sexta-feira, 11 de março de 2011

Em 1755, Lisboa foi devastada por terremoto seguido de tsunami e incêndios



Devastação abriu caminho para a modernização da capital portuguesa e provocou impacto na filosofia e teologia do século 18
Luísa Pécora, iG São Paulo



Na manhã de 1º de novembro de 1755, Dia de Todos os Santos, Lisboa foi cenário de uma das maiores tragédias da história. Um terremoto seguido por tsunami e incêndios deixou milhares de mortos e igrejas destruídas no extremamente devoto Reino de Portugal, ironia que impactou o pensamento da época. A devastação da cidade, antes de traçado medieval, também possibilitou o nascimento do desenho atual das ruas da capital portuguesa.



O epicentro do terremoto foi a sudoeste da região do Algarve, a cerca de 300 quilômetros de Lisboa. Sua força foi tão grande - entre 8,7 e 9 graus, segundo estimativas atuais dos geólogos - que provocou um tsunami que afetou todo o Oceano Atlântico, do Oeste da Europa à América do Norte, e o Caribe e a costa do Brasil. Por fim, a ação de saqueadores e o fogo de velas acesas em meio aos destroços causaram múltiplos incêndios que duraram cinco dias e colaboraram para a destruição da quase totalidade da capital portuguesa.

Como há dados imprecisos sobre a população portuguesa antes de 1755, a estimativa do número de mortos varia de 10 mil a 100 mil. Cidades como Cascais, Setúbal e Peniche tiveram cerca de 1.500 mortes, e acredita-se que o tremor tenha causado vítimas também na Espanha e no Marrocos. Além de ter destruído ou danificado 23 mil construções, o tremor arruinou 87% das igrejas e 86% dos conventos e monastérios de Lisboa.



Reconstrução

Segundo o estudo The Opportunity of a Disaster: The Economic Impact of the 1755 Lisbon Eartquake (A Oportunidade de um Desastre: O Impacto Econômico do Terremoto de Lisboa de 1755, em tradução livre), todo tipo de construção temporária foi proibida até que todos os escombros fossem retirados das ruas e um plano para toda a cidade fosse definido. O alinhamento das novas ruas e o plano de reconstrução do centro de Lisboa só foram aprovados três anos depois da tragédia.

Na capital portuguesa, diz o estudo, os esforços de reconstrução foram direcionados principalmente para o centro da cidade, completamente destruído pela tragédia. Antes de 1755, Lisboa lembrava uma cidade medieval, com ruas estreitas, desalinhadas e desorganizadas.

Como o terremoto destruiu praticamente todo o centro de Lisboa, o governo português viu isso como uma oportunidade para redesenhar a cidade e transformá-la em uma metrópole moderna, menos vulnerável a terremotos, indica o economista e escritor português Álvaro Santos Pereira, que elaborou o estudo na Universidade de York, Reino Unido.

Entre 1755 e 1838, cerca de 340 documentos sobre a reconstrução de Lisboa foram emitidos. As ruas da cidade se tornaram mais amplas e alinhadas, enquanto o governo incentivou a padronização de materiais e das fachadas dos prédios.

Além disso, foi introduzida uma nova técnica de construção, a chamada gaiola, na qual uma estrutura tridimensional de madeira era embutida nas paredes de alvenaria. O objetivo era utilizar a madeira para dar resistência às construções, sem deixar de optar pela alvenaria, mais resistente a incêndios.

Crenças estremecidas

A tragédia estarreceu o mundo católico por ter atingido a capital de um reino que, por sua religiosidade e seu esforço de evangelização das colônias, acreditava que passaria incólume pelo castigo divino.

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O Terramoto de 1755 também conhecido por Terramoto de Lisboa, ocorreu no dia 1 de Novembro de 1755 às 9:20 da manhã, resultando na destruição quase completa da cidade de Lisboa, e atingindo ainda grande parte do litoral do Algarve. O sismo foi seguido de um tsunami - que se crê terá atingido a altura de 20 metros - e de múltiplos incêndios, tendo feito certamente mais de 10 mil mortos (há quem aponte muitos mais[1]). Foi um dos sismos mais mortíferos da História, marcando o que alguns historiadores chamam a pré-história da Europa Moderna. Os geólogos modernos estimam que o sismo de 1755 atingiu 9 graus na escala Richter.
Relatos da época afirmam que os abalos foram sentidos, consoante o local, durante entre 6 minutos a 2 horas e meia, causando fissuras enormes de que ainda hoje há vestígios em Lisboa. Com os vários desmoronamentos os sobreviventes procuraram refúgio na zona portuária e assistiram ao recuo das águas, revelando o fundo do mar cheio de destroços de navios e cargas perdidas. Poucas dezenas de minutos depois, um tsunami, que actualmente se supõe ter atingido 20 metros de altura, fez submergir o porto e o centro da cidade. Nas áreas que não foram afectadas pelo tsunami, o fogo logo se alastrou, e os incêndios duraram pelo menos cinco dias.
(In: wikipédia)





Relato das consequências do Terramoto na Aldeia do Pego


Quanto à freguesia do Pego, vem na Memória Paroquial, datada de 20 de Abril de 1758, a seguinte descrição:


“Nesta freguezia pella bondade de Nosso Deos na ocazião do terremoto em o primeiro de Novembro de 1755 (não houve) mais do que susto e só em dia quinze de Abril de 1758 prezume-se em rezão de muntas chuvas, se sumergio couza de quatro palmos fazendo varias aberturas huma meia jeira de terra no sitio desta freguezia junto a este lugar do Pego da parte do sul aonde chamão a vargem do Val do féto.”


O dia seguinte
Quase por milagre, a família real escapou ilesa à catástrofe. O Rei D. José I e a corte tinham deixado a cidade depois de assistir a uma missa ao amanhecer, encontrando-se em Santa Maria de Belém, nos arredores de Lisboa, na altura do sismo. A ausência do rei na capital deveu-se à vontade das princesas de passar o feriado fora da cidade. Depois da catástrofe, D. José I ganhou uma fobia a recintos fechados e viveu o resto da sua vida num complexo luxuoso de tendas no Alto da Ajuda, em Lisboa.

Tal como o rei, o Marquês do Pombal, Ministro da Guerra e futuro Primeiro-ministro de Portugal, sobreviveu ao terramoto. Com o pragmatismo que caracterizou a sua futura governação, ordenou ao exército a imediata reconstrução de Lisboa. Conta-se que à pergunta "E agora?" respondeu "Enterram-se os mortos e cuidam-se os vivos" mas esse diálogo é provavelmente apócrifo. A sua rápida resolução levou a organizar equipas de bombeiros para combater os incêndios e recolher os milhares de cadáveres para evitar epidemias.

O ministro e o rei contrataram arquitectos e engenheiros, e em menos de um ano depois do terramoto já não se encontravam em Lisboa ruínas e os trabalhos de reconstrução iam adiantados. O rei desejava uma cidade nova e ordenada e grandes praças e avenidas largas e rectilíneas marcaram a planta da nova cidade. Na altura alguém perguntou ao Marquês de Pombal para que serviam ruas tão largas, ao que este respondeu que um dias elas serão pequenas....

O novo centro da cidade, hoje conhecido por Baixa Pombalina é uma das zonas nobres da cidade. São os primeiros edifícios mundiais a serem construídos com protecções anti-sísmica, que foram testadas em modelos de madeiras à medida que as tropas marchavam ao seu redor.




Mulher amazonense discriminada pela PM


A 58ª Promotoria de Justiça entende que é inconstitucional e fere o principio da ampla acessibilidade a cargos públicos a exigência de altura mínima de 1,60m para o ingresso de mulheres em concurso da Polícia Militar do Amazonas. A média de estatura da mulher amazonense, segundo o IBGE, é de 1,57m, portanto inferior ao exigido pela PM no seu último edital.

A constitucionalidade das normas do edital do concurso da Polícia Militar está sendo questionada pelos estudantes Raimundo Nonato, Andressa Pamplona Santos, Marcelo Paulino de Souza, Sávio Fernandes e outros.

Entre outras ilegalidades apontadas pelos reclamantes está a idade máxima de 28 anos para praças combatentes, praças especialistas e oficiais combatentes, e de 35 anos para oficias da saúde e oficiais especialistas; estatura mínima de 1,65m para homens e de 1,60m para mulheres; ser habilitado na direção de veículo automotor (qualquer categoria); reserva de vagas para os cargos de oficial combatente (Curso de Formação de Oficial PM – 117 vagas; Bacharel em Direito e exigência de exames de HIV, VDRL (Sífilis) e de teste de gravidez; e não previsão de vagas para portadores de dificiência, nem todas acolhidas pelo Ministério Público, que considerou legal a exigência de habilitação para motoristas, entre outras, mas entendeu como uma flagrante ilegalidade a reserva de vagas para possuidores de diploma de CFO e portadores de diploma de graduação em Direito.

“O Edital extrapolou seu poder normativo ao estabelecer regras não amparadas na Lei de Ingresso. O que a legislação permite aos candidatos que já possuem diploma de CFO é serem dispensados do Curso de Formação de Oficiais com a consequente elevação à condição de Aspirante-a-Oficial para fins de estágio probatório, e não a reserva de vagas a esses candidatos.

No concurso, eles devem concorrer igualmente com os demais candidatos que possuem apenas Ensino Médio ou Equivalente, porque esse é o critério estabelecido pela Lei., diz a promotora Liani Mônica Guedes de Freitas Rodrigues, acrescentando que “da mesma forma, a regra da isonomia deve ser

observada em relação aos candidatos portadores de diploma de graduação em Direito.

A Lei, em nenhum momento lhes reserva vagas, apenas confere à Administração a possibilidade de serem submetidos, em vez de ao CFO, ao CIFO – Curso Intensivo de Formação de Oficiais. De modo que os candidatos graduados em Direito devem concorrer igualmente com os demais candidatos que possuem apenas Ensino Médio ou Equivalente, porque esse é o critério legal, na forma do inciso I do art. 22 da Lei de Ingresso.

ONDAS 1O METROS APOS TERREMOTO NO JAPAO


TÓQUIO - A costa nordeste do Japão foi sacudida nesta sexta-feira por um terremoto com magnitude de 8,9 graus na escala Richter que gerou uma tsunami de dez metros que arrastou carros e construções no litoral perto do epicentro. Ao menos cinco pessoas morreram e várias ficaram feridas na cidade de Fukushima, no norte do país, segundo a rede de televisão pública NKH.

De acordo com o embaixador do Brasil no Japão, Marcos Galvão, não há registros de vítimas brasileiras na tragédia. Segundo ele informou, há 240 mil brasileiros no país, mas a maioria se concentra em Tóquio.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Tacacá, quase patrimônio







Nossa mais típica referência gastronômica está a um passo de se tornar um patrimônio cultural brasileiro
YÁSKARA CAVALCANTE

Da Redação
Que a apresentação é estranha, não dá para negar. Afinal, quem é que, à primeira vista, ignora uma um prato feito do fruto da cuieira (utensílio muito utilizado por índios), contendo goma, caldo extraído da mandioca, folhas de jambu e camarões secos? Se, para os paraenses, a iguaria é a delícia dos deuses, para paulistas, cariocas, baianos, mineiros e moradores do Brasil afora, o prato é visto como "comida de índio", "estranho", "difícil de encarar". Porém, é possível que tudo mude daqui para frente. É que o tacacá está a um passo de ser declarado Patrimônio Cultural Brasileiro, título concedido pelo Ministério da Cultura, por meio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan)

Integrando a luta para transformar o tacacá em patrimônio, uma exposição, montada na sede do Iphan, em Belém, mostra as curiosidades da iguaria, como o ofício de tacacazeira, que enche mulheres de orgulho e fazem a felicidade das tardes dos paraenses que não dispensam uma boa cuia com tucupi quentinho, jambu, camarões, goma e, claro, a inigualável pimenta. E por já ser considerado patrimônio imaterial, já que o ofício de tacacazeira é passado de geração a geração, o tacacá, talvez a mais paraense das iguarias típicas, tornou-se objeto de pesquisa a partir do trabalho de centenas de mulheres que aprenderam com suas bisavós, avós e mães a arte de fazer, preparar e servir a "sopa" como os turistas chamam uma das nossas mais deliciosas riquezas gastronômicas.

Há 43 anos trabalhando como tacacazeira no mesmo local, dona Maria do Carmo Pompeu dos Santos, assim como outras que compõem a lista que o Iphan usa para fazer a pesquisa cultural e artística, é um dos nomes mais expressivos quando o assunto é tacacá. "Quer pimenta?", perguntava ela, enquanto atendia a um cliente e à equipe do Magazine. Todo santo dia, dona Maria do Carmo vende cerca de 150 tacacás. Isso durante a semana. Quando chega o domingo, o número de cuias de tacacá vendidas passa de 300. Para fazer a delícia, a tacacazeira utiliza, em dias mais fracos - se é que eles existem! - nada menos que 40 litros de tucupi, 100 maços de jambu e 13 quilos de camarão. "Aos domingos, eu vendo o dobro", avisa, com orgulho.


RECEITA DE TACACÁ

por LUIZ BACELLAR

Ponha, numa cuia açu
ou numa cuia mirim
burnida de cumatê:
camarões secos, com casca,
folhas de jambu cozido
e goma de tapioca.
Sirva fervendo, pelando,
o caldo de tucupi,
depois tempere a seu gosto:
um pouco de sal, pimenta
malagueta ou murupi.
Quem beber mais de 3 cuias
bebe fogo de velório.
Se você gostar me espere
na esquina do purgatório.
(Receita de tacacá)




MACHADO DE ASSIS: LÚCIA 1860 Alfred de Musset












LÚCIA 1860 (Alfred de Musset)



Nós estávamos sós; era de noite;

Ela curvara a fronte, e a mão formosa,

Na embriaguez da cisma,

Tênue deixava errar sobre o teclado;

Era um murmúrio; parecia a nota

De aura longínqua a resvalar nas balças

E temendo acordar a ave no bosque;

Em torno respiravam as boninas

Das noites belas as volúpias mornas;

Do parque os castanheiros e os carvalhos

Brando embalavam orvalhados ramos;

Ouvíamos a noite; entrefechada,

A rasgada janela

Deixava entrar da primavera os bálsamos;

A várzea estava erma e o vento mudo;

Na embriaguez da cisma a sós estávamos

E tínhamos quinze anos!



Lúcia era loira e pálida;

Nunca o mais puro azul de um céu profundo

Em olhos mais suaves refletiu-se.

Eu me perdia na beleza dela,

E aquele amor com que eu a amava — e tanto! —

Era assim de um irmão o afeto casto,

Tanto pudor nessa criatura havia!



Nem um som despertava em nossos lábios;

Ela deixou as suas mãos nas minhas;

Tíbia sombra dormia-lhe na fronte,

E a cada movimento — na minh’alma

Eu sentia, meu Deus, como fascinam

Os dous signos de paz e de ventura:

Mocidade da fronte

E primavera d’alma.

A lua levantada em céu sem nuvens

Com uma onda de luz veio inundá-la;

Ela viu sua imagem nos meus olhos,

Um riso de anjo desfolhou nos lábios

E murmurou um canto.



........................................



Filha da dor, ó lânguida harmonia!

Língua que o gênio para amor criara —

E que, herdara do céu, nos deu a Itália!

Língua do coração — onde alva idéia,

— Virgem medrosa da mais leve sombra, —

Passa envolta num véu e oculta aos olhos!

Que ouvirá, que dirá nos teus suspiros

Nascidos do ar, que ele respira — o infante?

Vê-se um olhar, uma lágrima na face,

O resto é um mistério ignoto às turbas,

Como o do mar, da noite e das florestas!



Estávamos a sós e pensativos.

Eu contemplava-a. Da canção saudosa

Como que em nós estremecia um eco.

Ela curvou a lânguida cabeça...

Pobre criança! — no teu seio acaso

Desdêmona gemia? Tu choravas,

E em tua boca consentias triste

Que eu depusesse estremecido beijo;

Guardou-a a tua dor ciosa e muda:

Assim, beijei-te descorada e fria,

Assim, depois tu resvalaste à campa;

Foi, com a vida, tua morte um riso,

E a Deus voltaste no calor do berço.



Doces mistérios do singelo teto

Onde a inocência habita;

Cantos, sonhos d’amor, gozos de infante,

E tu, fascinação doce e invencível,

Que à porta já de Margarida, — o Fausto

Fez hesitar ainda,

Candura santa dos primeiros anos

Onde parais agora?

Paz à tua alma, pálida menina!

Ermo de vida, o piano em que tocavas

Já não acordará sob os teus dedos!


IN: Crisálidas - Obra Completa, Machado de Assis, vol. II,
Nova Aguilar, Rio de Janeiro, 1994.
Publicado originalmente no Rio de Janeiro, por B.-L. Garnier, em 1864.








GALINHA RARA

Americana descreve em livro polêmico relação com pedófilo iniciada aos 7 anos





Autora mostra maneiras usadas por pedófilo para ganhar sua confiança
Aos sete anos, a americana Margaux Fragoso conheceu Peter Curran, 51, em uma piscina pública de Nova Jersey. Ele depois convidou a menina e sua mãe para visitarem a casa dele, onde Margaux se encantou com brinquedos, livros e, sobretudo, com a companhia de Peter.

A relação de ambos durou 15 anos e é contada no polêmico livro Tiger, Tiger, que despertou a atenção da crítica literária pela crueza como Margaux, hoje com 31 anos, descreve sua relação com o pedófilo. Peter era “um companheiro de brincadeiras, um pai, um amante e um captor”, tudo ao mesmo tempo.

“Li que os pedófilos racionalizam o que fazem ao pensar que é consensual mesmo que eles usem a coerção”, diz Margaux no livro.

“Passar tempo com um pedófilo é como estar drogado. É como se eles (pedófilos) fossem crianças também, mas com um conhecimento que as crianças não têm. Eles conseguem fazer o mundo de uma criança... incrível, de alguma forma. E, quando isso acaba, é como parar de usar heroína e, por anos, elas (as crianças) não conseguem parar de perseguir o fantasma dessa sensação.”

Família

A relação entre Margaux e Peter era facilitada pelo fato de que a menina vinha de uma família desestruturada: a mãe, com problemas mentais, é descrita como “devotada”, mas incapaz de cuidar da filha.

O pai, alcoólatra, chegou a impedir as idas de Margaux à casa de Peter, suspeitando das segundas intenções dele, mas acabou cedendo.

O primeiro contato sexual teria ocorrido quando a menina tinha oito anos. Margaux se lembra também de passeios, das brincadeiras em que eles personificavam animais – ela era o tigre – e de cartas escritas por Peter, prometendo a ela amor eterno.

Ao humanizar seu captor e explorar esse período da sua vida, a editora Douglas & McIntyre diz que Margaux “nos ajuda a ver como os pedófilos agem para roubar infâncias. E, ao escrever Tiger, Tiger, ela se curou de uma ferida que durou 15 anos”.

Peter (o nome é fictício) teria se suicidado aos 66 anos, dominado pela culpa e pelo medo de perder Margaux, que, mais velha, mudou sua percepção do relacionamento.

Críticas

As vívidas descrições do mundo de Margaux e Peter despertaram críticas variadas. Para alguns, o texto se assemelha a pornografia infantil. Uma resenha diz que a parte que descreve o primeiro contato sexual de ambos “é talvez a coisa mais indecente publicada em qualquer livro importante da última década”.

Em entrevistas, a autora defende que o livro ajuda o público a identificar as “táticas” usadas pelos pedófilos. “Eles são bonzinhos para ganhar confiança”, disse ela.

Uma crítica no New York Times diz que Tiger, Tiger “força o leitor a conhecer Curran tanto como o objeto do amor de uma menininha quanto um criminoso sexual que cultiva a dependência dela”.

Sobre o processo de produção do livro, Margaux – hoje casada e mãe de uma filha – diz que, como escritora, ela sabia que tinha que ver o lado real de Peter. “Era difícil aceitar isso, porque a criança dentro de mim queria acreditar em outra coisa, mas a minha parte adulta diz: ‘Não, sinto muito. Ele não é uma boa pessoa. É um monstro’”, disse ela ao jornal The Globe and Mail.

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Amanda Hocking.

Guarde esse nome porque em breve você ouvirá falar dele em jornais e revistas.

Amanda tem 26 anos e recentemente atingiu a marca de 1 milhão de livros vendidos.

Até aí, apenas uma história de sucesso literário.

Mas tem mais.

A história na verdade começa com um episódio de rejeição.

Depois de ter manuscritos recusados por inúmeras editoras nos Estados Unidos, Amanda decidiu que lançaria seus livros por conta própria para plataformas como as do Kindle e do Nook.

E, por cada um, cobraria 99 centávos de dólar (aproximadamente R$ 1,60).

Em um mês, vendeu 100 mil livros eletrônicos.

Em menos de um ano foi capaz de largar um emprego formal e passou a viver da venda de seus livros.

Mês que vem, comprará sua primeira casa, e pagará em dinheiro, segundo ela.

A verdade é que Amanda está milionária

FOTO DE CHOPIN


VARSÓVIA, Polônia - Uma fotografia do compositor Frederic Chopin, que teria sido tirada no século XIX logo após a sua morte, foi descoberta na Polônia e agora especialistas estão tentando determinar a autenticidade do item raro. Se ela for verdadeira, será apenas a terceira fotografia conhecida do gênio musical polonês de ascendência francesa que viveu entre 1810-1849.


Wladyslaw Zuchowski, fotógrafo e dono de uma galeria em Gdansk, disse que comprou o daguerreótipo de um proprietário privado, na Escócia. Daguerreótipo é uma forma antiga de fotografia, na qual a imagem é feita sem um negativo. A imagem de cobre e prata traz a data de 1849, quando Chopin morreu em Paris, e o carimbo de Louis Auguste Bisson, um fotógrafo francês que tirou outra fotografia de Chopin.

Obra de Oscar Niemeyer é descartada em Manaus










Única obra para Manaus projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer, hoje com 103 anos, a construção do Memorial Encontro das Águas foi oficialmente descartada pela Prefeitura da capital amazonense.

Caso o memorial fosse construído, Manaus seria a segunda cidade da Amazônia a ter um projeto elaborado pelo arquiteto brasileiro de maior projeção mundial.

O único na região amazônica assinado pelo renomado arquiteto é o Memorial da Cabanagem, em Belém (PA).

O projeto do Memorial Encontro das Águas custou aos cofres públicos, em 2005, R$ 600 mil.

Este valor é considerado “módico” pelo vereador Mário Frota (PDT), na época vice-prefeito de Manaus e um dos principais articuladores do projeto junto a Niemeyer, diante da envergadura do autor do projeto.

O Memorial seria construído em um terreno desapropriado pela Prefeitura há alguns anos e que pertencia à Embratel, na margem do rio Negro, cuja vista é justamente o encontro das águas.

Nesta semana, a Prefeitura de Manaus confirmou que o terreno foi “doado” ao governo do Estado para que este construa na área um Fun Park. Detalhes da transação do processo de doação não foram divulgados.

Ao doar o terreno, a prefeitura também abandonou o projeto de construir o Parque Ecológico Encontro das Águas, anunciado ano passado, em entrevista coletiva dada pelo prefeito Amazonino Mendes.

Inviabilizado


O descarte do projeto do Memorial Encontro das Águas, até então, era apenas extra-oficial, como se ele ainda estivesse no limbo.

Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Infra-Estrutura (Seminf) confirmou que o projeto não faz parte dos planos da prefeitura.

Em nota oficial, a assessoria afirma que o projeto “foi inviabilizado na própria gestão do ex-prefeito Serafim Corrêa”, encerrada em 2008. Corrêa não se reelegeu e em seu lugar assumiu Amazonino Mendes.

Segundo a assessoria da Seminf, na gestão de Corrêa o projeto estava orçado em R$ 16 milhões e ainda teriam que ser gastos mais R$ 8 milhões em proteção da encosta, o que totalizaria mais de R$ 24 milhões. Este foi o motivo, segundo a assessoria, da desistência da gestão de Serafim Corrêa.

O ex-prefeito nega essa justificativa da atual administração da prefeitura de Manaus. Serafim diz que o projeto não foi executado pela falta de recursos disponíveis.

“Lamento profundamente não ter sido possível quando fui prefeito de Manaus a implantação do projeto pela absoluta falta de recursos. Agora a Prefeitura de Manaus tem muito mais recursos do que eu tive. Os dois primeiros anos da atual administração comparado com os meus dois primeiros anos tiveram uma arrecadação maior em um R$ 1,3 bilhão previstos para implantar o projeto”, comentou.

Para o ex-prefeito, a obra não foi tocada somente porque foi uma ideia de sua administração.

“O local é de uma vista privilegiada, pois está 60 metros acima do rio. Esse projeto que daria à cidade e principalmente ao turismo uma vista maravilhosa deve ser implantado. É muita pequenez diante da beleza do projeto do Niemeyer e da magnitude do Encontro das Águas”, afirmou.

Devagar

Responsável pelo primeiro contato com Oscar Niemeyer, o agora verador Mário Frota afirma que a gestão “devagar” de Serafim Corrêa ajudou a atrasar as obras do Memorial Encontro das Águas.

No entanto, Frota discorda que o projeto foi inviabilizado na gestão anterior e descreve como uma “coisa pequena e mesquinha” o desinteresse da gestão atual em executar a obra.

“O projeto seria a grande assinatura do Serafim. Ele poderia ter tocado o projeto, mas isso não significa que não poderia ser construído depois. Infelizmente há uma tradição ruim, de terceiro mundo, do administrador não continuar o projeto. Teme financiar algo pensando pelo seu antecessor”, observou.

Hoje vereador, Mário Frota também lamenta que suas duas tentativas de incluir a obra do Memorial Encontro das Águas no orçamento municipal tenha sido negado na Câmara Municipal de Manaus.

Fun Park


O coordenador da Unidade Gestora do Projeto da Copa de 2014, Miguel Capobiango, afirmou que o governo ainda vai discutir como formular um programa de trabalho para a construção do empreendimento no Mirante da Embratel.

Uma das propostas é que seja um modelo conhecido como Fun Park, destinado especialmente para servir de uma área turística para a Copa de 2014. Ele não soube dizer se o projeto de Oscar Niemeyer será utilizado.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Benedito Nunes


Benedito Nunes.

Renan Freitas Pinto.

Benedito Nunes deixa o nosso convívio, priva-nos de sua iluminada presença e coloca-nos também diante de seu legado representado principalmente pelos questionamentos encerrados em sua obra, que por sua vez prosseguirá ativa e desafiadora, como tem sido o destino daquelas obras que corporificam e sintetizam o pensamento de seu tempo, sendo também, quase sempre, contra o seu tempo.Nesse sentido, a obra de Benedito Nunes nos propõe indagações de diversos tipos.

A primeira delas refere-se aos sentidos e lições que sua própria obra e vida encerram, alimentadas ambas por um compromisso com a busca incansável de possíveis respostas para o papel do trabalho de pensar e criar, ou seja, das relações entre a filosofia e arte, entre o pensamento e a linguagem, história e verdade.
Entre as suas mais reconhecidas e permanentes tarefas está a de haver contribuído para a presença de um diálogo entre o pensamento brasileiro e os autores responsáveis pelos questionamentos fundamentais da modernidade e da contemporaneidade, portanto, tornando-se responsável pela recepção no Brasil, do pensamento de autores, entre os quais não devemos esquecer, principalmente Heidegger, mas também Freud, Sartre, Merleau-Ponty, Husserl, Gadamer, Adorno, Benjamin, Marcuse, Ricoeur, Foucault e Habermas, para mencionar os mais emblemáticos e presentes nesse diálogo.
Desde a década de 60 Benedito Nunes vem marcando firmemente sua presença como um dos mais criativos ensaístas, com a edição de obras como “A Filosofia Contemporânea” (1967) e “O mundo de Clarice Lispector”- (1966).Nestas obras, em que se projeta como competente intérprete e historiador da filosofia e crítico de literatura – e crítico de arte em sentido mais amplo - já ficam bem claros seus objetivos de tornar evidentes os vínculos profundos da arte com os sistemas de pensamento e, na verdade, a própria arte percebida – aqui tudo isso muito claro no caso de Clarice Lispector- como exercício de pensamento e visão filosófica do mundo e da existência.

O mundo de Clarice Lispector

Como ele próprio esclarece na introdução de “O mundo de Clarice Lispector”, ao indagar:
“Que foi que Clarice Lispector pretendeu dizer em “A Paixão segundo G. H.? Essa pergunta, que ficou flutuando no respeitoso silêncio da crítica, está expressa na acusação de obscuridade que se fez à obra. No presente estudo procuramos tão somente focalizar certos temas e situações, constantes em Clarice Lispector, e que podem ser melhor compreendidos à luz de categorias comuns à filosofia da existência. Trata-se de uma recomposição temática do mundo de Clarice Lispector, a partir dos dados fundamentais que nos forneceram aqueles temas e situações. Preocupamo-nos mais em caracterizar a atitude criadora da romancista, e a concepção-do-mundo, marcadamente existencial, que com essa atitude se relaciona, do que analisar a estrutura da criação literária propriamente dita”. (p.11, da obra citada, publicada em Manaus pelas Edições do Governo do Estado do Amazonas).
Na verdade, seu ensaio sobre o mundo ficcional de Clarice Lispector é, de forma inovadora para os nossos padrões de crítica literária, uma prospecção filosófica em que se ressalta o tema da náusea e da angústia e para o que Benedito Nunes vai recorrer a dois filósofos contemporâneos envolvidos com essa temática, ou seja, Heidegger e Sartre, a quem retorna permanentemente.
Sobre o tema, também presente na obra dos mencionados filósofos, anota que:
“O mal-estar da angústia, diferente do medo, provém da insegurança da nossa condição desnudada, como puro estar-aí (Dasein), como possibilidade originária que nada sustenta. Abandonado, entregue a si mesmo, livre, o homem que se angustia vê diluir-se a firmeza do mundo. O que era familiar, torna-se-lhe estranho, inóspito. Sua personalidade social recua. O círculo protetor da linguagem esvazia-se, deixando lugar para o silêncio.
A descrição que Sartre faz desse mesmo sentimento coincide, no essencial com a de Heidegger. Ela, é porém, mais minuciosa e esclarecedora. A angústia traduz a irremediável liberdade da consciência contaminando com o seu nada o ser em geral”.

A filosofia contemporânea.

Contribuição igualmente marcante no campo da recepção de autores fundamentais da filosofia em suas manifestações e expressões mais recentes foi o lançamento de “A filosofia contemporânea”, com o qual Benedito Nunes pretende afirmar a necessidade de ampliarmos nossas perspectivas de compreensão e interpretação do mundo e do homem, para acompanharmos os questionamentos essenciais e profundos que a filosofia propõe em relação a problemas como, “o valor e a estrutura do conhecimento científico, a existência social e validade da cultura, a existência individual em suas relações com a sociedade e a história”. Na avaliação de Benedito Nunes, esses três aspectos, de um modo ou de outro, estão presentes nas diferentes correntes e tendências da filosofia contemporânea e são examinados no interior da obra, em muitos casos, prenunciando seu desenvolvimento em momentos posteriores de sua reflexão e reexame crítico, que vamos identificar em obras mais recentes como “No tempo do Niilismo e outros ensaios” (1993) e “Crivo de Papel” (1998).
Consideramos esclarecedor, para vislumbrarmos o desenvolvimento dos caminhos abertos por sua obra, chamar a atenção para alguns temas e questões que fazem parte desse conjunto de ensaios, alguns deles já publicados anteriormente, mas que reunidos com outros ainda inéditos, podem ser tomados como um momento particular do autor em face, principalmente, do fato de que alguns dos temas aqui, na verdade, são retomados e reunidos com textos inéditos. “No tempo do Niilismo e outros ensaios” representa esse momento em que Benedito Nunes discute idéias de filósofos já fortemente presentes em nossa interlocução em termos de pensamento brasileiro, envolvendo a fenomenologia, a hermenêutica, a teoria da recepção, o pensamento frankfurtiano e outras expressões do que podemos reconhecer como teoria crítica e seus desdobramentos, assim como suas novas versões.

A estética e o saber moderno

Dois aspectos são inicialmente apontados como fenômenos essenciais do mundo moderno, ao reexaminar “A época das concepções de mundo” de Martin Heidegger. Nessa obra Heidegger indica dois processos que, na compreensão de Benedito Nunes são chaves para compreendermos as relações entre a filosofia e a arte, o pensamento reflexivo e o campo da linguagem. Trata-se, de uma parte, da tendência cada vez mais acentuada e geral da dominância da Ciência e da Técnica que tudo parece envolver e, de outra, o da entrada da arte tardia no horizonte da Estética.
Quanto a primeira questão, ou seja, o da tendência para o domínio crescente da ciência e da técnica, autores presentes na reflexão de Benedito Nunes, além de Heidegger, como Benjamin e Adorno, tem posição destacada através de suas várias abordagens em torno da arte na época da produção industrial, da indústria cultural, da sociedade administrada, assim como do papel que desempenhou o Esclarecimento, como movimento, segundo Adorno, de recusa das práticas mágicas, das concepções míticas e, por extensão, à própria arte, ou a possibilidade de sua transformação em expressão da racionalidade.

A segunda questão implica na constatação de que a arte não constituiria objeto da reflexão estética até a chegada dos Tempos Modernos.
Seria a Estética, nessa situação apontada por Heidegger um tipo mais abrangente de reflexão que não se restringiria exclusivamente à arte, mas aos aspectos sensíveis da realidade que a idéia de Belo envolveria desde a Antiguidade. Portanto, no sentido indicado por Heidegger, o belo se repartiria em dois domínios, o da Natureza e o da Arte.
Estimulado por essa discussão da gênese da estética da modernidade, Benedito Nunes nos expõe o que seria a solução encontrada por Hegel, ou seja, de que “a Estética é filosofia da arte enquanto recapitulação da história do espírito humano” e que nos colocaria diante do paradoxo segundo o qual, para compreender a arte de períodos precedentes seria necessário construir juízos de duplo conteúdo. O que, na distinção sugerida sobre a questão por Walter Benjamin, implicaria em conceber o conteúdo do objeto e o conteúdo de verdade.
De acordo com essa percepção a Estética se tornaria uma ciência de exceção e dessa forma capaz de transferir “o conteúdo de verdade de seu objeto para outras ciências humanas, e será, por isso, para aproveitarmos uma expressão de Michel Foucault, uma ciência errante, ora de porte histórico, ora psicológico ou sociológico, ora lingüístico” (p.59).
Para abordar o que Benedito Nunes apresenta como o terceiro paradoxo da Estética em tempos de modernidade, recorre a Adorno que, através de sua “Teoria Estética” reconhece na arte forma de conhecimento que não é conhecimento do objeto, sendo esse paradoxo o da própria experiência artística, na medida em que “a Estética contribui para o devir das obras, que assimila, como diz o próprio Adorno, a interpretação, o comentário e a crítica.” .
Por fim, Benedito Nunes reconhece a Estética como Hermenêutica, ou seja, como possibilidade de desvendamentos, de decifrações e “achados”, de busca de recursos para compreensão e interpretação dos objetos e de seus próprios métodos. E reconhece que:
“Como Hermenêutica, ela recai no espaço reflexivo de confronto e de aproximação com a experiência histórica e científica. Dessa forma, irremediavelmente filosófica, a Estética não pode interpretar a arte, sem interpretar-se de acordo com os pressupostos que lhe fornece o todo da cultura de que faz parte.” (60).
Neste, como em outros tantos momentos, podemos reconhecer o diálogo de Benedito Nunes com autores que muitas vezes, menciona apenas brevemente, como é o caso de Walter Benjamin e Adorno, mas que estão profundamente presentes na tessitura de seu pensamento e de sua obra.
Certamente que uma das razões que explicam o seu interesse e identificação com Heidegger reside sobretudo no fato de que neste autor, segundo suas próprias palavras, “...é a voz da Poesia que prevalece sem alijar a da Filosofia, convertida em instância interpretativa solícita da primeira, quase uma serva dos textos poéticos estudados”(p.82, “No tempo do Niilismo”).
Outros autores que empreenderam essa aproximação e mesmo o entrelaçamento da filosofia com a poesia, melhor dizendo, com a arte em um sentido mais abrangente, estão presentes na linha de horizonte do pensamento de Benedito Nunes. Entre esses autores, pelo número considerável de pontos de convergência, podemos mencionar Theodor Adorno e sua Teoria Estética, acompanhada de textos como “A filosofia da Nova Música”. Compare-se, por exemplo, esse último livro com o ensaio de Benedito Nunes intitulado “Música, Filosofia e Literatura”, em que ambos se aproximam em vários momentos, percorrendo seus respectivos caminhos.

Benedito Nunes: pensando a cultura brasileira.

Como estudioso da cultura brasileira, em particular da literatura, devem ser mencionados, entre outros, seus ensaios sobre Clarice Lispector, João Guimarães Rosa, Machado de Assis e João Cabral de Melo Neto, além de sua “Historiografia literária do Brasil”.
Em todos esses ensaios e estudos empreende de forma sempre original e clara, a aproximação da obra literária com os fundamentos filosóficos da teoria estética, utilizando-se de diferentes recursos hermenêuticos para a tradução e desvendamento das estruturas narrativas, da invenção dos personagens e de sua transfiguração em substância estética.
O ensaio dedicado ao universo ficcional de Clarice Lispector, já o vimos,
Nos esclarece sobre aspectos essenciais da cosmovisão de Heidegger e Sartre sobre a questão do ser e da existência.Sobre Machado de Assis, em estilo temperado de ironia, revela na obra do autor, idéias filosóficas que viajam até os trópicos e se enraízam e se difundem na consciência e na percepção desse autor surpreendentemente “antenado” com as tensões do campo filosófico e ideológico da época.
Ao ter, portanto, como ponto de partida para suas leituras e interpretações os fundamentos filosóficos da modernidade e da contemporaneidade, Benedito Nunes institui um novo e vigoroso padrão teórico para o que reconhecemos como sua interpretação da cultura brasileira, com ênfase maior nas narrativas ficcionais.
Para abordarmos essa face de sua obra que já, de certa forma iniciamos com a referência ao seu texto sobre Clarice Lispector, nos limitaremos a comentar brevemente dois textos que tratam respectivamente de Machado de Assis e Guimarães Rosa. Ensaio igualmente representativo de sua perspectiva interpretativa da cultura brasileira é seu estudo “Historiografia literária do Brasil” que, apesar de ter seu foco orientador na tradição literária, faz com que esta se irradie envolvendo um conjunto de fatos e processos de cunho mais abrangente, conferindo ao levantamento um alcance muito maior do que sugere seu título.

Em seu ensaio “Machado de Assis e a Filosofia” busca apresentar a obra do autor de Dom Casmurro e suas relações com as idéias filosóficas de seu tempo, trazendo com essa forma de abordagem literária, uma contribuição essencial para visualizarmos a recepção de correntes filosóficas e de como elas viajavam até nós, muitas vezes aos fragmentos, como aponta o estudo.
Além do recurso utilizado inicialmente para se obter “a recomposição exemplificativa do pensamento filosófico machadiano por meio de passagens isoladas dos romances”, como o que ele utilizou, Benedito Nunes sugere que um outro, de teor análogo, que seria o de destacar o conteúdo conceitual ou a intenção argumentativa de certos contos, corre o risco de incorrer em tentativa hermenêutica falsa, equivocada. Equivocada porque procura utilizar a obra ficcional para ilustrar ou fazer referência às idéias filosóficas do autor real. Engana-se, portanto, ao tratar a ficção como veículo de idéias, esquecendo-se que esta, ao se distanciar da realidade imediata para transfigurá-la esteticamente, é capaz de absorver filosofias e de imprimir a elas destinos diferentes dos que possuíam em suas origens (p131).

Rir da filosofia com Machado de Assis.

Esclarece que Machado de Assis, não sendo filósofo, “ri da filosofia, coisa rara entre filósofos de vocação e profissão”, lembrando a propósito, a sugestão de Nietzsche para que classificássemos os filósofos de acordo com a sua capacidade de rir. E assim Machado de Assis “alveja a filosofia com riso zombeteiro ou irônico no conto, no romance e até mesmo na crônica”.
O ensaio com que Benedito Nunes nos brinda sobre a presença de idéias filosóficas no autor é na verdade concebido e consumado a partir de sua própria familiaridade com o campo filosófico e a impressão que temos é que ele se deleita com os “achados” que ele realiza na obra, o que pode ser confirmado em trechos como os seguintes:
“enfim, o Bruxo teria sumarizado esse pessimismo que lhe impregna a ficção, não sem antes compatibilizá-lo com a atitude cética e a tragicidade pascaliana, em três momentos exemplares de sua obra: a prosopopéia de ‘o delírio’ – em Memórias póstumas de Brás Cubas, a expressão dialogística do sistema filosófico do personagem Quincas Borba -, o ‘humanitismo – nas mesmas Memórias e no romance seguinte, ‘Quincas Borba’- e o paralelo desenvolvido no capítulo IX (A ópera) de Dom Casmurro”(p.130).
“Complemento discursivo teórico dessa visão delirante, a doutrina de Humanitas, exposta pelo filósofo Quincas Borba a Brás Cubas e a Rubião, seria, em substância, uma transposição pessoal da filosofia de Schopenhauer.”
“O terceiro momento exemplar é o paralelo da vida com uma ópera, cujo libreto fosse escrito por Deus e a música pelo demônio, conflitivas numas partes e repetitivas noutras, obscuras em certas passagens, nunca havendo identidade de vistas entre seus co-autores”.
Enfim, toda a filosofia do homem de carne e osso Machado de Assis estaria sintetizada nessas três diferentes situações e momentos
Como a ironia, o sarcasmo e o riso são elementos identificados com a razão cética, “modalizada ludicamente dentro da compreensão humorística” estaria aí para Benedito Nunes o “foco mais incisivo do pensamento ficcional de Machado de Assis”. (p.138) E conclui indicando que:
“O subversivo narrador machadiano transformou a seu gosto, as filosofias para zombar da filosofia. A que nos ofereceu, como pensamento ficcional, resumida em “Memórias póstumas de Brás Cubas”, foi “desigual, agora austera, logo brincalhona, coisa que não edifica nem destrói, não inflama nem regala e é todavia mais do que passatempo e menos do que apostolado”.

De Sagarana a Grande Sertão: Veredas.

Há com a obra de Guimarães Rosa a eclosão de um momento transformador, como que o paradigma de profunda revolução que sua literatura faz acontecer na cultura brasileira e não apenas na ficção literária.
O ensaio de Benedito Nunes parte dessa constatação, mas seu propósito é nos revelar de que maneira ocorre a recepção dessa totalidade de escritos, ou seja sua preocupação está voltada, segundo seus próprios termos, para o tema “das possibilidades interpretativas dos vários modos de leitura do sempre aberto espólio literário de Guimarães Rosa”.
Dois aspectos devem ser mencionados em relação ao presente ensaio. O primeiro deles é a criteriosa recuperação de aspectos fundamentais da extensa fortuna crítica que se adensou ao longo desses últimos cinqüenta anos, principiando pela recepção de Sagarana, segundo sua feliz expressão, pela porta de “Corpo de Baile”.
Sem evidentemente podermos nos deter em passagens elucidativas da construção ficcional em questão, não podemos deixar de mencionar as referências às leituras críticas de Oswaldino Marques (Canto e plumagem da palavra, 1956) inventário meticuloso do repertório verbal de Guimarães Rosa, de onde brotou o termo prosoema. De Franklin de Oliveira, nos encaminha para seus artigos de jornal de 1957 sobre Corpo de baile, a partir de cujas leituras, assinala que seu autor “já adotava os processos modernos de composição romanesca, como a representação pluridimensional da consciência”. Em seus cursos de 1966, Antônio Cândido, por sua vez,. buscava compreender o universo psíquico do jaguncismo como uma das chaves no universo ficcional.
Entre os autores que escreveram sobre Guimarães Rosa, Benedito Nunes nos apresenta também juízos que dizem respeito ao significado filosófico da obra, como os que estão na investigação empreendida por Francis Uteza em “João Guimarães Rosa: Metafísica do Grande Sertão (1994)”, “equiparando o termo metafísica, tal como o utilizava o próprio romancista, à tradição iniciática, secreta, ocultista, situada acima das Igrejas, numa confluência doutrinária entre o Ocidente e o Oriente” (p.260).

Benedito Nunes e a Amazônia.

Como estudioso da cultura brasileira, em particular da literatura, devem ser mencionados entre outros, seus ensaios sobre Clarice Lispector, Guimarães Rosa, Machado de Assis e João Cabral de Melo Neto, além de sua “Historiografia literária do Brasil”.
Em todos esses ensaios e estudos empreende, de forma sempre consistente, a aproximação da obra literária com os fundamentos filosóficos da teoria estética, utilizando-se de diferentes recursos hermenêuticos para a tradução e desvelamento das estruturas narrativas, da invenção dos personagens, dos processos de transfiguração da realidade em substância estética.
Quando, por exemplo, iniciamos a leitura do ensaio dedicado ao universo ficcional de Clarice Lispector, somos remetidos ao seu texto sobre a Náusea, de Sartre e sobre o tema da angústia em Heidegger, o que nos esclarece aspectos essenciais do destino do ser nos dois autores mencionados.
Sobre Machado de Assis, anota com tempero de humor e ironia, a presença na obra do autor, das idéias filosóficas que viajam até os trópicos e se enraízam na consciência e percepção de um autor surpreendentemente “antenado” com as tendências e demarcações do campo filosófico e ideológico da época.
Em relação a Guimarães Rosa, reconhece-o como marco maior da verdadeira revolução que sua literatura representa na cultura brasileira, analisando com perspicácia única, o processo inverso, que tão bem observou, em que se dá a recepção de sua obra.

Queremos concluir, a propósito do que apresentamos aqui de forma panorâmica, que sua obra, construída com rigor crítico, sem nunca abrir mão da clareza de sua escrita, ainda permanece relativamente desconhecida em sua terra, a Amazônia, necessitando ser devidamente incorporada por nossa inteligência em seu movimento teórico e reflexivo.
É necessário, portanto, nesse momento de sua partida, lembrar-nos que ele nos deixa um exemplo de vida e uma obra viva, profunda e desafiadora. Benedito Nunes foi certamente um homem amado e admirado por todos nós que tivemos a sorte de conhecê-lo, de ouvi-lo e de lê-lo.
Assim, como homem de seu tempo e de sua terra, , amparado em sua formação humanística e crítica, não se deixou capturar pelas idéias correntes como o regionalismo e o desenvolvimento, que encantam e conduzem o pensamento de nossos intelectuais e artistas. Muito ao contrário, sua obra é também documento de resistência à barbárie e ao colonialismo profundo que fortemente ainda nos envolve.



Algumas de suas principais obras:
O mundo de Clarice Lispector (l966)
A Filosofia Contemporânea (1967)
No tempo do Niilismo e outros ensaios (1993)
Passagem para o poético (1986)
Crivo de Papel (1998) 2a edição.

Escultura de Rodin é roubada do Museu de Israel, em Jerusalém


Escultura de Rodin é roubada do Museu de Israel, em Jerusalém


Jerusalém, 9 mar (EFE).- A escultura de bronze "Balzac nu com os braços cruzados", do artista francês Auguste Rodin, foi roubada do Museu de Israel, em Jerusalém, durante obras de restauração.


"A escultura, de 1,6 metro de altura, desapareceu há três meses e imediatamente colocamos o caso em conhecimento da Polícia", disse nesta quarta-feira à Agência Efe Rahel Sehta, porta-voz do museu, que acrescentou que não pode "dar mais detalhes sobre o incidente enquanto houver uma investigação em curso".


Os funcionários do museu não se deram conta do desaparecimento da escultura até que, finalizado o trabalho de renovação que se prolongou por vários anos, chegou o momento de voltar a colocá-la em um dos jardins, detalhou o diário israelense "Ha'aretz".


Segundo o jornal, que cita fontes de segurança do Museu de Israel, o museu não tem câmeras de segurança nem iluminação noturna em seus jardins e não revisa diariamente uma por uma as esculturas expostas.


A obra foi esculpida por Rodin entre 1892 e 1893 como trabalho preparatório para o monumento erguido em Paris em honra ao escritor francês Honoré de Balzac. A escultura foi doada ao museu pela colecionadora de arte americana Billy Rose. EFE

terça-feira, 8 de março de 2011

Rogel Samuel: É hoje só, amanhã não tem mais









Rogel Samuel: É hoje só, amanhã não tem mais

No fim das festas de carnaval, ao alvorecer da terça-feira, o que se cantava era: “É hoje só, amanhã não tem mais!”, depois de tanto pedir “mamãe eu quero mamar”, ou de reclamar “mas que calor, ôoooo”.

O certo era que o Rio de Janeiro era a cidade que me seduz, de dia falta água de noite falta luz. E a multidão gritava por uma tourada em Madrid, ou por tudo clamava que o sol já ia sair.

E era certo que saía o sol do brilho da fantasia, do solo do delírio, do mundo em festa, em clamores e amores.

O carnaval era aquilo. A massa festiva. A música levada na garganta, mantida no ritmo de si mesmo, no júbilo de viver.

Amanhã não tem mais.

É hoje só.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Clima e biocombustíveis ameaçam segurança alimentar, diz FAO









MILÃO (Reuters) - A mudança climática, trazendo enchentes e estiagens, a demanda crescente por biocombustíveis e políticas nacionais para proteger o mercado interno poderão aumentar o preço dos alimentos e ameaçar a segurança alimentar no longo prazo, alertou a Organização das Nações Unidas (ONU).

Os preços elevados e voláteis dos alimentos são uma preocupação mundial cada vez maior, e em parte também estimularam os protestos que derrubaram os governantes da Tunísia e do Egito este ano. Os impactos dos protestos são sentidos pelo norte da África e no Oriente Médio, da Argélia ao Iêmen.

Períodos de instabilidade de preço não são uma novidade para a agricultura, mas os choques recentes de preço provocados pelo clima extremo e pelo uso cada vez maior de grãos para produzir energia têm causado grande preocupação, disse a FAO, braço da ONU para agricultura e Alimentação (FAO).

"Há temores de que a volatilidade de preço esteja aumentando", disse a FAO no relatório Estado dos Alimentos e da Agricultura, publicado na segunda-feira.

A influência cada vez maior do mercado de commodities e as "respostas contraproducentes da política protecionista (aos preços elevados) podem exacerbar a volatilidade do mercado internacional e colocar em risco a segurança alimentar mundial", diz o documento.

A FAO, que tem sede em Roma, já advertiu os países produtores de alimentos contra a introdução de limites de exportação para proteger os mercados locais, à media que os preços dos alimentos no mundo pressionam para além dos níveis que deflagraram as violentas revoltas em 2007 e 2008.

O preço global dos alimentos atingiu um recorde de alta em fevereiro. Na semana passada, a FAO advertiu que novas altas no preço do petróleo e a realização de estoques pelos importadores que tentam evitar levantes atingiriam os já voláteis mercados de cereais.

Estima-se que o preço dos alimentos aumente nos próximos dez anos e permaneça na média em níveis acima dos da década passada, disse a agência na segunda-feira.

É necessária uma ação coordenada internacional para garantir a segurança do abastecimento de alimentos, incluindo uma melhora na regulação e na transparência do mercado, assim como estatísticas sobre o mercado de commodities de alimentos, o estabelecimento de estoques de emergência e o fornecimento de redes de segurança, disse a FAO.

Avião líbio atinge cidade; 1 milhão de pessoas precisam de ajuda





Por Mohammed Abbas

RAS LANUF, Líbia (Reuters) - As forças do governo que buscam desalojar os rebeldes da costa da Líbia, que tem importância estratégia para o país, atacaram uma cidade petrolífera na segunda-feira, enquanto aumentam os esforços para evitar mais sofrimento humanitário e o êxodo em massa de refugiados.

A Organização das Nações Unidas (ONU) informou que mais de um milhão de pessoas em fuga e dentro do país precisam de assistência humanitária. As condições na cidade de Misrata, controlada pelos rebeldes, são especialmente preocupantes depois dos ataques das forças leais a Muammar Gaddafi.

Oferecendo um possível ramo de oliveira aos rebeldes que tentam pôr fim ao longo governo de Gaddafi, um de seus associados fez um apelo aos chefes da oposição pelo diálogo, num sinal de que o autocrata possa já estar pronto para negociar com a revolta sem precedentes.

A oferta, rapidamente rejeitada pelos rebeldes, coincidiu com o alerta feito por Gaddafi aos países europeus que margeiam o Mediterrâneo de que, se ele cair, "terão imigração, milhares de pessoas da Líbia invadirão a Europa".

Um jato desferiu um ataque aéreo nas imediações ao leste da cidade de Ras Lanuf, dominada pelos rebeldes, 600 quilômetros a leste da capital Trípoli na segunda-feira, afirmaram testemunhas.

"Havia uma aeronave, ela disparou dois foguetes, não houve mortes", disse à Reuters Mokhtar Dobrug, combatente rebelde que testemunhou o ataque. O ataque ocorreu em um dos dois postos de fiscalização da cidade.

O ataque seguiu o padrão de boa parte dos confrontos recentes, que têm sido erráticos e inconstantes, com pequenos grupos se enfrentando, no estilo de guerrilhas. Os ataques aéreos têm sido vacilantes e os bombardeios, em geral, imprecisos.

Em algumas áreas, o domínio em terra vai e vem sem um resultado conclusivo.

Mas a resiliência das tropas de Gaddafi diante dos protestos iniciados em meados de fevereiro e a capacidade de lançar contra-ataques aumentaram a perspectiva de que o país se dirige a um confronto prolongado.

"Está claro que o governo tem a percepção de que a vantagem do momento está ao seu lado", disse o analista militar Shashank Joshi, pesquisador associado do Royal United Services Institute, da Grã-Bretanha.

"As forças do governo têm uma mobilidade maior do que os rebeldes graças ao transporte aéreo e uma quantidade considerável de transporte rodoviário."

"Isso é ofuscado pelo fato de que observamos uma capacidade de luta extremamente precária das forças de governo, e o combate razoavelmente competente dos rebeldes."

A Organização das Nações Unidas (ONU) e a União Europeia têm enviado missões de investigação ao país do norte da África, onde os relatos dos moradores sobre ataques aos civis pelas forças de segurança deflagraram uma investigação sobre crimes de guerra e provocaram revolta global.

CARNAVAL EM MANAUS


'Amo-o incondicionalmente', diz ex-jogador Edmundo sobre filho gay .


Em entrevista no camarote de uma cervejaria da Sapucaí, o ex-jogador e comentarista Edmundo disse que ficou surpreso ao descobrir que Alexandre, seu filho com a ex-modelo Cristina Mortágua, não era feliz ao lado da mãe.
O menino de 16 anos declarou que apanhava porque sua mãe não aceitava ter um filho gay. "Ele nunca se assumiu para mim. De qualquer forma, amo meu filho incondicionalmente", contou Edmundo.

Edmundo afirma que vai continuar pagando a pensão de Alexandre. "Enquanto eu puder pagar, pouco me importa o lado financeiro. Pouco me importa a condição sexual dele. Me interesso pelos sentimentos dele. Amo meu filho incondicionalmente", reforçou.

sábado, 5 de março de 2011

Samba-enredo de Machado de Assis





In: Crisálidas

Texto-fonte:

Obra Completa, Machado de Assis, vol. II,

Nova Aguilar, Rio de Janeiro, 1994.



Publicado originalmente no Rio de Janeiro, por B.-L. Garnier, em 1864.









HORAS VIVAS


por MACHADO DE ASSIS



Noite; abrem-se as flores...

Que esplendores!

Cíntia sonha amores

Pelo céu.

Tênues as neblinas

Às campinas

Descem das colinas,

Como um véu.



Mãos em mãos travadas

Animadas,

Vão aquelas fadas

Pelo ar;

Soltos os cabelos,

Em novelos,

Puros, louros, belos,

A voar.



— "Homem, nos teus dias

Que agonias,

Sonhos, utopias,

Ambições;

Vivas e fagueiras,

As primeiras,

Como as derradeiras

Ilusões!



— Quantas, quantas vidas

Vão perdidas,

Pombas malferidas

Pelo mal!

Anos após anos,

Tão insanos,

Vêm os desenganos

Afinal.



— Dorme: se os pesares

Repousares.

Vês? — por estes ares

Vamos rir;

Mortas, não; festivas,

E lascivas,

Somos — horas vivas

De dormir. —"



Filha de Che Guevara cai no samba












Filha de Che Guevara cai no samba e vai desfilar numa escola de Florianópolis, cujo enredo é uma espécie de Samba do Crioulo Doido sobre a revolução cubana.



Carlos Newton

Como no Brasil tudo acaba em samba, a cubana Aleida Guevara, de 50 anos, filha do lendário guerrilheiro argentino Ernesto Che Guevara (1928-1967), vai desfilar como convidada de honra da escola Unidos da Ilha da Magia, de Florianópolis.

A filha de Che, que é médica em Cuba, viajou para Florianópolis acompanhada do cônsul cubano em São Paulo, Lázaro Mendez Cabrera. E na madrugada deste domingo, fantasiada de uniforme militar, Aleida é destaque num carro alegórico em formato de tanque de guerra.

O presidente da escola, Vamir Bráz de Souza, diz que não é só a revolução de 1959 que vai ser homenageada, mas o próprio povo de Cuba, que há mais de 50 anos é governado pela ditadura dos irmãos Fidel e Raúl Castro. Souza diz que o desfile não tem conotação ideológica. “Mas era impossível falar de Cuba sem falar da revolução e seus ganhos”, afirma.

O enredo é uma espécie de “Samba do Crioulo Doido” (famosa composição satírica de Sérgio Porto) em versão castrista. Os temas das fantasias, por exemplo, incluem a “rumba” e a “nacionalização das empresas estrangeiras”. Já o samba-enredo mistura alegria e Carnaval com o sistema de saúde cubano. Outro trecho fala do “preço” da revolução (“Um preço a pagar, não vou negar, mas a comunidade em primeiro lugar”). Segundo o presidente Souza, é uma referência às mortes na derrubada do regime de Fulgencio Batista. “Toda revolução tem um preço. Queríamos que o enredo fosse discutido, e mostrar que lá existe saúde e educação para todos.”

Uma grande ala se apresentará com fantasias dr “Tio Sam”, nas cores da bandeira dos Estados Unidos. Cerca de 2.500 componentes vão desfilar pela agremiação, que terá três carros alegóricos e tripés com figuras como o herói da independência cubana José Martí (1853-1895) e os irmãos Castro.

Segundo a escola, o desfile será financiado por governo do Estado, prefeitura, incentivos da Lei Rouanet e venda de camisetas e fantasias. “Cuba nem tinha como nos ajudar”, diz o presidente.

CARNAVAL












JOAOZINHO TRINTA!

CARNAVAL
















O PRINCIPE CHARLES... CLOVIS BORNAI... O POVO

sexta-feira, 4 de março de 2011

MOACYR SCLIAR


Flávio Aguiar




DEBATE ABERTO

Moacyr Scliar
Uma das histórias de Scliar que mais me ficou na memória foi a de alguém (um menino?) que tomava um barco na beira do Guaíba e desaparecia na cerração que se erguia do rio. Era ao mesmo tempo a resposta a um chamado e uma ironia do destino. Ela foi uma das que inaugurou a página de "Estórias brasileiras" do jornal Movimento, nos idos de 1975.

Ouvi dizer que, segundo um antigo provérbio árabe, quando morre um contador de histórias elas morrem um pouco também. O provérbio não deve se referir às narrativas propriamente ditas. Tradicionais, elas permanecerão na memória coletiva; originais, essa originalidade lhes garantirá a permanência. O provérbio deve se referir ao modo como as histórias são contadas, ou mesmo lidas. Até no livro, a persona - o jeito do escritor - permanece junto com as palavras da história.

De agora em diante, será impossível, pelo menos para os da minha geração, ler uma história do Scliar sem lembrar de que ele se foi para os eternos campos do seja-onde-for. Lá ele continuará, por certo, caçando palavras e histórias, e encantando as companheiras e os companheiros das peregrinações estreladas com seu jeito ao mesmo tempo translúcido e denso de contar.

Scliar escrevia simples e maneiro, cativava e espantava ao mesmo tempo. Universal, ele universalizou o seu bairro, o Bonfim, onde suas histórias - todas, mesmo aquelas que não tinham por tema as aventuras judaicas no mundo gaúcho - começavam. As histórias do Scliar tinham seu centro na idéia do deslocamento, eram histórias centrífugas.

Uma das que mais me ficou na memória foi a de alguém (um menino?) que tomava um barco na beira do Guaíba e desaparecia na cerração que se erguia do rio. Era ao mesmo tempo a resposta a um chamado e uma ironia do destino. Que histórias essa história continha? Ela foi uma das que inaugurou a página de "Estórias brasileiras" do jornal Movimento, nos idos de 1975.

Independentemente de outras que essa história materializava, ela tinha por moldura o chamado a que o próprio Scliar respondia, naquele afã de lutar contra a certeza do arbítrio ditatorial com a incerteza das palavras balbuciadas. A esse chamado da liberdade Scliar nunca se negou.

É justo que nos lembremos disso, no momento em que seu jeito de contar fica privado de sua presença física.

China anuncia aumento de 12,7% em gasto militar



Chineses dizem gastar bem menos do que os Estados Unidos
A China aumentará o seu orçamento militar para 2011 em 12,7%, elevando o gasto para o equivalente a 601,1 bilhões de yuans (cerca de R$ 151 bilhões).

O orçamento do ano passado foi de 532,1 bilhões de yuans (R$ 134 bilhões).

O anúncio foi feito um dia antes do início do Congresso Nacional do Povo, no qual o Partido Comunista Chinês irá divulgar o seu projeto nacional para os próximos cinco anos.

Segundo relatos da mídia chinesa, os soldados e oficiais do Exército de Libertação do Povo, como é conhecido o Exército chinês, receberão aumentos de até 40%. Será o terceiro aumento salarial dos militares chineses em seis anos.

A China vem ampliando sua capacidade militar e seus gastos com defesa nos últimos anos. O aumento do orçamento militar no ano passado foi de 7,5%, inferior às médias dos anos anteriores, que sempre ficavam acima de 10%.

Mas Li Zhaoxing, um porta-voz do Parlamento chinês, afirmou que o aumento é justificável. ''O orçamento da China com defesa é relativamente baixo para os padrões mundiais'', afirmou. ''A China sempre esteve atenta a formas de restringir seus gastos com defesa'', acrescentou Li.

Temores

O governo chinês costuma sempre dizer que seus gastos militares são muito inferiores aos dos Estados Unidos.

Mas isso não parece ser suficiente para aplacar os temores de países da região, como Japão e Taiwan, que possuem disputas territoriais com a China.

''A modernização da capacidade militar da China, sua crescente atividade, juntamente com uma falta de transparência é um motivo de preocupação'', afirmou nesta quinta-feira Yukio Edano, secretário-chefe do gabinete de governo do Japão.

As relações entre China e Japão estão abaladas devido a disputas por ilhas no Mar do Sul da China, onde há vastas reservas de petróleo e de gás.

''Não há dúvida de que o Exército da China está ficando muito mais poderoso'', disse Duncan Inne-Kerr, da Economist Intelligence Unit, em Pequim.

''Sua habilidade de avançar e de se sobrepor aos seus opositores está claramente aumentando'', acrescentou.

Economia

Mas o analista acredita que há pouca possibilidade de que as disputas territoriais resultem em um conflito militar na região.

''Disputas territoriais são uma preocupação secundária para a China em comparação com crescimento econômico nacional e estabilidade'', afirmou Innes-Kerr.

O Congresso Nacional do Povo, que começa no sábadoe termina em meados deste mês, deve deixar claro que a economia é a prioridade do país no momento.

De acordo com o correspondente da BBC em Pequim Martin Patience, o combate à desigualdade social deve ser um dos problemas centrais do plano de cinco anos do governo.

Entre outras medidas que deverão ser divulgadas estão gastos com educação e novos programas de serviços sociais.

JORNALISMO LITERÁRIO ESTÁ DE LUTO: MORRE ZANOTO



LEILA MICCOLIS

Na foto, Zanoto e Lélia



Conhecemos — eu e Urhacy — Zanoto, pessoalmente, no Encontro Nacional de Arte e Cultura, organizado pela Prefeitura Municipal de Registro e pela União Brasileira de Escritores de Registro/SP, em 1990. Ele e Lélia, sua amada esposa. Porém já nos correspondíamos desde 1981, pois Zanoto era extremamente democrático, publicando todos os escritores em sua coluna "Diversos Caminhos", no Jornal Correio do Sul, sem quaisquer distinções. Iniciantes e escritores consagrados se cruzavam nestes seus "Diversos Caminhos, que desde 1950 ele mantinha no jornal mineiro. Anos depois, participando da noite de autógrafos do poeta Cícero Acaiaba, outro poeta de varginhense, grande amigo de Zanoto e falecido em 2009, conhecemos sua casa, sua biblioteca, seus arquivos fabulosos, com escritores de todo o Brasil, e acabamos a noite jantando em um de seus restaurantes favoritos. Uma noite memorável e inesquecível, em que Zanoto e Lélia foram "só nossos"...



Zanoto era a simplicidade e a modéstia em pessoa. Era poeta, Presidente de honra vitalício da Academia Varginhense de Letras, Artes e Ciências, mas preferia ser conhecido apenas como jornalista. Tinha uma coluna no Jornal Blocos (impresso), "Caminhos em Blocos", e em 15 de maio de 2004, Zanoto começou a escrever para Blocos Online a coluna que intitulou de "Diversos Caminhos em Blocos", enviando sempre várias delas por antecipação, o que permitiu que eu divulgasse a de fevereiro, sem ter ainda notícia de seu falecimento, no dia 21 de janeiro. Temos muito orgulho de ser o único site a tê-lo como colunista, já que não se dava bem com a Internet. Seu último bilhetinho para mim, escrito a mão — como sempre fazia — foi de janeiro, poucos dias antes de sentir-se mal, enquanto atravessava a rua entre a Praça Champagnat até o Varginha Tênis Clube, e morrer no dia seguinte, de infarto. On line, iguais às colunas impressas, suas crônicas são um misto de ficção e realidade, fragmentos de textos de escritores, poesias, reminiscências pessoais. Seu estilo era inconfundível. Publicarei ainda a coluna de março, como singelíssima homenagem a uma pessoa que eu tanto admirava e continuarei admirando por sua postura literária libertária, pelo respeito com que tratava todos os que dele se aproximava, fosse quem fosse.


30 anos de correspondência e amizade ininterruptas. Estou profundamente emocionada e triste. Não é apenas Varginha que perde um intelectual ilustre, mas o jornalismo literário brasileiro, exercido por Zanoto com muito amor, carinho, criatividade e integridade.

PORTUGAL

Libyan warplanes strike rebel-held oil port, Arabs weigh peace plan



A Libyan rebel celebrates after they retake the eastern town of Brega on Wednesday. Muammar Qaddafi's forces launched another attack on Thursday and the rebels are said to be holding on. (AP)

By MOHAMMED ABBAS | REUTERS


BREGA: Muammar Qaddafi’s forces struck at rebel control of oil export hubs in Libya’s east for a second day on Thursday as Arab states weighed a plan to end turmoil Washington said could make the country “a giant Somalia.”

A leader of the uprising against Qaddafi’s 41-year-old rule said he would reject any proposal for talks with Qaddafi to end the conflict in the world’s 12th largest oil exporting nation.

Witnesses said a warplane bombed the eastern oil terminal town of Brega, a day after troops loyal to Qaddafi launched a ground and air attack on the town that was repulsed by rebels spearheading a popular revolt against his four-decade-old rule.

The rebels, armed with rocket launchers, anti-aircraft guns and tanks, called on Wednesday for UN-backed air strikes on foreign mercenaries it said were fighting for Qaddafi.

But perhaps mindful of a warning by Qaddafi that foreign intervention could cause “another Vietnam,” Western officials expressed caution about any sort of military involvement including the imposition of a no-fly zone.

A rebel officer said government air strikes targeted the airport of Brega and a rebel position in the nearby town of Ajdabiyah, referring to two rebel-held locations.

Opposition soldiers also said troops loyal to Qaddafi had been pushed back to Ras Lanuf, home to another major oil terminal and 600 km (375 miles) east of Tripoli.

“Qaddafi’s forces are in Ras Lanuf,” Mohammed Al-Maghrabi, a rebel volunteer, told Reuters, echoing comments by others.

GRAVE CRISE DE AGUA NA REGIAO DO ORIENTE MEDIO E NORTE DE AFRICA


Abu Dhabi: Sem políticas eficazes, a mudança no comportamento de uso da água e da cooperação internacional, a escassez de água vai bater catastróficas no Oriente Médio e Norte da África (MENA), região dentro dos próximos dez anos, um diplomata disse regional na capital ontem.

Portanto, os países devem cooperar de forma eficaz a nível regional e internacional para impedir tal desastre, especialmente porque 60 por cento das fontes de água na região são compartilhados além das fronteiras, Abdul Rahman Ahmad Khalil, ministro plenipotenciário de água e recursos naturais no Sudão Ministério dos Negócios Estrangeiros, disse ao Gulf News.

"Enquanto a água segura para beber e para a agricultura está se esgotando drasticamente na região Mena, as políticas para combater a crise estão atrasados. Daí a necessidade de incluir o problema da escassez de água em nossa política externa, e também criar a consciência pública sobre o problema de modo que as pessoas reduzam seu consumo de água ", disse Ahmad.

Ele falava à margem do programa da Água Árabes Academia de Diplomacia da água, que viu os diplomatas de 14 países diferentes Mena no atendimento e concluída em Abu Dhabi ontem.

Kadafi alerta para outro Vietnã









Muammar Kadafi lançou uma ofensiva terrestre e aéreo para retomar os territórios no leste da Líbia, na madrugada de ontem, provocando uma chamada rebelde para ataques aéreos estrangeiros em mercenários Africano disseram que estavam ajudando-o a permanecer no poder. O governante veterano geminadas o ataque com um broadside propaganda de fogo contra os rebeldes, jogando com a opinião nacionalista e nervosismo ocidental dizendo muito sangue seria derramado em "outro Vietnã", se os poderes estrangeiros intervieram na crise.

Nós vamos entrar numa guerra sangrenta e milhares e milhares de líbios vão morrer se os Estados Unidos ou da OTAN entra entra ", disse Gaddafi apoiantes Tripoli durante um encontro televisionado ao vivo." Nós estamos prontos para distribuir armas para um milhão ou 2 milhões ou 3 milhões, e outro Vietnã começará. Não importa para nós. Já não se preocupar com nada.

quinta-feira, 3 de março de 2011

A perda de um grande amigo: Benedito Nunes







A perda de um grande amigo: Benedito Nunes

Rogel Samuel

Soube de sua morte no blog do Zemaria Pinto, no “Palavra do fingidor”.
A última vez que o vi foi na UFAM, em Manaus, durante um seminário. Eu estava sentado a seu lado, junto com sua esposa, conversamos muito e dele ganhei um exemplar de uma revista acadêmica. Depois de tantos anos, ele me reconhecera. Tinha uma memória privilegiada, uma inteligência imediata, uma cultura enciclopédica, e uma humildade e simplicidade cativante.
Ele era um grande mestre, respeitado no mundo todo, até por nomes como Foucault.
Foucault veio de Paris para visitá-lo, e se hospedou em sua casa, na praia.
Também estive com ele na Editora Vozes, na UFRJ, e em alguns poucos encontros. Mantive uma correspondência com ele.
Foi pouco. Mas a companhia de um Mestre tem efeito multiplicador.
Encontro agora uma pequena carta que me escreveu:
“Belem, 17.12.86
Prezado Rogel Samuel:
Só agora – tantos foram “os trabalhos e os dias” de viagem neste ano - posso agradecer-lhe o artigo com referencias à minha pessoa. Também agradeço o Teolit, livro de um Mestre, igualmente Inventor, que me ensina a ensinar.
Um abraço do
Benedito Nunes”
Não encontro outra carta, no meio da papelada desorganizada em que vivo.
Mas a dor de sua perda.

A MAIOR ALTA EM 25 ANOS - IBGE: Brasil fecha 2010 com crescimento de 7,5%










O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil registrou aumento de 0,7% no quarto trimestre deste ano ante o trimestre imediatamente anterior, informou nesta manhã o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Economistas esperavam um crescimento entre 0,24% e 1,20% no período, sendo que a mediana das projeções apontava alta de 0,80%.


Na comparação com o quarto trimestre de 2009, o PIB apresentou alta de 5,0%. Neste caso, as projeções de alta variavam de 3,90% a 6,10%, com mediana de 5,00%. No acumulado de 2010, o PIB brasileiro acumulou alta de 7,5%.

Benedito Nunes morre aos 81 anos


Escritor e filósofo Benedito Nunes morre aos 81 anos
FOLHA ONLINE 27/02/2011 19h22


Foto: Divulgação
O filósofo Benedito Nunes, que morreu neste domingo
O escritor e filósofo paraense Benedito Nunes, 81, morreu na manhã deste domingo (27). Ele estava internado havia dez dias no Hospital Beneficência Portuguesa de Belém (PA). Às 20h de sábado (26), foi transferido ao CTI (Centro de Terapia Intensiva), após sofrer hemorragia no estômago, mas não resistiu.

O corpo está sendo velado na igreja Santo Alexandre. Amanhã, às 9h será realizada uma missa de homenagem ao escritor e logo após, às 11h, o corpo será cremado no cemitério Max Domini, localizado no município de Marituba (20km de Belém).

Vida e obra

Nascido em Belém em 21 de novembro de 1929, Benedito José Viana da Costa Nunes foi um dos fundadores da Faculdade de Filosofia do Pará, posteriormente incorporada à Faculdade Federal do Pará.

Por "A Clave do Poético", Nunes recebeu o prêmio Jabuti na categoria crítica literária, em 2010. No mesmo ano, ganhou o prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto da obra.

Em 1989, publicou "O Drama da Linguagem - Uma Leitura de Clarice Lispector", um ensaio literário sobre a escritora.

Depoimentos

Aldrin Figueiredo, escritor e amigo de Nunes, conta que teve o privilégio de ter escrito um texto em parceira com ele, e que fez o prefácio de uma de suas obras, "Luzes e Sombras do Iluminismo no Pará", escrito em 2004, com Milton Hatoum.

Nunes era crítico literário e de arte, e sua primeira análise foi sobre as obras da escritora Clarice Lispector. "Desse estudo foram criados dois livros, 'O Mundo de Clarice Lispector' e o 'Drama da Linguagem', onde se observa uma análise fenomenológica e existencialista", explica Aldrin.

Ele conta que as obras foram elogiadas por Clarice que se tornou amiga do autor.

Amarilis Tupiassu, professora de Letras da Universidade Federal do Pará e da Universidade da Amazônia, afirma que Nunes estava sempre de bom humor, e uma de suas últimas brincadeiras foi dizer que, quando saísse do hospital, a primeira coisa que iria fazer seria comer um pastel.

"Benê sempre foi brincalhão até nessa situação ele fez piada." Ela lembra que quando ele recebeu o título de Doutor Honoris Causa, homenagem feita aos professores eméritos, ela fez a saudação.

Marta promete agilizar votação da lei que torna crime homofobia








Marta promete agilizar votação da lei que torna crime homofobia



GABRIELA GUERREIRO
DE BRASÍLIA

Escolhida nesta quarta-feira para relatar no Senado o projeto que criminaliza a homofobia, a senadora Marta Suplicy (PT-SP) prometeu dar celeridade à votação da matéria. O projeto tramita na CDH (Comissão de Direitos Humanos) do Senado e ainda precisa passar pela análise da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) antes de seguir para o plenário da Casa.


Marta foi designada relatora pelo senador Paulo Paim (PT-RS), que assumiu a presidência da CDH do Senado nesta quarta-feira. A senadora disse que, diante das situações extremas de agressões registradas contra homossexuais nos últimos meses, o Congresso deve ter pressa para analisar a matéria.

"Não podemos mais admitir situações de homicídio, que temos presenciado, de humilhação, xingamentos e espancamentos de homossexuais", afirmou Marta.

A proposta prevê punição para uma série de discriminações e preconceitos, entre eles pela orientação sexual. O projeto chegou a ser arquivado no final da última legislatura, mas Marta reuniu as 27 assinaturas necessárias para permitir que voltasse a tramitar no Senado.

A principal barreira para a aprovação do texto está na bancada evangélica, que vê a possibilidade de censura às pregações dos pastores. A ABLGT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais), por outro lado, se articula para fazer uma ampla defesa do projeto no Congresso.