Crise é imprevisível, avaliam economistas em seminário no RJ
“O neoliberalismo não está morto, está com o olho muito aberto, mas entra em crise agora na Europa. O que eles estão fazendo em termos de ajustes recessivos é um completo disparate, no qual a Alemanha tem muita culpa. A Alemanha ainda vai pagar caro essa brincadeira. Se o euro estourar, será na cara deles também”, advertiu Maria da Conceição Tavares em seminário que reuniu nomes do pensamento econômico progressista brasileiro para analisar a crise do capitalismo mundial.
Maurício Thuswohl
Rio de Janeiro – Alguns dos principais nomes do pensamento econômico progressista brasileiro se encontraram na segunda-feira (28) no Rio de Janeiro para analisar a crise do capitalismo mundial e seus reflexos nos países ricos, além das prováveis conseqüências do atual contexto econômico global sobre o Brasil. O debate ocorreu no mesmo dia em que a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) anunciou a redução de suas projeções para a economia global e confirmou a formação de um aparentemente inevitável quadro de recessão para os Estados Unidos e a Europa.
O seminário “A Crise do Capitalismo e o Desenvolvimento do Brasil” foi organizado conjuntamente pelos quatro maiores partidos de esquerda do país, por intermédio das fundações Perseu Abramo (PT), João Mangabeira (PSB), Maurício Grabois (PCdoB) e Leonel Brizola/Alberto Pasqualini (PDT). Os debates reuniram, além de economistas, diversos parlamentares, empresários, sindicalistas e dirigentes partidários de todo o país.
A primeira mesa de debates reuniu nomes do peso de Maria da Conceição Tavares, Carlos Lessa, Luiz Carlos Bresser Pereira e Theotônio dos Santos na análise da crise financeira que atinge o centro da economia global e hoje se manifesta mais fortemente na União Européia, onde a adoção do euro como moeda comum já é posta em xeque.
“O neoliberalismo não está morto, está com o olho muito aberto, mas entra em crise agora na Europa. O neoliberalismo na década de 90 e começo desse século era favorável ao crescimento do G7, mas agora é dramaticamente regressivo, em particular na União Européia. O que eles estão fazendo em termos de ajustes recessivos é um completo disparate, no qual a Alemanha tem muita culpa. A Alemanha ainda vai pagar caro essa brincadeira. Se o euro estourar, será na cara deles também”, disse Maria da Conceição Tavares.
Conceição não vê solução para a insegurança econômica global nos próximos anos: “A crise européia deve prolongar a instabilidade financeira, com uma ameaça de estagnação com deflação. Os preços industriais estão caindo e talvez caiam também os preços das commodities, o que não será legal para o Brasil”.
Segundo a economista, hoje na Europa a grande discussão é manter ou não o euro: “A esquerda quer manter, mas a direita nacionalista não quer, pois prefere voltar às moedas nacionais para permitir a desvalorização da dívida em moeda nacional. Se acontecer, o que isso irá gerar de desvalorização competitiva restabelecerá na Europa o clima da década de 20, quando foi rompido o padrão ouro. É uma coisa muito problemática”, avaliou.
Dupla natureza Segundo Bresser Pereira, a crise do euro tem dupla natureza: “De um lado, é uma crise fiscal de Estados que estavam razoavelmente equilibrados do ponto de vista fiscal até 2008. Um exemplo é a dívida pública da Irlanda, que era de 25% do PIB em 2007. Aí, veio a quebra dos bancos irlandeses, o governo socorreu e a dívida pública da Irlanda, no fim de 2010, era de 99% do PIB. A dívida pública surgiu da quebra dos bancos, fundamentalmente. Os Estados do Sul da Europa se endividaram para socorrer seus bancos e aí os mercados financeiros perderam a confiança nesses países e na sua capacidade de pagamento. Então, a taxa de juros está aumentando. Isso já aconteceu com a Irlanda, depois com a Grécia, e agora está acontecendo com Itália”.
A outra natureza da crise européia, segundo Bresser, é cambial: “Os países em crise aguda tiveram déficits públicos pequenos, mas grandes déficits em conta corrente, o que se explica em parte também pelo consumo irresponsável feito internamente. A taxa de câmbio implícita desses países, definida pela relação salário-produtividade, se apreciou, e eles, então, entraram em um déficit de conta corrente muito grande em relação à Alemanha. Isso implica em endividamento para empresas, famílias e bancos, e torna a situação insustentável para esses países”.
Segundo o economista, o que ocorre na União Européia é uma crise de soberania monetária: “Ou você tem autonomia e decide sobre sua vida ou fica na mão dos outros. Não há soberania possível se você não tem uma moeda nacional. Os países da zona do euro, quando fizeram o acordo, aceitaram trocar suas moedas nacionais por uma moeda estrangeira, o euro. A moeda nacional tem duas características muito importantes, que só se percebe em tempos de crise: você pode emitir e pode desvalorizar. A Grécia não pôde fazer isso, a Espanha e a Itália não poderão fazer isso...”.
Para Bresser, a solução para o problema da dívida pública começaria com uma medida: “O banco central europeu deveria funcionar como o banco nacional desses países. Ou seja, emitir dinheiro para comprar os títulos que estão a juros altíssimos, e com isso baixar a taxa de juros e reequilibrar o sistema”. Em relação ao déficit em conta corrente, a solução racional, segundo o economista, seria cada país poder desvalorizar sua moeda: “Com isso, você baixa o salário, mas de uma forma menos dolorosa, não baixa via desemprego. A decisão de países como Espanha ou Itália de continuar no euro é complicada. Não sou capaz de dizer o que vai acontecer”.
A dificuldade em se fazer previsões sobre os desdobramentos da crise também foi citada por Carlos Lessa: “Essa crise apresenta uma grande opacidade em relação ao seu desdobramento. Esperamos _ vamos bater na madeira _ que a solução não se dê em termos de conflito mundial. Ninguém poderá dizer com razoável precisão como será o mundo daqui a dez anos. Porém, é possível dizer que será muito diferente do atual”.
G2 Essa diferença, segundo Lessa, será fundamentalmente geopolítica e terá EUA e China como atores principais, no que ele chama ironicamente de G2: “Quero crer que o império continua império. O orçamento militar norte-americano supera o somatório dos nove orçamentos militares que lhe sucedem e este ano foi aprovado nos EUA o maior orçamento militar de todos os tempos. Culturalmente, as pautas americanas já são absolutamente universalizadas. Acho que não tem G7 nem G 20. O que tem é G2, que é o matrimônio de um país chamado EUA, que é o império, e uma periferia chamada China”, disse Lessa, comparando o papel atual da China às “maquilas” mexicanas, que serviam de montadoras para produtos que depois retornavam aos EUA.
Theotônio dos Santos disse entender a natureza da atual crise européia como sendo secular: “Há um caráter cíclico na economia mundial, a crise não é novidade absoluta”, afirmou, antes de apresentar alguns números: “Entre 1900 e 1913, o PIB per capta cresceu cerca de 1,5%. Depois, de 14 a 38, período em que ocorreu a crise de 1929, o PIB cresceu apenas 0,8%. Entre 38 a 73, no chamado período de ouro do capitalismo, o PIB voltou a crescer cerca de 2,3%. Depois, de 74 a 93, o crescimento foi de 1,2%, em um período tipicamente de descenso de longo prazo. De 1994 para cá, o crescimento tem sido em torno de 2,3% apesar de duas crises fortes em 2000 e 2008. Há uma tendência a oscilar a taxa de crescimento da economia mundial”.
Em reportagem que ocupa 14 páginas da edição que chegou nesta segunda-feira às bancas, a revista norte-americana “New Yorker” chama a presidente Dilma Rousseff de “a ungida”, descreve o Brasil como “caoticamente democrático”, espanta-se com o crescimento do país e critica o ex-presidente Lula por não dar créditos à política econômica de seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso. O texto, assinado por Nicholas Lemann, é um dos principais destaques da edição, que circula com data de capa de 5 de dezembro. “O Brasil funciona de maneira que nós (americanos e europeus) fomos condicionados a pensar que são incompatíveis com uma sociedade livre bem-sucedida”, escreve ele.
A presidente Dilma Rousseff encontra a chanceler alemã Angela Merkel na cúpula do G20 na França
Lemman cita a corrupção, as taxas de criminalidade, a educação de má qualidade, as estradas ruins e os portos que mal funcionam, para observar que, apesar dos problemas, “o país alcançou uma rara trifeta (modalidade de aposta em que o apostador acerta, no mesmo páreo, os três primeiros cavalos, pela ordem de chegada): alto crescimento econômico (diferentemente de Estados Unidos e Europa), liberdade política (diferentemente da China) e desigualdade em baixa (diferentemente de quase todos os lugares). Como isso está acontecendo?”. O título da reportagem (“A ungida”) é explicado pelo papel do ex-presidente Lula em sua eleição. “Ela é presidente hoje graças à decisão de Lula de fazê-la presidente”, escreve. “Ela venceu a eleição por causa do enorme apoio obtido em partes do Brasil onde Lula é quase um Deus – os pobres, principalmente, do Nordeste afro-brasileiro.” Lemman encontrou-se com Dilma, Lula e FHC, além de diversas outras fontes que cita ao longo do texto. A presidente parece muito “professoral” para o repórter. “Quando ela fala, ela parece dar aulas, gesticulando com as mãos e olhando ao redor para ter certeza de que o que ela fala está sendo ouvido.” Ao descrever Lula, sublinha o estilo do ex-presidente, que serviu café pessoalmente ao repórter, sentou-se ao seu lado e o tratou como se o conhecesse desde sempre. Já ao falar do entusiasmo do governador Sergio Cabral por Dilma e Lula, Lemman é irônico e anota: “Cabral fala inglês de forma entusiasmada, embora nem sempre correta”. A reportagem da “New Yorker” cita várias vezes o passado de ex-militante de esquerda de Dilma. Observa que ela não gosta de falar do assunto, embora não o renegue. Conta que a presidente foi torturada e reproduz trechos de um depoimento que ela deu à “Folha” em 2003, no qual descreve uma operação de que participou, de transporte de armas. O texto também fala da vida pessoal da presidente e afirma que Dilma se separou de seu ex-marido Carlos Araujo, pai de sua filha, Paula, em 1994, depois que “soube que ele teve uma criança com outra mulher”. Mas acrescenta: “Hoje eles têm uma relação cordial”. Ao comparar a presidente com o seu mentor, Lemman escreve: “Lula não prestava atenção nos detalhes; Dilma sabe os detalhes de tudo”. Observa, ainda, em inglês: “He was all politics; she is all policy” (uma frase intraduzível em português, cujo sentido seria algo como “Lula é um animal político; Dilma só se interessa pelas políticas”). Lemman elogia a presidente por ter começado “se distanciar das iniciativas de política externa mais exóticas de Lula” e, depois de conversar com FHC, “reabilitado” por Dilma, reproduz uma opinião curiosa do ex-presidente a respeito da demissão de ministros de seu governo. “Lula advertiu Dilma a não ir tão rápido. Realisticamente, talvez ele esteja certo”.
EM Une vie, de Maupassant, Jeanne, condessa de Lamare,
perdidos o pai, a mãe e o esposo, e abandonada pelo filho, entrega-se a um
bizarro exercício de memória. Toma os calendários, as folhinhas relativas aos
últimos vinte anos da sua vida, e põe-se a restaurar dia a dia todos os
acontecimentos daquele período feliz ou tormentoso. Econsegue, dessa maneira,
povoar de fatos, e de figuras, todas as horas que, antes dessa ressurreição
pela saudade, lhe pareciam tristes e vazias.
No esforço, que agora faço, para realização do mesmo milagre, não
deixa de ser curioso que eu, que me recordo de tanto fato insignificante, de
tanto episódio miúdo, não tenha lembrança, embora a mais leve, do dia em que
nos mudamos para a casa que minha mãe mandou construir em Parnaíba, à Rua do
Pará, ao lado daquela em que nos instalamos em 1894. Ao reconstituir esse
período e esses acontecimentos, já me vejo residindo aí. Duas ou três
ocorrências ligeiras, dois ou três quadros no meio de outros que se apagaram,
eis o que me resta. À memória faltam recordações para encher a moldura dos
dias.
A casa obedece, mais ou menos, à disposição da que lhe fica ao
lado, e em que havíamos residido. Três altas janelas de frente, e, à esquerda
de quem a examina da rua, uma grande porta, por onde se entra para um alpendre
largo e todo fechado de rótulas. Para esse alpendre, dá a porta da sala de
visitas, a que correspondem as três janelas da rua. Atrás da sala, e
comunicando-se com ela por duas portas, um grande quarto destinado às minhas
tias e à minha irmã mais velha. Esse quarto possui, ainda, uma porta lateral
para o alpendre de que se faz a sala de jantar, e outra, mais, para o quarto de
minha mãe, que se comunica, por sua vez, com a sala de jantar. Na “puxada”, um
quarto grande, que é a despensa, dando para um corredor aberto. Em seguida, a
cozinha, com fogão e forno de barro, para lenha. Atrás da casa, o banheiro, e
um quarto pequeno, que eu transformei em pombal, mas foi reduzido, depois que
os gatos e as mucuras me comeram os pombos, em... restaurant de
Ezequiel. Próximo ao banheiro, um poço de tijolo, de uma dezena de metros de
profundidade. Ao lado da casa, à esquerda de quem entra, um largo pedaço de
quintal arenoso, em que fizemos o jardim. E em seguimento, para os fundos, o
quintal de sessenta ou setenta metros, todo cercado de troncos de carnaúba
rachada ao meio.
À chegada do primeiro inverno cuidou minha mãe de encher de
plantas o seu pequeno retiro. Comprando uma dúzia de cocos com casca, foram
estes cortados no lado superior para facilitar a germinação. Abertas as covas,
fundas de mais de meio metro, punha-se dentro de cada uma um coco e, sobre
este, um punhado de sal.
– Para que serve o sal, em cima do coco? – indago.
– É por causa dos besouros – explica-me o caboclo que nos ajuda na
plantação. – Osal afugenta o besouro, quando ele entra na terra para roer o
coco.
Não obstante essas precauções, apenas cinco ou seis coqueiros nasceram.
Mas outros cocos foram plantados, e vingaram. Evingaram as laranjeiras, os
limoeiros, as ateiras, os mamoeiros. Um muricizeiro estendeu os galhos junto ao
alpendre, em frente ao corredor da despensa, dando agasalho às galinhas. Um
jasmineiro miúdo derramou-se no jardim, estrelando a areia. Um casa-cedo
rebentou em cálices amarelos. Um resedá modesto perfuma a brisa. Eas roseiras
lutaram para viver. Eu próprio puxava a água do poço profundo, em um balde de
zinco, auxiliado por um carretel estridente. Eminha mãe, e minhas irmãs, na
alegria humilde de possuírem o seu teto, davam de beber às plantas amigas.
Nessa casinha, com intervalo apenas de alguns meses, passei a minha meninice,
dos nove aos treze anos, e, mais tarde, a adolescência, dos quinze aos
dezesseis. Do seu quintal subiram os meus papagaios de papel. Entre as suas
moitas rasteiras armei as minhas arapucas cheirando a mato verde. Nas suas
cercas irregulares pendurei os meus alçapões traiçoeiros. Aí escrevi o meu
primeiro conto e me nasceu a primeira ambição literária. Testemunha quieta dos
meus desastres iniciais, das lágrimas da minha mãe e do milagre da nossa
pobreza corajosa, foi à sua sombra que decorreram as nossas noites de vigília e
os nossos dias de esperança.
Nessa casa humilde e clara teve o navio da minha alma o seu
estaleiro... Desse porto abrigado partiu três vezes o meu barco atrevido e
frágil para afrontar as iras do oceano trovejante. Da primeira, voltei
desiludido, apavorado com a tormenta que rugia lá fora. Da segunda, regressei,
as velas rotas, o leme partido, para reparar os estragos da tempestade, mas com
o pensamento de fazer-me ao largo, outra vez. Da terceira, enfim, apanhado
pelos ventos oceânicos e pelo capricho das correntes marítimas, fui arrastado
para tão longe que, decerto, nunca mais voltarei...
E para quê? Para que voltar se se não balançam mais na mesma
enseada os barcos amigos que dançavam ao sol nas mesmas águas? Voltar para quê,
se minha irmã já não existe, se não existem o tio e uma das tias que moravam
conosco, se o coração de minha mãe esmorece coberto de luto, se tudo, em suma,
seria, aí, para mim, fonte de saudades, ninho de tristezas, e amargo motivo
para evocações dolorosas?
Envelhece, pois, sem que me vejas mais, casa que eu vi nascer, em
cujas paredes eu próprio marcava, com um traço de carvão na argila clara, os
progressos do meu crescimento. Um dia ruirás, e serás poeira. Um dia eu
morrerei, e minha carne se transformará em pó. E as minhas cinzas se reunirão às
tuas, e dormirão juntas, consoladas, no seio materno e silencioso da terra...
sobolos rios que vão por Babilônia, me achei onde sentado chorei com Camões esta canção, as lembranças de tudo por quanto no rio passei o rio negro negro corrente que de meus olhos foi manado, e que somente meu deu lembranças que nalma se representaram e se fizeram tão presentes como se nunca fossem tidas com o rosto banhado em lágrimas via minha tia Luzia e seus cuidados imaginados e o meu tio Alberto na sua mesa de trabalho sorrindo para o seu lado. Vi que tudo que passei que todo o bem passado não era gosto, mas é mágoa. mas quando feliz estou contigo me esqueço do passado nada existe, já passou e logo me recomponho pois o tempo imaginado o tempo recuperado já é outro, já não existe como o rastro de uma nave no ar do mais largo oceano ah, tempo passado, tempo morto tempo árido! contigo não estarei nem mesmo nas lembranças! o quadro se apaga e os momentos são sonhos projetados na vidraça!
O fado é Património Imaterial da Humanidade segundo decisão hoje tomada durante o VI Comité Intergovernamental da Organização da ONU para a Educação, Ciência e Cultura - UNESCO).
O antigo presidente da Câmara de Lisboa Pedro Santana Lopes lançou a ideia de candidatar o fado a Património Imaterial da Humanidade e escolheu os fadistas Mariza e Carlos do Carmo para embaixadores da candidatura.
A candidatura foi aprovada por unanimidade pela Câmara de Municipal de Lisboa no dia 2 de maio de 2010 e apresentada publicamente na assembleia Municipal, no dia 1 de junho, tendo sido aclamada por todas as bancadas partidárias.
No dia 28 de junho de 2010, foi apresentada ao Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, e formalizada junto da Comissão Nacional da NESCO. Em agosto desse ano, deu entrada na sede da organização, em Paris.
A candidatura portuguesa foi considerada como exemplar pelos peritos da UNESCO, tal como o Paraguai e Espanha.
Nós, escritores independentes, somos seres quase
extintos na face da terra.
Nossa sobrevivência hoje se deve aos blogs e sites.
Somos todos nós, poetas, cronistas, romancistas, homens
de letras, que fazemos da literatura nossa razão de ser, uma centena de milhares
de seres, esquecidos da media, cuja produção continua firme, mas que raramente
recebemos dos leitores a capacidade de “viver da pena” como se dizia antigamente.
Poucos conseguem viver do que escrevem no Brasil,
como Coelho Neto, Humberto de Campos que sobreviveram do que escreviam. Até Machado
era funcionário público.
Creio que hoje somente poucos, como Márcio Souza,
vivem de direitos autorais.
Uma solução curiosa e inteligente foi a alemã. Pelo
menos era assim na década de 90: as bibliotecas públicas cobravam uma pequena
taxa de uso para o fundo de aposentadoria do escritor alemão, e as livrarias
eram “obrigadas” a colocar os autores alemães na frente dos demais. Na vitrine.
No Canadá as
livrarias emplacavam assim cada livro nacional: “ESTE É ORGULHOSAMENTE UM AUTOR
CANADENSE”.
Por que hoje estou neste estado deprimente?
- Ontem eu entrei na Livraria Saraiva no Shopping
Rio Sul e vi que os autores nacionais sumiram de cena. Só nas estantes laterais, marginais. Nenhum
programa da tarde de domingo da TV homenageia um poeta, um cronista nacional.
Câmara deveria revogar punições, já que não as aplica...
Jair Bolsonaro
O deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), nem se discute mais, é caso perdido. Infelizmente a Câmara dos Deputados tem sido leniente com ele e com as agressões constantes que perpetra da tribuna ou em entrevistas. Como as de seu pronunciamento de ontem contra a presidenta Dilma Rousseff. A pretexto de atacar o que chamou de "kit gay", material distribuído pelo Ministério da Educação (MEC), Bolsonaro mais uma vez resvalou para uma linguagem chula, para a agressividade, a discriminação e o preconceito ao afirmar: "Dilma Rousseff, pare de mentir! Se gosta de homossexual, assuma!". A questão não estava, absolutamente, em discussão.
Sua agressividade contra a chefe do governo, e principalmente a inadequação dos termos desrespeitosos dirigidos a ela chamando-a de mentirosa, provam que Bolsonaro já deu mais do que razões para ser cassado. Como isso não aconteceu, mesmo ele já tendo passado e sido julgado pela Comissão de Ética da Câmara, a sensação que fica é de que o medo da maioria dos deputados impede que seja pelo menos advertido ou suspenso do mandato. Melhor revogar punições do regime e da Comissão de Ética Se é para ter esse procedimento diante de infrações e falta de decoro parlamentar tão flagrantes, então é melhor revogar essas punições constantes do regimento interno da Câmara e da Comissão e deixar para a justiça e o eleitor decidirem. Tampouco adianta Bolsonaro vir com a desculpa de que não quis ofender a presidenta e que sua intenção era colocar o tema em discussão.
Ora, esse tema da homossexualidade - no caso, melhor seria dizer, da homofobia do deputado - a luta justa e necessária contra os preconceitos, a violência e a discriminação contra os homossexuais, tem que ser travada com pesquisas e com uma estratégia em que ela seja discutida com seriedade e consequência. Não podemos simplesmente propor medidas sem discussão aprofundada com a sociedade, ou que restrinjam a questão a um simples item, como faz o parlamentar carioca atacando material distribuído pelo MEC.
Bolsonaros, pai e filho, transformam homofobia em marketingVamos propor medidas concretas à avaliação da sociedade e, se vamos fazê-lo, que o façamos nos preparando também para a disputa política. Conscientes de que, em questões dessa complexidade, infelizmente essa disputa não tem nível e nem limites como vimos em manifestações do deputado Bolsonaro, e na campanha presidencial de 2010, quando a oposição explorou uma questão não política, mas de princípio e foro íntimo, o aborto.
Aliás, eu devia dizer manifestações dos Bolsonaros, porque eles estão transformando seu homofobismo em marketing e marca. O deputado Flávio Bolsonaro (PP) - filho de Jair - foi um dos dois únicos votos contrários à aprovação, ontem, pela Assembleia Legislativa do Rio, da proposta de emenda constitucional (PEC 23/07) do deputado Gilberto Palmares (PT).
A PEC inclui a orientação sexual entre as características pelas quais um cidadão não pode ser discriminado, segundo a Constituição fluminense. Foram 45 votos a favor e apenas dois contra, os dos deputados Flávio Bolsonaro e Edson Albertassi (do PMDB).
Graciosamente morena, com uns
grandes olhos negros, cabelo ondeado, corpo flexível, e um andar de cobra no
descampado, mme. Batista Belo era, sem contestação admissível, uma das figuras
mais acentuadamente chics da cidade. Os seus vestidos não eram ricos, nem eram
caros os seus chapéus; era, porém, tão definido o cunho da sua elegância, que,
nas, festas, nos teatros, nos passeios, era ela quem se revelava a rainha, a
dominadora, a vitoriosa, no meio de outras mais opulentamente
trajadas. Conhecedor da pérola que
possuía, o marido vigiava-a de perto, cumulando-a de mimos, - de colares, de
brincos, e, principalmente, de pulseiras, de que ela possuía, já, a mais soberba
variedade. Eram pulseiras de platina, com brilhantes; de ouro, com safiras; de
prata, com pérolas foscas; e eram, sobretudo, de metal mais ou menos liso, em
número de vinte ou trinta, que tilintavam ao menor movimento, dando à linda
senhora, quando ela passava na Avenida, um galhardo aspecto de burra-madrinha. À
tarde, ao saírem, o dr. Belo não deixava de
recomendar: - Lulu, as pulseiras? Já as
puseste todas? Um dia, intrigada com essa
exigência galante o marido, madame não pode mais, e
interpelou-o: - Augusto, por que exiges que eu
use tanta pulseira, quando saio? Isto já está, até, se tornando
ridículo... E
insistindo: - Por que é;
hein? - Por que é? - gracejou o
desgraçado, relutando. E num acesso de
coragem: - É para saber, no cinema, onde
é que você anda com a mão!
- NONADA. TIROS QUE O SENHOR ouviu foram de briga de homem não; Deus esteja. Alvejei mira em árvores no quintal, no baixo do córrego. Por meu acerto. Todo dia isso faço, gosto; desde mal em minha mocidade. Daí, vieram me chamar. Causa dum bezerro: um bezerro branco, erroso, os olhos de nem ser - se viu -; e com máscara de cachorro. Me disseram; eu não quis avistar. Mesmo que, por defeito como nasceu, arrebitado de beiços, esse figurava rindo feito pessoa. Cara de gente, cara de cão: determinaram - era o demo. Povo prascóvio. Mataram. Dono dele nem sei quem for. Vieram emprestar minhas armas, cedi. Não tenho abusões. O senhor ri certas risadas... Olhe: quando é tiro de verdade, primeiro a cachorrada pega a latir, instantaneamente - depois; então, se vai ver se deu mortos. O senhor tolere, isto é o sertão. Uns querem que não seja: que situado sertão é por os campos-gerais a fora a dentro, eles dizem, fim de rumo, terras altas, demais do Urucuia. Toleima. Para os de Corinto e do Curvelo, então, o aqui não é dito sertão? Ah, que tem maior! Lugar sertão se divulga: é onde os pastos carecem de fechos; onde um pode torar dez, quinze léguas, sem topar com casa de morador; e onde criminoso vive seu cristo-jesus, arredado do arrocho de autoridade. O Urucuia vem dos montões oestes. Mas, hoje, que na beira dele, tudo dá - fazendões de fazendas, almargem de vargens de bom render, as vazantes; culturas que vão de mata em mata, madeiras de grossura, até ainda virgens dessas lá há. O gerais corre em volta. Esses gerais são sem tamanho. Enfim, cada um o que quer aprova, o senhor sabe: pão ou pães, é questão de opiniães... O sertão está em toda a parte. Do demo? Não gloso. Senhor pergunte aos moradores. Em falso receio, desfaIam no nome dele - dizem só: o Que-Diga. Vote! não... Quem muito se evita, se convive. Sentença num Aristides - o qne existe no buritizal primeiro desta minha mão direita, chamado a Vereda-da-Vaca-Mansa-de Santa-Rita - todo o mundo crê: ele não pode passar em três lugares, designados: porque então a gente escuta um chorinho, atrás, e uma vozinha que avisando: - "Eu já vou! Eu já vou!..." -que é o capiroto, o que-diga... E um Jisé Simpilício - quem qualquer daqui jura ele tem um capeta em casa, miúdo satanazim, preso obrigado a ajudar em toda ganância que executa; razão que o Simpilicio se empresa em vias de completar de rico. Apre, por isso dizem também que a besta pra ele rupeia, nega de banda, não dei (...)
João Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas, 1ªpágina
A taxa de desemprego de 5,8% no mês de outubro, registrada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no conjunto das seis regiões metropolitanas pesquisadas, é a menor para o mês desde a reformulação da pesquisa de emprego, em 2002. As seis regiões pesquisadas pelo instituto são Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre. A taxa de desemprego de 5,8% em outubro também foi menor que a de 6,0% registrada em setembro. O resultado ficou dentro do intervalo das estimativas dos analistas ouvidos pela Agência Estado, que iam de 5,6% a 6,2%, e ligeiramente abaixo da mediana projetada, de 5,9%. Rendimentos A massa de rendimento real habitual dos trabalhadores ocupados somou R$ 36,9 bilhões em outubro, um montante estável em relação a setembro. No entanto, houve alta de 0,9% na comparação com outubro de 2010, segundo a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), divulgada pelo IBGE. A massa de rendimento real efetivo dos ocupados ficou em R$ 36,7 bilhões em setembro de 2011, estável em relação ao mês anterior, mas 0,7% maior que a registrada em setembro do ano passado. O rendimento médio real habitual dos ocupados foi de R$ 1.612,70 em outubro, sem variação na comparação com setembro e 0,3% menor que o registrado em outubro do ano passado.
As principais bolsas da Europa sofreram fortes perdas no pregão desta
segunda-feira (21), pressionadas pelas preocupações acerca do impasse da redução
do déficit dos Estados Unidos. A falta de consenso sobre o tema pode levar a uma
nova redução da nota de crédito do país pela agência de classificação de risco
Standard & Poor’s.A persistente incerteza dos investidores em relação à dívida europeia também
trouxe pessimismo. Na Espanha, o primeiro-ministro eleito, Mariano Rajoy, foi
cobrado nesta segunda a dar rapidamente detalhes sobre suas políticas
anticrise.
A agência Moody alertou, em relatório, que a alta nas taxas de
juros sobre a dívida do governo francês e os prognósticos de crescimento mais
fraco poderiam ser negativas para a perspectiva do rating de crédito da
França. Grécia e EUA Declarações do banqueiro Lucas
Papademos, novo primeiro-ministro da Grécia, prometendo submissão aos
mandamentos da “troika” (FMI, BCE e UE) chegaram a despertar certo otimismo no
mercado europeu pela manhã.
"Esta carta dos líderes que apoiam o governo
foi solicitada pelo Eurogrupo, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a União
Europeia (UE), e considero que é necessária para eliminar as incertezas e as
ambiguidades sobre as medidas que serão tomadas no futuro pelos partidos que
poderiam estar no poder", comentou o banqueiro. O líder do partido Nova
Democracia, Antonis Samaras, resiste a certificar por escrito o compromisso de
que cumprirá as medidas estipuladas com a zona do euro.
O mau humor
retornou com força e passou a dominar os negócios ao longo do dia após a
informação de crise na negociação entre democratas e republicanos para reduzir o
déficit público dos EUA.
Londres caiu 2,62%, Paris recuou 3,41%,
Frankfurt teve perda de 3,35% e Lisboa, 2,08%. A Bolsa de Milão despencou 4,74%
e Madri, 3,35%.
No mercado local, o Ibovespa reflete a incerteza externa,
operando em queda de 1,52%, aos 55.870 pontos às 16h32. O dólar comercial sobe
1,35%, a R$ 1,807.
Em Nova York, Dow Jones recua 2,56%, Nasdaq, 2,48% e
S&P 500, 2,37%. Com informações do Estadão.com.br
Passei hoje pela Rua Quintino Cunha, e me lembrei
do livro excelente de Leonardo Mota “Cabeças chatas” que tem um capítulo sobre
o poeta. Foi-me enviado por um pesquisador da obra do poeta de “Pelo Solimões”,
Jorge Brito, do Ceará.
Quintino Cunha morou em Manaus, onde conseguiu até algum
dinheiro.
O cearense é como passarinho
Tem de voar, para fazer o ninho...
Com o dinheiro ali ganho – era a época de ouro da
borracha – escreveu um livro de versos e foi editá-lo na Europa.
Do Amazonas tirou as belas imagens do “Encontro das águas”, dos rios Negro e
Solimões :
Se esses dois rios fôssemos, Maria,
Todas as vezes que nos encontramos,
Que Amazonas de amor não sairia
De mim, de ti, de nós que nos amamos!
Foram esses versos que tive vontade de recitar ali
da Rua Quintino Cunha, bem alto.
Se não o fiz foi porque ali em frente estava a
Delegacia.
Ali naquela esquina morava um grande amigo meu já há
muito falecido, o Ítalo, meu colega de faculdade. Ia ser assistente do Celso
Cunha. Ítalo era um sábio. Alto, mulato, meio cego, tocava piano e sabia de
tudo. Um dia me deu uma aula sobre a “Paixão segundo São Mateus”, de Bach.
Tempos felizes, aqueles.
Fiquei feliz em ver que o meu antigo amigo morava
na esquina da poética rua Quintino Cunha.
Muitos artistas hoje vistos como grandes estrelas começaram suas carreiras no submundo dos filmes pornográficos, atividade de enorme lucratividade atualmente na milionária indústria norte-americana. E parece que, segundo o escritor Darwin Porter, uma das maiores vozes do século XX teria se envolvido na atividade quando jovem: Frank Sinatra, morto em 1998 aos 82 anos de idade. As informações são do tabloide britânico Daily Mail. Frank Sinatra teria feito pornô quando jovemSegundo Porter, que assina uma nova biografia de "Blue Eyes", Frank Sinatra: The Boudoir Singer, o cantor estava tão quebrado financeiramente em 1934, quando tinha 19 anos, que acabou participando do filme de sexo explícito The Masket Bandit - para o qual teria recebido cerca de US$ 100. O escritor ainda afirmou que Sinatra teria feito seu amigo Sammy Davis Jr. apagar sua cópia da fita, e, em outra ocasião, ficado furioso com o fato de o ator britânico Peter Lawford ter exibido o filme a seus amigos e conhecidos. Sinatra ainda teria impedido o uso de cenas do trabalho em um documentário que abordaria histórias de atores envolvidos com a pornografia antes do estrelato.
O ex-presidente entrou no hospital acompanhado da mulher, Marisa Letícia, e
não falou com a imprensa. A perspectiva é de que o ex- presidente passe a noite
internado e receba alta amanhã à tarde, quando deverá voltar ao seu apartamento
em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista.
Lula terá de completar três ciclos de quimioterapia
para dar início ao tratamento radioterápico. Devido ao tratamento, ele não tem
saído de seu apartamento, onde vem recebendo visitas frequentes de amigos,
ministros e da presidenta Dilma Rousseff.
Na última quarta-feira (16), o ex-presidente não compareceu a um evento para
discutir investimentos na África promovido pelo Instituto Lula, em parceria com
a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a Federação
Brasileira de Bancos (Febraban). Em jejum, Lula permaneceu em seu apartamento ,
em São Bernardo, para se submeter a um exame de sangue.
Conta Humberto de
Campos, nas suas “Memórias inacabadas”, que:
“Fran Paxeco, escritor português, discípulo e devoto de
Teófilo Braga, chegara ao Maranhão, procedente de Manaus, onde o seu temperamento
combativo lhe havia criado grandes e aborrecidas incompatibilidades. Idólatra
do seu mestre, saíra a defendê-lo de Sílvio Romero, que o acusara de gravíssima
desonestidade literária. João Barreto de Menezes, filho de Tobias Barreto,
surgiu em defesa de Sílvio. Fran Paxeco volta à imprensa, investindo contra
Tobias. E o resultado foi um pugilato em uma das praças públicas da capital
amazonense, a partida de Fran Paxeco para o Sul, e a perfídia de João Barreto
de Menezes, que, segundo se tornou corrente em todo o Norte, fazendo uma alusão
espirituosa à transformação do nome de Francisco Pacheco em Fran Paxeco, mandou
gravar no castão da sua bengala a seguinte legenda comemorativa: “Esta bengala,
no dia tanto de tal, tirou, em Manaus, o cisco das costas de um galego
insolente.”
“Aportando ao Maranhão, Fran Paxeco viveu aí como na sua
terra. São Luís era, aliás, por esse tempo, uma cidade portuguesa, e em que
dominava, ainda, o reinol. O diretor de uma das folhas mais vibrantes da cidade
era o português Manuel de Bittencourt. À frente do diário que defendia o
Governo estadual, estava o português Carvalho Branco, a que o Partido oficial,
reconhecido pelos serviços relevantíssimos que ele lhe prestara nos trabalhos
de alistamento eleitoral, havia dado, numa recompensa expressiva, o privilégio
para fabricar caixões de defunto. O comércio era, quase todo, português. De
modo que, estabelecendo-se na capital maranhense, Fran Paxeco se sentia tão à
vontade como se tivesse desembarcado no Porto ou em Lisboa. As vantagens que
ele trazia, com a sua vivacidade e com o seu entusiasmo, justificavam, aliás, a
cordialidade do acolhimento. Habituado a olhar o português como gente de casa,
a mocidade maranhense, que saía do Liceu, e se iniciava nos cursos superiores
fora do Estado, saudou Fran Paxeco à chegada, e proclamou-o um dos seus guias e
mestres. E o hóspede se identificou de tal maneira com ela, que olvidou a sua
condição de estrangeiro, e passou a participar da atividade social da terra
generosa com uma solicitude bárbara, mas que era, em tudo, de uma sinceridade
intensa e profunda. Miúdo e barbado, era, todo ele, nervos e cérebro. Mais
tarde, tirou as barbas. Mas conservou inalteráveis o temperamento, o espírito e
o coração, até o dia em que Portugal o removeu para Cardiff, como vice-cônsul,
isto é, em um posto equivalente ao que o Brasil dera, ali, anos antes, a
Aluísio Azevedo”.
Hoje, existe uma rua com seu nome em São Luís, no Maranhão.
Sophia Loren diz que sexo todos os dias a mantém bela
A atriz Sophia Loren, de 77 anos, disse que fazer amor diariamente a ajuda a se manter bela. A declaração foi dada ao lado do ator francês Alain Delon, em uma entrevista concedida no balneário mexicano de Acapulco, onde os dois participaram do Festival Internacional de Cinema, informou neste sábado (19) o jornal La Jornada.
- Realmente para mim foi um drama me manter bela, mas faço amor todos os dias, creio que isso ajuda.
O famoso ator francês afirmou que a idade não representa impedimento algum para seu trabalho.
- Eu atuo com quem quero e na hora que quero.
Delon considerou que o cinema deixou de ser "uma fábrica de sonhos". Antes "ia ao cinema para sonhar, agora vamos para nos identificar com os atores. Antes íamos ver pessoas que nos faziam sonhar". Os dois atores receberam o prêmio Acorde de Acapulco por sua carreira.
Localizada no Pacífico, Acapulco foi um dos balneários das grandes personalidades na década de 1960. A cidade tenta recuperar seu brilho, apesar da violência desencadeada pelos cartéis do narcotráfico nos últimos dois anos.
Assim a deusa
poderosa em Chipre,
Assim os irmãos de Helena, brilhantes
Astros, e o rei dos ventos, só com japis,
prendendo os mais, te reja, Ó nau, que és de
Vergílio devedora,
Que a ti se confiou, rogo-te, o ponhas,
Salvo nas terras áticas, e guardes
metade de minha alma. Enzinho e
tresdobrado bronze havia
Em torno ao peito, quem ao pego iroso
O baixel frágil cometeu primeiro;
Nem já temeu o ábrego. Com os aquilões
brigando impetuoso,
Hiadas tristes, nem de Noto a raiva;
Que é da Ádria o mór senhor, ou erguer queira,
Ou amainar as ondas. Que gênero temeu de
morte aquele,
Que a olhos secos viu nadantes monstros,
Que viu túrgido mar, e Acroceraunos
infamados cachopos? Em vão próvido Deus
com o oceano
As terras retalhou insociáveis,
Se contudo os baixéis ímpios trespassam
os não tocandos mares. Audaz a sofrer
tudo, a gente humana
Por defezas maldades se despenha;
Audaz a prole de japeto às gentes
com fraude iníqua o fogo. Trouxe: depois que
o fogo à casa etérea
Se furtou, a magreza e nova tropa
De febre sobreveio à terra, e o fado
vagaroso da morte. Dantes remota,
apressurou o passo
Tentou com penas ao mortal não dadas,
Dédalo o ar vazio: o Aqueronte
rompeu trabalho hercúleo. Nada aos mortais é
árduo: cometemos
Loucos o mesmo Céu; e não deixamos
Com os nossos crimes, que deponha Jove
Os iracundos raios. [HORÁCIO. Obras
completas. São Paulo, Cultura, 1941. p. 24-25.]
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ALGUMAS OPINIÕES SOBRE Rogel Samuel: "Poucas vezes li um texto tão bem condensado sobre teoria literária. Felicito-o pela plena realização, coisa rara no gênero" (NELSON WERNECK SODRÉ). «O meu abraço de parabéns pelo muito que aprendi com você. O estudo sobre o Rosa é mais do que excelente - é perfeito. Um grande abraço deste seu velho admirador e amigo». (JOSUÉ MONTELLO) «Hoje trocamos de lugar, você na cátedra, eu na assistência.» (ALCEU AMOROSO LIMA)"É uma obra-prima" (ELIANA BUENO-RIBEIRO) "são raros os romances históricos sobre temas brasileiros, e a visão de Rogel Samuel é primorosa" (LEILA MÍCCOLIS) “Escreveu o quadro de uma época( 1897) com muito vigor e beleza, significativamente com densas impressões (DALMA NASCIMENTO).
MARIA AZENHA
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Dissertação de mestrado: Estudo comparativo dos romances “A selva” (FERREIRA DE CASTRO), “Beiradão” (ÁLVARO MAIA) e “O amante das amazonas” (ROGEL SAMUEL), Editora da Universidade do Amazonas, 2009. 240p. ISBN 978-85-7401-458-6. (click na imagem).Solicitações: lucileneglima@bol.com.br
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