quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

A visão do mar



A visão do mar

Rogel Samuel

Mas não sei como poderia subsistir hoje sem a visão do mar, como nas “Palavras ao mar”,
de Vicente de Carvalho:

“Mar, belo mar selvagem
Das nossas praias solitárias! Tigre
A que as brisas da terra o sono embalam,
A que o vento do largo eriça o pêlo!
Junto da espuma com que as praias bordas,
Pelo marulho acalentada, à sombra
Das palmeiras que arfando se debruçam
Na beirada das ondas - a minha alma
Abriu-se para a vida como se abre
A flor da murta para o sol do estio.”

Vicente de Carvalho, que era paulista, de Santos, assim o disse. Quando ele nasceu...

“Quando eu nasci, raiava
O claro mês das garças forasteiras:
Abril, sorrindo em flor pelos outeiros,
Nadando em luz na oscilação das ondas,
Desenrolava a primavera de ouro;
E as leves garças, como olhas soltas
Num leve sopro de aura dispersadas,
Vinham do azul do céu turbilhonando
Pousar o vôo à tona das espumas...”

Este hino ao mar, um dos melhores, amplo, sonoro, Vicente de Carvalho escreveu.
Nasceu em abril, como diz o poema, no dia 5 de abril de 1856, “O claro mês das garças
forasteiras / Abril, sorrindo em flor pelos outeiros, / Nadando em luz na oscilação das
ondas”. Poeta feliz, ou melhor, da felicidade, da felicidade luminosamente azul:

“Sei que a ventura existe,
Sonho-a; sonhando a vejo, luminosa.
Como dentro da noite amortalhado
Vês longe o claro bando das estrelas;
Em vão tento alcançá-la, e as curtas asas
Da alma entreabrindo, subo por instantes...
O mar! A minha vida é como as praias,
E o sonho morre como as ondas voltam!”

Os olhos descansam na visão oceânica. Além disso, Vicente de Carvalho também foi
aguerrido jornalista. Escrevia na imprensa, defendendo suas idéias. Foi deputado,
Constituinte do Estado, em 1891. Seu ritmo é oral, como de tribuno, em:

“Mar, belo mar selvagem
Das nossas praias solitárias! Tigre
A que as brisas da terra o sono embalam,
A que o vento do largo eriça o pêlo!
Ouço-te às vezes revoltado e brusco,
Escondido, fantástico, atirando
Pela sombra das noites sem estrelas
A blasfêmia colérica das ondas...

Também eu ergo às vezes
Imprecações, clamores e blasfêmias
Contra essa mão desconhecida e vaga
Que traçou meu destino... Crime absurdo
O crime de nascer! Foi o meu crime.
E eu expio-o vivendo, devorado
Por esta angústia do meu sonho inútil.
Maldita a vida que promete e falta,
Que mostra o céu prendendo-nos à terra,
E, dando as asas, não permite o vôo!”

Em Santos ele faleceu. Em 22 de abril de 1924, aos 68 anos. Herdou o verso forte de
Castro Alves. O verso: “A que as brisas da terra o sono embalam”, lembra o de Alves:
“que a brisa do Brasil beija e balança”, em:

Auriverde pendão de minha terra,
Que a brisa do Brasil beija e balança,
Estandarte que a luz do sol encerra
E as promessas divinas da esperança...

Esta estrofe ousada, esta ousadia poética de Castro Alves, de rasgar a Bandeira Nacional
num poema, poderia, em outros tempos, levá-lo à prisão. Entretanto vivia na liberdade de
seu tempo democrático, heróico, nos versos decassílabos heróicos,
com acentos 6 - 10: -------dão------ter / ----- sil ------ lan.

Auriverde penDÃO de minha TERra,
Que a brisa do BraSIL beija e baLANça

O Brasil oscila, ali. Aos ventos. Aquele navio cheio de escravos era bem brasileiro.
Uma “vergonha”, diz ele. Lembro-me do poeta amazonense Hemetério Cabrinha a recitar,
na Rua Saldanha Marinho, em Manaus, na porta do jornal “A crítica”:

Era um sonho dantesco o tombadilho
que das luzernas avermelha o brilho...

Ele me lembra o seu próprio poema “O Cristo do Corcovado”:

“No escalavrado píncaro da serra,
Que o luar alveja e a luz do sol estanha;
E onde a cidade, abençoando a terra,
Se espreguiça na falda da montanha;
Ergue-se o Cristo-Redentor, coitado!
Braços ao ar, o triste olhar cravado
Na base de granito que o suporta
De alma apagada e a consciência morta.
O Cristo cujo busto alvinitente,
Granítico, imponente
E lavado de sol;
Aureolando de alvura o Corcovado,
Qual Prometeu, virado
Para o horizonte, a medir o arrebol;
E, de distância imensurável, visto
Qual uma forma etérea
É apenas um Cristo
Feito à custa de angústias e miséria.”

O verso: “Que a brisa do Brasil beija e balança” tem 4 “bb” de beijos. A bandeira aí
ondula aos beijos dos ventos. Nas cores do céu, nas cores da esperança. A bandeira
irradia sol. Irradia patriotismo. “Estamos em pleno mar”, o mar azul, o “mar da memória”
do amazonense Sebastião Norões:

“Eu quero é o meu mar, o mar azul.
Essa incógnita de anil que se destrança
em ânsias de infinito e me circunda
em grave tom de inquietude langue.
O mar de quando eu era, não agora.
Quando as retinas fixavam tredas
a incompreensível mole líquida e convulsa.
E o pensamento convidava longes,
delimitava imprevisíveis rumos
viagens de herói e de mancebo guapo.
Quando as distâncias fomentavam sonhos.
Rebenta em mim essa aspersão tamanha
que a imagem imatura concebeu
de quando o mar era meu, o mar azul.”

Coube a este amazonense a glória de ter escrito um dos mais belos sonetos do mar. Longe do mar. Só de memória. Norões nasceu no dia 7 de março de 1915, em Humaitá, Rio Madeira e faleceu em Manaus. Estudou em Fortaleza. Aos 18 anos volta para Manaus, faz a Faculdade de Direito. Professor no Colégio Estadual, onde foi meu professor de geografia. Exerceu o cargo de Chefe de Polícia do Estado, quando escondeu e deu fuga ao comunista Jorge Amado. Membro do Clube da Madrugada e da Academia Cearense de Letras. “Poesia Freqüentemente” é livro de minha predileção. Ali sentimos sua poesia viva, sua poesia azul. Nesta pequena obra-prima, que é “Mar da memória”, a ânsia de infinito, como se o poeta quisesse voar, escapar do estreito espaço em que se movia, alcançar Alascas e Austrálias. Revela lembranças, do mar, dos verdes mares de Fortaleza, do mar literário, do mar de Alencar, que era verde. Mas quando “o mar é meu”, o mar de minha memória, é azul, e não verde, de minhas lembranças que se voltam para os céus, dos imprevisíveis rumos de minha vida, sonhada ainda, de imprevisíveis rumos. Pois “arte é o homem acrescentado à natureza”, escreveu Van Gogh, em carta a Théo de 1879. E ele entendia de azul, de delirante azul.


quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

POEMA DO RIO NEGRO, 4



Poema do Rio Negro, 4

Rogel Samuel


meu pai já está morto nossos nervos selvagens
escondidos no mormaço venhamos, unamo-nos
contra tal atrocidade
caíram esmagados e obscuros
os principes da amazônica cidade
não sobra registro livros história
seus nomes se perderam
mesmo em papel crepom raça extinta
saiamos já daqui deste poema
com tudo o que fomos
não se volatizaram esses altos valores?
oh verdes claros cimos ares
luzes inatingíveis
estamos aprisionados no passado
é o pó a pedra a extrema a vermelha
pedra do rio negro
do rio negro calado
ó calar subterrâneo que grita alto
não me conformo, meu deus, eu não
me conformo
usemos algo, sangremos algo, falemos algo
o sangue a nossa voz
a nossa veia acordada
a transfusão de nossas águas
não fiquemos assim como nada
não fiquemos parado no tempo
da rota história
vamos ao traspasse do tempo
ou não teremos história
marco pavio lamparina navio
voemos para os extintos
sem nome sem nunca mais
pois em 1729 morreram no rio urubu
vinte e oito mil índios meu passado

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

POEMA DO RIO NEGRO, 3



Poema do Rio Negro, 3

Rogel Samuel


rio que se enluta de capa preta
desde o Século Dezoito
ferve meu sangue a saliva dos mortos
escuro e orgulho
onde um dia, nesta tarde
meu pai não me deixou mergulhar
como se ali o rio pudesse
para sempre me tragar
que não entendo esse rio
não me fala para mim estrangeiro
me repele me ameaça
com sua capa de aço
colorido festival amanhece
que cor é essa? que desconhecida
alegria em bandeiras em pânico?
o capinzal desce o rio de uma vez
ilha de capim que um animal levado
pelo azul cheio de tudo
está frio? está calor?
estou morto? sobrevivo?
a luz não é simples
onde a morte está nada é simples
ainda lá e passam chorando
populações indígenas navegando
que amaldiçoado por dentro
do escuro e orgulho
onde um dia, nesta tarde
meu pai não me deixou mergulhar
como se ali o rio pudesse
para sempre me tragar
o enigma passa sobre o plano espetáculo
não serei o mesmo depois do fim da era
meus pais sepultados ali

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Padtmos, 2




Padtmos, 2

Rogel Samuel


Traduzo agora a segunda estrofe do poema de Holderlin da tradução do inglês, de James Mitchell.


Padtmos

para o Conde de Homburg

O deus
Está próximo, e difícil de tocar.
Mas onde há perigo,
Um elemento salvador também cresce.
Águias vivem na escuridão,
E os filhos do Alpes
Atravessam o abismo sem medo
Em pontes ligeiramente construídas.
Então, desde os ápices
De Tempo estão juntos, próximos,
E queridos amigos vivem perto,
Crescendo fracos nas montanhas separadas—
Então nos dê águas tranqüilas;
Nos dê asas, e as mentes leais
Para atravessar e retornar.

Assim eu falei, quando mais rápido
Que eu poderia imaginar um espírito
Me conduziu diante de minha própria casa
Para um lugar que pensei eu que nunca iria.
As florestas sombreadas e ansiosos
Riachos de meu país nativo
Estavam ardendo no crepúsculo.
Eu não pude reconhecer as terras
Atravessei, entretanto, mas de repente
Em esplendor fresco, misterioso
Na neblina dourada, emergindo depressa
Nos passos do sol,
Fragrante com mil cumes,
Ásia subiu diante de mim.

O deus, tão difícil de contatar, invocado no meio do caminho, como num sonho atende. Atravessar é retornar para si mesmo, perdido estava. Só os deuses possibilitam que os amigos separados vivam juntos. O poeta se vê lançado diante de si mesmo, diante de sua própria casa, onde "nunca pensei que voltaria" - vê o país natal, seus rápidos riachos ansiosos e as florestas escuras de altos pinheiros, tudo em ouro, o ouro puro do crepúsculo, tão luminoso que não pôde reconhecer - a Ásia.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Padtmos




Padtmos

Rogel Samuel

A primeira estrofe de Patmos, de Holderlin, que traduzo, vale por um poema inteiro:

Patmos

para o Conde de Homburg

O deus
Está próximo, e difícil de tocar.
Mas onde há perigo,
Um elemento salvador também cresce.
Águias vivem na escuridão,
E os filhos do Alpes
Atravessam o abismo sem medo
Em pontes ligeiramente construídas.
Então, desde os ápices
De Tempo estão juntos, próximos,
E queridos amigos vivem perto,
Crescendo fracos nas montanhas separadas—
Então nos dê águas tranqüilas;
Nos dê asas, e as mentes leais
Para atravessar e retornar.

Patmos (foto) é uma pequena ilha grega de 34,6 km² dividida em duas partes unidas por um estreito istmo. Foi lá que o apóstolo João foi exilado, como nos conta o Apocalipse e a ilha era usdada como prisão pelos romanos. Dizem que João viveu lá no ano 95 d.C., sob o reinado de Domiciano. “A tradição local ainda aponta a caverna onde João teria recebido a revelação para escrever o livro”.
Holderlin viveu junto do castelo do Conde, em Bad Homburg. Ele tinha estudado teologia no seminário luterano Stift, em Tübingen, onde fez amizade com Hegel e Schelling. Em 1793, por intervenção de Johann Schiller, Hölderlin se empregou como preceptor na casa de Charlotte von Kalb, em Waltershausen, mas deixou o cargo para seguir os cursos de Fichte em Yena. “Logo depois, em grave crise depressiva, se recolheu à casa de sua mãe”.

“Premido pela necessidade, aceitou um novo emprego, por intervenção de Hegel, em casa do banqueiro Jakob Gontard, em Frankfurt, onde se apaixonou, de maneira exaltada, por Susette Gontard, esposa do patrão. É correspondido, mas a situação se torna insustentável, obrigando-o a abandonar Frankfurt e a refugiar-se em Homburg”.
Poeta do sagrado, descobriu na Grécia antiga a raiz da poesia, no lado dionisíaco. Hölderlin foi ignorado por Goethe mas exaltado por Nietzsche.
Segundo Heidegger, ele foi o "poeta da poesia", pois acreditava que "o que permanece, fundam-no os poetas". (Pesquisa livre, na Internet).

sábado, 3 de janeiro de 2009

POEMA DO RIO NEGRO, 2



POEMA DO RIO NEGRO, 2

(Na foto, Ananda, último barco de Albert Samuel citado no terceiro verso)

Rogel Samuel

Seguimos até o celismar
na nossa sincopada batida
de Ananda bois espiam margens
crianças olham ocorridas
gritam cios cicios curumins
passarinhada menina
a cunhantã levantou voo?
o curumim mergulhou? o rio urubu prossegue
marcha fúnebre ritual líquido da corte
onde um dia, nesta tarde
meu pai não me deixou mergulhar
como se ali o rio pudesse
para sempre me tragar
quantos olhos aparecem? quantos ameaçam?
na leveza do anum canarana
a criança de longe a vista
o rapaz nu ri ou está chorando?
o sol se põe naquela tarde
densíssima de calor e escudo
e escuro e orgulho o rio negro
fecha suas portas
sobe para o céu suas veias iluminadas e nervuras
acesas
a lá estão os milhares índios mortos
ranger de dentes
do rio chamado urubu
sons percorrem com suas luvas pretas
as exclusividades das belezas sombrias
urubu o rio range dorme cemitério norte
risca fio alertado brilho fantasma
sobretudo preto urubu balança e nos ameaça
nos quer no seu túmulo histórico
amazônico emparedado dos matagais gerais
alta e terrível a floresta
transforma as corridas as amas úmidas amantes
rio doente para sempre
que desde o município de silves
está pronto para ejetar seus encapuzados enlevos
e inocular a morte
como as suas aranhas

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Pobre não vota!





Pobre não vota!

Rogel Samuel

O verdadeiro pobre não vota.
A minha experiência com as pessoas pobres diz que eles não votam porque nunca têm os documentos necessários.
A culpa é da burocracia.
Índio vota?
A minha faxineira não tinha documento algum, perdeu tudo. Nem CPF nem título de eleitor, nada.
Só votou uma vez na vida. Aos 37 anos.
Como perdeu os documentos, e mal tem onde morar, não votou nem votará. Se votasse "votaria nulo" diz ela, que odeia todos os políticos. Sua cabeça é feita pela TV.
Para ter os documentos tinha de começar do começo: da Certidão de nascimento que ninguém
sabia onde se resgatar.
O CPF dela foi CANCELADO!
Sem documento algum, há vários anos, tentei ajudá-la - mas os órgão públicos não ajudam,
Todos dificultam.
Mesmo dispondo de telefone e Internet rápida, eu tenho tido a maior dificuldade - porque tudo é difícil.
Os órgão públicos não falam a língua do pobre. As filas são grandes.
Ela mesma diz que não precisa de papéis e números, mas de pão e leite para os filhos.
Pobre que vota no Brasil já é classe média.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

A retrospectiva das horas



A retrospectiva das horas

Rogel Samuel

Alceu Amoroso Lima escrevia uma linha no fim do dia. Só uma linha, num caderno especial, registrava um resumo do que acontecera no dia, uma retrospectiva do dia. Dizia que todo escritor deveria rabiscar um texto todos os dias, para exercitar-se. "Nenhum dia sem uma linha". Ele também redigia uma carta diariamente para a filha monja reclusa, naquela sua ilegível e apressada letra, o texto na ortografia antiga. Todos os dias uma carta sobre seu dia, sua vida cotidiana e espiritual. Todos os dias um resumo de sua vida. Uma retrospectiva das horas.

Alguns monges budistas tibetanos recomendavam que, no fim do dia, antes de dormir, deveríamos meditar sobre o que fizemos no dia colocando bolas pretas e brancas numa caixa - as pretas para nossas ações más, as brancas para nossas boas ações. Assim faríamos um balanço do dia. Num diário também. Exprimiriam nossas promessas? Composição na soma do tempo.
E no fim do ano? Vamos comemorar porque a vida de um ano foi ótima, toda vida vale a pena e ela é efêmera e se esvaiu, logo se parece longínqua, fina gaze. Meu Deus! A vida é mesmo um sonho, uma visão de um mágico show. Triste ou bela, sólida ou frágil, "a vida leva-a o vento", escreveu poeta João de Deus (1830-1896), no seu "Campo de flores":

A vida é o dia de hoje,
a vida é ai que mal soa,
a vida é sombra que foge,
a vida é nuvem que voa;
a vida é sonho tão leve
que se desfaz como a neve
e como o fumo se esvai:
A vida dura um momento,
mais leve que o pensamento,
a vida leva-a o vento,
a vida é folha que cai!
A vida é flor na corrente,
a vida é sopro suave,
a vida é estrela cadente,
voa mais leve que a ave:
Nuvem que o vento nos ares,
onda que o vento nos mares
uma após outra lançou,
a vida – pena caída
da asa de ave ferida -
de vale em vale impelida,
a vida o vento a levou!

POR ISSO VAMOS COMEMORAR AGORA!

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

A palavra pesada



A palavra pesada

Rogel Samuel

Bilac era intelectual e emocionalmente inquieto, instável, liricamente ansioso, tanto que o titulo de seu livro é “Alma Inquieta”, onde se lê que a palavra não consegue exprimir a sua inquietude, aquilo que ele nem diz nem escreve, porque não encontra a apropriada voz ou não consegue, pois a palavra inútil não responde ao turbilhão fervente do que está só em pensamento – o pensamento, o sentimento é evanescente, leve, para a palavra pesada, fria, espessa, de pedra, uma laje, um sepulcro a palavra inútil, a palavra abafada, sem o perfume sutil que revoa e ilumina com a luz que refulge da idéia - pois quem vai conseguir moldar a expressão de tudo? quem vai conseguir colocar o risco do céu na mão da terra? quem vai dar apropriada voz à ira e ao asco e ao desespero e à fé e às confissões de amor que não saem à luz do dia?

Ah! quem há de exprimir, alma impotente e escrava,
O que a boca não diz, o que a mão não escreve?
- Ardes, sangras, pregada a' tua cruz, e, em breve,
Olhas, desfeito em lodo, o que te deslumbrava...


O Pensamento ferve, e é um turbilhão de lava:
A Forma, fria e espessa, é um sepulcro de neve...
E a Palavra pesada abafa a Idéia leve,
Que, perfume e dano, refulgia e voava.


Quem o molde achará para a expressão de tudo?
Ai! quem há de dizer as ânsias infinitas
Do sonho? e o céu que foge à mão que se levanta?


E a ira muda? e o asco mudo? e o desespero mudo?
E as palavras de fé que nunca foram ditas?
E as confissões de amor que morrem na garganta?!

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Receita de Ano Novo



Receita de Ano Novo

Rogel Samuel

Drummond escreveu um poema com o título acima que eu leio na Internet – mãe de todos os textos – e que transcrevo aqui:

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Carlos Drummond de Andrade, "Jornal do Brasil", dezembro de 1997. http://www.releituras.com/drummond_dezembro.asp

Eis que o poeta enfim nos diz que temos de recomeçar, de merecer de novo, de fazer de novo o tempo novo, de renovar o ano no interior da gente, que o ano novo deve acordar é no interior da gente mesmo.
Eu conheci Drummond. Nós o entrevistamos na Faculdade. Ele visitou a nossa turma – coisa rara. Depois o vi passar pela rua em Copacabana. Aqui deixo o meu protesto – nada mais ridículo do que aquela estátua de Drummond no banco da praia. Drummond não era assim. Era magro, mas imponente; tímido, mas altivo. Jamais se poderia imaginar o grande poeta sentado daquela maneira!

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

O quarteto



O quarteto

Rogel Samuel

Eles conversavam e tocavam pela noite a dentro naquela casa, em Manaus, que reunia três a quatro senhores para tocar. Um era um comerciante francês, outro um padre velho alemão, um terceiro era um músico manauara, pai do poeta Luiz Bacellar, e mais outro de que não me lembro. Tocavam para si mesmos, não para um público. O francês no piano ou no violino, o alemão com o violino, o amazonense na viola. Não me lembro se alguém tocava violoncelo. Tocavam trios ou quartetos de Beethoven. Tocavam bem. Como o teto da casa velha era muito alto, a acústica da sala era muito boa. A casa velha tinha um teto muito alto, e uns desenhos inscritos, umas pinturas onde a sonoridade das arcadas se infiltravam. A sala era muito boa. Eles conversavam e tocavam Beethoven pela noite a dentro. Em plena selva amazônica, tocavam Beethoven. Ensaiavam juntos, argumentavam, e às vezes punham algum disco da RCA VICTOR para comparar alguma passagem difícil. Beethoven era ouvido ali, e talvez algum
desconhecido que passasse pela rua àquela hora se perguntasse o que eram aqueles sublimes sons na cidade de Manaus da década de 40.

O verão



O verão

Rogel Samuel

A noite de Natal foi senegalescamente quente neste Rio de Janeiro. Em compensação fiz algo que há muito não me dava ao luxo de fazer: muito cedo dei um pulo na Praia Vermelha. Estava deserta. Uma turista solitária, sentada como buda no banco de pedra, olhava o mar, imóvel, por trás de seus óculos escuros. Imóvel, quieta. Ao lado, enferrujando ao sol, a estátua de Chopin tristemente escutava o vento. Eu fui até a beira dágua com a intenção de mergulho. Mas a água estava frigidíssima e não muito limpa, e eu só me molhei com um copo. Bastou. Senti-me revigorar, alegrei-me, voltei à adolescência quando eu frequentava o Pier de Ipanema que não mais existe. Em sonho exultei e compreendi por que aquela moça branca e aquela estátua triste contemplavam o mar no dia de Natal.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Noite de Natal




Noite de Natal

Rogel Samuel

Magro, longa barba, vestido da sujeira que se encruava no seu corpo como uma nova pele, as roupas em farrapos fétidos, o velho mendigo naquela noite saiu do lugar onde morava feito de pedaços de papelão e latas encontradas no monturo em frente. Ninguém sabia se ainda tinha família. Saiu e olhou para os lados, prosseguiu pelo espaço deserto, chuvoso. A noite escura mais realçava sua aparição de fantasma e ele via, ao longe, a grande árvore de natal da prefeitura acesa numa praia distante. Depois ele desceu a encosta que contornava o lixão aonde ia como os outros todos os dias buscar alimento, tomou a estrada que ia dar no Aeroporto velho e caminhou sem rumo. Era noite de Natal. Nas dobras de sua consciência esquecia quem era, quem tinha sido e aquela estrada deserta descrevia um arco que se estendia até a amurada do mar. Mas vagamente se lembrava que quando criança pulava numa pequena praia e se lançava ao mar do Nordeste antes de vir para o Sul. Como por um cortinado que se abria enevoado, ele reviu sua cidade natal, os irmãos e primos, a mãe Aurora, o tio Rigoberto. Sim, a noite estava escura, mas se via, ao longe, a grande árvore de natal da Prefeitura acesa.
Naquela estrada deserta ele descia no meio da noite. Não havia ninguém naquela zona, e ao longe os automóveis da noite passavam pela estrada rumo à costa Leste da cidade. Não havia ninguém por perto além do céu escuro e do ruído das pedras úmidas pelas curtas ondas do mar calmo e sujo. Ele desceu a escadaria velha molhando os pés. Uma vaga sensação de alegria inundou seus olhos de lágrimas, pois ele se lembrou da Ponta do Caranguejo onde sua família se banhava aos domingos. A noite estava escura e ele via, ao longe, a grande árvore de natal da prefeitura acesa.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Manaus da Senhora Agassiz



Manaus da Senhora Agassiz

Rogel Samuel


Em 1865-66, Elizabeth Cary Agassiz estava em Manaus e nos conta como aquela gente se divertia.
Ela conta do baile que o Governador Epaminondas ofereceu ao deputado Tavares Bastos. As maiores damas da sociedade compareceram. Chovia naquela noite e as damas de vestido longo sem que dispusessem de carruagem tiveram de vir a pé, sobre os sapatos de baile e longos vestidos de seda, cetim e cambraia, com decotes. Mas madame Agassiz conta que nenhuma tinha a barra da saia suja de terra depois de ter andado sobre as poças dágua das ruas enlameadas de Manaus. Ele diz que aquelas damas eram... mamelucas, o que quer dizer que eram legítimas caboclas.
No meio do baile um apito se ouviu vindo do porto e todos correram ao cais para receber
um gaiola que vinha de Belém trazendo os jornais e as compras.
A bordo souberam da vitória de Uruguaiana sobre Lopez no Paraguai.
No dia seguinte outro baile, para comemorar a vitória. Inflamado, coruscante na sua eloqüência, falou Tavares Bastos.
Isto tudo vem no livro de Raimundo Morais, "À margem do Livro de Agassiz".

NATAL

domingo, 21 de dezembro de 2008

Madonna é dona do palco



Madonna é dona do palco

Rogel samuel

Engana-se que pensa que ela é produto da media: Madonna é o resultado de dez horas de ensaio por dia, num exemplo de profissionalismo digno de um virtuose. Minimalista, a fase atual da diva Madonna está excelente. Sem exageros, mais refinada, num compasso minimal, embalador, ela domina o palco, num espetáculo de música e dança, dança com amor - Madonna chorou em São Paulo.
Não assisti aos shows no Brasil, mas me baseio no DVD recente, em NY. Ela corresponde a um anseio de lenda, de balada lendária, sempre dançante, - ela é uma dançarina profissional - há uma espécie de enredo, ela conta uma estória, que se desenrola, ainda que não tive acesso a todos textos das músicas, mas quando ela dedica a seu público a sua canção há uma total integração.
Correu o boato de que ela ia aposentar-se.
- "Adoro o que faço. Quando já não gostar será hora de parar, mas isso ainda não aconteceu",
disse ela.

sábado, 20 de dezembro de 2008

ÌNTEGRA DO BATE-PAPO COM ROGEL SAMUEL



ÌNTEGRA DO BATE-PAPO COM ROGEL SAMUEL

http://www.dilsonlages.com.br/coluna_cont.asp?id=1027
Moderador Entre-textos: Boa noite! A partir de agora você conversa com o escritor Rogel Samuel
Data 17/10/2008 20:03:08
Rogel Samuel: Boa noite a todos.
Data 17/10/2008 20:04:09
Dílson Lages: Boa noite, amigo! Rogel, Você já me afirmou que a quarta edição do Novo Manual é a que mais lhe apraz. Por quê?
Data 17/10/2008 20:05:27
Rogel Samuel: Sim, principalmente porque até agora não li nenhum erro ou frase que eu poderia deixar melhor
Data 17/10/2008 20:05:57
Rogel Samuel: O texto foi reescrito quase totalmente. Novos conceitos foram introduzidos. Parece que está bem, pois já está na quarta edição.
Data 17/10/2008 20:06:30
Rogel Samuel: Fiz o melhor que pude.
Data 17/10/2008 20:07:23
Teresa: Professor entrei na universidade agora em São Luís no Curso de Letras e estou tendo uma certa dificuldade para gostar de literatura. O que o senhor acha que devo fazer?
Data 17/10/2008 20:07:50
Rogel Samuel: Temos 80 páginas a mais.
Data 17/10/2008 20:08:07
Rogel Samuel: Teresa, você deve procurar um romance ou um poeta do seu gosto. Existe uma coisa que se chama - crítica do gosto.
Data 17/10/2008 20:09:20
Dílson Lages: O que mudou em relação as edições anteriores do ponto de vista teórico?
Data 17/10/2008 20:09:26
Rogel Samuel: Mudou alguma coisa sim. Novos capítulos foram introduzidos e outros refeitos. Introduzi, por exemplo, o estudo da Internet.
Data 17/10/2008 20:11:01
Rogel Samuel: A webcultura, a poesia digital etc são fatos novos.
Data 17/10/2008 20:11:58
Rogel Samuel: Escrevi um pouco mais sobre a evolução da literatura.
Data 17/10/2008 20:13:03
Rogel Samuel: E separei modernidade e pós-modernidade.
Data 17/10/2008 20:13:56
Dílson Lages: O senhor vê de forma positiva o uso de novos suportes para a arte literária. Que mudanças se anunciam para o sistema literário por conta da internet?
Data 17/10/2008 20:14:07
Rogel Samuel: Acredito na webcultura. aindo hoje li no 45 graus uma excelente matéria sobre isso que veio da feira de Frankfurt.
Data 17/10/2008 20:15:54
Teresa: O senhor pode se estender um pouco no assunto? Quais romancistas e poeta o senhor indica?
Data 17/10/2008 20:15:58
Dílson Lages: Você escreve no livro que ler “é nomear sentidos”. O que muda na leitura do crítico literário e na do leitor à cara de entretenimento?
Data 17/10/2008 20:17:46
Rogel Samuel: Teresa, abra um livro.... um romance.... e se você for tomada pelo texto, continue. Se não procure outro livro. Vá assim até encontrar o seu autor do coracão.
Data 17/10/2008 20:17:54
Rogel Samuel: Teresa, quando eu era professor do segundo grau, um dia um pai de aluno me disse: meu filho não lê nada! Não adianta!. Eu disse que ia resolver o problema... Conversei com o rapaz e descobri que ele gostava mesmo era de moto
Data 17/10/2008 20:20:41
Rogel Samuel:
Data 17/10/2008 20:20:47
Verbena: Boa noite pra todo mundo online aqui! Professor quem quer fazer crítica literária deve começar por onde? Por que teoria?
Data 17/10/2008 20:21:50
Rogel Samuel: Então descobri um livro de um motoqueiro que o rapaz passou a noite lendo. De uma só vez.
Data 17/10/2008 20:22:16
Teresa: então me recomende algum romance sobre coisas do lar, tipo culinária . Tem algum de memória?
Data 17/10/2008 20:23:29
Rogel Samuel: Dilson, A leitura crítica faz levantar alguns dos sentidos possíveis. É preciso dizer que neste livro quase nada é pensamento meu, pois é um “manual”, ou seja, um livro-resumo, um vade-mecum da ciência da literatura.
Data 17/10/2008 20:23:45
Rogel Samuel: Eu sempre tive facilidade em resumir, passei a vida toda resumindo trechos, sublinhando e riscando livros (o que não recomendo), é possível saber que livros eu li porque estão todos rabiscados, anotados. Eu sempre grifei as frases mais impor
Data 17/10/2008 20:24:34
Rogel Samuel: mais importantes.
Data 17/10/2008 20:25:25
Dílson Lages: Entre as correntes da crítica literária qual mais cativa Rogel?
Data 17/10/2008 20:26:07
Rogel Samuel: O processo hermenêutico, descobrir os meus sentidos no texto. Descobrir-me no texto.
Data 17/10/2008 20:28:41
Rogel Samuel: Verbena, deve começar
Data 17/10/2008 20:30:27
Rogel Samuel: Verbena, comece lendo os críticos brasileiros. A crítica começa com Machado de Assis.
Data 17/10/2008 20:32:11
Dílson Lages: Com tantas correntes examinando os aspectos materais do textos, independente de sua natureza, e até mesmo a recepção da obra, ainda vê espaço para a crítica impressionista e para a biográfica?
Data 17/10/2008 20:32:47
Rogel Samuel: Dilson, tudo é possível na pós-modernidade. Mas seria algo novo.
Data 17/10/2008 20:34:35
Rogel Samuel: Dilson, o que se vê hoje é o fim dos gêneros, da separação entre literatura e crítica .... e o nascimento do texto.
Data 17/10/2008 20:38:21
Rogel Samuel: Um texto concorrente com o texto literário
Data 17/10/2008 20:39:11
Dílson Lages: O Novo Manual de Teoria Literária está destinado realmente a quem? Ao crítico? Ao leitor comum? Aos estudantes de letras? Quem de fato você quer atingir?
Data 17/10/2008 20:39:53
Rogel Samuel: O ideal seria o leitor em geral. Mas o maior número de leitores são alunos das faculdades de letras, da graduação e pós-graduação.
Data 17/10/2008 20:40:46
Teófilo: Alguns escritores, inclusive de bom nível, se dizem desinteressados em crítica e teoria literária. eles podem ser grandes escritores sem o estudo dessas teorias?
Data 17/10/2008 20:41:46
Rogel Samuel: Continuando a questão anterior, o crítico hoje também é um escritor.
Data 17/10/2008 20:42:13
Teófilo: E meu cordial boa noite, estou acompanhando desde o incício mas só agora criei coragem e estou perguntando.
Data 17/10/2008 20:42:37
Rogel Samuel: Teófilo, sim, podem. Há grandes escritores que não gostam da crítica. Mas depende de qual crítica.
Data 17/10/2008 20:44:02
Dílson Lages: Quando surgiu a idéia de escrever o Novo Manual de Teoria e Técnica Literária?
Data 17/10/2008 20:45:20
Rogel Samuel: Há grandes escritores que viveram da crítica, como Barthes.
Data 17/10/2008 20:45:28
Verbena: Entre as teorias que o senhor apresenta no livro, alguma mais influenciou a crítica literária?
Data 17/10/2008 20:47:42
Dílson Lages: Uma correção professor, o Novo Manual de Teoria Literária.
Data 17/10/2008 20:48:20
Rogel Samuel: Em 1983. Mas foi difícil convencer a editora, que me sugeriu, ou melhor, me impôs uma condição, que o livro fosse escrito por vários professores (e que adotassem o livro! e muitos nunca o adotaram!). Ora, foi uma imposição errada, pois se o
Data 17/10/2008 20:49:28
Dílson Lages: Rogel, qual o segredo para que este livro fosse editado sucessivas vezes e caísse no gosto de professores e estudantes?
Data 17/10/2008 20:52:32
Rogel Samuel: Dilson, não há segredo, o livro é um resumo, o mais claro possível. Espero que eu tenha facilitado as coisas. É um livro que procura ser didático.
Data 17/10/2008 20:55:30
Dílson Lages: Quais conceitos de Teoria Literária você julga mais devam ocupar o pensamento dos escritores iniciantes?
Data 17/10/2008 20:56:23
Rogel Samuel: Como eu dizia antes, o editor não acreditava no livro.
Data 17/10/2008 20:57:34
Verbena: Qual o entendimento do senhor sobre a crítica literária que se faz atualmente no Brasil?
Data 17/10/2008 20:58:12
Rogel Samuel: Hoje temos 14 edições da primeira fase e 4 da segunda. Ao todo 18 edições.
Data 17/10/2008 20:58:53
Dílson Lages: Quantos exemplares aproximadamente já circularam desta obra?
Data 17/10/2008 21:00:05
Rogel Samuel: Aos escritores iniciantes eu indicaria um crítico muito antigo chamado antonio Albalat, que escreveu A arte de escrever e outro livro sobre a formação do estilo. Ninguém lê mais isso. Mas Albalat é um mestre, está na raiz da crítica genetica
Data 17/10/2008 21:02:47
Rogel Samuel: Por exemplo, Albalat estudou os rascunhos dos grandes escritores franceses e viu como eles fizeram.
Data 17/10/2008 21:04:26
Dílson Lages: Em A crítica da escrita, o senhor enfatiza a valorização da vivência como pano de fundo para as especulações teóricas naquele livro. A vivência em o Novo Manual de Teoria Literária foi mais importante que a pesquisa bibliográfica?
Data 17/10/2008 21:05:00
Rogel Samuel: Albalat chega a recomendar a cópia e modificação dos textos...
Data 17/10/2008 21:05:22
Dílson Lages: Digo, a vivência da leitura e da sala de aula, no exercício contínuo das teorias...
Data 17/10/2008 21:06:05
Rogel Samuel: Eu não sei, pois as edições antigas eram de 3 mil exemplares. E as novas menos.
Data 17/10/2008 21:06:15
Rogel Samuel: Sim, Dilson, a vivência em sala de aula, o exercício crítico começa com o professor de literatura explicando um texto.
Data 17/10/2008 21:07:55
Rogel Samuel: O crítico tem de dominar uma série de amplos conhecimentos, como a política, a história, a filosofia, a psicanálise, a antropologia etc.
Data 17/10/2008 21:10:53
Rogel Samuel: Sem esquecer a linguistica.
Data 17/10/2008 21:11:26
Moderador Entre-textos: O bate-papo chega ao fim. Agradecemos a todos que parciparam com perguntas ou simplesmente acompanhando o diálogo.
Data 17/10/2008 21:12:24
Rogel Samuel: Agradeço a todos a atenção. Boa noite.
Data 17/10/2008 21:13:23
Moderador Entre-textos: Boa noite a todos!
Data 17/10/2008 21:13:55