sábado, 19 de fevereiro de 2011

Líder do PT diz não crer em dissidência no Senado








Renata Camargo

O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), disse há pouco acreditar que não haverá dissidência entre os senadores da base governista na votação do salário mínimo, prevista para a próxima quarta-feira (23). Segundo ele, o partido vai intensificar o diálogo com o senador Paulo Paim (PT-RS), que indica apoio à proposta de R$ 560, encampada sem sucesso pelas centrais sindicais na Câmara.

"Nós trabalhamos com a hipótese de que ninguém vote contra a proposta do salário mínimo. No caso de emenda da base, vamos apelar fortemente para resolver isso", disse Humberto Costa. "A bancada do governo não votará envergonhada. Nós nos orgulhamos da política do salário mínimo, não temos de ter qualquer constrangimento", afirmou, em alusão aos 15 deputados de partidos da base aliada que votaram contra a orientação do governo.

Os indícios de dissidência vêm do Rio Grande do Sul. Na tarde de hoje, o petista Paulo Paim voltou a afirmar que votará contra a proposta governista e que apresentará uma emenda para garantir um reajuste de R$ 560 para este ano. O petista acredita que alguns senadores de partidos da base aliada o acompanharão, como Pedro Simon (PMDB-RS) e Ana Amélia (PP-RS).

“Alguns companheiros já conversaram com o Paim. Vou conversar com ele também. Muitos dos senadores que compõem a base estão conscientes da votação”, disse o líder do PT. Humberto Costa negou que possa haver algum tipo de retaliação por parte do partido e do governo caso Paim ou outros senadores da base não votem com o Executivo. “Não trabalhamos dessa maneira. O ônus e o bônus são iguais para todos os senadores do PT”, afirmou.

Segundo o líder do governo no senado, Romero Jucá (PMDB-RR), os líderes da base e da oposição já concordaram com a votação do reajuste do salário mínimo na próxima quarta-feira (23). O líder do governo deve apresentar na próxima semana um requerimento de urgência para votar com prioridade no plenário do Senado o projeto do mínimo. Sem a urgência, a proposta teria que passar por comissões.



http://www.congressoemfoco.com.br/noticia.asp?cod_canal=1&cod_publicacao=36128

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

HEMETÉRIO CABRINHA









Falando a meu coveiro



É aqui neste lugar, ao pé deste cipreste,

junto a este mausoléu. Pega uma enxada, cava
sete palmas de chão! Anda depressa, grava
no teu semblante mudo o riso que escondeste!
Abre o meu leito eterno... O meu lugar é este!
Quero nele abafar minha paixão escrava!
Quero enterrar-me logo... a vida já me agrava...
Depressa! A minha dor de dores se reveste!

Alarga-a mais um pouco, afasta mais a areia!
Ela, assim como está, torna-se muito feia, profunda-a mais... trabalha! Este dinheiro é teu!

Que é isso? Um crânio aí? Dá-mo, quero beijá-lo.
Limpa-lhe bem o pó! Dá cá, quero estudá-lo
Como alguém algum dia há de estudar o meu!

(Vereda iluminada! 1932

VERLAINE






A LUA BRANCA

Verlaine


A lua branca
luz sobre o bosque.
De cada ramo,
ouço uma voz
vem da folhagem:

Oh! bem-amada!

O lago reflete,
profundo espelho,
o vulto vago
daquele salgueiro
que uiva ao vento.

Sonhar é a hora...

Do espaço desce
uma entranhada
calma imprecisa
que do céu estrelado
a lua irisa.

A hora indecisa...

(Trad. livre de Rogel Samuel)




%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%



Tradução de Onestaldo de Pennafort




1

A lua branca
brilha no bosque.
De ramo em ramo,
parte uma voz que
vem da ramada.



Oh! bem-amada!


Reflete o lago,
como um espelho,
o perfil vago
do êrmo salgueiro
que ao vento chora.


Sonhemos, é hora...


Como que desce
uma imprecisa
calma infinita
do firmamento
que a lua frisa.


É a hora indecisa...

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Rogel Samuel - O SAMBA DE GENESINO BRAGA



Na foto: Genesino Braga à esquerda e Ulisses Bitencourt à direita.



Genesino Braga compôs um samba. Não é bem música, mas uma crônica, uma prosa. Com ritmo de samba: “Brasil verdadeiro, que mora nos morros, que corre nas praias, que sua nos roçados, que laça nos pagos, que corta seringa, que tange boiadas, que rema no mar...”. Qualquer bom sambista transformaria seu texto em música. Aliás, ele tocava cavaquinho, e muito bem. Era um artista da crônica, da prosa. Escreveu centenas delas, hoje perdidas, nos jornais de Manaus. E alguns livros.
Ele era um amante da vida. Sempre me lembro dele com um sorriso nos lábios. Um pouco gordo, mas elegante, ele era paraense. Membro da Academia Amazonense de Letras. Amigo de meu pai, que era francês, Genesino gostava da cultura francesa, das coisas de Paris, como todo amazonense culto daquela época. Mas só visitou Paris uma vez, já perto da morte.
Ele era um verdadeiro “homem de letras”. Até por profissão: era bibliotecário. Passava os dias com os livros. Durante muitos anos foi diretor da Biblioteca Pública de Manaus. Lá fez grandes eventos, como um curso universitário (dentro da Biblioteca) que trazia grandes nomes da cultura nacional para dar aulas, como Gilberto Freyre, a quem assisti. Era um tempo de efervescente atividade intelectual da Biblioteca, que disponibilizava conferências, exposições de pintura, curso de inglês com a famosa Miss Menezes (onde estudei).
Para mim, Genesino foi uma espécie de pai espiritual.
O samba, diz ele, “Tem toda a cadência das falas, dos modos, da alma e da vida do estrênuo Brasil!... Tem todos os ecos que afirmam os anseios, as dores e as mágoas da raça caldeada no sangue tapuio, na alma dorida do negro cativo, na lusa saudade do desbravador!... Tem todas as vozes da faina dos morros, o ar dos barracos, o gingo das “negas”, a gíria solerte dos “cabras” matreiros, a ingênua crendice das velhas mucamas!... O samba é o Brasil!...”

Esta prosa tem ritmo. De samba. Em verso, seria assim:

Tem toda a cadência
das falas, dos modos,
da alma e da vida
do estrênuo Brasil!...
Tem todos os ecos
que afirmam os anseios,
as dores e as mágoas
da raça caldeada
no sangue tapuio,
na alma dorida
do negro cativo,
na lusa saudade
do desbravador!...

Sim, era eu um adolescente, e toda semana Genesino e sua esposa Dinoralva vinham jogar em nossa casa (assim como meus pais iam na deles). Dinoralva, graças a Deus ainda bem viva e forte, tem nome de fada, ou de personagem medieval. Simpaticíssima e elegante. Ainda posso ouvir a voz tonitruante de Genesino, voz bem grave, soltando uma gargalhada que enchia o espaço. Ele era um nobre. Em atitudes e beleza. Sua casa tinha os melhores quadros da cidade, ainda que não fosse rico. Mas tinha muito bom gosto. Em sua casa ele se movia como um nobre em seu castelo. Aliás, sempre morou bem, com um belo gabinete de trabalho e ampla biblioteca. E era amigo dos maiores escritores do país. Toda a vez que Jorge Amado publicava um romance, mandava um exemplar autografado para ele. Na sua casa de esquina (não me lembro os nomes das ruas, sou péssimo para ruas), sempre se comia muito bem, e no jardim bem cuidado era posta a mesa. Hoje a casa é uma escola, mas eu sempre me lembro dele, ali.
Genesino não era um intelectual maçante. Ao contrário. Gostava de futebol e de carnaval. Era diretor do Rio Negro, hoje conhecido nacionalmente no mundo do futebol. E também era membro da diretoria do Ideal Clube, clube da alta sociedade da época. Escreveu mesmo um livro sobre o Ideal. Freqüentava a alta roda da sociedade, era amigo de governadores, mas era um homem aberto ao popular.
O melhor dele, depois da prosa, era o sorriso.
Genesino tinha sempre um sorriso nos lábios. Mesmo nos dias finais, quando estava quase cego, condenado ao leito, vítima de uma hemorragia cerebral. Sem poder falar, Genesino sorria.
Bastava.

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ENTREVISTA COM ANA MIRANDA








"A literatura permeia tudo" - Ana Miranda

Helder Miranda


Publicada no site cultural Resenhando.



A escritora de romances e poesias, Ana Miranda, contemplada pela segunda vez com o prêmio jabuti e premiada pela Biblioteca Nacional é a autora de Desmundo, romance recentemente adaptado para o cinema, Boca do Inferno e Dias e Dias. Ana Miranda colaboradora da revista Caros Amigos, mas começou na literatura por meio de poemas e poesias, surgindo seus dois primeiros livros: Anjos e Demônios (Editora José Olympio/INL, Rio de Janeiro, 1979) e Celebrações do Outro (Editora Antares, Rio, 1983).

Em 1989, publica seu primeiro romance, Boca do Inferno, uma visita literária ao passado colonial brasileiro pela recriação das vidas do poeta Gregório de Matos e do jesuíta Antonio Vieira. A obra foi bem recebida pelo público, pela crítica - recebeu o Prêmio Jabuti de 1990 - e por professores que a adotaram como fonte para estudos literários sobre o barroco brasileiro. O romance foi lançado também na França, Inglaterra, Itália, Estados Unidos, Argentina, Noruega, Espanha, Suécia, Dinamarca, Holanda e Alemanha.

Outro tema histórico é recriado em seu segundo romance, O Retrato do Rei, de 1991. A seguir, Sem pecado, de 1993, Sem Pecado traz a autora à ação contemporânea, mas em seu romance seguinte, A Última Quimera, de 1995, a Belle Époque do Rio de Janeiro é o cenário em que outro poeta, Augusto dos Anjos, tem sua vida ficcionalizada. A obra rendeu à autora uma bolsa da Biblioteca Nacional.

Desmundo (livro que originou o filme dirigido por Alain Fresnot) , outra ficção histórica, é de 1996. Com uma linguagem do século XVI, conta a história de órfãs mandadas de Portugal ao Brasil para se casar com os colonos. Todos os romances acima foram publicados pela Companhia das Letras, em São Paulo. Outra figura sagrada da literatura brasileira, desta vez Clarice Lispector, é transformada em personagem. A novela Clarice é lançada em 1996 na Alemanha e no Brasil pela Fundação Rio. A Companhia das Letras reeditou a obra em 1998. Ainda pela Companhia das Letras, é publicado em 1997 o romance Amrik, passado no fim do século 19, sobre os imigrantes libaneses em São Paulo. Em 1999 são publicados os primeiros contos de Ana Miranda, reunidos no volume Noturnos. Em 2002, outro poeta se transforma em personagem. Em Dias e Dias, Gonçalves Dias é aproveitado pela autora para dar voz à linguagem do romantismo.

Além da produção literária, Ana Miranda escreve artigos, resenhas e ensaios para jornais e revistas, roteiros de cinema e trabalha na edição de originais, organizando obras de nomes como Vinícius de Morais e Otto Lara Resende. Em 1998, reuniu para a editora Dantes uma coletânea de poesias de amor conventual, Que Seja em Segredo, e em 2000, uma antologia de sonhos intitulada Caderno de Sonhos. Foi escritora visitante na Universidade de Stanford em 1996, e faz palestras e leituras em universidades e instituições culturais de diversos países. Desde 1999 Ana Miranda faz parte do grupo de escritores que concede anualmente, em Roma, o Prêmio União Latina de Romance.

Ana Miranda nasceu em Fortaleza, Ceará, em 1951, e mudou-se para o Rio de Janeiro aos quatro anos de idade. Em 1959 foi para Brasília, ao encontro de seu pai, engenheiro, que trabalhava na construção da cidade. Em 1969 voltou para o Rio de Janeiro, a fim de prosseguir com seus estudos de artes.

Vale lembrar que Ana Miranda tem uma longa história no cinema como atriz e roteirista. Foi uma índia em Como Era Gostoso o Meu Francês (1970/72) e protagonizou, com Jofre Soares, o longa-metragem A Faca e o Rio, que o holandês George Sluizer realizou no Brasil em 1972. Desde 1999 Ana Miranda mora em São Paulo.

RESENHANDO - O que representa a literatura em sua vida?
ANA - É o meu trabalho, é o meu alimento espiritual, é a minha vida, não poderia mais viver sem literatura, seja lendo, seja escrevendo.

RESENHANDO - Você já escreveu Boca do Inferno, sobre a vida de Gregório de Matos, A Última Quimera, sobre Augusto dos Anjos, Clarice, sobre Clarice Lispector, e Dias e Dias, sobre o poeta Gonçalves Dias. De onde vem sua paixão por biografias, por que só escritores, e até que ponto é possível romancear a vida de alguém?
ANA - Na verdade não escrevo biografias, são romances, em que poetas ou escritores são personagens, e o foco não é a biografia desses autores, mas o mundo em que eles viveram. Isso nasceu de meu amor pela poesia, e pela palavra, esses poetas que escolhi como tema são fontes literárias muito ricas. Meus personagens não são apenas escritores, são padres, prostitutas,governadores, índios, moças do interior, bandidos, etc, mas parece que o que tem marcado mais meu trabalho, para os leitores, é a presença dos personagens poetas e escritores. Falo sobre mundos em que a história literária é fundamental, sim, em alguns livros, mas há muito mais entre o céu e a terra... As biografias, em geral, mesmo quando objetivas, sempre têm um ar de romance, sempre que se usa a palavra para contar algo, a visão é muito subjetiva, porque a palavra é subjetiva.

RESENHANDO - Em uma de suas entrevistas, você afirma que seu trabalho deve aparecer mais que sua vida pessoal. Em contrapartida, o fato de ganhar pela segunda vez o prêmio Jabuti de Literatura, e a adaptação de Desmundo para o cinema faz com que ganhe cada vez mais notoriedade. O que isso muda em sua carreira?
ANA - Minha vida continua a mesma de sempre, gosto de escrever, escrever, escrever, e ler, ler, ler, e ficar em casa quieta escrevendo e lendo. Nem os prêmios, nem o filme, mudam minha vida, sinto que estou ficando cada vez mais conhecida, pelo Brasil afora, mas a minha vida continua a mesma.

RESENHANDO - A maioria de suas protagonistas são mulheres vindas de outros continentes e o pano de fundo é quase sempre um momento histórico. Não teme ser considerada escritora de uma só história?
ANA - Não, acho que todos os escritores estão sempre escrevendo o mesmo livro, porque o livro é um retrato da alma de quem o escreveu, e a alma é sempre a mesma, ainda que mudem o cenário, a época, os personagens. Acho bom sentir uma certa unidade em meu trabalho, até busco essa unidade.

RESENHANDO -Seus personagens são muito ardentes e sensuais. Há algum reflexo de personalidade entre eles e o temperamento da autora?
ANA - Não acho o Braço de Prata ardente ou sensual, nem o padre Vieira, nem a Bernardina Ravasco, nem a Feliciana, nem tantos outros. O que acontece é que o tema de Boca do Inferno é ardente e sensual, é a Bahia colonial, com muita devassidão, muitos pecados. Também a Amina, de Amrik, é muito sensual, pois é uma dançarina libanesa e há a presença da literatura árabe, as Mil e uma noites, o Jardim das delícias, que são livros ardentes e sensuais. Claro que gosto de lidar com essa matéria, tenho um lado sensual e ardente, todos temos, alguns escondem, alguns ignoram, mas todo ser humano é dotado de sensualidade.

RESENHANDO- Qual a sua opinião sobre a importância que, hoje em dia, o livro exerce sobre a população?
ANA - Não sei medir, sei que os livros são fundamentais, a literatura permeia tudo, desde sempre, e para sempre, não seríamos a humanidade que somos se não houvesse o livro. É uma peça de extraordinária profundidade na história da comunicação humana, um museu da alma, do intelecto, do espírito, do tempo, do sentimento, um museu da humanidade.

RESENHANDO - Quem você acha que são as pessoas que constituem seu público alvo? Por que?
ANA - Não tenho público alvo, escrevo para mim mesma. As pessoas que gostam dos meus livros são as pessoas que têm afinidade comigo, com o que eu escrevo, mas são as mais variadas, só têm em comum o fato de serem alfabetizadas.

RESENHANDO - Para você, a evolução tecnológica está afastando as pessoas dos livros, da boa leitura?
ANA - Quem gosta de ler sempre vai gostar de ler, a tecnologia não tem nada a ver com isso, apenas ajuda a se escrever mais facilmente um livro, a se imprimir melhor os livros, a se comprar mais facilmente um livro. Mas não há nenhum plano no sentido de usar a tecnologia para aproximar as pessoas dos livros, ou da boa leitura, o que seria muito bom, se acontecesse.

RESENHANDO - O que você sente quando um livro seu é lançado?
ANA - Sinto alívio quando termino um livro, sinto apreensão quanto ao que vai acontecer, ao que vão dizer, se vão compreender o livro. Mas, em geral, quando o livro é lançado, já estou escrevendo outro, e isso dilui um pouco a minha relação com o lançamento.

RESENHANDO - Quem são seus ídolos na literatura? Sofreu ou sofre alguma influência deles?
ANA - Não tenho ídolos, nunca tive, vejo os escritores como seres humanos, com suas peculiaridades. Claro, admiro profundamente certos textos, como os de Shakespeare, Kafka, Proust, Borges, etc etc, uma infinidade de autores e livros me encantam. E todos eles me influenciam, sou muito permeável a influências.

RESENHANDO - Na literatura, tem algum nome da nova safra de escritores que você destaca? Por quais motivos?
ANA - Você está falando da literatura brasileira, certamente. Acho que tenho mais afinidade com o Miltom Hatoum, acho-o maravilhoso, sério e profundo, mas gosto de muitos, muitos, o Cristóvão Tezza, o Bernardo Carvalho, a Patrícia Melo, o Carlos Sussekind, o Marçal Aquino, o Bernardo Ajzenberg, adoro a poesia de Marco Luchesi, acho-o surpreendente e elevado como o infinito, poderia fazer uma lista imensa, são muitos os escritores a destacar.


RESENHANDO - Fale sobre seus poemas. Continua escrevendo-os? Existe alguma possibilidade de reeditá-los?
ANA - Continuo recebendo poesias em minha cabeça, e anoto, guardo, esqueço. Não penso em publicá-las, não sou boa em poesia. Não gostaria de reeditar meus livros de poesia, não são bons, e não quero ocupar o espaço dos poetas, que é tão restrito, poucas editoras se aventuram a publicar poesia de novos poetas. Louvo as que o fazem.

RESENHANDO - Você prefere escrever romances, contos ou poemas? Por que? E para ler, prefere qual desses gêneros literários?
ANA - Prefiro escrever romances, sou romancista, sinto mais desenvoltura quando escrevo romance, sinto que estou fazendo o que gosto de fazer, o que aprendi a fazer, não sou boa contista, são coisas muito diferentes. Isso não significa que meus romances excluam os outros gêneros, hoje os limites são muito difusos. Para ler, gosto, primeiro, de poesia, depois de romance, depois de conto, geralmente é assim, mas tem épocas em que só leio contos, e outras em que só leio poesia, e outras em que só leio romances, isso depende de meu estado de espírito.

RESENHANDO - O que sente tendo seus livros publicados em outras línguas?
ANA - Acho horrível, arriscadíssimo, tenho a sensação de que não é mais o meu livro, não escrevi nada daquilo, gostaria que todos aprendessem português para ler os nossos livros no original. Mas sinto orgulho quando olho a minha estante de meus livros traduzidos, sei que isso é bom, mesmo com as deficiências inerentes à tradução. Tenho muita gratidão pelos tradutores, todavia, pois não falo nem árabe nem alemão nem grego nem russo, nem tantas outras línguas, e admiro demais os tradutores, há pessoas que fazem isso de forma genial.

RESENHANDO - Explique seu conceito de invisibilidade.
ANA - Não entendi essa pergunta. Há diversas invisibilidades. O Mandrake fica invisível, e eu adorava sonhar que eu também tinha esse poder, quando lia as suas histórias em quadrinhos. E às vezes quase consigo, gosto de uma posição discreta, de observadora. Mas há outras espécies de invisibilidade.

RESENHANDO - Descreva todos os seus talentos na infância. Por que escolheu a literatura?
ANA - Nasci, como todas as crianças, com todas as aptidões da sensibilidade, para desenho, música, movimento, ritmo, cor, teatro, fantasia, sonho, mas tive a sorte de ver as minhas aptidões desenvolvidas, sou uma pessoa versátil, e isso sempre foi uma faca de dois gumes, atrapalhou e ajudou, mas consegui solucionar esse problema, hoje convivo melhor com isso.

RESENHANDO - Como foi a sua experiência como atriz? Pretende voltar a atuar, por que?
ANA - Foi uma ótima experiência, aprendi muito, principalmente sobre o Brasil, pois pude viajar e penetrar muitas realidades de nosso país, conheci muitas pessoas inesquecíveis, adoro cinema. Mas não sei se posso chamar minha experiência de um trabalho de atriz, eu apenas estava por ali, e me convocavam a participar dos filmes, au gostava de viajar com as equipes de cinema, era um tempo em que se fazia cinema por amor, mas a minha compulsão sempre foi autoral, jamais soube interpretar, não gosto de ser olhada.

RESENHANDO - Todo escritor escreve sobre relações humanas. Como você analisa o relacionamento das pessoas nos dias de hoje. Dá para comparar as relações atuais e as do passado?
ANA - Estão muito mais complexas, a sociedade está mais complexa. Antigamente você conhecia umas vinte, cinqüenta, cem pessoas em sua vida, e se relacionava com poucas. Hoje conhecemos milhares de pessoas, de culturas diferentes, o mundo está pequenino, pega-se um avião e no dia seguinte tudo mudou, e os grupos familiares são os mais inesperados, e a vida íntima das pessoas hoje é pública, tudo isso complica as relações. Mas os seres humanos continuam os mesmos, com seus sentimentos, amor, ódio, ciúme, inveja, traição, desejo de poder, etc etc.

RESENHANDO - Se pudesse voltar no tempo, reescreveria algo, achando que poderia ter feito melhor?
ANA - Tenho sempre reescrito meus livros, faço revisões em livros publicados, acabo de fazer uma revisão deBoca do Inferno, tomada de uma visão mais ampla, sempre se pode fazer melhor, sempre.

RESENHANDO - A mídia explorou bastante um suposto romance seu com o senador Eduardo Suplicy. O que acha sobre esse tipo de informação? Existe alguma verdade nestas notícias?
ANA - Sempre preservei a minha vida pessoal. Não gosto desse tipo de publicidade. O Eduardo e eu somos amigos, e nos gostamos muito.

RESENHANDO - Comente essa frase, dita em uma entrevista para a revista Caros Amigos: "estou sempre a favor do mais fraco, mesmo que ele esteja errado".
ANA - Essa frase resume a minha atitude política, e ética. Tenho muito amor pelo pobre, pelo oprimido, por aquele que não tem oportunidade, pelo abandonado, pelo frágil, pelo fraco, um sentimento meio maternal. Não posso ver alguém em dificuldade, quero ajudar. Isso me faz sofrer muito.

RESENHANDO - Para você, qual o real significado da palavra solidão?
ANA - Faz parte da condição humana, a solidão. Todos somos solitários, e vivemos em busca do outro, mas sempre somos apenas nós mesmos, e ninguém, jamais, tem o poder de compreender totalmente o outro, a compreensão, a afinidade, a conjunção, são apenas um desejo de fugir à solidão. A natureza de nosso trabalho, de escritores, nos põe em contato direto e constante com a solidão. Mas gosto de me iludir, achando que a solidão pode ser substituída pela comunhão, mas a comunhão se dá em momentos, momentos sublimes, mas fugazes.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

EUA: deputado propõe bloqueio econômico à Venezuela








O deputado republicano Connie Mack, do estado da Flórida, afirmou em discurso neste sábado (12) que os Estados Unidos deveriam impor um bloqueio econômico "total" à Venezuela, em represália ao presidente Hugo Chávez. O senador estadunidense, que chamou Chávez de "o Osama Bin Laden da América", pediu também que Washington inclua a Venezuela na lista de países que patrocinam o terrorismo.
As palavras foram ditas durante a Conferência Conservadora de Ação Política (CPAC), uma reunião onde potenciais aspirantes a candidaturas republicanas medem seu apoio. "Como Bin Laden, por razões que somente ele sabe, [Chávez] declarou os EUA como seu inimigo mortal. Como [Mahmoud, presidente do Irã] Ahmadinejad, tem a sua disposição direitos privilégios e recursos de um Estado, um estado muito próspero", afirmou.

Mack, que é presidente do Subcomitê para o Hemisfério Ocidental da Câmara dos Deputados, afirmou que sua tarefa na casa, atualmente dominada por republicanos, é concentrar-se em um "perigo claro e presente que está surgindo em nosso próprio continente", em referência a Chávez.

Além disso, o deputado propôs que os EUA aumentem a importação de petróleo do Canadá, para depender menos das exportações de Caracas. A Venezuela é a terceira maior exportadora para o mercado norte-americano e a produção, que a estatal PDVSA (Petróleos de Venezuela S. A) quantifica em três milhões de barris por dia e a OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) em 2,3 milhões, situa-se neste momento entre um quarto e um terço da saudita, a maior do mundo.

Fonte: Ópera Mundi

RONALDO EXPULSO PELA TORCIDA

domingo, 13 de fevereiro de 2011

APÓSTROFE











APÓSTROFE

L.RUAS


em vão hás de voar pássaro triste
buscando o fruto verde não sepulto
nas praias naufragadas onde existe
a concha nacarada — peixe inculto

além de tuas patas espalmadas
o mar é brisa calma e mata bruta
as asas que se abrem limitadas
mergulham sem tocar na doce fruta

em curvas linhas retas canto e arte
te vejo entre o céu e o barro forte
comendo espaço e tempo sul e norte

buscando em vão o fruto que te farte.
quem sabe? pode ser que noutros mares
sacies teu desejo. é bom tentares.

(Aparição do Clown)

Rogel Samuel: No Egito, os militares sempre estiveram no comando do poder





Engana-se quem pensa que Mubarak tinha as rédeas do poder. Quem governava era o conselho de guerra, eram os militares,

Eles continuam no poder.

Como antes.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Elizabeth Taylor has had another health scare.




FONTE PEOPLE


The legendary actress, 78, was taken to Cedars-Sinai Medical Center in Los Angeles earlier this week for symptoms caused by congestive heart failure, described as "an ongoing condition," according to a statement from her reps.

"This issue is being addressed," the statement says. "She is currently being kept in the hospital for monitoring."

Taylor underwent heart surgery in October 2009 and has a long history of medical problems.

"Her family and close friends are appreciative of the warm support and interest of her loyal fans," the statement says, "but have asked that people respect her privacy and allow her medical team the time and space to focus on restoring her back to health."

Elizabeth Taylor é internada com problemas cardíacos





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DE SÃO PAULO

Elizabeth Taylor, 78, está internada no centro médico Cedars-Sinai, em Los Angeles.

Segundo o site da "People", ela deu entrada no local no começo desta semana.

A atriz estava com sintomas de insuficiência cardíaca, descrita por representantes dela como "intermitentes".

Segundo comunicado divulgado por eles, Elizabeth Taylor continua no hospital porque sua condição está sendo monitorada.

"A família a amigos agradecem o apoio caloroso e o interesse de seus fãs leais, mas pedem para que as pessoas respeitem a privacidade dela e permitam que a equipe médica tenham tempo e espaço para focar em restaurar sua saúde", diz o texto.

A atriz, cuja última internação foi em outubro de 2009, tem um longo histórico de problemas de saúde.

The Grosby Group

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

OLHOS

FIM DE UMA AGONIA. E AGORA?


Após 18 dias de intensos e violentos protestos que tomaram diversas cidades do Egito, o ditador Hosni Mubarak, 82, renunciou ao poder depois de comandar uma ditadura com mão de ferro durante 30 anos. O anúncio foi feito pelo vice-presidente egípcio, Omar Suleiman, na TV estatal. Em poucos minutos, centenas de milhares estavam em festa e aos gritos na praça Tahrir, epicentro das manifestações de oposição.

CAIRO (Reuters) - O Conselho Militar do Egito vai demitir o gabinete e suspender as duas casas do Parlamento, informou a rede de televisão Al Arabiya na sexta-feira.
A TV acrescentou que o Conselho Militar vai administrar o país com o chefe da Suprema Corte Constitucional.

O comunicado do Exército deve ser divulgado ainda nesta sexta-feira, segundo a emissora. O presidente Hosni Mubarak anunciou sua renúncia após 30 anos no poder.

(Por Edmund Blair)



CAIRO (Reuters) - Ao menos dois helicópteros decolaram nesta sexta-feira do palácio presidencial de Hosni Mubarak, no Cairo, afirmaram testemunhas.
Um membro do partido do governo disse à Reuters, mais cedo, que o presidente se dirigia para o balneário de Sharm el-Sheikh, no mar Vermelho.

(Redação do Cairo)




quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Rogel Samuel - "África, mãe do capitalismo europeu"



Leia "África, mãe do capitalismo europeu" de Rogel Samuel em:

http://www.blocosonline.com.br/home/index.php

PCdoB COM KASSAB


Como adiantou Poder Online, o PCdoB de São Paulo aceitou a proposta do prefeito Gilberto Kassab para assumir a secretaria que coordenará as questões relacionadas à Copa de 2014 na cidade.

Reunidos durante cerca de três horas, ontem à noite, os dirigentes comunistas aprovaram a participação do PCdoB no governo Kassab. A ideia, segundo um dos membros do diretório municipal, é fazer com que o patido tenha, a partir de agora, “mais ousadia e protagonismo”.

Nos próximos dias, a proposta de Kassab passará pelo crivo do presidente nacional da legenda, Renato Rabelo, que deve referendar a decisão do PCdoB.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

QUE SIGNIFICARÁ UMA REVOLUÇÃO NO EGITO?






When Frank Wisner, the seasoned U.S. diplomat and envoy of President Obama, met with Hosni Mubarak on Tuesday, Feb. 1, the scene must have been familiar to both men. For 30 years, American diplomats would enter one of the lavish palaces in Heliopolis, the neighborhood in Cairo from which Mubarak ruled Egypt. The Egyptian President would receive the American warmly, and the two would begin to talk about American-Egyptian relations and the fate of Middle East peace. Then the American might gently raise the issue of political reform. The President would tense up and snap back, "If I do what you want, the Islamic fundamentalists will seize power." The conversation would return to the latest twist in the peace process.

It is quite likely that a version of this exchange took place on that Tuesday. Mubarak would surely have warned Wisner that without him, Egypt would fall prey to the radicalism of the Muslim Brotherhood, Egypt's Islamist political movement. He has often reminded visitors of the U.S.'s folly in Iran in 1979, when it withdrew support for a staunch ally, the Shah, only to see the regime replaced by a nasty anti-American theocracy. But this time, the U.S. diplomat had a different response to the Egyptian President's arguments. It was time for the transition to begin.


And that was the message Obama delivered to Mubarak when the two spoke on the phone on Feb. 1. "It was a tough conversation," said an Administration official. Senior national-security aides gathered around a speakerphone in the Oval Office to listen to the call. Mubarak made it clear how difficult the uprising had been for him personally; Obama pressed the Egyptian leader to refrain from any violent response to the hundreds of thousands in the streets. But a day later, those streets — which had been remarkably peaceful since the demonstrations began — turned violent. In Cairo, Mubarak supporters, some of them wading into crowds on horseback, began battering protesters.

It was a reminder that the precise course that Egypt's revolution will take over the next few days and weeks cannot be known. The clashes between the groups supporting and opposing the government mark a new phase in the conflict. The regime has many who live off its patronage, and they could fight to keep their power. But the opposition is now energized and empowered. And the world — and the U.S. — has put Mubarak on notice.


Whatever happens in the next few days will not change the central narrative of Egypt's revolution. Historians will note that Jan. 25 marked the start of the end of Mubarak's 30-year reign. And now we'll test the theory that politicians and scholars have long debated. Will a more democratic Egypt become a radical Islamic state? Can democracy work in the Arab world?

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Mubarak inicia período de transição com a instalação de duas comissões
Da BBC Brasil

Brasília – Depois de 15 dias de manifestações de protesto contra o presidente do Egito, Hosni Mubarak, o governo anunciou hoje (8) o começo do processo de transição, com a instalação de duas comissões que vão por em prática os acordos fechados com a oposição e tratar de mudanças constitucionais. Segundo o vice-presidente Omar Suleiman, que fez o anúncio, haverá um cronograma a ser seguido.

“Chegamos a um consenso com o diálogo em nível nacional. Um cronograma claro será anunciado para a transição pacífica”, disse Suleiman, que foi nomeado por Mubarak o mediador das negociações com a oposição. “O presidente [Mubarak] decidiu formar um comitê constitucional para examinar as emendas constitucionais que vêm sendo solicitadas.”

Porém, os vários segmentos oposicionistas defendem a saída imediata de Mubarak e insistem em manter os protestos até que o presidente abra mão do poder. No entanto, Mubarak informou apenas que não se candidatará em setembro à reeleição e que ficará até o final do seu mandato – que acaba em dezembro de 2011.

Apesar da controvérsia, o vice-presidente reiterou a importância das comissões. “[As comissões vão trabalhar de forma] transparente no que for concordado entre as partes envolvidas no diálogo nacional", disse ele. Suleiman também garantiu que serão investigados os casos de violência registrados nos dias de protestos.

Para Suleiman, com diálogo, é possível encerrar a onda de protestos no país. "O presidente vê com bons olhos essa harmonia e acredita que ela nos coloca no caminho para sair da atual crise", disse ele. No entanto, dezenas de milhares de manifestantes voltaram a ocupar hoje a Praça Tahir, no Cairo.

De acordo com a organização não governamental Human Rights Watch, o governo Mubarak, por meio do Serviço de Saúde, oculta o número de mortos e feridos nos conflitos registrados no país. Pelos dados das Nações Unidas, são pelo menos 300 mortos e cerca de 3 mil feridos.

TAO TE CHING




CAPÍTULO 2
Quando os seres sob o céu reconhecem o belo como belo
Então isso já se tornou um mal
E reconhecendo o bem como bem
Então já não seria um bem
A existência e a inexistência geram-se uma pela outra
O difícil e o fácil completam-se um ao outro
O longo e o curto estabelecem-se um pelo outro
O alto e o baixo inclinam-se um pelo outro
O som e a tonalidade são juntos um com o outro
O antes e o depois seguem-se um ao outro
Portanto
O Homem Sagrado (8) realiza a obra pela não-ação (9)
E pratica o ensinamento através da não-palavra (10)
Os dez mil seres fazem, mas não para se realizar
Iniciam a realização mas não a possuem
Concluem a obra sem se apegar
E justamente por realizarem sem apego
Não passam
(8) SEM ZEN: Homem Sagrado. Originado no conceito da sagração do homem, que tem sentido de união
da Consciência Pura com a Vida Infinita.
(9) WU WEI: Não-Ação; tem sentido de ação sem intenção.
(10) WU YEN: Não-Palavra; tem sentido de palavra sem intenção.




TAO TE CHING
O Livro do Caminho e da Virtude
Lao Tse
Tradução do Mestre Wu Jyn Cherng