Que somos nós? Que podemos nós, que lemos nós, além de dar tiros, de assaltar, de matar, de nos asilar na favela e de enfrentar daqui nossos inimigos? E nós, que somos nós”?
Se de repente se perguntarem por suas naturezas humanas ameaçadas, desperdiçadas, infelizes? Bandido é feliz?
Tenho amiga que, na solidão em que vive, gostava de passar horas nas salas de conversação na Internet. “Espero encontrar um namorado na Internet”, me dizia ela.
Um dia encontrou o homem de sua vida. ‘Conversaram’, fizeram fervorosas juras de amor, ardentes ‘carícias’ amorosas que nas suas capacidades verbais disponibilizaram. Ele era educado, atencioso, carente.
Duas horas depois ela pressionou o rapaz, quis saber onde ele morava, quem ele era.
- Se eu disser você me abandonará – ele disse.
- Por que? – perguntou ela.
Ele emudeceu. “Diga pelo menos de onde você tecla?”, perguntou ela. “De que Bairro?” Ele respondeu: “Bangu”.
- Não me diga que você está na Penitenciária de Segurança Máxima? – brincou ela.
E estava.

Imperador do Japão se diz 'muito preocupado' com acidente nuclear




Rara aparição de Akihito na TV dá a dimensão da crise no país, enquanto técnicos trabalham para evitar catástrofe em Fukushima
iG São Paulo |



O imperador do Japão, Akihito, disse estar "profundamente preocupado" com a possibilidade de um acidente nuclear no país, que tenta conter a crise provocada por um terremoto seguido de tsunami. "O acidente na usina me causa profunda preocupação e espero que os esforços dos funcionários possam evitar que a situação piore", afirmou, em pronunciamento na televisão japonesa.

A rara aparição de Akihito dá a dimensão da crise nuclear no Japão. Em sua primeira manifestação pública depois do desastre, o imperador também disse estar orando pelas vítimas do desastre.

"Do fundo do meu coração, espero que as pessoas se deem as mãos e se mostrem compaixão umas com as outras para superar esses tempos difíceis", afirmou o monarca. "O terremoto foi sem precedentes e sinto muito pelas pessoas que sofreram com esse desastre terrível."

Lembrança do Japão


Lembrança do Japão


CLARISSE DE OLIVEIRA

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Agora, que o Japão está sofrendo tanto, peguei a Comenda Tesouro Sagrado, que o pai do Imperador Hiroito (ja morto) condecorou com esta Comenda, meu avô, padrinho e pai adotivo de minha mãe, uma dor muito grande se apossou de minha alma, pois o Japão, faz parte de minha infancia, tendo meu avô materno verdadeiro, pai de minha mãe, Li Po, chinês... mas meu avô chinês era pobre, e o padrinho e pai adotivo de minha mãe, recebia do Imperador Japonês, as mais belas peças e obras da cultura japonesa - por isso é grande minha dor agora, vendo o Japão sofrer tanto...
Foi o Japão escolhido para indicar o caminho da minha missão na Terra, a Reencarnação.
Na sala de jantar de minha casa, um "paneau" cobria a parede da sala, enviado também pelo Imperador do Japão: era um pavão, em seu tamanho natural, bordado sobre gorgorão de seda beje, e o pavão estava pousado num galho de pessegueiro.
Eu não tinha a minima idéia, de que um dia, herdeira de meus pais mortos, eu, na cidade de Madurai, Sul da India, perguntava aos taxistas, onde estava um Templo dedicado ao deus Shiva, eu achava que era Shiva, que tinha umas montanhas atrás... afinal, um taxista me levou lá... o Templo era do deus Murunga, Aquele Que Monta o Pavão... e Murunga é filho do deus Shiva com a deusa Parvati.
Hoje, esse "paneau" ja deteriorado e mal conservado, não existe mais... uma amiga me deu um pavão de madeira com rabo de penas de pavão de verdade, que numa prateleira de madeira, está sobre imagens e retratos de baiadera do templo de Shiva...
Infancia e Adolecencia diante do Pavão... ali, café da manhã, almoço, jantar...
O Japão, me auxiliava, nos ridiculos que eu passava, quando dizia que me lembrava da minha Vida Passada na India...
O Japão está nos primordios de minha Vida reencarnada no Brasil, com a única coisa que Ele pode me ajudar... sou muito grata ao Japão, numa casa em que ninguém sabia o que era Esoterismo... até eu poder agora me sustentar na Escalada para minha Realização, o "paneau" está por trás de meus olhos, porque foi companheiro de minha alma...
(Na verdade, ninguém se Realiza... é só uma maneira de falar...)
clarisse

terça-feira, 15 de março de 2011

Especialistas temem grande terremoto nos EUA







Por Por Kerry Sheridan | AFP –



Pode ter chegado a hora de um grande terremoto, seguido de maremoto, para o oeste …


Pode ter chegado a hora de um grande terremoto, seguido de maremoto, para o oeste dos Estados Unidos, como o que atingiu o Japão na semana passada, e o país não está preparado, consideraram especialistas.

Os recentes acontecimentos no "Cinturão de fogo" do Pacífico levam alguns sismólogos a acreditar na iminência de um violento terremoto depois do que atingiu o Chile há um ano.

O oeste dos Estados Unidos, localizado entre duas zonas de forte atividade geológica, está particularmente exposto: a falha de San Andrés, que passa próximo de San Francisco e de Los Angeles, mas também a de Cascádia, localizada frente à costa oeste do Canadá e dos Estados Unidos.

Se um terremoto de magnitude 9 atingir essa zona da mesma forma que atingiu o Japão na sexta-feira poderá devastar as cidades de Vancouver, Portland e Seattle e desencadear um terrível maremoto.

"Nos últimos 10.000 anos, contamos 41 terremotos em Cascádia, a cada 240 anos em média. O último ocorreu há 311 anos. Um novo terremoto já deveria ter acontecido", explica Wang Yumei, geóloga do departamento de Geologia do Estado do Oregon.

"Os cientistas não podem prever exatamente a data de um terremoto, mas podem avaliar os danos que causaria", acrescentou.

Foram feitos grandes esforços para melhorar as infraestruturas nas últimas décadas nos estados do oeste do país, mas em várias regiões litorâneas muitas estruturas vitais públicas ainda estão em edifícios antigos.

Os especialistas também estão preocupados com os idosos e com as pessoas hospitalizadas próximo ao litoral, que não podem se deslocar com rapidez em caso de uma onda gigante.

Engenheiros já apresentaram projetos de construção de refúgios em locais altos, mas nunca concluíram.

"Todos os preparativos são feitos por iniciativa local e são extremamente variáveis ao longo da costa", observa Tom Tobin, presidente do Instituto Americano de Pesquisa da Construção em Zonas Sísmicas.

O especialista afirma que na Califórnia uma lei federal defende que os hospitais sigam as normas para enfrentar os riscos sísmicos. Mas "desde 1971, apenas um hospital foi construído em San Francisco conforme essas normas. Outros edifícios são ultrapassados, alguns datam inclusive do início do século XX".

"Não estamos preparados", considera o sismólogo Ivan Wong, vice-presidente da URS, uma empresa que presta assessoria em meio ambiente e engenharia. "Não estamos nem no nível da preparação do Japão que, como vimos, ficou devastado", acrescentou.

"Temos muitas dificuldades para convencer os americanos de que na costa noroeste correm um risco real", explicou.

No entanto, embora os tremores se intensifiquem ao longo do "Cinturão de fogo", outros cientistas consideram que não estão em condições de estabelecer uma regra que provaria que um terremoto no Japão deixa os Estados Unidos mais expostos.

"Até onde sabemos, um terremoto no Japão não gera forçosamente um terremoto em outro lugar do mundo, como a Califórnia", considera Jim Whitcomb, geofísico da Fundação Nacional de Ciências.

Segundo ele, o próximo sismo nos Estados Unidos poderá ser antecedido, como no Japão na semana passada, de uma primeira onda de magnitude 7,2.

Ou talvez não. "Cada terremoto é único e segue seu próprio caminho", ressalta.