quarta-feira, 2 de abril de 2008

Clark Varajão


Minha Canção de Amor

O Amor é uma conquista diária
Mas nem sempre isso é tudo
É uma sedução quase arbitrária
Se me calo, não quero ficar mudo.
Na atração existe algo de extraordinário
E os corpos se fundem em si mesmos
Nada mais há de obscuro ou contrário
E tudo se transforma no grito abissal de nós mesmos.
E o fogo que queimava em nossos corações
Foi debelado pela chuva torrencial
Até que o brilho do sol amanheceu ao ritmo das canções
E a relva macia e orvalhada dos campos se fez providencial.
Aquilo que era tempestade agora é bonança
O Amor não quer jamais o ódio ou a guerra
Não quer apenas a paz, senão a esperança
Quer antes de mais nada um canto de Amor à terra.
Março, 2002

As Mil e Uma Formas do Amor

I

O amor não precisa ser infinito
Basta que aconteça no momento exato
No lugar certo e não dito
Mas onde haja harmonia e paz!

Dizem que o amor não tem tradução
Nas palavras do poeta, amigo das palavras
O amor quando chega arrebata o coração
Atrai, seduz e se infiltra na alma apaixonada.

São tantas as formas de amar
É a paixão que emana do ser humano
É o encanto que fascina e enleva
Na sensualidade e no erotismo inserido na pele.

Quantas marcas e conflitos gerados pelos sentimentos
Do amor que extravasa no olhar um do outro
Que busca uma senda para o destino inscrito
No peito arfante e envolvido pela chama do amor.

II

O amor é um mistério e desvendá-lo
É ofício do bardo imortal e impossível
Que oculta todos os truques de sua magia
Que nenhum ilusionista é capaz de decifrar.

As artes e artimanhas do amor são infinitas
Mas o pensador de mente aberta às idéias
Sempre descobre uma fórmula para incuti-las
No âmago e no abismo do ser metafísico.











A vida é plena quando se deixa levar pela natureza pura,
Não das coisas brutas em si mesmas, senão das coisas belas
E transparentes como as águas cristalinas das fontes
E do orvalho das folhas das árvores e das flores perfumadas

De cada manhã. E outra manhã... sem fim
Como todo amor que não é finito.
Quem ama quer ser amado por toda a vida,
Quem ama quer antes de tudo ser feliz.

III

A glória do amor se faz presente no triunfo
De toda uma vida que se regozija e esparrama
Pelas fissuras dos corpos inebriados pelo vinho
Servido aos amantes pela flecha de Eros!

Quanta loucura e quanto amor para viver
E que foram deixados pelo caminho
Destruídos pelo ódio e pelo egoísmo
De quem não soube acalentar o ser amado.

Ou por orgulho ou por engano,
Mas a vida não anda para trás,
Ela segue o destino que cada um criou,
Por isso, sonhar e amar é existir...

É viver e forjar a própria essência
Para que a vida se complete no amor
Que pensamos e queremos para nós
Mesmo que ela seja curta, mas bela!

Clark Varajão

O Processo das Formas (*)


I
No amanhecer da vida,
brincamos, fingimos
no mundo do faz-de-conta.
Tudo é graça e espírito,
o mundo parece mais bonito
e a consciência não fere a fantasia:
nossos projetos
são inocentes desejos,
pequenos sonhos aparentes
afagados com amor e beijos.
Nada é mais puro
que o canto do porvir.
II
E vem a juventude
que explode em emoções,
a razão luta com o Inconsciente,
nada satisfaz o coração
cego e louco de paixão.
O corpo queima por dentro
e por fora
como o sol de verão
e se joga à vida,
mergulhando num mar de ilusões,
porque o futuro já é agora
e o tempo passou tão rapidamente.
III
O outono se aproxima, inevitável,
trazendo seus frutos maduros:
o passado e o presente
lutam agora contra o futuro,
mas é com a renovação
de todas as estações da vida
que se colhem novas sementes
para a geração de novos homens.
IV
As folhas caídas no chão do ontem
foram levadas pelo vento
e uma chuva fina cai sobre a terra
incubada enquanto dormia
e que começa a despertar
depois que a curva dos anos
completou a roda do tempo,
quando, sob um céu claro,
o sol anuncia que a liberdade chegou!
************
Lá vou eu
ao sabor do vento
e das ondas do mar
Meu barco
é de aço e de vidro
é uma espaçonave
que atravessa o tempo
e a imaginação dos homens
Lá vou eu
ao sabor das palavras
e dos versos
Meu canto
é do mundo
brasileiro lá no fundo
do coração português (**)
___________________________________
(*) Do livro: O Processo das Formas - 1982
(**) Do livro: O Navegador Solitário - 1977



Crônica da Mulher Amada


A mulher nos dias que correm não é apenas uma lutadora, nos embates do dia-a-dia, ela é antes de tudo, uma revolucionária, e sabe, quando quer, agradar o homem amado, sem precisar ser submissa, podendo, inclusive, ser uma doce gueixa, se isso for conveniente para ela e o homem dela gostar. Ela pode ser despojada e despida de preconceitos e fazer o que gosta na hora certa, no lugar certo. Por exemplo, na cozinha, se entende de culinária, procura fazer a melhor comida, com temperos adequados e toque especiais, que dão melhor sabor não só à vida, mas são, também, uma receita para estimular o amor e quebrar a rotina e o marasmo que enchem de tédio o cotidiano do ser humano. Todos nós, o homem e a mulher, de um modo geral, somos falíveis, afinal de contas ninguém é perfeito, conseqüentemente, a busca da felicidade é infinita, e o máximo que conseguimos são momentos bons, permeados de alegria e algum sofrimento, que nos levam até o caminho da estabilidade, momentânea ou não. Porém, o que importa mesmo é a vida, e ela, às vezes, é tão curta, que devemos saber vivê-la com dignidade, sem se preocupar com qualquer espécie de ideologia ou o que isso possa significar filosoficamente falando. A mulher com seu jeito especial de ser, sua feminilidade, sabe sempre o que quer, na cama ou fora dela. O homem, por sua vez, pensa que comanda as ações, mas, na verdade, é levado e seduzido pela mulher a fazer o que ela quer e deixa. Porque a mulher não é aquela que está ao lado do homem, com sua presença física ou metafísica; ela está não apenas ao lado, na frente, ou atrás dele; ela está, absolutamente, dentro dele, de forma indelével e fundamental, desde que seja amada por ele. Outra coisa que não se deve esquecer e que tanto o homem quanto a mulher deviam aprender é como construir a confiança em si mesmos sem permitir que ela seja destruída em questão de segundos: para isso é necessário saber perdoar, amar as pessoas sem pensar em recompensa, não se contaminar pelo desejo de vingança, de ser cruel, só porque alguém o feriu, ou machucou o seu coração. Por isso, é que devemos aprender a ser amorosos não apenas conosco, mas para com os outros. O mundo pode ser grande ou pequeno, não importa a dimensão que lhe demos ou a visão que tenhamos dele. Além disso, é interessante saber que pouco importa o que você tem, mas quem você tem e ama, porque, no último instante, será esse alguém que irá ajudá-lo a levantar-se, se algum dia você cair e não tiver mais ninguém a quem recorrer ou pedir socorro. Nem é preciso lembrar que, normalmente, a mulher, muito mais que o homem, tem o dom, a essencialidade de espargir bondade e haurir compreensão para as falhas do ser humano, e isso faz com que ela tenha, no meio de tantas dificuldades encontradas nos árduos caminhos da vida, um sopro de esperança, rompendo os ventos fortes e as tempestades impiedosas que quebram o nosso chão e acabam com o porvir. É essa forma de relacionamento preexistente na mulher, isto é, esse encantamento, essa docilidade que transforma o mais rude dos homens no mais sereno dos seres, quando não no mais perfeito idiota mergulhado em palavras sentimentais de nossa vã filosofia. Mais do que isso, a mulher é o lugar de remanso do guerreiro, a paz que aquieta a força bruta dos insolentes vencidos pelo Amor, que se refugia em seu regaço. Ela é um ser que ama, e deseja e quer ser amada. Com toda a emoção possível, quando tudo se aflora nos gemidos e gritos de amor.
27-1-2001


AS MARCAS DO TEMPO


Antes não tinha nada
E, no entanto, tinha tudo:
A inocência e a liberdade;
Podia dormir na relva,
Caminhar na madrugada,
Sentir o perfume das flores,
Perceber o orvalho da árvores,
Ver a grama molhada,
Onde vacas e ovelhas pastavam.
Hoje posso ter tudo,
Mas não tenho nada,
Tudo desaparece na poeira da estrada,
Nos olhos macerados pelo tempo,
Nas cidades marcadas pela violência,
Na alma perdida no turbilhão
De sentimentos confusos e sonhos impossíveis.
Ainda, assim, tenho sua companhia
E isso me basta e preenche minha vida;
Não importa a realidade virtual, a nova tecnologia,
Se há o sonho, o Amor, e o ser não está perdido...
E o caminho foi refeito!
26.11.2001


NAS DOBRAS DO MUNDO

O pouco que somos já é muito
Se soubermos viver com ética.
Não importa se ao final
O que restar é quase nada,
Nada mesmo é que nunca seremos,
Porque o que fica de nós
É o ser que nós éramos
E há de impregnar
As fímbrias da natureza e do universo,
Pois é aí que ficaremos
Para todo o sempre!

2.12.2003





O Sentido da Vida

O dia nasce lá fora
Quando o sol se levanta
E invade o meu ser
Com seus raios luminosos

Que cobrem a face da terra
Cujos efeitos envolvem meu corpo

E penetram minha alma,
sentindo a força da vida

Que transcende todos os limites
Para que possa alcançar o infinito

Que está em mim, ou em você
Porque está em Deus

Que ama todos nós!





O Corpo e a Palavra

O corpo não apenas quer ser olhado,
ele deseja e quer ser amado.
A palavra, por sua vez,
pede para ser dita
e não apenas pronunciada,
e se ela é escrita,
então, exige que seja olhada
e, naturalmente, lida, declamada.

O discurso se serve do poeta
para falar do corpo e do objeto
que são a matéria-prima que viaja pela sua mente

Até encontrar o lugar onde realiza
os seus sonhos e desvenda os seus segredos,
que são o mistério do coração do homem,
o cais do porto povoado de saudades e lembranças.

A palavra beija minha boca,
o corpo, feliz, agradece!




O Ato e o Fato

Se temos que passar pelo silêncio da dor
Nem por isso, podemos jogar a vida fora
Pelo contrário, devemos vivê-la com amor
E não deixar que o destino faça a sua hora.

Se tudo já está predeterminado
Então mudemos essa situação
Ninguém pode ser atormentado
Por uma simples ou vaga intenção.



O que vale neste momento
É o espírito solidário deste ato
É o valor humano deste sentimento:
A glória e a alegria deste fato.




Poemalogia

Poema pode ser coisa de se ver
Mas também de se ouvir
É coisa de se escrever
Contudo, poema é para se sentir.

O trabalho pode ser atrativo
Quando se faz com prazer
E não por qualquer motivo
Senão por necessidade, e dizer

Que aquilo que se faz com amor
É muito mais atraente e por conseguinte
Muito mais, digamos assim, sedutor
Porque a vida é desafio e não acinte.

O homem não pode se humilhado
Ele nasceu para fazer sua história
Com sangue e lágrimas, o corpo suado
Porém, com sabor de terra, mar e glória!
[Rio, 9-1-2000]




Gostaria de escrever um poema

Gostaria de escrever um poema
Como se escreve um livro,
Não um poema qualquer,
Muito menos um best seller,
Quanto mais um poema de amor.
Gostaria de escrever um poema
Que fosse de carne e osso,
De corpo e alma,
Inteiramente humano.
Mas o que eu gostaria mesmo,
Além de fazer um poema,
Seja ele de amor ou não,
Era ter você aqui junto de mim,
Porque você é o único poema
Que eu não posso escrever,
Porém, eu posso, quero
E desejo amar!


15 Segundos


Nasci em Portugal,
Cheguei ao Brasil em 1958,
Em 1967 tornei-me cidadão brasileiro,
Sou funcionário público,
Sou escritor e poeta,
Meu nome é Francisco,
Mas por opção,
Sou Clark Varajão.

3 comentários:

Clark Varajão disse...

Embora não tenha havido nenhum comentário, posso garantir que quem conhece minha obra, pelo menos, tem demonstrado admiração!

Clark

Roberto disse...

Amigo Clak! Realmente seus poemas são belos!!!

RoberTo San

Clark Varajão disse...

Desculpe Clark, por ter grafado seu nome de forma equivocada, mas seus poemas são realmente incomparáveis.

Um abraço do amigo Roberto San

 
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