quarta-feira, 31 de março de 2010

Plano nacional de banda larga vai mudar mercado de telefonia, diz secretário






Plano nacional de banda larga vai mudar mercado de telefonia, diz secretário



A democratização do acesso à banda larga no Brasil vai viabilizar inúmeros serviços virtuais à população, bem como as iniciativas na área de governo eletrônico que hoje não estão massificados porque o acesso à banda larga é restrito às classes A e B do país.

Essa foi a ideia defendida pelo secretário de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, Rogério Santanna, na audiência pública realizada na Câmara dos Deputados na terça-feira (30), em Brasília, para discutir os efeitos, as implicações e a viabilidade técnica e financeira do Plano Nacional de Banda Larga. Os detalhes sobre a execução do Plano Nacional de Banda Larga aguarda uma definição por parte do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, prevista para abril.

Santanna destacou que a banda larga viabiliza o uso de Voip (Voz sobre Protocolo de internet) por meio da qual o usuário paga apenas a infraestrutura de acesso. Diferentemente do que ocorre na telefonia tradicional, neste ambiente não importa a duração e a distância das chamadas.

Na avaliação do secretário, ferramentas como essa, viabilizadas pela internet, vão reduzir o mercado de telefonia, que já é menor no mundo inteiro. Segundo ele, o mercado de voz internacional sofre uma redução de cerca de 20% a cada ano e nos países onde há grande disseminação da banda larga, a voz representa somente 30% do tráfego.

"Essa infraestrutura é central para o futuro da humanidade", defendeu. Ele disse que não há como desmaterializar os processos e serviços de um país se parte importante da população não tem acesso à banda larga. Ele lembrou que em apenas 184 municípios brasileiros há serviços competitivos nessa área, em 2.235 há empresas monopolistas atuando e que nos demais não há cobertura.

Isso ocorre, segundo o secretário, porque as operadoras de telefonia visam atender apenas as pessoas que vivem nas regiões ricas das grandes cidades. As atuais restrições nessa área impedem a atuação dos 1,7 mil provedores de serviço de internet com licenças concedidas pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e que apenas três empresas detém 86% do mercado brasileiro.

Para Santanna, diante essa realidade, o Brasil precisa utilizar a sua infraestrutura de fibras ópticas para democratizar o acesso à banda larga no Brasil, o que permitirá interiorizar o desenvolvimento do país. "É preciso introduzir a concorrência no âmbito dos serviços prestados e destravar o controle das redes de distribuição", explicou. O secretário acrescentou que outros países também estão desenvolvendo iniciativas nessa área, com os Estados Unidos e Austrália.

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